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CCDD ─ Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
 
 
 
 
História Contemporânea das Relações 
Internacionais 
 
 
 
Aula 2 
 
 
 
Prof. Andrew Traumann 
 
 
 
 
 
 
 
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CCDD ─ Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 
Conversa Inicial 
Nesta aula abordaremos uma das grandes revoluções da História, a 
Revolução Russa de 1917, que colocou em prática os ideais marxistas e 
leninistas, propondo uma sociedade mais justa e igualitária. Embora tal 
igualdade e justiça não tenham se concretizado especialmente no governo de 
Stalin, os ideais socialistas ainda inspiram estudos e debates mundo afora. 
 
A Rússia no Século XIX 
A Revolução Russa foi, devido às suas consequências para o cenário 
internacional e as permanências que podem ser sentidas até os dias de hoje, o 
principal movimento revolucionário do século XX, e em relação a outras 
revoluções só é comparável à Revolução Francesa, em 1789. Aliás, essas duas 
revoluções representam as duas grandes classes sociais do mundo pós 
Absolutismo: a burguesia e a classe trabalhadora. No caso francês, a burguesia 
buscou antes de tudo extinguir os privilégios da nobreza, extinguir as excessivas 
regulamentações comerciais, separar a Igreja do Estado e estabelecer um 
regime baseado nas liberdades individuais, meritocracia e igualdade de todos os 
cidadãos perante a lei. Já o processo revolucionário russo de 1917 vai buscar 
outro tipo de igualdade, a social, baseada no controle dos meios de produção 
pelo proletariado que levaria a uma sociedade mais justa e igualitária. Ambas, 
contudo, representam exemplos de tomada de poder diante da Aristocracia. 
Para compreender melhor esse fenômeno, no entanto, é interessante 
fazer um breve panorama das bases teóricas desse processo revolucionário. A 
partir da década de 1830 até o ano de 1848, o fracasso de uma série de levantes, 
conhecidos como Revoluções Liberais ou Primavera dos Povos, na qual revoltas 
populares por melhores condições de trabalho e de vida foram esmagadas por 
regimes aristocráticos com apoio da burguesia, evidenciou o fato de que a classe 
burguesa definitivamente havia abandonado a revolução como opção viável de 
transformação da sociedade, abraçando o conservadorismo político. A 
repressão das forças do Estado contra os bairros pobres de Paris que se 
 
 
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defenderam por trás das famosas barricadas, cria uma cicatriz até hoje visível 
no tecido social francês. 
 
As bases teóricas: Marxismo clássico e as RI 
E é nesse contexto que o filósofo alemão, radicado em Londres, Karl Marx 
e seu amigo Friedrich Engels irão publicar “O Manifesto Comunista”, justamente 
no ano de 1848. O livreto que termina com a famosa citação “trabalhadores de 
todo o mundo, uni-vos”, mudaria completamente a política mundial no século 
seguinte ao oferecer uma explicação racional para a existência da desigualdade 
social e oferecer fórmulas de como mudar essa situação, fazendo com que no 
século XX, o comunismo fosse visto como alternativa viável ao sistema 
capitalista. 
Curiosamente, liberalismo e socialismo, que se tornarão inimigos mortais 
no pós II Guerra Mundial, bebem na mesma fonte do Humanismo do século 
XVIII. Ambos creem na bondade essencial do ser humano e na força do 
pensamento racional para libertar o Homem da ignorância e da superstição. 
Assim como o liberalismo, o marxismo também crê em uma linha evolutiva da 
Humanidade, ou seja, que o futuro sempre tenderia a ser melhor do que o 
presente, em uma maneira linear de enxergar o processo histórico. Para Marx, 
a luta de classes era o motor da História. Mudariam os modos de produção 
econômica e de pensamento, mas sempre existiram desde a Antiguidade 
classes exploradoras e classes exploradas em uma linha evolutiva de 
desenvolvimento da economia até chegar às fábricas. 
Segundo Marx, as religiões e todas as crenças da classe dominante nada 
mais eram que formas de dominar mentalmente os pobres e fazê-los se 
conformarem com o seu destino. Assim, toda explicação metafísica da história 
deveria ser abandonada em prol de explicações econômicas. Resumidamente, 
Marx afirmava que quem detém o poder econômico, detém também o poder 
político, e que o Estado moderno é justamente a principal ferramenta das classes 
dominantes para oprimir e explorar os menos favorecidos. Ou seja, 
 
 
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paradoxalmente, e por razões distintas, tanto o liberalismo quanto o marxismo 
pregavam a participação mínima do Estado na sociedade. No caso do primeiro, 
e até sua extinção no caso do segundo, quando a sociedade atingisse o patamar 
do comunismo, em que não haveriam mais exploradores nem explorados e, 
portanto, o Estado perderia sua razão de ser. Sabemos, no entanto, que no 
chamado Socialismo real, a participação do Estado na vida das pessoas foi 
gigantesca, pouco tendo a ver com este cenário utópico. 
Na etapa industrial do capitalismo, o Homem passava por uma fase de 
alienação do trabalho, inédita até então. Se no período medieval, por exemplo, 
os artesãos eram donos de seus trabalhos e poderiam se orgulhar deste, na Era 
Industrial - com o surgimento das linhas de montagem-, o trabalhador, preso a 
um trabalho repetitivo (apertar um parafuso, por exemplo) perdia todo o senso 
de realização de seu trabalho, tornando-se mera peça da engrenagem de algo 
muito maior, estando preso a um ambiente insalubre, morando em cortiços, 
trabalhando de forma exaustiva e ganhando muito mal. Para Karl Marx, o 
capitalismo caminhava para o seu colapso, pois com a concentração cada vez 
maior de capital nas mãos dos bancos e dos grandes conglomerados industriais, 
não apenas o trabalhador, mas os pequenos comerciantes se sentiriam 
prejudicados, unindo-se aos operários e realizando uma transformação radical 
da sociedade. A conscientização das classes exploradas levaria à Revolução. 
Com a tomada de poder pelos proletários, surgiria uma nova sociedade baseada 
no senso de comunidade e partilha, e não na competição e no lucro. 
 
A Revolução 
A Rússia de meados do século XIX se diferia fundamentalmente do 
restante do continente europeu em vários aspectos fundamentais: a Rússia, 
isolada pelo Absolutismo Czarista, não havia passado por processos 
fundamentais como a modernização das nações europeias ocidentais: o 
Renascimento, Reforma e Revolução Industrial. De certa forma o país, 
 
 
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comandado pela dinastia Romanov, ainda se sentava sobre os louros da vitória 
militar contra Napoleão Bonaparte décadas antes. O Nacionalismo decorrente 
da posição da Rússia após a derrocada do líder francês fez com que surgisse a 
ideia de que a Rússia, com sua História, Cultura e Glórias Militares se bastava, 
não necessitando de nenhuma ideia ou tecnologia estrangeira. Nicolau I 
(1796-1855) estabelece a chamada Nacionalidade Oficial, valorizando a 
ideologia pan-eslavista e mantendo o país impermeável a influências 
estrangeiras. Alexandre II (1818-1881) era conhecido como o “Czar Libertador”. 
Sua maior realização foi a abolição da servidão na Rússia, coletivizando as terras 
e concedendo relativa liberdade de iniciativa a seu povo. Foi um período de 
construção de ferrovias e de modernização econômica russa, contudo, sem 
liberdade política. 
Não havia na Rússia daquele período aquilo que podemos chamar de 
classe burguesa. O Estado era o único ator econômico e político e tratava o povo 
de forma paternalista. Essa ausência de liberdade política levou um grupo radical 
a cometer um atentado a bomba fatal contra Alexandre II, em 13 de março de 
1881. O assassinato do Czar foi visto como uma consequência da relativa 
abertura promovida por ele e, portanto, a autocracia deveria retornar. Alexandre 
III (1845-1894) isola novamente o país e restringe ainda mais a mínimaliberdade 
que havia sido concedida por seu pai. 
O último czar foi Nicolau II (1868-1917). Ele retomou o projeto de 
industrialização e colheu os frutos indesejados do governo de seu avô: devido à 
abertura de seu país à cultura da Europa Ocidental, cidadãos russos tiveram 
acesso pela primeira vez à literatura socialista e, em 1898, foi criado de forma 
clandestina o POSDR (Partido Operário Social Democrata Russo), liderado por 
Georg Plekhanov. Apesar de ser um dos pioneiros do socialismo na Rússia, 
Plekhanov era um moderado. Para ele, não havia necessidade de uma revolução 
proletária na Rússia de imediato. Como etapista, ele acreditava que a Rússia 
primeiro precisaria passar por um ciclo de desenvolvimento capitalista para só 
então partir para a ação revolucionária. Já Lênin, que participaria do Segundo 
 
 
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Congresso do partido em 1903, não acreditava nisso. Para ele, o trabalhador 
comum é um eterno reformista, que se contenta com pequenos aumentos e 
concessões aqui e ali, e que se fazia necessária uma transformação radical do 
país sob a liderança de Revolucionários profissionais. Nesse momento, o 
POSDR se divide entre Mencheviques, liderados por Plekhanov, e Julius Martov 
e Bolcheviques liderados por Vladimir Lênin. 
Sob o governo de Nicolau II, ocorre a Revolução Russa e três importantes 
eventos que Vladimir Lênin chamará de Ensaio Geral da Revolução. Em 1905, 
a Rússia é derrotada pelo Japão na Guerra da Manchúria, iniciada no ano 
anterior. Foi a primeira derrota de um país ocidental para um país oriental, o que 
na época foi visto como uma vergonha. O Exército reclamava da falta de 
equipamentos e de treinamento adequado, e greves gerais contra o governo 
irromperam. Em 1905, mais precisamente no dia 08 de janeiro, uma 
manifestação popular resultou no Domingo Sangrento. Naquele dia, uma 
multidão se reuniu diante do Palácio de Inverno reivindicando melhores 
condições de vida e que o czar olhasse com mais atenção para os necessitados. 
O Czar sequer se encontrava presente, e a Guarda do Palácio abre fogo contra 
os manifestantes matando centenas de pessoas. Para Lênin esse evento é 
pedagógico, pois demonstra de forma irrefutável que o Czar não era aquela 
figura paternal na qual muitos camponeses humildes ainda acreditavam. Fica 
claro que o Czar é indiferente à sorte de seus súditos e que dele nada se poderia 
esperar. O terceiro evento foi o motim no Encouraçado Potemkin, em 1905, por 
marinheiros revoltados com os maus tratos, castigos físicos e a péssima 
qualidade da alimentação servida. Assim, notamos que o Czar aos poucos perdia 
apoio do Exército, da Marinha e do trabalhador comum. É o início da sua 
derrocada. 
Majestade. Nós, trabalhadores e habitantes de São Petersburgo, nossas 
mulheres, nossos filhos e nossos parentes velhos e desamparados, vimos a 
vossa presença, majestade, buscar verdade, justiça e proteção. Fomos 
transformados em pedintes, somos oprimidos, estamos a beira da 
morte.....Paramos o trabalho e dissemos aos nossos patrões que não 
 
 
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recomeçaremos enquanto não aceitarem nossas reivindicações. Não pedimos 
muito: a redução da jornada de trabalho para oito horas, o estabelecimento de 
um salário mínimo de um rublo por dia....etc...A guerra levou o país a 
ruína...Estas coisas, majestade, trouxeram-nos diante de vosso palácio. 
Estamos procurando a nossa última salvação. Não recusai ajuda a 
gente...Destruí o muro que se levanta entre vós e vosso povo [...] 
 (Petição ao czar Nicolau II, São Perssburgo, 1905.) 
 
Pressionado pelos eventos de 1905, Nicolau II cria a Duma, um Conselho 
Legislativo, porém o Czar tinha plenos poderes, inclusive de dissolução quando 
lhe aprouvesse. 
Desiludidos, setores do campesinato, operariado e exército criam os 
sovietes, que eram conselhos operários ligados à autogestão de fábricas 
ocupadas em períodos de greve, e mais tarde a serviços públicos essenciais. 
O estopim da Revolução, contudo, foi a entrada da Rússia na I Guerra 
Mundial. O conflito evidenciou a disparidade entre o Exército russo e os exércitos 
do Ocidente. Mal equipados para a primeira guerra, lutando contra 
metralhadoras, aviões e armas químicas, os russos morriam aos milhares em 
uma guerra que, aos olhos de grande parte da população, era uma guerra de 
potências imperialistas. Cerca de um milhão de soldados russos desertaram. No 
País, eclodem uma série de greves de trabalhadores pedindo Pão (erradicação 
da fome), Paz (retirada da guerra) e terra (reforma agrária). Nicolau II ordena aos 
militares que abram fogo contra os manifestantes, mas o Exército se recusa. O 
Czar, sem poder repressivo, é forçado a abdicar em 15 de março de 1917. 
 
Os primeiros anos de governo 
É instalado um governo provisório de caráter liberal liderado por 
Alexander Kerenski. O novo governo frustra as expectativas nele depositadas ao 
se recusar a retirar a Rússia da guerra e sequer cogitou fazer a reforma agrária. 
 
 
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O novo governo logo perde apoio popular. Lev Trotsky se tornou presidente do 
soviete de Petrogrado e selou a união entre bolcheviques e sovietes, que foi 
fundamental para a revolução de 25 de outubro, quando a Guarda Vermelha, 
organizada por Trotsky, tomou o Palácio de Inverno. Isso forçou Kerenski a tomar 
o rumo do exílio na Europa Ocidental e mais tarde 
nos EUA. 
As primeiras medidas econômicas do novo governo são a nacionalização 
dos bancos e empresas privadas e o confisco de terras da Igreja Ortodoxa e da 
aristocracia. O passo seguinte foi a negociação de saída da guerra, que custou 
à Rússia os territórios bálticos: Bielorrússia, Ucrânia, Finlândia e Polônia. Os 
primeiros anos do novo regime não foram nada fáceis. 
Entre 1918 e 1921, a Rússia mergulhou em uma guerra civil entre o novo 
governo (Exército Vermelho) e soldados ainda leais ao Antigo Regime (Exército 
Branco), com apoio da Alemanha, Japão, EUA e Grã-Bretanha. Conhecendo o 
terreno, mais motivados e contando com o apoio popular, os Vermelhos vencem 
e consolidam seu poder no país, mesmo tendo que recorrer ao impopular 
confisco de alimentos aos soldados, o chamado “Comunismo de Guerra”. 
Em 1921, o País se consolida, sendo criada a União das Repúblicas 
Socialistas Soviéticas (URSS), e Lênin dá início à NEP (New Economic Policy), 
que liberou o comércio interno, estabeleceu o princípio da diferença salarial, 
permitiu que agricultores vendessem livremente seus excedentes e o 
investimento estrangeiro, protegendo apenas o sistema bancário e a indústria 
pesada. Os resultados dessa política são satisfatórios e a população respira 
aliviada após anos de turbulência política e econômica. 
 
A URSS pós Lênin 
Em 1924, porém, Lênin − que já se encontrava adoentado nos últimos 
anos − sofre um AVC fatal, que levará a Rússia a uma disputa pelo poder entre 
os dois outros grandes nomes da Revolução: Lev Trotsky e Josef Stalin. 
 
 
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 Trotsky defendia a tese da Revolução Permanente, ou seja, que a 
Revolução Russa deveria ser exportada para o restante do mundo, para que a 
URSS não ficasse isolada internacionalmente. O georgiano Stalin, por sua vez, 
um homem duro, de origem humilde e que criou um séquito de fiéis seguidores 
em sua gestão à frente da secretaria geral do Partido Comunista, defendia a 
ideia da consolidação interna da Revolução como prioridade. Sua tese foi a 
vencedora, e Trotsky foi forçado a fugir do país. Stalin criou um regime totalitário, 
criando um culto à sua própria personalidade e à de Lênin, enquanto literalmente 
buscava apagar os rastros da participação de Trotsky na Revolução em 
fotografias e documentos. Lev Trotsky acabou morto no México a mando de 
Stalin a golpes de picareta. 
A partirde 1928, Stalin abandona a NEP e cria os chamados Planos 
Quinquenais, em que a população trabalhadora do campo e da cidade se 
comprometia a atingir determinadas metas de produção, especialmente na 
indústria e na agricultura. Esta é coletivizada e os camponeses são obrigados a 
trabalhar sob mira de armas e entregar toda a sua produção ao Estado. Os 
opositores de Stalin, verdadeiros ou imaginados, eram mandados a campos de 
trabalhos forçados, torturados e forçados a confessarem crimes que não 
cometeram. Mais de cinco milhões de supostos inimigos do governo foram 
presos durante o chamado Grande Expurgo. 
 
Síntese 
Stalin morre em 1953, deixando um legado controverso e, por ambos os 
ângulos, verdadeiro. Ele foi o ditador cruel que eliminou milhões de pessoas por 
execuções ou trabalhos forçados, perseguiu politicamente e torturou seus 
opositores. Por outro lado, seus Planos Quinquenais transformaram a URSS, 
que poucas décadas antes era um país semifeudal, na segunda maior economia 
do mundo, inseriu o país na corrida espacial, derrotou os nazistas na II Guerra 
Mundial e, quando este conflito terminou, o governo de Moscou ficou 
reconhecido como uma superpotência, dando início ao período da Guerra Fria. 
 
 
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Referências 
 
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: o Breve Século XX (1914-1991) São 
Paulo: Cia das Letras, 2000. 
 
PERRY, Marvin. Civilização Ocidental: Uma História Concisa. São Paulo: 
Martins Fontes, 1999. 
 
REIS FILHO, Daniel Aarão. As Revoluções Russas e o Socialismo Soviético. 
São Paulo: UNESP,2003. 
 
SEGRILLO, Ângelo. Os Russos. São Paulo, Contexto, 2012.

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