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2º Bimestre - 2026 Es�ud�n�� Rec��p�nd� � ����i�nd� ����n��za��n�... Ciências Humanas Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 2 Prezados estudantes do 9º Ano, No primeiro bimestre, você estudou as transformações urbanas, sociais e no campo durante a Primeira República. Também refletiu sobre conflitos impor- tantes, que ajudaram a desenvolver me- lhor as habilidades trabalhadas no 9º ano. Agora, neste bimestre, vamos avançar um pouco mais! Vamos conhecer a chamada Era Vargas, que co- meça com a Revolução de 1930, e entender as principais mudanças sociais, econômicas e políticas desse perío- do. Além disso, vamos observar como essas transfor- mações impactaram o estado de Goiás. Também vamos estudar como surgiram os ideais imperialistas e nacionalistas no início do século XX e de que forma eles contribuíram para grandes conflitos mundiais, que mudaram a organização política e territo- rial, principalmente na Europa. E não se esqueça: retomar o material do 1º bimestre é muito importante! Isso vai te ajudar a compreender me- lhor os novos conteúdos e fortalecer sua aprendizagem. CIÊNCIAS HUMANAS Leia o texto. Texto I Era Vargas (1930-1945) Os quinze anos consecutivos da presidência de Getú- lio Vargas constituem o período intitulado “Era Vargas”, e não correspondem à totalidade do período de governo varguista. Poucos anos depois, em 1951, Getúlio retornou à Presidência por mais três anos, até que, em 1954, “saiu da vida para entrar na história”. Em toda a história política brasileira, Getúlio Var- gas talvez seja o personagem mais emblemático. Nos qua- se vinte anos em que governou o país, a ambiguidade da política de Vargas o tornou uma imagem cultuada tanto pela direita quanto pela esquerda. Por um lado, Getúlio foi responsável por importantes direitos sociais, como o voto feminino e os direitos trabalhistas; por outro, governou o país de forma autoritária durante o período ditatorial co- nhecido como “Estado Novo”. Revolução de 30 A chegada de Getúlio Vargas ao poder se deu por meio da Revolução de 1930, que pôs fim ao domínio político das elites paulista e mineira. Durante anos, esses dois esta- dos dominaram a política brasileira por meio de um siste- ma de alternância de poder na Presidência da República. Essa aliança ficou conhecida como “República do Café com Leite”, em alusão à produção de café e leite que era base econômica desses dois estados, respectivamente. A partir dessa aliança, as elites oligárquicas garantiam seus interesses econômicos por meio de uma política externa agroexportadora. Em 1930, no entanto, o então presidente Washington Luís (paulista) rompeu com a aliança que sustentava a Re- pública do Café com Leite, ao nomear outro paulista para a presidência. Em represália, o governador de Minas Gerais, juntamente com os estados da Paraíba e do Rio Grande do Sul, formou a Aliança Libertadora (AL), com o objetivo de derrubar o governo de Washington Luís e impedir a posse de seu sucessor. Faziam parte dessa aliança as oligarquias desses estados e militares. Assim, o gaúcho Getúlio Vargas chegou ao poder por meio do Golpe de Estado organizado pela Aliança Liberta- dora, comumente chamado de Revolução de 30. A partir de então, inicia-se o Governo Provisório de Getúlio Vargas – intitulado dessa maneira por haver expectativa de que novas eleições fossem convocadas. Governo Provisório (1930-1934) Logo no início de seu governo, Vargas buscou romper os laços entre o Estado e as elites tradicionais que gover- navam até então. Para fazer isso, ele adotou políticas de centralização do poder, como o fechamento do Congres- so, e a abolição da Constituição de 1891. A ideia do novo presidente era de reestruturar o Estado, para romper completamente com os antigos grupos poderosos que o controlavam. Também com esse intuito, Vargas adotou medidas de substituição dos antigos cargos políticos, vinculados às elites tradicionais. Os governadores dos estados foram substituídos por pessoas nomeadas pelo novo Presiden- te, os chamados interventores. Em geral, eram nomeados para esse cargo tenentes que participaram da Revolução de 30, como forma de compensá-los por sua participação no movimento. Com essa substituição, pretendia-se ani- quilar o poder local dos coronéis (que até então governa- vam através da chamada “política dos governadores”). Como o nome desse período indica, a expectativa era de que o governo fosse apenas transitório e convocasse novas eleições rapidamente. O descumprimento dessa expectativa, juntamente com as ousadas transformações implementadas por Vargas, provocou reações das oli- garquias locais. Em São Paulo, as elites tradicionais con- vocaram a população para um levante contra o governo, pedindo a realização de novas eleições e a convocação de uma Constituinte. Esse movimento ficou conhecido como “Revolução Constitucionalista de 32”. O levante paulista foi suprimido pelo Governo, mas suas demandas foram parcialmente atendidas. Pressio- nado pelo movimento paulista, Vargas convocou uma Assembleia Constituinte para a elaboração de uma nova carta Constitucional, promulgada em 1934. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 3 A Constituição de 1934 foi inovadora em seu caráter liberal e progressista, que pretendia uma expansão dos direitos sociais para população. Uma das principais novi- dades dessa Constituição foi a Garantia de direitos tra- balhistas, com o estabelecimento da jornada de trabalho de 8 horas, das férias e da previdência social. Destaca-se também a mudança na legislação eleitoral, com o estabe- lecimento do voto secreto e a ampliação da participação política, através da implementação do voto feminino. Por fim, também é evidente o caráter nacionalista da Consti- tuição, com políticas de defesa de riquezas naturais. Governo Constitucional (1934-1937) A nova Constituição elaborada por Getúlio foi bem re- cebida pela população, que teve seus direitos ampliados a partir da nova carta. Esse sucesso costuma ser apontado como a principal razão para sua permanência na Presidên- cia em 1934. O segundo governo varguista é considerado a segun- da fase da Era Vargas, período conhecido como Governo Constitucional, em referência à recém-promulgada Cons- tituição. Internacionalmente, os anos de 1930 foram marcados pelo crescimento das hostilidades no continente Europeu, onde se traçava o caminho para a Segunda Guerra Mun- dial. Na Itália, Benito Mussolini governava sob um regime fascista desde 1925. Na Alemanha, Hitler ascendia ao po- der e instaurava o nazismo. A União Soviética, por sua vez, era liderada por Josef Stalin. Dessa forma, a Europa vivia um momento em que as hostilidades entre o fascismo e o comunismo estavam prestes a desencadear o maior con- flito da história. Fascismo e comunismo à moda brasileira No Brasil, a influência dessas duas ideologias se fez sentir. Inspirada pelo fascismo italiano, surgia aqui a Ação Integralista Brasileira (AIB), um movimento político de extrema-direita liderado por Plínio Salgado. Sob o lema “Deus, pátria e família”, o integralismo brasileiro defendia um governo forte e centralizado, o fim das liberdades de- mocráticas e a perseguição ao comunismo. A inspiração fascista era bastante visível: os integralistas utilizavam uniformes de aparência militar com o símbolo ∑ nos om- bros, e faziam cumprimentos com os braços estendidos, em referência ao nazismo. O comunismo, por sua vez, também inspirou a emer- gência de um movimento político no Brasil. Denominado Aliança Nacional Libertadora (ANL), o movimento comu- nista brasileiro caracterizava-se por sua defesa da reforma agrária, pelo anti-imperialismo (ou seja, contra o domínio dos Estados Unidos e das potências europeias sobre o Bra- sil), e pelo desejo de uma revolução proletária. A ANL era liderada por Luís Carlos Prestes, que em 1920 comandou a Coluna Prestes (movimento que, junto aode consumo e entretenimento. Fonte: Equipe NUREDI 38. A crise de 1929 nos Estados Unidos foi um abalo gi- gantesco em todo o sistema capitalista. Dentre os princi- pais motivos, destacam-se: (A) O protecionismo em excesso, a falta de crédito bancá- rio e a alta produção. (B) A falta de mercado, a crise na pecuária e o crash da Bol- sa de Nova York. (C) A superprodução, a saturação do mercado e a expan- são desmedida do crédito bancário. (D) A adoção de programas sociais financiados pelo Esta- do para diminuir o desemprego. 39. Roosevelt implementou um plano de recuperação da economia chamado New Deal, elaborado pelo economis- ta John Maynard Keynes, que consistia em: (A) Uma maior presença do Estado, intervindo na econo- mia para evitar uma nova crise. (B) Socializar progressivamente a economia norte-america- na, por meio de mecanismos nitidamente estatizantes. (C) Emprego de mão de obra pelo governo, tanto na indús- tria quanto na agricultura. (D) Abertura da economia ao capital estrangeiro. Disponível em: https://abre.ai/oYhe. Acesso em 12 de mar. 2026. Disponível em: https://abre.ai/oYhe. Acesso em 12 de mar. 2026. SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO COM O PERÍODO ESTUDADO E PARA CONTRIBUIR COM O TEMA: 1. A GRANDE APOSTA SINOPSE: Classificação: Não recomen- dado para menores de 14 anos. O filme apresenta per- sonagens que percebem, antes da maioria, que o sis- tema imobiliário dos Estados Unidos está prestes a entrar em colapso. Michael Burry, um investidor atento, decide apostar contra o mercado imobiliário, algo nunca feito antes. A história ajuda a entender como o excesso de confiança no mercado, a falta de fiscalização e a ganância contribuíram para a crise financeira de 2008, mostrando o impacto de de- cisões econômicas irresponsáveis sobre a sociedade. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 18 GEOGRAFIA Leia o texto. Texto I As Guerras Mundiais e a Reconfiguração da Ordem Mundial A Ordem Mundial corresponde à forma como o poder político, econômico e militar se organiza entre os países em determinado período histórico, definindo relações de influência, alianças e conflitos. Ao longo do século XX, essa ordem passou por profundas transformações, principal- mente em razão das Guerras Mundiais, que alteraram o equilíbrio de poder no planeta. A Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918, foi resultado de um conjunto de tensões acumuladas na Europa, como o nacionalismo exacerbado, a disputa im- perialista por colônias, a corrida armamentista e a forma- ção de alianças militares rígidas. Tanque inglês da Primeira Guerra em exposição Disponível em: https://static.historiadomundo.com.br/2023/08/tanque-ingles-da-primeira-guerra-mundial.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. No início do conflito, as tensões envolveram alianças militares já existentes: a Tríplice Aliança (Alemanha, Áus- tria-Hungria e Itália) e a Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). Ao longo da guerra, a Itália rompeu com a aliança inicial e passou a combater ao lado da Entente, evi- denciando a instabilidade dessas coalizões. O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, foi o estopim para o início da guerra. As consequências foram devastadoras: milhões de mortos, destruição de cidades e o fim de grandes impérios, como o Austro-Húngaro, o Otomano, o Alemão e o Russo. O Tratado de Versalhes, assinado em 1919, redesenhou o mapa europeu e impôs duras punições à Alemanha, crian- do um clima de revolta e instabilidade política. Apesar da criação da Liga das Nações, com o objetivo de evitar novos conflitos, a paz não foi duradoura. Ilustração do contexto europeu antes e depois da Primeira Guerra Mundial Disponível em: https://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/08315304.gif. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Essas tensões contribuíram diretamente para a Se- gunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, consi- derada o conflito mais destrutivo da história. Soldados durante a Segunda Guerra Mundial Disponível em: https://static.historiadomundo.com.br/2020/03/soldados-nazistas.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Iniciada pela expansão territorial da Alemanha nazis- ta, aliada à Itália fascista e ao Japão imperialista, a guerra colocou em confronto o Eixo, formado por Alemanha, Itá- lia e Japão, e os Aliados, liderados por Reino Unido, Fran- ça, União Soviética e Estados Unidos. Durante o conflito, ocorreu o Holocausto, genocídio que resultou na morte de cerca de seis milhões de judeus, além de outros grupos perseguidos. O lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 1945, contribuiu decisivamente para a ren- dição do Japão e inaugurou a era nuclear, evidenciando o enorme poder destrutivo alcançado pela humanidade. Nuvem em “cogumelo” após a bomba atômica (Nagasaki, 1945) Disponível em: https://s1.static.brasilescola.uol.com.br/be/conteudo/images/cogumelo-formado-pela-bomba-lancada-em- -nagasaki-no-dia-9-agosto-1945-58ff6bc016f69.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 19 Ao final do conflito, o mundo passou a ser liderado por duas grandes potências com modelos econômicos e ide- ológicos distintos: os Estados Unidos, representantes do capitalismo, e a União Soviética, defensora do socialismo. EUA e URSS como polos de poder no pós-Segunda Guerra Disponível em: https://dhg1h5j42swfq.cloudfront.net/2020/03/06152613/Guerra-Fria-1.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Assim, após 1945, consolidou-se uma Ordem Mundial bipolar (com dois polos de poder), marcada pela rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/38244/7/geo_m4d7_tm03.pdf. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. 1. A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS (2013) SINOPSE: Classifi cação: 10 anos. Durante a Segunda Guer- ra Mundial, na Alemanha na- zista, uma menina encontra nos livros uma forma de resis- tência e esperança em meio à censura, à propaganda e à perseguição a grupos consi- derados “inimigos” do regime. O filme ajuda a compreender como guerras e regimes autoritários afetam a vida co- tidiana, a cultura e os direitos humanos. SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO E EX- PLORAÇÃO DO TEMA: ATIVIDADES 1. Como pode ser entendido o conceito de "Ordem Mundial"? 2. Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo passou a ser liderado por duas potências (EUA e URSS) com modelos econômicos distintos. Como essa configuração inicia a Ordem Mundial Bipolar? 3. O que o Tratado de Versalhes, assinado em 1919, impôs à Alemanha e como isso afetou a Ordem Mundial? (A) Impôs penas econômicas suaves, permitindo que a Alemanha se reerguesse rapidamente. (B) Impôs punições severas, afetando sua economia e política, o que gerou instabilidade e contribuiu para o surgimento de tensões que levariam à Segunda Guer- ra Mundial. (C) Redesenhou o mapa político da Ásia, criando novas colônias. (D) Garantiu a independência da Alemanha e ajudou-a a se tornar uma potência econômica. 4. De acordo com o texto, qual acontecimento contribuiu decisivamente para a rendição do Japão, inaugurou a era nuclear e passou a influenciar a nova configuração do po- der mundial no pós-guerra? (A) A criação da Liga das Nações. (B) A assinatura de tratados de paz entre os países. (C) O lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. (D) O surgimento de uma nova potência, a União Soviéti- ca, com o apoio da China. 5. A formação de alianças como a "Tríplice Entente" e a "Tríplice Aliança" demonstra uma estratégia geopolítica importante. O que essas alianças representavam na orga- nização do espaço mundial da época? (A) A união de todos os países do hemisfério norte contra os países do hemisfério sul. (B) A divisão do mundo em blocos de poder opostos para defesa mútua e projeção de força militar. (C) A eliminação das forçasarmadas nacionais em favor de uma polícia global única. (D) Acordos puramente comerciais sem qualquer implica- ção militar ou territorial. Leia o texto. Texto II Da Ordem Bipolar à Ordem Multipolar Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo passou a viver sob a chamada Ordem Bipolar, período conhecido como Guerra Fria, que se estendeu de 1947 a 1991. Nesse contexto, duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, disputavam a liderança mundial, defendendo modelos opostos de organização econômica, política e so- cial, sem entrar em guerra direta entre si. De um lado, os Estados Unidos lideravam o bloco capi- talista, baseado na economia de mercado e na propriedade privada, com aliados na Europa Ocidental, posteriormente organizados na OTAN. Do outro, a União Soviética lidera- va o bloco socialista, marcado pela economia planificada pelo Estado, reunindo parte de seus aliados, mais tarde, no Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 20 Pacto de Varsóvia. Durante a Guerra Fria, essa rivalidade dividiu o mundo em dois grandes blocos e, na Europa, essa separação político-ideológica ficou conhecida como Cor- tina de Ferro. Disponível em: https://abre.ai/o7RB. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. A Guerra Fria foi um período de constante tensão in- ternacional entre o bloco capitalista, liderado pelos Es- tados Unidos, e o bloco socialista, liderado pela União Soviética. Essa rivalidade se manifestou de várias formas, como a corrida armamentista e nuclear, a corrida espacial, a propaganda ideológica e a espionagem. Além disso, muitos conflitos não ocorreram direta- mente entre as duas potências, mas por meio de guerras indiretas, chamadas de guerras por procuração. Esses conflitos aconteceram principalmente em países do cha- mado Terceiro Mundo, como Coreia, Vietnã e Afeganistão. Um dos maiores símbolos dessa divisão foi o Muro de Berlim, construído em 1961 para separar Berlim Ocidental de Berlim Oriental. A queda do muro, em 1989, represen- tou o enfraquecimento do bloco socialista. Em 1991, com a dissolução da União Soviética, chegou ao fim a Ordem Bipolar, isto é, a divisão do mundo em dois grandes polos de poder. Em um primeiro momento, após o fim da Guer- ra Fria, passou-se a falar em um mundo unipolar, marcado pela forte hegemonia dos Estados Unidos. Depois disso, iniciou-se um novo período, frequentemente chamado de Nova Ordem Mundial, marcado pela reorganização do po- der internacional após 1991. Com o tempo, fortaleceu-se a tendência à multipolaridade, com o aumento da influência de novos centros de poder, como China, União Europeia e Rússia, além da maior articulação de grupos internacio- nais como o BRICS. O mundo multipolar é marcado por relações interna- cionais mais complexas, com alianças flexíveis, conflitos regionais e desafios globais, como a globalização econô- mica, o avanço tecnológico, as questões ambientais, as crises migratórias e as disputas territoriais. Por isso, com- preender a transição da ordem bipolar para a multipolar é essencial para analisar os acontecimentos e conflitos do mundo contemporâneo. Disponível em: https://abre.ai/oTzR. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. O Muro de Berlim: símbolo da divisão do mundo A partir de 1961, foi implantado um sistema de bar- reiras conhecido como Muro de Berlim, com cerca de 155 quilômetros de extensão, que permaneceu em vi- gor até 1989. Ele cercava Berlim Ocidental, separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental e simbolizava a divisão entre os blocos capitalista e socialista durante a Guerra Fria. Muro de Berlim é erguido na rua Bernauer Strasse O muro foi erguido pelo governo da Alemanha Oriental para impedir que as pessoas fugissem para o lado ocidental, onde buscavam melhores condições de vida e maior liberdade. Estima-se que pelo menos 140 pessoas morreram tentando atravessar a fronteira de Berlim durante o período em que o muro e as barreiras estiveram em vigor. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/o-muro-de-berlim-s%C3%ADmbolo-da-guerra-fria/a-58834070. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. A Cortina de Ferro e a divisão da Europa na Guerra Fria SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO E EX- PLORAÇÃO DO TEMA: 1. TREZE DIAS QUE ABALARAM O MUNDO (2000) SINOPSE: Classifi cação: 12 anos. O filme retrata a Crise dos Mísseis em Cuba (1962), um dos momentos mais tensos da Guerra Fria, quando Esta- dos Unidos e União Soviética quase entraram em conflito direto por causa da instalação de armas nucleares. A narra- tiva permite discutir a lógica da ordem bipolar, a corrida armamentista e o risco de escalada nuclear na geopolítica do século XX. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 21 ATIVIDADES 6. O texto menciona a “corrida armamentista e nuclear” como uma das expressões da tensão da Guerra Fria. Ex- plique por que essa corrida não resultou em uma guerra direta entre EUA e URSS. 7. O fim da União Soviética, em 1991, marcou a transi- ção para uma nova configuração geopolítica. Diferencie o conceito de "Mundo Unipolar" do "Mundo Multipolar" mencionado no texto. 8. De acordo com a seção "Para saber mais!" sobre o Muro de Berlim, qual era o objetivo principal desse muro, do ponto de vista do governo socialista? (A) Proteger Berlim Ocidental de ataques externos. (B) Impedir a fuga de cidadãos para o lado capitalista, onde buscavam melhores condições de vida. (C) Estabelecer um símbolo de progresso tecnológico soviético. (D) Facilitar o comércio entre os dois lados da cidade. 9. A OTAN e o Pacto de Varsóvia foram as duas principais alianças militares da Guerra Fria. Qual foi a principal dife- rença entre esses dois blocos? (A) A OTAN era liderada pela União Soviética, enquanto o Pacto de Varsóvia era liderado pelos Estados Unidos. (B) A OTAN foi liderada pelos Estados Unidos e agrupou os países ocidentais capitalistas, enquanto o Pacto de Varsóvia foi liderado pela União Soviética e agrupou os países socialistas. (C) Ambos os blocos compartilhavam os mesmos objeti- vos econômicos, diferenciando-se apenas em sua base militar. (D) A OTAN se baseava na economia planificada, enquan- to o Pacto de Varsóvia se baseava na economia de mercado. 10. O Muro de Berlim foi o símbolo máximo da Guerra Fria. Qual evento marcou simbolicamente o início do colapso do bloco socialista e o fim da divisão bipolar do mundo? (A) O lançamento das bombas atômicas em Hiroshima. (B) A criação da Organização das Nações Unidas (ONU). (C) A queda do Muro de Berlim em 1989. (D) A assinatura do Tratado de Versalhes. Leia o texto. Texto III A ONU e as Organizações Internacionais: Construindo um Mundo Cooperativo Após as duas Guerras Mundiais e os horrores do sé- culo XX, a humanidade percebeu que era necessário criar mecanismos de cooperação entre os países para evitar novos conflitos devastadores e promover a paz, os direitos humanos e o desenvolvimento global. Dessa necessidade nasceram as organizações internacionais, instituições for- madas por diversos países com objetivos comuns. A Organização das Nações Unidas (ONU) é a mais im- portante e abrangente dessas organizações. Criada em 24 de outubro de 1945, poucos meses após o fim da Segunda Guerra Mundial, a ONU substituiu a Liga das Nações, que não conseguiu evitar novos conflitos de grande escala, e nasceu com a missão de: • Manter a paz e a segurança internacionais; • Promover os direitos humanos; • Estimular o desenvolvimento sustentável; • Fornecer ajuda humanitária em situações de emergência. Atualmente, a ONU possui 193 países-membros, prati- camente todas as nações reconhecidas internacionalmen- te, e sua sede principal fica em Nova York, Estados Unidos. Sua estrutura é composta por diversos órgãos, sendo os principais: • Assembleia Geral: todos os países-membros têm voz e voto, discutindo temas globais e aprovando resoluções (embora não obrigatórias). • Conselhode Segurança: órgão mais poderoso, res- ponsável por decisões sobre paz e segurança. Pos- sui 15 membros, sendo 5 permanentes com poder de veto (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Uni- do e França) e 10 rotativos, eleitos para mandatos de dois anos. • Secretariado: liderado pelo Secretário-Geral (atu- almente António Guterres, de Portugal), responsá- vel pela administração e implementação das deci- sões da ONU. • Corte Internacional de Justiça: tribunal que julga disputas entre países, com sede em Haia, nos Países Baixos. Salão da Assembleia Geral das Nações Unidas durante a abertura da Cúpula do Futuro Além desses órgãos, a ONU atua por meio de agências especializadas, fundos e programas, que impactam direta- mente a vida das pessoas em todo o mundo: • UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infân- cia): protege os direitos das crianças, fornece va- cinas, educação e nutrição em países pobres e em situações de emergência. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 22 A UNESCO em Goiás Você sabia que o estado de Goiás possui um re- conhecimento internacional importante associado à UNESCO? O Centro Histórico da Cidade de Goiás (Goiás Velho) foi inscrito na Lista do Patrimônio Mun- dial em 2001, o que significa que sua arquitetura, his- tória e cultura são consideradas relevantes para toda a humanidade. Esse reconhecimento fortalece ações de preservação, valoriza a cultura local e pode estimu- lar o turismo e atividades econômicas na região, mos- trando como uma organização internacional impacta a cultura e o cotidiano em escala local. • OMS (Organização Mundial da Saúde): coordena ações globais de saúde pública, combate pande- mias, promove campanhas de vacinação e pesquisa doenças. • UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura): promove a edu- cação, protege patrimônios culturais e históricos da humanidade e incentiva a cooperação científica internacional. • FAO (Organização das Nações Unidas para Ali- mentação e Agricultura): trabalha para erradicar a fome, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável. • ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados): protege e assiste refugiados e deslocados internos que fogem de guerras, perse- guições ou desastres. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/362/. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. A atuação da ONU afeta diretamente a vida da po- pulação mundial em diferentes aspectos: • Direitos Humanos: a ONU adotou a Declara- ção Universal dos Direitos Humanos, estabele- cendo direitos básicos como liberdade, igualda- de, educação e saúde. A organização monitora violações e pressiona governos a respeitá-los. • Mobilidade: por meio do ACNUR, a ONU prote- ge refugiados, solicitantes de refúgio, apátridas e, em muitos contextos, populações deslocadas à força. Fornece abrigo, alimentos, assistência jurídica e apoio humanitário. • Consumo e Cultura: agências como a UNES- CO preservam a diversidade cultural, prote- gendo sítios arqueológicos e tradições. A OMS influencia hábitos de consumo ao recomendar políticas de saúde pública, como regulamenta- ção de alimentos ultraprocessados, combate ao tabagismo e incentivo a hábitos saudáveis. Apesar de seus esforços, a ONU enfrenta limi- tações: • O poder de veto dos cinco membros permanen- tes do Conselho de Segurança pode paralisar decisões importantes; • Depende da boa vontade dos países-membros para implementar resoluções; • Questões financeiras e disputas políticas difi- cultam ações mais efetivas. Ainda assim, a ONU permanece como o principal fórum de diálogo internacional e símbolo da coope- ração global necessária para enfrentar os desafios do século XXI. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/279573-sobre-onu. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. A Declaração Universal dos Direitos Humanos Em 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU proclamou a Declaração Universal dos Direi- tos Humanos, um marco histórico que estabeleceu, pela primeira vez, um conjunto de direitos fundamen- tais a serem protegidos de forma universal. Emblema da ONU e Declaração Universal dos Direitos Humanos O documento é composto por 30 artigos que abrangem direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 23 SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO E EX- PLORAÇÃO DO TEMA: 1. MALALA (2015) SINOPSE: Classifi cação: 10 anos. Documentário sobre Malala Yousafzai, jovem paquistanesa que defende o direito à educa- ção e se torna símbolo interna- cional dos direitos humanos. O filme ajuda a discutir como orga- nismos internacionais e agendas globais influenciam direitos e po- líticas públicas. Entre os direitos proclamados, destacam-se: o di- reito à vida, à liberdade e à segurança pessoal; a proi- bição da escravidão e da tortura; o direito à igualdade perante a lei; a liberdade de pensamento, consciência e religião; e o direito à educação e ao trabalho. A Declaração foi traduzida para mais de 500 idio- mas e continua a servir como base para a criação e a aplicação de legislações de direitos humanos em todo o mundo. Disponível em: https://desinstitute.org.br/noticias/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-como-surgiu-e-o- -que-defende/. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. ATIVIDADES 11. A Organização das Nações Unidas (ONU) se define no contexto das relações internacionais como: (A) Uma corporação internacional que controla cadeias globais de produção e impõe padrões de consumo. (B) Uma organização internacional criada para promover cooperação entre países, mediar conflitos e defender direitos, incluindo ações humanitárias. (C) Um bloco econômico regional com moeda única e con- trole direto das economias nacionais. (D) Um órgão responsável por privatizar serviços públicos em países em desenvolvimento. 12. Com base no texto "Para saber mais!", explique por que a Declaração Universal dos Direitos Humanos é con- siderada um marco histórico. 13. O Conselho de Segurança é o órgão da ONU respon- sável por zelar pela paz e pela segurança internacional. Sobre sua estrutura e funcionamento, assinale a alterna- tiva correta: (A) Todos os 193 países-membros da ONU possuem po- der de veto sobre as decisões militares do Conselho. (B) O Conselho é formado apenas por países da América Latina e da África, visando equilibrar o poder mundial. (C) Possui cinco membros permanentes (EUA, Rússia, Chi- na, Reino Unido e França) que detêm o poder de veto, podendo impedir a aprovação de resoluções mesmo que a maioria concorde. (D) Suas decisões são apenas sugestões e não precisam ser seguidas pelos países envolvidos em conflitos. 14. As organizações internacionais influenciam não ape- nas a economia, mas também a cultura e os direitos huma- nos. No caso da UNESCO, ao declarar um local como Pa- trimônio da Humanidade (como a Cidade de Goiás), qual é o principal impacto esperado para a região? (A) A proibição total da entrada de turistas para não des- gastar o local. (B) A valorização da cultura local, preservação histórica e incentivo ao turismo. (C) A demolição de prédios antigos para a construção de indústrias modernas. (D) A transferência da administração da cidade para um organismo internacional. 15. A ONU atua por meio de diversas agências, fundos e programas que contribuem para a melhoria da qualidade de vida das populações. Cite um desses organismos e ex- plique qual é a sua principal função. Leia o texto. Texto IV Organizações Econômicas Mundiais: FMI, Banco Mundial e OMC Em um mundo globalizado, corporações internacionais e organizações econômicas mundiais influenciam direta- mente a vida das pessoas. As grandes empresas ajudam a formar padrões de consumo ao ampliar a circulação de produtos e marcas em vários países, enquanto instituições como FMI, Banco Mundial e OMC criam regrase políticas que afetam preços, acesso a mercadorias, investimentos e condições de vida. Por isso, entender esses atores é es- sencial para analisar como a economia global impacta o cotidiano da população. Além da ONU, que tem um foco político e humanitá- rio, existem outras organizações internacionais voltadas especificamente para questões econômicas e comerciais. Essas instituições foram criadas para regular a economia mundial, promover o desenvolvimento e facilitar o comér- cio entre países. As três principais organizações econômi- cas globais são o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 24 Fundo Monetário Internacional (FMI) Criado em 1944, durante a Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos, o FMI tem como missão ga- rantir a estabilidade do sistema monetário internacional. Isso envolve assegurar que as moedas dos países man- tenham valores relativamente estáveis e que o comércio internacional flua sem grandes crises financeiras. Para isso, o FMI oferece empréstimos a países que enfrentam dificuldades econômicas, como déficits na balança de pa- gamentos ou crises cambiais. Entrada do prédio do FMI em Washington, D.C Disponível em: https://files.cursoenemgratuito.com.br/uploads/2019/09/pr%C3%A9dio_do_fmi-768x432.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Em geral, esses empréstimos vêm acompanhados de condicionalidades, isto é, compromissos de ajuste fis- cal e reformas econômicas, que podem incluir redução de gastos públicos, mudanças tributárias, privatizações e abertura ao investimento estrangeiro. Essas medidas frequentemente afetam a população, reduzindo investi- mentos em áreas essenciais como saúde, educação e pro- gramas sociais. Isso gera críticas de que o FMI prioriza os interesses dos credores internacionais em detrimento do bem-estar social dos países endividados. Banco Mundial Também criado em 1944, o Banco Mundial teve como objetivo inicial financiar a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, sua missão é erradicar a pobreza extrema e promover uma prosperi- dade compartilhada. A instituição oferece empréstimos de longo prazo, assistência técnica e conhecimento para projetos de infraestrutura, educação, saúde, saneamento básico e agricultura. A sede do Banco Mundial está localizada em Washington, D.C Disponível em: https://static.mundoeducacao.uol.com.br/mundoeducacao/2022/07/sede-banco-mundial.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Embora o Banco Mundial tenha contribuído para o de- senvolvimento de diversos países, também enfrenta crí- ticas: alguns projetos podem gerar impactos ambientais e sociais, como desmatamento, poluição e deslocamento de populações. Além disso, os empréstimos aumentam a dívida externa dos países em desenvolvimento, criando dependência financeira em relação às nações mais ricas, que são as principais acionistas do banco. Organização Mundial do Comércio (OMC) Criada em 1995, a OMC substituiu o antigo GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) e tem como ob- jetivo principal promover o livre comércio entre os países. Para isso, a OMC busca reduzir barreiras tarifárias (im- postos sobre produtos importados), eliminar subsídios que distorcem a concorrência e estabelecer regras co- merciais justas. A organização também atua como árbitro em disputas comerciais entre países-membros. Disponível em: https://s5.static.brasilescola.uol.com.br/be/2021/07/sede-omc.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. A OMC influencia diretamente o consumo das popu- lações, pois a redução de tarifas torna os produtos impor- tados mais baratos e acessíveis, ampliando as opções para os consumidores. No entanto, a abertura comercial pode prejudicar produtores locais, especialmente pequenos agricultores e indústrias nacionais, que não conseguem competir com grandes corporações multinacionais. Em termos culturais, as regras da OMC podem afetar a diversidade cultural ao facilitar a entrada de produtos culturais padronizados, como filmes, músicas e programas de TV, produzidos por grandes empresas de países desen- volvidos, principalmente dos Estados Unidos. Isso pode ameaçar produções culturais locais e contribuir para a ho- mogeneização cultural. No que diz respeito à mobilidade, a OMC regula o co- mércio de bens e serviços, mas não tem como foco princi- pal a circulação de pessoas. No entanto, as transformações econômicas decorrentes da liberalização comercial po- dem gerar desemprego em setores não competitivos, im- pulsionando migrações de trabalhadores em busca de melhores oportunidades em outras regiões ou países. Consequências das Políticas Econômicas Globais Essas organizações (FMI, Banco Mundial e OMC) de- sempenham papéis fundamentais na economia globaliza- da, mas suas políticas e decisões geram debates intensos. Sede da OMC em Genebra, na Suíça Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 25 Defensores argumentam que elas promovem crescimento econômico, estabilidade financeira e cooperação interna- cional. Por outro lado, críticos apontam que elas perpe- tuam desigualdades entre países ricos e pobres, impõem modelos econômicos neoliberais que prejudicam políticas sociais e favorecem grandes corporações em detrimento de pequenos produtores e trabalhadores. Compreender como essas organizações funcionam e como suas decisões afetam a vida cotidiana é essencial para desenvolver uma visão crítica sobre a economia glo- bal e sobre o papel que cada cidadão pode desempenhar na construção de um sistema internacional mais justo e equitativo. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cint/a/fqmY53m7qRQCQYV6vhpWdNH/?format=html&lang=pt. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. O Brasil e o FMI Ao longo de sua história, o Brasil recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em diferentes momentos, principalmente quando enfrentou crises econômicas e dificuldades nas contas externas. Na década de 1980, durante a crise da dívida externa, e no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, o país firmou acordos com o FMI, que normalmente envol- viam metas e medidas de ajuste fiscal. Em 2005, o Bra- sil realizou um pagamento antecipado ao FMI (cerca de US$ 15,46 bilhões), quitando compromissos ligados a acordos anteriores. Depois disso, o país não firmou novos acordos formais de empréstimo com o Fundo naquele período. Em 2010, o Brasil registrou um “em- préstimo ao FMI” de US$ 10 bilhões, colocando recur- sos à disposição da instituição. Esses fatos mostram uma mudança de posição do país em relação ao Fundo ao longo do tempo. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdgv/a/WVZH8Rs6wJWshpGfrTLtM8F/?format=html&lang=pt. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. ATIVIDADES 16. As corporações internacionais influenciam direta- mente os padrões de consumo da população mundial. Como essa influência ocorre? (A) Produzindo apenas bens de luxo para países desen- volvidos. (B) Padronizando produtos e difundindo marcas em dife- rentes países, ampliando sua circulação no mercado global. (C) Restringindo a venda de mercadorias para manter a exclusividade. (D) Incentivando o consumo de produtos tradicionais e locais. 17. Sobre a atuação da Organização Mundial do Comér- cio (OMC), seu principal objetivo é: (A) Financiar a construção de escolas e hospitais em paí- ses pobres. (B) Enviar tropas de paz para regiões em conflito armado. (C) Definir as regras do comércio global e resolver dispu- tas comerciais entre países. (D) Monitorar pandemias e distribuir vacinas mundial- mente. 18. O Fundo Monetário Internacional (FMI) oferece em- préstimos a países em crise. No entanto, essa ajuda finan- ceira geralmente vem acompanhada de certas exigências. Explique que tipo de contrapartida o FMI costuma exigir dos países que solicitam empréstimos e como isso pode afetar apopulação. 19. De acordo com o texto "O Brasil e o FMI", que mudan- ça ocorreu na relação do Brasil com o FMI ao longo do tempo? (A) O Brasil deixou de participar do FMI após 2005 e pas- sou a atuar apenas em organismos regionais. (B) O Brasil passou de país que recorreu a acordos e em- préstimos em períodos de crise para, em 2010, colocar recursos à disposição do FMI. (C) O Brasil firmou novos acordos formais de empréstimo com o FMI após 2005 para financiar políticas sociais. (D) O Brasil utilizou o FMI apenas na década de 1980 e nunca mais teve relação com a instituição. 20. De acordo com o texto, qual é a missão atual do Banco Mundial e cite uma das críticas que a instituição enfrenta. Leia o texto. Texto V Diversidade Cultural: As Minorias Étnicas na Europa O mundo é um mosaico de culturas, línguas, tradições e identidades. Essa diversidade é um patrimônio da huma- nidade que deve ser conhecido, respeitado e valorizado. Compreender as diferentes manifestações culturais, es- pecialmente de grupos minoritários, é fundamental para construir uma sociedade mais justa, tolerante e inclusiva. Uma minoria étnica é um grupo que compartilha iden- tidade cultural e histórica própria (como língua, tradições e formas de organização social) e que, em determinado território, encontra-se em posição minoritária principal- mente em termos de poder político e social (muitas vezes também numérica). Por isso, essas minorias podem en- frentar discriminação, exclusão social e dificuldades para preservar suas tradições em contextos dominados por grupos majoritários. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 26 Representação visual de minorias étnicas Disponível em: https://static.mundoeducacao.uol.com.br/mundoeducacao/2020/03/minorias.jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Na Europa, a diversidade étnica é resultado de pro- cessos históricos complexos, incluindo migrações antigas, formação de impérios, colonização e, mais recentemente, fluxos migratórios contemporâneos. O continente abriga diversas minorias étnicas que mantêm vivas suas tradi- ções culturais. Mapa do continente europeu Disponível em: https://sme.goiania.go.gov.br/conexaoescola/wp-content/uploads/2024/06/mapa-continent-europeu- -e1718888115443.png. Acesso em: 09 jan. 2026. Os Bascos são um dos povos mais antigos da Europa, habitando uma região que se estende entre o norte da Es- panha e o sudoeste da França, conhecida como País Basco. Mapa da Europa destacando a região do País Basco Disponível em: https://www.listenandlearn.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/05/Euskal_Herria_Europa.png. Acesso em: 09 jan. 2026. Sua língua, o euskera, é única e não possui relação comprovada com nenhuma outra língua conhecida, sendo considerada um isolado linguístico. Placa bilíngue com euskera e espanhol Disponível em: https://www.listenandlearn.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/05/Euskara-san-millan-yuso-1024x692. jpg. Acesso em: 09 jan. 2026. Eles possuem manifestações culturais muito caracte- rísticas, como o pelota basca (esporte tradicional jogado contra uma parede), danças folclóricas com trajes típicos coloridos e festivais que celebram sua identidade. His- toricamente, os bascos atuaram na preservação de sua identidade cultural e na defesa de formas de autonomia regional, enfrentando períodos de repressão, especial- mente durante a ditadura de Francisco Franco na Espanha (1939-1975), quando o uso do euskera foi proibido. Os Sami são um povo indígena que habita a região ár- tica da Europa setentrional, conhecida como Lapônia, que se estende pela Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. His- toricamente, eram conhecidos como Lapps, embora este termo seja hoje considerado pejorativo. As estimativas populacionais variam, em geral entre cerca de 60 mil e 100 mil Samis vivendo nesses quatro países, com grande con- centração na Noruega. Esse povo tem língua própria, identidade cultural, Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 27 costumes e tradições, com modo de vida historicamente ligado ao ambiente ártico. Antigamente, viviam da caça, pesca, criação de renas, agricultura e artesanato, manten- do um jeito de viver muito ligado à natureza. Traje tradicional e cultura Sami na Lapônia Disponível em: https://pagina22.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Sami-nikola-johnny-mirkovic-vfaD7bscm7I-unsplash- -1-1024x728.jpeg. Acesso em: 09 jan. 2026. O artesanato tradicional destaca-se como expressão cultural importante, refletindo profunda conexão com a natureza e preservação identitária. Artesanato/adorno tradicional do povo Sami Disponível em: https://cdn.prod.website-files.com/562e25d8b7e76f0371f0595b/6429d8c8e727416f8e- 43b288_576453656899046e3e0218eb_foto-Tea%2520Karvinen%2520ARQFACE.jpeg. Acesso em: 09 jan. 2026. Nas últimas décadas, os Sami conquistaram maior re- conhecimento e direitos. Atualmente, há um Parlamento Sami na Noruega, na Suécia e na Finlândia, e os governos reconhecem seu direito à educação em sua própria língua e direitos sobre suas terras. O povo Roma (romani), também conhecido como “cigano”, constitui uma das maiores minorias étnicas da Europa, com população estimada entre 8 e 10 milhões de pessoas. Uma grande parte dessa população vive nos Bálcãs e em outras áreas da Europa Central e Oriental, mas há também ciganos espalhados pela Europa Ociden- tal, Oriente Médio, África Setentrional, Américas e antiga URSS. Historicamente, os ciganos são originários do norte da Índia e migraram para a Europa há mais de mil anos, es- tabelecendo-se em diversos países. Eles têm sua própria língua, chamada romani, músicas e tradições culturais pró- prias. Apresentação musical tradicional de povos Roma Disponível em: https://www.todamateria.com.br/ciganos/. Acesso em: 12 jan. 2026. Existem casos envolvendo diversas formas de discri- minação contra os ciganos, como maus-tratos por parte da polícia, recusa das autoridades em fornecer documen- tos de identidade, e a negativa de restaurantes e hotéis em aceitá-los, entre outros. A preservação das culturas dessas e de outras mino- rias étnicas europeias é fundamental para manter a rique- za da diversidade cultural do continente. Reconhecer a importância histórica dessas minorias, valorizar suas tra- dições e combater todas as formas de discriminação são responsabilidades de toda a sociedade. Compreender e respeitar essas manifestações culturais é essencial para construir um mundo mais justo e inclusivo. Disponível em: https://www.dhnet.org.br/direitos/sip/regionais/santilli_minorias_sist_regionais_dh.pdf. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. Línguas que mantêm culturas vivas De acordo com a UNESCO, as línguas são elemen- tos centrais da identidade cultural dos povos, pois nelas estão presentes conhecimentos acumulados ao longo de gerações, formas específicas de organização social, valores, crenças e maneiras próprias de com- preender o mundo. Cada língua expressa uma relação particular entre as pessoas, a natureza e o território em que vivem. Quando uma língua deixa de ser falada, não se per- de apenas um conjunto de palavras ou regras gramat- icais, mas também saberes tradicionais, histórias, memórias coletivas e modos únicos de pensar e in- terpretar a realidade. Por esse motivo, a extinção de uma língua representa uma perda irreparável para toda a humanidade, e não apenas para o grupo que a utilizava. Nesse contexto, a preservação de línguas como o euskera (dos bascos), o romani (do povo Roma) e as línguas sami é fundamental para a manutenção da di- versidade cultural mundial. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 28 Placa bilíngue com euskera e espanhol Disponível em: https://anaviaja.blogspot.com/2010/04/as-placas-do-pais-basco.html. Acesso em: 12 jan. 2026. Proteger essas línguas significa garantir o direito desses povos à sua identidadecultural, fortalecer a diversidade sociocultural e promover uma sociedade mais plural, respeitosa e inclusiva. Disponível em: https://www.unesco.org/en/articles/cutting-edge-indigenous-languages-gateways-worlds-cultural- -diversity. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. ATIVIDADES 21. O que são minorias étnicas e por que é importante co- nhecer suas manifestações culturais? 22. O povo basco possui um forte sentimento nacionalis- ta e histórico de luta por autonomia. Uma característica única que fundamenta a identidade cultural desse povo na Europa é: (A) O uso do idioma euskera, que é considerado um iso- lado linguístico, sem parentesco com outras línguas conhecidas. (B) A completa assimilação da cultura francesa, abando- nando suas tradições ancestrais. (C) A ausência de qualquer vínculo territorial com a região onde vivem. (D) A adoção do budismo como religião oficial de todo o grupo étnico. 23. Qual situação representa uma prática de respeito à diversidade sociocultural de minorias étnicas? (A) Proibir o uso de línguas minoritárias na escola para “unificar” o país. (B) Usar símbolos culturais de um povo em propaganda sem consultar o grupo e sem reconhecer sua origem. (C) Garantir espaço para a comunidade apresentar sua cultura, com participação nas decisões e reconheci- mento de direitos. (D) Tratar todas as manifestações culturais como folclore sem importância social. 24. Do ponto de vista geográfico e histórico, quem são os povos Sami: (A) Trata-se de um povo originário do extremo sul da Eu- ropa, com tradição ligada principalmente ao pastoreio de ovelhas em áreas mediterrâneas. (B) É um povo indígena do extremo norte da Europa, as- sociado à região da Lapônia, que abrange o norte da Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia. (C) Constitui um povo asiático do Sudeste Asiático, cuja identidade se organiza sobretudo em torno de planta- tions tropicais. (D) É um povo majoritário na Nova Zelândia, responsável pela principal língua nacional do país. 25. Segundo o texto "Para saber mais!", por que a preser- vação de línguas minoritárias (como euskera, romani e lín- guas sami) é importante? Leia o texto. Texto VI Diversidade Cultural: Minorias Étnicas na Ásia e Oceania A Ásia e a Oceania são continentes marcados por ex- traordinária diversidade cultural, abrigando centenas de grupos étnicos com línguas, religiões, tradições e modos de vida distintos. Compreender essa multiplicidade é es- sencial para valorizar a riqueza das identidades humanas e promover o respeito às diferenças em escala global. Na Ásia, a diversidade étnica é ainda mais complexa devido à vasta extensão territorial e aos milhares de anos de história de migrações, conquistas e trocas culturais. O continente abriga milhares de línguas faladas e reúne des- de grandes civilizações milenares até pequenos grupos tradicionais com modos de vida próprios. Rohingya são uma minoria étnica muçulmana origi- nária principalmente de Mianmar, com língua própria e práticas islâmicas. Além disso, preservam costumes comu- nitários, tradições familiares e práticas culturais ligadas às celebrações religiosas, que fazem parte de sua identidade coletiva. Uma grande parte da população, estimada em cerca de 1 milhão de pessoas, vive como refugiada em Bangladesh, em situação de extrema vulnerabilidade. Am- plamente considerados um dos povos mais perseguidos do mundo, os rohingya têm sido alvo de violência sistemá- tica, discriminação e negação de cidadania por parte do governo de Mianmar, o que na prática lhes retira direitos básicos, incluindo acesso adequado à educação, saúde, trabalho e liberdade de movimento. Refugiados rohingyas em Bangladesh Disponível em: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/800/cpsprodpb/2B8D/production/_97794111_hi041677796.jpg.webp. Acesso em: 12 jan. 2026. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 29 Localização de Xinjiang no noroeste da China Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-asia-china-22278037. Acesso em: 12 jan. 2026. Com população estimada em cerca de 12 milhões de pessoas, os uigures possuem língua própria, escrita em alfabeto árabe, e cultura rica que combina elementos da Ásia Central, incluindo música tradicional, danças, culiná- ria específica e artesanato em carpetes. Dança tradicional uigur Disponível em: https://static.poder360.com.br/2025/06/danca-uigures-848x477.jpeg. Acesso em: 12 jan. 2026. Curdos somam mais de 25 milhões de pessoas e são frequentemente descritos como uma das maiores nações sem Estado do mundo. Eles habitam uma região mon- tanhosa dividida entre as fronteiras da Turquia, Iraque, Irã e Síria. Apesar de terem uma cultura própria, língua e tradições milenares, incluindo o Newroz, comemorado como o Ano Novo curdo, eles não possuem um Estado in- dependente. Celebração do Ano Novo curdo (Newroz) Disponível em: https://abre.ai/ovJe. Acesso em: 12 jan. 2026. Historicamente, os curdos lutam por autonomia e reconhecimento de seus direitos culturais e políticos, en- frentando repressão em diversos países. A Oceania, composta pela Austrália, Nova Zelândia e milhares de ilhas espalhadas pelo Oceano Pacífico, é lar de alguns dos povos indígenas mais antigos do mundo. Os ha- bitantes originais desses territórios possuem uma riqueza extraordinária de manifestações culturais, práticas espiri- tuais e sistemas de conhecimento desenvolvidos ao longo de dezenas de milhares de anos. Apesar da história trau- mática de colonização que afetou profundamente essas populações, suas culturas persistem e vivenciam proces- sos de revitalização e reconhecimento crescentes. Aborígenes australianos são os habitantes originais da Austrália, com evidências arqueológicas de ocupação hu- mana no continente há pelo menos 65 mil anos. Possuem centenas de grupos culturais diferentes, com mais de 250 línguas e dialetos, cada um associado a tradições e terri- tórios específicos. Suas manifestações culturais incluem o Dreamtime (Tempo do Sonho), um sistema complexo de crenças espirituais que explica a criação do mundo, as leis da vida e a relação espiritual com a terra; a arte rupestre, gravuras e outras expressões artísticas tradicionais; ins- trumentos musicais tradicionais, como o didgeridoo; além de práticas de profundo conhecimento ecológico sobre a fauna e a flora australianas. Manifestação cultural de povos aborígenes australianos Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/ciencia/como-os-aborigenes-australianos-surgiram-e-se-adaptaram-ao- -continente. Acesso em: 12 jan. 2026. Maori, povo polinésio da Nova Zelândia, destacam-se pela haka (dança cerimonial tradicional), pelas tatuagens ta moko (marcas identitárias ligadas à linhagem e ao status social), pelas esculturas em madeira (whakairo), entalhes cerimoniais e canções tradicionais. A língua maori (Te Reo Maori) e o conceito de whãnau (família estendida) são pila- res culturais. Desde o Tratado de Waitangi (1840), enfren- taram os impactos da colonização e, sobretudo a partir do século XX, intensificaram a luta por direitos territoriais e revitalização cultural. Uigures são um povo de origem turca e maioria muçul- mana que habita a região autônoma de Xinjiang, no noro- este da China. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 30 ATIVIDADES Arte Maori e esculturas em madeira (whakairo) Disponível em: https://abre.ai/oJx3. Acesso em: 12 jan. 2026. A preservação das culturas dessas minorias étnicas é fundamental para a manutenção da diversidade cultural mundial. Cada povo contribui com conhecimentos únicos, visões de mundo diferentes e manifestações artísticas que enriquecem a humanidade. Respeitar, valorizar e proteger essas culturas não é apenas uma questão de justiça, mas também de reconhecimento de que a diversidade é uma força que nos torna mais ricos como espécie. Fonte: Equipe NUREDI. Referências: MUNDO EDUCAÇÃO. Povo curdo. Disponívelem: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/povo-curdo.htm. Acesso em: 12 jan. 2026. NOTÍCIAS DA ONU. Rohingya. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2025/09/1851123. Acesso em: 12 jan. 2026. BBC. Uigures. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-asia-china-22278037. Acesso em: 12 jan. 2026. MEGA CURIOSO. Aborígenes australianos. Disponível em: https://www.megacurioso.com.br/ciencia/como-os-aborigenes- -australianos-surgiram-e-se-adaptaram-ao-continente. Acesso em: 12 jan. 2026. SABER MUNDO. Cultura maori na Nova Zelândia. Disponível em: https://sabermundo.com/cultura-maori-nova-zelandia/. Acesso em: 12 jan. 2026. O Haka: da tradição maori aos campos de rugby O haka é uma dança tradicional maori que com- bina movimentos corporais vigorosos, expressões faciais intensas, batidas de pés e cantos ritmados. Ori- ginalmente, era realizado antes de batalhas para inti- midar inimigos e demonstrar força, mas também em celebrações, funerais e cerimônias de boas-vindas. A seleção de rugby da Nova Zelândia, os All Blacks, tor- nou o haka mundialmente famoso ao realizá-lo antes de cada partida. Execução do haka antes de partida de rugby Disponível em: https://blog.esportudo.com/nao-e-so-uma-intimidacao-conheca-o-haka-danca-dos-all-blacks-no-ru- gby. Acesso em: 12 jan. 2026. Entre as variações do haka, o Ka Mate (canto guer- reiro) é o mais conhecido, composto pelo chefe maori Te Rauparaha no século XIX. Esse haka ganhou des- taque mundial principalmente pela execução consis- tente dos All Blacks, tornando-se um símbolo icônico do rugby neozelandês. Através do Ka Mate e de ou- tras variações do haka, a prática não apenas preserva uma tradição ancestral, mas também afirma o orgulho cultural maori e demonstra como manifestações tra- dicionais podem ser valorizadas e integradas à identi- dade nacional contemporânea. Disponível em: https://www.allblacks.com/the-haka. Acesso em: 09 jan. 2026. Adaptado. SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO E EX- PLORAÇÃO DO TEMA: 1. ENCANTADORA DE BALEIAS (2002) SINOPSE: Classifi cação: 12 anos. Em uma comunidade Maori no litoral da Nova Zelândia, Pai, uma menina de 11 anos e neta do líder Koro, desafia a tradição de que apenas homens podem assumir a liderança. Entre con- flitos familiares e aprendizados culturais, ela luta para afirmar sua identidade e manter viva a herança de seu povo. 2. GERAÇÃO ROUBADA (2002) SINOPSE: Classifi cação: 12 anos. Baseado em fatos reais, acompanha crianças indígenas australianas retiradas de suas famílias durante políticas de assi- milação cultural. O filme permite discutir colonialismo, violações de direitos, apagamento cultural e a importância da proteção da identidade sociocultural de povos minoritários. 26. Quais são os principais desafios enfrentados pelo povo curdo? Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 31 27. Explique a importância da preservação da cultura Maori na Nova Zelândia, considerando os impactos histó- ricos da colonização e o processo de revitalização cultural. 28. O Haka é uma dança tradicional do povo Maori que ganhou visibilidade mundial, especialmente através do time de rugby All Blacks. Essa manifestação representa: (A) Uma dança criada recentemente para entretenimento comercial, sem ligação com tradições anteriores. (B) Um exemplo de como uma manifestação cultural pode afirmar identidade e orgulho de um povo, permanece viva e ressignificada no presente. (C) Uma prova de que as culturas indígenas foram total- mente substituídas após a colonização. (D) Um ritual praticado apenas em guerras atuais e proibi- do em eventos esportivos. 29. As manifestações culturais dos povos aborígenes aus- tralianos incluem várias expressões artísticas e foram im- pactadas historicamente pela colonização. Qual alternativa descreve uma manifestação cultural tradicional desse povo? (A) O uso de máscaras e pinturas faciais para a realização de rituais de cura e morte. (B) A arte rupestre, o Dreamtime, e o uso do didgeridoo como instrumentos tradicionais de música. (C) A realização de rituais de dança e cantos em festivais anuais, mas sem envolvimento com a natureza. (D) A criação de esculturas em madeira, como o haka mao- ri, para comemorar vitórias em batalhas. 30. Qual é a importância de organismos internacionais e da sociedade global defenderem os direitos dos Rohin- gya, garantindo proteção e respeito à sua identidade so- ciocultural? (A) Para justificar políticas de homogeneização cultural e religiosa, negando a pluralidade étnica. (B) Para proteger um grupo em situação de extrema vul- nerabilidade contra a violência e garantir o direito hu- mano fundamental de preservar sua identidade e vida. (C) Para incentivar que esses povos abandonem suas tra- dições e sejam assimilados pela cultura ocidental. (D) Para facilitar a exploração de mão de obra barata em países desenvolvidos. Secretaria de Estado da Educação SEDUC Revisa Goiás Expediente Governador do Estado de Goiás Ronaldo Ramos Caiado Vice–Governador do Estado de Goiás Daniel Vilela Secretária de Estado da Educação Aparecida de Fátima Gavioli Soares Pereira Secretária–Adjunta Helena Da Costa Bezerra Diretora Pedagógica Alessandra Oliveira de Almeida Superintendente de Educação Infantil e Ensino Fundamental Fátima Garcia Santana Rossi Superintendente de Ensino Médio Osvany Da Costa Gundim Cardoso Superintendente de Segurança Escolar e Colégio Militar Cel Mauro Ferreira Vilela Superintendente de Desporto Educacional, Arte e Educação Elaine Machado Silveira Superintendente de Atenção Especializada Rupert Nickerson Sobrinho Diretor Administrativo e Financeiro Andros Roberto Barbosa Superintendente de Gestão Administrativa Leonardo de Lima Santos Superintendente de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas Hudson Amarau de Oliveira Superintendente de Infraestrutura Gustavo de Morais Veiga Jardim Superintendente de Planejamento e Finanças Taís Gomes Manvailer Superintendente de Tecnologia Bruno Marques Correia Diretora de Política Educacional Vanessa de Almeida Carvalho Superintendente de Gestão Estratégica e Avaliação de Resultados Márcia Maria de Carvalho Pereira Superintendente do Programa Bolsa Educação Márcio Roberto Ribeiro Capitelli Superintendente de Apoio ao Desenvolvimento Curricular Nayra Claudinne Guedes Menezes Colombo Chefe do Núcleo de Recursos Didáticos Evandro de Moura Rios Coordenador de Recursos Didáticos para o Ensino Fundamental Alexsander Costa Sampaio Coordenadora de Recursos Didáticos para o Ensino Médio Edinalva Soares de Carvalho Oliveira Professores elaboradores de Língua Portuguesa Bianca Felipe Ferreira Edinalva Filha de Lima Ramos Katiuscia Neves Almeida Maria Aparecida Oliveira Paula Norma Célia Junqueira de Amorim Professores elaboradores de Matemática Basilirio Alves da Costa Neto Cleo Augusto dos Santos Tayssa Tieni Vieira de Souza Thiago Felipe de Rezende Moura Tyago Cavalcante Bilio Professores elaboradores de Ciências da Natureza Leonora Aparecida dos Santos Sandra Márcia de Oliveira Silva Sílvio Coelho da Silva Professores elaboradores de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas Eila da Rocha dos Santos Geraldo Avelino Gomes Filho Revisão Cristiane Gonzaga Carneiro Silva Diagramação Adriani Grün Alisse Theodora Ribeiro Silvatenentismo, do qual Vargas fez parte, combatia as oligarquias tradicio- nais). Sob o comando de Luís Carlos Prestes, a ANL organi- zou a chamada Intentona Comunista, em 1935, um levante comunista contra o governo de Getúlio Vargas. O governo varguista dá seus primeiros sinais de autoritarismo Com a emergência desses movimentos políticos, Ge- túlio Vargas vê seu governo ameaçado. Embora as ten- tativas de levantes tenham sido facilmente contidas pelo governo, Vargas as utiliza como justificativa para decretar um estado de Sítio no país. Sob a justificativa de uma “ameaça comunista”, a elei- ção presidencial de 1937 é cancelada. Um suposto plano comunista para a derrubada do governo, intitulado nPla- no Cohen, é divulgado (hoje sabe-se que o plano foi in- ventado pelo próprio governo para justificar medidas de exceção). Em resposta a essa suposta tentativa de golpe, Vargas dissolve o Legislativo e anula a Constituição de 1934. Inicia-se, então, a terceira fase da Era Vargas, deno- minada Estado Novo. Estado Novo (1937-1945) O Estado Novo consiste no período da ditadura var- guista, que teve início com o cancelamento da eleição presi- dencial de 1937 e a instauração de um governo de exceção. Para dar respaldo ao autoritarismo desse período, foi ela- borada uma nova Constituição, a Constituição de 1937, co- nhecida como “Polaca” por sua inspiração polonesa. A nova carta constitucional favoreceu a concentração do poder no Executivo, com a abolição das demais insti- tuições democráticas. Os partidos políticos, como a AIB e a ANL, foram colocados na ilegalidade, e a perseguição à oposição foi institucionalizada, inclusive com a permissão da prática de tortura. Um dos casos mais emblemáticos da violência do Es- tado Novo foi a extradição de Olga Benário Prestes para a Alemanha. Olga era alemã e judia, enviada ao Brasil pela Internacional Comunista para ajudar Luís Carlos Prestes a liderar o movimento comunista no país, mais tarde os dois viriam a se casar. Capturada pelo governo varguista quan- do estava grávida, Olga Benário foi entregue à Alemanha nazista, e morreu em um campo de concentração. Como é de praxe em governos autoritários, Vargas criou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), para controlar a imagem do governo perante os olhos da população. Encarregado de fazer propaganda do gover- no, o DIP era responsável pelo programa “Hora do Bra- sil”, que passava diariamente nas rádios. Além disso, esse Departamento também era responsável por censurar as artes e a imprensa. O Estado Novo, no entanto, manteve (e fortaleceu) os principais traços de Getúlio Vargas: seu caráter trabalhis- ta e nacional-desenvolvimentista. Foi durante esse período de exceção que Getúlio criou a Justiça do Trabalho (1939) e a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), em 1943. A CLT unificou as leis trabalhis- tas existentes e estabeleceu novos direitos trabalhistas, como o salário mínimo, o descanso semanal remunerado, e condições de segurança no trabalho. Essas políticas, que beneficiaram a vida da classe trabalhadora, concederam a Vargas o apelido de “pai dos pobres”. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 4 ATIVIDADES O nacional-desenvolvimento, principal característica do governo varguista, foi bastante forte nesse período, com a criação de diversas companhias nacionais, como a Companhia Siderúrgica Nacional (1941); a Companhia Vale do Rio Doce (1942) e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (1945). Durante o Estado Novo, as hostilidades que vinham se formando (ou que nunca cessaram) desde a Primeira Guerra resultaram em um novo conflito de escala mundial. Em 1944, o Brasil une-se aos Aliados, para lutar ao lado dos Estados Unidos e da União Soviética contra os regi- mes fascistas da Itália e da Alemanha. O fato de Vargas, que governava sob um regime autoritário, ter participa- do na Guerra contra o fascismo é considerado um pouco controverso. Essa escolha se deu pelo fato de o Brasil ter fortes relações econômicas com os Estados Unidos, que naquele momento prometiam financiamento para a indús- tria brasileira. A participação brasileira na Segunda Guerra expôs as contradições do governo varguista, por mandar seus ho- mens para morrer lutando contra o autoritarismo na Eu- ropa, enquanto o autoritarismo era também a realidade nacional. Em outubro de 1945 Vargas foi deposto por meio um golpe de Estado organizado pela União Democrática Nacional (UDN) e pelos militares. Mas esse ainda não se- ria o fim de Getúlio Vargas na Presidência, pois ele retorna por eleições diretas em 1951. Texto de Isabela Moraes. Adaptado. Disponível em: https://www.politize.com.br/era-vargas/Acesso em: 10 fev. 2026. 1. Com base nas informações apresentadas no texto, ana- lise o papel da Revolução de 30 na chegada de Getúlio Vargas ao poder. 2. Explique o que foram os interventores e qual era sua função dentro do projeto de Vargas? 3. A Constituição de 1934 é considerada liberal e progres- sista. Justifique essa afirmação com base em suas princi- pais inovações. 4. A partir do texto, compare os principais objetivos e características da Ação Integralista Brasileira (AIB) e da Aliança Nacional Libertadora (ANL). 5. Quais foram os principais traços políticos e institucio- nais do Estado Novo (1937-1945). 6. Apesar do autoritarismo do Estado Novo, Vargas im- plementou importantes medidas trabalhistas e econômi- cas. Cite e explique algumas dessas medidas. 7. (UPE – Adaptado) Construído a partir de um golpe po- lítico-militar e, portanto, carente de legitimidade, o regi- me inaugurado por Vargas em 1930 disseminou, por toda a sociedade, uma produção de cunho político e cultural, que afirmava a necessidade histórica no novo governo. Para os trabalhadores, em particular, o Estado, nos anos 30 e 40, tornou-se produtor de bens materiais e simbóli- cos, a fim de obter deles a aceitação e o consentimento ao regime político. FERREIRA, Jorge Luiz. A cultura política dos trabalhadores no Primeiro Governo Vargas. Rio de Janeiro: Revista Estudos Históricos, col. 3, n. 6, 1990, p. 180. As duas principais características político-econômicas do regime citado foram respectivamente (A) protecionismo e privatismo. (B) populismo e desenvolvimentismo. (C) nacional-estatismo e parlamentarismo. (D) industrialismo e não intervenção do Estado. 8. (ACAFE- Adaptado) O período conhecido como Esta- do Novo (1937-1945) foi uma das fases em que Getúlio Vargas exerceu o poder executivo no Brasil. Esse período teve como característica a (A) Revolução Constitucionalista Iniciada em São Paulo. (B) criação da Petrobrás e o atentado contra Carlos Lacerda. (C) tentativa da ANL de promover um levante armado, co- nhecido como Intentona Comunista. (D) censura aos meios de comunicação e atividades cul- turais, a cargo do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda). Prof. Fernando Dominience Colégio Estadual Pol. Profº Goiany Prates. Leia o texto. Texto II A Revolução de 1930 e a construção de Goiânia: disputas regionais e política nacional A construção de Goiânia, na década de 1930, ocor- reu em um contexto de profundas transformações políticas e econômicas em Goiás e no Brasil. A nova capital resultou das disputas internas no estado e da reorganização do poder promovida após a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao governo federal. Para compreender esse processo, é necessário obser- var tanto o que ocorria em Goiás quanto as mudanças em curso no país. No início do século XX, Goiás ainda enfrentava di- ficuldades de integração econômica e de transporte. A antiga capital, a Cidade de Goiás, havia sido importan- te no período da mineração, mas já não acompanhava as transformações que começavam a ocorrer em ou- tras regiões do estado. Nesse contexto, o sul goiano passou a ganhar importância. A expansão da agricultu- ra e da pecuária, além da chegada da estrada de ferro, aproximou essa região do Sudestedo Brasil e facilitou o comércio. Essas mudanças alteraram o equilíbrio econômico no interior do próprio estado. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 5 A política goiana organizava-se por meio de alian- ças entre lideranças regionais. Na Primeira República, grandes proprietários rurais, conhecidos como coro- néis, exerciam forte influência econômica e política em suas regiões. Controlavam redes de apoio, influencia- vam eleições e a ocupação de cargos públicos, esta- belecendo relações de dependência com a população local. Esse sistema ficou conhecido como coronelismo. Com o crescimento econômico do sul do estado, novas lideranças passaram a disputar espaço com os grupos tradicionais ligados à então capital. É nesse cenário de transformações econômicas e disputas regionais que se destaca a liderança de Pe- dro Ludovico Teixeira. Médico de formação, ele atuava politicamente em cidades do sul de Goiás que vinham ganhando relevância com a expansão agrícola e a che- gada da estrada de ferro. Municípios como Rio Verde e outras áreas do sul tornavam-se polos de dinamismo econômico, fortalecendo grupos políticos locais que buscavam maior influência nas decisões estaduais. De outro lado, estavam setores tradicionais ligados à anti- ga capital, a Cidade de Goiás, onde famílias influentes, como os Caiado, mantinham vínculos históricos com o centro do poder político estadual. A Revolução de 1930 constituiu o momento deci- sivo dessa disputa. No plano nacional, o movimento liderado por Getúlio Vargas questionava o sistema político da Primeira República. Em Goiás, os grupos rivais assumiram posições distintas: enquanto setores tradicionais apoiaram o governo federal então vigente, Pedro Ludovico alinhou-se ao movimento liderado por Vargas. Houve confrontos, e ele chegou a ser preso durante o conflito. Com a vitória da Revolução em ní- vel nacional, o equilíbrio político em Goiás foi alterado. Pedro Ludovico foi libertado e assumiu o governo es- tadual como interventor nomeado por Vargas. Essa mudança foi fundamental. A partir de 1930, o governo federal passou a exercer maior controle so- bre os estados, substituindo governadores eleitos por interventores indicados pelo presidente. Essa reorga- nização fortaleceu o poder central e criou condições para a realização de projetos de grande impacto. Em Goiás, significou a consolidação do novo grupo diri- gente e a possibilidade de colocar em prática a propos- ta de transferir a capital. A ideia de transferir a sede administrativa não era nova. No entanto, apenas na década de 1930 as condi- ções políticas permitiram sua execução. A mudança da capital tinha um sentido político relevante: ao deslocar o centro administrativo da Cidade de Goiás, o novo governo reduzia a influência das antigas forças políti- cas ligadas à capital e fortalecia sua posição no esta- do. Além disso, a construção de uma cidade planejada, em área considerada mais estratégica, simbolizava uma nova etapa para Goiás. Goiânia foi projetada com avenidas largas, prédios públicos modernos e traços arquitetônicos inspirados no estilo Art Déco, então as- sociado às ideias de progresso e modernidade. O projeto da nova capital também dialogava com a política nacional do período. Durante o governo Vargas, especialmente no Estado Novo (1937–1945), ganhou força a ideia de integrar o interior do país ao restante do território nacional. Essa política ficou co- nhecida como “Marcha para o Oeste”. A proposta de- fendia a ocupação e o desenvolvimento das regiões interiores como parte da construção de um Brasil mais integrado. Nesse contexto, Goiânia passou a ser vista também como símbolo de progresso e integração. Assim, a construção de Goiânia expressa a articu- lação entre disputas regionais e transformações nacio- nais. As rivalidades internas e as mudanças econômicas em Goiás impulsionaram a proposta de mudança da capital. A Revolução de 1930 alterou o equilíbrio de poder no estado, e o novo governo federal ofereceu respaldo político e administrativo para que o projeto fosse concretizado. Texto de Prof. Me. Fernando Dominience. Fonte: CHAUL, Nasr Fayad. Caminhos de Goiás: da construção da decadência aos limites da modernidade. Goiânia: Editora da UFG, 2022. CAMPOS, Francisco Itami. Coronelismo em Goiás. Goiânia: Editora Vieira, 2003. FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930: historiografia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Disponível em: https://abre.ai/oJtR. Acesso em: 12 fev. 2026. Disponível em: https://abre.ai/oJtT. Acesso em: 12 fev. 2026. ATIVIDADES 9. Ao analisar o contexto da construção de Goiânia, po- demos dizer que ela é resultado apenas de uma decisão administrativa? Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 6 Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas imple- mentou uma política de “alienação patriótica” nas es- colas, visando formar uma geração mais alinhada aos ideais do governo. Essa política buscava introduzir valores nacionalistas e patrióticos nas crianças desde cedo, utilizando o sistema educacional como meio de propaganda e de legitimação do regime. Fonte: Equipe NUREDI Disponível em: https://abre.ai/muRI. Acesso em: 06 mar 2026. O trabalhismo de Vargas refere-se ao conjunto de políticas e medidas trabalhistas implementadas duran- te o governo de Getúlio Vargas no Brasil, centradas na valorização e no controle da classe trabalhadora, que se destacou especialmente durante a fase do Estado Novo (1937-1945). Vargas buscou estabelecer uma relação mais equi- librada entre trabalhadores e empregadores, introdu- zindo leis que garantiam direitos trabalhistas, como a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em 1943. Além disso, o trabalhismo varguista promoveu a cria- ção de sindicatos, instituiu o salário-mínimo e estabe- leceu a jornada de trabalho de 8 horas diárias. Fonte: Equipe NUREDI Disponível em: https://abre.ai/oXU0. Acesso em: 12 mar. 2026. 14. O trabalhismo na Era Vargas pode ser visto como uma tentativa de equilibrar as relações de trabalho e promo- ver transformações sociais significativas no Brasil. Con- siderando esse contexto, informe como as políticas tra- balhistas implementadas por Vargas, durante o Estado Novo, refletiram os desafios e as aspirações da sociedade brasileira da época. Quais foram os principais avanços e contradições do trabalhismo varguista? SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO COM O PERÍODO ESTUDADO E PARA CONTRIBUIR COM O TEMA: 1. REVOLUÇÃO DE 30 SINOPSE Classificação: não recomenda- do para menores 12 anos. Uma reconstituição dos fa- tos que antecederam a Revo- lução de 30 em São Paulo e os acontecimentos durante o mo- vimento através da montagem de imagens de arquivo da época e outros recursos audiovisuais, como cinejornais, filmes do período, cações, além de comentários de alguns historiadores. 10. O texto destaca a importância do sul de Goiás no início do século XX. De que maneira a expansão da agricultura, da pecuária e a chegada da estrada de ferro alteraram o equilíbrio econômico e político do estado? 11. A Revolução de 1930 é um momento de ruptura. De que forma esse evento nacional interferiu diretamente na política de Goiás? 12. Goiânia foi planejada com avenidas largas e arquitetu- ra inspirada no Art Déco. Como a ideia de modernidade se relacionava com o novo grupo político no poder? 13. Como a construção de Goiânia dialogava com essa proposta nacional da “Marcha para o Oeste”? 2. CONHECENDO OS PRESIDENTES SINOPSE Classificação: livre. A série traz os perfis de todos os ex-presidentes do Brasil, des- de Deodoro da Fonseca até Lula, retratando os acontecimentos marcantes do período do gover- no em questão. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 7 3. NOSSA HISTÓRIA DARIA UM FILME SINOPSE Classificação: livre. A série documentalé resul- tado de um projeto de extensão da UFG, que faz um resgate da história das comunidades goia- nienses por meio do olhar de seus moradores, revelando tan- tos problemas sociais quanto o sentimento de quem tem a sua existência tocada por Goiânia. Leia o texto Texto III Imperialismo: o que é, causas e características O imperialismo é fenômeno político e histórico que contribuiu para moldar o mundo moderno e contempo- râneo, nos âmbitos econômico, social, político e cultural. Isso porque o conjunto de ações imperialistas realizadas ao longo de séculos impactou profundamente a formação e o desenvolvimento de diversos países. O que é exatamente o imperialismo? O imperialismo pode ser definido como uma política de expansão e dominação de um Estado ou nação sobre outro, geralmente com o objetivo de controle econômico, político e cultural. Nesse sentido, o imperialismo está dire- tamente ligado com à exploração de um Estado sobre um território, com a intenção de obter vantagens. A dominação imperialista envolve diversos fatores e pode ocorrer por meio da força militar, pressão política, exploração econômica ou influência cultural. Ao longo da história, o imperialismo foi responsável pela formação de grandes impérios, que dominavam vastas extensões ter- ritoriais. Uma das suas características é a expansão de nações poderosas sobre territórios e nações mais fracas, de ma- neira a ter o controle dos recursos, mercados e popula- ções para ganhos econômicos. Muitas vezes, o conceito de imperialismo é confundi- do com o colonialismo. Apesar de estarem relacionados, há diferenças importantes: o imperialismo não é simples- mente a ocupação territorial e à implementação de uma administração para povoamento e exploração. Ele tam- bém pode ser exercido de maneira indireta, por meio de mecanismos de controle comercial e financeiro, influência cultural e dependência política. Por isso, muitos autores também chamam o imperialismo de neocolonialismo. Para o teórico e economista político Samir Amin, o im- perialismo está vinculado com à expansão do capitalismo como um sistema econômico global. Segundo o autor, o ca- pitalismo se baseia na expansão e integração de mercados para o seu funcionamento. Assim, as grandes potências, em busca de novos mercados e maior acesso a recursos, implementaram ações imperialistas de expansão para sustentar o seu modelo econômico. Foi com a Segunda Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, que o imperialismo tomou forma e ganhou for- ça. O surgimento da indústria, o desenvolvimento tecno- lógico e a produção em massa pelas potências europeias da época, especialmente a Inglaterra, impulsionaram a busca de novos mercados consumidores, recursos e ma- térias-primas por esses países. Essa expansão era vista como necessária pelas po- tências para sustentar as suas economias e manter o crescimento e o desenvolvimento das suas indústrias e do comércio. Como consequência, no fim do século XIX e início do século XX, houve uma frenética corrida pela conquista e dominação de territórios, principalmente na África e na Ásia. Com isso, essa busca desenfreada passou a abranger todo o globo terrestre, envolvendo também mecanismos indiretos como processos financeiros, por meio de gran- des bancos e instalação de empresas multinacionais nos países dominados. Assim, para Samir Amin, nesse momen- to da história, o imperialismo se consolidou e estabeleceu suas principais características: o controle e expansão de mercados, a pilhagem de recursos naturais e a superex- ploração de mão de obra nos países periféricos. Fatores motivadores O imperialismo foi impulsionado por uma série de fa- tores, muitas vezes interligados, com objetivo principal de acumular poder e capitais pelas nações mais poderosas. Entre os fatores, destacam-se: • Interesses Econômicos: a Revolução Industrial criou uma demanda por matérias-primas, como carvão, ferro e borracha, além de mercados con- sumidores para os produtos industrializados. As potências europeias viram nas ações imperialistas e coloniais uma forma de garantir o acesso a esses recursos e mercados. • Rivalidades Geopolíticas: a competição entre as nações europeias por poder e crescimento econômico levou à corrida por territórios para a ex- ploração. Ter o domínio e o controle sobre recursos, mercados e mão de obra contribuía para influência política global das potências imperialistas. • Culturais e ideológicas: Muitas potências imperi- alistas justificavam suas ações com o argumento de que estavam levando “civilização” e “progresso” aos povos considerados “atrasados”. Essa ideia, além de ser racista por considerar a existência de raças superiores e inferiores, era frequentemente usada para mascarar os verdadeiros interesses econômi- cos e políticos. O imperialismo nos Séculos XIX e XX A segunda metade do século XIX e o início do século XX foram marcadas pelo auge do imperialismo, com a par- Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 8 tilha da África e o controle europeu sobre grandes por- ções da Ásia. As potências imperialistas justificavam suas ações por meio da retórica do progresso e da civilização. Nesse período, por exemplo, foi realizada a Conferên- cia de Berlim, entre os anos de 1884 e 1885, para debater e organizar a divisão do continente africano pelas potên- cias europeias. A conferência foi liderada pelo chanceler alemão Otto von Bismarck e tinha como objetivo organi- zar a disputa imperialista por terras na África de modo a evitar conflitos. Com isso, as reuniões determinaram questões como as fronteiras entre colônias e quais países europeus teriam os seus controles, os direitos de navegação e comércio, as re- gras para a ocupação do continente africano, entre outras. Tudo isso foi feito sem nenhum representante africano nas negociações. Assim, a corrida imperialista intensificou dis- putas e alianças, contribuindo para o clima de tensão que culminaria na Primeira Guerra Mundial. Isso ocorreu espe- cialmente em vista da ascensão e fortalecimento do Impé- rio Alemão, que desinteressava e prejudicava os objetivos do Império Britânico e do Império Francês. Nesse cenário, o nacionalismo ganhou força como ide- ologia que exaltava a nação, sua cultura e sua suposta su- perioridade. O imperialismo foi justificado por discursos nacionalistas que defendiam a “missão civilizadora” euro- peia, baseada em ideias racistas e no darwinismo social. A crença de que alguns povos eram mais “evoluídos” serviu para legitimar a dominação sobre africanos e asiáticos. Ao mesmo tempo, a expansão colonial alimentava o orgulho nacional das populações europeias, que viam no império um símbolo de grandeza e progresso. O imperialismo do final do século XIX não foi apenas um processo de dominação econômica e territorial, mas também um fenômeno profundamente ligado ao fortale- cimento do nacionalismo. A busca por colônias reforçou rivalidades entre as potências e contribuiu para a constru- ção de identidades nacionais baseadas na ideia de supe- rioridade e poder, preparando o terreno para os grandes conflitos do século XX. Texto de Eduardo de Rê. Adaptado. Disponível em: https://www.politize.com.br/imperialismo/. Acesso em: 12 fev. 2026. ATIVIDADES 15. A partir do texto, explique como o imperialismo pode influenciar os aspectos econômicos, sociais, políticos e culturais dos territórios dominados. 16. O texto afirma que o imperialismo pode ocorrer de forma direta, por meio da força militar e da ocupação ter- ritorial, ou de maneira indireta, através de mecanismos econômicos e culturais. Com base nessa ideia, discuta como formas indiretas de dominação podem ocorrer no mundo contemporâneo. 17. A Segunda Revolução Industrial é apontada no texto como um momento decisivo para a intensificação do im- Leia o texto. Texto III A Primeira Guerra Mundial A Primeira Guerra Mundial foi fruto de numerosas tensões europeiasherdadas do século XIX. Para com- preender o conflito, alguns pontos que foram anteced- entes cruciais precisam ser destacados. A Segunda Revolução Industrial, gerou uma corrida im- perialista, pois essa corrida conferiu uma nova importân- cia aos antigos territórios europeus na África e na Ásia, já ocupados séculos antes. A partir de então, ter colônias era essencial para alimentar a Segunda Revolução Industrial. Com as colônias se tornando mais essenciais aos eu- ropeus no fim século XIX, alguns países passaram a ques- tionar a forma que esses territórios foram divididos entre as potências. Aqui destaca-se a Alemanha, que havia se unificado tardiamente (1871) e ficado de fora da partilha das colônias. Como forma de “acalmar os ânimos”, a Con- ferência de Berlim foi essencial para essa divisão. A disputa entre os países não ficou apenas no setor econômico. Com o crescimento de um Estado gerava de- sconfiança em seus vizinhos, que temiam perder seus ter- ritórios para a expansão imperialista do outro, os países passaram a fortalecer seu estoque de armas. Foi a Se- gunda Revolução Industrial, com suas máquinas elétricas e motores a combustão, que permitiu o crescimento da produção bélica em uma escala inédita. Isso culminou em um fenômeno conhecido como “paz armada”, que durou de 1871 até o início da Primeira Guer- ra Mundial, em 1914. Ou seja, conforme a Alemanha cres- cia, por exemplo, a desconfiança por parte da Inglaterra aumentava. Buscando garantir sua segurança, os ingleses fortaleciam suas Forças Armadas para estarem prepara- dos caso os alemães agissem de forma prejudicial a seus interesses. Consequentemente, a Alemanha também se sentia ameaçada e acabava fortalecendo seu arsenal béli- co. A lógica da paz armada é bem representada pela frase “se queres a paz, prepare-se para a guerra”. Assim, com os Estados cada vez mais armados, as relações internacionais na Europa mantiveram-se consid- eravelmente estáveis. Contudo, mesmo sem esses países entrarem em guerra, diversos ressentimentos foram acu- mulados e, eventualmente, culminaram na Primeira Guer- ra Mundial. perialismo. De que maneira essas mudanças ajudaram as potências europeias a expandirem seus domínios sobre outros territórios no mundo? 18. O texto destaca alguns dos fatores que impulsionou o imperialismo. Quais eram eles? 19. O texto afirma que o nacionalismo e ideias como o darwinismo social foram usados para justificar o imperia- lismo. Explique como essas ideias ajudaram a legitimar a dominação europeia sobre povos da África e da Ásia. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 9 O fato de a Alemanha ir pouco a pouco colecionando inimigos, foi crucial apara a formação das alianças. Esse processo ficou conhecido como antigermanismo. Em outras palavras, muita gente não estava gostando da as- censão política e econômica que a Alemanha vinha con- quistando desde sua unificação em 1871. A França, que perdeu a Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e teve que entregar a região da Alsácia-Lore- na – rica em minério de ferro – aos alemães, cultivava um sentimento de revanche. Por sua vez, os russos não reagiram bem à tentativa alemã de construir uma estrada de ferro ligando Berlim a Bagdá, capital do Iraque. A insatisfação era justificada pelo fato de a estrada cortar regiões ricas em petróleo, sobre as quais a Rússia pretendia estender sua influência. Já os ingleses não estavam contentes com a concor- rência industrial alemã, que ameaçava o monopólio da Inglaterra em diversos mercados. Os Estados Unidos tam- bém compartilhavam dessa visão, pois viam a influência política e econômica da Alemanha se espalhar por impor- tantes países da América, como o Brasil. Outro ponto importante para a eclosão da Primei- ra Guerra Mundial, foram as tensões no Império Aus- tro-Húngaro. A Áustria-Hungria, fundada em 1867, era um império multinacional que sofria para manter-se uni- ficado. Por ser composto por muitas nações, o Império Austro-Húngaro lidava constantemente com movimen- tos separatistas. Mesmo já passando sufoco com nacio- nalismos exaltados, os austro-húngaros não deixavam de anexar novos territórios. Foi o caso da Bósnia, ocupada desde 1878 e definitiv- amente anexada ao Império em 1908. Essa anexação, no entanto, desagradou aos sérvios e russos, que também tinham interesses na região. Assim, a inimizade entre a Áustria-Hungria e a Sérvia aprofundou-se significativa- mente. A partir daí, diversas guerras internas esquen- taram os ânimos na região. Em meio a tantas tensões, as potências europeias firmaram alianças políticas e militares para garantir sua segurança mútua. Em 1882, a Itália, o Império Austro-Hún- garo e a Alemanha formaram a Tríplice Aliança. Posterior- mente, em 1907, foi a vez de França, Rússia e Reino Unido juntarem-se na Tríplice Entente. Ambas as coalizões se comprometiam a apoiar seus aliados em caso de ataque, tendo, assim, caráter de tratados de defesa. A essa altura, uma Guerra já era quase que inevitável. TRÍPLICE ALIANÇA X TRÍPLICE ENTENTE Alemanha Inglaterra Império Austro-Húngaro França Império Otomano Sérvia Itália (mudou de lado em 1915) Rússia (se retira da Guerra em 1917) EUA (entra na Guerra em 1917) Os bósnios não gostaram muito de serem anexados ao Império Austro-Húngaro e, buscando apaziguar a situ- ação, o herdeiro do trono austríaco – Francisco Ferdinan- do – e sua esposa fizeram uma visita à região. Nessa visita, em 28 de junho de 1914, houve um passeio em carro ab- erto que não acabou bem: Ferdinando e sua esposa, So- fia, foram assassinados. O culpado? Um estudante bósnio conectado a uma organização nacionalista sérvia chama- da de Mão negra. O que poderia ter sido apenas mais uma das muitas guerras europeias toma proporções gigantescas. A Rús- sia, que tinha tratados de amizade e defesa com a Sérvia e cultivava inimizades com o Império Austro-Húngaro, par- tiu em socorro de seu aliado. Assim, iniciou-se um efeito dominó que acionou as principais alianças militares do continente: Tríplice Entente e Tríplice Aliança. Dessa forma, o assassinato de Francisco Ferdinando é considerado a “gota d’água” que fez as inúmeras tensões acumuladas entre as potências europeias transbordarem na Primeira Guerra Mundial. Pouco mais de um mês depois do assassinato de Ferdinando, no dia 3 de agosto de 1914, França, Rússia, Áustria-Hungria e Alemanha já estavam em guerra. De- pois que a Alemanha marchou sobre a Bélgica – desre- speitando a neutralidade do país – o Reino Unido, que também estava neutro até então, entrou no conflito. A Turquia aliou-se à Tríplice Aliança e o Japão, interessado em domínios germânicos no Extremo Oriente, juntou-se à Entente. Quando a guerra começou, nenhuma das potências envolvidas imaginava que ela se prolongaria por tanto tempo. A chamada "paz armada" sugeria que um conflito não era esperado, mas a realidade foi diferente. Todas as potências estavam bem equipadas militarmente, o que contribuiu para que a guerra durasse muito mais do que o previsto. A Primeira Guerra Mundial, então, desenrolou-se em dois grandes momentos: a guerra de movimento e a guer- ra de trincheiras. Na guerra de movimento, os países mobilizavam seus exércitos em direção às fronteiras. Esse momento da Pri- meira Guerra Mundial durou até a Batalha de Marne, em setembro de 1914, confronto no qual tropas alemãs, que buscavam continuar avançando sobre a França, foram in- terrompidas pelos franceses. Quatro dias depois do início da batalha, ajuda britânica chegou, reforçando a resistên- cia ao avanço alemão. Acuada, as tropas da Alemanha buscaram saída em direção ao Oceano Atlântico, próxi- mo ao Reino Unido, mas foram novamente impedidos de avançar, dessa vez pela Bélgica. Essa e outras batalhas da guerra de movimento também foram caracterizadas pe- los altos custos materiais e muitas mortes. Como a ten- tativa de avanço das tropasera – além de cara – inútil, os países mudaram a estratégia. Como havia um equilíbrio de força entre as Tríplices Entente e Aliança no início da Primeira Guerra Mundial, os exércitos cavaram trincheiras de forma a manter terreno e aguardar a chance de atacar para conseguir avançar. O espaço entre as duas trincheiras inimigas era conhecido como “terra de ninguém” e qualquer um que pisasse ali Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 10 Disponível em: https://abre.ai/o9EV. Acesso em: 31 mar. 2025. A entrada dos Estados Unidos na Guerra. Como a Primeira Guerra Mundial durou muito mais tempo do que o esperado pelos países envolvidos, diver- sos Estados abandonaram o conflito. Alguns não tinham mais condições sociais e econômicas de permanecerem na guerra devido aos altos custos e inúmeras perdas. Outra alteração nas alianças deveu-se ao fato de a Itália mudar de lado em 1915 e passar a combater a Ale- manha. A Rússia, importante membro da Tríplice Entente, após ser derrotada pelos alemães no front oriental, assi- nou um tratado de paz com a Alemanha em março de 1918 e se retirou do conflito, devido às pressões da Revolução Russa. Com os russos fora da Primeira Guerra Mundial e o risco de a Alemanha conseguir avançar para o Ocidente, já que não precisava mais dividir seu exército para travar batalhas no Oriente, os Estados Unidos ficaram preocupa- dos. Não era do interesse dos norte-americanos que a Ale- manha saísse vitoriosa do conflito, já que os países eram ferrenhos concorrentes comerciais. Além disso, os Esta- dos Unidos forneciam armas aos países da Entente em um sistema de crédito, que permitia aos países compradores pagar suas dívidas após a guerra. Caso esses Estados fos- sem derrotados, os norte-americanos teriam prejuízo. Juntando a este contexto, alguns navios estaduniden- ses foram atacados pelos alemães, o que fez com que os norte-americanos finalmente entrassem na guerra pela Tríplice Entente. Fim da Primeira Guerra Mundial. Em julho de 1918, tropas britânicas, francesas e nor- te-americanas mobilizaram-se para o que seria o ataque definitivo, conhecido como Ofensiva dos Cem Dias. Com uma série de ataques rápidos e eficientes, os Aliados leva- ram Bulgária, Turquia e Áustria-Hungria à rendição. Mes- mo assim, os alemães não se rendiam. A fome e as condições sociais precárias na Alemanha levaram o país à beira de uma revolução. Os soldados ale- mães também ameaçavam realizar motins contra a recusa dos seus líderes de assinar a rendição, mesmo após as se- guidas derrotas e inúmeras mortes. O kaiser (imperador) alemão se viu forçado a renunciar e um governo provisó- rio foi responsável por se render. No dia 11 de novembro de 1918 acabava a Primeira Guerra Mundial. Em janeiro de 1919, os países envolvidos na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) reuniram-se na Conferência de Paris para assinar os tratados de paz. As decisões do pós-guerra foram tomadas pelos países vencedores. O Tratado de Versalhes responsabilizou a Alema- nha pela Primeira Guerra Mundial e estabeleceu uma série de punições ao Estado. Além de ter que pagar indeni- zações aos vencedores, os países da Tríplice Entente – que foram quitadas apenas em 2010 –, a Alemanha foi proibida de ter um exército grande e ainda perdeu colônias e terri- tórios – como a Alsácia-Lorena, cedida à França. Outra consequência importante ao fim da Segunda Guerra Mundial, foi a ascensão do Estados Unidos en- quanto maior potência mundial. Além de não terem sofri- do muitas perdas por terem entrado na Primeira Guerra Mundial apenas no fim do conflito, os Estados Unidos se beneficiaram de três anos iniciais da guerra, onde es- tabeleceram comércio com os Aliados. Como não tiveram seu território invadido, os norte-americanos não precisa- ram arcar com despesas de reconstrução e puderam se tornar credores da Europa. Isto é, os Estados Unidos em- prestavam dinheiro para a reconstrução do Velho Mundo, que fora devastado pela guerra. Com a economia a todo vapor e sem a concorrência dos países europeus, o grande vencedor desse conflito foi os Estados Unidos, que a partir de então se tornariam uma potência econômica e política global. Texto de Pâmela Morais. Adaptado. Disponível em: https://abre.ai/oXyJ. Acesso em: 11 mar. 2025. tornava-se alvo de disparos de todos os lados. Essas valas tinham cerca de dois metros de profun- didade e tornaram-se complexos onde soldados podiam descansar e feridos podiam receber atendimento médico. Em locais chuvosos, como nos terrenos da França e da Bél- gica, a água acumulada nas trincheiras facilitava a trans- missão de doenças. Além de ter que lidar com as más condições físicas dessas valas, os soldados também se viam em meio a uma guerra psicológica. Isso porque o combate não era constante. Na verdade, a maior parte da ação consistia em vigiar os movimentos inimigos. Esse estágio da Primeira Guerra Mundial durou até 1918. Estima-se que 400 km de trincheiras tenham sido cavados na frente de batalha ocidental. Esse front, que se estendia desde o Canal da Mancha (Bélgica) até a fronteira da Suíça tinha, ao todo, cerca de 645 km de extensão. ATIVIDADES 20. (ENEM 2009 – Adaptada) A primeira metade do sé- culo XX foi marcada por conflitos e processos que a ins- creveram como um dos mais violentos períodos da histó- ria humana. Entre os principais fatores que estiveram na origem dos conflitos ocorridos durante a primeira metade do século XX estão Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 11 Após a Primeira Guerra Mundial, o território eu- ropeu passou por uma grande redefinição. Isso pode ser caracterizado como resultado dos tratados de paz impostos às potências derrotadas, principalmente o Tratado de Versalhes. A Alemanha perdeu territórios para a França (Alsá- cia-Lorena), Polônia (corredor polonês) e Dinamarca. O Império Austro-Húngaro foi dissolvido, resultando na criação da Áustria, Hungria, Tchecoslováquia e Iu- goslávia. O Império Otomano foi desmembrado, com parte de seus territórios sob controle britânico e fran- cês no Oriente Médio. Já a Rússia, após a Revolução de 1917, perdeu territórios que deram origem à Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia. Essa nova configuração do mapa europeu busca- va enfraquecer os antigos impérios para evitar novos conflitos. Fonte: Equipe NUREDI Europa antes da Primeira Guerra Mundial (1914). Europa depois da Primeira Guerra Mundial (1919). Disponível em https://abre.ai/oXUn. Acesso em 12 mar. 2026. 24. Quais foram as principais mudanças territoriais na Eu- ropa após a Primeira Guerra Mundial, e como o Tratado de Versalhes influenciou essa redefinição? 25. De que maneira a fragmentação de impérios, como o Austro-Húngaro e o Otomano, contribuiu para a forma- ção de novos países e para a instabilidade política na Eu- ropa após a Primeira Guerra Mundial? 26. (FGV 2012 – Adaptado) A I Guerra Mundial provocou mudanças importantes no mapa político da Europa. Entre essas, é correto apontar a (A) devolução da Alsácia-Lorena, então com a Alemanha, para a França e a concessão de uma saída para o mar para a Polônia, criando o chamado Corredor Polonês. (B) perda, pela Itália, da região de Trieste para a Iugoslávia, e a cessão pela França, da região basca peara a Espanha. (C) anexação do norte da Bélgica pela França e o reconhe- cimento da independência da Grécia. (D) incorporação de Montenegro ao território grego e a fragmentação do Reino Unido, com a independência do País de Gales. (A) a crise do colonialismo, a ascensão do nacionalismo e do totalitarismo. (B) o enfraquecimento do império britânico, a Grande De- pressão e a corrida nuclear. (C) o declínio britânico, o fracasso da Liga das nações e a Revolução cubana. (D) a corrida armamentista, o terceiro-mundismo e o ex- pansionismo soviético. 21. Oque foi a "paz armada" e como esse fenômeno con- tribuiu para o aumento das tensões que levaram à eclosão da Primeira Guerra Mundial? 22. O que foi o antigermanismo e de que forma ele foi res- ponsável pela formação das alianças? 23. Qual foi o principal fator que levou à entrada dos Esta- dos Unidos na Primeira Guerra Mundial? Uma das consequências diretas da Primeira Guer- ra Mundial foi na conquista de direitos pelas mulheres, especialmente no que diz respeito à inserção no mer- cado de trabalho e ao direito ao voto. Durante a guer- ra, milhões de homens foram enviados para o conflito, o que gerou uma grande necessidade de mão de obra feminina para ocupar postos em fábricas, hospitais, entre outros. Com isso, as mulheres começaram a de- sempenhar funções antes restritas aos homens. Essa participação ativa na economia e na socieda- de contribuiu para fortalecer as reivindicações femini- nas por igualdade de direitos. Após a guerra, diversos países concederam o direito ao voto às mulheres. O Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 12 Disponível em: https://abre.ai/oXUD. Acesso em 12 mar. 2026. Disponível em: https://abre.ai/oXUQ. Acesso em: 12 mar. 2026. SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO COM O PERÍODO ESTUDADO E PARA CONTRIBUIR COM O TEMA: 1. NADA DE NOVO NO FRONT SINOPSE: Classificação: Não recomenda- do para menores de 15 anos. A história segue o ado- lescente Paul Baumer e seus amigos Albert e Muller, que se alistam voluntariamente no exército alemão, movidos por uma onda de fervor patriótico. Mas isso é rapidamente dissi- 2. AS SUFRAGISTAS SINOPSE: Classificação: Não recomenda- do para menores de 14 anos. No início do século XX, após décadas de manifestações pa- cíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo mili- tante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vi- draças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Elas enfrentam grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios. 3. SARAJEVO SINOPSE: Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos. O filme retrata os eventos que levaram ao assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinan- do em 28 de junho de 1914, even- to que desencadeou a Primeira Guerra Mundial. A trama acom- panha Leo Pfeffer, um magistra- do encarregado de investigar o atentado. Conforme Pfeffer aprofunda suas investigações, ele se depara com inconsistências e pressões políticas, questionando a versão oficial dos acontecimentos e revelando uma complexa rede de intrigas e interesses geopolíticos. Reino Unido aprovou, em 1918, uma lei que permitia o voto feminino para mulheres acima de 30 anos, e,, em 1928, estendeu-o a todas as mulheres adultas. Nos Estados Unidos, o sufrágio feminino foi garantido em 1920 com a 19ª Emenda à Constituição. A Primeira Guerra Mundial acelerou a luta pelos direitos das mulheres, expandindo sua participação na sociedade. Esse movimento abriu caminhos para futu- ras conquistas em termos de igualdade de gênero. Fonte: Equipe NUREDI. pado quando enfrentam a realidade brutal da vida no front. Os preconceitos de Paul sobre o inimigo e os acertos e erros do conflito logo os desequilibram. No entanto, em meio à contagem regressiva, Paul deve continuar lutando até o fim, com nenhum objetivo além de satisfazer o desejo do alto escalão de acabar com a guerra com uma ofensiva alemã. Leia o texto. Texto IV Revolução Russa A Revolução Russa foi o processo revolucionário por meio do qual a Rússia deixou de ser uma monarquia abso- lutista, governada pelos czares Romanov, e se tornou uma república socialista: a União Soviética. Após movimentos operários revolucionários ocorridos no contexto da de- sastrosa participação russa na Primeira Guerra Mundial, o governo czarista foi deposto e, em seu lugar, foi construída a União Soviética. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 13 Nicolau II o último czar da Rússia e sua família. Disponível em: https://abre.ai/oXZD. Acesso em: 12 mar. 2026. Mencheviques e bolcheviques Diante do rápido desenvolvimento industrial, as ques- tões sociais já vividas em outros países europeus também ocorreram em solo russo. Nesse contexto, organizou-se o Partido Operário Social-Democrata Russo (1898), reunin- do grupos socialistas críticos às condições impostas pela industrialização. Dentro da teoria marxista, existem etapas revolucio- nárias a serem cumpridas na construção do comunismo e a necessidade de definir em qual etapa a Rússia se en- contrava, o que implicaria a organização de uma ou outra revolução. Essa análise dividiu o partido em dois grupos: • Mencheviques: grupo liderado por Julius Martov, entendia que o socialismo deveria ser construído com base no controle das instituições por meio da política e do desenvolvimento econômico. • Bolcheviques: por outro lado, liderados por Vladmir Lênin, defendiam uma revolução socialista imedia- ta, fruto da aliança de operários e camponeses. O líder bolchevique socialista, Vladimir Lênin. Causas da Revolução Russa A Revolução Russa teve como causas: • A crise da monarquia absolutista czarista; • A rápida industrialização, que aprofundou as desi- gualdades políticas e sociais; • A organização de um movimento socialista revolu- cionário. O início do século XX foi marcado por eventos que contestavam a ordem czarista, todos violentamente re- primidos. Foi o caso do Domingo Sangrento e da Revolta do Encouraçado Potekim, ambos em 1905: no primeiro, uma manifestação pacífica de operários, reivindicando participação política e melhores condições de vida, foi duramente reprimida; o segundo, motivado pela prática de castigos físicos e más condições de alimentação, gerou uma violenta repressão. Diante desse cenário, o governo do czar Nicolau II Ro- manov, decidiu criar estruturas representativas em seu go- verno. Foi organizada a Duma, uma Assembleia Legislativa formada por mencheviques, que deliberaria sobre direitos e liberdades civis quando convocada. Paralelamente, or- ganizaram-se os sovietes, conselhos operários formados por trabalhadores e, em grande parte, de orientação bol- chevique, críticos ao governo e às ações da Duma. Todo esse cenário tenso piorou com o início da Pri- meira Guerra Mundial (1914-1918): a participação russa desde o início do conflito foi desastrosa, agravando ainda mais as crises internas. Fases da Revolução Russa • Revolução de Fevereiro de 1917 Em 1917, após diversas tensões políticas que se avolu- mavam desde 1905, catalisadas pelo desempenho desas- troso do país na guerra, a Rússia estava em uma situação política grave. Como grande parte da população masculina servia ao exército na guerra, foi uma greve deflagrada por mulheres trabalhadoras das indústrias de Petrogrado (então capi- tal) que iniciou a revolução. Motivadas pela fome e pelos baixos salários, as mulheres trabalhadoras tomaram as ruas e foram violentamente reprimidas. Esse episódio ge- rou reações de outros setores, que também se revoltaram contra o governo. Antecedentes históricos da Revolução Russa A Revolução Russa foi a culminação de um processo histórico bastante longo, com raízes no século XIX. Para compreender seus antecedentes, é necessário ter em mente que a situação da Rússia, ao final do século XIX e in- ício do XX, era bastante diferente do restante da Europa: o país não tinha passado pelos processos de revoluções liberais, que desmontaram as monarquias absolutistas, criando governos representativos, nem pela Revolução Industrial, que transformou a estrutura servil camponesa e criou o operariado urbano. O panorama russo era bastante diferente daquele en- contrado em outros países europeus na mesma época: seu governoera uma monarquia absolutista, liderada pela família Romanov, em um modelo chamado czarismo. A pop- ulação era majoritariamente agrária e vivia no campo. A partir da década de 1860, teve início a Revolução In- dustrial no país, por iniciativa do próprio czar, o que levaria ao rápido desenvolvimento de centros urbanos, como São Petersburgo (com indústrias siderúrgicas) e Moscou (com indústrias têxteis). Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 14 Rapidamente, a inconformidade se generalizou, ga- nhando, inclusive, o apoio político da Duma, represen- tada pelo jovem líder socialista e deputado Alexander Kerenski, e do Soviete de Petrogrado. Diante de tamanha comoção popular, o czar, temendo pela vida de sua família, renunciou, colocando fim na monarquia e iniciando a re- pública na Rússia. • Revolução de Outubro de 1917 O novo governo republicano não conseguiu sanar os anseios populares e os problemas políticos em tempo sa- tisfatório. Em abril de 1917, o líder bolchevique Lênin, an- teriormente preso e exilado na Suíça, retornou propondo, em um documento chamado Teses de Abril, que os sovie- tes assumissem imediatamente o poder em uma revolu- ção socialista. Com o apoio bolchevique, Lênin protagonizou um golpe de Estado em outubro de 1917, que destituiu o go- verno republicano. Imediatamente, negociou a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial, nacionalizou terras e fábricas (uma pauta socialista) e iniciou reformas estrutu- rais na economia e política russas. Guerra Civil na Rússia (1918-1921) Os mencheviques não ficaram satisfeitos em perder o comando da Rússia. Assim, apoiados pelo Reino Unido, França, Japão e Estados Unidos – países que tinham inves- tido capital na Rússia e/ou temiam que uma onda socialista se espalhasse em direção ao Ocidente –, os mencheviques reagiram. O Exército Branco (mencheviques) então en- trou em confronto direto com o Exército Vermelho (bol- chevique – antiga Guarda Vermelha) e, em 1918, o país mergulhou em uma guerra civil. Como não recebiam financiamento externo, os bol- cheviques implantaram uma política econômica chamada de “comunismo de guerra” para conseguirem combater o Exército Branco. Assim, o governo confiscou toda a pro- dução russa para destiná-la à guerra e perseguiu a oposi- ção, considerada “antirrevolucionária”. Em 1921 o Exército Vermelho derrotou seus inimigos e “salvou” a Revolução Russa, mas teve que pagar um alto preço: a paralisação quase completa da economia por con- ta do comunismo de guerra. Para voltar a desenvolver a economia russa, Lenin criou a Nova Política Econômica (NEP). Uma política que se caracterizou pela nacionalização da economia e pela luta contra a desigualdade social, a miséria e a fome. Tam- bém dentro dessas medidas, estava a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Mesmo conferindo algumas liberdades econômicas ao povo, o Estado mantinha-se extremamente presente. A NEP deu resultados, alimentando o crescimento industrial e agrícola na Rússia, mas também aprofundou a desigual- dade social. Consequências da Revolução Russa Após a Revolução de Outubro, construiu-se o gover- no socialista russo, que resultaria na formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1922. O governo de Lênin foi responsável por implementar as pri- meiras medidas socialistas e, mesmo após sua morte, seus sucessores mantiveram o alinhamento ideológico do país. Após a morte de Lênin, em 1924, chegou ao poder Jo- seph Stalin, que governaria a União Soviética durante todo período entre guerras (1918 – 1939), a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) e até sua morte, em 1953, no início da Guerra Fria. Texto de Tiago Soares Campos. Adaptado. Disponível em: https://abre.ai/oX8b. Acesso em:12 mar. 2026. ATIVIDADES 27. Qual era o papel do czar no sistema político russo antes da Revolução e como era estabelecida as relações com as classes sociais? 28. Como a modernização tardia da Rússia, no final do sé- culo XIX, afetou a população camponesa e operária? 29. A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial agravou as condições internas que levaram à Revolução de 1917. De que forma a guerra e a defesa dos aliados sér- vios influenciaram a crise socioeconômica do país e a in- satisfação popular? 30. No decorrer do processo de deposição de poder do czar, surgiram dois grupos com propostas diferentes a tomada de poder. Quais eram eles e qual era a diferença entre eles? 31. Como a intervenção internacional, apoiada por paí- ses como Reino Unido, França, Japão e Estados Unidos, influenciou a Guerra Civil Russa, e quais medidas os bol- cheviques adotaram para enfrentar o Exército Branco? 32. Explique o que foi a NEP e quais foram os resultados dessa política? A criação da União das Repúblicas Socialistas So- viéticas (URSS), em 1922, consolidou o poder dos bol- cheviques após a Revolução Russa de 1917. A URSS surgiu como uma federação repúblicas soviéticas, unindo sobre o mesmo regime, diversas regiões que antes eram parte do Império Russo. A nova estrutura visava centralizar o controle político e econômico, promovendo a ideologia mar- xista-leninista e buscando eliminar as disparidades sociais por meio da coletivização e da propriedade estatal dos meios de produção. Após a morte de Lenin, em 1924, uma luta pelo poder se desenrolou entre os líderes bolcheviques, Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 15 33. Explique as consequências da criação da União Sovi- ética e do governo Stalin para a sociedade soviética e o cenário geopolítico global. SUGESTÕES DE FILMES PARA CONTEXTUALIZAÇÃO COM O PERÍODO ESTUDADO E PARA CONTRIBUIR COM O TEMA: 1. O CÍRCULO DO PODER SINOPSE: Classificação: Não recomenda- do para menores de 14 anos. Ivan Sanchin, um humilde projecionista do clube da KGB, é requisitado para projetar fil- mes para Stalin, ocupando fun- ção no período entre 1939 e a morte do ditador, em 1953. Fre- quentando o círculo do poder, resultando na ascensão de Joseph Stalin. Sobre a li- derança de Stalin, a União Soviética passou por uma rápida industrialização e coletivização de terras, principalmente durante os Planos Quinquenais, que tinha como propósito transformar a URSS de uma economia agrária em uma potência industrial. Esses planos resultaram em um crescimento econômico significativo, mas também em uma imensa perda de vidas e sofrimento humano, especialmente entre os camponeses, que resistiram à coletivização e foram duramente reprimidos. A era stalinista é marcada pela criação de um Esta- do totalitário, onde a propaganda e a repressão eram ferramentas essenciais para manter o controle. Stalin utilizou a ideologia comunista para justificar sua dita- dura, promovendo a noção de que a construção do so- cialismo exigia um poder central forte e incontestável. Apesar das graves violações dos direitos humanos e do autoritarismo, a União Soviética, sob Stalin, emer- giu como uma superpotência após a Segunda Guerra Mundial, estabelecendo uma esfera de influência na Europa Oriental e competindo com os Estados Unidos durante a Guerra Fria. A URSS também fez avanços significativos na ciência, tecnologia e exploração es- pacial, mas o custo humano e a estagnação econômica que se seguiram às políticas de Stalin deixaram um le- gado complexo e muitas vezes sombrio. A morte de Stalin, em 1953, marcou o início de uma nova fase na história soviética, com a desestalinização e a tentativa de reformas internas, embora muitas de suas políticas tenham continuado a refletir até a disso- lução da URSS, em 1991. Fonte: Equipe NUREDI. ele se torna ao mesmo tempo um privilegiado e uma marionete nas mãos de assessores do líder, arriscan- do o futuro seu e de sua esposa. Baseado em história verídica. 2. ADEUS LENIN! SINOPSE: Em 1989, pouco antes da queda do Muro de Berlim, a Sra. Kerner passa mal,entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em mea- dos de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexan- der (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saú- de, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquan- to a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão, ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos. Leia o texto. Texto VII Crise de 1929: Como surgiu a Grande Depressão? Um dos principais marcos da história contemporânea foi a crise de 1929. Esse evento é considerando um dos mais devastadores em termos de impacto econômico e social. A crise se desdobrou rapidamente, afetando pra- ticamente todos os países industrializados e provocando um declínio acentuado na produção industrial. Vamos entender um pouco os processos que levaram o mundo a essa crise. Antecedentes Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), enquanto os principais países da Europa estavam com- pletamente envolvidos no processo da guerra, com suas indústrias e produções afetadas, os Estados Unidos pas- sam a suprir a demanda da Europa de produtos como aço, comida, máquinas, carvão entre outros itens básicos para a manutenção da guerra. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 16 Desde a Guerra de Secessão, os Estados Unidos pro- duziam armas e munições em larga escala. Por estarem do outro lado do Oceano Atlânticco, beneficiavam-se geogra- ficamente, produzindo para suprir a demanda da Guerra, praticamente sem sofrer ataques em seu território. Após o conflito, os Estados Unidos emergiram como uma das principais potências mundiais, tanto em termos econômicos quanto políticos. A guerra destruiu a capa- cidade industrial de muitos países europeus, e os EUA se beneficiaram ao se tornarem os principais fornecedores de bens e alimentos para a Europa devastada. Isso resultou em um crescimento econômico conside- rável, principalmente no início dos anos 1920, conhecido como os “Roaring Twenties” (anos vibrantes), caracteriza- do por uma prosperidade econômica que elevou o padrão de vida de muitos americanos e consolidou a posição dos EUA como líder econômico mundial. Além disso, após a Primeira Guerra, o presidente Woodrow Wilson teve um papel central na Conferência de Paz de Paris, apresentando seus "Quatorze Pontos" como uma visão para a nova ordem mundial, embora nem todos os pontos tenham sido implementados. Os Estados Unidos também se beneficiaram ao estabelecer institui- ções financeiras como o Banco de Reconstrução e De- senvolvimento Internacional, que ajudaram a estabilizar a economia europeia e a reforçar a influência americana no cenário internacional. Grandes empresas passaram a investir em títulos na bolsa, e a economia demonstrava um mar infinito de pos- sibilidades, acompanhado de um consumo exagerado de produtos. É nesse contexto que surge o modo americano de vida americano, “American Way of Life”, caracterizado por um conjunto de valores, como a liberdade individual, o consumismo, a prosperidade econômica, a mobilidade so- cial e a crença no trabalho árduo como caminho para o su- cesso pessoal. A produção em massa de bens de consumo, como automóveis e eletrodomésticos, tornou esses produ- tos acessíveis a uma parcela significativa da população. O rádio e o cinema também se popularizaram, ajudando a es- palhar a cultura americana e esse modo de vida não apenas dentro dos EUA, mas também em outras partes do mundo. Todos viviam o apogeu do capitalismo. No entanto, esse crescimento levou à crise de 1929, uma crise sistêmica em que o modelo capitalista, até então vitorioso, entrou em de- composição. A economia, que em grande parte girava em torno da especulação na bolsa, encontrou seu limite com a “Quebra da Bolsa de Nova York”, em outubro de 1929. Quebra da Bolsa de valores de Nova York Os principais fatores que levaram ao caos america- no foram os resultados da própria euforia econômica. O aumento no consumo fez com que indústrias também aumentassem suas produções, mas em determinado mo- mento, já não havia mais mercado consumidor para uma produção tão extensa. A produção industrial entrou em declínio, o desemprego começou a subir e o setor agrícola enfrentou dificuldades. O crash da Bolsa iniciou-se em outubro de 1929, com uma queda abrupta e acentuada dos preços das ações. O pânico se instalou entre os investidores, levando a uma venda em massa de títulos e a uma perda significativa de valor no mercado de ações. Logo, as consequências devas- tadoras começaram a aparecer. Bancos e empresas faliram, o desemprego disparou e a confiança no mercado financeiro foi abalada. A crise se espalhou pelo mundo, afetando países que dependiam do comércio e do investimento americano. A produção indus- trial nos EUA caiu cerca de 50% e o desemprego atingiu aproximadamente 27% da força de trabalho, entre 1929 e 1933, período mais crítico da crise. A resposta governamental à crise veio com o New Deal, um conjunto de programas e reformas inventa- das pelo presidente Franklin D. Roosevelt, que visavam recuperar a economia e reformar o sistema financeiro. Medidas como a criação de empregos públicos, a regu- lamentação do mercado de ações e a introdução de um sistema de previdência social foram fundamentais para a recuperação gradual da economia dos EUA. A crise de 1929 transformou a economia global e levou a mudanças significativas na forma como os governos e as economias são geridos, destacando a necessidade de re- gulação dos mercados financeiros e de redes de seguran- ça social para proteger os cidadãos durante períodos de crise econômica. Texto de Lucas Xavier. Adaptado. Fonte: https://abre.ai/mwlH. Aceso em: 12 mar. 2026. ATIVIDADES 34. Explique os principais fatores que permitiram aos Es- tados Unidos emergirem como uma potência econômica após a Primeira Guerra Mundial? 35. Explique a relação entre a especulação da bolsa de valores e a “Quebra da Bolsa de Nova York”, ocorrida em outubro de 1929. 36. Quais foram as consequências globais imediatas da crise de 1929 e como ela afetou a produção industrial e o comércio internacional? 37. Explique quais foram as principais medidas do New Deal, implementadas para combater os efeitos da crise de 1929, e como essas medidas influenciaram as gestões econômicas futuras. Revisa Goiás Secretaria de Estado da Educação SEDUC 9º Ano - 2º Bimestre/2026 - Ciências Humanas 17 O “American Way of Life” ou “Modo Americano de Vida” é uma expressão que associa um conjunto de valores e um modo de vida idealizado aos Estados Unidos, especialmente durante o período pós-Pri- meira Guerra Mundial. Esse conceito foi amplamen- te promovido e se tornou um símbolo de aspiração global, representando a prosperidade econômica, a liberdade individual, o consumismo e a crença no tra- balho árduo como caminho para o sucesso pessoal. O “American Way of Life”, valorizava a competição e o sucesso material. O surgimento de ícones, como o cinema de Hollywood, e imagens de uma vida ame- ricana glamorosa e próspera passaram a se espalhar por todo o mundo. O rádio também teve um papel importantíssimo na difusão dessa cultura. Contudo, esse estilo de vida também tinha um lado sombrio. A prosperidade era desigual, com disparidade de renda entre as classes sociais, e o entusiasmo consumista massacrava uma economia à beira do colapso. Após a Grande Depressão, o conceito passou por uma reavaliação, mas continuou a influenciar a cultura americana e, por extensão, a mundial. No pós-Segun- da Guerra Mundial, o “American Way of Life” ressurgiu com força, simbolizando a hegemonia econômica dos Estados Unidos e a disseminação de seus valores por meio do poderio econômico e cultural, especialmente na forma de produtos