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Regulação Gênica em Eucariotos Prof. Dr. Emerson Fioretto O Fluxo Não Linear da Informação "Se todas as células de um cão têm o mesmo DNA, por que uma célula da retina não produz colágeno como um fibroblasto?" O Fluxo Não Linear da Informação "Se todas as células de um cão têm o mesmo DNA, por que uma célula da retina não produz colágeno como um fibroblasto?" Pré -transcricional Acesso ao DNA via arquitetura da cromatina Transcricional Fatores de transcrição ativam ou silenciam genes Pós -transcricional Edição e processamento do mRNA Epigenético Além da sequência — memória celular herdável A regulação gênica é um sistema redundante e coordenado — não um simples liga/desliga. Cada nível acrescenta uma camada de precisão e especificidade à expressão dos genes. Nível 1: Acesso ao DNA Controle Pré -Transcricional —Arquitetura da Cromatina Caso Clínico Na Dermatite Atópica Canina, a memória inflamatória em linfócitos T facilitam respostas exageradas e recidivas crônicas . Porque ? Pense... O gene precisa estar acessível para ser transcrito durante a inflamação? Conecte... O que significa "memória imunológica" em termos de estado da cromatina? Aplique... Como isso explica por que a atopia nunca some de vez no cão sensibilizado? Caso Clínico Na Dermatite Atópica Canina, a memória inflamatória em linfócitos T mantém os genes de IL -4 e IL -13 em estado de eucromatina facilitam respostas exageradas e recidivas crônicas . Heterocromatina Compacta Silenciada Inacessível à RNA polimerase Eucromatina Relaxada Ativa Permite transcrição Caso Clínico Dermatite Atópica "Disponível": Eucromatina (cromatina relaxada/descondensada). DNA está acessível para que os Fatores Gerais de Transcrição e a RNA Polimerase II se liguem às regiões promotoras (como a TATA Box). Pense... Conecte... Aplique... "Trancado": Heterocromatina (cromatina altamente compactada). Regiões promotoras estão fisicamente escondidos devido ao empacotamento denso dos nucleossomos, impedindo o início da transcrição. "Chave": Mecanismos de remodelação da cromatina. Código de Histonas (acetilação via HATs, que reduz a carga positiva das histonas e afasta o DNA) e nos níveis de metilação do DNA (dinucleotídeos CpG). Nível 2: O Interruptor Biológico Controle Transcricional —Fatores de Transcrição Caso clínico Cushing “Por que o excesso de cortisol no Cushing causa atrofia muscular e pele de papel ao mesmo tempo?” Dica 1 Fator de transcrição (FR) x genes alvo Dica 2 DBD > reconhecimento de regi ão promotora Caso clínico Cushing “Por que o excesso de cortisol no Cushing causa atrofia muscular e pele de papel ao mesmo tempo?” Dica 1 Um único fator de transcrição (FT) pode regular múltiplos genes alvo ao mesmo tempo. Dica 2 O DBD reconhece o GRE tanto no promotor de genes anabólicos quanto em genes de colágeno — ativando uns e suprimindo outros. Controle Transcricional —Fatores de Transcrição 1 DBD —Domínio de Ligação ao DNA Reconhece sequências promotoras específicas (ex.: GRE) Domínio de Ligação ao DNA (DBD - DNA Binding Domain): Região da proteína que reconhece sequências específicas de nucleotídeos no promotor do gene- alvo (os elementos de resposta ao hormônio). (Representado pelo pino que se encaixa diretamente no DNA.) Domínio de Ligação ao Ligante (LBD - Ligand Binding Domain): É o sítio alvo onde hormônios (como o cortisol) ou fármacos se ligam para alterar a conformação tridimensional do receptor e ativá-lo. (Representado pelo pino que recebe o sinal químico externo.) 2 DBL —Domínio de Ligação ao Ligante Controle Transcricional —Fatores de Transcrição 3 DAD/DRD —Ativação ou Repressão Recruta coativadores ou correpressores da maquinaria basal 4 Domínio de Ligante Reconhece o sinal molecular (ex.: cortisol) e ativa o FT Domínio de Ativação/Repressão Transcricional (TAD/RD): Porção responsável por recrutar fisicamente as enzimas remodeladoras de cromatina, coativadores ou a própria RNA Polimerase II para iniciar ou bloquear a síntese do mRNA. (Representado pelo pino que interage com a maquinaria transcricional.) Reconhecimento do sinal molecular pelos mecanismos anteriores que leva a ativação dos fatores de transcrição que desencadeiam o processo de transcrição em si. Caso clínico Cushing "Por que o excesso de cortisol no Cushing causa atrofia muscular e pele de papel ao mesmo tempo?” 1 DBD —Domínio de Ligação ao DNA 2 DBD —Domínio de Ligação ao Ligante 3 DAD/DRD —Ativação ou Repressão 4 Domínio de Ligante Cushing (Hiperadrenocorticismo): Cortisol em excesso → GR cronicamente ativo → DBD liga ao GRE → ativa gliconeogênese → atrofia muscular e suprime colágeno → pele de papel. Nível 3: Edição do Mensageiro Controle Pós -Transcricional — Splicing Alternativo Caso Clínico Cardiomiopatia Dilatada (DMD) "O gene TNNT2 está mutado na sequência de bases no Doberman com CMD, ou o erro ocorre no processamento do mRNA ? Qual a consequência para o miocárdio?" Pense... Conecte... Aplique... Sequência do DNA Processamento do mRNA Consequência Funcional Caso Clínico Cardiomiopatia Dilatada (DMD) "O gene TNNT2 está mutado na sequência de bases no Doberman com CMD, ou o erro ocorre no processamento do mRNA ? Qual a consequência para o miocárdio?" Pense... Conecte... Aplique... Sequência do DNA Processamento do mRNA Consequência Funcional Intacta — o gene em si não está quebrado Caso Clínico Cardiomiopatia Dilatada (DMD) "O gene TNNT2 está mutado na sequência de bases no Doberman com CMD, ou o erro ocorre no processamento do mRNA ? Qual a consequência para o miocárdio?" Pense... Conecte... Aplique... Sequência do DNA Processamento do mRNA Consequência Funcional Intacta — o gene em si não está quebrado Splicing aberrante → isoforma fetal retida no adulto Proteína TNNT2 fetal → menor sensibilidade ao Ca²⁺ → falha contrátil → CMD Controle Pós -Transcricional —Splicing Alternativo Isoforma Adulta Exclui éxon 5 > maior eficiência contrátilIsoforma Fetal Inclui éxon 5 > menor sensibilidade ao Ca2+ Pré -mRNA TNNT2 E1 – E8 com éxon 5 alternativo Princípio Geral Combinações diferentes de éxons geram múltiplas isoformas proteicas a partir de um único gene — amplificando enormemente o proteoma sem aumentar o genoma . Caso Clínico —CMD em Dobermans: Persistência de isoformas fetais de Troponina T (TNNT2) no miocárdio adulto compromete gravemente a contratilidade. O problema não está na sequência do gene, mas no processamento do mRNA . Nível 4: Além da Sequência Epigenética —Metilação do DNA e Código de Histonas "Se um gene supressor de tumor está hipermetilado, a célula consegue impedir o ciclo celular descontrolado? O gene está quebrado ou apenas 'lacrado'?" Dica Identificar e distinguir processos "Se um gene supressor de tumor está hipermetilado, a célula consegue impedir o ciclo celular descontrolado? O gene está quebrado ou apenas 'lacrado'?" Dica Identificar e distinguir processos A distinção é clinicamente crucial: Genes lacrados (controle epigenético ) podem, em teoria, ser reativados por fármacos inibidores . Genes com mutações irreversíveis na sequência – não são acessados . Epigenética —Metilação e Código de Histonas Metilação do DNA (DNMTs) Grupos metil adicionados → silenciamento gênico estável sem alterar a sequência de bases Código de Histonas Acetilação (ativa) e metilação (reprime) das caudas de histonas regulam o acesso da maquinaria transcricional Casos Clínicos Osteossarcoma Canino: Hipermetilação do gene supressor de tumor p16INK4A → silenciamento → proliferação descontrolada FeLV em Felinos: Vírus induz alterações de metilação globais no genoma do hospedeiro, favorecendo oncogênese Caso Clínico Dieta Materna e Marmoreio "Como a dieta de uma vaca prenha pode determinar o marmoreio (via IGF -1) do bezerro anos depois ? Qual mecanismo está envolvido?" Programação Fetal DOHaD na Pecuária Vaca prenha com deficiência de doadores de metil(folato, metionina) → alterações epigenéticas no bezerro → padrão de metilação do gene IGF -1 alterado → impacto no marmoreio e crescimento muscular anos depois O conceito de DOHaD (Developmental Origins of Health and Disease) demonstra que o ambiente intrauterino programa epigenomas com consequências fenotípicas que persistem por toda a vida do animal. Aplicações Modernas e Revisão "Por que uma célula -tronco de gordura aplicada em um tendão inflamado pode acabar virando osso (calcificação ectópica)? Qual gene epigenético está no centro desse risco?" "Por que uma célula -tronco mesenquimal de gordura aplicada em um tendão inflamado pode acabar virando osso (calcificação ectópica)? Qual gene epigenético está no centro desse risco?" Memória de Origem A CTM carrega o perfil de metilação do tecido adiposo de origem — incluindo estado de Runx2 Microambiente Inflamatório Citocinas e sinais mecânicos no tendão podem desmetilar Runx2 → comprometimento osteogênico indesejado Gene Central Runx2 — master regulator da osteogênese, controlado epigeneticamente e sensível ao ambiente tecidual Células -Tronco, Clonagem e Plasticidade Epigenética Clonagem e Síndrome do Bezerro Grande Reprogramação epigenética incompleta no SCNT (transferência de núcleo de célula somática) → superexpressão de IGF -2 → gigantismo neonatal, falhas orgânicas múltiplas, alta mortalidade perinatal. Mapa Conceitual —Os 4 Níveis de Regulação Gênica Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29