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Manufatura celular e flexibilidade produtiva -AULA 7 - Arranjo físico para sistemas flexíveis de manufatura - SF-MA

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Professor: Gabriel de Oliveira Alves – gabrieloalves@yahoo.com.br 
GRADUAÇÃO 
 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA 
Manufatura Celular e Flexibilidade Produtiva 
 
 
 
 
7. ARRANJO FÍSICO PARA SISTEMAS FLEXÍVEIS DE MANUFATURA – SF-
MA 
Agora que você já conhece os tipos básicos de processo é necessário conhecer as 
tipologias de arranjos físicos e a relação de sua aplicação com cada um dos proces-
sos, pois será possível perceber que para cada processo tem-se um arranjo físico 
com maior afinidade. 
Na prática, temos apenas quatro tipos básicos de arranjos físicos: 
• Arranjo físico posicional: também conhecido como arranjo físico por posição fixa, 
esse arranjo tem como principal característica que o produto ou serviço resultante do 
processo fica imóvel e os recursos transformadores se movem até ele, isto é, má-
quinas, instalações, pessoas se movem conforme a necessidade e o produto ficam 
estáticos. Exemplos: 
 Construção de um túnel – não temos como transportar um túnel completo, 
portanto ele é construído no local em que será utilizado. 
 Cirurgia – o paciente fica deitado na maca e os médicos, enfermeiros, utensí-
lios e aparelhos são deslocados conforme a necessidade. 
 Manutenção de grandes máquinas – o mecânico se desloca até o equipamen-
to, visto que seria inviável deslocar o equipamento até o setor de manuten-
ção. 
 Construção de um navio – o navio é construído em um local fixo e todos os 
recursos necessários para a construção se deslocam até ele, devido ao ta-
manho do produto. 
Slack (2002) define um canteiro de obras como um exemplo de arranjo físico posi-
cional, já que existe uma quantidade de espaço limitada que deve ser alocada aos 
AULA 7 
 
 
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vários recursos transformadores, porém ele salienta que o principal desafio em pro-
jetar esse arranjo físico seria a alocação das áreas dos canteiros para cada um dos 
subcontratados, sem que um interfira no trabalho do outro e que tenham o espaço 
necessário para realizar suas atividades e armazenar os seus suprimentos. 
Exemplo de arranjo físico posicional 
 
 
• Arranjo físico por processo: também conhecido por arranjo físico funcional, esse 
arranjo é assim chamado devido às necessidades e conveniências dos recursos 
transformadores que constituem o processo de fabricação, isto é, no arranjo físico 
por processo os recursos transformadores são agrupados por similaridade de pro-
cesso e não mais pelo produto, como é o caso do arranjo físico posicional. Exem-
plos: 
 Usinagem de peças especiais – alguns processos que necessitam de instala-
ções especiais, como tratamento térmico, pintura, ou até mesmo esmerilado-
res que atingem alto grau de utilização e necessitam estar em local de fácil 
acesso e manuseio. 
 Supermercado: possui área destinada aos vegetais, outra área com as carnes 
e embutidos, enlatados, produtos químicos e de limpeza. Esses produtos são 
segregados em áreas de acordo com a tecnologia necessária para armaze-
nagem e facilidade de reposição do produto. 
 
 
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Exemplo de arranjo físico por processo mostrando o caminho percorrido 
apenas por um cliente 
 
 
• Arranjo físico celular: nesse arranjo físico os recursos transformados são predes-
tinados a movimentar-se para uma parte da produção chamada de célula, que é on-
de os recursos transformadores são agrupados para realizar uma fase do proces-
samento dos recursos transformados ou produtos. A célula pode possuir um arranjo 
físico interno por processo ou por produto, lembrando que os recursos transforma-
dos vão passando de célula em célula até completar o ciclo produtivo total. Esse ar-
ranjo físico busca simplificar e ordenar o fluxo característico e desordenado do re-
curso transformado que ocorre no arranjo físico por processo. Exemplos: 
 Área de produtos específicos dentro de um supermercado – alguns clientes 
utilizam o supermercado para realizar refeições, portanto um setor de lanches 
pode ser considerado uma célula, visto que se ele não existisse, o cliente te-
 
 
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ria que procurar cada item que compõe o lanche, ao longo do supermercado 
e montá-lo antes de comer. 
 Maternidade de um hospital – mulheres grávidas com gestações estáveis po-
dem utilizar apenas a maternidade do hospital sem necessitar de áreas de 
suporte ao pronto atendimento, como urgência e emergência. 
Na figura a seguir é possível verificar uma loja de departamentos que possui vários 
segmentos dentro dela, formando várias células, como célula de livros e vídeos, cé-
lula de calçados, perfumes e joias, esportes, roupas masculinas, doces, jornais, re-
vistas e papelaria, roupas femininas, malas e presentes. Perceba que neste exemplo 
existem vários pontos de caixas espalhados pela loja, buscando otimizar o tempo de 
compra do cliente dentro da loja e evitando filas de pagamento, visto que os caixas 
estão estrategicamente distribuídos entre as células. No caso deste exemplo, a sim-
ples escolha do melhor arranjo físico pode representar aumento de vendas, pois o 
cliente tem mais facilidade para procurar os produtos, consegue analisar melhor os 
que deseja adquirir, consegue localizar-se facilmente dentro da loja, entre outros 
benefícios. 
Exemplo de arranjo físico celular 
 
 
 
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• Arranjo físico por produto: este arranjo físico consiste basicamente na alocação 
dos recursos transformadores de acordo com a necessidade dos recursos transfor-
mados, isto é, a prioridade neste tipo de arranjo físico são os recursos transforma-
dos. Essa tipologia de arranjo físico é também chamada de arranjo físico em linha ou 
em fluxo, pois as atividades são sequenciadas de maneira a favorecer a transforma-
ção do produto ou serviço que está sendo constituído. O arranjo físico por produto é 
extremamente claro e previsível, o que possibilita maior controle, padronização e 
uniformidade das operações. Exemplos: 
 Checking de viagem no aeroporto – todos os clientes que chegam ao aero-
porto necessitam realizar o procedimento de conferência de documentação, 
pesagem e despacho da bagagem, exatamente da mesma forma. 
 Restaurante self-service – Geralmente todos os clientes seguem a mesma 
sequência de serviços: entrada, prato principal, bebidas e sobremesa. 
 Entrada de bancos – ao chegar no banco o cliente necessita colocar todos os 
objetos de metal em um compartimento separado, passarpelo raio-x, entrar, 
pegar seus pertences novamente e retirar a senha de atendimento. 
 Fabricação de automóveis – todos os automóveis do mesmo modelo necessi-
tam a mesma sequência de processos, sendo as atividades desenvolvidas 
com a mesma sequência de maneira gradativa até o final da linha, onde o au-
tomóvel está completamente montado. 
 
Essa tipologia de arranjo físico é mais utilizada em sistemas onde os produtos e ser-
viços possuem maior padrão e baixa flexibilidade, visto que os processos necessi-
tam possuir um nível de interação extremamente ajustado para que o sequencia-
mento das atividades do sistema opere de maneira eficiente. O arranjo físico por 
produtos é muito utilizado em processos contínuos de fabricação. 
 
 
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Exemplo de arranjo físico por produto
 
Agora que você já conhece os principais processos e arranjos físicos utilizados na 
manufatura, é importante fazer uma análise de identificação de qual é o melhor pro-
cesso de fabricação e arranjo físico que se deve utilizar para cada tipo de produto 
em específico, porém é mandatório entender que existe uma relação combinatória 
entre os processos e arranjos físicos, conforme mostra a figura a seguir. 
 
Relação entre os tipos de processo e os de arranjo físico 
 
 
 
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Os SFM têm como característica principal a flexibilidade e adaptabilidade à varieda-
de diferente de produtos, buscando equalizar os benefícios existentes com o padrão, 
volume e rapidez com os benefícios existentes na fabricação de um produto que a-
tenda perfeitamente às necessidades e expectativas do cliente, necessitando muitas 
vezes de soluções sob medida. É extremamente claro e possível de perceber que 
isso são pontos extremamente complexos de se alcançar, visto que atender às ex-
pectativas e necessidades de cada cliente em específico sem a existência de um 
padrão, isto é, obter uma solução sob medida para cada cliente, é uma realidade 
encontrada em processos por projeto, já as características de volume, padrão e ra-
pidez são encontradas em processos contínuos, portanto, o equilíbrio entre estes 
dois processos pode ser encontrado no processo de lotes ou bateladas, visto que é 
o intermediário entre variedade e volume. 
Equilíbrio entre variedade, volume e tipos de processos
 
Os SFM não necessariamente precisam ser processos em lotes ou bateladas, porém 
o que está sendo evidenciado é que esse processo representa o ponto de equilíbrio 
entre a variedade e volume, possibilitando assim o maior nível de flexibilidade sem 
comprometer a produtividade. 
O processo de lotes ou bateladas possui relação forte com os tipos de arranjos físi-
cos por processo e celular, possibilitando assim ao gestor a escolha do melhor ar-
ranjo físico relacionado ao seu produto. 
No que diz respeito ao nível de investimento e aproveitamento dos recursos, em se 
tratando dos SFM, o arranjo físico mais utilizado é o arranjo físico celular, justificado 
através da utilização dos componentes dos SFM, pois com um único manipulador é 
 
 
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possível realizar operações em dois ou mais equipamentos, rateando o valor do in-
vestimento e melhorando atividades existentes na mesma célula de fabricação, ce-
nário este que não se faz possível em um arranjo físico por processo, já que a mo-
vimentação dos recursos transformados não é prioridade em relação ao processo. 
As características de variedade e volume fazem uma aproximação de qual é o me-
lhor arranjo a ser escolhido para realizar a operação, porém, para ser mais preciso 
na escolha, Slack, Chambers e Johnston (2009) listam as principais vantagens e 
desvantagens de cada um dos quatro principais arranjos físicos, conforme mostrado 
na figura a seguir: 
 
Vantagens e desvantagens dos tipos básicos de arranjo físico 
 
 
 
 
 
 
 
 
Além destas vantagens e desvantagens, é necessário levar em consideração a aná-
lise de custos fixos e variáveis, que por padrão é representada pelo gráfico disponí-
vel na imagem a seguir, onde tem-se na coluna (y) os custos e na linha (x) o volume. 
 
 
 
 
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Custos fixos e variáveis em função do volume 
 
 
Analisando a figura, é possível concluir que os custos fixos do arranjo físico posicio-
nal são mais baixos que qualquer outro tipo de arranjo físico, porém os custos variá-
veis da operação são altos, portanto a figura complementa a tomada de decisão le-
vando em consideração a tipologia do arranjo físico em relação aos custos fixos e 
variáveis de sistema produtivo. 
 
 
ATENÇÃO! 
Vá para a aba VÍDEOS COMPLEMENTARES e assista ao vídeo AUTOMAÇÃO 
INDUSTRIAL - SISTEMAS FLEXÍVEIS DE MANUFATURA. 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS: 
 
BERTOLDI, J. H.; MILNITIZ, D. Manufatura Celular e Sistemas Flexíveis. Unias-
selvi – Indaial, 2019. 
CARDOZO, C. M. O trabalho em equipe e seus motivadores. EAESP/FGV, 2003. 
Dissertação apresentada como parte dos requisitos para o grau de Mestrado Profis-
sional em Administração, Área de concentração: organização, recursos humano e 
planejamento. São Paulo, 2003. 
CONTADOR, José C. Gestão de operações: a engenharia de produção a serviço 
da modernização da empresa. 3. ed. São Paulo: Blücher, 2010. 
HARMON, R. L.; PETERSON, L. D. Reinventando a fábrica: conceitos modernos 
de produtividade aplicados na prática. Rio de Janeiro: Campus, 1991. 
MARTINS, P. G; LAUGENI, F. P. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2005. 
SIAUTEC. Soluções – Integração Sistemas Automatizados. Disponível em: 
. Acesso em: 27 set. 2018. 
SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da produção. 3. ed. 
São Paulo: Atlas, 2009. 
SLACK, Nigel. Administração da produção. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 
TUBINO, D. F. Sistema de produção: a produtividade no chão-de-fábrica. Porto 
Alegre: Bookman, 1999. 
UFSC. Espaço de ciência e tecnologia. Disponível em: 
. Acesso em: 27 
set. 2018.

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