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Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 1 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Carcaça HP/IP Turbinas à Vapor Turbinas à vapor formam uma categoria própria de máquinas motoras com múltiplas aplicações. Acionam desde bombas à geração e cogeração elétricas. Seu projeto característico é: Fluxo de Vapor Pás diretrizes Fixas Pás móveis nos discos dos Estágios 1- Projeto Básico Introdução As turbinas a vapor tem os seguintes componentes: a) Carcaça: pode ser classificada como HP – alta pressão, IP – pressão intermediária e LP – baixa pressão. Contém os canais do circuito do vapor e os diafragmas com suas palhetas fixas. b) Rotores: A turbina a vapor pode ter rotores HP/IP – alta pressão e pressão intermediária – ou rotores HP e IP separados e um ou mais rotores LP – baixa pressão. c) Mancais: de deslizamento, bipartidos, de assento esférico para auto- alinhamento. São 2 por rotor. Com dois rotores, 1 HP/IP e 1 LP serão 4 mancais. Mancais hidrostáticos tipo tilting pads tem uso recente nos rotores HP, IP e algumas vezes, LP. Carcaça LP Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 2 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Figura - Turbina de Alta Pressão d) Selos: os selos podem ser fixos, com molas ou retráteis. Estão nas passagens do eixo pela carcaça e entre secções de alta e baixa pressão e) Acoplamentos: são normalmente do tipo flangeado rígido f) Engrenagem de giro lento: aplica baixa rotação na turbina fora de operação, para evitar o empenamento térmico do eixo. Carcaça Carcaças HP – alta pressão, são quase sempre muito mais robustas do que o rotor, para suportar altas pressões internas. Projetos mais modernos possuem duas carcaças, uma externa e outra interna, montadas juntas, alinhadas e fixadas. As válvulas são presas à carcaça, parcialmente fundidas. Todas as linhas de alta pressão são presas à carcaça, diretamente ou através das válvulas. Entrada de Alta Pressão Placa de Expansores Caixa dos Mancais Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 3 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Transmissão de Vibração do Rotor para a Carcaça: Como a carcaça é muito mais pesada do que o rotor, acredita-se que sensores sem contato, os proximeters da carcaça para o rotor, forneçam medidas de qualidade. O rotor, mais leve move-se dentro da carcaça, podendo até roçar. Expansão Térmica diferencial nas turbinas HP: Com mais massa do que o rotor, a carcaça demora mais para aquecer e esfriar. Isto favorece o desalinhamento, pois alguns componentes são presos na carcaça externa, carcaça interna, válvulas, etc. A tubulação se movimenta com a temperatura e força a carcaça ou então impedem sua expansão. A distorção térmica diferencial afeta o alinhamento, causa roçamento, afeta o nível de vibração e modifica as freqüências naturais. Mancal Axial Mancal Radial com Pescador Entrada do Gás Selos de Anéis de Carvão Empalhetamento Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 4 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Turbina de Baixa Pressão Expansão Térmica diferencial nas turbinas HP: As turbinas LP e HP têm poucas diferenças: a) as carcaças LP de construção mais leve, aquecem mais rápido do que o rotor; b) as tubulações LP são menos rígidas – menor arraste térmico. Nas LP os tubos são ligados no condensador. As variações de vácuo do condensador reposicionam o eixo em relação aos mancais. Os problemas de expansão térmica não são graves principalmente por que os rotores LP têm maiores folgas do que os HP. Na expansão térmica o rotor força o mancal de escora e desloca-se para o lado oposto. Observações: -Válvula de Alívio deve ser instalada na tubulação de saída entre a carcaça e válvula e válvula gaveta, dimensionada para fluxo total (para proteção). -As carcaças possuem conexões de dreno de pressão que devem ter válvula para drenagem de condensado durante paradas e aquecimento para partida. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 5 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Perfil do Rotor HP Rotores A maioria dos rotores é feita de uma única peça, aço cromo-níquel- molibdênio – AISI 4340. Somente as palhetas são colocadas depois. Os rotores grandes são formados por duas peças, mas se comportam como corpo único. Alguns têm furo axial passante fechado por plugs, que retém água coletada em canais de labirintos e encaixe de palhetas. Dependendo da quantidade de líquido armazenado, o rotor pode se tornar termicamente sensível, ou seja, pequenas diferenças de temperatura alteram a vibração em 1x, em amplitude e em fase. Os canais de labirintos são muitas vezes pontos de roçamento. É boa prática identificar estes pontos em relação à carcaça. Os rotores são entregues balanceados, sendo necessário talvez pequeno ajuste após a montagem. Rebalancear o rotor somente se houver alteração de massa ou de rigidez após um tempo de operação. Perfil do Rotor LP Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 6 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Os rotores das turbinas rodam acima da primeira crítica e, portanto, trabalham como rotores flexíveis. Pequenos rotores de contra pressão de baixa rotação podem operar como rotores rígidos. Os mancais são projetados para introduzir amortecimento e adequar a rigidez do sistema do rotor. As ressonâncias podem ser reguladas pelos ajustes nos mancais, um detalhe muito importante. A relação entre a rigidez do eixo e a do mancal deve ser no máximo 5, ou seja: 5 2 S b K K Onde: - Kb= 3 48 LIE [N/m] é a rigidez do eixo - E [Mpa] é o módulo de elasticidade do material - I [m4] é o momento de inércia de área - L [m] é a distância entre mancais A rigidez dos mancais do suporte do rotor dos mancais Kb depende da rigidez do filme de óleo e dos suportes dos mancais. Quando o mancal está apoiado em um suporte em balanço é mais fácil equacionar a resposta dinâmica do rotor. Além das freqüências naturais, os modos de vibrar são alterados pela rigidez do suporte. Balanços maiores afetam fortemente o modo pivotal e levemente o primeiro modo. O mesmo acontece com o acionamento do regulador. O peso do acoplamento afeta a freqüência crítica. Quando o acoplamento é flexível, qualquer elemento do acoplamento pode afetar o balanceamento, as harmônicas da rotação e as vibrações axiais. Empalhetamento São formados conjuntos de palhetas que são montadas nos discos. Estes grupos de palhetas formam pequenos subsistemas com muitas freqüências naturais e modos de vibrar. A operação das turbinas evita as rotações críticas, que podem quebrar as palhetas sem que esta vibração seja percebida nas medições. As palhetas LP são longas e flexíveis – mais susceptíveis às vibrações. Elas podem superaquecer se a unidade estiver trabalhando com o vácuo do condensador Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 7 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade inadequado, sofrer corrosão de tensão que provoca fissuras e perda de massa. A erosão criada pelo vapor condensado é um agravante sério. O indicativo é a variação na amplitude e fase de vibração em 1x – tipo desbalanceamento. A tolerância radial típica na montagem das palhetas é de 2 m por cada mm de diâmetro. Placa de Expansores (Diafragmas) Componenteonde ocorre ganho de energia cinética, também chamada de placa de bocais ou bicos. Os furos dos expansores podem ser usinados circulares ou adotando-se blocos de seção retangular (menor perda e maior área de passagem) Introdução aos mancais e selos em dinâmica de rotores Uma turbomáquina é definida como uma estrutura rotativa onde a carga ou o operador gerencia o fluído de onde se é extraída ou entregue energia. Exemplos de turbomáquinas incluem bombas e compressores, turbinas à gás ou à vapor, turbo geradores e turbo expansores, etc... A maioria das turbomáquinas é apoiada em mancais de filme de óleo (mancais de deslizamento), no entanto os avanços tecnológicos estão elevando os patamares destes tipos de mancais para sua melhoria e até o desenvolvimento de mancais a gás. Os mancais de óleo são utilizados devido à sua adequada resistência a carregamentos, boas características de amortecimento e ausência de desgaste se propriamente utilizado e operado. As turbomáquinas possuem também outros elementos mecânicos que possuem características de rigidez e amortecimento que afetam a dinâmica do sistema rotor- mancal. Selos de palhetas, selos flutuantes e colares de propulsão são alguns destes elementos. Circular Blocos de Seção Retangular Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 8 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade A operação adequada de uma turbomáquina é definida pela habilidade de interpretar normais (e até anormais) níveis de vibração sem afetar significativamente sua performance. A análise da dinâmica de rotores considera a interação entre as propriedades inerciais e elásticas do rotor e as impedâncias mecânicas do filme de fluído do mancal e dos outros componentes. Mancais Radiais de Deslizamento São elementos de máquinas projetados para produzir um movimento suave (com baixo atrito) entre as superfícies sólidas no movimento relativo, além de gerar um suporte para os componentes mecânicos. O lubrificante ou fluído entre as superfícies pode ser um líquido, um gás ou até um sólido. Estes tipos de mancais são projetados para suportar cargas estáticas e dinâmicas. E, conseqüentemente, os efeitos de performance em máquinas rotativas são de grande importância. Vale lembrar que utilizamos a palavra “filme”, pois a espessura da fluído que separa as superfícies é muito pequena quando comparada às outras dimensões do mancal, tais como largura e comprimento. Problemas mais comuns na dinâmica de rotores: 1- Excessivo nível de vibração síncrona; 2- Instabilidades sub-harmônicas do rotor; Níveis de Vibração podem ser reduzidos por: a) Refinamento no balanceamento; b) Modificação do sistema rotor-mancal: procurar operar o maquinário longe das velocidades críticas; c) Introduzir amortecimentos que diminuam as amplitudes nas velocidades críticas; Instabilidades sub-harmônicas podem ser evitadas por: a) Aumentar o máximo possível as freqüências naturais do sistema rotor; b) Eliminar as instabilidades do mecanismo, mudança no projeto do mancal se o fenômeno do “chicote de óleo” (óleo whip) estiver presente; c) Introdução de amortecimentos. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 9 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Principio de funcionamento do mancal de deslizamento Princípio de Funcionamento dos Mancais de Deslizamento A figura abaixo mostra um mancal radial de deslizamento nas três fases distintas de operação: A figura (a) mostra o que ocorre no instante da partida ou início de rotação do mancal. Devido ao contato metálico inicial, o eixo tende a subir pela parede interna da bucha, no sentido contrário da rotação, deslocando-se para a direita, conforme mostrado na fig. (b). Finalmente a fig (c) mostra a posição normal de trabalho após algumas poucas rotações do eixo. Devido à propriedade de aderência do lubrificante à superfícies metálicas, este é arrastado pelo eixo giratório para o espaço convergente entre o munhão e a bucha. Uma vez naquela posição, o óleo encontra cada vez menor espaço disponível, à medida que é arrastado pelo eixo na direção da rotação. Sendo o óleo incompressível, a única coisa que pode acontecer é que o mesmo gera uma pressão interna, a chamada pressão hidrodinâmica. Esta pressão depende da velocidade de rotação N, da viscosidade do lubrificante, da folga do mancal, do diâmetro d e comprimento L do munhão e da carga aplicada F. Se esta pressão hidrodinâmica for suficientemente elevada, haverá separação completa entre eixo e a bucha, estabelecendo-se um filme de óleo de espessura mínima h0 na região carregada do mancal, conforme mostrado na fig. abaixo. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 10 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Mancal e distribuição da pressão hidrodinâmica Num mancal típico, de 3600, conforme mostrado acima, a pressão hidrodinâmica no filme de óleo começa a desenvolver-se no ponto A, onde a folga começa a convergir. A pressão aumenta gradativamente até atingir o valor máximo, passando a diminuir em seguida, até atingir o valor mínimo no ponto B, um pouco adiante da posição de espessura mínima h0 do filme de óleo. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 11 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Categorias de Mancais Radiais de Deslizamento Mancais com filme de fluídos hidrodinâmicos (lub. de filme completo) Neste tipo de mancal há um movimento relativo entre duas superfícies mecânicas. A lubrificação hidrodinâmica não depende da introdução do lubrificante sob pressão, embora possa sê-lo, porém requer um suprimento de lubrificante adequado todo o tempo. A pressão da película é criada pelo movimento das próprias superfícies, impelindo o lubrificante para a zona convergente (cunha de óleo) a uma velocidade suficientemente alta para criar a pressão necessária para separar as superfícies em contato, devido à carga no mancal. A pressão hidrodinâmica gerada é capaz de suportar altas cargas aplicadas. Vantagens Desvantagens Não requer fonte externa de pressão. O próprio movimento induz a criação do filme de óleo Se a película de filme for pouco espessa, efeitos térmicos afetam a performance do mancal. Capacidade de suportar altos carregamentos. Essa capacidade é definida pela viscosidade do lubrificante, velocidade das superfícies, área da superfície, geometria do mancal e a espessura de filme. Requer o movimento relativo entre as superfícies para poder gerar a capacidade de carga Vida longa (infinita na teoria) sem o desgaste das superfícies. Induz um alto torque de arrasto (perda de energia) e um risco potencial de dano às superfícies nas partidas(antes da formação do filme) e paradas Cria coeficientes de rigidez e amortecimento de alta magnitude Potencial para gerar instabilidades hidrodinâmicas. Perda das características de amortecimentos quando a rotação do conjunto estiver abaixo da rotação crítica do mancal. Mancal Hidrodinâmico Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 12 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Parede de desaceleração Barreira Principio de funcionamento do mancal de hidrodinâmico Variantes Mancal com barreira à pressão Este tipo de mancal é semelhante a um mancal de deslizamento comum, porém, ele possui um alívio interno que termina abruptamente em uma parede. Isto faz com que o fluído em movimento ao encontrar essa barreira ele é desacelerado o que fazsua pressão aumentar consideravelmente. Dessa forma este tipo de mancal possui uma capacidade de suportar altas cargas e é o mais indicado para máquinas que tendem a desenvolver o “redemoinho” de óleo (oil whirl). Pressão Movimento Relativo Pressão Rotação Fluído Cunha Hidrodinâmica Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 13 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Colar Rotativo-Pescador - Journal Mancal Axial de Escora Mancal Pivoted Shoe O mancal hidrodinâmico com colar rotativo é um dos modelos mais básicos utilizados. Possui uma capacidade para suportar altos carregamentos, é compacto e é de fácil manufatura. Mas devido aos aumentos freqüentes nas rotações das máquinas descobriu-se que este tipo de mancal é sujeito ao “redemoinho” de óleo (oil whirl). Que produz altas amplitudes de vibração, forças e estresses cíclicos aos mancais, eixo e à própria máquina. Variações deste tipo de mancal foram testadas com a finalidade de impedir o aparecimento deste fenômeno. Uma das alternativas que se mostrou eficiente foi o Pivoted Shoe. Mancal Hidrodinâmico Pivoted Shoe com colar rotativo Vista aberta do Mancal Pivoted Shoe Base Fixa Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 14 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade 1- O óleo entra no anulo pela base do anel 2- Óleo passa pelas fendas radiais pela face traseira do anel 3- O óleo flui pela folga entre o anel e o eixo 4- Óleo flui pelo diâmetro interno do colar rotativo 5- Flui por entre as Sapatas (Shoes) e vai à formação do filme 6- Na borda do colar o óleo é jogado no espaço ao redor do colar 7- O Óleo sai tangencialmente pela abertura de descarga Não podemos nos esquecer do lubrificante. É um elemento essencial ao mancal, pois serve para transmitir as cargas do eixo para os assentos. Ele também impede o contato metal-metal e faz a dissipação de calor gerada pelo movimento. Modelamento matemático das características de rigidez e amortecimento de um mancal hidrodinâmico inlbm N K c ld K BD 2 3 2 1 3 3 1 (1) in lb m ND c ld D BD secsec 1 2 3 2 1 3 3 (2) Sapatas que impedem a formação do Turbilhonamento do óleo (4 ou 5 sapatas com babbitt) Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 15 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Mancal Hidrostático Onde temos que : BDBD DK , representam a rigidez radial e o amortecimento do mancal hidrodinâmico; 11 , DK são constantes; cd , diâmetro do colar rotativo e o diâmetro do filme de óleo; l comprimento do mancal; viscosidade dinâmica; razão de excentricidade; velocidade rotativa (velocidade angular); Podemos ver dessa forma que os dois parâmetros do mancal, Rigidez e Amortecimento, estão acoplados. Como os fatores relativos a cada um são comuns qualquer mudança no amortecimento reflete uma mudança na rigidez. Por exemplo, as equações (1) e (2) mostram que uma tentativa no aumento da rigidez, aumentando a viscosidade do fluído, resultará também em um aumento no amortecimento pois ambas são diretamente proporcionais a . Não podemos esquecer que a rigidez do mancal é diretamente proporcional a velocidade de rotação do eixo, . Pois no mancal hidrodinâmico o movimento dinâmico é que gera sustentação responsável pela resistência às cargas. Mancais com filme de fluídos hidrostáticos Neste tipo de mancal uma fonte externa de pressurização do fluído força o lubrificante ou fluído entre as superfícies. Desta forma ele permite a separação das superfícies e a possibilidade de suportar carga, sem contato das partes. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 16 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Figura – Principio de funcionamento do mancal de hidrostático Pressão Filme de óleo Pr essão Fluido à Ps Cavidade Canal de injeção Vantagens Desvantagens Suporta cargas muito grandes. A carga suportada é função da pressão gerada ao longo do mancal e da área de pressão do fluído Requer um equipamento auxiliar. Altos custos de instalação e manutenção A carga não depende da espessura do filme nem da viscosidade do lubrificante Necessita de equipamento de filtragem de fluído. Existe perda de eficiência com a contaminação do fluído Vida longa (infinita na teoria) sem o desgaste das superfícies. Potencial para induzir instabilidades hidrodinâmicas no modo de operação híbrido. Cria coeficientes de rigidez e amortecimento de alta magnitude. Excelente para um exato posicionamento e controle. Perda de amortecimento em altas e baixas freqüências devido a acúmulos de volumes de fluídos Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 17 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Modelamento matemático das características de rigidez e amortecimento de um mancal hidrostático 0 2 C al d lc P K S BS (3) Onde temos que : BS K representa a rigidez do mancal hidrostático; P pressão fornecida; cd , diâmetro do eixo e o diâmetro do colar rotativo; l comprimento do mancal; a comprimento de axial de uma cavidade; 0 C rigidez não dimensional baseada na geometria do mancal ( ) e na pressão ( ); 1 12 165.7 0 C (4) 5.0 S p P P (5) 5.0 1 bd aan (6) p P Pressão em cada cavidade; n número de cavidades; b comprimento circunferencial de uma única cavidade; Os mancais das turbinas têm folga radial de 1.6 a 2 m por cada 1mm de diâmetro do mancal. Por exemplo um mancal de 200 mm tem folga radial de 320 m a 400 m (0.32 a 0.4 mm). Os mancais hidrostáticos com sapatas inclinadas não provocam oil whirl – o chicoteamento de óleo, mas o selo hidráulico próximo ao mancal pode gerar Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 18 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade instabilidade induzida pelo fluxo. Os mancais de deslizamentos com Babbitt, têm 3 faixas de folgas: 0.25, 0.50 e 0.75 mm (esta a mais comum). Os mancais mais modernos já vêm com termopar embutido no metal pra o monitoramento das temperaturas. Os mancais elípticos e de sapatas inclinadas são os mais comuns nas grandes turbinas. Os elípticos são normalmente combinados com assentos esféricos para propiciar auto-alinhamento. O efeito direto da capacidade de auto-alinhamento é o que o mancal pode movimentar deslocando a linha de centro dos mancais em relação à linha de centro dos mancais em relação à linha de centro do eixo. Isto ocorre sem problemas, desde que exista folga suficiente entre o mancal e o pedestal. Se o mancal ficar torcido em relação à linha de centro do rotor o mancal irá comportar-se como se fosse rígido, com perturbações no fluxo de óleo do mancal. Nestas condições pode acontecer roçamento entre o eixo e o metal nos lados opostos do mancal e a 180o. As temperaturas do mancal e do óleo no dreno ficarão acima do normal. Medição da Folga nos Mancais de Deslizamento A medição da folga nos mancais pode ser feita como mostrado na figura acima. Utilizando-se um fio especial aderente e colocando-o paralelo ao eixo, monta-se o mancal prendendo-o. O cordão irá se deformar. Medindo-se a deformação com a escalaque vêm com o material podemos saber a folga equivalente no sistema. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 19 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Fluxo do fluído Estator Rotor Baixa Pressão Alta Pressão Selo Labirinto Rotativo Selos radiais para fluídos (anular, labirinto ou colméia) Separa as regiões de baixa e alta pressão em uma máquina rotativa e têm como função minimizar os vazamentos e melhorar a eficiência geral da máquina, extraindo ou entregando potência ao fluído. Selos têm maior liberdade que os mancais, e seu impacto na dinâmica dos rotores é importante, pois eles estão localizados em regiões em que ocorrem altas vibrações. Com a necessidade de maior eficiência, as pressões estão mais altas e os selos mais exigidos. Os labirintos instalados no eixo entre os estágios descarregam em locais de menores pressões. As pequenas turbinas usam selos de carbono e as grandes usam selos tipo labirinto. O lado de alta pressão alivia para o dreno de pressão na primeira secção da válvula do labirinto, daí para o próximo estágio e assim até o condensador. Principio de funcionamento selo labirinto Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 20 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade O labirinto é formado por um pacote linear ou superposto, mais eficiente, porém difícil de permitir a expansão térmica. Tipos de Selos de Turbinas Os selos comuns são fixos, com molas ou retráteis. a) Os fixos são colocados em uma ranhura e preso no local. A folga entre o selo e o eixo é fixa e se o eixo se movimentar e tocar o selo haverá dano físico. O contato com o selo será visto na vibração como um roçamento. b) Os com molas podem se movimentar em direção ao rotor, porque só tem a mola e a pressão do vapor o empurra contra o rotor. Quando o rotor se move em direção ao selo o selo também se move. Estes selos têm um movimento limitado e pode ser superado pelo movimento do rotor. Se este selo travar, não haverá folga para acomodar o movimento do rotor e acontecerá o roçamento com danos para o selo e para o rotor. c) O retrátil se afasta do eixo em condições de baixos fluxos, como nas partidas e se expande quando o fluxo de vapor atinge uma porcentagem do fluxo Conjunto de Labirintos montados na Carcaça Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 21 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade nominal. A vantagem deste tipo de selo é a ausência de roçamento nas partidas e com isto, melhores condições de retenção em operação. 2- Anomalias de Comportamento Excentricidade A excentricidade faz o eixo fletir e descrever um trajeto especial característico. A medida de vibração vertical mostra o rotor subindo e descendo, em amplitude correspondente ao valor da excentricidade. O rotor pode empenar por distorção térmica, por esforços de transporte, por armazenamento prolongado ou esforços de serviço. Na vibração, o empenamento fará crescer a componente 1x com variação de fase. O desbalanceamento provocado e a força criada podem inclusive aumentar a excentricidade. Não se deve efetuar balanceamento para corrigir excentricidade e/ou empenamentos. Os esforços envolvidos podem provocar trincas em eixo. Quando há suspeita de empenamento, o rotor deve ser colocado em baixa rotação e observado. Se a excentricidade muda pode ser distorção térmica. Mas se o eixo estiver trincado ele também estará empenado. Exige-se cuidados. Desbalanceamento Todos os rotores possuem um certo grau de imperfeição na distribuição de massa em relação ao seu eixo de rotação, um desbalanceamento de massa. A resposta da máquina é uma vibração radial com uma componente predominantemente em 1X e fase estável. As causas mais comuns de desbalanceamento são: a- desgastes e incrustações; b- quebra de partes rotativas; c- troca de partes. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 22 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Não se corrige empenamento com balanceamento. Existe uma tendência de aceitação de tentar balancear um rotor levemente empenado. As alternativas são aceitar a vibração do empenamento ou comprar um rotor novo. Com mancais de deslizamento – hidrodinâmicos – a análise de vibração deve considerar o run-out, movimento orbital do rotor dentro das folgas radiais do mancal. Os acessórios montados no eixo devem ser balanceados à parte e montados corretamente. Não se rebalanceia um rotor por causa de uma polia. É importante que a avaliação do desbalanceamento seja baseada em uma medida correta. Vários outros fenômenos acontecem em 1X e podem mascarar a avaliação do desbalanceamento e com isto, um erro de maiores conseqüências acontecer. Desalinhamento Quando qualquer uma das partes rotativas do conjunto da turbina (rotor + acoplamento + rotor do gerador) altera as condições do alinhamento em relação à parte estacionária (carcaça + mancais + selos) são geradas forças dinâmicas que afetam todo o conjunto, inclusive o desempenho da máquina. O desalinhamento coloca o eixo excêntrico ao mancal alterando suas características de rigidez e amortecimento. Isto pode comprometer a estreita estabilidade do sistema. Algumas máquinas recém alinhadas apresentam instabilidade induzida por fluído nos mancais. O desalinhamento cria grandes forças nos mancais e nos selos provocando desgastes também no rotor que pode fletir, empenar e até trincar. O gráfico à esquerda mostra a alteração de vibração de um mancal durante 16 horas, período inicial com carga e no final sem carga. Sob carga nominal, a razão de excentricidade foi próxima a zero. Se o conjunto estiver bem alinhado o eixo estabiliza- se no quadrante inferior direito (dependente do sentido de rotação) com uma relação de excentricidade de 0,5 a 0,8. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 23 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Roçamento O roçamento é o contato entre a parte rotativa e a estacionária de uma máquina. A análise de vibração detecta com facilidade este fenômeno, tanto pelas Amplitudes como pela composição harmônica da vibração. Existe a possibilidade de identificar qual parte esta roçando: selos, palhetas e diafragmas. O roçamento ocorre por dois motivos: 1 – o eixo move dentro da carcaça, e 2 – a carcaça se movimenta em direção ao eixo. De qualquer modo existe o roçamento radial e o axial Axial : O roçamento axial acontece no movimento relativo axial, seja por um excesso de expansão diferencial – o que não acontece na operação correta da turbina ou por vibração axial devido a outras causas, por exemplo desalinhamento ou desnivelamento. Os procedimentos corretos de partida ou parada evitam o roçamento. A posição axial pode mudar durante a operação se as palhetas mudarem de ângulo de ataque ou estiverem se desgastando. Contudo, isto só acontecerá se o mancal de escora estiver defeituoso, com muita folga, ou o colar de escora estiver solto. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 24 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade Radial : Para acontecer o roçamento radial ou o rotor avança para a carcaça ou a carcaça se move em direção ao rotor. É importante saber quem se aproxima de quem para determinar a causa verdadeira do roçamento e daí, estabelecer o modo de correção. Nas turbinas a vapor o roçamento acontece em 1 com a fase variando regularmente no tempo, indicando que a causaé um ponto quente no rotor da turbina. Devido ao Movimento da Carcaça : Se a fundação da turbina se movimentar , a carcaça sofrerá deformações dinâmicas e se aproximar do rotor. A tubulação também forçará a carcaça da turbina. Os pedestais dos mancais, separados da carcaça, poderão se mover um em relação ao outro e em relação à carcaça da turbina. Esforços mecânicos e dilatações térmicas participam destes fenômenos agravando-os. Se o gerador e a turbina estiverem montados em bases separadas maiores serão os problemas. A carcaça pode empenar por causa do resfriamento diferencial criado pela estratificação do vapor na carcaça ou por indução da água que distorce a carcaça com todas as conseqüências possíveis. Também pode acontecer por fluência da carcaça – devido a operações muito longas a altas temperaturas. Devido aos movimentos do Rotor : Empenamentos e desbalanceamentos rotativos geram movimentos dinâmicos radiais que podem provocar roçamentos do rotor na carcaça. Se as freqüências das excitações excitarem ressonâncias, o fenômeno poderá ser muito severo. É preciso cuidar para que na partida e parada, as passagens pelas ressonâncias não estabeleçam situações perigosas. Dinâmica de Rotores – Capítulo 1 Grupo Desenvolvimento Página 25 23-09-2012 Proibida Reprodução sem Autorização - Autor: Eng. Ricardo A. P. Andrade A órbita gerada pelo desbalanceamento ocupa as folgas entre o rotor e a carcaça, que se forem insuficientes, provocam o roçamento. Os selos são as primeira partes à roçarem. Nos selos retráteis ou com molas, a situação piora se os selos falharem, pois um leve contato se torna um roçamento pesado com o selo travado no eixo. As palhetas podem sofrer, provocar e agravar roçamentos. O desbalanceamento do rotor esforça as palhetas. Se uma palheta ou um grupo delas formarem ou quebrarem, aumentam simultaneamente o desbalanceamento e o roçamento. O acompanhamento de vibração em 1X em amplitude e fase pode identificar partes soltas no rotor e facilitar decisões. Devido ao Empenamento do Rotor : O empenamento ocupa as folgas entre rotor e estator e gera roçamento radial. Um rotor empenado inicia a rotação com uma excentricidade, com efeito similar a um desbalanceamento. A vibração resultante usa a folga entre rotor e estator. Se a folga for vencida, o roçamento aparecerá. O aquecimento localizado gerado pela continuação do roçamento é um agravante a mais. Nos rotores com seções HP/IP, se o roçamento comprometer os selos, a diferença de pressão axial forçará também os mancais, criando problemas combinados.