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APOSTILA DE MAMOGRAFIA
43 pág.

Radiologia Universidade Estácio de SáUniversidade Estácio de Sá

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## Resumo sobre História, Anatomia, Fisiologia e Técnica da Mamografia### História da MamografiaA mamografia, exame radiológico específico para avaliação das mamas, tem uma trajetória que remonta a 1913, quando Albert Salomon, cirurgião alemão, realizou a primeira radiografia mamária em peças cirúrgicas, identificando microcalcificações, que mais tarde seriam associadas ao câncer de mama. Em 1930, Stafford Warren realizou a primeira mamografia in vivo na incidência médio-lateral, marcando o início da aplicação clínica do exame. Na década de 1950, o radiologista uruguaio Raul Leborgne destacou a importância do posicionamento correto e da compressão da mama para melhorar a qualidade da imagem, além de associar microcalcificações ao câncer em 30% dos casos estudados.Nos anos 1960, Robert Egan aprimorou a técnica ao descobrir que o uso de baixo kilovoltagem (kV) e alto miliamperagem-segundo (mAs) aumentava a resolução das imagens, publicando em 1962 um estudo com 53 casos de carcinoma oculto detectados em 2000 mamografias. Gerald Dodd, em 1963, foi pioneiro na localização de lesões não palpáveis, permitindo cirurgias menos invasivas. Entre 1963 e 1966, estudos de Strax, Venet e Shapiro demonstraram que o rastreamento mamográfico reduzia a mortalidade por câncer de mama em um terço. A partir de 1966, a General Electric (GE) desenvolveu equipamentos específicos para mamografia, incorporando filtros de molibdênio para melhorar a qualidade da imagem, e posteriormente, em 1992, filtros de ródio para melhor penetração em mamas densas. A introdução da estereotaxia em 1977 e da biópsia a vácuo Mammotome em 1996 revolucionaram o diagnóstico e tratamento, permitindo a retirada precisa de amostras para análise histopatológica.### Anatomia e Fisiologia MamáriaA origem das glândulas mamárias é ectodérmica, manifestando-se no embrião por volta da 5ª semana de gestação, com o desenvolvimento das linhas lácteas que formarão as mamas. O desenvolvimento mamário ocorre em fases distintas: embriogênese (18ª a 19ª semana intrauterina), mamogênese (puberdade e gravidez), lactogênese (início da produção de leite após o parto), lactação (manutenção da produção) e involução (perda da capacidade produtiva após estímulos hormonais cessarem).Nas mulheres, as glândulas mamárias amadurecem na puberdade sob influência dos hormônios FSH e LH, que estimulam a produção de estrógeno pelos ovários. O estrógeno promove o desenvolvimento dos ductos mamários, enquanto a ação combinada com a progesterona completa o desenvolvimento glandular e altera a pigmentação da aréola. A mama é composta por tecido glandular (parênquima), tecido conjuntivo fibroso e tecido adiposo, cuja proporção varia conforme idade, estado hormonal e paridade. O parênquima é formado por 18 a 20 lobos, cada um contendo alvéolos responsáveis pela síntese do leite, conectados por canalículos e ductos lactíferos.### Tipos de Tecidos Mamários e Classificação RadiográficaA mamografia enfrenta o desafio de diferenciar tecidos moles com baixo contraste inerente. O tecido mamário é dividido em três tipos principais:- **Glandular:** tecido denso, aparece mais claro na radiografia.- **Fibroso ou conjuntivo:** densidade semelhante ao glandular.- **Adiposo:** menos denso, aparece mais escuro.A diferença de densidade entre o tecido adiposo e os tecidos fibroso e glandular é fundamental para a formação da imagem radiográfica. A densidade mamária varia conforme idade, estado hormonal e número de gestações, influenciando os fatores técnicos da mamografia.As mamas são classificadas em três categorias radiográficas:1. **Mama Fibroglandular:** comum em mulheres jovens (pós-puberdade até cerca de 30 anos), gestantes e lactantes. Apresenta alta densidade devido à predominância de tecido glandular e pouca gordura.2. **Mama Fibrogordurosa:** típica de mulheres entre 30 e 50 anos, com distribuição equilibrada entre tecido fibroglandular e adiposo. A densidade é média, exigindo menor exposição que a fibroglandular.3. **Mama Gordurosa:** predominante após a menopausa (a partir dos 50 anos), quando ocorre involução glandular e substituição por tecido adiposo, resultando em baixa densidade e menor necessidade de exposição radiográfica.Embora a maioria das mamografias seja realizada em mulheres, é importante destacar que 1 a 2% dos cânceres de mama ocorrem em homens, que possuem mamas predominantemente adiposas.### Mamilo e Modificações na Gravidez e PuerpérioO mamilo pode ser classificado quanto à forma em protuso (saliente), semiprotuso (pouco saliente), invertido (umbilicado) e pseudo-invertido (que pode exteriorizar-se após estímulo). Durante a gravidez, sob ação de diversos hormônios (progesterona, estrógeno, lactogênio placentário, prolactina, entre outros), ocorre crescimento do tecido mamário, aumento da vascularização, pigmentação da aréola e dilatação dos alvéolos, que iniciam a atividade secretora por volta da 20ª semana. No puerpério, as mamas aumentam de volume com secreção de colostro, aumento do fluxo sanguíneo e ativação das células secretoras.### Anomalias Mamárias Congênitas e Sistemas de DivisãoEntre as anomalias congênitas destacam-se:- **Politelia:** presença de mais de um mamilo.- **Polimastia:** presença de mais de uma mama.- **Amastia:** ausência de uma ou ambas as mamas.- **Ginecomastia:** crescimento anormal das mamas em homens, geralmente por desequilíbrio hormonal.Para facilitar a localização de lesões, utilizam-se dois sistemas de divisão da mama:- **Sistema de Quadrantes:** divide a mama em quatro partes (superior interno, superior externo, inferior interno e inferior externo).- **Sistema de Relógio:** compara a superfície da mama a um mostrador de relógio, com a dificuldade de inversão lateral entre as mamas direita e esquerda.### Técnica Mamográfica: Equipamentos, Posicionamento e ProcedimentosO mamógrafo é um equipamento especializado que deve permitir flexibilidade no posicionamento da paciente, possuir dispositivo de compressão, grade antidifusora, exposímetro automático e tubo com microfoco para alta resolução. A ampola do tubo de raios X é geralmente feita com alvo de molibdênio, ródio ou tungstênio, com inclinação e posicionamento específicos para otimizar a penetração e qualidade da imagem, aproveitando o efeito anódico para melhor separação das estruturas mamárias.A compressão da mama é fundamental para:- Reduzir o movimento e garantir nitidez.- Diminuir a espessura do tecido, reduzindo a radiação espalhada e a dose ao paciente.- Uniformizar a exposição do tecido mamário.A compressão é aplicada com força controlada (11 a 20 kg) por um dispositivo plástico transparente que permite o posicionamento visual.O controle automático de exposição (AEC) ajusta a dose de radiação para evitar superexposição e garantir uniformidade na qualidade da imagem.### Incidências Radiográficas e PosicionamentoAs incidências básicas da mamografia são:- **Craniocaudal (CC):** a mama é puxada para frente, com o mamilo em perfil, braço relaxado e ombro fora do campo. O raio central é perpendicular à base da mama, garantindo visualização completa do tecido mamário, incluindo a região sub-areolar e, às vezes, o músculo peitoral.- **Médio-lateral oblíqua (MLO):** o tubo e o chassi formam ângulo reto, com o raio central angulado entre 40° e 70°, dependendo do tamanho da mama. O tecido mamário e o músculo peitoral são tracionados para fora da parede torácica, com o mamilo em perfil. A prega inframamária deve estar visível, e a mama não pode estar caída. Em mamas volumosas, pode ser necessário o uso de dois chassis para captar toda a região axilar e a parte principal da mama.### Preparação da Paciente e AnamneseAntes do exame, o técnico explica o procedimento, solicita a retirada de jóias, talco e desodorantes que possam causar artefatos, e coleta uma anamnese detalhada, incluindo histórico de gravidez, gestações, câncer de mama na família, uso de medicamentos, cirurgias prévias e sintomas atuais. A anamnese é fundamental para orientar o exame e garantir a correta localização de lesões,
cicatrizes e sinais.---## Destaques- A mamografia evoluiu desde 1913, com avanços técnicos que melhoraram a qualidade da imagem e a detecção precoce do câncer de mama.- A mama é composta por tecidos glandular, fibroso e adiposo, cuja proporção varia com idade, estado hormonal e paridade, influenciando a densidade mamográfica.- A compressão mamária é essencial para uniformizar a espessura do tecido, reduzir a dose de radiação e melhorar a nitidez da imagem.- As incidências craniocaudal (CC) e médio-lateral oblíqua (MLO) são as bases do exame mamográfico, com posicionamento e angulação específicos para visualização completa do tecido mamário.- A anamnese detalhada e o preparo adequado da paciente são fundamentais para a qualidade do exame e a correta interpretação das imagens.

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