Logo Passei Direto
Buscar

APOSTILA_parte_20

User badge image
MDM

em

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

PÁGINA 39
ção de que as pessoas tinham direitos e não apenas “dádivas”, e conforme as 
mesmas passassem a ter noção do que lhes cabia por direito, tomariam atitu-
des a respeito de cobrar tais mudanças. 
Neste sentido, ao ponto que a população foi criando uma bagagem sobre tais 
supressões de direitos cometidas, outra grande evolução na luta pelas melho-
res condições de vida começaram a ganhar nova roupagem, sendo esta a luta 
por investimentos em saúde mais humanizados. (MARTINS, 2007).
Então surgiu o debate a respeito da conservação natural de nosso corpo orgâ-
nico, contestando então a eficácia da indústria farmacêutica e tentando partir 
do pressuposto de que o funcionamento natural do nosso organismo seria o 
ideal. Ora o ser humano luta por um bem maior, uma saúde humanizada, que 
respeite as subjetividades humanas, de modo que não ocorra uma estruturação 
de um mal-estar social, ou seja a potencializarão de doenças por nossa socie-
dade. Evidenciamos então, que o patamar na luta pelos direitos humanos che-
gou à esfera pessoal, atingiu a chamada subjetividade humana, sendo assim 
foi colocada em “cheque” inclusive a nossa forma de viver em sociedade e de 
nos relacionarmos.
Desta forma o homem que está totalmente inserido em uma sociedade de con-
sumo que prioriza pela mecanização humana, ao mesmo tempo é aquele que 
luta por melhores qualidades de vida e melhores condições de saúde. Será en-
tão que a ligação de estarmos com as nossas energias voltadas a este mundo 
consumista não culmina com esse cenário de pessoas doentes?
A resposta para tal questionamento pode ser que não venha de uma maneira 
simples, podemos pensar que esse vínculo está bastante interligado, pois esta-
mos, então, nos deparando com uma consequência do estilo de vida que ado-
tamos, e impulsionadas pelas conquistas da modernidade.
 O corpo humano não se mostra capaz de acompanhar todo o avanço de pro-
dução e tecnologia, portanto estamos diante de uma chamada “fábrica de 
doenças”. De certo modo a vida se tornou conivente com esse modelo, acar-
retando então em um círculo vicioso e de seu seguimento refletindo então aos 
modos de socialização do homem, que faz com que um determinado modo de 
vida, se jogue contra outro, tornando as relações abusivas e controversas.
Seguimos então a discutir o chamado “biopoder” que, de modo genérico, é a 
cumplicidade entre nosso estilo de viver, junto com o desejo interno e exter-
no de que as pessoas cheguem ao poder, como se vivêssemos todos em uma 
grande corrida atrás de algo que pouco se vê e muito se almeja então pontuas-
se que foi criado um grande sistema de julgamento entre os seres, e uma lin-
guagem repressiva e excludente potencializando as formas de vulnerabilidade. 
PÁGINA 40
SAIBA MAIS
REFLITA
Considerações finais
Supõe, então, que de várias formas os direitos humanos são reprimidos e des-
respeitados, seja no nosso modo de viver ou de socializar, posto que o próprio 
homem muitas vezes se contradiz, quando se declara defensor de certas mi-
norias mas ao mesmo tempo se coloca a frente de um modelo de vida que não 
é sadio ao nosso corpo e mente, vejamos então que a educação em direitos 
humanos se mostra cada vez mais importante e necessária visto que conforme 
ocorre uma chamada evolução social existe muito a ser alcançado e muitas la-
cunas a serem preenchidas.
O escritor e psicanalista Vladimir Safatle (2005), pontua que a Psicanálise não 
se opõe aos conhecimentos biologistas, mas nega, isso sim, a hegemonia des-
te, que acaba por reduzir o estado mental a um estado puramente neuronal. 
Safatle argumenta, então, que nesta lógica, os vínculos sociais e investimentos 
libidinais são tratados com certo desdém, de modo que se instala uma “política 
de vitimização”, onde o sujeito, acometido por uma desordem neuronal, deve 
ser velozmente medicalizado, para que não deixe de produzir. Por fim, o escri-
tor problematiza ao revelar que esta guinada organicista salienta uma política 
de controle social que é, por sua vez, substanciada por pesquisas de indústrias 
farmacêuticas que parecem produzir o medicamento antes do surgimento da 
própria doença
Frase para reflexão em sala:
“É preciso atentar para o fato de que a fraqueza, o retraimento, a omissão, são 
tão agressivos quanto à manifestação aberta de agressividade. Ser roubado é 
tão agressivo quanto roubar” (Donald Winnicott)

Mais conteúdos dessa disciplina