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Aula 3_CH_Atualidades_Novas tensoes entre EUA e Ira
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História Contemporânea Universidade PaulistaUniversidade Paulista

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## Resumo sobre as Novas Tensões entre EUA e IrãO texto aborda a complexa e histórica relação entre os Estados Unidos e o Irã, marcada por tensões crescentes e episódios de conflito que remontam a mais de um século. Atualmente, a situação entre os dois países está bastante delicada, com ameaças mútuas e episódios recentes que reacenderam o clima de hostilidade, como a derrubada de um drone estadunidense pelo Irã e o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani por um ataque aéreo dos EUA em Bagdá. Essas ações refletem um cenário de confrontos indiretos e disputas por influência no Oriente Médio, com impactos que vão além da região, afetando inclusive países como o Brasil, que viu navios iranianos retidos em seu porto devido a sanções americanas.### Antecedentes Históricos e Relações IniciaisAs relações entre EUA e Irã começaram no século XIX, em um contexto de rivalidade imperial entre Reino Unido e Rússia, conhecido como o "Grande Jogo". Inicialmente, os iranianos viam os Estados Unidos como uma potência ocidental confiável, o que levou à nomeação de americanos para cargos importantes, como tesoureiro-geral do Irã. Durante a Revolução Constitucional Persa, figuras americanas como Howard Barkersville e Morgan Shuster tiveram papel relevante, apoiando reformas políticas e financeiras que buscavam modernizar o país. Contudo, o Irã estava geograficamente e politicamente pressionado entre as influências britânica e russa, que em 1907 dividiram o país em zonas de influência sem consultar o governo iraniano, fomentando um sentimento anti-britânico.A descoberta de petróleo em 1908 e a criação da Anglo-Persian Oil Company (APOC), controlada majoritariamente pelo Reino Unido, aprofundaram a dependência econômica do Irã. Durante a Segunda Guerra Mundial, o país foi invadido pelos Aliados para proteger suas reservas petrolíferas e rotas estratégicas, o que gerou instabilidade política interna. Em 1951, o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh nacionalizou o petróleo, desafiando interesses estrangeiros, mas foi deposto em 1953 por um golpe apoiado pela CIA e MI6, que reinstalou o xá Mohammad Reza Pahlavi, alinhado aos EUA. O xá promoveu a "Revolução Branca", um conjunto de reformas modernizadoras e ocidentalizantes que, apesar de avanços, geraram descontentamento em setores religiosos e conservadores da população.### A Revolução Islâmica e o Fim da AmizadeEm 1979, a Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini derrubou o regime do xá, instaurando a República Islâmica do Irã e rompendo definitivamente as relações amistosas com os Estados Unidos. O novo governo conservador rejeitou a influência ocidental e acusou os EUA de imperialismo, chegando a denominar o país de "Grande Satã". A crise dos reféns na embaixada americana em Teerã, com 52 diplomatas mantidos cativos por 444 dias, simbolizou o fim da cooperação bilateral. O contexto regional se agravou com a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), na qual os EUA apoiaram o Iraque de Saddam Hussein contra o Irã, prolongando um conflito sangrento que causou centenas de milhares de mortes e devastação.Além disso, episódios como o abate de um avião comercial iraniano por um navio de guerra americano, que resultou na morte de todos a bordo, alimentaram a narrativa iraniana de hostilidade e agressão dos EUA. O Irã, por sua vez, passou a apoiar grupos armados em países vizinhos, como Hezbollah no Líbano, Houthis no Iêmen e Hamas na Palestina, consolidando-se como uma potência regional em oposição aos interesses americanos e seus aliados, especialmente a Arábia Saudita.### O Acordo Nuclear, a Retirada dos EUA e a Escalada RecenteEm 2013, houve uma tentativa de reaproximação com a conversa telefônica entre os presidentes Barack Obama e Hassan Rouhani, que culminou no acordo nuclear de 2015. O pacto envolvia o compromisso do Irã de limitar seu programa nuclear em troca do levantamento de sanções internacionais. Curiosamente, os EUA haviam ajudado o Irã a desenvolver tecnologia nuclear pacífica na década de 1950. No entanto, a eleição de Donald Trump em 2016 mudou o cenário: ele classificou o acordo como o "pior da história" e, em 2018, retirou os EUA do pacto, reimpondo sanções severas.Desde então, as tensões aumentaram, especialmente na região do estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo que influencia diretamente a economia global. Incidentes como a derrubada do drone americano pelo Irã, ataques a petroleiros no Golfo de Omã e o envio de tropas americanas para a região evidenciam a escalada do conflito. O ponto mais crítico foi o assassinato do general Qassem Soleimani em janeiro de 2020, considerado o principal estrategista militar iraniano e uma figura central na política externa do Irã, especialmente no apoio a grupos xiitas e na luta contra o Estado Islâmico. Sua morte provocou uma comoção nacional no Irã, com funerais massivos e promessas de vingança, aprofundando ainda mais o antagonismo entre os dois países.### Conclusões e ImplicaçõesO conflito entre Estados Unidos e Irã é resultado de uma longa história de intervenções, disputas geopolíticas, choques culturais e ideológicos, e interesses estratégicos, especialmente relacionados ao petróleo e à influência no Oriente Médio. A relação, que já foi marcada por cooperação e confiança, transformou-se em rivalidade aberta após a Revolução Islâmica de 1979, com episódios dramáticos que moldaram a política regional e global. A escalada recente, com confrontos indiretos e ações militares, mantém a região em estado de alerta, com riscos de conflitos maiores que podem afetar a estabilidade internacional e o mercado energético mundial.A importância do estreito de Ormuz como rota vital para o petróleo mundial torna qualquer incidente ali um fator de preocupação global, refletindo-se nos preços do combustível e na economia. O assassinato de Soleimani simboliza a profundidade do conflito e a complexidade das relações, envolvendo não apenas os dois países, mas também seus aliados e grupos armados na região. O futuro dessas relações permanece incerto, com possibilidades de novas tensões ou negociações, dependendo das decisões políticas e das dinâmicas regionais.---### Destaques- A relação EUA-Irã tem raízes históricas complexas, marcada por intervenções estrangeiras, golpes e disputas por petróleo.- A Revolução Islâmica de 1979 foi o ponto de ruptura, encerrando a amizade e iniciando um período de hostilidade e conflitos indiretos.- O acordo nuclear de 2015 representou uma tentativa de aproximação, mas a retirada dos EUA em 2018 reacendeu as tensões.- O estreito de Ormuz é uma rota estratégica vital para o petróleo mundial, tornando a região um foco de conflitos e preocupações globais.- O assassinato do general Qassem Soleimani em 2020 intensificou o antagonismo, simbolizando a complexidade e a gravidade do confronto atual.

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