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DESIGN DE EMBALAGEM E 
PDV 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Milena Maria Rodege Gogola 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Anteriormente, falamos sobre a prática projetual, materiais e normas 
aplicados na design de embalagens. Nesta aula, abordaremos a documentação 
técnica que é gerada após o desenvolvimento do projeto, e como alguns 
recursos gráficos e físicos aumentam o impacto da embalagem na prateleira e 
melhoram a experiência de consumo. Em seguida, abordaremos como a 
embalagem é um importante meio de comunicação da marca, e como os 
consumidores recebem mensagens emitidas por meio da sua forma e grafismos 
e, por fim, trataremos de estratégias para melhorar a perfomance visual na 
prateleira. 
CONTEXTUALIZANDO 
Assim como existe a necessidade de especificar os materiais utilizados 
em projeto de embalagens, outras informações são necessárias para que seu 
processo fabril ocorra sem transtornos e atrasos. O designer precisa representar 
todas as suas ideias utilizando desenhos, esquemas e textos para que todos os 
envolvidos entendam com precisão o que precisa ser executado. 
Quando o cliente aprova o projeto, muitas decisões importantes já foram 
tomadas. São informações sobre o tipo de processo que será utilizado na 
fabricação de todas as peças da embalagem, quantidade, material, acabamento, 
montagem, envase, estoque etc. Se formos considerar uma embalagem primária 
ou secundária, o designer ainda precisa informar como o arranjo ficará na 
gôndola, qual material promocional irá acompanhar o produto, como será fixado 
etc. 
Ao término de um projeto de design, geram-se diversos tipos de 
documentos, entre os quais, os de especificação técnica. Essa documentação 
segue para os mais diversos atores envolvidos na produção da embalagem: 
fornecedores, fabricantes, impressores etc., para que possam providenciar os 
insumos, o maquinário e pessoal necessário para atender à demanda. 
Em design de embalagens, normalmente se apresentam a arte final e os 
desenhos técnicos acompanhados de textos e legendas, que contêm uma série 
de informações essenciais para sua correta produção e entrega. Veremos a 
seguir os componentes da arte final e do desenho técnico, a nomenclatura 
 
 
3 
padrão, como apresentar a área de cola e como fechar e enviar o arquivo 
corretamente. 
Trataremos primeiramente da documentação técnica necessária para a 
produção da embalagem. 
TEMA 1 – DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA PARA PRODUÇÃO DE EMBALAGENS 
Seja em escala industrial, seja para uma tiragem em pequena quantidade, 
a documentação técnica é essencial para o entendimento da proposta e para 
verificar se a produção está em conformidade com o projeto. Ela é composta por 
desenhos de 2 tipos: a arte final e o desenho técnico. Em se tratando de frascos, 
garrafas, latas, o desenho técnico destas deve trazer o objeto em 3 vistas e uma 
em perspectiva (3D). Já as embalagens de papel e plástico flexíveis, em geral, 
precisam ser planificadas para a produção, portanto, deverão ser representadas 
por meio da arte impressa em conjunto com o desenho técnico que, nesse caso, 
chama-se faca corte e vinco. Usaremos um projeto de embalagem em papel 
cartão de um produto fictício para exemplificar. Veja a Figura 1: 
Figura 1 – Arte associada com faca de embalagem planificada para produção 
 
Crédito: Gogola, 2021. 
Os esquemas devem mostrar como é a combinação da parte impressa 
com faca corte e vinco, o tamanho do material, cores e acabamentos 
necessários. 
 
 
4 
Numa outra lâmina, o desenho técnico deve aparecer sozinho, pois será 
enviado para produção da faca corte e vinco. Veja o exemplo na Figura 2, para 
a mesma embalagem ilustrada anteriormente. 
Figura 2 – Faca corte e vinco para embalagem de papel cartão 
 
Crédito: Gogola, 2021. 
Observe como estão presentes na legenda o nome do projeto, o cliente, 
o tipo de papel, a escala e a unidade. Essas informações serão gravadas na 
base de madeira da faca corte e vinco e permitirão otimizar o processo, por 
exemplo, a localização da faca no almoxarifado da gráfica e a separação do 
material no tamanho e gramatura corretas. 
Figura 3 – Faca corte e vinco utilizada em gráficas 
 
Créditos: 7th Son Studio/Shutterstock. 
 
 
5 
Na terceira lâmina o projetista deve expor a arte final somente, que será 
encaminhada à gráfica. Veja na Figura 4: 
Figura 4 – Arte final 
 
Crédito: Gogola, 2021. 
Essas 3 lâminas compõem um kit, que normalmente são encaminhados 
para a produção no mesmo documento em pdf, garantindo assim a integridade 
original das informações. 
TEMA 2 – ESTILOS DE LINHA E ELEMENTOS BÁSICOS DE PRÉ-IMPRESSÃO 
Existe uma linguagem padrão em desenho técnico para que todos os 
elementos representativos sejam reconhecidos e interpretados corretamente. 
Para cada tipo de contorno, vinco, picote, existe um tipo de linha associado. Na 
Figura 5 estão indicados os estilos de linhas mais comuns em projeto de 
embalagem de papel ou plástico flexível, e sua função no desenho técnico. 
Figura 5 – Estilos de linha utilizada em desenho técnico de embalagens 
 
 
 
6 
2.1 Cruzeta de refile ou corte 
Após a impressão, o material precisa ser refilado na guilhotina. O 
refilamento é um processo que corta o impresso do tamanho planejado, 
utilizando as cruzetas como guia. Apesar de as guilhotinas eletrônicas utilizarem 
laser para melhorar a sua precisão, o corte pode sofrer uma variação de até 
3mm. Por isso, a arte precisa utilizar sangria, que significa fazer as cores 
ultrapassarem o limite do formato final. As cruzetas de refile devem estar 
presentes nos 4 cantos da arte, alinhadas com suas extremidades. Veja detalhe 
da representação de uma delas na Figura 6, e como a cor do fundo da 
embalagem avança para fora dos limites: 
Figura 6 – Detalhe das marcas de refile 
 
Crédito: Gogola, 2021. 
2.2 Sangria e margens 
É quando os elementos que fazem contato com as bordas (limites do 
material) o ultrapassam em 3mm, pelo menos. Pode ser a cor de fundo, ou algum 
elemento gráfico, fotos, ilustrações, desde que não haja prejuízo para o 
entendimento daquela informação. Da mesma forma, deve-se adicionar uma 
margem de segurança interna de 3mm para impedir que informações 
importantes, como textos e logos, por exemplo, sejam cortadas ou dobradas no 
vinco. 
 
 
7 
2.3 Faca de corte e vinco 
Usadas quando o impresso tem formatos especiais que não podem ser 
feitos apenas usando cortes retos das guilhotinas. As facas de corte e vinco são 
compostas por lâminas diferentes, que podem cortar, vincar e fazer meios-
cortes. Neste último caso, muito usado em papéis adesivos para rótulos, a lâmina 
tem a capacidade de cortar somente a camada superficial do adesivo, sem cortar 
totalmente a base de papel parafinado que serve de suporte para o adesivo. 
TEMA 3 – RECURSOS VISUAIS, FORMAIS, TÁTEIS E ACESSÓRIOS 
Neste tema iremos abordar alguns recursos utilizados em embalagens. 
Eles podem ser visuais, formais, táteis ou a mistura destes. Falaremos 
primeiramente da janela reveladora, que é um recurso que associa forma ao 
grafismo da embalagem. Também chamadas de vitrines, é amplamente utilizada 
em embalagens de brinquedos e alimentos e sugere aproximação do 
consumidor para visualizar o conteúdo. Ela funciona tanto para emoldurar o 
produto quanto para adicionar informações visuais. Se a janela reveladora for 
formada por um espaço sem impressão numa embalagem plástica, por exemplo, 
ela não traz custos adicionais de produção. Mas se ela tiver que agregar um 
outro material, como uma película plástica em uma embalagem de papel cartão, 
certamente encarecerá a produção. 
É importante lembrar que assim como acontece em projetos gráficos de 
rótulos para garrafas e frascos transparentes, a embalagem com uma janela 
reveladora exterioriza as cores e formas, texturas do produto que está em seu 
interior. Por isso o designer sempredeve considerar esses elementos quando 
for desenvolver a arte impressa. 
O mesmo ocorre quando a embalagem favorece a experimentação do 
produto. Esse é um recurso formal que se associa ao tato humano. Trata-se de 
uma parte do conteúdo ficar exposto ao consumidor ou aos dispositivos de 
encaixe nas estações de teste. É o caso de embalagens de lâmpadas e 
eletrônicos, que é um tipo de embalagem que deve ser versátil a ponto de 
conservar íntegro o seu conteúdo ao mesmo tempo em que atrai o consumidor 
para a compra. 
 Em um momento anterior, falamos da importância de considerar os 
aspectos táteis das embalagens. Todos os dias, estamos em contato direto com 
 
 
8 
objetos e recebendo uma resposta instantânea, que vai sendo armazenada na 
memória de curto prazo. Se a experiência for ruim ou muito prazerosa, ela ganha 
espaço na memória de longo prazo, podendo ser acessada em outros 
momentos, seja por uma recordação voluntária, seja por um gatilho emocional. 
No caso das embalagens, essa experiência tátil associa-se à visão e pode se 
tornar prazerosa, agregando-se ao material alguns acabamentos especiais, 
como relevos secos, vernizes, áreas metalizadas, texturas etc. 
 São recursos que normalmente encarecem o valor unitário da 
embalagem, por isso são utilizados em produtos de alto nível, como em caixas 
de bombons recheados, perfumes, eletrônicos e rótulos de vinho. 
 Os produtos que apresentam alguma fragilidade ou que merecem uma 
apresentação organizada ganham peças adicionais em sua embalagem: os 
acessórios. São recursos formais que podem ser bem simples, como uma 
divisória, até estruturas bem complexas envolvendo vários materiais. Esses itens 
são muitas vezes indispensáveis para que o produto chegue íntegro até a fase 
de consumo. 
O mais popular pode ser chamado de berço e é um elemento rígido de 
papel ou plástico que acomoda o produto segundo sua forma. Eles oferecem 
organização espacial para objetos pequenos, proteção adicional contra impactos 
e alocam adequadamente as peças de um produto que é embalado desmontado, 
assim como seu manual de instruções e peças adicionais. 
 Podemos citar outros exemplos de acessórios, como alças plásticas para 
sacolas, velcro para fechamento de caixas, fitas, cantoneiras etc. Existe uma 
infinidade de acessórios prontos no mercado, e muitos ainda podem ser 
inventados, pois são desenvolvidos à medida que um produto demanda uma 
inovação em sua embalagem. 
TEMA 4 – COMUNICAÇÃO EM EMBALAGENS 
Como vimos anteriormente, as primeiras embalagens exerciam funções 
limitadas ao armazenamento, conservação e adequação ao transporte de 
mercadorias e produtos. Novas funções foram incorporadas à medida que as 
mudanças no comércio e no consumo foram acontecendo. A primeira mudança 
comercial que impactou as embalagens no século XX foi a transição do modelo 
mercearia – que dependia de um vendedor para servir os clientes de produtos à 
granel, ou para separar itens já embalados como cera e cerveja – para rede de 
 
 
9 
supermercados self-service, iniciada nos EUA em 1930. Neste momento, a 
embalagem se tornou veículo de comunicação, marketing, propaganda e de 
informações importantes, como a vemos atualmente. 
Em muitas situações, é com base na embalagem de um produto que o 
consumidor formará, pela primeira vez, uma opinião sobre a empresa que o 
produziu. Neste caso, a embalagem se torna o principal instrumento de 
construção da marca desta empresa. É o que afirma Mestriner (2002), quando 
diz que uma das grandes forças da embalagem está no fato de o marketing ser 
uma batalha de percepção e não de produtos. E por meio desse sentido que o 
marketing tem a função de fazer com que o produto seja percebido de certa 
maneira, agregando a ele novos valores e significados (Mestriner, 2002). 
Ao criar a comunicação para embalagens, o designer deve pensar nos 
três principais elementos que compõem a linguagem bi e tridimensional: cor, 
texto e forma. A seguir, veremos um pouco mais sobre cada uma delas: 
4.1 Cor 
A comunicação visual baseia-se essencialmente em forma e cor. 
Utilizando-se da combinação desses elementos podem-se criar estímulos 
visuais interessantes, causando impacto, legibilidade, reconhecimento, 
distinção, identificação de categorias de produtos, memorização etc. 
A missão especial que a cor tem no projeto de embalagens é a de chamar 
a atenção do consumidor para si diante de inúmeras escolhas à sua frente. 
Primeiro ele é atraído, depois conservado atento à mensagem visual, por meio 
de um significado interessante, de fácil assimilação. Muito antes de reconhecer 
e ler um texto, a cor já comunicou muitas coisas (como o sabor de um suco, por 
exemplo), pois ela supera as barreiras idiomáticas. 
A legibilidade é um critério ergonômico delicado de ser conquistado no 
design de embalagens; seja por ausência de espaço útil para as informações, ou 
por fragilidades nos processos de impressão. Nesse caso, o estudo de aplicação 
correta da cor é também uma das melhores formas de garantir que haja 
legibilidade. É importante ressaltar que a percepção e a simbologia das cores e 
dos elementos gráficos variam conforme a idade, classe social, aspectos 
culturais, religiosos e sexo do público consumidor. Em se tratando da mesma 
pessoa, essa percepção também muda, por conta do clima, da região de 
consumo e da sazonalidade. 
 
 
10 
Saiba mais 
A simbologia das cores é um assunto muito importante que pode ser 
encontrado no livro a seguir: 
FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica das cores em 
comunicação. 6. ed. São Paulo: Blücher, 2011. 
As associações simbólicas das cores têm um caráter psicossocial e podem 
ser utilizadas como referências para a utilização de cores em embalagens. Já 
existe uma convecção no uso de cores para determinado segmento de produtos, 
instalada ao longo das décadas de mercado. O consumidor se acostumou, por 
exemplo, a ver café em pó em embalagens de cores quentes, como marrom, 
vermelho e amarelo. Se o mesmo café for embalado em um pacote azul ou roxo, 
a percepção acerca do produto irá mudar de forma negativa, afetando, inclusive, 
a memória do produto associada aos demais sentidos, como olfato e paladar. 
Celso Negrão e Eleida Camargo (2008) relacionaram em seu livro Design 
de embalagem – Do marketing à produção, algumas categorias de produtos e 
as cores mais associadas a cada um deles: 
• Café – marrom-escuro com toque de laranja, amarelo, verde, vermelho ou 
areia; 
• Chocolate – marrom-claro ou escuro, vermelho-alaranjado, laranja, 
amarelo ocre, rosa; 
• Leite – azul e verde, em vários tons, às vezes com um toque de vermelho; 
• Gorduras vegetais – verde-claro e amarelo não muito forte; 
• Carnes enlatadas – cor do produto em fundo vermelho; 
• Leite em pó – azul e vermelho, amarelo e verde com toque de vermelho; 
• Doces em geral – vermelho-alaranjado; 
• Óleos e azeites – verde, vermelho e toques de azul; 
• Iogurte – branco e azul; 
• Cerveja – amarelo-ouro, vermelho e branco; 
• Desodorantes – verde, branco, azul com toques de vermelho ou roxo; 
• Perfumes – roxo, amarelo-ouro, prateado, rosa para as mulheres; 
• Cigarros – branco e vermelho, branco e azul com toque de amarelo ouro, 
branco e verde, branco e ouro, preto e ouro. 
 
 
11 
Recomenda-se o uso dessa relação para iniciar o desenvolvimento do 
projeto, mas nada impede que outras cores sejam utilizadas, desde que haja 
pesquisa e uma boa conceituação que sustente a escolha. 
4.2 Texto 
Para um bom texto ser apresentado ao consumidor, houve anteriormente 
uma combinação planejada entre a redação e a tipografia, que funciona tanto no 
sentido da legibilidade quanto da publicidade. Portanto, toda a editoração de 
texto precisa ser construída ao redor desse princípio, preservando o conforto da 
leitura e passando a informação de forma atraente e objetiva. Em se tratando 
somente de legibilidade,o designer de embalagens deve considerar as cinco 
características mais importantes à editoração de um texto: espaço entre as 
letras, espaço entre as linhas, tipo com ou sem serifa, peso do tipo e cor. 
Quando necessário o uso de várias tipografias num mesmo layout, 
devem-se priorizar aquelas que são da mesma família. Por exemplo, usar a 
tipografia Helvetica na versão bold para uma chamada curta e títulos; e a versão 
light para textos longos, tabelas e informações técnicas. É importante salientar 
que os tipos convencionais são mais recomendados para uso em textos longos, 
pois o conteúdo deve sobressair à forma da letra. Ou seja, a boa tipografia não 
é diferenciada pelo leitor enquanto este lê o texto. 
Em se tratando de embalagens, principalmente as de formato cilíndrico, 
deve-se atentar à amplitude ou extensão do campo visual. Veja a Figura 7. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
Figura 7 – Extensão do campo visual em rótulos de frascos cilíndricos 
 
Créditos: Vector Expertz/Shutterstock. 
Quando elaboramos o layout dessas embalagens, temos que ter em 
mente que a área visível ao consumidor é um pouco maior que a 1/3 do 
comprimento da circunferência da base do cilindro. Ou seja, o texto precisa estar 
encaixado com as imagens, tabelas e outra informações de modo que num 
mesmo campo visual o leitor consiga escanear e entender todo o conteúdo. 
Sabemos que não é o designer que define a quantidade e qualidade das 
informações contidas em uma embalagem, pois isso faz parte da estratégia de 
marketing e de obrigações legais (por exemplo, suas características, quantidade, 
composição, prazos de validade e origem. Veremos isso num capítulo à parte 
ainda nesta aula), devendo ser definida pela empresa juntamente com seus 
especialistas em comunicação. O design colabora por meio da diagramação, 
 
 
13 
hierarquizando informações. Ou seja, dando destaque aos textos que 
contribuem para a venda do produto e à informação ao consumidor e menos 
destaques para dados secundários. Isso é obtido visualmente com a mudança 
de tipos da família tipográfica (bold, itálico, regular) e utilizando recursos gráficos 
como splashes, imagens, variação de cores etc. 
4.3 Forma 
Podemos definir que forma é aparência externa do objeto. Ou seja, 
chamamos de forma a silhueta de uma embalagem. Um produto pode muitas 
vezes ser reconhecido apenas por meio da sua silhueta, e até se tornar ícone, 
como é o caso da garrafa de um refrigerante famoso (veja a Figura 8). 
Figura 8 – Embalagens que ligam a forma ao produto – garrafa de refrigerante 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Créditos: K2 Photo Projects/Shutterstock. 
Pelo seu enorme poder de impacto e diferenciação entre as demais 
garrafas, o desenho da garrafa foi patenteado, sendo, a partir daí, de uso 
exclusivo da marca, fortalecendo ainda mais a associação da embalagem com 
a empresa na mente do consumidor. 
Uma silhueta também pode sugerir que o produto pertence a uma 
categoria de produtos, por exemplo, frascos de perfume ou potes de margarina. 
Se adicionarmos algo do contexto, algumas embalagens podem ser 
discriminadas entre si – por exemplo, embalagem cartonadas para sucos de fruta 
prontos para beber ou leite, que utilizam o mesmo sistema de embalagem. 
 
 
14 
Essa associação entre produto e embalagem acontece desde os 
primórdios da embalagem, como afirma Fábio Mestriner (2002): 
As primeiras embalagens eram identificadas exclusivamente por sua 
forma, uma vez que não existiam recursos técnicos para a inclusão de 
imagens ou códigos visuais mais elaborados. A forma da ânfora ou do 
jarro indicava se o conteúdo era vinho ou azeite. O formato do saco e 
a amarração do fardo indicavam aos comerciantes antigos o que 
estavam transportando. 
Diferente da maioria dos projetos gráficos, as embalagens precisam ser 
pensadas em três dimensões, pois é nessa particularidade que se expressam os 
requisitos mais técnicos e concretos. A forma não contém apenas os significados 
estéticos e simbólicos (transmitindo-lhe ideias e sensações), mas envolve 
aspectos ergonômicos e funcionais, facilitando a utilização de seu conteúdo, 
preservando as características químicas e físicas durante o uso continuado. Por 
isso, ao projetar a forma, o designer deve considerar o sistema de uso do 
produto, o local, quem é e como será a ação do usuário, seu estado emocional 
etc. Por exemplo, uma cartela de remédios para dor de cabeça normalmente é 
manipulada por alguém que sofre fisicamente, e por isso não apresenta as 
faculdades cognitivas em ordem. Diferentemente de uma criança que abre uma 
caixa de brinquedos no Natal, ou ainda de um cabelereiro que interage com 
frascos tinta para cabelo com as mãos enluvadas. 
Os diferenciais da forma também podem estar em um manejo que cative 
o consumidor. Um fecho de caixa, um jeito mais fácil de segurar ou abrir, por 
exemplo. São detalhes que podem fazer toda a diferença na experiência de uso. 
Ao analisarmos as demandas específicas de cada possível utilização, 
saberemos quais requisitos a forma precisará contemplar. Essa mesma forma 
deve apresentar a estabilidade necessária ao armazenamento e uma exposição 
atraente nas gôndolas do mercado, além de, quando agrupadas para transporte, 
ocupar o espaço da melhor maneira possível, minimizando os custos logísticos. 
Conhecendo um pouco mais os três elementos que compõem a 
linguagem bi e tridimensional, entendemos que a embalagem integra o grupo de 
itens gráficos que interagem com os consumidores de uma marca por meio de 
uma linguagem única e poderosa, pois mesmo sem existir a compra, a 
embalagem tem presença e comunica no ponto de venda, além de poder ser 
utilizada como mídia para a propagandas de produtos similares da mesma 
empresa, sem que haja grandes investimentos. 
 
 
15 
TEMA 5 – IMPACTO NA PRATELEIRA 
 Para um designer, o maior desafio no mercado varejo é fazer com que 
seu produto tenha destaque entre seus concorrentes. Essa disputa se dá 
principalmente na prateleira, onde se encontram lado a lado. 
Além dos acessórios e dos elementos da comunicação visual da 
embalagem que estudamos nesta aula, devemos levar em conta o fato de que 
as embalagens raramente aparecem sem par em uma gôndola. Dependendo do 
espaço reservado na prateleira, o produto pode apresentar-se em grupos de 3, 
4 ou mais unidades. 
Uma estratégia muito interessante é aproveitar o agrupamento de 
embalagens iguais e unir visualmente a face dessas unidades, criando-se uma 
área maior para comunicação da marca. 
Saiba mais 
Um exemplo de utilização desse conceito é a arte desenvolvida pela 
designer Vera Zvereva para a linha Milgrad de laticínios da marca russa Bryansk 
Dairy Plant’s. Acesse o link a seguir para conhecer a solução apresentada por 
Zvereva, numa criação que considera as laterais da embalagem de leite para 
criar um desenho maior. Para conhecer as imagens, acesse o link a seguir: 
DESIGNER russa cria embalagens que se unem formando simpáticos 
gatos. Pequenas Empresas & Grandes Negócios, 5 set. 2020. Disponível em: 
<https://revistapegn.globo.com/Banco-de-
ideias/Varejo/noticia/2020/09/designer-russa-cria-embalagens-que-se-unem-
formando-simpaticos-gatos.html>. Acesso em: 4 jun. 2021. 
O recurso foi tão bem-sucedido que o personagem ganhou espaço nas 
mídias além do supermercado, tornando-se popular em várias redes sociais, 
impactando outros tipos de consumidores. 
Por meio do uso criativo do espaço nas gôndolas, pode-se contar uma 
história ou transmitir uma mensagem melhor do que seria possível utilizando 
somente uma das laterais da embalagem. Atrair a atenção do consumidor 
fascinando-o é a melhor estratégia para um produto ser reconhecido pelo 
consumidor entre os concorrentes, conquistá-lo e fidelizá-lo para compras 
futuras. 
 
 
16 
TROCANDO IDEIAS 
Nesta aula, aprendemos como o planejamento das estruturas físicas e 
visuais das embalagenspodem estabelecer uma relação positiva com o 
consumidor. Tendo isso em mente, compartilhe no fórum com seus colegas as 
experiências positivas ou negativas que você já teve com produtos e qual foi a 
participação da embalagem neste caso. Comente a participação dos colegas. 
NA PRÁTICA 
Escolha uma embalagem de papel que você tenha à sua disposição e 
desmonte-a cuidadosamente, para obter a sua forma planificada. Verifique suas 
formas especiais e tente redesenhá-la à mão ou em algum software vetorial, 
reproduzindo suas medidas com maior fidelidade possível, utilizando o código 
técnico para representação das linhas e das cotas. Perceba a sutil diferença de 
medidas entre as laterais e reflita por que há essa diferença. 
FINALIZANDO 
Nesta aula conhecemos como se procede à reunião de informações para 
produção das embalagens através da documentação técnica e como é 
importante utilizar as convenções de desenho para que todos os agentes de 
produção interpretem corretamente os dados. 
Também estudamos estratégias para melhor comunicar e impactar o 
consumidor diante da gôndola, utilizando os recursos táteis, gráficos, físicos e 
os acessórios, que também melhoram o transporte e a experiência de consumo 
do produto. 
Percebemos que a embalagem é parte de um sistema complexo, 
envolvendo design, marketing, produção, logística, meio ambiente e consumidor. 
Quanto melhor conhecermos cada parte desse sistema, melhores soluções em 
embalagens poderemos oferecer. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
DESIGNER russa cria embalagens que se unem formando simpáticos gatos. 
Revista Pegn, 5 set. 2020. Disponível em: < https://glo.bo/3ckCVE8>. Acesso 
em: 5 jun. 2021. 
FARINA, M.; PEREZ, C.; BASTOS, D. Psicodinâmica das cores em 
comunicação. 6. ed. São Paulo: Blücher, 2011. 
FUENTES. R. A prática do design gráfico: uma metodologia criativa. São 
Paulo: Rosan, 2006 
MESTRINER, F. Design de embalagem – curso básico. 2. ed. São Paulo: 
Pearson Makron Books, 2002. 
NEGRÃO, C.; CAMARGO, E. Design de embalagem: do marketing à produção. 
São Paulo. Novacec, 2008. 
RONCARELLI, S.; ELLICOTT, C. Design de embalagem: 100 fundamentos de 
projeto e aplicação. São Paulo. Blücher, 2011.