Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ 
INSTITUTO DE ESTUDOS DO TRÓPICO ÚMIDO 
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA 
FARMACOLOGIA VETERINÁRIA 
 
AULA 5: SISTEMA NERVOSO CENTRAL 
INTRODUÇÃO 
 
A farmacologia do sistema nervoso central (SNC) estuda como os fármacos 
interferem na comunicação entre os neurônios, que são a unidade 
morfofuncional do SNC. Esses medicamentos atuam modificando ou 
interrompendo a integração entre o sistema nervoso central e o sistema nervoso 
periférico, gerando alterações em funções como comportamento, dor, sono e 
estado de consciência. 
A comunicação entre os neurônios ocorre por meio do potencial de ação, que 
depende de alterações elétricas na membrana celular. 
1. PEPS Potencial pós sináptico excitatório - Despolarização (excitação): 
ocorre com a entrada de sódio (Na⁺), tornando a célula mais positiva e 
favorecendo a propagação do impulso nervoso. 
2. PIPS - Hiperpolarização (inibição): ocorre com a entrada de cloreto (Cl⁻), 
deixando a membrana mais negativa e dificultando o estímulo. 
Esse equilíbrio entre excitação e inibição é essencial para o funcionamento 
adequado do SNC. 
Potencial pós sináptico inibitório: abre os canais de cloreto 
Pk é a constante de ionização e dissociação. Forma ionizada e não ionizada. O 
pKa está relacionado à capacidade de ionização do fármaco. 
• Forma não ionizada: mais lipossolúvel (atravessa membranas com 
facilidade). 
• Forma ionizada: menos lipossolúvel (dificuldade de atravessar 
membranas). 
Ação dos fármacos 
 
Os fármacos podem atuar de diferentes formas na neurotransmissão: 
Aumentando a ação dos neurotransmissores (agonistas), diminuindo ou 
bloqueando sua ação (antagonistas), potencializando ou inibindo a atividade 
neuronal. 
Efeitos: sedação, excitação, anestesia ou controle da dor. 
• Autônomo – hipotálamo. 
• Simpática – músculo esquelético. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
 
Neurotransmissores 
 
Os neurotransmissores podem ser classificados de acordo com sua ação: 
• Excitatórios: promovem despolarização. 
• Inibitórios: promovem hiperpolarização na membrana pós-sináptica 
O equilíbrio entre eles mantém o funcionamento normal do SNC. 
 
Os principais neurotransmissores: 
1. Aminoácidos inibitório (GABA e Glicina) e excitatórios (glutamato e 
Aspartato) 
2. Aminas (Acetilcolina, histaminas, catecolaminas). 
3. Peptídeos (opioides e substâncias P). 
 
Aminoácidos inibitórios 
 
a) GABA (ÁCIDO GAMA-AMINOBUTÍRICO): O GABA é o principal 
neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Sua função é reduzir a 
atividade neuronal, promovendo um efeito de “freio” no cérebro. Ele promove a 
entrada de Cl⁻ (cloreto) na célula causando hiperpolarização e dificultando o 
potencial de ação. 
 
Receptores 
 
GABAa 
• Tipo: Inotrópico (ação rápida). 
• Local: Pós-sináptico. 
• Função: Abre canais de Cl⁻. Efeito inibitório imediato. 
 
Fármacos importantes: 
1. Agonistas: Benzodiazepínicos (BZD), barbitúricos e propofol. 
2. Antagonistas: Flumazenil e picrotoxina 
 
GABAb 
• Tipo: Metabotrópico (ação lenta). 
• Função: Inibição prolongada da atividade neuronal. 
 
Fármacos importantes 
1. Agonista: Baclofeno. 
2. Relacionado: GHB (ácido gama-hidroxibutírico). 
 
GABAc 
1. Tipo: Inotrópico 
2. Local: Principalmente na retina 
3. Função: Modulação da transmissão visual 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
b) GLICINA: A glicina também é um neurotransmissor inibitório, com atuação 
predominante em regiões mais básicas do SNC. 
• Atua na medula espinhal, tronco encefálico, retina. 
• Funções: Regulação de funções sensoriais; Inibição da transmissão da 
dor (nocicepção); controle da atividade motora; promove relaxamento 
muscular. 
Receptores 
NMDA: Receptor do glutamato e indiretamente induz efeito excitatório do 
glutamato. 
Alfa 1GlyRs e Alfa 3glyRs: Regula funções sensoriais e inibe a propagação do 
estímulo nociceptivo para áreas superiores. 
Liberada por interneurônios inibitório na medula espinhal. 
 
Aminoácidos excitatórios 
 
a) GLUTAMATO: O glutamato é o principal neurotransmissor excitatório do 
SNC, responsável por aumentar a atividade dos neurônios. 
• Ele é produzido a partir da glutamina e participa de funções como 
aprendizado e percepção da dor. 
• Em excesso, pode causar toxicidade neuronal (excitotoxicidade), levando 
à lesão dos neurônios. 
 
Receptores 
 
Receptores inotrópicos: Têm ação rápida, pois estão ligados diretamente a 
canais iônicos. Entre eles, destaca-se o receptor NMDA, muito importante na 
plasticidade neuronal e também na dor; fármacos como a cetamina atuam 
bloqueando esse receptor. Outro receptor importante é o AMPA, que também 
participa da excitação rápida no SNC. 
Receptores metabotrópicos (mGlut): Têm ação mais lenta e moduladora, 
regulando a atividade neuronal de forma indireta. 
 
Antagonistas do glutamato, reduzindo sua ação excitatória e exercendo efeito 
neuroprotetor, como a memantina, MK-801 e a gabiclidina (GK11). 
 
b) ASPARTATO: O aspartato é um aminoácido não essencial que atua como 
neurotransmissor excitatório no sistema nervoso central, principalmente na 
medula espinhal. 
• Ele age por meio dos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA), 
inotrópicos, participando da excitação neuronal junto com o glutamato. 
 
 
Aminas 
 
a) ACETILCOLINA: A acetilcolina é um neurotransmissor importante que atua 
tanto nas junções neuromusculares quanto no sistema nervoso central, 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
participando da contração muscular e de funções cognitivas como memória e 
aprendizado. 
 
Receptores muscarínicos 
• M1: pós – sinapse (córtex, hipocampo, e corpo estriado). 
• M2: pré-sináptico (mesencéfalo e tálamo). 
• M3, M4, M5: funções regulatórias diversas. 
 
Receptores Nicotínicos: Inotrópicos (toda região encefálica e induz a abertura 
de sódio). 
 
b) HISTAMINA 
• Funções: Participa de reações alérgicas, atua na proliferação celular e 
angiogênese, aumenta a permeabilidade vascular, está envolvida na 
anafilaxia e estimula a secreção gástrica. 
• Sistema nervoso central: A histamina atua principalmente no hipotálamo, 
regulando funções importantes como apetite, secreção hormonal, controle 
cardiovascular, termorregulação, memória e aprendizado. 
Receptores 
H1: presente no sistema respiratório e no SNC. 
H2: relacionado principalmente à secreção gástrica*. 
H3: pré-sináptico, regula a liberação de neurotransmissores. 
 
c) NOREPINEFRINA: A norepinefrina é um neurotransmissor importante 
relacionado ao estado de alerta e à resposta de “luta ou fuga”, sendo produzida 
principal ente na região do locus coeruleus. 
• Hiperatividade (Aumento de norepinefrina) (Alfa1,2, beta 1,2,3) 
• Excesso de norepinefrina ativa receptores adrenérgicos (alfa e beta), 
levando a insônia, ansiedade, irritabilidade e excitação. 
• Hiporatividade há Insônia e Apatia. 
 
d) DOPAMINA: Atuando principalmente no controle da atividade motora, das 
emoções e do sistema de recompensa, além de participar de funções cognitivas 
e endócrinas. 
 
Receptores 
A dopamina atua em dois grupos principais de receptores: 
 
Família D1: D1 e D5. 
Família D2: D2, D3 e D4. 
 
e) SEROTONINA: A serotonina é um neurotransmissor produzido 
principalmente no tronco encefálico e com forte atuação no hipotálamo, 
participando da regulação de diversas funções essenciais do organismo. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
• Funções: Controle do ciclo sono-vigília, regulação do comportamento 
alimentar e participação em funções adaptativas (humor, resposta ao 
ambiente). 
 
Receptores 
A serotonina atua em vários tipos dereceptores chamados 5-HT (5-HT1 a 5-
HT7). 
 
• A maioria é metabotrópica (acoplada à proteína G - ação mais lenta). 
• Exceção: 5-HT3 - inotrópico (ação rápida). 
 
Peptídeos opioides e outros peptídeos 
 
a) OPIOIDES: Os peptídeos opioides são neurotransmissores que atuam 
principalmente na inibição da atividade neuronal, estando diretamente 
relacionados ao controle da dor. 
Principais tipos: Encefalinas, Endorfinas e Dinorfinas 
Eles se ligam a receptores opioides, que são acoplados à proteína G 
(metabotrópicos), promovendo a redução da atividade dos neurônios e 
diminuindo a transmissão da dor. 
b) OUTROS PEPTÍDEOS: Além dos opioides, existem outros peptídeos 
presentes no organismo, geralmente em menor concentração, que também 
exercem funções importantes. Como: 
▪ Hormônios hipofisários e hipotalâmicos. 
▪ Hormônios circulantes (como insulina e angiotensina). 
▪ Hormônios intestinais (como CCK). 
Substância P: A substância P é um peptídeo importante relacionado à 
transmissão da dor, atuando de forma oposta aos opioides (ou seja, 
favorecendo o estímulo doloroso). 
 
 
 
 
 
 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
ANESTÉSICOS INALATÓRIOS 
Os anestésicos inalatórios são fármacos administrados por via respiratória, 
utilizados para indução e manutenção da anestesia geral. 
Halogenados: São compostos que contêm halogênios (como flúor, cloro ou 
bromo) em sua estrutura química. Exemplos conhecidos incluem: halotano, 
isoflurano, sevoflurano e desflurano. 
 Anestésicos na forma de vapor: São líquidos voláteis que precisam ser 
vaporizados antes da administração. Exemplo: Enflurano (anestésico 
halogenado administrado na forma de vapor). 
Propriedades físico-químicas 
CAM (Concentração Alveolar Mínima): A CAM é um dos principais parâmetros 
para avaliar a potência dos anestésicos inalatórios. É a concentração alveolar 
mínima necessária para impedir movimento em 50% dos indivíduos expostos 
a um estímulo doloroso. Equivale à DE50 (Dose Efetiva 50%). 
Determinação do potencial anestésico: Quanto menor a CAM, mais potente 
é o anestésico. Quanto maior a CAM, menor a potência do fármaco. 
 
Coeficiente de Solubilidade Sangue/Gás: Esse coeficiente determina a 
velocidade de indução e recuperação anestésica. O anestésico inalado 
atravessa o parênquima alveolar e passa para o sangue. e o anestésico for 
muito solúvel no sangue, ele se dissolve mais antes de atingir concentração 
adequada no cérebro. 
Maior coeficiente sangue/gás - Indução e recuperação mais lentas. 
Menor coeficiente sangue/gás - Indução e recuperação mais rápidas. 
Farmacocinética e farmacodinâmica 
Caminho do anestésico no organismo. A sequência de pressões segue o 
seguinte fluxo: 
1. Pressão no vaporizador 
2. Pressão no circuito anestésico 
3. Pressão inspirada 
4. Pressão alveolar 
5. Pressão arterial 
6. Pressão nos tecidos 
7. Sistema Nervoso Central (SNC) 
No SNC ocorre depressão generalizada, que é o principal efeito dos 
anestésicos gerais. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
Eliminação Após distribuição: 
1. Pressão venosa 
2. Pressão alveolar 
3. Pressão expiratória 
A eliminação ocorre principalmente pelos pulmões, através da expiração. 
Efeitos dos Anestésicos Inalatórios no SNC 
Alterações na transmissão nervosa: Alteram a transmissão axonal e 
sináptica, atuam tanto pré-sináptica quanto pós-sináptica, modificam a 
produção, liberação e recaptação de neurotransmissores. 
Neurotransmissores afetados: Acetilcolina (ACh); Noradrenalina (NE); 
Dopamina; Serotonina; Adenosina; GABA; Glutamato; Aspartato. 
Efeitos fisiológicos: Redução da TMC (Taxa Metabólica Cerebral); Elevação 
do FSC (Fluxo Sanguíneo Cerebral); Aumento da PIC (Pressão Intracraniana); 
Depressão cardiorrespiratória. 
 
Os anestésicos inalatórios diminuem a atividade cerebral ao alterar 
neurotransmissores, reduzem o metabolismo cerebral, mas podem aumentar o 
fluxo sanguíneo e a pressão intracraniana, além de causar depressão cardíaca 
e respiratória. 
 
Outros efeitos dos anestésicos inalatórios: 
 
Sistema Renal 
• Redução da TFG (Taxa de Filtração Glomerular): Ocorre principalmente 
por diminuição da pressão arterial e do débito cardíaco. 
• Possível nefrotoxicidade: Alguns anestésicos podem liberar íons 
fluoreto durante a metabolização, que podem causar lesão renal. 
Fármacos relacionados: Enflurano - maior liberação de fluoreto; Sevoflurano - 
pode liberar fluoreto, mas é considerado mais seguro atualmente. 
 
Metabolização Hepática 
• Halotano: Associado à necrose hepática (hepatite por halotano) 
• Soflurano: Menor metabolização hepática, Mais utilizado e maior 
segurança. 
 
 
 
 
 
 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
FARMACOLOGIA DOS ANESTESICOS INJETÁVEIS 
 
Classificação 
 
1. Barbitúricos 
• Exemplos: Pentobarbitol e Tiopental. 
• Usos: Eutanásia, sedação e convulsão. 
• Observação: Hoje são pouco utilizados na anestesia de rotina, pois 
existem fármacos mais seguros. 
 
2. Não Barbitúricos 
• Derivado imidazólico – Etomidato. 
• Alquilfenol – Propofol. 
• Observação: São mais utilizados atualmente por apresentarem maior 
segurança e melhor controle anestésico. 
 
Barbitúricos 
 
Classificação química: 
1. Oxibarbitúricos 
2. Tiobarbitúricos 
 
Duração de Ação: 
• Longa e média duração: Utilizados principalmente para controle de 
convulsões. 
• Curta e ultracurta duração: Utilizados para indução anestésica e 
sedação. Podem ser usados em protocolos de eutanásia. 
 
Farmacodinâmica 
 
Depressão do SNC: Os barbitúricos produzem depressão do sistema nervoso 
central ao mimetizarem a ação do GABA, que é o principal neurotransmissor 
inibitório do cérebro. Ao potencializar o GABA, eles aumentam a inibição 
neuronal, levando à sedação e hipnose. 
 
Ação GABAérgica: 
• Em baixas concentrações, atuam como GABA-miméticos, promovendo 
sedação e hipnose por aumento do efeito inibitório do GABA. 
• Em concentrações mais altas, além de potencializar o GABA, os 
barbitúricos têm a capacidade de abrir diretamente os canais de 
cloreto, o que intensifica muito a inibição do SNC. Quanto maior a dose 
administrada, mais profunda será a depressão, podendo evoluir de 
sedação para anestesia, coma e até óbito. 
• Eles não são considerados tão seguros justamente porque essa abertura 
direta dos canais de cloreto não tem um limite protetor, ou seja, a 
depressão pode se tornar progressiva e grave conforme a dose aumenta. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
Efeitos Cerebrais: Os barbitúricos reduzem o consumo de oxigênio pelo SNC, 
diminuem o fluxo sanguíneo cerebral e também reduzem a pressão 
intracraniana, o que pode ser útil em algumas situações clínicas. 
Efeitos respiratórios: Produzem depressão respiratória porque reduzem a 
resposta do centro respiratório ao aumento da PCO₂ e diminuem a resposta 
fisiológica à hipóxia. Além disso, deprimem os quimiorreceptores carotídeos, 
tornando o organismo menos sensível às alterações nos níveis de oxigênio e gás 
carbônico. 
Farmacocinética 
 
Grau de ionização 
• Os barbitúricos são sais de sódio derivados do ácido barbitúrico. No 
organismo, podem existir na forma ionizada ou não ionizada, e isso 
depende do pH sanguíneo. 
• Quando o meio está mais ácido, como pode acontecer em casos de 
hipoventilação (quando o animal quase não respira e acumula CO₂), 
aumenta a forma não ionizada do fármaco. 
• A forma não ionizada atravessa mais facilmente as membranas celulares, 
permitindo que mais barbitúrico penetre nos tecidos, inclusive no cérebro. 
Assim, alterações no pH sanguíneo influenciam diretamente a intensidade 
do efeito. 
 
Lipossolubilidade 
• Os barbitúricos são altamente lipossolúveis, ou seja, têm grande afinidade 
por gordura.• Por isso, distribuem-se rapidamente para tecidos bem vascularizados, 
como o cérebro, produzindo efeito rápido. Depois, redistribuem-se para o 
tecido adiposo, onde podem se acumular. 
• Esse acúmulo pode causar efeito sedativo residual, principalmente após 
doses repetidas ou em animais com maior quantidade de gordura 
corporal. 
 
Uso na medicina veterinária: São utilizados para sedação e hipnose, indução 
anestésica, controle de convulsões (anticonvulsivantes) e, com certeza, em 
protocolos de eutanásia. 
 
Não Barbitúricos 
 
PROPOFOL 
 
Farmacodinâmica 
 
• O propofol potencializa a ação do GABA, atuando principalmente nos 
receptores GABAa. Quanto maior a dose administrada, maior será a 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
depressão do sistema nervoso central, pois seu efeito é dose-
dependente. 
• Possui propriedades hipnóticas e sedativas marcantes, sendo muito 
utilizado para indução anestésica. Ao potencializar o GABA, aumenta a 
inibição neuronal, levando à perda de consciência. 
• Pode causar apneia, especialmente quando administrado rapidamente 
por via intravenosa. 
• Também reduz o fluxo sanguíneo cerebral (FSC) e a pressão 
intracraniana (PIC), o que pode ser vantajoso em determinadas situações 
clínicas. 
• Promove relaxamento muscular e perda de reflexos durante o plano 
anestésico. 
• Propofol NÃO induz analgesia. 
 
Farmacocinética 
• O propofol segue um modelo bicompartimental aberto. Após a 
administração, ocorre distribuição rápida para o SNC, o que explica sua 
indução rápida. 
• Sua ação é curta porque rapidamente se redistribui do cérebro para outros 
tecidos, como sangue, intestino e pulmão. Isso permite recuperação 
rápida. 
• Não apresenta efeito acumulativo significativo quando utilizado de forma 
adequada, inclusive em infusão contínua, devido à sua rápida 
metabolização e redistribuição. 
• Possui alta ligação às proteínas plasmáticas. 
• A metabolização é principalmente hepática, mas em gatos também ocorre 
metabolização extra-hepática. 
• Em gatos, a eliminação pode ser mais lenta porque eles utilizam 
principalmente mecanismos oxidativos, e o uso repetido pode causar 
alterações nas hemácias. Os gatos não conseguem fazer a 
glicuronidação, e pode causar lesão celular oxidativa. 
ETOMIDATO 
 
Farmacodinâmica 
• O etomidato possui propriedades hipnóticas com ação relativamente curta 
e efeito dose-dependente. Atua por potencialização GABAérgica, 
aumentando a atividade inibitória do GABA no sistema nervoso central, o 
que leva à sedação e hipnose. 
• É especialmente indicado em pacientes com cardiopatias, pois causa 
mínima depressão cardiovascular quando comparado a outros 
anestésicos intravenosos. 
• Apresenta também propriedades anticonvulsivantes. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
• Um efeito importante é a supressão do córtex adrenal, levando à redução 
da produção de cortisol. Por esse motivo, não é indicado para indução 
contínua ou uso prolongado. 
• Pode causar hemólise intravascular devido ao propilenoglicol presente na 
formulação. 
Farmacocinética 
• Liga-se cerca de 75% às proteínas plasmáticas. 
• Após administração intravenosa, apresenta rápida distribuição ao SNC, o 
que explica sua indução rápida. 
• A biotransformação ocorre principalmente no fígado e também no plasma. 
• Seus metabólitos, principalmente o ácido carboxílico, são eliminados em 
mais de 85% pela urina. 
• Assim como os demais anestésicos intravenosos citados até aqui, deve 
ser administrado por via IV. 
DERIVADOS DA FENCICLIDINA—DISSOCIATIVOS 
 
São fármacos que produzem anestesia dissociativa, um estado em que o 
animal parece acordado (olhos abertos, alguns reflexos presentes), mas está 
desconectado do ambiente e não percebe dor adequadamente. 
 
1. CETAMINA. 
 
Mecanismo de ação: A cetamina é um antagonista não competitivo dos 
receptores NMDA, que são receptores do glutamato (neurotransmissor 
excitatório). Ao bloquear esses receptores, reduz a excitação neuronal no SNC, 
produzindo anestesia dissociativa e analgesia. Também atua em outros 
receptores e canais, como: 
• Receptores nicotínicos e muscarínicos; 
• Receptores opioides; 
• Canais de sódio; 
• Sistema glutamatérgico no córtex. 
 
Isômeros: A cetamina é comercializada como mistura racêmica, mas também 
existe na forma de isômero. O enantiômero S(+) (dextrocetamina) é de 2 a 4 
vezes mais potente e produz menos efeitos adversos. 
 
Efeitos clínicos: Promove sedação e analgesia, sendo muito utilizada em 
protocolos analgésicos. É bastante empregada em animais silvestres devido à 
sua segurança e facilidade de administração. 
 
Observação: A cetamina não promove bom relaxamento muscular. Por isso, 
obrigatoriamente deve ser associada a um fármaco que cause relaxamento 
muscular, como benzodiazepínicos ou alfa-2 agonistas. 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
2. TILETAMINA: 
 
A tiletamina é um anestésico dissociativo derivado da fenciclidina, semelhante à 
cetamina, atuando principalmente como antagonista dos receptores NMDA. 
 
Características: É considerada mais potente que a cetamina. a tiletamina é 
comercializada obrigatoriamente associada a um fármaco com ação relaxante 
muscular. 
 
Associação com Zolazepam: A tiletamina é associada ao zolazepam, um 
benzodiazepínico que promove relaxamento muscular, sedação e efeito 
ansiolítico. 
 
 
CETAMINA E TILETAMINA 
 
• Não devem ser utilizadas em fêmeas gestantes. 
• Possuem elevada lipossolubilidade, o que explica a ação rápida após 
administração. 
• Após atingirem o SNC, sofrem redistribuição para tecidos menos 
vascularizados, especialmente tecidos magros, o que contribui para o 
término do efeito clínico inicial. 
• A metabolização é hepática. 
• A cetamina é metabolizada em norcetamina (metabólito ativo). 
• A tiletamina também sofre metabolização hepática, porém com 
diferenças entre espécies. 
Diferença entre cães e gatos: Em cães, a duração média pode ser em torno de 
1 a 2 horas, podendo ocorrer grau de excitação na recuperação, o que torna seu 
uso isolado menos indicado. Em gatos, a duração pode chegar a 
aproximadamente 2,5 horas, sendo considerada mais adequada nessa espécie 
quando comparada aos cães. 
Farmacodinâmica: Promovem anestesia dissociativa por dissociação do córtex 
cerebral. Atuam principalmente pelo bloqueio dos receptores NMDA (receptores 
do glutamato), reduzindo a excitação neuronal. Também promovem bloqueio de 
receptores muscarínicos, contribuindo para alguns dos seus efeitos clínicos. 
 
 
 
 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
ANESTÉSICOS LOCAIS 
Os anestésicos locais bloqueiam temporariamente a condução neuronal, 
impedindo a transmissão, modulação, percepção e transdução do estímulo 
doloroso. Eles impedem a geração e propagação do potencial de ação ao 
bloquearem os canais de sódio dependentes de voltagem. Sem entrada de sódio 
na célula, não ocorre despolarização e, portanto, não há condução do impulso 
nervoso. 
Estrutura química e classificação 
Possuem três partes principais na estrutura química: Uma porção 
lipossolúvel, uma porção hidrossolúvel (forma ionizada), uma cadeia 
intermediária, que pode ser do tipo éster ou amida. 
São aminas, ou seja, bases fracas. Em sua forma original são instáveis e pouco 
solúveis em água. Por isso, comercialmente são apresentados na forma de 
cloridrato, que é hidrossolúvel. No frasco, parte da molécula está na forma 
ionizada e parte na forma não ionizada. A forma não ionizada atravessa com 
mais facilidade a membrana celular. Já a forma ionizada é a que se liga ao canal 
de sódio no interior da célula e exerce o bloqueio. 
Propriedades físico-químicas 
• A potência está relacionada à lipossolubilidade. Quanto maior a 
lipossolubilidade,maior a potência do anestésico. 
• A latência, ou seja, o tempo entre a administração e o início do efeito, 
depende do grau de ionização. 
• A velocidade de ação é inversamente proporcional ao grau de 
ionização: quanto menor a fração ionizada no meio, mais rápido será o 
início do efeito. 
• O pH do meio influencia diretamente essa ionização. Em ambientes mais 
ácidos, aumenta a forma ionizada, dificultando a penetração na 
membrana e atrasando o efeito. 
Mecanismo de ação: Atuam bloqueando os canais de sódio dependentes de 
voltagem, impedindo a despolarização da membrana e a propagação do impulso 
nervoso. 
 
Toxicidade 
A toxicidade pode ocorrer principalmente por administração intravenosa 
acidental ou pelo uso de doses elevadas. Os sinais neurológicos geralmente 
aparecem antes dos sinais cardiovasculares. 
Inicialmente ocorre excitação do SNC, pois há bloqueio preferencial de 
neurônios inibitórios. Em seguida podem surgir convulsões e, conforme a 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
concentração aumenta, instala-se depressão do SNC. Nos casos mais graves 
pode ocorrer parada respiratória e colapso cardiovascular. Também podem 
ocorrer reações alérgicas, sendo mais comuns com anestésicos do tipo éster. 
Principal uso de veterinário 
 
Aminoésteres: Incluem benzocaína e tetracaína. São menos utilizados 
sistemicamente e mais aplicados de forma tópica. 
Aminoamidas: Incluem lidocaína, bupivacaína, levobupivacaína e ropivacaína. 
• São os mais utilizados na medicina veterinária por apresentarem maior 
estabilidade e menor incidência de reações alérgicas. 
• A lidocaína é amplamente usada para bloqueios locais e regionais. 
• A bupivacaína, levobupivacaína e ropivacaína possuem ação mais 
prolongada e são muito utilizadas para analgesia, especialmente em 
equinos. 
 
 
ANTICONVULSIVANTES 
 
Convulsão é uma alteração comportamental transitória que ocorre devido a 
disparos neuronais rítmicos, sincronizados e desordenados no cérebro. 
 
Epilepsia é caracterizada pela recorrência de crises convulsivas. Pode ser 
classificada em: 
1. Epilepsia sintomática, quando há causa identificável. 
2. Epilepsia estrutural (criptogênica), quando há suspeita de alteração 
estrutural cerebral. 
3. Epilepsia idiopática, quando não se identifica causa estrutural ou 
metabólica. 
 
Indicação 
 
O tratamento anticonvulsivante é indicado quando o padrão e a frequência das 
crises afetam a qualidade de vida do paciente. A decisão também pode 
considerar o impacto emocional nos tutores. A terapia deve ser contínua e 
ininterrupta, pois a suspensão abrupta pode desencadear novas crises. É 
fundamental identificar a etiologia da convulsão, que pode ser idiopática ou 
adquirida. Convulsões extracranianas (como distúrbios metabólicos) devem ter 
a causa de base corrigida, não sendo o anticonvulsivante a principal abordagem 
nesses casos. 
Escolha terapêutica inicial 
• O fenobarbital é considerado fármaco de primeira escolha por ser 
acessível, eficaz e apresentar boa resposta clínica. Contudo, pode causar 
lesão hepática, exigindo monitoramento. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
• A associação de fenobarbital com gabapentina pode ser utilizada para 
melhor controle das convulsões, especialmente em casos de difícil 
controle. 
 
Principais uso veterinária 
 
1. FENOBARBITAL 
• O fenobarbital é um barbitúrico de ação longa que eleva o limiar 
convulsivo ao potencializar a ação do GABA no sistema nervoso central. 
Com isso, reduz a excitabilidade neuronal e diminui a ocorrência de crises. 
• Liga-se de 40 a 60% às proteínas plasmáticas. 
• Apresenta metabolismo hepático, formando metabólitos como para-
hidroxifenil e N-glicosídeo. 
• Cerca de até 25% pode ser eliminado de forma inalterada pelos rins, 
sendo essa eliminação dependente do pH urinário. 
• A estabilização plasmática ocorre em aproximadamente 7 a 10 dias, por 
isso o efeito pleno não é imediato após o início da terapia. 
Indicações: 
• É indicado para convulsões generalizadas ou focais. 
• É considerado fármaco de primeira escolha, especialmente quando o 
custo da terapia é fator limitante, pois apresenta baixo custo e boa 
eficácia. 
• Pode ser associado ao diazepam em situações específicas. O diazepam 
é utilizado principalmente em casos de emergência, administrado por via 
intravenosa ou intrarretal. 
• O fenobarbital pode ser administrado por via oral na manutenção e, em 
algumas situações, por via intramuscular. 
Efeitos colaterais: Pode causar sedação inicial, hiperatividade paradoxal, 
poliúria, polidipsia e polifagia. A longo prazo, pode ocorrer hepatotoxicidade, 
sendo necessário monitoramento periódico da função hepática. 
2. BENZODIAZEPÍNICOS 
• Os benzodiazepínicos possuem efeito ansiolítico, tranquilizante, 
hipnótico, miorrelaxante e anticonvulsivante. 
• Seu mecanismo de ação ocorre por modulação GABAérgica. Eles 
potencializam a ação do GABA no receptor GABAa, aumentando a 
frequência de abertura dos canais de cloreto. 
• São considerados mais seguros que os barbitúricos porque não abrem 
diretamente os canais de cloreto; apenas potencializam o efeito do 
GABA já presente, o que reduz o risco de depressão profunda do SNC. 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
3. DIAZEPAM 
 
Farmacocinética 
• O diazepam possui alta lipossolubilidade, o que permite rápida 
distribuição ao sistema nervoso central. 
• Apresenta cerca de 95% de ligação às proteínas plasmáticas. 
• A biotransformação ocorre no fígado por processos de desmetilação e 
hidroxilação, formando metabólitos ativos como nordiazepam e 
oxazepam. 
• A excreção é renal, principalmente na forma de metabólitos conjugados 
por glicuronidação, que são inativos. 
Indicações: 
• Indicado principalmente para controle de status epiléptico, sendo 
fármaco de emergência. 
• Não é recomendado para uso domiciliar como terapia de manutenção. 
• Não deve ser administrado por via intramuscular, pois a absorção é 
imprevisível. As vias indicadas são intravenosa ou intrarretal. 
• A dose usual é de 0,5 a 1 mg/kg a cada 8 horas, conforme necessidade 
clínica. 
Efeitos colaterais: Pode causar sedação, especialmente em primatas, e aumento 
do apetite (polifagia). 
 
4. BROMETO DE POTÁSSIO 
 
Mecanismo de ação: atua promovendo hiperpolarização neuronal, mimetizando 
a ação do cloreto. Com isso, aumenta a estabilidade da membrana neuronal e 
reduz a excitabilidade, diminuindo a ocorrência de crises. 
 
Efeitos colaterais: pode causar ataxia, principalmente em membros pélvicos. 
Também pode ocorrer dermatite alérgica, especialmente em pacientes com 
histórico de atopia. 
Precaução: recomenda-se o uso de luvas durante o manuseio, pois pode causar 
lesões cutâneas. 
 
5. GABAPENTINA 
 
A gabapentina é um aminoácido sintético estruturalmente semelhante ao GABA, 
mas não atua diretamente nos receptores GABA. 
 
Mecanismo de ação: envolve a inibição da liberação de neurotransmissores 
excitatórios, como o glutamato e a substância P. Também está associada à 
modulação indireta de receptores NMDA. 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira 
 
 
 
 
Metabolização: Apresenta metabolização hepática parcial, sendo cerca de 30% 
convertida em metil-gabapentina. 
 
Absorção: ocorre no intestino por meio de sistema transportador de aminoácidos, 
que é saturável, ou seja, doses muito altas não aumentam proporcionalmente a 
absorção. 
 
6. PREGABALINA 
Indicações: É utilizada como medicação adicional no controle de crises 
convulsivas e também no tratamento de dor neuropática. 
Efeitos colaterais: Sedação e ataxia. 
7. CARBAMAZEPINA 
Mecanismo de ação: Atua estabilizando membranas neuronais excitáveis. Seu 
mecanismo envolve a inibição de descargas neuronais de alta frequência e a 
redução do fluxo de sódioatravés dos canais dependentes de voltagem, 
diminuindo a propagação do impulso nervoso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MONITORIA DE FARMACOLOGIA 
yasmim_santana@unifesspa.edu.br 
Yasmim Santana de Oliveira

Mais conteúdos dessa disciplina