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INSTRUMENTO AUXILIAR HARMÔNICO III - VIOLÃO Prezado(a) aluno(a), A prática de conjunto e a colaboração são essenciais na música, integrando habilidades técnicas e interpessoais para criar performances coesas e impactantes. A prática de conjunto envolve escuta ativa, sincronização rítmica e afinidade musical, garantindo que os músicos toquem de maneira harmoniosa. A colaboração, por sua vez, destaca a importância da comunicação, empatia e criatividade coletiva, permitindo a troca de ideias e a exploração de novas interpretações. Juntas, essas práticas não apenas aprimoram a performance musical, mas também desenvolvem habilidades sociais valiosas, fortalecem laços entre os músicos e proporcionam uma experiência artística rica e compartilhada. Nesta aula serão praticados o conjunto e a colaboração os quais são fundamentais para alcançar excelência musical e criar momentos memoráveis para músicos e audiência. Bons estudos! AULA 7 – PRÁTICA DE CONJUNTO E COLABORAÇÃO 7 PRÁTICA DE CONJUNTO E COLABORAÇÃO A prática de conjunto e a colaboração são pilares fundamentais na construção de uma experiência musical rica e significativa. Em um ambiente onde músicos se reúnem para criar, interpretar e aperfeiçoar performances, a dinâmica coletiva propicia uma missão relevante no sucesso do grupo. A prática de conjunto exige habilidades técnicas individuais e também demanda um profundo senso de cooperação, comunicação eficaz e compreensão mútua entre os participantes. Ao trabalhar em conjunto, os músicos aprendem a ouvir uns aos outros, a ajustar suas próprias contribuições para se harmonizarem com o grupo, e a desenvolver um senso de timing e ritmo que é essencial para uma performance coesa. A colaboração, por sua vez, incentiva a troca de ideias e a exploração criativa, permitindo que o grupo explore novos arranjos, estilos e interpretações musicais (KRAMBECK, 2019). Além dos benefícios musicais, a prática de conjunto e a colaboração promovem habilidades sociais e emocionais valiosas. Através do trabalho em equipe, os participantes desenvolvem empatia, respeito pelas diferentes perspectivas e a capacidade de resolver conflitos de maneira construtiva. Essas experiências colaborativas não só enriquecem a performance musical, mas também contribuem para o crescimento pessoal e profissional dos músicos envolvidos. A prática de conjunto e a colaboração são essenciais para o desenvolvimento de músicos completos e preparados para enfrentar os desafios e as oportunidades do mundo musical. Através da união de talentos e da busca por um objetivo comum, os grupos musicais podem alcançar níveis elevados de expressão artística e proporcionar experiências inesquecíveis tanto para os músicos quanto para o público (KRAMBECK, 2019). Promover oficinas para estimular o interesse musical de alunos do ensino fundamental, abordando conceitos básicos de melodia, harmonia e ritmo; criar repertório para eventos escolares que envolvam canto e práticas instrumentais, incentivando a inclusão dos alunos como protagonistas na comunidade escolar e na sociedade em geral; proporcionar atividades cognitivas, especialmente para apoiar alunos com dificuldades de aprendizado. A escola, sendo uma organização social, facilita diversas trocas interpessoais, tornando-se um ambiente fértil para a produção de representações sociais. Com base nessa premissa, a presente pesquisa é justificada por vários aspectos, que serão analisados a seguir. Mendes (2011) argumenta que a escola pública é o espaço formal mais propício para democratizar a difusão de conhecimentos produzidos pela sociedade, possibilitando o acesso ao conhecimento musical, essencial para a formação completa do indivíduo. A leitura de autores de diversas áreas do conhecimento, com o objetivo de realizar um trabalho interdisciplinar, integrando conceitos de história, educação musical, antropologia e sociologia, associados à concepção da música como linguagem artística. Beyer (1988) em sua dissertação de Mestrado em Educação analisa a interseção entre ciência e arte. Segundo ela, a música é uma arte que transforma elementos vivos em formas vivas, mas também possui características científicas, trabalhando com fenômenos orgânicos. A pesquisa busca produzir conhecimento, reconhecendo tanto os pesquisadores quanto os alunos como sujeitos de construção subjetiva e intelectual, todos influenciados por diferentes discursos científicos e educacionais. Penna (2015) atribui à música a função de dar forma às experiências humanas e revelar vivências pessoais através da comunicação compartilhada. A música, através da percepção de melodia, harmonia e ritmo, e utilizando o elemento textual, embora muitas vezes dispensável, geralmente retrata aspectos da vida cotidiana, história, características, práticas socioculturais e modos de vida de um povo. Assim, como parte dessa cadeia interdisciplinar, a música se destaca em vários aspectos: como arte, não apenas envolve os sentidos e a percepção, mas também promove o desenvolvimento do senso estético. Como área de conhecimento, contribui para o aspecto cognitivo por meio de conteúdos teóricos e textuais, com implicações racionais e culturais. O som, matéria-prima da música, é sujeito a conceituações estéticas pela percepção musical. Fubini (2015) ressalta a importância da educação musical do ouvido, exemplificando que o homem ocidental é acostumado à hierarquização das notas (escalas, ritmos e gêneros), mas pode se adaptar a outras linguagens diferentes do sistema tonal. Essa adaptação a novas linguagens leva a reflexões sobre o senso estético, entendido como a capacidade de julgar, apreciar e aceitar determinado objeto como belo, desenvolvido a partir de critérios tecnicamente determinados. Ao envolver atividades práticas que movimentam o corpo, as experiências musicais também auxiliam na motricidade dos alunos, atenção e memória. Além disso, contribuem para aspectos psicológicos, como o autoconhecimento e a socialização. Chiarelli; Barreto (2005) observam que as atividades de musicalização permitem que a criança conheça melhor a si e facilite a comunicação com os outros. Em relação aos conteúdos, entende-se que os conhecimentos específicos dessa linguagem estão ligados à percepção musical, permitindo uma escuta consciente, capaz de perceber como os sons são organizados, sejam sucessivos ou simultâneos, a partir de suas propriedades: timbre, intensidade, altura e duração. Essa escuta consciente implica um ouvir ativo, com o objetivo de aprender, transformando a dimensão sonora em uma significação efetiva. Além das propriedades mencionadas, a escuta consciente também se relaciona com os processos de recepção, compreensão e interpretação, de maneira ativa e reativa. Bakhtin; Volochínov (2002) afirmam que a compreensão de uma enunciação permite orientar-se, relacionando as palavras de uma enunciação, onde a compreensão se torna mais precisa quanto mais numerosas forem essas interações. 7.1 Instrumentos e procedimentos da pesquisa Como preparação para a pesquisa, foi estabelecido um diálogo com a direção da escola para obter informações sobre possíveis atividades musicais realizadas na instituição. Durante essa conversa, foi informado que havia apenas um único espaço onde estavam armazenados os instrumentos da banda da escola. Observou-se que todos os instrumentos estavam sucateados e sem condições de uso, abandonados por gestões anteriores (KRAMBECK, 2019). Não havia registros de atividades envolvendo a música na escola. A única atividade relacionada à música consistia em momentos lúdicos conduzidos por professorasunidocentes, que, contudo, não possuíam habilidades musicais suficientes para proporcionar um aprendizado efetivo. Ressalta-se que essas atividades lúdico-musicais estavam essencialmente integradas aos conteúdos curriculares. As informações coletadas pelo pesquisador serviram como ponto de partida para entender o "estado" e a valorização da música na escola até o início da pesquisa. A análise dos dados coletados ao longo do estudo permitiu elaborar uma compreensão sobre a valorização da música na escola, as dificuldades de sua implementação e os desafios para sua efetivação (KRAMBECK, 2019). 7.2 Recursos Instrumentais Os recursos instrumentais disponíveis na escola incluíam 10 violões, considerados patrimônios da instituição, além de cifras e tablaturas compiladas pelo pesquisador, e o palco do auditório. Os violões estavam em excelente estado, mas foram submetidos a uma manutenção cuidadosa pelo professor/pesquisador antes do início das oficinas. As oficinas realizadas envolveram canto coral e violão. O repertório proposto pelo professor-pesquisador incluía músicas folclóricas, cirandas e populares contemporâneas, como "O Cravo Brigou com a Rosa" (Dó Maior, compasso 3/4), "Balaio" (Sol Maior, compasso 2/4), "Trem Bala" (Lá Maior, compasso 2/4), "Se Essa Rua Fosse Minha" (Lá menor, compasso 4/4) e "Aquarela" (Sol Maior, compasso 4/4). Os alunos estudam os acordes das músicas "Aquarela" e "Trem Bala", enquanto que, para as músicas "Balaio" e "O Cravo Brigou com a Rosa", foram trabalhadas apenas as melodias a partir das partituras. Para "Se Essa Rua Fosse Minha", a melodia foi estudada e executada no violão com base na tablatura. O planejamento da pesquisa na escola tratou o trabalho musical sob a forma de conteúdos procedimentais, complementados pelos conteúdos conceituais. Essa classificação dos conteúdos de aprendizagem é utilizada por Merril (1983) e adotada nos currículos oficiais, conforme Zabala (1999). Conteúdo conceitual refere-se ao "saber" e o procedimental ao "saber fazer". Krambeck (2019) define conteúdo procedimental como o caminho, processo ou operações com ordem e critérios determinados para alcançar uma meta. Coll (1986, p. 46) complementa, definindo um procedimento como "um conjunto de ações ordenadas com uma finalidade, ou seja, dirigidas para a realização de um objetivo". Ao tratar das técnicas que requerem prática, foram utilizados conteúdos procedimentais, como pizzicato, arpejo e digitação no violão. Zabala (1999, p. 9) destaca que "o domínio de uma técnica ou algoritmo não pode ser utilizado convenientemente sem o conhecimento de seu uso, associado aos seus componentes conceituais". Por isso, as técnicas foram explicadas aos alunos, juntamente com seus conceitos teóricos, como a execução de melodia, harmonia e ritmo, e sua aplicação na performance. A autora também destaca a importância da reflexão sobre os exercícios das técnicas musicais mencionadas, assim como a necessidade de relacionar os conteúdos teóricos ao uso prático em situações significativas para os participantes da pesquisa. A demonstração através de modelos e a prática orientada são essenciais, permitindo que os alunos progressivamente assumam o controle de suas ações. Para o aprendizado do violão, foram estudadas técnicas básicas como pizzicato, arpejo e digitação, que, através da prática repetitiva, desenvolvem a motricidade e fluência na execução. Zabala (1999, p. 15) afirma que "não basta realizar uma vez as ações que compõem um conteúdo procedimental. É necessário que sejam suficientes para que cada aluno as domine, o que envolve exercitar essas ações ou passos quantas vezes for preciso". Portanto, os alunos foram orientados a praticar as técnicas não apenas na aula, mas também em casa. Após desenvolverem essas técnicas básicas, passaram a estudar os acordes (harmonia) e trechos melódicos, visando a assimilação das notas no braço do instrumento. Finalmente, o repertório foi trabalhado com músicas de execução simples para aplicar todos os conhecimentos técnicos adquiridos. Para enriquecer o processo de ensino-aprendizagem da música, foram incorporadas novas tecnologias, consideradas mecanismos diferenciados e eficazes na construção de diversos conhecimentos. Vieira (2015, p. 79) observa que: “Contribuindo com o ensino da música em sala, está a inserção de novas tecnologias, [...] a conexão com a aula de música incidiu sobre as percepções mais sensíveis do aluno e acelerou o processo de aprendizagem da prática e da teoria musical.” Assim, o uso de novas tecnologias como mediação pedagógica se revela uma ferramenta ativa que facilita a aprendizagem dos alunos. No que se refere à atividade de canto, utilizou-se o mesmo repertório trabalhado com o violão. Além dos aspectos práticos, foram abordados conceitos básicos de altura, duração, intensidade e timbre, bem como melodia, harmonia e ritmo, com base no livro Teoria da Música. O repertório vocal foi trabalhado ao longo das aulas de música. Durante as atividades práticas com os participantes da pesquisa, iniciou-se com a apreciação das músicas selecionadas pelos pesquisadores. Em seguida, procedeu- se com o canto das músicas, incluindo uma atividade extra de audição e expressão. Nessa etapa, os alunos elaboraram desenhos relacionados às sensações provocadas pela audição das músicas, resultando na criação de imagens mentais. 7.3 A experimentação da mediação nas práticas musicais Focando em uma das temáticas centrais desta pesquisa, este capítulo analisa a influência da mediação no ensino musical em grupo, com Vygotsky (1991) como principal referência. Com base nas vivências musicais, propõe-se uma abordagem de ensino centrada em práticas coletivas, reconhecendo a necessidade ocasional de atenção individual para o ensino de instrumentos musicais e canto. Acredita-se que o ensino musical em grupo oferece inúmeros benefícios, como a variedade de experiências e a reflexão sobre a própria execução e a dos colegas, funcionando como um recurso de aprimoramento. Além disso, a prática em grupo permite a experiência de se apresentar em frente a um grupo entrosado de crianças que já se conhecem e se relacionam, tornando essa primeira experiência menos intimidante. A educadora musical Flávia Cruvinel também destaca outros benefícios do ensino em grupo. Segundo Cruvinel (2005, p. 80-81): O ensino em grupo possibilita uma maior interação do indivíduo com o meio e com o outro, estimula e desenvolve a independência, a liberdade, a responsabilidade, a autocompreensão, o senso crítico, a desinibição, a sociabilidade, a cooperação, a segurança, [...] desenvolve a autoestima no aluno, na medida em que assimila os conhecimentos de forma eficaz e prazerosa. A partir da interação com o grupo, o sujeito passa a conhecer mais a si próprio e o outro, trocando experiências. Na medida em que essa interação grupal ocorre, o sujeito se sente realizado por fazer parte daquele grupo, com isso, a sua autoestima aumenta, da mesma forma que sua produção e rendimento. Um dos maiores benefícios das práticas em grupo é o aumento do autoconhecimento e do conhecimento do outro, obtido através do convívio, da comparação e da reflexão, que são impulsos naturais da condição humana. A escola funciona como mediadora entre a sociedade e o aluno, sendo um espaço onde é possível alcançar o saber elaborado. Além de seu valor intrínseco, a escola tem o potencial de possibilitar ao aluno uma compreensão e prática social transformadora. Este aluno, autoafirmado pelas práticas em grupo, torna-se um mediador em potencial, conforme discutido. A prática de conjunto e a colaboração no ensino musical revelam-se essenciais para o desenvolvimento integral dos alunos, contribuindo significativamente para suas habilidades cognitivas, sociais e emocionais. Através do ensino em grupo, os alunostêm a oportunidade de experimentar a música de maneira coletiva, refletindo sobre suas próprias execuções e as dos colegas, o que facilita o aprimoramento contínuo. Com base nas ideias de Vygotsky (1991), a mediação pedagógica proporciona uma função signficativa no processo de ensino-aprendizagem, especialmente em contextos colaborativos. A interação constante entre os alunos estimula a troca de conhecimentos e experiências, promovendo um ambiente de aprendizado dinâmico e inclusivo. A prática musical em grupo não apenas desenvolve competências técnicas, como também fortalece valores como cooperação, respeito mútuo e empatia. Os benefícios do ensino musical coletivo são amplamente reconhecidos, conforme destacado por Cruvinel (2005). Através da interação com o grupo, os alunos desenvolvem independência, autoconfiança e autoestima. Esse processo é enriquecido pelo uso de novas tecnologias, que potencializam o aprendizado e tornam as aulas mais interativas e envolventes. A escola, como mediadora entre a sociedade e o aluno, possui um papel importante na implementação de práticas educativas que promovam a colaboração e o trabalho em conjunto. Ao integrar a música no currículo escolar de forma significativa, a escola contribui para a formação de indivíduos mais completos e preparados para enfrentar os desafios sociais e culturais de maneira crítica e criativa. A prática de conjunto e a colaboração no ensino musical são ferramentas poderosas para o desenvolvimento humano integral. Ao promoverem a interação, a reflexão e a troca de experiências, essas práticas aprimoram as habilidades musicais dos alunos e os preparam para serem cidadãos ativos e conscientes, capazes de transformar a sociedade em que vivem. No próximo módulo será retratada a performance e apresentação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAKHTIN, M.; VOLOCHÍNOV, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem. 9 ed. São Paulo: Hucitec/Annablume, 2002. BEYER, E. A abordagem cognitiva em música: uma crítica ao ensino da música, a partir da teoria de Piaget. Dissertação (Mestrado em Educação) – UFRGS, Porto Alegre, 1988. CHIARELLI, L. K. M.; BARRETO, S. J. A importância da Musicalização na Educação Infantil e na Educação Fundamental: a música como meio de desenvolver a inteligência e a integração do ser. Revista Recrearte, n. 3, p. 1-10. 2005. COLL, C. Marc Curricular per a I'ensenyament Obligatori. Barcelona. Departament d'Ensenyament de Ia Generalitat de Catalunya, 1986. CRUVINEL, F. M. Educação musical e transformação social: uma experiência com ensino coletivo de cordas. Goiânia: Instituto Centro-Brasileiro de Cultura, 2005. FUBINI, E. Estética da musica. Lisboa: Edições 70. FUCKS, Rosa. O discurso do silêncio. 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