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ELETROTÉCNICA BÁSICA AULA 6 Prof. Samuel Polato Ribas 2 CONVERSA INICIAL Vamos estudar o gerenciamento e a tarifação da energia elétrica. O estudo desses assuntos é importante para a compreensão do consumo de uma instalação. Também vale para verificar se o grupo tarifário em que o consumidor está enquadrado é o mais adequado, levando em consideração as suas características de consumo de energia. Vamos começar com um estudo aprofundado do fator de potência, avaliando como cada tipo de carga (resistiva, indutiva e capacitiva) influencia na composição do fator de potência total de uma instalação. Também veremos aspectos que podem levar a um baixo fator de potência, avaliando as consequências técnicas e econômicas desse fato. Depois de compreender as causas do fator de potência, vamos verificar como esse quadro pode ser corrigido. Além disso, já entrando na questão de tarifação de energia, vamos apresentar os conceitos de fator de carga e demanda. Com base nesses estudos, podemos definir o gerenciamento de energia da instalação. Exclusivamente no que diz respeito à tarifação de energia elétrica, vamos estudar os grupos tarifários, que definem como é feita a composição da tarifa de energia elétrica para os consumidores. Na sequência, vamos trabalhar conceitos relevantes à eficiência energética e, por fim, o que a legislação da Aneel especifica em relação a isso. TEMA 1 – FATOR DE POTÊNCIA De acordo com o que já estudamos, em sistemas de corrente alternada, temos três tipos de potência: ativa, reativa e aparente. Tais potências podem ser relacionadas no triângulo de potências, com característica indutiva ou capacitiva. Independentemente da característica do triângulo, o valor do fator de potência é dado pela relação entre a potência ativa e a potência aparente, ou ainda pelo cosseno do ângulo formado entre o cateto da potência ativa com a hipotenusa, representando a potência aparente. Uma outra forma de medir o fator de potência de um equipamento ou instalação é considerando as formas de onda de tensão e corrente. Ao medir o ângulo de defasamento entre as formas de onda, verificando qual está adiantada ou atrasada, é possível determinar o fator de potência, pelo cosseno do ângulo, 3 e se ele apresenta característica indutiva ou capacitiva. Nesse contexto, é importante entender o comportamento da tensão e da corrente em cargas resistivas, indutivas e capacitivas. 1.1 Carga puramente resistiva A carga puramente resistiva é composta somente por resistências elétricas. Uma resistência elétrica é uma carga linear, ou seja, ela não causa defasamento entre a tensão aplicada sobre ela e a corrente elétrica que circula por ela. Nesse caso, a forma de onda da corrente é um espelho na forma de onda de tensão – ou seja, tem o mesmo formato, mas com amplitude diferente (também pode ser igual). A Figura 1 apresenta as formas de onda de tensão e corrente sobre uma resistência elétrica. Figura 1 – Formas de onda de tensão e corrente sobre uma resistência Fonte: Gedra; Barros; Borelli, 2014. Na Figura 1, vemos que as duas formas de onda se deslocam juntas no eixo horizontal. Em outras palavras, quando uma delas apresenta amplitude nula, a outra apresenta o mesmo. Quando uma está em sua amplitude máxima ou mínima, o mesmo acontece com a outra. Além disso, o ângulo com que passam por zero é igual. O mesmo acontece com o ângulo nas amplitudes máxima e mínima. Perceba que a 4 passagem por zero, em ambas as formas de onda, ocorre em 0º, 180º e 360º. A amplitude máxima é 90º e a mínima é 270º. Quando isso ocorre, dizemos que as formas de onda estão em fase, e que portanto o defasamento entre elas é de 0º. Como o fator de potência é o cosseno do ângulo de defasamento entre as formas de onda, na carga puramente resistiva o fator de potência é igual a 1. 1.2 Carga puramente indutiva A carga puramente indutiva é uma carga composta somente por indutâncias. Um indutor puro tem causa defasamento de 90º entre a tensão e a corrente elétrica. Mais especificamente, a indutância tem a capacidade de atrasar a corrente elétrica em relação à tensão em 90º - ou, em outras palavras, adiantar a tensão elétrica em relação à corrente em 90º. A Figura 2 apresenta as formas de onda de tensão e corrente sobre uma indutância. Figura 2 – Formas de onda de tensão e corrente: indutância Fonte: Gedra; Barros; Borelli, 2014. Na Figura 2, o defasamento pode ser observado pelo ângulo com que as formas de onda iniciam o semi-ciclo positivo. A forma de onda de tensão inicia um semi-ciclo positivo em 0º. Já a forma de onda de corrente inicia o semi-ciclo positivo apenas em 90º, quando a forma de onda de tensão já está no valor de pico – ou seja, a forma de onda de corrente está 90º atrasada em relação à forma de onda de tensão. 5 Dizemos que a forma de onda de corrente está atrasada porque o referencial adotado é a forma de onda de tensão. Porém, se o referencial muda para a forma de onda de corrente, o correto é dizer que a tensão está adiantada em relação à corrente, pois quando a corrente inicia o semi-ciclo positivo, a forma de onda de tensão já está em seu valor de pico. Portanto, ela iniciou o semi-ciclo positivo antes – ou seja, está adiantada. Tomando como referência a forma de onda de tensão, a corrente está atrasada em 90º. Além disso, o fator de potência será igual a 0, pois o cosseno de 90º é igual a zero. 1.3 Carga puramente capacitiva A carga puramente capacitiva é composta somente por capacitâncias. Um capacitor puro causa defasamento de 90º entre a tensão e a corrente elétrica. Mais especificamente, a capacitância tem a capacidade de adiantar a corrente elétrica em relação à tensão em 90º – ou, em outras palavras, atrasar a tensão elétrica em relação à corrente em 90º. A Figura 3 apresenta as formas de onda de tensão e corrente sobre uma capacitância. Figura 3 – Formas de onda de tensão e corrente sobre uma capacitância. Fonte: Gedra; Barros; Borelli, 2014. Na Figura 3, o defasamento pode ser observado pelo ângulo com que as formas de onda iniciam o semi-ciclo positivo. A forma de onda de tensão inicia o 6 semi-ciclo positivo em 90º. Já a forma de onda de corrente inicia o seu semi-ciclo positivo em 0º. Ou seja, quando a forma de onda de tensão ainda não teve início, a forma de onda de corrente está 90º adiantada em relação à forma de onda de tensão. Dizemos que a forma de onda de corrente está adiantada porque o referencial adotado é a forma de onda de tensão. Porém, se o referencial muda para a forma de onda de corrente, o correto é dizer que a tensão está atrasada em relação à corrente, pois quando a tensão inicia o semi-ciclo positivo a forma de onda de corrente já está em seu valor de pico. Portanto, ela iniciou o semi- ciclo positivo antes – ou seja, está adiantada. Tomando como referência a forma de onda de tensão, a corrente está adiantada de 90º. Aqui, o fator de potência será igual a 0, pois o cosseno de 90º é igual a zero. 1.4 Causas e consequências do baixo fator de potência O fator de potência de um equipamento ou instalação pode apresentar qualquer valor entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, melhor para a instalação e para o sistema elétrico. Porém, há equipamentos que contribuem significativamente para a diminuição do fator de potência de uma instalação. Entre os principais, estão as máquinas elétricas, como motores elétricos e transformadores. • Motores de indução operando a vazio, subdimensionados ou sobredimensionados: o que causa o baixo fator de potência em motores de indução é a potência reativa do núcleo, que é a mesma de quando o motor opera a vazio ou com carga nominal. Portanto, se ele opera a vazio ou com pouca carga, a maior parte da potência absorvida da rede é reativa, o que causaum baixo fator de potência. À medida que aumentamos a carga acoplada ao eixo do motor, a potência reativa permanece a mesma, mas a potência ativa aumenta, diminuindo a significatividade da parcela de potência reativa. Assim, o fator de potência tende a aumentar até atingir o valor nominal indicado pelo fabricante. Se acoplamos ao motor uma carga acima da nominal (ou seja, se o motor está subdimensionado), será preciso aumentar o seu fluxo magnético, o 7 que significa aumentar a potência reativa. Portanto, o fator de potência tende a diminuir. • Transformadores operando a vazio ou com pouca carga: neste caso, o baixo fator de potência decorre de motivos iguais ao que vimos nos motores de indução. • Grande quantidade de lâmpadas de descarga: este tipo de lâmpada demanda reatores. Para evitar esse problema, recomenda-se a utilização de reatores com elevado fator de potência. • Grande número de motores de baixa potência: os motores de pequena potência apresentam, naturalmente, um fator de potência menor em comparação aos motores de alta potência. Portanto, muitos motores de pequena potência produzem uma grande quantidade de energia reativa, o que acarreta um baixo fator de potência. • Cargas com grande parcela de potência reativa: por exemplo, fornos a arco e máquinas de solda. Nunca é vantajoso ter um baixo fator de potência, seja em aspectos técnicos, econômicos ou legais. Entre todas as consequências do baixo fator de potência, podemos destacar o que se segue. • Alguns consumidores industriais podem receber um acréscimo na fatura de energia elétrica, por conta de multa. • O aumento da corrente elétrica reativa resulta na necessidade de dimensionar condutores elétricos com maior seção transversal. • Aumento da frequência de queda de tensão na instalação, em função do aumento de corrente reativa. • Necessidade por dispositivos de proteção mais eficientes e, portanto, mais caros, em função da corrente reativa. TEMA 2 – GERENCIAMENTO DE ENERGIA O gerenciamento de energia implica verificar se a energia elétrica de um consumidor é adequada, em função de sua utilização. Para isso, é necessário realizar uma análise da energia elétrica que o consumidor absorve da concessionária de energia. Nessa análise, um dos aspectos mais relevantes é o fator de potência. Como já estudamos, certas cargas contribuem para a diminuição do fator de potência, com questões técnicas e econômicas 8 indesejáveis. Assim, é interessante entender como é feita a correção do fator de potência, para evitar que ele seja um vilão da instalação. 2.1 Correção do fator de potência Primeiramente, é importante conhecer o tipo de carga que influencia no fator de potência. Como já vimos, as principais cargas que influenciam na redução do fator de potência de uma instalação são as cargas que absorvem da rede elétrica potência reativa com característica indutiva, como os motores de indução. Portanto, o triângulo de potências das instalações tem uma característica indutiva, como mostra a figura a seguir. Figura 4 – Triângulo de potências com característica indutiva Analisando a figura, se a parcela de potência reativa Q for grande o suficiente para aumentar o ângulo θ, o fator de potência vai diminuir. Veja que, à medida que o ângulo θ aumenta, o cosseno diminui. Quanto menor o fator de potência, pior é a situação. Portanto, o intuito corrigir o fator de potência é diminuir a parcela de potência reativa, de modo que o ângulo θ seja suficientemente pequeno para que o fator de potência apresenta um valor adequado. Como a potência reativa é indutiva, é necessário inserir, na instalação, uma carga com potência reativa capacitiva, pois uma tende a se sobrepor à outra. Ou seja, se uma instalação apresenta excesso de potência reativa indutiva, é preciso instalar uma carga com potência reativa capacitiva, para reduzir ou eliminar o efeito da potência reativa indutiva original. Portanto, a técnica mais recomendada para corrigir o fator de potência é a instalação de um banco de capacitores. Para um melhor entendimento do que 9 ocorre no triângulo de potências na correção do fator de potência, a figura a seguir ilustra o comportamento das potências reativas. Figura 5 – Triângulo de potências após a correção do fator de potência A Figura 5(a) apresenta é um diagrama de potência de um consumidor, com uma potência ativa P, uma potência reativa indutiva QL, além de uma potência aparente S1. Tal combinação resulta em um fator de potência cujo ângulo é θ1. Ao triângulo de potências da Figura 5(a), adicionamos uma potência reativa capacitiva QC, o que resulta na Figura 5(b). É possível perceber que a potência reativa capacitiva se opõe à potência reativa indutiva. Portanto, as duas potências são subtraídas, prevalecendo a maior. No caso da Figura 5, a interação entre as potências reativas resulta na potência reativa total QT, conforme mostra a Figura 5(c). Podemos ver que a potência ativa não se altera em relação ao triângulo da Figura 5(a). Porém, a redução da potência reativa acaba reduzindo também a potência aparente, agora designada por S2, acarretando ainda a redução do ângulo do fator de potência, agora designado por θ2. Em resumo, a correção do fator de potência não altera a potência ativa, mas reduz a potência aparente – ou seja, reduz a potência total absorvida pela instalação da concessionária. Para entender melhor o assunto, vamos trabalhar com um exemplo numérico. Considere que um consumidor tem uma carga com uma potência ativa de 1000 W e uma potência reativa indutiva de 800 VAr, o que resulta em uma potência aparente de 1280 VA. Essa combinação resulta em um fator de potência de 0,78, com ângulo de 38,74º, como representa o triângulo de potências da figura a seguir. 10 Figura 6 – Exemplo de triângulo de potências Uma vez conhecido o triângulo de potências do consumidor, é necessário definir o fator de potência desejado. Vamos supor que o fator de potência desejado neste exemplo é 0,95. Assim, o ângulo do triângulo de potências deve ser de 18,2º. O triângulo de potências após a correção do fator de potência está representado na figura a seguir. Figura 7 – Triângulo de potências após a correção do fator de potência Agora, é importante explicar como chegamos aos valores de 1052 VA e 328 VAr. É possível perceber que o triângulo de potências é um triângulo retângulo; portanto, as relações trigonométricas de seno, cosseno e tangente se aplicam a ele. Portanto, a potência reativa indutiva desejadas e a potência aparente resultantes podem ser calculadas: tan 18,2º = 𝑄𝑄𝑇𝑇 1000 → 𝑄𝑄𝑇𝑇 = 1000 ∙ tan 18,2º = 328 𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉𝑉 (1) e cos 18,2º = 1000 𝑆𝑆 → 𝑆𝑆 = 1000 cos 18,2º = 1052 𝑉𝑉𝑉𝑉 (2) Perceba que a potência reativa indutiva era inicialmente de 800 VAr. Porém, para que o fator de potência seja de 0,95, o ângulo deve ser reduzido de 38,74º para 18,2º, resultando em uma potência reativa indutiva de 328 VAr. Logo, se a potência reativa indutiva é de 800 VAr, mas precisa ser de 328 VAr, é necessário incluir uma potência reativa capacitiva de 472 VAr. 11 Inserindo junto à carga do consumidor um banco de capacitores de 472 VAr, o fator de potência será corrigido para 0,95. 2.2 Fator de carga O fator de carga é um parâmetro que nos mostra se o consumo de energia elétrica está sendo calculado de maneira correta. Ele expressa a relação entre a energia ativa consumida em um determinado período de tempo e a energia ativa total que poderia ser consumida nesse mesmo intervalo de tempo, considerando que a demanda medida no período fosse utilizada o tempo todo. O cálculo do fator de carga de uma unidade consumidora depende do grupo tarifário a que ela pertence. Os grupos tarifários são divididos entre os Grupos A e B. Vamos estudar a estrutura tarifária nasequência. Para os consumidores que pertencem ao sistema tarifário horo-sazonal, o fator de carga depende do consumo e da demanda no Horácio de ponta e fora de ponta. Assim, existem dois fatores de carga, um de ponta e outro de ponta: 𝐹𝐹𝐹𝐹_𝑝𝑝 = 𝑘𝑘𝑘𝑘ℎ_𝑝𝑝 𝑘𝑘𝑘𝑘_𝑝𝑝 ∙ 𝑡𝑡_𝑝𝑝 (3) FC_p é o fator de carga no horário de ponta; kWh_p é a energia ativa consumida no horário de ponta; kW_p é a demanda no horário de ponta; e t_p é o número de horas do período de ponta. Já o fator de carga do horário fora de ponta é: 𝐹𝐹𝐹𝐹_𝑓𝑓𝑝𝑝 = 𝑘𝑘𝑘𝑘ℎ_𝑓𝑓𝑝𝑝 𝑘𝑘𝑘𝑘_𝑓𝑓𝑝𝑝 ∙ 𝑡𝑡_𝑓𝑓𝑝𝑝 (4) O significado das variáveis é o mesmo da equação (3), porém com relação ao período fora da ponta. 2.3 Demanda Por definição, a demanda é a média das potências elétricas ativas ou reativas injetadas ou solicitadas no sistema elétrico, durante um intervalo de tempo especificado. Segundo a Resolução Aneel n. 1000, de 7 de setembro de 2021, existem duas definições específicas para a demanda. • Demanda contratada: demanda de potência ativa obrigatória e continuamente disponibilizada pela distribuidora, no ponto de entrega, 12 conforme valor e período de vigência fixados em contrato. Ela deve ser paga integralmente, não importa se foi ou não utilizada durante o período de faturamento. É expressa em quilowatts (kW). • Demanda medida: corresponde ao maior valor de demanda de potência ativa medido em intervalos de 15 minutos durante o período de faturamento. TEMA 3 – TARIFAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA A tarifa de energia elétrica é o valor cobrado pelas concessionárias de energia pelo seu uso. O valor é cobrado na forma de R$/kWh – ou seja, o consumidor será cobrado por cada kWh que consumir durante um intervalo de um mês. Além disso, o valor da tarifa é acrescido de outros valores, como impostos e custos relativos ao uso da infraestrutura do sistema elétrico. A soma do total de kWh consumidos mais os impostos e demais custos compõe a tarifa de energia. No sistema elétrico brasileiro, são previstas duas modalidades de consumidor. Uma delas atende à maioria das unidades: o consumidor cativo. Ele pode adquirir energia elétrica somente da concessionária que faz a distribuição de energia elétrica no local da unidade consumidora. A outra modalidade é a de consumidor livre, que pode realizar a compra de energia elétrica em leilões de energia. Para que o consumidor se enquadre nessa modalidade, é necessário que atenda às regras da Aneel e da Câmera de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). 3.1 Classes de consumos No Brasil, a Aneel, por meio de sua Resolução n. 1000, estabelece, entre outros parâmetros, a divisão dos consumidores em classes, em função de alguns parâmetros estabelecidos. Para a definição das tarifas de energia elétrica, as unidades consumidoras são identificadas por classes e subclasses de consumo. • Residencial: se enquadram também os consumidores residenciais de baixa renda, baixa renda indígena, baixa renda quilombola e baixa renda multifamiliar, cujas tarifas são estabelecidas de acordo com critérios específicos. 13 • Industrial: se enquadram as unidades consumidoras que desenvolvem atividade industrial, inclusive o transporte de matéria-prima, insumo ou produto resultante do seu processamento. • Comercial, serviços e outras atividades: enquadram-se os serviços de transporte (exceto tração elétrica), comunicação e telecomunicação, templos religiosos, iluminação de rodovias, semáforos, radares e câmeras e outros afins. • Rural: se enquadram as atividades de agropecuária, cooperativa de eletrificação rural, indústria rural, coletividade rural e serviço público de irrigação rural, além de escola agrotécnica e aquicultura. • Poder público: enquadram-se as atividades dos poderes públicos federal, estadual ou distrital e municipal. • Iluminação pública: se enquadra a iluminação de ruas, praças, jardins, estradas e outros logradouros de domínio público, de uso comum e livre acesso, de responsabilidade de pessoa jurídica de direito público. • Serviço público: se enquadram os serviços de água, esgoto e saneamento, tração elétrica e ferroviária. • Consumo próprio: fornecimento destinado ao consumo de energia elétrica da própria empresa de distribuição. 3.2 Grupos tarifários No Brasil, os consumidores são divididos em dois grupos tarifários, A e B. O enquadramento da unidade consumidora é feito, basicamente, em função da tensão de fornecimento de energia. Se a tensão de fornecimento é menor do que 2,3 kV, os consumidores pertencem ao Grupo B. De maneira geral, tais consumidores são residências, comércios, bancos, edifícios residenciais, bancos e prédios públicos. Em relação à fatura de energia, o que caracteriza o Grupo B é a tarifação monômia. Isso significa que na fatura de energia abarca apenas o consumo de energia e os demais encargos. Dentro do Grupo B, existem subgrupos definidos em função da atividade desenvolvida pela unidade consumidora. • Subgrupo B1: consumidores residenciais. • Subgrupo B2: consumidores rurais. 14 • Subgrupo B3: demais consumidores. • Subgrupo B4: iluminação pública. Quando a tensão de fornecimento é maior do que 2,3 kV, os consumidores são enquadrados no Grupo A. Exemplos de consumidores deste grupo são indústrias e grandes consumidores comerciais, como shoppings centers. No Grupo A, a tarifação é do tipo binômia, ou seja, a fatura de energia cobra o consumo e a demanda contratada. Dentro do Grupo A, existem subgrupos definidos em função do nível de tensão de atendimento. • Subgrupo A1: fornecimento de tensão em 230 kV ou mais. • Subgrupo A2: fornecimento de tensão de 88 a 138 kV. • Subgrupo A3: fornecimento de tensão de 69 kV. • Subgrupo A3a: fornecimento de tensão de 30 a 44 kV. • Subgrupo A4: fornecimento de tensão de 2,3 a 25 kV. • Subgrupo AS: fornecimento por sistema subterrâneo, mesmo que atendido em tensões abaixo de 2,3 kV. 3.3 Estrutura tarifária A estrutura tarifária abarca o conjunto de tarifas aplicadas na composição da fatura de energia. Como já mencionamos, a principal diferença entre os grupos tarifários é que, no Grupo B, a fatura é monômia, enquanto no Grupo A a fatura é binômia. A partir desse ponto, podemos estudar as estruturas tarifárias de cada grupo de maneira detalhada, começando pelo Grupo A. Como já definimos, a fatura de um consumidor do grupo leva em consideração o consumo de energia elétrica e a demanda. A demanda é contratada diretamente com a concessionária de energia, sendo, portanto, um acordo entre o consumidor e a concessionária. Sendo assim, é preciso que ela seja medida. Para realizar a medição da demanda, o medidor da concessionária calcula a média da potência solicitada pela rede em intervalos de 15 minutos. O valor da demanda considerado na fatura é o maior, avaliando as demandas contratada e registrada dentro de um ciclo de medição. Ou seja, se a demanda medida for maior que a contratada, é cobrado o valor da demanda medida. Se a demanda 15 medida for menor do que a contratada, o valor faturado é o da demanda contratada. De acordo com a Resolução n. 1000 da Aneel, é permitido ultrapassar 5% do valor da demanda sem cobrança de valor excedente. Porém, se a demanda ultrapassa o percentual de 5%, o valor faturado será o valor total registrado, acrescido da ultrapassagem, multiplicada pelo dobro do valor da tarifa da demanda. Para entender melhor, considere o exemplo de um consumidor do Grupo A, com uma demanda contratada de 200 kW. Temos que 5% de 200 kW é 10 kW. Portanto, se a demanda medida for de até 210 kW, a demanda faturada será o valor medido multiplicado pela tarifa de demanda, ou seja, 210 kW x tarifa de demanda. Agora, vamos supor que a demanda medida foi de 220 kW, ou seja, ela passou dos 5% do valor contratado. Portanto o valor faturadoserá 220 kW multiplicado pela tarifa de demanda mais 20 kW multiplicado pelo dobro da fatura de demanda, ou seja, (220 kW x tarifa de demanda) + (20 kW x 2 x tarifa de demanda). Outro ponto que deve ser levado em consideração pelos consumidores do Grupo A é o fator de potência. A Resolução n. 1000 da Aneel estabelece que o fator de potência médio, medido a cada hora, não pode ser inferior a 0,92. A mesma resolução determina que, no intervalo entre 23:30h e 6:30h, a concessionária de energia estabelece 6 horas durante as quais o fator de potência deve ser maior ou igual a 0,92, com característica capacitiva. Nas demais horas do dia, o fator de potência não pode ser menor que 0,92, com característica indutiva. Caso o consumidor não obedeça esses critérios, será penalizado com multa na tarifa de energia. A figura a seguir apresenta um gráfico que ilustra o horário para a tarifação do fator de potência. Figura 8 – Horário para tarifação do fator de potência Fonte: Gedra; Barros; Borelli, 2014. 16 Além disso, consumidores do Grupo A, dependendo da modalidade a que pertencem, devem ficar atentos aos horários de ponta e de fora de ponta. O horário de ponto é definido pela concessionária de energia, que deve escolher três horas consecutivas em função da sua curva de carga. Normalmente, as concessionárias escolhem três horas consecutivas entre 17:00h e 21:00h. A figura a seguir traz uma representação gráfica do horário de ponta e dos horários de ponta capacitivo e indutivo. Figura 9 – Horário de ponta e fora de ponta capacitivo e indutivo Fonte: Gedra; Barros; Borelli, 2014. Os horários de ponta e de fora de ponta são importantes, porque os consumidores do Grupo A são divididos em duas modalidades com estrutura tarifária diferentes: • Estrutura tarifária horo-sazonal verde; e • Estrutura horo-sazonal azul. A estrutura horo-sazonal verde é disponibilizada para consumidores do Grupo A, mais precisamente para os subgrupos A3a, A4 e As. Nesta estrutura tarifária, o contrato de demanda é o mesmo, independentemente da hora do dia e dos meses do ano. Portanto, não há diferença entre horário de ponta e fora de ponta, e nem período seco e úmido, em relação à demanda. Porém, há uma diferença de tarifação quando o consumo ocorre no horário de ponta ou fora de ponta. Sendo assim, a parcela do consumo que compõe a tarifa de energia elétrica é dada por: 𝐹𝐹𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻 = 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑉𝑉𝑡𝑡𝑓𝑓𝑡𝑡 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑡𝑡 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 × 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑚𝑚𝑚𝑚𝑡𝑡𝑚𝑚𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑡𝑡 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 +𝑡𝑡𝑡𝑡𝑉𝑉𝑡𝑡𝑓𝑓𝑡𝑡 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝑓𝑓𝐶𝐶𝑉𝑉𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 × 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑚𝑚𝑚𝑚𝑡𝑡𝑚𝑚𝐶𝐶 𝑓𝑓𝐶𝐶𝑉𝑉𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 (5) Além disso, as tarifas de consumo na ponta e fora de ponta podem sofrer alterações, dependendo da época do ano – ou seja, há influência do período úmido e seco. 17 A adoção da estrutura tarifária horo-sazonal azul é obrigatória para os consumidores do Grupo A pertencentes aos subgrupos A1, A2 e A3. Portanto, consumidores que são atendidos com tensão de 69 kV ou mais. Para os consumidores dos subgrupos A3a, A4 e As, a adoção da estrutura tarifária horo- sazonal azul é optativa. Nesta estrutura tarifária, o contrato de demanda entre o consumidor e a concessionária de energia deve ser estabelecido para os horários de ponta e fora de ponta, com valores possivelmente diferentes. Para esses consumidores, a fatura de energia leva em consideração o consumo na ponta e fora de ponta e a demanda na ponta e fora de ponta. Portanto, existem quatro tarifas aplicadas. A parcela da fatura de energia referente ao consumo é calculada pela seguinte equação: 𝐹𝐹𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻 = 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑉𝑉𝑡𝑡𝑓𝑓𝑡𝑡 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑡𝑡 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 × 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑚𝑚𝑚𝑚𝑡𝑡𝑚𝑚𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑡𝑡 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 +𝑡𝑡𝑡𝑡𝑉𝑉𝑡𝑡𝑓𝑓𝑡𝑡 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝑓𝑓𝐶𝐶𝑉𝑉𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 × 𝑐𝑐𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 𝐶𝐶𝑚𝑚𝑚𝑚𝑡𝑡𝑚𝑚𝐶𝐶 𝑓𝑓𝐶𝐶𝑉𝑉𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 (6) O valor da tarifa de consumo na ponta e fora de ponta sofre alteração em função do período do ano. No período seco, as tarifas podem ser mais caras em comparação ao período úmido. Em relação à parcela da tarifa relacionada à demanda, o raciocínio é o mesmo. Há uma tarifa para o horário de ponta e outra para o horário fora de ponta, de modo que o valor da demanda é calculado da seguinte forma: 𝐷𝐷𝑚𝑚𝐶𝐶𝑡𝑡𝐶𝐶𝑚𝑚𝑡𝑡𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻𝐻 = 𝑡𝑡𝑡𝑡𝑉𝑉𝑡𝑡𝑓𝑓𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚𝐶𝐶𝑡𝑡𝐶𝐶𝑚𝑚𝑡𝑡 𝐶𝐶𝑡𝑡 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 × 𝑚𝑚𝑚𝑚𝐶𝐶𝑡𝑡𝐶𝐶𝑚𝑚𝑡𝑡 𝐶𝐶𝑚𝑚𝑚𝑚𝑡𝑡𝑚𝑚𝑡𝑡 𝐶𝐶𝑡𝑡 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 +𝑡𝑡𝑡𝑡𝑉𝑉𝑡𝑡𝑓𝑓𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚𝐶𝐶𝑡𝑡𝐶𝐶𝑚𝑚𝑡𝑡 𝑓𝑓𝐶𝐶𝑉𝑉𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 × 𝑚𝑚𝑚𝑚𝐶𝐶𝑡𝑡𝐶𝐶𝑚𝑚𝑡𝑡 𝐶𝐶𝑚𝑚𝑚𝑚𝑡𝑡𝑚𝑚𝑡𝑡 𝑓𝑓𝐶𝐶𝑉𝑉𝑡𝑡 𝑚𝑚𝑚𝑚 𝑝𝑝𝐶𝐶𝐶𝐶𝑡𝑡𝑡𝑡 (7) Para os consumidores que se enquadram na estrutura tarifária do Grupo B, a fatura de energia é calculada considerando o consumo energético multiplicado pela tarifa de consumo. Para esses consumidores, não há demanda contratada, não há multa por baixo fator de potência, e não existe diferença no valor de tarifa de consumo em função do período do ano. Entretanto, tais consumidores estão sujeitos à aplicação das bandeiras tarifárias. As bandeiras tarifárias são três (verde, amarela e vermelha), refletindo os custos para a geração de energia. As bandeiras se aplicam normalmente quando os reservatórios das usinas hidroelétricas estão em um nível muito baixo, o que demanda a ativação de usinas termoelétricas. Como o custo de produção 18 de energia nessas usinas é mais caro, a bandeira tarifária muda, o que afeta o valor da tarifa de consumo. TEMA 4 – EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A eficiência energética de uma instalação é um parâmetro importante para determinar se a energia elétrica está sendo utilizada de maneira adequada. Para que um trabalho de eficiência energética seja implementado em uma unidade consumidora, é aconselhável contratar um profissional especializado para a realização de um diagnóstico energético da instalação. O objetivo do diagnóstico energético é realizar o levantamento das cargas existentes na instalação, verificando o uso das cargas e propondo recomendações de melhoria de uso, ou ainda a substituição dos equipamentos da instalação. A Figura 10 apresenta as etapas de um diagnóstico energético. Figura 10 – Etapas de um diagnóstico energético Fonte: Gedra; Barros; Borelli, 2014. As cargas, que representam a forma de uso final da energia, configuram- se na principal influência sobre todo o diagnóstico energético, pois elas definem parâmetros do estudo, como perdas energéticas e consumo. Assim, é sobre as cargas que as ações devem ser tomadas, considerando a sua forma de utilização. Elaboração das recomendações e conclusões Desenvolvimento dos estudos técnicos e econômicos das alternativas de redução das perdas Avaliação das perdas de energia Caracterização do consumo energético Estudo dos fluxos de materiais e produtos Levantamento de dados gerais da empresa 19 Um dos principais aspectos que resulta em alto índice de eficiência energética por parte de um consumidor é a utilização de cargas com baixo consumo energético e com alto nível de rendimento. Esse quadro garante um baixo nível de perdas energéticas. A seguir, vamos abordar algumas das principais cargas encontradas em unidades consumidoras, residenciais, comerciais e industriais, avaliando como elas podem contribuir para a melhoria da eficiência energética das instalações. A primeira delas é a iluminação. Ela está presente em todos os tipos de consumidores, caracterizando uma dasformas mais comuns de uso final da energia elétrica. As lâmpadas passaram por uma evolução tecnológica extremamente relevante nos últimos anos. Há alguns anos, predominavam as lâmpadas incandescentes, que depois foram substituídas pelas lâmpadas fluorescentes. Atualmente, predominam as lâmpadas LED. Com a diminuição do custo das lâmpadas LED, a sua utilização se tornou bastante atrativa, principalmente por conta do tempo de vida útil. Além disso, a potência de uma lâmpada LED, com a mesma capacidade de iluminação de uma lâmpada incandescente ou fluorescente, é muito menor, o que diminui significativamente o consumo de energia. Em resumo, as lâmpadas LED são sempre recomendadas. O ar-condicionado é um equipamento largamente utilizado em ambientes comerciais, escritórios, shopping centers e ambientes industriais, principalmente na área de escritórios. Sendo assim, é importante que o uso desses equipamentos seja feito de forma consciente. Nesse sentido, recomenda-se que a arquitetura aproveite a ventilação natural, buscando manter os ambientes confortáveis. Além disso, é importante verificar a capacidade de refrigeração dos equipamentos. A capacidade de refrigeração é medida em BTUs, ou ainda em toneladas de refrigeração (TR). Uma tonelada de refrigeração é equivalente a 12000 BTUs. É importante verificar sempre a relação entre a potência e a capacidade de refrigeração do equipamento – ou seja, kW/BTU ou kW/TR. Quanto menor a relação, mais eficiente é o equipamento. No ambiente industrial, a maior carga está nos motores de indução. Assim como o fator de potência, o motor apresenta maior rendimento quando opera a plena carga. Ou seja, quando fornece a carga acoplada ao eixo com a potência 20 que foi projetado para fornecer. Assim, motores que operam com pouca carga apresentam um rendimento baixo, resultando em uso ineficiente da energia elétrica. Outro ponto relevante é o material utilizado na construção dos motores. O material magnético do núcleo dos motores mais antigos apresenta qualidade inferior aos atuais. Portanto, motores elétricos antigos não conseguem alcançar o mesmo nível de rendimento dos atuais. Assim, é recomendável substituí-los. Ainda, é aconselhável utilizar motores de alto rendimento. Tais motores apresentam um rendimento superior aos motores padrões, com melhor utilização de energia elétrica. TEMA 5 – LEGISLAÇÕES DA ANEEL A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é uma agência reguladora estatal, pertencente ao Governo Federal e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Ela é o órgão responsável pela regulação e pela fiscalização de serviços relacionados com geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica. Ela estabelece as regras a serem seguidas por concessionárias, consumidores e comercializadores de energia elétrica. A Aneel tem duas empresas subordinadas: a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e o Operador Nacional do Sistema (ONS). A CCEE é responsável pelos processos de compra e venda de energia elétrica. Já a ONS é responsável pela supervisão e pelo controle das operações do sistema elétrico de potência. O sistema elétrico de potência faz parte do Sistema Integrado Nacional (SIN), que corresponde à parte interligada do sistema elétrico nacional, possibilitando que a energia elétrica seja produzida e enviada para todas as regiões do Brasil. No que diz respeito à compra e à venda de energia elétrica, a Aneel define duas possibilidades: o Ambiente de Contratação Livre (ACL) e o Ambiente de Contratação Regulada (ACR). A diferença está na forma de aquisição da energia elétrica por parte dos consumidores. No ACL, os consumidores podem realizar a aquisição de energia elétrica de qualquer comercializadora. Para fazer parte do ACL, o consumidor deve atender os requisitos do CCEE. Já no ACR, os consumidores adquirem a energia elétrica diretamente da concessionária de energia que atende a região. Quando falamos em 21 concessionárias, estamos nos referindo às empresas que detêm os direitos da concessão para explorar esse serviço. Cabe à Aneel estabelecer regras para a prestação dos serviços. Como exemplos de concessionárias, podemos citar: • Companhia Paranaense de Energia (Copel); • Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc); • Companhia Elétrica de Minas Gerais (Cemig); • Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba); • Centrais Elétricas do Pará (Celpa); e • Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern). A principal legislação da Aneel é a Resolução Normativa n. 1.000, de 7 de dezembro de 2021. Embora seja de importância para todos os consumidores, ela é mais relevante para os consumidores pertencentes ao Grupo A, pois estabelece regras no que diz respeito à demanda e ao fator de potência, importantes preocupações dos consumidores pertencentes a esse grupo. FINALIZANDO Nesta etapa, aprofundamos os nossos conhecimentos sobre fator de potência, gerenciamento de energia e estrutura tarifária. Primeiramente, avaliamos como cada tipo de carga influencia o fator de potência. Vimos ainda as características das cargas resistiva, capacitiva e indutiva. Além disso, apresentamos as principais causas do baixo fator de potência, com as suas consequências. Na sequência, estudamos o gerenciamento de energia, com uma metodologia de correção de fator de potência, por meio de bancos de capacitores, uma técnica bastante comum em ambientes industriais, pois é simples e eficiente. Também trabalhamos os conceitos de fator de carga e demanda. Depois, estudamos a tarifação de energia elétrica, considerando classes de consumo, grupos tarifários e estrutura tarifária. Definimos os Grupos A e B, e como é realizada a composição da fatura de energia para esses consumidores. Sobre os consumidores do Grupo A, destacamos a influência do fator de potência, da demanda, e também do período do ano na composição da fatura de energia elétrica. 22 Na sequência, trabalhamos com o tema da eficiência energética, introduzindo o conceito de diagnóstico energético, avaliando a sua importância para a instalação. Também trouxemos sugestões para melhorar o rendimento energético de uma instalação, com a substituição e a melhoria de alguns tipos de carga. Por fim, apresentamos a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com as suas funções. Estudamos também as empresas subordinadas. Sobre o tema, destacamos que a Resolução Normativa Aneel n. 1.000, de 7 de dezembro de 2021, estabelece as regras para o fornecimento de energia e a tarifação dos consumidores. 23 REFERÊNCIAS GEDRA, R. L.; BARROS, B. F. D.; BORELLI, R. Geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica. 1. ed. São Paulo: Érica, 2014. Conversa inicial FINALIZANDO REFERÊNCIAS