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Acadêmica: Bruna F. Telles Dellani - T28 TRANSCRIÇÃO ANATOMOPATO MELANOMA • Neoplasia maligna de origem nos melanócitos. • O que é icterícia? Que cor fica a pele do bebezinho? Amarela. E o que era indicado para a mãe fazer com o bebezinho? Exposição solar uns 10 minutos de manhã e uns 10 minutos a tarde. Hoje essa orientação já foi banida. Então hoje sabemos que até o sexto mês de vida o ideal é que essa criança não seja exposta a luz solar. E a partir do sexto mês além do protetor usar as roupas com proteção solar. • É um câncer com baixa mortalidade, principalmente se for descoberto precocemente e vamos ter a luz do sol como elemento mais importante na causa desse câncer. • Em relação aos fatores de risco: -1º lugar: exposição solar excessiva – então na anamnese é importante saber com que o paciente trabalha, se ele fica longos períodos exposto ao sol. Se ele tem o equipamento adequado para aquela exposição prolongada. Lembrar de fazer orientação para os melhores protetores solares. -2º lugar: Fatores hereditários -3º lugar: lesões cutâneas prévias de pele -4º lugar: tipos de pele – Quanto mais clara a pele, maior o cuidado. • Exposição solar excessiva: Vamos ter a radiação UVB, em que o efeito solar é cumulativo, então a gente acumula ao longo da vida. Quanto maior o número de vezes ao longo da vida que tivermos episódios de queimadura solar, maior a chance de evoluir com câncer de pele – é só ver um caminhoneiro, o braço que pega mais sol é uma pele mais envelhecida e com mais rugas se comparar com o outro lado. o Tipo de exposição e como vai evoluir na pele: 1. Extensivo superficial que vai ser devido uma exposição extensa e intermitente. 2. Lentigo Maligno que é devido uma exposição prolongada e continua 3. Nodular que não possuem uma relação muito conhecida em relação ao tempo de exposição. • Então os fatores de risco: exposição excessiva, tipo de pele, nevo diplásico hereditário – se essa pessoa que já nasce com uma grande quantidade de nevos e ainda tiver uma exposição excessiva ao sol acaba tendo mais chance de evoluir com um melanoma. o Todos os tipos de nevos devem ser acompanhados, para ver ser se está alterando o tamanho, o formato, o delineamento. Isso é muito importante! o Tem pacientes que há nascem com o nevo gigante, então desde lá na maternidade já iniciam o acompanhamento com o dermato. • Em relações aos fatores hereditários: o 10 a 15% dos melanomas ocorrem em famílias e geralmente associados com o nevo displásico - Prováveis genes: gene CMM1, gene supressor de neoplasia p16. o E os tipos de pele que a gente sabe que quando a pessoa possui intensa pigmentação cutânea ela possui um fator de proteção natural – mas precisa de protetor – e quem é mais claro queima muito mais rápido. (Sendo o fototipo 1 o mais claro e o fototipo 6 o mais escuro) • O ideal para indicar para o paciente é um protetor que pelo menos tenha fator 30 e com proteção UVA e UVB. • Em relação as lesões cutâneas prévias: Se o paciente já tiver qualquer tipo de alteração como nevos gigantes ou nevos displásicos é importante fazer o acompanhamento devido a tendencia de evoluir como melanoma. • Em relação a localização: Maioria em pacientes masculinos e neles atinge mais as contas. E no sexo feminino atinge mais a cabeça, pescoço e membro inferior. Raramente atinge leito ungueal, palmas e solas – isso é importante pois em pessoas negras a palma da mão e a sola são mais claras, então deve-se avaliar isso no exame físico. Alguns melanomas podem ser encontrados em nariz, colo uterino e esôfago, mas é muito raro. • Efeitos do sol: efeitos danosos sobre o DNA e efeito imunossupressor. A incidência da luz solar acaba alterando o DNA e fazendo com que esse melanócito, numa tentativa de nos proteger, comece a se multiplicar e sabemos que a medida com que a célula se multiplica em alguma divisão pode ocorrer um erro e acabe evoluindo como um melanoma. A proteção serve para evitar a multiplicação desenfreada desses melanócitos. • Dados clínicos: o Melanoma é um câncer crônico devido ao acumulo progressivo, então é um dano/lesão crônica dessa pele que vai se tornar uma neoplasia agressiva que pode sim metastizar, e se não tratada pode ser resistente a terapia. o No início vai ser assintomático porque pode parecer só um nevo, e aí que está o problema, pois a pessoa acha que pode ser só uma pintinha e quando vai procurar o atendimento a lesão já está até com metástase. o Com o tempo pode apresentar dor, prurido e sangramento – é uma lesão que não cicatriza. o A maioria das lesões tem mais de 10mm. o Maioria vai ser na pele. Regiões orais, anogenital e esôfago não vão ser comuns. Local mais comum no homem é nas costas e na mulher é nas pernas, cabeça e pescoço. o As pessoas mais afetadas são adultos brancos e ruivos. • Quais serão os nossos sinais de alerta? o 1º: lesões pigmentadas grandes com mais de 10mm o 2º: Aumento de um nevo prévio – pessoa já tinha um nevo e ele começou aumentar de tamanho, sangrar, doer ou coçar. o 3º: qualquer alteração no nevo – cor, tamanho ou formato (era um nevo mais marrom claro e começa ficar vermelho/preto ou ter algum pontinho de outra cor). Essas alterações podem indicar malignização da lesão. o Desenvolvimento de lesão pigmentada durante a vida adulta – Ou temos aquele nevo que nos acompanha desde bebê, ou você não tinha nenhum nevo no braço, mas ele começa a surgir, isso chama atenção. Pois geralmente a exposição prolongada ao sol vai causar esse tipo de lesão. • Quanto a idade: raramente prévio a adolescência. Por que não é tão comum na adolescência? Justamente porque precisa ter um dano acumulativo do sol. Lembra que eu falei que de 70 a 80% do sol que tomamos na vida a gente vai tomar até os 18 anos, então isso mostra que temos que cuidar dessa faixa etária, pois é a fase que mais teremos exposição. o Porém se acontece na adolescência 50% é associado a um nevo gigante ou uma lesão prévia. o A partir dos 20 anos uma incidência aumentada com a idade. Então quanto mais velho a gente fica maior a chance de termos um câncer de pele. • Então vai depender da etnia, da geografia – se é um local de praia, um local quente ou frio – então isso vai influenciar na incidência. • Maior incidência em caucasianos, proximidade com equador e hemisfério sul. • Diagnóstico: o Diagnóstico clinico. Então sempre lembrar da anamnese bem feita. o A dermatoscopia, que é um aparelho que os dermatologistas geralmente possuem e que ajuda a delimitar bem as bordas e o tamanho. o E também é importante a biopsia. • Então o que temos de dados clínicos? Lembrar que a maioria é assintomático e o paciente só vai procurar o médico quando ele nota que está sangrando ou doendo. • Sinais de alerta: Desenvolvimento de lesão pigmentada durante a vida adulta. Paciente chega e fala “olha, eu não tinha esse nevo aqui no braço e ele apareceu faz uns 6 meses”. • O que é importante? A regra do ABCDE. Ela vai auxiliar na hora que tivermos a suspeita de um melanoma. o A – assimetria o B – bordas irregulares o C – cor variada (uma cor predominante isso geralmente significa benignidade, mas mais que duas cores é problema) o D – Diâmetro – maior que 0,6 cm o E – elevada – se ela não está no mesmo nível da pele. o F – Fast growing – crescimento acelerado Sobre as imagens: quando a gente fala em simetria a gente vai observar o nevo e ver se ele tem esse tipo de divisão, justamente para observar e ver se ele tem essa assimetria ou é simétrico. Quando é simétrico pode ver que a borda é bem definida e delimitada. Borda irregular é característica de malignidade.• As vezes o paciente tem um nevo bem regular e delimitado, mas de repente começou a crescer de mais, de repente alterou a cor, de repente ficou elevado... então é necessário um acompanhamento anual/semestral, porque não é porque o nevo é assim que ele vai ser assim a vida toda. • Nevo com diâmetro maior que 0,6 cm também já chama atenção. • Padrões de crescimento: o Radial/ horizontal: -Intra-epitelial; inicial e demorado. -Sem capacidade de metástases. É nessa fase que seria o ideal a identificação. -Aplica-se aos subtipos: lentigo maligno melanoma, extensivo superficial (“pagetoide”), lentiginoso acral e das mucosas. o Verical: -Infiltra a derme (então há capacidade de fazer metástases) -Lesão enegrecida, grande e plana, formando um nódulo. • Na macro: vai depender do tipo de melanoma e da fase que descobriu. Pode haver múltiplos e em vários locais. • O número de melanomas não influencia no prognóstico, o que vai influenciar mais é o tempo que esse paciente levou para iniciar o tratamento. Pois as vezes ele pode ter vários, mas vários superficiais. Depende do melanoma o dermato passa somente uma pomada quimioterapia e pronto. • Tipos morfológicos: o Disseminação superficial (61%) – Cerca de 50% dos casos em indivíduos brancos. o Lentigo maligno (14,3%) – áreas cronicamente expostas ao sol (caminhoneiros, jardineiros...); evolução lenta; essa lesão tem várias cores e sangra, ela não cicatriza. o Nodular (12,9%) – não há crescimento radial; é uma lesão elevada; Fase tardia de outras formas. o Acro-lentiginoso (2,6%) -Lesão palmo-plantares e ungueais - por isso olhar sempre pés e mãos dos pacientes. Sobre a imagem: esse nevo é interessante pois ele tem as bordas regulares e formato bem delimitado, mas olha quantas cores tem dentro dele. Então mesmo ele tendo as bordas regulares é um câncer de pele. • Micro: Células epiteliais com núcleos atípicos com citoplasma contendo melanina. • Tipos histológicos mais comuns: o Lentigo maligno: Indolente, na face de pessoas idosas do sexo masculino. o Melanoma de disseminação superficial, que é o mais comum, e a pessoa pode ter vários. o Melanoma acro-lentiginoso que não é relacionado a exposição solar, mas com genética; frequentemente em negros e orientais. o Melanoma nodular ESOGAFITE • Sensação de queimação e dor é o que o paciente vai sentir e vai falar lá na anamnese. • O esôfago é um canal de passagem, então o processo de digestão inicia na nossa boca. Quando a gente se alimenta vai ter a produção de saliva que vai umidificar o alimento, começa a formação do bolo alimentar, já tem um pouco de enzimas ali na boca e depois esse alimento vai passar pelo esôfago para chegar no estomago. Então é um local de passagem. • Temos os esfíncteres esôfago inferior que faz o que? Depois que esse alimento passa pelo esôfago ele chega no estomago e conforme a gente vai comendo surge a sensação de saciedade, quando isso acontece o esfíncter esofágico fecha. Isso ocorre porque depois que o alimento está ali dentro todas aquelas enzimas, suco gástrico e os ácidos eles vão começar agir no bolo alimentar para começar a quebrar esse alimento para iniciar a digestão. Então o normal dele seria fechar. • Camadas do esôfago: • O epitélio que está em contato com o alimento é o epitélio escamoso estratificado, isso é o normal. Então o que vai acontecer? Toda vez que o alimento passar pelo esôfago ele vai arranhando esse epitélio, e tudo bem, pois o esôfago foi feito pra isso. Pois ele é um órgão de passagem, então ele aceita bem o atrito dos alimentos, pois esse epitélio tem uma capacidade de regeneração muita rápida. Mas ele não suporta ácidos, então ai que surge a esofagite. • Qual é a definição de esofagite? Injuria a mucosa esofágica com inflamação subsequente, causada pela presença de ácido. • Epidemiologia: No ocidente afeta cerca de 5% dos adultos, e na China e Irã mais que isso. • Causas: o Injuria química: - Causada por refluxo gastresofágico devido a má oclusão do esfíncter esofágico inferior, com isso volta alimento do estomago para esôfago, e quando isso ocorre volta com ácido, aí que surge a esofagite. E quais são os tipos de alimentos ou situações que causam isso no esfíncter? Alimentos irritativos como álcool, ácidos corrosivos, fluidos muito quentes... o Tabagismo o Esofagite por pílula – Quando o medicamento se aloja no esôfago e se ativarem ali. As vezes por tomar medicamentos sem água e com isso o medicamento fica alojado e faz processo inflamatório ali no esôfago. o Pacientes imunodeprimidos e debilitados o Uso de antimicrobianos o Drogas • Morfologia: vai depender da causa (se é por refluxo, se é pela pílula), mas há densos agregados de neutrófilos devido ao processo inflamatório e se for em casos mais graves pode haver corrosão e fazer ulceras. • Doença do refluxo gastresofágico: o Definição: qualquer condição sintomática ou alteração anatômica causada pelo refluxo do material nocivo do estômago para o esôfago, porque quando volta vem com ácido, e o esôfago não suporta isso. o Uma das causas mais frequentes de doenças do trato gastro intestinal superior o É de caráter recidivante – paciente melhora e volta com os hábitos antigos. o A pirose é o principal sintoma e devido à automedicação com anti-ácidos e o número exato de pacientes com doença do refluxo é de difícil avaliação em todo o mundo. O que é pirose? A sensação de queimação, ai as pessoas tomam anti-ácidos, mas isso melhora só aquela dor momentânea e não trata a esofagite. Então não parou a causa de verdade, só aliviou o sintoma. o Estimativa: -7% da população tenha pirose diariamente -14% tenha pirose uma vez por semana - 44% tenha pirose uma vez por mês -90% tenha pirose uma vez por ano *Por que isso aqui é perigoso? Que se esse paciente não estiver se tratando verdadeiramente o que acontece? Esse acido vai ficar voltando em uma quantidade cada vez maior. E o que esse esôfago vai fazer? Ele vai tentar se defender da ação desse ácido, e com isso ele vai mudar o epitélio, deixando de ser estratificado e se tornando um epitélio glandular para produzir muco e secreção para proteger o esôfago do ácido. No entanto quando há mudança desse epitélio o que pode acontecer lá na frente? Câncer! Adenocarcinoma de esôfago. o Epidemiologia: -Pode acometer qualquer idade – já viram aquele bebe quando golfa? Por que ele solta aquele leite? Justamente porque o esfíncter esofágico dele é imaturo e não fecha ainda. Mas o bebe pode ter doença do refluxo também, mas ai esse bebe não vai estar ganhando peso. -Sem predominância de raça -Sexo: geralmente acomete homens com mais de 50 anos - Prevalência: de 4-9% de doença do refluxo gastresofágico e 2% de esofagite. o Fatores etiológicos associados: obesidade (porque ela aumenta a pressão abdominal e faz com que o estomago não tenha espaço ali, fazendo com que o alimento volte para o esôfago), tabagismo, alcoolismo, hérnia hiatal, dieta rica em gorduras... o Sinais e sintomas: pirose, regurgitação, disfagia, dor torácica, hipersalivação. Com esses sinais e sintomas é muito fácil imaginar que esse paciente tem esofagite, pois são sintomas gastrointestinais, no entanto em alguns casos a doença do refluxo tem manifestações extra-digestivas, porque esse refluxo pode parar nas cordas vocais ou parar lá no pulmão. Então nosso paciente pode ter pigarro, tosse, rouquidão, asma, broncopneumonia. Isso é importante porque as vezes o paciente vai no posto e você está tratando com uma dose máxima de corticoide paraasma, e as vezes você não viu que o paciente pode ter uma doença do refluxo. • Esofagite por refluxo: vamos ter o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, essa é a causa mais comum de esofagite. o Então temos a ação acido péptica do suco gástrico. Então quando começa a digestão o suco gástrico volta, e em alguns casos volta até o liquido da bile. o Mecanismo: -O principal é o refluxo do suco gástrico. -Diminuição do tônus do esfíncter esofágico inferior – o que temos que não deixa esse esfíncter fechar? Ação do álcool, tabaco, volume gástrico, medicamentos depressores do SNC... -Aumento da pressão intra-abdominal (gestação e obesidade) o Paciente com hernia a musculatura não consegue ocluir completamente, então fica frouxa, e com isso tem um prolapso – diminuição do ângulo de HIS. o Mecanismos anti-refluxo pré diafragma: salivação, peristaltismo esofágico, capacidade regenerativa do epitélio e o esfíncter. o Mecanismo anti-refluxo pós diafragma: esvaziamento gástrico, volume gástrico e pressão intra-abdominal. o Patogenese: limpeza inadequada ou lenta do material refluído do esôfago; esvaziamento gástrico mais lento; diminuição reparativa da mucosa esofagiana. o Macro: mucosa com enantema e todo processo inflamatório. o Micro: processo escamoso com células inflamatórias (neutrófilos e eosinófilos); hiperplasia das camadas da célula basal (as células começam a se multiplicar e se alongar. Na esofagite o epitélio começa a mudar, mas ainda não mudou, e se o paciente melhora os hábitos de vida o epitélio volta ao normal. O problema é quando isso persiste por muito tempo); papilomatose – alongamento das papilas. o Dados clínicos: paciente adulto com mais de 40 anos com reclamação de disfagia, queimação e hematêmese ou melena (nos casos mais graves vai sangrar, e ele vomita esse sangue ou vai deglutir esse sangue que vai sair nas fezes). o Principais complicações é a estenose e o esôfago de barrett (metaplasia intestinal com presença de células caliciforme – isso é uma lesão pré-cancerosa). GASTRITES • Qual a função do estomago? Digerir e quebrar esse alimento. Como que começa? Comemos alguma coisa, ai começa a digestão na boca com o bolo alimentar. Alimento passa pelo esôfago e chega no estomago, com isso o esfíncter esofágico inferior vai fechar e ali no estomago começa a ação do suco gástrico que é rico em ácidos. Com isso a gente sabe que o nosso estomago precisa ter uma capacidade de suportar o ácido. • Então o que vamos ter quando falarmos em gastrite? Inflamação da mucosa gástrica que pode ser de forma aguda ou crônica. GASTRITE AGUDA • Na gastrite aguda temos um processo inflamatório agudo geralmente transitório. Isso é interessante porque acabamos de falar que o epitélio do estomago vai suportar o ácido e o suco gástrico, pois ele é feito para isso. No entanto quando temos gastrite o que está acontecendo? Vamos ter um desequilíbrio entre os fatores que protegem o nosso estomago dessa ação do suco gástrico e os fatores agressores. Então num paciente com gastrite os meus fatores agressores estão em maior quantidade que os que protegem. • O que temos no nosso estomago normal? Qual são os fatores agressores no estomago normal? A acidez gástrica e as enzimas peptídicas, que agem quando a gente se alimenta fazendo a digestão do alimento. Mas nosso estomago é preparado para isso. Então o que protege nosso estomago, nossa mucosa, da ação dessas enzimas e da acidez? O muco, a secreção de bicarbonato, capacidade regenerativa epitelial acelerada e as prostaglandinas. • Num paciente que tem gastrite ele vai ter uma quantidade maior de fatores agressores do que protetores. E quais são esses fatores agressores? Infecção por H.pylori, uso de anti-inflamatório, uso de aspirina, cigarro, álcool, refluxo. Os fatores que fazem injuria/lesão aumentaram e os que fazem proteção diminuíram. Isso fez com que começassem a corroer a mucosa do estomago e ao longo prazo pode levar a uma ulcera. • Mecanismos patogênicos: o Envelhecimento – quando a gente envelhecida a nossa camada de muco vai diminuindo. o Diminuição da produção de prostaglandinas – que é um fator de defesa, e quando o paciente toma muito antiinflamatorio ele diminui essas prostaglandinas. o Diminuição da produção do tampão de bicarbonato – pelo uso de anti-inflamatórios também. o Quimioterapia o Fluxo sanguíneo diminuído • Associações frequentes: alcoolismo, uso massivo de anti-inflamatórios, tabagismo, quimioterapia, drogas, tentativas de suicídio. • Morfologia: vai depender do tempo. o Gastrite leve: no máximo um edema, uma congestão, um processo inflamatório agudo com polimorfos nucleares. o Severo: dano de mucosa com erosão e hemorragia. o Erosão: destruição da mucosa superiormente a musculatura o Ulcera: uma lesão bem mais profunda • Um paciente com gastrite aguda hemorrágica vai estar sempre com dor. Come doí, não come dói. • Dados clínicos: nos casos mais leves pode ser assintomática, mas a medida que for evoluindo podemos ter dor epigástrica, náuseas, vômitos e hemorragias. GASTRITE CRÔNICA • Processo inflamatório, mas ao longo prazo. • Ao longo prazo vamos ter uma atrofia e metaplasia intestinal. • Resulta do desequilíbrio entre os fatores protetores e agressores. No entanto vai ter dois tipos principais: a causada por H.pylori e a autoimune. • A causada por H.pylori é a causa mais comum e vai ser responsável por 90% das gastrites do antro e essa infecção aumenta com a idade. o Alguns fatores permitem a sobrevivência dessa bactéria no estomago, porque ela suporta a ação do acido e ela vai fazer um processo inflamatório crônico lá no estômago. Esses pacientes possuem risco aumentado para ulceras. • A autoimune é imunológica em associação com anemia perniciosa e o com outros irritantes crônicos também. o Responsável por 10% das gastrites crônicas. Aqui temos auto anticorpos contra células parietais, por isso esse paciente faz uma gastrite crônica. Aqui vamos ter destruição das glândulas, atrofia da mucosa. Geralmente é associada com outras doenças autoimunes. • Já ouviram falar em pessoas que comem cabelo? E o que acontece com essas pessoas? O cabelo fica lá e o estomago fica o tempo todo tentando digerir esse cabelo, com isso o estomago vai produzir uma quantidade cada vez maior de acido e vai fazer com que o paciente tenha uma gastrite crônica. Esse bolo de cabelo a gente chama de bezoar. • Macro: mucosa avermelhada (enantema), textura grosseira ou atrófica. o Gastrite autoimune afeta principalmente o corpo e o fundo e na ambiental o antro ou antro e fundo. Sobre a imagem: todos esses pontinhos vermelhos são áreas de hemorragia. Aqui também o paciente pode ter hematêmese ou melena. • Micro: como temos processo inflamatório crônico vamos ter linfócitos e plasmócitos. • Pode evoluir para metaplasia intestinal, pois o estomago está parando de produzir acido então vai ter que começar a se proteger também. • Qual é a região mais acometida? Quando é a ambiental o acometimento fica na parte superior e na autoimune fica mais próximo das glândulas gástricas. • Dados clínicos: no início o paciente não possui sintomas tão intensos quanto na gastrite aguda; náuseas; vomito; dor epigástrica; o Na gastrite autoimune vamos ter hipocloridria ou acloridria – lembra que os próprios anticorpos estão destruindo as glândulas. • Complicações ao longo prazo: ulceras e a gastrite autoimune pode evoluir para um carcinoma. DOENÇA INFLAMATÓRIA CRÔNICA INTESTINAL • São duas: Retocolite ulcerativa e Doença de Crohn • Ambas eram mais comuns em mulheres brancas, adolescentes na faixa dos 20 anos, mas hoje em dia não vemos mais esse padrão. Hoje independe da idade,sexo e raça, então não há um padrão típico da doença. • Por que essas doenças estão sendo mais diagnosticadas ultimamente? Devido a hipótese da higiene. Hoje em dia temos melhores condições de estocagem de alimento, então isso diminui a contaminação. As pessoas já são acometidas com menor número de infecções entéricas. • De uma maneira geral as pessoas estão se alimentando com comidas mais limpas e não entram em contato com sujeira. Mas vocês lembram da importância das crianças entrarem em conato com sujeira e patógenos, porque é nessa fase que modulamos o nosso sistema imunológico. Então nosso sistema imunológico tem que se acostumar com patógenos de agressividade, para saber quando mandar uma resposta agressiva ou não. Quando nosso organismo não consegue fazer essa diferenciação de patógenos as vezes nosso sistema imunológico manda uma resposta muito intensa quando temos uma infecção, e quando isso acontece a gente vai ter um desenvolvimento inadequado desses processos e eles não vão ficar só ali no intestino e vão atingir outros órgãos. E é isso que a gente quer evitar, porque quando falamos em doenças inflamatórias crônicas a gente fala da ativação impropria do sistema imune. • Patógenos que normalmente iam causar uma doença autolimitada, uma diarreia por exemplo, o sistema imune vai desengatilhar uma resposta imune severa e com isso desencadeia uma doença inflamatória crônica. E uma vez engatilhado isso não tem volta, vai ser para o resto da vida. • Patogenese: o É idiopática – não tem uma causa definida. o Não é considerada uma doença autoimune o Elas resultam de combinação de defeitos nas interações do hospedeiro geneticamente predisposto - Aqui vamos ter que ter a modulação que não vai estar adequada, flora intestinal predisposta, genética, maior permeabilidade a produtos bacterianos e respostas imunes aberrantes da mucosa. • Muitas vezes o paciente já tinha alterações que acompanhavam ele desde a infância, mas não prestavam atenção. Então é muito importante perguntar pra esse paciente se na família tem alguém que tem alterações, porque depois os filhos dessa pessoa precisam de acompanhamento também, pois a chance de evoluírem com Crohn ou retocolite é muito grande. • Fatores que participam: o Genética – então tem mais tendencia quando tem alguém da família com Crohn ou retocolite. o Resposta imunes da mucosa – isso é importante porque como a gente vai ter a ativação impropria do sistema imunológico o tratamento do Crohn e da retocolite geralmente vão ser feitos com corticoide, imunossupressor ou imunomodulador. É um paciente que tem que ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Tratamento vai depender muito de como o paciente vai estar naquele momento, pois quando a infecção estiver mais ativa usa mais remédio. o Efeito na função epitelial – esses pacientes que têm essas alterações acabam tendo mais diarreia. o Microbiota – como ela vai estar alterada vai fazer com que o paciente tenha o sistema imunológico que não funcione de maneira adequada. • O que vamos ter de ciclo nesse paciente? 1. Fluxo transepitelial de componentes bacterianos luminais – antibiótico também pode servir como base. Por que o antibiótico também serve como gatilho para abertura dessas doenças? Porque as vezes você toma antibiótico pra uma amigdalite ou sinusite, mas esse antibiótico não é inteligente para saber que deve atuar só aonde está a infecção. Então ele atua em todo a flora intestinal, e quando ele atua no intestino a gente tem uma flora do bem e uma não tão do bem, mas ele acaba destruindo tudo. Por isso quando o medico deixa junto com o antibiótico um repositor de flora. Mas lembrando que o antibiótico só é um gatilho quando o paciente já for pré- disposto a ter. 2. Ativa respostas imunes inatas e adaptativas em hospedeiro geneticamente suscetível 3. Libera TNF e outros sinais imuno-mediados contra epitélio e aumenta permeabilidade de junções 4. Causam maior influxo de material luminal – o que isso quer dizer? O que esse paciente tem que é muito intenso? Diarreia! Então nesse paciente com Crohn ou Retocolite ele vai comer e depois de 10/20 minutos vai ter que ir correndo no banheiro. Tanto que os pacientes com essas doenças possuem prioridades. 5. Volta ao CICLO • Patogênese: início patogenético diferente apesar de muitos aspectos fisiopatológicos comuns. Então a inflamação, de uma maneira geral, vai ser a via final comum. • E aí o que vai diferenciar o Crohn da retocolite? A distribuição dos locais afetados e a expressão morfológica dos locais afetados. • Achados que diferenciam Crohn e retocolite: o Macro o Micro o Achados clínicos o Complicações locais o Achados laboratoriais, radiológicos e endoscópicos. Sobre a imagem: Então para você verem que quando a gente fala de Doença de Crohn a gente vai ter os processos inflamatórios saltitantes. E quando a gente fala em Retocolite Ulcerativa a gente tem um processo inflamatório continuo. Então isso é interessante porque quando o paciente vai fazer a colonoscopia só do médico estar passando o colonoscópio ele já consegue diferenciar. Sobre a imagem: Quando a gente fala de Crohn a gente tem uma doença que faz uma inflamação transmural é a que acomete varias/todas as camadas do intestino e além disso vamos ter ulceras e fissuras, porque o acometimento do Crohn é vertical. Diferente do acometimento da Retocolite que vai ser mais superficial e a gente tem a presença de pólipos • Para vocês lembrarem sempre que quando falarmos em Crohn a gente está falando de um acometimento vertical e profundo. Lembra que ele faz fissura, faz ulcera e acomete todas as camadas do intestino. E quando falamos em retocolite estamos falando de um acometimento superficial de mucosa ou submucosa e com presença de pólipos. • Características morfológicas significativas sobre o Crohn: envolvimento transmural com fissuras e granulomas. • Características morfológicas significativas da Retocolite: envolvimento da mucosa com criptite e envolvimento anal. • Complicações extra-intestinais – porque muitas vezes não é a diarreia que vai fazer o paciente buscar ajuda, o que vai chamar a atenção dele são esses outros sintomas: o Reumatológicas: Artralgia; Sacro-ileíte; Espondilite anquilosante. o Pele e mucosas: Aftas orais (isso é importante em paciente que tem muitas aftas orais deve-se pedir para ele como está o intestino); Eritema nodoso (paciente relata que começa aparecer muitas manchas na pele); Pioderma gangrenoso (paciente chega com uma ferida). o Olho: Episclerite o Fígado: Colelitíase o Baqueteamento dos dedos. • Geralmente a Retocolite tem mais chance de evoluir para um carcinoma. E isso tem mais chance de ocorrer quando todo o Cólon estiver afetado. E quando a doença continua intensa e em atividade por mais de 10 anos esse paciente tem chance de evoluir para um carcinoma. • Importante investigar os filhos pois começa na infância (3% aos 10 anos de início; 23% aos 20 anos; 43% aos 35 anos). • No Crohn é menos comum evoluir para um carcinoma. • Complicações locais: o Crohn: estenose, fistulas e pouco comum uma perfuração. o Retocolite: Megacólon tóxico, pode ocorrer perfurações e câncer. • Tratamento: corticoide, imunomodulador e imunossupressor. Sobre a imagem: temos o intestino normal com todas as vilosidades. O com Crohn temos a mucosa com fissura e fibrose. E na Retocolite a presença de pólipos. DIARRÉIA E DISENTERIA • Nas duas falamos de evacuações liquidas, mas na diarreia a gente vai ter uma evacuação liquida e frequente, com mais de 200 gramas/dia e em casos mais severos até 14 litros/dia. E quando a gente fala em disenteria a gente acrescenta nessa fluidez de fezeso muco e o sangue, então é isso que vai diferenciar uma da outra. DIARREIA • Mecanismo da diarreia: o Secretória: fezes isotônicas em que o paciente vai continuar com diarreia mesmo em jejum. o Osmótica: é a da alimentação. Paciente comeu muito chocolate, tomou muito refrigerante. Ai para quando o paciente entra em jejum. Aqui temos um excesso de solutos luminais não absorvidos. Aqui também é o mecanismo de diarreia que é o preparo da colonoscopia. o Mal absortiva: associado com a esteatorréia. o Exsudativa: associada com doenças inflamatórias. • Causas de diarreias: infecções intestinais, tumores, drogas, uso de medicamentos, alergias, doenças inflamatórias, comidas contaminadas... • Existe vacina contra diarreia? Sim! Temos a vacina contra Rotavírus. Isso é muito importante porque a diarreia é uma das principais causas de morte por doenças infecciosas em menores de 5 anos. E a diarreia do rotavírus é o principal fator. • Classificação das diarreias: é importante diferenciar porque o tratamento e o manejo são diferentes. o Aguda: dura até 14 dias – aqui geralmente imaginamos ser uma doença infecciosa ou algo que comeu. Aqui focamos em manter a pessoa hidratada. o Crônica: ultrapassa os 14 dias – aqui a gente pensa em processos crônico como causa, como uma intolerância à lactose ou glúten. Aqui o manejo é diferente, pois o paciente não está absorvendo nutrientes e sais minerais então pode entrar em desnutrição. DISENTERIA • Presença de sangue e muco • Amebíase e Shiguella geralmente são patógenos com a capacidade de penetrar no intestino e fazer essa infecção levando a presença de sangue e muco. • Aumenta a frequência para defecar, causa dores estomacais leves, volume em grande quantidade, muco e sangue. • Causas: infecções bacterianas ou por protozoários; infestação por vermes; causada por algum irritante; Infecção por Shiguella ou pela Entamoeba histolytica - Isso é importante porque quando você vai tratar o paciente você tem que pedir se faz tempo que ele tomou remédio para verme. • O que você vai perguntar para o paciente: tem sangue? Tem muco? Tem muita dor? Quantidade de vezes que foi? Tem febre? Tem mais pessoas na família com o quadro parecido? • Exame físico: pele e boca secos e pode ter sensibilidade no abdômen. ***ela passou uma série de slides de bactérias e vírus, mas disse que não precisava para a prova. APENDICITE AGUDA • É muito importante o reconhecimento rápido dos sinais e sintomas porque a chance desse apêndice supurar é muito grave, porque o conteúdo fecal vai para a cavidade abdominal e o paciente pode evoluir com sepse. • Definição: Inflamação aguda do apêndice cecal • Sequência: 1. Obstrução do apêndice 2. Acumulo de secreção mucosa 3. Colapso de veias e isquemia 4. Edema inflamatório e exsudativo 5. Crescimento de bactérias – que vai fazer o processo inflamatório e infeccioso. 6. Piora a irrigação sanguínea 7. Inflamação intensa **Dois desses eventos são muito importantes que é a estase e a injuria isquêmica. • Então a gente tem a obstrução, que pode ser devido alguma semente de alimento (de goiaba, de tomate...) ou algum pedaço de fezes/fecalito que acaba fazendo essa obstrução desse apêndice → depois o colapso de veias → crescimento bacteriano → piora da irrigação → necrose → ai pode supurar. • Essa obstrução pode ocorrer também por um parasita. • Macro: aparência serosa até opaca e placas de pus em casos mais avançados. Há diferença de tamanho também. • Micro: inflamação aguda que pode evoluir para purulenta e que afeta a túnica muscular própria. Pode ser ulcero-flegmonosa ou gangrenosa. Vai ter todas as células inflamatórias também. • Dados clínicos: geralmente em adolescentes ou adultos jovens, mas pode dar em crianças também; Dor peri-umbilical geralmente no quadrante inferior direito; náuseas e vômitos (na maioria dos casos não vem associada com diarreia); febre leve; abdômen doloroso a palpação, mas com o tempo a dor fica focal; leucocitose. **Quando vem um paciente com diarreia e vomito, segura ele faz uma hidratação e da um remédio para dor. Se for uma gastroenterite essa dor vai melhorar, mas se for apêndice essa dor vai piorar. • Às vezes você vê um paciente entrar mancando, mas a dor dela não é na perna, é porque a dor é tão forte que ele começa a retrair a perna para andar. • Complicações: rupturas (mais comum); trombose; abcesso hepático; bacteremia. • Lembrar que a evolução é muito rápida e pode perfurar em até 24/48 horas. • Diagnósticos diferencias: linfadenite mesentérica (presença de linfonodos na cavidade abdominal – isso incha e dói então pode se confundir com apendicite, mas com ultrassom se descarta se é apendicite ou não); infecções virais sistêmicas; diverticulite... SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL • Dor abdominal recorrente, crônica e distensão abdominal e principalmente alteração no habito intestinal. • Então é aquele paciente que vai fazer uma apresentação de trabalho e fica com diarreia, vai para uma entrevista de emprego e fica com diarreia... então aquele paciente que o fator emocional dele altera o habito intestinal, então o acompanhamento é muito mais psicológico. • Patogênese: ainda não se conhece, mas parece ser resultante entre fatores psicológicos, dieta e motilidade gastrointestinal anormal. • O intestino é macroscopicamente e microscopicamente normal nessa síndrome. • Quadro clinico: acomete mais mulheres de 20 a 40 anos; dor ou desconforto abdominal por pelo menos 3 dias no mês, durante 3 meses; desconforto melhora com a defecação; alteração na frequência e forma das fezes. • Muitos possuem associação com fibromialgia e outras doenças crônicas, hipersensibilidade visceral; letargia. • É um diagnóstico de exclusão, então quando as outras doenças foram descartadas INFECÇÕES URINÁRIAS (ITU) • Toda vez que falamos do trato urinário é muito importante beber água. • 85% do trato urinário vão ser causados por bacilos gram – presentes no trato gastrointestinal. Então é muito relacionado aos hábitos que o nosso paciente vai ter em relação as fezes. Então quando nosso paciente tem um aporte adequado de água a gente sabe que os movimentos peristálticos dele vão estar adequados e esse paciente vai evacuar e isso também vai melhorar a questão da contaminação do trato urinário. • Em primeiro lugar vamos ter: E.coli, depois Proteus, Klebsiella e depois Enterobacter. • Qual é a rota dessas bactérias: será a rota ascendente, que é uma bactéria que vai estar no meio externo e de alguma maneira vai conseguir chegar na uretra, depois na bexiga, ascender pelo ureter e alguns casos chegar no rim, causando a pielonefrite. • A causa menos comum é hematológica, mas vai estar mais associada pacientes debilitados e acamados. • Quando a gente toma água e ela vai ser absorvida pelo nosso organismo quando ela chega lá no rim nós vamos ter o processo que vai filtrar o sangue e com isso a formação da urina. E qual seria a rota normal dessa urina? Sair lá do rim, descer pelo ureter, chegar na bexiga e começar acumular a medida que você toma água. Quando a bexiga estiver cheia há o fechamento dos esfíncteres vesicoureterais – para evitar que a urina volte fazendo o caminho ascendente até o rim. Ai o que é esperado? Que a pessoa com bexiga cheia faça xixi. • No entanto o que vai acontecer para que a pessoa tenha infecção urinária? 1. Colonização da uretra distal e introito vaginal – principalmente em mulheres – e geralmente causada por coliformes fecais. 2. Ascensão dessa bactéria lá da uretra até a bexiga 3. Multiplicação das bactérias na bexiga 4. Passagem pelo ureter 5. Pode chegar até no rim causando Pielonefrite • Por que as mulheres têm mais facilidades? Porque a uretra é menor, falta de uma higiene adequada, ausência depropriedades antibacterianas que estão presentes na próstata e trauma uretral no intercurso sexual. • A colonização das bactérias é facilitada pela habilidade bactéria em aderir às células mucossecretoras uretrais – isso é uma característica principalmente da E.coli, porque ela tem pili na estrutura dela que grudam na parede da uretra. Então quando você toma água estará promovendo a lavagem dessa bexiga e também da uretra, e se essa bactéria estiver aderida na parede quando você urina ela é expelida. Mas se esse paciente não toma muita água ascende e chega na bexiga, na mucosa vesical. Ali vai ter a multiplicação dessa bactéria. • O que pode propiciar a infecção urinária: cateterismo uretral prolongado. • Multiplicação da bactéria na bexiga é facilitada pela obstrução do fluxo ou disfunção da bexiga com esvaziamento incompleto ou que fica com volume residual. o Estase – urina parada. Aquele xixi que a pessoa segura o tempo todo. Isso não é interessante, porque quanto mais tempo essa urina ficar parada dentro da bexiga mais tempo essa bactéria vai ter para se multiplicar. o É orientado fazer a micção em dois tempos, para fazer o esvaziamento completo da bexiga. o O que pode também facilitar essa multiplicação é hiperplasia da próstata, neoplasia na bexiga e cálculos. • Passagem da bexiga para o ureter: é muito comum em pacientes que possuem refluxo vesico ureteral, que é a incompetência daquela válvula que faz o fechamento quando a bexiga está cheia. Então quando essa urina volta ela leva as bactérias junto. Mas mesmo se essa urina estiver estéril, só dela voltar para o rim ela vai aumentar a pressão e esse aumento compromete o funcionamento das células e das estruturas do rim. o O ideal é descobrir esse refluxo na infância, porque isso pode ser causa desse paciente perder o rim e precisar de uma dialise. O exame feito é o uretrocistografica miccional em crianças que têm infecções urinárias de repetição. • Passagem da bactéria para o rim, se isso ocorre mostra para nós que o paciente tem a incompetência da válvula. E quando a bactéria chega no rim ela fica acumulada nos polos renais e pode causar Pielonefrite aguda e crônica. • Dados clínicos: o Pode ser assintomática e ser descoberta em exames de rotina. Mas nesses casos, se o paciente não tem sinais e sintomas, só é tratado em gestantes. o Maioria dos pacientes com infecções de repetição vão apresentar cistite ou uretrite ao invés de pielonefrite. o Mas quando apresentam alteração quais são elas: disuria, poliuria, ardência. Nesse paciente a gente inicia o tratamento até antes do exame. o Pelo tratado em crianças já deve ser pedido exame de imagem após a primeira infecção urinária. PIELONEFRITE AGUDA • Quando a bactéria ascende para o rim. • Inflamação aguda supurativa do rim causada por infecção bacteriana (hematogênica ou ascendente - ligada ao refluxo) • Geralmente vamos ter o acometimento dos túbulos, interstício e pelve renal. • Quando falamos em Pielonefrite a gente já vai ter um comprometimento do estado geral do paciente. O paciente vai disuria, polaciuria, ardência, mas vai ter também febre e uma piora do estado geral. • Se o paciente começar a ter muitos episódios de pielonefrite aguda a gente sabe que ele pode, lá na frente, evoluir para uma pielonefrite crônica e perder o rim. • Macro: a extensão da infecção pode ter tamanho variado; pode afetar um ou os dois rins (por estar muito ligado ao refluxo, depende se o paciente tem problema nas duas válvulas ou só em uma); localização difusa, mas quando é relacionada ao refluxo vai ficar acumulado na região polar do rim. • Aqui é muito importante a anamnese do paciente, pois se ele chegar relatando que a mãe/pai/irmão já perderam um rim você precisa prestar muita atenção. Porque muitas vezes essas doenças, alterações de formato, possuem histórico familiar. Qual exame que podemos usar para ver se há uma alteração renal? Ultrassom gestacional. Então podemos descobrir já na gestação se há alguma alteração como hidronefrose. • Na infecção do trato urinário é passado um antibiótico, de 7 a 10 dias, já na pielonefrite esse paciente vai ter que ficar internado para tomar antibiótico. • Micro: infiltrado inflamatório neutrofílico, intersticial, focal, supurativo e necrose tubular. Os glomérulos vão ser poupados o máximo possível na aguda. • Sobre o processo de inflamação: curta duração. Exsudação com proteínas plasmáticas com edema e migração de neutrófilos. Por isso que aqui o nosso paciente já tem muita dor, que chega a vomitar. Esse paciente já chega andando com fáceis de dor. o Se essa inflamação evolui para uma crônica nós vamos ter: linfócitos e macrófagos, proliferação de vasos sanguíneos, fibrose e necrose tissular. • Lembrar que na pielonefrite aguda a função renal vai ser preservada, então o glomérulo é preservado. • Complicações: Necrose papilar – papila perde o formato de cunha (principalmente em pacientes diabéticos ou com obstrução do trato urinário); Pionefrose; abcesso perinéfrico; em alguns casos o rim se recupera normal, mas em outros casos evolui para uma fibrose e aí para a pielonefrite crônica. • Condições clinicas associadas – para sabermos se o paciente tem tendencia a fazer uma pielonefrite aguda: obstrução urinária (congênita ou adquirida); refluxo vésico-uretral; imunossupressão; imunodeficiência; instrumentação do trato urinário (paciente com sonda); gravidez (na gravida até na bacteriúria assintomática tem que tratar, porque há mais chances de ascender e virar pielonefrite); no primeiro ano de vida o mais comum é infecção urinária em meninos, devido a fimose; do segundo ano de vida até os 40 anos é mais comum em mulheres, e aos 40 anos volta a ser mais encontrado em homens devido a hiperplasia prostática. • Sinal de Giordano positivo – para ver se esse paciente está com comprometimento renal. • Sinais e sintomas: inicio súbito; dor no ângulo costo-vertebral; febre; mal- estar; disúria; urgência miccional; piuria (presença de leucócitos na urina). • Presença de cilindros na urina indica comprometimento do rim = infecção do trato urinário alto. • Curso clinico: o Diagnostico etiológico: sempre pedir uma urocultura o Evolução com curso benigno se houver manejo adequado o Pode haver persistência ou recorrência – principalmente se o paciente possui os fatores de risco. PIELONEFRITE CRÔNICA • Causa importante da insuficiência renal • Inflamação crônica túbulo-intersticial e fibrose renal associada com cálices e pelve envolvidas. • Tipos de Pielonefrite crônica: o Associada com obstrução crônica – todo tipo de obstrução leva a infecções recorrentes. As obstruções podem ser: hiperplasia prostática, cálculos e neoplasias. Em casos de problemas nas válvulas pode ser bilateral, e em casos de cálculos é unilateral. o Associada com refluxo crônico: é a causa mais comum. Lembrar da importância de investigar na infância após a primeira infecção urinária. O refluxo por si só já causa danos, mesmo que esteja estéril, pois ela vai sobrecarregar as estruturas do rim. • Maiores características macroscópicas da pielonefrite crônica: o Fibrose irregular e assimétrica se bilateral o Fibrose córtico-medular grosseira, bem delimitada sobre cálice deformado com achatamento das papilas, geralmente polares (estas alterações macro são vistas em estudos radiológicos). – Vocês lembram que eu falei que na aguda os glomérulos eram poupados? Que ainda tinha o espaçozinho entre a capsula de Bowman? Aqui é perdido esse espaço, que é justamente a fibrose, então tudo fica fibrosado e acontece a perda da função renal. • Micro: o inflamação crônica difusa principalmente em túbulos e interstícios o Túbulos atróficos ou dilatados com cilindros coloides (tireoidização) o Polimorfos nucleares o Vasos vão ficararqueados o Glomérulos ficam hialinizados/fibrosados • Por que chama tireoidização? Porque como fica com um processo todo fibrótico isso lembra o tecido da tireoide. Por isso que eles falam que o rim entra em processo de tireoidização. • Lembra que quando falamos em aterosclerose e HAS, quais eram os vasos iniciais que a hipertensão vai atingir? As arteríolas do rim e do olho. Então por que isso é importante? Que o paciente que tem hipertensão ele pode evoluir com Pielonefrite crônica. Do mesmo jeito que um paciente com pielonefrite crônica, causada por refluxo vesico-ureteral, pode evoluir para uma hipertensão. Então HAS pode ser uma causa ou uma consequência da pielonefrite. • Curso clinico: é uma condição insidiosa, vários episódios recorrentes, principalmente de pielonefrite aguda; associação com o refluxo vesico- ureteral; o Pacientes procuram médicos geralmente com HAS ou insuficiência renal com bacteriúria ou piuria detectados em exames – então só chega porque mostrou comprometimento em exames de rotina. o Nefropatia de refluxo – causa comum de hipertensão em crianças. • Então quando a gente fala em pielonefrite crônica está tudo muito ligado a infância, e quem faz esse manejo é o medico do posto de saúde. • Então a diferença da aguda para a crônica é que na crônica já começa aparecer os focos de hialinização com fibrose total. UROLITÍASE • Calculo localizado em qualquer parte do trato urinário, porém geralmente fica mais no rim, mas pode focar no ureter e na bexiga também. Mas tudo vai depender do tamanho do calculo para ver se ele vai se movimentar. • Cerca de 5 a 10% da população vai ter algum episódio de urolitíase. • Geralmente afeta mais homens do que mulheres, na faixa de 20 a 30 anos de idade. • Existe uma predisposição familiar, então isso é importante, pois o paciente vai chegar e falar “meu pai teve, meu irmão tem”. É hereditário, principalmente em pessoas com gota. • Causa e patogênese: qual vai ser o determinante mais importante do cálculo? o O determinante mais importante é a concentração aumentada do constituinte do cálculo que impede sua solubilidade – quando falamos em concentração aumentada desse constituinte isso quer dizer que é muito importante esse constituinte seja capaz de se dissolver. E para ele se dissolver par que a gente consiga expelir ele do nosso organismo o que precisa tomar? Água! o Volume urinário diminuído em alguns pacientes metabolicamente normais pode favorecer a supersaturação – claro que ele assim ele não vai conseguir expelir o constituinte e vai favorecer a formação do cálculo. o Existem alguns pacientes que não vão formar cálculos, mas isso é raro. E são pacientes que possuem uma maior excreção de cálcio, oxalato e ácido úrico e na urina devem possuir algum inibidor de formação de cristais. • Tipos de cálculos: o Oxalato de cálcio – 75% - Associado com pacientes que possuem doença óssea, hipercalcemia. Esses cálculos são radiopacos então podem ser visualizados por raio-x. *Isso é interessante porque o refrigerante vai retirando cálcio dos nossos ossos, e quanto mais refrigerante a gente toma mais cálcio acumula lá no rim. o Fosfato de amônia – 15% - geralmente associados com infecção do trato urinário. São maiores e radiopacos também. o Ácido úrico – 6% - geralmente associado a pacientes com gota. É radiolucente, ou seja, não aparece no raio x, apenas no ultrassom. o Cistina – 1 a 2% - associados com defeitos genéticos. Também não aparece no raio x. • Morfologia: geralmente os cálculos são unilaterais (80% dos casos). O local geralmente é cálice renal, pelve ou bexiga. Na pelve geralmente são pequenos e múltiplos. • Lembrar que o cálculo pode ser uma fonte de infecção do trato urinário. E se esse calculo for pequeno ele pode descer pelo ureter, e quando tem a movimentação desse calculo é quando o paciente tem uma crise maior de dor, porque os cálculos formam como se fosse espinhos, não é uma pedrinha redonda. E com isso quando ele desce ele vai rasgando o ureter, por isso muitas pacientes urinam com sangue. • Complicações: o Causa obstrução com estase urinária – isso é muito importe, porque dependendo onde esse calculo tiver ele vai facilitar a parada e o acumulo de urina, e com isso vai facilitar a proliferação de bactérias. o Pode causar ulceras e sangramentos o Pode causar atrofia renal e hidronefrose (acumulo de urina que causa a dilatação renal) o Aumenta a predisposição às infecções. • Dados clínicos: os menores são piores, pois eles migram; pode causar ulceração e sangramento; no início podem ser silenciosos; tantos grandes quanto pequenos podem predispor à infecção. • Tratamento: a prevenção de cálculos vai ser a ingestão de água. Tem um tratamento moderno que se chama litotripsia extracorpórea em que essa maquina emite ondas que vai batendo nos cálculos até transforma-los em pó e o paciente eliminar na urina. DOENÇAS VASCULARES AVCs • Quando falamos em doença cérebro vascular: qualquer anormalidade do SNC causado por um processo patológico nos vasos sanguíneos. • 3ª maior causa de óbito nos EUA, perde para doenças cardíacas e câncer. • É a desordem neurológica mais prevalente em morbidade e mortalidade – vai ser um paciente que se ficar com algum tipo de paralização motora vai necessitar de algum tipo de apoio. Vai ser o agente comunitário, o médico que faz o atendimento domiciliar. Então quando a gente previne o AVC estaremos cuidando de tudo isso. • O derrame é a manifestação clínica, principalmente se os sintomas começam agudamente. • Categorias clinicas principais quando falamos em doenças cérebro vasculares: trombose, embolia e hemorragia. E aí o que é importante saber? É que o tratamento é diferente! Quando falamos em AVC nós vamos ter que identificar se ele vai ser isquêmico ou hemorrágico, pois o tratamento deles é completamente diferente. Nossa obrigação como médicos é saber se aquilo que o paciente vier sentindo é um sinal/sintoma de AVC para ai referenciar ele para um hospital terciário onde tem tomografia e ressonância. o Dois processos principais: -Hipóxia, isquemia e infarto: prejuízo na irrigação daquela determinada área do cérebro – esse vai ser o AVC isquêmico. -Hemorragia/ruptura de vasos + tudo aquilo que tem no isquêmico: AVC hemorrágico. • Prevalência no Brasil e no mundo: segunda a OMS nós estamos vivendo uma epidemia de AVC em países desenvolvidos e o causador disso seria o Sobre a imagem: Na primeira imagem a gente vai ter uma oclusão completa devido esse trombo, ou então sai um pedacinho desse trombo e esse pedaço vai parar lá em alguma artéria cerebral. Então vamos ter esses dois processos. envelhecimento populacional. No entanto, o que temos vistos também? Estamos tendo um numero alarmantes de AVCs em pacientes jovens, por causa de que? Tabagismo, pois ele faz um processo inflamatório tão intenso que esse paciente jovem já está sofrendo com AVC. • Clinicamente é muito difícil distinguir o AVC hemorrágico do isquêmico - então o que é importante para a gente? Saber se o paciente está tendo um AVC ou não (paciente está com dificuldade de movimentar o pé, de assoviar, está com um lado repuxado do rosto... isso são sinais de AVC). O que queremos é encaminhar o paciente para o hospital terciário o mais rápido possível para evoluir sem sequelas. o Clinicamente, a hemorragia hipertensiva causa quadro deficitário de instalação rápida, com sinais de localização e perda da consciência em minutos a horas, dependendo da rapidez do sangramento e do volume atingido pelo hematoma e também dependendo do calibre do vaso que rompe. o Diagnóstico é feito por tomografia computadorizada o AVC isquêmico é o mais comum, estando presente em 80% doscasos. • Em relação a fisiopatologia do SNC: o SNC necessita suprimento constante de glicose e O2 liberado pela circulação sanguínea – nosso cérebro não pode ficar sem circulação senão o tecido cerebral começa a morrer. Pois ele consume muito. o SNC precisa de 50 ml/min para cada 100 gramas de tecido cerebral, então quanto mais tempo o cérebro para de receber esse fluxo de sangue/nutrientes/oxigênio maior vai ser a chance desse paciente ter uma paralisia irreversível. o O fluxo de sangue se mantem constante em vários limites de PA e de pressão-intracraniana – isso é aquele paciente hipertenso, obeso, que não pratica atividade física e a pressão dele vai aumentar ao longo dos anos, 12/8, 13/9, 14, 15, 17, 18/10, e o organismo vai tentando compensar isso. Então por mais que o organismo esteja com a pressão super alta a pressão intracraniana está tentando se manter no valor ideal. Mas chega uma hora que não vai mais ter o que fazer e ai estoura tudo e vem o AVC. • Condições que fazem a privação de O2: o Hipóxia funcional: quando pouco oxigênio é inspirado. Isso leva um prejuízo na capacidade de carrear O2 e inibição do uso de O2 pelo tecido. o Isquemia: é a interrupção do fluxo circulatório de forma transitória ou permanente. Isso pode ser devido uma hipotensão ou oclusão de vasos. Fluxo de sangue para uma parte do SNC é reduzido e isso vai depender dos fatores modificadores. *Fatores modificadores: disponibilidade de circulação colateral (então igual lá no infarto, quanto maior for a idade do paciente maior a chance de ele ter essa circulação), duração da isquemia, magnitude e rapidez da redução do fluxo. → esses fatores determinam a localização anatômica precisa e o tamanho da lesão. • Tipos de injuria: o Cerebral global – geralmente quando o paciente tem uma encefalopatia isquêmica, hipoxia, ICC, choque... então todo o cérebro de uma maneira global sofre com a isquemia. o Cerebral focal – quando ocorre a oclusão arterial trombótica ou embólica ou devido alguma vasculite. • ISQUEMIA CEREBRAL FOCAL (ICF): • Então aqui temos um infarto que é uma obstrução de fluxo sanguíneo local. E essa oclusão pode causar isquemia e infarto de uma área especifica do SNC. • Se a oclusão for em um ramo pequeno a área que vai parar de receber suprimento sanguíneo vai ser pequena, mas quanto mais o vaso, maior a área comprometida. E isso vai modificar o tipo de sequela e comprometimento que esse paciente vai ter. • Área afetada do SNC determina se paciente permanece assintomático (as vezes o paciente tem um AVC e nem sabe. Isso geralmente ocorre quando a circulação colateral consegue repor o fluxo) ou desenvolve hemiplegia, deficit sensorial, cegueira, afasia... • Tamanho/localização/formato depende dos “fatores modificadores” (especialmente circulação colateral). • Para estruturas profundas como o tálamo, gânglios da base e substancia branca há pouca colateridade – então se o AVC for nessas régios é mais difícil o paciente ter a circulação colateral. • Causas das oclusões vasculares: -Embolia - origens variadas e o local mais comum para a instalação desses êmbolos é a artéria cerebral média e a extensão direta da artéria carótida interna. -Trombose - Geralmente associada a aterosclerose, hipertensão e diabetes (isso vimos muito em pacientes). Locais mais comuns é na bifurcação das carótidas, na origem da artéria cerebral média e na artéria basilar. Pode ser lentamente oclusiva ou aguda com a ruptura de uma placa. -Vasculite -Doenças hematológicas - causam estado de hipercoagulação. -Doenças infecciosas - fazem um processo inflamatório intenso e muito crônico (isso ocorre com portadores de HIV) - Uso de drogas • Tipos de infartos: -Hemorrágicos – anticoagulação aqui é contraindicada. Aqui se meu paciente teve um pico hipertensivo e acabou estourando um vaso, o que vai acontecer se eu der um anticoagulante para ele? Vai sangrar mais! -Não hemorrágicos/isquêmico – aqui geralmente é causada por um trombo, então o remédio que é dado para o paciente é o anticoagulante para dissolver o coagulo e restabelecer o fluxo sanguíneo. • Morfologia: -Hemorrágicos: hemorragias petequiais, com vários pontinhos de sangue. Além de ter isquemia e necrose vai ter os pontinhos de extravasamento de sangue. ▪ Aqui temos todo o processo do não hemorrágico, mas acrescido do extravasamento de sangue. Então é um AVC que tem toda a estrutura de isquemia, hipoxia, necrose, tecido de liquefação, mas junto com isso tem os pontos de sangue. -Não hemorrágico/isquêmico: áreas radio lucidas. ▪ Evolução: -Primeiras 6 horas: nada -48 horas: palidez, amolecimento e edema. -2-10 dias: massa fica gelatinosa, edema diminui e consegue diferenciar melhor a área atingida. -10 dias a 3 semanas: macrófagos vão na área necrosada e fazem a liquefação e cavitação – limpeza. • Micro: -Isquêmico/ não hemorrágico: -A partir de 6 horas: não se visualiza nada -12 horas: edema, perda tintorial da substancia branca -48 horas: migração de neutrófilos e influxo de macrófagos. -2 a 10 dias: necrose difusa e migração de neutrófilos -10 dias a 3 semanas: neutrófilos diminuem e os macrófagos aparecem. -2 a 3 semanas: predomínio de células fagocitárias -Meses: tecido de granulação -Hemorrágico: -Tem tudo o que tem em cima, mas com a presença de hemácias. • Então o que temos no infarto hemorrágico? Petéquias múltiplas de natureza embólica; assemelham-se aos não hemorrágicos mas acrescidos de extravasamento de sangue; pode ser causado também por trombose do seio sagital superior ou veias profundas causadas por hipercoagulação. DOENÇAS INFECCIOSAS DO SNC • Estamos falando principalmente de meningite viral e bacteriana. • Quando falamos, principalmente de meningite bacteriana, falamos desse exsudato amarelado/acastanhado que vai escurecer todos os sulcos. Justamente a presença desse exsudato nas meninges que vai ser a definição da meningite bacteriana. • Qual vai ser a rota de entrada mais comum desse patógeno para ele atingir as meninges? o Via hematogênica (mais comum) – geralmente arterial. Ou seja, qualquer infecção pode levar a uma meningite bacteriana – Se o paciente tiver uma ITU, e esse patógeno cair na corrente sanguínea, o paciente pode fazer uma meningite bacteriana. Por isso é importante fazer o tratamento completo, com o tempo indicado. o Implantação direta por via traumática – acidente de carro, queda de bicicleta, ou tudo que expõe a massa cerebral. o Extensão local – existe essa área que é conhecida como triangulo da morte (se você tiver uma sinusite, otite, faringite) pois está muito perto do cérebro. Então é imprescindível fazer o tratamento pelo tempo correto. o Através do sistema nervoso periférico: raiva e herpes, pois ficam adormecidos nos nervos. • Causas de Meningoencefalites: praticamente qualquer patógeno pode causar uma meningite. o Infecciosos mais comuns: -Aguda piogênica: geralmente é a meningite bacteriana -Asséptica: meningite viral -Crônica: geralmente causada por tuberculose, espiroquetas e criptococos – mais comum em pacientes HIV +. o Outros: Malária, toxoplasmose, amebíase... • Etiologia: geralmente quando a gente já tem a hipótese diagnostica de meningite a gente já inicia o antibiótico pensando na idade do paciente, por isso é importante conhecer a etiologia principal de acordo com a idade. o Neonato: geralmente pensamos em E.coli. Por que vocês acham que pode ser isso? Porque na hora que o bebê passa no canal vaginal contaminado, ele pode se contaminare fazer uma meningite. o Lactentes e crianças: antigamente era muito causado por Haemophilus influenzae, mas hoje em dia é muito mais por Estreptococos. Por que vocês acham que aconteceu isso? Por causa da vacina. o Adolescentes e adultos jovens: Neisseria meningitidis o Idosos: Estreptococcus e Listeria o Imunodeprimidos: Klebsiella e anaeróbios. • Macro: as leptomeninges vão estar com exsudato purulento e com vasos muito salientes. Se for por H.influenzae vai ser mais na região basal. Por Pneumococo mais próximo ao seio sagital. Mas vão se disseminando ao longo de todos os vasos sanguíneos. • Micro: presença de neutrófilos no espaço subaracnóideo; gram pode revelar o agente, mas é muito difícil determinar o patógeno na meningite, até porque muitas vezes a gente inicia o tratamento antes da coleta de liquor; em casos fulminantes pode haver cerebrite e pode causar AVC. • Quando você coleta o liquor e o paciente está com meningite o liquor fica amarelinho, mas normalmente ele é transparente. O liquor fica extremamente purulento, e essa secreção está em todo o cérebro e coluna do paciente, por isso que ele tem sintomas de hipertensão intracraniana. o É isso que faz o paciente vomitar em jato, ter confusão mental, entrar em coma, porque a pressão intracraniana é muito grande. • Quadro clinico: Sinais sistêmicos de infecção (febre, dor no corpo, cefaleia...); sinais clínicos de irritação meningeal e prejuízo neurológico (cefaleia, fotofobia, irritabilidade, prejuízo do estado de consciência e rigidez na nuca); o Sem tratamento esse paciente pode ir a óbito; antibióticos reduzem a mortalidade e a morbidade. Sobre a imagem: aqui além da secreção purulenta, ainda temos os abcessos ali nas setas. o Sinal de Brudzinks – rigidez de nuca – paciente não consegue encostar o queixo no peito e ao fazer essa manobra a perna levanta também. o Sinal de Kernig – quando levanta a perna do paciente ele vai reclamar que tem dor na região posterior. • Sequelas: se tratado efetivamente paciente vai ter vida normal; e em casos severos, em que o paciente demorou muito, ele pode ficar com fibrose leptomeníngea e hidrocefalia (por causa dos abcessos, pois nessas regiões isso vai ficando cheio de liquido). • Diagnostico laboratorial (importante): quando vai fazer a punção e o liquor está normal ele vem pingando em gotinhas, como se fosse água, dentro do tubo de ensaio. E num paciente com meningite esse liquido vem turvo, parecendo que está drenando um abcesso, e em jato forte e com presença de até 90.000 mil polimorfos nucleares. Outra coisa que chama atenção nesse liquor é as proteínas elevadas e a glicose baixa (pois a bactéria consome glicose). • O que vai caracterizar a meningite viral ou asséptica: também vamos ter febre, irritação meníngea, irritação de consciência, inicio súbito... então pelos sinais e sintomas não tem como distinguir se é viral ou bacteriana. Se não tiver como fazer a coleta rapidamente é melhor iniciar o tratamento. Geralmente essa é autolimitada. o Na macro: geralmente não vai ter nada, apenas um pouco de edema. Até porque esse paciente geralmente não vaia óbito, pois é autolimitado. o Na micro: podemos não encontrar nada ou algum infiltrado inflamatório.