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FILOSOFIA MEDIEVAL Professor Dr. Jackson Cordeiro de Almeida Doutor em Educação Mestre em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Regional Especialista em Filosofia e Sociologia Licenciado em Filosofia FILOSOFIA MEDIEVAL • Os romanos ficaram na dependência dos pensadores gregos, prosseguindo nas inquietações filosóficas nascidas na Hélade (Grécia). Estoicismo, epicurismo, cinismo e ceticismo ganharam seguidores romanos que, em linhas gerais, reproduziram as ideias elementares destas filosofias helenísticas. FILOSOFIA MEDIEVAL • Contudo a emergência de interpretações filosóficas originais ocorreu no bojo do desenvolvimento de outras culturas no final da Antiguidade e início da Idade Medieval, em especial a filosofia cristã e a filosofia árabe. FILOSOFIA CRISTÃ • Talvez a grande mudança no mundo ocidental tenha se operado com o processo de assimilação do cristianismo, a partir do século IV d.C., quando a necessidade de discussão sobre uma doutrina cristã envolveu os homens das letras, ganhando cada vez mais espaço no aparelho estatal do Império Romano. ... FILOSOFIA CRISTÃ • Sabemos a importância deste século IV para o cristianismo, pois, em 313, Constantino criou o Édito de Milão, concedendo liberdade de culto aos cristãos e, em 380, Teodósio, com o Édito de Tessalônica, instituiu o cristianismo como a religião oficial do Império. FILOSOFIA CRISTÃ • Essa mudança exigia uma melhor definição das práticas cristãs e os imperadores se envolveram diretamente neste assunto, dando origem ao cesaropapismo, pois os imperadores (césares) pretendiam chefiar a Igreja cristã (papas). A partir daí, o pensamento ocidental foi ganhando conteúdos de uma religião nascida no Oriente, com elementos distintivos, que deveriam ser filtrados pela filosofia, fundamentalmente grega. FILOSOFIA CRISTÃ • Nascia, assim, a filosofia cristã, que permeou o pensamento ao longo da Idade Média, calcada nos pensadores gregos, em especial, Platão e Aristóteles, cujas principais correntes filosóficas foram a Patrística de Santo Agostinho e a Escolástica de São Tomás de Aquino. A PATRÍSTICA • A Patrística marcou a chamada Alta Idade Média e teve como expoente Santo Agostinho, um dos grandes pensadores da Igreja. Aurelius Agostinho nasceu em 354 e faleceu em 430, ou seja, o Império de Roma não havia ruído completamente por essa época, pois a queda de Roma ocorreu no ano 476. ... A PATRÍSTICA • ...Santo Agostinho viveu no norte da África, teve uma vida repleta de percalços, conforme conta em suas Confissões, mas, desde que decidiu entrar para a Igreja, passou a estudar muito a filosofia platônica, reconhecendo nesta alguns elementos fundamentais para a defesa da fé cristã A PATRÍSTICA • As influências das doutrinas estudadas por Santo Agostinho fizeram-se presentes no seu pensamento. Do maniqueísmo (existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (o Bem) e o das sombras (o Mal), ficou a atenção sobre o problema do mal, que, em contato com o neoplatonismo, tornou possível afirmar que o mal está para as trevas, assim como o bem está para a luz. E mais ainda: as trevas seriam a ausência de luz .... A PATRÍSTICA • luz é a fé em Deus que se manifesta em toda natureza, até mesmo na razão. E como a razão é fruto da luz, deduz-se que a razão é limitada diante da fé. Como afirma Agostinho, tendo como fundamento a teoria dos dois mundos de Platão, se Deus criou o mundo do nada, antes de Ele ter criado o mundo, as ideias já existiam dentro de Sua cabeça . ... A PATRÍSTICA • Assim, no lugar do Mundo das Ideias, a teoria da iluminação de Santo Agostinho coloca o mundo das ideias divinas. O homem recebe de Deus o conhecimento das verdades eternas. A PATRÍSTICA • Nascido no ano de 354 em Tagaste, região do norte da África, Aurélio Agostinho formou-se em Cartago para professor de retórica. Lecionou em Roma e Milão. Foi leitor de Cícero. Comungou com o maniqueísmo (doutrina que afirmava ser o mundo dirigido por dois princípios absolutos: A PATRÍSTICA • Bem e o Mal). Superou sua desilusão com o maniqueísmo pelo contato com o neoplatonismo (interpretação espiritualista e mística do pensamento de Platão), sobretudo de Plotino. Contudo, foi a fé cristã o caminho tomado por Agostinho como verdadeiro, e o responsável por este acontecimento foi Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão. A PATRÍSTICA • Influenciado por Ambrósio, Agostinho converteu-se ao cristianismo, em 386. Foi bispo de Hipona (também no norte da África) de 395 até 430, ano de sua morte. Por isso, também é conhecido como Agostinho de Hipona. Entre suas obras mais importantes estão A Cidade de Deus, Confissões e Da Trindade. A PATRÍSTICA • O modo como o pensador abordou a relação “razão versus fé” acabou por transformar a razão em uma forma de demonstração da necessidade da fé para o homem. Daí a necessidade de “compreender para crer, crer para compreender”, segundo afirma o próprio Agostinho. Não se trata de diminuir a importância da razão, mas sim de afirmá-la enquanto meio para se chegar à fé. A PATRÍSTICA • Se Cristo havia prometido o “reino dos céus”, o paraíso não poderia ser encontrado mais na Terra. Seguindo a tradição judaica e, agora, cristã, o mundo terreno era marcado pela corrupção, sendo a primeira das corrupções responsável pela expulsão do homem do Jardim do Éden (o “Paraíso Terreal”). Assim, o caminho para a paz, para a perfeição, em suma, para a eternidade estaria fora do mundo terreno, além do plano material. A PATRÍSTICA • O que Santo Agostinho percebeu é que tais considerações afirmadas pelos cristãos encontravam escoramento nas ideias de Platão. Assim, o teólogo Agostinho produziu uma obra intitulada A Cidade de Deus, em que compara o mundo terreno com o interior da caverna descrito por Platão para explicar a falsidade, o engano pelo qual o homem passava no Mundo Sensível. Ao mesmo tempo, Agostinho assinala o exterior da caverna como a alegoria do mundo verdadeiro, o Mundo Inteligível de Platão. A PATRÍSTICA • A cidade dos homens é corrupta, espaço de iniquidades, fadada à decadência com o tempo, ou seja, um dia acabará, enquanto a Cidade de Deus é o lugar da eternidade, da perfeição, da paz. Para Santo Agostinho, a família que não vive da fé busca, nos bens terrenos, a paz na vida temporal, porém aquela família que vive da fé busca a paz nos bens eternos prometidos para o futuro. Como é expresso na passagem a seguir: A PATRÍSTICA • A aliança entre Deus e o homem é representada pela cidade divina (de civitate Dei), enquanto os momentos de ruptura desta aliança correspondem à prevalência da cidade terrena (civitas terrena), que se confunde com a cidade do demônio [...].... A PATRÍSTICA • Sua lição, no entanto, consistia em que os eventos históricos devem ser interpretados à luz da revelação: esta nos mostra que, ao final, a cidade divina prevalecerá, já que a história tem uma direção. • MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 13. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2010. p. 114-115. A PATRÍSTICA • Assim, o eterno, o imutável, se encontraria no Céu, e não na Terra, cabendo aos homens de fé herdar o Reino Eterno da paz divina. O único caminho que poderia ser trilhado pelo homem para atingir a Cidade de Deus teria como piso a própria fé. PLATÃO APLICADO AO CRISTIANISMO • A teoria do conhecimento de Platão foi utilizada com o firme propósito de consolidar a fé no homem. Santo Agostinho afirmava ser a razão subsidiária da fé e a ela submetida. Desta maneira, a razão tinha uma função específica: a defesa da religião. A isso podemos denominar teologia. Como o pensamento de Platão serviu a isso? PLATÃO APLICADO AO CRISTIANISMO A seguir, de forma esquemática, podemos perceber a adaptação do pensamento platônico aos propósitos da Igreja... PLATÃO APLICADO AO CRISTIANISMO PLATÃO APLICADO AO CRISTIANISMO Platão: o homem é "uma alma que habita um corpo". Santo Agostinho: arma a transcendência da alma sobre o corpo.Platão: conhecimento do Mito da Caverna (luz – iluminação) Santo Agostinho: conhecimento como Revelação (luz divina). PLATÃO APLICADO AO CRISTIANISMO Segundo Santo Agostinho, Deus cria as coisas a partir de modelos imutáveis que são as ideias divinas. A alma é a ideia do homem e a única coisa que subsistirá dele no reino celeste. Dessa forma, o homem deve evitar as provocações materiais, terrenas, oriundas do mundo sensível, se quiser retornar à mente de Deus. Por estas afirmações, já podemos perceber como Platão aparece na teologia cristã da Alta Idade Média. PLATÃO APLICADO AO CRISTIANISMO Grandes nomes da filosofia medieval islâmica elaboraram interpretações originais dos antigos textos gregos, traduzidos diretamente do grego para o árabe, como as obras de Aristóteles, além de terem desenvolvido obras e estudos que contribuíram de forma decisiva para o avanço do conhecimento científico humano no campo da Medicina, Astronomia, Química, Matemática e Física. FILOSOFIA E CIÊNCIA As conquistas intelectuais dos árabes superaram todas as que a Europa cristã teve até antes do século XII. O setor em que mais avançou foi, sem dúvida nenhuma, o das ciências. Foram excelentes astrônomos, matemáticos, físicos, químicos e médicos. FILOSOFIA E CIÊNCIA Grandes filósofos desenvolveram suas obras no interior do Império Árabe. Dois deles se destacaram: Avicena, ou Ibn Sina, e Averróis, ou Ibn Rushd. Seus arcabouços teóricos não abarcavam apenas os temas filosóficos clássicos, mas, como era comum à época, desenvolveram reflexões, pesquisas e teorias a respeito de outras áreas do saber científico. A DOUTRINA DA ILUMINAÇÃO DIVINA Para explicar como é possível ao homem receber de Deus o conhecimento das verdades eternas, Agostinho elabora a doutrina da iluminação divina. Trata-se de uma metáfora recebida de Platão, que na célebre alegoria da caverna mostra ser o conhecimento, em última instância, o resultado do bem, considerado como um Sol que ilumina o mundo inteligível. A DOUTRINA DA ILUMINAÇÃO DIVINA Agostinho louva os platônicos por ensinarem que o princípio espiritual de todas as coisas é, ao mesmo tempo, causa de sua própria existência, luz de seu conhecimento e regra de sua vida. Por conseguinte, todas as proposições que se percebem como verdadeiras seriam tais porque previamente foram iluminadas pela luz divina. A DOUTRINA DA ILUMINAÇÃO DIVINA Ao afirmar esse saber prévio, Agostinho aproxima-se da doutrina platônica segundo a qual todo conhecimento é reminiscência (lembrança vaga ou incompleta). Não obstante as evidentes ligações entre os dois pensadores, Agostinho afasta-se, porém, de Platão ao entender a percepção do inteligível na alma não como descoberta de um conteúdo passado, mas como irradiação divina no presente. A DOUTRINA DA ILUMINAÇÃO DIVINA A teoria agostiniana estabelece, assim, que todo conhecimento verdadeiro é o resultado de um pro- cesso de iluminação divina, que possibilita ao homem contemplar as ideias, arquétipos(personagens universais que moram no interior do inconsciente) eternos de toda a realidade. Nesse tipo de conhecimento a própria luz divina não é vista, mas serve apenas para iluminar as ideias. Um outro tipo seria aquele no qual o homem contempla a luz divina, olhando o próprio Sol: a experiência mística. Santo