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INSTRUMENTO AUXILIAR HARMÔNICO III - VIOLÃO Prezado(a) aluno(a), No mundo atual, a performance e a apresentação são fundamentais para o sucesso em diversas áreas. A performance refere-se à execução eficiente de tarefas, enquanto a apresentação envolve a comunicação eficaz desses resultados. No ambiente profissional, uma boa performance, aliada a uma apresentação clara e impactante, é essencial para o reconhecimento e o sucesso. No campo artístico, a performance e a apresentação são indissociáveis, logo, nesta aula serão criadas experiências envolventes para o público. Assim, aprimorar essas habilidades é importante para destacar-se e alcançar objetivos em qualquer contexto. Bons estudos! AULA 8 – PERFORMANCE E APRESENTAÇÃO 8 PERFORMANCE E APRESENTAÇÃO No mundo contemporâneo, onde a competitividade e a inovação são constantes, a performance e a apresentação tornaram-se aspectos vitais para o sucesso em diversas esferas da vida, desde o ambiente corporativo até o artístico. A performance pode ser entendida como a execução eficiente e eficaz de tarefas ou atividades, enquanto a apresentação se refere à maneira como essa execução é exibida ou comunicada a uma audiência. Ambas são interdependentes e influenciam significativamente a percepção e o impacto de indivíduos e organizações (SEIBERT, 2010). No contexto profissional, a performance está diretamente ligada à produtividade e à qualidade do trabalho realizado. Profissionais que demonstram alta performance são frequentemente aqueles que atingem ou superam metas, entregam resultados consistentes e exibem habilidades técnicas e comportamentais sólidas. No entanto, a performance isolada pode não ser suficiente. A maneira como os resultados são apresentados – seja em relatórios, reuniões, apresentações orais ou visuais – pode determinar a aceitação e o reconhecimento do trabalho realizado. Em ambientes artísticos, a performance assume um caráter ainda mais explícito, sendo a própria essência de muitas expressões culturais. Artistas, músicos, atores e dançarinos utilizam suas habilidades para criar experiências que envolvem e emocionam o público. A apresentação, neste caso, não é apenas um veículo para a performance, mas uma parte integral da experiência artística, onde cada detalhe, desde a iluminação até a expressão corporal, contribui para o impacto final (SEIBERT, 2010). Compreender e aprimorar tanto a performance quanto a apresentação é fundamental para qualquer indivíduo ou organização que busca destacar-se e alcançar seus objetivos. Investir no desenvolvimento dessas habilidades pode resultar em maior eficácia, reconhecimento e sucesso em múltiplos contextos. Toda comunicação e todas as formas artísticas são inerentemente dialógicas. Músicos sempre participaram do diálogo musical, e estudiosos da música têm se concentrado nos aspectos dialógicos desse campo. Tradicionalmente, análises musicológicas e críticas musicais examinam como obras ou interpretações são influenciadas por predecessores e pelo contexto contemporâneo, refletindo uma investigação do dialogismo. A etnomusicologia, por sua vez, foca na interação humana durante a performance e no significado do fazer musical na vida cotidiana (SEIBERT, 2010). Nos últimos dez a quinze anos, o uso do termo "dialogismo" na pesquisa musicológica tem crescido, refletindo um interesse renovado em fatores dialógicos tanto musicais quanto extramusicais na criação e interpretação musical. Esta mudança de foco inclui uma visão democrática e igualitária das obras artísticas independentes, substituindo a mentalidade hierárquica tradicional de influência entre gerações (KLEIN, 2005, p. 11-12). Estudos notáveis que empregam os conceitos de dialogismo, polifonia discursiva ou intertextualidade incluem “Beyond Privileged Contexts: Intertextuality, Influence, and Dialogue” (KORSYN, 1999/2001), “Expressões da paródia: polifonia em Carmina Burana” (LANNA, 2002) e Intertextuality in Western art music (KLEIN, 2005). A pesquisa em performance musical, disponível no Google Acadêmico e nas compilações de Rink, como The practice of performance: studies in musical interpretation (1995) e Musical performance: a guide to understanding (2002), abrange diversos aspectos: a relação entre partitura e performance, o papel da análise na preparação para a performance, interpretações de repertórios específicos, práticas históricas de performance, a psicologia da performance, análises de performances gravadas e a percepção da performance. Pesquisas na internet sobre o sucesso da performance musical incluem estudos em educação musical e análise de gravações, buscando critérios objetivos para medir o sucesso de uma performance. Também há material sobre gerenciamento de carreiras na música e negócios no setor artístico e de entretenimento. No entanto, há poucos resultados sobre o sucesso da comunicação entre músico e ouvinte, devido à subjetividade na interpretação da performance musical pelo público (SEIBERT, 2010). A variedade de pesquisas sobre performance musical disponíveis no Google Acadêmico e em compilações como "The Practice of Performance: Studies in Musical Interpretation" (RINK, 1995) e "Musical Performance: A Guide to Understanding" (RINK, 2002) abrange vários aspectos: a relação entre partitura e execução, o papel da análise na preparação para a performance, interpretações de repertórios específicos, práticas históricas de execução, a psicologia da performance e do estudo para performance, análises de performances gravadas e a percepção da execução musical. Pesquisas on-line sobre o sucesso da performance musical frequentemente incluem estudos sobre educação musical e análise de gravações, buscando critérios objetivos para avaliar a qualidade de uma performance. Também são encontrados recursos sobre gestão de carreira musical e negócios nas artes e na indústria do entretenimento, além de referências ao sucesso comercial de shows, concertos e álbuns. No entanto, há uma escassez de estudos sobre o sucesso da comunicação entre músico e público, devido à interpretação subjetiva da performance musical pelos ouvintes. 8.1 Dialogismo no discurso verbal e além: como uma performance musical comunica Para estudar o dialogismo na performance musical, parte-se do pressuposto de que a música é uma forma de comunicação na sociedade humana, embora, conforme Merriam (1964, p. 223), não esteja claro o que, como ou para quem a música comunica. Conceitos de linguagem, idioma e dialeto, assim como outros conceitos linguísticos e semióticos, são extremamente úteis, embora imperfeitos, quando aplicados à música. Após considerações preliminares sobre o estudo das linguagens orais, escritas e musicais em uso e contexto, o raciocínio neste capítulo avança do enunciado breve do discurso verbal cotidiano, ao texto literário, culminando na obra artística não verbal. Estas três formas de enunciado são compreendidas como ato, atividade, acontecimento ou evento, e não como objetos reificados e imutáveis. Essa progressão de pensamento esclarece tanto o aspecto performativo da comunicação verbal quanto o fato de que uma performance musical é uma obra de arte, seja uma performance improvisada, onde o autor executa a performance enquanto compõe, ou uma performance onde o músico interpreta uma composição pré-existente (SEIBERT, 2010). Há um nível de dialogismo além dos verbais e não verbais: o do ser humano em sociedade. É importante abordar este nível, pois, como será explorado como os outros pensadores chegaram a conclusões semelhantes sobre a performance musical a partir desse plano, seguindo um caminho inverso. Brincar com a linguagem não verbal é uma habilidade presente em filhotesde animais e em seres humanos de todas as idades. Atores e políticos, em particular, são muito proficientes no uso dessa linguagem. Essa brincadeira envolve retirar a comunicação de seu contexto usual para explorar relações ou conjuntos de relações sem a necessidade de se comprometer com elas (SMALL, 1998, p. 63). Tanto a brincadeira quanto o ritual permitem a afirmação e a exploração das relações entre seres humanos e entre humanos e "o padrão que liga". Apesar da relevância das linguagens não verbais, a linguagem verbal, tanto oral quanto escrita, tem uma importância especial para os seres humanos. A verbalização permite a expressão precisa de significados, intensifica o diálogo e possibilita uma visão crítica das relações. No entanto, a linguagem verbal também pode ser imprecisa, artística, ambígua e confusa. 8.2 A interação humana no discurso artístico não verbal: os significados do fazer musical Para explorar respostas satisfatórias às perguntas centrais desta pesquisa – o que uma performance musical comunica e como se define uma performance bem- sucedida – foi consultado o livro "Musicking: the Meanings of Performing and Listening" de Christopher Small (1998). Através do estudo da teoria da mente do antropólogo Gregory Bateson (1904-1980) e da etnomusicologia de John Blacking, Small chegou a conclusões sobre a função da performance musical na vida que são semelhantes às inspiradas no dialogismo de Bakhtin. Christopher Small, um compositor, pianista, educador e musicólogo que fez carreira em Londres, graduou-se em zoologia na Nova Zelândia. Ele começou a desenvolver suas ideias sobre os significados da performance musical ao ler as obras de Gregory Bateson. Bateson, em suas experiências como biólogo e observador das culturas, identificou padrões de relações dentro de seres vivos individuais, entre seres vivos (tanto da mesma espécie quanto de espécies diferentes) e entre os seres vivos e seu ambiente (BATESON, 1986 [1979], p. 17-19). As ideias de Bateson ressoaram com as experiências e observações de Small (1998), que percebeu como o fazer musical fazia parte dos padrões de relações na vida. Baseado no conceito de mente, Small (1998, p. 52) explica que, desde aproximadamente 1970, pesquisas de neurologistas e neurobiologistas descartaram o dualismo cartesiano entre substância e mente, apoiando a ideia de que a mente é um processo vital inseparável da substância do organismo. Em concordância com a visão de Bateson, a mente, de alguma forma, participa do funcionamento de todas as criaturas vivas. A interpretação da informação depende tanto das predisposições herdadas quanto das experiências anteriores do organismo. Em criaturas mais simples, a genética determina as respostas. Em organismos mais complexos, as experiências têm um papel cada vez maior na formação das respostas. Como as experiências individuais variam, as reações ao mesmo estímulo diferem entre os membros da mesma espécie. Além disso, o mesmo indivíduo pode reagir de maneira diferente ao mesmo estímulo dependendo do tempo e do lugar, o que está em consonância com a visão de Bakhtin de que as relações dialógicas de cada indivíduo são únicas e dependem do contexto para a interpretação dos estímulos. Assim, Small (1998, p. 55) define o conhecimento como a relação entre o conhecedor e o conhecido. Toda criatura viva precisa perceber e comunicar relações para poder responder adequadamente. “É predador, por exemplo, é presa, é prole ou parceiro em potencial? E, portanto, deve fugir, ou atacar, ou nutrir, ou acasalar com ele?” (SMALL, 1998, p. 56). As artes não verbais possuem uma capacidade única para comunicar complexos de relações em comparação com as artes verbais. Small (1998, p. 58) observa que as palavras lidam com uma ideia de cada vez, um processo que pode ser lento para representar relações complexas. Ele contrasta essa visão com a de Bakhtin, que argumenta que enunciados verbais, mesmo os mais simples, como uma palavra falada, comunicam um conjunto complexo de relações entre locutor, ouvinte, contexto e a relação suposta ou antecipada entre o ouvinte e o objeto. Enunciados verbais mais elaborados, como poesia, discursos políticos ou contratos comerciais, podem efetivamente transmitir essas relações complexas (SEIBERT, 2010). Small (1998) parece sugerir que a prosa falada ou escrita, ao apresentar uma sequência linear de ideias ao longo do tempo, pode ser mais lenta em representar complexos de relações, ao contrário de formas artísticas que utilizam gestos, como dança, pintura ou música. Essas formas artísticas gestuais conseguem comunicar quase que instantaneamente um conjunto complexo de relações. A comunicação gestual em animais é direta e concreta, onde gestos como ameaçar um ataque são uma representação direta da relação do organismo com o outro. Os gestos humanos, assim como os enunciados verbais, dependem da participação ativa dos presentes e do contexto para seu significado. Formas de arte como dança, artes plásticas e teatro usam linguagem gestual para criar textos gestuais que podem complementar, enriquecer ou contradizer discursos verbais na comunicação artística (SEIBERT, 2010). A percepção do discurso gestual, especialmente na performance artística, envolve as emoções do participante, assim como ocorre na percepção do discurso verbal. Este tipo de percepção engloba o corpo em uma experiência multissensorial, proporcionando uma vivência temporária das relações representadas pelo discurso. Geralmente, a percepção das relações no discurso gestual é menos racionalizada do que no verbal. Por exemplo, muitas pessoas são inconscientes da comunicação paraverbal que percebem, entendendo expressões faciais e gestos sem estar plenamente conscientes de que estão interpretando sinais e recebendo informações por meio de uma linguagem não verbal. Ao refletir sobre um diálogo oral, é possível que alguém duvide da precisão das informações captadas, especialmente se não reconhecer as características não verbais dos enunciados (SEIBERT, 2010). As funções das artes não verbais incluem o escapismo do pensamento racional e a sugestão de visões de mundo para propósitos manipuladores ou terapêuticos, funções que se assemelham a algumas das funções da música identificadas por Merriam (1964, p. 219-226): expressão emocional, imposição de conformidade às normas sociais e contribuição para a integração na sociedade. Embora as linguagens não verbais sejam importantes para a comunicação humana, não se pode subestimar o papel vital da linguagem verbal, seja oral ou escrita. A verbalização permite expressar significados com precisão, intensifica o diálogo e possibilita uma análise crítica das relações. No entanto, assim como as linguagens não verbais, a linguagem verbal pode ser igualmente imprecisa, artística, ambígua e confusa. Na discussão sobre interação através do discurso não verbal, Small (1998) explora um tipo de comportamento em que os seres humanos expressam, exploram e celebram suas ideias sobre as relações cósmicas e humanas usando linguagem gestual: o ritual. Os rituais são fenômenos complexos, e neste capítulo, ele foca em elementos rituais que ajudam a elucidar aspectos da performance musical. Small (1998) esclarece que não usa o termo "ritualizado" de forma pejorativa, como é comum em inglês para descrever ações que se repetem tantas vezes que perdem seu significado original, parecendo vazias ou falsas. Ele argumenta que o uso pejorativo dessa palavra reflete uma falta de compreensão empática do significado ritual. Os rituais são formas de compartilhar ideias sobre como as pessoas devem se relacionar, o que define uma comunidade. As emoções evocadas pela performance musical, as impressões das relações entre os participantes e os sons, são sinais de que a performance está estabelecendo conexõesque os participantes consideram positivas ou ideais durante o evento. Participar de uma performance "boa" é motivo de alegria, pois permite ao participante se alinhar com um padrão social ou cósmico que considera correto. A ausência de resposta emocional ou uma resposta predominantemente negativa indica que a performance está construindo relações não desejadas. Segundo Small (1998, p. 184), uma performance musical estabelece relações tanto entre os sons criados pelos músicos, seja de forma espontânea ou seguindo diretrizes, quanto entre as pessoas que participam. Em seu livro "Musicking", Small explora detalhadamente essas dinâmicas em capítulos como "Harmonia, harmonia celestial" e subsequentes, enfatizando a interdependência entre as relações sonoras e humanas. Ele observa que a exploração e a afirmação das relações ideais durante uma performance podem não ser conscientes e raramente são verbalizadas durante ou após o evento (Small, 1998, p. 142). Embora muitas performances busquem satisfazer os participantes ao representar relacionamentos ideais, essa representação nem sempre é simples recriação das relações existentes. Pode incluir elementos de ironia ou sátira cômica, onde o artista representa relações não desejadas para destacar e finalmente reafirmar as desejadas. A caracterização das relações pode ser ambígua ou até insidiosa, transmitindo mensagens contraditórias. Essas representações, implícitas ou explícitas, podem ter efeitos terapêuticos ao permitir a vivência de emoções contrastantes típicas das respostas às relações humanas, ou podem ser perturbadoras, despertando a consciência do ouvinte ou deixando-o confuso diante das emoções conflitantes que experimenta. A análise de performance e apresentação revela a complexidade das interações comunicativas através das artes, sejam elas verbais ou não verbais. A performance musical, por exemplo, não apenas transmite informações musicais, mas também comunica relações e significados que transcendem as palavras. Este estudo sublinhou a importância do contexto, tanto histórico quanto cultural, na interpretação e na recepção das performances artísticas. Além disso, foi explorado como o dialogismo, tanto verbal quanto gestual, pois propicia uma missão relevante na compreensão das performances. A intertextualidade e o uso de elementos não verbais enriquecem a experiência estética, permitindo uma maior profundidade na expressão artística. Da mesma forma, a percepção das relações implícitas nas performances gestuais e verbais ilustra a capacidade das artes de transcenderem fronteiras linguísticas e culturais. Ao considerar a diversidade de abordagens e interpretações nas performances musicais e artísticas em geral, fica evidente que essas formas de expressão não se limitam à mera apresentação, mas são veículos poderosos de comunicação humana, capazes de evocar emoções, provocar reflexões e promover uma maior compreensão entre indivíduos e comunidades. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BATESON, G. Mente e natureza: a unidade necessária. Rio de Janeiro: F. Alves, 235 p. 1986 [1979]. KLEIN, M. L. Intertextuality in Western art music. Bloomington e Indianapolis: Indiana University, 182 p. (Musical Meaning and Interpretation), 2005. KORSYN, K. Beyond privileged contexts: intertextuality, influence, and dialogue. IN: COOK, Nicholas; EVERIST, Mark (eds.). Rethinking music. Oxford: Oxford University, p. 55-72, 1999. LANNA, O. Expressões da paródia: polifonia em Carmina Burana. In: MACHADO, Ida Lúcia, MARI, Hugo, MELLO, Renato de (orgs.). Ensaios em análise do discurso. 1 ed. Belo Horizonte: Faculdade de Letras, 2002. v. 5, p. 75-86. MERRIAM, A. P. Uses and functions. IN: The anthropology of music. Evanston: Northwestern University, p. 209-227, 1964. RINK , J. Playing in time: rhythm, metre and tempo in Brahms‟s Fantasien Op. 116. IN: The practice of performance: studies in musical interpretation. Cambridge: Cambridge University Press, p. 254-282, 1995. RINK, J. Analysis and (or?) performance. IN: Musical performance: a guide to understanding. Cambridge: Cambridge University, 2002. p. 35-58 SEIBERT, C. J. A performance musical como interação: dialogismo, significados e sucesso. Escola de Música da UFMG. Belo Horizonte, 2010. SMALL, C. Musicking: the meanings of performance and listening. Middletown: Wesleyan University, 238 p. 1998.