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QFL 2447-4 Polímeros, Conceitos Básicos 1º semestre de 2016 Prof. Yoshio Kawano Polímero em estado sólido pode ser amorfo ou semicristalino Amorfo significa sem forma. Polímero amorfo é caracterizado pela ausência de ordem estrutural tridimensional a longa distância, ou seja, apresentam -se enoveladas. Exemplos analógicos de polímero amorfo: um prato de espaguete e uma caixa de minhoca. A razão l/d é ~100, em polímeros é ~1000. Polímeros amorfos são classificados como vidro, sendo quebradiços e apresentando transparência óptica. Polímeros transparentes são, em geral, 100% amorfos. Alguns polímeros amorfos podem parecer opacos por causa da presença de adição de cargas. Na curva de difração de raios X, os polímeros amorfos apresentam um halo amorfo, que significa a existência de alguma ordem limitada à curta distância. Exemplos de polímero amorfo: at-PS, at-PP, PC, PVC, PVAC, at-PMMA, Teflon AF-1600. O gelo é transparente, mas a neve parece branca porque a luz precisa atravessar alternadamente pelo gelo e pelo ar várias vezes e, eles apresentam índice de refração diferentes e são espalhadas diferentemente. A espuma de PS é branca porque a luz deve passar entre o PS atáctico e a bolha de ar ou de penteno. O HIPS (high impact polystyrene) consiste de uma dispersão de polibutadieno (BR) de 1 a 10 μm numa fase contínua de PS atáctica, ambas as fases são amorfas, mas por terem índice de refração diferentes, espalham a luz diferentemente ,dando a aparência de branco translúcido. O polímero amorfo é homogêneo em toda extensão. As regiões amorfas do polímero conferem a elasticidade, maciez e flexibilidade ao polímero. Durante a solubilização do polímero, o solvente penetra mais facilmente na região amorfa. Polímero é um material viscoelástico. À temperatura ambiente, o polímero amorfo pode-se apresentar: a) duro, rígido e vítreo, se a Tg > Tamb b) Mole, flexível e elástico, se a Tg < Tamb Se o tipo (a) for aquecido, ele se torna elástico. Se o tipo (b) for resfriado à temperatura baixa, ele se torna rígido e vítreo. Polímero semicristalino (Pure Appl. Chem. 88(10),1831-1871, 2011, Definitions of terms relating to crystalline polymer, Meille, V.S. et al.) Polímero semicristalino é aquele que apresenta domínios com ordem tridimensional em escala de dimensões atômicas. Polímero semicristalino apresenta duas fases: a cristalina e a amorfa. Um polímero pode ser 100% amorfo. Um polímero não pode ser 100% cristalino. Em geral, um polímero semicristalino apresenta grau de cristalinidade de 40-90%. O PE preparado sob 5000 atm pode apresentar alta cristalinidade (95-99%), sendo considerado monocristal e é muito quebradiço. Ex. de polímeros semicristalino: HDPE, it-PP , PA 6,6, PTFE e outros. Um polímero semicristalino é mais denso e apresenta índice de refração maior do que a da fase amorfa, por isso ele se apresenta opaco ou translúcido, pois a luz sofre desvio ao passar de uma fase a outra. O poli(4-metil-1-penteno) (-CH2-CH(CH2CH(CH3)2-)n-, apresenta o η e a ρ da fase amorfa e da fase cristalina quase idênticos, assim, com relação à luz é transparente, apesar de ser semicristalino. Há vários modelos de cristalitos em polímeros semicristalinos. O modelo da micela franjada foi proposto por Hermann e Gerngross, em 1930. O modelo lamelar foi proposto por Keller e Fisher, em 1957. Lamela é uma estrutura organizada estendida em duas dimensões e de espessura uniforme similar a uma fina camada, uma placa ou uma membrana. Espessura de uma lamela é de 5 – 100 nm. O grau de cristalinidade de polímero pode ser expresso pela fração em massa (wc) ou pela fração em volume (φc). A relação entre as duas frações é: wc=φc(ρc/ρ) ρ é a densidade do polímero e ρc a da fase cristalina. Defeito na rede cristalina é a interrupção do padrão regular do arranjo atômico tridimensional na rede cristalina. O grau de cristalinidade de polímero pode ser determinado por meio de várias técnicas experimentais: 1) Difração de raios X wc,x=Ic/(Ic+KxIa ) Kx=1 I a é a área do halo amorfo I c é o somatório das áreas dos picos cristalinos 2) Calorimetria exploratória diferencial (DSC) wc,h= ΔfusH é a entalpia de fusão do polímero Δfus,cH é a entalpia de fusão de polímero 100% cristalino Polímero Δfus,cH (J g -1) PET 122 PE 292 PP 209 PA 6,6 195 P3HB 146 PA6 190 PVDF 139 H2O 334 H H cfus fus , 3) Medidas de densidade 4)Espectroscopia de absorção no infravermelho 5)Ressonância magnética nuclear 6)Espalhamento Raman O grau de cristalinidade de polímero é favorecido pela: força intercadeia alta, estrutura regular e simetria alta, grupo lateral de volume pequeno e regular, comprimento de cadeia homogêneo e linear e baixa taxa de resfriamento a partir da fusão. Quanto maior o grau de cristalinidade do polímero maior será a: - densidade, rigidez, resistência mecânica, resistência a solvente e ponto de amolecimento. Cristalito é um pequeno domínio cristalino limitado por contornos bem definidos. A formação de sólido cristalino pode ser a partir de uma solução, de um fundido ou de uma fase sólida diferente. Morfologia é a forma, aparência óptica ou a forma dos domínios de fases numa substância. Morfologia é encontrada em polímeros, blendas, compósitos e cristais. Morfologia de polímero semicristalino é a forma e a dimensão dos cristalitos e o arranjo relativo dos mesmos no espaço tridimensional. A morfologia de polímero semicristalino determina-se pela microscopia eletrônica de varredura (SEM), microscopia eletrônica de transmissão (TEM) e microscopia de força atômica (AFM) A lamela apresenta espessura da ordem de 10 – 20 nm. O esferulito apresenta raio da ordem de 1 – 100 μm Cristal lamelar é um tipo de cristal com uma grande extensão em duas dimensões e espessura uniforme (5 – 100 nm). Modelo esquemático de um esferulito. A seta preta indica a direção do alinhamento molecular. Polímeros apresentam várias morfologias, tais como: lamelar, axialito, dendrito, fibroso, shish-kebak, esferulito e outros Comportamento térmico -Temperatura de transição vítrea (Tg /K) • A Tg é a temperatura, abaixo da qual as mudanças de conformacão de segmentos de cadeias de 10-20 átomos , se tornam infinitamente lentas. • A Tg é, às vezes, chamada de temperatura de transição de segunda ordem, porque seu efeito é relativamente pequeno e as mudanças de fases antes e após a transição, são sólidas. • A Tg determina a faixa de temperatura em que um polímero poderá ser usado. • A Tg depende da: massa molar, história térmica, método de medida e da razão de aquecimento ou resfriamento da medida. • Algumas características da Tg: • - Quanto maior as forças secundárias no polímero, maior a Tg . • -Se a Tg>Tamb, o polímero será rígido. • -Se a Tg<Tamb, o polímero será flexível. • - Meros com grupo lateral volumoso apresentam Tg mais alta. A Tg aumenta em presença de: a) Grupo lateral volumoso; b) grupo polar; c) grupo com ligações cruzadas e d) grupo endurecedor. A Tg diminui em presença de : a) aditivos; b) grupo lateral flexível; c) grupo não polar e d) grupo simétrico. Os elastômeros ou borrachas apresentam Tg baixas. Todo polímero é processado a uma T>Tg e menor do que a Tm. Algumas propriedades do polímero variam com a T, tais como: dureza, entropia, entalpia, viscosidade, índice de refração, volume específico, capacidade caloríficae outras, assim, a Tg pode ser medida avaliando a variação de uma destas propriedade com a temperatura. A Tg pode ser medida por DSC, DTA, DMA e métodos espectroscópicos que permite determinar o tempo de relaxação ou a temperatura. Métodos para se determinar a Tg de polímeros: dilatometria, calorimetria exploratória diferencial (DSC), análise dinâmico mecânica (DMA) e ressonância magnética nuclear (NMR). Equação da dependência da Tg com a massa molar : Tg(M)=Tg()-K/Mn onde Tg() é o limite superior da massa molar e K é uma constante, que para vários polímeros tem um valor aproximado de 105 . Ex. para o PMMA é 2,1x105 e para o PS é 1,7x105 . Fatores que afetam a Tg: Estrutura:PE -120 oC, PTFE - 73 oC, PC 150 oC e PET 69oC. Impedimento estérico: PS 100 oC, poli(p-metilestireno) 101 oC e poli(orto-metilestireno) 125oC . Grupo lateral: PE -120 oC, PP -15 oC, PS 100 oC e poli(vinil carbazol) 280oC. Simetria, qualquer aumento em simetria abaixa a Tg: PVC 87 oC, poli(cloreto de vinilideno) -17 oC, PP -15 oC, poliisobuteno -65oC. Polaridade, qualquer aumento em polaridade tende a aumentar a Tg: PP -15 oC, PVAL 85 oC, PVC 87 oC, PAN 103oC. Tacticidade do polímero: it-PMMA 318 K , st-PMMA 388 K e at- PMMA 378 K, it-PP 373 K e at-PP 253 K. Isomeria cis-trans: cis-BR 165 oC, trans-BR 255 oC; cis-IR 200 oC e trans-IR 220 oC A flexibilidade da cadeia: (-Si(CH3)2-O-)n- -127 oC Cadeia rígida: (-S(O)2-C6H4-)n- poli(fenileno sulfona)>500 oC o polímero se decompõe antes de atingir a Tg. Temperatura de fusão Símbolo: Tm (IUPAC) ou Tf (ASTM) • A Tm de um polímero refere-se à temperatura na qual traços de cristalinidade desaparece sob aquecimento, ou a temperatura mais alta na qual a fase cristalina é estável. • A Tm é usualmente chamada de temperatura de transição de primeira ordem, onde a derivada primeira do potencial químico com relação a p e T é descontínua na transição. • Polímeros totalmente amorfo e polímeros reticulados não apresentam Tm. • A Tm se mede por meio das técnicas: DSC, DTA, NMR e dilatometria. • Quando um polímero semicristalino fundido é resfriado bruscamente ocorre a solidificação amorfa do mesmo (quenching). Ao aquecer ocorrerá a cristalização (Tc) (temperatura de cristalização a frio) e em seguida a fusão. • A taxa de cristalização de polímeros semicristalinos se torna infinitamente lenta . • A Tm geralmente se refere à temperatura mais alta da faixa de fusão, i.e. quando o último cristal perfeitamente ordenado ou o maior dos cristais se funde. • A determinação experimental da Tm pode depender do método de medida e das condições experimentais, tais como, massa da amostra, razão de aquecimento, etc. • Para alguns polímeros pode-se usar uma equação empírica que relaciona a Tg com a Tm: Tg=0,66 0,44Tm , onde T é em kelvin. Fatores que variam a Tm de um polímero. • a) Flexibilidade da cadeia, poli(adipato de etileno) 50 oC, PBT 224 oC, PET 247 oC e PEN 254oC • b) impedimento estérico, os polímeros isotáctico e sindiotáctico apresentam Tm mais altos do que os do atáctico. Ex. PP • c) grupo lateral maior apresenta Tm maior. PE 137 oC, PP 176 oC e PS 240oC • d) simetria estrutural apresenta Tm mais alta. Um polímero com estrutura aromática na posição para comparada com estrutura meta, esta tenderia a fundir a uma temperatura menor. e) polaridade. Maior força intermolecular tende a aumentar a Tm. f) Massa molar. PP 2000 g mol-1 114ºC e 30000 g mol-1 170ºC. • Assim, simetria, flexibilidade, tacticidade, massa molar e polaridade alteram a Tg e a Tm no mesmo sentido. A razão Tg/Tm varia de 0,5 à 0,75. 0,5 para meros simétricos 0,75 para meros não simétricos • Forças intermoleculares altas tendem a aumentar a Tm. • A família dos náilons: Tm/ oC • Náilon 3 320-330 • Náilon 6 215-220 • Náilon 11 185-187 • Náilon 13 174 • Náilon 4,6 278 • Náilon 6,6 265 • Náilon 13,13 174 Lista de Exercícios 4 A partir de Lucas G.S. de Oliveira 1. Como é possível saber se um dado polímero é ou não amorfo? 2. Que parâmetros afetam a Tg de polímeros? 3. Dado os polímeros PBT,PEN, PET e poli(adipato de etileno), ordene os mesmos na ordem decrescente de suas Tm e as razões pertinentes à esta ordem. 4. A Tm do Náilon 3 é 320 oC e o do Náilon 13 é de 173 oC, comente as razões desta diferença.