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CURSO - Fundamentos de Governança e boas práticas da regulação Dimensões da governança regulatória Ponto 2 – Controles de gestão de riscos • Professor Doutor de Direito Administrativo no Curso de Direito da Universidade Estadual Paulista - UNESP • Docente no programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado do Curso de Direito - UNESP. • Docente no programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos ProfÁgua- UNESP. • Pesquisador Coordenador do Centro de Estudos em Regulação e Governança dos Serviços Públicos (www.regulacao.com.br) • Advogado e Consultor Jurídico em Regulação de Serviços Públicos, Contratos de Concessão e Parcerias Público-Privadas. • Acesse algumas publicações em: • https://unesp.academia.edu/JoseCarlosdeOliveira . José Carlos de Oliveira Professor na Universidade Estadual Paulista - UNESP Controle de gestão de riscos Instrução Normativa n. 1 de 10 de maio de 2016 Art. 14. A gestão de riscos do órgão ou entidade observará os seguintes princípios: I - gestão de riscos de forma sistemática, estruturada e oportuna, subordinada ao interesse público; II - estabelecimento de níveis de exposição a riscos adequados; III - estabelecimento de procedimentos de controle interno proporcionais ao risco, observada a relação custo-benefício, e destinados a agregar valor à organização; IV - utilização do mapeamento de riscos para apoio à tomada de decisão e à elaboração do planejamento estratégico; V - utilização da gestão de riscos para apoio à melhoria contínua dos processos organizacionais. Art. 15. São objetivos da gestão de riscos: (Governança) I - assegurar que os responsáveis pela tomada de decisão, em todos os níveis do órgão ou entidade, tenham acesso tempestivo a informações suficientes quanto aos riscos aos quais está exposta a organização, inclusive para determinar questões relativas à delegação, se for o caso; II - aumentar a probabilidade de alcance dos objetivos da organização, reduzindo os riscos a níveis aceitáveis; e III - agregar valor à organização por meio da melhoria dos processos de tomada de decisão e do tratamento adequado dos riscos e dos impactos negativos decorrentes de sua materialização Governança/controle da gestão de riscos O conceito, a governança envolve as atividades de avaliar o ambiente, os cenários, as alternativas, e os resultados atuais e os almejados, a fim de direcionar a preparação e a coordenação de políticas e de planos, alinhando as funções organizacionais às necessidades das partes interessadas; e monitorar os resultados, o desempenho e o cumprimento de políticas e planos, confrontando-os com as metas estabelecidas. Decreto n. 9.203/2017. As atividades básicas de gestão são: planejar as operações, com base nas prioridades e os objetivos estabelecidos; executar os planos, com vistas a gerar resultados de políticas e serviços; e controlar o desempenho, lidando adequadamente com os riscos. Defina o modelo de gestão da estratégia, considerando: riscos; transparência e envolvimento das partes interessadas; alinhamento com as diretrizes e prioridades (de Estado e de Governo); consideração dos programas de governo nos quais a organização esteja diretamente envolvida na implementação; A gestão de riscos está intimamente associada ao princípio constitucional da eficiência, pois sua implementação só faz sentido quando proporciona ganhos em termos de entrega de resultados e alcance dos objetivos institucionais. Isso a torna uma grande aliada do gestor no desafio de garantir a qualidade dos serviços prestados ao cidadão, porque permite a tomada de decisões de forma racional, contribui para aumentar a capacidade da organização em lidar com eventos inesperados, que podem afetar negativamente os objetivos, estimula a transparência, favorece o uso eficiente, eficaz e efetivo dos recursos, bem como fortalece a imagem da instituição. Processo de gestão de riscos O processo de gestão de riscos consiste no conjunto de atividades coordenadas destinadas a lidar com eventos que podem afetar os objetivos organizacionais. As etapas clássicas desse processo são reconhecer ou identificar riscos; analisar riscos; avaliar e priorizar riscos; responder aos riscos significativos, mediante controles e outras respostas; e monitorar e comunicar o desempenho da gestão de riscos. . Controle de gestão de riscos Gestão de Riscos e eficiência É importante lembrar a EC nº 19, de 1998, que acrescentou o conceito da eficiência no rol dos princípios que regem toda a administração pública federal (CF, art. 37, caput). O objetivo principal da gestão de riscos é aumentar o grau de certeza na consecução dos objetivos, o que tem impacto direto na eficiência. É essencial a busca incessante por crescentes níveis de eficiência e efetividade. A inclusão da gestão de riscos na cultura de trabalho dos diversos setores públicos tem potencial para contribuir nesse propósito, pois a mitigação de riscos, implementada com racionalidade e foco adequados, aumenta a certeza de atingimento dos objetivos da gestão, com benefícios diretos e imediatos para a sociedade. Objetivos da gestão de riscos A gestão de riscos tem como objetivo auxiliar a tomada de decisão, com vistas a prover razoável segurança no cumprimento da missão e no alcance dos objetivos institucionais. É uma ferramenta projetada para apoiar o gestor na busca por ganhos de eficiência, de modo a melhorar a qualidade, a tempestividade e a eficácia dos serviços prestados. Controle de gestão de riscos Processo da gestão de riscos - Análise dos riscos • avaliar o impacto do risco sobre o objetivo/resultado – o impacto mede o potencial comprometimento do objetivo/resultado (p.ex.: um risco com potencial para comprometer um objetivo na sua totalidade ou na sua quase totalidade é considerado um risco de alto impacto); • avaliar a probabilidade de ocorrência do risco (p.ex.: um evento cuja ocorrência seja quase certa de acontecer é um evento de alta probabilidade); • definir o nível do risco com base na matriz probabilidade x impacto • A matriz define o nível de riscos a partir da combinação das escalas de probabilidade e de impacto. • A probabilidade é a chance de o evento ocorrer dentro do prazo previsto para se alcançar o objetivo/resultado. Por exemplo, se o objeto da gestão de riscos é um projeto, estima-se a probabilidade da ocorrência do risco durante o prazo previsto para entrega do seu produto final. • Raro. Não há histórico conhecido do evento – ou não há indícios que sinalizem a sua ocorrência • Pouco provável. Histórico conhecido aponta baixa frequência de ocorrência. • Provável. Repete-se com frequência razoável. • Muito provável. Repete-se com elevada frequência. • Praticamente certo. Ocorrência garantida no prazo associado ao objeto. Controle de gestão de riscos Processo da gestão de riscos - Escala de impacto - O impacto é a dimensão mais importante: um evento de impacto muito alto e de probabilidade de ocorrência muito baixa deve preocupar o gestor muito mais do que o oposto, um evento de probabilidade muito alta e impacto muito baixo – se o impacto é mínimo, para que se preocupar? - Muito baixo. Não altera o alcance do objetivo/resultado - Baixo. Compromete em alguma medida o alcance do objetivo - Médio. Compromete razoavelmente o alcance do objetivo/resultado - Alto. Compromete a maior parte do objetivo/resultado - Muito alto. Compromete totalmente o resultado/objetivo Controle de gestão de riscos Processo da gestão de riscos - Avaliação dos riscos • A avaliação do risco envolve a comparação do seu nível com o limite de exposição a riscos, a fim de determinar se o risco é aceitável. • Identificar na matriz a probabilidade x impacto, os riscos cujos níveis estão acima do limite de exposição a risco. - Tratamento dos riscos • Compreende o planejamento e a realização de ações para modificar o nível do risco • O tratamento dos riscos deve seguir os seguinte passos: • Identificar as causas econsequências dos riscos priorizados • Levantar as causas e consequências, registrar as possíveis medidas de resposta ao risco • Avaliar a implantação dessas medidas • Elaborar plano de implementação Possibilidades de tratamento dos riscos Evitar. é a decisão de não iniciar ou de descontinuar a atividade, ou ainda desfazer-se do objeto sujeito ao risco. Transferir/Compartilhar. mitigar a consequência ou probabilidade de ocorrência do risco por meio da transferência ou compartilhamento de uma parte do risco Mitigar/Reduzir. Adotar medidas para reduzir a probabilidade ou a consequência dos riscos ou até mesmo ambos Implementar medidas para evitar que o risco se concretize. Aceitar. Ocorre quando o risco está dentro do nível de tolerância. Controle de gestão de riscos Processo da gestão de riscos - Monitoramento dos riscos • Compreende o acompanhamento e a verificação do desempenho ou da situação de elementos da gestão de riscos, podendo abranger a política, as atividades, os riscos, os planos de tratamento de riscos, os controles e outros assuntos de interesse. • O monitoramento é parte integrante do processo de gestão e de tomada de decisão e deve acompanhar o ciclo de planejamento institucional. O monitoramento deve ser efetivo sem onerar demasiadamente o processo. - Comunicação • Refere-se à identificação das partes interessadas e ao compartilhamento de informações relativas à gestão de riscos sobre determinado objeto, observada a classificação da informação quanto ao sigilo. - Melhoria contínua • Compreende o aperfeiçoamento ou ajuste de aspectos da gestão de riscos avaliados no monitoramento. Referências BRASIL. Decreto n. 9.203, de 22 de novembro de 2017. Dispõe sobre a política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. Brasília, 2017. BRASIL. Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e Controladoria-Geral da União. Instrução Normativa Conjunta n. 1, de 10 de maio de 2016. Dispõe sobre controles internos, gestão de riscos e governança no âmbito do Poder Executivo Federal. Brasília: MP/CGU, 2016. COSO. COMMITTEE OF SPONSORING ORGANIZATIONS OF THE TREADWAY COMMISSION. Enterprise risk management: integriting with strategy and performance. COSO: 2017. MIRANDA, Rodrigo Fontenelle de A. Implementando a gestão de riscos no setor público. 2ª edição ampliada e revisada. Belo Horizonte, Fórum, 2021. TCU. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Referencial básico de gestão de riscos. Brasília: Segecex, 2018. Disponível em . Obrigado! Centro de estudos de Regulação e Governança dos Serviços Públicos. www.regulacao.com.br José Carlos de Oliveira Jose.c.oliveira@unesp.br