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LÍQUIDOS CORPORAIS: LÍQUIDO CEREBROESPINHAL, LÍQUIDO
SEMINAL E LÍQUIDO ASCÍTICO
SERRA - ES
2025
2
Sumário
1.CONCEITO................................................................................................................3
2. LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO...................................................................... 4
3. LÍQUIDO SEMINAL.................................................................................................9
4. LÍQUIDO ASCÍTICO............................................................................................. 13
5. REFERÊNCIAS..................................................................................................... 21
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1.CONCEITO:
Os líquidos LCR, seminal e ascítico desempenham papéis essenciais no
funcionamento do corpo humano. O Líquido Cefalorraquidiano (LCR) envolve
o cérebro e a medula espinhal, atuando como um amortecedor e fornecendo
nutrientes ao sistema nervoso central. O líquido ascítico, por sua vez,
acumula-se na cavidade peritoneal, podendo indicar condições de saúde
como infecções ou doenças hepáticas. Já o líquido seminal é produzido pelas
glândulas seminais e compõe o sêmen, sendo fundamental para a
reprodução ao transportar e nutrir os espermatozoides durante a ejaculação.
Cada um desses líquidos possui funções específicas e importantes para a
manutenção da saúde e do funcionamento do organismo.
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2. LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO:
2.1 DEFINIÇÃO:
O liquor, também conhecido como líquido cefalorraquidiano ou líquido
cerebroespinal, é um líquido límpido e incolor, semelhante ao plasma, que
banha o sistema nervoso central (SNC). O liquor circula por um sistema de
cavidades localizadas no cérebro e na medula espinal, ventrículos, espaço
subaracnóideo do encéfalo e da medula espinal e no canal central da medula.
A maior parte do liquor é secretada por um tecido especializado
denominado plexo coróideo, que está localizado no ventrículo lateral e no
terceiro e no quarto ventrículos.
A principal função do LCR é a proteção mecânica que amortece o encéfalo e
a medula espinhal contra choques e pressão. O LCR também tem a
capacidade de flutuação, de defesa do SNC contra agentes infecciosos, de
remover resíduos e de circular nutrientes, mantendo, assim, o dinamismo dos
elementos nele presentes.
Em condições patológicas, o LCR pode apresentar aspecto turvo devido ao
aumento do número de células (> 400 células/mm3) e/ou proliferação de
bactérias ou fungos. Quanto à cor, o LCR pode ser classificado como
xantocrômico ou eritrocrômico. A xantocromia indica coloração amarelada
decorrente da presença de bilirrubina plasmática, que pode ser resultado de
uma hemorragia subaracnóidea ou da transudação de proteínas do soro para
o LCR ou presença de bilirrubina na icterícia. Já a eritrocromia indica
coloração avermelhada decorrente da hemólise das hemácias, que pode ser
causada por um acidente de punção ou uma hemorragia subaracnóidea.
Em relação à proteína, o LCR normal apresenta concentração entre 0 a 40
mg/dl no nível lombar.Quanto à glicose, sua concentração no LCR normal
corresponde a cerca de dois terços da glicemia, ou seja, dependente dos
níveis de glicose no sangue e também da taxa de metabolismo do SNC. Os
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/sistema-nervoso-central
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/cerebro
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/anatomia-da-medula-espinhal
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níveis de lactato no LCR, diferente dos níveis de glicose, não estão
vinculados à concentração sangüínea, e sim à sua produção intratecal.
2.2: MÉTODOS DE COLHEITA DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO:
A punção lombar, também conhecida como “punção espinhal” ou “punção do
líquor”, é um procedimento médico importante e relativamente comum que
envolve a coleta de uma amostra do líquido cefalorraquidiano (LCR) para
análise através de uma agulha especial (agulha espinhal) inserida na região
lombar (espaço intervertebral).
Uma vez que a agulha está inserida corretamente e atinge o espaço
subaracnoideo, o LCR começa a gotejar. O líquor é coletado em pequenas
quantidades em frascos estéreis. Geralmente, são coletadas três amostras
em frascos diferentes, cada uma com finalidades específicas. A análise
básica do liquor inclui citologia (contagem e caracterização das células) ,
exame químico (dosagem de proteínas totais, glicose, lactato e outros) e
exame microbiólogo (pesquisa direta de agentes infecciosos e culturas).
Após a punção lombar, é importante que o paciente permaneça em repouso
por um breve período de tempo, especialmente para evitar dor de cabeça. O
paciente é aconselhado a beber líquidos para ajudar a reposição do LCR
removido e a evitar esforços físicos intensos no dia da coleta.
A punção lombar é considerada bastante segura, mas como qualquer
procedimento médico, pode provocar raramente alguns efeitos adversos,
normalmente passageiros. Eles incluem dor no local da punção, dor de
cabeça, sangramento, infecção, dor e formigamentos nos membros inferiores.
2.3 PARÂMETROS DE ANÁLISES DO LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO:
 As características do fluido espinhal normal são as seguintes:
- Volume total: 150 mL
- Cor: Incolor, transparente, como água
- Pressão:na motilidade dos
espermatozoides e facilitam sua jornada de trato pelo reprodutor feminino. O
fluido seminal desempenha um papel vital na reprodução, auxiliando na
chegada dos espermatozoides ao óvulo durante a fertilização.
3.2: MÉTODOS DE COLHEITA DO LÍQUIDO SEMINAL:
A Amostra de sêmen é obtida principalmente por masturbação, estando o
paciente acomodado em uma sala privativa, em condições favoráveis para
realizar a coleta. Assim, após correta higienização da região peniana, o
homem deve colher todo o esperma ejaculado em um frasco estéril, evitando
perdas e realizar a entrega do material para etapas seguintes.
3.3 Quais parâmetros são analisados no espermograma?
Vários aspectos do sêmen são avaliados durante o exame, permitindo um
diagnóstico preciso da saúde reprodutiva masculina. Entre os principais
parâmetros analisados, estão:
 PARÂMETROS FÍSICOS:
- Volume e pH do sêmen: o volume normal de uma ejaculação deve ser
superior a 1,5 mL, e o pH entre 7,2 e 8,0. Alterações nesses valores podem
indicar problemas nas glândulas sexuais acessórias, como a próstata ou as
vesículas seminais.
- Liquefação e viscosidade: o sêmen normalmente se liquefaz em até 60
minutos após a coleta. A viscosidade elevada pode sugerir disfunções
prostáticas, interferindo na qualidade do sêmen.
10
- Cor: Em condições normais, o sêmen tem cor branca
opalescente. Mudanças de cor (amarelado, marrom, avermelhado) podem
indicar inflamação, uso de medicamentos ou outras condições.
 PARÂMETROS CITOLÓGICOS (MICROSCÓPICOS) :
- Concentração de espermatozoides: em uma amostra saudável, a
concentração de espermatozoides deve ser superior a 39 milhões por
ejaculação. Valores abaixo disso podem indicar problemas de produção ou
obstrução nos canais reprodutivos.
- Motilidade: a motilidade dos espermatozoides é fundamental para a
fertilização. Espera-se que mais de 30% dos espermatozoides tenham
motilidade progressiva, ou seja, que se movam de maneira eficiente em
direção ao óvulo. Movimentos reduzidos ou anormais podem indicar
problemas nas glândulas sexuais, ou infecções.
- Morfologia: a análise morfológica examina a estrutura dos espermatozoides.
Mais de 4% das células devem ter uma morfologia considerada normal, de
acordo com os critérios de Kruger. Alterações morfológicas podem
comprometer a capacidade de fertilização do espermatozoide.
Viabilidade espermática: para garantir a capacidade de fertilização, é
necessário que a maioria dos espermatozoides esteja viva, mesmo que não
se movam. Testes de viabilidade ajudam a determinar essa característica.
3.4 ALTERAÇÕES NO LÍQUIDO SEMINAL:
As alterações seminais fazem referência à baixa contagem de
espermatozoides, à quantidade anormal de sêmen ejaculado, à motilidade
reduzida e à morfologia alterada dos gametas masculinos. São eles:
 Aspermia:
Uma das alterações seminais é a aspermia, condição em que o sêmen não é
ejaculado durante o orgasmo. Essa condição não prejudica o desejo sexual,
mas inviabiliza a gravidez. Ela pode ocorrer devido a obstruções no ducto
ejaculatório, ao uso de determinados medicamentos e em casos de
ejaculação retrógrada — situação em que o trajeto do sêmen é alterado rumo
à bexiga em vez da uretra.
11
 Astenozoospermia:
A astenozoospermia é a diminuição da motilidade dos espermatozoides.
Essa alteração resulta na diminuição nas chances de fecundação, uma vez
que as células reprodutoras masculinas apresentam dificuldades para
alcançar o óvulo no corpo da mulher. Existem várias causas para a condição,
como a varicocele, idade avançada, fatores infecciosos, bem como fatores
nutricionais e temperatura inadequada dos testículos.
 Azoospermia:
A azoospermia é mais uma das alterações seminais que causam infertilidade.
Ela é caracterizada pela ausência de espermatozoides no sêmen ejaculado,
sendo o quadro mais grave de infertilidade masculina. Assim, existe a
azoospermia obstrutiva, em que os gametas não chegam ao líquido seminal
(por exemplo, em casos de vasectomia), e a não obstrutiva, caracterizada
pela falta de produção de gametas.
 Criptozoospermia:
A criptozoospermia é identificada a partir de uma amostra de sêmen
inicialmente classificada como azoospermia. Nessa situação, os
espermatozoides são encontrados somente na análise microscópica
detalhada após processamento seminal. Isso significa que existe a
concentração dos gametas, mas que ela é extremamente baixa.
 Hemospermia:
A hemospermia também faz parte das alterações seminais e é caracterizada
pela presença de sangue no sêmen. Na maioria dos casos, esta não é uma
condição perigosa e desaparece espontaneamente em algumas semanas.
Um especialista deve ser consultado para investigar possíveis doenças,
especialmente em homens com mais de 40 anos ou com episódios
recorrentes de hemospermia.
https://materprime.com.br/azoospermia-pode-ser-a-causa-da-infertilidade-masculina/
https://materprime.com.br/fatores-masculinos/
12
 Hipospermia:
A hipospermia é uma alteração seminal relacionada a uma diminuição no
volume do ejaculado. Pode ser causada por obstruções, baixa produção
hormonal, problemas anatômicos e lesões.
 Leucospermia
Leucospermia significa uma presença significativa de glóbulos brancos no
sêmen, o que pode sugerir infecção genital. A condição deve ser investigada,
uma vez que infecções são fatores determinantes para a infertilidade
masculina, sendo causa de outras alterações seminais.
 Necrozoospermia:
A necrozoospermia é o termo que denomina a diminuição do número de
espermatozoides vivos. Nessa situação, mais de 50% dos gametas estão
mortos. Esse distúrbio é raro, impactando apenas 0,5% dos homens no
mundo todo.
 Oligozoospermia:
A oligozoospermia é mais uma das alterações seminais. Essa condição se
refere à baixa quantidade de espermatozoides no sêmen e pode estar ligada
à varicocele, problema nos vasos sanguíneos que nutrem os testículos,
infecções, alterações hormonais, fatores genéticos e a hábitos ruins, como
tabagismo e estresse.
 Teratozoospermia:
Espera-se que ao menos 4% dos gametas masculinos apresentem
morfologia normal, com cabeça oval, peça intermediária e cauda. No caso da
teratozoospermia, parte significativa dos espermatozoides possui formato
anormal e menos de 4% dos espermatozoides apresentam morfologia normal
quando realizada a avaliação de Kruger.
https://materprime.com.br/oligozoospermia/
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4.LÍQUIDO ASCÍTICO :
4.1 DEFINIÇÃO:
A ascite é o acúmulo de líquido livre de origem patológica na cavidade
abdominal, fenômeno presente em várias doenças da prática clínica. A
doença mais associada com ascite é a cirrose hepática. O desenvolvimento
da ascite é a consequência final de uma série de anormalidades anatômicas,
fisiopatológicas e bioquímicas que ocorrem em pacientes com cirrose
hepática. Três teorias foram elaboradas ao longo do tempo para explicar o
surgimento da ascite no cirrótico: o "underfill" (baixo-enchimento), o
"overflow" (super-fluxo) e a vasodilatação.
4.2: MÉTODOS DE COLHEITA DO LÍQUIDO ASCÍTICO:
A paracentese abdominal para análise do líquido ascítico é a forma mais
eficiente para confirmar a presença de ascite, diagnosticar sua causa e
determinar se o líquido está infectado5. O melhor local de punção foi definido
em um estudo baseado no ultrassom de abdome. Neste estudo, o quadrante
inferior esquerdo se mostrou superior em relação à linha mediana, por ser a
parede abdominal mais fina nesse local, e a profundidade do líquido ser
maior.
4.3 PARÂMETROS DE ANALISE DO LÍQUIDO ASCITICO:
 Citológico: A contagem de células com diferencial é um dos testes mais
úteis realizado no líquido ascítico, para avaliação de infecção, sendo que
para sua realização são necessários apenas 10µL de líquido ascítico. O
citológico da ascite deveria estar disponível dentro de uma hora,
enquanto a cultura demora vários dias para ficar pronta. A contagem
normal de leucócitos na ascite cirrótica não complicada é de 281 ± 25
células/ mm3, sendo o limitesuperior de 500 células/mm3,12. O número
de leucócitos pode variar com a diurese, atingindo até 1000 células/mm3,
com predomínio de linfócitos. O limite superior de polimorfonucleares
(PMN) é de 250/mm3. Os PMN têm meia vida curta (algumas horas) e
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são estáveis durante a diurese (ao contrário dos leucócitos totais). Pela
influência da diurese na contagem celular da ascite, devemos evitar a
punção diagnóstica imediatamente após uma diurese do paciente.
A contagem celular é útil para diagnosticar várias doenças relacionadas com
a ascite: na peritonite bacteriana espontânea (PBE) há aumento dos
leucócitos com predomínio de PMN (> 250/mm3); na tuberculose e na
carcinomatose peritoneal aumentam os leucócitos na ascite com predomínio
de linfócitos; na pancreatite há padrão semelhante à PBE com aumento de
PMN, etc..
É importante salientar que a leucocitose periférica não leva a aumento dos
PMN no líquido ascítico. Na hepatite alcoólica, por exemplo, não deve ser
feito tratamento antibiótico por suspeita de infecção na ascite apenas pela
presença de leucocitose periférica. Uma fonte possível de erro na contagem
de PMN é a hemorragia por uma paracentese traumática, na qual ocorre
entrada de PMN do sangue na ascite. Deve ser feita correção do número de
PMN nesses casos da seguinte forma: subtrair um PMN para cada 250
hemáceas/mm3.
 Gradiente soro-ascite de albumina (GSAA): o GSAA mede indiretamente
a pressão portal, identificando a presença de hipertensão portal15. Este
índice substituiu o conceito antigo de exsudato/transudato baseado em
proteína. Devemos ter o cuidado de colher a albumina do líquido e do
sangue no mesmo dia. A presença de um gradiente > 1,1 gr/dl indica que
o paciente tem hipertensão portal com 97% de acurácia. Pacientes com
GSAA abaixo de 1,1 gr/dl (sem hipertensão portal) raramente
desenvolvem PBE. Uma exceção a esta regra pode ocorrer em pacientes
com síndrome nefrótica.
 Gram: o teste de gram tem uma positividade baixa para a pesquisa de
PBE, sendo de 10% para amostras de 50 ml de ascite com centrifugação
e 7% para o líquido sem centrifugação. Estes valores baixos de detecção
são explicados pela sensibilidade do teste de gram, que exige 10000
bactérias/ml para a sua positividade, enquanto que na PBE ocorre
densidade baixa de até uma bactéria/ml. Apesar da sua pouca
15
sensibilidade, se múltiplas formas bacterianas forem vistas no teste de
gram, a peritonite secundária é mais provável do que a PBE.
 Cultura: recomenda-se a coleta de cultura do líquido para todo paciente
com ascite de recente começo e recente piora, mesmo sem sintomas
sistêmicos. Um volume adequado, em torno de 10 ml, deve ser inoculado
em frascos de hemocultura que se mostram mais sensíveis que os
frascos de cultura tradicionais. Os frascos de hemocultura aumentam a
positividade da cultura em ascites, com contagem de PMN > 250 células/
mm3, de cerca de 50% (pelas técnicas convencionais) para 80%. O
volume a ser inoculado também é crítico. A inoculação de 10 ou 20 ml em
frascos de hemocultura de 100 ml produz taxas de positividade de 93%,
enquanto o inóculo de 1 ml tem positividade de 53%.
 Proteína: pacientes com nível de proteína na ascite 1 gr/dl; b) glicose 3,0 mg/dl em mais de 95% dos pacientes
com peritonite tuberculosa.
 A adenosina de aminase (ADA) é uma enzima que degrada purina, sendo
necessária para a maturação e diferenciação de células linfóides. Os
níveis desta enzima na ascite sobem na peritonite tuberculosa. A
17
sensibilidade e especificidade da dosagem de ADA na ascite tuberculosa
é de 100% e 97%, respectivamente, utilizando-se como corte o valor de
33 UI/L28. Entretanto, a sensibilidade da determinação da ADA na ascite
cai cerca de 30% em pacientes com cirrose (devido à pior imunidade
humoral e celular). Portanto, a ADA tem maior utilidade para o
diagnóstico de peritonite tuberculosa em pacientes não-cirróticos. O
diagnóstico de peritonite tuberculosa deve ser considerado em todos os
pacientes que apresentam ascite linfocítica inexplicada, com o GSAAhepáticas maciças, ascite
quilosa por linfoma, e no carcinoma hepatocelular, a pesquisa de células
neoplásicas na ascite será usualmente negativa. De forma geral, a
sensibilidade da citologia para diagnosticar ascites malignas é de 58 a
75%.
 Outros testes: grandes estudos falharam em mostrar a utilidade da
determinação do pH e do lactato na ascite para fins diagnósticos. Não há
evidências para que estes testes sejam solicitados em nenhuma condição.
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- COMPLICAÇÕES:
 Peritonite bacteriana espontânea (PBE): PBE é definida como uma
infecção do líquido ascítico sem evidência de fonte intraabdominal de
infecção cirurgicamente tratável, sendo a mais frequente complicação da
ascite na cirrose. Em um estudo brasileiro a sua prevalência entre
pacientes internados com cirrose e ascite foi de 11,1% com mortalidade
de 21,9%. A PBE está incluída no grupo das infecções espontâneas do
líquido ascítico que incluem também a bacterascite monomicrobiana não-
neutrocítica (BMNN) e a ascite neutrocítica cultura - negativa (ANCN). Os
elementos necessários para definição destas entidades são os seguintes:
PBE = cultura positiva do líquido ascítico para apenas um agente
microbiano (monomicrobiana) e contagem de PMN na ascite acima de
250/mm3; BMNN = cultura positiva do líquido ascítico para apenas um
agente microbiano, com contagem de PMN inferior a 250/mm3; ANCN =
sem crescimento bacteriano nas culturas do líquido ascítico, com
contagem de PMN maior que 250/mm3.
Para o diagnóstico precoce de PBE, os pacientes com ascite devem sofrer
paracentese quando de sua admissão no hospital. Graças a esta prática,
aproximadamente 13% dos diagnósticos de PBE são feitos atualmente em
pacientes sem sinais e sintomas de infecção. Os sinais e sintomas clínicos de
PBE podem ser muito sutis. A ascite impede o desenvolvimento de um
abdome rígido ao separar as superfícies visceral e parietal do peritônio.
Quando os sintomas ocorrem, os mais comuns são: febre, dor ou dolorimento
abdominal e alteração do estado mental. Entre os exames gerais, os
pacientes podem apresentar leucocitose, acidose, e alteração da função
renal. A febre é a manifestação mais comum de PBE, podendo ser baixa a
partir de 37,8°C.
A patogênese da PBE parece se centrar no fenômeno da translocação
bacteriana da flora intestinal (principal origem dos agentes causadores da
PBE). Pelos conhecimentos atuais, sabemos que a atividade opsônica do
líquido ascítico (importante elemento de sua defesa) se relaciona diretamente
com a proteína na ascite. Desta forma, apenas nas ascites com baixo teor
19
proteico há o risco de desenvolvimento da PBE. Na prática clínica há apenas
dois grupos de pacientes que podem desenvolver PBE: os pacientes com
cirrose hepática e com síndrome nefrótica. Outra observação interessante da
prática clínica é que o desenvolvimento de PBE é extremamente raro em
pacientes com ascites não detectáveis clinicamente.
 Peritonite secundária: deve ser diferenciada obrigatoriamente da PBE.
Peritonite bacteriana secundária é definida como uma infecção do líquido
ascítico em que há evidência de fonte de infecção intraabdominal de
solução cirúrgica. Nesta condição, a cultura do líquido é positiva,
usualmente para múltiplos microorganismos, com contagem de PMN >
250mm3. Na peritonite secundária os agentes causais mais freqüentes
são: anaeróbios, enterococos, bactérias gram-negativas, gram-positivas e
fungos.
 Hérnias: há maior incidência de hérnias (umbilical, incisional, inguinal e
femoral) no paciente com ascite, com prevalência de 20%. Em um estudo
com quatro anos de seguimento de pacientes com hérnia e ascite houve
14% de encarcerações, 35% de ulcerações de pele e 7% de rompimento
das hérnias.
 Derrame pleural/Hidrotórax hepático: em pacientes com cirrose e ascite,
o derrame pleural pode ser detectado em cerca de 6%. Em cerca de 70%
das vezes o derrame pleural ocorre do lado direito, devido principalmente
a defeitos do diafragma que permitem a passagem do líquido do abdome
para o espaço pleural. Se o derrame pleural for maciço, recebe a
denominação de hidrotórax hepático. Este fenômeno ocorre em pacientes
com grandes defeitos no hemidiafragma direito, que podem até ser
acompanhados por ascites pequenas ou indetectáveis, já que todo o
líquido gerado no abdome imediatamente entra no espaço pleural. A
conduta nesses casos deve ser o controle adequado da ascite, evitando-
se a colocação de drenos no tórax que são difíceis de serem removidos.
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 Hiponatremia: pode ocorrer no início do quadro ou após o emprego de
diuréticos como a espironolactona. É devido à grande queda na excreção
de água livre que ocorre em muitos casos, principalmente devido aos
altos níveis de ADH. Estes pacientes devem ser submetidos a restrição
da ingesta de água livre (vide abaixo).
21
5. REFERÊNCIAS:
1. Líquor. Disponível em:
.
2. Dimas LF, Puccioni-Sohler M. Exame do líquido cefalorraquidiano:
influência da temperatura, tempo e preparo da amostra na estabilidade
analítica. J Bras Patol Med Lab [Internet]. 2008Apr;44(2):97–106.
Available from: https://doi.org/10.1590/S1676-24442008000200006
3. Exame do líquor de A a Z: um guia completo – Neurolife Análise do
Líquor. Disponível em: .
4. Cerebrospinal Fluid Analysis: Reference Range, Interpretation, Collection
and Panels. eMedicine, 29 jun. 2022.
5. PROF.DR. EMIN ÖZBEK.What is Seminal Fluid. Disponível em:
. Acesso em:
1 jun. 2025.
6. CLINICAORIGEN. Coleta de sêmen: quando e como é feita?» Clínica
Origen | Fertilização in Vitro. Disponível em:
. Acesso
em: 1 jun. 2025.
7. SABIN. Exame de espermograma para avaliação da fertilidade
masculina. Disponível em:
.
8. 1. Andrade Júnior DR de, Galvão FHF, Santos SA dos, Andrade DR de.
Ascite: estado da arte baseado em evidências. Rev Assoc Med Bras
[Internet]. 2009;55(4):489–96. Available from:
https://doi.org/10.1590/S0104-42302009000400028
9. RODRIGO. Alterações seminais: o que são e como tratar? Disponível
em: .
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/liquor
https://doi.org/10.1590/S1676-24442008000200006
https://neurolife.com.br/exame-do-liquor-guia-completo/
https://neurolife.com.br/exame-do-liquor-guia-completo/
https://dreminozbek-com.translate.goog/en/what-is-seminal-fluid/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge
https://dreminozbek-com.translate.goog/en/what-is-seminal-fluid/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge
https://origen.com.br/coleta-de-semen-quando-e-como-e-feita/
https://blog.sabin.com.br/saude/espermograma-na-avaliacao-da-fertilidade-masculina/
https://blog.sabin.com.br/saude/espermograma-na-avaliacao-da-fertilidade-masculina/
https://doi.org/10.1590/S0104-42302009000400028
https://materprime.com.br/alteracoes-seminais/
	1.CONCEITO:
	2.LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO:
	3.LÍQUIDO SEMINAL :
	4.LÍQUIDO ASCÍTICO :
	5.REFERÊNCIAS:

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