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MATERIAL DE REVISÃO Envelhecimento, Sarcopenia e Treinamento de Força O envelhecimento humano está associado a importantes alterações fisiológicas e neuromusculares que comprometem progressivamente a funcionalidade do indivíduo. Entre essas alterações, destaca-se a sarcopenia, caracterizada pela perda gradual de massa muscular, força e desempenho físico. Segundo estudos clássicos sobre fisiologia do exercício e envelhecimento, ocorre redução significativa das fibras musculares do tipo II, também conhecidas como fibras de contração rápida. Essas fibras possuem elevada capacidade de produção de potência muscular e são fundamentais para respostas rápidas de equilíbrio, aceleração e prevenção de quedas. A diminuição das fibras do tipo II compromete a capacidade do sistema neuromuscular de gerar respostas rápidas diante de desequilíbrios posturais. Dessa forma, idosos apresentam maior risco de quedas, perda funcional e incapacidade física. Além disso, a sarcopenia desenvolve um ciclo fisiopatológico progressivo: • redução da força muscular; • diminuição da potência; • queda da resistência muscular; • menor participação em atividades físicas; • aumento da incapacidade funcional; • agravamento da perda muscular. Esse ciclo demonstra que o sedentarismo potencializa o processo degenerativo muscular. O treinamento de força surge como uma das principais estratégias terapêuticas e preventivas contra os efeitos do envelhecimento. O exercício resistido promove: • aumento da força; • melhora da coordenação motora; • preservação da massa muscular; • melhora do equilíbrio; • aumento da independência funcional; • redução do risco de quedas. Diabetes Mellitus e Treinamento Resistido O treinamento de força é amplamente recomendado para indivíduos com Diabetes Mellitus tipo I e II, desde que haja adequado controle glicêmico. Entretanto, existem condições metabólicas que contraindicam temporariamente o exercício físico. Valores glicêmicos extremamente elevados ou reduzidos representam riscos importantes durante o treinamento. De acordo com recomendações clínicas aplicadas ao exercício físico: • glicemia ≥ 250 mg/dl pode aumentar o risco de complicações metabólicas; • glicemia ≤ 50 mg/dl eleva significativamente o risco de hipoglicemia severa. A hipoglicemia pode provocar: • tontura; • tremores; • sudorese; • confusão mental; • perda de consciência. Portanto, o profissional de Educação Física deve realizar monitoramento adequado antes da prescrição do exercício resistido para indivíduos diabéticos. Periodização do Treinamento de Força A periodização corresponde à organização sistemática do treinamento por meio da manipulação das variáveis: • volume; • intensidade; • frequência; • densidade; • recuperação. Segundo os estudos de Harries, Lubans e Callister (2015), diferentes modelos de periodização podem produzir resultados semelhantes quando o volume total e a intensidade do treinamento são equalizados. Os principais modelos estudados são: Periodização Linear Caracteriza-se pelo aumento gradual da intensidade e redução progressiva do volume ao longo do treinamento. Exemplo: • início com cargas leves e maior número de repetições; • progressão para cargas elevadas e menor número de repetições. Periodização Ondulatória Apresenta variações frequentes de intensidade e volume dentro da semana ou do próprio microciclo. Exemplo: • segunda-feira: força máxima; • quarta-feira: hipertrofia; • sexta-feira: resistência muscular. Periodização Linear Reversa Apresenta inicialmente maior volume e menor intensidade, evoluindo posteriormente para maior intensidade e menor volume. Os estudos demonstram que não existe superioridade absoluta entre os modelos quando as variáveis principais são controladas adequadamente. Hipertrofia Muscular e Resistência Muscular A hipertrofia muscular consiste no aumento do tamanho das fibras musculares em resposta ao treinamento resistido. Segundo Campos (2002) e James Krieger (2010), diferentes modelos de treinamento podem gerar hipertrofia semelhante quando o volume total é equalizado. A hipertrofia depende principalmente de fatores como: • tensão mecânica; • volume total de treino; • recuperação; • sobrecarga progressiva; • nutrição adequada. Já a resistência muscular corresponde à capacidade de sustentar contrações repetidas durante determinado período. A periodização linear reversa pode favorecer resistência muscular devido ao maior volume de repetições realizado em determinadas fases do treinamento. Assim, tanto hipertrofia quanto resistência muscular dependem da adequada manipulação entre intensidade e volume. Ações Musculares Segundo Steven Kraemer, Steven Fleck e Michael Deschenes (2012), as ações musculares representam diferentes formas de produção de força pelo músculo esquelético. Ação Concêntrica Ocorre quando o músculo se encurta durante a produção de força. Exemplo: • fase de subida da rosca bíceps. Características: • aproximação das inserções musculares; • produção de movimento; • encurtamento muscular. Ação Excêntrica Ocorre quando o músculo se alonga sob tensão. Exemplo: • fase de descida da rosca bíceps. Características: • maior produção de força; • desaceleração do movimento; • maior sobrecarga mecânica. A ação excêntrica está fortemente associada a adaptações neurais e hipertróficas importantes. Ação Isométrica Ocorre produção de força sem movimento articular visível. Exemplo: • sustentação estática de uma carga. Embora não exista movimento, há geração de tensão muscular significativa. Adaptações ao Treinamento com Diferentes Ações Musculares Segundo Kraemer, Fleck e Deschenes (2012), os ganhos promovidos pelo treinamento são específicos à ação muscular treinada. Isso significa que: • treinos predominantemente excêntricos favorecem adaptações excêntricas; • treinos predominantemente concêntricos favorecem adaptações concêntricas. Entretanto, quando o volume total do treinamento é adequadamente controlado, as diferenças entre as adaptações podem diminuir. A combinação das ações musculares geralmente promove melhores resultados globais no treinamento resistido. Sistemas de Treinamento: Série Simples e Múltiplas Séries De acordo com James Krieger (2010), os sistemas de treinamento podem ser classificados conforme o número de séries executadas por exercício. Série Simples Caracteriza-se pela realização de apenas uma série por exercício. Esse modelo pode ser utilizado: • em iniciantes; • em programas com limitação de tempo; • em fases específicas de adaptação. Múltiplas Séries Caracteriza-se pela realização de duas ou mais séries por exercício. Esse sistema tende a promover maiores ganhos de: • força muscular; • hipertrofia; • desempenho físico. Isso ocorre porque o método produz maior volume total de treinamento, aumentando os estímulos fisiológicos necessários para adaptação muscular. Assim, indivíduos treinados geralmente apresentam melhores resultados utilizando sistemas de múltiplas séries. O treinamento de força representa uma ferramenta fundamental para saúde, funcionalidade e desempenho físico. Os estudos apresentados pelos autores da disciplina demonstram que: • o treinamento resistido combate a sarcopenia; • reduz riscos associados ao envelhecimento; • melhora força e hipertrofia; • aumenta a funcionalidade; • auxilia no controle metabólico; • promove adaptações neuromusculares importantes. Além disso, compreender conceitos como periodização, ações musculares e sistemas de treinamento permite ao profissional elaborar programas mais seguros, individualizados e cientificamente fundamentados.