Prévia do material em texto
Iter criminis Concurso de Crimes Prof. Michael Procopio Iter Criminis Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Cogitação Atos preparatórios Atos executórios Consumação ▪ Regra: Art. 14 - Diz-se o crime: Crime consumado I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Consumação e tentativa Tentativa II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Pena de tentativa Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio ▪ Desistência voluntária: Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Tentativa abandonada ▪ Arrependimento eficaz: Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados. Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Tentativa qualificada Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços. Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Arrependimento Posterior Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Ponte de Ouro e Ponte de Prata Atos executórios Consumação Desistência voluntária Arrependimento eficaz Arrependimento posterior Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar- se o crime. Iter Criminis e Concurso de Pessoas Prof. Michael Procopio Crime impossível (FGV – ENAM I) No que diz respeito às figuras da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento posterior, analise as afirmativas a seguir. I. A espontaneidade e o esgotamento da atividade executória são requisitos da desistência voluntária. II. O esgotamento da atividade executória, o impedimento da ocorrência do resultado típico e a voluntariedade são requisitos legais do arrependimento eficaz. III. No arrependimento posterior, a redução da pena do agente ocorrerá conforme a celeridade da reparação do dano ou restituição da coisa, podendo ocorrer a exclusão da punibilidade se o crime foi cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) II e III, apenas. Introdução ao Direito Penal Prof. Michael Procopio Dosimetria da pena Concurso de Crimes Prof. Michael Procopio Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 1ª Fase I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos; III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Maus antecedentes: ▪ Súmula 444 STJ: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base”. ▪ “Inquéritos ou processos em andamento, que ainda não tenham transitado em julgado, não devem ser levados em consideração como maus antecedentes na dosimetria da pena.” ▪(STF, HC94620/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, 24/06/2015). Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 1ª Fase “Não se aplica ao reconhecimento dos maus antecedentes o prazo quinquenal de prescrição da reincidência, previsto no art. 64, I, do Código Penal, podendo o julgador, fundamentada e eventualmente, não promover qualquer incremento da pena-base em razão de condenações pretéritas, quando as considerar desimportantes, ou demasiadamente distanciadas no tempo, e, portanto, não necessárias à prevenção e repressão do crime, nos termos do comando do artigo 59, do Código Penal.” (STF, RE 593818 ED, Rel. Min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 18-08-2020) Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio “Quanto à aplicação do denominado "direito ao esquecimento", ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte Superior posicionaram-se no sentido de que a avaliação dos antecedentes deve ser feita com observância aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, levando-se em consideração o lapso temporal transcorrido entre a extinção da pena anteriormente imposta e a prática do novo delito, qual seja, mais de 10 anos, o que não ocorre no presente caso.” (STJ, AgRg nos EDcl no REsp n. 2.015.564/SC, Rel. Min.Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, j. em 17/9/2025, DJEN 22/9/2025.) Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Art. 64 - Para efeito de reincidência: I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos”. Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 1ª Fase CP, Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: I - a reincidência; Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 2ª Fase CP, Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. LCP, Art. 7º - Verifica-se a reincidência quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção. Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio ReincidênciaAplicação da Pena: 2ª Fase Art. 64 - Para efeito de reincidência: I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos. Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 2ª Fase CP, Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência. Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 2ª Fase Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio “A confissão do autor possibilita a atenuação da pena prevista no artigo 65, III, d, do Código Penal, independentemente de ser utilizada na formação do convencimento do julgador”. Súmula 545 do STJ “A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes, quando o acusado admitir a posse ou a propriedade para uso próprio, negando a prática do tráfico de drogas, deve ocorrer em proporção inferior à que seria devida no caso de confissão plena”. Súmula 630 do STJ Aplicação da Pena: 2ª Fase Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio “A reincidência, ainda que específica, deve ser compensadaintegralmente com a atenuante da confissão, demonstrando, assim, que não deve ser ofertado maior desvalor à conduta do réu que ostente outra condenação pelo mesmo delito. Apenas nos casos de multirreincidência deve ser reconhecida a preponderância da agravante prevista no art. 61, I, do Código Penal, sendo admissível a sua compensação proporcional com a atenuante da confissão espontânea, em estrito atendimento aos princípios da individualização da pena e da proporcionalidade”. (STJ, REsp n. 1.931.145/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 22/6/2022, DJe de 24/6/2022). Aplicação da Pena: 2ª Fase Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio TESE: "A reincidência específica como único fundamento só justifica o agravamento da pena em fração mais gravosa que 1/6 em casos excepcionais e mediante detalhada fundamentação baseada em dados concretos do caso.“ (STJ, REsp n. 2.003.716/RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, julgado em 25/10/2023, DJe de 31/10/2023) Aplicação da Pena: 2ª Fase Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio "A reincidência pode ser admitida pelo juízo das execuções penais para análise da concessão de benefícios, ainda que não reconhecida pelo juízo que prolatou a sentença condenatória". (STJ, REsp n. 2.049.870/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 17/10/2023, DJe de 20/10/2023) Aplicação da Pena: 2ª Fase Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as causas de diminuição e de aumento. (sistema trifásico de dosimetria) Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua. Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 3ª Fase Pedido de reconhecimento da impossibilidade de aplicação concomitante entre o § 2°, inciso II (concurso de agentes), e o § 2°-A, inciso I (emprego de arma de fogo), ambos do art. 157 do Código Penal. A correta interpretação do art. 68 do Código Penal não é a que a combativa defesa pugna nesta impetração. A norma penal apontada permite a aplicação cumulativa de causas de aumento de pena previstas na parte especial, desde que o magistrado sentenciante fundamente a necessidade do emprego cumulativo à reprimenda. (STJ, HC 620.677/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 02/02/2021, DJe 08/02/2021) Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 3ª Fase "O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.“ Súmula 443 do STJ Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 3ª Fase “Cálculo da reprimenda em razão do emprego das majorantes. Pleito de utilização da acumulação simples. Impossibilidade. A jurisprudência Pátria adota o critério cumulativo ou do "efeito cascata", no que tange ao concurso de causas de aumento ou diminuição de pena. Precedentes”. (STJ, AgRg no HC n. 723.412/SC, Rel. Des. Conv. Jesuíno Rissato, Quinta Turma, julgado em 25/10/2022, DJe de 4/11/2022) Teoria Geral da Pena Prof. Michael Procopio Aplicação da Pena: 3ª Fase (FGV – ENAM I) Em uma ação penal per crime ocorrido em 04/03/2023, o réu, ao ser interrogado, confessa espontaneamente, perante o juiz, a prática do delito que lhe é imputado. Na folha de antecedentes criminais do acusado, constam as seguintes anotações, devidamente esclarecidas por certidões cartorárias: I. condenação transitada em julgado em 08/06/2016 por crime anterior, praticado em 06/02/2014, com pena de reclusão extinta em 15/03/2022, diante do término do livramento condicional, cujo período de prova se iniciara em 14/08/2017. II. condenação transitada em julgado em 02/09/2022 por contravenção penal anterior, praticada em 07/01/2022, com pena de prisão simples cumprida em 03/03/2023; e III. ação penal em curso, por crime posterior, praticado em 05/03/2024. Introdução ao Direito Penal Prof. Michael Procopio À luz das informações apresentadas, conclusos os autos ao juiz para sentença, no dia de hoje, na segunda fase da dosimetria da pena, a pena deverá ser a) atenuada, incidindo a atenuante da confissão espontânea, sendo o réu primário. b) atenuada, preponderando a atenuante da confissão espontânea sobre a agravante da reincidência. c) mantida, compensando-se integralmente a atenuante da confissão espontânea com a agravante da reincidência. d) agravada, compensando-se proporcionalmente a agravante da reincidência com a atenuante da confissão espontânea. e) agravada, preponderando a agravante da reincidência, sem qualquer compensação em relação à atenuante da confissão espontânea. Introdução ao Direito Penal Prof. Michael Procopio Crimes contra a Administração Pública Concurso de Crimes Prof. Michael Procopio Artigo 33, § 4º, do CP: O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Crimes contra a Administração Pública Súmula 599 do STJ O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Crimes contra a Administração Pública Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa. § 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário. Peculato Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio § 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. § 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena imposta. Peculato culposo Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio Corrupção ativa Corrupção passiva Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. “Conforme a jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal, a perfeita subsunção da conduta ao crime de corrupção passiva exige a demonstração de que o favorecimento negociado pelo agente público encontra-se no rol das atribuições previstas para a função que exerce. Precedentes. No caso, a narrativa ministerial não descreve quais as atribuições conferidas ao cargo ocupado pela congressista denunciada que teriam sido objeto da negociação, nem tampouco quais os interesses o Grupo Odebrecht buscava almejar com o suposto repasse de valores em prol da parlamentar, a evidenciar a inépcia da denúncia. (STF, Inq 4342, Rel. Min. Edson Fachin, Tribunal Pleno, julgado em 21- 11-2023) Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio Concussão Exigirvantagem Corrupção passiva Solicitar/receber vantagem Aceitar promessa de vantagem Corrupção passiva privilegiada Ceder a pedido ou influência de outrem Prevaricação Satisfazer interesse ou sentimento pessoal Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa. Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio Condescendência criminosa Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. Parágrafo único - Se o interesse é ilegítimo: Pena - detenção, de três meses a um ano, além da multa. Dos Crimes Contra a Administração Pública Prof. Michael Procopio Advocacia administrativa Furto Concurso de Crimes Prof. Michael Procopio Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto. Súmula 567 do STJ Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio Furto “Delimitada a tese jurídica para os fins do art. 543-C do CPC, nos seguintes termos: Consuma-se o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo e seguida de perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.” (STJ, REsp 1524450/RJ – Representativo da Controvérsia, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Terceira Seção, DJe 29/10/2015). Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio Furto § 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno. Tese jurídica: “A causa de aumento prevista no § 1° do art. 155 do Código Penal (prática do crime de furto no período noturno) não incide no crime de furto na sua forma qualificada (§ 4°)” (STJ, REsp 1.888.756/SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Terceira Seção, julgado em 25/5/2022) Furto majorado Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio § 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. “É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.” Súmula 511 Furto privilegiado Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio “Por maioria, foram também acolhidas as seguintes teses: (i) a reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto; e (ii) na hipótese de o juiz da causa considerar penal ou socialmente indesejável a aplicação do princípio da insignificância por furto, em situações em que tal enquadramento seja cogitável, eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como regra geral, em regime inicial aberto, paralisando-se a incidência do art. 33, § 2º, c, do CP no caso concreto, com base no princípio da proporcionalidade” (STF, HC 123108, Relator Ministro Roberto Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 03-08-2015). Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio “Recurso especial desprovido, com a fixação da seguinte tese: a restituição imediata e integral do bem furtado não constitui, por si só, motivo suficiente para a incidência do princípio da insignificância”. (STJ, REsp n. 2.062.375/AL, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 25/10/2023, DJe de 30/10/2023.) Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido: I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa; II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza; III - com emprego de chave falsa; IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio Furto qualificado Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio Furto mediante fraude X estelionato (ENAM I – Aplicação nacional) Alberto mágico profissional, em uma relojoaria, pede ao vendedor para ver um relógio suíço, de elevado valor. O vendedor atende a seu pedido, e Alberto coloca o relógio em seu pulso, sob o pretexto de querer ver se o acessório fica bem em seu braço. Ato contínuo, ele distrai o vendedor, tirando-lhe a atenção, momento em que, valendo-se da ligeireza de seus movimentos, retira rapida- mente o relógio do pulso, substituindo-o por uma cópia idêntica, que traz em seu bolso, e a entrega ao vendedor, que nada percebe. Alberto, então, agradece a atenção, pergunta quanto custa o relógio e, depois de afirmar que vai pensar um pouco mais, deixa a loja, levando consigo a peça. Diante do caso narrado, Alberto deverá responder por a) estelionato. b) furto simples. c) furto qualificado. d) apropriação indébita simples. e) apropriação indébita qualificada. Introdução ao Direito Penal Prof. Michael Procopio Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Furto Dos crimes contra o patrimônio I Prof. Michael Procopio Súmula 96 do STJ: “O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida.” Direito Penal Prof. Michael Procopio Crimes contra o patrimônio Crimes contra a dignidade sexual Concurso de Crimes Prof. Michael Procopio Dos Crimes contra a Dignidade Sexual Prof. Michael Procopio Delito contra a liberdade sexual Tipo Penal Estupro Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso Violação sexual mediante fraude Praticar ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima Importunação sexual Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro Assédio sexual Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se da condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função Delito sexual contra vulnerável Tipo Penal Estupro de vulnerável Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos ou vulnerável. Corrupção de menores Induzir alguém menor de 14 (catorze) anos a satisfazer a lascívia de outrem. Satisfação da lascívia mediante presença de criança ou adolescente Praticar, na presença de alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem Favorecimento de prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone. “Tese: presente o dolo específico de satisfazer à lascívia, própria ou de terceiro, a prática de ato libidinoso com menor de 14 anos configura o crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), independentemente da ligeireza ou da superficialidade da conduta, não sendo possível a desclassificação para o delito de importunação sexual (art. 215-A do CP)”. (STJ, REsp n. 1.954.997/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 8/6/2022, DJe de 1/7/2022.) Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Art. 218-B. § 2º Incorre nas mesmaspenas: I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste artigo; II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo. SUGAR BABY! § 3º Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Súmula 659 do STJ – "A fração de aumento em razão da prática de crime continuado deve ser fixada de acordo com o número de delitos cometidos, aplicando-se 1/6 pela prática de duas infrações, 1/5 para três, 1/4 para quatro, 1/3 para cinco, 1/2 para seis e 2/3 para sete ou mais infrações." Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio “Para os fins do art. 927, inciso III, c.c. o art. 1.039 e seguintes, do Código de Processo Civil, fixa-se a seguinte tese: "No crime de estupro de vulnerável, é possível a aplicação da fração máxima de majoração prevista no art. 71, caput, do Código Penal, ainda que não haja a delimitação precisa do número de atos sexuais praticados, desde que o longo período de tempo e a recorrência das condutas permita concluir que houve 7 (sete) ou mais repetições". (STJ, REsp n. 2.029.482/RJ, relatora Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 17/10/2023, DJe de 20/10/2023.) Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Ação Penal (depois da Lei 13.718/2018) Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal pública incondicionada. Parágrafo único. (Revogado). Disposições Gerais Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Aumento de pena Art. 226. A pena é aumentada: I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas; Disposições Gerais Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela; O motorista de van escolar, ao cometer o crime de estupro de vulnerável contra criança ou adolescente sob sua vigilância, está sujeito à causa de aumento de pena prevista no art. 226, II, do Código Penal, devido à sua posição de autoridade e garantidor da segurança e incolumidade moral das vítimas. (Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 8/10/2024 - Informativo 829) Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio II - de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela; Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: II - ter o agente cometido o crime: f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio “nos crimes contra a dignidade sexual, não configura bis in idem a aplicação simultânea da agravante genérica do art. 61, II, "f", e da majorante específica do art. 226, II, ambos do Código Penal, salvo quando presente apenas a relação de autoridade do agente sobre a vítima, hipótese na qual deve ser aplicada tão somente a causa de aumento” (STJ, REsp n. 2.038.833/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, julgado em 13/11/2024, DJe de 18/11/2024) Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado: Estupro coletivo a) mediante concurso de 2 (dois) ou mais agentes; Disposições Gerais Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado: Estupro corretivo b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima. Dos Crimes Sexuais contra Vulnerável Prof. Michael Procopio Disposições Gerais Prof. Michael Procopio