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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE MENTAL
ETAPA 1: Apresentação do Desafio Profissional –
Leitura e Análise do caso clínico
ETAPA 2: Materiais de referência (ambientação) do seu Desafio Profissional
-ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DE ADESÃO
O paciente não apenas falta a medicação supervisionada, mas também nega a necessidade do cuidado “não precisa
mais do caps” isso indica prejuízo de insight, muito comum nesse quadro.
- POR QUE ESSE ASPECTO É CRUCIAL?
Sem a devida adesão, qualquer proposta terapêutica perde a efetividade. Nada adianta um bom e planejado
plano medicamentoso ou o suporte da equipe se o usuário não se empenha minimamente. Uma abordagem
impositiva tende a aumentar a resistência. Já uma abordagem baseada em vínculo, escuta e negociação tende a
melhorar o engajamento.
- JUSTIFICATIVA
A adesão é o ponto de partida para a estabilização clínica e prevenir recaídas. Ignorar isso ompromete todo o restante
do PTS.
- VÍNCULO E CORRESPONSABILIDADE
A mãe de J.P aparece como principal rede de apoio e vem demostrando exaustão emocional e medo. Isso indica
grande risco de rompimento do cuidado.
- POR QUE ESSE PONTO É IMPORTANTE?
Na reforma psiquiatrica, o cuidado é territorial e compartilhado. Quando a família entra em rompimento a chance de
agravamento no quadro clínico aumenta, cresce o risco de crise aguda e uma possível internação. O paciente pode
ficar mais vulnerável socialmente. O que precisa ser notado, é que muitas vezes o foco fica exclusivamente no
paciente e a família acaba ficando de lado, que é um erro importante.
- JUSTIFICATIVA
Sem uma devida sustentação familiar, o cuidado no caps perde a potência. O apoio a cuidadora pode ser uma
estratégia indireta, mas altamente válida nessa situação.
- USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS COMO FATOR AGRAVANTE
A questão do uso abusivo de álcool aparece no caso, mas não está sendo claramente enfretado como uma parte
central do problema.
- POR QUE O PONTO CRÍTICO?
O álcool tende a piorar a instabilidade de humor, reduz o efeito dos medicamentos, aumenta a impulsividade e risco
de comportamentos inadequados e pode estar funcionando como “automedicação” ou fuga. Tratar o trasntorno de
humor sem integrar o manejo do uso da substância é uma abordagem fragmentada.
- JUSTIFICATIVA
O uso do álcool deve ser abordado junto ao trasntorno mental, pois a chance de recaída é alta, mesmo com outras
intervenções.
ETAPA 3: Levantamento de conceitos teóricos
• Reforma Psiquiátrica Brasileira → Movimento que substitui o modelo hospitalocêntrico por cuidado
comunitário e humanizado → Ajuda a orientar intervenções centradas no território, autonomia e reinserção
social de João Pedro.
• RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) → Rede integrada de serviços para cuidado em saúde mental →
Permite articular o CAPS com outros pontos de atenção (atenção básica, urgência, assistência social),
ampliando o cuidado.
• Projeto Terapêutico Singular (PTS) → Plano de cuidado individualizado construído pela equipe
multiprofissional → Direciona ações específicas para João Pedro, considerando sua realidade, adesão e
contexto familiar.
• Clínica Ampliada → Modelo que considera o sujeito em sua totalidade (biológica, psicológica e social) →
Ajuda a compreender que o problema não é só medicamentoso, mas envolve família, álcool e contexto
social.
• Vínculo Terapêutico → Relação de confiança entre usuário e equipe → Fundamental para melhorar a
adesão ao tratamento e reduzir a resistência de João Pedro.
• Adesão ao Tratamento → Grau em que o paciente segue o plano terapêutico → Permite pensar estratégias
como escuta qualificada, negociação e educação em saúde para reduzir faltas e recusas.
• Redução de Danos → Estratégia que busca minimizar prejuízos sem exigir abstinência imediata →
Essencial para lidar com o uso de álcool de forma realista e progressiva.
• Transtorno Afetivo Bipolar → Condição caracterizada por episódios de mania e depressão → Ajuda a
identificar sinais atuais de descompensação (euforia, insônia, impulsividade) e orientar intervenções
precoces.
• Insight (Consciência da Doença) → Capacidade do indivíduo de reconhecer seu adoecimento → Explica
a recusa de João Pedro ao tratamento e orienta abordagens educativas e graduais.
ETAPA 4: Aplicação dos conceitos teóricos ao Desafio Profissional
Projeto Terapêutico Singular (PTS)
Como o conceito explica a situação: O acompanhamento intermitente e as faltas de João Pedro indicam que
o plano de cuidado atual não é "singular", mas sim um protocolo padrão. O insucesso ocorre porque o
plano não considera as necessidades subjetivas, o contexto social e os desejos do paciente, tornando o
CAPS um ambiente de cobrança, não de cuidado.
O que a teoria nos ajuda a entender: O problema central não é a "falta de adesão" do paciente, mas a "falta
de engajamento" do plano. Se o plano é imposto (medicação supervisionada), o paciente tende a se rebelar
como forma de retomar sua autonomia.
Soluções apontadas: Reuniões de equipe para construir um PTS negociado. Devemos incluir João Pedro na
decisão: "O que, para você, é o mais importante agora?". Ao oferecer autonomia na escolha de uma meta
(ex: voltar a trabalhar em algo simples), criamos um motivo real para ele manter a estabilidade clínica.
Redução de Danos (RD)
Como o conceito explica a situação: A proibição do álcool e a exigência de abstinência total geram um
conflito imediato. Para alguém com diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar, o álcool é um mecanismo
de autorregulação (muitas vezes mal-sucedido) para aliviar a ansiedade ou a depressão.
O que a teoria nos ajuda a entender: A abstinência é um fim, não o começo. A teoria da RD nos mostra que,
ao confrontar o uso abusivo sem alternativas, a equipe é vista como "adversária" pelo paciente.
Soluções apontadas: Focar na redução dos danos causados pelo álcool em vez da interrupção imediata.
Negociar estratégias: quais locais ou situações de consumo são mais perigosos? Podemos criar um contrato
comportamental onde o paciente se compromete a não beber em dias específicos ou antes de compromissos
importantes, mantendo a porta do CAPS aberta mesmo após recaídas.
Vínculo e Aliança Terapêutica
Como o conceito explica a situação: A recusa de João Pedro em aceitar o CAPS ("não precisa mais") é uma
reação de defesa. Ele associa o serviço à imposição e à perda de liberdade. O "insight" diminuído é, na
verdade, uma falha na aliança: ele não confia na equipe o suficiente para compartilhar seu sofrimento.
O que a teoria nos ajuda a entender: Sem uma base segura de confiança, nenhuma intervenção técnica
(medicação, terapia) terá efeito duradouro. O paciente só adere ao tratamento quando se sente validado
como pessoa, não como prontuário.
Soluções apontadas: Priorizar a escuta não diretiva. O enfermeiro deve dedicar momentos da visita
domiciliar para falar sobre outros temas (interesses, cotidiano) antes de falar sobre medicação. A aceitação
incondicional (no sentido rogeriano) cria o espaço para que ele se sinta seguro o bastante para admitir que
precisa de ajuda.
Sobrecarga do Cuidador (Zarit Burden)
Como o conceito explica a situação: O medo e a exaustão da mãe não são "exagero", são indicadores de
que o ambiente familiar atingiu o limite da capacidade resiliente. A falta de suporte à cuidadora está,
paradoxalmente, mantendo o ciclo de crise do filho.
O que a teoria nos ajuda a entender: A família é um subsistema do tratamento. Se a cuidadora entra em
colapso, ela tende a adotar comportamentos controladores ou agressivos, o que agrava a agitação de João
Pedro (aumentando a hostilidade familiar).
Soluções apontadas: A equipe deve inserir a mãe como "sujeito de cuidado" no PTS. Isso incluigrupos de
apoio para familiares, educação sobre o manejo do transtorno e, crucialmente, definir limites claros sobre o
que a mãe deve fazer (o apoio emocional) e o que é de responsabilidade da equipe (monitoramento clínico),
retirando dela a culpa pelo comportamento do filho.
Territorialização e RAPS
Como o conceito explica a situação: O desemprego e o bairro periférico não são contextos "externos" ao
quadro clínico; eles são determinantes sociais da saúde. O isolamento social piora o quadro bipolar, pois
retira a rotina e o sentido de vida do paciente.
O que a teoria nos ajuda a entender: O CAPS, isolado, não consegue resolver problemas que são
territoriais. A internação ou o excesso de medicação são tentativas de resolver socialmente uma questão
que é, em parte, estrutural.
Soluções apontadas: Acionar a rede para além do CAPS. Verificar na UBS do bairro a possibilidade de
matriciamento, buscar oportunidades de geração de renda ou educação profissionalizante
(CRAS/Assistência Social). O objetivo é que João Pedro circule na cidade, ocupe espaços e retome sua
identidade além da categoria de "paciente".
Estas estratégias convergem para um ponto central: transformar o cuidado de uma postura de vigilância
clínica (focada no sintoma) para uma postura de produção de vida (focada na existência e cidadania de João
Pedro). Ao articular esses pilares, a equipe diminui o estresse familiar, aumenta a adesão pelo vínculo e,
consequentemente, promove a estabilização clínica esperada.
ETAPA 5 – AVALIATIVA: Redação do produto - Memorial Analítico.
Esse memorial descreve a construção de um plano de cuidados interdisciplinares. A baixa adesão
ao tratamento, associada ao uso de álcool e ao desequilíbrio do transtorno bipolar, está diretamente ligada a
fatores como fragilidade do vínculo terapêutico, baixo insight e sobrecarga familiar. A enfermagem tem
papel central na articulação do cuidado e na construção de estratégias que promovam estabilização clínica e
corresponsabilidade.
O caso ocorre em um CAPS Geral localizado em uma capital nordestina, onde a equipe
multiprofissional enfrenta dificuldades no acompanhamento de João Pedro, 27 anos, solteiro,
desempregado, morador de bairro periférico O paciente apresenta agitação psicomotora leve, baixa adesão
medicamentosa, recusa ao tratamento e histórico de uso de álcool. A situação se agrava pelo fato da
exaustão emocional de sua mãe, a principal cuidadora, que demonstra medo e insegurança. O desafio
central consiste em promover a estabilização clínica e fortalecer a rede de apoio sem romper o vínculo
terapêutico.
O conceito de Projeto Terapêutico Singular (PTS) explica a necessidade de um plano
individualizado, já que João Pedro não responde bem a abordagens padronizadas, evidenciado pelas faltas e
recusa medicamentosa. A Clínica Ampliada permite compreender que o problema não é apenas clínico,
mas envolve fatores sociais, familiares e o uso de álcool. Já o Vínculo Terapêutico ajuda a entender a
resistência ao tratamento, indicando que a relação com a equipe pode estar fragilizada, dificultando a
adesão e o engajamento no cuidado.
Após analisar recomenda –se a implementação imediata de um PTS construído de forma
colaborativa, onde o enfermeiro atua como mediador, negociando metas atingíveis com João Pedro, como a
redução gradual do uso de álcool e a participação em oficinas no CAPS que estimulem sua autonomia. É
essencial estabelecer um "Plano de Crise" compartilhado entre paciente, mãe e equipe, que defina sinais de
alerta e ações preventivas, promovendo a corresponsabilidade em vez da simples supervisão
medicamentosa.
Paralelamente, a intervenção deve incluir o acolhimento da mãe através de grupos de suporte e
educação em saúde sobre o transtorno, utilizando a teoria da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para
conectar a família a recursos comunitários e de assistência social. Essa abordagem visa aliviar a sobrecarga
da cuidadora e, simultaneamente, oferecer a João Pedro um suporte territorial que transcenda os muros do
CAPS, reintegrando-o socialmente e fortalecendo seu vínculo com o tratamento de forma voluntária e
consciente. A teoria que mais se aplica nesse caso é a de Hildegard Peplau, pois enfatiza a importância das
relações interpessoais no cuidado em saúde mental.
Ao finalizar, pude notar que o cuidado em saúde mental no contexto do CAPS não se limita ao
controle de sintomas ou à prescrição medicamentosa, mas exige uma compreensão ampliada do sujeito em
sofrimento e de seu contexto de vida. A Reforma Psiquiátrica não é apenas um conceito teórico, mas uma
prática diária de construção de cidadania. A cada dia que passa podemos ver situações como essa que
precisam de todo o cuidado e acolhimento. É preciso entender a saúde mental como algo que envolve o
corpo, as emoções e a forma como interagimos. Isso ajuda a ver que todos têm um papel importante em
cuidar do bem-estar geral, cuidando de nós mesmos e apoiando uns aos outros.
Diante o que foi apresentado, conclui que foi de suma importância elaborar esse trabalho para a
minha vida acadêmica. Com o novo modelo de estudo puder ver que futamente estarei mais confiante nos
desafios enfrentados. Pude ver também o quanto é importante a enfermagem na saúde mental, um cuidado
contínuo, uma escuta e um acolhimento faz toda a diferença.
REFERÊNCIAS
SOUZA, Katia Reis de; BRAGA, Ana Maria Cheble Bahia; ROZEMBERG, Brani. Formação em saúde do
trabalhador e saúde ambiental: avaliação de experiência com atores locais. Saúde em Debate, Rio de
Janeiro, v. 41, n. 114, jul./set. 2017. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/hRSKhtfk8tWcJTNwWf3R8tL/?lang=pt. Acesso em: 22 abr. 2026
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-
br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental. Acesso em: 21 abr. 2026
DISTRITO FEDERAL. Secretaria de Estado de Saúde. Guia de enfermagem na atenção psicossocial.
Brasília: Secretaria de Estado de Saúde, 2022. Disponível em:
https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/90213/Guia+de+Enfermagem+na+Aten%C3%A7%C3%A
3o+Psicossocial.pdf. Acesso em: 21 abr. 2026
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/hRSKhtfk8tWcJTNwWf3R8tL/?lang=pt
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental