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psicologia_juridica_direito_familia - Resumo

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psicologia_juridica_direito_familia
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## Resumo sobre *Psicologia Jurídica e Direito de Família: Para além da perícia psicológica*A obra *Psicologia Jurídica e Direito de Família: Para além da perícia psicológica*, organizada por Munique Therense, Camilla Felix Barbosa de Oliveira, André Luiz Machado das Neves e Márcia Cristina Henriques Levi, é uma coletânea que aborda a complexa relação entre a Psicologia e o Direito, especialmente no contexto do Direito de Família. Publicada pela Universidade do Estado do Amazonas em 2017, a obra emerge do I Seminário Amazonense de Psicologia Jurídica, realizado em Manaus, e busca ampliar os horizontes da atuação do psicólogo jurídico para além da tradicional perícia psicológica, refletindo sobre novas práticas, desafios e possibilidades no campo psico-jurídico.### Contexto e desafios da Psicologia JurídicaHistoricamente, a inserção dos psicólogos no sistema de Justiça se deu principalmente por meio da realização de perícias psicológicas, que consistem em avaliações técnicas para subsidiar decisões judiciais. Contudo, desde a década de 1990, houve uma mobilização para a criação de cargos públicos para psicólogos no Judiciário, consolidando uma atuação profissional mais ampla e contínua. Apesar disso, a perícia ainda predomina como a principal forma de atuação, o que gera tensões e limitações epistemológicas, éticas e metodológicas. A obra destaca a necessidade de repensar essa centralidade, questionando o que a Psicologia pode efetivamente oferecer ao Direito para além da perícia, e como essa relação pode ser mais autônoma, crítica e emancipatória.Os autores problematizam a interface entre Psicologia e Direito, ressaltando que o encontro entre essas áreas é marcado por tensões, pois o Direito, especialmente em sua lógica positivista, impõe limites e determinações que nem sempre dialogam com a complexidade dos fenômenos psicológicos. A judicialização crescente das relações sociais, especialmente no âmbito familiar, traz desafios adicionais, como a intervenção estatal que pode estigmatizar famílias vulneráveis, sobretudo as pobres. Assim, a Psicologia Jurídica deve buscar práticas que considerem os condicionantes socio-históricos e promovam a autonomia dos sujeitos, evitando o controle heterônomo e o higienismo social.### Ampliação das práticas e reflexões teóricasA coletânea está organizada em três partes principais. A primeira parte apresenta ensaios teóricos que discutem as aproximações entre Psicologia e Direito, destacando a necessidade de ampliar os paradigmas que limitam a atuação do psicólogo jurídico. Cláudia Regina Brandão Sampaio, por exemplo, propõe uma reflexão epistemológica e ontológica sobre o papel da Psicologia no Direito, criticando a hegemonia da perícia e defendendo a incorporação de abordagens críticas e comunitárias que valorizem a complexidade e a subjetividade dos sujeitos envolvidos.A segunda parte reúne pesquisas que investigam temas relevantes no Direito de Família, como a paternidade na pós-modernidade, a anulação jurídica do sobrenome paterno e seus impactos na identidade do adolescente, e a avaliação da alienação parental em disputas de guarda. Esses estudos evidenciam a importância de considerar os vínculos afetivos e os contextos sociais, indo além da mera aplicação técnica da perícia. Por exemplo, a análise da paternidade destaca a distinção entre conjugalidade e parentalidade, apontando para a necessidade de intervenções que garantam o direito à convivência familiar e comunitária, respeitando o melhor interesse da criança e do adolescente.A terceira parte traz relatos de experiências práticas, como a atuação do psicólogo no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) em Manaus, que exemplifica a possibilidade de atuação em práticas autocompositivas, como mediação e conciliação, ampliando o papel do psicólogo para além da avaliação pericial. Outro relato aborda o uso das constelações sistêmicas familiares em audiências conciliatórias, técnica que pode contribuir para a redução e transformação dos conflitos familiares, sinalizando novas formas de intervenção que priorizam as pessoas e não apenas o processo judicial.### Implicações e perspectivas para a Psicologia JurídicaA obra enfatiza que a Psicologia Jurídica enfrenta um momento de incerteza, especialmente nas Varas de Família, onde retrocessos podem limitar a atuação do psicólogo à perícia tradicional, reforçando lógicas adversariais e estigmatizantes, como no caso da alienação parental. Por isso, é fundamental que os psicólogos atuem de forma crítica, contextualizando as demandas e buscando práticas que promovam a autonomia dos sujeitos e a construção de soluções mais humanas e integradas.Além disso, a produção de conhecimento científico e a reflexão ética são essenciais para fortalecer a identidade e o papel do psicólogo jurídico, ampliando suas possibilidades de atuação e contribuindo para a transformação das práticas no campo do Direito de Família. A interdisciplinaridade, a crítica epistemológica e o compromisso ético-político são destacados como fundamentos para essa ampliação, que deve considerar a complexidade das relações familiares e sociais, bem como os impactos das decisões judiciais na vida das pessoas.Por fim, a coletânea serve como referência teórica, metodológica e prática para profissionais, pesquisadores e estudantes, incentivando o diálogo entre Psicologia e Direito e promovendo a construção de uma Psicologia Jurídica que vá além da perícia, valorizando a dimensão subjetiva, social e política das relações jurídicas.---### Destaques- A Psicologia Jurídica tradicionalmente se associa à perícia psicológica, mas há necessidade de ampliar seus horizontes para práticas mais autônomas e críticas.- O encontro entre Psicologia e Direito é marcado por tensões epistemológicas, éticas e metodológicas, especialmente diante da judicialização das relações familiares.- Pesquisas destacam a importância de considerar vínculos afetivos e contextos socio-históricos, indo além da avaliação técnica em disputas de guarda e reconhecimento de paternidade.- Práticas autocompositivas, como mediação e conciliação, e técnicas como constelações sistêmicas familiares, representam novas possibilidades de atuação para psicólogos jurídicos.- A obra reforça a necessidade de reflexão ética, epistemológica e interdisciplinar para fortalecer a Psicologia Jurídica e promover intervenções que valorizem a autonomia e o protagonismo dos sujeitos.

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