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2022
1. Uma mulher com 51 anos de idade,
em tratamento para osteoporose com
bifosfonato, comparece ao ambulatório
de infectologia de um hospital escola
para receber o resultado da
investigação diagnóstica de quadro de
lesão crônica oro-cérvico-facial à
direita. Segundo a paciente, a lesão
iniciou-se há cerca de 18 meses como
um endurecimento inflamatório logo
abaixo da mandíbula, bem ao nível de
seu ângulo; ao longo de alguns dias, a
lesão tornou-se um nódulo endurecido
que, posteriormente, se ulcerou, dando
saída a secreção purulenta contendo
granulações amareladas por 2 tratos
fistulosos. Conta que procurou
assistência médica, tendo realizado
tratamento antibiótico por algumas
vezes, sempre por 7 a 14 dias, com
melhora inicial do quadro, mas retorno
da drenagem de material nas semanas
seguintes. Acrescenta que, há 4
semanas, foi submetida a
procedimento de biópsia local, tendo
retornado ao ambulatório para saber o
resultado da investigação diagnóstica.
O laudo histopatológico revelou a
presença de granulações contendo
material inflamatório linfo-histiocitário
associado a camadas densas de
neutrófilos, no interior das quais são
observadas massas de bactérias gram-
positivas com filamentos ramificados,
além de material sugestivo de
depósitos de fosfato de cálcio. As
culturas do material drenado isolaram,
além de Actinomyces israelli, Eikenella
corrodens e espécies de
Staphylococcus. Ao exame físico, a
paciente apresenta 2 elementos
molares da arcada dentária inferior,
bem adjacentes à lesão cérvico-facial,
em péssimo estado de conservação,
com processo inflamatório inequívoco.
Nesse caso, o fármaco adequado, de
uso prolongado, para a conduta
terapêutica antimicrobiana é
A) oxacilina.
B) cefalexina.
C) clindamicina.
D) levofloxacina.
QUESTÃO ANULADA
Temos aqui um caso clínico complexo
da prova do Revalida de 2022, que, ao
final, aborda o tópico de
antimicrobianos. Infelizmente, a
questão acabou anulada, pois nenhuma
resposta era apropriada. Mesmo assim,
vamos analisar o caso?
Nossa paciente está em tratamento
para osteoporose com bisfosfonatos, e
é importante você lembrar que esses
medicamentos têm como efeito
colateral característico a
osteonecrose mandibular. A
apresentação dessa condição pode
cursar com dor, dificuldade de
mobilização, edema e eritema. O
diferencial nesse caso clínico é perceber
que a osteonecrose propiciou a
formação de um micetoma
cervicofacial.
O micetoma cervicofacial se comporta
exatamente como descrito no
enunciado: uma lesão nodular que,
posteriormente, se torna ulcerada, com
saída de secreção amarelada e
granulada - característica da espécie
Actinomyces israelli. O laudo
histopatológico justamente reforça: há
a presença de infiltrado inflamatório
associado à massas de bactérias gram-
positivas com filamentos - de novo o
Actinomyces!. Por fim, via cultura,
confirma-se a presença de Actinomyces
israelli, Eikenella corrodens - um bacilo
gram negativo anaeróbico, muito
frequentemente associado ao
Actinomyces - e espécies de
Staphylococcus.
E qual antibioticoterapia utilizar?
No caso do micetoma pelo
Actinomyces, o tratamento “de uso
prolongado”, como o solicitado na
questão, seria idealmente a penicilina
G por via intravenosa por algumas
semanas, seguida de penicilina oral,
com tempo total de tratamento de 12
meses. Nos casos graves, pode-se
lançar mão de Imipenem (500 mg) EV
de 6/6h.
Note que nenhuma das alternativas
fornece essas opções, motivo pelo qual
foi anulada.
Vamos então analisá-las
individualmente:
Alternativa A - Incorreta: A Oxacilina é
uma droga com cobertura específica
para estafilococos produtores de
penicilinase. Não surtiria efeito contra o
Actinomyces ou Eikenella.
Alternativa B - Incorreta: A Cefalexina
é uma cefalosporina de primeira
geração, com espectro limitado. É
utilizada em infecções superficiais de
pele e não oferece cobertura.
Alternativa C - Incorreta: A
Clindamicina não seria a primeira
indicação para uso prolongado. Seu uso
é controverso, pois algumas referências
mostram ação in vitro, mas ela deve ser
evitada pela alta resistência do
Actinomyces.
Alternativa D - Incorreta: O
Levofloxacino não possui nenhuma
indicação nesse caso, pois não cobre
apropriadamente nenhuma bactéria
encontrada na cultura, além de
apresentar alta taxa de resistência pelo
Actinomyces. Também, dificilmente as
fluoroquinolonas são antibióticos de
escolha para uso contínuo por seus
efeitos adversos osteocondrais.
2. Um paciente com 72 anos de idade,
tabagista, vem se queixando de
icterícia, acolia, colúria e prurido há
cerca de 2 meses de forma progressiva.
Ao exame físico, apresenta icterícia
+++/4 e massa palpável, de consistência
amolecida e indolor no hipocôndrio
direito, mais precisamente no ponto
cístico. Os exames laboratoriais
apresentam os seguintes resultados:
hemograma com discreta anemia, AST
de 64 U/l, AlT de 88 U/l, bilirrubina total
de 32 mg/dl, sendo 24 mg/dl de
bilirrubina direta e 8 mg/dl de bilirrubina
indireta.
Com base nos dados apresentados,
entre os diagnósticos a seguir, qual é o
mais provável?
A) Coledocolitíase.
B) Adenocarcinoma de vesícula biliar.
C) Adenocarcinoma de cabeça de
pâncreas.
D) Colangiocarcinoma da confluência
dos ductos hepáticos.
CCQ: Idoso com síndrome colestática
progressiva + massa palpável em
ponto cístico = adenocarcinoma de
cabeça de pâncreas
A respeito de paciente de 72 anos,
tabagista, com queixa de icterícia,
acolia, colúria e prurido progressivos, há
cerca de dois meses, com icterícia +++/4
e massa palpável indolor em região de
ponto cístico, com exames
demonstrando hiperbilirrubinemia de
32 mg/dl, às custas de bilirrubina direta.
Qual o diagnóstico mais provável?
Adenocarcinoma de cabeça de
pâncreas, correto? É o tumor
periampular mais comum e que justifica
as alterações clínicas apresentadas pelo
paciente.
Bora avaliar as alternativas!!!
Alternativa A - Incorreta:
Coledocolitíase não cursaria com
síndrome colestática tão progressiva e
nem com massa palpável abdominal
compatível com vesícula biliar
escleroatrófica;
Alternativa B - Incorreta:
Adenocarcinoma de vesícula biliar não
cursa com colestase, visto que não
temos uma obstrução de colédoco;
Alternativa C - Correta: Conforme
explicação acima;
Alternativa D - Incorreta: Tumor de
Klatskin, também conhecido como
tumor da confluência dos ductos
hepáticos, não cursa com palpação de
vesícula biliar indolor ao exame físico.
3. Um menino com 5 anos de idade,
acompanhado da mãe, é atendido em
unidade de saúde. A mãe relata o
aparecimento abrupto de manchas
arroxeadas indolores nos membros
inferiores da criança há 2 dias, sem
outras queixas. Há 1 mês, conta que o
filho apresentou quadro de resfriado
comum, para o qual fez uso somente de
soro fisiológico para lavagem nasal.
Nega uso recente de medicamentos ou
antecedentes familiares relevantes. Ao
exame clínico, o menino apresenta
regular estado geral, corado, hidratado,
anictérico, acianótico, afebril e
eupneico; baço palpável ao nível de
rebordo costal esquerdo, presença de
petéquias e equimoses indolores em
membros inferiores. Exame de Fundo
de Olho sem sinais de sangramento.
Sem evidência de outros sangramentos
ou outros achados clínicos relevantes.
Os exames laboratoriais iniciais
evidenciaram hemoglobina de 12,3 g/dl
(valor de referência [VR]: 12,6 g/dl);
hematócrito de 38% (VR: 37%);
contagem de 5.700 leucócitos/mm3
(VR: 5.000-15.000/mm3), com 37% de
segmentados, 44% de linfócitos, 1% de
monócitos e contagem de plaquetas de
64.000/mm3 (VR: 150.000-
450.000/mm3). Coagulograma com um
tempo de tromboplastina de 12,5
segundos (VR: 10-14 segundos), 100%
deatividade de protrombina e um
tempo de tromboplastina ativada de 31
segundos (VR: 25-36 segundos).
Considerando a principal hipótese
diagnóstica para esse caso, qual deve
ser a conduta terapêutica inicial?
A) Terapia com corticosteroide.
B) Internação para esplenectomia.
C) Observação clínica ambulatorial.
D) Administração de imunoglobulina.
CCQ: Petéquias e equimoses +
plaquetopenia, especialmente após
IVAS, pense na púrpura
trombocitopênica idiopática, onde na
criança, o tratamento tende a ser a
observação clínica
Ei pessoal, tudo joia? Questãozinha
sobre distúrbios da hemostasia na
pediatria. Vamos rever juntos?
Temos na questão uma criança que
após um quadro de IVAS começou a
apresentar púrpuras (essas manchas
arroxeadas) na pele. Quando pedimos
os exames laboratoriais, notamos: uma
anemia leve com hematócrito
levemente aumentado. O resto normal
exceto pelo principal que nos guiará
para o diagnóstico: a plaquetopenia.
Sempre que tiver um quadro de
petéquias e equimoses +
plaquetopenia, especialmente após
IVAS, pense na púrpura
trombocitopênica idiopática ou
autoimune.
Esse quadro ocorre por deposição de
anticorpos na membrana plaquetária.
Quando o baço identifica essas
plaquetas, elas são destruídas (por isso
podemos ter um aumento do baço
também). O quadro clássico é o de
plaquetopenia e mais nada, mas fique
atento, pois algumas questões, como
essa, tentam lhe desviar do caminho
certo ao colocar anemia, por exemplo.
E o tratamento? É feito com prednisona
e indicado quando as plaquetas estão <
20.000/mm³ ou < 30.000/mm³
associadas a um sangramento mucoso.
Em crianças, o tratamento
convencional e sugerido como mais
adequado hoje em dia é a observação
clínica e laboratorial, uma vez que 80%
das crianças melhoram
espontaneamente em até 6 meses.
Vamos ver o que as alternativas dizem
sobre o tratamento da condição:
Alternativa A - Incorreta: Não, pois as
plaquetas não estão abaixo de 20.000.
Alternativa B - Incorreta: Não, esse é
um tratamento possível quando houve
refratariedade do quadro após conduta
conservadora e medicamentosa.
Alternativa C - Correta: Opa,
exatamente!! Dada a história natural da
doença na maior parte dos casos na
criança, vamos observar.
Alternativa D - Incorreta:
Consideramos a imunoglobulina em
casos muito graves, apenas.
4. Segundo o Instituto Nacional do
Câncer (INCA), o rastreamento do
câncer de mama organizado por
mamografia de rotina (em que se
convida formalmente as mulheres na
faixa etária alvo para os exames
periódicos), além de garantir controle
de qualidade, seguimento oportuno e
monitoramento em todas as etapas do
processo, apresenta melhores
resultados e menores custos que o
rastreamento oportunístico.
Considerando as informações
apresentadas, para qual faixa etária e
em que periodicidade,
respectivamente, o INCA recomenda o
rastreamento do câncer de mama
organizado por mamografia de rotina?
A) 45 aos 69 anos de idade; anualmente.
B) 50 aos 79 anos de idade; anualmente.
C) 40 aos 69 anos de idade; a cada 2
anos.
D) 50 aos 69 anos de idade; a cada 2
anos.
CCQ: O rastreio de câncer de mama é
preconizado pelo INCA dos 50 aos 69
anos de idade com exame realizado
bianualmente caso normalidade
Olá, pessoal! Fala, aluno Aristo! Mais
uma questão sobre câncer de mama
devido à relevância desse tema, uma
vez que sabemos que ele representa o
segundo câncer mais comum no mundo
e é o mais frequente entre as mulheres.
Diante disso, é importante ter domínio
sobre alguns tópicos, sendo um deste
os fatores de risco associados a essa
neoplasia. Por isso, vamos revisar os
principais:
• Sexo feminino.
• Raça branca.
• Antecedente pessoal de câncer
de mama.
• Lesões histológicas que indicam
risco como hiperplasia ductal ou
lobular.
• Nuliparidade e primiparidade
idosa.
• História familiar de câncer de
mama em parentes de primeiro
grau.
• Sedentarismo.
• Exposição à radiação ionizante.
Referente ao diagnóstico, sabe-se que o
exame clínico das mamas é uma das
ferramentas adotadas e necessita ser
realizada pelo profissional de saúde.
Essa abordagem demonstrou-se efetiva
em reduzir a mortalidade por câncer de
mama. Todavia, a mamografia é o
método de escolha dos programas de
rastreamento, sendo recomendada na
faixa etária de 50 a 69 anos, a cada dois
anos pelo Ministério da Saúde e INCA.
Agora, vamos analisar as alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Tanto a faixa
etária quanto a periodicidade descritas
não são as preconizadas pelo INCA.
Alternativa B - Incorreta: É apenas até
os 69 anos e o exame é bianual.
Alternativa C - Incorreta: É
preconizado idade a partir dos 50 anos.
Alternativa D - Correta: Exato!
Conforme justificado no texto acima.
5. Um homem com 48 anos de idade é
obeso, tabagista e hipertenso há 6 anos,
quando, devido a esse quadro, foi-lhe
recomendada mudança do estilo de
vida e prescrita farmacoterapia.
Procura hoje a Unidade Básica de Saúde
(UBS) com níveis tensionais elevados,
glicemia alterada e referindo ter
deixado de usar os medicamentos anti-
hipertensivos prescritos dizendo "eles
estão me fazendo sentir doente". O
paciente relata que, durante a
pandemia da COVID-19, deixou de
seguir as orientações alimentares, de
atividade física e de cessação do
tabagismo.
Para esse caso, a conduta a ser adotada
pela equipe da UBS é
A) construir um projeto terapêutico
singular e pactuar com o paciente as
propostas de ações para a mudança do
estilo de vida e a adesão
medicamentosa.
B) esclarecer o paciente, no projeto
terapêutico singular, sobre as
consequências da não adesão ao
tratamento, destacando o perigo dos
potenciais danos clínicos e reiterando
firmemente o aconselhamento.
C) utilizar, no projeto terapêutico
singular, a negação do paciente aos
problemas apresentados e a adesão ao
tratamento como formas de pressão
para obtenção da mudança do estilo de
vida.
D) condicionar, na construção do
projeto terapêutico singular, a adesão
às mudança do estilo de vida e ao
tratamento farmacológico e comunicar
ao paciente que, se não seguir as
orientações da equipe, não poderá mais
ser atendido na UBS.
CCQ: Saber que o Projeto Terapêutico
Singular, um projeto interprofissional
e holístico, é a abordagem ideal para
problemas complexos na APS
Querido aluno Aristo, questão não tão
Pareto acerca de uma abordagem de
alto envolvimento da equipe de
Atenção Primária, e que destina um
volume de recursos humanos alto, em
um determinado período de tempo,
para o paciente.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS)
é a elaboração de um plano conjunto
entre diversas áreas da saúde presentes
no serviço, de modo a abordar o quadro
do paciente com um ponto de vista
interprofissional e holístico. Tal
abordagem é extremamente benéfica
para a longitudinalidade, visto que
aborda o paciente e o seu meio de
diversas formas, com diversas ações
distribuídas no tempo, por meio de
vários atores da prestação de cuidado.
Como é um projeto que compartilha
metas e objetivos, este geralmente
aborda as problemáticas do paciente
sob diversos pontos de vista, dando
também ao paciente mais
conhecimento acerca do seu quadro de
saúde e firmando pactuações com
diversos profissionais para que os
planos terapêuticos sejam seguidos.
A criação de um vínculo de
corresponsabilização, com a divisão
clara de tarefas entre os profissionais e
o paciente, é a abordagem preferencial.
Uma abordagem paternalista, onde o
profissional “manda” e o paciente
“obedece” geralmente acaba
desmotivando o paciente e impedindo
que este seja protagonista nas
mudanças de estilo de vida e na adesão
terapêutica que a equipe planejou junto
com o paciente.
Agora que você já sabe sobre o PTS, quetal avaliarmos nossas alternativas?
Alternativa A – Correta: Exatamente!
O PTS vai ser um projeto de
acompanhamento longitudinal, com o
propósito final de desenvolver
propostas de mudanças de estilo de
vida e de adesão medicamentosa para o
paciente ou para seu ambiente.
Alternativa B – Incorreta: A
abordagem pelo medo das
complicações é uma abordagem pouco
eficaz, uma vez que o paciente não
parece ser sintomático. Dessa forma, a
educação em saúde acerca da sua
condição de saúde e da importância das
medicações e dos hábitos passa a ter
muito mais validade.
Alternativa C – Incorreta: Não. Utilizar
a negação do paciente como maneira
de pressionar não é uma alternativa de
promoção de saúde, ainda mais para
um problema crônico, que exige
mudança de estilo de vida.
Alternativa D – Incorreta: Não! Essa
alternativa fere totalmente os atributos
do acesso e da integralidade, além do
princípio da equidade, visto que é um
paciente com uma condição de difícil
abordagem, e que precisa de mais
recursos para que seja feita alguma
mudança no seu estilo de vida.
6. Um homem com 64 anos de idade
chega ao serviço de emergência,
conduzido pelos familiares, por
confusão mental e sonolência. O
paciente tem história de hipertensão
arterial sistêmica com difícil controle.
Ao exame, apresenta edema de papila
ao fundo de olho, pressão arterial (PA)
de 220 x 130 mmHg, presença de 4ª
bulha na ausculta cardíaca. O restante
do exame físico não apresenta
alterações. A tomografia de crânio sem
contraste não evidenciou sinais de
isquemia cerebral.
O tratamento de primeira escolha a ser
proposto para esse paciente é iniciar
A clonidina, via oral, com o objetivo de
reduzir a PA em até 50% em 24 horas ou
para uma PA na faixa de 140 x 90-85
mmHg.
B nitroprussiato endovenoso com o
objetivo de reduzir a PA em até 25% em
2 horas ou para uma PA na faixa de 160
x 100-110 mmHg.
C nitroglicerina endovenosa com o
objetivo de reduzir a PA em até 25% em
2 horas ou para uma PA na faixa de 160
x 100-110 mmHg.
D captopril, via sublingual, com o
objetivo de reduzir a PA em 50% em 8
horas ou para uma PA na faixa de 140 x
90-85 mmHg.
QUESTÃO ANULADA
Dae querido aluno! Tranquilo? Temos
aqui uma questão clássica de
Encefalopatia Hipertensiva (EH), que,
infelizmente, acabou sendo anulada
pela banca de forma inadequada.
Mesmo assim, vamos revisar esse tema
tão importante!
As emergências hipertensivas devem
conter duas condições: hipertensão +
lesão de órgão alvo. No caso, temos
um paciente com alteração no nível de
consciência e papiledema - dois sinais
clínicos da EH, que também pode cursar
com cefaleia. Aqui devemos nos
atentar no diagnóstico diferencial com
os acidentes vasculares: a ausência de
sinais focais também fala a favor da EH,
e, a TC de crânio afasta ainda mais a
possibilidade de AVC.
Sendo definido o diagnóstico, como
manejamos a EH?
As recomendações gerais de redução
da PA na EH são:
• Diminuir a PA em 25% na 1ª
hora;
• Alcançar PA 160/100 -110 mmHg
em 2-6 h
• PA 135/85 mmHg em 24-48 h do
início do tratamento. Lembre-se
que, quedas maiores que isso
podem ser danosas, levando à
hipoperfusão de órgãos nobres.
Por fim, para alcançar esses objetivos,
podemos lançar mão de anti-
hipertensivos EV, sendo os principais:
• Nitroprussiato de sódio
• Nicardipina
• Betabloqueadores:
labetalol/metoprolol
Essas são as medicações de escolha
para tratamento de uma encefalopatia
hipertensiva.
Assim, vamos analisar alternativa por
alternativa:
Alternativa A - Incorreta: Reduzir a PA
em 50% significaria chegar em valores
próximos à 110x65 mmHg, sendo que o
mínimo recomendado é 135x85 mmHg.
Essa seria uma redução drástica, que
poderia levar à hipoperfusão e
instabilidade hemodinâmica.
Alternativa B - Correta: Tanto a
medicação quanto a redução descritas
nessa alternativa podem ser aceitas, e,
essa seria a primeira escolha.
Alternativa C - Incorreta: Foi essa
alternativa que gerou a iniciativa de
anulação da questão, mas repare que o
enunciado deixa bem explícito, ele
pergunta qual a primeira escolha.
Dessa forma, não podemos negar que é
o nitroprussiato. A nitroglicerina fica
mais reservada para emergência
hipertensiva associada a síndrome
coronariana e não é muito usada na
encefalopatia, devido à queda da PA ser
pouco previsível.
Alternativa D - Incorreta:
Primeiramente, a via sublingual não é
adequada, sendo a via EV preferida em
emergências hipertensivas. Também, a
redução de 50% em 24h é brusca, e
poderia ser danosa pelos mesmos
motivos descritos na alternativa A.
Gabarito da banca: questão anulada.
7. Uma paciente com 35 anos de idade,
vítima de acidente automobilístico,
queixa-se de dor abdominal. Durante a
admissão no setor de emergência,
apresenta-se lúcida, cooperativa
(Glasgow 15), pressão arterial: 100 x 60
mmHg, frequência cardíaca: 88
batimentos por minuto, frequência
respiratória: 20 incursões respiratórias
por minuto. Foi indicada tomografia de
abdome, que evidenciou moderada
quantidade de líquido livre na cavidade
abdominal, hematoma subcapsular no
lobo direito do fígado, ocupando cerca
de 40% da superfície do órgão e
laceração de cerca de 5 cm em lobo
esquerdo.
Nesse caso, qual deve ser a conduta
para a paciente?
A) laparotomia com rafia da laceração
hepática e drenagem do hematoma
subcapsular.
B) laparotomia, hemostasia com
compressas no fígado e reabordagem
cirúrgica após 48 horas.
C) Internação em Unidade de Terapia
Intensiva com monitorização
hemodinâmica e hematócrito seriado.
D) Internação em Unidade de Terapia
Intensiva com monitorização
hemodinâmica, hematócrito seriado e
tomografia de abdome a cada 48 horas.
CCQ: Na ausência de
contraindicações, o manejo do
trauma hepático é conservador
Aluno Aristo, questão Pareto no trauma
abdominal, trazendo um conceito que
não podemos deixar escapar: A conduta
conservadora no trauma hepático.
O fígado tem uma capacidade de
regeneração elevada, além de ser um
órgão de difícil abordagem, de forma
que as condutas atuais tendem ao
manejo não operatório, mostrando que
há vantagem mesmo quando estamos
diante de danos orgânicos mais
relevantes. Isso é ainda mais verdadeiro
em traumas fechados, como o do caso,
na presença de alguns critérios, como a
estabilidade hemodinâmica e a
possibilidade de monitoramento
seriado dos níveis de hemoglobina.
Veja bem, é o quadro da nossa paciente,
estabilidade hemodinâmica sem outras
lesões abdominais que justifiquem a
abordagem abdominal.
O enunciado ainda traz informações
que nos permitem classificar o trauma
em grau III pela classificação da
American Association for the Surgery of
Trauma Organ Injury, mas não era
sequer necessário, então não se prenda
a isso. Bora dar uma olhada nas
alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Conforme
conversamos, paciente com trauma
hepático fechado, com estabilidade
hemodinâmica, sem sinais de lesões em
outras vísceras tem indicação de
tratamento conservador.
Alternativa B - Incorreta: Observação
clínica, conforme explicamos logo
acima.
Alternativa C - Correta: É isso, como
explicamos, vamos internar essa
paciente em ambiente no qual ela possa
ser frequentemente avaliada e ter seu
estado hemodinâmico avaliado de
forma seriada.
Alternativa D - Incorreta: A princípio,
não há necessidade de repetição da
tomografia como dito pela alternativa.
Exames de imagem seriados não fazem
parte do monitoramento do trauma
hepático.
8. Um menino com 11 anos de idade
apresenta febre diária há 4 dias e
claudicação de membro inferior direito
e vem usando ibuprofeno desde o início
do quadro, sem melhora. Há 1 dia,
recusa-se a andar, referindo muita dor
em joelho direito, onde notou inchaçoe
vermelhidão. Refere ainda inapetência
e indisposição geral. Tem antecedente
de lesões crostosas de mucosa nasal e
pele ao redor do nariz há 2 semanas,
tendo usado pomada à base de
corticoide, sem melhora. Ao exame
físico apresentou regular estado geral,
corado, hidratado, febril (temperatura =
38 ºC), frequência cardíaca: 103
batimentos por minuto, frequência
respiratória: 16 incursões respiratórias
por minuto, anictérico, acianótico,
eupneico, pulsos cheios, boa perfusão
periférica. lesões pustulosas e crostosas
em vestíbulo nasal. Joelho direito com
edema, calor e intensa dor à
mobilização. Restante dos aparelhos
sem alterações.
Para a elucidação diagnóstica, quais são
os exames/ procedimentos indicados?
A) Antiestreptolisina O e
ecocardiograma.
B) Anticorpo antinuclear e fator
reumatoide.
C) Ultrassonografia e punção articular
de joelho.
D) Hemograma e provas de atividade
inflamatória.
CCQ: Na hipótese de artrite séptica,
hemograma e provas de função
inflamatória ajudam a esclarecer o
diagnóstico
Ei pessoal, tudo certo? Questãozinha
sobre condições osteoarticulares na
infância, bora rever?
Antes de mais nada, vamos analisar o
caso e raciocinar a partir disso: Temos
uma que, após lesões crostosas na
mucosa nasal e pele ao redor, provável
impetigo, apresentou uma artrite em
joelho direito, com comprometimento
do estado geral.
Sempre que tiver um quadro infeccioso
que "migra" para uma articulação,
pense na artrite séptica. Esse quadro
pode ocorrer por disseminação
hematogênica de um microrganismo
quando o paciente tem uma infecção
prévia.
A doença acomete mais as articulações
de cargas dos membros inferiores:
quadris e joelhos e a clínica é composta
por dor articular, limitação à
movimentação e sinais flogísticos.
Em relação aos exames
complementares, precisamos primeiro
confirmar a inflamação: o hemograma
mostra aumento de polimorfonucleares
com desvio à esquerda e as provas
inflamatórias (PCR e VHS estão
aumentadas). Depois, exames de
imagem, como a ultrassonografia,
podem ser úteis.
Vamos ver as alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Marcou essa
aqui quem pensou na febre reumática,
mas lembre-se: a febre reumática
ocorre após uma faringoamigdalite,
impetigo não.
Alternativa B - Incorreta: Não, pois
nossa suspeita é infecciosa, não
autoimune.
Alternativa C - Incorreta: Essa pegou
muita gente: está errado pedir esses
exames agora? Nâo. Mas sem nem
sequer confirmar a inflamação, não são
eles que vão elucidar o diagnóstico.
Alternativa D - Correta: Exatamente,
com o hemograma e provas de
atividade inflamatória vamos confirmar
nossa hipótese de inflamação e aí
partimos para outras propedêuticas.
9. Uma paciente com 30 anos de idade,
gestante pela 3ª vez, comparece ao
centro de saúde para acompanhamento
pré-natal. Relata que os outros dois
partos foram normais, há 10 e 8 anos,
que não houve nenhuma intercorrência
nas outras gestações e que não tem
nenhuma doença diagnosticada. Refere
sintomas típicos de início de gestação:
enjoo matinal e sonolência. Está com 13
semanas de gestação e apresenta os
resultados dos exames de pré-natal
anteriormente solicitados. Entre eles, o
resultado da glicemia de jejum mostra
132 mg/dl.
Com relação a esse caso, qual é a
conduta adequada?
A)Encaminhar a gestante para pré-
natal de alto risco, já que se trata de
diabetes mellitus gestacional.
B) Encaminhar a gestante para pré-
natal de alto risco, já que se trata de
diabetes mellitus prévio diagnosticado
na gestação.
C) Solicitar um teste de tolerância à
glicose oral com 75 g imediatamente
para elucidar o diagnóstico e avaliar
necessidade de encaminhar a paciente
ao ambulatório especializado.
D) Solicitar um teste de tolerância à
glicose oral com 75 g com 26 semanas
para elucidar o diagnóstico e avaliar
necessidade de encaminhar a paciente
ao ambulatório especializado.
CCQ: Saber que glicemia de jejum
acima de maior/igual a 126 mg/dl
caracteriza uma diabetes prévia
Pessoal, tudo bem com vocês? Diabetes
gestacional é um tema muito
importante, devido sua prevalência
(sendo representada por 7,6% no
Sistema Único de Saúde), e suas
complicações, podendo levar a uma
macrossomia fetal, crescimento
intrauterino restrito, polidrâmnio,
prematuridade.
O rastreamento está indicado em todas
as gestantes, sendo realizado um
exame de glicemia em jejum antes das
20 semanas, cujo resultado normal é <
92 mg/dl , e caso apresente um
resultado normal, é necessário uma
prova de tolerância oral com glicose
entre as semanas 24ª e 28ª semanas de
gestação.
Sabendo disso, vamos analisar as
alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Resultados
de glicemia alterados, de 92 mg/dl a 125
mg/dl representam uma diabetes
gestacional, a nossa paciente apresenta
um resultado de 132 mg/dl, indicando
uma diabetes prévia.
Alternativa B - Correta: Resultados de
glicemia alterados, acima de 125 mg/dl,
já caracterizam uma diabetes prévia,
indicando um acompanhamento da
gestante em pré-natal de alto risco
devido às complicações que uma
diabetes pode trazer na gestação.
Alternativa C - Incorreta: O teste de
tolerância oral a glicose está indicado
apenas na 24ª a 28ª semana se a
gestante apresentar um resultado
normal no primeiro exame, em caso de
uma glicemia de jejum acima dos
valores para diabetes gestacional (92 -
125 mg/dl) na primeira medição, já
diagnostica como diabetes mellitus
prévia, não havendo necessidade de
outro exame confirmatório.
Alternativa D - Incorreta: Como
mencionado anteriormente, em casos
de resultado de glicemia em jejum
alterados na primeira medição, acima
de 125 mg/dl, já temos diagnóstico de
diabetes prévia, não havendo
necessidade de exame confirmatório.
10. Diante da pandemia da COVID-19, e
segundo o guia de vigilância
epidemiológica emergência de saúde
pública de importância nacional pela
doença pelo coronavírus 2019 - COVID-
19 (2021), o Ministério da Saúde emitiu
orientações de biossegurança durante a
investigação de infecções respiratórias
a partir de pacientes com suspeita de
infecção por SARS-CoV-2.
Nesta circunstância, para a coleta de
material potencialmente gerador de
aerossol, constitui a primeira linha de
proteção destinada aos profissionais da
saúde, os seguintes equipamentos de
proteção individual (EPI):
A) gorro descartável, protetor facial,
máscara PFF2 e avental de pano.
B) óculos de proteção, máscara
cirúrgica e avental de mangas
compridas.
C) gorro descartável, óculos de
proteção ou protetor facial, máscara
PFF2 (N95 ou equivalente), avental de
mangas compridas, luva de
procedimento e calçados fechados.
D) gorro descartável, óculos de
proteção ou protetor facial, máscara de
pano/tecido (dupla camada), avental de
mangas compridas, luva de
procedimento e calçados fechados.
CCQ: Saber que a máscara PFF2 e o
avental de mangas compridas fazem
parte da primeira linha de proteção
dos profissionais de saúde na coleta
de material potencialmente gerador
de aerossol no contexto da COVID-19
Fala, pessoal! Estamos diante de uma
questão que aborda o uso de
equipamentos de proteção individual
(EPIs) em situação de coleta de material
potencialmente gerador de aerossol,
como swab de vias aéreas ou aspirado
de vias aéreas de um paciente com
COVID-19. Vamos lá!
As medidas de prevenção e controle
de infecção devem ser implementadas
pelos profissionais que atuam nos
serviços de saúde para evitar ou reduzir
ao máximo a transmissão de
microrganismos durante qualquer
assistência à saúde realizada.
Voltado para o contexto da questão,
considerando profissionais de saúde
que realizam procedimentos geradores
de aerossóis, não podemos esquecer da
importância da máscara N95/PFF2. Ela
sedifere das demais máscaras como a
cirúrgica e as de pano devido a seu alto
poder de filtragem e de proteção
contra partículas que podem ficar no ar
por várias horas. N95 é a sigla utilizada
para a PFF2 (“peça facial filtrante”) nos
Estados Unidos, de modo que as duas
siglas representam a mesma máscara.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Incorreta: Não está
indicado o uso de avental de pano,
além de ser indispensável o uso de luvas
de procedimento.
Alternativa B – Incorreta: Não é
indicado a utilização de máscara
cirúrgica, e sim de máscara PFF2, já que
trata-se de uma situação de coleta de
material potencialmente gerador de
aerossol.
Alternativa C – Correta: Exato! Essa
alternativa cita todos os equipamentos
de proteção individual que devem ser
usados em situação de coleta de
material potencialmente gerador de
aerossol: gorro descartável, óculos de
proteção ou protetor facial, máscara
PFF2 (N95 ou equivalente), avental de
mangas compridas, luva de
procedimento e calçados fechados.
Alternativa D – Incorreta: Como visto
anteriormente, o indicado é o uso da
máscara PFF2, e não de máscara de
pano/tecido.
11. Uma paciente com 22 anos de idade
dá entrada na unidade de emergência
de hospital de média complexidade
com quadro de asma descompensada.
A paciente, que se apresenta
taquicárdica (frequência cardíaca: 110
batimentos por minuto), taquipneica
(frequência respiratória: 28 incursões
respiratórias por minuto) e febril (38,3
ºC), relata descompensação do quadro
respiratório há 2 dias, tendo utilizado
medicação de resgate (beta 2 agonista
adrenérgico inalatório) por diversas
vezes ao longo desse período, sem
obter melhora. Diagnosticada com
asma ainda na infância, ela conta que
sua doença vem sendo classificada
como asma moderada persistente,
estando em uso regular de beta 2
agonista de longa duração (salmoterol)
e corticoide inalatório (budesonida) em
baixa dose, além da medicação de
resgate. Ao exame físico, nota-se
também leve cianose e sibilância
inspiratória e expiratória; a
hemodinâmica encontra-se estável
bem como o nível de consciência. A
paciente é submetida a administração
de nebulização com beta 2 agonista
adrenérgico inalatório e anticolinérgico
de ação rápida (brometo de ipratrópio).
A despeito da oxigenioterapia sob
máscara nasal com reservatório,
repetição da nebulização e da
administração de metilprednisolona
intravenosa, a paciente continua com
algum grau de desconforto respiratório.
Exames laboratoriais indicam a
presença de possível processo
infeccioso bacteriano (leucocitose com
leve desvio à esquerda e aumento da
proteína C reativa [PCR]), confirmado
na radiografia de tórax, que indica
padrão de condensação segmentar no
lobo inferior direito. A gasometria
arterial revelou o seguinte padrão: pH:
7,44 (valor de referência [VR]: 7,35-
7,45); PaO2: 65 (VR para idade: 95);
PaCO2: 44 (VR: 35-45); HCO3 : 22 (VR:
24 +/- 2); SaO2: 91% (VR > 94%).
Completada essa avaliação inicial, o
médico opta por indicar a realização de
intubação orotraqueal preventiva. A
principal razão para a tomada dessa
decisão
A) foi o nível reduzido da PaO2 à
gasometria arterial.
B) foi o nível normal da PaCO2 à
gasometria arterial.
C) foram as evidências de pneumonia à
radiografia de tórax, hemograma e
PCR.
D) foi a presença de sibilância
inspiratória e expiratória associada à
taquipneia.
QUESTÃO ANULADA
Fala aluno Aristo! Temos aqui uma
questão sobre Asma que deu o que
falar! Basicamente, foi indicada
intubação orotraqueal (IOT) precoce
nessa paciente, e a banca solicitava o
porquê.
A questão justamente foi anulada pois
nenhuma alternativa trazia uma
justificativa plausível. Vamos tentar
entender o que a banca queria:
Primeiramente, a decisão de intubar um
paciente asmático é difícil: a IOT
aumenta ainda mais a reatividade
brônquica, causando mais constrição.
Por isso, a técnica de IOT precoce pode
ser benéfica, pois um preparo
apropriado diminui os efeitos
deletérios, sendo a IOT tardia muito
mais difícil. Para ajudar nessa decisão,
utilizamos o mnemônico ABC:
• A) paciente apresenta alteração
do estado mental.
• B) breathing: esforço
respiratório, fadiga respiratória,
hipóxia e hipercapnia
• C) curso desfavorável: pacientes
que estão deteriorando
No nosso caso, a paciente não
apresentava alteração do estado
mental mas, mesmo após as medidas
iniciais com fornecimento de oxigênio,
nebulização e corticoide, ainda
mantinha algum grau de desconforto
respiratório. Também, foi descrita
cianose discreta, PaO2: 65, PaCO2 no
limite superior e SaO2: 91% (VR > 94%)
- o que pode ser interpretado como um
curso desfavorável.
Portanto, o que banca gostaria?
Que o candidato assinalasse a
alternativa A. Justificando
subjetivamente que a hipóxia e cianose,
em asma refratária, podem ser
indicações de IOT precoce. No entanto,
devemos sempre analisar a clínica do
paciente. Além disso, se formos falar de
valores, segundo o GINA (principal
referência no tema), os critérios para
falência respiratória são: PaO2 < 60
mmHg e PaCO2 normal ou aumentado
(> 45 mmHg) após as medidas iniciais.
Portanto, podemos tirar daí a indicação
de intubação.
Visto isso, vamos concluir que o
principal motivo da indicação da
intubação aqui é a refratariedade às
medidas iniciais com sinal de falência
respiratória.
Basicamente, as alternativas não foram
bem formuladas mas, vamos analisá-
las:
Alternativa A - Incorreta: Se formos
levar em conta estritamente o valor da
PaO2, seria correto considerar se a
PaO2 fosse menor que 60 mmHg, que
não é o caso.
Alternativa B - Incorreta: Níveis
normais de PaCO2 nesse contexto
justificariam a intubação orotraqueal,
mas veja que seria uma resposta
incompleta, não seria a principal razão,
como pergunta o enunciado. A principal
razão é a refratariedade às medidas
terapêuticas iniciais com evolução para
falência respiratória.
Alternativa C - Incorreta: Pneumonia
não é indicação de IOT.
Alternativa D - Incorreta: A presença
de sibilância e taquipneia não é
indicação de IOT.
12. Uma paciente com 43 anos de
idade, sem comorbidades, vem
apresentando quadro de dor em
hipocôndrio direito, febre, colúria e
acolia fecal há 48 horas. Ao exame,
mostra-se lúcida, orientada no tempo e
espaço, com icterícia +/4, temperatura
axilar 39 ºC e pressão arterial de 130 x 90
mmHg. No exame do abdome
apresenta dor à palpação profunda do
ponto cístico, sem massas e/ou
visceromegalias. Realizou
ultrassonografia que mostrou vesícula
biliar com paredes levemente
espessadas, com cálculos pequenos em
seu interior; dilatação das vias biliares
com colédoco medindo 1 cm.
Diante desse quadro, quais são,
respectivamente, a principal hipótese
diagnóstica e o tratamento inicial
adequado?
A) Colecistite aguda; antibioticoterapia
venosa.
B) Colangite aguda; antibioticoterapia
venosa.
C) Colecistite aguda; colecistectomia de
emergência.
D) Colangite aguda; drenagem cirúrgica
das vias biliares.
CCQ: Icterícia obstrutiva + dor em
hipocôndrio direito + febre = colangite
aguda
Salve salve família Aristo, tudo bem
com vocês? Questãozinha do INEP-
REVALIDA-DF de 2022 trazendo um
tema frequente nas provas, sendo
abordado de forma inteligente e sem
muitas complicações, concordam?
A respeito de paciente de 43 anos com
quadro de dor em hipocôndrio direto,
febre, colúria e acoli fecal há 48 h, com
exame físico denotando febre de 39°C,
PA de 130 x 90 mmHg, com dor à
palpação profunda do ponto cístico.
USG demonstrou vesícula biliar com
paredes levemente espessadas, com
cálculos pequenos em seu interior e
colédoco dilatado, com 1 cm de
diâmetro. Qual o diagnóstico e conduta
inicial?
Icterícia obstrutiva+ dor em
hipocôndrio direito + febre (podendo
ter calafrios associados) = colangite
aguda, certo!? Tal paciente apresenta a
tríade de Charcot e fecha nossa
hipótese principal. Inicialmente, a
conduta é internação, estabilização
clínica e início de antibioticoterapia,
com programação de CPRE eletiva,
caso se mantenha estável. Caso piore,
com instabilidade hemodinâmica e
confusão mental, devemos pensar que
o paciente está evoluindo com a
pêntade de Reynolds e, nesse caso,
deve-se fazer CPRE com urgência para
exploração da via biliar.
Bora avaliar as alternativas!!!
Alternativa A - Incorreta: Colecistite
aguda não cursa com icterícia, colúria e
acolia fecal;
Alternativa B - Correta: Conforme
explicação acima;
Alternativa C - Incorreta: Nos casos de
colecistite, não se realiza
colecistectomia de forma imediata;
Alternativa D - Incorreta: Não se indica
drenagem cirúrgica das vias biliares
como tratamento inicial de colangite
aguda não-supurativa.
13. Uma menina com 11 meses de idade
comparece à consulta de puericultura
na Unidade Básica de Saúde. A mãe
questiona como deve seguir a
vacinação, especificamente no caso do
sarampo, uma vez que a criança
recebeu uma dose dessa vacina aos 8
meses de idade, quando teve contato
com um caso suspeito da doença.
De acordo com o estabelecido pelo
Ministério da Saúde, essa criança deve
receber uma dose da vacina
A) tríplice viral aos 12 meses e uma dose
da vacina tetraviral aos 15 meses.
B) tríplice viral aos 12 meses e uma dose
da vacina tetraviral aos 18 meses.
C) antissarampo aos 12 meses e uma
dose da vacina tríplice viral aos 15
meses.
D) antissarampo aos 18 meses e outra
dose da vacina tetraviral aos 18 meses.
CCQ: Mesmo após a dose zero da
vacina contra Sarampo, a criança deve
receber uma dose da tríplice viral aos
12 meses e uma da tetra viral aos 15
meses
Ei pessoal, tudo joia? Questão simples,
direta e muito possível de ser recorrente
dada a nova realidade que estamos
vivendo, de aumento de casos de
sarampo. Vamos rever a imunização
dessa doença?
A vacina contra Sarampo é composta de
vírus vivo atenuado e deve ser
administrada em duas doses: aos 12
meses pela tríplice viral e aos 15 meses
pela tetra viral. Mas a criança da
questão tomou uma vacina aos 8
meses, o que houve?
Diante da epidemia de Sarampo em
2019, houve uma recomendação de
uma dose adicional, chamada de dose
zero, para os lactentes de 6 meses até
11 meses e 29 dias. Essa dose NÃO
entra na conta das vacinas: é uma extra,
então a criança do caso ainda deve
tomar a tríplice aos 12 e a tetra aos 15
meses.
E um algo a mais sobre a vacina do
Sarampo é que ela pode ser feita para
pacientes expostos, não imunizados e
imunocompetentes como forma de
bloqueio. A vacina pode ser
administrada em até 72h após o contato
com um caso suspeito.
Vamos ver as alternativas:
Alternativa A - Correta: Exatamente o
que comentamos!!
Alternativa B - Incorreta: Aqui, o erro
está na idade de aplicação da tetra viral.
Alternativa C - Incorreta: Não, a dose
da tríplice é aos 12 meses.
Alternativa D - Incorreta: Aqui está
tudo errado!!
14. Uma paciente chega à unidade de
emergência com idade gestacional de
37 semanas e 6 dias, gesta: 2, para: 1,
aborto: 0 (um parto cesariana anterior),
com contrações uterinas presentes,
colo não pérvio, pressão arterial de 160
x 110 mmHg, já com duas aferições
intervaladas por 10 minutos.
Para esse caso, a conduta correta é
solicitar
A) acesso venoso e decúbito lateral
esquerdo, além de encaminhar a
paciente para cesariana de urgência.
B) decúbito lateral esquerdo e exames
laboratoriais, além de reavaliar a
pressão arterial da paciente e proceder
a resolução da gestação.
C) acesso venoso e exames
laboratoriais, além de iniciar sulfato de
magnésio e proceder a resolução da
gestação.
D) acesso venoso e exames
laboratoriais, além de encaminhar a
paciente para cirurgia devido a
cesariana anterior.
[QUESTÃO ANULADA]
Olá Aluno! Nos deparamos aqui com
uma questão sem resposta certa! A
questão nos cobra a conduta mais
adequada em casos de pico
hipertensivo grave na gestação. Vamos
conversar um pouco sobre?
A gravidez representa um
"experimento" para a reserva
cardiovascular da paciente no que
tange à hipertensão. Pacientes com
tendência a hipertensão desenvolvem
a DHEG (Doença Hipertensiva
Específica da Gravidez). Pacientes
com hipertensão prévia podem
apresentar uma DHEG superajuntada
à hipertensão prévia, cursando com
descompensação da comorbidade de
base.
Dentre as principais complicações da
DHEG, devemos nos atentar à pré-
eclâmpsia e eclâmpsia. A pré-eclâmpsia
consiste em medidas de pressão arterial
alteradas, podendo ser leve ou grave.
Observe abaixo:
Fonte: www.rmmg.org
Já a eclâmpsia é um fenômeno grave,
caracterizado por uma crise convulsiva
tônico-clônica generalizada e pode ser
precedida de sinais que indica a
iminência de eclâmpsia (cefaleia +
epigastralgia + escotomas visuais).
No casos dos picos hipertensivos, eles
devem ser manejados com anti-
hipertensivos de rápida ação. A
escolha principal é a hidralazina
seguida do nifedipino e, em último
caso, o uso de nitroprussiato de sódio,
que deve ser evitado pois podem causar
intoxicação fetal. Já a iminência de
eclâmpsia e a eclâmpsia são tratadas
com Sulfato de Magnésio em
esquema de Pritchard.
Na questão acima, a paciente apresenta
um pico hipertensivo. Não há evidência
de sofrimento fetal e nem sinais de
eclâmpsia ou iminência de eclâmpsia.
Portanto, o tratamento deveria ter sido
feito com Hidralazina, Nifedipino ou
Nitroprussiato de sódio. Nenhuma
dessas opções está presente nas
alternativas.
15. Primigesta com 36 anos de idade e
com 26 semanas de gestação
comparece à consulta de rotina de pré-
natal na Unidade de Saúde da Família
(USF). A paciente nega queixas,
apresenta situação vacinal atualizada,
sorologias de segundo trimestre
negativas e procura checagem do
resultado do teste oral de tolerância à
glicose, realizado há 1 semana. O
resultado da glicemia de jejum de
primeiro trimestre foi de 90 mg/dl. O
médico de Família e Comunidade
identifica, no teste oral de tolerância à
glicose, glicemia de jejum de 85 mg/dl e
http://rmmg.org/artigo/detalhes/1194
encontra o valor de 192 mg/dl na
dosagem após 1 hora de sobrecarga e o
de 180 mg/dl na dosagem após 2 horas.
Com relação a esse caso, quais são,
respectivamente, o diagnóstico e a
conduta corretos?
A) Diabetes mellitus gestacional não
detectado; manter seguimento na
rotina de pré-natal de risco habitual na
USF.
B) Diabetes mellitus gestacional;
solicitar início, na USF, da
insulinoterapia (2,5 UI/Kg/dia) e avaliar
glicemia capilar em 15 dias.
C) Diabetes mellitus gestacional;
manter acompanhamento longitudinal
na USF e encaminhar a paciente para
pré-natal de alto risco.
D) Diabetes mellitus; suspender
acompanhamento do pré-natal de risco
habitual na USF e encaminhar a
paciente ao pré-natal de alto risco.
CCQ: TOTG entre 24 e 28 sem com
jejum entre 92 a 125 mg/dL, ≥ 180
mg/dL na 1 hora ou entre 153 e 199
mg/dL após 2 horas é DMG
Fala, aluno Aristo! Tudo tranquilo?
Temos aqui uma questão que aborda
um assunto garantido na sua prova!
Diabetes na gestação é um tema
recorrente e devemos estar com os
conceitos dominados. Vamos revisar
juntos:
O diabetes mellitus (DM) é
caracterizado por hiperglicemia
consequente à deficiência insulínica, que
pode ser decorrente da produção
pancreática reduzida, de inadequada
liberação e/ou da resistência periférica
ao hormônio. A hiperglicemia deve ser
categorizada e diferenciada em DM
diagnosticado na gestação (do inglês,
overt diabetes) ou em diabetes mellitus
gestacional, como descrito abaixo:• Diabetes mellitus gestacional
(DMG): hiperglicemia detectada
pela primeira vez durante a
gravidez, com níveis glicêmicos
sanguíneos que não atingem os
critérios diagnósticos para DM;
• Diabetes mellitus
diagnosticado na gestação
(overt diabetes): mulher sem
diagnóstico prévio de DM, com
hiperglicemia detectada na
gravidez e com níveis glicêmicos
sanguíneos que atingem os
critérios da OMS para o DM em
não gestantes;
O rastreamento do DM é feito através
da medida da glicemia de jejum na
primeira consulta pré-natal < 20
semanas). Em caso de glicemia ≥ 126
mg/dL, temos diagnóstico de DM na
gestação; se glicemia 92 a 126 mg/dL,
considera-se DM gestacional. Se
glicemia < 92 mg/dL, aplica-se o TOTG
75g entre 24 e 28 semanas de gestação.
Nesse caso, o diagnóstico de DM
gestacional é confirmado se ao menos
um valor de:
• Jejum entre 92 a 125 mg/dL;
• 1 hora ≥ 180 mg/dL;
• 2 horas entre 153 e 199 mg/dL.
Por outro lado, o diagnóstico de DM na
gestação é firmado em caso de haver
ao menos um valor de:
• Jejum ≥ 126 mg/dL;
• 2 horas ≥ 200 mg/dL.
O tratamento do DMG inclui medidas
não farmacológicas como cuidados
com a alimentação, prática de exercício
físico e farmacológicas como uso de
medicamentos, além de
monitorizações metabólica e obstétrica
continuadas.
O tratamento farmacológico padrão
para o DMG é a insulina. O tratamento
com insulina é indicado nas gestantes
que não atingem as metas de controle
glicêmico com dieta, que apresentam
falha do tratamento com medicação VO
ou naquelas com indicadores de provável
falha do tratamento VO (glicemia de
jejum > 140 mg/dL ou glicemia em 2 h
no TOTG > 200 mg/dL).
A banca nos apresenta uma paciente
com os seguintes resultados no TOTG:
glicemia de jejum de 85 mg/dl, que não
fecha o diagnóstico de DM, mas valores
de 192 mg/dl na dosagem após 1 hora de
sobrecarga e o de 180 mg/dl na dosagem
após 2 horas, ambos valores fechando o
diagnóstico de DM gestacional.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Os valores
encontrados no TOTG indicam
diagnóstico de DM gestacional e a
paciente deve ser encaminhada para
pré-natal de alto risco.
Alternativa B - Incorreta: O
diagnóstico é de DM gestacional e a
terapêutica inicial deve ser feita com
medidas não farmacológicas,
inicialmente, e encaminhamento ao
pré-natal de alto risco.
Alternativa C - Correta: Como
discutido, os valores fecham o
diagnóstico de DM gestacional e a
paciente deve ser encaminhada ao pré-
natal de alto risco, com a USF habitual
mantendo o cuidado longitudinal e
coordenação do cuidado.
Alternativa D - Incorreta: O
diagnóstico de é DM gestacional. A
paciente deve ser encaminhada ao pré-
natal de alto risco, mas seguir o
acompanhamento na USF habitual.
16. Uma jovem com 19 anos de idade
chega para consulta na Unidade de
Pronto Atendimento por icterícia e
desconforto no quadrante superior
direito do abdome. A paciente refere
que vem se sentindo cansada há
aproximadamente 10 dias,
acrescentando que, nos primeiros 2 dias
desse quadro, apresentou febre (38 ºC
na região axilar) e artralgia, coriza, tosse
seca, perda de apetite, náuseas e dois
episódios de vômitos. Conta ainda que,
quando a icterícia apareceu, os
sintomas melhoraram bastante e que
agora sente apenas um pouco de
desconforto no quadrante superior
direito do abdome e leve diminuição do
apetite. Ao exame físico, a paciente
apresenta regular estado geral, ictérica
e com fígado palpável 2 cm abaixo do
rebordo costal; o baço não é palpável.
Considerando o quadro clínico e os
dados apresentados, a principal
hipótese diagnóstica dessa paciente é
A) leptospirose.
B) mononucleose.
C) colecistite aguda.
D) hepatite aguda viral.
CCQ: Saber que diante de um quadro
com um período prodrômico com
sintomas inespecíficos seguido do
aparecimento de icterícia e
hepatomegalia dolorosa devemos
suspeitar do diagnóstico de hepatite
viral aguda
Fala, aluno Aristo! Aqui nos deparamos
com mais uma questão sobre
gastroenterologia, focando nas
hepatites virais. Não se preocupe se não
conseguiu acertar. Vamos aprender
esse CCQ e acertar a partir de agora!
As hepatites agudas virais são doenças
causadas por diferentes agentes
etiológicos e que possuem relevância
para a saúde pública, devido ao grande
número de indivíduos atingidos e a
possibilidade de complicações.
É importante saber que o quadro clínico
da doença pode ser
oligossintomático/assintomático ou
sintomático. No primeiro caso, os
sintomas estão ausentes ou são leves e
atípicos, simulando um quadro gripal.
Já no segundo caso, as manifestações
clínicas são típicas como febre,
icterícia e colúria.
Na hepatite aguda, três fases podem
ser evidenciadas na evolução do
quadro. Há um período prodrômico ou
pré-ictérico em que ocorre a incubação
do vírus e ainda não está evidente a
icterícia. Nesse período, é comum
aparecerem manifestações
inespecíficas como anorexia, náuseas,
vômitos, febre baixa, mialgia, artralgia
e fadiga.
Posteriormente, há o aparecimento da
icterícia, na fase ictérica, e, em geral, os
sintomas prodrômicos tendem a
diminuir. O paciente pode apresentar
hepatomegalia dolorosa e
esplenomegalia. Há hiperbilirrubinemia
intensa e progressiva, às custas
principalmente de bilirrubina direta. As
aminotransferases podem aumentar de
10 a 100 vezes o limite superior da
normalidade.
Por fim, há o período de convalescença,
em que ocorre o desaparecimento da
icterícia e melhora do bem-estar geral.
Caso haja sintomas por mais de seis
meses, devemos pensar na cronificação
do quadro. Os vírus B, C e D podem
cronificar. Nesses casos, há inflamação
e fibrose contínua do fígado, podendo
levar a sintomas dependendo do grau
de lesão hepática. Está relacionado com
uma evolução desfavorável, com
complicações como cirrose hepática.
Agora que discutimos um pouco sobre
essa doença, vamos analisar as
alternativas abaixo.
Alternativa A - Incorreta: A
leptospirose geralmente se apresenta
com um período precoce com sintomas
inespecíficos como febre, dor de
cabeça, dor muscular, perda de apetite,
náuseas e vômitos. Em 15% dos casos,
pode evoluir para a apresentação mais
grave, cuja principal manifestação é a
síndrome de Well, com icterícia,
insuficiência renal e hemorragias.
Assim, não pensamos nessa condição
como diagnóstico mais provável.
Alternativa B - Incorreta: Deve-se
suspeitar de mononucleose em caso de
febre, dor de garganta, fadiga e
linfoadenomegalia importante. Dessa
forma, apresenta quadro típico
diferente do apresentado pela paciente.
Alternativa C - Incorreta: A colecistite
aguda se apresenta geralmente com
um quadro de dor contínua em abdome
superior, pior após a ingestão de
alimentos gordurosos. O paciente pode
apresentar náuseas, vômitos, anorexia
e febre. Não cursa com icterícia, a não
ser quando associada a outras
complicações, como coledocolitíase,
não sendo pensada como diagnóstico
mais provável.
Alternativa D - Correta: Como vimos,
as hepatites virais agudas cursam com
um período de sintomas inespecíficos e,
posteriormente, aparecimento da
icterícia e da hepatomegalia dolorosa e
ocasional esplenomegalia, sendo
compatível com o quadro acima
descrito.
17. Um homem com 33 anos de idade
chega para atendimento no Pronto-
Socorro de hospital de nível secundário.
Relata vômitos com sangue assim como
fezes escurecidas e fétidas há 1 dia. Ao
exame físico, encontra-se descorado,
taquicárdico, hipotenso. Realizou
endoscopia digestiva alta que
evidenciou úlcera péptica pré-pilórica
(tipo III de Johnson), com sangramento
em jato proveniente da lesão
(Classificação Ia de Forrest), sendo
realizada hemostasia da ulceração com
solução de adrenalina. Doze horas após
aterapêutica endoscópica, apresentou
novamente vômitos com sangue em
grande quantidade, frequência cardíaca
de 110 batimentos por minuto e pressão
arterial de 80 x 40 mmHg.
Com base na história clínica do paciente
e nos dados do exame físico, o
tratamento adequado deve ser
A) reposição volêmica e nova
endoscopia para terapêutica
endoscópica.
B) terapia intensiva, inibidor de bomba
de prótons e tratamento operatório.
C) transferência para angiografia
terapêutica e embolização em hospital
terciário.
D) terapia intensiva e dobrar a dose de
inibidor de bomba de prótons
endovenoso.
CCQ: Saber que em pacientes com
hemorragia digestiva alta e perda
importante de volume é necessário
realizar reposição volêmica e
tratamento endoscópico
Olá, aluno Aristo. Temos aqui mais uma
questão sobre hemorragia digestiva
alta. Não se preocupe se errou. Vamos
aprender esse CCQ e acertar a partir de
agora.
Dizemos que há hemorragia digestiva
alta (HDA) quando há sangramentos no
trato gastrointestinal acima do
ligamento de Treitz. Ela pode ser
manifestada por meio de hematêmese,
em que há vômitos com sangue, ou
melena, em que o sangue encontra-se
digerido nas fezes, dando-lhes o
aspecto escurecido e fétido.
Diante de um paciente com HDA a
prioridade do tratamento é a
estabilização hemodinâmica em caso
de sangramento agudo. Em pacientes
com perdas menores que 15% de
volume não há sintomas como
hipotensão e taquicardia. Perdas entre
15 a 30% geram taquicardia em repouso
e hipotensão postural e, no caso de PAS
< 90 mmHg, alterações de consciência e
extremidades frias, devemos suspeitar
de choque hipovolêmico, em que a
perda sanguínea é maior que 40% do
volume. Nos casos em que há
sintomatologia diante do sangramento,
é necessário realizar reposição
volêmica.
Após estabilização hemodinâmica e
medidas iniciais como monitorização e
solicitação de exames laboratoriais,
deve-se realizar endoscopia digestiva
alta (EDA) precocemente, entre 12 a 24
horas após a admissão, para se
identificar a origem do sangramento e
inclusive tratá-lo em alguns casos.
A doença ulcerosa péptica é uma das
causas da HDA. Ela pode ser
classificada, de acordo com sua
localização, pela classificação de
Johnson:
• Tipo I - localizada no corpo
gástrico;
• Tipo II - associada à úlcera
duodenal;
• Tipo III - pré-pilórica;
• Tipo IV - próxima à junção
esofogogástrica, considerada
alta.
Além disso, a classificação de Forrest,
permite avaliar o sangramento
presente na úlcera e guia a terapia
endoscópica a ser escolhida. Podemos
visualizar essa classificação na tabela
abaixo. Em casos de sangramentos
visíveis ou vaso visível, deve ser
realizado tratamento endoscópico.
Disponível em: GIORDANO-NAPPI,
José; MALUF FILHO, Fauze. Aspectos
endoscópicos no manejo da úlcera
péptica gastroduodenal. Rev. Col. Bras.
Cir., Rio de Janeiro , v. 35, n. 2, p. 124-
131, Apr. 2008 .
Diante disso, vamos analisar as
alternativas abaixo.
Alternativa A - Correta: O paciente
acima apresenta sinais de instabilidade
hemodinâmica e precisa de reposição
volêmica. Além disso, está indicada
realização de EDA para identificação da
origem do sangramento e tratamento.
Alternativa B - Incorreta: O
tratamento cirúrgico está indicado em
pacientes com choque hipovolêmico,
que não respondem a outros métodos e
aqueles que necessitem de mais de 6
unidades de concentrado de hemácias,
o que não é o caso.
Alternativa C - Incorreta: A angiografia
terapêutica e a embolização não são
tratamentos indicados para úlceras
pépticas.
Alternativa D - Incorreta: Os inibidores
de bomba de prótons devem ser usados
para tratamento da úlcera péptica,
podendo utilizar o omeprazol ou
pantoprazol, 80mg em bolus com
manutenção de 8mg/h durante 72 horas
para aumentar a estabilidade do
coágulo. Apesar disso, nesse paciente
em questão é necessário
prioritariamente a estabilização
hemodinâmica e abordagem
endoscópica inicialmente.
18. Um médico de plantão em uma
unidade de saúde materno- infantil de
hospital secundário recebe a
informação de parto de uma gestante
com antecedente de tratamento de
sífilis primária no segundo trimestre da
gestação, com penicilina benzatina
2.4000.000 UI, dose única, via
intramuscular. O parto foi normal, sem
intercorrências, com recém-nascido
(RN) a termo, capurro de 39 semanas e
4 dias, peso: 3.450 g, estatura: 49 cm e
apgar: 9-10; ele está assintomático e
com exame físico sem alterações.
Houve a coleta de sorologias da mãe e
do RN. Os resultados do VDRl mostram
títulos maternos de 1:4 e títulos do RN
de 1:32.
Em relação ao recém-nascido, a
conduta a ser adotada é
A) fazer seguimento ambulatorial com
novas coletas de VRDl nas consultas de
rotina.
B) solicitar radiografia de ossos longos e
hemograma e notificar sífilis congênita
se exames alterados.
C) notificar sífilis congênita, solicitar
líquor, radiografia de ossos longos,
hemograma e iniciar tratamento.
D) notificar sífilis congênita e iniciar
tratamento com penicilina cristalina
endovenosa por 10 dias.
CCQ: Se títulos de VDRL do RN forem
pelo menos duas diluições maiores
que os da mãe, notificar sífilis
congênita, solicitar líquor, radiografia
de ossos longos, hemograma e iniciar
tratamento
Ei pessoal, tudo certo por aí?
Questãozinha sobre infecções
congênitas, mais especificamente a
sífilis. Bora rever?
Sempre que temos uma gestante
diagnosticada com sífilis, precisamos
nos atentar à possibilidade de uma
transmissão vertical e ao fato de que o
recém-nascido pode ter uma sífilis
congênita.
A criança da questão é uma criança
exposta à sífilis e nesse caso não
sabemos se a mãe foi ou não tratada
adequadamente, pois não temos os
títulos de VDRL anteriores. Se
supormos que não, temos uma criança
exposta a sífilis com tratamento
inadequado da mãe: notificamos sífilis
congênita, solicitamos exames e
tratamos. Os exames solicitados são:
Teste não-treponêmico em amostra de
sangue periférico da puérpera e do RN;
radiografia de ossos longos; análise do
líquido cefalorraquidiano (VDRL,
celularidade e proteinorraquia) e
hemograma completo.
Se supormos que sim, temos uma
criança com mãe adequadamente
tratada, mas com teste não
treponêmico pelo menos duas diluições
MAIOR que o materno: notificamos
sífilis congênita, solicitamos exames e
tratamos. Veja esse fluxograma que
resume bem o que dissemos e também
pode ser encontrado na página 36 da
sua apostila sobre Infecções
Congênitas.
Vamos ver as alternativas:
Alternativa A - Incorreta: A sífilis
congênita pode trazer inúmeras
consequências, precisamos tratar, não
apenas observar o caso.
Alternativa B - Incorreta: Como vimos,
já consideramos sífilis congênita e
notificamos. Os exames nos ajudarão a
guiar o tratamento, não a diagnosticar.
Alternativa C - Correta: Exatamente o
que vimos.
Alternativa D - Incorreta: O que vai
guiar o tipo de penicilina usada serão os
exames. Líquor normal, posso usar a
procaína, por exemplo.
19. Uma mulher com 38 anos de idade
comparece ao pronto atendimento com
dor em baixo ventre de forte
intensidade há algumas horas. A
paciente refere que vinha sentindo um
leve incômodo em baixo ventre, mas há
algumas horas sente dor de forte
intensidade em abdome, mais
localizada em baixo ventre. Não tem
fatores de melhora e piora ao caminhar.
Refere náuseas e um episódio de
vômito. Nega febre. Como
antecedentes já teve uma doença
inflamatória pélvica há alguns anos,
tratada com antibióticos. Está casada
há 10 anos, não utiliza método
anticoncepcional hormonal e não usa
preservativo em todas as relações. Tem
dois filhos que nasceram de parto
normal. Nega patologias clínicas. A
data da última menstruação foi há
aproximadamente7 semanas. Ao
exame, apresenta regular estado geral,
lúcida e contactuante, afebril,
descorada (++/++++), com pressão
arterial de 100 x 55 mmHg e pulso de
110 batimentos por minuto. Exame
cardiopulmonar sem anormalidades.
Abdome distendido, doloroso,
descompressão brusca presente em
fossa ilíaca direita. Ruídos hidro aéreos
presentes, mas diminuídos. Exame
especular sem sangramento, presença
de discreta leucorreia fluida sem sinais
de vulvovaginite. Toque vaginal com
muita dor, dificultando o exame, mas o
útero está de tamanho, forma e
consistência normal; sente muita dor à
palpação de fundo de saco.
Considerando o quadro clínico
apresentado, assinale a opção que
apresenta, respectivamente, a principal
hipótese diagnóstica e a conduta
correta a ser realizada.
A) Apendicite aguda; cirurgia.
B) Gestação ectópica rota; cirurgia.
C) Doença inflamatória pélvica;
antibioticoterapia parenteral.
D) Aborto ou ameaça de aborto;
internação para observação.
CCQ: Mulheres com gravidez ectópica
tendem a cursar com sintomas de dor
abdominal, atraso menstrual e
sangramento genital
Olá, pessoal! Questão bem interessante
porque requer conhecimento não
apenas da ginecologia e obstetrícia mas
também ter um bom leque de
diagnósticos diferenciais se tratando de
dor abdominal.
Nesse caso, trata-se de uma paciente
com DUM há 7 semanas e apresentando
um quadro que já indica uma
instabilidade. O exame físico revela
descompressão brusca presente em
fossa ilíaca direita como um sinal de
irritação peritoneal e o toque vaginal
doloroso. A história de dor a abdominal
com atraso menstrual e sinais de
choque é um forte indicativo de
gravidez ectópica rota.
Sendo resultado de implantação e
desenvolvimento do ovo fora da
cavidade uterina, o local mais
acometido por essa patologia são as
tubas uterinas (90%-95% dos casos),
porém podem ocorrer em diferentes
locais como na porção intersticial da
tuba, cérvice uterina, no ovário,
cavidade do abdômen e, até mesmo, na
cicatriz da cesárea.
Nesses casos, a dor é o principal
sintoma, tendo caráter sincopal e
lancinante na ruptura tubária e possui
caráter de cólicas no aborto. Ao
estabelecimento do hemoperitônio, a
dor se acentua e generaliza para todo o
abdome associado à ocorrência de
náuseas e vômitos. Pode ocorrer dor
escapular decorrente de dor referida
por irritação diafragmática pelo
hemoperitônio.
Durante o exame físico da paciente,
podem ser notados sinais como palidez
cutaneomucosa sem perda sanguínea
visível, taquicardia e hipotensão arterial
devido ao estado de hipovolemia
instalado devido a condição. Além
disso, pode-se observar dor à
descompressão brusca, redução dos
ruídos hidroaéreos intestinais, intensa
dor durante a palpação do fundo de
saco posterior (classificado como Sinal
de Proust) - como apresentado pela
paciente.
Agora, vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Embora o
dado de descompressão brusca
presente em fossa ilíaca direita possa
levar a cogitar apendicite, outros dados
da história clínica da paciente como
amenorreia, toque vaginal doloroso e os
sinais vitais podem não torná-lo o
principal diagnóstico.
Alternativa B - Correta: Exato!
Conforme justificado no texto.
Alternativa C - Incorreta: A paciente
não possui os critérios para fechar
diagnóstico de DIP.
Alternativa D - Incorreta: A paciente
não apresenta história compatível com
ameaça de aborto.
20. O médico de uma Equipe de Saúde
da Família (ESF) está presente em uma
reunião com moradores da área adstrita
que discute sobre o papel da ESF no
planejamento de um projeto de
intervenção coletiva para promoção da
saúde local. Um dos moradores
pergunta sobre a possibilidade e
importância da participação do controle
social no projeto.
Com relação ao aspecto questionado, o
médico deve esclarecer que
A) não há espaço para a participação do
controle social no desenvolvimento do
projeto de intervenção.
B) a participação do controle social é
legalmente permitida e muito
importante para o desenvolvimento do
projeto.
C) a participação do controle social no
desenvolvimento do projeto seria
importante, mas não é permitida pela
legislação brasileira.
D) a participação do controle social no
desenvolvimento do projeto só é
permitida após aprovação pelo poder
legislativo do município.
CCQ: Saber que a participação do
controle social é instituída legalmente
Fala, galera! Estamos diante de uma
questão que aborda a participação
social, princípio definido pela Lei
Orgânica da Saúde (8.080/90) e
sistematizado pela lei 8142/90. Observe
que há uma tendência das provas em
não perguntar diretamente o que diz
determinada lei, mas sim mesclar em
situações do cotidiano. Vamos rever
sobre esses princípios, já que trata-se de
um tema recorrente:
• Universalidade: significa que
todos os cidadãos têm acesso ao
sistema, incluindo os
estrangeiros.
• Integralidade: as ações de saúde
estão presentes em todas as
possíveis esferas, promoção de
saúde, prevenção de doenças,
cura e reabilitação.
• Equidade: esse princípio existe
devido a necessidade de
redução das disparidades sociais
e regionais que temos no Brasil.
Ele se relaciona ao conceito de
Justiça Social. Em se tratando de
SUS visa ações e serviços de
saúde, de forma a garantir
atendimento ao cidadão em
qualquer lugar, da forma que ele
precisar, sem distinção de
classe, sem privilégios, sem
nada do tipo. Ele se materializa
oferecendo mais recursos a
quem mais precisa e menos
recursos a quem menos precisa.
Logo, percebemos que
equidade é diferente de
igualdade, já que igualdade não
envolve diminuição de
heterogeneidade.
• Descentralização: significa uma
redistribuição das
responsabilidades das ações e
dos serviços de saúde entre os 3
níveis de poder.
• Regionalização:
municipalização do cuidado,
mediante maior autonomia e
autoridade dos municípios, já
que cada município conhece
melhor sua realidade.
• Hierarquização: organização da
atenção em diferentes níveis de
atenção, primária, secundária e
terciária.
• Participação Social: garante
participação da própria
população na formulação de
políticas e ações em saúde.
Ocorre mediante os Conselhos e
as Conferências de Saúde.
• Resolubilidade: o sistema deve
ser resolutivo, ou seja, de
alguma forma o problema do
usuário/paciente deve ser
solucionado!
• Complementaridade: é possível
contratar o serviço privado. Em
caso de insuficiência do setor
público, pode haver necessidade
de contratação do serviço
privado de forma
complementar.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Incorreta: Há espaço
para a participação do controle social no
desenvolvimento do projeto de
intervenção, assim como está previsto
na legislação.
Alternativa B – Correta: Exato! A
participação do controle social é
assegurada pela Lei 8142 e é essencial
no desenvolvimento do projeto.
Alternativa C – Incorreta: A
participação do controle social no
desenvolvimento do projeto é
permitida pela legislação brasileira.
Alternativa D – Incorreta: Não é
necessário a aprovação do poder
legislativo para que a participação
social ocorra, ela pode ocorrer por meio
de participação ativa da população nas
atividades da saúde, nos Conselhos e
Conferências de saúde.
21. Uma jovem com 14 anos de idade
procura atendimento em Unidade
Básica de Saúde (UBS) devido a crises
recorrentes de lombalgia há, pelo
menos, 4 anos. Relata que a dor é
intensa, de início agudo, sem fator
desencadeante que tenha identificado e
que já havia precisado ser levada a
pronto atendimento em algumas
dessas crises para administração de
analgésicos endovenosos. Conta que,
em algumas dessas ocasiões, realizou
exames laboratoriais, informandoque
apenas era detectada a presença de
anemia. Acrescenta que, no último
atendimento, também foi realizada
uma radiografia da coluna lombar, que
evidenciou a presença de vértebras em
"H", tendo sido orientada a procurar o
médico da UBS para prosseguimento
de investigação.
Diante desse histórico, o médico da
UBS deve considerar a hipótese de
A) hiperparatireoidismo e solicitar
dosagem de paratormônio.
B) anemia falciforme e solicitar
eletroforese de hemoglobina.
C) fraturas vertebrais secundárias e
solicitar tomografia computadorizada.
D) espondilite anquilosante e solicitar
ressonância magnética de sacroilíacas.
CCQ: Saber que a anemia falciforme
pode se apresentar com crises álgicas
acompanhada de anemia recorrente e
ter como imagem radiológica na
radiografia de coluna vertebral o
padrão de "vértebra em H”
Olá, aluno Aristo!
Questão sobre anemia falciforme.
Vamos relembrar?
Segundo o Tratado de Pediatria 4ª
Edição, doença falciforme é o termo
utilizado para definir um grupo de
alterações genéticas caracterizadas
pelo predomínio da hemoglobina S
(HbS). Essas alterações incluem a
anemia falciforme (HbSS), cujas
manifestações clínicas dependem do
genótipo e é caracterizada por
episódios de dores osteoarticulares,
dores abdominais, infecções e sintomas
respiratórios (taquipneia, dispneia,
tosse e dor torácica), além de retardo do
crescimento e da maturação sexual,
complicações oftalmológicas, acidente
vascular cerebral e comprometimento
crônico de múltiplos órgãos.
A anemia falciforme pode acarretar em
infartos ósseos que, na coluna
vertebral, podem causar deformações
chamadas de “vértebras em H”.
Ainda, segundo o tratado, o diagnóstico
laboratorial completo da doença
falciforme no período pós‐natal inclui a
realização de hemograma com
contagem de reticulócitos, além da
detecção da HbS e da sua associação
com outras frações pela a eletroforese
de hemoglobina. Vale lembrar que o
diagnóstico em geral é realizado por
meio do teste do pezinho, durante a
triagem neonatal.
Com isso, vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: O
hiperparatireoidismo não se apresenta
com anemia e imagem óssea como
descrita no caso.
Alternativa B - Correta: Exato! A
paciente apresenta quadro típico de
crise álgica, muito característica de
anemia falciforme, acompanhada de
anemia persistente. Além disso,
apresenta imagem radiográfica
característica da doença. A técnica mais
eficaz para o exame diagnóstico é a
eletroforese de hemoglobina.
Alternativa C - Incorreta: Farturas
vertebrais secundarias não justificariam
as crises álgicas como descritas e nem a
anemia.
Alternativa D - Incorreta: A espondilite
anquilosante é um tipo de artrite e não
cursa com anemia, além de não se
apresentar com a imagem radiológica
descrita no caso.
22. Um homem com 22 anos de idade,
atendido no Pronto-Socorro de
hospital, apresentava um ferimento por
projétil de arma de fogo no hemitórax
direito. Ao exame físico, foram
constatados: frequência respiratória de
24 incursões respiratórias por minuto,
frequência cardíaca de 110 batimentos
por minuto, preenchimento capilar
maior que 2 segundos, pressão arterial
de 80 x 40 mmHg, estase jugular
bilateral, desvio da traqueia para a
esquerda, murmúrio vesicular abolido e
timpanismo aumentado no hemitórax
direito.
Com base nesses dados, a conduta
adequada é realizar
A) radiografia do tórax e toracocentese
no segundo espaço intercostal direito.
B) radiografia do tórax e drenagem
pleural fechada no quarto espaço
intercostal direito.
C) toracocentese inicialmente e
drenagem pleural fechada no quarto
espaço intercostal direito.
D) toracocentese inicialmente e
drenagem pleural aberta no segundo
espaço intercostal direito.
QUESTÃO ANULADA
Fala, galera! Temos aqui uma questão
bem interessante sobre trauma
torácico. Trata-se de um paciente
vítima de trauma por arma de fogo em
hemitórax direito. Clinicamente ele
apresenta sinais de choque:
taquicardia, tempo de enchimento
capilar aumentado, hipotensão. Além
disso, ao exame físico conseguimos
identificar turgência jugular + desvio da
traqueia + timpanismo à percussão.
Diante disso, nossa hipótese
diagnóstica será de pneumotórax
hipertensivo, concordam?
O diagnóstico de pneumotórax
hipertensivo é essencialmente clínico,
não precisamos de exames
complementares. O tratamento
imediato é a punção torácica, ou
toracocentese de alívio, no 5º espaço
intercostal na linha axilar média.
Porém, a conduta terapêutica definitiva
é a drenagem torácica em selo d'água,
também no 5º espaço intercostal.
Algo a mais: Fiquem atentos na
localização da toracocentese, pois
costuma ser pegadinha de prova. De
acordo com a nova edição do ATLS, a
toracocentese não é mais feita no 2º
espaço intercostal, e sim no 5º
igualmente a drenagem.
Alternativa A - Incorreta:
Comentamos que o diagnóstico de
pneumotórax hipertensivo é clínico,
portanto a solicitação de radiografia de
tórax se faz desnecessária.
Alternativa B - Incorreta: Novamente o
que discutimos, não é conduta de rotina
a solicitação da radiografia, já que o
diagnóstico é clínico. Além disso, a
drenagem torácica é feita no quinto
espaço intercostal.
Alternativa C - Incorreta: A alternativa
traz a toracocentese como conduta
inicial seguida de drenagem, que está
correta. Porém, de acordo com o ATLS,
o local de inserção do dreno de tórax é
no 5º espaço intercostal. Algumas
bancas trazem como referência o 4º
espaço intercostal como nesse caso,
fiquem do olho.
Alternativa D - Incorreta: Como já
discutimos, o local tanto da
toracocentese de alívio como da
drenagem torácica, é o 5º espaço
intercostal.
23. Um lactente com 18 meses de idade
é atendido em Unidade Básica de Saúde
em virtude de a mãe ter notado "algo
duro" na barriga do filho durante o
banho há 1 semana. A mãe fez uso de
laxativo por 2 dias, mas não houve
desaparecimento da tumoração. Nesse
período, ela notou que a criança estava
mais apática e inapetente. Ela nega
sintomas respiratórios e febre. Relata
que o filho nasceu de parto cesárea a
termo, sem intercorrências neonatais e
que recebeu aleitamento materno
exclusivo por 6 meses. Observa-se bom
ganho pondero-estatural e vacinação
em dia. A mãe traz exame de urina
realizado há 3 dias, que mostra
hematúria. Ao exame físico, apresenta
regular estado geral, apático, hipoativo,
descorado 1+/4+, afebril, acianótico,
frequência cardíaca de 104 batimentos
por minuto, frequência respiratória de
32 incursões respiratórias por minuto,
pressão arterial no percentil 95 para a
idade e estatura. Ausência de
linfoadenomegalias. Abdome com
presença de massa de consistência
endurecida no andar superior, sem
ultrapassar linha média. Membros sem
edema ou lesões.
Considerando esse caso clínico, a
principal hipótese diagnóstica e o
exame indicado para elucidar o
diagnóstico são, respectivamente,
A) linfoma; ultrassonografia de abome.
B) tumor de Wilms; ultrassonografia de
abdome.
C) glomerulonefrite difusa aguda;
complemento sérico.
D) neuroblastoma; tomografia
computadorizada de abdome.
CCQ: Saber que o tumor de Wilms é o
tumor renal mais comum em crianças
Olá, pessoal! Temos aqui uma questão
com um caso clínico que aborda o
diagnóstico diferencial de massas
tumorais. Vamos analisar juntos:
Trata-se de um lactente de 18 meses,
previamente hígido, com uma massa
tumoral no andar superior do
abdome. Além disso, ele apresenta-se
apático, hipoativo, hipocorado e com
alterações que sugerem
comprometimento renal: hematúria e
aumento pressórico (PA no percentil
95).
Diante desse cenário, devemos pensar
nos principais tumores da faixa etária
pediátrica e associá-lo a alteração renal.
Agora ficoutranquilo, certo?!
• Assim, nossa principal hipótese
é o Tumor de Wilms
(nefroblastoma).
• É o tipo de tumor renal mais
comum na infância e pode
acometer um ou ambos os rins.
• Algumas síndromes genéticas
podem estar associadas a um
maior risco de desenvolver a
doença.
• Esse tipo de tumor pode ser
evidenciado apenas como
massa palpável no abdome ou
apresentar outros sintomas
associados, como infecção
urinária, hematúria,
hipertensão arterial e/ou dor
abdominal. Na maior parte das
vezes, o estado geral da criança
é bom. Em casos mais graves,
podem ocorrer metástases
principalmente para o pulmão.
• O diagnóstico é feito por meio
de exames de imagem (como
ultrassonografia de abdome,
radiografia de tórax, tomografia
computadorizada de tórax,
abdome e pelve, ressonância
nuclear magnética de abdome),
com ou sem biópsia da massa
inicialmente.
• O tratamento é baseado em
cirurgia, quimioterapia e/ou
radioterapia em alguns casos.
Os pacientes com a doença
localizada, em geral, têm boa
resposta ao tratamento, com
alta taxa de cura.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: No linfoma
espera-se linfonodomegalias, o que não
é descrito no nosso caso clínico.
Alternativa B - Correta: Exatamente
como discutimos acima.
Alternativa C - Incorreta: Na
glomerulonefrite não há a presença de
massa palpável.
Alternativa D - Incorreta: Trata-se de
um tumor sólido extracraniano mais
comum em crianças e o mais
comumente diagnosticado em
lactentes menores de 1 ano. Pode surgir
na glândula adrenal e/ou nas regiões
cervical, torácica, abdominal e/ou
pélvica, seguindo o trajeto de toda a
cadeia do sistema nervoso simpático.
Mas o nefroblastoma é o mais comum
nos rins, sendo a nossa primeira
suspeita.
24. Em uma Unidade Básica de Saúde,
uma adolescente com 13 anos de idade,
acompanhada da mãe, refere, em
consulta, ausência de menstruação. A
genitora mostra-se ansiosa, pois relata
acreditar que o desenvolvimento
corporal da filha está atrasado em
relação às amigas da mesma idade. Ao
exame físico, a adolescente apresenta
altura e peso compatíveis com percentil
60 do gráfico de crescimento da
Organização Mundial da Saúde.
Observa-se aumento das mamas e
aréola, sem separação dos contornos
(M3 na classificação de Tanner), assim
como presença de pelos pigmentados,
longos e enrolados, atingindo a sínfise
púbica (P3 na classificação de Tanner).
Nesse caso, a conduta adequada é
A) solicitar dosagens hormonais e fazer
o encaminhamento da paciente para
centro de referência.
B) pedir avaliação ultrassonográfica da
presença e tamanho de útero e ovários
da paciente.
C) solicitar teste de progesterona via
oral da paciente para estímulo
endometrial.
D) orientar e esclarecer a paciente sobre
a normalidade do desenvolvimento
CCQ: Não há anormalidade em um
quadro de adolescente de 13 anos que
está em M3-P3 e ainda não menstruou
Ei pessoal, tudo joia? Questãozinha
sobre crescimento e desenvolvimento:
a famosa puberdade. Vamos lá?
Quando falamos de puberdade, é
preciso diferenciá-la primeiro da
adolescência. A puberdade envolve um
desenvolvimento biológico, enquanto a
adolescência envolve um
desenvolvimento biopsicossocial.
Nas meninas, a puberdade ocorre entre
8 e 13 anos, onde temos a telarca,
evolução da mama para o estádio M2 de
Tanner e 2,5 anos depois da telarca, a
menarca. E nos meninos, entre 9 e 14
anos, onde temos aumento do volume
testicular para 4 cm cúbicos, e entrada
no estádio G2 de Tanner.
A menina da questão está no estágio M3
de Tanner, ou seja, ainda há tempo para
que ocorra a menstruação, por volta do
M3-M4. Considerando isso e o fato de
que não há nenhum sinal de alerta e o
crescimento está ótimo, explicamos
para a mãe e para a adolescente a
normalidade do quadro.
Vamos ver quais são esses estágios de
Tanner nas meninas e nos meninos e
depois analisar as alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Não há, no
caso relatado, quaisquer sinais que me
façam desconfiar de problemas
hormonais.
Alternativa B - Incorreta: Como vimos,
nada anormal no caso, não temos que
fazer US de rotina e o caso não nos
indica essa necessidade.
Alternativa C - Incorreta: Não há, no
caso relatado, quaisquer sinais que me
façam desconfiar de problemas
hormonais.
Alternativa D - Correta: Exatamente o
que vimos: tudo dentro da faixa de
normalidade.
25. Em reunião de equipe de uma
Unidade de Saúde da Família, o médico
de família e comunidade propõe a
discussão de estratégias para a
orientação da comunidade sobre a
COVID-19. A equipe atende a uma
região periférica, composta por uma
área de ocupação, conjuntos
habitacionais populares e residências
de classe média.
Nesse contexto, a estratégia adequada
é
A) homogeneizar as orientações para
toda a comunidade, já que a COVID-19
atinge de modo semelhante todos os
grupos populacionais.
B) assumir um papel de vigilância em
saúde, com prioridade às necessidades
dos grupos mais vulneráveis em relação
à pandemia da COVID-19.
C) buscar orientações dos órgãos
competentes, alertando contra
quaisquer recomendações de curadores
tradicionais referentes à pandemia da
COVID-19.
D) posicionar-se com neutralidade
diante das necessidades da
comunidade e das diferentes
orientações das autoridades municipal,
estadual e federal no combate à COVID-
19.
CCQ: Saber que devemos devemos
priorizar as necessidades dos grupos
mais vulneráveis com base no
princípio da equidade
Fala, galera! Estamos diante de uma
questão que aborda de modo
contextualizado a equidade, princípio
definido pela Lei Orgânica da Saúde
(8.080/90). Vamos rever sobre esses
princípios, já que trata-se de um tema
recorrente:
• Universalidade: significa que
todos os cidadãos têm acesso ao
sistema, incluindo os
estrangeiros.
• Integralidade: as ações de saúde
estão presentes em todas as
possíveis esferas, promoção de
saúde, prevenção de doenças,
cura e reabilitação.
• Equidade: esse princípio existe
devido a necessidade de
redução das disparidades sociais
e regionais que temos no Brasil.
Ele se relaciona ao conceito de
Justiça Social. Em se tratando de
SUS visa ações e serviços de
saúde, de forma a garantir
atendimento ao cidadão em
qualquer lugar, da forma que ele
precisar, sem distinção de
classe, sem privilégios, sem
nada do tipo. Ele se materializa
oferecendo mais recursos a
quem mais precisa e menos
recursos a quem menos precisa.
Logo, percebemos que
equidade é diferente de
igualdade, já que igualdade não
envolve diminuição de
heterogeneidade.
• Descentralização: significa uma
redistribuição das
responsabilidades das ações e
dos serviços de saúde entre os 3
níveis de poder.
• Regionalização:
municipalização do cuidado,
mediante maior autonomia e
autoridade dos municípios, já
que cada município conhece
melhor sua realidade.
• Hierarquização: organização da
atenção em diferentes níveis de
atenção, primária, secundária e
terciária.
• Participação Social: garante
participação da própria
população na formulação de
políticas e ações em saúde.
Ocorre mediante os Conselhos e
as Conferências de Saúde.
• Resolubilidade: o sistema deve
ser resolutivo, ou seja, de
alguma forma o problema do
usuário/paciente deve ser
solucionado!
• Complementaridade: é possível
contratar o serviço privado. Em
caso de insuficiência do setor
público, pode haver necessidade
de contratação do serviço
privado de forma
complementar.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Incorreta: Estamos
lidando com grupos populacionais
distintos, os quais vão ter uma
vulnerabilidade diferente para o
adoecimento para COVID-19, de modo
que seria adequado heterogeneizar as
orientações na comunidade,já que essa
doença atinge os grupos populacionais
de modo diferente.
Alternativa B – Correta: Exato! Essa
alternativa reflete o princípio da
equidade, de forma que devemos
lembrar que cada grupo populacional
pode ter riscos distintos, e portanto
devemos tratar diferentemente cada
situação. Dessa forma, é adequado
assumir um papel de vigilância em
saúde, com prioridade às necessidades
dos grupos mais vulneráveis em relação
à pandemia da COVID-19.
Alternativa C – Incorreta: Com base na
competência cultural, que é um dos
atributos derivados da APS, como
profissionais de saúde devemos saber
nos conectar com os saberes locais para
trabalhar com determinada
comunidade e respeitar sua cultura, não
devendo alertar contra
recomendações de curadores
tradicionais no contexto do COVID-19,
a não ser que represente algo nocivo.
Alternativa D – Incorreta: A equipe
tem papel de tentar resolver os
problemas da comunidade, devendo
aderir às recomendações e levar para as
pessoas, não sendo adequado
posicionar-se com neutralidade frente
às necessidades da população.
26. Um homem com 48 anos de idade,
tabagista, em tratamento irregular de
hipertensão arterial sistêmica, diabetes
mellitus e dislipidemia, é admitido na
unidade de emergência de hospital de
pequeno município do interior, com
quadro de dor torácica de forte
intensidade, tipicamente anginosa,
associada a diaforese, náuseas e
vômitos. Segundo informa, o quadro
álgico tem cerca de 4 horas de evolução,
não tendo procurado antes a unidade
de saúde por receio de contaminação
devido à pandemia em curso. O exame
físico dirigido revela um paciente em
moderado desconforto agudo, ansioso,
com pressão arterial (PA) de 102 x 70
mmHg, frequência cardíaca de 102
batimentos por minuto, levemente
taquipneico, frequência respiratória de
22 incursões respiratórias por minuto.
Na ausculta cardíaca, revelam-se uma
4a bulha e um sopro sistólico suave na
ponta, estando os pulmões limpos. É
realizado, então, um eletrocardiograma
(ECG) nos primeiros 10 minutos de
atendimento, que mostra a presença de
um supradesnível do segmento ST
superior a 2 mm nas derivações D2, D3,
aVF e V1, além de infradesnível de ST de
3 mm nas derivações V2 a V4, nas quais
são observadas ondas R aumentadas e
ondas T positivas proeminentes. São
administrados nitrato sublingual e
ácido acetilsalicílico (AAS), além de ser
solicitada a infusão de tenecteplase
intravenosa em bolus, uma vez que não
há serviço de hemodinâmica na região.
Enquanto é providenciada a elaboração
do trombolítico, o paciente refere piora
dos sintomas, sendo verificado que ele
se encontra ainda mais pálido e
hipotenso (PA: 80 x 46 mmHg), a
despeito de sua ausculta pulmonar
manter-se sem ruídos adventícios.
Considerando os dados relatados, a
melhor explicação para a piora clínica
do paciente logo após a instituição da
abordagem inicial é
A) agravamento da hipercalemia pelo
AAS.
B) desenvolvimento de rotura de septo
interventricular.
C) medicação inadequada na
coexistência de infarto de ventrículo
direito.
D) instalação de choque cardiogênico
por grave disfunção ventricular
esquerda.
CCQ: Saber que infarto de parede
inferior também pode ter
acometimento de VD e que nestes
casos não se deve usar nitrato
Olá, aluno Aristo! Temos aqui uma
questão sobre infarto do ventrículo
direito, que nos exige conhecimento
sobre seu diagnóstico e limitações,
trazendo um CCQ muito importante
para as provas. Vamos revisar um pouco
sobre o assunto? Um dos primeiros
passos para acertar essa questão era
saber identificar o padrão de
acometimento das paredes através do
ECG. Temos aqui um supra desnível de
D2, D3 e avF o que corresponde à
topografia de artéria coronária
direita/ parede inferior do ventrículo
esquerdo, lembra? O infradesnível de
ST de V2-V4 (parede anterior) so
corrobora com essa constatação, visto
que a parede diametralmente oposta à
necrose transmural costuma se
apresentar em uma “imagem em
espelho”.
Sabendo que a coronária direita
também é responsável pela irrigação do
ventrículo direito devemos nos lembrar
de solicitar também as derivações V3R e
V4R antes de iniciar o tratamento do
paciente. Isso porque em infartos do
VD não devemos usar nitrato, morfina
e diuréticos, pois estes medicamentos
tendem a diminuir a pré-carga e
consequentemente prejudicar ainda
mais a perfusão local. Nos casos de VD,
deve-se optar pelo tratamento com
reposição volêmica e dobutamina (se
houver choque).
Vamos às alternativas?
Alternativa A – Incorreta: Este não é
um efeito esperado pelo AAS.
Alternativa B – Incorreta: A rotura de
septo interventricular é uma
complicação grave, que geralmente
ocorre nas primeiras 24h até 7 dias após
IAM. Sua manifestação clínica consiste
em colapso hemodinâmico,
caracterizado por sopro sistólico no
quarto espaço intercostal esquerdo
com irradiação para direita.
Alternativa C – Correta: Como
discutimos, nos casos de infarto de VD
o nitrato é proscrito.
Alternativa D – Incorreta: A alternativa
peca ao dizer que o choque
cardiogênico se da por grave disfunção
de VE, quando na verdade a disfunção é
de VD. O enunciado inclusive fala que
não há alteração na ausculta pulmonar,
que estaria presente devido à
congestão quando há falha do VE.
27. Um homem com 23 anos de idade,
em atendimento no Pronto-Socorro de
hospital de nível terciário, apresenta
trauma abdominal contuso após
acidente automobilístico, sem
evidências de lesões em outros
segmentos corpóreos. Ao exame físico,
apresenta frequência cardíaca de 84
batimentos por minuto, preenchimento
capilar menor que 2 segundos, pressão
arterial de 115 x 65 mmHg. Durante o
atendimento inicial foi utilizada
sondagem vesical de demora que
evidenciou hematúria maciça. A
tomografia de abdome com contraste
endovenoso mostrou uma lesão renal
grau III, correspondendo a laceração
cortical do parênquima renal maior que
1 cm, sem extravasamento urinário.
Não foram evidenciadas outras lesões
no abdome.
Considerando essa história clínica, os
dados do exame físico e da tomografia,
a conduta correta é indicar
A) arteriografia e embolização para
coibir o sangramento.
B) tratamento operatório em função da
hematúria maciça.
C) sonda vesical de três vias e irrigação
com solução salina 0,9%.
D) repouso até resolução da hematúria,
hematócrito seriado e antibióticos.
QUESTÃO ANULADA
Fala, pessoal. Questão sobre trauma
renal, mas antes de tudo, vamos
revisar?
O trauma renal é classificado e dividido
em graus:
• Grau I: hematoma subcapsular
não expansivo, sem laceração
de parênquima;
• Grau II: hematoma perirrenal
não expansivo, com laceração
menor que 1cm;
• Grau III: laceração renal maior
que 1cm, sem extravasamento
urinário;
• Grau IV: laceração do
parênquima até o sistema
coletor, com extravasamento
urinário, e lesão arterial ou
venosa;
• Grau V: completa
desvascularização renal, rim
pulverizado.
Atualmente, na maioria dos traumas
abdominais específicos, cada vez mais
tem se optado por tratamentos
conservadores. Nos pacientes estáveis,
com lesões até grau III, os pacientes
recebem preferivelmente o tratamento
não operatório. Em pacientes instáveis
ou com lesões mais graves, entre grau
IV e V, podemos lançar mão de técnicas
mais invasivas.
O nosso paciente apresenta-se estável
hemodinamicamente, com boa
perfusão tecidual, e uma lesão renal
grau III de acordo com a tomografia
computadorizada. Portanto, o
tratamento de escolha é conservador.
Alternativa A - Incorreta: A
arteriografia e embolização são
técnicas que podem ser usadas nos
pacientes com lesões mais graves (grau
IV) que estão estáveis. Não estão
indicadas no caso do paciente da
questão.Alternativa B - Incorreta: O paciente
não apresenta indicação imediata de
tratamento operatório, conforme
discutimos.
Alternativa C - Incorreta: A sonda
vesical de três vias é usada para
irrigação fechada usada no tratamento
de distúrbios urinários. Não está
indicada nos traumas renais.
Alternativa D - Incorreta: Aqui está a
pegadinha. Falamos que nesse caso,
indicamos o tratamento conservador,
mas como ele seria feito? É indicado
que o paciente permaneça em
observação e realizando exames
seriados para investigarmos a perda
sanguínea. Porém não é preciso realizar
repouso até resolução da hematúria,
assim como a antibioticoterapia não
está indicada nesse caso.
28. Um menino com 11 meses de idade,
acompanhado da mãe, é atendido em
uma Unidade Básica de Saúde por
queixa de obstrução nasal e coriza há 2
dias, porém não faz acompanhamento
regular em puericultura, tendo a mãe
comparecido apenas à consulta com 15
dias de vida da criança. Na avaliação da
alimentação, a mãe relata que a criança
não recebe leite materno e, sim, leite de
vaca, em mamadeira, e de forma
estrita. Ao exame físico, a criança
encontra-se em regular estado geral,
ativa e reativa, presença de coriza
hialina, afebril, sem sinais de
desidratação. Seu peso é de 7.200 g, o
que leva aos pontos de corte de score z
-3 e z -2.
Considerando os dados apresentados,
qual é a classificação do estado
nutricional correspondente para esse
caso, de acordo com a Caderneta da
Criança do Ministério da Saúde?
A) Peso baixo para a idade.
B) Peso elevado para a idade.
C) Peso adequado para a idade.
D) Peso muito baixo para a idade.
CCQ: Saber que escores entre -3 e -2
na escala de peso para idade em
crianças de 0 a 2 anos são classificados
como baixo peso
Olá, caros alunos da Aristo! Aqui vamos
nós para mais uma questão de
puericultura! Ao ler o enunciado da
questão, é importante que
destaquemos o que de fato está sendo
perguntado: porque há uma narrativa
extensa sobre o quadro de saúde do
paciente, mas a pergunta faz referência
somente à classificação do seu estado
nutricional – e o único critério levado
em conta para isso é o seu peso para a
idade, a partir do qual a população
pediátrica é estratificada através de
escores.
Assim, a questão na verdade exige de
nós que saibamos a classificação do
peso da criança a partir dos escores
estabelecidos nos gráficos da
Caderneta da Criança do Ministério da
Saúde. Diante disso, precisamos
relembrar quais escores determinam
quais estratíficações para a população
entre 0 a 2 anos: acima do escore +2,
peso elevado para a idade; entre os
escores +2 e -2, adequado peso para a
idade; entre os escores -3 e -2, baixo
peso para a idade; e abaixo do escore -
3, muito baixo peso para a idade.
Portanto, o paciente da questão é
classificado como de baixo peso para a
idade.
Aproveitemos a oportunidade para
relembrarmos uma informação que
pode ser importante para as provas de
residência: a expectativa de ganho de
peso da criança no primeiro ano de vida,
que é de 700g/mês no primeiro
trimestre de vida, 600g/mês no
segundo trimestre, 500g/mês no
terceiro e 400g/mês no quarto.
Alternativa A – Correta: Crianças com
escore de peso para a idade entre -3 e -
2 são classificados como de baixo peso.
Alternativa B – Incorreta: A criança
teria elevado peso para a idade se
possuísse escore acima de +2.
Alternativa C – Incorreta: A criança
teria adequado peso para a idade se
possuísse escore entre +2 e -2.
Alternativa D – Incorreta: A criança
teria muito baixo peso para a idade se
possuísse escore abaixo de -3.
29. Uma gestante primigesta com 25
anos de idade e com idade gestacional
de 20 semanas comparece à consulta no
Centro de Saúde referindo uma lesão
em vulva. Relata que, inicialmente,
sentiu dor e coceira no local e que,
pouco depois, apareceu a lesão, que
ainda dói e arde. Nega episódios
semelhantes anteriores. Ao exame
ginecológico, apresenta lesão em
fúrcula vaginal, hiperemiada, com
vesículas agrupadas, algumas
exulceradas.
Considerando esse quadro clínico,
assinale a opção que apresenta,
respectivamente, a principal hipótese
diagnóstica e a conduta correta a ser
adotada.
A) Sífilis (lesão secundária); deve ser
solicitado VDRl e teste treponêmico
com urgência para definir conduta.
B) Sífilis (lesão primária); indicação de
tratamento com penicilina benzatina
para a mulher e o(s) parceiro(s).
C) Herpes Genital; deve ser solicitada
sorologia (IGG e IGM) e cultura de
secreção da lesão e, após coleta, iniciar
tratamento com aciclovir.
D) Herpes Genital; indicação de
tratamento com aciclovir e com 36
semanas de gestação deve ser prescrito
aciclovir profilático, para diminuir o
risco de lesões ativas no momento do
parto.
CCQ: Herpes genital é caracterizado
por lesões vesiculares dolorosas na
região genital e o tratamento da
primoinfecção na gestação é feito
com aciclovir
Aluno Aristo, tudo certo? Questão que
aborda um tema recorrente nas provas!
As úlceras genitais costumam aparecer
com frequência nas questões e
conhecer as principais características de
cada lesão é suficiente para
garantirmos a maioria delas!
As úlceras genitais podem ser divididas
em dolorosas e não dolorosas. As
primeiras ocorrem no herpes (HVS 1 e 2)
e no cancro mole ou cancroide
(causado pelo Haemophilus ducreyi). Já
as úlceras não dolorosas ocorrem na
sífilis primária ou cancro duro (causada
pelo Treponema pallidum), na
donovanose ou granuloma venéreo
(causada pela Klebsiella granulomatis) e
no linfogranuloma venéreo (causado
pela Chlamydia trachomatis).
A banca nos apresenta uma gestante
com 20 semanas de idade gestacional
com lesões dolorosas na região genital,
precedidas por pródromo de prurido e dor
no local. Quadro clínico muito
característico de herpes genital!
A infecção pelo vírus Herpes Simples
(HSV) é a principal causa de úlcera
genital em todo o mundo. É doença
infectocontagiosa, crônica e
generalizada, sujeita a recidivas, tendo
como agente etiológico duas cepas
diferentes do vírus herpes simples, o
tipo 1 (HSV-1) e o tipo 2 (HSV-2).
Quando sintomática, a primoinfecção é
precedida por um pródromo, focalizado
na zona da futura lesão, com dor,
ardência e sensação de
“formigamento”; estes sintomas duram
cerca de 24 horas. A primoinfecção
estabelecida manifesta-se inicialmente
por cefaléia, febre, mal-estar e
adenopatia inguinal, sintomas que
costumam desaparecer antes da cura
das lesões.
As lesões surgem 4 a 7 dias depois do
início da infecção, sob a forma de
vesículas dolorosas nos pequenos
lábios, na vulva, na vagina e no trato
urinário, podendo também atingir o
colo do útero. Depois, rompem,
ulceram e formam-se crostas sobre as
lesões que curam, em geral sem deixar
cicatrizes, em 2 a 6 semanas.
O diagnóstico do herpes genital é
essencialmente clínico, baseado na
história médica e exame físico. Na
primoinfecção, o tratamento
recomendado para as lesões herpéticas
na gestação consiste, em qualquer
trimestre da gestação, em aciclovir
400mg, por via oral, 3x/dia, durante 7 a
10 dias ou aciclovir 200 mg, por via oral,
5x/dia, por 7 a 10 dias.
Nos casos de primoinfecção na gestação
ou se recidivas foram frequentes no
período gestacional (seis ou mais
episódios ao ano), pode-se realizar
terapia supressiva, a partir da 36ª
semana, com aciclovir 400mg, 3x/dia.
Recomenda-se a realização de
cesariana em mulheres que
apresentaram primoinfecção herpética
no terceiro trimestre e sempre que
houver lesões herpéticas ativas.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: As lesões da
sífilis secundária são não ulcerosas e
indolores. O quadro clínico da paciente
não é compatível com essa doença.
Alternativa B - Incorreta: Asífilis
primária, também chamada de cancro
duro, apresenta-se clinicamente com
uma úlcera indolor, geralmente única,
rasa, com fundo limpo, bordas bem
definidas e medindo cerca de 2cm. Não
é a principal hipótese diagnóstica para
esse caso.
Alternativa C - Incorreta: Como vimos,
o diagnóstico de herpes genital é
clínico. Não há indicação de solicitar
sorologias para iniciar o tratamento.
Alternativa D - Correta: A principal
hipótese diagnóstica para essa paciente
é herpes genital. O tratamento deve ser
feito com aciclovir e profilaxia com o
mesmo medicamento a partir de 36
semanas de gestação também está
indicada.
30. O médico de uma Equipe de Saúde
da Família foi demandado para
atendimento a uma gestante no final do
primeiro trimestre de gestação. Na
consulta, a gestante informou que havia
mudado de cidade e trouxe os
resultados de exames que havia feito
após consulta de abertura de pré-natal
na cidade em que morava. O exame
clínico e os resultados de exames
complementares estavam dentro da
normalidade.
Nesse caso, o médico deve recomendar
a essa paciente que volte para nova
consulta
A) mensalmente até a 34ª semana.
B) mensalmente até a 28ª semana.
C) quinzenalmente até a 34ª semana.
D) quinzenalmente até a 28ª semana.
CCQ: Saber que o Ministério da Saúde
recomenda consultas mensais até a
28° semana de Pré-Natal
E aí, Aristos! Questão sobre assistência
pré-natal pra gente responder junto.
Temos uma gestante no primeiro
trimestre iniciando o vínculo de Pré-
Natal em um novo serviço, trazendo o
resultado da propedêutica do primeiro
trimestre. Como nos foi mencionado
que todos os exames estavam dentro da
normalidade, significa dizer que:
• O hemograma tinha
hemoglobina maior que 11
mg/dL;
• A glicemia de jejum era menor
que 92 mg/dL;
• A urocultura veio inocente;
• A gestante é imune ou
susceptível à toxoplasmose;
• O VDRL e anti-HIV 1 e 2 vieram
não reagente;
• O HbsAg veio negativo;
Confira na tabela a programação
completa da propedêutica do Pré-
Natal:
Beleza! Então nossa gestante está
evoluindo bem. O que a banca quer
saber é sobre a frequência de
atendimento no Pré-Natal, preconizada
pelo Ministério da Saúde (MS).
Devemos lembrar que o MS preconiza
um mínimo de 6 consultas, sendo
mensais até a 28° semana, quinzenais
entre a 28° e 36° semana e semanais a
partir do termo (37° semana).
31. Um homem com 45 anos de idade,
internado em enfermaria de hospital
secundário há 15 dias pós trauma grave
com boa evolução, apresenta swab anal
positivo para bacilo gram-negativo
resistente a carbapenênmico. Ele não
apresenta febre e o leucograma está
com 6.500 leucócitos (neutrófilos:
4.500, linfócitos: 1.500 células por
campo).
Nesse caso, a conduta adequada é
A encaminhar o paciente a um centro
especializado de trauma.
B) iniciar tratamento do paciente com
antibiótico conforme o antibiograma.
C) observar o quadro clínico do paciente
e instituir precaução de contato.
D) instituir precaução de gotículas e
banho com clorhexidine para o
paciente.
CCQ: Pacientes internados com
bactérias multirresistentes e estando
assintomáticos, devem ser isolados e
mantidos em observação
Esta questão é bem interessante, cobra
conceitos sobre a conduta médica
frente a pacientes com bactérias
multirresistentes, vamos entender um
pouco mais sobre elas?
Então, aluno Aristo, quando falamos
em bactérias multirresistentes sempre
ficamos receosos. E uma das mais
preocupantes trata-se das bactérias
gram-negativas resistentes aos
carbapenêmicos. As principais
bactérias que podem apresentar essa
característica são as enterobactérias,
como a Klebsiella pneumoniae, e as
bactérias gram-negativas não
fermentadoras, como as Pseudomonas
spp e o Ancinectobacter spp. Essas
bactérias são preocupantes visto sua
resistência aos antibióticos
convencionais e isso se deve a produção
da enzima carbapenemase. Entretanto,
alguns inibidores de β-lactamases
possuem a capacidade de inativar essa
enzima, principalmente se associado à
Cefalosporinas ou Carbapenêmicos,
como Ceftazidima-Avibactam e
Meropenem-Vaborbactam.
Vamos às alternativas
Alternativa A - Incorreta: O paciente já
está bem assistido em relação aos
agravos gerados pelo trauma, com boa
evolução, o problema atual se
concentra na colonização por bactérias
multirresistentes.
Alternativa B - Incorreta: Ainda não há
dados laboratoriais ou sinais clínicos
que indiquem um tratamento guiado
por antibióticos.
Alternativa C - Correta: Isso mesmo! O
paciente está colonizado por uma
bactéria gram negativa resistente a
carbapenêmicos, não deve ser
instituído tratamento específico diante
da ausência de sinais de infecção e
deve-se manter o paciente em
isolamento de contato até a alta
hospitalar.
Alternativa D - Incorreta: O banho com
clorhexidine é recomendado em todos
os pacientes infectados por bactérias
multirresistentes, porém a instituição
de precaução de gotículas não é
necessária.
32. Uma criança com 5 anos de idade
precisa ser submetida a um
procedimento cirúrgico de pele.
Considerando-se os agentes
anestésicos locais, quais são os
medicamentos, a serem administrados
em associação, capazes de fornecer,
respectivamente, o menor tempo de
latência e o maior tempo de ação?
A) Mepivacaína e lidocaína.
B) lidocaína e bupivacaína.
C) Cloroprocaína e lidocaína.
D) Cloroprocaína e mepivacaína.
CCQ: Saber que a lidocaína possui o
menor tempo de latência, e a
bupivacaína possui o maior tempo de
duração
Olá, querido aluno! Tudo certo por aí?
Vamos revisar um pouco sobre os
anestésicos locais!
São fármacos usados no bloqueio
reversível da condução nervosa, sem
alterar o nível de consciência do
paciente.
Podem ser classificados de várias
formas, mas a principalmente em
relação ao seu tempo de duração:
• Curta duração: procaína e
cloroprocaína;
• Média duração: lidocaína,
prilocaína, mepivacaína, entre
outros;
• Longa duração: bupivacaína,
tetracaína, entre outros.
O tempo de latência de um anestésico é
caracterizado pelo tempo necessário
desde a infiltração da solução até o
completo bloqueio do impulso nervoso.
A lidocaína é o anestésico com menor
tempo de latência, e por isso é tão
usado na prática clínica, principalmente
em pequenos procedimentos, em que é
necessário um agente que induz o
bloqueio de forma rápida.
Alternativa A - Incorreta: Tanto a
mepivacaína quando a lidocaína são
anestésicos de média duração.
Alternativa B - Correta: Como já
falamos, a lidocaína possui o menor
tempo de latência, bloqueando o
impulso nervoso rapidamente.
Enquanto a bupivacaína é um agente de
longa duração, tendo seu efeito por
mais tempo.
Alternativa C - Incorreta: A
cloroprocaína possui curta duração.
Alternativa D - Incorreta: A
mepivacaína possui média duração.
33. Um menino com 3 anos de idade é
atendido na emergência de hospital
público municipal em decorrência de
tosse e febre. Sua mãe relata que o
quadro se iniciou há cerca de 5 dias, com
coriza hialina, e que, posteriormente,
surgiram tosse, que se tornou
produtiva, e febre de até 38,5 ºC. Nega
antecedentes patológicos relevantes.
Ao exame, o menino apresenta-se em
regular estado geral, hipocorado 1+/4+,
desidratado 1+/4+, anictérico e
acianótico, com frequência cardíaca de
150 batimentos por minuto e frequência
respiratória de 50 incursões
respiratórias por minuto. Há presença
de tiragem subcostal. A ausculta
respiratória revela estertores
crepitantes em base direita. A ausculta
cardíaca e do abdome, sem
anormalidades. A radiografia de tórax
revela condensação em base direita,
sem derrame pleural.
Com base nesses dados, assinale a
opção que apresenta o antibiótico de
primeira escolhapara esse caso.
A) Penicilina intravenosa.
B) Gentamicina intravenosa.
C) Ceftazidima intravenosa.
D) Vancomicina intravenosa.
CCQ: O tratamento de escolha para
pneumonia com critério de gravidade
é a penicilina intravenosa
Encontrou um quadro de taquipneia na
ausência de estridor e sibilos? Pense na
pneumonia adquirida na comunidade.
90% dos casos são virais e quando
bacterianos, temos Streptococcus
pneumoniae como principal agente.
Vemos que, além dos sinais e sintomas
de IVAS, a criança está com taquipneia,
desidratado, hipocorado, taquicárdico,
com tiragem subcostal... Um quadro
grave, né? E só para confirmar essa
gravidade, olha só os critérios da SBP:
• Tiragem subcostal;
• Dificuldade para ingerir líquidos;
• Batimento de asa de nariz,
gemência e movimento
involuntários de cabeça;
• Cianose central;
• Hipoxemia (SatO2 < 92%);
• Rebaixamento do sensório;
• Vômitos incoercíveis.
A criança do caso então tem sinal de
gravidade e por isso devemos interná-
la. E é aqui o pulo do gato: se fosse
tratamento ambulatorial, nosso atb de
escolha seria a amoxicilina. Mas quando
internamos, dividimos em faixas
etárias:
• Menores que 2 meses: o
tratamento destas crianças é
SEMPRE HOSPITALAR sendo
feito, na maioria das vezes, com
o uso de penicilina cristalina ou
ampicilina associadas à
gentamicina, ou amicacina.
• Maiores que 2 meses: penicilina
cristalina intravenosa é a droga
de escolha. A ampicilina
intravenosa também pode ser
utilizada. Caso haja pneumonia
grave, pode-se ampliar o
esquema utilizando associação
de oxacilina com ceftriaxona ou
cloranfenicol.
Vamos ver as alternativas:
Alternativa A - Correta: BINGO! Temos
aqui nossa primeira escolha de
tratamento.
Alternativa B - Incorreta: Associamos a
gentamicina em crianças menores de 2
meses, o que não é o caso.
Alternativa C - Incorreta: Não tem
indicação aqui e é um antibiótico que
tem causado muita resistência
bacteriana.
Alternativa D - Incorreta: Não tem
indicação nesse caso.
34. Uma paciente com 62 anos de idade
comparece à consulta no centro de
saúde com o laudo de exame de
ultrassom pélvico. No laudo, constam a
descrição de um cisto com septação
espessa, ecogenicidade aumentada e
com projeção papilar em ovário
esquerdo; ausência de ascite ou outros
achados, medidas uterinas e do ovário
direito normais. A paciente acrescenta
que desconhece histórico familiar de
cistos ou tumores de ovário.
Considerando o caso clínico
apresentado, assinale a opção correta.
A) As características ultrassonográficas
são de alto risco para malignidade.
B) As características ultrassonográficas
correspondem a processos não
neoplásicos ou fisiológicos.
C) As características ultrassonográficas
são inespecíficas para classificar risco
de malignidade.
D) O exame de ultrassom não é
adequado para a avaliação das
características da massa anexial.
CCQ: Em cisto de ovário, aspecto
hiperecogênico, com septação
espessa e projeção papilar indicam
alto risco para malignidade
Fala, aluno Aristo, tudo certo?
Questãozinha sobre massas ovarianas,
bora rever juntos?
A neoplasia de ovário é um câncer
ginecológico pouco sintomático, sem
método de rastreio e geralmente
encontrado já em estado avançado. O
principal exame usado para avaliar um
achado de massa anexial é o USTV e
algumas características encontradas
podem nos direcionar mais para uma
malignidade ou uma benignidade.
Veja o quadro a seguir:
O ultrassom da paciente mostra um
cisto com septação espessa,
ecogenicidade aumentada e com
projeção papilar em ovário esquerdo.
Note que todas as características do
cisto encontrado apontam um achado
de alto risco.
Por último, vale relembrar que o câncer
de ovário não possui formas efetivas de
rastreamento e os principais fatores de
risco são idade avançada (para
epiteliais), história familiar e
nuliparidade, sendo o uso de
anticoncepcionais orais fator de
proteção.
Vamos ver então as alternativas:
Alternativa A - Correta: Exatamente o
que vimos acima.
Alternativa B - Incorreta;. Não, todas
as características indicam alto risco de
malignidade. Fisiológicos, geralmente,
são cistos simples e hemorrágicos em
mulheres em idade reprodutiva.
Alternativa C - Incorreta;. Não, como
vimos, são específicas para um alto
risco de malignidades.
Alternativa D - Incorreta;. Erradíssimo,
já que o ultrassom é o principal exame
para avaliação inicial de massa
ovariana.
35. De acordo com o Caderno de
Atenção Básica n. 32, publicado pelo
Ministério da Saúde, durante a consulta
de pré-natal de risco habitual na
Unidade Básica de Saúde, quais exames
complementares devem ser solicitados
no primeiro trimestre da gestação,
independente da condição clínica ou
social da paciente?
A) Hemograma; tipagem sanguínea e
fator Rh; glicemia de jejum; testes de
rastreamento para sífilis, HIV e
citomegalovírus; exame de urina e
urocultura.
B) Hemograma; tipagem sanguínea e
fator Rh; teste de tolerância oral à
glicose; testes de rastreamento para
sífilis, HIV e hepatite B; exame de urina
e urocultura.
C) Hemograma; tipagem sanguínea e
fator Rh; glicemia de jejum; testes de
rastreamento para sífilis, HIV,
toxoplasmose e hepatite B; exame de
urina e urocultura.
D) Hemograma; tipagem sanguínea e
fator Rh; glicemia de jejum; testes de
rastreamento para sífilis, HIV,
citomegalovírus e hepatite B e C; exame
de urina e urocultura.
CCQ: Hemograma; tipagem
sanguínea e fator Rh; glicemia de
jejum; testes de rastreamento para
sífilis, HIV, toxoplasmose e hepatite
B; exame de urina e urocultura são os
exames complementares devem ser
solicitados no primeiro trimestre
Olá, aluno Aristo! Questões sobre pré-
natal são extremamente importantes
nas provas! Então, preste muito
atenção na questão a seguir.
Seis é o número mínimo de consultas
durante o pré-natal, sendo três no 3.º
trimestre, duas no 2.º, e uma no 1.º,
porém, o ideal é que se faça consultas
mensais até a 28ª semana, quinzenais
até a 36ª e semanais após esse
momento.
Além disso, é extremamente necessário
saber quais são os exames
complementares solicitados durante a
primeira consulta pré-natal (de acordo
com o ministério da Saúde). Vamos
revisar com a tabela abaixo?
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Teste de
rastreamento para citomegalovírus não
é um dos exames complementares
solicitados no primeiro trimestre.
Alternativa B - Incorreta: Teste de
tolerância oral à glicose não é um dos
exames complementares solicitados no
primeiro trimestre.
Alternativa C - Correta: Perfeito, aluno
Aristo! Como visto na tabela acima.
Alternativa D - Incorreta: Teste de
rastreamento para citomegalovírus não
é um dos exames complementares
solicitados no primeiro trimestre.
36. Os principais componentes da
avaliação laboratorial da anemia são a
contagem de reticulócitos, o esfregaço
de sangue periférico, os índices
eritrocitários, os estudos nutricionais e,
em alguns casos, o aspirado e a biópsia
da medula óssea.
A contagem reticulocitária (corrigida ou
absoluta) aumentada pode sugerir,
como etiologia da anemia,
A) deficiência de vitamina B12.
B) aplasia de medula óssea.
C) deficiência de G6PD.
D) hipotireoidismo.
CCQ: A deficiência de G6PD gera uma
anemia hemolítica, na qual há
aumento dos reticulócitos
Oi galera, tranquilos?! Essa questão
está dentro do pareto. Aborda o
conhecimento das anemias que
aumentam os reticulócitos, assunto
importante para o diagnóstico
diferencial das anemias. Como as
alternativas são bem diretas, vamos
revisar quais anemias são hiper e
hipoproliferativas.
Anemias hiperproliferativas, ou seja,
aquelas em que há aumento de
reticulócitos:
• Anemias hemolíticas;
• Sangramentoagudo.
Anemias hipoproliferativas, ou seja,
aquelas em que não há aumento de
reticulócitos:
• Anemias carenciais (Deficiência
de vitamina B12, folato e ferro);
• Aplasia de medula óssea;
• Anemia de doença crônica;
• Anemia sideroblástica.
Vamos às alternativas:
Alternativa A – Incorreta: A vitamina
B12 é fundamental para produção de
material genético celular, na sua
deficiência a medula óssea não
consegue aumentar a produção de
hemácias, dessa forma, não há
aumento dos reticulócitos.
Alternativa B - Incorreta: Na aplasia de
medula óssea há uma substituição do
tecido medular por tecido gorduroso,
dessa forma, a produção de células
sanguínea é prejudicada, levando a
diminuição na produção de
reticulócitos.
Alternativa C - Correta: A deficiência
de G6PD é uma anemia causada por
hemólise, como as outras anemias
hemolíticas, a medula óssea tenta
compensar a perda com o aumento de
produção de hemoglobina,
aumentando os reticulócitos.
Alternativa D - Incorreta: No
hipotireoidismo, como há diminuição
do metabolismo a produção de
eritropoietina está diminuída, sendo
assim diminui a produção hemoglobina
causando a diminuição de reticulócitos.
37. Uma mulher com 42 anos de idade,
levada ao Pronto-Socorro (PS) de
hospital de nível secundário para
atendimento, relata ter sofrido choque
elétrico ao encostar inadvertidamente
em fio caído da rede elétrica. Ao exame
físico, apresenta orifício de entrada da
corrente elétrica na mão direita e de
saída em joelho esquerdo, contratura
da mão e do cotovelo direito, assim
como sinais de trombose de vasos
sanguíneos superficiais do membro
superior direito. Queixa-se de dor e
apresenta urina escura.
Com base na história clínica da paciente
e nos dados do exame físico, a conduta
inicial indicada é
A) fasciotomia, reposição hídrica por via
oral, radiografia de membro superior
direito e observação no PS.
B) sondagem vesical, pesquisa de
mioglobina na urina, analgesia,
monitorização eletrocardiográfica e
internação hospitalar.
C) avaliação do cirurgião plástico,
considerando que a superfície corpórea
queimada corresponde a 9%, além de
reposição hídrica por via oral.
D) reposição com fluidos endovenosos,
monitorização eletrocardiográfica e
transferência para centro especializado
em queimados, após estabilização.
CCQ: Saber que em paciente vítimas
de queimaduras elétricas a prioridade
é reposição volêmica e monitorização
cardíaca
Olá aluno(a) Aristo, tudo bem? Questão
do INEP - Revalida - DF de 2022
abordando o manejo em casos de
queimaduras elétricas, vamos revisar?
As queimaduras são uma das principais
causas de lesões acidentais e morte nos
em todo o mundo. A grande maioria das
lesões não requer hospitalização, mas
devemos dar bastante importância pois
queimaduras graves podem levar a
morbidade e morte significativas.
Pontos importantes a serem avaliados
em pacientes queimados são: o
mecanismo da queimadura,
profundidade da queimadura, extensão
e localização anatômica. Com esses
parâmetros que determinam a
gravidade geral da lesão por
queimadura (leve, moderada, grave), o
que orienta aos cuidados com esses
pacientes.
Outro ponto é que esse paciente foi
vítima de queimadura elétrica e pela
exposição a alta voltagem pode ter
condições associadas, como arritmias
cardíacas, fraturas, síndromes
compartimentais e mioglobinúria.
Então devemos focar nos principais
acometimentos através do mecanismo
desse tipo de queimadura.
No manejo desse paciente, iniciamos
com uma avaliação do trauma (ABCDE)
e reanimação adequada, começando
com uma avaliação rápida das vias
aéreas e do estado cardiopulmonar,
deve ser realizada para qualquer
paciente com exposição elétrica grave.
Devemos também realizar a
monitorização cardíaca e realizar um
eletrocardiograma devido à alta
incidência de arritmia e disfunção
autonômica.
Além disso, devemos monitorar quanto
ao desenvolvimento de síndrome
compartimental aguda, rabdomiólise e
lesão renal aguda, com isso, esses
pacientes geralmente requerem
reposição agressiva de fluidos IV,
especialmente se houver sinais de
necrose muscular.
Visto isso, vamos analisar as
alternativas.
Alternativa A - Incorreta: A
fasciotomia é realizada quando há a
presença de síndrome compartimental
e os primeiros sinais clínicos que devem
levantar a suspeita de síndrome
compartimental aguda são: dor severa
de extremidades desproporcional com
lesões aparentemente presentes e dor
que não melhora com analgesia
adequada, o paciente também pode
apresentar parestesia. Outro ponto é
que a reposição volêmica é realizada de
maneira endovenosa e exames de
imagem podem ser realizados, mas não
são prioridade neste momento, a
prioridade é estabilizar esse paciente.
Alternativa B - Incorreta: Todos esses
pontos podem ser realizados nesse
paciente e possuem sua devida
importância, mas a reposição de fluidos
é muito importante e por isso a outra
alternativa está "mais certa".
Alternativa C - Incorreta: A reposição
volêmica é realizada via endovenosa.
Alternativa D - Correta: Sim, a
reposição de fluidos de maneira
endovenosa é muito importante para
evitar lesão renal aguda e síndrome
compartimental. Outro ponto é a
monitorização eletrocardiográfica,
condições associadas, como arritmias
cardíacas, podem estar presentes nesse
paciente. E além do mais, existe a
possibilidade de transferir esse paciente
para um local especializado em
queimados, onde ele vai ter um cuidado
específico para sua condição, estabiliza
e encaminha!
38. Um menino com 10 anos de idade,
com diagnóstico prévio de epilepsia de
difícil controle, em uso de lamotrigina e
topiramato, está sendo atendido em
sala de emergência de hospital de
referência terciária, com quadro de mal
convulsivo. A crise teve início há 20
minutos, em casa, sem desencadeante
definido. A glicemia de entrada foi 120
mg/dl. Está com acesso venoso
periférico, com fonte de oxigênio
(cateter 2 litros/minuto), saturação
transcutânea de 95%, pulsos distais
amplos, tempo de enchimento capilar
de 3 segundos, auscultas pulmonar e
cardíaca normais, sem lesões de pele.
Inicialmente, foi administrado
diazepínico (3 doses) por via
endovenosa, sem melhora dos abalos,
mantendo-se hipertonia, desvio ocular
e salivação. Optou-se por iniciar
hidantalização com fenitoína,
administrada em velocidade de 50
mg/minuto.
Seguindo o protocolo de tratamento de
mal epiléptico, caso não haja reversão
da crise, quais são, respectivamente, a
opção terapêutica a ser adotada e o
principal risco do seu uso?
A) Tiopental; arritmia cardíaca.
B) Midazolan; hipertensão
intracraniana.
C) Propofol; instabilidade
hemodinâmica.
D) Fenobarbital sódico; depressão
respiratória.
CCQ: Saber que fenobarbital é o
fármaco de terceira linha no manejo
do estado de mal epilético e que seu
principal risco é a depressão
respiratória
Olá, aluno Aristo!
Questão sobre manejo do mal epilético
na infância.
Segundo a 4ª edição do Tratado de
Pediatria, na abordagem do estado de
mal epilético (EME) inicialmente deve-
se realizar medidas gerais para
estabilização e investigar a possível
etiologia. Em seguida, seguimos para as
medidas farmacológicas, sendo os
benzodiazepínicos, como diazepam ou
midazolam, as drogas de primeira linha.
Devido a meia vida curta desses
medicamentos torna-se necessária a
administração de uma droga de
segunda linha, como a fenitoína. Caso o
controle clínico não seja alcançado o
próximo passo é administração de
fenobarbital sódico por via endovenosa.
A partir desse momento, se ainda não
houver o controle da crise, a maior parte
dos autores considera o estado de mal
epilético refratário.
Dentre os efeitos adversos do uso do
fenobarbitalpodemos citar: ataxia,
sonolência, náusea e vômitos, artralgia
e depressão respiratória, sendo este
último o principal risco de seu uso.
Vamos, então, às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Tiopental,
medicamento da classe dos
barbitúricos, é uma alternativa ao uso
do midazolam nos casos de EME
refratário.
Alternativa B - Incorreta: O uso do
midazolam é preconizado como
medicamento de primeira linha ou, de
forma contínua, em casos de EME
refratário.
Alternativa C - Incorreta: No caso de
falha do controle clínico e/ou
eletrográfico, após a administração
tiopental ou midazolam contínuo, o
propofol torna-se uma alternativa.
Sempre que forem utilizadas drogas
anestésicas, as doses devem ser
tituladas com realização contínua de
EEG.
Alternativa D - Correta! Exato, como
vimos acima, após a administração da
segunda droga (fenitoína), caso não
ocorra a melhora clínica e/ou
eletrocardiográfica, o protocolo de
manejo de EME indica o uso de
fenobarbital.
39. Uma paciente com 25 anos de
idade, casada há 3 meses, usa
Dispositivo Intrauterino (DIU) como
método anticoncepcional. Procura
consulta em centro de saúde com
queixa de corrimento vaginal
abundante. Refere que a secreção é
amarelada, que sente ardor e dor, que
piora na relação sexual. Ao exame
ginecológico, é observada hiperemia de
genitais externos e de parede vaginal,
com presença de secreção amarelo-
esverdeada com pequenas bolhas, não
aderida à parede vaginal, além de colo
uterino com colpite e "aspecto de
morango".
Nesse caso, o exame a ser realizado e
seu resultado mais provável são,
respectivamente,
A) exame de secreção vaginal com
coloração de Gram; observadas "Clue
Cells".
B) cultura de secreção vaginal;
observado crescimento de
Streptococcus agalactie.
C) exame a fresco de secreção vaginal;
observados parasitas flagelados com
movimentos pendulares.
D) exame a fresco de secreção vaginal
com hidróxido de potássio; observadas
pseudo-hifas e esporos.
CCQ: Colo em framboesa ou morango
(colpite) é uma característica da
tricomoníase
Olá, aluno Aristo! Firme e forte nos
estudos? Questão clássica sobre
corrimento vaginal. A banca aborda
uma paciente com 25 anos de idade,
casada há 3 meses, usa DIU e queixa-se
de corrimento vaginal amarelado,
abundante com ardor e dor, (que piora
na relação sexual).
No exame ginecológico, observa-se
hiperemia de genitais externos e de
parede vaginal, com presença de
secreção amarelo-esverdeada com
pequenas bolhas, não aderida à parede
vaginal, além de colo uterino com
colpite e "aspecto de morango".
Bem característico da tricomoníase,
concorda, aluno Aristo?
A tricomoníase é Infecção sexualmente
transmissível causada pelo protozoário
flagelado Trichomonas vaginalis. É
caracterizada pelo corrimento amarelo-
esverdeado com odor fétido e
inflamação presente (irritação,
dispareunia). Além disso, podemos
encontrar:
• Colo em framboesa ou
morango (colpite)
• Colo tigroide no teste de Schiller
(aplicação de solução de Lugol)
• Teste das aminas positivo
• pH acima de 4,5
• Encontro de protozoários
flagelados no exame
microscópico.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: "Clue Cells"
são observadas na vaginose
bacteriana,
Alternativa B - Incorreta: Não há
crescimento de Streptococcus
agalactie. na tricomoníase.
Alternativa C - Correta: Perfeito,
pessoal! Na tricomoníase, encontramos
no exame a fresco de secreção vaginal
parasitas flagelados com movimentos
pendulares.
Alternativa D - Incorreta: Pseudo-hifas
e esporos são encontrados na
candidíase vaginal.
40. Uma comunidade ribeirinha vive
próxima de uma barragem que está
sendo construída em um rio. Uma das
consequências ambientais desse
represamento das águas é a redução do
nível do rio, o que prolonga o período de
águas baixas (vazante) na região. Em
contrapartida à construção da
barragem, a empreiteira e os entes
públicos associados à sua implantação
promoveram ações que eliminaram o
desmatamento no entorno dessa
comunidade, que é atendida por uma
Equipe de Saúde da Família. O médico
de Família e Comunidade da equipe
pretende realizar uma ação educativa
para alertar os moradores locais quanto
aos impactos da mudança ambiental na
saúde.
Nessa situação, que problema de saúde
esse médico deverá abordar,
considerando-se o provável aumento
em sua frequência?
A) Acidentes ofídicos.
B) Acidentes com arraia.
C) Acidentes escorpiônicos.
D) Intoxicação por mercúrio.
CCQ: Saber que acidentes com arraias
de água doce ocorrem com mais
frequência em águas rasas
Pessoal, questão extremamente
esquisita do Revalida. Vamos esmiuçar
o caso para chegarmos na resposta que
banca queria. Vamos que vamos!
Bom, o ponto central dessa questão é
saber que mudanças ambientais geram
impactos na saúde pública. Nesse caso,
teremos a construção de uma barragem
em um determinado rio. O impacto
disso é que o nível da água do rio irá
baixar, o que aumenta o período de
vazante na região. O que isso nos
mostra? Que aquele ecossistema do rio
sofrerá alterações, sobretudo da fauna
que reside ali. Com água mais baixa
ocorre uma maior probabilidade de
acidente com arraias! Isso porque esse
animal prefere viver em águas rasas nas
margens dos rios, sendo os acidentes
relatados com maior frequência nas
épocas de baixa, devido ao maior uso
das praias de água doce. Como teremos
um nível do rio mais baixo de forma
permanente pela construção de
barragem, é esperado que esses
acidentes aumentem na região.
Reparem ainda que o enunciado coloca
que serão feitas ações para eliminar o
desmatamento no entorno da região.
Dessa forma, habitat de cobras,
escorpiões e outros animais
peçonhentos não seria alterado. Foi
uma forma da questão orientar o
raciocínio do candidato para acidentes
com animais que vivem no rio.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Incorreta: Não! Na
prática até poderíamos ter um aumento
de acidente ofídico, mas quando a
questão coloca que a mata do entorno
será preservada é uma forma dela dizer
“não haverá impacto no ecossistema
das cobras”. Por isso, essa não é a
melhor resposta para a questão.
Alternativa B – Correta: Sim! Como
vimos, as arraias tendem a viver em
águas mais rasas. Dessa forma, se o
nível do rio vai baixar, aumentam as
chances de acidentes com esses
animais.
Alternativa C – Incorreta: Não!
Acidentes com escorpiões caem no
mesmo raciocínio dos acidentes
ofídicos para o caso.
Alternativa D – Incorreta: Também
não. Construção de barragens não se
relacionam com poluição por mercúrio,
que tem uma associação grande com
mineração de ouro.
41. Uma paciente com 32 anos de idade
foi internada em Unidade de Terapia
Intensiva com quadro de crise
tireotóxica, relatando, na admissão,
palpitação, nervosismo, falta de ar,
fraqueza e perda de peso. Ao exame
físico, apresentava taquicardia, tremor
fino, miopatia proximal e sopro na
tireoide. Após a investigação, foi feito o
diagnóstico de doença de Graves.
Entre as modalidades de tratamento
para o controle do hipertireoidismo na
doença de Graves, a mais indicada
nesse contexto clínico é
A) a terapia com iodo radioativo.
B) o uso de metimazol via oral.
C) a tireoidectomia subtotal.
D) a tireoidectomia total.
CCQ: O controle do hipertireoidismo
por doença de Graves no contexto de
uma crise tireotóxica é
preferencialmente realizado com uso
de drogas antitireoidianas
Olá, aluno Aristo! Temos aqui uma
questão que deseja saber qual a melhor
conduta frente uma crise tireotóxica na
doença de Graves. Vamos revisar um
pouco sobre o tema?
A tireotoxicose é definida como uma
síndrome clínica decorrente da
exposição a altas concentrações de
hormônios tireoideanos. Elapode
ocorrer devido a hormônios exógenos
(ingestão acidental ou iatrogenia) ou
endógenos (hipertireoidismo). A
presença de sopro audível sobre a
glândula, geralmente traduz a
tireotoxicidade.
Após confirmado laboratorialmente o
quadro de tireotoxicose, a conduta
consiste em definir a causa exata. Neste
caso, já sabemos se tratar de doença de
Graves, patologia responsável por 60-
80% dos casos de tirotoxicose. Sendo
assim, temos 3 principais tipos de
tratamento: drogas antitireoidianas,
radioterapia com iodo ou cirugia. A
escolha do tratamento deve ser guiado
pelo perfil do paciente de acordo com a
probabilidade de remissão com drogas,
potencial de futuras gestações,
presença/tamanho do bócio, presença
de comorbidades e preferência do
paciente.
Apesar de o metimazol e o tapazol
serem drogas mais efetivas na
estabilização rápida do eutireoidismo
(por conta de sua ação direta na
interrupção da síntese de hormônios
tireoideanos, além de ter, entre seus
fatores preditores de sucesso, sexo
feminino, idade > 40 anos, cessação do
tabagismo, hipertireoidismo leve, bócio
pequeno ou que diminui durante a
terapia com tionamida), em uma
situação de crise tireotóxica (CT), o
medicamento de escolha, geralmente,
é o propiltiouracil (PTU), pois tem efeito
periférico e impede a conversão de T4
em T3. Em pacientes com tireotoxicose
severa, essas drogas devem ser
associadas ao uso de beta-
bloqueadores para melhora de
sintomas como tremor, palpitações e
ansiedade. Por sua vez, a radioterapia é
o tratamento de escolha na recidiva da
doença. Entretanto, em paciente muito
sintomáticos, o tratamento prévio com
antitireoideanos deve ser instituído. Por
fim , a cirurgia é um tratamento pouco
utilizado no Brasil. É importante
destacar que caso escolhida esta
modalidade terapêutica, o paciente
deve estar eutireoideo visando diminuir
a taxa de complicações ou a
possibilidade de tempestade
tireoideana.
Vamos às alternativas?
Alternativa A – Incorreta: Essa
modalidade de tratamento é priorizada
em recidivas.
Alternativa B – Correta: Como
discutimos acima, essa opção seria a
mais apropriada visto que nossa
paciente é do sexo feminino, ainda não
apresentou refratariedade a esta opção
clínica e, no momento, apresenta-se
bastante sintomática. Apesar de não ser
a primeira escolha no momento da CT,
essa é a alternativa que melhor
responde o quadro da paciente da
questão.
Alternativa C e D – Incorretas: A
cirurgia não é muito utilizada nos
serviços como tratamento de
tireotoxicose inicialmente, além disso,
exige que o paciente esteja eutireoideo.
42. No ambulatório de um hospital
secundário, o médico de plantão recebe
uma paciente de 43 anos de idade que
se encontra no 10º dia de pós-
operatório de uma histerectomia total
abdominal por doença benigna. A
paciente queixa-se de mal-estar,
hiporexia e febre (37,3 ºC) há cerca de 2
dias. Ao exame físico, a incisão
operatória encontra-se um pouco
hiperemiada e quente. A semiologia
pulmonar é normal; não há queixa de
disúria nem sinais de flebite.
Considerando esse caso, assinale a
opção que apresenta, respectivamente,
a classificação da cirurgia quanto ao
grau de contaminação e qual deveria ter
sido a melhor conduta pré- operatória
para evitar a infecção pós-operatória.
A) Contaminada; realizar
antibioticoprofilaxia com a
administração de cefazolina 1G IV
durante o ato cirúrgico.
B) Contaminada; realizar
antibioticoprofilaxia com a
administração de cefazolina 2G IV uma
hora antes do ato cirúrgico.
C) limpa-contaminada; realizar
antibioticoprofilaxia com a
administração de cefazolina 1G IV
durante o ato cirúrgico.
D) limpa-contaminada; realizar
antibioticoprofilaxia com a
administração de cefazolina 2G IV uma
hora antes do ato cirúrgico.
CCQ: Saber que a histerectomia total
abdominal por doença benigna é
classificada como uma cirurgia limpa-
contaminada e deve receber
antibiótico profilático uma hora antes
do ato cirúrgico
Meu caro aluno Aristo, questões que
abordam o período peroperatório tem
uma relevância muito alta nas provas e
por isso te convido para revisar com a
gente. Vamos lá?
Classificamos uma cirurgia quanto ao
grau de contaminação em 4 grupos.
Relembre-os abaixo:
Nesse contexto, visando a prevenção de
infecção de sítio cirúrgico indicamos
antibiótico profilático para as
cirurgias limpa-contaminadas e
contaminadas!
O antibiótico de escolha para a grande
maioria das profilaxias é a cefazolina,
cuja administração deve ser feita 60
minutos antes da incisão da pele.
Agora vamos ao caso da nossa paciente!
Ela foi submetida a uma histerectomia
total abdominal por doença benigna e
isso é uma cirurgia limpa-
contaminada, uma vez que não tem
extravasamento de conteúdo do trato
gastrointestinal ou trato respiratório,
mas penetra o trato genitourinário.
Assim, deve receber o antibiótico
profilático uma hora antes do ato
cirúrgico!
Tranquilo, né?
Um algo a mais: As cirurgias limpa-
contaminadas também são chamadas de
potencialmente contaminadas
Alternativa A - Incorreta: Conforme
explicado acima trata-se de uma
cirurgia limpa-contaminada!
Alternativa B - Incorreta: Conforme
explicado acima trata-se de uma
cirurgia limpa-contaminada!
Alternativa C - Incorreta: A profilaxia é
indicada 1 hora antes do ato cirúrgico,
não durante a cirurgia! A dose é
variável, podendo ser feito de 1-2g de
Cefazolina!
Alternativa D - Correta: Isso mesmo. A
profilaxia é feita com 1-2g de Cefazolina
uma hora antes do ato cirúrgico!
43. Uma menina com 8 anos de idade
apresenta-se, acompanhada da mãe,
em consulta ambulatorial com história
de chiado no peito quase que
diariamente, associado a dispneia aos
esforços moderados e tosse noturna 5
vezes por semana, estando em
tratamento contínuo com 1 puff de 250
ucg de beclometasona 1 vez ao dia, sem
sinal de melhora. Apresenta
exacerbações frequentes, com
limitação das atividades nessas
ocasiões, sendo necessário o uso de
beta 2 agonista de curta duração e, às
vezes, de corticoide oral. Ausculta
respiratória sem alterações, frequência
respiratória de 20 incursões
respiratórias por minuto e saturometria
de 96%.
Diante desse caso, a classificação
correta da doença da criança e a
conduta adequada para o tratamento a
longo prazo são, respectivamente,
A) asma intermitente; tratar os
episódios de exacerbação com inalação
de beta 2 agonista de curta duração.
B) asma persistente moderada não
controlada; fazer uso de corticoide
inalatório oral em dose moderada.
C) asma persistente leve parcialmente
controlada; utilizar corticoide inalatório
oral de baixa dosagem.
D) asma persistente grave parcialmente
controlada; iniciar corticoide inalatório
oral em dosagem alta.
Questão ANULADA, aluno!
Mas isso não impede que aprendamos
com ela. Temos aqui um quadro de
asma, com controle inadequado e
exacerbações frequentes. Para
classificar, devemos lembrar que: A
classificação entre intermitente ou
persistente não é o grande foco, uma
vez que as mudanças na conduta são
baseadas na classificação de controle
da asma. Logo, o mais importante é
classificar o grau de controle da asma,
que irá guiar as alterações na
terapêutica. Há atualmente indicação
de corticoide inalatório desde os passos
iniciais do tratamento, uma vez que a
asma possui etiologia inflamatória. Em
contrapartida, é relevante lembrar que
o uso de corticoide oral é indicado nos
casos de exacerbação, e não no
tratamento de manutenção.
Alternativa A - Incorreta: A frequência
dos sintomas não permite classificar o
quadro como intermitente.
Alternativa B - Incorreta: Sintomas
noturnos 5x na semana classificam a
paciente como não controlada.
Entretanto, o uso de corticoide oral no
tratamentode manutenção NÃO é
indicado.
Alternativa C - Incorreta: Sintomas
noturnos 5x na semana classificam a
paciente como não controlada.
Alternativa D - Incorreta: Sintomas
noturnos 5x na semana classificam a
paciente como não controlada.
44. Uma mulher com 25 anos de idade,
casada, atendida em uma Unidade
Básica de Saúde, queixa-se de
sangramentos intermenstruais nos
últimos meses. A paciente relata que
mudou de contraceptivo hormonal oral
(CHO) por sua própria iniciativa há 3
meses: usava CHO composto por
etinilestradiol 35 mcg em associação
com acetato de ciproterona 2 mg e
mudou para CHO composto por
etinilestradiol 20 mcg em associação
com gestodeno 75 mcg. Ela tem como
antecedentes relevantes ser multigesta
(2 partos normais, o último há 3 anos) e
apresenta quadro de convulsões tônico-
cônicas controladas com o uso de
anticonvulsivante fenitoína 300 mg ao
dia.
Diante desse quadro clínico, a
orientação que deve ser dada à paciente
para corrigir o problema é
A) usar fármacos que reduzam o
sangramento na fase dos sangramentos
intermenstruais, por exemplo, anti-
inflamatórios e/ou antifibrinolíticos.
B) voltar a fazer uso de CHO de dose
maior, podendo ser o mesmo que usava
antes (etinilestradiol 35 mcg em
associação com acetato de ciproterona
2 mg).
C) inserir o Dispositivo Intrauterino
(DIU), pois existe contraindicação ao
uso de métodos hormonais
estroprogestativos por via oral.
D) usar outro CHO com o progestógeno
acetato de ciproterona, pois o
gestodeno frequentemente se associa
com maior risco de sangramentos
intermenstruais.
CCQ: Saber que a combinação de
contracepção hormonal combinada e
fenitoína não é recomendada e
devemos optar por outro método
Olá Aluno! Aqui estamos frente a uma
questão de anticoncepção oral. Não
temos dúvida que é um tema
extremamente relevante na prática
clínica básica né? Pois é, além disso é
super comum nas provas de residência
e concursos do país. Vamos relembrar o
tema?
Dentre as formas de anticoncepção, a
Anticoncepção Combinada Oral (ACO)
é uma das mais utilizadas atualmente.
Seu advento permitiu um avanço
substancial nas políticas de
planejamento familiar. Além da via oral,
métodos hormonais existem nas forma
injetáveis, vaginal tópica e
transdérmica, porém dessa vez vamos
nos focar nos orais.
Seu mecanismo de ação é
principalmente a inibição da secreção
de gonadotrofinas. Os progestagênios
inibem a secreção de LH e o pico deste
hormônio, inibindo a ovulação. A
ausência de LH leva a um
espessamento do muco cervical,
menor proliferação endometrial e
menor peristalse das tubas uterinas,
que também contribuem para o efeito
contraceptivo. O componente
estrogênico inibe a secreção de FSH e
evita o crescimento do folículo
dominante.
Apesar de boa eficácia e segurança, os
ACOs possuem contraindicações bem
estabelecidas pela OMS, de acordo com
os critérios de elegibilidade,
numerados de 1 a 4, desenvolvido a
partir de diversos estudos ao redor do
mundo. Observe:
Dessa forma, cada situação clínica
relevante é numerada com um critério
de elegibilidade para os diversos tipos
de métodos contraceptivos. A OMS
possui uma tabela extensa com as
principais situações que pode ser
encontrada em
www.paho.org/pt/brasil.
No que tange às interações
medicamentosas, apesar da crença
que várias medicações interferem nos
ACOs, na verdade poucos fármacos tem
esse efeito. Em particular, os
anticonvulsivantes como a fenitoína,
a carbamazepina, os barbitúricos, a
primidona, o topiramato e a
oxcarbazepina, além da lamotrigina e
rifampicina possuem critério de
elegibilidade 3, ou seja, deve ser
evitado o uso dos ACOs caso
tenhamos opções melhores!
Dito isso, vamos às alternativas!
Alternativa A - Incorreto: Não é o mais
adequado introduzir mais uma
medicação na vida da paciente, dado
que a paciente usa medicações que
interferem na ação dos ACOs e
podemos lançar mão de outros
contraceptivos.
Alternativa B - Incorreta: O uso dos
ACOs, como o anterior que ela utilizava,
possui critério de elegibilidade 3 pela
OMS, devendo ser evitado.
Alternativa C - Correta: Perfeito! O uso
do DIU representa um método muito
mais adequado, com alta eficácia, dado
que o uso dos ACOs possui
contraindicação relativa nesse caso.
Alternativa D - Incorreta: Ainda assim
se manteria o uso de um ACO, o que no
caso, não é o mais adequado.
45. Um paciente com 48 anos de idade
busca atendimento em Unidade de
Saúde da Família devido a quadro de
tosse produtiva há cerca de 2 meses,
associada a perda de peso e sudorese
noturna. Paciente refere ter voltado a
morar com os pais há 1 semana, depois
de ter ficado em situação de rua nos
http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/42907/9241562668_por_B.pdf;jsessionid=584214289D6BA510797E1348EA9ACC5F?sequence=7
últimos 3 anos, devido a um episódio de
conflito familiar. Refere ter procurado o
pronto atendimento há 1 mês, quando
foi prescrita amoxicilina 500 mg, de 8
em 8 horas por 10 dias, porém sem
melhora do quadro. O médico de
família solicita, então, realização do
teste rápido molecular para
tuberculose, cujo resultado foi positivo,
sendo negativa a resistência à
rifampicina.
Nesse caso, a conduta a ser adotada
para o paciente é
A) solicitar cultura de escarro e
aguardar o resultado para iniciar o
tratamento de acordo com o teste de
sensibilidade.
B) encaminhar para a referência
terciária para iniciar o tratamento após
o resultado da cultura de escarro e do
teste de sensibilidade.
C) iniciar esquema básico com
rifampicina, isoniazida, pirazinamida e
etambutol, não havendo necessidade
de coleta de cultura de escarro.
D) iniciar esquema básico com
rifampicina, isoniazida, pirazinamida e
etambutol, e reavaliar o caso após
resultado da cultura de escarro e do
teste de sensibilidade.
CCQ: O tratamento da tuberculose
pulmonar é feito com o Esquema
Básico 2 RHZE/4 RH, e deve-se
solicitar baciloscopias mensais para
controle bacteriológico
E aí aluno Aristo, pega seu cafezinho e
vamos para mais uma questão! Essa,
abordou o tratamento da Tuberculose.
Temos um quadro clínico clássico de
Tuberculose (TB), com tosse crônica,
perda ponderal e sudorese noturna.
Além disso, temos o diagnóstico já
confirmado laboratorialmente, e
sabemos que não há resistência à
rifampicina.
Sendo assim, devemos prosseguir para
o tratamento, que pode ser conduzido
na própria Unidade Básica de Saúde,
sem necessidade de encaminhamentos.
Será utilizado o Esquema Básico, que é
recomendado para o tratamento de
casos novos ou retratamento, em para
todas as formas clínicas da tuberculose
(exceto meningoencefálica e
ostearticular).
Deve ser realizado o controle
bacteriológico com baciloscopias
mensais, para o monitoramento da
efetividade do tratamento. É esperado
que ela se negative após 2 semanas de
tratamento, podendo se manter
positiva por mais tempo. Se a
baciloscopia mantiver positiva no final
da fase intensiva (2 meses de
tratamento), deve-se estendê-la por
mais 30 dias e solicitar a cultura do
escarro com teste de sensibilidade.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Temos o
diagnóstico confirmado laboratorial, e
por isso, podemos já prosseguir para o
tratamento.
Alternativa B - Incorreta: Não há
necessidade de encaminhamento, o
tratamento pode ser realizado na
Atenção Primária.
Alternativa C - Incorreta: É necessário
solicitar baciloscopias mensais para
acompanhamento do tratamento.
Alternativa D - Correta: É exatamente
isso! Conforme já vimos na nossa
discussão.
46. Uma paciente com 30 anos de
idade, sem comorbidades, compareceu
à Unidade Básica de Saúde com queixas
de disúria, tenesmo vesical, polaciúria e
ardência miccional há 2 dias.Relatou
vida sexual ativa, uso de método
anticoncepcional e última menstruação
na semana anterior ao surgimento dos
sintomas. Negou quadro de infecção
urinária no último ano ou história
sugestiva de anormalidades do trato
urinário.
Diante desses dados, a principal
hipótese diagnóstica é
A) pielonefrite grave.
B) sepse de foco urinário.
C) bacteriúria assintomática.
D) infecção de trato urinário não
complicada.
CCQ: A infecção do trato urinário não
complicada ocorre quando há
sintomas urinários baixos em
paciente sem fatores de risco para
complicação ou falha de tratamento
E aí Aluno Aristo! Pega sua água, e
vamos para mais uma! Essa questão
abordou a clínica das Infecções do Trato
Urinário (ITU), então vamos aproveitar
para revisar alguns pontos:
• Cistite (ITU baixa): tem uma
clínica mais localizada, com
sintomas do trato urinário baixo,
como disúria (dor/desconforto
ao urinar), polaciúria (ir ao
banheiro muitas vezes com
pouco volume urinário),
urgência miccional e dor
suprapúbica;
• Pielonefrite (ITU alta): tem
uma clínica mais sistêmica, com
presença de febre, lombalgia,
astenia, náuseas e vômitos.
Pode ter punho-percussão
lombar positiva (sinal de
Giordano).
O agente etiológico mais comum das
ITU adquiridas na comunidade é a E.
coli, seguida de outras enterobactérias.
Laboratorialmente, o achado mais
importante é a presença de piúria e
pode haver leucocitose no hemograma,
principalmente nos casos de
pielonefrite.
A ITU complicada ocorre quando há
sinais sistêmicos ou fatores de risco
para falha no tratamento, como:
doença urológica prévia, gestação,
doença sistêmica predisponente
(diabetes), uso de sonda vesical,
presença de abscessos, pielonefrite,
etc.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Não temos
nenhum sinal de comprometimento
sistêmico, o que torna esse diagnóstico
pouco provável.
Alternativa B - Incorreta: Por
definição, a sepse ocorre quando há
uma resposta desregulada do
organismo à uma infecção, levando à
disfunção orgânica. O que não
observamos no nosso caso! Mas vale
lembrar, que o trato urinário é um
importante foco de sepse.
Alternativa C - Incorreta: A bacteriúria
assintomática é definida como a
ausência de sintomas em pacientes com
presença de mais de 100.000 UFC/mL.
Isso vale em duas uroculturas
consecutivas em mulheres e apenas
uma em homens, ou uma em pacientes
com uso de cateter vesical.
Normalmente, só é tratada em casos
especiais, como em gestantes e
pacientes submetidos a procedimentos
urológicos invasivos ou transplante
renal.
Alternativa D - Correta: É isso mesmo!
Nossa questão trouxe uma clínica
clássica de cistite não complicada, além
da epidemiologia: mulher jovem, com
vida sexual ativa. Isso acontece porque
a uretra feminina é mais curta,
favorecendo a ascendência de
patógenos do trato gastrointestinal.
47. Um paciente com 25 anos de idade,
soldador, procurou Unidade de Pronto
Atendimento relatando que, durante
seu ofício, retirou o protetor facial
momentaneamente e foi atingido por
"flash" ocasionado pelo equipamento
de solda no olho direito. O médico
clínico socorrista evidenciou apenas
eritema conjuntival. O paciente refere,
nesse momento, irritabilidade e
"sensação de areia" nos olhos, sem
perda da acuidade visual.
Nesse caso, a melhor medida a ser
adotada pelo médico socorrista antes
de encaminhar o paciente para
avaliação especializada é
A) curativo oclusivo e compressivo.
B) oftalmoscopia e retirada de corpo
estranho com pinça.
C) aplicação de colírio contendo
antimicrobianos e corticoesteroides.
D) irrigação ocular com soro fisiológico
a 0,9% em temperatura ambiente.
CCQ: Saber que na suspeita de corpo
estranho ocular realizamos irrigação
ocular com soro fisiológico a 0,9% e
encaminhamos o pacientes para
avaliação especializada
Meu caro aluno Aristo, essa questão
aborda um tema importante na prática
médica e que pode te garantir um ponto
extra na prova. Vamos revisar juntos?
Temos o caso de um jovem que,
durante seu trabalho de soldador, foi
exposto aos resíduos de solda. Após
isso, chega no pronto-socorro com
eritema de conjuntiva e "sensação de
areia" nos olhos.
Nesse momento nossa primeira
hipótese é a presença de corpo
estranho ocular! A sensação de areia
nos olhos é um sintoma muito visto
nessa condição!
Como conduzimos esses casos antes da
avaliação especializada?
• Aplicamos uma gota de colírio
anestésico no globo ocular;
• Realizamos irrigação do olho
com jato fino de soro fisiológico
0,9%;
• Se o corpo estranho for
visualizado é possível tentar a
remoção utilizando um
cotonete.
• Após a lavagem realizar oclusão
do olho com pomada
oftalmológica antibiótica
encaminhar ao serviço de
oftalmologia para avaliação
detalhada das estruturas
oculares.
Tranquilo, né?
Um algo a mais: Na suspeita de
queimadura química a conduta é similar,
contudo indicamos a utilização de
pomada oftálmica contendo antibiótico e
corticoide.
Alternativa A - Incorreta: Não
indicamos curativo compressivo na
suspeita de lesão de estruturas do globo
ocular!
Alternativa B - Incorreta: Caso
optemos por tentar remover o corpo
estranho o instrumento utilizado para
isso é um cotonete e não uma pinça.
Alternativa C - Incorreta: Evitamos o
uso de colírio de corticosteroides na
atenção primária, pois eles podem
desencadear um quadro de glaucoma!
Alternativa D - Correta: Isso mesmo.
Essa alternativa traz um bom resumo de
como manejamos esses pacientes!
48. Um pré-escolar com 4 anos de
idade, acompanhado dos pais, dá
entrada na emergência com quadro de
febre, cefaleia e irritabilidade que se
iniciou há 2 dias. A mãe relata que, hoje
pela manhã, a criança apresentou
erupções vermelhas na pele e que não
percebeu outros sintomas antes do
início do aparecimento desse quadro,
porém, conta que o pai da criança
estava com sintomas de síndrome
gripal 2 semanas antes do adoecimento
do filho. Ao exame físico, a criança
apresenta estado geral comprometido,
mucosas hipocoradas +/4+ e
escleróticas anictéricas. Apresenta,
ainda, olhos com conjuntivas
hiperemiadas; pescoço com
linfoadenomegalia cervical; tórax com
diminuição da expansibilidade e
tiragem subcostal presente; abdome
plano, sem visceromegalias; pele com
presença de erupções exantematosas.
Frequência cardíaca = 168 batimentos
por minuto, frequência respiratória = 39
incursões respiratórias por minuto e
temperatura axilar = 39,1 ºC.
Os resultados dos exames laboratoriais
iniciais da criança são apresentados no
quadro a seguir.
Após análise do quadro clínico e dos
resultados laboratoriais, a principal
hipótese diagnóstica é
A) dengue grave com choque.
B) síndrome do choque tóxico
estafilocócico.
C) meningite meningocócica na forma
séptica.
D) síndrome inflamatória
multissistêmica pediátrica.
CCQ: Saber que crianças com quadro
semelhante a Síndrome de Kawasaki
com antecedente de contato ou
infecção por COVID-19
provavelmente apresenta síndrome
inflamatória multissistêmica
pediátrica
Fala pessoal! Questão boa do revalida,
então bora lá entender o que a banca
queria de nós.
Diante do COVID-19, causado pelo
SARS-COV-2, descobrimos muitas
manifestações da doença e dentro de
pediatria temos uma muito comentada,
a famosa SIM-P (síndrome inflamatória
multissistêmica pediátrica).
Esta, é uma doença rara, mas grave que
ocorre dias a semanas após infecção
aguda (aqui a banca considerou o
contato, mas é mais comum após a
infecção) pelo vírus SARS-COV-2. O
interessante é que os sintomas são
muito parecidos com a síndrome de
Kawasaki com febre, alterações
oculares, bucais, adenomegalia no
pescoço, rash no corpo e alterações de
extremidades.
Os critérios para definirmoseste
diagnóstico são:
Casos que foram hospitalizados com
presença de febre elevada (> 38°C) e
persistente (≥ 3 dias) em crianças e
adolescentes (até 19 anos de idade) e
pelo menos dois dos seguintes sinais
e/ou sintomas:
• Conjuntivite não purulenta ou
lesão cutânea bilateral ou sinais
de inflamação muco-cutânea
(oral, mãos ou pés),
• Hipotensão arterial ou choque,
• Manifestações de disfunção
miocárdica, pericardite,
valvulite ou anormalidades
coronarianas [incluindo achados
do ecocardiograma ou elevação
de Troponina, ou N-terminal do
peptídeo natriurético tipo B
(NT-proBNP)],
• Evidência de coagulopatia (por
TP, TTPa ou D-dímero
elevados).
• Manifestações gastrointestinais
agudas (diarreia, vômito ou dor
abdominal).
• Marcadores inflamatórios
elevados (VHS, PCR)
Bem interessante e atual este tema
pessoal! Por isso, tenha muita atenção.
Voltando a questão, temos um paciente
com febre, cefaleia, irritabilidade que se
iniciou há 2 dias, erupções vermelhas na
pele, linfoadenomegalia cervical,
conjuntivite e contato com paciente
com suspeita de COVID-19 (pai com
sintomas respiratórios). Apesar de não
cumprir com os critérios diagnósticos,
não tem como negar que a nossa
principal hipótese no momento (que é o
que a banca pergunta) é SIM-P.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta Não temos
quadro compatível com dengue, onde
teríamos um histórico mais florido com
o pai apresentando febre alta + dores
musculares também, além dos
sintomas não serem compatíveis.
Alternativa B - Incorreta Pessoal, não é
um quadro compatível com choque
estafilocócico, onde não
encontraríamos as adenomegalias
cervicais ou o histórico de contato com
o pai com sintomas gripais.
Alternativa C - Incorreta Não explicaria
as linfoadenomegalias, conjuntivite ou
o contato com o pai com sintomas
gripais.
Alternativa D - Correta Exato! É a nossa
principal hipótese no momento.
49. Uma paciente com 19 anos de
idade, solteira, busca orientação
médica em Unidade Básica de Saúde.
Relata que teve duas gestações
anteriores, sendo um parto a termo e
um aborto, e que tem um filho vivo e
saudável de 3 anos de idade. Informa
que contraiu infecção pelo HIV há 2
anos e utiliza terapia antirretroviral há 6
meses. Está assintomática e sem sinais
clínicos de patologias. Os exames de
rotina mostram contagens de lT-CD4+
acima de 500 células/mm3 e carga viral
indetectável. Ela refere início de um
relacionamento com parceiro
soropositivo de 35 anos de idade há 1
mês. Refere, ainda, que o parceiro tem
dois filhos vivos saudáveis e que o casal
não deseja ter filhos.
Nessa situação, está indicado
A realização de laqueadura tubária
associada ao uso de preservativo.
B uso de anticoncepcional hormonal
associado ao uso de preservativo.
C uso do Dispositivo Intrauterino (DIU)
de cobre.
D realização de vasectomia.
CCQ: Em mulheres portadoras de HIV,
devemos sempre associar o uso
concomitante de preservativo ao
método anticoncepcional escolhido
Fala, aluno Aristo, tudo em paz?
Questão completinha e que nos dá a
oportunidade de rever vários CCQs
importantes!
Ao analisar a indicação de um método
contraceptivo, devemos levar em conta
alguns fatores como a vontade da
paciente, os benefícios além da
contracepção, e as contraindicações
existentes para aquele método. A
questão cita 5 métodos e vamos ver
alguns pontos de cada um deles,
focando na nossa paciente com HIV:
• Laqueadura tubária: o
diagnóstico de HIV não interfere
na legislação da esterilização
definitiva, mas para que seja
possível sua realização, a
paciente precisa ter pelo menos
25 anos de idade ou dois filhos
vivos, o que não é o caso.
• Anticoncepcional hormonal: o
diagnóstico de HIV não é uma
contraindicação ao uso de
métodos hormonais; no
entanto, devemos estar atentos
a interações medicamentosas e
outras doenças que possam
surgir tanto em decorrência do
próprio HIV, quanto pelo uso da
TARV.
• Preservativo: o uso consistente
e adequado de preservativos é
eficaz na prevenção da
transmissão do HIV e de outras
doenças sexualmente
transmissíveis. O uso do
preservativo em todas as
relações é indicado mesmo em
casais soroconcordantes, uma
vez que os sorotipos de HIV
podem ser diferentes!
• DIU de cobre: o diagnóstico de
HIV não é uma contraindicação
ao uso de dispositivos
intrauterinos! Muito pelo
contrário, sabemos que o uso de
DIU pode reduzir em até 30% os
casos de câncer de colo de útero,
uma neoplasia muito prevalente
nessa população, tendo,
portanto, outros benefícios
além da contracepção.
• Vasectomia: o parceiro poderia
sim fazer vasectomia, não há
contraindicações em relação ao
HIV.
Mas se temos muitas alternativas
possíveis, como vamos escolher? A
grande sacada aqui é a recomendação
da Febrasgo acerca do tema, veja só:
"Recomendação especial deve ser dada
às mulheres infectadas pelo HIV:
incentivar o uso concomitante dos
preservativos de maneira consistente e
correta, pois ajudam a prevenir a
transmissão do HIV e outras DSTs. Os
preservativos também proporcionam
proteção contraceptiva adicional para
mulheres em terapia ARV.
Ou seja, precisamos escolher um
método e sempre associar o uso de
preservativos a ele.
Vamos ver as alternativas:
Alternativa A - Incorreta: A paciente
não apresenta os critérios necessários
para laqueadura tubária. Mas a
alternativa ganha pontos conosco ao
associar o preservativo, não é mesmo?
Alternativa B - Correta: BINGO!
Podemos usar anticoncepcionais orais e
devemos associar ao uso concomitante
de preservativo, pois, neste caso, não
nos foi informada a carga viral do
parceiro.
Nos casos em que ambos os parceiros
são soropositivos, estudos têm
mostrado que se ambos apresentam
carga viral persistentemente suprimida,
não há capacidade de transmissão do
vírus mesmo sem uso de preservativo.
Alternativa C - Incorreta: Aqui, o erro
está em não falar sobre a necessidade
de associação com o uso de
preservativo.
Alternativa D - Incorreta: Aqui, o erro
está em não falar sobre a necessidade
de associação com o uso de
preservativo.
50. Um paciente com 55 anos de idade,
branco, casado, autônomo, procura
Unidade de Saúde da Família para
realização de rastreamento de câncer
de próstata por insistência de sua
mulher. Paciente nega disúria,
polaciúria, hesitação inicial,
gotejamento posterior ou outras
queixas de prostatismo. Nega uso
regular de medicamentos,
comorbidades, internações prévias e
história de câncer na família.
Nesse caso, a conduta correta para esse
paciente é
A solicitar PSA e, se alterado, realizar o
toque retal.
B solicitar PSA associado à realização
do toque retal.
C solicitar PSA e, se alterado,
encaminhar ao urologista para a
realização do toque retal.
D individualizar e compartilhar a
decisão frente aos riscos e benefícios
associados ao rastreamento.
CCQ: Rastreamento para câncer de
próstata não é preconizado pelo
Ministério da Saúde
Salve salve família Aristo, tudo bem
com vocês? Questãozinha do INEP-
REVALIDA-DF de 2022 trazendo um
tema frequente nas provas, sendo
abordado de forma inteligente e dentro
dos conceitos éticos, correto?
A respeito de paciente de 55 anos,
casado e hígido, sem queixas no
momento, dá entrada na USF por
insistência de sua mulher para
rastreamento de câncer de próstata.
Nega sintomas e sinais de prostatismo.
Qual a melhor conduta a ser tomada,
neste caso?
Como o rastreamento de câncer de
próstata não é preconizado pelo
Ministério da Saúde, a decisão quanto
ao rastreamento deve ser
individualizada para esse paciente,
ponderando os possíveis riscos e
benefícios do screening, como também
de intervenções que podem advir desse.
Neste momento, a práticada
prevenção quaternária é fundamental.
Bora avaliar as alternativas!!!
Alternativas A, B e C - Incorretas: Por
se tratar de atendimento em unidade de
saúde, cabe ao profissional de saúde
local discutir a real necessidade de se
rastrear o paciente quanto ao
adenocarcinoma de próstata.
Preconizado pela USPSTF, deve ser
feito com PSA e toque retal,
concomitantemente, em pacientes
assintomáticos e com idade entre 50-75
anos;
Alternativa D - Correta: Conforme
explicação acima.
51. Um paciente com 50 anos de idade
encontra-se internado em um quarto de
isolamento respiratório na enfermaria
de pneumologia. Relatou, na sua
admissão, apresentar tosse há 6
semanas, febre, fadiga, sudorese
noturna, perda ponderal, episódios de
hemoptise e dor torácica do tipo
pleurítica. À ausculta pulmonar, foram
percebidos estertores finos, pós-
tussivos, nos ápices. Exames
laboratoriais mostraram anemia
normocítica normocrômica e
hipoalbuminemia e, na radiografia de
tórax, foram visualizados infiltrados e
cavitações no segmento posterior do
lobo superior direito.
Diante do quadro clínico descrito, a
hipótese diagnóstica mais provável é
A) tuberculose extrapulmonar.
B) tuberculose pulmonar latente.
C) tuberculose pulmonar pós-primária.
D) infecção primária por
Mycobacterium tuberculosis.
CCQ: A manifestação clínica clássica
da tuberculose pulmonar pós-
primária (secundária) é tosse crônica,
febre vespertina, perda ponderal,
sudorese noturna e hemoptise
E aí aluno Aristo, tudo bem? Questão
abordou as manifestações clínicas da
Tuberculose, tema que pode ser um
pouco chato e confuso. Por isso, vamos
revisar juntos!
A Tuberculose (TB) é uma doença
causada pelo Mycobacterium
tuberculosis, que afeta principalmente
os pulmões, mas pode acometer outros
órgãos. Sua transmissão é por meio da
inalação de partículas infectantes, e por
isso, a forma pulmonar é a mais
importante na manutenção da
disseminação da doença.
A manifestação clínica da TB é variável,
a depender do sítio da doença. Dentro
desse espectro, temos a TB pulmonar e
a TB extrapulmonar (sendo a pleural e a
ganglionar as mais frequentes). Aqui,
vamos enfatizar as formas da TB
pulmonar:
• Tuberculose Primária: é a
primoinfecção pelo bacilo, mais
comum em crianças.
Normalmente apresenta-se
com uma clínica mais insidiosa,
e muitas vezes é assintomática.
Pode ser observada irritação,
febre baixa, sudorese noturna e
inapetência. A tosse pode ou
não estar presente. Na
histopatologia, há a formação
de granuloma no pulmão;
• Tuberculose pós-primária
(secundária): mais comum em
jovens adultos, e é caracterizada
pela clínica clássica, com tosse
crônica, anorexia, perda
ponderal, febre vespertina e suor
noturno. Radiologicamente, são
encontradas principalmente
cavernas nos ápices pulmonares
(é a região mais aerada do
pulmão, e o Mycobacterium é
aeróbio obrigatório).
Histopatologicamente, essa
forma ocorre devido a “quebra”
da integridade dos granulomas,
permitindo a reativação da
infecção;
• Tuberculose miliar: é uma
forma grave e disseminada da
doença, mais comum em
imunossuprimidos. Pode ocorrer
tanto na forma primária quanto
secundária, por disseminação
hematogênica. Os sintomas são
semelhantes aos clássicos da
tuberculose, e ⅓ dos pacientes
apresentam hepatomegalia
e/ou alterações do sistema
nervoso central.
Radiologicamente, possui um
padrão intersticial micronodular.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Estamos
diante de um paciente com o quadro
clínico clássico da tuberculose
pulmonar.
Alternativa B - Incorreta: A TB latente
ocorre após a infecção primária, e é
caracterizada pela presença do bacilo
viável dentro dos granulomas com
ausência de doença ativa. Não é o caso
do nosso paciente.
Alternativa C - Correta: É isso mesmo!
Nosso paciente tem sinais e sintomas
de Tuberculose secundária, além de
uma radiografia de tórax altamente
sugestiva. A anemia e a
hipoalbuminemia nesse caso são sinais
de inflamação crônica.
Alternativa D - Incorreta: Apesar de ser
possível na primoinfecção ter os
sintomas clássicos, ela normalmente é
assintomática/oligossintomática. Além
disso, epidemiologicamente ela é
menos provável, já que é mais comum
em crianças.
52. Durante um jogo de basquete
feminino, a estrela da equipe, com 19
anos de idade, após um salto para
"enterrar" a bola, pisou de maneira
inadequada no solo e caiu. Não tendo
sido mais capaz de se levantar naquele
momento, foi levada para o Pronto-
Socorro, onde chegou deambulando,
embora mancasse. A jogadora
apresentava dor aos movimentos,
edema e equimose no tornozelo
esquerdo. Ao palpar o tornozelo, o
médico não evidenciou nenhum ponto
ósseo específico de dor.
Diante desse quadro, considerando o
preconizado em casos de entorse de
tornozelo, a conduta adequada é
A pedir uma radiografia do tornozelo
para avaliar a fratura.
B aplicar calor local e encaminhar a
paciente para avaliação do ortopedista.
C iniciar fisioterapia motora precoce e
solicitar o parecer de um ortopedista.
D imobilizar o membro afetado e
medicar a paciente com anti-
inflamatório.
CCQ: Saber que pacientes sem dor em
pontos ósseos específicos e
apresentando capacidade de
deambular não necessitam de RX de
tornozelo nos casos de entorse da
articulação
Caro aluno Aristo, questões de
ortopedia podem parecer difíceis, mas
não serão um bicho de sete cabeças
para você que vai aprender o método
Aristo de responde-las considerando os
pontos mais importantes.
Temos o quadro de uma paciente jovem
que sofreu uma entorse de tornozelo
em uma partida de basquete. Como
conduzir esses casos?
• Repouso nos primeiros 3 dias;
• Imobilização do membro;
• Elevação do membro
acometido;
• Aplicação de gelo no local
durante 20 minutos nas
primeiras 24-72h;
• Prescrição de analgésicos e anti-
inflamatórios.
Agora você vai me perguntar: E a
radiografia da articulação, quando
indicamos?
Visando uma utilização racional dos
métodos de imagem, em pacientes com
entorse de tornozelo utilizamos os
critérios de Ottawa para decidir se
vamos ou não pedir uma radiografia.
Esse exame deve ser solicitado caso o
paciente tenha 1 dos 2 condicionantes:
• Presença de dor em pontos
ósseos específicos;
• Incapacidade de apoio de
marcha (pelo menos quatro
passos).
Agora que já revisamos os princípios do
tratamento vamos procurar a
alternativa correta?
Um algo a mais: Recomendamos
fisioterapia para os pacientes que
apresentam instabilidade funcional,
falha na propriocepção ou frouxidão
ligamentar.
Alternativa A - Incorreta: De acordo
com os critérios de Ottawa a paciente
não necessita de radiografia da
articulação. Repare que ela não tem dor
em nenhum ponto ósseo específico e
chegou deambulando ao PS!
Alternativa B - Incorreta: Nessas
lesões utilizamos gelo local. Além disso,
a paciente não precisa de
encaminhamento para a ortopedia
nesse momento!
Alternativa C - Incorreta: Vamos
indicar fisioterapia nos pacientes com
instabilidade funcional, falha na
propriocepção ou frouxidão ligamentar.
Além disso, a paciente não precisa de
encaminhamento para a ortopedia
nesse momento!
Alternativa D - Correta: Isso mesmo.
Essa alternativa faz um bom resumo de
como vamos tratar esses pacientes!
53. Uma médica é chamada para dar
assistência ao recém-nascido de uma
gestante com 35 anos e idade
gestacional de 33 semanas, com rotura
de membrana, superior há 18 horas.
No que se refere a essa situação,
assinale a opção correta.
A) Caso o recém-nascido apresente boa
vitalidade, o clampeamento imediato
do cordão evita a hemorragia
intracraniana e a enterocolite
necrosante.
B) Caso o recém-nascido comece a
respirar ou chorar eesteja ativo, deve-
se secá-lo rapidamente e envolver a
região das fontanelas e do corpo em
campo estéril aquecido para evitar a
hipotermia; o neonato deve ser
posicionado no abdome ou tórax
materno.
C) Caso o recém-nascido não apresente
boa vitalidade, realizam-se o
clampeamento imediato de cordão, a
colocação de touca dupla e saco
plástico, visando-se manter a
temperatura axilar > 37,5 ºC para
proteção de lesão cerebral em paciente
asfixiado.
D) Caso o recém-nascido apresente boa
vitalidade, após posicionar o pescoço,
deve-se aspirar delicadamente a boca e
depois as narinas com sonda traqueal
número 6-8 conectada ao aspirador a
vácuo, sob pressão máxima de 100
mmHg.
CCQ: O recém nascido com boa
vitalidade deve ter o cordão
clampeado tardiamente
Olá, caro aluno Aristo! A questão
aborda a avaliação da vitalidade do
recém-nascido e a correlação com o
clampeamento do cordão umbilical (se
imediato ou tardio).
Atualmente, as diretrizes apontam para
a utilização de três critérios para definir
se o RN tem vitalidade ou não: se é a
termo; se respira e/ou chora e se tem
tônus muscular. Se a resposta para as
três perguntas for positiva, o
clampeamento tardio pode ser
adotado, já que, segundo evidências,
traz benefícios de ordem hematológica.
No entanto, se qualquer uma das
perguntas for respondida
negativamente, deve-se adotar o
clampeamento imediato, já que o
atraso nesse procedimento pode
retardar o uso da ventilação com
pressão positiva, se for necessária.
Antes de passarmos às alternativas,
vamos lembrar de uma informação
importante: se realmente necessária a
estabilização/reanimação do paciente,
o primeiro passo consiste em manter a
temperatura corporal entre 36,5ºC e
37,5ºC.
Agora vamos lá:
Alternativa A - Incorreta: Com o RN
com boa vitalidade, respiração
adequada e ativo, o clampeamento
TARDIO está indicado.
Alternativa B - Correta: Estando a
criança chorando/respirando e com boa
vitalidade, é possível realizar o
clampeamento tardio, mantendo nesse
período a criança sobre a mãe e a
secando e cobrindo fontanelas, a fim de
evitar a perda de calor.
Alternativa C - Incorreta: Como dito,
deve-se manter a temperatura corporal
entre 36,5ºC e 37,5ºC.
Alternativa D - Incorreta: A aspiração
está reservada para as crianças que
apresentem obstrução por excesso de
secreção.
Vale lembrar que, no caso de RN abaixo
de 34 semanas, após os passos iniciais e
clampeamento do cordão, é obrigatório
levar a criança para a mesa de
reanimação a fim de cumprir as demais
etapas, a saber: posicionar, fornecer
calor sob fonte radiante, utilização de
touca dupla e realização de manobras
necessárias, caso se aplique,
54. Na Unidade Básica de Saúde, uma
paciente com 28 anos de idade relata
novo relacionamento e desejo de uma
nova gravidez. Nega intercorrências nas
três gestações passadas, informando
ter realizado laqueadura tubária no
último parto, há 3 anos. Relata também
que seus ciclos são regulares e que o
exame ginecológico não apresentou
alterações significativas. Acrescenta
que o atual companheiro também tem
um filho de união anterior, o qual tem 8
anos de idade.
No projeto terapêutico direcionado ao
casal, qual deverá ser a indicação
inicial?
A) Encaminhar o casal para programa
de adoção.
B) Prescrever indução de ovulação para
reprodução assistida.
C) Encaminhar a paciente para cirurgia
de recanalização tubária.
D) Solicitar exames para excluir outros
fatores de infertilidade.
CCQ: A infertilidade é definida como
uma afecção do casal
Olá, aluno Aristo. Tudo bem? A banca
cita uma paciente de 28 anos, com
desejo reprodutivo. Ela tem três filhos,
sendo submetida à laqueadura
tubária há 3 anos. Seu companheiro
também possui um filho.
Lembrando que infertilidade é sempre
do casal. Dessa forma, no No projeto
terapêutico, os dois devem ser
investigados, mesmo com a presença
de filhos.
A infertilidade é definida como uma
afecção do casal, em que não há
gestação após 1 ano de coito
desprotegido. Os casais hoje optam por
terem filhos um pouco mais tarde e, por
isso, é um problema crescente.
Você lembra quais são os quatro
exames básicos para investigar
infertilidade?
• Dosagens hormonais (TSH,
prolactina, progesterona, FSH,
estradiol, T4 livre). Os dois
últimos podem não ser
solicitados;
• Ultrassonografia transvaginal
seriada;
• Histerossalpingografia.
• Espermograma.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Devemos
investigar primeiramente se esse casal
pode ter ainda filhos biológicos.
Alternativa B - Incorreta: A paciente
apresenta ciclos menstruais regulares;
se infertilidade, a causa ovulatória não
seria a nossa principal hipótese.
Alternativa C - Incorreta: Antes da
reversão da laqueadura tubária,
devemos solicitar exames para excluir
outros fatores de infertilidade (para
evitar realizar uma recanalização
tubária sem necessidade).
Alternativa D - Correta: Perfeito, aluno
Aristo! Como explicado previamente,
devemos solicitar exames para excluir
outros fatores de infertilidade.
55. Um homem com 24 anos de idade
realiza acompanhamento médico
regular na Unidade de Saúde da Família
(USF) de referência. Possui diagnóstico
de HIV há 1 ano, sendo acompanhado
em Centro de Saúde de Referência
municipal para HIV/AIDS. Hoje, busca
atendimento na USF com queixa de
perda de peso nos últimos 3 meses,
nota que as bermudas estão folgadas.
Durante a anamnese, informou que há 3
semanas está com tosse,
ocasionalmente apresentando
sudorese noturna. Traz consigo exames
laboratoriais e de imagem realizados há
cerca de 7 dias. Radiografia de tórax
com presença de infiltrados e cavidades
em lobo superior direito. Prova
tuberculínica positiva. Baciloscopia de
escarro com presença de raros bacilos
álcool-ácido resistente (BAAR). A
região onde se encontra a USF
apresenta índices elevados de
Tuberculose, Paracoccidioidomicose,
Criptococose e Toxoplasmose.
Diante do quadro apresentado, o novo
diagnóstico e os exames
complementares adequados para
comprová-lo são, respectivamente,
A) criptococose; sorologia.
B) paracocciodioidomicose; exame a
fresco de escarro.
C) toxoplasmose; tomografia,
imununofluorescência indireta e teste
imunoenzimático (ElISA).
D) tuberculose pulmonar; teste rápido
molecular para tuberculose (TRM-TB),
cultura de escarro e teste de
sensibilidade.
CCQ: A coinfecção Tuberculose-HIV é
muito comum no nosso meio, e deve-
se sempre pensar em Tuberculose nas
PVHIV com sintomas respiratórios
Ei aluno Aristo! Vamos resolver mais
uma? Questão interessante, que
abordou a coinfecção HIV/Tuberculose.
A Tuberculose (TB) é uma infecção
prevalente em pessoas vivendo com o
HIV (PVHIV). Por isso, deve ser
realizada a prova tuberculínica (PPD)
em todas as PVHIV, para investigação
de TB latente. Devido ao risco de
imunossupressão, pode haver
reativação da TB, causando doença
ativa.
E isso é provavelmente o que aconteceu
no nosso caso clínico! Estamos diante
de um paciente portador do HIV, com
história e radiografia altamente
sugestivas de tuberculose (tosse, perda
ponderal, sudorese noturna, e presença
de cavidade em lobo pulmonar
superior). Além disso, apresenta PPD
positivo, demonstrando que houve
contato prévio com o bacilo.
O método diagnóstico mais utilizado é
a baciloscopia no escarro pulmonar,
por ser mais disponível. São
pesquisados de bacilos álcool-ácido
resistente (BAAR), em pelo menos duas
amostras. Outro método é o Teste
Rápido Molecular (TRM-TB), que além
de identificar a presença do material
genético do bacilo, também pesquisa
por resistência a rifampicina.
Segundo o Ministério da Saúde, em
todas as PVHIV com suspeita de TB, é
recomendado realizar a culturanos
materiais biológicos para
Mycobacterium tuberculosis com teste
de sensibilidade.
Algo a mais: Portadores do HIV tem
uma chance até 12 vezes maior que
adoecer por Tuberculose. Por isso, deve
ser realizado o tratamento da TB
latente (PPD positivo, sem sinais e
sintomas da doença) nesses pacientes,
com Isoniazida (H) em 270 doses, entre
9 a 12 meses.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Apesar da
criptococose pulmonar cursar com
sintomas semelhantes a tuberculose,
epidemiologicamente a TB é mais
prevalente, além de termos um PPD
positivo no nosso paciente.
Alternativa B - Incorreta: Não há uma
epidemiologia forte para essa doença,
como ser trabalhador rural ou contato
prolongado com solo.
Alternativa C - Incorreta: As principais
manifestações da toxoplasmose em
PVHIV são neurológicas, e não
pulmonares.
Alternativa D - Correta: Conforme
vimos na discussão, TB é a hipótese
mais provável, e está indicada a
realização de cultura e teste de
sensibilidade.
56. Uma mulher com 44 anos de idade,
atendida em hospital, refere aumento
de volume cervical há 5 meses. Nega
dispneia ou disfagia, alterações do sono
ou no hábito intestinal. Relata história
de hipotireoidismo materno e de câncer
de tireoide em sua irmã mais velha. Ao
exame físico, notam-se tireoide
aumentada 1x, móvel, consistência
fibroelástica, nódulo palpável em torno
de 3 cm em lobo direito, móvel e
elástico, não havendo
linfadenomegalias cervicais.
Na investigação do caso dessa paciente,
qual é a conduta adequada?
A) Solicitar cintilografia de tireoide.
B) Solicitar ultrassonografia de tireoide.
C) Encaminhar a paciente para cirurgia.
D) Solicitar punção aspirativa por
agulha fina.
CCQ: A ultrassonografia de tireóide é
o exame de escolha para a
investigação de nódulos tireoidianos,
quando não há hipertireoidismo
E aí aluno Aristo, pega sua água, e
vamos para mais uma! Questão
interessante, que abordou o tema dos
nódulos tireoidianos.
Primeiro, precisamos nos lembrar que
há várias etiologias possíveis para os
nódulos tireoidianos, e que a maioria
delas é benigna. Os fatores de risco
para malignidade são:
• Idade <30 e >60 anos; exposição
à radiação; sexo masculino;
nódulo solitário/sólido; história
familiar; crescimento rápido;
associação com dispneia,
disfagia e disfonia.*
Ao depararmos com um nódulo
tireoidiano, é necessário definir a
funcionalidade da tireoide e descartar
malignidade. Segue abaixo um
esquema, para ajudar a organizar o
raciocínio clínico:
Fonte: Autor
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Não temos
nenhum sintoma ou sinal clínico que
nos leve a pensar em hipertireoidismo.
Sendo assim, a cintilografia não seria o
exame mais indicado.
Alternativa B - Correta: É isso! A
ultrassonografia de tireoide é o exame
mais indicado para início da
investigação.
Alternativa C - Incorreta: Não há
nenhum aspecto do exame físico que
nos leve a pensar em malignidade.
Além disso, é necessário a investigação
da etiologia do nódulo, antes de definir
uma conduta cirúrgica.
Alternativa D - Incorreta: Apesar de a
nossa paciente ter um fator de risco
para malignidade (história familiar),
não há sintomas ou sinais de
malignidade. A PAAF não seria a
conduta mais adequada nesse
momento.
57. Uma paciente com 35 anos de idade
vem apresentando dor em região
lombar direita, associada a náuseas e
vômitos de início súbito há 4 horas.
Nesse período, nega febre e refere
vários episódios semelhantes
anteriores. Ao exame físico, apresenta
apenas sinal de Giordano positivo à
direita. Realizou tomografia de abdome
e pelve que mostrou cálculo de 1,2 cm,
localizado em junção ureteropiélica
direita e de densidade de 1.500 UH.
Resultado do exame de Elementos
Anormais e Sedimentos (EAS) na urina
mostrou apenas hematúria
microscópica discreta.
Em relação ao cálculo, entre as
condutas a seguir, a mais indicada é
A) ureterorrenoscopia.
B) pielolitotomia cirúrgica.
C) litotripsia extracorpórea.
D) terapia expulsora do cálculo com
hidratação e alfa- bloqueadores.
QUESTÃO ANULADA
Fala, galera. Questão um pouco mais
complexa sobre litíase renal, vamos
respira fundo que nós vamos revisar
juntos!
A litíase urinária é uma condição
comum no dia a dia e atinge grande
parte da população. A prevalência dessa
condição pode ser afetada por várias
outras condições, como a genética
familiar, rotina dietética, fatores
ambientais.
Os cálculos podem provocar a famosa
"cólica renal", caracterizada por dor
lombar, que ocorre de início abrupto,
podendo irradiar para região genital.
Além disso, outras complicações
podem surgir, como a infecção renal ou
pielonefrite.
A grande maioria dos cálculos são
pequenos, menores que 0,5 cm, e serão
eliminados naturalmente. Porém em
alguns casos, o tratamento
intervencionista será indicados. Nesse
caso, existem diversas técnicas que
podem ser empregadas.
Vamos analisar as alternativas e discutir
cada uma delas.
Alternativa A - Incorreta: A
ureterorrenoscopia é uma cirurgia
endoscópica para retiradas de cálculos
no sistema urinário. Nessa técnica, o
aparelho é introduzido pela uretra,
utilizando um laser para fragmentar e
retirar as "pedras". É uma ótima opção
por ser minimamente invasiva, porém
cálculos com densidade superiores a
1.000 UH são mais difíceis de serem
fragmentados.
Alternativa B - Incorreta: A
pielolitotomia cirúrgica é uma técnica
cirúrgica aberta para remoção de
cálculos. Ela está indicada
principalmente em paciente com
cálculos maiores que 2 cm ou que
apresentam patologias renais prévias
que dificultem o acesso laparoscópico,
como os rins em ferradura.
Alternativa C - Incorreta: A litotripsia
extracorpórea consiste na
fragmentação dos cálculos através a
energia que é gerada pelo aparelho.
Está indicada para cálculos grande, de
até 2 cm de dimensão. Porém, existe
uma limitação no caso de cálculos de
grande densidade, que são
considerados mais "duros", pois são
mais resistentes a fragmentação.
Alternativa D - Incorreta: A terapia
medicamentosa possui efeito positivo
na eliminação da cálculos distais,
principalmente nos de tamanho menor,
que medem entre 0,5 e 1 cm.
58. Uma criança com 4 anos de idade,
do sexo masculino, é atendida no
serviço de emergência pública de sua
cidade em decorrência de quadro de
náuseas, vômitos e dor abdominal há
cerca de 2 horas. A mãe refere que a
criança vem perdendo peso há
aproximadamente 2 meses e
apresentando aumento de apetite e
diurese nesse período. O
desenvolvimento da criança é
adequado para a idade. Ao exame
físico, o paciente mostra-se acordado e
colaborativo, apresentando hálito
cetônico, hipocorado 1+/4+,
desidratado 3+/4+ e taquipneico,
abdome difusamente doloroso, mas
sem sinais de irritação peritoneal. A
ausculta respiratória e a cardiovascular
apresentam-se sem anormalidades.
Exames laboratoriais evidenciam
glicemia = 350 mg/dl, gasometria com
pH = 7,20; pCO2 = 25 mmHg; pO2 = 80
mmHg ; Bicarbonato = 10 mEq/l. O
resultado do exame de urina revela
cetonúria. Cerca de 4 horas após início
de tratamento com reposição hídrica e
insulina 0,1 UI/kg/h, o paciente passa a
apresentar redução do nível de
consciência associada a bradicardia.
Considerando o caso clínico descrito, o
tratamento mais adequado para a
complicação apresentada por esse
paciente deve ser feito com
A) bicarbonato, 1 mEq/kg, intravenoso.
B) flush de 200 mg/kg de glicose,
intravenoso.
C) manitol, na dose de 0,5 a 1,0 g/kg,
intravenoso.
D) 40 mEq de potássio por litro de
solução, intravenoso.
CCQ: O edema cerebral é uma
importante complicação do
tratamento da cetoacidose diabética
Questão trazendo um quadro clássico!
Temos perda de peso, poliúriae
polidipsia… Logo, temos um paciente
diabético! Porém, no contexto da
questão, essa criança vem para
atendimento já apresentando uma
complicação de sua doença de base
que, na pediatria, muitas vezes é a
forma como a família descobre o
diagnóstico: a cetoacidose diabética.
Não bastando isso, nosso enunciado vai
mais além, pois ele quer saber sobre
uma complicação do tratamento da
cetoacidose, então vamos relembrar?
Na cetoacidose, é indispensável 3
pontos: reposição hídrica, correção de
insulina e reposição de potássio,
quando indicado. As grandes
preocupações ao tratar o paciente são:
hipoglicemia, edema cerebral e
hipocalemia. Desses, o edema é o mais
letal. Sabendo disso, vamos avaliar as
alternativas:
Alternativa A - Incorreta: O uso de
bicarbonato é controverso e as
literaturas que o embasam indicam em
graus mais elevados de acidose
metabólica, não se aplicando ao caso
em questão.
Alternativa B - Incorreta: A glicose
seria uma opção se pensando na
hipoglicemia como complicação do
paciente, porém apenas os dados
fornecidos não nos permitem
responder que a complicação trata-se
de hipoglicemia.
Alternativa C - Correta: O manitol está
indicado para o edema cerebral,
hipótese mais adequada uma vez que
temos redução de nível de consciência
associada a 1 dos 3 componentes da
tríade de Cushing.
Alternativa D - Incorreta: Não foram
fornecidos dados que nos fizessem
pensar em distúrbios do potássio.
Importante salientar que a expansão
hídrica ANTES de iniciar a reposição de
insulina é essencial para reduzir os risco
de edema cerebral, cuja fisiopatologia
ainda não é totalmente esclarecida.
Ainda assim, sabe-se que alterações
bruscas de osmolaridade, rápida
correção da glicemia, administração
inadequada de bicarbonato são fatores
que podem gerar o quadro.
59. Uma adolescente com 12 anos de
idade, acompanhada de sua mãe, chega
ao plantão hospitalar com sangramento
abundante. A mãe afirma que a
menarca de sua filha ocorreu há 6
meses. A adolescente relata ser a
terceira menstruação nesse intervalo e
nega contato sexual prévio. Ao exame
ginecológico, não se observam
anormalidades e o hímen está íntegro.
Considerando esse quadro clínico, a
causa mais provável de sangramento
uterino anormal da paciente é
A) anovulação.
B) doença von Willebrand.
C) hipogonadismo hipogonadotrófico.
D) púrpura trombocitopênica
idiopática.
CCQ: Saber que a imaturidade do eixo
hipotálamo-hipófise-ovário é um
processo fisiológico de anovulação
que ocorre nos dois primeiros anos da
menacne
Fala Aristo!! Questão trazendo um tema
comum do dia a dia. Uma adolescente
de 12 anos, teve sua primeira
menstruação há 6 meses e vem
apresentando ciclos irregulares, chega
ao plantão hospitalar com queixas de
sangramento abundante, em que
devemos pensar?
Sangramento uterino anormal é todo
tipo de sangramento vaginal que foge
do padrão fisiológico, podendo ter
diversas etiologias dependendo da faixa
etária da paciente, a questão nos trás
uma paciente no seu período da
adolescência, onde as principais causas
nessa idade são imaturidade do eixo
hipotálamo-hipófise-ovário,
coagulopatias ou infeções.
Sabendo disso, vamos analisar as
alternativas:
Alternativa A - Correta: A imaturidade
do eixo hipotálamo-hipófise-ovário é
uma das principais causas de
sangramento uterino anormal na
adolescência, pois a anovulação é um
processo fisiológico comum de ocorrer
nos primeiros dois anos de menacne.
Alternativa B - Incorreta: A doença de
Von Willebrand é uma coagulopatia
hereditária, uma deficiência ou
anomalia da proteína sanguínea fator
von Willebrand, representada por um
aumento do fluxo menstrual, excesso
de sangramentos após um corte,
sangue em fezes ou urina, hematomas
frequentes no corpo; A paciente em
questão não apresenta outras queixas
além do sangramento vaginal
abundante, nem citou algum
antecedente familiar, portanto essa
alternativa está incorreta.
Alternativa C - Incorreta: O
hipogonadismo hipogonadotrófico é
caracterizado pela falência ovariana
decorrente da deficiência na secreção
de gonadotrofinas, podendo ser de
causa congênita ou adquirida, tendo
como apresentação clínica ausência ou
atraso do desenvolvimento de
caracteres sexuais secundários,
amenorreia primária ou infertilidade.
Alternativa D - Incorreta: A púrpura
trombocitopênica idiopática é uma
doença caracterizada pela destruição
das plaquetas, se apresentando
clinicamente com sangramentos na
gengiva, nariz, podendo aparecer
sangue na urina ou fezes, apresenta
equimose, petéquias, não tendo relação
com o quadro clínico apresentado pela
paciente.
60. Um paciente com 25 anos de idade
procura a Unidade de Saúde da Família
devido a unha encravada no hálux
esquerdo. Refere que, desde que
começou a trabalhar em um frigorífico e
passou a usar botas, tem apresentado
quadro recorrente de unha encravada.
Ao examinar a região, o médico
identifica que a margem ungueal
medial do hálux esquerdo penetra a
margem córnea vizinha, com a
presença de tecido de granulação no
local, sem sinais flogísticos ou saída de
secreção.
Considerando o caso apresentado e as
orientações do Caderno de Atenção
Básica n. 30, sobre o procedimento de
cantoplastia, publicado pelo Ministério
da Saúde, é correto afirmar que
A) a ressecção da margem lateral da
unha deve ser realizada com tesoura
reta, preservando-se a matriz ungueal.
B) o bloqueio digital deve ser realizado
com lidocaína com vasoconstritor, por
ser um procedimento muito doloroso.
C) a introdução da tentacânula deve ser
realizada a cerca de 3 mm da margem
lateral, longitudinalmente até a matriz.
D) o tecido de granulação pode ser
preservado, não havendo necessidade
de ressecá-lo, pois não há sinais de
infecção.
CCQ: Saber que na técnica da
cantoplastia a introdução da
tentacânula deve ser realizada a cerca
de 3 mm da margem lateral,
longitudinalmente até a matriz
Fala, pessoal! Estamos diante de uma
questão que aborda o tratamento de
unha encravada, conforme descrito no
Caderno de Atenção Básica n. 30.
Vamos lá!
Unha encravada é definida pela a
situação em que a margem ungueal
penetra a camada córnea vizinha com
lesões das bordas laterais, podendo
haver tecido de granulação ou infecção
associado. Clinicamente, o quadro
normalmente é acompanhado de dor
intensa, inflamação e, às vezes,
infecção com secreção purulenta. O
hálux é o dedo mais comumente
acometido.
Para os casos agudos ou decorrentes de
trauma, o tratamento de primeira
escolha é a simples remoção de um
segmento de unha, que, certamente,
aliviará a inflamação, mas o paciente
deve estar ciente de que o processo
pode retornar e deve aprender a mantê-
la limpa, adequadamente aparada
(corte reto) e hidratada, além do uso de
sapatos confortáveis.
No quadro abaixo, retirado do Caderno
de Atenção Básica n. 30 você pode
conferir a técnica da cantoplastia:
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Incorreta: A matriz
ungueal deve ser retirada para que a
cantoplastia seja efetiva.
Alternativa B – Incorreta: O bloqueio
digital deve ser realizado com lidocaína
sem vasoconstritor, já que trata-se de
uma vascularização terminal, a fim de
evitar a necrose da ponta do dedo.
Alternativa C – Correta: Exato! A
tentacânula, que é um instrumento
semelhante a uma espátula, deve ser
introduzida aproximadamente 3 mm da
margem lateral, de maneira
longitudinal até a matriz.
Alternativa D – Incorreta: Se não
houver sinais de infecção, o tecido de
granulação deve ser retirado.
61. Uma mulher com 54 anos de idade,
tabagista, cujo consumo é de 30 maços
de cigarro por ano, comparece à
consulta por dispneia e tosse que,
segundo relata, se iniciaram háaproximadamente 1 ano. A paciente
traz uma espirometria com uma razão
entre o volume expiratório forçado no
primeiro segundo e a capacidade vital
forçada de 0.7 e um volume expiratório
forçado no primeiro segundo de 80% do
predito, sem resposta ao
broncodilatador. O exame foi realizado
com técnica correta.
Considerando os dados apresentados, é
correto afirmar que
A) a falta de resposta ao
broncodilatador sugere o diagnóstico
de asma nessa paciente.
B) os resultados da espirometria
estabelecem o diagnóstico de doença
pulmonar obstrutiva crônica nessa
paciente.
C) a espirometria precisa ser repetida
para se confirmar o diagnóstico de
doença pulmonar obstrutiva crônica
nessa paciente.
D) os valores do volume expiratório
forçado no primeiro segundo afastam o
diagnóstico de doença pulmonar
obstrutiva crônica nessa paciente.
QUESTÃO ANULADA
Que tal revisar com a gente um
pouquinho de espirometria? Então,
vamos já contextualizando com o caso
apresentado, para ficar mais fácil o
entendimento. O caso trata de uma
mulher dispneica e com histórico de ser
tabagista, com alta carga tabágica, o
que já levanta nossa suspeita de uma
possível DPOC. Ademais, temos o
resultado da espirometria dela que
mostra uma relação VEF1/CVF=70% e
um VEF1 de 80%. Com esses resultados
não conseguimos fechar um
diagnóstico, visto que para se pensar
em uma doença obstrutiva, como o
DPOC, a relação VEF1/CVF precisaria
ser inferior a 70%. Além disso, sempre
que diagnosticarmos um distúrbio
ventilatório no paciente devemos
classificar a gravidade dele através do
valor de VEF1, no caso da nossa
paciente poderíamos classificar o
distúrbio como leve, segundo os
critérios publicado pelo GOLD 2021,
pois ela apresenta um VEF1≥80%. Por
não termos como classificar o distúrbio
ventilatório da paciente devido ao valor
limite da relação VEF1/CVF a questão
foi anulada.
Vamos às alternativas
Alternativa A - Incorreta: Muito pelo
contrário, pacientes asmáticos
possuem boa resposta após o uso de
broncodilatadores.
Alternativa B - Incorreta: O
diagnóstico de doença obstrutiva daria-
se caso a relação VEF1/CVF fosse <70%.
Alternativa C - Incorreta: Outra
espirometria poderia sim ser solicitada
para essa paciente, porém os resultados
da espirometria até então devem ser
considerados normais.
Alternativa D - Incorreta: O valor de
VEF1 não dá diagnóstico de doença
obstrutiva, seu valor está mais
condicionado à gravidade da doença
obstrutiva.
62. Uma paciente com 68 anos de
idade, tabagista de longa data, foi
encaminhada pelo médico da Unidade
Básica de Saúde (UBS) para
atendimento em ambulatório de
cirurgia. O médico da UBS forneceu
relatório afirmando que a paciente
apresenta dor em região superior do
abdome, que irradia para dorso, de
forte intensidade, há cerca de 2 meses,
associada a perda ponderal de quatro
quilos, queda do estado geral e início de
diabetes nesse mesmo período. A
paciente relata prurido no corpo e, ao
exame, apresenta icterícia moderada
(2+/4+). Paciente sem comorbidades
prévias.
Considerando o caso apresentado, qual
a principal hipótese diagnóstica e o
exame de imagem inicial a ser
solicitado?
A) Câncer de pâncreas; ultrassom de
abdome.
B) Câncer de vias biliares; ressonância
nuclear magnética de abdome.
C) Câncer de fígado; tomografia
computadorizada de abdome com
contraste venoso.
D) Coledocolitíase;
colangiopancreatografia retrógrada
endoscópica com papilotomia.
CCQ: Saber que paciente com dor
abdominal + perda de peso + icterícia
associada a prurido + diabetes recente
= câncer de pâncreas
Olá aluno(a) Aristo, tudo bem? Questão
do INEP - REVALIDA de 2022
abordando o câncer de pâncreas,
vamos revisar?
O termo comumente usado "câncer de
pâncreas" geralmente se refere a um
adenocarcinoma ductal do pâncreas
(incluindo seus subtipos), que
representa aproximadamente 85% de
todas as neoplasias pancreáticas.
Os sintomas de apresentação mais
comuns em pacientes com câncer de
pâncreas exócrino são dor, icterícia e
perda de peso. Mas, outros sintomas
podem estar associados, como: astenia,
urina escura, náusea, diarreia, vômitos.
A icterícia, que geralmente é
progressiva, ocorre na maioria das
vezes devido à obstrução do ducto biliar
comum por uma massa na cabeça do
pâncreas, causando
hiperbilirrubinemia. A icterícia pode ser
acompanhada de prurido,
escurecimento da urina e fezes claras.
Um início recente de diabetes mellitus
também pode ser observado. O
diabetes é comum na faixa etária em
que o câncer de pâncreas ocorre, mas
em até 25%, a doença pode ser
anunciada por diabetes de início
recente (dois anos ou menos).
Visto isso, vamos analisar as
alternativas.
Alternativa A - Correta: O paciente
apresenta toda a clínica clássica do
câncer de pâncreas, dor, icterícia
associada a prurido e a perda de peso.
Além disso, desenvolveu diabetes
recentemente, tudo nos leva a pensar
em câncer de pâncreas.
Alternativa B, C e D - Incorreta: Apesar
dessas patologias poderem cursar com
icterícia, nenhuma delas cursa com o
surgimento de diabetes. E o exame
inicial a ser feito é a ultrassom, se
houver alterações ou ser inconclusivo,
podemos solicitar uma TC.
63. Em um recém-nascido de parto
normal, com idade gestacional de 36
semanas, apgar 9 no primeiro minuto e
10 no quinto minuto, peso e
comprimento adequados, foi realizado,
com 26 horas de vida, o teste da
oximetria de pulso, que apresentou
diferença de saturação superior a 3%
entre as medidas pré e pós-ductal.
Nesse caso, o resultado obtido no
referido teste é considerado
A) alterado, uma vez que foi realizado
de acordo com a técnica preconizada.
B) normal, visto que a saturação pós-
ductal é superior à pré-ductal.
C) inválido, já que foi feito antes da
idade gestacional indicada.
D) inválido, pois foi realizado antes do
período preconizado.
CCQ: O teste do coraçãozinho deve
ser feito em todo bebe acima de 34
semanas, entre 24h e 48h de vida.
Lembra dos testes de triagem, caro
aluno? Para essa questão, precisamos
conhecer bem o teste do coraçãozinho:
O exame é indicado para ser realizado
em todos os recém-nascidos com mais
de 34 semanas de idade gestacional.
Além disso, é importante que seja feito
entre 24 e 48 horas após o nascimento.
Ele é realizado com oxímetro, que é
colocado no membro superior direito
(pré ductal) e em um dos membros
inferiores (pós ductal). Caso haja
saturação inferior a 95% ou diferença
entre os dois valores em 3% ou mais, o
teste é considerado alterado e deve ser
repetido. Caso a alteração se
mantenha, é necessário exame
complementar, a saber,
ecocardiograma.
Alternativa A - Correta: As indicações
foram acertadas e, portanto, o exame
está alterado e deve ser repetido.
Alternativa B - Incorreta: A diferença
de acima de 3% ou saturação inferior a
95% são critérios para repetir o exame.
Alternativa C - Incorreta: É indicado
para todos acima de 34 semanas.
Alternativa D - Incorreta: O período
preconizado é entre 24h e 48h de vida.
64. Uma gestante com 35 anos de
idade, gesta: 4, para: 3, aborto: 0 (três
partos vaginais anteriores), iniciou pré-
natal com 11 semanas, ocasião em que
realizou todos os exames
recomendados e nenhuma
anormalidade foi detectada. Com 35
semanas, realizou novos exames, sendo
diagnosticado HIV, com carga viral de
2.000 cópias/ml. Nessa mesma idade
gestacional, iniciou terapia
antirretroviral.
Nesse caso, a conduta a ser adotada
para essa gestante é
A) induzir o parto com misoprostol e/ou
ocitocina na 38ª semana e realizar
zidovudina endovenosa durante todo o
procedimento.
B) programar parto cesariana para a 38ª
semana de gestação e iniciar
zidovudina endovenosa pelo menos 3
horas antes do procedimento.C) realizar parto cesariana na 40ª
semana e prescrever zidovudina
injetável para ser administrada 1 hora
antes do procedimento.
D) aguardar início espontâneo do parto
vaginal até 40 semanas e usar
zidovudina endovenosa durante todo o
período do trabalho de parto.
CCQ: Carga viral do HIV acima de 1000
cópias/ mL após 34 semanas indica
cesariana na 38ª semana e AZT pelo
menos 3 horas antes da cesárea
Ei, pessoal, tudo joia? Questão sobre
HIV na gestação, tema importantíssimo
para as provas e para a vida. Vamos
rever!!
Quando uma gestante testa positivo
para HIV, as nossas principais
preocupações giram em torno da
possibilidade de transmissão vertical. E
nesse sentido, precisamos nos
preocupar com a via de parto!
A decisão de qual será a via de parto é
definida pela carga viral com 34
semanas! Veja só o quadro abaixo no
jeitinho Aristo, resumindo para você o
que precisa saber:
No nosso caso, temos uma paciente
com CV detectável após 34 semanas e,
ainda, maior que 1000 cópias e,
portanto, existe indicação de cesárea na
38ª semana e AZT (Zidovudina)
intraparto. O AZT deve ser feito ao
menos por 3 horas antes da cesárea
eletiva e até o clampeamento do cordão
umbilical.
Já que citamos a zidovudina, vamos
lembrar dos seus principais efeitos
colaterais: anemia e mielotoxicidade.
Vamos ver as alternativas de manejo do
caso:
Alternativa A - Incorreta: A via vaginal
é contraindicada em pacientes com CV
> 1000 cópias/mL.
Alternativa B - Correta: Sim, como
vimos, essa é nossa conduta. E nunca se
esqueça que a zidovudina é o AZT.
Alternativa C - Incorreta: O parto
cesárea é indicada com 38 semanas de
idade gestacional para evitar que a
paciente entre em trabalho de parto
espontâneo, uma vez que a presença de
contrações e a ruptura das membranas
ovulares aumenta o risco de
transmissão vertical.
Alternativa D - Incorreta: Não, pois
como vimos na alternativa A, o parto
não pode ocorrer por via vaginal.
65. Uma mulher com 63 anos de idade,
professora da educação infantil,
procura atendimento para realização de
um check-up. Ela não tem nenhuma
queixa e diz estar se sentindo bem.
Apresenta hipertensão arterial
sistêmica e dislipidemia controladas. É
tabagista, com consumo de 20 cigarros
por dia há 30 anos, e é sedentária. Seu
peso é 80 Kg e tem 1,60 metros de
altura. Ao ser questionada sobre sua
percepção em relação aos fatores de
risco cardiovasculares e propensão à
mudança comportamental, a paciente
diz que, eventualmente, considera
alterar seu estilo de vida, apesar de
sentir dificuldades.
Nesse caso, a melhor abordagem
utilizando entrevista motivacional é
com foco
A) nos benefícios de uma mudança,
buscando pressionar a paciente a iniciar
um novo estilo de vida.
B) na resistência à mudança,
confrontando e debatendo com a
paciente sobre a importância de novos
hábitos.
C) nas consequências dos fatores de
risco atuais, explicando com detalhes os
malefícios da não mudança de hábitos.
D) na ambivalência de emoções,
abordando discrepâncias entre o
comportamento atual e objetivos mais
amplos da paciente.
CCQ: Saber que a ambivalência de
emoções ocorre quando o indivíduo se
posiciona de maneiras opostas
mediante um problema, sendo um
conceito central da Entrevista
Motivacional
Aluno Aristo, tudo bem com você?
Questão que nos exige interpretação do
caso para saber como aplicar a
entrevista motivacional na abordagem
de um paciente. Dessa forma, também
era importante saber o que seria essa
entrevista motivacional, tema que tem
aparecido com frequência no revalida.
A entrevista motivacional é uma
abordagem capaz de auxiliar o
indivíduo a reconhecer suas condições
de saúde atuais e motivá-lo a adotar
uma postura de mudança de
comportamento em prol de resolver
algum problema. Ela é muito útil para
atendermos pacientes com algum tipo
de vício, como etilismo e tabagismo,
hábitos que exigem intervenções
devido a seus malefícios à saúde. Uma
das das características desse método é
explorar a ambivalência que é um
estado em que a pessoa se posiciona de
duas maneiras opostas mediante uma
situação. Por exemplo “doutor, eu
quero melhorar minha saúde, mas sou
tabagista pesado, etilista, acima do
peso e não pratico atividade física”.
Perceberam? Nesse exemplo, o
indivíduo reconhece a necessidade de
hábitos saudáveis de vida mas não tem
hábitos condizentes com seu
pensamento, de forma que temos uma
oposição de ideias. Saiba que essa
ambivalência é uma condição muito
comum e intrínseca ao ser humano, de
forma que explorá-la na entrevista
motivacional pode ser uma chave para a
mudança de hábitos, visto que pode
mudar a perspectiva da pessoa sem que
ela seja forçada ou “obrigada” a tomar
determinado caminho.
No caso do enunciado temos uma
mulher de 69 anos, que procura
atendimento querendo fazer um “chek-
up”, não apresentando nenhuma queixa
clínica. Essa característica mostra uma
preocupação da paciente com sua
saúde, porém no seu atendimento, o
médico percebe que ela é tabagista,
sedentária, e está acima do peso.
Claramente temos uma situação de
ambivalência, que fica ainda mais
evidente no fato da paciente considerar
alterar seu estilo de vida, apesar de
sentir dificuldades. Dessa forma, fica
bem claro que devemos explorar essa
situação para auxiliá-la na mudança.
Agora vamos analisar as alternativas.
Alternativa A – Incorreta: Não pessoal!
Não cabe aos médicos pressionarem
ninguém a mudar o estilo de vida de
niguém. Diante dessas situações o
importante é orientar e elucidar os
malefícios de determinada prática para
que o próprio paciente reconheça a
necessidade da mudança.
Alternativa B – Incorreta: Também
não! Se não devemos pressionar os
pacientes também não devemos
confrontá-los! Lembrem-se que
mudanças são difíceis, sobretudo
envolvendo vícios e estilos de vida de
anos e anos. Devemos agir com
empatia com o paciente propondo
reflexões e terapias individualizadas
conforme a realidade de cada um.
Alternativa C – Incorreta: Não! Essa
alternativa até pode ter causado
confusão, visto que é importante
explicar e orientar os malefícios de
hábitos de vida não saudáveis às
pessoas. No entanto, a paciente do caso
reconhece o problema e diz considerar
mudar seu estilo de vida, ou seja, ela
apresenta noção desses riscos, estando
em um estágio mais a frente do que
essa alternativa propõe.
Alternativa D – Correta: Exato! Temos
uma paciente que apresenta hábitos de
vida ruins para a saúde e que considera
mudar seu estilo de vida. Isso
caracteriza a ambivalência, de forma
que nossa intervenção tem que focar
nessa dimensão, abordando
discrepâncias entre o comportamento
atual e objetivos mais amplos da
paciente, como uma estratégia de
forma a fazer a própria paciente se
motivar para a mudança.
66. Um homem com 26 anos de idade
comparece à consulta na atenção
básica por "impinge". Ele refere que seu
cachorro também está com lesões
descamativas de pele, apresentando
inclusive áreas de alopecia. Ao exame
físico, verificam-se manchas
eritematosas descamativas em forma
de anel, que poupam a região central,
localizadas em tronco, face e braços. O
paciente relata ter usado clotrimazol,
sem ter obtido melhora.
Para esse paciente, a conduta imediata
deve ser
A) investigar possível infecção fúngica
por meio da avaliação de KOH a 10% ou
cultura fúngica por raspagem da pele;
se o teste for positivo, tratar com
terbinafina oral por 14 dias.
B) investigar possível infecção fúngica
por meio da avaliação de KOH a 10% ou
cultura fúngica por raspagem da pele;
se o teste for positivo, tratar com
fluconazol 200 mg, dose única.
C) tratar com clotrimazol tópico por 3
semanas, visto que, pelas
características das lesões depele, muito
sugestivas de lesão fúngica, não há
necessidade de investigação adicional.
D) investigar possível infecção fúngica
por meio da avaliação de KOH a 10% ou
cultura fúngica por raspagem da pele;
se o teste for positivo, tratar com
betametazona e cetoconazol tópicos
por 14 dias.
CCQ: Saber que na Tinea corporis
disseminada o tratamento sistêmico
com terbinafina é o preferencial
Pessoal, tudo bem com vocês? Questão
bem direta do revalida sobre
dermatologia.
Você sabe o que é “impinge?”? Impinge
é um sinônimo para Tinea corporis, que
é uma dermatofitose causada pelos
fungos Trichophyton ou Microsporum.
A característica clínica marcante é a
formação de manchas anelares, de base
eritematosa rósea ou avermelhada,
com bordas avermelhadas e por vezes
descamativa. Um termo que costuma
aparecer para descrever a lesão é:
eritema circinado e descamativo. Essa
doença tende a acometer
principalmente face, tronco e
extremidades. Para diagnosticar
utilizamos a clínica e o exame
micológico com hidróxido de potássio
(KOH). Já o tratamento pode ser tanto
tópico quanto sistêmico, que deverá ser
feito em casos disseminados. No caso
da terapia local temos os imidazólicos e
a terbinafina como opções, e na terapia
oral podemos utilizar cetoconazol,
itraconazol e terbinafina,
principalmente.
Se repararmos bem a descrição do
paciente do caso bate com um aspecto
mais disseminado da lesão, afetando
tronco, face e braços. Nesse caso, o
tratamento sistêmico é mais
interessante.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Correta: Sim! Primeiro
podemos confirmar a etiologia por
meio do exame micológico com KOH ou
raspagem. Além disso, como se trata de
Tinea corporis disseminada
utilizaremos tratamento sistêmico,
sendo a terbinafina por 14 dias uma
ótima opção.
Alternativa B – Incorreta: Não. A
primeira parte da investigação está sim
correta, no entanto a preferência da
terapia é com terbinafina. Além disso,
caso optemos pelo fluconazol é feita
uma dose de 150mg semanal por 2 a 4
semanas, e não em dose única
conforme propõe a alternativa.
Alternativa C – Incorreta: Também
não. Como vimos, nesse caso lançamos
mão do tratamento sistêmico, e não
tópico.
Alternativa D – Incorreta: Não, não!
Vimos que o tratamento tópico não é o
mais indicado para esse caso. Além
disso, não se usa corticoide no
tratamento da tinea corporis.
67. Uma paciente com 19 anos de idade
apresenta-se no ambulatório com
queixa de "caroço no pescoço". Nega
comorbidades ou uso de medicações.
Ao exame, há nódulo palpável em lobo
esquerdo da tireoide, medindo
aproximadamente 2,5 x 2 cm,
endurecido, não pulsátil, sem frêmito,
indolor, aderido à musculatura infra-
hioidea. Há, ainda, alguns linfonodos
cervicais palpáveis à esquerda. Sem
outras queixas.
Diante desse quadro clínico, qual é o
diagnóstico mais provável e o exame
inicial a ser solicitado?
A) Bócio; tomografia computadorizada
de pescoço, com contraste.
B) Tireoidite de Hashimoto; ressonância
nuclear magnética de pescoço.
C) Cisto de conduto tireoglosso;
cintilografia da tireoide com iodo
radioativo.
D) Câncer de tiréoide; ultrassonografia
de pescoço com Doppler da tireoide e
punção aspirativa por agulha fina.
CCQ: Pensar em câncer de tireóide
quando houver fatores de risco para
malignidade, como extremos de
idade, nódulo único e endurecido,
sexo masculino e linfadenopatia
associada
Fala aluno Aristo, tudo bem? Pega seu
cafezinho, e vamos para mais uma!
Questão interessante, que abordou o
tema dos nódulos tireoidianos.
Primeiro, precisamos nos lembrar que
há várias etiologias possíveis para os
nódulos tireoidianos, e que a maioria
delas é benigna. Dentre os fatores de
risco para malignidade, estão:
• Idade <30 e >60 anos;
exposição à radiação; sexo
masculino; nódulo
solitário/sólido; história
familiar; crescimento rápido;
associação com dispneia,
disfagia e disfonia;
linfadenopatia.
Sobre a etiologia, as principais causas
são: tireoidites (com destaque para a de
Hashimoto), cistos, nódulo
colóide/bócio multinodular e
neoplasias.
Ao depararmos com um nódulo
tireoidiano, é necessário definir a
funcionalidade da tireoide e descartar
malignidade. Segue abaixo um
esquema, para ajudar a organizar o
raciocínio clínico:
Fonte: Autor
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Bócio é o
aumento da glândula tireóide, e pode
ter várias etiologias. A investigação
inicial adequada seria com
ultrassonografia ou cintilografia (se
hipertireoidismo).
Alternativa B - Incorreta: A Tireoidite
de Hashimoto é uma a principal
etiologia de hipotireoidismo em locais
onde não há deficiência de iodo. A
investigação também seria feita com
ultrassonografia de tireoide.
Alternativa C - Incorreta: O cisto
tireoglosso é um anomalia congênita,
devido ao fechamento incorreto do
ducto tireoglosso. Normalmente,
apresenta-se como um cisto cervical
medial, abaixo do osso hióide. O exame
de escolha é a ultrassonografia cervical.
Alternativa D - Correta: É exatamente
isso! Note que a nossa paciente tem
vários fatores de risco para malignidade
(19 anos; nódulo > 1cm, endurecido e
aderido; presença de linfonodos). Com
essa suspeita, deve-se fazer
investigação com ultrassonografia e
PAAF.
Portanto, o gabarito é a letra D! CCQ:
Pensar em câncer de tireóide quando
houver fatores de risco para
malignidade, como extremos de
idade, nódulo único e endurecido,
sexo masculino e linfadenopatia
associada
Fala aluno Aristo, tudo bem? Pega seu
cafezinho, e vamos para mais uma!
Questão interessante, que abordou o
tema dos nódulos tireoidianos.
Primeiro, precisamos nos lembrar que
há várias etiologias possíveis para os
nódulos tireoidianos, e que a maioria
delas é benigna. Dentre os fatores de
risco para malignidade, estão:
• Idade <30 e >60 anos;
exposição à radiação; sexo
masculino; nódulo
solitário/sólido; história
familiar; crescimento rápido;
associação com dispneia,
disfagia e disfonia;
linfadenopatia.
Sobre a etiologia, as principais causas
são: tireoidites (com destaque para a de
Hashimoto), cistos, nódulo
colóide/bócio multinodular e
neoplasias.
Ao depararmos com um nódulo
tireoidiano, é necessário definir a
funcionalidade da tireoide e descartar
malignidade. Segue abaixo um
esquema, para ajudar a organizar o
raciocínio clínico:
Fonte: Autor
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Bócio é o
aumento da glândula tireóide, e pode
ter várias etiologias. A investigação
inicial adequada seria com
ultrassonografia ou cintilografia (se
hipertireoidismo).
Alternativa B - Incorreta: A Tireoidite
de Hashimoto é uma a principal
etiologia de hipotireoidismo em locais
onde não há deficiência de iodo. A
investigação também seria feita com
ultrassonografia de tireoide.
Alternativa C - Incorreta: O cisto
tireoglosso é um anomalia congênita,
devido ao fechamento incorreto do
ducto tireoglosso. Normalmente,
apresenta-se como um cisto cervical
medial, abaixo do osso hióide. O exame
de escolha é a ultrassonografia cervical.
Alternativa D - Correta: É exatamente
isso! Note que a nossa paciente tem
vários fatores de risco para malignidade
(19 anos; nódulo > 1cm, endurecido e
aderido; presença de linfonodos). Com
essa suspeita, deve-se fazer
investigação com ultrassonografia e
PAAF.
68. Uma escolar com 8 anos de idade,
acompanhada da mãe, chega à
emergência com dor abdominal
intensa, iniciada há 2 dias, com piora
progressiva. A paciente apresenta
vômitos biliosos, que não melhoram
com a medicação, e distensão
abdominal. A mãe relata que, há 1
semana, a filha eliminou verme e está
em tratamento de anemia. O exame
físico mostrou massa cilíndrica na
região periumbilicale ausculta débil da
peristalse. O resultado da radiografia do
abdome apresentou níveis hidroaéreos
no intestino delgado e sombra
radiolúcida com forma e aparência de
"feixe de charuto".
Diante desses dados, considerando a
principal hipótese diagnóstica para o
caso, a conduta imediata, além da
hidratação da criança, é
A) realizar descompressão gástrica com
sonda nasogástrica e administrar óleo
mineral.
B) realizar enema com solução salina
hipertônica e administrar ivermectina.
C) instalar sonda nasogástrica aberta,
para drenagem, e administrar
piperazina.
D) suspender a ingestão oral e indicar o
tratamento cirúrgico.
CCQ: Obstrução intestinal por
ascaridíase pode ocorrer em situações
de alta carga parasitária.
Pense comigo, aluno Aristo: temos um
quadro típico de obstrução intestinal,
com dor, vômitos, distensão e
diminuição dos ruídos hidroaereos.
Para ajudar na hipótese etiológica, há a
descrição de que a criança está anemica
e possui uma parasitose intestinal,
chegando a eliminar vermes! Esse
quadro, apesar de cada vez mais
incomum, é bem conhecido por nós.
Trata-se do “bolo de ascaris” gerando
obstrução intestinal. Ocorre em
situações de alta carga parasitária e a
descrição da imagem na radiografia
descrita como “feixe de charuto”
corrobora com a hipótese. Sabendo
disso, observe as questões para
discutirmos o tratamento:
Alternativa A - Correta: O objetivo não
é gerar a morte em massa dessa carga
de parasitas, pois pode haver
repercussões ao paciente. O objetivo é
facilitar a eliminação dos mesmos. Por
isso, o óleo mineral é indicado.
Alternativa B - Incorreta: A morte
maciça de tantos vermes libera toxinas
que lesam a parede intestinal, podendo
agravar a situação.
Alternativa C - Incorreta: A piperazilina
foi retirada do mercado por sua
toxicidade, portanto, não é mais usada.
Alternativa D - Incorreta: A causa base
é uma parasitose, não havendo
indicação cirúrgica.
69. Uma paciente secundigesta, com 25
anos de idade, 28 semanas de
amenorreia, vem à Unidade Básica de
Saúde para receber as vacinas que viu
em uma campanha na televisão. Em seu
cartão de vacinas consta vacinação
contra influenza e administração da
dTpa há 2 anos, durante sua primeira
gestação.
Com relação à vacinação dessa paciente
contra influenza e coqueluche, deve-se
A) realizar a vacinação contra influenza
em dose única imediata e administrar
nova dose de dTpa.
B) administrar nova dose de dTpa, não
havendo necessidade de nova
vacinação contra influenza.
C) realizar vacinação contra influenza
em 2 doses (imediata e após 30 dias) e
administrar nova dose de dTpa.
D) realizar vacinação contra influenza
em dose única imediata, não havendo
indicação de nova dose da dTpa.
CCQ: dTpa é aplicada a partir da 20ª
semana de idade gestacional em
todas as gestações
Olá, aluno Aristo! Vacinação em
gestante é um tema cobrado com certa
frequência nas provas de residência e
revalidação. Vamos revisar quais
vacinas são recomendadas na
gestação?
Lembrando que as vacinas contendo
microrganismos vivos são
contraindicadas durante a gestação
(febre amarela é contraindicação
relativa).
Alternativa A - Correta: Nosso
gabarito, aluno Aristo! Devemos
realizar a vacinação contra influenza em
dose única imediata e administrar nova
dose de dTpa (A tríplice bacteriana
acelular do tipo adulto deve ser aplicada
a partir da 20ª semana de idade
gestacional em todas as gestações;
assim, mesmo que a paciente tenha
feito dTpa na gestação prévia, ela deve
ser realizada novamente).
Alternativa B - Incorreta: A vacina
contra influenza é feita durante
campanhas sazonais; logo, ela deve ser
tomada anualmente, sempre que uma
nova campanha surgir.
Alternativa C - Incorreta: A vacina de
influenza é dose única em gestantes.
Devemos realmente administrar uma
nova dose de dTpa.
Alternativa D - Incorreta: Há indicação
de realizar uma nova dose de dTpa
70. Uma criança de 18 meses de idade
vem à consulta médica em uma unidade
de saúde para puericultura. O médico
observa que as vacinas que a criança
deveria ter recebido aos 15 meses estão
em atraso, mas recebeu todas as
vacinas anteriores recomendadas pelo
calendário de imunização atual do
Ministério da Saúde. A mãe justifica o
atraso vacinal porque ficou com medo
de sair de casa devido à pandemia da
COVID-19.
Entre as vacinas a serem recomendadas
a essa criança, está(ão)
A) a tríplice viral juntamente com a
tetraviral.
B) o reforço da pneumocócica
conjugada.
C) o reforço da meningocócica C
conjugada.
D) a segunda dose da tríplice viral +
varicela.
CCQ: Saber que aos 15 meses a criança
deve receber a segunda dose da
tríplice viral + varicela
Fala aluno Aristo, como vai? Questões
sobre imunizações são sempre comuns
nas provas, principalmente aquelas que
dizem respeito ao calendário vacinal,
contraindicações e complicações. Dito
isto, vamos analisar essa questão em
específico.
Temos uma criança com 18 meses que
está com as vacinas de 15 meses em
atraso. Todas anteriores estão em dia,
então é necessário saber apenas quais
as vacinas deveriam ter sido aplicadas
aos 15 meses.
Além da vacina de Influenza que deve
ser aplicada anualmente, aos 15 meses
a criança deve receber: Reforço da
tríplice bacteriana (DTp) e da
poliomielite; 2º da Tríplice Viral e da
Varicela.
Dito isto, vamos as alternativas:
Alternativa A- Incorreta: Na verdade, o
Programa Nacional de Imunizações
(PNI) adotou a vacina SCR-V (tetraviral)
aos 15 meses, como segunda dose da
SCR (tríplice) e primeira da varicela.
Alternativa B- Incorreta: O reforço da
pneumocócica é dado aos 12 meses.
Alternativa C- Incorreta: O reforço da
meningococica é aos 12 meses.
Alternativa D- Correta: Exatamente,
aos 15 meses vamos aplicar a segunda
dose da SCR (tríplice) e a primeira da
varicela. O que acontece é que, para
esse esquema, basta ser feita a
tetraviral.
71. Uma mulher com 33 anos de idade
procura o ambulatório de clínica médica
devido a dores articulares há 3 meses.
Refere o acometimento de mãos
(interfalangeanas proximais e
metacarpofalangeanas), punhos e
joelhos. Ao exame físico, apresenta
sinais de artrite nessas articulações.
Foram solicitados exames laboratoriais
para a investigação diagnóstica e os
resultados são apresentados a seguir.
Diante desses achados clínicos e
laboratoriais, quais são,
respectivamente, o autoanticorpo
relacionado ao FAN apresentado e o
diagnóstico pertinente ao caso?
A) AntiDNA nativo; lúpus eritematoso
sistêmico.
B) AntiCCP; artrite reumatoide.
C) AntiScl-70; esclerose sistêmica.
D) AntiRo; síndrome de Sjõgren.
QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO
Olá, aluno Aristo! Temos aqui uma
questão sobre a artrites e seu
diagnóstico diferencial. Vamos utilizar a
análise das alternativas para rever um
pouco sobre o assunto?
Alternativa A – Incorreta: O AntiDNA
nativo é o 2 º anticorpo mais específico
para o diagnóstico de lúpus, o que
corrobora com a hipótese diagnóstica
de lúpus eritematoso sistêmico. Outra
característica que apoia a suspeita
diagnóstica de lúpus é a epidemiologia
da doença: mulheres em idade fértil.
Entretanto, caracteristicamente a
artrite lúpica costuma acometer
pequenas articulações (mãos, punhos e
joelhos) com padrão poliarticular,
assimétrico, migratório e sem caráter
aditivo, ou seja, a inflamação costuma
durar poucos dias em cada articulação,
o que não é o caso da nossa paciente
que apresenta artrite somatória e de
duração aproximada de 03 meses.
Alternativa B – Correta: A artrite
reumatóide é uma doença inflamatória
crônica caracterizada por erosões
articulares autoimunes e, por isso,
deformidades fixas. Esta patologia
possui preferência por mulheres entre
35 a55 anos, idade próxima à da
paciente da questão. A doença mais
comumente acomete articulações
distais (mão, pé e punho) de forma fixa.
Nas mãos as articulações
caracteristicamente afetadas são as
metacarpofalangianas (deformidade
em “pescoço de cisne”) e as
interfalangianas proximais
(deformidade em “abotadura”). Um
grande marco sorológico da doença é o
anticorpo anti CCP, que possui 95% de
especificidade. Lembra bastante o caso
da nossa paciente, não é mesmo?
Alternativa C – Incorreta: A esclerose
sistêmica é a forma disseminada da
esclerodermia, doença que se
caracteriza por fibrose da pele e demais
órgãos devido à uma superprodução de
colágeno. Os anticorpos AntiScl-70
fazem parte de seu diagnóstico estando
presente em 31% dos pacientes com sua
forma cutânea. Em sua manifestação
clínica a poliartralgia é incomum.
Alternativa D – Incorreta: O antiRo é
um anticorpo presente no LES e na Sd.
De Sjögren. Geralmente associado ao
rash malar por fotossensibilidade ,
bloqueio cardíaco congênito e lúpus
neonatal. A questão abre possibilidade
para selecionarmos esta alternativa
devido ao anticorpo especificado,
entretanto peca ao colocar a Sd. De
Sjögren como hipótese diagnóstica.
Não há dados suficientes para
levantarmos esta suspeita.
72. Cabe ao médico assistente, quando
indicar um procedimento cirúrgico a um
paciente, comunicar-se de forma clara
com ele, explicando detalhadamente os
procedimentos a serem realizados, seus
riscos e benefícios, resultados e
possíveis complicações. Todas essas
informações devem ficar armazenadas
no prontuário médico, nos diversos
formulários que o compõem.
Considerando as informações
apresentadas, é correto afirmar que o
prontuário médico deve conter todos os
A) documentos referentes aos
procedimentos administrativos, que
são de guarda, responsabilidade e
propriedade do hospital.
B) documentos técnicos e
administrativos referentes à
internação, que são de
responsabilidade, guarda e propriedade
do hospital.
C) documentos técnicos e
administrativos referentes à internação
hospitalar, que são de guarda e
responsabilidade do hospital, mas de
propriedade do paciente.
D) documentos técnicos referentes
somente aos atos médicos executados,
que são de guarda e responsabilidade
do hospital, mas de propriedade do
paciente.
CCQ: Saber que o prontuário médico
contém documentos técnicos e
administrativos, que são de guarda e
responsabilidade do serviço de saúde,
mas de propriedade do paciente
Fala, pessoal! Estamos diante de uma
questão sobre prontuário médico.
Vamos lá!
O prontuário médico corresponde a
um conjunto de documentos e
informações organizadas dos
pacientes, de forma a mostrar o
histórico de atendimentos do paciente.
Um dado importante é que ele é um
documento de propriedade do
paciente, de forma que ele pode
solicitar acesso ao prontuário ou até
mesmo uma cópia. Entretanto, sua
elaboração e armazenamento é de
responsabilidade do médico e dos
serviços de saúde, de maneira que
ambos devem elaborar esse documento
contendo todos os dados clínicos
importantes da história do indivíduo.
Isso é tão importante, que o código de
ética médica veda o médico de deixar
de elaborar prontuário legível para cada
paciente, devendo ele conter os dados
clínicos necessários para a boa
condução do caso, sendo preenchido
em ordem cronológica com data, hora,
assinatura e número de registro do
médico no CRM.
Vale lembrar que existem diferentes
formas de se registrar as informações
no prontuário. Temos a tradicional
forma de QP, HDA, Interrogatório
Sintomatológico, HPP, HF, HS que
descreve uma história do paciente.
Temos também um mais direto que é
utilizado com mais frequência em
ambiente hospitalar nas evoluções de
internação. Além do SOAP que é
bastante utilizado na atenção primária,
o qual permite que além da queixa
outras informações sejam trazidas. E
por aí vai! No geral, saibam que o
prontuário é um registro resumido da
história clínica do indivíduo, que
pertence ao paciente, sendo de
responsabilidade e guarda do serviço
de saúde e que pode ser feito de
diversas formas.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A – Incorreta: O prontuário
também contém documentos técnicos,
e não apenas administrativos, além de
ser de propriedade do paciente.
Alternativa B – Incorreta: O prontuário
é de guarda e responsabilidade do
hospital, porém é de propriedade do
paciente, tanto que a qualquer
momento a pessoa pode pedir uma
cópia.
Alternativa C – Correta: Exatamente!
O prontuário contém dados técnicos,
como informações sobre problemas de
saúde do paciente e cirurgias
realizadas, quanto dados
administrativos, como data de
internação, sendo a guarda e
responsabilidade do hospital, mas a
propriedade pertence ao paciente.
Alternativa D – Incorreta: O prontuário
também contém dados
administrativos, como data de entrada,
data de alta, autorização de internação
hospitalar, entre outros.
73. Uma criança com 3 anos de idade,
sexo masculino, iniciou, segundo relato
de sua mãe, febre há cerca de 5 dias.
Durante o exame clínico, o pediatra
observou conjuntivite bilateral,
exantema polimorfo, língua em
framboesa, lábios avermelhados,
fissurados e secos, edema duro dos
dedos de pés e mãos e adenopatia
cervical, além de descamação das
extremidades.
Considerando a descrição desse caso, a
principal hipótese diagnóstica é
A) escarlatina.
B) mononucleose.
C) eritema infeccioso.
D) doença de Kawasaki.
CCQ: Febre ≥ 5 dias + conjuntivite
bilateral não supurativa + exantema
poliformo + alterações de
lábios/cavidade oral + linfadenopatia
cervical não supurativa ≥ 1,5cm =
Doença de Kawasaki
E aí galerinha, tudo beleza? Vamos lá
para mais uma questão abordando uma
das principais doenças exantemáticas
das provas, que é a doença de Kawasaki.
É caracterizada por vasculite
multissistêmica aguda que afeta
principalmente, artérias de médio
calibre. Acomete predominantemente
menores de 5 anos.
O diagnóstico da Doença de Kawasaki é
feito quanto ocorre a presença de febre
com duração maior ou igual a 5 dias,
associada a pelo menos 4 das
manifestações a seguir:
• Hiperemia conjuntival, sem
exsudato e bilateral
• Alterações dos lábios e cavidade
oral, como eritema e fissura dos
lábios, língua em "morango" ou
"framboesa" e/ou eritema de
mucosa oral e faríngea. Lesões
aftosas não estão inclusas
• Exantema polimorfo podendo
manifestar-se como um rash
maculopapular, eritema
multiforme ou escarlatiniforme,
acometendo inicialmente o
tronco e posteriormente as
extremidades
• Alterações nas extremidades
como eritema palmoplantar
e/ou edema endurado em mãos
e pés na fase aguda, e
descamação periungueal na fase
subaguda
• Linfadenopatia cervical aguda
NÃO supurativa com linfonodos
com diâmetro ≥ 1,5 cm,
geralmente unilateral
Na questão, temos um paciente de 3
anos com febre há 5 dias, conjuntivite
bilateral, exantema polimorfo,
ressecamento e rachadura de lábios,
edema e descamação em extremidades
e adenomegalia cervical. Então
estamos diante de um paciente que
apresenta os critérios necessários para
fecharmos o diagnóstico de doença de
Kawasaki!
Lembre-se que a principal complicação
dessa doença é a formação de
aneurismas coronariano, sendo
mandatório a realização de um
ecocardiograma no momento do
diagnóstico.
Revisado isso, vamos às alternativas!
Alternativa A - Incorreta: A escarlatina
é caracterizada por odinofagia, febre
alta e mal-estar, exantema eritematoso
puntiforme, palidez perioral (Sinal de
Filatov), linhas marcadas nas dobras de
flexão (Sinal de Pastia) e língua em
framboesa. Apesar de também ser uma
doença exantemática, a clínica
presente no enunciadofecha o
diagnóstico para a doença de Kawasaki.
Alternativa B - Incorreta: A
mononucleose infecciosa é causada
pelo vírus Epstein-Barr (EBV). O quadro
clínico característico é febre, faringite,
linfadenopatia e fadiga; nosso paciente
não tem faringite e apresenta outros
sinais e sintomas que fecha diagnóstico
para Kawasaki. Na mononucleose, a
esplenomegalia é observada em 50 a
60% dos pacientes e geralmente
começa a regredir na terceira semana
da doença. No entanto, pode ocorrer
ruptura esplênica. A hepatomegalia
está presente em 10% dos casos.
Alternativa C - Incorreta: O eritema
infeccioso é causado pelo Parvovírus
Humano B19 (HPV B19) e acomete
principalmente pré-escolares.
Apresenta um achado muito
característico: erupções avermelhadas
na pele, em especial, na região das
bochechas (“face esbofeteada”).
Ocorre exantema nas extremidades e
no tronco. Dito isto, esse quadro não
condiz com o do paciente em questão.
Alternativa D - Correta: Isso mesmo,
galera! Como acabamos de revisar, o
paciente fecha critérios diagnósticos de
doença de Kawasaki.
74. Uma paciente com 26 anos de
idade, gesta: 2, para: 2, aborto: 0,
utilizando contraceptivo oral
combinado regularmente, comparece à
Unidade Básica de Saúde para
verificação do resultado de exame de
citologia oncótica cérvico-vaginal
realizado há 1 mês. Não há queixas ou
alterações descritas no prontuário do
atendimento anterior quando do exame
ginecológico. No laudo, descreve-se a
presença de lesão intraepitelial
escamosa de baixo grau (lSIl).
Em relação ao resultado do exame de
citologia oncótica cérvico-vaginal da
paciente, segundo o Instituto Nacional
do Câncer/Ministério da Saúde, qual
deve ser a conduta?
A) Repetir a coleta para exame da
citologia em 6 meses.
B) Realizar nova coleta da citologia em
1 ano.
C) Solicitar pesquisa do tipo e da classe
viral.
D) Encaminhar para colposcopia e
biópsia.
CCQ: Saber que o achado de lesão
intraepitelial escamosa de baixo grau
(LSIL) em citopatológico de paciente
com 25 anos ou mais possui indicação
de repetir o exame em 6 meses
Fala, aluno Aristo! Tudo certo? Temos
aqui uma questão que aborda um tema
muito frequente nas provas, o
rastreamento do câncer de colo uterino.
Conhecer os achados alterados e as
respectivas condutas é fundamental
para a prova (e para a vida médica!).
Vamos a uma breve revisão:
O exame citopatológico, também
conhecido como Papanicolau, é o
método de rastreamento do câncer do
colo do útero e de suas lesões
precursoras. Segundo o Ministério da
Saúde, deve ser realizado em mulheres
que tiveram ou têm atividade sexual
entre 25 a 64 anos. Após dois exames
anuais consecutivos negativos, os
próximos devem ser realizados a cada 3
anos.
Como tudo aqui na Aristo, pensaremos
de forma a facilitar o seu estudo.
Portanto, o que você precisa lembrar é
que de todos os achados alterados do
exame, apenas dois deles não irão ser
encaminhados diretamente à
colposcopia: o achado de células
escamosas atípicas de significado
indeterminado possivelmente não
neoplásicas (ASC-US) e de lesão de baixo
grau (LSIL).
Em caso de LSIL, portanto, em paciente
com menos de 25 anos, o exame deve
ser repetido em 3 anos; em paciente
com mais de 25 anos, repete-se em 6
meses.
Analisando as alternativas, temos:
Alternativa A - Correta: Diante de LSIL
em paciente com 25 anos ou mais, a
conduta preconizada é repetir o exame
em 6 meses.
Alternativa B - Incorreta: Repetir a
citopatologia em 1 ano não é a conduta
indicada para esse caso.
Alternativa C - Incorreta: Não há
indicação de solicitação de tipo e classe
viral no rastreamento de câncer de colo
uterino em nosso país.
Alternativa D - Incorreta: Como vimos,
o achado de LSIL, da mesma forma que
o achado de ASC-US, não possuem
indicação imediata de
encaminhamento para colposcopia e
biópsia.
75. Na sua primeira semana em uma
Unidade Básica de Saúde (UBS), o
médico de família se reúne com os
outros profissionais da equipe e realiza
visitas no bairro para conhecer melhor o
território. Descobre que na região da
UBS há várias indústrias de extração
mineral, que produzem poeira de sílica
e talco. Revisando alguns prontuários
clínicos, o médico constata que há uma
prevalência bastante elevada de
doenças respiratórias, principalmente a
silicose.
Entre as medidas de prevenção
secundária, o médico deve recomendar
para todas as pessoas da sua
comunidade que apresentarem silicose
a realização de exames para
A) leucemia.
B) tuberculose.
C) câncer de bexiga.
D) câncer de cabeça e pescoço.
CCQ: Saber que é indicado o
rastreamento da tuberculose em
pacientes com silicose
Fala, galera! Estamos diante de uma
questão sobre medicina ocupacional,
trazendo como assunto a silicose.
Vamos lá!
Silicose é o nome dado à fibrose
pulmonar causada pela inalação de
poeira contendo sílica cristalina,
sendo a mais frequente das
pneumoconioses. A silicose é a principal
causa de invalidez entre as doenças
respiratórias ocupacionais, tendo como
sintoma predominante a tosse crônica.
O pó de sílica é o elemento principal que
constitui a areia, fazendo com que a
doença acometa principalmente
mineiros, cortadores de arenito e de
granito, operários das fundições e
oleiros. A exposição a micropartículas e
sua deposição no parênquima pulmonar
leva a um quadro de fibrose. que é
nodular na silicose.
Além disso, a silicose pode predispor o
indivíduo à tuberculose. Dessa forma,
a tuberculose faz parte do diagnóstico
diferencial dessa doença, sendo
necessário o rastreamento de
tuberculose em pacientes que possuem
a queixa de tosse crônica. Em pacientes
com silicose, caso o PPD>10mm,
possuem indicação de realizar
tratamento para tuberculose latente.
Vale lembrar que pacientes com silicose
possuem risco aumentado para outras
doenças além da tuberculose, como
esclerose sistêmica e artrite reumatoide.
Agora podemos ir às alternativas.
Alternativa A - Incorreta: Leucemia
não corresponde a diagnóstico
diferencial da silicose e nem tem seu
risco aumentado devido à presença
dessa doença.
Alternativa B – Correta: Exato! A
Prevenção secundária está relacionada
à realização de rastreios, a fim de
identificar doenças em seu estágio
inicial, sendo essencial o rastreio da
tuberculose em pacientes com silicose,
já que possuem risco aumentado para
essa doença. Além disso, como ambas
doenças cursam com tosse crônica
como principal sintoma, corresponde a
um diagnóstico diferencial.
Alternativa C – Incorreta: Câncer de
bexiga não corresponde a diagnóstico
diferencial da silicose e nem tem seu
risco aumentado devido à presença
dessa doença.
Alternativa D - Incorreta: Câncer de
cabeça e pescoço não corresponde a
diagnóstico diferencial da silicose e nem
tem seu risco aumentado devido à
presença dessa doença.
76. Uma mulher com 23 anos de idade é
atendida em consulta médica e relata
ter realizado teste rápido (TR) para
sífilis porque seu companheiro foi
diagnosticado com a doença. Ela refere
não apresentar qualquer sintoma. O
resultado do teste rápido foi positivo
(reagente).
Com relação a esse caso, a conduta a ser
adotada é solicitar
A) tratamento da paciente com
esquema para sífilis secundária, não
havendo necessidade de realização de
outro teste.
B) teste treponêmico e aguardar o
resultado antes de iniciar tratamento da
paciente.
C) teste não treponêmico e tratar a
paciente com esquema de sífilis latente
tardia.
D) teste de rastreamento para HIV e
tratar a paciente com esquema para
sífilis primária.
CCQ: Em pacientes com teste rápido
para sífilis positivo, sem história de
tratamento prévio, solicitamos um
teste não treponêmico e iniciamos
tratamento de acordo coma fase
evolutiva da doença
Fala, aluno Aristo, tudo joia?
Questãozinha sobre como conduzir
quando temos um teste rápido positivo
para sífilis.
Pessoal, estamos diante de uma
paciente de 23 anos que realizou um
teste treponêmico (teste rápido) para
sífilis com resultado positivo. Ela não
refere tratamento anterior para sífilis,
além de ser assintomática!
Nesses casos, devemos solicitar um
teste não treponêmico, como o VDRL,
para podermos confirmar o diagnóstico
e acompanhar a queda dos títulos após
a instituição do tratamento.
Mas qual esquema de tratamento
realizar? Depende da fase da doença!
• Sífilis primária: surgimento de
úlcera genital rica em
treponemas; geralmente trata-
se de lesão única, indolor e com
bordas elevadas. Desaparece
em 3 - 8 semanas,
independentemente da
instituição ou não de
tratamento. Nesta fase, os
testes não treponêmicos
geralmente são negativos, uma
vez que demoram até 3 semanas
para positivar após o contato
com a bactéria. O tratamento é
feito com penicilina benzatina
2,4 milhões de UI dose única.
• Sífilis secundária: acontece de 6
semanas - 6 meses após o
contágio inicial. As
manifestações clínicas são
variadas, mas, de forma geral, as
questões trazem um paciente
com erupção macular
eritematosa, que habitualmente
atinge a região plantar e palmar,
com um colarinho de
descamação característico, não
pruriginosa. O tratamento é
feito com penicilina benzatina
2,4 milhões de UI dose única.
• Sífilis latente: aqui, os
pacientes são completamente
assintomáticos e o diagnóstico é
feito apenas com base na
sorologia. A sífilis latente é
dividida em latente recente (até
um ano de infecção) e latente
tardia (mais de um ano de
infecção). Na sífilis latente
recente, o tratamento é feito
com penicilina benzatina 2,4
milhões de UI dose única; já na
latente tardia, penicilina
benzatina 2,4 milhões UI, IM,
1x/semana (1,2 milhão UI em
cada glúteo) por 3 semanas.
• Sífilis terciária: quando, após
um período indeterminado de
latência, os treponemas causam
destruição tecidual,
principalmente no sistema
nervoso central e sistema
cardiovascular.
Só para lembrar… e na gestação?
Quando temos uma infecção durante a
gestação, nossa grande preocupação é
a possibilidade de transmissão vertical.
Especialmente em doenças que podem
causar condições graves, como a sífilis.
E é por isso que evitamos ao máximo
esse risco!!
Dessa forma, em gestante, quando
temos um teste rápido positivo,
devemos instituir imediatamente o
tratamento com a penicilina. Não
esperamos o resultado do outro teste
para começar o tratamento, mas veja
bem: devemos pedir sim o outro teste,
somente não dependemos dele para
começar a tratar.
Alternativa A - Incorreta: Sempre
devemos solicitar o teste não
treponêmico para acompanhar a queda
de títulos após o tratamento.
Alternativa B - Incorreta: O teste
rápido é um teste treponêmico; e a
indicação do Ministério da Saúde seria
repetir um teste não treponêmico.
Alternativa C - Correta: Sim,
exatamente o que vimos.
Alternativa D - Incorreta: Vamos sim
rastrear HIV, mas o esquema de
tratamento é o da sífilis tardia, pois não
sabemos quando a infecção aconteceu.
77. Um lactente com 2 anos de idade foi
levado à Unidade Básica de Saúde de
seu bairro por apresentar um aumento
súbito de volume de região inguinal há
cerca de 30 dias, mas que desapareceu
logo a seguir. Como a tumoração tem
aparecido e desaparecido repetidas
vezes, a mãe procurou atendimento
médico. Na consulta, ao exame físico, a
criança estava eupneica, hidratada e
afebril, com ausculta cardiopulmonar e
exame abdominal normais. Na inspeção
e palpação da região inguinal, não
foram encontradas massas ou
tumorações, mas o médico examinador
identificou a presença de espessamento
do cordão espermático a direita.
Considerando as informações
apresentadas, o diagnóstico inicial e a
conduta a ser adotada são,
respectivamente,
A) hérnia inguinal indireta;
encaminhamento ao cirurgião para
correção cirúrgica eletiva.
B) hérnia inguinal direta;
encaminhamento ao cirurgião para
correção cirúrgica de urgência.
C) hidrocele comunicante à direita;
encaminhamento ao cirurgião para
correção cirúrgica eletiva.
D) hidrocele septada à direita;
encaminhamento ao cirurgião para
correção cirúrgica de urgência.
CCQ: A hérnia inguinal possui
correção cirúrgica eletiva.
Tudo bem, aluno? Vamos discutir esse
caso: temos uma criança com
abaulamento em região inguinal
intermitente - que aparece e some
repetidas vezes. Isso é uma descrição
característica das hérnias. Nas crianças,
as hérnias são indiretas e ocorrem por
persistência do conduto
peritoniovaginal, que pode permitir a
passagem de vísceras abdominais.
Devido o risco de encarceramento e
mesmo isquemia da víscera ali
aprisionada, há indicação de correção
cirúrgica das hérnias, porém de forma
eletiva.
Alternativa A - Correta: É a principal
hipótese e, de fato, a conduta é
cirúrgica.
Alternativa B - Incorreta: A hérnia
direta, por defeitos na parede, ocorre
em idades mais avançadas.
Alternativa C - Incorreta: Na hidrocele
há uma tumoração intra-escrotal, não
na região inguinal.
Alternativa D - Incorreta: A hidrocele
não apresentaria esse quadro
intermitente tão rápido quanto o
descrito pela mãe.
Interessante saber que a correção
cirúrgica da hérnia inguinal é o
procedimento cirúrgico mais comum
nas crianças. A hérnia é mais comum
nos prematuros, acomete mais o sexo
masculino e proximadamente 60% das
hérnias são do lado direito.
78. Um recém-nascido com 28 dias de
vida, portador de síndrome de Down,
comparece ao setor de emergência por
apresentar distensão abdominal
importante, irritabilidade e baixo ganho
ponderal. O teste do pezinho não
apresentou alterações. Segundo a mãe,
alimenta-se com leite materno
exclusivo e, desde o nascimento,
evacuou duas vezes: na segunda e na
terceira semana. Foi realizado toque
retal com saída de fezes explosivas.
Considerando esse quadro clínico,
assinale a opção que associa correta e
respectivamente o exame
complementar e o resultado esperado
para a caracterização da principal
hipótese diagnóstica.
A) Manometria anorretal; relaxamento
do esfíncter anal interno.
B) Biópsia retal; presença ou diminuição
do número de células ganglionares.
C) Enema contrastado; dilatação do
segmento colônico com a inervação
preservada.
D) Radiografia simples do abdome;
calibre do reto maior que o do
segmento colônico à montante.
CCQ: A biópsia demonstrando
diminuição ou ausência de gânglios
nervosos é o padrão ouro para o
megacólon congênito.
Aluno, atenção ao que a questão pede!
Aqui, é pedido a conduta que irá ajudar
a CARACTERIZAR A HIPÓTESE
DIAGNÓSTICA. Não é pedido o exame
padrão ouro para confirmação. Com o
quadro descrito, de constipação
crônica, associado ao exame físico com
toque retal, podemos ter em mente o
megacólon congênito como principal
suspeita. Um exame pouco invasivo e
de baixo custo que corrobora é o
enema, onde podemos ver clara
transição entre a região corretamente
inervada e a região colônica com
alteração de inervação.
Alternativa A - Incorreta: Não há
indicação de manometria nesse caso.
Alternativa B - Incorreta: A biópsia é o
padrão ouro para confirmação do
megacólon congênito.
Alternativa C - Correta: O exame
rápido, barato e com achado
característico é o enema.
Alternativa D - Incorreta: A radiografia
simples poderá mostrar distensão de
alças, porém esse é um achado muito
inespecífico.
79. Uma paciente com 37 anos de idade,
primigesta, em atendimento pré-natal
em unidade ambulatorial secundária,
apresenta amenorreia de 12 semanas.
Tem história de hipertensão arterial
crônicae refere uso irregular de
captopril. Na consulta médica,
apresenta-se sem queixas, com pressão
arterial de 150 x 100 mmHg, mantida
após 30 minutos de decúbito lateral
esquerdo; a proteinúria de fita é
negativa. O exame obstétrico está
compatível com 12 semanas de
gestação.
Nesse caso, a conduta adequada em
relação à pressão arterial da paciente é
A) solicitar internação e administração
de hidralazina endovenosa.
B) orientar o uso regular do captopril e
fazer curva pressórica.
C) orientar dieta hipossódica e iniciar
metildopa via oral.
D) orientar dieta hipossódica e fazer
curva pressórica.
CCQ: A metildopa é o anti-
hipertensivo de escolha na
hipertensão crônica na gestação
Pessoal, os distúrbios hipertensivos da
gravidez podem ser classificados em 4
categorias: hipertensão gestacional,
pré-eclâmpsia, hipertensão crônica e
pré-eclâmpsia sobreposta à
hipertensão subjacente.
A hipertensão crônica é definida como
uma PA ≥140/90 mmHg, registrada
antes da gravidez e antes de 20
semanas de gestação, como no caso da
nossa paciente. A hipertensão crônica
aumenta a morbidade da gestação e
está associada a pré-eclâmpsia
sobreposta, descolamento de placenta,
prematuridade e restrição de
crescimento.
As pacientes hipertensas crônicas
devem ter o seu esquema anti-
hipertensivo adaptado às drogas
seguras na gestação: os agentes anti-
hipertensivos considerados seguros na
gravidez incluem metildopa, diuréticos,
carvedilol, bloqueadores dos canais de
cálcio e hidralazina. Os IECAs, como o
captopril, e BRAs são considerados
teratogênicos e devem ser
interrompidos.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Pessoal,
valores pressóricos > 160/110mmHg na
gestação são extremamente
preocupantes, principalmente nos
quadros de hipertensão gestacional e
pré-eclâmpsia. No entanto, estamos
diante de uma paciente hipertensa
crônica com tratamento irregular, ou
seja, esperamos medidas pressóricas
mais elevadas. O que fazer? Vamos
começar um anti-hipertensivo, solicitar
uma curva pressórica e iniciar medidas
de profilaxia de pré-eclâmpsia (cálcio e
AAS).
Alternativa B - Incorreta: Pessoal, os
inibidores da enzima conversora de
angiotensina (IECAs), como o captopril,
são contraindicados na gestação.
Alternativa C - Correta: Exatamente,
pessoal! E sem esquecer da profilaxia de
pré-eclâmpsia com AAS e carbonato de
cálcio!
Alternativa D - Incorreta: Já temos
uma paciente com níveis pressóricos
acima de 140/90 em duas medidas e,
portanto, devemos ajustar os anti-
hipertensivos para aqueles seguros na
gestação, não sendo necessária curva
pressórica.
80. Em uma reunião da equipe de
Unidade Básica de Saúde, localizada em
zona rural da região Nordeste, onde a
esquistossomose é endêmica, é
apresentado recente inquérito
coproscópico censitário mostrando
24% de positividade para ovos de
Schistosoma mansoni.
Nessa situação, de acordo com a
orientação do Ministério da Saúde, a
conduta correta é tratar
A) somente os casos positivos.
B) coletivamente a comunidade.
C) os casos positivos e conviventes.
D) somente os casos confirmados por
meio de um segundo exame.
CCQ: Quando a prevalência de
positividade para portadores de S.
mansoni é entre 15 e 25%, deve-se
tratar os indivíduos com exame
parasitológico de fezes positivo e os
conviventes
E aí pessoal, focados nos estudos?
Temos aqui uma questão sobre a
Vigilância da Esquistossomose
Mansoni. Vamos aproveitar esse
contexto para revisar o ciclo de vida do
parasita causador da Esquistossomose?
Observe:
Ilustração: Centers for Disease Control
and Prevention (CDC).
Agora ... Vamos as alternativas!
Alternativa A – Incorreta: Tratamos
somente os casos positivos quando a
prevalência é menor que 15%.
Alternativa B – Incorreta: Só tratamos
coletivamente quando a prevalência é
maior que 25%.
Alternativa C – Correta: Isso mesmo!
Quando a prevalência de positividade é
entre 15 e 25%, deve-se tratar os
indivíduos com exame parasitológico
de fezes positivo e os conviventes.
Alternativa D – Incorreta: Para se
definir a estratégia de tratamento de
controle de doenças, não é necessário
repetir os exames.
Em resumo, observe o quadro do
Ministério da Saúde:
81. Um homem com 61 anos de idade,
hipertenso, atendido em unidade de
saúde, tem febre, tosse com secreção
amarelada, dor torácica à direita
ventilatório-dependente, dispneia aos
esforços moderados e hiporexia há 3
dias. É adequadamente vacinado para
pneumococo e não tem história de
internações no último ano. Ao primeiro
exame, apresentou-se orientado,
hidratado, com temperatura axilar =
38,5 ºC, frequência cardíaca (FC) = 90
batimentos por minuto (bpm), pressão
arterial (PA) = 130 x 80 mmHg,
frequência respiratória (FR) = 22
incursões respiratórias por minuto
(irpm), sem esforço respiratório,
frêmito toracovocal diminuído e
estertores crepitantes no terço inferior
de hemitórax direito. O resultado da
oximetria de pulso em ar ambiente foi
de 96% e o da radiologia simples de
tórax mostrou infiltrado em lobo
inferior direito com derrame pleural de
2 cm em decúbito lateral. Foi-lhe
prescrito amoxicilina + clavulanato para
tratamento ambulatorial e solicitada
punção de líquido pleural. No terceiro
dia de tratamento, o paciente relatou
melhora da febre e da dispneia, mas
manutenção da tosse, da dor torácica e
da hiporexia, e apresentou os seguintes
resultados: temperatura axilar = 37,2 ºC,
FC = 80 bpm, PA = 130 x 70mmHg, FR =
18 irpm, oximetria de pulso em ar
ambiente = 98%. O resultado da punção
torácica, guiada por ultrassom, estimou
o derrame em 200 ml, cuja análise
mostrou líquido amarelo-citrino, 2.300
células com predomínio de neutrófilos,
pH = 7,3, glicose = 60 mg/dl, lHD = 300
U/l, proteína = 4 g/l, Gram: não se
visualizaram bactérias. A amostra
sérica colhida no dia da punção mostrou
glicose = 80 mg/dl (valor de referência
[VR]= 60-99 mg/dl), proteínas totais =
6,6 g/dl (VR = 6,4-8,3 g/dl), lDH = 400
(VR = 180-450 U/l).
Diante desse quadro clínico e dos dados
apresentados, a abordagem adequada
para o paciente é
A) referenciar o paciente para a
assistência hospitalar para drenagem
de tórax.
B) manter o tratamento com
amoxicilina + clavulanato e repetir o
estudo radiológico em 1 semana.
C) suspender a amoxicilina +
clavulanato, prescrever levofloxacina e
reavaliar o paciente em 3 dias.
D) manter o tratamento com
amoxicilina + clavulanato, colher
bacilos álcool-ácido resistente (BAAR)
em escarro e reavaliar o paciente no
final do tratamento.
CCQ: Diante de um quadro de
derrame parapneumônico não
complicado a conduta é
antibioticoterapia
Fala pessoal tudo certo? Estamos
diante de uma questão de derrame
pleural e que nos exige alguns
conhecimentos acerca do tema, vamos
aproveitar para revisá-los?
Temos um paciente com quadro
sugestivo de derrame parapneumônico,
ou seja, é o acúmulo de fluido pleural
exsudativo, associado à pneumonia e
ocorre quando a produção do líquido
pleural excede a capacidade de
drenagem linfática da pleura parietal.
Diante do resulta de uma punção
torácica é importante avaliar a
diferenciação entre transudato e
exsudato (que sugere derrame
parapneumônico). Isso pode ser feito
pelos critérios de Light:
A presença de qualquer um dos três
critérios indica exsudato.
• Nosso paciente possui a relação
de proteína no líquido pleural e
sérica de 4/6,6 = 0,6.
• Nosso paciente possui a relação
de LDH no líquido pleural e
sérica de 300/400 = 0,75.
• LDH pleural maior do que dois
terços do limite superior do
normal da LDH sérica, o LHD
pleural é 300 e o limite superior
do LDH sérico é 450 a relação é
exatamente 2/3.
Como ele tem dois critérios, sugere
exsudatoe derrame parapneumônico.
Diante de um derrame
parapneumônico, devemos avaliar se
há sinais de complicação: como pH <
7,20, Gram / cultura positiva, Glicose <
60 mg/dL e LDH > 1000 U/L. Nosso
paciente não apresenta nenhum
critério.
E como fica o tratamento? Nesse caso,
vamos as alternativas!
Alternativa A – Incorreta: A drenagem
de tórax estaria indicada no derrame
parapneumônico complicado.
Alternativa B – Correta: Exatamente! A
conduta e manter a antibioticoterapia
nos casos não complicados. A
radiologia vai ajudar a avaliar a resposta
do paciente.
Alternativa C – Incorreta: Penicilinas +
inibidores de betalactamase são boas
opções. Devemos reservar drogas com
atividade antipseudomonas para
quadro mais graves.
Alternativa D – Incorreta: Não há
indicação para colher bacilos álcool-
ácido resistente (BAAR).
82. Uma criança com 10 anos de idade,
do sexo masculino, foi vítima de
ferimento em região mentoniana após
queda de skate no asfalto, há cerca de
90 minutos. Ao exame físico apresenta
ferimento corto-contuso, transversal,
na região submentoniana, com 3,0 cm
de extensão, sangrante.
Para fins de conduta médica imediata e
mediata, trata-se de ferida
A) limpa.
B ) infectada.
C ) contaminada.
D) potencialmente contaminada.
CCQ: As feridas contaminadas são
aquelas acidentais ou traumáticas.
Questão abordando uma classificação
conhecida nossa! A classificação da
ferida quanto à contaminação.
Relembre rapidamente e vamos às
alternativas:
• Limpa: ferida cirúrgica
consequente de uma cirurgia
eletiva, não traumática, não
infectada, não havendo
penetrado no trato digestivo,
respiratório, genito-urinário e
nem na cavidade orofaríngea.
• Limpa-contaminada: ferida
cirúrgica onde há penetração no
sistema digestivo, respiratório
ou genito-urinário, em
condições controladas.
• Contaminada: inclui feridas
traumáticas com penetração no
aparelho respiratório, digestivo
ou genito-urinário, além de
feridas acidentais.
Alternativa A - Incorreta: Temos um
trauma e contato da pele lesada com o
asfalto, logo, não se aplica.
Alternativa B - Incorreta: A ferida
infectada é aquela onde há presença de
sinais infecciosos, com proliferação de
bactérias que outrora contaminaram a
lesão.
Alternativa C - Correta: A ferida
acidental é uma das situações
classificadas como ferida contaminada.
Alternativa D - Incorreta: Trata-se de
feridas onde sistemas com alta carga
bacteriana são penetrados por via
cirúrgica, em ambiente controlado.
83. Um escolar do sexo masculino,
residente em área rural, é encaminhado
para um hospital de referência para
investigação de quadro de febre
irregular e prolongada, palidez,
hepatoesplenomegalia e
emagrecimento, insidiosos e
progressivos, associados ao
comprometimento do estado geral.
Esteve internado em sua cidade de
origem por 24 horas após apresentar
epistaxe de grande intensidade e
gengivorragia. Ao exame admissional,
observam-se prostração, petéquias
disseminadas em tronco e edema de
membros inferiores. Em sua cidade de
origem, foram realizados os exames
inespecíficos, que demostraram
anemia, leucopenia e plaquetopenia.
Informa que o pai teve quadro
semelhante há alguns meses.
Entre os exames a serem realizados
para se estabelecer o diagnóstico, é
correto afirmar que
A) o exame sorológico por
imunofluorescência indireta é o mais
vantajoso no que se refere a custo e
efetividade, sendo considerados
positivos os títulos a partir da diluição
1:80.
B) a punção aspirativa esplênica é o
método que oferece maior
sensibilidade e menor risco, sendo o
mais utilizado para a técnica de
visualização direta do parasita.
C) a reação em cadeia da polimerase
(PCR), técnica molecular, é de baixa
sensibilidade quando comparada a
técnicas por visualização direta.
D) a dosagem de proteínas, na qual há
forte inversão da relação
albumina/globulina, é exame de alta
sensibilidade e especificidade.
CCQ: A leishmaniose visceral deve ser
suspeitada em todo paciente com
quadro crônico de febre associado a
hepatoesplenomegalia.
Atenção, aluno! Estamos falando de
uma doença infecto-parasitária. Então,
vamos pensar: febre irregular, palidez e
hepatoesplenomegalia em morador de
área rural, dentre outras possibilidades,
nos faz pensar em Leishmaniose
visceral! Além disso, já é observada
alteração no sistema de coagulação,
com a criança apresentando
manifestações hemorrágicas e
indicando a gravidade do caso. As
alterações laboratoriais inespecíficas
incluem a inversão na relação
albumina/globulinas e uma
pancitopenia. Vamos avaliar as
alternativas:
Alternativa A - Incorreta: Apesar do
custo mais baixo, a sorologia pode
permanecer positiva por longos
períodos, não sendo um método
específico.
Alternativa B - Incorreta: É um método
com excelente sensibilidade, porém
alto risco de sangramentos.
Alternativa C - Incorreta: O PCR é um
método sensível, mas não muito
específico.
Alternativa D - Incorreta: A inversão é
uma alteração marcante na doença,
porém é inespecífico.
84. Uma paciente com 28 anos de
idade, nulípara, usuária de
anticoncepcional hormonal combinado
oral, relata, em consulta, que há 3 dias
iniciou com dor em baixo ventre, de
forte intensidade, associada a náuseas e
vômitos, que piorou nas últimas 8
horas. Ao exame físico, apresenta
pressão arterial = 100 x 60 mmHg,
temperatura = 39,1ºC, abdome com dor
intensa à palpação no andar inferior e à
descompressão brusca em fossas
ilíacas. Ao exame especular, verifica-se
a presença de conteúdo purulento
exteriorizando-se pelo orifício do colo
uterino. O toque vaginal evidencia dor à
mobilização do colo uterino e à
palpação dos anexos, bilateralmente.
Diante dessa situação, a conduta
imediata indicada é
A) identificar o agente etiológico da
secreção cervical antes de iniciar o
tratamento medicamentoso.
B) encaminhar a paciente para
tratamento em ambiente hospitalar
com antibioticoterapia injetável.
C) instituir tratamento clínico
ambulatorial de imediato para a
paciente, com retorno em 48 horas para
reavaliação.
D) encaminhar a paciente para
tratamento cirúrgico a fim de melhor
avaliar o comprometimento do sistema
reprodutivo.
CCQ: Saber que a doença inflamatória
pélvica manifesta-se com dor em
baixo ventre associada a náuseas,
vômitos e febre e que paciente em
estado geral grave possui indicação de
tratamento hospitalar com
antibioticoterapia endovenosa
Fala, aluno Aristo! Tudo tranquilo?
Questão em que a banca nos apresenta
um caso clínico sobre um assunto
bastante frequente nas provas de GO!
Diante de uma paciente jovem com dor
em baixo ventre associada a febre,
náuseas e vômitos e achados
específicos ao exame físico, devemos
sempre pensar em doença inflamatória
pélvica como diagnóstico diferencial.
Vamos a uma breve revisão sobre o
tema:
A doença inflamatória pélvica (DIP) é
uma síndrome clínica que ocorre devido
à ascensão de microorganismos do
trato genital inferior, podendo
acometer o útero, tubas uterinas,
ovários, superfície peritoneal e/ou
estruturas contíguas do trato genital
superior. A DIP possui etiologia
polimicrobiana e os principais agentes
etiológicos relacionados à doença são a
Chlamydia trachomatis e a Neisseria
gonorrhoeae, sendo que a maioria dos
casos de DIP é causada por
microorganismos sexualmente
transmissíveis ou associados à vaginose
bacteriana.
A maioria dos casos de DIP são
assintomáticos. Quando DIP
sintomática, os sinais e sintomas mais
frequentes são sangramento vaginal
anormal em pouca quantidade
(spotting), dispareunia, corrimento
vaginal, dor pélvica ou dor no abdome
inferior, além de dor à mobilização do
colo do útero ao toque. O diagnóstico é
clínico e éfeito com base em critérios
maiores, menores e elaborados, os
quais estão descritos na tabela abaixo.
Para o diagnóstico, é necessária a
presença de três critérios maiores
MAIS um critério menor OU um
critério elaborado.
O tratamento da DIP pode ser feito de
forma ambulatorial ou hospitalar, a
depender das condições clínicas
apresentadas pela paciente. Os
critérios para indicação de tratamento
hospitalar são abscesso tubo-ovariano,
gravidez, ausência de resposta clínica
após 72h do início do tratamento com
antibioticoterapia oral, intolerância a
antibióticos orais ou dificuldade para
seguimento ambulatorial, estado geral
grave (náuseas, vômitos e febre),
dificuldade na exclusão de emergência
cirúrgica (como apendicite ou gestação
ectópica).
• Escolha terapêutica de primeira
linha para tratamento
ambulatorial: ceftriaxona
500mg, IM, dose única MAIS
doxiciclina 100mg, VO, 2x/dia,
por 14 dias MAIS metronidazol
250mg, 2 comprimidos, VO,
2x/dia, por 14 dias;
• Escolha terapêutica de primeira
linha para tratamento hospitalar:
ceftriaxona 1g, IV, 1x/dia, por 14
dias + doxiciclina 100mg, VO,
2x/dia, por 14 dias MAIS
metronidazol 400mg, IV, de
12/12h.
Voltando ao caso da paciente
apresentada pela banca, podemos fazer
o diagnóstico de DIP pela presença de
três critérios maiores (dor em hipogástrio,
dor à palpação dos anexos e dor à
mobilização do colo) + outros critérios
menores como febre e exteriorização de
conteúdo purulento pelo colo uterino.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta: O
tratamento da DIP é feito de forma
empírica, com cobertura para os
principais germes envolvidos nesse
processo infeccioso.
Alternativa B - Correta: Como vimos, a
paciente possui DIP e seu estado geral é
grave (febre, náuseas, vômitos),
necessitando de antibioticoterapia
endovenosa em regime de internação
hospitalar.
Alternativa C - Incorreta: A paciente
possui indicação de internação
hospitalar, não sendo o tratamento
ambulatorial uma alternativa viável
neste caso.
Alternativa D - Incorreta: Neste
momento, a paciente não apresenta
evidência de nenhuma complicação da
doença que exija tratamento cirúrgico.
85. Uma mulher com 90 anos de idade,
acamada, recebeu alta após internação
por dor abdominal há 3 dias. O médico
de família é chamado para realizar um
atendimento domiciliar por queixa de
dispneia. No relatório de alta está
descrito diagnóstico de melanoma com
metástases hepáticas, em estágio
terminal, prescritos morfina e plano
restrito de cuidados paliativos.
No contexto descrito, quanto aos
cuidados paliativos, deve-se
A) solicitar tomografia de tórax para
investigar metástases pulmonares.
B) exercer a demora permitida e
orientar familiares sobre sinais de
alarme.
C) encaminhar para emergência
hospitalar se não houver melhora da
dispneia com oxigenioterapia.
D) instituir terapia de sedação paliativa
se os sintomas físicos forem
intoleráveis, graves e refratários.
CCQ: No contexto de cuidados
paliativos, pode-se fazer a terapia de
sedação paliativa para aliviar o
sofrimento
Olá pessoal, como vão? Estamos diante
de uma questão sobre um tema que
volta e meia aparece nas provas, os
cuidados paliativos. Mas ... você
conhece os princípios propostos pela
Organização Mundial da Saúde?
1. Promover o alívio da dor e de
outros sintomas.
2. Afirmar a vida e considerar a
morte como um processo
natural.
3. Não acelerar nem adiar a morte.
4. Integrar os aspectos
psicológicos e espirituais no
cuidado ao paciente.
5. Oferecer um sistema de suporte
que possibilite ao paciente viver
tão ativamente quanto possível,
até o momento da sua morte.
6. Oferecer sistema de suporte
para auxiliar os familiares
durante a doença do paciente e
a enfrentar o luto.
7. Promover a abordagem
multiprofissional para focar nas
necessidades dos pacientes e de
seus familiares, incluindo
acompanhamento no luto.
8. Melhorar a qualidade de vida e
influenciar positivamente o
curso de vida.
9. Ser iniciado o mais
precocemente possível,
juntamente com outras medidas
de prolongamento da vida,
como a quimioterapia e a
radioterapia, e incluir todas as
investigações necessárias para
melhor compreender e controlar
situações clínicas estressantes.
Agora que você sabe mais sobre o tema,
vamos ver as alternativas?
Alternativa A – Incorreta: Já sabemos
que o paciente tem metástase no
fígado. Descobrir metástases
pulmonares não mudará a conduta.
Assim, não temos benefícios em expô-
lo a uma tomografia.
Alternativa B – Incorreta: Cuidados
Paliativos não significa ser privado dos
recursos diagnósticos e terapêuticos
que a medicina pode oferecer. Logo não
faz sentido usar da “demora permitida”.
Além disso, orientar a família sobre
sinais de alarme não faz sentido em um
paciente terminal.
Alternativa C – Incorreta: O uso da
oxigenoterapia é discutível no contexto
de dispneia em cuidados paliativos.
Além disso, temos outras opções de
tratamento, como fisioterapia e uso de
opioides. Logo, a falha da
oxigenioterapia não indica internação
hospitalar.
Alternativa D – Correta: Isso mesmo!!
No contexto de cuidados paliativos uma
das estratégias é a terapia de sedação
paliativa. Essa terapia ocorre com o uso
de medicamentos sedativos específicos
para aliviar sofrimento intolerável por
sintomas refratários, por redução da
consciência do paciente.
86. Uma mulher com 35 anos de idade,
com asma moderada, é atendida em
pronto atendimento e relata dispneia e
sibilos há 1 dia. Refere que, em casa,
inalou 2 jatos de salbutamol de 4/4
horas, sem melhora clinicamente
relevante. Nega febre, cefaleia, dor
torácica, rinorreia ou gotejamento pós-
nasais e relata tosse seca intermitente.
No pronto atendimento, está
inicialmente agitada, frequência
cardíaca (FC) = 115 batimentos por
minuto (bpm), pressão arterial (PA) =
140 x 80 mmHg, frequência respiratória
(FR) = 32 incursões respiratórias por
minuto (irpm), sibilos difusos, oximetria
de pulso = 91% em ar ambiente; peak
flow < 50% do previsto. Após receber
O2 suplementar 1 l/min, 3 aplicações de
4 jatos de salbutamol por via inalatória
em intervalos de 20 minutos +
prednisona 60 mg por via oral, continua
agitada, apresentando FC = 100 bpm,
PA = 120 x 70 mmHg, FR = 28 irpm, e
mantendo sibilos difusos em ambos os
hemitórax; oximetria de pulso = 89%
em ar ambiente e 93% com O2, peak
flow mantém-se abaixo de 50%.
O próximo passo adequado à
abordagem dessa paciente é
A) mantê-la em observação no pronto
atendimento e associar ipratrópio 4
jatos de 20/20 minutos e sulfato de
magnésio 2 g intravenoso.
B) mantê-la em observação no pronto
atendimento e administrar nova dose
de salbutamol, 4 jatos, em 1 hora.
C) admiti-la em enfermaria com
salbutamol + ipratrópio inalatórios, 4
jatos de cada um de 1/1 hora até a
estabilização.
D) realizar intubação orotraqueal com
sequência rápida e mantê-la em
ventilação mecânica até estabilização
clínica.
CCQ: Diante de uma crise de asma
refratária ao tratamento inicial, pode-
se usar Ipratrópio e considerar sulfato
de magnésio
Fala pessoal, tudo certo? Temos aqui
um tema quente para nossas provas, a
crise de asma. Vamos revisar pontos
importantes sobre isso?
• Classificação da crise de asma:
• Conduta na crise asmática:
Casos leves e moderados:
• SABA;
• Corticoide oral
• Oxigenioterapia: objetivo de
SatO2 93%-95% no adulto,
94%-98% na criança.
• Considerar ipratrópio;
Casos graves: Associar
• Ipratrópio;
• Corticoide endovenoso ou oral;
• Oxigenioterapia;
• Considerar sulfato de magnésio;
• Considerar altas doses de CI.
Agora ... Vamos as alternativas!
Alternativa A – Correta: Já tentamos
dilatar a vias aéreas da nossa pacientecom um beta agonista. Então, uma boa
estratégia é associar um agente
colinérgico, como o Ipratrópio. Além
disso, podemos considerar o uso de
sulfato de magnésio.
Alternativa B – Incorreta: Continuar
com um beta agonista e com um
intervalo tão grande como 1 horas não
trará tantos efeitos positivos para nossa
paciente.
Alternativa C – Incorreta: Devemos
manter a paciente em observação e o
intervalo das doses deve ser menor.
Alternativa D – Incorreta: Em geral,
deixamos a intubação para o paciente
asmático que apresenta sonolência,
confusão ou tórax silencioso.
87. Um paciente com 58 anos de idade,
branco, trabalhador rural, refere
cansaço aos esforços, que estão ficando
mais intensos, e dor abdominal
esporádica, em cólica, localizada em
flanco direito, há 1 mês. Refere
apresentar sangramento esporádico
nas fezes, tipo hematoquezia. Exames
realizados na Unidade Básica de Saúde
apresentaram: hemoglobina: 8,5 mg/dl
(valor de referência [VR]: 13 a 16 mg/dl);
hematócrito: 25% (VR: 38% a 52%).
Observa-se perda ponderal de 16% em
relação ao peso habitual. Ao exame
físico, mostra-se afebril, emagrecido,
com dor à palpação profunda em flanco
direito e fossa ilíaca direita.
Nesse caso, a hipótese diagnóstica mais
provável é de
A) tumor de cólon direito.
B) tuberculose intestinal.
C) doença diverticular do cólon.
D) doença inflamatória intestinal.
CCQ: Os tumores de cólon direito
cursam com dor à palpação e massa
palpável em flanco direito, pois são
tumores exofíticos ("crescem para
fora")
E aí, pessoal! Tudo certo? Aqui temos
uma questão que aborda algumas
afecções intestinais nas alternativas.
Entre elas, temos o tumor de cólon.
Vamos revisar alguns pontos
importantes sobre esse câncer?
O câncer colorretal é aquele que pode
surgir desde o ceco, parte inicial do
intestino grosso, até o reto e ânus. São
tumores tratáveis, se detectados
precocemente, e geralmente iniciam-se
como pólipos.
Alguns dos fatores de risco para
desenvolvimento desse câncer são:
idade > 50 anos, obesidade, hábitos
alimentares ruins (consumo de carnes
processadas, dieta pobre em fibras etc),
história familiar de câncer de intestino,
tabagismo e etilismo, doenças
inflamatórias intestinais (retocolite
ulcerativa, doença de Crohn), polipose
adenomatosa familiar etc.
Os sinais e sintomas mais associados a
um câncer de intestino são: sangue nas
fezes, dores abdominais, anemia,
fraqueza, perda ponderal,
visceromegalia e alteração nos hábitos
intestinais.
O rastreamento dos cânceres
colorretais são realizados a partir da
pesquisa de sangue oculto nas fezes e
da colono ou retossigmoidoscopia com
biópsia, para posterior análise
histopatológica.
Uma informação importante,
principalmente a nível de prova, é a
diferenciação entre o câncer de cólon
ascendente do de cólon descendente
através do quadro sintomatológico
apresentado. O câncer de cólon direito
(ascendente) costuma ser exofítico
(cresce para fora, formando uma massa
abdominal) e aparece já em estágios
avançados, conferindo menor
sobrevida aos pacientes. Já o câncer de
cólon esquerdo (descendente)
costuma ser mais brando em
comparação ao direito, além de ser
infiltrativo (por essa característica, é um
câncer que cursa frequentemente com
obstrução intestinal).
Fonte: clique aqui e aqui.
Agora, vamos analisar o enunciado.
Temos um paciente de 58 anos, com dor
abdominal esporádica, em cólica, em
flanco direito, hematoquezia, anemia e
perda ponderal. Está afebril. A partir
dessas informações, conseguimos
raciocinar em cima das alternativas.
Bora?
Alternativa A - Correta: Exatamente!
Tumores de cólon direito cursam com
massa exofítica em flanco direito, que
pode pressionar e tensionar a parede
abdominal, causando dor à palpação.
Além disso, também pode causar
sangramento intestinal e, por ser um
câncer, aumenta a perda ponderal do
paciente.
Alternativa B - Incorreta: O paciente
esteve afebril, o que ajuda a descartar
um quadro infeccioso.
Alternativa C - Incorreta: A doença
diverticular, epidemiologicamente
falando, é muito mais comum no cólon
esquerdo (descendente), diferente da
queixa do paciente.
Alternativa D - Incorreta: As doenças
inflamatórias intestinais costumam
aparecer em uma faixa etária mais
https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-intestino
https://www.scielo.br/j/abcd/a/zvtKYcN89fLYpSmbxLqvXkN/?lang=pt
nova. Além disso, teríamos alterações
dos hábitos intestinais (diarreia,
mucorreia etc) e alterações
extraintestinais também.
88. Uma adolescente com 13 anos de
idade é atendida no setor de
emergência de um hospital com dor
abdominal intensa, além de vômitos
repetitivos que se iniciaram há 2 horas.
Ela relata que, no dia anterior, surgiu
inchaço bilateral no pescoço, com dor
que se intensificava quando comia
alimentos ácidos. Refere ainda que, há 3
dias, já vinha apresentando febre baixa
(38 ºC), cefaleia e otalgia, e que colegas
do colégio tiveram os mesmos
sintomas. Ao exame físico, apresenta
dor abdominal que dificulta a palpação,
verificando-se também impossibilidade
de ver ou palpar os ângulos
mandibulares, que estão encobertos
por tumorações amolecidas, móveis e
dolorosas e que deslocam os lobos das
orelhas para cima e para fora.
Em face desse quadro, qual é o principal
exame para se estabelecer o
diagnóstico dessa complicação da
doença de base?
A) Tomografia computadorizada.
B) Endoscopia digestiva alta.
C) Ressonância magnética.
D) Ultrassonografia.
CCQ: Saber que a pancreatite aguda é
uma das principais complicações da
parotidite infecciosa, e sua
abordagem diagnóstica por imagem
tem como principal exame a
tomografia computadorizada
Olá, aluno Aristo!
Questão sobre a abordagem das
complicações da parotidite infecciosa.
A parotidite infecciosa é uma doença
viral aguda, que se manifesta com
febre, aumento de uma ou mais
glândulas salivares (em geral, a
parótida), mialgia e otalgia. Em um
terço das pessoas acometidas é possível
visualizar clinicamente aumento da
glândula, como em nossa paciente,
relatado como "inchaço bilateral no
pescoço". Além disso, esse aumento da
glândula pode provocar deslocamento
do pavilhão auricular, apagamento do
ângulo mandibular e dor que se
intensifica com abertura da cavidade
oral e/ou ingestão de alimentos ácidos.
Entre as complicações da doença
destacam-se pancreatite aguda,
orquite, ooforite, meningite e
meningoencefalite. Devido ao sintomas
de nossa paciente ao chegar na
emergência (quadro agudo com dor
abdominal intensa e vômitos)
pensamos na pancreatite como
complicação. Segundo o tratado de
pediatria, para o diagnóstico de
pancreatite são usados achados
clínicos, laboratoriais e de imagem.
Devem estar presentes dois dos três
critérios a seguir:
1. Dor abdominal.
2. Nível sérico de amilase ou lipase
3x o valor de referência.
3. Sinais radiológicos
característicos.
Para o abordagem diagnóstico no que
tange o exame de imagem, a
ultrassonografia pode ser utilizada para
avaliação preliminar sendo um bom
método para avaliação de cálculos na
vesícula, e todo paciente com
pancreatite deve receber esta
avaliação. Entretanto, é um exame
limitado para visualização do pâncreas
e da região peripancreática, neste
momento destaca-se a tomografia
computadoriza, que permite excelente
delineamento do pâncreas e
visualização de possíveis
anormalidades associadas à pancreatite
aguda.
Com isso, vamos às alternativas:
Alternativa A - Correta: Como dito
acima, a TC é o exame mais indicado
para o diagnóstico de pancreatite
aguda, complicação da doença de base
da paciente, a parotidite infecciosa.
Alternativa B - Correta: A endoscopia
digestiva alta não é o exame de escolha
para o diagnóstico depancreatite
aguda.
Alternativa C - Correta: A ressonância
magnética é que pode ser utilizado,
porém seu uso está indicado quando há
contra-indicações ao uso do contraste
da TC.
Alternativa D - Incorreta: Como dito
acima, a ultrassonografia é um bom
exame inicial, porém não é o principal
para visualização do pâncreas.
89. Uma paciente com 46 anos de
idade, gesta: 2, para: 2, aborto: 0,
relata, em consulta em unidade de
saúde, que há 8 meses vem
apresentando aumento progressivo do
volume e do número de dias de
sangramento menstrual. Refere que
atualmente sangra por cerca de 10 dias
a cada ciclo. Queixa-se de indisposição
física geral. Ao exame físico, está
descorada +/4+. Ao exame
ginecológico, a vulva, a vagina e o colo
uterino apresentam-se normais, e o
útero tem volume compatível com a
idade e a paridade da paciente.
No contexto clínico apresentado,
considerando a maior redução de
sangramento, qual a terapêutica a
longo prazo recomendada?
A) Ácido tranexâmico.
B) Anti-inflamatório não esteroide.
C) Anticoncepcional oral combinado.
D) Sistema Intrauterino (SIU) com
liberação de levonorgestrel.
CCQ: Saber que o sistema intrauterino
liberador de levonorgestrel é um
método mais efetivo para o controle
de sangramento uterino anormal do
que o tratamento oral
Mais uma questão de GO, pessoal!
Dessa vez, vamos focar em um dos
principais temas que a banca gosta de
cobrar, sangramento uterino anormal!
Estamos diante de uma paciente de 46
anos com a queixa de aumento do
volume e dias da menstruação,
atualmente sangrando cerca de 10 dias
a cada ciclo. Opa! Nesse momento, já
podemos classificar essa menstruação
como sangramento uterino anormal
(SUA), não é? Você lembra das
referências de normalidade na
menstruação?
• Duração de 21 a 35 dias
• Duração do fluxo de 2 a 6 dias
O que está fora desse padrão, como a
nossa paciente, que apresenta fluxo
menstrual abundante por até 10 dias,
deve ser classificado como SUA. Além
disso, a paciente queixa-se de
indisposição e encontra-se descorada
no momento da consulta. Tudo a ver,
né?
Pensando em tratamento de SUA,
confira esse fluxograma construido pelo
Tratado de Ginecologia da Febrasgo.
Vamos discutir quais alternativas
podemos lançar mão para ajudar a
nossa paciente a melhorar o quadro
clínico dela a longo prazo:
Alternativa A - Incorreta: O ácido
tranexâmico é um antifibrinogênio que
atua no tratamento não hormonal
para controle do sangramento agudo
e acentuano, o que não se aplica ao caso
da nossa paciente em questão.
Alternativa B - Incorreta: O AINE é
utilizado no contexto de SUA como um
tratamento mais coadjuvante para
cessar o sangramento ativo.
Alternativa C - Incorreta: O
anticoncepcional oral combinado
contendo estrogênio e progestagênio
reduzem a perda sanguínea menstrual
em 35% a 72%, sendo uma opção
terapêutica para a maioria das causas
de SUA sem alteração estrutural. No
entanto, a questão foi bem enfática em
pedir o método que mais reduz
sangramento a longo prazo, portanto,
essa não é a melhor escolha para a
paciente da nossa questão!
Alternativa D - Correta: Isso mesmo! O
sistema intrauterino liberador de
levonorgestrel, segundo as referências,
reduz em cerca de 71 a 96% o volume de
sangramento vaginal, sendo
considerado o método mais efetivo
para o controle do SUA do que os
tratamentos orais. Mas lembre-se: O
método não deve ser usado quando a
cavidade uterina não é regular, devido
ao risco aumentado de expulsão!
90. Uma mulher com 30 anos de idade
vem a primeira consulta na Unidade
Básica de Saúde queixando-se de
tonturas, tremores, tensão muscular e
relata que há 1 mês apresentou três
crises de palpitações repentinas,
acompanhadas de dor em hemitórax
esquerdo, com duração de até meia
hora e resolução espontânea. Nega
doenças pregressas, tabagismo,
etilismo ou uso de outras drogas. Relata
que procurou serviços de emergência
três vezes achando que teria um infarto.
Traz resultados recentes e normais de
hemograma, TSH, perfil lipídico
completo, glicemia, troponina e CPK e
eletrocardiograma. Acredita que esses
exames foram insuficientes e pede
outros exames para ver se o coração
está bem. Por exercer a prostituição
desde a adolescência, faz exames
rotineiramente para infecções
sexualmente transmissíveis, últimos há
15 dias e com resultados negativos. Usa
Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre
há 5 anos e preservativo. Não teve filhos
ou abortamento. Apresenta sono
reparador, exceto quando tem as crises.
Nega ideação suicida. Desde o início da
pandemia da COVID-19 não faz mais
programas. Exame físico inalterado.
Nesse caso, a melhor abordagem é
A) referenciar a paciente ao serviço de
urgência e emergência para realização
de novos eletrocardiogramas (ECG) e
enzimas cardíacas e solicitar avaliação
de especialistas focais.
B) solicitar novos exames para descartar
outras doenças orgânicas de base e
iniciar tratamento farmacológico com
betabloqueador e benzodiazepínico.
C) explicar que novos exames são
desnecessários, indicar atividades
físicas, apoio psicológico e retorno, em
um continuum de complexidade de
tratamento.
D) explicar que novos exames são
desnecessários, iniciar
benzodiazepínico nas crises e
antidepressivo tricíclico; indicar apoio
psicológico e retorno em 6 semanas.
CCQ: Saber que o tratamento de
crises de ansiedade envolve
atividades físicas, apoio psicológico e
retorno
Fala pessoal! Questão bem interessante
do INEP-Revalida, bora lá rever um
pouco sobre o assunto.
O transtorno da ansiedade
generalizada (TAG) é caracterizado por
preocupação excessiva, que leva a
prejuízos no paciente. Este podendo
inclusive, apresentar sintomas físicos e
psicológicos.
Os sintomas mais comuns são:
• Fadiga;
• Tensão muscular;
• Irritação;
• Alterações no sono;
• Inquietação;
• Dificuldade de concentração;
• Cefaleia;
• Hiperatividade autonômica
(taquicardia, palpitação...);
• Sintomas gastrointestinais.
Note que nossa paciente não fecha
critérios para definirmos um TAG, mas,
apresenta claramente algumas crises de
ansiedade. Ela nos cita que apresentou
3 episódios de palpitações
acompanhadas de dor em hemitórax
esquerdo, a mesma, apresenta todos os
exames e achados clínicos normais,
além de ausência de histórico de risco
para doenças cardiovasculares.
Aqui nossa principal hipótese deve ser
de crise de ansiedade (nos afastamos de
crise de pânico pela ausência de medo
extremo, sensação de morte, etc...).
Esta, deve ser manejada principalmente
com psicoterapia associada a atividades
físicas, além de tranquilizarmos a
paciente quanto a não necessidade de
realização de exames adicionais. Por
último, devemos nos lembrar também
do acompanhamento contínuo.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Incorreta Doença
cardiovascular não é nossa principal
hipótese, por isso, podemos eliminar
esta alternativa.
Alternativa B - Incorreta Pessoal, não
vamos sair dando betabloqueador e
benzodiazepínicos assim, a paciente
apresenta exames normais e além
disso, benzodiazepínicos podem viciar,
então vamos evitar estes
medicamentos para uso contínuo.
Alternativa C - Correta Exato! Esta é a
nossa conduta correta.
Alternativa D - Incorreta Vamos tentar
manejar esta paciente com psicoterapia
primeiro, se esta falhar, podemos até
pensar em algum tratamento
medicamentoso.
91. Um homem com 32 anos de idade,
usuário de drogas ilícitas injetáveis (DII),
comparece à consulta ambulatorial em
clínica médica com queixa de fadiga
importante e dor abdominal no
hipocôndrio direito que teve início há 1
semana. Refere que, 2 dias antes do
início desses sintomas, apresentou
febre, artralgias e um exantema leve,
que desapareceram,ficando em
seguida com os olhos amarelados e a
urina escura. Relata que esses últimos
sinais apareceram simultaneamente à
melhora da febre, que persistiu por
alguns dias, e que, nos últimos dias,
passou a ter apenas fadiga e dor
abdominal. Nega náuseas, vômitos,
diarreia ou sangramentos, e afirma
conseguir ingerir líquidos e alimentos
por via oral de forma normal. Nega
comorbidades prévias significativas, e
sua história familiar não é relevante.
Além do uso de DII, o paciente é
tabagista (10 maços/ano) e etilista
social de fermentados. Ao exame físico,
encontra-se em regular estado geral,
com fácies de doença aguda, levemente
ictérico nas escleras; corado, hidratado,
acianótico, afebril, sem equimoses ou
petéquias. Aparelhos cardiovascular e
respiratório sem anormalidades.
Abdome doloroso à palpação do
hipocôndrio direito, sendo o fígado
palpável a 3 cm do rebordo costal
direito, na linha hemiclavicular, de
borda romba e consistência habitual;
espaço de Traube livre. Não há edemas
em membros inferiores. Os resultados
dos exames complementares
solicitados nessa consulta são
apresentados na tabela a seguir.
Considerando as informações
apresentadas, a principal hipótese
diagnóstica e o tratamento indicado
são, respectivamente,
A) hepatite B aguda; iniciar tratamento
sintomático, evitando-se fármacos
hepatotóxicos e de metabolismo
hepático.
B) hepatite alcoólica aguda; prescrever
corticoide, evitar novos insultos
hepáticos e encaminhar o paciente para
o Centro de Atenção Psicossocial
(Álcool e Drogas).
C) hepatite C aguda; prescrever
antivirais combinados (como
ledipasvir/sofosbuvir), conforme
resultado do teste de genotipagem.
D) hepatite B crônica agudizada;
prescrever tenofovir ou entecavir,
evitando-se fármacos hepatotóxicos e
de metabolismo hepático.
QUESTAO NÃO TEM COMENTARIO
92. Uma mulher com 20 anos de idade é
atendida no Pronto-Socorro de um
hospital. Seu acompanhante relata que,
há cerca de 20 minutos, ela bateu a
cabeça após tropeçar em um degrau e
sofrer uma queda. Houve perda da
consciência e um episódio de vômito.
Ao exame físico, a paciente apresenta
abertura ocular espontânea, responde
de forma confusa e obedece às ordens
solicitadas, movimentando
corretamente os membros superiores e
inferiores; as pupilas encontram-se
isocóricas e fotorreagentes.
Considerando a história clínica da
paciente e os dados do exame físico,
assinale a opção que apresenta,
respectivamente, a principal hipótese
diagnóstica e a conduta adequada ao
caso.
A) Traumatismo leve; solicitar
tomografia de crânio e avaliação clínica
seriada.
B) Traumatismo moderado; solicitar
tomografia de crânio e avaliação clínica
seriada.
C) Traumatismo leve; solicitar avaliação
clínica seriada e tomografia de crânio se
a pontuação na escala de Glasgow for
menor que 15 após 2 horas.
D) Traumatismo moderado; solicitar
avaliação clínica seriada e tomografia
de crânio se a pontuação na escala de
Glasgow for menor que 15 após 2 horas.
QUESTÃO COM POSSIBILIDADE DE
RECURSO
Meu caro aluno Aristo, questões sobre
trauma cranioencefálico (TCE) são
muito comuns nas provas. Aqui, a banca
cobrou uma classificação bem clássica.
Vamos revisar juntos?
Dividimos o TCE em 3 grandes grupos:
• TCE leve → entre 13 e 15
pontos na escala de coma de
Glasgow.
• TCE moderado → entre 9 e 12
pontos na escala de coma de
Glasgow.
• TCE grave → entre 3 e 8 pontos
na escala de coma de Glasgow.
Baseado nisso, vamos calcular o
Glasgow da nossa paciente? Veja a
escala completa abaixo:
• Abertura ocular: Espontânea →
4 pontos
• Resposta verbal: Confusa → 4
pontos
• Resposta motora: Obedece a
comandos → 6 pontos
Ou seja, o paciente tem 14 pontos na
escala de coma de Glasgow → TCE
leve! Ela tem indicação de tomografia
de crânio? Não! Reveja as indicações
abaixo:
• Glasgow menor que 15 duas
horas após o trauma;
• Suspeita de fratura de crânio;
• Mais de 2 episódios de vômito;
• Idade superior a 65 anos;
• Uso de anticoagulante;
• Perda de consciência maior que
5 minutos;
• Amnésia superior a 30 minutos;
• Mecanismo perigoso.
Ou seja, trata-se de uma paciente com
TCE leve e que não tem indicação de
neuroimagem de acordo com o ATLS!
Um algo a mais: Desde 2018 tivemos
uma atualização na escala de Glasgow.
A tendência é que com o passar do
tempo as bancas passem a cobrar essa
nova escala.
Qual é a novidade? agora avaliamos a
reatividade pupilar à luz dos pacientes!
Com isso, fazemos o seguinte ajuste na
"nota" do paciente:
• Nenhuma pupila do doente
reage ao estímulo da luz:
subtraio 2 pontos da nota na
escala!
• Apenas uma pupila do doente
reage ao estímulo da luz:
subtraio 1 ponto da nota na
escala!
• As duas pupilas reagem ao
estímulo luminoso: não preciso
subtrair nenhum ponto da nota
do paciente!
Alternativa A - Incorreta: A paciente
não preenche nenhum critério do ATLS
para realização de tomografia de crânio
no TCE leve. Embora tenha ocorrido um
episódio de perda de consciência, só
indicamos TC caso esse episódio tenha
duração superior a 5 minutos e a banca
não descreveu isso!
Alternativa B - Incorreta: A paciente
tem 14 pontos na escala de coma de
Glasgow e isso a classifica como TCE
leve.
Alternativa C - Correta: Isso mesmo.
Essa alternativa está de acordo com o
disposto na última edição do ATLS!
Alternativa D - Incorreta: A paciente
tem 14 pontos na escala de coma de
Glasgow e isso a classifica como TCE
leve.
Gabarito oficial: A
Gabarito Aristo: C
93. Um recém-nascido a termo com 6
horas de vida encontra-se internado na
maternidade, evoluindo com cianose
progressiva. É filho de mãe diabética,
nasceu com 4.200 Kg, obteve apgar 7 e
8. Ao exame, apresenta regular estado
geral e cianose 3+/4+. A saturometria foi
de 50% em ar ambiente. Os pulsos
estão normopalpáveis, simétricos.
Apresenta ainda sopro sistólico suave
+/6+ em borda esternal esquerda alta.
Foi realizado ecocardiograma, que
apresentou transposição simples das
grandes artérias (TGA) e comunicação
interatrial ampla.
Nessa situação, a conduta imediata é
A) realizar atriosseptostomia por balão.
B) iniciar a administração de
prostaglandina.
C) encaminhar o paciente para cirurgia
corretiva.
D) ventilar o paciente com uma FiO2
entre 80 a 100%.
CCQ: Saber que a conduta imediata na
transposição de grandes artérias é a
administração de prostaglandina,
para a manutenção da abertura do
canal arterial e a consequente
garantia de fluxo de sangue
oxigenado para o corpo
Fala, galera boa da Aristo! Tudo bem?
Venham conosco novamente para mais
uma questão de cardiopatias
congênitas!
Ao analisarmos o caso em questão, o
conjunto de sinais e sintomas é
bastante consistente com o achado do
ecocardiograma: a patologia se
manifestou no recém-nascido com
apenas seis horas de vida; há cianose
progressiva e saturação muito abaixo
do limite inferior, embora os pulsos
estejam normopalpáveis e simétricos.
De fato, a TGA é a cardiopatia
congênita que mais precocemente se
manifesta.
Nessa doença há a discordância entre
artérias e ventrículos: a artéria
pulmonar se origina do ventrículo
esquerdo e a artéria aorta, do ventrículo
direito. Tendo isso em vista, o sangue
da circulação sistêmica nunca passa
pelos pulmões para ser oxigenado. O
suprimento de oxigênio para os tecidos
ocorre somente por meio do canal
arterial, mas após as primeiras horas do
nascimento da criança, logo quando o
citado canal se fecha, começa a ocorrer
a cianose e a queda da oxigenação, já
que a única via de “mistura” do sangue
insaturado com o saturado se perde.
Isso explica o achado dos pulsos
normais, embora haja cianose: não é o
fluxo sanguíneo que está prejudicado, esim a sua oxigenação.
Aqui temos a oportunidade de nos
lembrarmos de um CCQ importante: a
transposição de grandes artérias é
considerada uma cardiopatia
congênita canal-dependente,
justamente em decorrência do que foi
explicado acima.
Por fim, é importante destacar que a
conduta que mais precocemente deve
ser adotada é a administração de
prostaglandina E1, na tentativa de
manter o canal aberto e estabilizar o
paciente, para a posterior cirurgia de
Jatene, para a correção da discordância
entre artérias e ventrículos.
Diante disso, vamos analisar as
alternativas:
Alternativa A – Incorreta: A
atriosseptostomia com cateter balão
tem como objetivo manter a
comunicação interatrial, em casos em
que ela é necessária para a manutenção
da homeostasia do paciente. Ocorre
que o paciente já apresenta essa
comunicação, e em grande medida, e
mesmo assim, apresenta cianose e
baixa oxigenação. A medida nesse caso,
portanto, não teria potencial para
alterar a situação clínica.
Alternativa B – Correta: Como
explicado, a conduta imediata deve ser
a administração de prostaglandina no
intuito de estabilizar o paciente até que
seja possível realizar a cirurgia.
Alternativa C – Incorreta: A cirurgia
corretiva deve ser feita, mas não se
pode esperar por ela sem a
administração da prostaglandina.
Alternativa D – Incorreta: A oferta de
oxigênio não vai alterar a situação
clínica do paciente, já que não importa
o volume de oxigênio que inspirar, o
sangue nunca será oxigenado se não
passar pelos pulmões.
94. Uma paciente com 42 anos de
idade, gesta: 4, para: 3, aborto: 1, que
fez laqueadura tubárea há 5 anos,
comparece ao ambulatório com
resultado de exame de citologia
oncótica cérvico-vaginal sugestiva de
lesão de alto grau. A colposcopia é
satisfatória e pode ser observada área
de mosaico grosseiro localizada no colo
uterino, a 12 horas com 0,7 cm de
diâmetro, visível em toda sua extensão.
Em face desse contexto clínico, a
conduta correta é indicar
A) exérese da zona de transformação
com alça de alta frequência.
B) conização a frio do colo uterino com
margem de segurança.
C) repetição da coleta da citologia
oncótica em 6 meses.
D) amputação do colo uterino com
eletrocauterização.
CCQ: Saber que a indicação diante de
lesão intraepitelial de alto grau (HSIL)
e colposcopia com achados maiores é
a exérese da zona de transformação
(EZT)
Fala, aluno Aristo! Rastreamento de
câncer de colo uterino e suas lesões
precursoras é assunto garantido na sua
prova! A banca nos apresenta uma
paciente com achado de lesão
intraepitelial de alto grau, investigada
com colposcopia que evidenciou achados
anormais maiores, com extensão de 0,7
cm e solicita a conduta correta. Vamos a
uma breve revisão:
De acordo com o Ministério da Saúde, o
rastreamento do câncer cervical e
suas lesões precursoras é feito através
do exame citopatológico, dos 25 aos 64
anos. O exame deve ser repetido a cada
3 anos após dois exames anuais
consecutivos negativos.
As mulheres que apresentarem laudo
citopatológico de HSIL deverão ser
encaminhadas à unidade de referência
para realização de colposcopia:
• Na presença de achados
anormais maiores, junção
escamocolunar (JEC) visível,
lesão restrita ao colo e ausente
suspeita de invasão ou doença
glandular, deverá ser realizada a
exérese da zona de
transformação (EZT);
• Na colposcopia com JEC visível e
achados anormais menores,
deve-se realizar biópsia.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Correta: A EZT é o
procedimento destinado a tratar a
doença ectocervical ou que não se
estende mais de 1 cm no canal
endocervical, como é o caso dessa
paciente.
Alternativa B - Incorreta: A conização à
frio está indicada para o tratamento de
lesões maiores ou em suspeita de
microinvasão. Não está indicada para
essa paciente.
Alternativa C - Incorreta: Diante de
achado de lesão de alto grau, a
repetição da citologia é inaceitável
como conduta inicial.
Alternativa D - Incorreta: Amputação
do colo com eletrocauterização não é o
tratamento de escolha para a lesão
apresentada pela paciente.
95. Uma médica da Estratégia de Saúde
da Família percebeu que, nas consultas
de Puericultura, houve um aumento das
queixas de agitação, irritabilidade e
tristeza nas crianças, durante o período
da pandemia da COVID-19. Muitos
genitores, preocupados com as
mudanças comportamentais dos filhos,
estão solicitando a prescrição de
medicamentos e encaminhamentos
para consulta com Psicólogos.
Nesse cenário, atenta à situação, a
médica, em conjunto com a equipe de
saúde, deve planejar e executar ações
de saúde no território que contemplem
esse novo momento.
Considerando as informações
apresentadas e com base na Educação
Popular em Saúde, a principal ação a ser
realizada com as famílias dessas
crianças é a
A) promoção de reuniões com
profissionais do Centro de Atenção
Psicossocial infantil e familiares para
esclarecer o manejo medicamentoso
dos casos.
B) escuta ativa das queixas trazidas
pelos familiares, para a compreensão
do problema e construção dialogada da
solução.
C) utilização pelos profissionais da
Unidade Básica de Saúde de uma série
de técnicas de convencimento dos
familiares para evitar a medicalização
do sofrimento das crianças.
D) elaboração de uma série de palestras
informativas, com exposição das
melhores evidências científicas para o
tratamento das doenças
neurodegenerativas da infância.
CCQ: A escuta ativa é o primeiro passo
na abordagem acolhedora de
demandas psicológicas.
Questão que traz um lado da
puericultura que ganhou força com a
pandemia: o acolhimento das queixas
psicoemocionais. A pandemia afetou as
crianças de diferentes faixas etárias,
gerando atrasos na aquisição de
habilidades, isolamento do convívio de
outras crianças, alto tempo de
exposição a telas e outros. Algumas das
consequências são abordadas pela
questão: agitação, irritabilidade e
tristeza. Essas queixas devem ser
valorizadas em toda consulta e a forma
primária de abordagem é através da
escuta ativa, onde se faz o acolhimento
e mostra-se ao paciente empatia pelo
ocorrido. A partir de então, criando
vínculo com o paciente e a família,
discute-se as indicações de psicoterapia
ou mesmo uso de medicamentos, de
forma individualizada.
Alternativa A - Incorreta: O uso de
medicação é individualizado. Situações
possíveis de manejo na Atenção
Primária, devem ser resolvidos no
próprio serviço.
Alternativa B - Correta: A escuta ativa
é a base das consultas, especialmente
de puericultura. Só através dela será
possível pensar na melhor conduta.
Alternativa C - Incorreta: Os casos com
indicação de medicamento, podem
recebê-lo. Os casos sem indicação,
receberão outras orientações e a
relação criada entre médico e família
possibilitará que os responsáveis
confiem na conduta.
Alternativa D - Incorreta: Os sintomas
descritos no enunciado não são
compatíveis com doenças
neurodegenerativas.
96. Um homem com 72 anos de idade,
hipertenso bem controlado, robusto,
independente e assintomático
apresentou, em consulta de rotina,
próstata com volume aumentado. Não
havia outras alterações no exame
clínico. O paciente não tem história de
câncer de próstata na família. O
resultado do PSA, dosado 1 semana
após o exame clínico, foi de 17 U/l (valor
de referência < 3 U/l), o laudo da biópsia
de próstata apresentou
adenocarcinoma grupo 4: escore de
Gleason = 8, com padrão 5+3
(classificação da Sociedade
Internacional de Patologia em
Urologia). Ao ser informado do
diagnóstico, o paciente relatou estar
disposto a realizar o que lhe fosse
recomendado.
Considerando o caso clínico
apresentado, o médico deve solicitar a
A) realização de tomografiade pelve e
abdome.
B) repetição, de imediato, de biópsia de
próstata.
C) repetição da dosagem de PSA em 6
meses.
D) realização de novo PSA e de biópsia
de próstata em 12 meses.
CCQ: Saber que em pacientes com
adenocarcinoma de próstata grupo 4
de Gleason deve-se realizar uma TC de
abdome e pelve antes de iniciar o
tratamento
Olá aluno(a) Aristo, tudo bem? Questão
do INEP - REVALIDA - DF de 2022
abordando o câncer de próstata, vamos
revisar?
O câncer de próstata é o segundo tipo
de câncer mais comum em homens em
todo o mundo, segundo dados do banco
de dados GLOBOCAN . Em áreas
desenvolvidas, o câncer de próstata
está sendo cada vez mais diagnosticado
quando o tumor está confinado à
próstata, devido, pelo menos em parte,
à triagem com antígeno prostático
específico (PSA).
O manejo inicial de homens com câncer
de próstata recém-diagnosticado
precisa incorporar a consideração da
história natural prolongada da doença e
o risco de progressão para doença
disseminada e potencialmente fatal.
A avaliação inicial deve incluir o
estadiamento clínico baseado em um
exame de toque retal por um clínico
experiente para avaliar a extensão da
doença, o antígeno sérico específico da
próstata (PSA) pré-tratamento, o
escore/grupo de grau de Gleason na
biópsia inicial e o número e extensão do
envolvimento do câncer nos núcleos de
biópsia. O escore de Gleason é dividido
dessa forma:
• Grupo de grau 1 (pontuação de
Gleason 3+3)
• Grupo de grau 2 (pontuação de
Gleason 3+4)
• Grupo de grau 3 (pontuação de
Gleason 4+3)
• Grupo de grau 4 (pontuação de
Gleason 4+4, 3+5 ou 5+3)
• Grupo de grau 5 (pontuação de
Gleason 4+5, 5+4 ou 5+5)
Estudos de imagem (cintilografia óssea
com radionuclídeos, tomografia
computadorizada [TC] de abdome e
pelve, ressonância magnética
multiparamétrica [RM]) são usados
seletivamente para avaliar extensão
extraprostática, adenopatia regional ou
metástases à distância, dependendo do
estadiamento clínico inicial e da
estimativa de risco.
Os pacientes com escore de Gleason de
8 a 10 (grupo de grau 4 ou 5) são
classificados como de risco muito alto.
Esses pacientes apresentam alto risco
de envolvimento dos linfonodos e todos
devem ser submetidos a exames de
imagem da pelve como a tomografia
computadorizada [TC] ou ressonância
magnética [RM] antes do tratamento.
Visto isso, vamos analisar as
alternativas.
Alternativa A - Correta: Como foi dito
no texto, os pacientes com escore de
Gleason de 8 a 10 (grupo de grau 4 ou 5)
são classificados como de risco muito
alto. Esses pacientes apresentam alto
risco de envolvimento dos linfonodos e
todos devem ser submetidos a exames
de imagem da pelve como a tomografia
computadorizada [TC] ou ressonância
magnética [RM] antes do tratamento.
Alternativa B, C e D - Incorreta: Com a
presença do laudo de adenocarcinoma,
não se faz necessário realizar uma nova
biópsia. E o rastreio com o PSA não leva
em nada, pacientes com
adenocarcinoma devem iniciar o
tratamento o quanto antes.
97. Uma paciente com 40 anos de idade
procura a Unidade Básica de Saúde com
ferimento cortocontuso de 7 cm de
extensão na face anterior da coxa
direita, de bordas regulares,
acometendo pele, tecido subcutâneo e
musculatura, causado por vidro. O
sangramento local é de pequena
monta. Informa reforço de vacina
antitetânica há 1 ano.
Após antissepsia local, bloqueio
anestésico e limpeza da ferida, tendo-
se constatado que não há corpos
estranhos, deve-se realizar o reparo da
ferida com
A) fio absorvível 3-0 para a musculatura,
fio absorvível 3-0 para o tecido celular
subcutâneo e fio não absorvível 3-0 para
a pele.
B) fio absorvível 5-0 para a musculatura,
fio absorvível 5-0 para o tecido celular
subcutâneo e fio absorvível 4-0 para a
pele.
C) fio não absorvível 3-0 para a
musculatura, fio não absorvível 3-0 para
o tecido celular subcutâneo e fio não
absorvível 3-0 para a pele.
D) fio não absorvível 5-0 para a
musculatura, fio não absorvível 5-0 para
o tecido celular subcutâneo e fio não
absorvível 4-0 para a pele.
CCQ: Saber que via de regra na sutura
da musculatura e tecido celular
subcutâneo utilizamos fios
absorvíveis e para a pele fios não
absorvíveis
Caro aluno Aristo, essa questão aborda
um tema que temos pouco contato,
mas que pode te render um ponto extra
importante nas provas. Topa revisar
com a gente?
Os fios de sutura podem ser
classificados de várias formas. A
principal delas é quanto a absorção pelo
organismo:
• Absorvíveis: Catgute, Vicryl
(Ácido Poliglicólico), Monocryl;
• Não absorvíveis: Nylon,
Polipropileno, Seda e Algodão.
Como regra geral, em regiões
profundas e cavidades usamos os fios
absorvíveis (pois não realizaremos a
retirada dos fios depois). Já em regiões
superficiais, como a pele, utilizamos
fios não absorvíveis! Mas lembre-se
que quando fazemos suturas
intradérmicas na pele utilizados fios
absorvíveis (Monocryl).
Um outro ponto que eventualmente
causa dúvidas é o tamanho dos fios.
Lembre-se que quanto maior o
número de zeros um fio possui, menor
é o seu diâmetro. Ou seja, um fio 3-0 é
mais grosso que um fio 5-0, por
exemplo! O fio mononylon 3-0 é o mais
comumente utilizado para pele, sendo
útil para a maior parte do organismo.
Um fio 5-0, por sua vez, é mais utilizado
em locais delicados como pálpebras e
supercílio!
Agora que já revisamos isso vamos
procurar uma alternativa correta?
Um algo a mais: O fio de aço é o fio com
maior força tênsil dentre todos!
Alternativa A - Correta: Isso mesmo!
Utilizamos fios absorvíveis para
musculatura e tecido celular
subcutâneo e fio não absorvível para a
pele. Essa é a regra geral!
Alternativa B - Incorreta: Fios
absorvíveis até podem ser utilizados
para a sutura de pele, mas isso é restrito
para regiões delicadas e tipos especiais
de sutura. No caso da paciente trazida
pela banca temos um ferimento grande
na região da coxa e por isso a sutura
com fio não absorvível 3-0 (como o
nylon) é o mais indicado!
Alternativa C e D - Incorretas:
Utilizamos fio absorvível para a
musculatura e tecido celular
subcutâneo!
98. Uma criança do sexo masculino
com 10 meses de idade, previamente
hígida, comparece à unidade de pronto
atendimento com quadro de diarreia e
vômitos há 2 dias, e oligúria há 1 dia,
segundo relato da mãe. Ao exame
físico, apresenta frequência respiratória
= 55 incursões respiratórias por minuto,
saturometria de 98%; auscultas
cardíaca e respiratória sem alterações;
frequência cardíaca = 140 batimentos
por minuto; pressão arterial adequada;
ausência de edema. Os exames
laboratoriais mostram: sódio = 128
mEq/l, K = 4,8 mEq/l, bicarbonato = 13
mEq/l, ureia = 62 mg/dl, creatinina = 1,4
mg/dl, fração de excreção de sódio <
1%.
Diante desse quadro, a conduta
imediata mais adequada em relação ao
paciente, após medidas de suporte e
acesso venoso, é solicitar
A) expansão volêmica endovenosa com
cloreto de sódio (NaCl) a 0,9%.
B) aplicação endovenosa de
bicarbonato de sódio a 8,4%.
C) realização de tratamento de
substituição renal.
D) aplicação endovenosa de
furosemida.
CCQ: Saber que a desidratação por
GEA pode levar a insuficiência renal
pré renal
Olá, pessoal! Temos aqui uma questão
que aborda uma criança com
gastroenterite para avaliarmos o grau
de hidratação e definirmos a conduta.
Lembram dos Planos A, B e C do
Ministério da Saúde do estado de
hidratação do paciente? Não deixem
de revisá-lo!
Frente a uma criança com diarreia e/ou
vômitos temos que avaliar o grau de
hidratação. E como fazer isso? Avaliar:
• estado geral (ativo, alerta,
irritado ou comatoso);
• os olhos (normais, fundos ou
muito fundos e secos);
• as lágrimas (presentes,
reduzidas ou ausentes);• a sede (bebe normal e sem sede,
sedento ou incapaz de beber);
• o sinal da prega (desaparece
rapidamente, desaparece
lentamente ou desaparece
muito lentamente);
• o pulso (cheio, rápido e fraco ou
muito fraco ou ausente).
Assim, definimos se o paciente está
hidratado ou desidratado e qual o grau
dessa desidratação.
Bom, e como se encontra nosso
paciente? É relatado um lactente de 10
meses, com diarreia e vômitos há dois
dias. Ele apresenta-se com oligúria
(sinal de alerta!), taquicardia (mais um
sinal de desidratação) e alterações
laboratoriais que mostram
comprimetimento renal:
hiponatremia, queda do bicarbonato
(acidose metabólica) e aumento da
cretinina.
• Diante desse cenário, podemos
concluir que nosso paciente
evoluiu com um insuficiência
renal aguda pré renal
decorrente a hipovolemia pela
desidratação.
• Devemos indicar reposição
volêmica com soro fisiológico
0,9%, manter fluidos de
reposição e reposição de perdas.
Manter também o
acompanhamento dos níveis
séricos de Na.
Vamos às alternativas:
Alternativa A - Correta: Exatamente
como discutimos acima.
Alternativa B - Incorreta: Nesse
momento inicial não devemos repor o
bicarbonato. Apenas o manejo com
soroterapia. Indica-se sua reposição em
casos extremos, de pH < 6,9.
Alternativa C - Incorreta: Situação
extrema em que as medidas iniciais não
foram efetivas.
Alternativa D - Incorreta: A furosemida
ia acarretar em mais alterações iônicas.
99. Uma primigesta com 24 anos
comparece à consulta médica de rotina
de pré-natal com 38 semanas. Relata
dores em cólica associadas às
contrações uterinas. No exame
obstétrico, apresentou dinâmica
uterina positiva e, após as manobras de
Leopold, notou-se o dorso à direita,
com polo cefálico na pelve, conforme
figura a seguir.
A partir dessas informações, a situação,
apresentação e posição do feto são,
respectivamente:
A) situação cefálica, apresentação
longitudinal, variedade de posição
occípito-esquerda-posterior.
B) situação cefálica, apresentação
longitudinal, variedade de posição
occípito-direita-posterior.
C) situação longitudinal, apresentação
cefálica, variedade de posição occípito-
direita-posterior.
D) situação longitudinal, apresentação
cefálica, variedade de posição naso-
esquerda-anterior.
CCQ: Saber que um polo cefálico na
pelve implica necessariamente em
apresentação cefálica e situação
longitudinal e que dorso à direita
implica em variedade occípito-direita
Olá Aluno! Aqui estamos frente a uma
questão que nos cobra o conhecimento
da topografia do feto dentro do útero
de acordo com vários aspectos. Vamos
conversar sobre isso?
No que tange a situação fetal, nós
podemos ter uma situação transversa,
longitudinal ou oblíqua. Observe:
Visto a situação, veremos a
apresentação. Na situação longitudinal,
podemos ter a apresentação cefálica
ou pélvica, assim como na oblíqua,
que tende a se tornar longitudinal. A
situação transversa possui uma
apresentação córmica.
*Fonte das duas imagens:
www.medpri.me.
A variedade de posição é algo mais
complexo. Possui diversas variações e é
mais precisamente analisada no toque
vaginal, porém, o dorso fetal e o
occipício devem estardo mesmo lado;
portanto, uma palpação do dorso
fetal nos dá uma ideia verossímil de
onde está o occipício e portanto nos
oferece uma noção da variedade de
posição.
Dito isso, vamos às alternativas!
Alternativa A - Incorreta: Não existe
situação cefálica.
Alternativa B - Incorreta: Não existe
situação cefálica.
Alternativa C - Correta: Perfeito! Se o
polo cefálico está na pelve,
necessariamente é uma situação
longitudinal e apresentação cefálica. Se
o dorso está a direita, o occipício fetal
também está.
Alternativa D - Incorreta: Por
padronização, o ponto de referência
para variedade de posição é o occipício,
não existindo variedade naso-esquerda.
100. Uma mulher com 32 anos de idade
comparece à consulta médica
agendada na Unidade Básica de Saúde
levando o resultado de exame
citopatológico do colo uterino coletado
há 1 mês. A paciente, muito nervosa,
confessa que havia lido o resultado do
exame e que pesquisou na internet
sobre o tema. Ressaltou que segue
corretamente às orientações do seu
médico e que, aos 29 anos de idade,
realizou o mesmo exame, com
resultado normal. O resultado do
exame citopatológico do colo uterino
realizado no último mês apresentou
amostra satisfatória,
representatividade da junção escamo
colunar, presença de células escamosas
e glandulares e presença de ASCUS -
(células escamosas atípicas de
significado indeterminado).
Considerando o caso apresentado, após
explicar à paciente que há presença de
um exame com alteração, o médico de
família deve
A) repetir o exame citopatológico do
colo uterino no momento da consulta.
B) solicitar novo exame citopatológico
do colo uterino em 12 meses e, caso a
alteração permaneça, avaliar indicação
de cirurgia.
C) encaminhar a paciente para o serviço
especializado de Ginecologia para
realização de um novo exame mais
detalhado, a colposcopia.
D) solicitar novo exame citopatológico
do colo uterino em 6 meses e, caso a
alteração permaneça, solicitar a
realização de um exame mais
detalhado, a colposcopia.
CCQ: Saber que, diante de achado de
células escamosas atípicas de
significado indeterminado (ASC-US)
https://medpri.me/upload/texto/texto-aula-759.html
em citopatológico de paciente ≥ 30
anos, o exame deve ser repetido em 6
meses
E aí, pessoal! Tudo tranquilo? Questão
que exige conhecimento sobre os
achados do citopatológico e,
consequentemente, a conduta diante
deles. A banca nos traz uma paciente de
32 anos com achado de ASC-US no
exame de rastreamento para câncer de
colo uterino e questiona sobre a
conduta correta. Esse é um tema muito
frequente nas provas! Sendo assim,
vamos revisar com atenção:
De acordo com o Ministério da Saúde, o
exame citopatológico é o método de
rastreamento do câncer do colo do
útero e de suas lesões precursoras,
devendo o início da coleta ser aos 25
anos e seguir até os 64 anos de idade. Os
dois primeiros exames devem ser
realizados com intervalo anual e, se
ambos os resultados forem negativos,
os próximos devem ser realizados a
cada 3 anos.
Para facilitar, faremos o pensamento
inverso nesse caso! De todos os achados
alterados no exame, aqueles que NÃO
serão encaminhados diretamente à
colposcopia são apenas dois: o achado
de células escamosas atípicas de
significado indeterminado possivelmente
não neoplásicas (ASC-US) e de lesão de
baixo grau (LSIL). Qualquer achado
alterado diferente disso será
encaminhado diretamente à
colposcopia.
A conduta diante de um achado de
atipia de células escamosas de
significado indeterminado (ASC-US) no
exame citopatológico varia de acordo
com a idade da paciente:
• Em mulheres < 25 anos,
devemos repetir o exame em 3
anos;
• Entre 25 e 29 anos, a citologia
deve ser repetida em 12 meses;
• Já em pacientes ≥ 30 anos, a
citologia deve ser repetida em 6
meses.
Vamos analisar cada alternativa:
Alternativa A - Incorreta: Não há
indicação de repetir o exame
citopatológico no momento da
consulta. A indicação é de que seja
repetido em 6 meses.
Alternativa B - Incorreta: A repetição
do exame em 12 meses estaria correta
se a paciente estivesse na faixa etária
entre 25 a 29 anos.
Alternativa C - Incorreta: Como vimos,
os achados de ASC-US e LSIL não
possuem indicação de colposcopia
imediatamente.
Alternativa D - Correta: A conduta
correta diante de achado de ASC-US
em paciente com 30 anos ou mais é
repetir o exame em 6 meses. A
colposcopia dependerá do resultado do
segundo exame.