Prévia do material em texto
NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 54 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva 8. PADRONIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES Ao se deparar com o tema padronização de operações, o primeiro pensamento que surge é o de ser um processo com método efetivo, definido e organizado, criado pa- ra produzir sem perdas ou com o mínimo de perdas possível. A padronização busca tornar as rotinas cada vez mais claras e seguras de serem executadas pelos colaboradores, pois no momento em que a necessidade de reali- zação de uma atividade surgir não será necessário o colaborador decidir o que será feito, visto que a rotina já está escrita de maneira clara e no tempo certo. Isso acar- reta um desempenho máximo das pessoas, melhores níveis de utilização dos equi- pamentos e estrutura física, redução da variância de processo e, consequentemen- te, maiores índices de qualidade, gerando impacto direto ao nível de serviço perce- bido pelo cliente. A falta de padronização dos processos, além de gerar complexidade ao processo e mascarar falhas do processo, aumenta os custos de fabricação do produto, pois a operação não possui um padrão de desenvolvimento, ora feito de uma forma, ora feito de outra, isso impacta diretamente na variação do custo do produto e também no lead time da cadeia produtiva como um todo, inclusive na entrega do produto ao cliente. O cenário mundial atualmente é muito competitivo, necessitando que as empresas operem com processos enxutos, atuando na melhoria contínua, porém a padroniza- ção das operações é um ponto fundamental para o bom funcionamento dos progra- mas de melhoria contínua, possibilitando encontrar a causa raiz dos problemas com maior rapidez, precisão e assertividade. A leitura dos processos realizada através das ferramentas da qualidade possibilita que possam ser encontrados os desvios e falhas dos processos, para realização de mudanças e ajustes a fim de corrigir os erros, porém, em um processo que não possui padrão definido, o número de particu- AULA 8 NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 55 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva laridades é aumentado exponencialmente, tirando capacidade de assertividade da ferramenta da qualidade ou gerando a necessidade de soluções extremamente ca- ras e complexas de solução de problemas. Neste tópico, caro acadêmico, você irá estudar a padronização de operações, por- tanto, é válido lembrar que você pode e deve utilizar esses conceitos assimilados ao longo da disciplina para desenvolver soluções, melhoria e procedimentos diferencia- dos para apresentar em sua empresa, podendo ter a percepção da importância da padronização dos processos no mercado de trabalho de maneira geral. 8.1. Princípios básicos da padronização de operações Sempre que se inicia qualquer processo de mudança dentro das empresas, geral- mente, o maior motivador para que as coisas não saiam conforme o esperado é pro- veniente das expectativas das pessoas ou colaboradores, portanto é necessário, antes de iniciar o processo de padronização, reunir as pessoas e explicar exatamen- te quais são os objetivos desta mudança e buscar criar o máximo de expectativa possível em cada um deles, pois isso será de extrema importância para o bom an- damento da melhoria. É fundamental para a perenidade do processo que os colaboradores sejam treina- dos e supervisionados para que criem o hábito da padronização. Fazer com que ca- da colaborador internalize a importância desse conceito cria o cenário em que, após algum tempo de implantação da metodologia, as pessoas não conseguem mais vol- tar para o processo antigo ou sair do padrão, visto que já estão ambientadas com os benefícios gerados pelo padrão de processo. Além disso, é de conhecimento comum que quando uma pessoa desenvolve algo, participa do desenvolvimento ou até mesmo faz apenas parte da equipe que está mobilizada com a mudança, ela se sente parte do processo e fará o máximo possí- vel para que a melhoria ou mudança realmente dê certo, isso é parte do ser huma- no, pois de maneira natural ninguém quer estar ligado a algo que fracassou. De ma- NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 56 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva neira paralela e complementar, é realizador e motivador para o colaborador poder colocar seus conhecimentos à disposição do projeto ou da empresa. Ao iniciar os trabalhos de padronização, até pelo fato da percepção de todos, dos ganhos obtidos, será comum brotar o sentimento de padronização geral da empresa, porém é necessário encontrar o equilíbrio entre a padronização, burocratização e nível de flexibilização das entregas aos clientes. É importante salientar, neste mo- mento, que mesmo na flexibilização de produtos ou serviços é possível criar padrões determinados para cada tipo de flexibilização dos produtos ofertados ao cliente, pois dessa forma é possível atender as expectativas do cliente, sem comprometer a ope- ração e rentabilidade da empresa. Outra boa prática é criar padrões simplificados e responsabilizar cada área para criar e escrever o seu próprio padrão, isso possibilita mais assertividade, eficiência e comprometimento, além de considerar particularidades existentes em cada setor da empresa. Após a construção do padrão é fundamental monitorá-lo, criando melhorias para aumento do desempenho e desburocratizando-o ao máximo sem comprometer o objetivo principal do padrão, além de estabelecer um período racional para a revisão e atualização do padrão, visando a melhor ambientação do padrão ao cenário exigi- do pelo mercado. 8.2. Objetivos da padronização de operações Toda e qualquer ação que tomamos para realização de um projeto, melhoria de um processo ou até mesmo uma meta precisa ser fundamentada em objetivos que justi- fiquem o esforço necessário para a sua realização, portanto é fundamental que esse objetivo esteja claro e definido para todos na empresa, mesmo que este objetivo possa ter a mais variada gama de respostas, como redução de lead time, redução de custo, diminuição da complexidade da realização da operação, redução da vari- ância do processo etc. NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 57 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva Possuir objetivos bem definidos é um dos pontos-chave para o sucesso desse con- ceito, pois a atividade de padronização deve ser sempre norteada por esses objeti- vos, pois devido à complexidade de alguns processos é fundamental mediar sempre a relação entre o esforço e o benefício obtido, visto que a razão da existência da ta- refa é que ao final os objetivos sejam atendidos com excelência e maestria. Ainda nesse contexto, é importante salientar que a boa comunicação entre as pes- soas e processos, alcançado com a padronização, faz parte do processo de melho- ria contínua, sendo que além de facilitar a aplicaçãodas ferramentas e melhorias, com objetivos bem definidos os colaboradores irão se sentir parte integrante da ope- ração, alcançando melhores níveis de excelência a cada dia que a atividade é reali- zada. Ao analisar o objetivo da padronização é importante que todas as atividades gargalo ou que fazem parte do caminho crítico de operação passem por um processo de pa- dronização, até mesmo operações corriqueiras, com alto grau de incidência devem ser analisadas e padronizadas, pois elas podem possuir alta representatividade em ocorrência de erros e, por serem atividades recorrentes, poderão ter impactos signi- ficativos tanto em custo quanto em tempo de operação. Você deve estar se perguntando neste momento: mas qual é o tamanho ideal de empresa que devo pensar em padronizar? A resposta é: Não existe tamanho ideal, pois todas as empresas devem possuir um padrão de processo definido, a fim de elevar o nível de serviço prestado aos seus clientes, atuar em melhoria contínua, reduzindo os custos de operação e melhoria do ambiente de trabalho para os cola- boradores e alcançar uma inteligência de processo em que se possa agregar escala e replicar a atividade seguidas vezes sem comprometer suas características ou pa- drão de excelência. NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 58 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva 8.3. Etapas da padronização de operações Para facilitar o aprendizado e diminuir a complexidade do assunto, dividiu-se a ativi- dade de implantação da padronização de operações em algumas etapas, que serão abordadas separadamente e de maneira mais específica na sequência, sendo elas: Mapeamento Treinamento Implementação da mudança Monitoramento e controle Alinhamento de setores e departamentos representativos Tecnologia Gestão dos riscos Indicadores de desempenho 8.4. Mapeamento O mapeamento é a fase em que se deve analisar e identificar os processos, rotinas e informações relevantes de setor ou atividade da empresa, evidenciando o maior nível de riqueza possível em relação a informações sobre falhas, erros, realização das atividades, recursos necessários e particularidades. Esta ação tornará as rotinas extremante claras de serem analisadas e verificadas a fim de identificar trabalhos ou etapas desnecessárias ou até mesmo duplicadas. Um processo de mapeamento das atividades adequado envolve os seguintes pas- sos: NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 59 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva Determinar os objetivos do mapeamento: cada processo ou atividade possui os seus objetivos específicos, e por se tratar da fase de mapeamento é fun- damental entender a interação do conjunto de atividades que está sendo de- senvolvido com o ambiente e com os colaboradores nela inseridos. Identificar as saídas de cada processo: as saídas dos processos podem ser bens tangíveis, por exemplo, peças ou produtos ou serviços que integram a parte gerencial da organização, como a construção de um relatório, gestão de indicadores, etc. É fundamental identificar as saídas de cada processo, pois elas farão parte das entradas dos processos subsequentes, sem contar que elas representam a agregação de valor da atividade realizada. Identificar os clientes de cada processo: os clientes do processo são todas as partes interessadas que estão envolvidas na atividade e esse é o momen- to de coletar o maior número de informações possíveis para ter maior segu- rança nas interações. É fundamental identificar quem é esse cliente, qual é a sua expectativa em relação ao projeto etc. Identificar as entradas do processo: as entradas são os elementos que servi- rão de base para o desenvolvimento da atividade, uma espécie de matéria- prima, lembrando que elas podem ser bens tangíveis ou serviços. As saídas do processo anterior compõem as entradas do processo atual, podendo ser de um único processo ou provenientes de várias fontes diferentes. Identificar os componentes do processo: Os componentes são os recursos transformadores, isto é, máquinas, ferramentas, pessoas, manuais, metodo- logias, tecnologias que serão empregadas a fim de realizar a transformação das entradas para saídas do processo. Identificar os fornecedores do processo: os fornecedores são os represen- tantes responsáveis pelas entradas, isto é, quem encaminha ou disponibiliza as entradas, para a posterior transformação dos recursos. NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 60 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva Identificar os limites do processo: mapear e levantar os pontos críticos e ex- tremos do processo ou atividade, pontos de início e término, geralmente ca- racterizados pelo recebimento e entrega das entradas e saídas. Identificar as regras e particularidades do negócio: as particularidades e re- gras do negócio representam grande impacto na tomada de decisão, pois elas fazem parte, muitas vezes, de alguma atividade inerente ao negócio que não pode ser alterada para não descaracterizar a operação ou gerar al- gum tipo de percepção do cliente de diminuição do nível de serviço. Já no que tange às responsabilidades no processo de tomada de decisão, é impor- tante verificar e mapear de maneira detalhada essa regra, visto que ela pode ser alterada de acordo com a representatividade de ação ou atividade, por exemplo, a aprovação de um orçamento de R$ 30.000,00 para a aquisição de um equipamento é realizada pelo gestor direto da área ou gerente indus- trial, porém a aquisição de um equipamento de R$ 3.000.000,00 para esta mesma área depende da aprovação da diretoria e do presidente da empre- sa. Além desses pontos, é necessário identificar a responsabilidade compar- tilhada entre as equipes de setores distintos para que não existam ruídos de comunicação e de execução das atividades, por exemplo, o setor de produ- ção está com um determinado equipamento em manutenção e o setor co- mercial da empresa realiza uma promoção com um produto que necessita daquele equipamento em específico para ser produzido. Documentação do processo atual: esta fase do mapeamento é de extrema importância dentro do processo de levantamento de dados, porém nem sempre é realizada pelo fato de que algumas pessoas consideram perda de tempo o registro do processo existente, mas cabe aqui fazer um alerta, a do- cumentação do processo é de fundamental importância para alinhamento de todas as áreas, conhecer e entender todos os pontos críticos do negócio e gerar uma base comparativa de dados para uma posterior análise e medição da metodologia proposta, buscando quantificar os ganhos e mensurar o pe- ríodo de retorno necessário para payback da melhoria, além de fornecer ao setor financeiro uma visão mais clara e segura das melhorias mais rentáveis, quantificação de risco financeiro da tomada de decisão etc. A forma de do- NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 61 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.brGRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva cumentação do processo atual deve ser definida de acordo com a melhor forma de interpretação dos colaboradores e gestores da empresa, porém é comum documentar através de diagramas, mapas mentais, fluxogramas, lis- ta de tópicos, organogramas de precedência etc. Identificar as melhorias necessárias para o processo: este é momento para identificar tudo o que está funcionando perfeitamente, parcialmente ou não está funcionando no processo, como gargalos, lead time elevados. É uma tendência natural das pessoas identificar as atividades críticas, porém vale lembrar que nesse momento precisa-se identificar também as atividades que agregam valor, para que elas possam ser maximizadas, melhoradas e devi- damente identificadas. É fundamental a participação dos colaboradores ou pessoas que executam a atividade, pois elas certamente terão ideias que i- rão contribuir de maneira representativa para as melhorias necessárias, pois, por atuarem diariamente na operação, são consideradas especialistas na a- tividade. Definir as melhorias aplicáveis: assim como o ponto anterior, a definição das melhorias deve ser amparada em ferramentas da qualidade que evidenciam qual é a melhor opção de implantação, sempre visando o atendimento dos objetivos definidos no início do mapeamento. Após definida a melhoria a ser implantada é necessário criar um plano de ação que irá nortear a execução do processo de implantação, geralmente utiliza-se a ferramenta 5W2H. NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 62 Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br GRADUAÇÃO CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva REFERÊNCIAS: BERTOLDI, J. H.; MILNITIZ, D. Manufatura Celular e Sistemas Flexíveis. Unias- selvi – Indaial, 2019. CARDOZO, C. M. O trabalho em equipe e seus motivadores. EAESP/FGV, 2003. Dissertação apresentada como parte dos requisitos para o grau de Mestrado Profis- sional em Administração, Área de concentração: organização, recursos humano e planejamento. São Paulo, 2003. CONTADOR, José C. Gestão de operações: a engenharia de produção a serviço da modernização da empresa. 3. ed. São Paulo: Blücher, 2010. HARMON, R. L.; PETERSON, L. D. Reinventando a fábrica: conceitos modernos de produtividade aplicados na prática. Rio de Janeiro: Campus, 1991. MARTINS, P. G; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. SIAUTEC. Soluções – Integração Sistemas Automatizados. Disponível em: . Acesso em: 27 set. 2018. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. SLACK, Nigel. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. TUBINO, D. F. Sistema de produção: a produtividade no chão-de-fábrica. Porto Alegre: Bookman, 1999. UFSC. Espaço de ciência e tecnologia. Disponível em: . Acesso em: 27 set. 2018.