Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1
ANÁLISE DOS LÍQUIDOS CORPORAIS: LÍQUIDO CEREBROESPINHAL, LÍQUIDO
SEMINAL E LÍQUIDO ASCÍTICO
SERRA/ES
2025
2
Sumário
1. Introdução_______________________________________________________________3
2. Líquido Cerebrospinal (LCR)_______________________________________________3
3. Líquido Seminal__________________________________________________________6
4. Líquido Ascítico_________________________________________________________10
5. Considerações Finais____________________________________________________13
6. Referências Bibliográficas________________________________________________ 14
3
1. Introdução
Os líquidos biológicos são amostras fundamentais no diagnóstico clínico. os
métodos de colheita e os parâmetros de análise de três líquidos biológicos
importantes: o líquido cerebrospinal (LCS), o líquido seminal e o líquido ascítico.
Serão incluídas as doenças investigadas por meio do exame do LCS. As
referências científicas serão devidamente citadas.
2. Líquido Cerebrospinal (LCR)
2.1 Fisiologia e Métodos de Colheita O LCR é um fluido claro e incolor que circula
entre os ventrículos cerebrais, espaço subaracnoideo e canal medular. É produzido
pelos plexos coroides dos ventrículos laterais, com volume médio de 150 mL e
produção diária de cerca de 500 mL. A colheita é feita por punção lombar,
geralmente entre as vértebras L3-L4 ou L4-L5, em ambiente asséptico. Em casos
específicos, pode ser realizada por punção ventricular ou cisternal.
2.2 Parâmetros de Análise Os principais parâmetros incluem: - Aparência
(transparente ou turvo) - Pressão de abertura - Contagem de células (leucócitos,
hemácias) - Glicose e proteínas - Cultura e coloração (como Gram) - PCR para
agentes infecciosos. A colheita do LCS é um procedimento invasivo conhecido como
punção lombar (ou raquicentese). Geralmente, é realizada por um médico em
ambiente hospitalar, com o paciente em decúbito lateral ou sentado, e a coluna
vertebral flexionada para alargar os espaços intervertebrais.
2.3 Doenças Investigadas A análise do LCR é indicada na investigação de:
- Meningites (bacterianas, virais, fúngicas)
- Hemorragia subaracnóidea
- Esclerose múltipla
- Carcinomatose meníngea
- Encefalites .
 Aspecto e Cor: O LCS normal é límpido e incolor, semelhante à água.
Alterações como turbidez (sugere presença de células ou microrganismos),
xantocromia (coloração amarelada, indica sangramento prévio ou
4
hiperbilirrubinemia) ou coloração avermelhada (indica sangramento ativo) são de
grande importância diagnóstica (KIELLAND; WAARA, 2018).
 Pressão de Abertura: Medida durante a punção lombar, a pressão normal varia
entre 70 e 180 mmH2O em adultos em decúbito lateral. Valores elevados podem
indicar aumento da pressão intracraniana (tumores, hemorragias, hidrocefalia) e
valores baixos podem sugerir vazamento de LCS (KIELLAND; WAARA, 2018).
- Bioquímica:
 Proteínas: O valor normal em adultos é de 15 a 45 mg/dL. Níveis elevados
(hiperproteinorraquia) podem indicar inflamação, infecção, hemorragia, tumores
ou ruptura da barreira hematoencefálica (KIELLAND; WAARA, 2018).
 Glicose: O nível de glicose no LCS é aproximadamente 60% do nível de
glicose plasmática. O normal varia entre 45 e 80 mg/dL. Níveis baixos
(hipoglicorraquia) são frequentemente associados a infecções bacterianas ou
fúngicas (consumo de glicose pelos microrganismos) e carcinomatose meníngea
(KIELLAND; WAARA, 2018).
 Lactato: Níveis elevados de lactato podem indicar metabolismo anaeróbico no
sistema nervoso central, sendo um marcador de infecções bacterianas, fúngicas
e isquemia cerebral (KIELLAND; WAARA, 2018).
 Citologia (Contagem de Células): O LCS normal contém poucas células (até 5
mononucleares/mm³ em adultos). Um aumento no número de células (pleocitose)
é indicativo de processo inflamatório ou infeccioso. A predominância de
neutrófilos sugere infecção bacteriana, enquanto linfócitos podem indicar
infecção viral, fúngica, tuberculosa ou doenças desmielinizantes (ROHR; SOUZA,
2016).
 Microbiologia: A cultura e coloração de Gram são realizadas para identificar a
presença de bactérias, fungos ou outros microrganismos. Testes moleculares
(PCR) também são utilizados para detecção rápida de patógenos (KIELLAND;
WAARA, 2018).
 Imunologia: Exames como pesquisa de bandas oligoclonais (BOC) e índice de
IgG são importantes para o diagnóstico de doenças desmielinizantes, como a
esclerose múltipla (ROHR; SOUZA, 2016).
5
6
3. Líquido Seminal
3.1 Fisiologia e Métodos de Colheita O sêmen é uma mistura de espermatozoides e
secreções das vesículas seminais, próstata e glândulas bulbouretrais. Sua produção
é estimulada por hormônios como FSH, LH e testosterona. A colheita é realizada por
masturbação, preferencialmente em ambiente controlado e após período de
abstinência sexual de 2 a 7 dias. A amostra deve ser coletada em recipiente estéril e
analisada em até 1 hora. É produzido pelos testículos (espermatozoides) e pelas
glândulas sexuais acessórias: vesículas seminais (aproximadamente 60-70% do
volume total), próstata (20-30%) e glândulas bulbouretrais (células germinativas imaturas) pode indicar inflamação ou
infecção (leucocitospermia) ou problemas na espermatogênese (WHO, 2021).
8
3.3 Orientações importantes para o paciente:
 Abstinência Sexual: Recomenda-se um período de abstinência sexual de 2 a 7
dias. Períodos mais curtos podem resultar em menor volume e menor contagem
de espermatozoides, enquanto períodos mais longos podem levar a uma maior
proporção de espermatozoides imóveis ou com morfologia anormal (WHO, 2021).
 Recipiente Estéril: A amostra deve ser coletada em um recipiente estéril de boca
larga e não tóxico, fornecido pelo laboratório.
 Coleta Completa: É essencial que toda a ejaculação seja coletada, pois as
primeiras porções são as mais ricas em espermatozoides. Caso haja perda de
alguma parte da amostra, isso deve ser informado ao laboratório (WHO, 2021).
 Tempo de Liquefação: Após a coleta, a amostra deve liquefazer à temperatura
ambiente em até 60 minutos. A liquefação inadequada pode dificultar a análise e
indicar disfunção prostática.
 Transporte: Se a coleta não for realizada no laboratório, a amostra deve ser
transportada rapidamente, mantida à temperatura corporal (evitar extremos de
temperatura) e entregue ao laboratório em até 60 minutos após a coleta (WHO,
2021).
9
10
4. Líquido Ascítico
4.1 O líquido ascítico é um acúmulo patológico de fluido na cavidade peritoneal, um
espaço virtual entre as membranas que revestem a cavidade abdominal e os órgãos
abdominais. Fisiologicamente, uma pequena quantidade de fluido peritoneal está
presente para lubrificação. No entanto, o acúmulo excessivo (ascite) é um sinal de
doença subjacente (MOORE; LAO; ADAMS, 2023). A coleta do líquido ascítico é
realizada por um procedimento chamado paracentese abdominal. Este é um
procedimento médico invasivo que consiste na inserção de uma agulha estéril
através da parede abdominal até a cavidade peritoneal para drenar o líquido. A
paracentese pode ser diagnóstica (para análise do líquido) ou terapêutica (para
aliviar a pressão abdominal).
4.2 Parâmetros de Análise - Aspecto (transparente, turvo, hemorrágico) - Contagem
celular - Proteínas totais - Albumina (gradiente soro-ascite) - Cultura e colorações
específicas - Dosagem de amilase, triglicerídeos ou bilirrubina, conforme suspeita
clínica. * Aspecto e Cor: O líquido ascítico normal é límpido e amarelo-claro.
Alterações podem indicar:
 Turvo: Sugere infecção (peritonite bacteriana espontânea - PBE) ou alto teor
de proteínas e células.
 Leitoso (quiloso): Indica ruptura de vasos linfáticos, comum em linfomas ou
trauma (MOORE; LAO; ADAMS, 2023).
 Hemorrágico: Pode ser decorrente da punção traumática, malignidade ou
pancreatite hemorrágica.
 Verde/Esverdeado: Sugere perfuração intestinal ou biliar.
Contagem e Diferencial Celular:
 Leucócitos (neutrófilos): Uma contagem de neutrófilos ≥ 250 células/mm³ é o
principal critério diagnóstico para peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma
complicação grave da cirrose (MOORE; LAO; ADAMS, 2023).
 Eritrócitos: A presença de hemácias pode ser devido à punção traumática ou
malignidade.
11
- Bioquímica:
 Proteínas Totais: Níveis de proteínas totais são usados para classificar a
ascite em transudato (baixo teor proteico, 2,5 g/dL). Ascite por cirrose é tipicamente um transudato, enquanto
ascite por malignidade, infecção ou pancreatite são exsudatos. * Albumina: A
diferença entre a albumina sérica e a albumina do líquido ascítico (gradiente de
albumina soro-ascítico - GASA) é o parâmetro mais acurado para diferenciar
ascite por hipertensão portal de outras causas (MOORE; LAO; ADAMS, 2023).
 GASA ≥ 1,1 g/dL: Sugere hipertensão portal (cirrose, insuficiência cardíaca,
síndrome de Budd-Chiari).
 GASA

Mais conteúdos dessa disciplina