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APOSTILA_parte_24

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PÁGINA 47
SAIBA MAIS
enclausurados, não mais por caridade ou repressão, mas por um imperativo 
terapêutico”. (Amarante, 2007, pg. 35). Assim, os hospitais psiquiátricos, 
regidos por convicções higienistas, aproximam-se das instituições carcerárias, 
ao operarem uma função punitva e segregadora, fundamentada na vigilância 
e disciplina, de tal modo que o manejo terapêutico para aqueles que não 
apresentam “bom comportamento” envolve, não raro, sessões de eletrochoque 
com altíssima potência, “privações, reduções de alimentos, reclusão solitária, 
controle de força e banhos de emborcação”. (Amarante, 2008, pg 61 e 62). 
Considerações finais
Fica claro, portanto, que no decorrer da história, pessoas que não 
apresentavam o comportamento esperado pela sociedade, eram tidas como 
“loucas”, e atreladas a elas a noção de periculosidade. Assim, na Idade 
Média, período fundamentado nas crenças míticas-religiosas, tais sujeitos, 
acometidos por uma doença mental, eram castigados, sob a justificativa de 
estavam possuídos por demônios. Com o advento, então da racionalidade, 
supostamente estas pessoas deixaram de sofrer graves violações de direitos, e 
passaram a ser internadas em hospitais para que pudessem melhorar.
Todavia, a realidade dos manicômios modernos é muito mais assustadora. 
Permanecem as punições e terapêuticas dolorosas, como sessão de 
eletrochoque, contenção em “camisa de força”, e aprisionamento sem 
“solitárias”. Além disso, tendo em vista todo este contexto de violência, aliado 
a um tratamento medicamentoso descontrolado, que mantinha os pacientes 
“dopados” na maior parte do tempo, as pessoas que entravam em hospitais 
psiquiátricos para tratar sua patologia, nunca mais saíam, ou saíam com um 
estado mais agravado do que quando entraram.
Sigmund Freud, foi um médico neurologista que, ao se deparar em seu 
consultório com mulheres histéricas, intrigou-se com as terapêuticas aplicadas 
na época que incluíam, dentre outras, banho de água de fria. O médico então, 
intrigou-se ao perceber que os sintomas histéricos podiam não ter uma origem 
física, mas sim psicológica, ou seja, sintomas como paralisia de membros, 
cegueira e desmaios, poderiam ser decorrentes de um conflito psicológico 
não resolvido. A partir disso, então, ele criou o método da Psicanálise, sendo 
considerada a cura pela palavra.
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REFLITA
Frase para reflexão em sala:
“De perto ninguém é normal” (Caetano Veloso)
“Alô, alô, marciano, Aqui quem fala é da Terra, pra variar estamos em guerra, 
você não imagina a loucura, o ser humano tá na maior fissura porque, tá cada 
vez mais down the high society” (Ellis Regina)
“Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal, e fazer tudo igual, eu 
do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real”. (Raul 
Seixas)

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