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APG- IMUNOLOGIA 
OBJETIVOS: 
1. Especificar a barreira inicial do Sistema Imunológico; 
2. Estudar o sistema imune inato e o adaptativo; 
3. Diferenciar a imunização por vacina da imunização por amamentação 
 
 
SISTEMA IMUNE 
 
↠ O termo imunidade é derivado da palavra latina imunitas, a qual se refere à proteção 
contra processos legais oferecida aos senadores romanos durante seus mandatos. 
Historicamente, imunidade significa proteção contra doença e, mais especificamente, 
doença infecciosa. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As células e moléculas responsáveis pela imunidade constituem o sistema imune, 
e sua resposta coletiva e coordenada à entrada de substâncias estranhas é 
denominada resposta imune. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
A função fisiológica do sistema imune é a defesa contra microrganismos infecciosos; 
entretanto, mesmo substâncias estranhas não infecciosas e produtos de células danificadas 
podem elicitar respostas imunes. Além disso, os mecanismos que normalmente protegem os 
indivíduos contra uma infecção e eliminam substâncias estranhas também são capazes de 
causar lesão tecidual e doença em algumas situações. (ABBAS, 9ª ed.) 
Moléculas próprias podem elicitar respostas imunes (as chamadas doenças autoimunes). 
(ABBAS, 9ª ed.) 
 
IMUNIDADE INATA X IMUNIDADE ADAPTATIVA 
 
↠ A defesa contra microrganismos é mediada por respostas sequenciais e 
coordenadas que são denominadas imunidade inata e adaptativa. (ABBAS, 9ª ed) 
 
 
 
 
 
 INATA ADAPTATIVA 
CARACTERÍSTICAS 
Especificidade Para moléculas 
compartilhadas por grupos 
de microrganismos 
relacionados e moléculas 
produzidas por células 
lesadas do hospedeiro 
Para antígenos microbianos 
e não microbianos. 
 
 
Diversidade Limitada, reconhecimento de 
moléculas codificadas por 
genes herdados 
Muito ampla, genes dos 
receptores são formados por 
recombinação somática de 
segmentos gênicos nos 
linfócitos. 
Memória Nenhuma ou limitada Sim 
Não reatividade ao próprio Sim Sim 
COMPONENTES 
Barreiras celulares e 
químicas 
Pele, epitélios de mucosa; 
moléculas antimicrobianas. 
Linfócitos nos epitélios; 
anticorpos secretados nas 
superfícies epiteliais. 
Proteínas sanguíneas Complemento, várias 
lectinas e aglutininas 
Anticorpo 
Células Fagócitos (macrófagos, 
neutrófilos), células 
dendríticas, células natural 
killer, mastócitos, células 
linfoides inata. 
Linfócito 
 
 
 
 
 
IMUNIDADE INATA 
↠ A imunidade inata (também chamada de imunidade natural ou imunidade nativa) é 
essencial para a defesa contra microrganismos nas primeiras horas ou dias após a 
infecção, antes que as respostas imunes adaptativas tenham se desenvolvido. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A imunidade inata é mediada por mecanismos que já existem antes da ocorrência 
de uma infeção (por isso inata) e que facilitam rápidas respostas contra 
microrganismos invasores. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A imunidade inata, há outras respostas imunes que são estimuladas pela exposição 
a agentes infecciosos e que aumentam em magnitude e capacidades defensivas após 
cada exposição sucessiva a um microrganismo em particular. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
↠ Os principais componentes da imunidade inata são: (ABBAS, 9ª ed.) 
➢ barreiras físicas e químicas, tais como os epitélios e os agentes antimicrobianos 
produzidos nas superfícies epiteliais; 
➢ células fagocíticas (neutrófilos, macrófagos), células dendríticas (DCs, do inglês, 
dendritic cells), mastócitos, células natural killer (células NK) e outras células linfoides 
inatas; 
➢ proteínas sanguíneas, incluindo componentes do sistema complemento e outros 
mediadores da inflamação 
↠ Muitas células da imunidade inata, tais como macrófagos, DCs e mastócitos, estão 
sempre presentes na maioria dos tecidos, onde atuam como sentinelas em busca de 
microrganismos invasores. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A resposta imune inata combate microrganismos por meio de duas reações 
principais: (ABBAS, 9ª ed.) 
➢ pelo recrutamento de fagócitos e outros leucócitos que destroem os 
microrganismos, no processo chamado inflamação; 
➢ pelo bloqueio da replicação viral ou pelo killing de células infectadas por vírus, sem 
a necessidade de uma reação inflamatória. 
 
 
 
 
IMUNIDADE ADAPTATIVA 
↠ Uma vez que a imunidade inata se desenvolve em resposta à infecção e a ela se 
adapta, é denominada imunidade adaptativa (também chamada imunidade específica 
ou imunidade adquirida). (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ O sistema imune adaptativo reconhece e reage a um grande número de 
substâncias microbianas e não microbianas chamadas antígenos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A resposta imune adaptativa é mediada por células chamadas linfócitos e seus 
produtos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Os linfócitos expressam receptores altamente diversos que são capazes de 
reconhecer um vasto número de antígenos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Há duas populações principais de linfócitos, denominadas linfócitos B e linfócitos 
T, os quais medeiam diferentes tipos de respostas imunes adaptativas. (ABBAS, 9ª 
ed.) 
 
Características fundamentais das respostas imunes adaptativas 
 
↠ As propriedades fundamentais do sistema imune adaptativo refletem as 
propriedades dos linfócitos que medeiam essas respostas. ABBAS, 9ª ed.) 
➢ Especificidade e diversidade: respostas imunes são específicas para antígenos 
distintos e, frequentemente, para diferentes porções de um único complexo proteico, 
polissacarídico ou de outra macromolécula. ABBAS, 9ª ed.) 
 
As porções de antígenos complexos especificamente reconhecidas por linfócitos individuais 
são denominadas determinantes ou epítopos. (ABBAS, 9ª ed.) Seleção Clonal: clones de 
linfócitos com diferentes especificidades estão presentes em indivíduos não imunizados e são 
capazes de reconhecer e responder aos antígenos estranhos. (ABBAS, 9ª ed.) Expansão 
Clonal: um antígeno introduzido se liga (seleciona) às células do clone antígeno-específico 
preexistente e as ativa. Como resultado, as células específicas para o antígeno proliferam 
para gerar milhares de descendentes com a mesma especificidade. (ABBAS, 9ª ed.) O 
número total de especificidades antigênicas dos linfócitos em um indivíduo, chamado 
repertório dos linfócitos, é extremamente grande. Estima-se que o sistema imune de um 
indivíduo possa 107 a 109 discriminar a determinantes antigênicos distintos. Essa capacidade 
do repertório de linfócitos para reconhecer um grande número de antígenos (a chamada 
diversidade) é resultado da variabilidade nas estruturas dos sítios de ligação ao antígeno dos 
receptores antigênicos dos linfócitos. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
➢ Memória.: a exposição do sistema imune a um antígeno estranho aumenta sua 
capacidade de responder novamente àquele antígeno. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
As respostas a uma segunda exposição ou exposições subsequentes ao mesmo antígeno, 
chamadas respostas imunes secundárias, são normalmente mais rápidas, de maior 
magnitude e, com frequência, quantitativamente diferentes da primeira resposta imune (ou 
primária) àquele antígeno. (ABBAS, 9ª ed.) A memória imunológica ocorre porque cada 
exposição a um antígeno gera células de memória de vida longa específicas para o antígeno. 
(ABBAS, 9ª ed.) Duas razões pelas quais a resposta secundária é mais forte do que a resposta 
imune primária: as células de memória se acumulam e tornam-se mais numerosas do que os 
linfócitos naive específicos para o antígeno existentes no momento da exposição inicial ao 
antígeno; e células de memória reagem mais rápida e vigorosamente ao desafio antigênico 
do que os linfócitos naive. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
➢ Não reatividade ao próprio (autotolerância).: não reage prejudicialmente aos 
antígenos do próprio indivíduo. ABBAS, 9ª ed.) 
 
A autotolerância é mantida por diversos mecanismos, que incluem: a eliminação de linfócitos 
que expressam receptores específicos para alguns autoantígenos, inativando os linfócitos 
autorreativos ou suprimindo essas células pela ação de outras células(reguladoras). (ABBAS, 
9ª ed.) 
 
Tipos de respostas imunes adaptativas 
 
↠ Existem dois tipos de respostas imunes adaptativas, denominadas imunidade 
humoral e imunidade mediada por células, as quais são induzidas por diferentes tipos 
de linfócitos e atuam para eliminar diferentes tipos de microrganismos. ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
 
Imunidade humoral 
↠ A imunidade humoral é mediada por moléculas no sangue e em secreções 
mucosas, denominadas anticorpos, os quais são produzidos pelos linfócitos B. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Anticorpos reconhecem antígenos microbianos, neutralizam a infectividade dos 
microrganismos e marcam microrganismos para sua eliminação pelos fagócitos e pelo 
sistema complemento. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A imunidade humoral é o principal mecanismo de defesa contra os microrganismos 
e suas toxinas, localizados fora das células (p. ex.: no lúmen dos tratos gastrintestinal 
e respiratório, e no sangue), uma vez que os anticorpos secretados podem se ligar a 
esses microrganismos e toxinas, neutralizando-os, além de auxiliar na sua eliminação. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
 
A defesa do hospedeiro contra infecções é mediada por substâncias presentes nos fluidos 
corporais (então chamados humores). (ABBAS, 9ª ed.) 
 
Imunidade mediada por células 
↠A imunidade mediada por células, também denominada imunidade celular, é 
mediada pelos linfócitos T. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Muitos microrganismos são ingeridos, mas sobrevivem dentro dos fagócitos, e 
alguns, particularmente os vírus, infectam e se replicam em diversas células do 
hospedeiro. Nesses locais, os microrganismos são inacessíveis aos anticorpos 
circulantes. A defesa contra tais infecções é uma função da imunidade mediada por 
células, a qual promove a destruição de microrganismos dentro dos fagócitos e a 
morte das células infectadas para eliminar os reservatórios da infecção. (ABBAS, 9ª 
ed.) 
 
 
Imunidade ativa x Imunidade passiva 
↠ A forma de imunidade induzida pela exposição a um antígeno estranho é chamada 
imunidade ativa, porque o indivíduo imunizado tem papel ativo na resposta ao 
antígeno. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A imunidade também pode ser conferida a um indivíduo pela transferência de 
anticorpos de um indivíduo imunizado para um indivíduo que nunca encontrou o 
antígeno. O receptor de tal transferência se torna imune ao antígeno em particular 
sem nunca ter sido exposto nem ter respondido àquele antígeno. Portanto, essa forma 
de imunização é chamada de imunidade passiva. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
Anticorpos (imuniglobulina) 
↠ Outra denominação comum para anticorpo é imunoglobulina (Ig). (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Uma das principais funções do sistema imunológico é a produção de proteínas 
solúveis que circulam livremente e exibem propriedades que contribuem 
especificamente para a imunidade e proteção contra material estranho. (COICO, 6ª 
ed.) 
↠ Estas proteínas solúveis são denominadas anticorpos, e, devido a sua estrutura 
globular, pertencem à classe das proteínas denominadas globulinas. Inicialmente em 
função de suas propriedades migratórias em um campo eletroforético, elas foram 
chamadas -y-globulinas (em relação às proteínas que migram mais rapidamente, a 
albumina, a alfa-globulina e a 13-globulina); atualmente, elas são coletivamente 
conhecidas como imunoglobulinas. (COICO, 6ª ed.) 
 
As substâncias que estimulavam a produção de anticorpos ou eram reconhecidas por eles 
foram então denominadas antígenos. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
↠ Os anticorpos são sintetizados somente pelas células da linhagem de linfócitos B e 
existem em duas formas: anticorpos ligados à membrana na superfície dos linfócitos 
B que atuam como receptores antigênicos, e anticorpos secretados que atuam na 
proteção contra microrganismos. (ABBAS, 9ª ed.) ↠ O reconhecimento dos antígenos 
pelos anticorpos ligados à membrana nas células B naive ativa esses linfócitos e inicia 
a resposta imune humoral. As células B ativadas se diferenciam em plasmócitos que 
secretam anticorpos com a mesma especificidade do receptor antigênico. (ABBAS, 9ª 
ed.) 
 
Estrutura do anticorpo 
↠ Todas as moléculas de anticorpo compartilham as mesmas características 
estruturais básicas, mas apresentam extraordinária variabilidade nas regiões que se 
ligam ao antígeno. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As funções efetoras e propriedades físico-químicas comuns dos anticorpos estão 
associadas às porções que não se ligam ao antígeno, as quais exibem relativamente 
poucas variações entre os diferentes anticorpos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Uma molécula de anticorpo tem uma estrutura central simétrica composta de duas 
cadeias leves idênticas e duas cadeias pesadas idênticas. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
 
 
↠ Tanto as cadeias leves quanto as cadeias pesadas contêm uma série de unidades 
estruturais homólogas repetidas, cada uma com cerca de 110 resíduos de 
aminoácidos de comprimento, que se dobram independentemente em um motivo 
globular chamado domínio Ig. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Um domínio Ig contém duas camadas de folhas ßpregueadas, cada uma composta 
de três a cinco fitas de cadeia polipeptídica antiparalelas. As duas camadas são 
mantidas unidas por uma ponte dissulfeto e as fitas adjacentes de cada folha ß são 
conectadas por pequenas alças. Os aminoácidos localizados em algumas dessas 
alças são os mais variáveis e críticos para o reconhecimento do antígeno. (ABBAS, 
9ª ed.) 
 
↠ Tanto as cadeias leves quanto as cadeias pesadas consistem em regiões 
aminoterminais variáveis (V) que participam no reconhecimento do antígeno e regiões 
carboxiterminais constantes (C); as regiões C das cadeias pesadas ajudam a mediar 
algumas das funções protetoras e efetoras dos anticorpos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Nas cadeias pesadas, a região V é composta de um domínio Ig e a região C é 
composta de três ou quatro domínios Ig. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Cada cadeia leve é composta de uma região V de domínio Ig e uma região C de 
domínio Ig. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As regiões variáveis são assim chamadas porque suas sequências de aminoácidos 
variam entre os anticorpos produzidos por diferentes clones de células B. A região V 
de uma cadeia pesada (VH) e a região V adjacente de uma cadeia leve (VL) formam 
um sítio de ligação ao antígeno. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Como a unidade estrutural central de cada molécula de anticorpo contém duas 
cadeias pesadas e duas cadeias leves, cada molécula de anticorpo possui pelo menos 
dois sítios de ligação antigênica. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Os domínios Ig da região C estão espacialmente separados dos sítios de ligação 
ao antígeno e não participam do reconhecimento antigênico. As regiões C da cadeia 
pesada interagem com outras moléculas e células do sistema imune e, dessa forma, 
medeiam a maior parte das funções biológicas dos anticorpos, algumas vezes 
chamadas de funções “efetoras”. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Além disso, as cadeias pesadas existem em duas formas que diferem nas 
terminações carboxiterminais: uma forma de cadeia pesada ancora os anticorpos 
ligados à membrana nas membranas plasmáticas dos linfócitos B, e a outra forma é 
encontrada somente nos anticorpos secretados. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As regiões C das cadeias leves não participam das funções efetoras e não estão 
diretamente ligadas às membranas celulares. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As cadeias pesadas e leves estão covalentemente ligadas por ligações dissulfeto 
formadas entre os resíduos de cisteína na porção carboxiterminal da cadeia leve e do 
domínio CH1 da cadeia pesada. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A porção de ligação ao antígeno de uma molécula de anticorpo é a região Fab, e a 
extremidade C terminal que está envolvida nas funções efetoras é a região Fc. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
 
↠ Fab (fragmentação, ligação ao antígeno): fragmentos que retêm a capacidade de 
se ligar ao antígeno, porque cada um deles contém domínios VL e VH pareados. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Fc (fragmento, cristalizável): composta de dois peptídeos idênticos ligadospor 
dissulfeto, cada um contendo os domínios CH2 e CH3 da cadeia pesada. Essa porção 
da IgG tem propensão a autoassociar-se e cristalizar em uma estrutura semelhante a 
uma treliça ou grade. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A organização básica da molécula de anticorpo deduzida a partir dos experimentos 
de proteólise de IgG de coelhos é comum a todas as moléculas de Ig de todas as 
classes e de todas as espécies. Os termos Fab, F(ab’)2 e Fc são amplamente usados 
para descrever essas diferentes porções dos anticorpos humanos e murinos. De fato, 
esses experimentos forneceram a primeira evidência de que as funções de 
reconhecimento do antígeno e as funções efetoras das moléculas de Ig são 
espacialmente separadas. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
 
Características estruturais das regiões variáveis dos anticorpos 
 
↠ A maioria das diferenças de sequência e variabilidade entre os diferentes anticorpos 
está restrita a três trechos curtos na região V da cadeia pesada e a três trechos na 
região V da cadeia leve. Esses segmentos de maior diversidade são conhecidos como 
regiões hipervariáveis. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Em uma molécula de anticorpo, as três regiões hipervariáveis de um domínio VL e 
as três regiões hipervariáveis de um domínio VH são mantidas unidas para criar uma 
superfície de ligação ao antígeno. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As alças hipervariáveis podem ser imaginadas como semelhantes a “dedos” 
protuberantes de cada domínio variável, com três dedos da cadeia pesada e três 
dedos da cadeia leve permanecendo unidos para formar o sítio de ligação do antígeno. 
Pelo fato dessas sequências formarem uma superfície complementar à forma 
tridimensional do antígeno ligado a elas, as regiões hipervariáveis também são 
chamadas regiões determinantes de complementariedade (CDRs, do inglês 
complementarity-determining regions). (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Procedentes tanto da região aminoterminal VL quanto VH, estas regiões são 
chamadas CDR1, CDR2 e CDR3, sendo que as CDR3s de ambos os segmentos VH 
e VL são as mais variáveis dentre as CDRs. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As diferenças na sequência entre as CDRs de diferentes moléculas de anticorpo 
contribuem para superfícies de interação distintas e, dessa maneira, para as 
especificidades dos anticorpos individuais. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
Características estruturais das regiões constantes dos anticorpos 
↠ As moléculas de anticorpo são flexíveis, permitindo que se liguem a diferentes 
matrizes de antígenos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Cada anticorpo contém pelo menos dois sítios de ligação ao antígeno, cada um 
formado por um par de domínios VH e VL. Muitas moléculas Ig podem orientar esses 
sítios de ligação de tal forma que duas moléculas de antígeno em uma superfície 
planar (p. ex.: célula) podem ser ligadas ao mesmo tempo. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
↠ Essa flexibilidade é conferida, em grande parte, por uma região de dobradiça 
localizada entre CH1 e CH2 de certos isotipos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Além disso, alguma flexibilidade das moléculas de anticorpo é decorrente da 
capacidade de cada domínio de VH sofrer rotação em relação ao domínio CH1 
adjacente. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
ANTICORPOS MONOCLONAIS Um anticorpo monoclonal é uma coleção pura de moléculas 
de anticorpo idênticas e com a mesma especificidade. (ABBAS, 9ª ed.) Um tumor de 
plasmócitos (mieloma ou plasmacitoma), assim como a maioria dos tumores de qualquer 
origem celular, é monoclonal e, dessa maneira, produz anticorpos de uma única 
especificidade. (ABBAS, 9ª ed.) 
SÍNTESE E MONTAGEM DAS IMUNIGLOBULINAS As cadeias pesadas e leves da 
imunoglobulina, assim como a maioria das proteínas secretadas e de membrana, são 
sintetizadas em ribossomos ligados à membrana no retículo endoplasmático rugoso. A 
proteína é translocada para o retículo endoplasmático, e as cadeias pesadas da Ig são N-
glicosiladas durante o processo de translocação. (ABBAS, 9ª ed.) O dobramento apropriado 
das cadeias pesadas da Ig e sua montagem com as cadeias leves são reguladas por proteínas 
residentes no retículo endoplasmático chamadas de chaperonas. (ABBAS, 9ª ed.) A 
associação covalente das cadeias pesadas e leves é estabilizada pela formação de pontes 
dissulfeto e também ocorre no retículo endoplasmático durante o processo de montagem. 
Após essa montagem, as moléculas de Ig são liberadas das chaperonas, transportadas para 
a cisterna do complexo de Golgi, onde seus carboidratos são modificados e, então, 
direcionadas para a membrana plasmática em vesículas. (ABBAS, 9ª ed.) Anticorpos em sua 
forma de membrana são ancorados na membrana plasmática, enquanto a forma secretada é 
transportada para fora da célula. (ABBAS, 9ª ed.) A maturação das células B a partir dos 
progenitores da medula óssea é acompanhada por alterações específicas na expressão do 
gene de Ig, resultando na produção de moléculas de Ig em diferentes formas. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
 
↠ As ações dos anticorpos incluem as seguintes: (TORTORA, 14ª ed.) 
➢ Neutralização de antígenos; 
➢ Imobilização de bactérias; 
➢ Aglutinação e precipitação de antígenos; 
➢ Ativação do complemento; 
➢ Reforço da fagocitose. 
 
TIPOS DE ANTICORPOS 
↠ As moléculas de anticorpo podem ser divididas em classes e subclasses distintas 
com base em diferenças na estrutura de suas regiões C da cadeia pesada. (ABBAS, 
9ª ed.) 
↠ As classes das moléculas de anticorpo são também chamadas de isotipos e são 
nomeadas IgA, IgD, IgE, IgG e IgM. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Em humanos, os isotipos IgA e IgG podem ainda ser adicionalmente divididos em 
subclasses, ou subtipos, intimamente relacionadas, denominadas IgA1 e IgA2 e IgG1, 
IgG2, IgG3 e IgG4. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Os isotipos e subtipos de anticorpos diferem em suas regiões C e, assim, onde eles 
se ligam e quais funções efetoras realizam. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
Propriedades estruturais e biológicas da IgG 
↠ É o isotipo predominante no soro humano normal. (ROITT, 13ª ed.) 
↠ A IgG representa 70%-75% do total de anticorpos no soro, consistindo em uma 
molécula monomérica de quatro cadeias. (ROITT, 13ª ed.) 
↠ Sua concentração normal varia de 6,0-16 g/L. (ROITT, 13ª ed.) 
↠ Nos seres humanos a classe IgG das imunoglobulinas contém quatro subclasses 
denominadas lgG1, lgG2, lgG3 e lgG4., em função de sua abundância no soro sendo 
a IgG1, a mais abundante. (COICO, 6ª ed.) 
 
 
↠ As moléculas de IgG circulantes têm meia-vida de cerca de 21 a 28 dias, a mais 
longa meia-vida de todos os isotipos. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ A longa meia-vida da IgG é atribuída à sua capacidade em se ligar a um receptor 
Fc específico chamado receptor de proteção FcRp. Esse receptor encontrado em 
endossomas celulares, recicla seletivamente a IgG endocitada e a devolve à 
circulação. (COICO, 6ª ed.) 
 
 
↠ O isotipo IgG (exceto a subclasse IgG2) é a única classe de imunoglobulina que 
pode passar através da placenta, possibilitando que a mãe transfira sua imunidade ao 
feto. A transferência placentária é facilitada pela expressão de um receptor de 
proteção da IgG (FcRn) encontrado nas células placentárias. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Mostrou-se recentemente que o FcRn é idêntico ao receptor de proteção da IgG 
(FcRp) encontrado nos endossomas celulares. (COICO, 6ª ed.) 
↠ A mesma forma de IgG materna que atravessa a placenta conferindo ao feto 
imunidade à infecção, também pode ser responsável pela doença hemolítica do 
recém-nascido (eritroblastose fetal), que é causada pelos anticorpos maternos contra 
os eritrócitos do feto. Os anticorpos IgG maternos contra o antígeno Rh, produzidos 
pela mãe Rh negativa, atravessam a placenta e se prendem aos eritrócitos fetais que 
expressam antígenos Rh (Rh+). (COICO, 6ª ed.) 
 
Aglutinação e formação de precipitados 
↠ As moléculas de IgG podem causar a aglutinação ou agregação de antígenos 
particulados (insolúveis) como os microrganismos. (COICO, 6ª ed.) 
 
Opsonização 
↠Quando antígenos, como microrganismos patogênicos, se ligamà IgG antígeno-
específica, eles são mais rapidamente fagocitados pelos fagócitos em função da 
presença de receptores para a porção Fc das moléculas de IgG existentes nestas 
células. (COICO, 6ª ed.) 
↠ As moléculas de anticorpo reagem com os epítopos antigênicos dos antígenos por 
suas regiões Fab, mas é a porção Fc que confere a propriedade de opsonização. O 
resultado é o fechamento, semelhante ao de um zíper, da membrana superficial da 
célula fagocitária ao redor do antígeno, à medida que os receptores para as regiões 
Fc e as regiões Fc dos anticorpos continuam a se combinar, acarretando o 
engolfamento e destruição final do microrganismo. (COICO, 6ª ed.) 
 
 
Neutralização de toxinas 
↠ A molécula de IgG é um excelente anticorpo para a neutralização de toxinas tal 
como a toxina tetânica e botulínica ou para a inativação de, por exemplo, veneno de 
cobra ou escorpião. (COICO, 6ª ed.) ↠ Devido a sua capacidade de neutralizar estes 
venenos (principalmente bloqueando seu sítio ativo), bem como devido a sua longa 
meia-vida, comparada com a dos outros isotipos, a molécula de IgG constitui o isotipo 
de escolha para a imunização passiva (isto é, transferência de anticorpos) contra 
toxinas e venenos. (COICO, 6ª ed.) 
 
Imobilização de bactérias 
↠ As moléculas de IgG são eficientes na mobilização de inúmeras bactérias móveis. 
A reação dos anticorpos específicos com os flagelos e cílios de certos microrganismos 
faz com as bactérias se agrupem, paralisando, consequentemente, seu movimento e 
impedindo sua capacidade de disseminar ou invadir tecidos. (COICO, 6ª ed.) 
 
Neutralização de vírus 
↠ O anticorpo IgG é um eficiente neutralizador de vírus. Em um mecanismo de 
neutralização, os anticorpos se ligam a determinantes antigênicos presentes em 
várias partes do revestimento dos vírus, entre eles a região utilizada pelo vírus para 
se prender à célula alvo. A inibição da fixação do vírus efetivamente paralisa a 
infecção. (COICO, 6ª ed.) 
 
Propriedades estruturais e biológicas da IgM 
↠ A IgM é a primeira imunoglobulina produzida após a imunização. Sua denominação 
deriva-se de sua descrição inicial como macroglobulina (M), uma imunoglobulina de 
alto peso molecular. (COICO, 6ª ed.) 
↠ É uma molécula pentamérica. (COICO, 6ª ed.) 
↠ A IgM presente no soro de indivíduos adultos é encontrada predominantemente nos 
espaços intravasculares. (COICO, 6ª ed.) 
 
A IgM circulante tem meia-vida de aproximadamente 4 dias. (COICO, 6ª ed.) 
A IgM também é encontrada na superfície da célula B madura juntamente com a IgD, 
onde atua como um BCR antígeno-específico. (COICO, 6ª ed.) 
 
PRIMEIRA LINHA DE DEFESA HUMORAL 
 
↠ Os anticorpos lgM não são capazes de atravessar a placenta. Entretanto, pelo fato 
de constituírem a única classe de imunoglobulina sintetizada pelo feto, cuja produção 
se inicia aproximadamente aos cinco meses de gestação, elevados níveis de IgM no 
feto indicam infecção congênita ou perinatal. (COICO, 6ª ed.) 
↠ A IgM é o isotipo sintetizado por crianças e adultos em quantidades apreciáveis 
após imunização ou exposição a antígenos T-independentes e constitui o primeiro 
isotipo sintetizado após a imunização. Desta maneira, elevados níveis de IgM 
geralmente indicam infecção ou exposição recentes a um antígeno. (COICO, 6ª ed.) 
 
Aglutinação 
↠ As moléculas de lgM são eficientes anticorpos aglutinantes. Devido a sua forma 
pentamérica, os anticorpos IgM podem formar pontes macromoleculares entre 
epítopos sobre moléculas que podem estar muito distante uma da outra para serem 
unidas por um anticorpo IgG de menor tamanho. (COICO, 6ª ed.) 
 
Iso-hemaglutininas 
↠ Os anticorpos IgM incluem as iso-hemaglutininas, os anticorpos de ocorrência 
natural contra os antígenos eritrocitários do grupo sanguíneo ABO. (COICO, 6ª ed.) 
 
Propriedades estruturais e biológicas da IgA 
↠ A IgA é a principal imunoglobulina nas secreções externas como saliva,muco, suor 
,fluído gástrico e lágrimas. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Ela é, além disso, a principal imunoglobulina encontrada no colostro e no leite das 
lactantes, e, durante as primeiras semanas após o nascimento, pode prover o neonato 
com a principal fonte de proteção intestinal contra patógenos. (COICO, 6ª ed.) 
 
 
↠ A imunoglobulina da classe IgA contém duas subclasses: IgA1, (93%) e IgA2 (7%). 
(COICO, 6ª ed.) 
↠ A IgA circulante tem meia-vida de cerca de 3 dias (embora a maior parte da IgA 
seja produzida em sítios de mucosa e seja secretada diretamente no lumen do 
intestino ou da via aérea). (COICO, 6ª ed.) ↠ A maior parte da IgA não está presente 
no soro mas nas secreções como lágrimas, saliva, suor e muco, onde ela desempenha 
importante função biológica como componente do MALT. (COICO, 6ª ed.) 
 
Papel nas infecções mucosas 
↠ Devido a sua presença nas secreções como, saliva, urina e fluido gastrintestinal, a 
IgA secretora é importante na defesa imunológica primária contra infecções 
respiratórias ou gastrintestinais locais. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Acredita-se que seu efeito protetor seja devido a sua capacidade de impedir que o 
microrganismo invasor se ligue e penetre na superfície epitelial. (COICO, 6ª ed.) 
 
 
 
Atividade bactericida 
↠ Sabe-se que a lgA possui atividade bactericida contra microrganismos Gram-
negativos, mas apenas na presença de lisozima, que também está presente nas 
mesmas secreções que contêm a IgA secretora. (COICO, 6ª ed.) 
 
Atividade antiviral 
↠ A lgA secretora é um excelente anticorpo antivirai, impedindo os vírus de 
penetrarem nas células do hospedeiro. Além disso, a lgA secretora é um eficiente 
anticorpo aglutinante. (COICO, 6ª ed.) 
 
Propriedades estruturais e biológicas da IgD 
↠ A IgD está presente no soro em quantidades muito baixas e variáveis, 
provavelmente porque não é secretada pelas células plasmáticas e também porque, 
entre as imunoglobulinas, ela é altamente suscetível à degradação proteolítica devido 
a sua longa região da dobradiça. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Embora a função da IgD ainda não esteja completamente elucidada, a expressão 
da IgD na membrana parece estar correlacionada à eliminação das células B com 
capacidade de gerar anticorpos autorreativos. Desta maneira, durante o 
desenvolvimento, a principal importância biológica da IgD pode ser a de silenciar as 
células B autorreativas (COICO, 6ª ed.) 
 
Propriedades estruturais e biológicas da IgE 
↠ A IgE, também denominada anticorpo reagínico. (COICO, 6ª ed.) 
 
↠ A IgE tem uma meia-vida bastante curta, de aproximadamente 2 dias na circulação 
(embora a IgE ligada à célula associada ao seu receptor de alta afinidade no mastócito 
tenha meia-vida bastante longa; (COICO, 6ª ed.) 
↠ Ela está presente no soro na mais baixa concentração de todas as imunoglobulinas. 
Estes baixos níveis são devidos, em parte, à baixa taxa de síntese e à capacidade 
característica da porção Fc de conter um domínio extra para se ligar, com alta 
afinidade, aos receptores (receptores Fce) encontrados sobre mastócitos e bas6ftlos. 
Uma vez ligada a estes receptores de alta afinidade, a IgE pode ser retida por estas 
células por semanas ou meses. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Ela tem um papel na proteção contra certos parasitas, como os helmintos (vermes). 
Esta proteção é alcançada pela ativação da mesma resposta inflamatória aguda vista 
na forma mais patológica das respostas de hipersensibilidade imediata. (COICO, 6ª 
ed.) 
 
Relações estrutura-função nas moléculas de anticorpos 
↠ Muitas características estruturais dos anticorpos são críticas para sua capacidade 
de reconhecer antígenos e para suas funções efetoras. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
Características relacionadas ao reconhecimento do antígeno 
↠ A capacidade dos anticorpos em reconhecer especificamente uma grande 
variedade de antígenos com afinidades variadas reflete as propriedades das regiões 
V. (ABBAS, 9ª ed.) 
➢ Especificidade; 
➢ Diversidade;➢ Maturação de afinidade. 
 
Reações de hipersensibilidade 
↠ A imunidade adaptativa tem a importante função de defesa do hospedeiro contra 
infecções microbianas, mas as respostas imunes também são capazes de causar 
lesão tecidual e doença. Os distúrbios causados pelas respostas imunes são 
chamados doenças de hipersensibilidade. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Em determinadas circunstâncias, a resposta imunológica produz danos e algumas 
vezes resultados fatais. Estas reações deletérias são coletivamente conhecidas como 
hipersensibilidade. Elas causam danos imunologicamente mediados ao hospedeiro 
pelo fato de serem reações exageradas a antígenos estranhos ou por serem reações 
inadequadas aos antígenos próprios. (COICO, 6ª ed.) 
 
Causas das doenças de hipersensibilidade 
 ↠ As respostas imunes, que são a causa das doenças de hipersensibilidade, podem 
ser específicas para antígenos de diferentes fontes. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
Autoimunidade: 
↠ Reações contra autoantígenos. A falha dos mecanismos normais de autotolerância 
resulta em reações de células T e células B contra as próprias células e tecidos do 
indivíduo, chamadas autoimunidade. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As doenças causadas pela autoimunidade são denominadas doenças autoimunes. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
 
Reações contra microrganismos: 
↠ As respostas imunes contra antígenos microbianos podem causar doença se as 
reações forem excessivas ou se os microrganismos forem anormalmente persistentes. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
↠ As respostas das células T contra microrganismos persistentes podem dar origem 
a uma inflamação grave, algumas vezes com a formação de granulomas; essa é a 
causa da lesão tecidual observada na tuberculose e outras infecções crônicas. 
(ABBAS, 9ª ed.) 
 
Reações contra antígenos ambientais não microbianos: 
↠ A maioria dos indivíduos saudáveis não reage contra substâncias ambientais 
comuns, geralmente inócuas, mas quase 20% da população é anormalmente 
responsiva a uma ou mais dessas substâncias. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Esses indivíduos produzem anticorpos imunoglobulina E (IgE) que causam 
doenças alérgicas. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Alguns indivíduos tornam-se sensibilizados a antígenos ambientais e substâncias 
químicas que, em contato com a pele, desenvolvem reações de células T que levam 
à inflamação mediada por citocinas, resultando em sensibilidade de contato. (ABBAS, 
9ª ed.) 
 
Classificação das reações de hipersensibilidade 
↠ No início da década de 1960, as reações de hipersensibilidade foram divididas em 
quatro tipos, enumerados I a IV, por Coombs e Gell (1963). (COICO, 6ª ed.) 
 
Hipersensibilidade imediata (tipo i) 
↠As reações mediadas pela IgE (comumente designadas reações alérgicas ou 
alergia) são estimuladas pela ligação da IgE, via sua região Fc, a receptores Fc IgE 
específicos de alta afinidade denominados FceRI. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Os receptores FcERI são expressos em mastócitos e basófilos Devido a sua alta 
afinidade pela IgE, esses receptores se ligam à IgE mesmo na ausência de antígeno. 
Quando as moléculas de IgE se encontram com o antígeno, inicia-se uma cascata de 
acontecimentos que acarreta a desestabilização e liberação de mediadores 
inflamatórios e citocinas dos mastócitos e basófilos. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Todo este processo resulta nas manifestações clínicas da hipersensibilidade do tipo 
I, que inclui rinite, asma e,nos casos graves, anafilaxia. (COICO, 6ª ed.) 
↠ As reações de hipersensibilidade do tipo I são rápidas, ocorrendo minutos após o 
desafio (reexposição ao antígeno). Consequentemente, as reações alérgicas são 
também denominadas hipersensibilidade imediata. (COICO, 6ª ed.) 
 
 
 
Aspectos clínicos das reações alérgicas 
↠ As consequências clínicas das reações alérgicas podem variar de reações 
localizadas como rinite alérgica, asma, dermatite atópica e alergia alimentar a graves 
reações sistêmicas potencialmente fatais como a anafilaxia. Embora definidas como 
anafilaxia localizada, as reações asmáticas também podem ser fatais. A 
desgranulação do mastócito constitui o mecanismo central em cada uma dessas 
reações. (COICO, 6ª ed.) 
 
Hipersensibilidade mediada por anticorpos (tipo ii) 
↠ As reações citolíticas ou citotóxicas ocorrem quando os anticorpos IgM ou IgG se 
ligam de maneira inapropriada ao antígeno localizado na superfície de células próprias 
e ativam a cascata do complemento. (COICO, 6ª ed.) 
↠ O resultado é a destruição da célula. (COICO, 6ª ed.) 
 
Três diferentes mecanismos mediados por anticorpos estão envolvidos nas reações de 
hipersensibilidade do tipo II. A célula alvo é danificada ou destruída por inúmeros mecanismos 
associados com: (COICO, 6ª ed.) 
➢ reações mediadas pelo complemento: os anticorpos reagem com a membrana celular dos 
antígenos próprios, acarretando a fixação do complemento. O processo ativa a cascata do 
complemento acarretando lise da célula. Alternativamente, a ligação do anticorpo à superfície 
celular e subsequente ativação do complemento (para gerar C3b) causa a opsonização da 
célula-alvo. 
 
 
 
 
Hipersensibilidade mediada por imunocomplexos (tipo III) 
↠ Reações por complexos imunológicos ocorrem quando complexos antígeno-IgM ou 
antígeno-IgG se acumulam na circulação ou nos tecidos e ativam a cascata do 
complemento. Os granulócitos são atraídos ao local da ativação resultando dano em 
consequência da liberação de enzimas líticas de seus grânulos. As reações ocorrem 
horas após o desafio com o antígeno. (COICO, 6ª ed.) 
↠Em condições normais, os imunocomplexos circulantes constituídos por anticorpos 
ligados a antígenos estranhos são removidos pelas células fagocitárias. (COICO, 6ª 
ed.) 
↠ A fagocitose é facilitada pela ligação das regiões Fc dos anticorpos, presentes 
nesses complexos, a receptores de Fc de IgG expressos sobre as células fagocíticas. 
(COICO, 6ª ed.) 
 
 
Alterações estruturais e manifestações clínicas secundárias nas reações de 
hipersensibilidade 
↠As manifestações de doenças alérgicas dependem dos tecidos em que atuam os 
mediadores dos mastócitos e as citocinas do tipo 2, bem como da cronicidade do 
processo inflamatório resultante. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
RINITE ALÉRGICA 
↠ A rinite alérgica (comumente conhecida como febre do feno) é o distúrbio atópico 
mais comum em todo o mundo. (COICO, 6ª ed.) 
↠ É causada por alérgenos transportados pelo ar que reagem com mastócitos 
sensibilizados por IgE nas vias nasais e conjuntiva. Os mediadores liberados dos 
mastócitos aumentam a permeabilidade capilar e causam vasodilatação localizada, 
levando aos sintomas típicos que incluem espirro e tosse. (COICO, 6ª ed.) 
 
ALERGIA ALIMENTAR 
↠ É causada pelo consumo de certos alimentos (por exemplo, amendoim, arroz, 
ovos). A ingestão de tais alimentos por indivíduos suscetíveis pode desencadear a 
reação cruzada de IgE alérgeno-específica sobre os mastócitos do trato 
gastrointestinal superior e inferior. (COICO, 6ª ed.) 
↠ A desgranulação do mastócito e a liberação do mediador acarretam a contração 
localizada do músculo liso e a vasodilatação causando frequentemente vômito e 
diarreia. (COICO, 6ª ed.) 
↠ Em alguns casos o alérgeno é absorvido pela corrente sanguínea como 
consequência do aumento da permeabilidade das membranas mucosas, permitindo 
que os alérgenos alimentares sejam transportados para os mastócitos presentes na 
pele. Isto causa reações de pápula e eritema (urticária atópica) comumente 
conhecidos como urticária. (COICO, 6ª ed.) 
 
ANAFILAXIA SISTÊMICA 
↠ A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade imediata sistêmica caracterizada 
por edema em muitos tecidos e diminuição da pressão arterial secundária à 
vasodilatação e ao extravasamento vascular. Esses efeitos geralmente resultam da 
presença sistêmica do antígeno introduzido por injeção (p. ex.: uma picada de inseto) 
ou da absorção ao longo de uma superfície epitelial como a mucosa intestinal. 
(ABBAS,9ª ed.) 
↠ O alérgeno ativa os mastócitos em muitos tecidos, resultando na liberação de 
mediadores que ganham acesso aos leitos vasculares em todo o corpo. A diminuição 
do tônus vascular e o extravasamento de plasma causado pelos mediadores dos 
mastócitos podem acarretar uma significativa queda na pressão arterial, ou choque, 
chamado choque anafilático que frequentemente é fatal. (ABBAS, 9ª ed.) 
↠ Os mediadores dos mastócitos podem comprometer a respiração causando edema 
de laringe, broncoconstrição e produção excessiva de muco brônquico. 
Frequentemente, há diarreia devido à hipermotilidade intestinal ou efusão de muco no 
intestino, além de lesões urticariformes (urticária) na pele. (ABBAS, 9ª ed.) 
 
 
 
 
 
Diferenciar a imunização por vacina da imunização por amamentação 
 
A imunização por vacina e a imunização por amamentação diferem principalmente 
pelo modo como o organismo adquire proteção contra doenças. 
A imunização por vacina é chamada de imunização ativa, pois estimula o próprio 
sistema imunológico da pessoa a produzir anticorpos e células de defesa. Ao receber 
a vacina, o organismo entra em contato com formas inofensivas ou enfraquecidas de 
microrganismos, aprendendo a reconhecê-los. Dessa forma, se houver contato futuro 
com o agente causador da doença, o corpo já estará preparado para combatê-lo. Essa 
proteção costuma ser mais duradoura e, em alguns casos, pode durar por toda a vida. 
 
Por outro lado, a imunização por amamentação é um tipo de imunização passiva. O 
bebê recebe anticorpos prontos por meio do leite materno, especialmente nos 
primeiros dias de vida, com o colostro. Esses anticorpos ajudam a proteger contra 
infecções enquanto o sistema imunológico do bebê ainda está em desenvolvimento. 
No entanto, essa proteção é temporária, pois o organismo do bebê não produz esses 
anticorpos, apenas os recebe da mãe. 
Assim, a principal diferença está no fato de que a vacina promove uma defesa própria 
e duradoura, enquanto a amamentação oferece uma proteção imediata, porém 
passageira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
ABBAS, Abul K.; LICHTMAN, Andrew H.; PILLAI, Shiv. Imunologia Celular e Molecular, 9ª 
edição. Elsevier Editora Ltda., 2019. 
 
COICO, Richard; SUNSHINE, Geoffrey. Imunologia, 6ª edição. Guanabara Koogan, 2010. 
 
ROITT, Ivan M.; MALE, David; BROSTOFF, Jonathan; ROTH, David B. Imunologia, 8ª edição. 
Elsevier, 2014. 
 
TORTORA, Gerard J. Princípios de anatomia e fisiologia / Gerard J. Tortora, Bryan Derrickson; 
tradução Ana Cavalcanti C. Botelho.. [et al.]. – 14. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2016

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