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ECONOMIA A. Introdução PRODUÇÃO, CONSUMO, DISTRIBUIÇÃO, BIO (CIRCULAÇÃO) 1. Produção jeito (humanidade), e do objeto (natureza) não faça olvidar a diferença essencial. Deste olvido deriva, por exemplo, toda a sabe- a) 0 terial. objeto deste estudo é, em primeiro lugar, a produção ma- doria dos economistas modernos, que provam a eternidade e a har- monia das relações sociais existentes atualmente. Indivíduos que produzem em sociedade, portanto, uma produ- ção de indivíduos socialmente determinada, tal é, naturalmente, o Sobre primeiro ponto: toda produção é uma apropriação de ponto de partida. caçador e o pescador, considerados de forma in- natureza pelo indivíduo de conformidade e pela mediação de uma dividual e isolada, pelos quais começam Smith e Ricardo, fazem par- sociedade determinada. Neste sentido, é uma tautologia dizer que te das ficções vulgares do século XVIII. a propriedade (apropriação) é uma condição da produção. Mas é rídiculo partir disto para passar de um salto a uma forma determi- nada de propriedade, por exemplo, à propriedade privada. (O que. A produção realizada fora da sociedade por um indivíduo isola- também, supõe igualmente como condição uma forma oposta, a não- do fato excepcional que bem pode acontecer a um ser civilizado, A história mostra-nos, muito pelo contrário, que a pro- transportado por acaso a um lugar deserto que já possui, potencial- priedade comum (por exemplo, entre os índios, entre os eslavos, en- mente, as forças próprias da sociedade é coisa tão absurda como tre os antigos celtas etc.) é a forma primitiva desta, forma seria desenvolvimento da linguagem sem a presença de indivíduos que vivam e falem em C injunto. o aspecto de propriedade comunal, desempenhará, durante longo tempo ainda, um papel importante. Aqui, não se trata de saber se a riqueza se desenvolve methor sob uma ou outra forma de proprie Quando falamos, or conseguinte, de produção, sempre se trata dade. Mas dizer que não pode existir nenhuma produção nem, por- da produção em um determinado do desenvolvimento social tanto, nenhuma sociedade em que não exista nenhuma forma de pro- da produção F or indivíduos sociais. Poderia parecer que priedade é pura tautologia. Uma apropriação que não se apropria para falar da produção n geral, fosse necessário seguir fielmente o de nada é uma contradictio in subjecto (contradição de termos). processo histórico de seu em suas diferentes fases, Sobre o segundo ponto: o fato de assegurar bens adquiridos declarar com firmeza, or que nos referimos a uma época etc. Se se reduzem estas banalidades a seu conteúdo real, expressam histórica determinada, exemplo, a produção burguesa moderna, muito mais do que acreditam aqueles que as pregam. Isto é, que toda que é, em realidade, nosso verdadeiro assunto. Mas todas as épocas forma de produção gera suas próprias relações jurídicas, sua própria da produção têm certas características comuns, certas determinações forma de governo etc. pecar por falta de sutileza e comuns. A produção em geral é uma abstração, mas uma abstração estabelecer entre coisas que formam um todo orgânico relações con- racional, na medida em que, destacando e precisando bem traços tingentes, estabelecer só um laço ao nível da reflexão. Os economis- comuns, nos evita a repetição. Não obstante, este caráter geral, ou tas burgueses têm a vaga idéia de que a produção é mais fácil com estes traços comuns, sur idos através da comparação, formam por a política moderna do que na época, por exemplo, do "direito do si mesmos um conjunto uito complexo cujos elementos se separam mais forte". Apenas se esquecem de que o "direito do mais forte" ao revestir determinaçõe- diferentes. Algumas destas características igualmente um direito, e que sobrevive sob outra forma em seu "es- pertencem a todas as outras são comuns a algumas somente. tado jurídico". [Algumas] destas parecerão comuns tanto à época Quando as condições sociais que correspondem a um estado de mais moderna como à mais antiga. Sem elas não se pode conceber terminado da produção se acham apenas em via de formação ou, nenhuma produção. Mas se é verdade que as línguas mais evoluídas pelo contrário, quando já se encontram em via de desaparecimento. têm em comum com as menos evoluídas certas leis e determinações, naturalmente se produzem perturbações na produção, embora sejam o que constitui sua evolução, é precisamente isso que as diferencia de grau e de efeito destas características gerais e comuns; da mesma é necessá- Para resumir, todas as etapas da produção têm determinações rio distinguir bem as determinações que são válidas para a produção comuns às quais pensamento dá um caráter geral; mas as preten- em geral, a fim de que a unidade que surge da identidade do su- sas condições gerais de toda produção não constituem senão aqueles 280 281elementos abstratos que correspondem a nenhum estado histó- rico real da produção. A isto corresponde, por parte da produção: 1) que ela provê ao consumo sua matéria, seu objeto; um consumo sem objeto não é consumo; neste sentido, a produção cria, produz o consumo. 2) Mas 2. RELAÇÃO GERAL DA PRODUÇÃO COM A DISTRIBUI- não é apenas o objeto o que a produção proporciona ao consumo; tam- ÇÃO, O E 0 CONSUMO bém lhe proporciona seu aspecto determinado, seu caráter, seu aspecto final (finish). Exatamente como o consumo dava o último toque ao a) [Produção e consum produto como produto, a produção o dá ao consumo. Como primeiro fato, o objeto não é um objeto geral, mas determinado, que deve ser A produção é, em forma imediata, consumo. consumido de uma maneira determinada, para o que a própria produção Duplo caráter do subjetivo e objetivo: o indivíduo que deve servir de intermediária. A fome é fome, mas a fome que se satisfaz ao produzir, desenvolve suas faculdades, gasta-as, consome-as no ato com carne cozida, comida com garfo e faca, é diferente daquela que se de produção, exatamente como a procriação natural é consumo de satisfaz com carne crua servindo-se de mãos, unhas e dentes. A forças vitais. Em segundo lugar: consumo dos de produção produção não produz só o objeto de consumo mas também o modo empregados, que se usam, que se desgastam e que se dissolvem (co- de consumo, e não só de uma maneira objetiva, mas também subje- mo, por exemplo, no caso da combustão) em parte nos elementos do tiva. A produção cria, portanto, ao que consome. 3) A produção universo. Fato igual ocorre com a matéria-prima, que não conserva não só proporciona um objeto material para a necessidade mas uma nem sua forma nem sua constituição natural, visto como se acha necessidade para o objeto natural. Quando o consumo se liberta de consumida. próprio ato de produção é, portanto, em todos OS seus sua rudeza primitiva e perde seu caráter imediato e o próprio fa- momentos, também um ato de consumo. Os economistas, além do to de permanecer nesse estado seria o resultado de uma produção mais, admitem isto. A produção considerada como imediatamente que permaneceu em uma rudeza primitiva cle mesmo se encon- idêntica ao consumo, e o consumo como coincidindo de maneira ime- tra, como instinto, mediado pelo objeto. A necessidade que experi- diata com a produção, é o que chamam de consumo produtivo. Esta menta deste objeto é criada por sua percepção. O objeto de arte identidade de pródução e consumo ratifica a proposição de Espinosa: como qualquer outro produto cria um público apto para com- Determinatio est negatio (toda determinação é negação). preender a arte e para gozar da beleza. A produção não produz, pois, Mas esta determinação do consumo produtivo não se estabelece, só um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto. precisamente, senão para distinguir o consumo que se identifica com A produção produz, por conseguinte, o consumo, primeiro, propor- a produção, do consumo propriamente dito, que se concebe melhor cionando-lhe a matéria; segundo, determinando o modo de consumo; como antítese destrutiva da produção. Consideremos, pois, o consu- fazendo nascer no consumidor a necessidade de produtos mo propriamente dito. expostos de início por ela, simplesmente sob forma de objetos. Pro- O consumo é, também, de maneira imediata, produção, da mes- duz, portanto, o objeto de consumo. Da mesma maneira o consumo ma mancira que na natureza o consumo dos elementos e substâncias gera a aptidão do produtor, solicitando-lhe, sob a forma de uma ne- químicas é produção da planta. É evidente que na alimentação, por necessidade que determina o objeto da produção. exemplo, que é uma forma articular de consumo, o homem produz consumo como necessidade é um momento interno da ativida- seu próprio corpo. Isto é áli lo também para qualquer outro tipo de consumo que contribui de um modo para a produção do homem. de produtiva; mas este é o ponto de partida da realização, e por con- seguinte, também, momento predominante, o ato mediante o Produção que SC consome. qual todo o processo se repete. O indivíduo produz um objeto e volta sobre si mesmo mediante o consumo do objeto, mas o faz como in- consumo] cria da produção sob uma forma ainda divíduo produtivo que se reproduz a si mesmo. consumo aparece, subjetiva. Sem necessidade ni há produção. Mas o consumo repro- assim, como um momento da produção. duz a necessidade. Contudo, na sociedade a relação entre o produtor e o produto, a partir do momento que este último foi determinado, é uma re- 282 283deste lação com outros e a indivíduos. volta do produto Não ao sujeito depende das relações é fim Da que mesma se maneira a apropriação se converte imediata imediatamente do em pos- diante esta nova distribuição, um novo caráter à produção. Ou então, produtor propõe o produtor quando produto não por último, a legislação perpetua a propriedade da terra em certas sociais determina e os intervém a distribuição, produz na Entre famílias, ou faz do trabalho um privilégio hereditário e lhe imprime, tos e Mas se coloca, parte entre que a lhe produção corresponde e na massa que mediante dos produ- leis assim, um caráter de casta. Em todos estes casos, e todos são histó- ricos, a distribuição não parece estar estruturada e determinada pela então, a distribuição uma o esfera autônoma ao produção, mas ao contrário, a produção parece estar determinada lado e fora da prc pela distribuição. Em sua concepção mais banal, a distribuição aparece como dis- b) [Distribuição e produção] tribuição de produtos, mais alijada da produção e, podemos dizer, independente desta. Mas antes de ser distribuição de produtos é: 1) como As relações o reverso e modos dos agentes de distribuição da aparecem, pois, simplesmen- distribuição de instrumentos de produção, e 2) o que é outra deter- te minação da mesma relação, distribuição dos membros da sociedade dução. a A repartição dos produtos participa sob ticipa forma na de produção salário sob na a forma de produção. trabalho assalariado Um indivíduo que par- entre os diferentes gêneros de produção. (Subordinação dos indiví- duos a relações de produção determinadas.) A distribuição de pro- dutos não é, manifestamente, senão o resultado desta distribuição, pela estrutura estrutura da da distribuição se acha inteiramente que resultam da pro- que se acha incluída no próprio processo de produção, e determina produção pode não só ser no que concerne ao objeto só é um produto da produção, prod A própria distribuição determinada a estrutura da produção. Considerar a produção sem levar em conta esta distribuição, forma. 0 ibuído mas também resultado da formas modo de participação no que concerne à que se acha incluída nela, é manifestamente uma abstração vazia, participa particulares na isto é, na determina produção sob determina as enquanto, pelo contrário, a distribuição de produtos se acha implí- cita nesta distribuição, que constitui em sua origem um momento da na produção, a renda da terra É absolutamente na distribuição ilusório etc. colocar que a forma terra própria produção. As questões anteriormente formuladas se reduzem todas, em últi- ma instância, em saber como intervêm na produção as condições his- Em como relação uma ao lci indivíduo social isolado, a distribuição aparece tóricas gerais e qual a relação dela com o movimento histórico em dentro mente de cujo limite se produz, que condiciona sua posição na produção natural- geral. A questão surge, em forma clara, da discussão e da análise da própria produção. terra. ção. Por Desde sua origem, seu indivíduo não e que tem precede, capital nem portanto, à produ- Não obstante, sob a forma trivial em que foram formuladas an- trabalho nascimento se vê reduzido, propriedade da teriormente, também podem ser solucionadas com uma penada. Em condição ao Mas o próprio fato pela distribuição social, todas as conquistas existem três possibilidades. O povo que conquis- terra como é agentes o resultado de produção da existência do capital; de ser da reduzido propriedade a essa da ta impõe ao povo conquistado seu próprio modo de produção (por exemplo, os ingleses neste século, na India); deixa o antigo Se de considerarmos a sociedade global, modo de produção e se contenta com receber um tributo (por exem- dizer, ponto como vista, um parece fato preceder à produção e a determiná-la, distribuição, de outro plo, turcos e os romanos), ou então se produz uma ação recípro- país Um por assim ca que dá origem a algo novo, a uma síntese (em parte nas conquis- uma entre certa os forma conquistadores de impõe, assim, povo uma conquistador certa reparte tas germânicas). Em todo caso, o modo de produção, seja do povo produção. e propriedade da terra; repartição que conquista ou do povo conquistado, ou inclusive o que provém da servil, a base Ou da então produção. faz dos Ou povos conquistados determina, escravos do portanto, trabalho a fusão dos dois precedentes, é determinante para a nova distribuição que aparece. Mesmo que se apresente como condição prévia do novo lução, destrói a grande propriedade então e um a divide, povo, dá, mediante pois, assim, uma revo- me- período de produção, ela é assim, por sua vez, um produto da produ- ção, não só da produção histórica em geral, mas de tal ou qual pro- dução histórica determinada. 284 285c) [Finalmente intercâmbio e distribuição] sumo determinam a produção. Existe ação recíproca entre os diferen- intercâmbio ou intercâmbio considerado em sua A própria circulação não é senão um momento determinado do tes momentos. Este é o caso de qualquer totalidade orgânica. Na medida em que intercâmbio não é mais do que um to intermediário entre a produção e a distribuição que determina momen- to como o consumo; na medida, por outro lado, em que este último tan- também incluído, manifestamente, nesta última, como momento. aparece como um momento da produção, o intercâmbio se encontra intercâmbio só aparece em forma independente ao lado da meiro intercambiado imediatamente para ser Porém, produto dução, indiferente diante dela, no último estado em que o pro- é intercâmbio privado a produção privada; em terceiro lugar, natural ou inclusive já um resultado histórico; em segundo seja lugar, não há intercâmbio sem divisão do trabalho, em pri- intensidade do assim como sua extensão e seu lugar, a são Por determinados pelo e pela estrutura da modo, exemplo, o ntre o campo e a cidade, o intercâmbio produção. no campo, na cidade a todos estes momentos, o intercâmbio aparece, pois, diretamente na produção ou por ela de- são buição, o intercâmbio, consumo sejam idênticos, mas distri- O resultado ao hegamos não é que a produção, a dade. elementos de uma totalidade, diferenciações dentro de que todos A produção transberda tanto de seu próprio limite, uma uni- terminação antitética de si mesma, como os demais momentos. em sua de- partir dela recomeça, sem cessar, o processo. Não resta dúvida A tece que o intercâmbio e o cons mo não podem ser predominantes. de como distribuição de de produção ela mesma é Mas o mesmo com a distribuição como distribuição de produtos. Acon- to da produção. Uma produção determinada implica, um momen- consumo, uma distribuição e um intercâmbio determinados; portanto, um igualmente, as relações reciprocas determinadas destes diferentes regula, mentos. Na verdade, a produção, também, sob sua forma mo- encontra-se por sua vez determinada pelos demais momentos. específica, exemplo, quando o mercado, isto é, a esfera do intercâmbio Por tende, o volume da produção aumenta e nela se opera uma divisão se es- MARX, K. critica da economic mais profunda. Uma transformação da distribuição liga-se transformação da produção; é o caso, por exemplo, quando a uma Sao Paulo Abril concentração do capital, ou diferente repartição da população existe dade no campo etc. Finalmente, as necessidades increntes ao na con- ci- 1974, 286 287

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