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1 PROVA PRÁTICA – ROTATÓRIO ELETIVO DE CIRURGIA (OFTALMOLOGIA) NOME: ARTUR HENRIQUE RIBEIRO CRUZ NOME: BELMIRO TENÓRIO SIQUEIRA DRE: 117212774 DRE: 117277300 ANAMNESE E EXAME FÍSICO ID: J.C.A, 54 anos, masculino, pardo, operador de áudio, natural e residente no Rio de Janeiro – RJ. QP: “Vista embaçada” HDA: Paciente relata que há oito meses iniciou quadro gradativo de diminuição da acuidade visual em olho direito associado à sensação de embaçamento, distorção de imagem e perda do brilho e das cores na mesma visão. Relata aparecimento de uma mancha branca no interior da sua pupila. Nega traumas recentes ou fator causal diretamente relacionado à progressão da doença, nega hiperemia ocular e dor ocular/retro-ocular. Nega melhora da acuidade visual com o uso de colírios lubrificantes e piora da mesma quando está em ambientes escuros. Procurou atendimento no CMS JOSE MESSIAS DO CARMO há três meses, sendo avaliado por médico que o diagnosticou com catarata e solicitou via SISREG encaminhamento para consulta com oftalmologista. Foi atendido pela primeira vez na Oftalmologia do HUCFF há 20 dias e liberado o risco cirúrgico pelo Serviço de Clínica Médica para a realização da cirurgia. No momento encontra-se assintomático, sem outras queixas. ANAMNESE DIRIGIDA: Nega febre, perda de peso, alterações na pele e fâneros. Nega amaurose, prurido, fotofobia, ardência, diploplia e dor em ambos os olhos. Relata discreta sensação de olho seco em OD, faz o uso de óculos para leitura. Nega alterações nos ouvidos, nariz e em cavidade orofaríngea. Nega dor torácica, palpitações, síncope, cianose, dispneia, disúria, hematúria, disfagia, diarreia. Relata crises de ansiedade. HPP: Hipertenso em uso de Losartana 50mg de 12/12h, Anlodipino 5mg de 12/12h, Hidroclorotiazida 25mg 1x/dia, Sinvastatina 40mg à noite. DM2 em uso de Glifage XR 500mg 2cp de 12/12h, Glibenclamida 5mg de 12/12h. Tabagista de 20 maços/ano. Relata alergia a IODO. Nega internações, cirurgias e transfusões prévias. Relata estar com o cartão de vacina em dia. Recebeu mais de 3 doses de vacina para COVID H. FAMILIAR: Pai hipertenso, irmão hipertenso. Pai já realizou cirurgia para catarata em ambos os olhos aos 70 anos. Nega história de cegueira e patologias oculares na família. H. SOCIAL: Etilista de 2 latas de cervejas por semana, Tabagista de 20 maços/ano. Relata estar muito ansioso para a realização da cirurgia e que é ansioso de um modo geral. Apresenta grandes expectativas quanto ao procedimento cirúrgico, já que relata que com a visão do olho direito prejudicada houve extrema queda da qualidade de sua vida. SINAIS VITAIS: PA: 150/100mmHG I FC: 74bpm I SatPO2: 98% I FR: 18irpm ECTOSCOPIA: Bom estado geral, lúcido e orientado no tempo e espaço, cooperativo, ativo, responsivo, bom estado nutricional, hidratado, corado, anictérico, acianótico, boa perfusão capilar, EXAME FÍSICO: AR: Tórax atípico, MVUA sem Ruídos Adventícios. ACV: RCR em 2T, BNF, não ausculto sopros. Pulsos arteriais periféricos simétricos e amplos. 2 ABD: Abdome plano, presença de ruídos hidroaéreos, timpânico, indolor à palpação superficial e profunda. Sem massas ou visceromegalias, hepatimetria com cerca de 10cm. Traube livre. EXAME OFTALMOLÓGICO: Leucocoria em olho direito. Movimentos oculares preservados. Abertura palpebral normal. Pupilas isocóricas e fotoreagentes. Reflexo fotomotor direto e consensual preservados. Acuidade Visual Sem Correção (AVSC) do OD: 20/100 Acuidade Visual Com Correção (AVCC) do OD: 20/30 PAM (Acuidade Visual Potencial a Laser): OD: 4 METS e ASA II), o paciente foi orientado a comparecer no HUCFF no dia 17/05 para a realização da cirurgia. Paciente comparece ao local às 9h em jejum (última refeição às 23h do dia anterior), lúcido, orientado, sem dificuldades para deambulação e acompanhado por familiar. Fez o uso dos medicamentos pra PA no dia da cirurgia e não realizou o uso dos medicamentos para DM2. Paciente diagnosticado com CATARATA SENIL, sendo submetido a uma FACECTOMIA EXTRACAPSULAR COM IMPLANTE DE LENTE INTRAOCULAR DOBRÁVEL EM OD. Realizada anestesia através de Bloqueio Peribulbar com sedação. A cirurgia iniciou as 11h30min e o término foi as 12h30minh, com duração total de 1h em média. POR QUAL MOTIVO A FACECTOMIA EXTRACAPSULAR FOI ESCOLHIDA? É de suma importância reconhecer que há outra técnica cirúrgica para a remoção de catarata diferente da FACECTOMIA EXTRACAPSULAR, essa técnica é conhecida como FACOEMULSIFICAÇÃO. Ambas as técnicas são eficazes, mas diferem em seus tempos cirúrgicos e apresentam indicações específicas. A facoemulsificação é mais comumente utilizada para remover cataratas. Através de uma pequena incisão no olho (2 a 3mm) o cirurgião utiliza um aparelho chamado facoemulsificador. Tal aparelho emite ondas ultrassônicas que fragmentam a catarata em pedaços pequenos, que são aspirados pelo próprio aparelho. Após a remoção uma lente intraocular artificial previamente confeccionada para o paciente em específico é colocada. A grande vantagem dessa técnica é que a incisão realizada é menor, recuperação mais rápida e menos astigmatismo no pós-operatório com menor quantidade de necessidade de pontos. Além disso, a FACO permite uma maior precisão no posicionamento da lente intraocular. Em contrapartida, a técnica escolhida para o nosso paciente, a facectomia extracapsular, é mais antiga, mas ainda vem sendo usada em alguns casos, principalmente quando a facoemulsificação não é viável. No caso do nosso paciente, nota-se pelo exame oftalmológico, através da biomicroscopia (lâmpada de fenda), uma catarata muito 3 densa com a dureza do núcleo em N2 (N1 a N4, sendo N1 menos dura e N4 mais dura), logo, temos uma catarata com uma dureza intermediária e muito densa ao exame, sendo indicada, devido a isso, a técnica de FACECTOMIA EXTRACAPSULAR. A facectomia extracapsular pode ser realizada devido a restrições técnicas do equipamento disponível ou falta de experiência da equipe (o que eu, particularmente, acho difícil na cirurgia do nosso paciente). No entanto, tais condições podem ser encontradas e serem impeditivas para a realização da facoemulsificação. Na facectomia extracapsular é realizado uma incisão de cerca de 10 a 12mm no olho, tendo como intuito a remoção da catarata em um bloco único, deixando intacta a cápsula posterior do cristalino. Após a remoção do núcleo da catarata há a colocação de uma lente intraocular para substituir o cristalino. Devido a maior incisão, temos uma recuperação mais lenta, maior astigmatismo no pós-operatório e, necessariamente, a realização de suturas. TEMPOS CIRÚRGICOS Assepsia e antissepsia -> Colocação de campos cirúrgicos -> Incisão superior perilimbar -> Corante azul de tripano em catarata -> Metil em catarata -> Capsulorrexe -> Hidrodissecção -> Facectomia Extracpsular -> Aspiração de restos de massas -> Inserção de lente introcular em saco capsular -> Aspiração de Metil -> Suturas radiais com fio 10-0 -> Hidratação -> Curativo. OBS:. NA APRESENTAÇÃO DO TRABALHO COLOCAREI UM VÍDEO DA CIRURGIA EM VELOCIDADE AUMENTADA. PÓS-OPERATÓRIO Pacienteteve alta no mesmo dia após realização de facectomia extracapsular com colocação de LIO em OD, cirurgia sem intercorrências, foi orientado o retorno em ambulatório geral de oftalmologia em um dia. Ademais, algumas orientações foram dadas: Não abaixar a cabeça, não coçar os olhos, utilizar os colírios prescritos, não tomar banho de piscina e/ou de mar, não lavar a cabeça, olhos ou cabelo, repouso por 1 mês, pode assistir TV, retirar curativo assim que chegar em casa e iniciar o uso dos colírios. Prescrição de alta: USO OCULAR: .Terolac colírio (1 gota OD de 8/8h por 30 dias) - Trata-se de um AINE. .Vigamox colírio (1 gota OD de 3/3h por 7 dias) – Trata-se de uma Quinolona. .Oftpred colírio (início após 7 dias da cirurgia por 50 dias desmamando) – Corticoide Complicações possíveis no pós-operatório: Glaucoma, infecção como endoftalmite ou panoftalmite, subluxação do cristalino, diplopia, aumento da PIO, irite, opacificação da cápsula posterior, amaurose, queimadura da córnea, ruptura da cápsula posterior, descolamento da retina, queda do núcleo no vítreo, fotofobia, mau posicionamento das lentes intraoculares, sensação de olho seco, espessamento capsular posterior e astigmatismo residual pós-cirurgia (principalmente na facectomia extracapsular). OBS.: NOSSO PACIENTE NÃO APRESENTOU NENHUMA COMPLICAÇÃPO INTRA E PÓS-OPERATÓRIO ATÉ O MOMENTO DE ESCRITA DESSA PROVA. DISCUSSÃO A catarata é uma condição ocular comum que afeta o cristalino. Essa lente normalmente é transparente e flexível, permite que a luz passe através dela e seja focada na retina. No entanto, com a formação da catarata, o cristalino se torna opaco e rígido, prejudicando a qualidade da visão. A catarata é frequentemente causada por mudanças relacionadas à idade, conhecidas como catarata senil. O acúmulo de proteínas danificadas no cristalino leva à perda de transparência e à formação de áreas turvas. Além disso, existem outros fatores de risco, como diabetes, tabagismo, exposição prolongada à luz ultravioleta e uso de certos medicamentos. Os sintomas da catarata incluem visão embaçada, sensibilidade à luz, visão dupla e dificuldade em enxergar cores vivas. À medida que a catarata progride, a visão pode ficar significativamente comprometida, afetando a qualidade de vida do paciente. A cirurgia de catarata é segura e eficaz na restauração da visão. No entanto, complicações, já listadas, como infecção, inflamação e edema de córnea podem ocorrer em alguns casos. É importante que os 4 oftalmologistas avaliem criteriosamente os pacientes com catarata e discutam as opções de tratamento mais adequadas para cada caso individual. Durante o rotatório tivemos a oportunidade de assistir apenas a cirurgias de cataratas, tivemos muito contato com as duas técnicas cirúrgicas citadas acima na prova, foi uma experiência incrívil, nós dois rodamos na oftalmologia durante todo o internato eletivo e fomos muito bem recebidos no serviço pelos residentes e staffs. A oportunidade de rodar nessas áreas específicas durante o internato é de suma importância para a nossa decisão de especialidade médica no futuro, agradeço a oportunidade a vocês, professores e a nossa UFRJ. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Leffler C. T., Klebanov, A., Samara, W. A., & Grzybowski, A. (2020). The history of cataract surgery: from couching to phacoemulsification. Annals of Translational Medicine. Lopes, A. B., Vilefort, L. A., Gonçalves, A. C. L., Leste, R. G. M., Junqueira, L. M. B., Bueno, N. S., Faria, G. B., Andrade, B. B., Castilho, J. L. R., & Valério, L. I. (2021). Aspectos gerais sobre catarata: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde. Kelkar A., Kelkar, J. M Mehta, H., & Amoaku, W. (2018). Cataract surgery in diabetes mellitus: A systematic review. Indian Journal of Ophthalmology. Série Oftalmologia Brasileira - Conselho Brasileiro de Oftalmologia - 3º Edição, 2013.