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1 LÍQUIDOS CORPORAIS: LÍQUIDO CEREBROESPINHAL, LÍQUIDO SEMINAL E LÍQUIDO ASCÍTICO SERRA - ES 2025 2 Sumário 1.CONCEITO................................................................................................................3 2. LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO...................................................................... 4 3. LÍQUIDO SEMINAL.................................................................................................9 4. LÍQUIDO ASCÍTICO............................................................................................. 13 5. REFERÊNCIAS..................................................................................................... 21 3 1.CONCEITO: Os líquidos LCR, seminal e ascítico desempenham papéis essenciais no funcionamento do corpo humano. O Líquido Cefalorraquidiano (LCR) envolve o cérebro e a medula espinhal, atuando como um amortecedor e fornecendo nutrientes ao sistema nervoso central. O líquido ascítico, por sua vez, acumula-se na cavidade peritoneal, podendo indicar condições de saúde como infecções ou doenças hepáticas. Já o líquido seminal é produzido pelas glândulas seminais e compõe o sêmen, sendo fundamental para a reprodução ao transportar e nutrir os espermatozoides durante a ejaculação. Cada um desses líquidos possui funções específicas e importantes para a manutenção da saúde e do funcionamento do organismo. 4 2. LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO: 2.1 DEFINIÇÃO: O liquor, também conhecido como líquido cefalorraquidiano ou líquido cerebroespinal, é um líquido límpido e incolor, semelhante ao plasma, que banha o sistema nervoso central (SNC). O liquor circula por um sistema de cavidades localizadas no cérebro e na medula espinal, ventrículos, espaço subaracnóideo do encéfalo e da medula espinal e no canal central da medula. A maior parte do liquor é secretada por um tecido especializado denominado plexo coróideo, que está localizado no ventrículo lateral e no terceiro e no quarto ventrículos. A principal função do LCR é a proteção mecânica que amortece o encéfalo e a medula espinhal contra choques e pressão. O LCR também tem a capacidade de flutuação, de defesa do SNC contra agentes infecciosos, de remover resíduos e de circular nutrientes, mantendo, assim, o dinamismo dos elementos nele presentes. Em condições patológicas, o LCR pode apresentar aspecto turvo devido ao aumento do número de células (> 400 células/mm3) e/ou proliferação de bactérias ou fungos. Quanto à cor, o LCR pode ser classificado como xantocrômico ou eritrocrômico. A xantocromia indica coloração amarelada decorrente da presença de bilirrubina plasmática, que pode ser resultado de uma hemorragia subaracnóidea ou da transudação de proteínas do soro para o LCR ou presença de bilirrubina na icterícia. Já a eritrocromia indica coloração avermelhada decorrente da hemólise das hemácias, que pode ser causada por um acidente de punção ou uma hemorragia subaracnóidea. Em relação à proteína, o LCR normal apresenta concentração entre 0 a 40 mg/dl no nível lombar.Quanto à glicose, sua concentração no LCR normal corresponde a cerca de dois terços da glicemia, ou seja, dependente dos níveis de glicose no sangue e também da taxa de metabolismo do SNC. Os https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/sistema-nervoso-central https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cerebro https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/anatomia-da-medula-espinhal 5 níveis de lactato no LCR, diferente dos níveis de glicose, não estão vinculados à concentração sangüínea, e sim à sua produção intratecal. 2.2: MÉTODOS DE COLHEITA DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO: A punção lombar, também conhecida como “punção espinhal” ou “punção do líquor”, é um procedimento médico importante e relativamente comum que envolve a coleta de uma amostra do líquido cefalorraquidiano (LCR) para análise através de uma agulha especial (agulha espinhal) inserida na região lombar (espaço intervertebral). Uma vez que a agulha está inserida corretamente e atinge o espaço subaracnoideo, o LCR começa a gotejar. O líquor é coletado em pequenas quantidades em frascos estéreis. Geralmente, são coletadas três amostras em frascos diferentes, cada uma com finalidades específicas. A análise básica do liquor inclui citologia (contagem e caracterização das células) , exame químico (dosagem de proteínas totais, glicose, lactato e outros) e exame microbiólogo (pesquisa direta de agentes infecciosos e culturas). Após a punção lombar, é importante que o paciente permaneça em repouso por um breve período de tempo, especialmente para evitar dor de cabeça. O paciente é aconselhado a beber líquidos para ajudar a reposição do LCR removido e a evitar esforços físicos intensos no dia da coleta. A punção lombar é considerada bastante segura, mas como qualquer procedimento médico, pode provocar raramente alguns efeitos adversos, normalmente passageiros. Eles incluem dor no local da punção, dor de cabeça, sangramento, infecção, dor e formigamentos nos membros inferiores. 2.3 PARÂMETROS DE ANÁLISES DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO: As características do fluido espinhal normal são as seguintes: - Volume total: 150 mL - Cor: Incolor, transparente, como água - Pressão:na motilidade dos espermatozoides e facilitam sua jornada de trato pelo reprodutor feminino. O fluido seminal desempenha um papel vital na reprodução, auxiliando na chegada dos espermatozoides ao óvulo durante a fertilização. 3.2: MÉTODOS DE COLHEITA DO LÍQUIDO SEMINAL: A Amostra de sêmen é obtida principalmente por masturbação, estando o paciente acomodado em uma sala privativa, em condições favoráveis para realizar a coleta. Assim, após correta higienização da região peniana, o homem deve colher todo o esperma ejaculado em um frasco estéril, evitando perdas e realizar a entrega do material para etapas seguintes. 3.3 Quais parâmetros são analisados no espermograma? Vários aspectos do sêmen são avaliados durante o exame, permitindo um diagnóstico preciso da saúde reprodutiva masculina. Entre os principais parâmetros analisados, estão: PARÂMETROS FÍSICOS: - Volume e pH do sêmen: o volume normal de uma ejaculação deve ser superior a 1,5 mL, e o pH entre 7,2 e 8,0. Alterações nesses valores podem indicar problemas nas glândulas sexuais acessórias, como a próstata ou as vesículas seminais. - Liquefação e viscosidade: o sêmen normalmente se liquefaz em até 60 minutos após a coleta. A viscosidade elevada pode sugerir disfunções prostáticas, interferindo na qualidade do sêmen. 10 - Cor: Em condições normais, o sêmen tem cor branca opalescente. Mudanças de cor (amarelado, marrom, avermelhado) podem indicar inflamação, uso de medicamentos ou outras condições. PARÂMETROS CITOLÓGICOS (MICROSCÓPICOS) : - Concentração de espermatozoides: em uma amostra saudável, a concentração de espermatozoides deve ser superior a 39 milhões por ejaculação. Valores abaixo disso podem indicar problemas de produção ou obstrução nos canais reprodutivos. - Motilidade: a motilidade dos espermatozoides é fundamental para a fertilização. Espera-se que mais de 30% dos espermatozoides tenham motilidade progressiva, ou seja, que se movam de maneira eficiente em direção ao óvulo. Movimentos reduzidos ou anormais podem indicar problemas nas glândulas sexuais, ou infecções. - Morfologia: a análise morfológica examina a estrutura dos espermatozoides. Mais de 4% das células devem ter uma morfologia considerada normal, de acordo com os critérios de Kruger. Alterações morfológicas podem comprometer a capacidade de fertilização do espermatozoide. Viabilidade espermática: para garantir a capacidade de fertilização, é necessário que a maioria dos espermatozoides esteja viva, mesmo que não se movam. Testes de viabilidade ajudam a determinar essa característica. 3.4 ALTERAÇÕES NO LÍQUIDO SEMINAL: As alterações seminais fazem referência à baixa contagem de espermatozoides, à quantidade anormal de sêmen ejaculado, à motilidade reduzida e à morfologia alterada dos gametas masculinos. São eles: Aspermia: Uma das alterações seminais é a aspermia, condição em que o sêmen não é ejaculado durante o orgasmo. Essa condição não prejudica o desejo sexual, mas inviabiliza a gravidez. Ela pode ocorrer devido a obstruções no ducto ejaculatório, ao uso de determinados medicamentos e em casos de ejaculação retrógrada — situação em que o trajeto do sêmen é alterado rumo à bexiga em vez da uretra. 11 Astenozoospermia: A astenozoospermia é a diminuição da motilidade dos espermatozoides. Essa alteração resulta na diminuição nas chances de fecundação, uma vez que as células reprodutoras masculinas apresentam dificuldades para alcançar o óvulo no corpo da mulher. Existem várias causas para a condição, como a varicocele, idade avançada, fatores infecciosos, bem como fatores nutricionais e temperatura inadequada dos testículos. Azoospermia: A azoospermia é mais uma das alterações seminais que causam infertilidade. Ela é caracterizada pela ausência de espermatozoides no sêmen ejaculado, sendo o quadro mais grave de infertilidade masculina. Assim, existe a azoospermia obstrutiva, em que os gametas não chegam ao líquido seminal (por exemplo, em casos de vasectomia), e a não obstrutiva, caracterizada pela falta de produção de gametas. Criptozoospermia: A criptozoospermia é identificada a partir de uma amostra de sêmen inicialmente classificada como azoospermia. Nessa situação, os espermatozoides são encontrados somente na análise microscópica detalhada após processamento seminal. Isso significa que existe a concentração dos gametas, mas que ela é extremamente baixa. Hemospermia: A hemospermia também faz parte das alterações seminais e é caracterizada pela presença de sangue no sêmen. Na maioria dos casos, esta não é uma condição perigosa e desaparece espontaneamente em algumas semanas. Um especialista deve ser consultado para investigar possíveis doenças, especialmente em homens com mais de 40 anos ou com episódios recorrentes de hemospermia. https://materprime.com.br/azoospermia-pode-ser-a-causa-da-infertilidade-masculina/ https://materprime.com.br/fatores-masculinos/ 12 Hipospermia: A hipospermia é uma alteração seminal relacionada a uma diminuição no volume do ejaculado. Pode ser causada por obstruções, baixa produção hormonal, problemas anatômicos e lesões. Leucospermia Leucospermia significa uma presença significativa de glóbulos brancos no sêmen, o que pode sugerir infecção genital. A condição deve ser investigada, uma vez que infecções são fatores determinantes para a infertilidade masculina, sendo causa de outras alterações seminais. Necrozoospermia: A necrozoospermia é o termo que denomina a diminuição do número de espermatozoides vivos. Nessa situação, mais de 50% dos gametas estão mortos. Esse distúrbio é raro, impactando apenas 0,5% dos homens no mundo todo. Oligozoospermia: A oligozoospermia é mais uma das alterações seminais. Essa condição se refere à baixa quantidade de espermatozoides no sêmen e pode estar ligada à varicocele, problema nos vasos sanguíneos que nutrem os testículos, infecções, alterações hormonais, fatores genéticos e a hábitos ruins, como tabagismo e estresse. Teratozoospermia: Espera-se que ao menos 4% dos gametas masculinos apresentem morfologia normal, com cabeça oval, peça intermediária e cauda. No caso da teratozoospermia, parte significativa dos espermatozoides possui formato anormal e menos de 4% dos espermatozoides apresentam morfologia normal quando realizada a avaliação de Kruger. https://materprime.com.br/oligozoospermia/ 13 4.LÍQUIDO ASCÍTICO : 4.1 DEFINIÇÃO: A ascite é o acúmulo de líquido livre de origem patológica na cavidade abdominal, fenômeno presente em várias doenças da prática clínica. A doença mais associada com ascite é a cirrose hepática. O desenvolvimento da ascite é a consequência final de uma série de anormalidades anatômicas, fisiopatológicas e bioquímicas que ocorrem em pacientes com cirrose hepática. Três teorias foram elaboradas ao longo do tempo para explicar o surgimento da ascite no cirrótico: o "underfill" (baixo-enchimento), o "overflow" (super-fluxo) e a vasodilatação. 4.2: MÉTODOS DE COLHEITA DO LÍQUIDO ASCÍTICO: A paracentese abdominal para análise do líquido ascítico é a forma mais eficiente para confirmar a presença de ascite, diagnosticar sua causa e determinar se o líquido está infectado5. O melhor local de punção foi definido em um estudo baseado no ultrassom de abdome. Neste estudo, o quadrante inferior esquerdo se mostrou superior em relação à linha mediana, por ser a parede abdominal mais fina nesse local, e a profundidade do líquido ser maior. 4.3 PARÂMETROS DE ANALISE DO LÍQUIDO ASCITICO: Citológico: A contagem de células com diferencial é um dos testes mais úteis realizado no líquido ascítico, para avaliação de infecção, sendo que para sua realização são necessários apenas 10µL de líquido ascítico. O citológico da ascite deveria estar disponível dentro de uma hora, enquanto a cultura demora vários dias para ficar pronta. A contagem normal de leucócitos na ascite cirrótica não complicada é de 281 ± 25 células/ mm3, sendo o limitesuperior de 500 células/mm3,12. O número de leucócitos pode variar com a diurese, atingindo até 1000 células/mm3, com predomínio de linfócitos. O limite superior de polimorfonucleares (PMN) é de 250/mm3. Os PMN têm meia vida curta (algumas horas) e 14 são estáveis durante a diurese (ao contrário dos leucócitos totais). Pela influência da diurese na contagem celular da ascite, devemos evitar a punção diagnóstica imediatamente após uma diurese do paciente. A contagem celular é útil para diagnosticar várias doenças relacionadas com a ascite: na peritonite bacteriana espontânea (PBE) há aumento dos leucócitos com predomínio de PMN (> 250/mm3); na tuberculose e na carcinomatose peritoneal aumentam os leucócitos na ascite com predomínio de linfócitos; na pancreatite há padrão semelhante à PBE com aumento de PMN, etc.. É importante salientar que a leucocitose periférica não leva a aumento dos PMN no líquido ascítico. Na hepatite alcoólica, por exemplo, não deve ser feito tratamento antibiótico por suspeita de infecção na ascite apenas pela presença de leucocitose periférica. Uma fonte possível de erro na contagem de PMN é a hemorragia por uma paracentese traumática, na qual ocorre entrada de PMN do sangue na ascite. Deve ser feita correção do número de PMN nesses casos da seguinte forma: subtrair um PMN para cada 250 hemáceas/mm3. Gradiente soro-ascite de albumina (GSAA): o GSAA mede indiretamente a pressão portal, identificando a presença de hipertensão portal15. Este índice substituiu o conceito antigo de exsudato/transudato baseado em proteína. Devemos ter o cuidado de colher a albumina do líquido e do sangue no mesmo dia. A presença de um gradiente > 1,1 gr/dl indica que o paciente tem hipertensão portal com 97% de acurácia. Pacientes com GSAA abaixo de 1,1 gr/dl (sem hipertensão portal) raramente desenvolvem PBE. Uma exceção a esta regra pode ocorrer em pacientes com síndrome nefrótica. Gram: o teste de gram tem uma positividade baixa para a pesquisa de PBE, sendo de 10% para amostras de 50 ml de ascite com centrifugação e 7% para o líquido sem centrifugação. Estes valores baixos de detecção são explicados pela sensibilidade do teste de gram, que exige 10000 bactérias/ml para a sua positividade, enquanto que na PBE ocorre densidade baixa de até uma bactéria/ml. Apesar da sua pouca 15 sensibilidade, se múltiplas formas bacterianas forem vistas no teste de gram, a peritonite secundária é mais provável do que a PBE. Cultura: recomenda-se a coleta de cultura do líquido para todo paciente com ascite de recente começo e recente piora, mesmo sem sintomas sistêmicos. Um volume adequado, em torno de 10 ml, deve ser inoculado em frascos de hemocultura que se mostram mais sensíveis que os frascos de cultura tradicionais. Os frascos de hemocultura aumentam a positividade da cultura em ascites, com contagem de PMN > 250 células/ mm3, de cerca de 50% (pelas técnicas convencionais) para 80%. O volume a ser inoculado também é crítico. A inoculação de 10 ou 20 ml em frascos de hemocultura de 100 ml produz taxas de positividade de 93%, enquanto o inóculo de 1 ml tem positividade de 53%. Proteína: pacientes com nível de proteína na ascite 1 gr/dl; b) glicose 3,0 mg/dl em mais de 95% dos pacientes com peritonite tuberculosa. A adenosina de aminase (ADA) é uma enzima que degrada purina, sendo necessária para a maturação e diferenciação de células linfóides. Os níveis desta enzima na ascite sobem na peritonite tuberculosa. A 17 sensibilidade e especificidade da dosagem de ADA na ascite tuberculosa é de 100% e 97%, respectivamente, utilizando-se como corte o valor de 33 UI/L28. Entretanto, a sensibilidade da determinação da ADA na ascite cai cerca de 30% em pacientes com cirrose (devido à pior imunidade humoral e celular). Portanto, a ADA tem maior utilidade para o diagnóstico de peritonite tuberculosa em pacientes não-cirróticos. O diagnóstico de peritonite tuberculosa deve ser considerado em todos os pacientes que apresentam ascite linfocítica inexplicada, com o GSAAhepáticas maciças, ascite quilosa por linfoma, e no carcinoma hepatocelular, a pesquisa de células neoplásicas na ascite será usualmente negativa. De forma geral, a sensibilidade da citologia para diagnosticar ascites malignas é de 58 a 75%. Outros testes: grandes estudos falharam em mostrar a utilidade da determinação do pH e do lactato na ascite para fins diagnósticos. Não há evidências para que estes testes sejam solicitados em nenhuma condição. 18 - COMPLICAÇÕES: Peritonite bacteriana espontânea (PBE): PBE é definida como uma infecção do líquido ascítico sem evidência de fonte intraabdominal de infecção cirurgicamente tratável, sendo a mais frequente complicação da ascite na cirrose. Em um estudo brasileiro a sua prevalência entre pacientes internados com cirrose e ascite foi de 11,1% com mortalidade de 21,9%. A PBE está incluída no grupo das infecções espontâneas do líquido ascítico que incluem também a bacterascite monomicrobiana não- neutrocítica (BMNN) e a ascite neutrocítica cultura - negativa (ANCN). Os elementos necessários para definição destas entidades são os seguintes: PBE = cultura positiva do líquido ascítico para apenas um agente microbiano (monomicrobiana) e contagem de PMN na ascite acima de 250/mm3; BMNN = cultura positiva do líquido ascítico para apenas um agente microbiano, com contagem de PMN inferior a 250/mm3; ANCN = sem crescimento bacteriano nas culturas do líquido ascítico, com contagem de PMN maior que 250/mm3. Para o diagnóstico precoce de PBE, os pacientes com ascite devem sofrer paracentese quando de sua admissão no hospital. Graças a esta prática, aproximadamente 13% dos diagnósticos de PBE são feitos atualmente em pacientes sem sinais e sintomas de infecção. Os sinais e sintomas clínicos de PBE podem ser muito sutis. A ascite impede o desenvolvimento de um abdome rígido ao separar as superfícies visceral e parietal do peritônio. Quando os sintomas ocorrem, os mais comuns são: febre, dor ou dolorimento abdominal e alteração do estado mental. Entre os exames gerais, os pacientes podem apresentar leucocitose, acidose, e alteração da função renal. A febre é a manifestação mais comum de PBE, podendo ser baixa a partir de 37,8°C. A patogênese da PBE parece se centrar no fenômeno da translocação bacteriana da flora intestinal (principal origem dos agentes causadores da PBE). Pelos conhecimentos atuais, sabemos que a atividade opsônica do líquido ascítico (importante elemento de sua defesa) se relaciona diretamente com a proteína na ascite. Desta forma, apenas nas ascites com baixo teor 19 proteico há o risco de desenvolvimento da PBE. Na prática clínica há apenas dois grupos de pacientes que podem desenvolver PBE: os pacientes com cirrose hepática e com síndrome nefrótica. Outra observação interessante da prática clínica é que o desenvolvimento de PBE é extremamente raro em pacientes com ascites não detectáveis clinicamente. Peritonite secundária: deve ser diferenciada obrigatoriamente da PBE. Peritonite bacteriana secundária é definida como uma infecção do líquido ascítico em que há evidência de fonte de infecção intraabdominal de solução cirúrgica. Nesta condição, a cultura do líquido é positiva, usualmente para múltiplos microorganismos, com contagem de PMN > 250mm3. Na peritonite secundária os agentes causais mais freqüentes são: anaeróbios, enterococos, bactérias gram-negativas, gram-positivas e fungos. Hérnias: há maior incidência de hérnias (umbilical, incisional, inguinal e femoral) no paciente com ascite, com prevalência de 20%. Em um estudo com quatro anos de seguimento de pacientes com hérnia e ascite houve 14% de encarcerações, 35% de ulcerações de pele e 7% de rompimento das hérnias. Derrame pleural/Hidrotórax hepático: em pacientes com cirrose e ascite, o derrame pleural pode ser detectado em cerca de 6%. Em cerca de 70% das vezes o derrame pleural ocorre do lado direito, devido principalmente a defeitos do diafragma que permitem a passagem do líquido do abdome para o espaço pleural. Se o derrame pleural for maciço, recebe a denominação de hidrotórax hepático. Este fenômeno ocorre em pacientes com grandes defeitos no hemidiafragma direito, que podem até ser acompanhados por ascites pequenas ou indetectáveis, já que todo o líquido gerado no abdome imediatamente entra no espaço pleural. A conduta nesses casos deve ser o controle adequado da ascite, evitando- se a colocação de drenos no tórax que são difíceis de serem removidos. 20 Hiponatremia: pode ocorrer no início do quadro ou após o emprego de diuréticos como a espironolactona. É devido à grande queda na excreção de água livre que ocorre em muitos casos, principalmente devido aos altos níveis de ADH. Estes pacientes devem ser submetidos a restrição da ingesta de água livre (vide abaixo). 21 5. REFERÊNCIAS: 1. Líquor. Disponível em: . 2. Dimas LF, Puccioni-Sohler M. Exame do líquido cefalorraquidiano: influência da temperatura, tempo e preparo da amostra na estabilidade analítica. J Bras Patol Med Lab [Internet]. 2008Apr;44(2):97–106. Available from: https://doi.org/10.1590/S1676-24442008000200006 3. Exame do líquor de A a Z: um guia completo – Neurolife Análise do Líquor. Disponível em: . 4. Cerebrospinal Fluid Analysis: Reference Range, Interpretation, Collection and Panels. eMedicine, 29 jun. 2022. 5. PROF.DR. EMIN ÖZBEK.What is Seminal Fluid. Disponível em: . Acesso em: 1 jun. 2025. 6. CLINICAORIGEN. Coleta de sêmen: quando e como é feita?» Clínica Origen | Fertilização in Vitro. Disponível em: . Acesso em: 1 jun. 2025. 7. SABIN. Exame de espermograma para avaliação da fertilidade masculina. Disponível em: . 8. 1. Andrade Júnior DR de, Galvão FHF, Santos SA dos, Andrade DR de. Ascite: estado da arte baseado em evidências. Rev Assoc Med Bras [Internet]. 2009;55(4):489–96. Available from: https://doi.org/10.1590/S0104-42302009000400028 9. RODRIGO. Alterações seminais: o que são e como tratar? Disponível em: . https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/liquor https://doi.org/10.1590/S1676-24442008000200006 https://neurolife.com.br/exame-do-liquor-guia-completo/ https://neurolife.com.br/exame-do-liquor-guia-completo/ https://dreminozbek-com.translate.goog/en/what-is-seminal-fluid/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge https://dreminozbek-com.translate.goog/en/what-is-seminal-fluid/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge https://origen.com.br/coleta-de-semen-quando-e-como-e-feita/ https://blog.sabin.com.br/saude/espermograma-na-avaliacao-da-fertilidade-masculina/ https://blog.sabin.com.br/saude/espermograma-na-avaliacao-da-fertilidade-masculina/ https://doi.org/10.1590/S0104-42302009000400028 https://materprime.com.br/alteracoes-seminais/ 1.CONCEITO: 2.LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO: 3.LÍQUIDO SEMINAL : 4.LÍQUIDO ASCÍTICO : 5.REFERÊNCIAS: