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curso mediaçao de conflitos 2_SENASP_MJ_2010 - Resumo

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curso mediaçao de conflitos 2_SENASP_MJ_2010
33 pág.

Mediação de Conflitos Humanas / SociaisHumanas / Sociais

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## Resumo sobre Mediação de Conflitos – Módulo 1 e 2 (SENASP/MJ)A mediação de conflitos, especialmente no contexto do policiamento comunitário, é uma ferramenta essencial para a resolução pacífica de disputas e para a promoção da convivência social harmoniosa. O papel do policial, nesse cenário, ultrapassa a simples aplicação da lei, envolvendo a gestão das relações interpessoais e a prevenção da violência. O curso "Mediação de Conflitos 2" aprofunda os aspectos técnicos da mediação, complementando os conceitos básicos estudados anteriormente, e visa capacitar o aluno a identificar modelos, técnicas e etapas do processo, além de reconhecer a importância da mediação na Segurança Pública.### Tipos e Modelos de MediaçãoA mediação é um processo facilitador do diálogo que busca soluções cooperativas, adaptando-se às particularidades de cada conflito. Os tipos de mediação são classificados conforme o contexto em que ocorrem, destacando-se:- **Mediação técnica**: realizada por mediadores com formação específica (direito, psicologia, pedagogia), geralmente vinculados a instituições, atuando em conflitos empresariais ou institucionais.- **Mediação comunitária**: conduzida por membros da própria comunidade, com formação específica, voltada para conflitos locais, evitando a influência de lideranças políticas ou relações de poder já estabelecidas.- **Mediação forense**: aplicada no âmbito judicial, como nos tribunais, para facilitar acordos judiciais.- **Mediação penal**: utilizada em alguns países para resolver problemas no sistema prisional, como a superlotação.- **Mediação familiar**: oferece suporte profissional para famílias em crise, buscando preservar a estrutura psicoafetiva dos envolvidos.Além desses, existem outras modalidades, como mediação educativa (escolas, saúde), corporativa (organizações e trabalho), transcultural e política, e mediação em conflitos familiares diversos (conjugais, guarda de filhos, partilha de bens).Quanto aos modelos teórico-metodológicos, três são os mais reconhecidos internacionalmente:1. **Modelo tradicional-linear (Harvard)**: foca na resolução do problema e na construção de um acordo, orientado para o passado e para as causas do conflito. O mediador atua de forma linear, seguindo etapas preestabelecidas, buscando um acordo satisfatório para as partes. A conciliação é vista como objetivo natural.2. **Modelo transformativo (Bush e Folger)**: prioriza a transformação das relações entre as partes, focando no futuro e no reconhecimento mútuo das necessidades e capacidades de escolha. O acordo é consequência da transformação, e a mediação é centrada nas pessoas e no conflito, não apenas no acordo.3. **Modelo circular-narrativo (Sara Cobb)**: combina elementos dos modelos tradicional e transformativo, considerando o conflito, as pessoas e o contexto como inter-relacionados. Baseia-se no pensamento sistêmico, teoria das narrativas e redes sociais, buscando preservar vínculos e estimular reflexões.No Brasil, esses modelos coexistem, às vezes de forma conflitiva, mas a legislação tende a valorizar a mediação como um método para que as partes aprendam a administrar seus conflitos, proibindo o mediador de sugerir propostas específicas.### Técnicas de MediaçãoCada modelo traz técnicas específicas alinhadas à sua filosofia e objetivos:- **Modelo tradicional-linear**: utiliza os quatro princípios da negociação de Harvard — separar pessoas do problema, focar nos interesses e não nas posições, criar opções para benefício mútuo e usar critérios objetivos. O mediador facilita o diálogo verbal e organiza as ideias para alcançar um acordo.- **Modelo transformativo**: as técnicas promovem o reconhecimento do outro como protagonista, incentivando a análise conjunta e a tomada de decisões colaborativas.- **Modelo circular**: busca preservar os vínculos entre as partes, estimula a reflexão sobre o conflito e modifica os significados dos fatos para ampliar as possibilidades de solução.Autores contemporâneos defendem um modelo híbrido e flexível, onde o mediador atua como facilitador, equilibrando o poder e promovendo a cooperação para que as partes construam conjuntamente a solução.---## Módulo 2 – O Processo de Mediação Passo a PassoEste módulo detalha as etapas práticas da mediação, baseando-se no modelo que visa a formalização de um acordo, mas mantendo a flexibilidade e participação das partes. A metodologia apresentada por Daniel Seidel divide o processo em cinco etapas principais:1. **Pré-mediação**: fase preparatória onde o mediador conhece o conflito e as partes individualmente. O objetivo é criar condições para que cada parte expresse seu ponto de vista, identificar necessidades e interesses, definir local, data e regras para a mediação.2. **Começo da mediação**: momento em que as partes se reúnem e o mediador apresenta as regras básicas, como respeito mútuo, tempo igual para falar, sigilo e compromisso com a solução pacífica. O mediador acolhe os participantes e estabelece o ambiente para o diálogo.3. **Escuta ativa**: etapa fundamental para garantir que as partes se sintam ouvidas e compreendidas. O mediador utiliza técnicas como a paráfrase — repetir com suas próprias palavras o que foi dito — para fortalecer a comunicação e evitar acusações, focando no cerne do conflito e diferenciando posições de interesses.4. **Procurando soluções**: o mediador estimula as partes a refletirem sobre alternativas e ações que possam contribuir para a resolução do conflito, utilizando questionamentos criativos para aproximar as partes de um acordo.5. **Firmando compromissos**: momento de formalizar o acordo, detalhando ações, prazos e responsabilidades, garantindo que as partes estejam confortáveis com a solução. O acordo é redigido e assinado, e o mediador reconhece o esforço das partes.### Cuidados no Processo de MediaçãoPara que a mediação seja eficaz, o mediador deve observar alguns cuidados essenciais:- **Capacitação adequada**: o mediador deve possuir formação conceitual, legal e técnica, além de experiência prática supervisionada.- **Verificação da mediabilidade do conflito**: avaliar se há equilíbrio entre as partes, capacidade de cooperação e vontade de participar do processo.- **Imparcialidade e legitimidade**: ser aceito pelas partes como um terceiro neutro.- **Ambiente de cooperação**: evitar julgamentos, rótulos e competição, promovendo respeito e abertura para todas as opiniões.- **Equilíbrio de poder**: impedir que uma parte subjuga a outra, garantindo que todos possam se expressar livremente.- **Escuta sensível**: captar não apenas o que é dito, mas também o que está implícito, facilitando a comunicação.- **Respeito às diferenças**: considerar aspectos culturais, religiosos, de gênero, raça e etnia.- **Voluntariedade e consciência**: a mediação deve ser uma escolha livre e informada das partes, que podem desistir a qualquer momento.---## ConclusãoO estudo da mediação de conflitos, especialmente em contextos de Segurança Pública e policiamento comunitário, revela sua importância como instrumento para a construção da paz social e a promoção da cidadania. Conhecer os tipos, modelos e técnicas de mediação, assim como dominar as etapas do processo e os cuidados necessários, capacita o mediador a atuar de forma eficaz, respeitosa e ética. A mediação não apenas resolve conflitos, mas transforma relações, fortalece o diálogo e contribui para a prevenção da violência, consolidando-se como uma prática indispensável para a convivência pacífica e a justiça social.---## Destaques- A mediação de conflitos é um processo que facilita o diálogo e a construção de soluções cooperativas, adaptando-se a diferentes contextos e tipos de conflito.- Existem diversos tipos de mediação, como técnica, comunitária, forense, penal e familiar, que muitas vezes se inter-relacionam na prática.- Os principais modelos teóricos são o tradicional-linear (focado no acordo), o transformativo (focado na transformação das relações) e o circular-narrativo (que integra aspectos dos dois anteriores).- O processo de mediação compreende
cinco etapas: pré-mediação, começo da mediação, escuta ativa, procura de soluções e formalização de compromissos.- O mediador deve agir com imparcialidade, promover o equilíbrio de poder, respeitar as diferenças e garantir que a mediação seja voluntária e consciente para todas as partes envolvidas.

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