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Questões resolvidas

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GRAMÁTICA 
COM FRASES DO 
DIA A DIA 
(versão atualizada) 
Christiane Mazur Doi 
1 
GRAMÁTICA COM FRASES DO DIA A DIA 
 
VERSÃO ATUALIZADA 
 
Autora: Christiane Mazur Doi 
Doutora em Engenharia Metalúrgica e de Materiais, Mestra em Ciências - Tecnologia 
Nuclear, Especialista em Língua Portuguesa e Literatura e em Cálculo e Análise 
Matemática, Engenheira Química e Licenciada em Matemática, com Aperfeiçoamento 
em Estatística e MBA em Engenharia Econômica. Especialização em Recursos 
Gramaticais para Revisão Textual em curso. Professora titular da Universidade 
Paulista. 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
1. Gramática: Língua portuguesa: Linguística 469.5 
Aline Graziele Benitez – Bibliotecária - CRB 1/3129 
 
Doi, Christiane Mazur 
Gramática com frases do dia a dia [livro eletrônico] 
Christiane Mazur Doi. - 1. ed. - São Paulo: Ed. da Autora, 2024. PDF 
ISBN 978-65-01-02459-2 
1. Ditados 2. Gramática 3. Língua portuguesa - Estudo e ensino 4. Linguística I. Título. 
24-206944 CDD-469.5 
2 
INTRODUÇÃO 
 
Muitas vezes, ficamos em dúvida quanto à melhor maneira de expressarmos, por 
escrito, nossas ideias. Essas dúvidas podem ser referentes à ortografia das palavras, à 
utilização de uma preposição, ao uso da crase, à concordância correta de um verbo ou ao 
emprego de um pronome, por exemplo. 
Costumamos perguntar a nós mesmos sobre qual seria o modo mais adequado de 
redigir determinado trecho de um texto. Por isso, nesta publicação, procuro solucionar 
dúvidas que frequentemente surgem em nossa escrita cotidiana. Para tanto, utilizo frases 
famosas ou usuais, incluindo ditados populares e provérbios. 
Você verá que trato de indecisões que podem acontecer com todos nós. 
As explicações que aqui proponho são feitas com base no uso “vivo” da língua, tendo 
como motivação, conforme já dito, expressões do dia a dia, sem o emprego de termos 
gramaticais excessivamente técnicos ou formais que, em geral, tendem a comprometer o 
entendimento do que se expõe. Além disso, recorro a diversos exemplos e a diversas 
comparações de escritas desejáveis e de escritas indesejáveis, segundo as normas 
prescritivas. Preferi usar o termo “indesejável” também para situações que podem ser 
consideradas incorretas, pois há variações no que diferentes gramáticos adotam como regras 
e, em termos pedagógicos, essa pode ser uma estratégia mais acolhedora. 
Adicionalmente, inseri dois anexos com explicações breves e diretas sobre morfologia 
e sobre sintaxe e um anexo com alguns verbos “diferentes” conjugados em expressões 
corriqueiras. 
Em vários casos, pequenos aprimoramentos no modo como escrevemos geram 
grandes diferenças na qualidade dos nossos textos. 
Ainda destaco que, com frequência, maneiras simples e corretas de expressão são 
preferíveis ao emprego de um linguajar artificial ou pedante. 
Com isso, espero que a leitura deste material seja agradável, consiga esclarecer 
dúvidas e aguce a sua vontade de escrever mais e melhor! 
Obrigada! 
Christiane Mazur Doi 
ES 
 
 
 
 
 
3 
Frase Página 
1. Antes tarde do que nunca. 8 
2. Olá, Ana! 8 
3. Quem tem boca vai a Roma. 9 
4. Há males que vêm para bem. 10 
5. Ele interveio na reunião. 11 
6. Desde agora, o Filho estará sentado à direita do Pai (Lucas 22:69). 12 
7. Jantar à luz de velas. 12 
8. Havia milhares de pessoas na passeata. 13 
9. Prefiro o calor ao frio. 14 
10. Trata-se de muitas folhas impressas. 15 
11. As aparências enganam. 15 
12. Seja você mesmo. 17 
13. Agora, Inês é morta. 17 
14. Saco vazio não para em pé. 18 
15. A maioria dos eleitores foi à votação. 18 
16. Seguem os arquivos anexos a este e-mail. 20 
17. Podemos calcular o valor do imposto pela fórmula. 20 
18. Tenho certeza de que vou vencer. 21 
19. Quem canta seus males espanta. 22 
20. Dinheiro na mão é vendaval (Paulinho da Viola). 23 
21. Será discutida a proposta dos novos parâmetros. 24 
22. Faz muitos anos que não vejo meu amigo. 25 
23. Estou a fim de fazer um novo curso. 25 
24. Estou afim com o formato do novo curso. 26 
25. Que não lhe faltem força nem fé. 26 
26. Ele vivia à custa dos pais. 27 
27. À noite, todos os gatos são pardos. 27 
28. Ele tem formação relacionada à área de tecnologia. 28 
29. Já é hora de ele ir ao trabalho. 28 
30. Entre na casa. 29 
31. Eu trabalhava enquanto ele dormia. 30 
32. À medida que poupo, meu saldo aumenta. 30 
33. A gente consegue tudo. 30 
34. A luta implicou vitória. 31 
4 
35. Por um lado, a internet facilita o acesso à informação. Por outro 
lado, ela pode desestimular a leitura. 
32 
36. Eu sou a videira, e vós, os ramos (João 15 – 5:6). 32 
37. Estou a par do assunto. 33 
38. O influencer visou ao sucesso. 33 
39. Em termos de futebol, Pelé é o melhor jogador. 34 
40. Resolva a prova a lápis. 34 
41. Nenhum dos eleitores foi à votação. 35 
42. José fez um empréstimo de longo prazo. 35 
43. As paredes têm ouvidos. 35 
44. A Beneficência Portuguesa é um hospital que tem vários recursos. 36 
45. Um homem não está onde mora, mas onde ama. 36 
46. Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de 
conselhos. 
37 
47. Mente vazia, oficina do diabo. 37 
48. Cão que ladra não morde. 38 
49. Determine a área da seção transversal do cilindro. 39 
50. Ela ficou meio tonta quando tomou o vinho. 40 
51. Ele viu que 20% de R$200,00 são R$40,00. 41 
52. Ela é a exceção que confirma a regra. 42 
53. Meu pensamento voa de encontro ao teu (Vinícius Cantuária). 42 
54. Sobra tudo para eu fazer. 42 
55. Esse assunto fica entre mim e você. 43 
56. Isso está na reportagem em que lemos seu nome. 44 
57. Ela cantou músicas bastante diferentes. 45 
58. A bala está menos doce do que antes. 45 
59. Não me comprometa. 46 
60. Diga-me com quem andas que te direi quem és. 47 
61. Foi ele que se enganou. 47 
62. Ele venceu porque lutou. 48 
63. Eles não viram nenhuma vantagem na proposta. 49 
64. A velocidade do automóvel era alta. 49 
65. Vou repassar sua ligação. 50 
66. Falei a cerca de vinte alunos ontem. 51 
67. Haja paciência! 51 
5 
68. Apesar de ela ser maltratada pela irmã, ajudou-a. 52 
69. Seja bem-vindo! 53 
70. A criança deve ficar no banco de trás do carro. 53 
71. A moça, cujos olhos eram verdes, era linda. 54 
72. Seja forte, senão você pode cair. 54 
73. O mandato do presidente começou recentemente. 55 
74. É proibida a entrada de pessoas estranhas. 55 
75. Chegarei para o almoço, ao meio-dia e meia. 56 
76. Já são três horas da tarde. 56 
77. Éramos seis. 57 
78. Onde estão meus óculos? 57 
79. Júlia disse: obrigada pela gentileza! 58 
80. Sou daqui mesmo. 58 
81. Em princípio, todos somos iguais perante a lei. 58 
82. O hotel tem uma infraestrutura excelente. 59 
83. O pesquisador fez um levantamento socioeconômico. 61 
84. Ele tem chegado cedo. 61 
85. Foi ele mesmo que fez o móvel. 61 
86. Quero, sim, ganhar na loteria. 64 
87. Quanto custam os itens da lista? 64 
88. Bem que se quis (Marisa Monte). 65 
89. Alugam-se quartos. 65 
90. Podemos conceber a luz como uma onda eletromagnética. 66 
91. Tina possui muitos bens. 67 
92. A família está recebendo ajuda de custo. 67 
93. Ela foi à paróquia. 67 
94. O trabalho foi mais bem executado por mim. 68 
95. Você tem que vir sábado de manhã. 68 
96. Os gatos não podem, em virtude da toxicidade, usar paracetamol. 69 
97. Deus ama a todos. 70 
98. Obedeça ao pai! 70 
99. Assistimos ao filme. 71 
100. A meu ver, ele é inocente. 71 
101. Ele é assessor de imprensa. 71 
102. Ele não para de falar. 73 
6 
103. Só existe liberdade quando as pessoas podem pensar 
diferentemente de nós (Rosa Luxemburgo). 
72 
104. Os objetivos são: pensar positivo e conquistar vitórias. 72 
105. O móvel tem várias características, como seu peso, sua altura e 
seu formato. 
74Desejável Rute e Raquel receberam menos do que esperavam. 
Desejável Rute e Raquel receberam aquém do que esperavam. 
Desejável A pele dela está menos viçosa do que a minha. 
Desejável As flores estão menos adubadas do que deveriam. 
Desejável As crianças deveriam comer menos alimentos processados. 
Desejável As crianças deveriam comer menor quantidade de alimentos processados. 
 
46 
59. Não me comprometa. 
 
Partículas negativas “puxam” o pronome oblíquo, ou seja, exigem o que chamamos 
de próclise (colocação dos pronomes me, te, se, nos etc. antes do verbo). Assim, devemos 
usar “Não me comprometa”, e não “Não comprometa-me”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ele fez de tudo, mas nunca convidou-a para jantar. 
Desejável Ele fez de tudo, mas nunca a convidou para jantar. 
 
Indesejável Não deixe-me sem a sua atenção. 
Desejável Não me deixe sem a sua atenção. 
 
Indesejável Jamais leve-o para fora de casa. 
Desejável Jamais o leve para fora de casa. 
 
Indesejável Nada detém-no. 
Desejável Nada o detém. 
 
Indesejável Ele não encantou-se com o texto. 
Desejável Ele não se encantou com o texto. 
 
Indesejável Fátima nunca contou-nos a verdade. 
Desejável Fátima nunca nos contou a verdade. 
 
Também devemos usar a próclise se houver as seguintes partículas atrativas: 
sempre, também, só, talvez, agora, aqui, amanhã, ainda que, disso, poucos, muitos, 
alguém... Veja alguns exemplos. 
 
Indesejável Jorge sempre sentia-se desconfortável na presença dela. 
Desejável Jorge sempre se sentia desconfortável na presença dela. 
 
Indesejável Aqui faz-se, aqui paga-se. 
Desejável Aqui se faz, aqui se paga. 
 
47 
Indesejável Muitos foram-se daqui. 
Desejável Muitos se foram daqui. 
 
Indesejável Disso dei-me conta somente agora. 
Desejável Disso me dei conta somente agora 
 
Indesejável Alguém chamou-me? 
Desejável Alguém me chamou? 
 
60. Diga-me com quem andas que te direi quem és. 
 
Não devemos começar uma frase com os chamados pronomes átonos, ou seja, me, 
te, se, nos, vos, lhe e lhes. Assim, no ditado popular do exemplo, temos “Diga-me com quem 
andas que te direi quem és”, e não “Me diga com quem andas que te direi quem és”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Me ligue assim que der. 
Desejável Ligue-me assim que der. 
 
Indesejável Se coloque na minha situação. 
Desejável Coloque-se na minha situação. 
 
Indesejável Nos avise que chegou bem. 
Desejável Avise-nos que chegou bem. 
 
61. Foi ele que se enganou. 
 
Devemos usar a próclise (pronome antes do verbo) quando há o pronome relativo 
“que”. Assim, temos “Foi ele que se enganou”, e não “Foi ele que enganou-se”. 
Enfim, os pronomes relativos (que, quem, cujo, cuja, cujos, cujas, o qual, a qual, os 
quais e as quais) “puxam” os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos, lhe e lhes). 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Prenderam os criminosos que encontravam-se desaparecidos. 
Desejável Prenderam os criminosos que se encontravam desaparecidos. 
48 
 
Indesejável A pessoa que chamou-me é muito legal! 
Desejável A pessoa que me chamou é muito legal! 
 
Indesejável A menina que escolheu-me é muito inteligente. 
Desejável A menina que me escolheu é muito inteligente. 
 
62. Ele venceu porque lutou. 
 
 “Por que” significa “por qual motivo”, e “porque” indica causa, podendo ser 
substituído por “pois” ou “uma vez que”. No caso de “Ele venceu porque lutou”, temos o 
sentido de “Ele venceu uma vez que lutou”, e, por isso, usamos “porque”, e não “por que”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Desejável Ele não dirigiu porque não tinha habilitação. 
Desejável Ele não dirigiu uma vez que não tinha habilitação. 
Desejável Ele foi demitido porque não dava retornos? 
Desejável Quero saber por que ele está chateado. 
Desejável Quero saber por qual motivo ele está chateado. 
 
O uso do acento em “por quê” acontece se ele está no fim da frase, como nos 
exemplos a seguir. 
 
Desejável Ela chegou atrasada, mas não explicou por quê. 
Desejável Você não me retornou. Por quê? 
 
A palavra “porquê” é um substantivo e é usada quando acompanhada por um artigo 
(“o” ou “um”). 
 
Desejável Deve haver um porquê para haver tantas condicionantes. 
Desejável Nunca soube o porquê de ela me tratar tão mal. 
Desejável Qual é o porquê de ela ser tão rude? 
Desejável Tudo tem um porquê. 
Desejável É importante saber os porquês das coisas. 
 
49 
63. Eles não viram nenhuma vantagem na proposta. 
 
Dizemos “Eles não viram nenhuma vantagem na proposta” ou “Eles não viram 
qualquer vantagem na proposta”? 
Aqui, preferimos usar a primeira maneira, tendo em mente que a palavra “qualquer” 
não deveria ser associada a negativas. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Nós nunca criamos qualquer obstáculo à negociação. 
Desejável Nós nunca criamos nenhum obstáculo à negociação. 
Desejável Nós nunca criamos obstáculos à negociação. 
Desejável Nunca criamos obstáculos à negociação. 
 
Indesejável Ninguém lhe causou qualquer mal. 
Desejável Ninguém lhe causou nenhum mal. 
 
Indesejável Não há qualquer empecilho que impeça nós de ir adiante. 
Desejável Não há nenhum empecilho que nos impeça de ir adiante. 
 
Veja que, no último exemplo, além do fato de termos o emprego inadequado de 
“qualquer”, há problemas no uso do pronome “nós”. 
 
64. A velocidade do automóvel era alta. 
 
Em vez de “A velocidade do automóvel era alta”, costumamos ouvir “A velocidade do 
automóvel era rápida”. A velocidade não pode ser rápida nem lenta; ela é alta ou baixa. O 
que podemos ter é, por exemplo, o deslocamento rápido ou lento de algo. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ele deslocava-se com velocidade lenta. 
Desejável Ele deslocava-se com velocidade baixa. 
Desejável Ele deslocava-se lentamente. 
Desejável Ele deslocava-se com lentidão. 
 
 
50 
Indesejável A velocidade daquela moto era rápida. 
Desejável A velocidade daquela moto era alta. 
Desejável A velocidade daquela moto era elevada. 
Desejável Aquela moto movia-se rapidamente. 
Desejável Aquela moto movia-se com rapidez. 
 
65. Vou repassar sua ligação. 
 
É comum, em atendimentos, ouvirmos algo como “Vou estar repassando sua 
ligação”, no lugar de “Vou repassar sua ligação”. 
No exemplo, estamos pensando se é correto ou não o uso do gerúndio “repassando”. 
Para chegarmos a uma conclusão sobre isso, precisamos lembrar que essa forma verbal 
(gerúndio): 
• marca ações contínuas (ou continuadas) no tempo, como em “Estou trabalhando desde 
que me levantei”; 
• articula orações, como em “Ficando pronta, sairei de casa”. 
No exemplo, não temos as situações mencionadas. Logo, ficamos com “Vou repassar 
sua ligação”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Estarei cuidando do seu caso assim que possível. 
Desejável Cuidarei do seu caso assim que possível. 
Desejável Vou cuidar do seu caso assim que possível. 
 
Indesejável 
Todos os produtos estão em promoção, podendo pagar em 10 vezes sem 
juros. 
Desejável 
Todos os produtos estão em promoção, e você pode pagar em 10 vezes 
sem juros. 
Desejável 
Todos os produtos estão em promoção, e você pode pagá-los em 10 vezes 
sem juros. 
Desejável 
Todos os produtos estão em promoção e podem ser pagos em três vezes 
sem juros. 
Desejável 
Todos os produtos estão em promoção, e eles podem ser pagos em três 
vezes sem juros. 
 
51 
Vale destacar que muitas pessoas, avessas à moda do gerundismo, acabam 
extrapolando e considerando qualquer uso do gerúndio como errado. O gerúndio é um 
tempo válido na Língua Portuguesa. No primeiro período deste parágrafo, por exemplo, há 
dois verbos empregados corretamente nesse modo (“extrapolando” e “considerando”). 
Como dissemos,o gerúndio é usado para marcar uma ação contínua no tempo ou 
para articular uma oração à principal. Veja os exemplos a seguir. 
• Larissa está estudando muito desde ontem. 
• Chegando ao escritório, verificarei todas as pendências. 
• O povo não entendia o que aquele político estava dizendo. 
• Explicando tudo, a gente acerta as coisas. 
No entanto, reforçamos que devemos evitar expressões do tipo “vou estar 
transferindo a sua ligação”, pois não se trata de uma ação contínua no tempo. Basta 
dizermos “vou transferir a sua ligação”. 
 
66. Falei a cerca de vinte alunos ontem. 
 
“A cerca de” significa “a aproximadamente”, como vemos abaixo. 
• Falei a cerca de vinte alunos ontem. 
• Falei a aproximadamente vinte alunos ontem. 
• Carina foi a cerca de oito escolas. 
• Carina foi a aproximadamente oito escolas. 
“Acerca de” significa “sobre”, como escrevemos abaixo. 
• Falei acerca da pandemia de covid-19. 
• Falei sobre a pandemia de covid-19. 
• Preparei uma palestra acerca da pandemia de covid-19. 
• Preparei uma palestra sobre a pandemia de covid-19. 
A expressão “há cerca de” é utilizada como “existem aproximadamente” ou para 
indicar tempo passado, como observamos abaixo. 
• Há cerca de vinte itens naquela lista. 
• Existem aproximadamente vinte itens naquela lista. 
 
67. Haja paciência! 
 
“Aja”, sem “h”, refere-se ao verbo agir (atuar), e “haja”, com “h”, refere-se ao verbo 
haver. Assim, “Haja paciência!” significa “Exista paciência!”. 
52 
Poderíamos escrever “Aja com paciência”, mas, nesse caso, teríamos “Atue com 
paciência”. 
Veja alguns exemplos. 
• Espero que ela aja com honestidade e firmeza na solução do problema. 
• Espero que ela atue com honestidade e firmeza na solução do problema. 
• Mesmo que haja obstáculos a serem transpostos, permanecerei confiante. 
• Mesmo que existam obstáculos a serem transpostos, permanecerei confiante. 
 
68. Apesar de ela ser maltratada pela irmã, ajudou-a. 
 
Se as expressões “apesar de”, “depois de”, “antes de” e outras estiverem 
acompanhadas do sujeito do verbo no infinitivo, não fazemos as contrações de+ela=dela, 
de+ele=dele, de+elas=delas, de+eles=deles etc. Por isso, escrevemos “Apesar de ela ser 
maltratada pela irmã, ajudou-a”, e não “Apesar dela ser maltratada pela irmã, ajudou-a”. 
Veja, também, que o correto é “maltratada”, e não “mal-tratada”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Apesar do valor estar certo, ele fez questionamentos. 
Desejável Apesar de o valor estar certo, ele fez questionamentos. 
 
Indesejável Depois dele preparar o jantar, foi lavar a louça. 
Desejável Depois de ele preparar o jantar, foi lavar a louça. 
 
Indesejável Aquilo somente seria possível no caso do valor não ter sido pago. 
Desejável Aquilo somente seria possível no caso de o valor não ter sido pago. 
 
Indesejável O fato da sugestão ter sido acatada gerou reclamações. 
Desejável O fato de a sugestão ter sido acatada gerou reclamações. 
 
Indesejável Qual seria a chance disso ter acontecido? 
Desejável Qual seria a chance de isso ter acontecido? 
 
Nos casos a seguir, em que não há sujeito do verbo no infinitivo, fazemos as 
contrações de+o=do, de+ela=dela e de+isso=disso, conforme segue. 
 
53 
Desejável Apesar do equívoco, ele não fez qualquer reparo no discurso. 
Desejável Apesar dela, Carlos comprou aquele carro. 
Desejável Antes disso, ela não tinha noção do perigo. 
 
69. Seja bem-vindo! 
 
As formas corretas são “bem-vindo”, “bem-vinda”, “bem-vindos” e “bem-vindas”. 
Logo, escrevemos “Seja bem-vindo!”, e não “Seja bem vindo!”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Os artistas de todo o mundo são bem vindos aqui. 
Desejável Os artistas de todo o mundo são bem-vindos aqui. 
 
Indesejável Ele é sempre bem vindo as aulas. 
Desejável Ele é sempre bem-vindo às aulas. 
 
70. A criança deve ficar no banco de trás do carro. 
 
“Trás”, com acento e com “s”, pode ser advérbio de lugar ou preposição. Assim, 
dizemos “A criança deve ficar no banco de trás do carro”, e não “A criança deve ficar no 
banco de traz do carro”. 
“Traz”, sem acento e com “z”, é a terceira pessoa do singular, do presente do 
indicativo, do verbo “trazer”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ela trás muita comida quando vem aqui. 
Desejável Ela traz muita comida quando vem aqui. 
 
Indesejável A menina sempre trás um livro. 
Desejável A menina sempre traz um livro. 
 
Indesejável A moto está indo para traz. 
Desejável A moto está indo para trás. 
 
 
54 
Indesejável O historiador é um profeta que olha para traz (Heinreich Heine). 
Desejável O historiador é um profeta que olha para trás (Heinreich Heine). 
 
71. A moça, cujos olhos eram verdes, era linda. 
 
As palavras “cujo”, “cuja”, “cujos” e “cujas” estabelecem relação entre dois 
substantivos e devem concordar com o substantivo que vem depois delas, conforme 
exemplos a seguir. 
• O menino, cuja mãe era engenheira, queria ser médico. 
• O menino, cujos pais eram engenheiros, queria ser médico. 
• Os meninos, cujos pais eram engenheiros, queriam ser médicos. 
• As meninas, cujas mães eram engenheiras, queriam ser médicas. 
Reforçamos, pelo exemplo que segue, que a expressão “cujo o qual” e suas variações 
não devem ser usadas. 
 
Indesejável O menino, cujo o qual era do Maranhão, tirou boas notas. 
Desejável O menino, que era do Maranhão, tirou boas notas. 
 
Indesejável A menina, cuja a qual era generosa, doou alimentos e roupas. 
Desejável A menina, que era generosa, doou alimentos e roupas. 
 
72. Seja forte, senão você pode cair. 
 
 “Senão” tem sentido de “do contrário” ou de “a não ser”. Por isso, escrevemos “Seja 
forte, senão você pode cair”, ou “Seja forte, do contrário você pode cair”, e não “Seja forte, 
se não você pode cair”. 
No ditado da figura a seguir, temos um uso de “senão”. 
 
 
Ditado “Dos mortos, nada senão o bem”. 
Disponível em . Acesso em 25 abr. 2024. 
 
“Se não” tem sentido condicional, podendo ser substituído por “caso não”. 
 
55 
Para verificar as diferenças de usos de “senão” e de “se não”, observe as situações a 
seguir. 
 
Desejável Aguardarei mais 10 minutos. Se não chegar, começarei a reunião sem ele. 
Desejável Se não conseguir corrigir os erros, peça para outra pessoa fazer isso. 
Desejável Aquele homem não fez outra coisa senão reclamar de tudo. 
Desejável Fiquem prontos logo, senão perdemos a sessão de cinema. 
Desejável Entreguem os relatórios no prazo estipulado, senão haverá reclamações. 
 
73. O mandato do presidente começou recentemente. 
 
A palavra “mandado” significa “ordem” ou “determinação”. Desse modo, ficamos com 
“O mandato do presidente começou recentemente”, e não “O mandado do presidente 
começou recentemente”. 
 “Mandato” indica a “delegação de algum poder a alguém”. 
Para verificar as diferenças de usos de “mandado” e de “mantato”, observe as 
situações a seguir. 
 
Indesejável A Polícia Federal cumpriu o mandato de busca e apreensão. 
Desejável A Polícia Federal cumpriu o mandado de busca e apreensão. 
Desejável O mandado de prisão foi emitido pelo juiz daquela vara criminal. 
Desejável O mandato de senador é de oito anos. 
Desejável O mandato daquele veredor acaba no ano que vem. 
 
74. É proibida a entrada de pessoas estranhas. 
 
No caso, usamos “proibida”, no feminino, pois fazemos a concordância com “a 
entrada”. Logo, temos “É proibida a entrada de pessoas estranhas”, e não “É proibido a 
entrada de pessoas estranhas”. 
Podemos também escrever “É proibido entrada”? 
Sim. Vejamos a explicação a seguir. 
Quando o substantivo é usado em sentido genérico (sem qualquer especificação), 
como em “É proibido entrada”, a expressão é invariável. Quando se trata de algo específico, 
o adjetivo (“proibida”) concorda com o substantivo (“entrada”), como em“É proibida a 
entrada de pessoas estranhas”. 
Veja outro exemplo. 
56 
• Pizza é bom. 
• Esta pizza de calabresa que estou comendo é boa. 
Na primeira frase, não falamos de nenhum tipo específico de pizza, mas de todas as 
pizzas (ou de qualquer pizza). Logo, mesmo “pizza” sendo uma palavra feminina, usamos a 
forma invariável “bom”. 
Na segunda frase, estamos fazendo referência a uma pizza específica (“esta pizza de 
calabresa que estou comendo”). Logo, fazendo a concordância com “pizza”, ficamos com 
“boa”, e não com “bom”. 
 
75. Chegarei para o almoço, ao meio-dia e meia. 
 
Dizemos “Chegarei para o almoço, ao meio-dia e meia”, e não “Chegarei para o 
almoço, ao meio-dia e meio”. 
No caso, a palavra “meia” fica no feminino porque a ideia é “meio-dia e meia hora”, 
ou seja, “meio-dia + meia hora”. 
 
76. Já são três horas da tarde. 
 
 Escrevemos “Já são três horas da tarde”, e não “Já é três horas da tarde”, pois, para 
indicar o horário, o verbo deve concordar com o “número da hora”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Preciso almoçar pois já são meio-dia. 
Desejável Preciso almoçar, pois já é meio-dia. 
 
Indesejável Puxa nem vi que são meio-dia e meio! 
Desejável Puxa, nem vi que é meio-dia e meia! 
 
Indesejável Puxa nem vi que é quatro horas! 
Desejável Puxa, nem vi que são quatro horas! 
 
Indesejável Ana estava com pressa já são uma hora. 
Desejável Ana estava com pressa: já é uma hora. 
Desejável Ana estava com pressa, pois já é uma hora. 
 
 
57 
77. Éramos seis. 
 
“Éramos seis” é o título de um romance de Maria José Dupré, escrito em 1943, que 
teve adaptações como novelas televisivas. Veja que usamos “Éramos seis”, sem a preposição 
“em”, e não “Éramos em seis”. 
 
Capa do livro “Éramos seis”. 
Disponível em . Acesso em 
25 abr. 2024. 
 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Em quantos vocês são? Somos em cinco. 
Desejável Quantos vocês são? Somos cinco. 
 
Indesejável Depois do nascimento do bebê, eles ficaram em seis. 
Desejável Depois do nascimento do bebê, eles ficaram seis. 
 
78. Onde estão meus óculos? 
 
Perguntamos “Onde estão meus óculos?”, e não “Onde está meu óculos?”. “Óculos” é 
uma palavra que sempre deve ser usada no masculino e no plural. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Meu óculos novo tem proteção contra a radiação UV-A. 
Desejável Meus óculos novos têm proteção contra a radiação UV-A. 
 
58 
Indesejável Estou procurando meu óculos sem parar. 
Desejável Estou procurando meus óculos sem parar. 
 
79. Júlia disse: obrigada pela gentileza! 
 
Como “Júlia” é um nome feminino, empregamos “Júlia disse: obrigada pela 
gentileza!”, e não “Júlia disse: obrigado pela gentileza!”. 
Se trocássemos “Júlia” por “Luiz”, ficaríamos com “Luiz disse: obrigado pela 
gentileza!”. 
 
80. Sou daqui mesmo. 
 
Se alguém perguntar se você é daqui, há as duas opções de respostas. Veja. 
 
Desejável Sim, sou daqui mesmo. 
Desejável Não, não sou daqui. 
 
E se alguém perguntar a que horas sua sessão começa? Nesse caso, devemos usar a 
preposição “a”, conforme exemplificado abaixo. 
 
Indesejável Minha sessão começa daqui 10 minutos. 
Desejável Minha sessão começa daqui a 10 minutos. 
 
81. Em princípio, todos somos iguais perante a lei. 
 
“A princípio” significa “no início”, e “em princípio” significa “em tese”. Logo, 
escrevemos “Em princípio, todos somos iguais perante a lei”, ou “Em tese, todos somos 
iguais perante a lei”, e não “A princípio, todos somos iguais perante a lei”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável 
Em princípio, ela iniciou o curso de Direito. Depois, mudou para o curso de 
Engenharia. 
Desejável 
A princípio, ela iniciou o curso de Direito. Depois, mudou para o curso de 
Engenharia. 
 
59 
Indesejável A princípio, a probabilidade de um evento ocorrer é um número entre 0 e 1. 
Desejável Em princípio, a probabilidade de um evento ocorrer é um número entre 0 e 1. 
 
Indesejável 
Em princípio, Olívia nadou profissionalmente. Depois, passou a dar aulas de 
natação. 
Desejável A princípio, Olívia nadou profissionalmente. Depois, passou a dar aulas de natação. 
Desejável No início, Olívia nadou profissionalmente. Depois, passou a dar aulas de natação. 
 
Indesejável A princípio, todos são inocentes. 
Desejável Em princípio, todos são inocentes. 
Desejável Em tese, todos são inocentes. 
 
82. O hotel tem uma infraestrutura excelente. 
 
Empregamos “O hotel tem uma infraestrutura excelente”, e não “O hotel tem uma 
infra-estrutura excelente”. 
A regra é a seguinte: o hífen não é usado quando o prefixo (no caso, “infra”) 
terminar com vogal diferente da vogal com a qual o segundo elemento inicia (no caso, 
“estrutura”). Se essas vogais forem iguais, usamos o hífen. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir, em que temos exemplos 
com os prefixos “infra”, “anti”, “hiper” e “super” e “sobre”. 
 
Indesejável Precisamos de um local com infra-estrutura adequada. 
Desejável Precisamos de um local com infraestrutura adequada. 
 
Indesejável Ele tem uma lesão infrahepática. 
Desejável Ele tem uma lesão infra-hepática. 
 
Indesejável Ela tem uma lesão infraaxilar. 
Indesejável Ela tem uma lesão infraxilar. 
Desejável Ela tem uma lesão infra-axilar. 
 
Indesejável Precisamos de medidas antiinflacionárias urgentemente. 
Indesejável Precisamos de medidas antinflacionárias urgentemente. 
Desejável Precisamos de medidas anti-inflacionárias urgentemente. 
60 
 
Indesejável A pele dela é hiper-vascularizada. 
Desejável A pele dela é hipervascularizada. 
 
Indesejável Meu pai é meu super herói. 
Desejável Meu pai é meu super-herói. 
 
Indesejável A atitude dela foi sobre humana. 
Desejável A atitude dela foi sobre-humana. 
 
Indesejável Percorra o círculo trigonométrico no sentido anti horário. 
Desejável Percorra o círculo trigonométrico no sentido anti-horário. 
 
Vale destacar que, quando o prefixo termina com vogal e o segundo começa com “r” 
ou “s”, essas consoantes são duplicadas, como vemos nos exemplos a seguir. 
 
Indesejável Ela tem um comportamento antisocial. 
Indesejável Ela tem um comportamento anti-social. 
Desejável Ela tem um comportamento antissocial. 
 
Indesejável Ele pintou um lindo autoretrato. 
Indesejável Ele pintou um lindo auto-retrato. 
Desejável Ele pintou um lindo autorretrato. 
 
Indesejável A gestante fará a primeira ultrasonografia hoje. 
Indesejável A gestante fará a primeira ultra-sonografia hoje. 
Desejável A gestante fará a primeira ultrassonografia hoje. 
 
Indesejável O cientista criou um microsistema artificial. 
Indesejável O cientista criou um micro-sistema artificial. 
Desejável O cientista criou um microssistema artificial. 
 
Vale destacar que, com o “Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, que 
entrou em vigor, no Brasil, em 2016, houve alterações em relação às regras de uso do hífen, 
por exemplo. 
61 
83. O pesquisador fez um levantamento socioeconômico. 
 
Dizemos “O pesquisador fez um levantamento socioeconômico”, e não “O 
pesquisador fez um levantamento socio-econômico”. Isso porque usamos o hífen quando 
“socio” é um adjetivo que é a redução de “social”. 
Contudo, se “sócio” for o substantivo que significa “associado” ou “afiliado”, 
utilizamos o hífen, como em “sócio-presidente”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Devemos considerar o contexto socio-cultural da população. 
Desejável Devemos considerar o contexto sociocultural da população. 
 
Indesejável A situação socio-linguística é importante. 
Desejável A situação sociolinguística é importante. 
 
Indesejável Ele é sócio fundador da empresa. 
Indesejável Ele é sociofundador da empresa.Desejável Ele é sócio-fundador da empresa. 
 
84. Ele tem chegado cedo. 
 
Dizemos “Ele tem chegado cedo”, e não “Ele tem chego cedo”, pois, aqui, temos o 
particípio do verbo “chegar”, que é “chegado”. 
Então, não existe “chego”? 
Existe, mas trata-se da primeira pessoa do singular do presente do verbo “chegar”, 
como em “Eu chego cedo todos os dias”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Espero que você tenha chego bem! 
Desejável Espero que você tenha chegado bem! 
 
85. Foi ele mesmo que fez o móvel. 
 
“Foi ele mesmo que fez o móvel” é igual a dizer que “Foi ele próprio que fez o 
móvel”. 
62 
Vejamos uma situação em que “mesmo” é usado de modo inadequado: trata-se do 
texto da placa do tipo abaixo, colocada em portas de elevadores. 
 
 
Disponível em . Acesso em 23 abr. 2024. 
 
Quem é o “mesmo” mencionado na placa? É ele, o elevador. No caso, temos um uso 
incorreto da palavra “mesmo", que funciona, equivocadamente, como o pronome pessoal 
“ele”. Essa palavra não deve ser usada para se referir a um termo já mencionado no texto. 
O certo seria “Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste 
andar”. Em resumo, “mesmo” não tem a função de “ele”, e “mesma” não tem a função de 
“ela”. 
Utilizar a palavra “mesmo” no lugar de “ele” (ou a palavra “mesma” no lugar de “ela”) 
é um hábito comum em textos acadêmicos e empresariais, mas que não deve ser praticado. 
Veja alguns exemplos do uso correto das palavras “mesmo” e “mesma”. Observe que 
a classificação morfológica e a função sintática da palavra mudam de acordo com o uso. 
• Ela mesma fez o almoço de Natal. 
• Ele foi corajoso, mesmo sabendo que corria risco de perder o jogo. 
• Naquele dia, o aluno fez o mesmo erro na prova. 
As observações que foram feitas para “o mesmo” valem, também, para “o próprio”, 
empregado, muitas vezes, para fazer referência a um termo já mencionado. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Joana dançou bem e, depois, a mesma foi aplaudida por todos. 
Desejável Joana dançou bem e, depois, ela foi aplaudida por todos. 
 
Indesejável Quando pegar o casaco, verifique se o mesmo está limpo. 
Desejável Quando pegar o casaco, verifique se ele está limpo. 
 
Indesejável Faça os cálculos e avalie os impactos dos mesmos no projeto. 
Desejável Faça os cálculos e avalie os seus impactos no projeto. 
Desejável Faça os cálculos e avalie os impactos deles no projeto. 
63 
 
Indesejável Se a própria aparecer aqui, mande lembranças. 
Indesejável Se a mesma aparecer aqui, mande lembranças. 
Desejável Se ela aparecer aqui, mande lembranças. 
 
Indesejável Utilize os acertos e verifique se os próprios mudam a situação. 
Indesejável Utilize os acertos e verifique se os mesmos mudam a situação. 
Desejável Utilize os acertos e verifique se eles mudam a situação. 
 
Indesejável A jovem era inteligente: a mesma sabia escrever muito bem. 
Desejável A jovem era inteligente: ela sabia escrever muito bem. 
Desejável A jovem era inteligente: sabia escrever muito bem. 
 
Indesejável Os pássaros cantaram muito, e, depois, os mesmos voaram. 
Desejável Os pássaros cantaram muito e, depois, eles voaram. 
Desejável Os pássaros cantaram muito e, depois, voaram. 
 
Indesejável André e Tatiana virão aqui. Quando os mesmos chegarem, avise-me. 
Desejável André e Tatiana virão aqui. Quando eles chegarem, avise-me. 
 
Indesejável Carina fez mudanças e analisou as consequências das mesmas. 
Desejável Carina fez mudanças e analisou as suas consequências. 
 
Indesejável O estudo estimou parâmetros e avaliou a aplicação dos mesmos. 
Desejável O estudo estimou parâmetros e avaliou a sua aplicação. 
 
Desejável Eliane fez a mesma comida que havia feito ontem. 
 
Desejável Nós mesmos fizemos nossa refeição. 
 
Desejável Diego usou trajes informais, mesmo sabendo que isso era inadequado. 
 
Desejável Mesmo sem você, irei ao casamento. 
 
 
64 
86. Quero, sim, ganhar na loteria. 
 
Temos “Quero, sim, ganhar na loteria”, com vírgulas “separando” o advérbio “sim”, e 
não “Quero sim ganhar na loteria”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Você gosta de mim? Gosto sim. 
Desejável Você gosta de mim? Gosto, sim. 
Desejável Você gosta de mim? Sim, gosto. 
 
Indesejável Você quer mais refrigerante? Não não quero. 
Desejável Você quer mais refrigerante? Não, não quero. 
Desejável Você quer mais refrigerante? Sim, quero. 
Desejável Você quer mais refrigerante? Quero, sim. 
 
Indesejável Mãe posso tomar sorvete? Pode sim. 
Desejável Mãe, posso tomar sorvete? Pode, sim. 
Desejável Mãe, posso tomar sorvete? Sim, pode. 
 
Veja que, no último caso, após “Mãe”, também temos uma vírgula, pois se trata de 
um vocativo (é como se disséssemos “Oh mãe, posso tomar sorvete?). Esse tema foi tratado 
na segunda frase deste livro. 
 
87. Quanto custam os itens da lista? 
 
É comum ouvirmos “Quanto custa os itens da lista?”, mas o correto é “Quanto 
custam os itens da lista?”, em que o verbo “custar” concorda com “itens” e fica no plural. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Quanto custa os itens da lista? 
Desejável Quanto custam os itens da lista? 
Desejável Quanto os itens da lista custam? 
Desejável Qual é o preço total dos itens da lista? 
Desejável Qual é o valor total dos itens da lista? 
 
65 
88. Bem que se quis (Marisa Monte). 
 
“Bem que se quis”, em que “quis” é escrito com “s”, é o título de uma canção de 
Marisa Monte. Veja que “quis”, “quiseram”, “puser”, “puseram” e correlatos são formas 
verbais grafadas com “s”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Onde eu puz meu óculos? 
Desejável Onde eu pus meus óculos? 
 
Indesejável Sempre quiz ir a Itália e ao Vaticano. 
Desejável Sempre quis ir à Itália e ao Vaticano. 
 
Indesejável Eles puzeram as coisas no quarto. 
Desejável Eles puseram as coisas no quarto. 
 
Indesejável Elas quizeram ficar aqui mais um pouco. 
Desejável Elas quiseram ficar aqui mais um pouco. 
 
89. Alugam-se quartos. 
 
“Aluga-se quartos” é correto? Não, o correto é “Alugam-se quartos”. Também 
devemos ter “Consertam-se fogões” e “Admitem-se estagiários” em vez de, respectivamente, 
“Conserta-se fogões” e “Admite-se estagiários”. Vejamos o porquê disso. 
Para a partícula “se”, devemos ver se é possível fazer o tipo de mudança mostrada a 
seguir, chamada de transformação para a voz passiva analítica. 
 
Indesejável Quartos é alugado. → Aluga-se quartos. 
Desejável Quartos são alugados. → Alugam-se quartos. 
Desejável Um quarto é alugado. → Aluga-se um quarto. 
 
Indesejável Fogões é consertado. → Conserta-se fogões. 
Desejável Fogões são consertados. → Consertam-se fogões. 
Desejável Um fogão é consertado. → Conserta-se um fogão. 
 
66 
Indesejável Estagiários é admitido. → Admite-se estagiários. 
Desejável Estagiários são admitidos. → Admitem-se estagiários. 
Desejável Um estagiário é contratado. → Contrata-se um estagiário. 
 
Alternativamente, poderíamos escrever “Alugamos quartos”, “Consertamos fogões” e 
“Admitimos estagiários”. Nessas contruções, usamos a voz ativa, sendo que o sujeito é “Nós” 
(“Nós alugamos quartos”, “Nós consertamos fogões” e “Nós admitimos estagiários”). 
Veja exemplos nos quais a transformação para a voz passiva analítica não é possível, 
e, por isso, o verbo deve ficar no singular. 
 
Indesejável Precisam-se de estagiários. 
Desejável Precisa-se de estagiários. 
Desejável Precisa-se de estagiário. 
 
Indesejável Necessitam-se de estagiários. 
Desejável Necessita-se de estagiários. 
Desejável Necessita-se de estagiário. 
 
90. Podemos conceber a luz como uma onda eletromagnética. 
 
A forma “Podemos conceber a luz como sendo uma onda eletromagnética” (com 
“sendo”, doverbo “ser”) é indesejável. Preferimos “Podemos conceber a luz como uma onda 
eletromagnética”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Compreendemos a honestidade como sendo uma virtude. 
Desejável Compreendemos a honestidade como uma virtude. 
Desejável Compreendemos que a honestidade é uma virtude. 
 
Indesejável Interpretamos a leitura como sendo benéfica para a escrita. 
Desejável Interpretamos a leitura como benéfica para a escrita. 
Desejável Interpretamos que a leitura é benéfica para a escrita. 
 
Indesejável A alegria é vista como sendo algo contagiante. 
Desejável A alegria é vista como algo contagiante. 
67 
91. Tina possui muitos bens. 
 
Há vezes em que lemos o uso equivocado da palavra “possue”, que não existe, 
conforme exemplo abaixo, relativo à posse que Tina tem de muitos bens. 
 
Indesejável Tina possue muitos bens. 
Desejável Tina possui muitos bens. 
 
Ainda podemos melhorar algumas frases usando o verbo “ter” no lugar do verbo 
“possuir”. Veja o exemplo abaixo. 
 
Uso comum Tina possui duas graduações. 
Preferível Tina tem duas graduações. 
 
92. A família está recebendo ajuda de custo. 
 
A expressão é “ajuda de custo”, e não “ajuda de custas”. Logo, ficamos com “A 
família está recebendo ajuda de custo”, ou seja, a família está recebendo algum benefício 
para cobrir suas despesas. 
 
93. Ela foi à paróquia. 
 
Devemos usar a crase em “Ela foi à paróquia”. Ou seja, não é correto escrever “Ela 
foi a paróquia”. 
De modo geral, o sinal de crase só aparece antes de palavra feminina, pois ele indica 
a junção de dois “as” (o artigo “a” e a preposição “a”). Assim, a crase não aparece nas 
expressões “a partir”, “de 1 a 2”, “a todos”, “a você” etc. 
Quando a palavra é feminina, podemos usar um “truque”, que é trocar a palavra por 
outra, masculina, mesmo que ela não seja exatamente um “sinônimo”. Se, com a palavra 
masculina, aparecer “ao”, haverá o sinal de crase. Ou seja, a partícula “à” no feminino é 
equivalente à palavra “ao” no masculino. Veja alguns exemplos de aplicação desse “truque”. 
 
Frase original Ela foi à paróquia. 
Frase com troca Ela foi ao parque. 
 
68 
Frase original O palestrante fez referência à publicação daquele escritor. 
Frase com troca O palestrante fez referência ao livro daquele escritor. 
 
Frase original A interdição deve-se à chuva forte de ontem. 
Frase com troca A interdição deve-se ao temporal de ontem. 
 
Observação. Antes de palavra masculina, o acento indicativo de crase pode aparecer se 
houver os pronomes demonstrativos “aquele” ou “aqueles”. Veja dois exemplos. 
• Voltaremos àquele parque amanhã. 
• Dedicou-se àqueles filhos a vida inteira. 
 
94. O trabalho foi mais bem executado por mim. 
 
Quando temos a forma verbal chamada de particípio, como ocorre em “executado”, 
devemos usar “mais bem” em vez de “melhor”. Logo, ficamos com “O trabalho foi mais bem 
executado por mim”, e não com “O trabalho foi melhor executado por mim”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Dirce foi melhor recebida pelos amigos do que pelos parentes. 
Desejável Dirce foi mais bem recebida pelos amigos do que pelos parentes. 
 
Indesejável O ensaio foi melhor escrito pelos estudantes da turma da noite. 
Desejável O ensaio foi mais bem escrito pelos estudantes da turma da noite. 
 
Indesejável Rute foi pior atendida pelo funcionário da tarde. 
Desejável Rute foi mais mal atendida pelo funcionário da tarde. 
 
95. Você tem que vir sábado de manhã. 
 
O correto é “Você tem que vir sábado de manhã”, e não “Você tem que vim sábado 
de manhã”. 
Vamos analisar as frases abaixo. 
• Você tem que vim amanhã cedo. 
• Eu vou vim na semana que vem. 
• Se ele vim cedo, faremos o trabalho. 
69 
Essas frases não estão corretas, pois “vim” é o passado do verbo vir, conjugado na 
primeira pessoa e, por isso, só pode ser usado em enunciados como “Ontem eu vim aqui”. 
Assim, veja as correções a seguir. 
 
Indesejável Você tem que vim amanhã cedo. 
Desejável Você tem que vir amanhã cedo. 
Desejável Você tem de vir amanhã cedo. 
 
Indesejável Eu vou vim na semana que vem. 
Desejável Eu vou vir na semana que vem. 
Desejável Eu virei na semana que vem. 
 
Indesejável Se ele vim cedo, faremos o trabalho. 
Desejável Se ele vier cedo, faremos o trabalho. 
Desejável Se ele chegar cedo, faremos o trabalho. 
 
Para indicar o futuro, podemos usar as formas “vir” e vier”, dependendo da situação, 
conforme mostrado abaixo. 
• Ele deve vir amanhã. 
• Se ela vier amanhã, faremos o trabalho juntas. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ele vai vim falar com você. 
Desejável Ele vai falar com você. 
Desejável Ele virá falar com você. 
 
Indesejável Se ele vim amanhã, tudo será resolvido. 
Desejável Se ele vier amanhã, tudo será resolvido. 
 
96. Os gatos não podem, em virtude da toxicidade, usar paracetamol. 
 
Dizemos “Os gatos não podem, em virtude da toxicidade, usar paracetamol”, e não 
“Os gatos não podem, em virtude da toxicidade, usarem paracetamol”. Isso porque, como já 
houve a concordância de “podem” com “gatos”, não devemos utilizar “podem (...) usarem”, 
mas sim “podem usar”, conforme mostrado no quadro. 
70 
 
Desejável Os gatos não podem, em virtude da toxicidade, usar paracetamol. 
Desejável Em virtude da toxicidade, os gatos não podem usar paracetamol. 
 
O que foi explicado também vale para outras locuções verbais utilizadas de maneira 
similar à do exemplo, como “podem ser”. 
 
97. Deus ama a todos. 
 
Aqui, podemos usar tanto “Deus ama a todos” quanto “Deus ama todos”. 
Se perguntarmos “quem ama todos?”, teremos como resposta “Deus”, que é o 
sujeito da oração. Se perguntarmos “Deus ama quem?”, teremos como resposta “todos”, 
que é o objeto direto da oração. Logo, não precisaríamos usar a preposição “a” antes de 
“todos”. Mas o uso dessa preposição reforça o sentimento de amor destacado na frase, e 
temos um objeto direto preposicionado (“a todos”). Isso também acontece no ditado a 
seguir. 
 
Desejável Deus ajuda quem cedo madruga. 
Desejável Deus ajuda a quem cedo madruga. 
 
A resposta a “Deus ajuda quem?” é “quem cedo madruga”, que é o objeto direto do 
primeiro caso. No segundo caso, temos o objeto direto preposicionado “a quem cedo 
madruga”. 
 
98. Obedeça ao pai! 
 
Exclamamos “Obedeça ao pai!”, e não “Obedeça o pai!”. A pergunta que fazemos 
depois do verbo é “obedecemos a quem?”. Temos como resposta “ao pai”. Logo, “ao pai” é 
objeto indireto, devemos usar a preposição “a” e o verbo “obedecer” é transitivo indireto. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Obedeça as regras de trânsito. 
Desejável Obedeça às regras de trânsito. 
Desejável Obedeça a todas as regras de trânsito. 
 
 
71 
Indesejável Não desobedeço a legislação vigente. 
Desejável Não desobedeço à legislação vigente. 
Desejável Não desobedeço às leis vigentes. 
 
99. Assistimos ao filme. 
 
O correto é “Assistimos ao filme”, e não “Assistimos o filme”, pois, no sentido de 
“ver”, o verbo “assistir” requer a preposição “a”. A pergunta que fazemos depois do verbo é 
“assistimos a quê?”. Temos como resposta “ao filme”. Logo, “ao filme” é objeto indireto, 
devemos usar a preposição “a” (no caso, o verbo “assistir” é transitivo indireto). 
Se o verbo “assistir” for usado no sentido de “ajudar”, ele é transitivo direto e não 
requer a preposição “a”, como em “Assisti minha avó durante a doença”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável A enfermeira assistiu ao paciente com muito carinho. 
Desejável A enfermeira assistiu o paciente com muito carinho. 
Desejável A enfermeira ajudou o paciente com muito carinho. 
Desejável A enfermeira auxiliou o paciente com muito carinho. 
 
Indesejável Assisti o jogo de tênis ao vivo. 
Desejável Assisti ao jogo de tênisao vivo. 
Desejável Vi o jogo de tênis ao vivo. 
 
No último exemplo, observe que o verbo “ver” é transitivo direto e não requer a 
preposição “a” (perguntamos “vi o quê?” e respondemos “o jogo de tênis ao vivo”). 
 
100. A meu ver, ele é inocente. 
 
A expressão é “a meu ver”, e não “ao meu ver”. Logo, temos “A meu ver, ele é 
inocente”, e não “Ao meu ver, ele é inocente”. 
 
101. Ele é assessor de imprensa. 
 
As grafias corretas são “assessor”, “assessora” e “assessoria”, com “ss”, e não com 
“c”. Veja os exemplos a seguir. 
• Ele é assessor de imprensa. 
72 
• Precisamos chamar a assessoria de investimentos. 
• Ela é assessora do ministro. 
• Vá à Assessoria à Secretaria. 
 
102. Ele não para de falar. 
 
Existe apenas a grafia “para”, sem acento, tanto para a preposição “para” quanto 
para as formas do verbo “parar”. Veja os exemplos a seguir. 
• Ele não para de falar. 
• Ele sempre para o carro na vaga reservada. 
• Comprei um livro para ele. 
• Para mim, o que vale é fazer o bem. 
• No ponto em que a ciência para, começa a religião (Jules Gautier). 
• Para Pedro, Pedro para. 
 
103. Só existe liberdade quando as pessoas podem pensar diferentemente de nós 
(Rosa Luxemburgo). 
 
Em termos estritos, escrevemos “Só existe liberdade quando as pessoas podem 
pensar diferentemente de nós”, com o advérbio “diferentemente”. Poderíamos ter “Só existe 
liberdade quando as pessoas podem pensar diferente de nós”, em que o substantivo 
“diferente” é usado com o valor do advérbio correspondente. 
Assim, em termos prescritivos, temos o que segue. 
• Ele é independente de todos. 
• Ele agiu independentemente de todos. 
• Essa bolsa é diferente de todas as outras. 
• Penso diferentemente dela. 
 
104. Os objetivos são: pensar positivo e conquistar vitórias. 
 
Em “Os objetivos são: pensar positivo e conquistar vitórias”, tanto “pensar” quanto 
“conquistar” estão na forma verbal. Se tivéssemos “Os objetivos são: pensar positivo e 
conquista de vitórias”, haveria uma incompatibilidade entre a forma verbal “pensar” e a 
forma nominal “conquista”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
73 
Indesejável Os objetivos são: pensar positivo e conquista de vitórias. 
Desejável Os objetivos são: pensar positivo e conquistar vitórias. 
Desejável Os objetivos são: pensamento positivo e conquista de vitórias. 
 
Indesejável O método tem como metas esclarecer as questões e proposta de soluções. 
Desejável O método tem como metas esclarecer as questões e propor soluções. 
Desejável 
O método tem como metas o esclarecimento das questões e a proposta de 
soluções. 
 
Indesejável 
Os elementos em avaliação são a contratação de novos funcionários e 
investir na capacitação dos colaboradores. 
Desejável 
Os elementos em avaliação são contratar novos funcionários e investir na 
capacitação dos colaboradores. 
Desejável 
Os elementos em avaliação são a contratação de novos funcionários e o 
investimento na capacitação dos colaboradores. 
 
Podemos ampliar o que estamos analisando para o “paralelismo”, que se refere à 
manutenção da mesma estrutura nos termos que exercem a mesma função nas frases. Se 
estivermos enumerando elementos com diferentes graus (singular ou plural) e com 
diferentes gêneros (feminino e masculino), devemos fazer as devidas concordâncias. 
Verifique os exemplos que seguem. 
 
Indesejável 
O estudo a respeito dos direitos autorais e referências é fundamental para o 
aperfeiçoamento do profissional da educação. 
Desejável 
O estudo a respeito dos direitos autorais e das referências é fundamental 
para o aperfeiçoamento do profissional da educação. 
Desejável 
Os estudos a respeito dos direitos autorais e das referências são 
fundamentais para o aperfeiçoamento do profissional da educação. 
 
Indesejável 
O indicador dependia da titulação dos docentes, regime de trabalho dos 
professores, respostas dadas pelos estudantes no questionário 
socioeconômico e outros insumos. 
Desejável 
O indicador dependia da titulação dos docentes, do regime de trabalho dos 
professores, das respostas dadas pelos estudantes no questionário 
socioeconômico e de outros insumos. 
74 
 
Indesejável Falamos da sua atitude e como ela foi recebida na empresa. 
Desejável Falamos da sua atitude e de como ela foi recebida na empresa. 
 
Indesejável José queria ganhar o jogo e aumento do seu salário. 
Desejável José queria ganhar o jogo e aumentar o seu salário. 
 
105. O móvel tem várias características, como seu peso, sua altura e seu formato. 
 
No exemplo, “peso” e “formato” são duas palavras masculinas que estão no singular; 
já “altura” é uma palavra feminina que está no singular. Por isso, fazendo a correta 
concordância, ficamos com “O móvel tem várias características, como seu peso, sua altura e 
seu formato”, e não com “O móvel tem várias características, como seu peso, altura e 
formato”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável O resultado depende do estímulo, dedicação e boas escolhas. 
Desejável O resultado depende do estímulo, da dedicação e das boas escolhas. 
 
Indesejável Ele viu tudo: a cor, brilho, textura, volumes e escamas. 
Desejável Ele viu tudo: a cor, o brilho, a textura, os volumes e as escamas. 
 
Indesejável Ela pensou na sua história, passado, vivências, ancestrais e possibilidades futuras. 
Desejável 
Ela pensou na sua história, no seu passado, nas suas vivências, nos seus 
ancestrais e nas suas possibilidades futuras. 
 
Indesejável Não pode-se deixar de falar da cultura, hábitos e vontades. 
Desejável Não se pode deixar de falar da cultura, dos hábitos e das vontades. 
 
106. O preço da refeição é alto. 
 
Dizemos “O preço da refeição é alto”, e não “O preço da refeição é caro”, pois o 
preço não pode ser caro. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
75 
 Indesejável O preço da refeição é caro. 
Desejável O preço da refeição é alto. 
Desejável A refeição custa caro. 
 
Indesejável Os preços daquelas roupas são baratos. 
Desejável Os preços daquelas roupas são baixos. 
Desejável Aquelas roupas são baratas. 
 
Também ouvimos falar “A temperatura está no quente”, no lugar de “A temperatura 
está alta”, por exemplo. Alternativamente, podemos dizer “O dia está quente”. 
 
107. Serão objetos de estudo a contextualização histórica e as aplicações atuais. 
 
 No exemplo, queremos dizer que “a contextualização histórica e as aplicações atuais 
serão objetos de estudo”. Logo, a correta concordância é “Serão objetos de estudo a 
contextualização histórica e as aplicações atuais”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Será objetos de estudo a contextualização histórica e as aplicações atuais. 
Desejável Serão objetos de estudo a contextualização histórica e as aplicações atuais. 
Desejável A contextualização histórica e as aplicações atuais serão objetos de estudo. 
 
Indesejável Era dois o seu objetivo escrever bem e aprender canto. 
Indesejável Eram dois os seus objetivos escrever bem e aprender canto. 
Desejável Eram dois os seus objetivos: escrever bem e aprender canto. 
Desejável Dois dos seus objetivos eram escrever bem e aprender canto. 
Desejável Dois dos seus objetivos eram: escrever bem e aprender canto. 
 
Indesejável O cuidado com a limpeza e a manutenção dos equipamentos é responsabilidade dele. 
Indesejável É responsabilidade dele o cuidado com a limpeza e a manutenção dos equipamentos. 
Desejável 
O cuidado com a limpeza e a manutenção dos equipamentos são responsabilidades 
dele. 
Desejável 
São responsabilidades dele o cuidado com a limpeza e a manutenção dos 
equipamentos. 
 
76 
108. Alguns modelos atualmente usados baseiam-se nas novas técnicas digitais. 
 
A forma correta é “Alguns modelos atualmente usados baseiam-se nas novas técnicas 
digitais”, sem vírgula, e não “Alguns modelos atualmente usados, baseiam-se nasnovas 
técnicas digitais”. Isso porque não podemos separar o sujeito “Alguns modelos atualmente 
usados” do predicado “baseiam-se nas novas técnicas digitais”. 
Lembramos que, para saber o sujeito da frase em estudo, perguntamos “quem se 
baseia nas novas técnicas digitais?”. A resposta é “Alguns modelos atualmente usados”. 
Voltando à vírgula, ela deve marcar a intercalação ou o deslocamento de termos no 
período. Não podem ser separados termos como sujeito e verbo e, também, verbo e 
complementos. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Alguns dos modelos que compõem a chamada “nova teoria do comércio 
internacional”, baseiam-se na economia de escala e custos elevados, como 
fatores explicativos do comércio internacional. 
Desejável Alguns dos modelos que compõem a chamada “nova teoria do comércio 
internacional” baseiam-se na economia de escala e nos custos elevados como 
fatores explicativos do comércio internacional. 
 
Indesejável Naquele país eletrodomésticos, comida e até medicamentos, somem das 
prateleiras e o povo, paga com uma alta da inflação. 
Desejável Naquele país, eletrodomésticos, comida e até medicamentos somem das 
prateleiras, e o povo paga com a alta da inflação. 
 
Indesejável Todas as vítimas do alagamento do último domingo, foram 
indenizadas pela agência de seguros. 
Desejável Todas as vítimas do alagamento do último domingo foram 
indenizadas pela agência de seguros. 
 
Indesejável A menina de olhos de tango ontem à noite, estava aparentemente angustiada. 
Desejável A menina de olhos de tango, ontem à noite, estava aparentemente angustiada. 
Desejável A menina de olhos de tango, ontem à noite, estava, aparentemente, angustiada. 
Desejável A menina de olhos de tango estava aparentemente angustiada ontem à noite. 
Desejável Ontem à noite, a menina de olhos de tango estava aparentemente angustiada. 
77 
109. O estudo de todas as situações envolvidas no processo foi esclarecedor. 
 
Nessa frase, o sujeito é “O estudo de todas as situações envolvidas no processo” e 
seu núcleo é “estudo”, que está no singular. Logo, o verbo (“foi”) fica na terceira pessoa do 
singular para concordar com o núcleo do sujeito. Trata-se da correta concordância verbal. 
Vejamos os quadros a seguir. 
 
Indesejável O estudo de todas as situações envolvidas no processo foram esclarecedores. 
Desejável O estudo de todas as situações envolvidas no processo foi esclarecedor. 
Desejável Os estudos de todas as situações envolvidas no processo foram esclarecedores. 
 
Indesejável A reflexão dessas questões não envolvem um comportamento ético em si, ou 
seja, não estão relacionados com compromissos com a sociedade. 
Desejável A reflexão dessas questões não envolve o comportamento ético em si, ou 
seja, não está relacionada a compromissos com a sociedade. 
 
Observe que o verbo tem de concordar com “reflexão”, que é o núcleo do sujeito. De 
modo esquemático, vemos que o correto é “a reflexão (...) não está relacionada” e não “a 
reflexão (...) não estão relacionada”. 
Segue mais um exemplo. 
 
Indesejável Falta amor e carinho. 
Desejável Faltam amor e carinho. 
 
Em “amor e carinho” temos de usar “Faltam”, no plural, pois há mais de um elemento 
(“amor” + “carinho”). 
Na concordância nominal, a regra básica é: o adjetivo deve concordar com o 
substantivo a que se refere, conforme exemplificado a seguir. 
 
Indesejável Deixou claro a sua ideia. 
Desejável Deixou clara a sua ideia. 
Desejável Deixou claro o seu posicionamento. 
Desejável Deixou claras as suas ideias. 
Desejável Deixou claras a sua ideia e a sua intenção. 
Desejável Deixou claros a sua ideia e o seu encaminhamento. 
78 
 
Indesejável Foi marcado a sua posição a respeito do caso. 
Desejável Foi marcada a sua posição a respeito do caso. 
Desejável Foi marcado o seu posicionamento a respeito do caso. 
Desejável Foram marcados os seus posicionamentos a respeito do caso. 
 
110. Ele foi de verde em vez de ir de cinza. 
 
“Ele foi de verde em vez de ir de cinza” significa que ele usou roupa verde no lugar 
de usar roupa cinza. Portanto, usamos “em vez de”, e não “ao invés de”. 
As expressões “em vez de” e “ao invés de” não têm o mesmo significado, como 
podemos observar no exemplo a seguir. “Em vez de” significa “no lugar de” e “ao invés de” 
significa “ao contrário de”. Veja outro exemplo. 
 
Indesejável Ela escolheu sorvete ao invés de escolher pavê. 
Desejável Ela escolheu sorvete em vez de escolher pavê. 
 
Agora, veja um exemplo em que há sentido de contrariedade e cabe usar a 
expressão “ao invés de”. 
 
Indesejável Quando soube das mortes ocorridas em virtude da enchente, ele riu em vez de chorar. 
Desejável Quando soube das mortes ocorridas em virtude da enchente, ele riu ao invés de chorar. 
 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Letícia decidiu ir ao cinema invés de ir ao teatro. 
Desejável Letícia decidiu ir ao cinema em vez de ir ao teatro. 
Desejável Letícia decidiu ir ao cinema no lugar de ir ao teatro. 
 
111. André relaxa com o estudo e com a meditação. 
 
No exemplo, temos que o relaxamento de André ocorre pelo estudo e pela 
meditação. Por uma questão de paralelismo, tanto “o estudo” quanto “a meditação” estão na 
mesma forma, ou seja, na forma nominal, são substantivos. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
79 
Indesejável André relaxa estudando e meditação. 
Desejável André relaxa com o estudo e com a meditação. 
Desejável André relaxa estudando e meditando. 
 
Indesejável O método baseia-se na observação e realizando cálculos. 
Desejável O método baseia-se na observação e na realização de cálculos. 
 
Indesejável Ela deseja reorganizar seu fichário e a escrita de um diário. 
Desejável Ela deseja reorganizar seu fichário e escrever um diário. 
Desejável Ela deseja fazer a reorganização do seu fichário e a escrita de um diário. 
 
112. Isso tem tudo a ver com você. 
 
Se isso tem relação com você, dizemos “Isso tem tudo a ver com você”, e não “Isso 
tem tudo haver com você”, pois o verbo “haver” significa “existir”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável O problema não tem nada haver comigo. 
Desejável O problema não tem nada a ver comigo. 
Desejável O problema não tem relação comigo. 
 
Indesejável O médico disse que a doença tem haver com a genética. 
Desejável O médico disse que a doença tem a ver com a genética. 
Desejável O médico disse que a doença tem relação com a genética. 
 
113. Dados os resultados, faremos mudanças. 
 
Falamos “Dados os resultados, faremos mudanças”, e não “Dado os resultados, 
faremos mudanças”, pois deve haver a concordância de “Dados” com “resultados”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Dado as circunstâncias, foi feito o melhor. 
Indesejável Dada as circunstâncias, foi feito o melhor. 
Desejável Dadas as circunstâncias, foi feito o melhor. 
Desejável Dada a circunstância, foi feito o melhor. 
80 
114. Haja vista o esforço, você será recompensado. 
 
A expressão “haja vista” não varia. Logo, temos “Haja vista o esforço, você será 
recompensado”, e não “Haja visto o esforço, você será recompensado”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Haja visto as circunstâncias, foi feito o melhor. 
Indesejável Haja vistas as circunstâncias, foi feito o melhor. 
Desejável Haja vista as circunstâncias, foi feito o melhor. 
Desejável Dadas as circunstâncias, foi feito o melhor. 
 
115. Ela favoreceu o marido. 
 
O correto é “Ela favoreceu o marido”, sem a preposição “a”, e não “Ela favoreceu ao 
marido”. 
Se perguntarmos “quem ela favoreceu?”, teremos como resposta “o marido”, que é o 
objeto direto da oração em análise. Logo, “favorecer” é um verbo transitivo direto, que não 
requer preposição. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir.Indesejável O político não favoreceu aos parentes. 
Desejável O político não favoreceu os parentes. 
 
Indesejável A decisão judicial favoreceu ao réu. 
Desejável A decisão judicial favoreceu o réu. 
 
116. Os times empataram por 1 a 1. 
 
Usamos “Os times empataram por 1 a 1”, com a preposição “por”, e não “Os times 
empataram em 1 a 1”. 
Veja os exemplos a seguir. 
• Os times empataram por 2 a 2. 
• Meu time ganhou por 2 a 0. 
• O time dele perdeu por 2 a 0. 
 
 
81 
117. Ele tinha pendências no banco. 
 
Escrevemos “Ele tinha pendências no banco”, e não “Ele tinha pendências junto ao 
banco”, como muitas vezes é usado. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável O questionamento foi levado junto ao setor responsável. 
Desejável O questionamento foi levado ao setor responsável. 
 
Indesejável A petição deu entrada junto ao judiciário. 
Desejável A petição deu entrada no judiciário. 
 
Indesejável Sua popularidade cresceu junto aos torcedores. 
Desejável Sua popularidade cresceu entre os torcedores. 
 
118. Ele nem sequer foi chamado para a entrevista. 
 
“Sequer” exige a forma negativa, com “não” ou “nem”. Logo, temos “Ele nem sequer 
foi chamado para a entrevista”, com “nem”, “não”, “sem” etc, em vez de “Ele sequer foi 
chamado para a entrevista”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Nós sequer pudemos pegar o essencial. 
Desejável Nós nem sequer pudemos pegar o essencial. 
 
Indesejável Eles falaram sequer o que precisavam. 
Desejável Eles não falaram sequer o que precisavam. 
 
Indesejável Ela foi embora sequer dizendo o motivo. 
Desejável Ela foi embora sem sequer dizer o motivo. 
 
119. O sabor de que ele gosta está em falta. 
 
Gostamos de alguém ou de alguma coisa. Logo, temos “O sabor de que ele gosta 
está em falta”, com a preposiação “de”, e não “O sabor que ele gosta está em falta”. 
82 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável A menina que ele gosta é muito legal. 
Desejável A menina de que ele gosta é muito legal. 
 
Indesejável O concurso unificado que ele participaria foi cancelado. 
Desejável O concurso unificado de que ele participaria foi cancelado. 
 
Indesejável Os recursos que dispomos são mais do que suficientes. 
Desejável Os recursos de que dispomos são mais do que suficientes. 
 
120. Ela estudou e, por isso, foi bem na prova. 
 
“Porisso” não existe na Língua Portuguesa. Assim, temos “Ela estudou e, por isso, foi 
bem na prova”, e não “Ela estudou e, porisso, foi bem na prova”. 
 
121. O curso inicia-se hoje. 
 
Segundo a gramática prescritiva, as “coisas” iniciam-se ou inauguram-se. Por isso, 
temos “O curso inicia-se hoje”, e não “O curso inicia hoje”. Também podemos escrever “O 
curso começa hoje”, que talvez seja mais natural. 
Veja os exemplos a seguir. 
• As exposições iniciam-se na próxima semana. 
• As exposições inauguram-se na próxima semana. 
• As exposições começam na próxima semana. 
 
122. De tanto levar frechada do teu olhar... (Adoniran Barbosa) 
 
“De tanto levar frechada do teu olhar” é parte da música “Tiro ao Álvaro”, de 
Adoniran Barbosa, que foi também interpretada por Elis Regina. 
Certamente, Adoniran fez uma “brincadeira” com a palavra “frechada” no lugar de 
“flechada”, imitando o falar dos caipiras de São Paulo. Veja que, no próprio título da música, 
há uma criativa troca entre “Tiro ao alvo” e “Tiro ao Álvaro”. 
Muitos pensam que “frechada” é uma maneira peculiar e “errada” de falar “flechada”. 
Talvez até o próprio Adoniran pensasse assim. Mas não é isso! 
83 
Podemos usar tanto “frecha” quanto “flecha” para fazer referência à seta usada em 
lutas e lançamentos. 
Já “flexa” é a forma feminina do adjetivo “flexo”, que significa “flexível”. Nesse caso, 
o “som” do “x” é “cs”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável A flexa é usada por várias comunidades indígenas. 
Desejável A flecha é usada por várias comunidades indígenas. 
Desejável A frecha é usada por várias comunidades indígenas. 
 
Indesejável Levei muita flexada do seu olhar... 
Desejável Levei muita flechada do seu olhar... 
Desejável Levei muita frechada do seu olhar... 
 
Indesejável Ela é muito flecha! 
Desejável Ela é muito flexível! 
Desejável Ela é muito flexa! 
Desejável Ele é muito flexível! 
Desejável Ele é muito flexo! 
 
123. Para mais detalhes, entre em contato com a secretaria. 
 
Dizemos “Para mais detalhes, entre em contato com a secretaria”, e não “Para 
maiores detalhes, entre em contato com a secretaria”, visto que “maior” implica 
comparação, o que não é o caso. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Se quiser maiores esclarecimentos, chame o responsável. 
Desejável Se quiser mais esclarecimentos, chame o responsável. 
Desejável Se quiser esclarecimentos adicionais, chame o responsável. 
 
Indesejável João não me deu maiores informações. 
Desejável João não me deu mais informações. 
Desejável João não me deu informações mais detalhadas. 
 
84 
124. Frequento este restaurante há 10 anos. 
 
No exemplo, usamos “há”, com “h”, do verbo “haver”. Veja que “Frequento este 
restaurante há 10 anos” é equivalente a dizer que “Frequento este restaurante faz 10 anos”. 
Se quisermos falar de distância ou de futuro, utilizamos “a”, sem “h”, como em “Ele 
mora a 100 metros da minha casa”. 
 Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Faço meditação a 6 meses. 
Desejável Faço meditação há 6 meses. 
Desejável Faço meditação faz 6 meses. 
 
Indesejável Estou há 15 minutos do meu local de trabalho. 
Desejável Estou a 15 minutos do meu local de trabalho. 
 
Indesejável Ele chegou a duas horas. 
Desejável Ele chegou há duas horas. 
Desejável Ele chegou faz duas horas. 
 
Indesejável Ele chegará daqui há duas horas. 
Desejável Ele chegará daqui a duas horas. 
 
125. Por ora, é tudo que posso fazer. 
 
Escrevemos “Por ora, é tudo que posso fazer”, e não “Por hora, é tudo que posso 
fazer”, visto que estamos afirmando que “Por enquanto, é tudo que posso fazer”. 
Em suma, “por ora” significa “por enquanto”, e “por hora”, com “h”, significa “por 
intervalo de 60 minutos”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ele disse que, por hora, não há o que se fazer. 
Desejável Ele disse que, por ora, não há o que se fazer. 
 
Indesejável Nesta via, a velocidade máxima é de 60 quilômetros por ora. 
Desejável Nesta via, a velocidade máxima é de 60 quilômetros por hora. 
85 
126. Existem leis a que todos devem obedecer. 
 
Devemos dizer “Existem leis a que todos devem obedecer”, com a preposição “a”, e 
não “Existem leis que todos devem obedecer”, pois, como vimos no item 98, o verbo 
“obedecer” é transitivo indireto (obedecemos à lei, obedecemos às normas, obedecemos ao 
regulamento etc.). 
Para fixar o que dissemos, observe a situações a seguir. 
 
Indesejável Há normas que você deve obedecer. 
Desejável Há normas a que você deve obedecer. 
Desejável Há normas que você deve observar. 
 
Veja que usamos “Há normas que você deve observar”, sem a preposição “a”, pois, 
no caso, “observar” é verbo transitivo direto (observamos a lei, observamos as normas, 
observamos o regulamento etc.). 
Se quisermos trocar o pronome relativo por “as quais”, deveremos nos lembrar de 
colocar o acento indicativo de crase quando o verbo exigir a preposição “a”: “Há normas às 
quais você deve obedecer”. 
 
127. Estão disponíveis os seus cupons. 
 
Muitas vezes, ouvimos algo como “Está disponível seus cupons”, mas o correto é 
“Estão disponíveis seus cupons”, visto que, na ordem direta, temos “Seus cupons estão 
disponíveis”. Ou seja, há a concordância de “estão disponíveis” com “seus cupons”, que está 
no plural. 
Para fixar o que dissemos, observe a situações a seguir. 
 
IndesejávelEstá pronto suas encomendas. 
Desejável Estão prontas suas encomendas. 
Desejável Está pronta sua encomenda. 
Desejável Está pronto seu pedido. 
Desejável Estão prontos seus pedidos. 
 
Poderíamos ter dito, por exemplo, “Suas encomendas estão prontas” e “Sua 
encomenda está pronta”. 
 
86 
128. Não me importam os seus atos (Capital Inicial). 
 
Em “Música Urbana”, canção do Capital Inicial, encontramos o trecho a seguir. 
 
Não me importam os seus atos 
Eu não sou mais um desesperado 
Se eu ando por ruas quase escuras, as ruas passam 
 
Os autores escreveram “Não me importam os seus atos”, e não “Não me importa os 
seus atos”, visto que, na ordem direta, temos “Os seus atos não me importam”. 
 
129. Se ele expuser os motivos, poderemos chegar ao consenso. 
 
Empregamos “Se ele expuser...”, e não “Se ele expor...”. 
O verbo “expor” é derivado do verbo “por” e segue o padrão a seguir. 
• Eu ponho – eu exponho 
• Eu pus – eu expus 
• Eu punha – eu expunha 
• Se eu puser – se eu expuser 
• Ele põe – ele expõe 
• Ele pôs – ele expôs 
• Ele punha – ele expunha 
• Se ele puser – se ele expuser 
• Eles põem – eles expõem 
• Eles puseram – eles expuseram 
• Eles punham – eles expunham 
• Se eles puserem – se eles expuserem 
Além disso, é preferível “Se ele expuser os motivos, poderemos chegar ao consenso” 
a “Se ele expuser os motivos, podemos chegar ao consenso”. 
 
130. Analise os dados e faça uma boa análise. 
 
Veja que diferença faz o uso do acento: em “Analise os dados e faça uma boa 
análise”, “analise”, sem acento, é uma forma verbal, e “análise”, com acento, é um 
substantivo. 
“Analise os dados e faça uma boa análise” é equivalente a “Examine os dados e faça 
uma boa análise”, por exemplo. 
87 
131. Quero sua risada mais gostosa (Ivan Lins). 
 
Em “Vitoriosa”, canção do Ivan Lins, encontramos o trecho a seguir. 
 
Quero sua risada mais gostosa 
Esse seu jeito de achar 
Que a vida pode ser maravilhosa... 
 
O compositor escreveu “vitoriosa”, “gostosa” e “maravilhosa”, com “s”, e não com 
“z”, pois, aqui, temos os sufixos “oso” e “osa”, que indicam abundância, grande quantidade 
ou posse plena. 
 
132. Ela sempre escolhe determinada sobremesa. 
 
Preferimos “Ela sempre escolhe determinada sobremesa” a “Ela sempre escolhe uma 
determinada sobremesa”, sem o artigo indefinido “uma” precedendo o pronome indefinido 
“determinada”. 
Também damos preferência às formas a seguir. 
• Ele usou determinado boné. 
• Ele usou certo boné. 
• Ele usou dado boné. 
• Ela utilizou dada formatação. 
 
133. Quiçá, um dia, a fúria desse front... (Caetano Veloso e Djavan) 
 
Em “Sina”, canção do Caetano Veloso e do Djavan, encontramos o trecho a seguir. 
 
O luar, estrela do mar 
O sol e o dom 
Quiçá, um dia, a fúria desse front 
Virá lapidar o sonho 
Até gerar o som 
 
Os autores usaram corretamente o advérbio “quiçá”, grafado com “ç”, que significa 
talvez, possivelmente etc. 
 
134. “Não pode” e “Não, pode”. 
 
Observe os diálogos A e B a seguir. 
 
88 
Diálogo A. 
Ana diz: “Mamãe, você vê algum problema em eu dormir na casa da minha amiga hoje?” 
A mãe de Ana responde: “Não pode dormir na casa dela”. 
Diálogo B. 
Ana diz: “Mamãe, você vê algum problema em eu dormir na casa da minha amiga?” 
A mãe de Ana responde: “Não, pode dormir na casa dela”. 
Verifique a importância da pontuação. 
No diálogo A, “não” é advérbio de negação. Nesse caso, a mãe diz que Ana não pode 
dormir na casa da amiga. 
No diálogo B, “não”, colocado antes da vírgula, é um elemento da resposta negativa. 
Nesse caso, a mãe diz que Ana não vê nenhum problema no fato de Ana dormir na casa da 
amiga. 
Veja o anúncio que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) fez para destacar a 
importância da vírgula. 
 
Disponível em . Acesso em 12 mar. 2025. 
89 
135. Viajem e tragam fotos da viagem. 
 
Em “Viajem e tragam fotos da viagem”, “viajem”, com “j”, é verbo, e “viagem”, com 
“g”, é substantivo. 
Veja os exemplos a seguir. 
• Gostamos de viagens e de leituras. 
• Espero que eles viajem muito. 
• A viagem foi maravilhosa! 
 
136. Isso é perda de tempo. 
 
Não dizemos “Isso é perca de tempo”, mas “Isso é perda de tempo”, pois usamos o 
substantivo “perda”, e não o verbo “perca”. 
Já em “Não perca seu tempo com bobagens”, que é equivalente a “Não desperdice 
seu tempo com bobagens”, empregamos “perca”, relativo ao verbo “perder”. 
 
137. Ela trabalha de segunda a sexta. 
 
Nesse exemplo, não há crase: é “Ela trabalha de segunda a sexta”, e não “Ela 
trabalha de segunda à sexta”. 
Veja que poderíamos dizer “Ela trabalha de segunda até sexta”. 
Observe outros exemplos. 
• Ela reza de domingo a domingo. 
• Ela faz home office de terça a quinta. 
• Ela faz home office entre terça e quinta. 
 
138. A sala tem 5 metros de comprimento. 
 
A palavra “comprimento” diz respeito à distância entre dois pontos, e a palavra 
“cumprimento” diz respeito a uma felicitação ou à realização de algo. Logo, ficamos com “A 
sala tem 5 metros de comprimento”, e não com “A sala tem 5 metros de cumprimento”. 
Observe outros exemplos. 
• O cumprimento da tarefa levou muito tempo. 
• O cumprimento da mãe foi muito afetuoso. 
• Usarei a trena para medir o comprimento do corredor. 
 
90 
139. Vai dar tudo certo! 
 
Algumas vezes, lemos “Vai dá tudo certo!” em vez de “Vai dar tudo certo!”. Se não 
estivermos fazendo a reprodução da oralidade, precisaremos usar a forma no infinitivo, ou 
seja, “dar”. 
Enfim, quando falamos, em geral, suprimimos o som do “erre” final de verbos no 
infinitivo. Por exemplo, costumamos dizer “Ele vai vencê” ou “Ela vai ganhá”, por exemplo. 
No entanto, trata-se dos infinitivos “vencer” e “ganhar”, respectivamente. Logo, ficamos com 
“Ele vai vencer” ou “Ela vai ganhar”. Repare que, na reprodução da oralidade, é necessário o 
acento. 
 
140. Ela tem lindas sobrancelhas! 
 
Frequentemente, encontramos “Ela tem lindas sombrancelhas!” no lugar de “Ela tem 
lindas sobrancelhas!”. Contudo, o correto é “sobrancelhas”, pois não há “sombrancelhas” na 
Língua Portuguesa. 
 
141. Não queremos privilégios nem empecilhos. 
 
As formas corretas são “privilégio” (não “previlégio”) e “empecilho” (não “impecilho”). 
Por isso, escrevemos “Não queremos privilégios nem empecilhos”. 
 
142. Ela esqueceu as chaves. 
 
Usamos “Ela esqueceu as chaves”, e não “Ela esqueceu das chaves”. No entanto, se 
utilizarmos a forma reflexiva, ficaremos com “Ela esqueceu-se das chaves”. 
Isso também vale para outros verbos, como “lembrar”. 
• Ela lembrou a infância com carinho. 
• Ela lembrou-se da infância com carinho. 
• Você esqueceu a blusa? Sim, não me lembrei dela! 
 
143. Ela é menor de idade. 
 
Dizemos “Ela é menor de idade”, e não “Ela é de menor” nem “Ela é de menor de 
idade”. 
 
91 
144. De repente, ela chegou. 
 
A expressão “de repente”, que significa “inesperadamente”, é uma locução adverbial 
formada pela preposição “de” e pelo substantivo “repente”. Escrevemos “de repente”, e não 
“derrepente”. 
Veja os exemplos. 
• De repente, ela chegou. 
• Isso aconteceu tão de repente, que não tive tempo de reagir. 
 
145. A mensagem das placas ajuda a salvar vidas. 
 
Veja a imagem a seguir. 
 
 
Disponível em . Acesso em 11 mar. 2025. 
 
 
Há algum erro no texto da placa? 
Sim, há um erro de concordância. O núcleo do sujeito é “mensagem”. Logo, devemos 
empregar “ajuda” em vez de “ajudam”. Ficamos com “A mensagem das placas ajuda a salvar 
vidas”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
92 
ANEXO 1. UM POUCO DE MORFOLOGIA. 
 
Como as palavras são classificadas? 
Provavelmente, você já ouviu essa pergunta. Bom, quem responde é a morfologia. 
Em termos morfológicos, temos as classes de palavras mostradasno quadro 1. Vejamos. 
• Substantivo 
• Adjetivo 
• Numeral 
• Pronome 
• Artigo 
• Verbo 
• Advérbio 
• Preposição 
• Interjeição 
• Conjunção 
 
Quadro 1. Classificação das palavras e características. 
Classificação da 
palavra 
Características 
Substantivo 
Dá nome aos seres, às coisas, às emoções e aos sentimentos. Apresenta 
gênero (feminino ou masculino) e número (singular ou plural). É o núcleo 
de expressões de referência. 
Adjetivo Dá qualidade, atributo ou propriedade ao substantivo. 
Numeral Possibilita fazer referência quantitativa a conceitos e a objetos. 
Pronome Identifica as pessoas de um discurso. 
Artigo É colocado antes do substantivo e refere-se a uma entidade determinada. 
Verbo Expressa categorias de tempo, modo, número e pessoa. 
Advérbio Modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio. 
Preposição É colocada antes do substantivo ou do pronome. 
Interjeição É uma palavra (ou uma locução) que expressa um estado emotivo. 
Conjunção É um termo que conecta orações ou palavras de uma oração. 
 
Vejamos, no quadro 2, alguns exemplos de palavras de cada uma das classes 
morfológicas. 
 
 
93 
Quadro 2. Classificação das palavras e exemplos. 
Classificação da 
palavra 
Exemplos 
Substantivo Criança, força, justiça, leveza, França, magia, Deus, luz, choro, pano, gato, 
felicidade, tristeza, beleza, cadeira, computador, pedreira, guarda-chuva, 
engenheiro, engenheiras, engenharia, trovão, trovoada, bem, mal, São 
Paulo, aves, gente, sexta-feira, passatempo, chocolate, filho, fada, livro, 
cachorro-quente... 
Adjetivo Infantil, forte, justa, leve, francês, mágico, divino, iluminado, chorão, 
croata, paulista, paulistano, luso-brasileiro, ilimitada, bom, mau, belo, feliz, 
triste, tristonho, computacional, inodoro, auditivo, venoso, mal-educados, 
azul-turqueza, superinteressante, amarelo, amarelo-ouro, rosa, rosado, 
formosa, visível, sonhadora, surdos-mudos, facílimo, forçado... 
Numeral Oito, trezentos e quatro, três quartos, dobro, vigésima parte, décimo 
terceiro, treze, dobro, cêntuplo, milhão, primeira, dúzia, par, dezena, sexta, 
semestre, bimestre, década, sete vezes... 
Pronome Eu, ela, vocês, nós, lhe, minha, sua, seus, elas, nossas, tua, tais, próprios, 
onde, quanto, deles, este, isso, aquilo, qual, que... 
Artigo O, a, os, umas, uns... 
Verbo Falar, cantando, faça, comer, partira, viajado, vá, mexem, dê, continue, 
falaram, falarão, falarem, falar, pensamos, cantando, teria feito, viajamos, 
é, sou, fomos abençoados... 
Advérbio Ontem, antes, não, sempre, ainda, raramente, muito, talvez, acaso, 
bastante, demasiado, depressa, cuidadosamente, lá, nada, mais, cedíssimo, 
agora... 
Preposição Em, para, a, de, por, ante, sob, perante, até, contra, sobre, em torno, sob, 
em função de, em vez de... 
Interjeição Ai!, ui!, ah!, oh!, uf!, tchau!, obrigada!, oba!, viva!, adeus!, até mais!, psiu!, 
que pena!, coitado!, ótimo!... 
Conjunção E, nem, mas, também, mas ainda, bem como, contudo, porém, ao passo 
que, ou, porque, portanto, desde que, sem que, como, do que, à medida 
que, toda vez que, enquanto... 
 
 
 
 
94 
ANEXO 2. UM POUCO DE SINTAXE. 
 
Como os termos da oração são classificados? 
Agora, quem a responde é a sintaxe. Sintaticamente, temos os termos essenciais 
(sujeito e predicado), os termos integrantes (objeto direto, objeto indireto, complemento 
nominal e agente da passiva) e os termos acessórios (adjunto adnominal, adjunto adverbial 
e aposto) mostrados no quadro 3. 
 
Quadro 3. Classificação dos termos e características. 
Termos Classificação do termo Características 
Essenciais 
Sujeito 
Alguém ou alguma coisa sobre a qual é dada uma 
informação. 
Predicado 
Informação dada sobre o sujeito. Tudo o que não 
é sujeito é predicado. 
Integrantes 
Objeto direto Completa o sentido dos verbos transitivos diretos. 
Objeto indireto 
Completa o sentido dos verbos transitivos 
indiretos. 
Complemento nominal 
Completa o sentido de um nome (substantivo, 
adjetivo ou advérbio). 
Agente da passiva Indica quem executa a ação na voz passiva. 
Acessórios 
Adjunto adnominal 
Caracteriza um substantivo por meio de adjetivo, 
artigo, numeral, pronome ou locução adjetiva. 
Adjunto adverbial 
Refere-se a um verbo ou a um advérbio e indica 
circunstância. 
Aposto Faz uma explicação. 
 
Importante! 
Há, também, o vocativo, que é um “termo à parte”. Por exemplo, em “Alô, Chris!”, “Chris” é 
o vocativo. 
 
Vejamos, no quadro 4, alguns exemplos dos termos da oração explicados no quadro 
anterior. Tais termos estão destacados em negrito. 
 
 
 
 
95 
Quadro 4. Classificação dos termos e exemplos. 
Classificação 
do termo 
Exemplos 
Sujeito • Você é muito legal! 
• Isto é falso. 
• Vossa Excelência atua de maneira correta. 
• Meu lindo, amoroso e inteligente filho gosta muito de estudar. 
• A pressa é inimiga da perfeição. 
• O barato sai caro. 
• Ninguém ligou para saber se era necessário levar mantimentos. 
• É muito difícil este problema de matemática! 
Predicado • Você é muito legal! 
• Isto é falso. 
• Vossa Excelência atua de maneira correta. 
• Meu lindo, amoroso e inteligente filho gosta muito de estudar. 
• A pressa é inimiga da perfeição. 
• O barato sai caro. 
• É muito difícil este problema de matemática! 
Objeto direto • Ganhei um livro excelente. 
• Alguém viu meu querido filho? 
• Compre isso com o dinheiro do seu amigo. 
• Esperei-o em minha casa. 
• Quero que você seja muito feliz. 
• A mãe carinhosa abraçou seu filho único. 
• Procurei meus óculos, mas não os achei. 
• Eles nos chamaram em voz baixa. 
• Deus abençoou a todos. 
• Não encontrei ninguém naquela loja. 
Objeto indireto • Preciso de um livro excelente. 
• Assisti ao jogo e à novela. 
• Ele precisa do livro de matemática? 
• Meu amado pai gosta de música clássica e de vinho. 
• Eles resisitiram ao ataque terrestre. 
• Isso não me convém. 
• Peço-lhes favores sempre! 
96 
Complemento 
nominal 
• Tenho necessidade de um treino mais efetivo. 
• Ele agiu em defesa da pátria. 
• A fé em Deus foi a nossa salvação. 
Agente da 
passiva 
• O livro excelente foi escrito por Cristóvão. 
• Este texto foi escrito por mim. 
• Sua bondade era de todos conhecida. 
Adjunto 
adnominal 
• Nosso professor é maravilhoso. 
• A casa de madeira é bem fresca. 
• O livro excelente do meu filho foi escrito por um grande escritor. 
Adjunto 
adverbial 
• O livro excelente foi escrito lentamente. 
• Caminhe devagar, bem vagarosamente. 
• Talvez, você possa fazer algo para ajudar. 
Aposto • Gandhi, um líder pacifista, morreu em 1948. 
• Aquele gato, bonito e amoroso, foi um presente que a vida lhe deu! 
 
Para fixar o que vimos, vamos fazer análises sintáticas das frases a seguir. 
 
I. A pressa é inimiga da perfeição. 
 
Segundo o ditado, coisas feitas com pressa, sem cuidado, podem ser malfeitas. Esse 
provérbio diz que teremos melhores resultados se tivermos paciência e atenção. 
Aqui, temos uma única oração, com constituintes na ordem direta (sujeito e 
predicado). 
Se fizermos a pergunta “quem?” antes do verbo, obteremos o sujeito da frase. Quem 
“é inimiga da perfeição”? A resposta é “A pressa”. 
Logo, “A pressa” é o sujeito e “é inimiga da perfeição” é o predicado da oração. 
No predicado “é inimiga da perfeição”, “é” é o verbo de ligação e “inimiga da 
perfeição” é o predicativo do sujeito, pois atribui uma característica a “A pressa”. 
O prefixo “per”, usado na formação da palavra “perfeição”, quer dizer “completo”. 
Assim, a ideia aqui contida é de “ação completa”, no sentido de algo impecável. 
Em resumo, temos o que segue. 
• “A pressa”: sujeito. 
• “pressa”: núcleo do sujeito 
• “é inimiga da perfeição”: predicado 
• “é”: verbo de ligação. 
• “inimiga da perfeição”: predicativo do sujeito. 
97 
II. O barato sai caro. 
 
Segundo o ditado, quando adquirimos algo por um preço muito baixo, podemos 
comprar algo sem qualidade ou106. O preço da refeição é alto. 74 
107. Serão objetos de estudo a contextualização histórica e as 
aplicações atuais. 
75 
108. Alguns modelos atualmente usados baseiam-se nas novas 
técnicas digitais. 
76 
109. O estudo de todas as situações envolvidas no processo foi 
esclarecedor. 
77 
110. Ele foi de verde em vez de ir de cinza. 78 
111. André relaxa com o estudo e com a meditação. 78 
112. Isso tem tudo a ver com você. 79 
113. Dados os resultados, faremos mudanças. 79 
114. Haja vista o esforço, você será recompensado. 80 
115. Ela favoreceu o marido. 80 
116. Os times empataram por 1 a 1. 80 
117. Ele tinha pendências no banco. 81 
118. Ele nem sequer foi chamado para a entrevista. 81 
119. O sabor de que ele gosta está em falta. 81 
120. Ela estudou e, por isso, foi bem na prova. 82 
121. O curso inicia-se hoje. 82 
122. De tanto levar frechada do teu olhar... (Adoniran Barbosa). 82 
123. Para mais detalhes, entre em contato com a secretaria. 83 
124. Frequento este restaurante há 10 anos. 84 
125. Por ora, é tudo que posso fazer. 84 
126. Existem leis a que todos devem obedecer. 85 
127. Estão disponíveis os seus cupons. 85 
128. Não me importam os seus atos (Capital Inicial). 86 
129. Se ele expuser os motivos, poderemos chegar ao consenso. 86 
130. Analise os dados e faça uma boa análise. 86 
131. Quero sua risada mais gostosa (Ivan Lins). 87 
132. Ela sempre escolhe determinada sobremesa. 87 
7 
133. Quiçá, um dia, a fúria desse front... (Caetano Veloso e Djavan) 87 
134. “Não pode” e “Não, pode”. 87 
135. Viajem e tragam fotos da viagem. 89 
136. Isso é perda de tempo. 89 
137. Ela trabalha de segunda a sexta. 89 
138. A sala tem 5 metros de comprimento. 89 
139. Vai dar tudo certo! 90 
140. Ela tem lindas sobrancelhas! 90 
141. Não queremos privilégios nem empecilhos. 90 
142. Ela esqueceu as chaves. 90 
143. Ela é menor de idade. 90 
144. De repente, ela chegou. 91 
145. A mensagem das placas ajuda a salvar vidas. 91 
ANEXO 1. UM POUCO DE MORFOLOGIA. 92 
ANEXO 2. UM POUCO DE SINTAXE. 94 
ANEXO 3. ALGUNS VERBOS “DIFERENTES”. 100 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
1. Antes tarde do que nunca. 
 
Segundo esse ditado, é melhor atrasarmos para fazer algo do que deixar de fazê-lo. 
Há variações engraçadas, como “Antes tarde do que mais tarde”. 
 
 
Variação de “Antes tarde do que nunca”. 
Disponível em . Acesso em 25 abr. 2024. 
 
Observe que usamos “do que” (separado), e não “doque” (junto), que é uma espécie 
de macaco asiático. 
Aqui, temos a combinação da preposição “de”, do artigo “o” e do termo “que” para 
fazer uma comparação, ou seja, “do que” é uma conjunção comparativa. 
Para saber mais sobre as classes das palavras, veja o ANEXO 1. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Antes só doque mal acompanhado. 
Desejável Antes só do que mal acompanhado. 
 
Indesejável O macaco do que é do gênero Simia nemoues. 
Desejável O macaco doque é do gênero Simia nemoues. 
 
2. Olá, Ana! 
 
“Olá, Ana!” é um tipo de saudação que costumamos fazer, por exemplo, em 
conversas via whatsapp, como vemos na imagem a seguir. 
 
 
 
9 
Precisamos usar a vírgula depois de “Olá”? 
Sim, pois temos o que chamamos de vocativo. É como se falássemos “Olá, oh Ana!”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Oi Vera. 
Desejável Oi, Vera. 
Desejável Olá, Vera. 
 
Indesejável Obrigada papai por tudo o que você fez por mim. 
Desejável Obrigada, papai, por tudo o que você fez por mim. 
 
Indesejável Sou grata Luiz pelo seu auxílio. 
Desejável Sou grata, Luiz, pelo seu auxílio. 
 
Indesejável André seu pedido já chegou ao destino. 
Desejável André, seu pedido já chegou ao destino. 
 
É como se falássemos “Oi, oh Vera”, “Obrigada, oh papai, por tudo o que você fez 
por mim”, “Sou grata, oh Luiz, pelo seu auxílio” e “Oh André, seu pedido já chegou ao 
destino”. 
Ainda falando em vocativo, vemos, a seguir, um trecho da música intitulada “Bate 
coração”, composta por Mary Ribeiro, Antônio Barros e Cecéu e interpretada por Elba 
Ramalho. Nesse trecho, é como se tivéssemos “porque o que se leva dessa vida, oh coração, 
é o amor que a gente tem pra dar”, o que justifica a palavra “coração” ser colocada entre 
vírgulas. 
Bate, bate, bate coração 
Não ligue, deixe quem quiser falar 
Porque o que se leva dessa vida, coração, 
É o amor que a gente tem pra dar 
Disponível em . Acesso em 23 abr. 2024 (com adaptações). 
 
3. Quem tem boca vai a Roma. 
 
“Quem tem boca vai a Roma” significa que, se soubermos nos comunicar, 
chegaremos a qualquer lugar. 
Toda vez que usarmos um verbo de movimento (como “ir”, “chegar” ou “voltar”), 
devemos utilizar a preposição “a”. Como assim? 
10 
Em “vai a Roma”, temos o verbo “vai” (cujo infinitivo é “ir”), a preposição “a” e o 
substantivo “Roma”. Podemos pensar que “Quem tem boca vai a Roma” é equivalente a 
“Quem tem boca vai até Roma” (no último caso, utilizamos a preposição “até” no lugar da 
preposição “a”). 
Do mesmo modo, escrevemos “ir ao cinema” (e não “ir no cinema”), pois temos o 
verbo “ir”, a preposição “a”, o artigo “o” e o substantivo “cinema”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ela chegou atrasada no consultório médico. 
Desejável Ela chegou atrasada ao consultório médico. 
 
Indesejável Regina retornou no seu restaurante favorito. 
Desejável Regina retornou ao seu restaurante favorito. 
 
Indesejável Eu costumava ir na feira com a minha avó querida. 
Desejável Eu costumava ir à feira com a minha avó querida. 
 
Indesejável Cheguei na faculdade bem cedo. 
Desejável Cheguei à faculdade bem cedo. 
 
Indesejável Retornei na escola onde estudei. 
Desejável Retornei à escola onde estudei. 
 
Vale notar que, no caso de cidades ou estados, fazemos como segue. 
 
• Fui a São Paulo. • Voltei ao Rio de Janeiro. 
• Retornei a Paris. • Cheguei ao Espírito Santo. 
 
Para saber mais sobre as classes das palavras, veja o ANEXO 1. 
 
4. Há males que vêm para bem. 
 
Trata-se de um ditado que diz o seguinte: existem situações aparentemente ruins 
que podem levar a resultados bons. 
11 
A dúvida pode residir no fato de acentuarmos ou não o verbo vir em “Há males que 
vêm para bem”. No presente do indicativo, o verbo vir é conjugado como segue. 
 
Verbo vir – presente do indicativo 
1ª pessoa do singular: eu venho 1ª pessoa do plural: nós vimos 
2ª pessoa do singular: tu vens 2ª pessoa do plural: vós vindes 
3ª pessoa do singular: ele vem 3ª pessoa do plural: eles vêm 
 
No ditado, devemos concordar o verbo vir com “males”, que é o plural de “mal”. 
Logo, usamos a 3ª pessoa do plural, ou seja, “vêm”, com acento. 
Aproveitamos a oportunidade para reforçar que a 1ª pessoa do plural do verbo vir no 
presente do indicativo é “nós vimos”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ele vêm de longe. 
Desejável Ele vem de longe. 
 
Indesejável Existem situações que vem a calhar. 
Desejável Existem situações que vêm a calhar. 
 
5. Ele interveio na reunião. 
 
“Ele interveio na reunião” significa que ele interferiu na reunião. 
No entanto, é comum ouvirmos “Ele interviu na reunião”, o que é incorreto. 
O verbo “intervir” vem do verbo “vir”. Logo, eles seguem os mesmos tipos de 
conjugação. No caso do “passado” (pretérito perfeito do indicativo), temos o que segue. 
 
Verbo vir – pretérito perfeito do indicativo 
1ª pessoa do singular: eu vim 1ª pessoa do plural: nós viemos 
2ª pessoa do singular: tu vieste 2ª pessoa do plural: vós viestes 
3ª pessoa do singular: ele veio 3ª pessoa do plural: eles vieram 
Verbo intervir – pretérito perfeito do indicativo 
1ª pessoa do singular: eu intervim 1ª pessoa do plural: nós interviemos 
2ª pessoa do singular: tu intervieste 2ªque não funcione. Nesse caso, precisaremos usar algo que 
não atenda às reais necessidades ou que nem possa ser usado. Assim, o que era 
inicialmente barato passa a ser caro pela inutilidade. 
Nesse ditado, temos o que segue. 
• “O barato”: sujeito. 
• “barato”: núcleo do sujeito. 
• “sai caro”: predicado. 
 
III. Arte é intriga (Millôr Fernandes). 
 
Intriga pode ser definida, por exemplo, como desavença. Mas, no caso de “Arte é 
intriga”, intriga remete ao adjetivo “intrigante”, no sentido de que a arte desperta a 
curiosidade ou a arte aguça a vontade de entender. 
Nessa frase, temos o que segue. 
• “Arte”: sujeito. 
• “é intriga”: predicado. 
• “é”: verbo de ligação. 
• “intriga”: predicativo do sujeito. 
Você acha que o impacto de “Arte é intriga” é mais forte do que “A arte é intrigante”, 
com a ausência do artigo “a” e o uso de “intriga” em vez de “intrigante”? 
 
IV. A beleza é uma breve tirania (Zeno). 
 
Zeno, pensador do período helenista, faz um contraponto entre a “beleza”, que é 
algo desejável e admirável, e seu caráter passageiro e arbitrário (“breve tirania”). Em suma, 
a beleza não é eterna nem universal. 
Em resumo, temos o que segue. 
• “A beleza”: sujeito. 
• “beleza”: núcleo do sujeito. 
• “é uma breve tirania”: predicado. 
• “uma breve tirania”: predicativo do sujeito. 
“A” em “A beleza” é um artigo que atua como adjunto adnominal de “beleza”. 
 
98 
V. Eu sou eu e minhas circunstâncias (Ortega y Gasset). 
 
A frase, do filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883 - 1955), afirma que o “eu 
final” é resultado da “soma” do “eu original” e das situações e acontecimentos que vivo. 
Somos uma “mistura” de algo próprio vindo de nós mesmos com as condições, positivas ou 
negativas, do ambiente/mundo externo. 
Em resumo, temos o que segue. 
• “Eu”: sujeito. 
• “sou eu e minhas circunstâncias”: predicado. 
• “eu e minhas circunstâncias”: predicativo do sujeito. 
“Minhas” em “minhas circunstâncias” é um pronome possessivo que atua como 
adjunto adnominal de “circunstâncias”. 
 
VI. Deus não joga dados com o universo (Albert Einstein). 
 
Essa frase, dita pelo físico alemão Albert Einstein (1879 - 1955), contraria as ideias 
da mecânica quântica, cujos conceitos parecem se opor ao nosso “bom senso”: o que 
“parece ser” uma partícula pode comportar-se como uma onda e vice-versa. Ainda na 
mecânica quântica, temos o princípio da incerteza de Heisenberg, segundo o qual é 
impossível determinarmos, ao mesmo tempo, a posição e a velocidade de uma partícula: 
podemos medir com precisão sua posição, mas teremos imprecisão na medida de sua 
velocidade e vice-versa. São ideias sobre um mundo ancorado nas incertezas, no aletório... 
Embora Einstein tenha contribuído para o nascimento da mecânica quântica, ele 
rejeitou a ideia de um “universo quântico governado pela probabilidade” e afirmou que 
“Deus não joga dados com o Universo”. 
Podemos usar essa afirmação quando quisermos dizer que algo é “100% definido” e 
não estatisticamente estimado. 
Em “Deus não joga dados com o universo”, temos uma frase de fácil análise sintática, 
pois ela é composta por uma única oração e seus constituintes foram colocados na ordem 
direta (sujeito e predicado). 
Se fizermos a pergunta “quem?” antes do verbo, obtemos o sujeito da frase. Quem 
“não joga dados com o universo”? “Deus”. Logo, “Deus” é sujeito e “não joga dados com o 
universo” é predicado da oração. Em termos morfológicos, ou seja, da “palavra em si”, esse 
sujeito (“Deus”) é um substantivo. 
Se fizermos a pergunta “o quê?” depois do verbo, obtemos o objeto direto da frase. 
“Deus não joga” o quê? “Dados”. Logo, “dados” é objeto direto do verbo “joga”. 
99 
Se fizermos a pergunta “com quem?” depois do verbo, obtemos o objeto indireto da 
frase. “Deus não joga” com quem? “com o universo”. Logo, “com o universo” é objeto 
indireto do verbo “joga”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
100 
ANEXO 3. ALGUNS VERBOS “DIFERENTES”. 
 
Veja, a seguir, exemplos de usos de alguns verbos “diferentes”. 
 
ADERIR 
• Eu sempre adiro às medidas que ajudem a preservar a natureza. 
• Elas sempre aderem às medidas que ajudem a preservar a natureza. 
 
ADVIR 
• A prosperidade adveio-lhe rapidamente. 
• As brigas advieram das inúmeras incompatibilidades. 
 
CABER 
• Eu caibo direitinho neste pequeno espaço. 
• Eu coube direitinho neste pequeno espaço. 
 
CAIR 
• Eu tenho sérios problemas nos pés e, por isso, caio com frequência. 
• Eu caí da minha própria altura. 
 
COMPETIR 
• Eu compito em partidas de tênis jogadas em quadras de saibro. 
• Eles competem em partidas de tênis jogadas em quadras de saibro. 
 
CONVIR 
• Eu convim aos propósitos dela. 
• Eles convieram aos propósitos dela. 
 
DIGERIR 
• Eu não digiro muito bem alimentos gordurosos. 
• Eles não digerem muito bem alimentos gordurosos. 
 
ESCANEAR 
• Eu escaneio os documentos para arquivá-los digitalmente. 
• Eu escaneei os documentos para arquivá-los digitalmente. 
 
101 
ESTENDER 
• Todos os dias, eu estendo aquela enorme toalha sobre a mesa de jantar. 
• Ontem, eu estendi aquela enorme toalha sobre a mesa de jantar. 
Observação. O verbo “extender” não existe na gramática prescritiva. 
 
FALHO 
• Eu falho quando não dou a devida atenção a todos que me procuram. 
• Eu falhei quando não dei a devida atenção a todos que me procuraram. 
 
FEDER 
• Eu não fedo porque sou muito asseada. 
• Eu não fedi porque fui muito asseada. 
 
FREIO 
• Eu nunca freio bruscamente: prefiro fazer o contrário disso. 
• Eles nunca freiam bruscamente: preferem fazer o contrário disso. 
 
LAMBER 
• Eu lambo até a última gota daquele licor maravilhoso de jabuticada. 
 
MEDIR 
• Eu meço as dimensões do objeto com instrumentos digitais. 
• Eu medi as dimensões do objeto com instrumentos digitais. 
 
PENTEAR 
• Todos os dias, eu penteio meus cabelos com escovas de cerdas macias. 
• Ontem, eu penteei meus cabelos com escovas de cerdas macias. 
 
POLIR 
• Estou polindo a prataria com perfeição. 
• Eu pulo a prataria com perfeição. 
• Eu poli a prataria com perfeição. 
• Ele pule a prataria com perfeição. 
• Eles pulem a prataria com perfeição. 
 
 
102 
PROVER 
• Hoje, eu provenho minha casa com fartura e bons alimentos. 
• Ontem, eu provim minha casa com fartura e bons alimentos. 
 
REQUERER 
• Eu sempre requeiro os documentos necessários com antecedência. 
• Eu requeri os documentos necessários com antecedência. 
 
SOAR 
• Eu soo o sino da paróquia todos os dias, sem exceção. 
• Eles soam o sino da paróquia todos os dias, sem exceção. 
 
SUAR 
• Eu suo demais durante os treinos matinais na academia. 
• Eles suam demais durante os treinos matinais na academia. 
 
VALER 
• Eu valho muito mais do que ela. 
• Eles valem muito mais do que ela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
103 
Dedicações e agradecimentos. 
 
Dedico este trabalho às memórias de Luiz Mazur, de Kaoru Doi e de todas as 
pessoas que lá chegaram. 
 
Agradeço as leituras de Gladys Pierrobon, Jamilson José Alves da Silva, José 
Carlos Morilla, Mauro Kiehn, Marco Aurélio Morrone Moretti, Tânia Sandroni e 
Tiago Guglielmeti Correale. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
104pessoa do plural: vós interviestes 
3ª pessoa do singular: ele interveio 3ª pessoa do plural: eles intervieram 
12 
Isso também acontece, por exemplo, com os verbos “provir”, “convir” e “advir”. 
Para saber mais sobre alguns verbos “diferentes”, veja o ANEXO 3. 
 
6. Desde agora, o Filho estará sentado à direita do Pai (Lucas 22:69). 
 
No versículo “Desde agora, o Filho estará sentado à direita do Pai”, do evangelho de 
Lucas, usamos a crase em “à direita”. Temos o que chamamos de locução adverbial de 
lugar, que significa “do lado direito”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir, em que há outras locuções 
adverbiais de lugar. 
 
Indesejável Ele parou a frente do balcão. 
Desejável Ele parou na frente do balcão. 
Desejável Ele parou à frente do balcão. 
 
Indesejável Janine ficou a esquerda da Carina. 
Desejável Janine ficou do lado esquerdo da Carina. 
Desejável Janine ficou à esquerda da Carina. 
 
Indesejável Não vire a direita agora! 
Desejável Não vire à direita agora! 
 
Indesejável Vítor parou a beira do rio. 
Desejável Vítor parou na beira do rio. 
Desejável Vítor parou à beira do rio. 
 
Indesejável Eles estavam a distância de 5 metros do local da ocorrência. 
Desejável Eles estavam à distância de 5 metros do local da ocorrência. 
 
7. Jantar à luz de velas. 
 
Em “Jantar à luz de velas”, usamos a crase em “à luz de velas”. Temos o que 
chamamos de locução adverbial de modo. Na imagem a seguir, vemos uma brincadeira em 
que, “Jantar a luz de velas”, sem crase, é jantar a “própria” luz de velas. 
13 
 
“Jantar à luz de velas” e “Jantar a luz de velas”. 
Disponível em . Acesso em 12 mar. 
2025. 
 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir, em que temos outras 
locuções adverbiais de modo. 
 
Indesejável Carlos comprou o carro a vista. 
Desejável Carlos comprou o carro à vista. 
 
Indesejável Júlia fez aquele lindo desenho a mão livre. 
Desejável Júlia fez aquele lindo desenho à mão livre. 
 
Indesejável Ela fez tudo as pressas. 
Desejável Ela fez tudo às pressas. 
 
8. Havia milhares de pessoas na passeata. 
 
Sempre que usamos o verbo “haver” no sentido de “existir”, ele deve permanecer na 
terceira pessoa do singular, ou seja, não deve ir para o plural. Assim, dizemos “havia 
milhares de pessoas na passeata” ou “existiam milhares de pessoas na passeata”, e não 
“haviam milhares de pessoas na passeata”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Haviam 10 alunos naquela palestra. 
Desejável Havia 10 alunos naquela palestra. 
Desejável Existiam 10 alunos naquela palestra. 
Desejável Tínhamos 10 alunos naquela palestra. 
 
14 
Indesejável Poderão haver dezenas de vítimas em virtude do deslizamento. 
Desejável Poderá haver dezenas de vítimas em virtude do deslizamento. 
Desejável Poderão existir dezenas de vítimas em virtude do deslizamento. 
Desejável Poderemos ter dezenas de vítimas em virtude do deslizamento. 
 
Indesejável Houveram centenas de apostas inválidas. 
Desejável Houve centenas de apostas inválidas. 
Desejável Existiram centenas de apostas inválidas. 
Desejável Observamos centenas de apostas inválidas. 
 
Indesejável O conteúdo do livro é bom, ainda que hajam diversos problemas de redação. 
Desejável O conteúdo do livro é bom, ainda que haja diversos problemas de redação. 
Desejável O conteúdo do livro é bom, ainda que existam diversos problemas de redação. 
 
9. Prefiro o calor ao frio. 
 
Muita gente costuma dizer “Prefiro o calor do que o frio” no lugar de “Prefiro o calor 
ao frio”, mas esse uso não respeita a gramática prescritiva. 
No caso do verbo “preferir”, usamos a preposição “a”. Logo, dizemos “prefiro maçã a 
banana”, por exemplo. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Preferi estudar matemática do que ir à festa. 
Desejável Preferi estudar matemática a ir à festa. 
 
Indesejável As pessoas, em geral, preferem ir ao litoral do que ir ao campo. 
Desejável As pessoas, em geral, preferem ir ao litoral a ir ao campo. 
 
Indesejável Elisa prefere pizza de atum do que pizza de muçarela. 
Desejável Elisa prefere pizza de atum a pizza de muçarela. 
 
Veja que, no último exemplo, o correto, na Língua Portuguesa, é escrever 
“muçarela”, e não “mussarela”. O vocábulo original, em italiano, é “mozzarella”. 
 
 
15 
10. Trata-se de muitas folhas impressas. 
 
Podemos ficar em dúvida se usamos “Trata-se de muitas folhas impressas” ou 
“Tratam-se de de muitas folhas impressas”. 
No sentido analisado, empregamos o verbo “tratar” no singular. Logo, devemos 
escrever “Trata-se de muitas folhas impressas”. Isso ocorre quando utilizamos a preposição 
“de” depois do verbo “tratar”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Tratavam-se de exercícios muito complexos. 
Desejável Tratava-se de exercícios muito complexos. 
 
Indesejável Tratam-se de milhares de equívocos. 
Desejável Trata-se de milhares de equívocos. 
 
11. As aparências enganam. 
 
Muitas vezes, as pessoas ou as coisas parecem ser diferentes do que realmente são. 
Esse provérbio faz um alerta para que não sejamos iludidos pelas aparências. 
Nosso foco é o uso da vírgula, pois há vezes em que vemos, equivocadamente, “As 
aparências, enganam”. 
Em “As aparências enganam”, temos uma frase de fácil análise sintática, pois ela é 
composta por uma única oração e seus constituintes estão na ordem direta (sujeito e 
predicado). 
Se fizermos a pergunta “quem?” antes do verbo, obteremos o sujeito da frase. 
“Quem engana”? A resposta é “As aparências”. Logo, “As aparências” é o sujeito e 
“enganam” é o predicado da oração. Não podemos separar o sujeito do predicado por 
vírgula e, por isso, escrevemos “As aparências enganam”, e não “As aparências, enganam”. 
E qual é o correto: “Ela, é muito simpática” ou “Ela é muito simpática”? 
Como dissemos, termos como sujeito e predicado e como verbo e complementos não 
podem ser separados por vírgula. No caso, há o sujeito “ela” e o predicado “é muito 
simpática”. Logo, ficamos com “Ela é muito simpática”. 
Precisamos estar atentos a situações em que o sujeito, por ser formado por diversos 
vocábulos, é “grande” e gera a falsa impressão de que falta uma vírgula. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
16 
Indesejável Grande parte das sugestões apresentadas pelos gestores da área de educação, 
eram muito importantes para a melhora do aprendizado. 
Desejável Grande parte das sugestões apresentadas pelos gestores da área de educação 
era muito importante para a melhora do aprendizado. 
 
Veja que o sujeito do caso anterior é “Grande parte das sugestões apresentadas 
pelos gestores da área de educação” e que ele não deve ser separado por vírgula do verbo 
“era”. 
 
Indesejável Todas as pessoas que participaram da montagem dos estandes de vendas de 
equipamentos para escritório, foram agraciadas com aparelhos celulares. 
Desejável Todas as pessoas que participaram da montagem dos estandes de vendas de 
equipamentos para escritório foram agraciadas com aparelhos celulares. 
 
Indesejável Os adolescentes que dançavam alegremente na festa de formatura, 
tiveram de ir para casa cedo. 
Desejável Os adolescentes que dançavam alegremente na festa de formatura tiveram 
de ir para casa cedo. 
 
Indesejável O maravilhoso gatinho que adotei em uma feira de adoção de animais, é o 
felino mais lindo do mundo. 
Desejável O maravilhoso gatinho que adotei em uma feira de adoção de animais é o 
felino mais lindo do mundo. 
 
Indesejável No final da tarde, o professor particular de inglês, irá à sua casa. 
Desejável No final da tarde, o professor particular de inglês irá à sua casa. 
 
Indesejável Toda vez que, falo com meu amigo Tiago, tenho vontade de aprender mais. 
Desejável Toda vez que falo com meuamigo Tiago, tenho vontade de aprender mais. 
 
Indesejável 
Na realidade eu sentia como se Francisca, fosse uma pessoa com quem eu 
já tivesse convivido fazem muitos anos. 
Desejável 
Na realidade, eu sentia como se Francisca fosse uma pessoa com quem eu 
já tivesse convivido faz muitos anos. 
 
17 
Observe que, no último exemplo, há erro no uso da vírgula e há equívoco na 
concordância, pois o verbo “fazer” empregado no sentido de tempo transcorrido fica na 
terceira pessoa do singular. 
 
12. Seja você mesmo. 
 
Às vezes, vemos “seje você mesmo” em vez de “seja você mesmo”. Contudo, não 
existe a forma “seje” do verbo “ser”. Logo, devemos escrever “seja você mesmo”. No caso 
do verbo “estar”, tampouco existe a forma “esteje”. 
Enfim, as palavras “seje”, “sejem”, “esteje” e “estejem” não existem em termos 
prescritivos. Conforme exemplificado a seguir, os verbos corretos são “seja”, “sejam”, 
“esteja” e “estejam”. 
• Que você seja abençoada! 
• Que vocês sejam abençoados! 
• Espero que mamãe e papai estejam bem. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Não seje tão ríspida com sua irmã. 
Desejável Não seja tão ríspida com sua irmã. 
 
Indesejável Espero que você esteje sempre em boa companhia. 
Desejável Espero que você esteja sempre em boa companhia. 
 
13. Agora, Inês é morta. 
 
Usamos a frase “Agora, Inês é morta” quando algo já está definido, quando não há 
mais o que se fazer ou quando já é tarde demais para alguma atitude. Por exemplo, se uma 
pessoa não foi a uma entrevista de trabalho porque “perdeu” a hora, podemos empregar 
essa expressão. 
O que colocamos é o seguinte: empregamos ou não a vírgula depois de “Agora”? 
Podemos reescrever “Agora, Inês é morta” na ordem direta (sujeito e predicado): 
“Inês é morta agora”. 
Se fizermos a pergunta “quem?” antes do verbo, obteremos o sujeito da frase. Quem 
“é morta agora”? “Inês”. Logo, “Inês” é sujeito e “é morta agora” é predicado da oração. 
Veja que, em “Agora, Inês é morta”, usamos, opcionalmente, a vírgula após o 
advérbio “agora”, pois, a rigor, essa frase não está na ordem direta. 
18 
Quando temos frases em ordem indireta, iniciadas por locuções adverbiais muito 
longas, utilizamos a vírgula após essa locução. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Naquela iluminada manhã de domingo ela foi passear. 
Desejável Naquela iluminada manhã de domingo, ela foi passear. 
Desejável Ela foi passear naquela iluminada manhã de domingo. 
 
Indesejável Mesmo sem saber do que se tratava ele deu a sua opinião. 
Desejável Mesmo sem saber do que se tratava, ele deu a sua opinião. 
Desejável Ele deu a sua opinião mesmo sem saber do que se tratava. 
 
Para saber mais sobre análise sintática, veja o ANEXO 2. 
 
14. Saco vazio não para em pé. 
 
Segundo o provérbio, quem passa fome não consegue nem ficar em pé (quanto 
menos fazer o que precisa). Ou seja, é necessário que nos alimentemos para vivermos e 
fazermos nossas tarefas. 
Mas seria “Saco vazio não para em pé” ou “Saco vazio não para de pé”? 
Tanto faz: “em pé” e “de pé” são expressões sinônimas. 
Nesse provérbio, “Saco vazio” é sujeito, “Saco” é o núcleo do sujeito e “não para em 
pé” é o predicado. Em “Saco vazio”, “vazio” é adjunto adnominal de “Saco”. Em “não para 
em pé”, “não” e “em pé” são adjuntos adverbiais. 
Para saber mais sobre análise sintática, veja o ANEXO 2. 
 
15. A maioria dos eleitores foi à votação. 
 
Será que escrevemos “A maioria dos eleitores foi à votação” ou “A maioria dos 
eleitores foram à votação”? 
Na gramática prescritiva “tradicional”, fazemos a concordância do verbo com “a 
maioria”. Logo, o verbo deve estar no singular, e ficamos com “A maioria dos eleitores foi à 
votação”. Isso também vale para expressões análogas, como “a maior parte de”. 
Enfim, nos usos de “a maioria” e “a maior parte”, consideramos preferíveis as formas 
que seguem a regra lógica de concordância: o verbo fica na terceira pessoa do singular, 
concordando com “maioria” e “maior parte”. 
19 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável 
O levantamento mostrou que a maioria dos consumidores são contra o aumento 
dos preços das tarifas. 
Desejável 
O levantamento mostrou que a maioria dos consumidores é contra o aumento 
dos preços das tarifas. 
 
Indesejável 
O professor notou que a maior parte dos seus alunos tinham interesse por 
tecnologia. 
Desejável 
O professor notou que a maior parte dos seus alunos tinha interesse por 
tecnologia. 
 
Indesejável A maior parte dos usuários gostaram do novo meio de transporte. 
Desejável A maior parte dos usuários gostou do novo meio de transporte. 
 
Indesejável A maioria das toalhas que foram vendidas eram brancas. 
Desejável A maioria das toalhas que foram vendidas era branca. 
 
Indesejável A maioria dos meninos sabiam quem era o culpado. 
Desejável A maioria dos meninos sabia quem era o culpado. 
 
Indesejável A maior parte das meninas gostavam das redes sociais. 
Desejável A maior parte das meninas gostava das redes sociais. 
 
Ressaltamos que alguns autores também aceitam as formas que classificamos como 
indesejáveis. Eles argumentam que pode haver a concordância pela proximidade dos termos. 
Podemos ter situações um pouco mais complicadas, como vemos no quadro a seguir. 
 
Indesejável A maioria dos alunos que fizeram a prova acharam que ela estava fácil. 
Desejável A maioria dos alunos que fizeram a prova achou que ela estava fácil. 
 
Veja que “fizeram” concorda com “alunos” e que “achou” concorda com “a maioria”. 
Para reforçar nossa análise, avalie as diferenças apresentadas a seguir. 
 
 
20 
Indesejável A maior parte dos participantes que votaram eram estrangeiros. 
Desejável A maior parte dos participantes que votaram era estrangeira. 
 
“Votaram” concorda com “participantes” e “era estrangeira” concorda com “a maior 
parte”. 
 
16. Seguem os arquivos anexos a este e-mail. 
 
Precisamos fazer a concordância correta do verbo “seguir”, como pode ser observado 
nas situações abaixo. 
 
Indesejável Segue os arquivos anexos a este e-mail. 
Desejável Seguem os arquivos anexos a este e-mail. 
Desejável Segue a lista de arquivos anexos a este e-mail. 
Desejável Segue o conjunto de arquivos anexos a este e-mail. 
 
Além disso, o adjetivo “anexo”, como todos os outros adjetivos, deve concordar com 
o nome a que se refere. As situações a seguir mostram essa concordância. 
 
Desejável Segue anexo o documento. 
Desejável Seguem anexos os documentos. 
Desejável Segue anexa a cópia. 
Desejável Seguem anexas as cópias. 
 
A mesma regra serve para a palavra “incluso”, como vemos a seguir. 
 
Desejável O documento foi incluso na pasta. 
Desejável Os documentos foram inclusos na pasta. 
Desejável A declaração foi inclusa na pasta. 
Desejável As declarações foram inclusas na pasta. 
 
17. Podemos calcular o valor do imposto pela fórmula. 
 
Empregamos “Podemos calcular o valor do imposto pela fórmula” ou “Podemos 
calcular o valor do imposto através da fórmula”? 
21 
No contexto em estudo, não estamos pensando em “atravessar” uma fórmula, como 
sugere “através”, certo? Logo, é preferível empregarmos “pela fórmula”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Resolvi a equação do 2º grau através da fórmula de Bhaskara. 
Desejável Resolvi a equação do 2º grau pela fórmula de Bhaskara. 
Desejável Resolvi a equação do 2º grau com o auxílio da fórmula de Bhaskara. 
 
Indesejável Os alunos estão aprendendo através de vídeos postados no You Tube. 
Desejável Os alunos estão aprendendo por vídeos postados no You Tube. 
 
Indesejável A solução foi dada através de um novo algoritmo. 
Desejável A solução foi dada por um novo algoritmo. 
 
Indesejável Os cálculos foram realizados através do uso de tabelas. 
Desejável Os cálculos foram realizados com o uso de tabelas.Indesejável As partículas são vistas através de microscópios. 
Desejável As partículas são vistas com microscópios. 
 
Indesejável Você pode fazer seu pedido através do nosso cardápio. 
Desejável Você pode fazer seu pedido por meio do nosso cardápio. 
 
Precisamos estar cientes de que há casos em que a palavra “através” é 
adequadamente empregada, pois é utilizada no sentido de “atravessar”, como nos exemplos 
a seguir. 
• Júlia passou a mão através da chama da vela. 
• O líquido passou de um lado para outro através da membrana. 
• Determinados tipos de radiação passam através de folhas de papel alumínio. 
• Ela disse que viu vultos passando através da parede. 
 
18. Tenho certeza de que vou vencer. 
 
No caso, precisamos usar a preposição. Ou seja, o correto é “Tenho certeza de que 
vou vencer”, e não “Tenho certeza que vou vencer”. 
22 
Veja que, se fizermos a pergunta associada à afirmativa em análise, teremos “você 
tem certeza de quê?”. A resposta será “Tenho certeza de que vou vencer”. 
Enfim, quando temos nomes (substantivos), como “certeza”, “noção”, “conclusão” ou 
“ideia”, utilizamos a preposição “de”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Carlos tinha a noção que precisava obter resultados melhores. 
Desejável Carlos tinha a noção de que precisava obter resultados melhores. 
 
Indesejável Ela tem certeza que acertará os testes. 
Desejável Ela tem certeza de que acertará os testes. 
 
Indesejável Jaime chegou à conclusão que precisava mudar. 
Desejável Jaime chegou à conclusão de que precisava mudar. 
 
Indesejável João está convicto que pode viajar amanhã. 
Desejável João está convicto de que pode viajar amanhã. 
Desejável João está certo de que pode viajar amanhã. 
 
Indesejável Bia mantinha a ideia que era necessário mais investimentos. 
Desejável Bia mantinha a ideia de que eram necessários mais investimentos. 
 
Veja que, no último exemplo, há dois problemas: a ausência da preposição “de” e o 
erro de concordância (como temos “investimentos”, devemos usar “necessários”, no plural). 
 
19. Quem canta seus males espanta. 
 
Realmente, quem canta afasta a tristeza. 
Nesse ditado, há a palavra “males”, que é o plural de “mal”. A dúvida é: quando 
usamos “mal” e quando usamos “mau”? Dizemos “Ele é um mal rapaz” ou “Ele é um mau 
rapaz”? 
No exemplo, queremos dizer que ele não é um bom rapaz: trata-se do emprego de 
“mau”, que é o contrário de “bom”. Logo, ficamos com “Ele é um mau rapaz”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
23 
Indesejável Rodrigo nunca foi um rapaz mal. 
Desejável Rodrigo nunca foi um rapaz mau. 
Desejável Rodrigo nunca foi um rapaz ruim. 
 
Indesejável O mal político não pensa na nação. 
Desejável O mau político não pensa na nação. 
 
Indesejável Antes só do que mau acompanhado. 
Desejável Antes só do que mal acompanhado. 
 
Podemos visualizar, nos quadrinhos reproduzidos na figura a seguir, uma explicação 
bem-humorada a respeito da diferença entre “mau” e “mal”. 
 
 
Lobo mau e lobo mal. 
Disponível em . Acesso em 23 abr. 2024. 
 
Aproveito a oportunidade para dizer que: 
• o oposto de “bem-humorada” é “mal-humorada”, e não “mau-humorada”; 
• uma pessoa “mal-humorada” é uma pessoa que tem “mau humor”, e não “mal humor”. 
 
20. Dinheiro na mão é vendaval (Paulinho da Viola). 
 
Essa frase faz parte da música “Pecado Capital”, do cantor e compositor Paulinho da 
Viola. Segundo ela, o dinheiro que se tem consigo acaba rapidamente, como a passagem de 
um vendaval. 
A questão é: o autor deveria ter usado “Dinheiro na mão é como vendaval”? 
Aqui, não há o certo nem o errado. 
Quando dizemos “Dinheiro na mão é como vendaval”, estamos fazendo uma 
comparação explícita entre “dinheiro” e “vendaval”, com o emprego de “como”. 
24 
Já em “Dinheiro na mão é vendaval”, temos uma comparação implícita, chamada de 
metáfora. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Comparação Aquela menina é como uma flor. 
Metáfora Aquela menina é uma flor. 
 
Comparação A casa deles era como uma verdadeira prisão. 
Metáfora A casa deles era uma verdadeira prisão. 
 
Comparação O coração dela era como uma pedra! 
Metáfora O coração dela era uma pedra! 
 
21. Será discutida a proposta dos novos parâmetros. 
 
Há situações em que lemos “Será discutido a proposta dos novos parâmetros”, e não 
“Será discutida a proposta dos novos parâmetros”. 
Muitas vezes, esse erro de concordância decorre do fato de a frase não estar na 
ordem direta, como apresentado abaixo. 
“A proposta dos novos parâmetros será discutida”. 
Veja que o sujeito é “A proposta dos novos parâmetros”, com núcleo “proposta”, e 
que o predicado é “será discutida”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Será aprofundado a definição dos indicadores. 
Desejável Será aprofundada a definição dos indicadores. 
Desejável A definição dos indicadores será aprofundada. 
 
Indesejável Será explicado os indicadores. 
Desejável Serão explicados os indicadores. 
Desejável Os indicadores serão explicados. 
 
Indesejável Será discutido o novo modelo de taxação e o modo como ele será aplicado. 
Desejável Serão discutidos o novo modelo de taxação e o modo como ele será aplicado. 
 
25 
22. Faz muitos anos que não vejo meu amigo. 
 
No exemplo, o sentido do verbo “fazer” é referenciar determinado tempo transcorrido 
(“muitos anos”). Nesse caso, devemos usar tal verbo na terceira pessoa do singular. Logo, 
ficamos com “Faz muitos anos que não vejo meu amigo”, e não com “Fazem muitos anos 
que não vejo meu amigo”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Faziam meses que eu não o encontrava. 
Desejável Fazia meses que eu não o encontrava. 
 
Indesejável Lia disse que fazem dois anos que Juca não liga para ela. 
Desejável Lia disse que faz dois anos que Juca não liga para ela. 
 
Indesejável 
Pelos meus cálculos, acredito que devam fazer vinte minutos que o 
filme começou. 
Desejável 
Pelos meus cálculos, acredito que deva fazer vinte minutos que o filme 
começou. 
 
Indesejável Fazem anos que não viajo. 
Desejável Faz anos que não viajo. 
 
23. Estou a fim de fazer um novo curso. 
 
“Estou a fim de fazer um novo curso” ou “Estou afim de fazer um novo curso”? 
O sentido do exemplo é “estou com vontade” ou “tenho o objetivo” de fazer um novo 
curso. Logo, o correto é “Estou a fim de fazer um novo curso”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Maria economizava todo mês afim de comprar um novo computador. 
Desejável Maria economizava todo mês a fim de comprar um novo computador. 
Desejável Maria economizava todo mês com a intenção de comprar um novo computador. 
Desejável Maria economizava todo mês com o objetivo de comprar um novo computador. 
Desejável Maria economizava todo mês para comprar um novo computador. 
 
26 
Indesejável Afim de elucidarmos o problema, faremos uma reunião. 
Desejável A fim de elucidarmos o problema, faremos uma reunião. 
Desejável Com a intenção de elucidarmos o problema, faremos uma reunião. 
Desejável Com o objetivo de elucidarmos o problema, faremos uma reunião. 
 
24. Estou afim com o formato do novo curso. 
 
“Estou afim com o formato do novo curso” ou “Estou a fim com o formato do novo 
curso”? 
O sentido do exemplo é “estou afinada” ou “tenho afinidade” com o formato do novo 
curso. Logo, o correto é “Estou afim com o formato do novo curso”. 
Vale destacar que “afim” é um adjetivo que significa “similar” ou “semelhante”. Ele 
pode ser usado nas situações abaixo. 
• A intenção de Liz está afim com o pensamento do grupo. 
• Eles têm intenções afins. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Jonas estava a fim com as regras do empréstimo.Desejável Jonas estava afim com as regras do empréstimo. 
Desejável Jonas estava afinado com as regras do empréstimo. 
 
Indesejável Jonas e Liz mantinham posturas a fins. 
Desejável Jonas e Liz mantinham posturas afins. 
Desejável Jonas e Liz mantinham posturas afinadas. 
 
25. Que não lhe faltem força nem fé. 
 
“Que não lhe faltem força nem fé” ou “Que não lhe falte força e fé”? 
Estamos falando que força e fé não devem faltar. Logo, “Que não lhe faltem força 
nem fé”. 
Veja que, em “não lhe falta força e fé”, além do problema da concordância, havia o 
uso indesejável do “e” em orações negativas com enumeração de itens. Nesse caso, 
prefirimos o “nem” ao “e”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
27 
Indesejável Falta hospital e escola no bairro. 
Desejável Faltam hospital e escola no bairro. 
 
Indesejável Sobra educação e elegância naquela pessoa. 
Desejável Sobram educação e elegância naquela pessoa. 
 
26. Ele vivia à custa dos pais. 
 
“Ele vivia à custa dos pais” ou “Ele vivia às custas dos pais”? 
A expressão “à custa de” deve ser usada no singular. Logo, o correto é “ele vivia à 
custa dos pais”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Neide mantinha-se às custas do auxílio dos programas sociais. 
Desejável Neide mantinha-se à custa do auxílio dos programas sociais. 
 
Indesejável Rui enriqueceu às custas de muito trabalho. 
Desejável Rui enriqueceu à custa de muito trabalho. 
 
27. À noite, todos os gatos são pardos. 
 
Segundo a expressão, no escuro, todas as coisas são parecidas. 
Mas escrevemos “À noite, todos os gatos são pardos” ou “A noite, todos os gatos são 
pardos”? 
Usamos a crase. 
Segundo o “Manual de Comunicação da Secom (Secretaria de Comunicação)”, a crase 
é usada por motivos de clareza em “à força”, “à medida”, “à míngua”, “à faca”, “à noite”, “à 
tarde”, “à mão” e “à distância”. Além disso, podemos pensar que estamos diante de uma 
locução adverbial de tempo. 
Já em “A noite está escura”, não usamos a crase. No caso, o artigo “a” é adjunto 
adnominal de “noite”. 
Veja os exemplos a seguir e perceba as diferenças. 
• Minha amiga fez uma visita à noite. 
• A noite está estrelada! 
• À tarde, houve uma sessão de cinema especial. 
• A tarde estava fria. 
28 
28. Ele tem formação relacionada à área de tecnologia. 
 
Queremos dizer que ele tem formação relacionada com a área de tecnologia. Ou seja, 
há a preposição “com” e o artigo “a”. Como “à” é contração da preposição “a” com o artigo 
“a”, no caso, devemos escrever “Ele tem formação relacionada à área de tecnologia”, e não 
“Ele tem formação relacionada a área de tecnologia”. 
Outra maneira de analisarmos o exemplo é trocar a palavra “área”, que é do gênero 
feminino, por outra palavra do gênero masculino, como “campo”. Assim, ficamos com 
“formação relacionada ao campo de tecnologia”. Se utilizamos “ao campo”, em que “ao” é a 
contração da preposição “a” com o artigo “o”, com “área”, que é palavra do gênero 
gramatical feminino, devemos usar “à”: “formação relacionada à área de tecnologia”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável O texto reproduzido a seguir corresponde a unidade III. 
Troca de palavra O texto reproduzido a seguir corresponde ao capítulo III. 
Desejável O texto reproduzido a seguir corresponde à unidade III. 
 
Indesejável Tiago ficou atento a aula. 
Troca de palavra Tiago ficou atento ao filme. 
Desejável Tiago ficou atento à aula. 
 
Vale destacar que dizemos “Parabéns a você”, sem crase, pois temos apenas a 
preposição “a”, sem o artigo “a”, como em “Parabéns para você”. 
 
29. Já é hora de ele ir ao trabalho. 
 
Se o “ele” do exemplo fosse Marcos? Nesse caso, ficaríamos com “Já era hora de 
Marcos ir ao trabalho”. Agora, retornando com o pronome “ele”, ficamos com “Já é hora de 
ele ir ao trabalho”, e não “Já é hora dele ir ao trabalho”. 
Aqui, “ele” é o agente de uma ação. Não estamos dizendo que algo pertence a ele, 
como em “o carro é dele”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Chegou a hora delas fazerem os acertos de contas. 
Desejável Chegou a hora de elas fazerem os acertos de contas. 
 
29 
 
Indesejável Chegou a hora deu realizar meus sonhos. 
Desejável Chegou a hora de eu realizar meus sonhos. 
 
Indesejável Ontem, foi o dia deles apresentarem as propostas. 
Desejável Ontem, foi o dia de eles apresentarem as propostas. 
 
Indesejável Apesar dela ser boa, a irmã não gostava dela. 
Desejável Apesar de ela ser boa, a irmã não gostava dela. 
 
Indesejável É o momento delas enviarem a mensagem para o grupo. 
Desejável É o momento de elas enviarem a mensagem para o grupo. 
 
Desejável Era dela a sugestão de melhorar a aparência da vitrine. 
Desejável Aquelas roupas engraçadas eram deles. 
Desejável Dela, só quero o que me cabe. 
 
30. Entre na casa. 
 
Se usarmos “Entre dentro da casa” em vez de apenas “Entre na casa”, faremos uma 
redundância ou um pleonasmo, visto que o verbo “entrar” já guarda a ideia de “ir para 
dentro”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ela ganhou gratuitamente uma viagem no sorteio. 
Desejável Ela ganhou uma viagem no sorteio. 
 
Indesejável Ele subiu para cima pela escada do metrô. 
Desejável Ele subiu pela escada do metrô. 
 
Indesejável Ela saiu para fora em direção à quadra. 
Desejável Ela saiu em direção à quadra. 
 
Indesejável Eles entram em um ciclo vicioso de perdas e ganhos. 
Desejável Eles entram em um ciclo de perdas e ganhos. 
30 
31. Eu trabalhava enquanto ele dormia. 
 
No caso, temos a conjunção “enquanto” ligando as orações “Eu trabalhava” e “ele 
dormia”. Escrevemos “Eu trabalhava enquanto ele dormia”, e não “Eu trabalhava enquanto 
que ele dormia”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ela ria bastante enquanto que eles contavam piadas. 
Desejável Ela ria bastante enquanto eles contavam piadas. 
 
Indesejável A minha prova foi impecável, enquanto que a dele tinha muitos erros. 
Desejável A minha prova foi impecável, enquanto a dele tinha muitos erros. 
 
Vale destacar que, no último exemplo, “enquanto” não estabelece uma relação de 
tempo ou de simultaneidade entre ações. 
 
32. À medida que poupo, meu saldo aumenta. 
 
O sentido da frase acima é o seguinte: quanto mais poupo, mais meu saldo aumenta, 
ou seja, “poupar” e “saldo aumentar” são grandezas proporcionais. Por isso, usamos “à 
medida que”. 
Vale destacar que as expressões “à medida que” e “na medida em que” não são 
iguais. “À medida que” está relacionada com a ideia de proporção, como vimos em “À 
medida que poupo, meu saldo aumenta”, enquanto “na medida em que” refere-se à ideia de 
causa. 
Veja a frase a seguir. 
“Fábio não pode dirigir na medida em que não tem habilitação para isso”. 
O sentido da frase acima é o seguinte: a causa de Fábio não poder dirigir é o fato de 
ele não ter a devida habilitação. 
Em resumo, “à medida que” é proporção, e “na medida em que” é causa. 
 
33. A gente consegue tudo. 
 
Dizer “A gente consegue tudo” é o mesmo que dizer “Nós conseguimos tudo”. Ou 
seja, a expressão “a gente” tem o valor de “nós”, que é diferente da palavra “agente”, que 
significa “que age” ou “que opera”. Veja essa diferença nos exemplos que seguem. 
31 
Indesejável Agente vai fazer a prova na próxima semana. 
Indesejável Agente vamos fazer a prova na próxima semana. 
Desejável A gente vai fazer a prova na próxima semana. 
Desejável Nós vamos fazer a prova na próxima semana. 
Desejável Vamos fazer a prova na próxima semana. 
 
Indesejável A turma sempre pode contar com agente. 
Indesejável A turma sempre pode contar com nós. 
Desejável A turma sempre pode contar com a gente. 
Desejável A turma sempre pode contar conosco. 
 
Indesejável Você pode contar com o a gente de seguros. 
Desejável Você podecontar com o agente de seguros. 
 
Vale notar que “a gente” exige verbo na terceira pessoa do singular. Ou seja, “a 
gente é”, e não “a gente somos”. 
 
Indesejável A gente somos honestos e fiéis. 
Desejável A gente é honesto e fiel. 
Desejável Nós somos honestos e fiéis. 
Desejável Somos honestos e fiéis. 
 
Você lembra o seguinte trecho da música “Inútil” do grupo “Ultraje a rigor”: “a gente 
somos inútil”? Aqui, os autores fazem uma “brincadeira” com a concordância verbal, pois 
eles trocam, propositadamente, “é” por “somos”. No entanto, eles mantêm “a gente” no 
sentido de “nós”, sem escrever “agente”. 
 
34. A luta implicou vitória. 
 
No exemplo, o sentido do verbo “implicar” é “causar” ou “acarretar”. Nesse caso, não 
usamos a preposição “em”. Logo, ficamos com “A luta implicou vitória”, e não com “A luta 
implicou em vitória”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
 
32 
Indesejável O crescimento de vendas implicou em aumento de lucro. 
Indesejável O crescimento de vendas acarretou em aumento de lucro. 
Desejável O crescimento de vendas implicou aumento de lucro. 
Desejável O crescimento de vendas ocasionou aumento de lucro. 
Desejável O crescimento de vendas acarretou aumento de lucro. 
Desejável O crescimento de vendas causou aumento de lucro. 
 
35. Por um lado, a internet facilita o acesso à informação. Por outro lado, ela pode 
desestimular a leitura. 
 
No caso em análise, observamos claramente a ideia de oposição entre o fato de a 
internet facilitar o acesso à informação e o fato de ela poder desestimular a leitura. 
Pela lógica, se algo tem “outro lado”, é porque esse “outro lado” opõe-se a um 
“primeiro lado”. Mas, muitas vezes, essa expressão é usada quando temos apenas “por outro 
lado” utilizado como adversidade, e não como oposição. Veja o exemplo a seguir. 
 
Indesejável 
Há diversos casos de anomalias genéticas. Por outro lado, a maioria dos 
indivíduos é saudável. 
Desejável 
Há diversos casos de anomalias genéticas, mas a maioria dos indivíduos é 
saudável. 
 
Na situação indesejável, temos, equivocadamente, a apresentação de duas ideias 
opostas. A correção mostra que, embora haja casos de anomalias genéticas, a maior parte 
dos indivíduos é saudável. Ou seja, trata-se de uma adversidade, marcada pela conjunção 
“mas”, e não pelo par “por um lado” e “por outro lado”. 
 
36. Eu sou a videira, e vós, os ramos (João 15 – 5:6). 
 
Na frase presente no evangelho de João 15 – 5:6, temos o uso da vírgula entre “vós” 
e “os ramos”. Ou seja, escrevemos “Eu sou a videira, e vós, os ramos”, e não “Eu sou a 
videira, e vós os ramos”. 
Isso porque houve a supressão de um termo: “sois”. Trata-se de uma figura de 
linguagem chamada de elipse (omissão de um termo que não foi mencionado 
anteriormente). Logo, “Eu sou a videira, e vós, os ramos” é equivalente a “Eu sou a videira, 
e vós sois os ramos”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
33 
Indesejável Eu fiz a minha parte, e ela a dela. 
Desejável Eu fiz a minha parte, e ela fez a parte dela. 
Desejável Eu fiz a minha parte, e ela, a dela. 
 
Indesejável Eu toquei uma música clássica, e ele uma música popular. 
Desejável Eu toquei uma música clássica, e ele tocou uma música popular. 
Desejável Eu toquei uma música clássica, e ele, uma música popular. 
 
Vale observar que, quando há a omissão de um termo que foi mencionado 
anteriormente, temos a figura de linguagem chamada de zeugma. Isso ocorre, por exemplo, 
em “Ela aprendeu a cantar e, depois, a dançar”, em que temos a supressão de “aprendeu” 
antes de “dançar”. Poderíamos ter escrito “Ela aprendeu a cantar e, depois, aprendeu a 
dançar”. 
 
37. Estou a par do assunto. 
 
Se desejarmos expressar a ideia de estar ciente de algo ou de estar informado sobre 
algo, como em “Estou a par do assunto”, usaremos a expressão “a par de”, e não “ao par 
de”, conforme vemos nos exemplos abaixo. 
 
Indesejável Carol sempre estava ao par dos comentários das amigas. 
Desejável Carol sempre estava a par dos comentários das amigas. 
 
38. O influencer visou ao sucesso. 
 
No exemplo, o sentido do verbo “visar” é “objetivar” ou “almejar”. Nesse caso, 
devemos usar a preposição “a”. Logo, ficamos com “O influencer visou ao sucesso”, sendo 
que “ao” é a contração da preposição “a” com o artigo “o”, e não com “O influencer visou o 
sucesso”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Marcos visou o sucesso. 
Desejável Marcos visou ao sucesso. 
Desejável Marcos almejou o sucesso. 
Desejável Marcos objetivou o sucesso. 
34 
 
Indesejável Ana visava a elevação dos desempenhos físico e mental. 
Desejável Ana visava à elevação dos desempenhos físico e mental. 
Desejável Ana almejava a elevação dos desempenhos físico e mental. 
Desejável Ana objetivava a elevação dos desempenhos físico e mental. 
 
Indesejável A vacinação visa a obtenção da imunidade. 
Desejável A vacinação visa à obtenção da imunidade. 
Desejável A vacinação almeja a obtenção da imunidade. 
Desejável A vacinação objetiva a obtenção da imunidade. 
 
Aceito O novo diretor visa melhorar o lucro da empresa. 
Desejável O novo diretor visa a melhorar o lucro da empresa. 
 
No último caso, é aceita a forma “visa melhorar”, sem a preposição a, pois temos 
dois verbos em sequência. 
 
39. Em termos de futebol, Pelé é o melhor jogador. 
 
Analise as frases que seguem. 
 
Indesejável A nível de jogador de futebol, Pelé é o melhor. 
Indesejável Ao nível de jogador de futebol, Pelé é o melhor. 
Desejável Em termos de futebol, Pelé é o melhor jogador. 
 
Primeiramente, alertamos que não devemos usar a expressão “a nível”. 
Já a expressão “ao nível” somente deve ser utilizada com o sentido de “à altura”, 
como em “a pressão atmosférica foi medida ao nível do mar”. 
 
40. Resolva a prova a lápis. 
 
Escrevemos “Resolva a prova a lápis”, pois a prova deve ser resolvida com lápis, e 
não de lápis. 
Concluímos que o ato de escrever com o lápis é equivalente a escrever a lápis. 
 
35 
41. Nenhum dos eleitores foi à votação. 
 
Fazemos a concordância do verbo com “nenhum”. Assim, escrevemos, 
preferencialmente, “Nenhum dos eleitores foi à votação”, e não “Nenhum dos eleitores foram 
à votação”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Nenhum deles viram o eclipse lunar. 
Desejável Nenhum deles viu o eclipse lunar. 
 
Indesejável Fernanda disse que nenhum dos meninos saíram da sala. 
Desejável Fernanda disse que nenhum dos meninos saiu da sala. 
Desejável Fernanda disse que os meninos não sairam da sala. 
 
42. José fez um empréstimo de longo prazo. 
 
As expressões preferíveis são “em curto prazo” ou “de curto prazo” e “em longo 
prazo” ou “de longo prazo”, ou seja, não devemos usar “a curto prazo” e “a longo prazo”, 
conforme vemos nos exemplos que seguem. 
 
Indesejável José fez um empréstimo a longo prazo. 
Desejável José fez um empréstimo de longo prazo. 
 
Indesejável Clara recuperará seu dinheiro a curto prazo. 
Desejável Clara recuperará seu dinheiro em curto prazo. 
 
43. As paredes têm ouvidos. 
 
Esse ditado popular faz um alerta: devemos ter cuidado com o que dizemos, pois 
alguém que parece não ouvir pode estar escutando. 
Em termos gramaticais, queremos chamar a atenção para o fato de o verbo “ter” 
referir-se ao sujeito “As paredes”, que está no plural. Por isso, usamos o acento circunflexo e 
ficamos com “As paredes têm ouvidos”, e não com “As paredes tem ouvidos”. 
No caso de o sujeito estar no singular, escreveremos “A parede tem ouvidos”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
36 
Indesejável Elas tem muitos livros de gramática. 
Desejável Elas têm muitos livros de gramática. 
Desejável Ela tem muitos livros de gramática. 
 
Indesejável As pessoas que leem tem vocabulário mais extenso. 
Desejável As pessoas que leem têm vocabuláriomais extenso. 
Desejável A pessoa que lê tem vocabulário mais extenso. 
 
Indesejável Os alunos daquela escola tem muitas opções de leitura. 
Desejável Os alunos daquela escola têm muitas opções de leitura. 
Desejável O aluno daquela escola tem muitas opções de leitura. 
 
44. A Beneficência Portuguesa é um hospital que tem vários recursos. 
 
Muitas vezes, vemos as palavras “beneficiente” e “beneficiência” usadas de forma 
errônea nos lugares, respectivamente, de “beneficente” e “beneficência”. 
Observe, abaixo, exemplos de empregos corretos dessas palavras. 
• A Beneficência Portuguesa é um hospital que tem vários recursos. 
• Júlia costuma praticar ações beneficentes. 
• Irei ao bazar beneficente da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida para ajudar a 
Beneficência Portuguesa. 
 
45. Um homem não está onde mora, mas onde ama. 
 
Aqui, temos um provérbio italiano segundo o qual nossa verdadeira morada é onde 
amamos. 
Veja que devemos usar vírgula antes de conjunções adversativas, como “mas”, que 
guardam a ideia de oposição. Logo, ficamos com “Um homem não está onde mora, mas 
onde ama”, e não com “Um homem não está onde mora mas onde ama”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável 
Elisa gastou muito dinheiro no conserto do carro contudo o automóvel 
continuou com problemas. 
Desejável 
Elisa gastou muito dinheiro no conserto do carro, contudo o automóvel 
continuou com problemas. 
37 
 
Indesejável Carlos era excelente mas não era perfeito. 
Desejável Carlos era excelente, mas não era perfeito. 
 
46. Um grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos. 
 
De acordo com esse ditado popular, o exemplo é mais efetivo do que as palavras. 
Veja que usamos “um grama de exemplos”, e não “uma grama de exemplos”, pois 
estamos fazendo uma analogia entre “exemplos” e a quantidade de medida de massa 
“grama”, que é um substantivo masculino. 
Mas, certamente, na padaria, você já ouviu alguém dizer “Quero trezentas gramas de 
queijo” em vez de “Quero trezentos gramas de queijo”. 
A grama, substantivo feminino, refere-se a um tipo de capim (“mato”). Assim, temos 
“a grama do jardim”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Vou comprar duzentas gramas de presunto. 
Desejável Vou comprar duzentos gramas de presunto. 
 
Indesejável Quantas gramas de ouro há neste anel? 
Desejável Quantos gramas de ouro há neste anel? 
 
47. Mente vazia, oficina do diabo. 
 
De fato, quem não ocupa a mente pode ficar sujeito a pensamentos ruins. 
Aqui, é necessário usar a vírgula. Ou seja, é “Mente vazia, oficina do diabo”, e não 
“Mente vazia oficina do diabo”. 
Observe que houve a eliminação de um termo, o verbo “é”, o que requer a vírgula. 
Trata-se de um caso de elipse. 
Alternativamente, poderíamos escrever “Mente vazia é oficina do diabo”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Ele é sol e ela estrela. 
Desejável Ele é sol, e ela, estrela. 
Desejável Ele é sol, e ela é estrela. 
 
38 
Indesejável Ele andou muito; ela pouco. 
Desejável Ele andou muito; ela, pouco. 
 
48. Cão que ladra não morde. 
 
Muitas vezes, pessoas que se enfurecem com facilidade, ou que usam termos fortes 
em suas falas, são as que menos praticam ações danosas aos outros. 
Diferentemente do caso anterior, aqui, não devemos usar a vírgula. Ou seja, é “Cão 
que ladra não morde”, e não “Cão que ladra, não morde”. 
Veja que o sujeito da oração é “Cão que ladra” e que seu predicado é “não morde”. 
Como não separamos sujeito e predicado por vírgula, não há seu uso no ditado em análise. 
Vale destacar que, para acharmos o sujeito, perguntamos “quem não morde?” e 
temos como resposta “Cão que ladra”. 
Para saber mais sobre análise sintática, veja o ANEXO 2. 
Para fixar o que dissemos, observe os ditados a seguir. 
 
Indesejável Quem não chora, não mama. 
Desejável Quem não chora não mama. 
 
Indesejável Quem fala o que quer, ouve o que não quer. 
Desejável Quem fala o que quer ouve o que não quer. 
 
Indesejável Quem não tem cão, caça com gato. 
Desejável Quem não tem cão caça com gato. 
 
Indesejável Quem ri por último, ri melhor. 
Desejável Quem ri por último ri melhor. 
 
Indesejável Quem comprar o que não precisa, venderá o que precisa. 
Desejável Quem comprar o que não precisa venderá o que precisa. 
 
Indesejável Quem tem boca, vai a Roma. 
Desejável Quem tem boca vai a Roma. 
 
39 
Os sujeitos dos ditados anteriores são, respectivamente, “Quem não chora”, “Quem 
fala o que quer”, “Quem não tem cão”, “Quem ri por último”, “Quem comprar o que não 
precisa” e “Quem tem boca”. 
 
49. Determine a área da seção transversal do cilindro. 
 
No exemplo, estamos falando da área de uma porção. Nesse caso, usamos “seção” e 
ficamos com “Determine a área da seção transversal do cilindro”, pois “seção” relaciona-se a 
“espaço”. 
“Sessão” diz respeito a espetáculos, shows e consultas, por exemplo. Trata-se de 
eventos que, em geral, indicam período ou intervalo de tempo. “Cessão” refere-se ao ato de 
“ceder”. Em resumo, temos o que segue. 
“Seção” (ou “secção”) significa departamento, segmento ou parte. Logo, é uma 
palavra utilizada em situações como as mostradas a seguir. 
• A seção feminina fica no segundo piso da loja. 
• A seção transversal do fio tem geometria circular. 
• Cada seção do texto será detalhadamente revisada. 
“Sessão” significa “reunião”, sendo uma palavra usada nos casos abaixo. 
• A sessão das 14 horas no Cine Alvorada é a mais vazia. 
• A sessão do psicanalista foi muito rápida. 
• A pauta da sessão é a proposta de aprovação de uma nova lei. 
• O filme foi tão disputado que houve uma sessão extra. 
“Cessão” vem do verbo ceder (dar posse a alguém), conforme exemplificado abaixo. 
• Os herdeiros de Leonardo propuseram a cessão dos seus bens para uma instituição de 
caridade. 
• A lei permite que haja a cessão de alguns direitos. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável A água passou pela sessão transversal da tubulação. 
Indesejável A água passou pela cessão transversal da tubulação. 
Desejável A água passou pela seção transversal da tubulação. 
 
Indesejável Nair foi à cessão de cinema. 
Indesejável Nair foi à seção de cinema. 
Desejável Nair foi à sessão de cinema. 
 
40 
Indesejável Ana fez a sessão dos seus direitos autorais. 
Indesejável Ana a fez a seção dos seus direitos autorais. 
Desejável Ana fez a cessão dos seus direitos autorais. 
 
50. Ela ficou meio tonta quando tomou o vinho. 
 
No exemplo, estamos dizendo que ela ficou “um pouco” (ou “meio”) tonta, e não 
“metade” (ou “meia”) tonta. Logo, ficamos com “Ela ficou meio tonta quando tomou o 
vinho”. 
Enfim, temos o que segue. 
“Meia” tem sentido de “metade”, como observamos nos exemplos abaixo. 
• Meu irmão comeu meia pizza. 
• Meu irmão comeu metade da pizza. 
• Minha mãe falou meia hora ao telefone. 
• Vou encomendar uma pizza meia atum e meia portuguesa. 
• A toalha está meia (metade) molhada. 
“Meio” tem sentido de “um pouco”. Veja os casos a seguir. 
• Ela estava meio nervosa. 
• Ela estava um pouco nervosa. 
• Minha irmã estava meio preocupada. 
• Minha irmã estava um pouco preocupada. 
• Carolina ficou meio sem jeito com aquela situação. 
• Carolina ficou um pouco sem jeito com aquela situação. 
• A toalha está meio (um pouco) molhada. 
Visto que não há sentido em pensarmos em algo como “a menina está metade 
nervosa”, também não há sentido em escrevermos “a menina está meia nervosa”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Carla anda meia angustiada. 
Desejável Carla anda meio angustiada. 
Desejável Carla anda um tanto angustiada. 
 
Indesejável Lídia parecia meia abatida. 
Desejável Lídia parecia meio abatida. 
Desejável Lídia parecia um pouco abatida. 
41 
 
Indesejável Os primos pareciam meios irritados com você.Desejável Os irmãos pareciam meio irritados com você. 
Desejável Os irmãos pareciam um pouco irritados com você. 
 
Indesejável Determinamos graficamente a meia vida de dado isótopo radioativo. 
Desejável Determinamos graficamente a meia-vida de dado isótopo radioativo. 
 
Desejável Diana comprou meia porção de lasanha. 
 
Desejável Marcelo comprou um par de meias. 
 
51. Ele viu que 20% de R$200,00 são R$40,00. 
 
No exemplo, estamos falando de 2% ou mais, o que “pede” o uso do plural. Logo, 
ficamos com “Ele viu que 20% de R$200,00 são R$40,00”, e não com “Ele viu que 20% de 
R$200,00 é R$40,00”. 
Alternativamente, poderíamos ter escrito “Ele viu que o resultado de 20% de 
R$200,00 é R$40,00”. Nesse caso, “é” concorda com “resultado”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Na venda do apartamento, foi pago 3% em impostos. 
Desejável Na venda do apartamento, foram pagos 3% em impostos. 
 
Indesejável Ele fez os cálculos e viu que 25% de 600 é 150. 
Desejável Ele fez os cálculos e viu que 25% de 600 são 150. 
Desejável Ele fez os cálculos e viu que o resultado de 25% de 600 é igual a 150. 
 
Indesejável Ele fez os cálculos e viu que 1,1% de 600 são 6,6. 
Desejável Ele fez os cálculos e viu que 1,1% de 600 é 6,6. 
Desejável Ele fez os cálculos e viu que o resultado de 1,1% de 600 é igual a 6,6. 
 
Indesejável Ele fez os cálculos e viu que 1,9% de 1.000 são 19. 
Desejável Ele fez os cálculos e viu que 1,9% de 1.000 é 19. 
Desejável Ele fez os cálculos e viu que o resultado de 1,9% de 1.000 é igual a 19. 
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52. Ela é a exceção que confirma a regra. 
 
Destacamos a grafia de “exceção” em “Ela é a exceção que confirma a regra”. Não se 
trata de “excessão” nem de “excesão”. 
 
53. Meu pensamento voa de encontro ao teu (Vinícius Cantuária). 
 
 Na letra da música intitulada “Só você”, de autoria de Vinícius Cantuária e 
interpretada por Fábio Jr, temos “Meu pensamento voa de encontro ao teu”, e isso significa 
que nossos pensamentos “voam em sentidos opostos”, ou seja, “entram em choque”. 
Veja os seguintes casos: “Meus comentários vão de encontro aos seus” e “Meus 
comentários vão ao encontro dos seus”. 
As duas formas são gramaticalmente corretas, mas têm significados diferentes. 
Se meus comentários são contrários aos seus, “meus comentários vão de encontro 
aos seus”. Se meus comentários são favoráveis aos seus, “meus comentários vão ao 
encontro dos seus”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir, que têm significados 
distintos. 
 
Desejável 
Sua visão é antagônica ao meu pensamento e, por isso, sua 
sugestão vai de encontro ao que desejo. 
Desejável 
Sua visão é coerente com o meu pensamento e, por isso, sua 
sugestão vai ao encontro do que desejo. 
 
54. Sobra tudo para eu fazer. 
 
O pronome “mim” não pode exercer a função de sujeito de um verbo, ou seja, não se 
pode falar “mim quer alguma coisa”. Logo, escrevemos “Sobra tudo para eu fazer”, e não 
“Sobra tudo para mim fazer”. 
Em suma, não falamos algo do tipo “mim quer alguma coisa”. Assim, por exemplo, 
ficamos com “Ele disse para eu fazer o jantar”, e não com “Ele disse para mim fazer o 
jantar”. 
O pronome “mim” só aparecerá antes do verbo se não for seu sujeito, como em “É 
muito difícil para mim falar em público” ou em “Falar em público é muito difícil para mim”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
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Indesejável O diretor solicitou para mim fazer o relatório. 
Desejável O diretor solicitou para eu fazer o relatório. 
Desejável O diretor solicitou que eu fizesse o relatório. 
 
Desejável Paula deu um presente de Natal para mim. 
Desejável Foi fácil para mim resolver a prova inteira. 
Desejável Para mim, foi fácil resolver a prova inteira. 
 
Indesejável Beto falou para mim resolver a lista de exercícios. 
Desejável Beto falou para eu resolver a lista de exercícios. 
 
Indesejável Fátima pediu para mim cantar na festa. 
Desejável Fátima pediu para eu cantar na festa. 
 
Desejável A prova foi muito exaustiva para mim. 
Desejável Para mim, não houve dificuldades adicionais na questão. 
Desejável Tita comprou um lindo presente para mim. 
 
55. Esse assunto fica entre mim e você. 
 
As expressões corretas são “entre mim e você” e “contra mim e você”. Logo, ficamos 
com “Esse assunto fica entre mim e você”, e não com “Esse assunto fica entre eu e você”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável O diretor solicitou que a conversa ficasse entre eu e ele. 
Desejável O diretor solicitou que a conversa ficasse entre mim e ele. 
 
Indesejável Nada será feito contra eu e você. 
Desejável Nada será feito contra mim e você. 
 
Indesejável Não existe mais nada entre eu e você. 
Desejável Não existe mais nada entre mim e você. 
 
Indesejável Não existe mais nada entre eu e Beto. 
Desejável Não existe mais nada entre mim e Beto. 
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56. Isso está na reportagem em que lemos seu nome. 
 
Usamos “Isso está na reportagem em que lemos seu nome”, e não “Isso está na 
reportagem onde lemos seu nome” nem “Isso está na reportagem aonde lemos seu nome”. 
Empregamos os termos “onde” e “aonde” apenas para fazermos referências a 
lugares. No exemplo, não temos um lugar “físico”, mas uma reportagem. 
Vale destacar que a palavra “aonde” é empregada com verbos de movimento. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável O planejamento foi feito em documento onde tudo está explicado. 
Desejável O planejamento foi feito em documento em que tudo está explicado. 
Desejável O planejamento foi feito em documento no qual tudo está explicado. 
 
Indesejável 
Neste nível, há um alto grau de alinhamento estratégico, onde o 
planejamento de tecnologia é integrado ao planejamento de negócio. 
Desejável 
Neste nível, há alto grau de alinhamento estratégico, em que o 
planejamento de tecnologia é integrado ao planejamento de negócio. 
Desejável 
Neste nível, há alto grau de alinhamento estratégico. Nele, o planejamento 
de tecnologia é integrado ao planejamento de negócio. 
 
Indesejável Trata-se da matéria onde estudo mais. 
Desejável Trata-se da matéria que estudo mais. 
 
Indesejável Aonde Juliana está? 
Desejável Onde Juliana está? 
 
Indesejável Onde Gilson irá? 
Desejável Aonde Gilson irá? 
 
Indesejável Não sei aonde minhas coisas estão! 
Desejável Não sei onde minhas coisas estão! 
Desejável Não sei o lugar em que minhas coisas estão! 
 
Desejável Esta é a cadeira onde sempre sento. 
Desejável Esta é a cadeira em que sempre sento. 
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57. Ela cantou músicas bastante diferentes. 
 
Em “Ela cantou músicas bastante diferentes”, o advérbio de intensidade “bastante” 
fica no singular, pois significa “muito” ou “super”. Poderíamos ter escrito “Ela cantou músicas 
super diferentes”. 
Já a palavra “bastantes”, no plural, é um adjetivo que significa “muitos” ou “muitas”. 
Por exemplo, se ela tivesse cantado muitas músicas diferentes, poderíamos escrever “Ela 
cantou bastantes músicas diferentes”. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Indesejável Nair vendeu bastante computadores em abril. 
Desejável Nair vendeu bastantes computadores em abril. 
Desejável Nair vendeu muitos computadores em abril. 
Desejável Nair vendeu diversos computadores em abril. 
 
Indesejável Caio e Celso são bastantes eloquentes. 
Desejável Caio e Celso são bastante eloquentes. 
Desejável Caio e Celso são muito eloquentes. 
 
58. A bala está menos doce do que antes. 
 
No sentido do exemplo, devemos usar “menos”. Logo, ficamos com “A bala está 
menos doce do que antes”, e não “A bala está menas doce do que antes”. A forma “menas” 
não existe em termos da gramática prescritiva. 
Para fixar o que dissemos, observe as situações a seguir. 
 
Desejável Diana tem menos consideração pelas pessoas do que Jorge. 
Desejável Carlos pagou menos pelo carro do que ele realmente valia.

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