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AULA 8 - GOVERNANÇA CORPORATIVA • Analisar a questão da Governança Corporativa como atitude de destaque pelas empresas, em que os trabalhos se apresentam na forma de mecanismos ou princípios que regem o processo decisório dentro de uma empresa. CONTEXTUALIZANDO A APRENDIZAGEM Na Aula anterior discutimos sobre a importância do controle dos custos fabris, bem como sobre as despesas operacionais que são classificadas em três categorias distintas: administrativas, de vendas e pesquisa e desenvolvimento. Mas isso não basta para as empresas obterem sucesso. Se esse sucesso for vislumbrado a partir do lucro, é necessário que todo um acompanhamento mais aprimorado seja realizado. E é aí que entra a Governança Corporativa. Você sabe como se dá o processo de Governança Corporativa nas empresas? Quais empresas normalmente devem implementar esse sistema de gestão? Como isso ocorre? Essas e outras perguntas serão respondidas ao final desta Aula. Num momento turbulento e de mudanças constantes nas organizações e na sociedade, a Contabilidade se apresenta como uma ciência social de apoio ao processo de transformação do ambiente corporativo, bem como suporte às decisões importantes para a manutenção e o aumento da longevidade das empresas de diversos portes, segmentos e setores da economia brasileira, além do aspecto contemporâneo relacionado ao suporte à Governança Corporativa. Neste sentido, é necessário que você, caro(a), Aluno(a), seja capaz de conhecer e compreender os aspectos relacionados à constituição, esfera legal e governança das Sociedades de Capital Aberto. Trataremos as competências relacionadas ao conhecimento das normas contábeis emanadas pelo CFC (Conselho Federal de Contabilidade) que, em decorrência do processo de globalização da economia, faz com que as Demonstrações Contábeis tenham convergência com os padrões internacionais emanados pelo IFRS (International Financial Reporting Standard). Então… vamos agora aos nossos estudos! Mapa mental panorâmico Para contextualizar e ajudá-lo(a) a obter uma visão panorâmica dos conteúdos que você estudará na Aula 8, bem como entender a inter- relação entre eles, é importante que se atente para o Mapa Mental, apresentado a seguir: GOVERNANÇA CORPORATIVA 1 SOCIEDADES DE CAPITAL ABERTO 2 GOVERNANÇA CORPORATIVA 3 GOVERNANÇA CORPORATIVA NO MUNDO 3.1 ESTADOS UNIDOS 3.2 REINO UNIDO 3.3 ALEMANHA 3.4 JAPÃO 4 GOVERNANÇA CORPORATIVA NO BRASIL 4.1 BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO (BOVESPA) 4.2 COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM) GOVERNANÇA CORPORATIVA 1 SOCIEDADES DE CAPITAL ABERTO No mundo corporativo, é de fundamental importância saber como agir quando o assunto é Sociedades de Capital Aberto. Uma empresa de Capital Aberto é uma sociedade anônima cujo capital social é formado por ações, ou seja, títulos que representam partes iguais, livremente negociadas no mercado sem necessidade de escrituração pública de propriedade. Como exemplos de empresas de capital aberto, podemos citar o Banco do Brasil e a Petrobras. Assim, as pessoas compradoras das ações são proprietárias apenas de uma parte proporcional da empresa e respondem por dívidas assumidas pelo corpo diretivo da empresa, o Conselho de Administração e os gerentes executivos ou diretores, os membros da Diretoria Executiva, apenas e tão somente em função do valor monetário da parte ideal quantificada pelas ações sob sua posse. Mas qual é a diferença entre empresa de capital aberto e empresa de capital fechado? É muito comum, principalmente no Brasil, que as pessoas tenham muitas dúvidas em saber diferenciar esses dois tipos de empresas, já que, em nosso país, a cultura do investimento em bolsa de valores ainda é muito pouco difundida em comparação a outras nações com o nosso grau de desenvolvimento. A diferença entre elas está no processo de comercialização das ações. Nas empresas de capital aberto, as ações estão livremente disponíveis para a compra e venda na bolsa de valores. Fato que não pode ser observado nas organizações de capital fechado, que apenas trabalham com a compra e venda de ações em balcão. Nesse contexto, a abertura de mercado, bem como as negociações em torno da compra e venda de ações fazem parte dessa realidade. Portanto, a abertura de mercado tem papel fundamental em todo esse processo, alavancando a economia mundial. Ao pensarmos em maneiras que podem viabilizar o crescimento de uma empresa, imediatamente nos vem à mente a captação de recursos em instituições financeiras, levando à captação de empréstimo nas instituições financeiras. Mesmo parecendo ser a maneira mais simples e comum de se conseguir capital de terceiros e impulsionar o crescimento de um negócio, o empréstimo não é a única possibilidade, pois o mercado financeiro nos oferece outras opções, uma delas é captar recursos através da emissão de ações. Essas operações de captação de recursos geram custos quando da distribuição pública primária de ações ou bônus de subscrição, na aquisição e alienação das próprias ações, na captação de recursos por meio de emissão de títulos de dívida e dos prêmios na emissão de debêntures e outros títulos patrimoniais e de dívida. Dessa forma, surgem alguns questionamentos do tipo: como captar recursos? De que maneira as ações são negociadas? Existem encargos incidentes nessas transações? Quais são eles? Como tudo isso está relacionado à Governança Corporativa? De acordo com a legislação brasileira que trata da regulamentação acerca da abertura de mercado em ações, é necessário que a companhia seja constituída sob a forma de Sociedade Anônima devidamente registrada junto a CVM – Comissão de Valores Mobiliários. No nosso caso, isso é fato, portanto não precisamos nos preocupar. Além disso, dependendo do mercado alvo, a companhia deverá requerer seu registro junto à Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBOVESPA), organismo regulador que opera com a supervisão da CVM – Comissão de Valores Mobiliários. O registro de companhia aberta emitido pela CVM é específico para um dos mercados, sendo eles a Bolsa de Valores ou o Mercado de Balcão, não sendo permitida a negociação concomitante de uma mesma ação e da mesma companhia na Bolsa de Valores e por instituições administradoras atuantes no Mercado de Balcão, conforme a Lei no 6.385/76 que disciplina o mercado de capitais no Brasil (BRASIL, 1976). As bolsas de valores são sociedades anônimas ou associações civis, com o objetivo de manter local ou sistema adequado ao encontro de seus membros e à realização entre eles de transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela Comissão de Valores Mobiliários. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa (Resolução CMN 2.690, de 2000). Já no Mercado de Balcão ocorrem as operações que envolvem o mercado de capitais fora da Bolsa de Valores. É nele que são negociados os demais valores mobiliários, sendo eles do Mercado Primário ou do Mercado Secundário. O Mercado primário é aquele em que costumeiramente as ações são negociadas pela primeira vez. É quando ocorrem as Ofertas Públicas Iniciais, também conhecidas como IPO – Initial Public Offering. Através também do Mercado primário é que são negociados outros ativos como títulos e letras de câmbio ou CDB – Certificado de Depósito Bancário. Já o Mercado secundário é onde ocorrem as negociações entre os proprietários de ativos adquiridos no mercado primário com outros investidores. A partir dessa contextualização, a seguir, é possível entender como a Governança Corporativa está inserida nesse cenário. 2 GOVERNANÇA CORPORATIVA A Governança Corporativa pode ser definida como o conjunto de mecanismos internos e externos que visam harmonizar a relação entre gestores e acionistas, dada a separação entre controle e propriedade. Como mecanismos internos para o alinhamento de interesses, pode-se destacar a atuação do Conselho de Administração, a remuneração dosgestores e a posse de ações por parte dos executivos. Já como mecanismos externos, pode-se ressaltar a obrigatoriedade da divulgação de informações periódicas sobre a companhia, a presença de um mercado hostil e a existência de um mercado de trabalho competitivo. Os agentes de mercado recomendam às empresas a adoção de algumas práticas para o aprimoramento da Governança Corporativa, sendo as principais: • a necessidade de uma participação ativa e independente do Conselho de Administração; • o fornecimento de informações precisas e transparentes para o mercado e igualdade de direitos entre todos os acionistas. Além dessas práticas, tem também como princípios básicos as seguintes características: • Transparência. • Equidade. • Prestação de Contas (Accountability). • Responsabilidade Corporativa. 3 GOVERNANÇA CORPORATIVA NO MUNDO O sistema de Governança Corporativa adotado pela empresa depende, em grande parte, do ambiente institucional no qual está inserida. O Estado, através da definição dos sistemas financeiro e legal, modela a formação do mercado de capitais local e do grau de proteção dos investidores, influenciando o modelo de governança das empresas. Dessa forma, os países apresentam diferenças significativas entre os modelos adotados por suas empresas. Destacamos os principais a seguir. 3.1 ESTADOS UNIDOS A pulverização do controle acionário é uma das características das empresas americanas, e os acionistas possuem pouco incentivo ou capacidade para afetar as políticas corporativas definidas pelos gestores, resultando em uma situação na qual os executivos são fortes e os proprietários são fracos. Nesse contexto, o movimento em torno da Governança Corporativa surgiu em meados da década de 1980, como resposta a diversos casos de abuso de poder e expropriação da riqueza dos acionistas por parte dos executivos, que, naquela época, dominavam os Conselhos de Administração. Essa resposta foi dada, em grande parte, pela atuação dos investidores institucionais, principalmente fundos de pensão, cujo ativismo se tornou sinônimo de governança corporativa no país. 3.2 REINO UNIDO A pulverização do controle acionário também é uma característica da grande maioria das companhias abertas do Reino Unido. Uma série de escândalos nos mercados corporativos e financeiros, no final dos anos 1980, levou o governo do Partido Conservador a ameaçar intervir caso o mercado não se estruturasse de forma a prevenir a ocorrência de novos escândalos. A Bolsa de Valores de Londres (London Stock Exchange), em conjunto com entidades, elaborou o relatório do Comitê Hampel, publicado em janeiro de 1998 e, após o recebimento de sugestões da sociedade civil, deu origem ao Combined Code em julho de 1998. Esse código de Governança Corporativa foi incorporado como uma das exigências da bolsa de valores de Londres para listagem das companhias. 3.3 ALEMANHA O modelo de Governança Corporativa alemão possui três características distintas: • Modelo de equilíbrio dos interesses dos stakeholders . • Papel limitado do mercado de capitais para fornecimento do capital de risco. • Gestão coletiva das empresas. Durante os anos 1990, as forças de mercado oriundas da globalização forçaram cada vez mais as empresas alemãs a adotarem os padrões internacionais de Governança Corporativa. O fortalecimento do mercado de ações alemão teve grande impulso em 1997, com a criação do Novo Mercado (Neuer Market) da bolsa alemã de Frankfurt, que possui regras mais rígidas de proteção e transparência aos investidores. 3.4 JAPÃO No Japão, o objetivo das empresas tem sido a busca pelo equilíbrio dos interesses dos stakeholders e a garantia de emprego vitalício para seus funcionários. Entretanto, a pressão internacional por maior competitividade vem fazendo com que, como forma de sobrevivência, muitas empresas japonesas tenham que abandonar a política de emprego vitalício. Outra característica marcante do sistema corporativo japonês são os keiretsu, conglomerado de várias empresas e bancos unidos por participações cruzadas entre eles. As empresas japonesas utilizam o conceito de um único Conselho de Administração, com número excessivo de membros e composição exclusivamente interna, sua função é meramente cerimonial, não sendo um agente eficaz de Governança Corporativa. Em 1998, foi elaborado um relatório denominado Princípios de Governança Corporativa – Uma Visão Japonesa (Corporate Governance Principles – A Japanese View), que, apesar de ter como base o Combined Code britânico, elaborou diretrizes mais modestas. Quando a companhia tem um crescimento acelerado, é hora de dar mais atenção para a possibilidade de se implementar um sistema de Governança Corporativa. Isso porque, ao conquistar o mercado com mais abrangência, os processos, bem como o fluxo de informação são cada vez mais complexos. Por conta disso, é necessário um novo modelo de organização em que as coisas estejam sempre no controle. Neste cenário, a Governança Corporativa está interligada à gestão da empresa, fazendo com que as partes interessadas no negócio (acionistas) estejam sempre satisfeitos. Essas são condições essenciais para o sucesso, ainda mais em tempos de economia globalizada, em que a concorrência é cada vez maior. 4 GOVERNANÇA CORPORATIVA NO BRASIL Na última década do século XX, as empresas brasileiras listadas em Bolsa de Valores apresentavam as seguintes características principais, com relação à Governança Corporativa: Figura 1: Características das empresas brasileiras listadas em Bolsa de Valores Fonte: Elaborada pelo Autor/ Equipe NEAD. Nessa época, o aumento da competitividade, decorrente da maior estabilidade econômica e abertura de mercado, e a maior dificuldade de obtenção de financiamento estatal levaram as empresas brasileiras a uma necessidade crescente de acesso aos mercados de capitais nacional e internacional. Passaram a adotar novas práticas de Governança Corporativa, destacando uma maior consideração aos interesses de acionistas minoritários, maior transparência das informações ao mercado e profissionalização do Conselho de Administração. Algumas iniciativas institucionais e governamentais também contribuíram, e ainda contribuem, para a melhoria das práticas de governança corporativa das empresas brasileiras, destacando-se: • criação, em 1995, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC); • aprovação da Lei no 10.303, de 31.10.2001, que, entre as alterações introduzidas, promoveu o fortalecimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), concedendo ao órgão maior independência funcional e financeira; • criação, em 2001, dos Níveis 1 e 2 de Governança Corporativa e Novo Mercado pela Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA); • aprovação da Lei no 11.638, de 28.12.2007, Nova Lei das S.A., trazendo o alinhamento com o IFRS (International Financial Reporting Standards). 4.1 BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO (BOVESPA) A segmentação do mercado acionário, conforme níveis de aderência a exigências de Governança Corporativa promovida em 2001, teve as seguintes características principais, no Nível 1: Figura 2: Características do Nível 1 Fonte: Elaborada pelo Autor/ Equipe NEAD. As empresas integrantes do Nível 2, além de se comprometerem a cumprir as exigências do Nível 1, devem ainda aceitar: Figura 3: Características do Nível 2 Fonte: Elaborada pelo Autor/ Equipe NEAD. O Ibovespa é um dos indicadores mais importantes para entender sobre o mercado financeiro. Provavelmente, você já deve ter ouvido falar que ele caiu ou subiu tantos pontos em um dia. Mas o que significam os pontos do Ibovespa? Basicamente, a pontuação revela as expectativas dos investidores. Ela representa o ânimo do mercado. Então, para investir em renda variável, principalmente em ações, você precisa conhecer o índice a fundo. Quer entender melhor esses índices? Então, clique aqui e veja uma explicação clara e objetiva acerca do funcionamento do Mercado de Capitais onde a Bolsa de Valores e demais agentes estãoinseridos. Após ler o material proposto e assistir ao vídeo, você compreendeu bem o que é o Ibovespa? Compreendeu o que é a bolsa de valores? Compreendeu como investir na bolsa de valores? Percebeu como funciona o Mercado de Capitais? Muito bem, como pudemos ver, ao entender a dinâmica do Ibovespa, o mercado poderá se tornar um grande aliado para atingir os objetivos da empresa. O Novo Mercado exige que as empresas, além de se comprometerem com as exigências dos Níveis 1 e 2, decidam emitir apenas ações ordinárias, acabando com o papel das ações preferenciais. Companhias abertas com ações preferenciais também podem aderir a esse mercado, desde que transformem todas as ações em ordinárias. O público-alvo são as empresas interessadas em abrir o capital, não sendo, porém, obrigatória sua adesão a nenhum dos mercados de Governança Corporativa. Para avaliação do desempenho das empresas integrantes desses mercados são listados índices de Governança Corporativa, sendo eles: Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada – IGCX Tem por objetivo medir o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas que apresentem bons níveis de Governança Corporativa. Inclui todas as ações emitidas por empresas negociadas no Novo Mercado ou integrantes classificadas nos Níveis 1 e 2. Desde sua criação em 2001, com 1.000,00 pontos, apresenta desempenho acumulado, ao final de 2013, de 7.788,16 pontos. Índice de Governança Corporativa Trade – IGCT É composto pelas ações de empresas integrantes do IGC que atendam simultaneamente aos critérios de liquidez, listados abaixo: a) inclusão em uma relação de ações cujo índice de negociabilidade somados representem 99% do valor acumulado de todos os índices individuais; b) participação em termos de presença em pregão igual ou superior a 95% no período. A mesma empresa pode ter mais de uma ação participando da carteira, desde que cada ação atenda isoladamente aos critérios de inclusão. Criado em 2005, com 1.000,00 pontos, apresentou desempenho acumulado, ao final de 2013, de 2.123,71 pontos. Índice de Governança Corporativa – Novo Mercado – IGC-NM São incluídas na carteira teórica do índice todas as ações de empresas listadas no Novo Mercado. Índice criado em 2006, com 1.000,00 pontos, teve desempenho acumulado, ao final de 2013, de 1.670,14 pontos. Índice de Ações com Tag Along Diferenciado – ITAG Tem por objetivo medir o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas que ofereçam melhores condições aos acionistas minoritários no caso de alienação do controle. https://blog.toroinvestimentos.com.br/b3-bolsa-de-valores-brasil Elegem-se à inclusão na carteira teórica do índice todas as ações para as quais a empresa concede tag along superior em relação à legislação aplicável, a qual estabelece que as companhias abertas devam oferecer a todas as ações ordinárias minoritárias tag along de 80% em relação ao preço obtido pelo controlador, no caso de alienação de controle. Índice criado em 2002, com 1.000,00 pontos, apresentou desempenho acumulado de 10.325,94 pontos ao final de 2013. 4.2 COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM) Criada pela Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, tem as seguintes atribuições: • registro de companhias abertas; • registro de distribuições de valores mobiliários; • credenciamento de auditores independentes e administradores de carteiras de valores mobiliários; • organização, funcionamento e operações das bolsas de valores; • negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários; • administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários; • suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações; • suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário ou decretar recesso de bolsa de valores. A Lei atribui à CVM competência para apurar, julgar e punir irregularidades eventualmente cometidas no mercado. Diante de qualquer suspeita, a CVM pode iniciar um inquérito administrativo, através do qual recolhe informações, toma depoimentos e reúne provas com vistas a identificar claramente o responsável por práticas ilegais, oferecendo-lhe, a partir da acusação, amplo direito de defesa. O Colegiado tem poderes para julgar e punir o faltoso. As penalidades que a CVM pode atribuir vão desde a simples advertência até a inabilitação para o exercício de atividades no mercado, passando pelas multas pecuniárias. A CVM mantém, ainda, uma estrutura especificamente destinada a prestar orientação aos investidores ou acolher denúncias e sugestões por eles formuladas. De acordo com a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976 (BRASIL, 1976), a Comissão de Valores Mobiliários exercerá suas funções, a fim de: • assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa e de balcão; • proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de administradores e acionistas controladores de companhias ou de administradores de carteira de valores mobiliários; • evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários negociados no mercado; • assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários negociados e as companhias que os tenham emitido; • assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado de valores mobiliários; • estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários; • promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular do mercado de ações e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das companhias abertas. A Comissão de Valores Mobiliário (CVM) através da Instrução CVM nº 457 (CVM, 2007), diz que para o Brasil estar alinhado com as normas internacionais de contabilidade, adotasse as orientações da Instrução Normativa nº 457, de 13 de julho de 2007 que dispõe sobre a elaboração e divulgação das demonstrações financeiras consolidadas, com base no padrão contábil internacional emitido pelo International Accounting Standards Board - IASB. Neste sentido, a CVM disponibiliza em seu site, uma gama extensa de informações e orientações ao público investidor, na forma de alertas, proteção ao investidor e publicações educacionais. Após essa Aula, você entendeu mais um pouco sobre o funcionamento da Bolsa de Valores. A partir daí, consegue responder o que é efetivamente a Bolsa de Valores? Como ela está inserida no contexto corporativo e como os acionistas se valem das informações do mercado financeiro para saber e entender a lucratividade de seus investimentos? Como isso se relaciona com o processo de Governança Corporativa? Caso você consiga responder a estas questões, parabéns! Você atingiu os objetivos desta Aula. Caso tenha dificuldades para responder a alguma(s) delas, aproveite para reler o conteúdo da Aula, e acessar o UNIARAXÁ Virtual e interagir com seus colegas e Tutor(a) a fim de sanar todas as suas dúvidas. Você não está sozinho(a) nessa caminhada! Conte conosco! Chegou o momento de complementar seu conhecimento. Vá até seu Ambiente Virtual de Aprendizagem e acesse esta aula para assistir a Video Aula RECAPITULANDO Nesta Aula, vimos que a origem dos debates sobre Governança Corporativa remete, inicialmente, a conflitos inerentes à propriedade dispersa e à divergência entre os interesses dos sócios, executivos e o melhor interesse da empresa. Mas se aplica estritamente aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha que têm modelo acionário, ou seja, de propriedade dispersa. Na maioria dos países, inclusive o Brasil, a boa governança consiste em oferecer aos acionistas minoritários maior proteção. O crescimento das corporações impulsionou o mercado de capitais ao longo do século XX, e, com o alargamento das fronteiras internacionais, tornou-se necessário criar mecanismos de proteção aos investidores. As bolsas de valores, por conta dos fundos de pensão ou entidades reguladoras, passaram a incentivar as empresasde capital aberto a adotarem regras de Governança Corporativa como diferencial competitivo e de credibilidade. No Brasil, com a edição da Nova Lei da S.A. em 2008, obrigam-se as grandes empresas a alinharem suas publicações às normas internacionais e confere-se à CVM maior independência financeira, operacional e poder fiscalizador. A criação, pela BOVESPA, de índices de Governança Corporativa, com níveis distintos de abrangência, a partir do início deste século, passou a destacar as empresas de capital aberto que aderiram a eles e sinalizar aos investidores seu desempenho. Vimos também nesta Aula, que a atuação fiscalizadora da CVM confere aos investidores maior segurança e transparência ao mercado de capitais, além de ministrar cursos e disponibilizar vários canais de estudos sobre o assunto. Nesse contexto, é importante destacar a contribuição dada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGV), por suas recomendações, pareceres e estudos. Infelizmente, as questões de gestão e governança sempre encontram uma barreira, a falta de conhecimento do negócio por alguns profissionais e de uma metodologia interna para identificação das possibilidades de controles, sejam gerenciais ou regulatórios, além dos riscos envolvidos na atividade. O fluxo dessas informações é muito importante e muitos são os processos a serem identificados, mas ainda falta o entendimento de que a sustentabilidade da organização está na forma de gestão e conduta dos negócios. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei Federal Nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. Dispõe sobre o mercado de valores mobiliários e cria a Comissão de Valores Mobiliários. Disponível em: . Acesso em: 07 de jun. de 2021. CMN – CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. Resolução CMN nº 2.690, de 28 de janeiro de 2000. CVM - Comissão de Valores Mobiliários. Instrução Normativa nº 457, de 13 de julho de 2007. Dispõe sobre a elaboração e divulgação das demonstrações financeiras consolidadas, com base no padrão contábil internacional emitido pelo International Accounting Standards Board - IASB. Disponível em: . Acesso em: 07 de jun. 2021. FIGUEIREDO, Sandra; CAGGIANO, Paulo César. Controladoria: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2004. MORANTE, A. Salvador; JORGE, F. Timaco. Controladoria: Análise Financeira Planejamento e Controle Orçamentário. São Paulo: Atlas, 2008. OLIVEIRA, L. Martins; PEREZ JR. J. Hernandez,; SILVA, C. A. Santos. Controladoria Estratégica: Textos e Casos Práticos com Solução. 11 ed. São Paulo: Atlas, 2015. TORO. B3 - Tudo sobre a Bolsa de Valores do Brasil. blog.toroinvestimentos.com.br. s. d. Disponível em: . Acesso em: 02 de jun. de 2021. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6385.htm. http://www.cvm.gov.br/ https://blog.toroinvestimentos.com.br/b3-bolsa-de-valores-brasil Stakeholders Tag along Stakeholders - Grupo de pessoas que tem interesse em uma empresa, negócio ou indústria, podendo ou não ter feito um investimento neles. Em inglês stake significa interesse, participação, risco; e holder significa aquele que possui. Tag along - Mecanismo de proteção a acionistas minoritários de uma companhia que garante a eles o direito de deixarem uma sociedade, caso o controle da companhia seja adquirido por um investidor que até então não fazia parte da mesma.