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Conforto Ambiental 1 Clima e Meio Construído Prof.ª Esp. Karol Moreira Projetar com o clima não é uma limitação, mas uma oportunidade de expressão arquitetônica. Victor Olgyay 2C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O Se ambos são casas, por que parecem tão diferentes? C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 3 Elementos do Clima Projetando com o clima em mente O que é clima? Segundo Ayoade (1996) a palavra clima vem do grego “inclinação” e refere-se ao ângulo formado pelo eixo de rotação da Terra e o seu plano de translação. Mas o que realmente define o clima? O clima é a média dos elementos meteorológicos mais os fatores que caracterizam o meio ambiente atmosférico de uma região por um espaço de tempo meteorológico. 5C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 6C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O Importância A análise dos elementos climáticos quando bem interpretados torna-se uma etapa essencial para garantir conforto. Pois são através dos elementos climáticos que temos a percepção direta do que sentimos em relação a sensação térmica. Onde os dois elementos principais são a temperatura e os ventos. Já os fatores climáticos eles vão explicar o porque cada região apresenta condições diferentes de temperatura, ventos, umidade e insolação. Então a posição da terra, características locais são o que moldam o clima local e condicionam as estratégias arquitetônica possíveis Carta dos ventos Carta Solar Temperatura do Ar Definição: + Grau de calor ou frio no ar, resultado da radiação solar e trocas térmicas locais. Impacto: + Define necessidade de isolamento térmico ou dissipação de calor. + Influencia escolha de materiais (pesados que acumulam calor × leves que dissipam). Exemplo: + Casas no semiárido: paredes grossas de adobe (retêm frescor). + Chalés de montanha: paredes e telhados bem isolados 7 C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O Casa dos Arcos Mirai - Bhilwara, Índia A casa Mirai responde ao seu contexto quente e desértico de Rajastão, Índia. Pensando nessa localização, ela foi desenhada para amenizar o ganho de calor em resposta ao clima quente e ávido de sua localização, esta pele que envolve o projeto mantém toda a casa fresca nos meses quentes de verão com temperaturas superiores a 40°C durante 8 meses do ano. 8 C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O https://www.archdaily.com.br/br/search/projects/country/india Casa Solo- Squamish- Lillooet C, Canadá Dado o clima extremo, foi crítico para o projeto ter uma abordagem de "acalouramento“, mas ao empregar soluções passivas para o projeto, os arquitetos optaram uma abordagem de dupla camada para a construção, uma externa e mais pesada de madeira, que funciona como um escudo resistente ao clima, enquanto a camada interna funciona como uma camada de isolamento térmico. Para garantir o funcionamento da casa com um alto desempenho e estanqueidade, os arquitetos se dedicaram à uma detalhada modelagem térmica de cada condição climática. Com a adição de vidros com pé- direito duplo, os quais abrem a casa para luz natural entrar. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 9 Umidade do Ar 1 0 C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O Definição: + Quantidade de vapor de água no ar. Impacto: + Em climas úmidos → risco de mofo, materiais deterioram mais rápido. + Em climas secos → desconforto por ressecamento, maior perda de calor por evaporação. + Arquitetura deve buscar ventilação (úmido) ou proteção/umidificação (seco). Exemplo: + Belém (úmido): casas ventiladas, varandas largas. + Brasília (seco): fontes, espelhos d’água e jardins ajudam a equilibrar o ar. Galpão Tropical- Manaus, Brasil Pela parte da frente, a área de lazer se esconde por trás de uma fachada vazada de tijolos maciços que deixam passar os ventos predominantes. Nos fundos do lote, o escritório possui uma parede de tijolos maciços serpenteando é ora vazada para garantir a ventilação cruzada de todos os ambientes e ora fechada para definir espaços fechados ou impedir as vistas cruzadas das aberturas nas laterais dos muros vizinhos. O pé direito duplo de parte do escritório permite buscar mais luz e amplitude. Aberturas para os jardins em ambas laterais complementam a questão da luminosidade além de permitir ventilação cruzada de todos os ambientes do escritório. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 1 Casa dos Arcos - Brasilia, Brasil A estrutura é a chave para compreensão do projeto. Ela foi pensada de forma modular em formato de abobadas e no eixo central da área intima um pé direito de 8m onde se tem aberturas envidraçadas, possuindo proteção solar, pois seus caixilhos são recuados da fachada, criando um jardim privativo para cada unidade, outro ponto usado para proteção solar a criação de jardins ao longo de toda fachada nordeste. Para amenizar o clima seco da região o Lelé utilizar de ventilação cruzada e espelhos d'água no eixo central dentro da casa. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 2 Ventos 1 3 C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O Definição: + Movimentos do ar gerados por diferenças de pressão atmosférica. Impacto: + Essenciais para ventilação natural e resfriamento. + Mas podem causar desconforto em excesso (vento frio ou muito forte). + Arquitetura deve abrir-se para ventos desejados e proteger-se dos indesejados. Exemplo: + Casas litorâneas no Ceará: janelas grandes voltadas para ventos alísios. + Curitiba: muros/vegetação bloqueando ventos frios do sul. Vila Oxalá- Maraú, Brasil A ideia era uma casa prática, de ambientes compactos, porém visualmente ampla e confortável, onde se pudesse desfrutar do entorno tranquilo e do clima agradável, inclusive dentro de casa. As estratégias bioclimáticas, foi definida a partir orientação da casa no sentido leste-oeste, tendo assim todos os ambientes principais banhados pelo sol da manhã e protegidos do calor da tarde. Todos os ambientes contam com ventilação cruzada entre as aberturas principais, maiores ao leste, e secundárias, na parte alta dos ambientes em sentido da saída do vento predominante. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 4 A Casa no Vento – Pichilemu, Chile Os fortes ventos que caracterizam a zona costeira do litoral central do Chile inspiraram o desenho desta casa outro fator foi a sua orientação, pois possui uma orientação para norte privilegiada no hemisfério sul que permite a entrada de luz natural durante todo o ano. Porém a sua orientação para o norte apresentou um desafio: enfrentar os intensos ventos predominantes do sul, conhecidos como "surazo". A dualidade entre a conexão com as vistas e a proteção contra o vento definiu as estratégias principais do projeto. Por meio de sua forma sinuosa, a casa não apenas suaviza a passagem do vento, mas também se integra ao seu movimento, desviando naturalmente o fluxo para proteger o interior. Assim, a casa se transforma no próprio vento, C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 5 Radiação Solar 1 6 C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O Definição: + Energia do sol que chega à superfície (direta, difusa e refletida). Impacto: + É o principal fator de ganho térmico dentro dos edifícios. + Arquitetura responde com orientação correta, sombreamento e escolha de cores/materiais. Exemplo: + Brasília: brises horizontais em fachadas norte para controlar insolação.+ Escandinávia: janelas grandes ao sul para captar calor solar. Residência Vy- Suécia Com escavação mínima e fundos pontuais elevam a estrutura acima da superfície granítica, preservando topografia e vegetação. Internamente suas superfícies em madeira clara, pedra calcária cinza suave e detalhes refinados permitem que a luz circule livremente pelos ambientes, mantendo um diálogo próximo com a natureza. Por ser um local de inverno prolongado, utilizou-se de bastante vidro tanto no teto como na parede para entrada de iluminação natural. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 7 Vila ll- Casablanca, Marrocos A arquitetura inspirada na arquitetura tradicional marroquina, a casa é construída com um pátio. Baseada no clima local e o pátio torna-se o coração de todo o projeto, oferecendo ventilação cruzada e permitindo que a luz natural penetre nos cômodos ao redor. Enquanto o pátio interior dá vida aos espaços, as fachadas cegas garantem a privacidade e proteção contra o sol. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 8 Fatores Meteorológicos Se os elementos são o que sentimos, os fatores são as engrenagens invisíveis que explicam por que cada lugar do planeta tem um clima diferente. C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O 1 9 2 0 C O N F O R T O A M B I E N T A L I – C L I M A E M E I O C O S N T R U Í D O + Orbita: afeta profundamente o comportamento do sol e, portanto, o clima local e a estratégia projetual. + Massas de ar: são grandes volumes de ar com características homogêneas de temperatura e umidade que ao se deslocarem, essas massas modificam o clima das regiões por onde passam. + Correntes Marítimas: são grandes massa de água que apresenta as mesmas características físicas de temperatura e densidade e pode influenciar as massas de ar que se sobrepõem. Correntes quentes favorecem ambientes úmidos e demandam sombreamento eficaz e renovação de ar constante, enquanto correntes frias podem gerar condensações e resfriamento excessivo, exigindo proteção térmica e aproveitamento solar. + Latitude: é a distância em graus do local de analise até a linha do equador; quanto maior a latitude, mais frio será e quanto menor, mais quente. Macroclima, Mesoclima e Microclima O clima funciona como uma lente de aumento: de longe vemos o território inteiro (macro), de perto vemos a cidade (meso), e bem de perto sentimos o pátio ou a rua (micro). CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Macroclima Descreve as características gerais de uma região em termos de sol, nuvens, temperatura, ventos, umidade e precipitações; porém pode não ser conveniente para descrever as condições do entorno imediato do edifício. 2 2 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Macroclima Macroclima: grandes regiões (país, continente). Brasil: possui ao todo 6 macroclimas: + Equatorial, + Tropical, + Tropical úmido, + Tropical de altitude, + Semiárido, + Subtropical Depende: da latitude, maritimidade, altitude, massas de ar. Exemplos: + Belém → quente e úmido o ano todo. + Brasília → seco no inverno, chuvas intensas no verão. + Porto Alegre → frio no inverno, massas polares. 2 3 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Mesoclima Refere-se a áreas mas pequenas do que as consideradas no macroclima. Aqui as condições locais de clima são modificadas por variáveis como a vegetação, a topografia, o tipo de solo e a presença de obstáculos naturais ou artificiais. 2 4 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Mesoclima Mesoclima: escala da cidade/bairro. Depende: da forma urbana, presença de vegetação, relevo, proximidade de rios. Exemplos: + Centro de São Paulo → ilhas de calor de até +5°C comparado a parques. + Curitiba → bairros mais altos são mais frios que os de vale. 2 5 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Microclima É a escala mais próxima ao nível da edificação, podendo ser concebido e alterado pelo arquiteto. As particularidades climáticas do local podem representar benefícios ou dificuldades adicionais, que podem não estar sendo consideradas nas escala do macro e meso climáticas 2 6 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Microclima Microclima: escala do edifício ou até de um cômodo. Depende: da orientação da fachada, sombreamento, materiais, ventilação. Exemplos: + Quarto voltado para oeste → calor excessivo à tarde. + Pátio com vegetação e água → refresco natural. 2 7 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Arquitetura, Clima e Futuro 2 8 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO O clima já não é apenas um dado natural: hoje as cidades produzem seus próprios microclimas. Ilhas de calor, ondas de calor recorde e eventos extremos nos lembram que projetar ignorando o clima não é mais possível. 2 9 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDOCONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO 3 0 O clima urbano de hoje já não é o mesmo do passado. As cidades aquecem, o ar pesa, a sombra some. O maior desafio da arquitetura contemporânea não é criar formas bonitas, mas espaços que resistam, respirem e devolvam equilíbrio diante de um clima em transformação. E hoje as mudanças climáticas não afetam todas as pessoas da mesma forma. Nas cidades, as áreas mais pobres, geralmente sem arborização, com habitações precárias e infraestrutura insuficiente, são as que mais sofrem com as ondas de calor, enchentes e falta de ventilação. CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO 3 1 As respostas arquitetônicas ao clima não são apenas técnicas, mas sociais. Ao aproveitar a radiação solar para iluminar e aquecer, controlar a insolação com brises e beirais, orientar edifícios para captar ventos dominantes e integrar vegetação para criar sombra e umidade, o arquiteto transforma o ambiente em um espaço mais saudável e eficiente. Em contextos de desigualdade, essas soluções simples garantem conforto para quem não pode depender do ar-condicionado. Projetar com o clima é, ao mesmo tempo, projetar sustentabilidade e justiça. CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO 3 2 CONFORTO AMBIENTAL I – CLIMA E MEIO COSNTRUÍDO Atividade para Casa – Análise Climática da sua Residência DATA DE ENTREGA: 11/09/2025 ENUNCIADO: Você deverá fazer um croqui de sua residência e realizar uma analise considerando a orientação solar e a ventilação natural. O trabalho deve ser feito em uma folha A3 e a entrega será de física. ROTEIRO: 1. Croqui: + Planta baixa simples à mão + Indicar o norte no desenho + Indicar os cômodos principais 2. Analise do sol e do calor: + Identifique em que período do dia sua casa fica mais quente (manhã, tarde ou noite) e qual cômodo é mais quente. + Descreva em forma de texto a analise feita relacionando com a orientação solar das fachadas (leste, oeste, norte e sul). 3. Analise da ventilação: + Verifique se tem a existência de ventilação cruzada, quais os cômodos são mais bem ventilados e os que apresentam baixa circulação de ar. + Descreva em forma de texto a analise feita relacionando com a orientação das fachadas (leste, oeste, norte e sul). 4. Proposta de melhoria: + Indicar no croqui os pontos que fariam modificações (novas janelas, elementos de proteção com brises, beirais, vegetação) + Escrever do lado qual estratégia usaria e o motivo. Slide 1: Conforto Ambiental 1 Clima e Meio Construído Slide 2: Projetar com o clima não é uma limitação, mas uma oportunidade de expressão arquitetônica. Slide 3 Slide 4: Elementos do Clima Slide 5: O que é clima? Slide 6: Importância Slide 7: Temperatura do Ar Slide 8: Casa dos Arcos Mirai - Bhilwara, Índia Slide 9: Casa Solo- Squamish-Lillooet C, Canadá Slide 10: Umidade do Ar Slide 11: Galpão Tropical-Manaus, Brasil Slide 12: Casa dos Arcos - Brasilia, Brasil Slide 13: VentosSlide 14: Vila Oxalá- Maraú, Brasil Slide 15: A Casa no Vento – Pichilemu, Chile Slide 16: Radiação Solar Slide 17: Residência Vy- Suécia Slide 18: Vila ll- Casablanca, Marrocos Slide 19: Fatores Meteorológicos Slide 20 Slide 21: Macroclima, Mesoclima e Microclima Slide 22: Macroclima Slide 23: Macroclima Slide 24: Mesoclima Slide 25: Mesoclima Slide 26: Microclima Slide 27: Microclima Slide 28: Arquitetura, Clima e Futuro Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32