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Indústria extrativa e o debate sobre a diversificação da base produtiva
Ecomoz
15/11/2021
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HISTÓRICO ATUAL DA INDÚSTRIA EXTRATIVA EM MOÇAMBIQUE
Exploração dos recursos naturais.
 
Há alguns poucos anos atrás, a indústria extractiva de recursos minerais não tinha um papel relevante na economia moçambicana. No passado houve alguma exploração mineral em várias regiões do país.
Nos dias actuais pode-se traduzir a indústria extractiva moçambicana em quatro megaprojectos: gás natural, petróleo, carvão e areias pesadas. 
Gás natural: histórico
O campo de Gás de Pande foi descoberto em 1961, seguido da descoberta de campos de gás em Búzi (1962) e Timane (1967). 
Na década de 80 foram realizados furos de pesquisa em Mocímboa da Praia, na Bacia do Rovuma.
Em meado dos anos 90, com a estabilidade política instaurada e o aumento contínuo dos preços de petróleo no mercado internacional, os interesses da pesquisa e exploração de hidrocarbonetos voltou com muita força.
A partir do ano 2000 começou a haver um volume cada vez maior de investimentos na área de pesquisa e prospecção de petróleo em Moçambique. 
Em 2003 foi descoberto petróleo leve em Inhassoro, na mesma província onde se localizam Pande e Timane. 
Em 2004 começou a produção de gás natural em Timane.
De 2010 a 2012 ocorreram novas descobertas de gás e petróleo na bacia do Rovuma. 
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Mas será que estas indústrias podem realmente funcionar como motor de diversificação da economia moçambicana?
Castel-Branco (2010) mostra algumas ligações que podem ocorrer entre os megaprojectos e a economia nacional para que haja retenção e multiplicação da riqueza gerada por estes investimentos.
A primeira diz respeito às ligações fiscais, entretanto, no caso moçambicano o impacto destas na economia nacional é muito reduzida devido aos significativos incentivos fiscais concedidos aos megaprojectos.
ligação produtiva pode ser a jusante, onde os produtos finais dos megaprojectos são transformados em matérias primas para diferentes indústrias, e a montante, onde empresas locais fornecem bens e serviços aos megaprojectos de IDE.
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A partir da ligação productiva
Esse tipo de ligação oferece um maior potencial de realização e contribuição efectiva para o desenvolvimento industrial das Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais, na medida em que permite aumentar e diversificar a produção, melhorar competências, capacidades e padrões de produção e induzir o upgrading tecnológico, conduzindo ao desenvolvimento de uma estrutura económica mais diversificada e à promoção de emprego
Em suma: Espera-se que o desenvolvimento das indústrias extractivas contribua para a diversificação económica e o desenvolvimento social de Moçambique, nomeadamente: 
aumento da procura de bens e serviços produzidos localmente 
disponibilização de empregos para os trabalhadores locais. 
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Diversificar através de políticas de conteúdo local?
As políticas de conteúdo local são uma forma sugerida para ajudar a garantir que o sector contribua para diversificar a economia e beneficiar os moçambicanos. Vários países da região recorreram a determinações obrigatórias sobre aquisição local, emprego e/ou propriedade para conseguir ligar os negócios locais às indústrias extractivas.
No final de 2014, o governo de Moçambique começou a elaborar uma Proposta de Lei de Conteúdo Local específica do sector, para disponibilizar um enquadramento jurídico e regulador para a participação de empresas locais e cidadãos em projectos da indústria extractiva. 
Uma posição promove o desenvolvimento de cadeias de valor locais, enquanto outra gostaria que as indústrias extractivas tivessem metas obrigatórias de co-propriedade moçambicana dos fornecedores estrangeiros registados localmente.
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Desafios que ligam as empresas locais às indústrias extractivas
Seja qual for a posição que Moçambique decida tomar, apostar no conteúdo local para diversificar a economia representa uma perspectiva desafiante. A participação directa nas redes de abastecimento da indústria requer o cumprimento dos elevados padrões do sector, até porque este tem tolerância muito baixa para entregas atrasadas e abaixo do nível. Em Moçambique, a diferença entre a prestação que o sector extractivo requer e o que a economia local é capaz de fornecer é particularmente grande. Por isso, existe o risco de excesso de promessas sobre o que as políticas de conteúdo local podem oferecer.
2. Existe o risco de que o fosso se alargue ainda mais entre as competências e capacidades empresariais disponíveis no país e as exigidas pelos projectos de investimento estrangeiro e respectivas redes de abastecimento. Esta perspectiva não se coaduna com as expectativas de que as políticas de conteúdo local possam fornecer a solução para diversificar a economia.
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