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Ciências e Tecnologia das
Tópicos Atuais em
Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Reinaldo Pacheco dos Santos
Walmir Fernandes Pereira
(Orgs.)
Águas
científica digital
VOL. 2
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Edição © 2024 Editora Científica Digital
Texto © 2024 Os Autores
1a Edição - 2024
Acesso Livre - Open Access
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
T674 Tópicos atuais em ciências e tecnologia das águas / Organização de Clecia Simone 
Gonçalves Rosa Pacheco, Reinaldo Pacheco dos Santos, Walmir Fernandes Pereira. – 
Guarujá-SP: Científica Digital, 2024.
Formato: PDF 
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui Bibliografia
ISBN 978-65-5360-669-2
DOI 10.37885/978-65-5360-669-2
1. Recursos hídricos. I. Pacheco, Clecia Simone Gonçalves Rosa (Organizadora). II. Santos, 
Reinaldo Pacheco dos (Organizador). III. Pereira, Walmir Fernandes. IV. Título.
CDD 333.91
Elaborado por Janaína Ramos – CRB-8/9166
Índice para catálogo sistemático:
 I. Recursos hídricos
© COPYRIGHT DIREITOS RESERVADOS. A editora detém os direitos autorais pela edição 
e projeto gráfico. Os autores detêm os direitos autorais dos seus respectivos textos. Esta 
obra foi licenciada com uma Licença de Atribuição Creative Commons – Atribuição 4.0 
Internacional, permitindo o download e compartilhamento integral ou em partes, desde 
que seja citada a fonte, com os créditos atribuídos aos autores e obrigatoriamente no 
formato Acesso Livre (Open Access) e sem a possibilidade de alteração de nenhuma forma. 
É proibida a catalogação em plataformas com acesso restrito e/ou com fins comerciais.
EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA
Guarujá - São Paulo - Brasil
www.editoracientifica.com.br - contato@editoracientifica.com.br
Diagramação e Arte 
Equipe Editorial
Imagens da Capa 
Adobe Stock - 2024
Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Reinaldo Pacheco dos Santos
Walmir Fernandes Pereira
(Orgs.)
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia 
das Águas
2024 - GUARUJÁ - SP
1ª EDIÇÃO
científica digital
Parecer e revisão por pares 
Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho 
Editorial e Revisados por Pares Externos (Peer Review), sendo indicados para 
publicação.
 
Nota: Esta obra é uma produção colaborativa, tornando-se uma coletânea 
com reservas de direitos autorais para os autores. Alguns capítulos podem ser 
derivados de outros trabalhos já apresentados em eventos acadêmicos, todavia, 
os autores foram instruídos ao cuidado com o autoplágio. A responsabilidade 
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APRESENTAÇÃO
Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores, 
estudantes e pesquisadores que se destacaram e qualificaram as discussões 
neste espaço formativo. Resulta, também, de movimentos interinstitucionais e 
de ações de incentivo à pesquisa que congregam pesquisadores das mais 
diversas áreas do conhecimento e de diferentes Instituições de Educação 
Superior públicas e privadas de abrangência nacional e internacional. Tem como 
objetivo integrar ações interinstitucionais nacionais e internacionais com redes 
de pesquisa que tenham a finalidade de fomentar a formação continuada dos 
profissionais da educação, por meio da produção e socialização de conheci-
mentos das diversas áreas do Saberes.
Agradecemos aos autores pelo empenho, disponibilidade e dedicação para 
o desenvolvimento e conclusão dessa obra. Esperamos também que esta obra 
sirva de instrumento didático-pedagógico para estudantes, professores dos 
diversos níveis de ensino em seus trabalhos e demais interessados pela temática. 
Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco
Reinaldo Pacheco dos Santos
Walmir Fernandes Pereira
SUMÁRIO
Capítulo 01
ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A NO 
RESERVATÓRIO ARROIO CHASQUEIRO: DINÂMICA DE IRRIGAÇÃO E SAZONALIDADE
Laura Martins Bueno; Eduardo Luceiro Santana; Ottoni Marques Moura de Leon; Felipe de Lucia Lobo
 ' 10.37885/241118161.......................................................................................................................................... 8
Capítulo 02
DIAGNÓSTICO DO SISTEMA LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ (RJ): ANÁLISE DAS 
PROBLEMÁTICAS AMBIENTAIS NO ECOSSISTEMA
Emanuele Koschier Pinto; Anna Nachtigall da Cruz; Idel Cristiana Bigliardi Milani
 ' 10.37885/241018022 ...................................................................................................................................... 21
Capítulo 03
 EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE SEDIMENTO
Kamilla da Silva Martins Pitana; Idel Cristiana Bigliardi Milani
 ' 10.37885/241018020......................................................................................................................................42
Capítulo 04
LEVANTAMENTO DA GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO MUNICÍPIO DE PELOTAS/
RS: ANÁLISE DE PROJETOS EXISTENTES E PROPOSIÇÃO DE MELHORIAS
Anna Nachtigall da Cruz; Emanuele Koschier Pinto; Idel Cristiana Bigliardi Milani; Reginaldo 
Galski Bonczynski
 ' 10.37885/241018021 .......................................................................................................................................60
Capítulo 05
MÉTODOS DE ESTUDOS GEOQUÍMICOS PARA MONITORAMENTO AMBIENTAL DE 
SEDIMENTO DE CORPOS HÍDRICOS
Hênio do Nascimento Melo Júnior; Hênio Vitor Sobral Melo; Francisco José de Paula Filho; Raimundo 
Nonato Pereira Teixeira
 ' 10.37885/240917650 .....................................................................................................................................80
Capítulo 06
O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DESORDENADA E SEUS IMPACTOS NO AÇUDE DO 
GRAVATÁ, SERRINHA/BA
Jackeline Lisboa Araújo Santos; Juliana Araújo Santos; Maria Auxiliadora Freitas dos Santos
 ' 10.37885/240817578 ....................................................................................................................................102
Capítulo 07
QUALIDADE DA ÁGUA NA LARVICULTURA COMERCIAL DO CAMARÃO DE ÁGUA 
DOCE MACROBRACHIUM AMAZONICUM (HELLER, 1862)
Elias Fernandes de Medeiros Junior
 ' 10.37885/241118146 .......................................................................................................................................por tipo 
de infraestrutura (lixo, esgoto e água), segundo a Região Administrativa XXIV Barra da Tijuca - 1991/ 
2000/2010. (Armazém de 107 Dados/ Domicílios Particulares Permanentes, por tipo de infraestrutura, 
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40
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
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' 10.37885/241018020
03
 EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE 
SEDIMENTO
Kamilla da Silva Martins Pitana
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Idel Cristiana Bigliardi Milani
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
https://dx.doi.org/10.37885/241018020
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
RESUMO
As atividades naturais e antropogênicas ocorrentes no solo e no entorno dos 
corpos hídricos acarreta o transporte de sedimentos que podem causar erosão ou 
deposição no fundo dos corpos hídricos e consequente poluição. Esse processo 
se intensifica com o desmatamento, a erosão, contribuindo para que o material 
em suspensão seja depositado no fundo dos corpos hídricos. Para tanto, faz-se 
necessário amostrar sedimentos suspensos ou depositados nos mananciais hídri-
cos de forma adequada. Para tanto, o presente estudo teve como objetivo realizar 
um levantamento dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos a 
serem utilizados em ambientes hídricos. Além disso, descreveu suas principais 
características, de forma que o leitor possa compará-los em termos de aplicação 
e relação custo-benefício. O estudo foi desenvolvido através de um levantamento 
de informações relativas a equipamentos de amostragem de sedimentos dispo-
nibilizadas em sites institucionais, artigos científicos e outros. A busca permitiu 
identificar diferentes equipamentos utilizados para amostragem de sedimentos 
suspensos e de fundo utilizados tanto em águas rasas como em águas profun-
das. Foi possível identificar uma diversidade de equipamentos utilizados em 
amostragem de sedimentos e suas características de acordo com as diferentes 
demandas de amostragem. Verifica-se a importância de conhecer e comparar 
os diferentes equipamentos antes de definir o mais adequado a ser utilizado no 
estudo a ser desenvolvido. De acordo com estudos e levantamentos verificou-se 
a carência de informações e acessibilidade para encontrar o detalhamento dos 
equipamentos de amostragem de sedimentos para ambientes hídricos no Brasil.
Palavras-chave: amostradores de sedimentos; sedimento em suspensão; 
testemunhos sedimentares.
44
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
INTRODUÇÃO
A crescente interação do homem com o meio ambiente promoveu um 
significativo aumento dos impactos pela decorrência das atividades antrópicas, 
sendo assim, os recursos hídricos no continente são um dos recursos que recebem 
essas influências sendo uma delas o transporte de sedimentos. Esse processo 
acontece de forma acentuada por ações de desmatamento, erosão e manejo ina-
dequado na agricultura, o qual contribui para que o material em suspensão seja 
depositado nos rios ou até que seja transportado ao oceano (DORNELLES, 2009).
Os sedimentos são compostos por um conjunto de partículas de diversas 
fontes, que se acumulam de forma natural ou por influência antropogênica ao 
longo do tempo. Esse processo acontece por partículas de mineral ou soluto de 
forma natural, ou também em forma de agregado ou depósito (FELIX; HORN 
FILHO, 2020). Freitas (2014) indica que os sedimentos são classificados em duas 
categorias principais sendo elas: arraste e dissolvida, além de serem identifica-
dos quanto ao seu tipo de carga, como dissolvida, em suspensão e do leito. Para 
entender adequadamente esse processo, é importante compreender diferentes 
áreas que a sedimentologia se interliga como geografia, geologia, oceanografia, 
engenharias, agronomia e biologia (FELIX; HORN FILHO, 2020).
O geólogo norte americano Grove Karl Gilbert (1843-1918) foi um pesqui-
sador nados processos de transporte e deposição de sedimentos, além de ter 
estudos focados em diferentes ambientes fluviais e lacustres (ANDERSON, 2018). 
Outro pesquisador importante foi William Morris Davis (1850-1934), que atuava 
como professor em Harvard e ganhou notoriedade por sua teoria sobre os ciclos 
erosivos, além de entender como os sedimentos são transportados e depositados 
através da água (DAVIS, 2024). No Brasil, apenas no início do século passado a 
hidrometria começou a ter mais estrutura, o qual teve evolução na metodologia 
operacional, aos equipamentos e observações, além do número de seções de 
monitoramentos aumentarem (DORNELLES, 2009).
Os avanços tecnológicos nas diversas áreas da sedimentologia podem ser 
associados às crescentes ações antrópicas e às mudanças climáticas. O estudo 
realizado por Ferrigo et al. (2014) detalha e define esse processo de planejamento 
e gerenciamento de bacias hidrográficas ao interior do continente. Lacerda (2010), 
45
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
por sua vez, aborda o potencial erosivo na linha de costa brasileira, devido a 
acontecimentos climáticos no processo dinâmico e funcionamento no ambiente.
Cabe destacar que sedimentos podem ser classificados em sedimentos 
suspensos nos corpos hídricos ou de fundo, podendo estes estarem presentes 
em corpos hídricos rasos ou profundos. Os sedimentos em suspensão que estão 
presentes nos rios, lagos e mares são provenientes de minerais e orgânicos, 
além de sua composição está associada a partículas de areia, silte e argila e 
de processos erosivos (BORTOLUZZI; POLETO, 2006). As metodologias para 
análise de sedimentos em suspensão estão em constante desenvolvimento por 
técnicas com maior precisão, menor custo e monitoramentos contínuos seguros 
(DORNELLES, 2009).
Queiroz et al. (2011) define sedimentos de fundo com característica de areia 
fina e média, além de silte-argila sua característica, que se deposita ao fundo do 
leito hídrico. Os autores ressaltam que a granulometria do sedimento de fundo 
se caracteriza como uniforme e arredondada, sendo indicativo de transporte e 
tempo. É imprescindível conhecer as características físicas, químicas e biológi-
cas dos sedimentos suspensos ou depositados nos fundos dos corpos hídricos, 
como forma a avaliar impactos naturais ou antropogênicos e assim fazer a gestão 
correta do ecossistema. 
Para identificação desses impactos é necessário conhecer a diversidade 
de equipamentos amostradores hidrossedimentológicos, pois de acordo com 
Vestena et al. (2007) para um bom entendimento da dinâmica do sedimento em 
suspensão com amostras de pontos com períodos longos há uma dificuldade em 
estimar a produção de sedimento de uma bacia ou por outro evento climatológico. 
Brandão et al. (2011) ressalta a importância de uma amostragem representativa, 
a definição de qual equipamento deve ser utilizado como forma a coletar com 
representatividade a amostra de sedimento, levando em consideração as dife-
rentes características do sedimento, volume e eficiência, contribuindo de forma 
significativa para um estudo qualificado e representativo.
Os amostradores de sedimentos para serem utilizados em águas mais 
rasas, ou seja, águas situadas geralmente no interior do continente como rios, 
lagos, açudes são bastante diversos no mercado brasileiro, além de possuírem 
fácil utilização e custo mais baixo quando comparados aos amostradores a 
serem utilizados em água mais profundas, como no caso de águas litorâneas ou 
46
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
oceânicas. Os equipamentos amostradores de sedimentos em águas profundas 
necessitam de profissionais mais qualificados e aptos ao manuseio, além de possuí-
rem custos mais elevados, demandar uma maior logística amostral e possuir menor 
diversidade e disponibilidade tanto no mercado nacional quanto internacional.
Desta forma, o presente estudo teve como objetivo realizar um levantamento 
dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos a serem utilizados 
em ambientes hídricos no interior do continente e em ambiente oceânico, tanto 
para sedimentos suspensos, quanto depositados no fundo de corpos hídricos. 
Além de descrever suas principais características, de forma que o leitor possa 
compará-los em termos de aplicação e relação de custo-benefício. 
MÉTODOS
O trabalho consistiu na busca de informações sobre os diferentes equi-
pamentos disponibilizados no mercado nacional, que vem sendo utilizados em 
estudos e pesquisas associados a sedimentos suspensos e de fundo nos diferentes 
corpos hídricos brasileiros, disponibilizados em diferentes fontes científicas e 
registrados em base de dados públicos e de livre acesso e em sites de diferentes 
empresas públicas ou privadas.
As principais bases consultadas foram Scielo, Google Acadêmico e 
Periódico Capes utilizando palavras-chave de busca como “amostradores de 
sedimentos”, “testemunhos sedimentares”, “sedimentos suspensos”, “processos 
sedimentares”, “custo de amostradores de sedimentos” e seus termos traduzidos 
para a língua inglesa. 
A busca de informações ocorreu de julho a outubro de 2024. Os traba-
lhos foram separados de acordo com o enfoque que possuíam, por exemplo, 
amostradores de águas profundas, amostradores de águas rasas, sedimentos 
suspensos e sedimentos de fundo. A composição dos trabalhos foi sintetizada e 
apresentada no presente estudo como forma a compreender o funcionamento 
dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos e realizar o levan-
tamento dos custos financeiros dos mesmos. Essas leituras e sínteses auxiliaram 
na discussão do presente estudo.
Cabe salientar que durante o presente estudo os valores de mercado apre-
sentados foram indicados sem identificação das empresas, como forma a não 
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
comprometer nenhuma instituição ou empresa, indicando apenas uma ordem de 
grandeza de custos como forma a possibilitar uma análise comparativa.
RESULTADOS
AMOSTRADORES DE SEDIMENTOS
No presente item serão apresentados os principais tipos de amostradores 
de sedimentos utilizados para amostragem de sedimentos em suspensão e de 
sedimentos de fundo. Inicialmente serão apresentados alguns amostradores 
utilizados para coleta de sedimentos suspensos e na sequência serão tratados 
dos amostradores de sedimento de fundo, sendo discutidos em separado, ini-
cialmente os amostradores de sedimentos para serem utilizados em águas mais 
rasas como as do interior do continente (rios, lagos, açudes, barragens, lagoas, 
lagunas) e na sequência amostradores para águas mais profundas como de pla-
taforma continental e águas oceânicas profundas. Por fim, serão apresentados 
aspectos financeiros destes equipamentos para que o leitor possa verificar quais 
equipamentos são adequados para suas demandas.
Amostradores de Sedimentos em Suspensão 
Os equipamentos de sedimentos em suspensão podem ser classificados 
em diferentes tipos, sendo eles mecânicos, sensores eletrônicos e ópticos. Esses 
amostradores são considerados com boa precisão e fácil uso, porém, os amostra-
dores mecânicos podem ter uma desvantagem que é extração do sedimento de 
forma incompleta (ANSARI et al., 2020). O mecanismo de amostragem mecânica 
se caracteriza por sua confiabilidade, além de apresentar uma base sólida e muito 
utilizada, o qual pode ser conhecido como padrão, porém sua desvantagem está 
em dados temporais (DORNELLES, 2009). 
O modelo DH 48 é um clássico amostrador mecânico de sedimentos sus-
pensos, sendo caracterizado por ser leve, e realizar a amostragem de integralização 
na vertical. O amostrador pode ser utilizado em forma de arraste ou manual pelo 
profissional, além de ser indicado para corpos hídricos com profundidade de até 
48
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
1,5 metros (Medir Comércio e serviços Ltda, 2024, HIDROMEC, 2024). Além disso, 
os itens que compõem são uma garrafa devidro e um bocal de 1/4” (Figura 1).
Figura 1 - Amostrador de sedimentos suspensos modelo DH 48.
Fonte: Medir Comercio e serviços Ltda (2024).
Outro modelo mecânico tradicionalmente utilizado para amostragem de 
sedimentos suspensos é o modelo DH 59 (Figura 2) também é do tipo leve, e 
realiza a amostragem na vertical do corpo hídrico. O equipamento conta com 
uma garrafa de vidro para coleta, juntamente com três bicos de tamanhos 1/8”, 
3/16”, 1/4” e um suporte para instalação de cabo ou guincho, o qual pode ser 
utilizado de forma “a vau”, ponte ou chata. O mesmo é recomendado para leitos 
com baixas velocidades de até 1,5 m/s e profundidade de 4,5 metros (Medir 
Comércio e serviços Ltda., 2024). 
Figura 2 - Amostrador de sedimentos suspensos modelo DH 59.
 
Fonte: Medir Comércio e serviços Ltda (2024). 
Loureiro (2008) analisou diferentes equipamentos com métodos ópticos e 
acústicos, indicando que o seu principal desafio estava associado à calibração e ao 
número de amostragens representativas, apontando que estes ainda necessitam 
de um equipamento com técnica tipo mecânico para auxiliar. 
49
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Um amostrador de sedimentos suspensos do tipo acústico é o Perfilador 
Doppler-Acústico de Corrente (ADCP) o qual pode ser visualizado na Figura 3, com 
o potencial de aferição de alguns parâmetros na água sendo um deles os sedi-
mentos em suspensão de forma temporal e espacial (DORNELLES, 2009). O autor 
ressalta ainda suas limitações em relação a distribuição e ao tamanho da partícula 
de sedimentos, além de várias calibrações que este equipamento exige.
Figura 3 – Equipamento do tipo acústico ADCP.
Fonte: Clean Environment Brasil, (2024).
Amostradores de Sedimentos de Fundo para Águas Rasas
Existem diversos equipamentos de amostragem de sedimentos depositados 
no fundo dos corpos hídricos, os quais podem estar depositados recentemente ou 
há um tempo bastante significativo, possuindo características de consolidação e 
compactação distintas, requerendo equipamentos apropriados a serem definidos 
de acordo com suas propriedades. Moreira e Boaventura (2003) descrevem a 
deposição de sedimento de fundo em ambientes aquáticos como um processo 
de acumulação, reprocessamento e transferência dos elementos, além de estar 
interligado a biota e aos processos físico-químicos.
O modelo Van Veen é um tipo de amostrador que tem em sua estrutura 
duas mandíbulas para coletar o sedimento com material de aço inoxidável (Figura 
4), o qual fica preso por essas duas partes que se fecham e não permite que perca 
na coluna d’água (HIDROMARES, 2024a). Além disso, esse tipo de amostrador 
é recomendado para fundos moles ou levemente duro de acordo o autor citado 
acima. Santos et al. (2019) utilizou em sua operação de amostragem de sedimentos 
para granulometria do tipo grosseiro como areia e cascalho, além de ressaltar que 
50
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
a escolha para uma área de estudo da plataforma continental, Recife e Alagoas 
foi pela facilidade de uso e operação do equipamento.
Figura 4 - Amostrador de sedimentos modelo Van Veen.
Fonte: Hidromares (2024a).
O amostrador de sedimento Petersen Grab é um equipamento com uma 
estrutura de duas pás que serve para coletar o sedimento em uma espécie de 
“concha”, as quais são acionadas para fechar (Figura 5). Além disso, são utiliza-
das para coletar sedimentos compactos e rígidos do fundo como areia, marga, 
cascalho e argila (CAVANAGH et al.,1999).
Figura 5 - Amostrador de sedimentos modelo Petersen Grab.
Fonte: Cavanagh et al. (1999).
O modelo Ponar é uma espécie de draga que tem um par de conchas que 
ficam abertas para coleta do material, contando com uma tela de malha que pode 
ser removida posteriormente para a subamostragem em (Figura 6). Além disso, 
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este equipamento é recomendado para coleta de matérias de granulação fina a 
grosseira (CAVANAGH et al., 1999). 
Figura 6 - Amostrador de sedimentos modelo Ponar Grab.
Fonte: Cavanagh et al. (1999).
O modelo armadilhas de sedimentos (Trap) é utilizado para mensurar o 
volume de sedimento no leito por pequena amostra de forma tubular, além de 
permite o assente das partículas, assim este equipamento pode ser usado em 
condições hidrodinâmicas turbulentas (Hidromares,2024b).
Figura 7 - Amostrador modelo Trap.
Fonte: HIDROMARES (2024b).
O modelo armadilha multissedimento é utilizado para coletar amostras 
em lagos, plataformas continentais e com fluxo alto de partículas, além de ter 
eficiência em amostragem no Ártico, na Antártica, nos trópicos e subtrópicos 
(HIDROMARES, 2024c).
52
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Figura 8 - Amostrador modelo Multi Sediment Trap.
Fonte: Hidromares (2024c). 
O modelo de amostrador de sedimentos com núcleo manual Wildco pode 
ser utilizado por mergulhadores, cais ou em pontes, o qual é acionado por uma 
válvula e seu material é em aço inoxidável (BioWeb, 2024). Ainda o autor, res-
salta que é possível utilizar este equipamento em águas rasas o equipamento 
também (Figura 9).
Figura 9 - Amostrador modelo manual de sedimento Wildco.
Fonte: BioWeb (2024). 
CAVANAGH et al. (1999) define o modelo de amostrador Ekman-grab 
com variação em tamanhos, logo equipamentos de porte maior exigem auxílio 
de guincho ou guindaste para sua operação. Ainda, o tamanho mais usado é de 
15x15 cm, seu material é composto de latão ou aço. O equipamento conta com 
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concha/mandíbula que tem uma espécie de gatilho para que o mensageiro seja 
acionado para que seja reduzida a perda de sedimentos na coleta, além de ser 
recomendado para coleta de sedimentos macios e de granulação fina, mas para 
outros tipos de materiais como conchas o ideal é evitar que a mandíbula feche 
para que seja reduzida a perda de amostra (Figura 10).
Figura 10 - Amostrador modelo Ekman-grab.
 
Fonte: CAVANAGH et al. (1999).
Amostrador de sedimento tubular de gravidade tipo KAJAK-BRINKHURST 
funciona do tipo mensageiro e com coleta vertical, com uma válvula acoplada 
na estrutura para formar um vácuo quando o sedimento é retirado, sendo que 
essa técnica exige dois profissionais para estabilidade em situações com cor-
rentezas e mais profundas (BRANDÃO et al., 2011). Ainda os autores, ressaltam 
que caso tenha correntezas seja acoplado pesos para evitar que o amostrador 
fique inclinado (Figura 11).
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Figura 11 - Amostrador modelo KAJAK.
Fonte: ARATU Tecnologias Ambientais (2024).
Amostradores de Sedimentos de Fundo para Águas Profundas
Neto (2001) caracteriza em seu estudo as formas de analisar os sedimentos 
de fundo do oceano, o qual ressaltou a técnica da propagação de ondas acús-
ticas. Essa técnica pode ser definida por três tipos principais sendo a sísmica, a 
sonografia e a batimetria, nas quais os sedimentos são mensurados através da 
emissão, transmissão e reflexão de acordo com o autor. 
CUSTO FINANCEIRO DE EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE SEDIMENTOS
A tabela 1 apresenta o custo atual de diferentes amostradores de sedimen-
tos, sendo estes valores obtidos no segundo semestre de 2024, sendo a busca 
realizada através de orçamentos solicitados diretamente aos contatos divulgados 
pelas empresas e pela busca em sites institucionais. 
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Tabela 1 - Estimativa de custo de aquisição de equipamentos de amostragem de sedimentos.
Modelo Custo
DH 48 R$7.600,00
DH 59 R$7.900,00
ADCP R$ 281.000,00
ADCP Plataforma Flutuante R$ 330.000,00
ADCP Portátil M9 R$ 510.000,00
ADCP Flowtracker R$ 190.000,00
Van Veen R$ 6.100,00
Draga Petersen R$ 7.800,00
Ponar Grab $ 1.472,90 USD
Armadilhas de Sedimentos $ 798.00 USD
Wildco $ 1.215.00 USD
Ekman- grab $ 2.205, 00 USD
Kajak R$ 24.776,90Os valores apresentados na tabela 1 indica alta discrepância, destacando 
o DH48 e o DH59 com valores mais baixos para aquisição se comparado com os 
ADCP’s. Isso ocorre devido aos dois primeiros equipamentos necessitarem mais 
de profissionais que operem, já a tecnologia do ADCP’s corrobora de calibrações 
e recursos mais elevados economicamente, porém as informações que o software 
do equipamento dispõe é mais detalhado. Cabe destacar que os valores variam de 
forma significativa, devido ao fato de suas diferentes características e aplicações 
distintas, devendo ser comparados criteriosamente de acordo com as diferentes 
necessidades de quem os for utilizar. 
DISCUSSÃO
Alguns equipamentos de sedimentos em suspensão e de fundo levantados 
no estudo se caracterizaram como de fácil uso e com valores de aquisição aces-
sível para pesquisas ou pequenas empresas da área. A escolha para aquisição 
vai ser relativa à demanda necessária e ao tipo de amostragem que a coleta e o 
ambiente necessitam e com os objetivos dos estudos e pesquisas que estiverem 
sendo realizados. Logo, cabe ao profissional o conhecimento de analisar as variá-
veis de campo para o investimento, assim por exemplo, equipamentos como os 
ADCP’s são indicados para mananciais no interior do continente. 
56
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
No entanto, cabe destacar que uso de equipamentos de amostragem pode 
ser associado a dados advindos de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), 
unindo dados advindos de satélites como forma a melhor caracterizar os sedi-
mentos presentes nos corpos hídricos. Essa alternativa, no Brasil é gratuita e livre 
acesso para vários bancos de dados, como por exemplo Landsat-8 (MATAVELI, 
2021). Portanto, esse recurso de sensoriamento remoto pode ser utilizado como 
uma alternativa, quando há incerteza na aferição por uso e tipo de equipamento 
ou complementação de dados.
Dornelles (2009) ressalta em seu estudo a importância do desenvolvimento 
de equipamentos que atendam aos requisitos do mercado como facilidade, 
baixo custo e disponibilidade para produzir dados confiáveis de forma espacial 
e temporal. Sousa (2011) ressalta em seu estudo os tipos de equipamentos de 
instalação e os portáteis, sendo que os portáteis têm vantagens de ser baixo 
custo e de fácil uso de operação. No entanto, algumas desvantagens devem ser 
levadas em consideração que é a operação em campo e a análise de dados por 
um profissional capacitado para interpretar.
Portanto, a escolha dos equipamentos deve atender as exigências do projeto, 
as alternativas devem ser adotadas pelo responsável levando em conta a viabilidade 
dos passos até os dados. Desta forma, investimentos em aperfeiçoamento em 
SIG’s é uma ótima alternativa pelas disponibilidades e confiabilidade dos resul-
tados, além de auxiliar empresas de consultoria que estão iniciando no mercado.
CONCLUSÃO
O presente estudo permitiu o levantamento dos principais equipamentos 
de amostragem de sedimentos a serem utilizados em ambientes hídricos no 
interior do continente e em ambiente oceânico, tanto para sedimentos suspensos, 
quanto depositados no fundo de corpos hídricos. Também descreveu as principais 
características de diversos amostradores de sedimento como forma de o leitor 
compará-los em termos de aplicação e relação de custo-benefício. 
Verificou-se que existe uma grande diversidade de equipamentos de 
amostragem de sedimentos, com diferentes características e custo financeiro. 
Desta forma é imprescindível avaliar com critério antes de definir qual o mais 
adequado para atender as demandas e os objetivos a serem atingidos. À medida 
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que necessite de monitoramentos, estudos ambientais e outras atividades, os 
equipamentos devem atender o objetivo da amostragem, além de ter um custo 
financeiro mais acessível para o projeto, o qual pode ser um ponto negativo se a 
escolha foi equivocada pelo profissional.
Os impactos negativos estão na forma qualitativa e quantitativa de 
amostragem equivocadas devido ao uso inapropriado do equipamento, além do 
encarecimento do projeto. 
Portanto, é necessário que sejam tomadas decisões assertivas na esco-
lha dos equipamentos de amostragem de sedimentos, para evitar mensurações 
errôneas, impactando no âmbito social, econômico e ambiental.
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' 10.37885/241018021
04
LEVANTAMENTO DA GESTÃO DE RESÍDUOS 
SÓLIDOS NO MUNICÍPIO DE PELOTAS/RS: 
ANÁLISE DE PROJETOS EXISTENTES E 
PROPOSIÇÃO DE MELHORIAS
Anna Nachtigall da Cruz
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Emanuele Koschier Pinto
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Idel Cristiana Bigliardi Milani
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Reginaldo Galski Bonczynski
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
https://dx.doi.org/10.37885/241018021
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
RESUMO
A geração de resíduos sólidos está crescendo mundialmente, e o Brasil é um dos 
países que mais produz esse tipo de resíduo. É notório os avanços tecnológicos 
para o tratamento dos resíduos, associado a uma atualização das legislações 
vigentes, porém boa parte dos estados brasileiros possuem índices inadequados, 
associados ao manejo dos resíduos sólidos. O município de Pelotas (RS) conta 
com diversas iniciativas que visam o manejo adequado dos resíduos sólidos, as 
quais vêm surtindo efeito positivo, porém não sendo suficientes para resolver a 
problemática. O índice ISLU, que é uma ferramenta estatística com o objetivo 
de mensurar o empenho na gestão da limpeza urbana e o manejo de resíduos 
sólidos municipais, indica fragilidades no município de Pelotas, principalmente 
no que concerne à recuperação dos resíduos coletados. Desta forma, o presente 
estudo tem como objetivo avaliar a situação do município de Pelotas (RS), iden-
tificando as condições da disposição de resíduos sólidos, a fim de detectar suas 
fragilidades e sugerir medidas de melhoria. Por fim, recomenda-se algumas ações 
para minimizar a problemática dos resíduos sólidos na área de estudo, como a 
implementação de contêineres para coleta de resíduos recicláveis, o aumento do 
número de ecopontos e o incentivo às cooperativas de reciclagem. Além disso, 
é importante promover uma maior interação entre o Sanep, centros de pesquisa 
e a comunidade local, visando uma gestão integrada e participativa, com foco 
na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida dos cidadãos pelotenses.
Palavras-chave: gestão de resíduos sólidos; reciclagem; sustentabilidade urbana; 
educação ambiental.
62
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
INTRODUÇÃO
Com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é um dos países que 
mais gera resíduos sólidos. Apesar das legislações e avanços nas tecnologias, 
boa parte dos resíduos acabam sendo lançados nos esgotos, descartados a céu 
aberto, ou até mesmo queimados (SZIGETHY e ANTENOR, 2021).
A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), estima 
no relatório “Panoramados Resíduos Sólidos no Brasil 2023”, que foram gerados 
77,1 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos no ano de 2022 no país, 
equivalente a 211 mil toneladas/dia, gerando cerca de 380 kg/habitante/ano, ou 
seja, em média 1,04 kg/dia (ABREMA, 2024).
A ABREMA também disponibiliza o relatório “Índice de Sustentabilidade 
da Limpeza Urbana 2023”, no qual apresenta dados do ISLU, que é uma ferra-
menta estatística com o objetivo de mensurar o empenho na gestão da limpeza 
urbana e o manejo de resíduos sólidos dos municípios. No relatório, o município 
de Pelotas (RS) apresenta um índice de 0,666, sendo que o valor máximo é de 
1,0 (ABREMA, 2024). A dimensão que mais influenciou negativamente no cálculo 
do ISLU foi a “recuperação dos resíduos coletados”, que obteve com uma nota 
extremamente baixa, de 0,016, relacionada aos esforços para o tratamento e a 
reciclagem dos resíduos sólidos urbanos. Esses dados demonstram claramente 
que o município de Pelotas precisa centrar esforços na reciclagem de resíduos 
sólidos para melhorar seus índices de sustentabilidade e limpeza urbana.
Pelotas, com uma população de 325.689 habitantes (IBGE, 2023), enfrenta 
desafios relacionados ao manejo de resíduos sólidos, especialmente no recolhi-
mento, armazenamento e reciclagem. O Serviço Autônomo de Saneamento de 
Pelotas (Sanep) é responsável pelo saneamento básico no município e implementou 
alguns projetos, como coleta de óleo usado, recolhimento de resíduos sólidos em 
escolas, locais corretos para descartes de materiais (Ecopontos), contêineres em 
alguns bairros da cidade, entre outros, mas alguns desses projetos precisam de 
ajustes para se tornarem mais eficazes.
O objetivo deste trabalho é analisar a gestão de resíduos sólidos no muni-
cípio de Pelotas (RS), identificando as principais problemáticas associadas a esse 
processo. A partir dessa análise, serão propostas medidas de melhoria visando 
reduzir impactos sociais e ambientais.
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REVISÃO DE LITERATURA
Características gerais do município de Pelotas
O município de Pelotas está localizado no estado do Rio Grande do Sul, na 
região Sul do Brasil, na Latitude 31º 46’ 19” S e na Longitude 52º 20’ 33” O, com 
uma área territorial de 1.608,780 km². Vizinho dos municípios de Morro Redondo, 
Canguçu, São Lourenço do Sul, Turuçu, Capão do Leão, Rio Grande e Arroio do 
Padre, o município de Pelotas se encontra situado dentro desta área territorial. Com 
uma população de 325.689 habitantes, de um total de 10.882.965 habitantes no 
estado do Rio Grande do Sul (IBGE, 2023). Possui um PIB per capita de R$ 27.671,06 
e densidade demográfica de 202,44 hab/km² (IBGE, 2023), superior à média do 
estado do Rio Grande do Sul que é de 38,63 hab/km².
Os dados do IBGE (2023) indicam um índice de desenvolvimento humano 
do município de Pelotas (IDHM) de 0,739, classificando Pelotas com condições 
médias de desenvolvimento humano, com índice inferior ao IDH do estado do Rio 
Grande do Sul que é de 0,771. Já, segundo dados do IBGE (2023), a taxa média de 
mortalidade infantil do município é de 9,07 para cada 1.000 nascidos vivos. O índice 
disponibilizado pelo IBGE (2024) relativo à população ocupada em Pelotas é de 
23,4% superior à média do estado do Rio Grande do Sul que é de 21,7%.
Bairros e infraestrutura básica
De acordo com a Prefeitura de Pelotas (PMP, 2023), o município é com-
posto por 9 distritos, sendo eles: Sede ou Área Urbana, Colônia Z3, Cerrito Alegre, 
Triunfo, Cascata, Santa Silvana, Quilombo, Rincão da Cruz e Monte Bonito. Esses 
distritos podem ser visualizados na Figura 1 retirada do site GeoPelotas (2023) 
constante no mapa rural por eles disponibilizados.
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Figura 1 - Mapa da zona rural do município de Pelotas.
Fonte: GeoPelotas (2023).
A Sede ou Área Urbana é dividida em zonas administrativas, sendo elas: 
Centro, Fragata, Barragem, Três Vendas, Areal, São Gonçalo e Laranjal, as quais 
podem ser visualizadas na Figura 2.
Figura 2 - Mapa urbano básico do município de Pelotas contendo as zonas administrativas.
Fonte: GeoPelotas (2023).
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Além das zonas administrativas anteriormente citadas, Pelotas possui 
diversas microrregiões inseridas nessas zonas, as quais podem ser identificadas 
no GeoPelotas (2023) acessando o Mapa Urbano Configurável como pode ser 
exemplificado para a zona administrativa Centro (Figura 3), podendo ser selecio-
nada e configurada para as demais zonas conforme o interesse. Cabe destacar 
que a possibilidade de configurar os mapas no GeoPelotas (2023), permite melhor 
visualizar os bairros inseridos no município, as ruas pertencentes a esses bairros 
e os limites entre eles.
O site GeoPelotas (2023) indica que 13,59% do município possui pavi-
mentação com pedras, 10,69% com pré-moldados e 40,52% sem pavimentação 
alguma, cuja distribuição pode ser visualizada na Figura 3.
Figura 3 - Infraestrutura Urbana Básica de Pelotas.
Fonte: Adaptado de GeoPelotas (2023).
Resíduos Sólidos
Os resíduos correspondem a todo material resultante das atividades diárias 
do homem e podem ser encontrados nos estados sólido, líquido e/ou gasoso 
(SAMPAIO, 2018). De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, 
2010), resíduos sólidos são materiais, substâncias, objetos ou bens descartados 
resultantes de atividades humanas em sociedade. A destinação final desses resí-
duos pode ser realizada, proposta ou imposta, nos estados sólido ou semissólido, 
bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas características tornem 
inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou 
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
que exijam soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor 
tecnologia disponível. O termo resíduo sólido se confunde com rejeitos, o qual é 
definido por Telles (2022). Porém, Telles (2022) destaca como rejeitos, aqueles 
resíduos não recicláveis, principalmente resíduos de banheiro e resíduos em 
geral, como bitucas de cigarro e outros, os quais devem ter sua destinação aos 
aterros sanitários, baseado no conceito de rejeito inserido na Política Nacional 
de Resíduos Sólidos (PNRS, 2010).
A Política Nacional de Resíduos Sólidos conceitua rejeitos como sendo 
resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento 
e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, 
não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente 
adequada. A PNRS (2010) indica a disposição final ambientalmente adequada 
como sendo a distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas 
operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à 
segurança, e a minimizar os impactos ambientais adversos.
Os resíduos sólidos podem ser classificados de diferentes formas. A Política 
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, 2010) classifica os resíduos sólidos quanto 
à origem da seguinte forma: a) resíduos domiciliares: os originários de atividades 
domésticas em residências urbanas; b) resíduos de limpeza urbana: os originários 
da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza 
urbana; c) resíduos sólidos urbanos; d) resíduos de estabelecimentos comerciais 
e prestadores de serviços; e) resíduos dos serviços públicos de saneamento 
básico; f) resíduos industriais; g) resíduos de serviços de saúde; h) resíduos da 
construção civil; i) resíduos agrossilvopastoris; j) resíduos de serviços de trans-
portes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários 
e ferroviários e passagens de fronteira; k) resíduos de mineração.
Telles (2022) classifica resíduos sólidos em duas categorias, sendo resíduos 
orgânicos e inorgânicos, indicando pertencer a categoria de resíduos sólidos 
orgânicos a maior parte dos resíduosdomésticos, como restos de alimentos, 
folhas, sementes, restos de carne e ossos, que podem ter origem animal ou 
vegetal e são chamados de resíduos úmidos. Já, de acordo com Telles (2022) 
resíduos sólidos não orgânicos são aqueles conhecidos como resíduos secos, 
sendo eles classificados como: a) resíduo sólido urbano, incluindo os domésticos, 
provenientes de instalações públicas (como parques, por exemplo) e instalações 
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comerciais, assim como restos de construções e demolições; (b) resíduo industrial; 
(c) resíduo hospitalar; (d) resíduo nuclear; (e) resíduo de construção e demolição; 
(f) resíduos portuários.
Schalch et al. (2019) faz uma classificação de resíduos sólidos baseada nos 
seus diferentes potenciais impactos ao meio ambiente, sendo algumas dessas 
classificações as que seguem: (a) resíduos da construção civil: provenientes de 
edificações e obras os quais geram impactos ambientais durante seus proces-
sos; (b) resíduos de equipamentos eletroeletrônicos: aparelhos, produtos, com-
ponentes, acessórios domésticos e profissionais que chegaram ao fim de suas 
vidas úteis como pilhas e baterias; (c) resíduos de limpeza urbana: provenientes 
de serviços públicos como varrição, capina e poda de árvores em vias públicas; 
(d) domiciliares perigosos: aqueles que podem conter componentes perigosos, 
como produtos usados em pinturas, produtos de limpeza, remédios, inseticidas, 
etc.; (e) lâmpadas fluorescentes; (f) resíduos de óleos; (g) pneus.
A PNRS (2010) destaca uma divisão composta por resíduos passíveis de 
logística reversa como: (a) agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como 
outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso; (b) 
pilhas e baterias; (c) pneus; (d) óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; 
(e) lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; (g) 
produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
De acordo com a PNRS (2010) os resíduos sólidos devem ser gerencia-
dos, como forma de reduzir os impactos ambientais. De acordo com a PNRS 
gerenciamento de resíduos sólidos é um conjunto de ações exercidas, direta 
ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e 
destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição 
final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com o plano municipal 
de gestão integrada de resíduos sólidos ou com o plano de gerenciamento de 
resíduos sólidos.
A destinação dos resíduos sólidos consiste na reutilização, compostagem, 
reciclagem, aproveitamento energético e outras soluções admitidas pelos órgãos 
ambientais, e conforme a PNRS (2010) a disposição final é ainda a distribuição 
ordenada dos rejeitos em aterros sanitários, observando as normas operacionais 
específicas, esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação com 
tecnologias disponíveis e economicamente viáveis.
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos
O PMGIRS do município de Pelotas (RS) foi instituído pelo Decreto nº 5.841, 
de 30 de junho de 2015, com o objetivo de implementar condições para o geren-
ciamento adequado dos resíduos sólidos urbanos gerados no município. O plano 
é direcionado para alcançar objetivos que visam aperfeiçoar a estrutura dos 
serviços prestados de limpeza pública, desde a coleta até a destinação final dos 
resíduos sólidos urbanos no município.
O PMGIRS apresenta a classificação dos resíduos por natureza física, 
composição química, riscos potenciais ao meio ambiente e origem. Além disso, 
esclarece a questão da responsabilidade pelos resíduos, sendo a prefeitura 
responsável pelos resíduos domiciliares, comerciais e públicos, enquanto o 
gerador é responsável pelos resíduos de serviços de saúde, industriais, agrícolas, 
da construção civil e dos portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviário.
Gestão dos Resíduos Sólidos em Pelotas (RS)
A Lei n° 2838 em vigor desde 1° de maio de 1984 (PELOTAS, 1994), alterou 
a denominação de Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) para Serviço 
Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) e lhe transferiu a coleta, tratamento 
e destinação final de resíduos sólidos. Cabe destacar que até então, a coleta de 
resíduos era de responsabilidade da Prefeitura de Pelotas (SANEP, 2024).
O Departamento de Resíduos Sólidos (Ders) está vinculado diretamente 
à Superintendência Industrial do Sanep e é composto pelas divisões de Coleta 
(DRS), Licenciamento e Fiscalização Ambiental (DLF) e de Destinação Final 
(DDF). Cabe ao Departamento a coleta, tratamento e a destinação final adequada 
dos resíduos sólidos provenientes dos domicílios (incluindo-se a zona rural), e 
os resíduos provenientes dos serviços de saúde mantidos pela municipalidade, 
tais como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Hemocentro Regional, Unidade 
de Pronto Atendimento (UPA), Unidade Básica de Atendimento Imediato (Ubai).
Coleta de Resíduos Sólidos em Pelotas (RS)
O Sanep conta com diferentes tipos de coleta, que incluem: coleta seletiva, 
coleta conteinerizada, coleta domiciliar, coleta hospitalar e coleta agendada. A coleta 
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seletiva, tem como objetivo o recolhimento de materiais recicláveis ou que possam 
ser reaproveitados, como papel, vidro, metal e plástico. Além disso, sua coleta é 
realizada duas vezes por semana nos diferentes bairros da cidade.
A coleta conteinerizada, consiste na coleta de resíduos orgânicos domi-
ciliares que são colocados em contêineres, situados em parte da zona central 
de Pelotas, com coleta diária. O Sanep indica em seu site, acessado em 07 de 
novembro de 2023, que conta com 850 contêineres e que recolhe 45% de resí-
duos orgânicos do município.
A coleta domiciliar, é realizada de residência em residência nos bairros, 
nos locais que não contam com contêineres, ocorrendo três vezes na semana na 
zona urbana e uma vez por semana na zona rural.
Os resíduos sólidos do serviço de saúde são recolhidos na coleta hospita-
lar. Esse material hospitalar é levado para ser tratado em uma empresa de Porto 
Alegre que fica responsabilizada por esse procedimento.
Por fim, existe também a coleta agendada, na qual é feito um agendamento 
de dia e hora, para que a equipe do Sanep faça esse recolhimento. Esse tipo de 
coleta é realizada devido a imprevistos na coleta no qual o caminhão não pode 
chegar até a residência para coletar os resíduos de forma agendada (SANEP, 2023).
Ecopontos em Pelotas (RS)
O município conta com ecopontos, que são locais para o descarte correto de 
resíduos distintos, inservíveis, reutilizáveis ou passíveis de reciclagem. De acordo 
com Telles (2022) ecopontos são espaços maiores e de entrega voluntária que 
recebem apenas determinados tipos de resíduos.
Ao todo, Pelotas conta com quatro ecopontos, sendo eles: Ecoponto JK, 
Ecoponto Laranjal, Ecoponto Balsa e Ecoponto Cerquinha, cuja localização 
pode ser visualizada na Tabela 1. Cabe destacar que o horário de atendimento 
dos ecopontos em Pelotas é de segunda a sábado das 8 às 12h e das 13 às 17h.
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Tabela 1 - Localização e horário de funcionamento dos ecopontos de Pelotas.
Ecoponto Endereço Zona Administrativa
JK Av. Juscelino Kubitschek, 3195 Centro
Laranjal Rua Bom Jesus, 95 Laranjal
Balsa Rua Paulo Guilayn, 201 São Gonçalo
Cerquinhas Rua Engenheiro Hugo Veiga, 155 Centro
Fonte: Sanep (2023).
Esses locais recebem diferentes resíduos e possuem limitação de volume 
para os diferentes resíduos a serem descartados. Cabe destacar que o serviço 
não é destinado a empresas ou para fins comerciais.
O Sanep disponibiliza coletores diferenciados e identificados de acordo 
com os diferentes produtos a serem descartados, além disso, fornece à população 
instruções educativas sobre o descarte correto de resíduos nos ecopontos muni-cipais, através da sua página institucional e distribuição de panfletos. Segundo o 
Sanep (2023), cada pessoa pode descartar até 1,5 m³ de material no ecoponto e 
que cada ecoponto conta com ao menos um funcionário para auxiliar no descarte 
e para sanar dúvidas dos moradores.
Os ecopontos de Pelotas permitem o descarte de resíduos recicláveis 
como papel, papelão, plástico, vidros, espelhos, metais e isopor sem limitação de 
quantidade. Também não há limitação de descarte de resíduos eletroeletrônicos 
de linha branca, como televisores, computadores, impressoras e eletrodomésti-
cos. E aceitam o descarte de óleo de cozinha em estrutura específica situada no 
interior dos ecopontos.
Os ecopontos do município aceitam o descarte de resíduos da construção 
civil e de móveis em um volume máximo de 1m3. A quantidade máxima aceita de 
resíduos de manejo de vegetação como podas e supressão a ser destinada no 
ecoponto é de 2m3. Os ecopontos aceitam a recepção de pneus em no máximo 4 
unidades. Além disso, destaca-se que os resíduos biológicos, químicos e latas de 
tintas cheias de produto não possuem local de descarte adequado nos ecopontos 
municipais. A categorização dos resíduos é feita pelo próprio cidadão nos eco-
pontos, no momento do descarte. De acordo com Sanep (2023) após o descarte, 
os materiais são enviados ao aterro municipal, ao transbordo ou a uma das coo-
perativas credenciadas ao Sanep. A empresa informa que móveis desmontados 
são recebidos pela Estação de Transbordo, localizada no município de Candiota 
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e que os materiais recicláveis (vidro, papel, plástico e metal) são entregues a 
cooperativas indicadas pela mesma. Na página institucional visitada em maio de 
2024 é informado que mensalmente os ecopontos recebem representantes das 
cooperativas durante o expediente, para fazer o despacho direto.
Cooperativas de Reciclagem de Resíduos Sólidos em Pelotas (RS)
O município também conta com cooperativas de reciclagem de resíduos 
sólidos, as quais são conveniadas ao Sanep. Estas são responsáveis por receber 
os resíduos recicláveis, cuidar da sua triagem e comercialização. Atualmente, em 
dados publicados no site do SANEP e acessados em março de 2024, existem 6 
cooperativas cadastradas as quais podem ser visualizadas na Tabela 2.
Os convênios com o Sanep garantem a cobertura de despesas adminis-
trativas (aluguel, luz, água, impostos e taxas), operacionais (EPIs, EPCs, óleo 
hidráulico, combustíveis, cintas para enfardamento e bags) e com pessoal (Previ-
dência Social). Mensalmente, as cooperativas fazem a prestação de contas, com 
a apresentação dos documentos legais que comprovem as despesas realizadas, 
para que o Sanep possa realizar o repasse subsidiado dos recursos. O convênio 
ainda prevê ao cooperado uma bolsa-auxílio (SANEP, 2023).
Tabela 2 - Cooperativas conveniadas ao Sanep.
Cooperativa Endereço
Cooperativa de Trabalho dos Agentes Ambientais do 
Fraget (COOTAFRA) Rua Carlos Andrade, 260 - Fragata
Cooperativa de Trabalho de Catadores da Vila Castilho 
(COOPCVC) Rua Dr. Amarante, 1394/1404 - Centro
Cooperativa Pelotense de Prestação de Serviços e Ação 
Social (COOPEL) Ulisses Guimarães 788 – Dunas 
Cooperativa de Trabalho e Reciclagem (COORECICLO) Avenida Pinheiro Machado, 2112 – Fragata
União Cooperativa dos Catadores de Resíduos Sólidos 
(UNICOOP) Av. Imperador Pedro I, 1776 – Fragata
Cooperativa de Trabalho Vila Governaço (COOPER-
CICLAÇO) BR 392 – Distrito Industrial
Fonte: Sanep (2023).
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Transbordo e destinação dos resíduos sólidos de Pelotas (RS)
De acordo com Sanep (2023) a Estação de Transbordo é o local utilizado, 
desde o encerramento das atividades do Aterro Controlado de Pelotas, para a 
destinação de resíduos produzidos no município. A estação é composta por uma 
balança rodoviária, pátio coberto de descarga e carregamento com piso imper-
meável, sistema de contenção de percolado e lavagens, sistema de tratamento do 
percolado e área administrativa, além da guarita que permite somente a entrada 
de pessoas autorizadas em suas dependências. Deste ponto os resíduos são 
encaminhados para o Aterro Sanitário Metade Sul, localizado no município de 
Candiota, a 150 km de Pelotas.
Índice ISLU de avaliação de Resíduos Sólidos: situação de Pelotas (RS)
Um índice relevante a ser destacado como forma de avaliar a situação dos 
resíduos sólidos municipais é o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana – 
ISLU, cuja última edição, com dados publicizados, foi realizada em 2023. Este é 
elaborado com base nos dados disponibilizados pelas seguintes fontes públicas: 
Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério do 
Desenvolvimento Regional (MDR), Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do 
Setor Público Brasileiro (SICONFI), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU).
O ISLU é uma ferramenta realizada com o objetivo de medir a aderência 
dos municípios ao cumprimento da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). 
Baseado nas informações cedidas pelos próprios municípios, o ISLU serve para 
avaliar como os municípios tratam a gestão de resíduos sólidos.
Como exemplo do ocorrido em edições anteriores a 2023, municípios 
localizados na região Sul do país registraram as melhores pontuações médias no 
ISLU 2023 em relação aos das outras regiões, sendo este de 0,553, região norte 
0,378, região nordeste 0,363, centro oeste 0,419 e sudeste 0,476. Cabe destacar 
que quanto maior for o índice, melhor é a condição atual de gestão dos resíduos 
sólidos em uma região do país.
Na região Sul, a cobrança específica frente aos resíduos (74%), cobertura 
de coleta (72,8%), destinação correta (84%) e reciclagem (7,4%), foi o principal 
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fator contribuinte para índice. Ao comparar esses dados com os da região com 
menor ISLU 2023 (nordeste), verifica-se diferença significativa nos dados sendo 
eles a cobrança específica frente aos resíduos (5,6%), cobertura de coleta (67%), 
destinação correta (21,2%) e reciclagem (1,1%). Estes resultados esclarecem 
que a evolução da pontuação média por região está diretamente relacionada à 
existência de algum tipo de cobrança para remunerar os serviços de manejo de 
resíduos sólidos, permitindo promover avanços na sua prestação associado a 
adoção de práticas de coleta, destinação e reciclagem adequadas.
De acordo com os dados disponibilizados em 2023, entre os municípios do 
estado do Rio Grande do Sul com população acima de 250 mil habitantes, Porto 
Alegre (RS) é o mais bem pontuado, com um índice ISLU de 0,698. Em seguida, 
estão Caxias do Sul, com índice ISLU de 0,681; Pelotas, com índice de 0,666; Gra-
vataí, com índice de 0,658; Canoas, com índice de 0,631; e, por último, o município 
de Santa Maria, com índice 0,607.
O estudo apontou que dentre as dimensões envolvidas no cálculo do ISLU 
2021, quando Pelotas havia obtido índice ISLU 0,666 (este dado foi utilizado pela 
ausência das dimensões no ano de 2023), a dimensão “engajamento do municí-
pio” foi nota máxima (1,0) para cálculo do índice, a dimensão “sustentabilidade 
financeira” obteve nota 0,744, ou seja, a capacidade que o município tem de se 
sustentar economicamente para a prestação de serviços de limpeza urbana e 
manejo de resíduos sólidos. Na dimensão associada à “recuperação dos resí-
duos coletados” o município ficou com nota 0,016, extremamente baixa estando 
relacionada aos esforços para o tratamento e a recuperação (reciclagem) dos 
resíduos sólidos urbanos. A última dimensão está associada a “Impacto ambiental” 
e Pelotas recebeu o índice máximo, sendo este 1,0, o qual está relacionado ao 
passivo ambiental de um município por meio do cálculo da quantidade de resíduos 
dispostos inadequadamente em lixões ou aterros controlados. O municípiode 
Pelotas, apesar de não possuir aterro sanitário, destina seus resíduos de forma 
correta ao Aterro Sanitário Metade Sul, em Candiota (RS).
Tais dados das diferentes dimensões que compõem o ISLU demonstram 
claramente que o município de Pelotas precisa centrar esforços na reciclagem de 
resíduos sólidos para melhorar seus índices de sustentabilidade e limpeza urbana.
A ferramenta ISLU procura identificar motivos para que as condições de 
saneamento associada a resíduos sólidos seja melhor em algumas regiões do 
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
país. Um dos destaques dados pelo documento gerado pelo ISLU 2021, foi que a 
cobrança financeira tem reflexo direto no comportamento das pessoas, que pas-
sam a ter consciência da quantidade de lixo que produzem individualmente e dos 
custos que esse lixo gera, reduzindo assim o total descartado. Além deste fator, 
a aquisição de contêineres para os municípios é vista como algo extremamente 
positivo para melhoria das condições gerais do saneamento no que concerne à 
resíduos sólidos e a adoção de programas que incentivem a reciclagem.
METODOLOGIA
Este estudo teve como objetivo identificar as principais características do 
município de Pelotas, realizando um levantamento sobre a gestão de resíduos 
sólidos por meio de revisão bibliográfica. Para isso, foram consultados dados 
da Prefeitura Municipal de Pelotas (2023), do GeoPelotas (2023) e do Sanep 
(2023). A coleta de informações ocorreu entre novembro de 2023 e setembro de 
2024. O foco principal foi compreender os projetos atualmente em andamento 
no município e identificar possíveis iniciativas que poderiam ser implementadas 
para melhorar as condições de disposição final dos resíduos sólidos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A seguir são detalhadas algumas iniciativas de ações e práticas susten-
táveis adotadas no município de Pelotas, área de interesse no presente estudo.
Algumas ações sustentáveis realizadas em Pelotas (RS) associadas aos 
resíduos sólidos
O município de Pelotas realiza algumas ações sustentáveis promovidas 
pelo Sanep e outras instituições locais. Dentre as ações realizadas pelo Sanep 
estão o projeto “Adote uma Escola”, o projeto “Óleo Sustentável” e os projetos 
de educação ambiental promovidos pelo Sanep através do Núcleo de Educação 
Ambiental em Saneamento (NEAS). Tais projetos são alguns exemplos de ações 
sustentáveis que reduzem a problemática dos resíduos sólidos e minimizam os 
impactos ambientais, podendo produzir renda à comunidade local.
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Projeto Adote uma Escola 
Moradores de regiões que ainda não contam com o serviço de coleta seletiva 
ou distantes de Ecopontos no município de Pelotas (RS) têm como alternativa 
descartar papel, plástico, vidro ou metal em algumas escolas. Oitenta e um edu-
candários de Pelotas participam do projeto “Adote uma Escola”, do Sanep, criado 
para desenvolver a consciência ecológica entre as crianças e adolescentes, por 
meio da educação ambiental. 
A ação também é uma forma de incentivo à redução, reutilização e reci-
clagem de materiais descartados. Sabe-se que a escola é um vetor que propicia 
a mudança de mentalidade, neste projeto o Sanep procura levar aos alunos 
e professores, noções básicas sobre o desperdício e o reaproveitamento dos 
resíduos sólidos, através de palestras, vídeos, jogos gincanas, passeios ciclísti-
cos, dentre outros, caracterizando-os como agentes de transformação, levando 
estas mensagens até o bairro onde está inserida a sua escola, assim, não só o 
bairro, mas a própria escola passa a ser beneficiada com a comercialização dos 
recicláveis arrecadados. 
Além das escolas, algumas entidades também recebem materiais reciclá-
veis, totalizando 80 locais parceiros do Projeto Adote uma Escola, cuja localização 
pode ser visualizada no site institucional do Sanep (SANEP, 2024).
 Projeto Óleo Sustentável
O projeto Óleo Sustentável é uma ação realizada pelo Sanep que objetiva 
coletar o óleo de cozinha usado e transformá-lo em produtos de limpeza para o 
município. O projeto visa atingir mais de 100 pontos de coleta, com estruturas 
nas escolas, ecopontos, cooperativas de reciclagem e prédios públicos, para que 
cada cidadão colabore e descarte seu óleo corretamente. Todo o óleo coletado é 
utilizado para fazer sabão em barra, em pasta e detergente. Parte destes produ-
tos são repassados às escolas, gerando economia da verba pública utilizada na 
aquisição destes materiais. O restante é comercializado pela Cooperativa Nova 
Esperança, gerando renda para as famílias cooperadas (Sanep, 2024). O projeto 
contribui com a preservação ambiental, educação de jovens e adultos e ainda 
contribui para renda a diferentes famílias do município.
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Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento (NEAS)
O Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento (Neas) promovido 
pelo Sanep realiza projetos educacionais e de capacitação de diversos seto-
res da sociedade.
As escolas que participam do projeto “Adote uma Escola” participam de 
conversas mediadas, atividades lúdicas, palestras, oficinas de materiais recicláveis 
e formação de professores.
O Neas promove o projeto “Condomínio Consciente”, que atende às 
demandas locais dos condomínios da cidade, capacitando os moradores sobre 
coleta seletiva. O projeto ensina como separar os resíduos recicláveis, quais 
materiais são passíveis de reaproveitamento e ressalta a necessidade de orga-
nização interna para o acondicionamento e armazenamento desses materiais, 
possibilitando o seu reaproveitamento e contribuindo para a construção de um 
mundo mais sustentável.
O Neas promove cursos de capacitação dos próprios servidores do Sanep, 
compreendendo que a mudança começa inicialmente por quem atua na gestão 
dos resíduos sólidos. Tal projeto identificado como Coleta Seletiva Interna, que 
capacita os servidores a fazerem a correta segregação dos resíduos recicláveis e 
dos resíduos orgânicos, descartando-os corretamente no ambiente de trabalho, 
tornando-os multiplicadores da educação ambiental.
Sugestões de melhorias na gestão de resíduos sólidos de Pelotas
Diante do que já foi abordado, é importante pensar, indicar e propor 
medidas que possam ser realizadas com o objetivo de minimizar a problemática 
associada aos resíduos sólidos no município de Pelotas (RS). 
Nesse sentido, algumas melhorias podem ser realizadas nos projetos já 
existentes no município de Pelotas, como a necessidade de um número maior 
de Ecopontos a serem implementados na cidade, pois muitas pessoas mesmo 
desejando descartar de forma correta, acabam por não levar os resíduos até os 
locais corretos de descarte, devido a localização desses, que muitas vezes estão 
distantes das suas moradias. Além disso, o projeto, atualmente realizado pelo 
Sanep, identificado como “Óleo Sustentável” é uma iniciativa altamente relevante, 
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
porém indica-se aumentar o número de locais que recebam esse material, como 
por exemplo em universidades e postos de saúde, para aumentar a abrangência 
de recolhimento desses resíduos na cidade.
Conforme apresentado e discutido neste estudo, o Índice de Sustentabili-
dade da Limpeza Urbana – ISLU, cuja última edição com dados publicizados foi 
realizada em 2023, demonstra claramente que o município de Pelotas precisa 
centrar esforços na reciclagem de resíduos sólidos para melhorar seus índices de 
sustentabilidade e limpeza urbana. E pensando nisso, é sugerido que seja feita, 
por exemplo, uma parceria entre cooperativas e artesãos que participam da feira 
que ocorre na Avenida Bento Gonçalves na zona central do município. Os mate-
riais recicláveis podem se transformar em bolsas, acessórios, entre outros, e 
gerar renda, além de dar uma nova finalidade a um material, reduzindo, assim, a 
quantidade de lixo gerada.
Ainda pensando sobre como melhorar oISLU, é interessante que tenha 
um maior incentivo a criação de novas Cooperativas de Reciclagem no município, 
pois as cooperativas acabam por gerar mais empregos, além de auxiliarem com 
a separação dos resíduos sólidos.
Um projeto do Sanep que deveria ser ampliado, é o projeto intitulado “Con-
domínio Consciente”, que além de capacitar moradores sobre a coleta seletiva, 
e ensinar sobre como deve ser separado os resíduos sólidos, deveria abranger 
também universidades e escolas, pois dessa maneira esse conhecimento irá ser 
disseminado por mais pessoas.
Acredita-se que o “Projeto Adote Uma Escola”, coordenado pelo Sanep, 
seja uma iniciativa importante para aumentar a coleta de resíduos recicláveis, 
porém para um melhor funcionamento desse projeto, é necessária uma maior 
divulgação das escolas participantes e na forma correta de limpeza e organização 
na hora do recolhimento, pois quando conversado com os funcionários das escolas 
inseridas na área de abrangência do presente projeto, os mesmos informaram 
que o projeto tem falhas, pois tem dificuldades em fazer essas coletas, saber 
como armazenar e divulgar a estratégia do mesmo.
Outra indicação associada ao “Projeto Adote Uma Escola” é que as esco-
las deveriam incentivar a construção de composteiras, fazendo assim com que 
as crianças aprendam como podem ser utilizados resíduos sólidos e que após 
a compostagem, eles transformam-se em adubos. Depois da geração desse 
78
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
adubo, este poderia ser utilizado em hortas instaladas nas escolas, aumentando 
o aprendizado e tornando essas crianças em adultos mais conscientes.
Por fim, é fundamental não apenas aprimorar os projetos já existentes, mas 
também buscar novas iniciativas que possam ser implementadas no município, 
com o objetivo de melhorar a gestão de resíduos sólidos. Embora o município 
já conte com alguns projetos em andamento, como os de coleta seletiva, pon-
tos de descarte adequados e campanhas de conscientização, ainda há muitas 
oportunidades para expandir e melhorar esses esforços. A gestão eficiente dos 
resíduos sólidos não se limita apenas ao recolhimento e destinação final, mas 
também envolve a redução da geração de resíduos, a reciclagem e a promoção 
de práticas mais sustentáveis tanto por parte da população quanto das autori-
dades municipais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo revelou que, embora o município de Pelotas já tenha adotado 
algumas iniciativas relevantes na gestão de resíduos sólidos, ainda existem diver-
sos desafios a serem enfrentados, principalmente no que diz respeito à recicla-
gem e à ampliação da infraestrutura de descarte adequado. Os Ecopontos, por 
exemplo, são uma medida interessante, mas precisam ser mais bem distribuídos 
e ampliados para facilitar o acesso da população e estimular o descarte correto.
Além disso, o município necessita investir em práticas de reciclagem e 
reforçar suas ações para melhorar o Índice de Sustentabilidade e Limpeza Urbana 
(ISLU), com ênfase na recuperação de resíduos e no incentivo à separação de 
materiais recicláveis.
Porém, apesar da problemática evidenciada no presente estudo, é notó-
ria a presença de projetos do Sanep focados na sustentabilidade ambiental do 
município, como os projetos intitulados “Projeto Adote Uma Escola”, “Condo-
mínio Consciente” e “Óleo Sustentável”. Esses projetos devem ser incentivados 
e desenvolvidos, podendo ser aprimorados com algumas sugestões indicadas 
neste trabalho ou outras que possam ser mais bem discutidas.
Por fim, além de estudos, melhoramentos em projetos já existentes e 
implementação de projetos novos, é necessário estar sempre em contato com a 
população, pois eles podem ajudar na identificação dos problemas que a gestão 
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pode não perceber e assim fazendo uma gestão integrada e participativa, focando 
na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida dos cidadãos pelotenses.
REFERÊNCIAS 
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abrema.org.br. Acesso em: 30 set. 2024.
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e Esgotos - SAAE, para Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas - Sanep e lhe transfere a 
competência da coleta e tratamento do lixo. 1994.
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TELLES, D. D. Resíduos Sólidos: gestão responsável e sustentável. São Paulo: Blucher. 174p. 2022.
' 10.37885/240917650
05
MÉTODOS DE ESTUDOS GEOQUÍMICOS PARA 
MONITORAMENTO AMBIENTAL DE 
SEDIMENTO DE CORPOS HÍDRICOS
Hênio do Nascimento Melo Júnior
Universidade Regional do Cariri (URCA)
Hênio Vitor Sobral Melo
Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)
Francisco José de Paula Filho
Universidade Regional do Cariri (URCA)
Raimundo Nonato Pereira Teixeira
Universidade Regional do Cariri (URCA)
https://dx.doi.org/10.37885/240917650
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
RESUMO
Estudos de geoquímica ambiental possibilitam identificar fontes de poluição e 
ou contaminação, especialmente quando desenvolvidos e associados a métodos 
de estatística multivariada. Para ecossistemas aquáticos a geoquímica permite 
identificar os poluentes e contaminantes dissolvidos no meio líquido, bem como, 
os depositados no sedimento dos corpos aquáticos e a possível dispersão des-
tes. Na literatura há o consenso de que as concentrações dos poluentes e ou 
contaminantes são mais expressivas no sedimento que no meio líquido, fato este 
que incrementa a importância das análises geoquímicas em corpos aquáticos. 
Além das ferramentas estatísticas a geoquímica pode ter o suporte na legislação 
ambiental que permite resultados mais diretos das condições de riscos de ecotoxi-
dade de poluentes e ou contaminantes. A geoquímica também conta com o auxílio 
de métodos de análise através de índices ambientais geoquímicos, os quais são 
importantes especialmente na interpretação dos resultados das concentrações 
de contaminantes e ou poluentes, as respostas quantitativas e qualitativas des-
ses métodos permitem uma melhor interpretação e compreensão das condições 
ambientais analisadas, facilitando o trabalho de pesquisadores e gestores públicos 
quanto à tomada de decisões a partir dos índices geoquímicos. Os métodos aqui 
citados cooperam para a simplificação metodológica e interpretativa dos estudos 
geoquímicos tornando o acesso a informação técnica científica mais acessível.
Palavras-chave: sedimento; limnologia; piscicultura; tanque rede; metais 
pesados; nutrientes.
82
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
INTRODUÇÃO
A IMPORTÂNCIA121
Capítulo 08
QUALIDADE DA ÁGUA DO SISTEMA LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ: ANÁLISE DOS 
PARÂMETROS HIDROQUÍMICOS E SUAS IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS
Emanuele Koschier Pinto; Anna Nachtigall da Cruz; Idel Cristiana Bigliardi Milani
 ' 10.37885/241218520 .....................................................................................................................................129
SOBRE OS ORGANIZADORES .................................................................................................. 147
ÍNDICE REMISSIVO .................................................................................................................................149
' 10.37885/241118161
01
ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA 
CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A NO 
RESERVATÓRIO ARROIO CHASQUEIRO: 
DINÂMICA DE IRRIGAÇÃO E SAZONALIDADE
Laura Martins Bueno
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Gilberto Loguercio Collares
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Eduardo Luceiro Santana
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Ottoni Marques Moura de Leon
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Felipe de Lucia Lobo
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
https://dx.doi.org/10.37885/241118161
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
RESUMO
A qualidade da água é avaliada por parâmetros físicos, químicos e biológicos, 
sendo fundamental monitorá-la para garantir usos múltiplos. A eutrofização, 
intensificada pelo aporte de nutrientes, promove florações de algas e prejudica 
os ecossistemas aquáticos. A concentração de clorofila-a (Chl-a) é um indica-
dor essencial dessas florações, refletindo a produtividade primária e a ciclagem 
de nutrientes. Embora métodos in situ sejam precisos, apresentam limitações 
espaciais e temporais, tornando o sensoriamento remoto óptico uma ferramenta 
eficaz para o monitoramento em larga escala. Este estudo valida a plataforma 
AlgaeMAp, desenvolvida no Google Earth Engine com base em imagens Sentinel-2, 
para estimar Chl-a e classificar o Índice de Estado Trófico (IET) no Reservatório 
Arroio Chasqueiro, sul do Brasil. Foram realizadas coletas de água para análise 
de Chl-a em seis campanhas de setembro de 2023 a agosto de 2024. A análise 
estatística indicou um coeficiente de determinação (R²) de 74,8%, RMSE de 
10,80 e uma acurácia global de 63,9% na classificação do IET. Observou-se uma 
variação espacial e temporal nas concentrações de Chl-a, com picos significa-
tivos no braço esquerdo do reservatório durante o período de maior uso para 
irrigação. Os resultados destacam a influência do manejo hídrico na qualidade 
da água e reforçam a relevância do sensoriamento remoto como ferramenta para 
o monitoramento integrado de reservatórios.
Palavras-chave: clorofila-a; algaemap; qualidade da água.
10
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
INTRODUÇÃO
A qualidade da água é determinada por características físicas, químicas 
e biológicas, com padrões de classificação que garantem a segurança para 
usos múltiplos. Monitorar a qualidade da água em reservatórios exige estudos 
abrangentes, considerando esses parâmetros para identificar fontes de poluição 
e quantificar níveis de contaminação, alertando sobre riscos à saúde pública e 
aos recursos hídricos (PU et al., 2019; LOPES, 2019).
A eutrofização, uma das principais ameaças aos ecossistemas aquáticos, 
resulta do aumento de matéria orgânica e nutrientes, promovendo proliferação 
de algas. A concentração de clorofila-a (Chl-a) é usada para quantificar essas 
florações, regulando a produtividade primária e influenciando a ciclagem de 
elementos como carbono, nitrogênio e fósforo (German et al., 2021; Caballero 
e Navarro, 2021).
O monitoramento convencional in situ, embora preciso, é limitado em 
escala e insuficiente para capturar a distribuição espacial das florações (Ferral 
et al., 2017). Nesse contexto, o sensoriamento remoto óptico se destaca como 
alternativa, permitindo monitoramento espaço-temporal em larga escala com 
alta frequência de aquisição e dados gratuitos. Essa abordagem complementa as 
técnicas tradicionais, ampliando a compreensão das dinâmicas ecossistêmicas 
(Palmer et al., 2015; Ogashawara et al., 2021).
Diante disso, o sensoriamento remoto tem sido utilizado amplamente para 
águas interiores, costeira e de estuário em diferentes regiões do mundo. Mishra 
et al., (2012) propuseram o índice normalizado da clorofila-a (NDCI, em inglês) que 
permite quantificar a concentração de clorofila-a em um corpo d’água. Com base 
no NDCI e imagens do sensor Sentinel-2 foi desenvolvido a plataforma AlgaeMAp, 
que possibilita a estimativa da qualidade da água por meio de análises da con-
centração de Clorofila-a (Chl-a) e o Índice de Estado Trófico (IET) para uma série 
temporal (LOBO et al., 2021) de vários corpos d’água do Brasil e América do Sul.
Para o desenvolvimento da agricultura no mundo, a água é o recurso 
natural de maior relevância, uma vez que as novas tecnologias para aumento de 
produtividade das áreas agrícolas são dependentes da sua disponibilidade. Tal 
importância reflete-se nos altos índices de produtividade de áreas irrigadas, em 
que apenas 18% do total de áreas agrícolas corresponde a aproximadamente 40% 
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da produção agrícola mundial (BROWN; RENNER; HALWEIL, 2000). A agricul-
tura irrigada depende tanto da quantidade como da qualidade da água, sendo a 
longo prazo a qualidade um dos fatores mais importantes de acordo com Ayers 
& Westcot (1999). 
A bacia hidrográfica em estudo localiza-se no município de Arroio Grande, 
integrando a bacia hidrográfica Mirim-São Gonçalo, com os arroios Chasqueiro 
e Chasqueirinho como principais afluentes. Sua principal função é a irrigação, 
especialmente para o cultivo de arroz por inundação (COODIC, 2023). A Barragem 
do Chasqueiro tem um papel social essencial, garantindo tanto a captação de água 
para grandes áreas agrícolas quanto a disponibilidade e qualidade da água potável 
para a população de Arroio Grande, no Rio Grande do Sul (VIDAL et al., 2021).
O objetivo do presente estudo é validar a aplicação da plataforma AlgaeMAp 
no Reservatório Chasqueiro, situado no extremo sul do estado do Rio Grande do 
Sul, Brasil. Além disso, realizar uma análise espaço temporal da qualidade da 
água, considerando o impacto do sistema de irrigação.
METODOLOGIA
Área de estudo
A Bacia Hidrográfica do Arroio Chasqueiro (BHAC) está localizada na 
margem oeste da Lagoa Mirim, abrangendo uma área aproximada de 240 km². 
Ela é composta por dois arroios principais, o Chasqueiro e o Chasqueirinho, além 
do reservatório Arroio Chasqueiro (COODIC, 2023).
A área de estudo abrange o reservatório Arroio Chasqueiro (Figura 1), 
que fica a cerca de 3 km da BR-116 (próximo ao km 600), no município de Arroio 
Grande, Rio Grande do Sul. Desde 1983, o reservatório é mantido por uma barra-
gem de terra com 1.200 metros de extensão e altura máxima de 22 metros. A área 
inundada corresponde a aproximadamente 1.650 hectares, com capacidade de 
armazenamento de 117 milhões de metros cúbicos de água (HIDROSSEDI, 2024).
12
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Figura 1 - Localização área de estudo.
O perímetro de irrigação cobre uma área de 26 mil hectares, sendo 
cerca de 19 mil hectares irrigáveis. O sistema de irrigação principal inclui 90 
obras hidráulicas em concreto armado e 38 pontilhões de madeira (COODIC, 
2023). O reservatório desempenha um papel fundamental no sistema de irrigação 
da região. Nesse contexto, para o início do período de irrigação, as comportas 
da barragem são abertas nos meses de outubro e novembro, quando o nível de 
água está mais elevado, para atender à demanda hídrica dos cultivos. Por outro 
lado, entre fevereiro e abril, espera-se que o reservatório apresente os níveis mais 
baixos de armazenamento, em função do grande volume de água retirado para 
irrigação. Esse manejo hidráulico influencia diretamente a dinâmicaDO SEDIMENTO NO ESTUDO AMBIENTAL
A importância da análise geoquímica do sedimento dos corpos aquáticos 
está associada a dois aspectos primordiais, o arcabouço metodológico disponível 
para esses estudos e o aspecto da dinâmica do sedimento nos corpos aquáticos, 
o qual o classifica como potencial indicador de contaminação, poluição e quali-
dade ecológica ambiental.
Quanto aos recursos metodológicos é facilmente perceptível que na literatura 
há uma tendência para uma padronização de métodos, bem como, os recursos 
de natureza legal, a legislação ambiental, tem direcionado a essa padronização. 
Geralmente, os estudos sobre os possíveis impactos dos contaminantes são 
baseados na caracterização das concentrações, distribuição espacial, análise 
geoestatística, análise por índices ecológicos de avaliação da condição do sedi-
mento e análise das diretrizes de qualidade de sedimento (Figura 01).
Figura 01 - Recursos metodológicos utilizados nos estudos de geoquímica do sedimento. Baseado 
em Melo Júnior et al. (2023 e 2024). *A legislação ambiental aplicada é orientada por cada órgão 
máximo ambiental de cada país.
Em virtude da gama de estudos já realizados, há uma ampla disponibilidade 
de recursos literários sobre esse tema , verificando-se estudos nas mais diversas 
áreas, bem como, esse amplo uso dessas metodologias possibilita a consolidação 
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dessa linha de estudo, nos mais diversos campos de atuação humana, dentre as 
quais estão: urbanização e industrialização (Wenchuan; Dickman Sumin, 2001; 
Zhao; Li, 2013, Ajani et al., 2021); agropecuária (Segura et al., 2006; Yari; Varvani; 
Zare, 2020); mineração (Jung; Thornton, 1996; Prasad; Sangita, 2008); aquicultura 
e piscicultura (Xie et al., 2020; Karikari et al., 2020; Melo Júnior, 2023; 2024).
As metodologias demonstradas na figura 01 foram testadas e validadas 
por Bai et al. (2011), Wu et al. (2014), que utilizaram estatística multivariada para 
inferir sobre a condição do sedimento e identificação de fonte de poluição. Caieiro 
et al. (2005), Dung et al. (2013), Mirza et al. (2019) e Kowalska et al. (2018) utiliza-
ram índices de avaliação ambiental do sedimento para quantificar e qualificar a 
condição do sedimento. Xie et al. (2020), Karikari et al. (2020) e De Paula Filho 
et al. (2021), que aplicaram análise da diretriz de qualidade de sedimento para 
relacionar o sedimento com a possibilidade de reações ecotoxicológicas à biota. 
Além desse arcabouço metodológico a análise do sedimento pode ter amparo 
na legislação ambiental e nos métodos de análise que resultam da interpretação 
da legislação. A outra grande importância do estudo geoquímico do sedimento 
decorre do entendimento e compreensão do sedimento como um dos principais 
indicadores ambientais dos corpos aquáticos continentais e marinhos. 
Há décadas o sedimento é reconhecido como importante indicador da 
poluição de ecossistemas aquáticos, bem como, a contaminação de sedimento 
é uma preocupação mundial (Liu et al., 2018; Zahra et al., 2014). 
Os sedimentos aquáticos formam um compartimento importante por atuar 
como um sumidouro de poluentes, os quais são submetidos à força de decan-
tação, incrementada por adsorção de poluentes a partículas minerais e matéria 
orgânica dispersas na coluna de água. Sob essa força de adsorção a decantação 
é potencializada tornado a sedimentação um eficiente meio de armazenamento 
de matérias sobre o sedimento. 
Além desse processo de sedimentação, é importante considerar a possi-
bilidade de dispersão de poluentes e ou contaminantes do sedimento através de 
vários processos. Nesse caso, o sedimento pode atuar como fonte de poluentes 
para a coluna de água causando retroalimentação no meio. 
A sedimentação representa o destino final de poluentes. No entanto, pro-
cessos de circulação vertical, bioturvação, alterações físicas e químicas da água 
podem causar ressuspensão dos metais possibilitando sua biomagnificação 
84
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
através das teias alimentares. Nesse sentido, atenção especial deve ser dada 
aos reservatórios destinados ao abastecimento humano (Wu et al., 2014) e aos 
reservatórios também destinados à piscicultura em tanque rede conforme suge-
rido por Salami et al. (2008) e Xie et al. (2020).
A capacidade do sedimento em preservar as características químicas ao 
longo do tempo, possibilita a identificação dos impactos e sua possível origem, 
diferindo-o do meio líquido, no qual rapidamente seriam diluídas e dissolvidas 
(Forstner;Muller, 1981; Esteves 2011; Varol 2019; Wang 2020). 
Estudos em áreas de pisciculturas realizados por Varol (2019); Karikari 
et al. (2020) e Karauouzas et al. (2021) demonstraram que as concentrações 
de metais pesados no sedimento são superiores às concentrações na coluna 
d’água, confirmando as melhores propriedades conservativas das condições 
químicas do sedimento.
Karauouzas et al. (2021) observaram diferentes resultados entre as concen-
trações de metais da água e do sedimento em 68 lagos da Grécia. As amostras de 
água foram classificadas como boa qualidade. O sedimento, em maioria, superou 
a diretriz de qualidade em 9 rios e 3 lagos, sendo classificado como moderada-
mente ou altamente contaminados.
O estudo do sedimento superficial é recomendado por Varol (2019), Kalantzi 
et al. (2013; 2021), Xie et al. (2020) e Wang et al. (2020), segundo esses autores, as 
camadas de sedimento entre 0,0 cm e 10 cm de profundidade são mais influen-
ciadas pelas alterações químicas, físicas e biológicas. Esse estrato do sedimento 
representa a sedimentação mais recentes ocorridas no corpo aquático. Para a 
coleta do sedimento superficial pode ser utilizados dragas tipo Ekcman, Van Vee 
e similares (Figura 02). 
Em contrapartida, estudos que buscam informações de longos períodos 
deverão coletar o sedimento através de coletor tipo core (Figura 03), esses cole-
tores permitem realizar a coleta de perfis do sedimento com tamanho variável em 
função do interesse dos estudos realizados. Um estudo que procure identificar 
o histórico de poluição de um corpo hídrico poderá utilizar o core para coletar 
sedimento depositado desde a época de sua origem.
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Figura 02 - Coletor de sedimento superficial. 
Modelo Van Vee. 
Figura 03 - Coletor de perfil de sedimento. 
Coletor Kajak. 
Fonte: Franco (2007) apoud Dos Santo, Sousa e 
Nascimento (2014).
Fonte: Braga et al. (2018).
Avanços significativos na gestão ambiental podem ser alcançados ao 
investigar a geoquímica do sedimento, a partir da capacidade do sedimento em 
preservar as características químicas ao longo do tempo, possibilitando a iden-
tificação dos impactos e suas possíveis origens, seja por fontes intermitentes e 
ou difusas, localizar áreas de retenção e determinar a cronologia de entrada de 
poluentes metálicos (Forstner; Muller, 1981; Esteves 2011; Varol 2019; Wang, 2020).
Dentre os ecossistemas aquáticos, os reservatórios artificiais de águas 
têm sido alvo de contaminantes metálicos e, portanto, são motivo de preocupa-
ção mundial quanto à intensidade desse tipo de contaminação (Turuka; Kagbu; 
Gimba, 2007; Chabukdhara; Nema, 2012). As cargas residuais das atividades 
antrópicas realizadas ao longo das bacias de drenagem dos corpos aquáticos 
continentais assumem volume e intensidade que superam as cargas naturais 
(Komala et al., 2021).
86
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
MÉTODOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS DE ANÁLISE DO SEDIMENTO
A diretriz de qualidade de sedimento é um método de interpretação direta 
das concentrações de metais pesados em sedimento e solo. Esse método é 
amplamente utilizado em diversos países e sempre é baseado em parâmetros 
determinados pela legislação ambiental da respectiva região. O método é baseado 
nas concentrações de poluentes que podem causar reações ecotoxicológicas 
adversasaos organismos vivos do ambiente analisado. 
Para tanto, geralmente, o método possui três faixas de concentração, são 
elas: concentrações que não causam reações ecotoxicológicas; concentrações 
que podem causar ecotoxidade e concentrações que certamente causariam eco-
toxidade aos organismos do ambiente em questão. As diretrizes de qualidade de 
sedimento são utilizadas em vários países e todas são baseadas em resultados 
de testes ecotoxicológicos e reportam os limites de concentrações quanto à 
possibilidade de ocorrência de reações tóxicas à biota (Tabela 01).
Tabela 01 - Valores limitantes das concentrações de metais e semi metais aplicáveis a diversas 
diretrizes de qualidade de sedimento (DQS/SQGs).
DQS / SQGs Metais (mg/kg)
Normativas/ Pais Limites As Cd Pb Cu Cr Hg Ni Zn Ag
Resolução nº. 454/2012 
CONAMA – Brasil*. 
Nível 1* 5,9 0,6 35 35,7 37,3 0,17 18 123
Nível 2 17 3,5 91,3 197 90 0,486 35,9 315
CCME (1999) - CANADÁ
ISQG 5,9 0,6 35 35,7 37,3 0,17 18 123,0
PEL 17 3,5 91,3 197,0 90,0 0,486 35,9 315,0
MacDonald, Ingersoll e Ber-
ger (2000); Macdonald et 
al. (1996) - EUA
TEC 9,79 0,99 35,8 31,6 43,4 0,18 22,7 121
PEC 33,0 4,98 128 149 111 1,06 48,6 459
NOAA (Long et al., 1995) 
- EUA
ERL 8,2 1,2 46,7 34 81 0,15 20,9 150 1,0
ERM 70 9,6 218 270 370 0,71 51,6 410 3,7
Australian and New Ze-
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c-armcanz (2000)
ISQG-Low** - 1,5 50 65 80 0,15 21 200 1,0
ISQG-High** - 10 220 270 370 1,0 52 410 3,7
Taiwan-EPA (2010)
Lower limit 11 0,65 48 50 76 0,23 24 14
Uper limit 33 2,5 161 157 233 0,87 80 384
*Substitui a Res. nº 344/2004-CONAMA. ISQG-Low** Sb (2) ISQG-High** Sb (100), Vu et al. (2017).
Além das diretrizes indicadas na tabela 01 ICSQG-Interim Canadian Sedi-
ment Quality Guidelines (Mohammad et al., 2015; Minello et al., 2009; Mariani; 
87
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Pompeo, 2008); GSQG-Germany Sediment Quality Guidelines (Mohammad et al., 
2015) e SQGC-Sediment quality guidelines of China (Zhang et al., 2016).
Investigações sobre a contaminação de sedimento por metais têm ocor-
rido, especialmente, por utilização das diretrizes de qualidade de sedimento que 
possibilitam a avaliação e discussão sobre a qualidade do sedimento (Kalwa et al. 
2013). As diretrizes de qualidade de sedimento constituem uma metodologia de 
análise mais segura devido ao aspecto quantitativo e qualitativo desse método, 
sendo melhor que métodos apenas qualitativos (Duodu et al., 2016).
A utilização da diretriz de qualidade de sedimento é uma abordagem mais 
clássica para comparar as concentrações de metais verificadas com valores de 
referência (El Nemr et al., 2016; Vu et al., 2017), este método é muito eficiente 
na caracterização da contaminação de sedimentos por metais pesados (Duodu 
et al., 2016; Vu et al., 2017). 
De acordo com Caeiro et al. (2005) e Mirza et al. (2019), esse é o método 
utilizado para identificar a possibilidade de reações toxicológicas adversas à biota 
do sedimento superficial, através da comparação das concentrações dos metais 
com os valores correspondentes nas diretrizes.
Na tabela 01, é possível observar que estudos realizados em vários países 
consideraram a adequação das diretrizes de outra nação como forma de avaliação 
da condição do sedimento estudado.
Há casos em que os pesquisadores utilizam várias diretrizes de qualidade 
de sedimento para comparar seus resultados, respectivamente, Vu et al. (2017) 
utilizaram as diretrizes Taiwan EPA, CCME, e Anzecc, Armcanz e Mohammad Ali 
et al. (2015) realizaram comparações de seus resultados com as diretrizes Cana-
denses Interinas de Qualidade de Sedimentos (ICSQG) e Diretrizes de Qualidade 
de Sedimentos da Alemanha (GSQG).
Segundo Vu et al. (2017) os valores de referência determinados pelo Anzecc 
e Armcanz (2000) são semelhantes ao NOAA (Long et al., 1995), bem como, os 
valores estabelecidos pelo Taiwan EPA (Taiwan EPA, 2010) e Conselho Canadense 
(CCME, 1999) são semelhantes entre si. Em alguns casos essa semelhança ocorre 
devido a uma diretriz anterior e mais testada que serve de base para determinação 
de diretrizes de outros países.
Como a diretriz de qualidade de sedimento (Tabela 01) tem a importância 
de facilitar a interpretação ecotoxicológica das concentrações de metais pesados 
88
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
no sedimento, seria muito oportuno que houvesse avaliação semelhante para os 
nutrientes e matéria orgânica do sedimento, essa adaptação poderia facilitar o 
entendimento das concentrações desses parâmetros sobre a dinâmica limnoló-
gica dos corpos aquáticos.
Tanto os nutrientes como a matéria orgânica do sedimento possuem pro-
priedades que influenciam potencialmente a evolução do estado trófico do corpo 
aquático, portanto, em estudo sobre o impacto da piscicultura em tanque rede 
realizado no açude Rosário-CE- Brasil, foi realizada uma adaptação da forma de 
interpretação das concentrações de nutrientes e matéria orgânica (Tabela 02), 
a qual foi idealizada e adaptada para criar a mesma facilidade de compreensão 
que existe para a diretriz de qualidade de sedimento (DQS).
Tabela 02 - Diretriz da condição trófica e orgânica do sedimento. Percentual de ocorrência das 
concentrações e incremento em termos de valores normativos.
Resolução 454/2012/
CONAMA* 
concentração limite
piscicultura Área referência
ocorrência (%) Incremento* ocorrência (%) Incremento*
  máx mín   máx mín
TN (mg/kg) 4800 30 10 60 2.9 2.1 100 0.0 1.3 1.0
TP (mg/kg) 2000 0.0 - 100 1.7 0.9 100 0.0 0.2 0.1
TOC (%) 10 100 - 0.0 0.4 0.3 100 0.0 0.2 0.2
OM(%) 10 0.0 - 100 3.1 1.7 0.0 100 2.2 1.4
Fonte: Melo Júnior et al (2024). TN = Nitrogênio total; TP = Fósforo total; TOC = Carbono orgânico 
total; OM = Matéria orgânica; *incremento: razão entre concentração limite (R.454/2012/CONAMA) 
e concentração observada.
A resolução 454/2012-CONAMA, no anexo tabela IV, aponta os valores 
de referência de Carbono orgânico total-COT (%), nitrogênio total-NT (mg/kg) 
e fósforo total-PT (mg/kg) e matéria orgânica-MO (%) a partir desses dados foi 
determinado o valor de incremento, calculado pela razão entre a concentração 
referência da legislação e a concentração encontrada. A outra maneira de analisar é 
feita semelhante à análise de Diretriz de qualidade do sedimento, ou seja, conside-
rando o percentual encontrado de concentrações inferiores, iguais e superiores ao 
valor de referência. Dessa forma a análise do COT, NT, PT e MO possibilita melhor 
compreensão da realidade orientando o entendimento de forma direta e objetiva. 
89
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ÍNDICES DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL DO SEDIMENTO
Na literatura há diversos índices ecológicos para avaliação dos sedimentos 
aquáticos, os quais podem ser verificados nos estudos de Caeiros et al. (2005); 
Qingjie et al. (2008) Dung et al. (2013); Kowaslka et al. (2018) e Mirza et al. (2019). 
Esses índices são métodos quantitativos e qualitativos que calculam a 
condição ambiental de sedimento e ou solos, e são facilmente compreensíveis 
devido à associação dos dados numéricos a uma escala nominal de categorização 
da condição ambiental do sedimento.
A utilização de índices de avaliação de sedimento, segundo Zhao et al. 
(2013), é importante para processamento, análise e transmissão de informações 
ambientais para administradores, tomadores de decisão, e gestores de saúde 
pública. A tradução de dados ambientais brutos em informações genéricas permite 
que gestores públicos e ou privados tenham fáceis recursos para classificação, 
decisão e priorização de medidas sobre áreas contaminadas (Caeiro et al., 2005; 
Qingjie et al., 2008; Dung et al., 2013 e Capangpangan et al., 2016). 
CLASSIFICAÇÃO DOS ÍNDICES AMBIENTAIS
Caeiro et al. (2005) classificou os índices ambientais em três categorias: 
índice de contaminação; índice de enriquecimento de background e índice de risco 
ecológico (Tabela 03). Os índices decontaminação avaliam as áreas contamina-
das comparando as concentrações limpas e as poluídas e ou as concentrações 
agregadas advindas de ações antrópicas sob influência no ambiente. Índices de 
enriquecimento de background comparam as concentrações observadas com 
os valores de referência geoquímica. Índices de risco ecológico utilizam as con-
centrações dos metais para indicar os riscos de toxidade aos organismos vivos, 
essas podem ser comparadas com as diretrizes de qualidade de sedimento. 
Qingjie et al. (2008), Duodu et al. (2016) e Kowaslka et al. (2018) classi-
ficaram os índices em dois grupos, com denominações diferenciadas, porém, 
com mesmo propósito, que caracterizam os índices como unitário, que calcula a 
condição de uma única espécie de metal, e os índices abrangentes que em única 
análise agrupam várias espécies metálicas (Tabela 03).
90
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Os índices denominados como complexos, multielementar e ou integrados 
permitem uma análise mais ampla, podem considerar um conjunto de metais do 
solo ou sedimento de uma área. Geralmente, os índices complexos são calculados 
a partir dos resultados dos índices individuais e, também, podem utilizar somatório 
de concentrações calculadas por índices simples (Kolwaska et al., 2018). 
Melo Júnior (2023) classificou os índices em três grupos denominados 
geoquímicos, ecotoxicológicos e antropogênicos (Tabela 03). 
Os índices de natureza geoquímica são os que comparam e ou apontam o 
acréscimo de metais a partir da condição natural submetida ao input de metais 
resultantes da atividade humana, são calculados pela razão entre a concentração 
atual do metal e o valor de referência, o qual pode ser representado pelo back-
ground (Mirza et al., 2019), a linha de base geoquímica (Paula Filho et al., 2015) 
ou valor da crosta terrestre (Kanda et al., 2020; Mirza et al., 2019) e ou qualquer 
uma dessas referências adaptadas da literatura. Esses índices indicam o grau de 
aporte de contaminantes para o sedimento a partir das concentrações de origem 
geológica, da formação do solo ou sedimento.
Os índices ecotoxicológicos avaliam a possibilidade de efeitos tóxicos aos 
organismos do ambiente analisado, esses cálculos são baseados em estudos 
toxicológicos que indicam os níveis de toxidade dos metais, conforme determi-
nado por Hankanson (1980), bem como, há índices que são baseados nos limites 
de toxidade determinados pelas diretrizes de qualidade de sedimento, conforme 
demonstra Zhang et al. (2016). 
Os índices antropogênicos tratam dos níveis de poluição e ou contaminação 
verificados a partir de atividades humanas. Esses índices podem ser classificados 
como integrados (Qingjie et al., 2008), multielementares (Duodu et al., 2016) e ou 
complexos (Kowaslka et al., 2018), tendo essa gama de classificação por serem 
calculados através dos resultados da aplicação de um índice geoquímico, o fator 
de contaminação (Hankanson, 1980).
A utilização do valor de referência com dados da crosta terrestre tem sido 
questionada. Possivelmente, a composição da crosta terrestre será divergente 
da condição local, nesse sentido, a utilização de concentrações do sedimento 
local e/ou do sedimento mais profundo é mais recomendável (Dung et al., 2013).
Para aplicação dos índices de avaliação do sedimento Dung et al. (2013) 
recomendam que seja estabelecida as concentrações geoquímicas locais, o 
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background ou linha de base o que é importante para desvendar os limites 
mínimos para legislação ambiental. A geoquímica local também é importante 
para tornar mais fiel à avaliação das cargas residuais das atividades humanas 
sobre o sedimento.
Tabela 03 - Classificação dos índices de avaliação ambiental do sedimento utilizados neste estudo.
AUTORES Caeiro et 
al. (2005)
Qingjie et 
al. (2008)
Duodu et 
al. (2016)
Kowaslka 
et al. (2018)
Melo Júnior
(2023)
CATEGORIAS DE 
CLASSIFICAÇÃO 
DOS ÍNDICES
Q
in
gj
ie
 e
t a
l. 
(2
00
8)
D
uo
du
 e
t a
l. 
(2
01
6)
K
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et
 a
l. 
(2
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8)
M
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qu
ím
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os
Ec
ot
ox
ic
ol
óg
ic
os
A
nt
ro
po
gê
ni
co
s
Geoacumulação (Igeo) 
(Müller, 1969) X X X X
Fator de enriquecimento 
(Taylor, 1969) - - - X X X
Fator de contaminação
(Hakanson 1980) - - - X X X
Grau de contaminação 
(Hakanson 1980) X X X X X
Risco ecológico
(Hakanson, 1980) X X X
Índice de risco ecológi-
co potencial (Chen et al. 
2018)
X X X X
Índice de Risco tóxico
(Zhang et al., 2016) - - - - - X X
Índice de carga de polui-
ção (PLI)(Tomlinson et 
al., 1980)
X X X X
Índice de poluição de 
Nemerow (Nemerow, 1991) X X X X
Índice de poluição com-
binado - - - - - - - X
Devido à ausência de valores de referência das condições naturais do 
sedimento em alguns ecossistemas, vários pesquisadores adotaram como valor 
de referência as concentrações de metais das áreas que permaneciam mais pre-
servados ou conservados e livres de atividades impactantes sobre o sedimento, 
dos quais: Zonta et al. (1994) na área estuarina da Lagoa Veneza, Itália; Caeiro et al. 
(2005) no estuário Sato, Portugal; Suresh et al. (2012) determinou os valores da 
92
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
linha de base do lago Veeranam, na Índia; Li et al. (2015) no pântano Everglades, 
Flórida; Melo Júnior et al. (2023) e (2024) no açude Rosário, Brasil.
ESCOLHA DE ÍNDICES DE AVALIAÇÃO ECOLÓGICA DO SEDIMENTO
De acordo com Duodu et al. (2016) e Mirza et al. (2019) a contaminação 
do sedimento superficial é caracterizada por ter efeito sinérgico de vários metais 
gerando condições multielementares, portanto, é recomendável também utilizar 
índices multielementares na avaliação do sedimento. 
Os índices monoelementares são importantes para identificação da condição 
de sedimentação de metal por processo natural e o aporte de metais resultantes de 
atividades humanas, nesse caso, os índices individuais ou únicos são importantes 
por identificar o comportamento individual das espécies metálicas investigadas.
 A utilização dos índices de avaliação do sedimento é uma boa metodologia 
de interpretação do impacto sobre o sedimento, porém deve ser complementada 
com a avaliação das diretrizes de qualidade do sedimento por possuir uma abor-
dagem mais realista sobre a possibilidade de efeitos tóxicos a biota aquática e o 
sedimento (Duodu et al., 2016), portanto, podem ser comparadas com índices de 
risco ecológico (Hakanson, 1980) e risco ecológico potencial (Chen et al., 2018), 
como também, as diretrizes fornecem os limites de concentração para aplicação 
do índice de risco tóxico (Zhang et al., 2016).
A escolha dos índices de avaliação do sedimento deve ser realizada em 
função dos objetivos do estudo e com critérios específicos para a região avaliada, 
os índices possuem vantagens e desvantagens, portanto, a avaliação não deve 
ser baseada em um único índice (Dung et al., 2013). 
Neste trabalho, as opções de índices de avaliação do sedimento estão 
dispostas de acordo com a classificação de Melo Júnior (2023) que apresenta 
dez índices distribuídos em função de suas características e aplicação (tabe-
las 04, 05 e 06). 
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Tabela 04 - Índices de avaliação geoquímica de contaminação de sedimento por metais traços em 
sedimentos.
Índices geoquímicos Categorização 
Índice de geoacumulação 
 (Muller, 1969).
𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 = log!	[		
(𝐶𝐶"a)
1,5	X	(𝐶𝐶"b)			]
Onde:
(Ci a) = concentração do 
metal.
(Ci b) =Valor do background.
1,5=fator minimizador de 
possível variação de valor 
de background.
5 Extremamente poluído.
Fatorde enriquecimento 
(Taylor, 1969).
𝐹𝐹𝐹𝐹 =
[(𝐶𝐶!a)/	(𝐶𝐶!b)]
[(𝐹𝐹𝐹𝐹!a)/	(𝐹𝐹𝐹𝐹!b)]
Onde: 
(Ci a) = concentração do 
metal.
(Ci b) = Valor do background.
(Fei a) = concentração do 
Ferro
(Fei b) = valor do back-
ground.
50 Enriquecimento extremamente severo.
Fator de contaminação 
(Hankanson, 1980).
 
𝐶𝐶𝐶𝐶!" = (𝐶𝐶#a)/(𝐶𝐶#b)
Onde:
CFj
i = individual por metal(i) 
(Ci a) = concentração do 
metal.
(Ci b) = concentração do 
background.
6 Contaminação muito alta.
Grau de contaminação 
(Hankanson, 1980).
𝐶𝐶𝐶𝐶! =$𝐶𝐶𝐶𝐶!"
#
"$%
Onde:
CDj = total dos metais em 
uma área de amostragem (j).
CFj
i = fator de contamina-
ção.:
CD24 Alto grau de contaminação;
Fonte: Melo Júnior et al. (2023; 2024).
Tabela 05 - Índices de avaliação ecotoxicológica da contaminação por metais traços em sedimentos.
Índices ecotoxicológicos Categorização 
Risco ecológico 
(Hankanson, 1980).
 
𝐸𝐸!" = 𝑇𝑇# 	X	𝐶𝐶𝐶𝐶!"
Onde:
Ej
i = é o índice do risco ecológico de um 
único metal (i) no local de amostragem ( j).
TC = Coeficiente de resposta tóxica do 
metal pesado (i) = (Zn=1, Cu=5, Cr=2, 
Cd=30, Pb e Ni=5).
1 - Ej
i320 extremamente forte.
Risco ecológico potencial 
(Chen et al., 2018).
PERI! =&𝐸𝐸"
#
$
#%&
PERIj = risco ecológico potencial abran-
gente no local de amostragem ( j).
1 - PERIj560 extremamente forte;
94
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Índices ecotoxicológicos Categorização 
Índice de risco tóxico (TRIi)
(Zhang et al., 2016).
𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇= ((𝐶𝐶!/𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇)"+(𝐶𝐶!/𝑃𝑃𝑇𝑇𝑇𝑇)")/2
Onde:
TRIi= índice de risco tóxico
Ci=concentração do metal no sedimento;
TEL=N1: nível de efeito limiar; 
PEL=N2: nível de efeito provável;
N1/N2 – Res. 454/2012-CONAMA;
TEL/PEL (CCME/Long e MacDonald, 1998).
1 - TRI ≤ 5 Sem risco tóxico;
2 - 520 Risco tóxico muito alto;
Fonte: Melo Júnior et al. (2023; 2024).
Tabela 06 - Índices de avaliação antropogênica de contaminação de sedimento por metais traços 
em sedimentos. 
Índices antropogênicos Categorização 
Índice de carga depoluição (PLI)
(Tomlinson et al., 1980).
PLI =	 𝐶𝐶𝐶𝐶!	𝑋𝑋	𝐶𝐶𝐶𝐶"…𝑋𝑋𝐶𝐶𝐶𝐶#
!
Onde: 
CFn = fator de contaminação dos “n” 
metais estudados. 
PLI PLI = poluído
Índice de poluição Nemerow 
(NPI) (Nemerow, 1991)
𝑁𝑁𝑁𝑁𝑁𝑁 =
(𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶	)!+	(𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶)!	
2
Onde: 
CFmédia = média aritmética do fator 
de contaminação de todos os metais.
Cfmáximo = fator de contami-nação 
máximo entre os metais.
NPI 3 severamente poluído.
Índice combinado de poluição 
(CPI)
CPI= ∑ 𝐶𝐶𝐹𝐹!"#
"$% /𝑚𝑚
Onde:
 Cfi = Fator de contaminação do metal 
 m = número de metais. 
CPIpacotes 
estatísticos disponíveis, desde os gratuitos até os comercializados.
Para proceder a análise de diretrizes de qualidade do sedimento é neces-
sário apenas ter as concentrações dos metais pesados à disposição. O método 
é de aplicação direta e não requer uso de cálculos. 
Os índices de avaliação do sedimento são métodos quantitativos e quali-
tativos, os resultados numéricos são correspondentes a categorias classificatória, 
portanto, esse método torna-se de fácil compreensão pelos possíveis usuá-
rios. A grandiosa utilização desses índices, registrada na literatura são indicadores 
da simplicidade e da eficiência do método.
A aplicação da diretriz de qualidade do sedimento e os índices de avaliação 
ecotoxicológicas são especialmente indicadores das possibilidades de ecotoxidade 
à biota do ambiente, portanto, constituem potencial meio de indicação das pos-
síveis reações de biomagnificação dos metais na cadeia trófica do ecossistema, 
bem como, correspondem ao primeiro passo no estudo de biomagnificação de 
poluentes em ecossistemas. 
Os demais índices, os de natureza Geoquímica e os antropogênica, res-
pectivamente, dizem respeito à formação natural do sedimento e ao aporte de 
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contaminantes ou poluentes resultantes de ação humana. Mas todos com a 
mesma facilidade metodológica para aplicação e interpretação de resultados. 
Quanto à estatística multivariada é importante considerar que seus resultados 
podem confirmar a distribuição espacial dos poluentes no sedimento, bem como, 
esclarece a dinâmica da sedimentação, acumulação e dispersão de poluentes 
do sedimento. Esse método também pode identificar as fontes de poluição e ou 
contaminação do sedimento.
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' 10.37885/240817578
06
O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO 
DESORDENADA E SEUS IMPACTOS NO AÇUDE 
DO GRAVATÁ, SERRINHA/BA
Jackeline Lisboa Araújo Santos
Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)
Juliana Araújo Santos
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Maria Auxiliadora Freitas dos Santos
Instituto Federal Baiano (IFBAIANO)
https://dx.doi.org/10.37885/240817578
103
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
RESUMO
O Açude do Gravatá é um importante corpo hídrico do município de Serrinha/
BA, que vem sendo degradado de forma intensa, com a retirada de quase sua 
totalidade da vegetação do entorno, e mais gravemente, considerando a saúde 
da população, servindo atualmente como depósito de diversos efluentes com alto 
índice de poluentes. O acompanhamento da situação do açude por um grupo 
de pesquisadores envolve ações diversas como análise situacional em campo, 
ações de educação ambiental com a comunidade, análises da qualidade da água 
e audiências públicas. Neste trabalho apresentamos uma abordagem compa-
rativa de dois momentos de análise da água e do impacto ambiental. Através 
deste estudo pode-se perceber o grau de impacto no açude. Os resultados foram 
insatisfatórios tanto a nível físico-químico quanto microbiológico. Os parâmetros 
avaliados e analisados à luz da legislação ambiental vigente demonstraram que 
o impacto no Açude do Gravatá tem sido crescente. Desta forma, recomenda-se 
ação imediata de intervenção e que sejam firmadas parcerias entre os diferentes 
órgãos de atuação do poder público e a comunidade local.
Palavras-chave: urbanização; corpo hídrico; impacto ambiental.
104
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA
O processo de urbanização ocorre no tempo e no espaço, e a partir dos 
anos 1970, no Brasil, ampliou-se, corroborando para uma série de problemas 
ambientais, dentre eles a poluição dos recursos hídricos. O descumprimento das 
leis relacionadas à proteção destes recursos foi levado ao extremo, produto de 
um expressivo crescimento populacional que como consequência realiza o lan-
çamento de efluentes nas superfícies líquidas naturais (CARVALHO et al., 2015). 
Essa é a realidade vivenciada na cidade de Serrinha, na Bahia.
O município de Serrinha limita-se ao norte com Teofilândia, a leste com 
Biritinga, ao sul com Lamarão, a sudoeste limita-se com Ichú, ao oeste com 
Conceição do Coité e a noroeste com Barrocas. A área municipal corresponde 
a 658,9 km2 e a sede do município encontra-se a 180 km da capital (SEI, 2016). 
Serrinha apresenta um percentual de aproximadamente 98% de domicílios com 
água tratada (BRASIL, 2022), contudo somente um total de 6.700 habitantes tem 
acesso a sistema de coleta e tratamento de esgoto, o que representa a parcela 
que reside nos loteamentos financiados pelo Governo Federal, valor insignificante 
considerando uma população de 80.435 pessoas (SEI, 2016). O sistema de esgo-
tamento sanitário é o grande problema, pois, o lançamento desses efluentes é 
feito em riachos e açudes urbanos.
Nesse direcionamento, no transcorrer deste trabalho será apresentado o 
resultado de dois relatórios técnicos de análise da qualidade da água do açude do 
Gravatá e análise dos impactos ambientais causados pelas ações antrópicas em 
seu entorno, apresentados em audiências públicas no município de Serrinha, Bahia.
A qualidade da água é um conceito relativo que depende diretamente do 
uso a que se destina, seja este para balneabilidade, consumo humano, irrigação, 
transporte e/ou manutenção da vida aquática. Para cada um dos usos existe um 
padrão de qualidade especificado pela legislação. Assim, a política normativa 
nacional de uso da água, como consta na resolução do CONAMA nº 357, procurou 
estabelecer parâmetros que definem limites aceitáveis de elementos estranhos, 
considerando os seus diferentes usos (BRASIL, 2005).
A água pode veicular um elevado número de enfermidades e essa trans-
missão pode se dar por diferentes mecanismos. O mecanismo de transmissão de 
doenças mais comumente lembrado e diretamente relacionado à qualidade da 
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água é o da ingestão, por meio do qual um indivíduo sadio ingere água que con-
tenha componente nocivo à saúde e a presença desse componente no organismo 
humano provoca o aparecimento de doenças como Cólera, Hepatite A, Verminoses 
como a Esquistossomose e Leptospirose (BRASIL, 2006).
Estima-se que cerca de 10 % da carga global de doenças seja devida à 
má qualidade da água e a deficiências na disposição de excretas e na higiene 
(PRÜSSUSTIN et al. 2008). Quase 90% dos cerca de 4 (quatro) bilhões de episó-
dios anuais de diarreia, em todo o mundo, (que causam 1,5 milhões de mortes em 
menores de cinco anos) são atribuídos a deficiências no esgotamento sanitário e 
na provisão de água de boa qualidade. Por outro lado, sabe-se que até 94 % dos 
casos de diarreia são passíveis de prevenção (WHO/UNICEF, 2006).
Logo, a adoção de medidas preventivas, visando à preservação das fontes 
de água e o tratamento das águas já comprometidas são as ferramentas neces-
sárias para diminuir consideravelmente o risco de ocorrência de enfermidades 
relacionadas com a água contaminada.
Desta forma, a importância do monitoramento através de análises físico 
- químicas e microbiológicas da água armazenada no açude localizado no muni-
cípio de Serrinha/BA e suas relações com o potencial de utilização da flora local, 
constituem elementos de extrema importância, pois os múltiplos usos da água de 
forma inadequada podem gerar alterações em suas características e comprometer 
sua qualidade, assim como a biota ao seu entorno. Assim, faz-se necessário o 
conhecimento das questões supracitadas de forma a manter o controle e con-
servação evitando, consequentemente problemas relacionados à saúde pública, 
questões que norteiam a agroecologia e possibilidade de usos diversos.
O CAMINHO PERCORRIDO
O Açude do Gravatá, vem servindo para diversas finalidades, principalmente 
pela população residente nas proximidades, dentre elas pode-se destacar a prática 
de pesca, a dessedentação animal, como tambémo uso recreativo deste corpo 
hídrico. Ao longo desses anos, este importante corpo hídrico do município, que 
já serviu como fonte de agua para a população, vem sendo degradado de forma 
intensa, com a retirada de quase sua totalidade da vegetação do entorno e mais 
gravemente, considerando a saúde da população, servindo atualmente como 
106
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
depósito de diversos efluentes com alto índice de poluentes, condições estas 
que serviram como incentivo para a realização deste estudo.
O referido açude está localizado na porção oeste do município de Serrinha/
BA, entre os bairros do Novo Horizonte e a comunidade do Arco-íris, possuindo a 
dimensão de 642,11 metros de comprimento e 292,07 metros de largura, conforme 
comprovado pelas imagens de satélite do Google Earth. Tal corpo hídrico vem 
sendo foco de estudo de um grupo de pesquisadores, professoras do IF Baiano 
e do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal (CETEPS), técnicos da 
Secretaria de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária e da Fundação Nacional de Saúde 
- FUNASA, como também Membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente.
O acompanhamento da situação do açude envolve ações diversas como 
análise situacional em campo, ações de educação ambiental com a comuni-
dade, análises da qualidade da água e audiências públicas. Neste trabalho 
apresentaremos uma abordagem comparativa de dois momentos de análise da 
água. O primeiro foi realizado no dia 06/07/2017, e o segundo no dia 01/11/2022. 
Ambos foram executados observando todos os procedimentos de coleta, pre-
servação, acondicionamento, transporte e análise da amostra seguindo a meto-
dologia recomendada pelo Standard Methods for the Examination of Water and 
Wastewater (2005) e também, pelo manual de procedimentos de análises e de 
qualidade de água da FUNASA.
UM CORPO HÍDRICO AMEAÇADO
Análise físico-química
No ano de 2017 foram realizadas in loco, coleta em 5 (cinco) pontos do 
referido açude, com análises de alguns parâmetros, como temperatura através 
de termômetro digital e aferição da profundidade com variação entre 18 e 41 
centímetros nos pontos coletados. As informações de campo dos pontos de 
coleta foram registradas em relatórios contendo: código do ponto, coordenadas 
geográficas, horário, profundidade, resultados medidos in situ e características do 
entorno, como também, foram registradas imagens fotográficas dos locais avalia-
dos. As coordenadas geográficas dos pontos avaliados estão descritos na Figura 1. 
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Figura 1 - Coordenadas geográficas dos pontos avaliados no Açude do Gravatá/Serrinha/Bahia.
Fonte: Autores (2017).
Para melhor visualização e conhecimento da área, os pontos de coleta 
foram plotadas no Figura 2.
Figura 2 - Rede hídrica do Açude do Gravatá - destaque nos pontos de coleta.
Fonte: CARVALHO (2015).
108
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Os parâmetros físico-químicos foram analisados em dois laboratórios: 
no Laboratório de Química do Instituto Federal Baiano - campus Serrinha/BA 
na data de 17/07/2017 pelas professoras Maria Auxiliadora Freitas e Jackeline 
Lisboa, auxiliadas por alunos do IF Baiano e CETEPS. E no Laboratório de Água 
da 12ª DIRES/FUNASA de Serrinha/BA, na data de 18/07/2017 pelo farmacêutico 
Cefas Carneiro Ramos.
Os resultados obtidos a partir da coleta e análise do corpo hídrico foram 
comparados com os dados de uma intervenção anterior realizada pelo Instituto 
do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) no período de maio/2017 quando 
houve uma mortandade elevada de peixes.
Tais valores correspondem a parâmetros que se encontram inseridos 
segundo os valores limites estimados pela Resolução CONAMA 357 de 17 de 
março de 2005. Considerando os valores de salinidades encontrados em estudos 
anteriores (INEMA, 2017), o corpo hídrico também será analisado considerando 
sua classificação em água salobra, classe I, pois o teor de salinidade foi 0,9 % 
uma vez que a Resolução CONAMA 357/2005 estabelece uma variação entre 
0,5 % e 30 % para a referida classe em estudo.
Diante desse fato, a análise em questão pretende verificar as caracterís-
ticas físico-químicas da água utilizando-se de dados comparativos ao relatório 
do INEMA/2017. Na figura 3 são evidenciados os parâmetros de Cor e Turbidez.
Figura 3 - Resultados Comparativos dos parâmetros de Cor e Turbidez do Açude do Gravatá, 
localizado no município de Serrinha - BA.
Fonte: Autores (2017).
A cor e a turbidez constituem parâmetros de suma importância no controle 
e vigilância da qualidade do corpo hídrico a ser estudado. A cor é produzida pela 
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reflexão da luz em partículas minúsculas, denominadas coloides, os quais podem 
ser de origem orgânica, presença de compostos como ferro ou manganês ou 
de atividades antrópicas, vide exemplo: descarga de efluentes domésticos ou 
industriais, solos agriculturáveis e lixiviação de vias urbanas. A turbidez, por sua 
vez, constitui o grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz precisa 
para atravessá-la devido à presença de sólidos em suspensão, como: detritos 
orgânicos, algas e efluentes domésticos ou industriais. Sofre influência direta da 
presença de sólidos em suspensão, que impedem que o feixe de luz penetre na 
água, reduzindo a fotossíntese da vegetação submersa e algas.
No relatório do INEMA/2017 foram encontrados valores correspondentes 
a 1034 mg/L de Sólidos Totais, sendo 994mg/L dissolvidos totais e(2001), o aumento da condutividade elétrica 
pode indicar o resultado da poluição de um curso d’água.
Os pontos analisados pelo Comitê Gestor vêm a confirmar a informação 
supracitada, uma vez que se apresentou maior valor no ponto 5 (1567 µs/cm), 
o qual representa o lançamento dos efluentes do Hospital Municipal de Ser-
rinha-BA. O valor médio encontrado da Condutividade Elétrica (1550 µs/cm) 
apresentou-se inferior ao valor médio encontrado pelo INEMA/2017. Este fato 
também pode está relacionado ao índice pluviométrico registrado nos períodos 
da coleta, uma vez que este parâmetro está relacionado à concentração de sóli-
dos totais dissolvidos.
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Em estudos voltados ao saneamento, os sólidos nas águas correspon-
dem a matéria que permanece como resíduo, após a evaporação, secagem ou 
calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante um tempo 
determinado Estes elevados valores podem ser atribuídos ao aporte de cargas 
poluentes pontuais e difusas e as s descargas diárias de esgotos e efluentes 
em determinados pontos do açude, resultando no aumento da concentração de 
compostos dissolvidos.
A temperatura é de extrema importância no ecossistema aquático em 
questão, uma vez que interfere no metabolismo dos organismos presentes no 
ambiente aquático e concentração de oxigênio dissolvido, o qual constitui base 
para a decomposição aeróbia A água analisada pelo comitê apresentou redução 
em virtudes das condições climáticas do período coletado, pois suas variações 
nos cursos d’água são sazonais e acompanham as flutuações do clima durante 
o ano. Valores elevados de temperatura podem evidenciar lançamento de 
efluentes sanitários.
Estudos realizados por Alvarenga et al (2012), demonstraram que um 
dos componentes que podem alterar a temperatura da água, promovendo seu 
maior aquecimento, consiste na ausência ou pequena quantidade de mata 
ciliar. No açude estudado, percebe-se a redução da mata ciliar, o que tende a 
agravar o seu processo de degradação. Outros autores como Arcova e Cicco 
(1999) também observaram que a falta de vegetação em uma micro bacia é res-
ponsável por variações na temperatura da água, podendo interferir em outras 
variáveis, sugerindo assim a necessidade imprescindível do manejo adequado 
do solo em micro bacias.
O potencial hidrogeniônico (pH) consiste na concentração dos íons H+ nas 
águas e representa a intensidade das condições ácidas ou alcalinas daquele 
ambiente. Apresenta elevada influência sobre os ecossistemas aquáticos naturais, 
ocorrendo interferência direta sobre a fisiologia das espécies. A média estatística 
(7,4) dos valores encontrados pelo comitê gestor nos pontos estudados apresenta 
conformidade com a legislação CONAMA 357/2005 a qual refere-se a uma varia-
ção de 6,5 a 8,5. Valores de pH acima ou abaixo destes limites são prejudiciais ou 
letais para a maioria dos organismos aquáticos, especialmente para os peixes.
112
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
 Este parâmetro necessita ser monitorado com maior frequência na malha 
hídrica, uma vez que foram observadas alterações em outros parâmetros que podem 
vir a modificá-lo em momentos posteriores, vide exemplo a condutividade elétrica. 
A figura 5 a seguir, vem a demonstrar os resultados das análises dos 
seguintes parâmetros estudados: oxigênio dissolvido, nitrato, fósforo e alcalini-
dade. Os mesmos apresentaram elevadas variações no tocante ao estabelecido 
pela legislação ambiental específica.
Figura 5 - Resultados Comparativos do parâmetro Oxigênio Dissolvido, Nitrato, Fósforo e Alcalinidade 
do Açude do Gravatá, Serrinha/BA.
Fonte: AUTORES (2017).
O oxigênio dissolvido (OD) apresenta-se como um parâmetro fundamental 
nos modelos de autodepuração natural das águas, sendo o principal elemento dos 
organismos aeróbicos que habitam as águas naturais. Ao analisar este parâmetro 
segundo a coleta realizada pelo Comitê Gestor, houve uma variação de valores 
mínimos (5,9 mg/ L) a máximos (8,9 mg/ L) e média de 7,7 mg/ L. Ao comparar com 
os valores obtidos (máxima: 14,7 mg/ L e Mínima:4,87 mg/ L) pelo INEMA/2017, 
observa-se, no tocante à media, uma redução deste elemento químico na água, 
embora encontrem-se inseridos no parâmetro da resolução CONAMA 357/2005.
As concentrações de OD podem variar naturalmente ou pelo lançamento de 
efluentes. Percebe-se que no Ponto 5 (5,9 mg/L), analisado pelo Comitê Gestor, 
uma redução em relação aos outros pontos, uma vez que, especificadamente 
neste local tem-se o lançamento de efluentes dos serviços de saúde, o que pode 
levar a mortalidade de animais existentes neste ecossistema aquático.
O nitrogênio apresenta-se como o gás mais abundante na atmosfera terrestre 
e pode ser encontrado nos corpos d’água segundo seu estado de oxidação nas 
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seguintes formas: nitrogênio orgânico na forma dissolvida, nitrogênio molecular, 
nitrogênio amoniacal, nitrito e nitrato. Este elemento pode ser encontrado em uma 
malha hídrica em decorrência de fontes naturais, assim como pelo lançamento 
de efluentes sanitários.
Os valores, para este parâmetro, encontrados pela análise em relação ao 
Comitê Gestor apresentaram-se elevados em relação à legislação vigente (14,9 
mg/ L/ N) e as análises feitas pelo INEMA /2017(0,10 mg/L/N). Vale ressaltar 
que o ponto 5 apresentou o valor mais elevado (30,9 mg/L/N) em consequência 
do lançamento dos efluentes domésticos e hospitalares, resultando em processo 
inicial de eutrofização.
O fósforo emerge nas águas naturais especialmente em virtude das des-
cargas dos efluentes sanitários. Águas drenadas em áreas agrícolas e urbanas 
também podem provocar a presença excessiva de fósforo em águas naturais em 
virtude de fertilizantes no solo.
Ao considerar a classificação do nível trófico de lagos e reservatórios em 
relação às concentrações de fósforo total, percebe que pelos valores encontrados 
pelas análises do Comitê Gestor 16,8 (mg/L/P), a malha hídrica estudada atinge 
o nível hipereutrófico. Assim ocorre o crescimento desordenado e explosivo de 
algas, surgem plantas aquáticas (macrófitas), o que prejudica o uso múltiplo, além 
de oferecer um ambiente adequado ao surgimento de caramujos.
A alcalinidade das águas naturais reflete a capacidade de neutralizar ácidos 
ou capacidade de minimizar variações significativas de pH, constituindo-se de 
bicarbonato, carbonato e hidróxido.
 Neste estudo, a alcalinidade obteve o valor médio de 323,8 mg/L de CaCO3, 
evidenciado as implicações da ausência de saneamento básico que implique na 
coleta e tratamento dos efluentes gerados. Novamente o ponto 5(327,1 mg/L de 
CaCO3) apresentou o maior valor o que vem a afirmar as literaturas mencionadas 
no referido estudo.
Análise microbiológica
O uso de indicadores de qualidade de água é uma excelente ferramenta 
para monitorar a qualidade de um sistema. Entre eles encontram-se os indicadores 
114
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
microbiológicos. Estes se referem a organismos bacterianos, virais e outros ele-
mentos vegetais ou animais suscetíveis de estarem presentes na água.
O índice colimétrico (coliformes totais e fecais) serve para avaliar o potencial 
de contaminação da água por material de origem fecal, cuja determinação indica, 
de forma indireta, a potencialidade de a água transmitir doenças. A determina-
ção da concentração dos coliformes fecais e totais assume importância como 
parâmetro indicador da possibilidade da existência de bactérias patogênicas, 
responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica, como febre 
tifoide, disenteria bacilar e cólera (CETESB, 2005).
A análise microbiológica solicitada pela equipe de pesquisa e realizada pelo 
Laboratório de Água da 12ª DIRES, considerando três pontos de amostragem, 
apresentaram os resultados destacados na figura 6.
Figura 6 - Resultado da análise microbiológicado ponto 01 do Açude do Gravatá, Serrinha-BA.
Fonte: Autores (2017).
Quanto aos resultados obtidos nas análises microbiológicas das 03 amostras 
observou-se que em 100% das mesmas foi constatada a presença de coliformes 
totais e de Escherichia coli. Os resultados das análises de água foram referen-
ciados com a Portaria nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde (MS), considerando 
a destinação para o consumo humano. A análise constatou que a água do Açude 
do Gravatá, de acordo com a presença dos indicadores de patógenos biológicos, 
não serve para ser consumida pela população.
Nos países de clima favorável e com vasta riqueza de recursos hídricos como 
o Brasil, é comum a prática de atividades de recreação que envolvam o contato 
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primário com as águas do mar, rios, cachoeiras, represas e lagoas. Entretanto, 
conforme evidenciado por Lopes, Sperling e Magalhães Jr. (2015), nota-se uma 
carência de estudos e programas de monitoramento que avaliem as condições 
de balneabilidade, especificamente, em balneários de águas doces no Brasil.
Levando em consideração o risco à saúde humana que o contato direto 
com a água contaminada oferece, exige-se a determinação de parâmetros que 
avaliem a disposição para balneabilidade. Atualmente, no Brasil, a avaliação 
da qualidade das águas de rios, lagoas e mares para atividades que envolvam 
o contato primário com as águas, ou seja, a balneabilidade deve atender aos 
padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA 274, de 29 de novembro de 
2000 (LOPES; SPERLING; MAGALHÃES JR., 2015).
De acordo com a Resolução nº 274/2000, considerando que a saúde e o 
bem-estar humano podem ser afetados pelas condições de balneabilidade; o artigo 
2º declara: As águas serão consideradas impróprias quando no trecho avaliado, 
for verificada uma das seguintes ocorrências: a) não atendimento aos critérios 
estabelecidos para as águas próprias; b) valor obtido na última amostragem for 
superior a 2500 coliformes fecais (termotolerantes) ou 2000 Escherichia coli ou 
400 enterococos por 100 mililitros; c) incidência elevada ou anormal, na Região, 
de enfermidades transmissíveis por via hídrica, indicada pelas autoridades sani-
tárias; d) presença de resíduos ou despejos, sólidos ou líquidos, inclusive esgotos 
sanitários, óleos, graxas e outras substâncias, capazes de oferecer riscos à saúde 
ou tornar desagradável à recreação; e) pH 9,0 (águas doces), à 
exceção das condições naturais; f) floração de algas ou outros organismos, até 
que se comprove que não oferecem riscos à saúde humana.
A análise realizada pelo Laboratório de Água da Diretoria de Saúde iden-
tificou a presença dos patógenos, mas não realizou a sua quantificação, pois à 
luz da portaria referenciada não havia necessidade. Para a análise do padrão de 
balneabilidade, referenciada pela resolução CONAMA 274/2000, destacamos o 
estudo realizado por Carvalho e outros (2015). A partir da análise físico-química 
e microbiológica da água, constatou-se que o manancial apresenta valores ele-
vados para coliformes fecais (presença de 2.700 NMP/ 100ml) e escherichia coli 
(presença de 2.500NMP/100ml) e pH maior que 9,0, estando insatisfatório para 
a balneabilidade de acordo com a resolução 274/2000 do Conselho Nacional de 
Meio Ambiente (CONAMA).
116
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Ainda, segundo a resolução, o Açude do Gravatá não apresenta padrões 
satisfatórios para recreação uma vez que constatou - se a presença de resíduos 
sólidos e despejos de esgoto sanitário capazes de oferecer risco à saúde.
Segunda análise: dados comparativos
No dia 01 de novembro de 2022, a mesma equipe de pesquisadores, formadas 
por membros da Câmara Técnica do Conselho de Meio Ambiente, profissionais do 
Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal e do Instituto Federal Baiano 
campus Serrinha, realizou novas coletas no Açude do Gravatá com o objetivo de 
avaliar e comparar a qualidade da água, a partir da análise e monitoramento da 
qualidade físico- química e microbiológica.
A coleta da água se deu a uma profundidade de 20 cm, nos mesmos pon-
tos destacados anteriormente e analisando os parâmetros descritos na figura 7.
Figura 7 - Relação dos parâmetros analisados e os métodos utilizados.
Fonte: Autores (2022).
Quanto aos resultados obtidos nas análises microbiológicas das amostras 
observou-se que em 100% das mesmas foi constatada a presença de coliformes 
totais e de Escherichia coli. A análise constatou que a água do Açude do Gravatá, 
de acordo com a presença dos indicadores de patógenos biológicos, não serve 
para ser consumida pela população e não serve para balneabilidade.
Após análise físico-química da água verificou-se que os parâmetros anali-
sados tiveram uma piora significativa nos índices, o que pode ser justificado pela 
pressão exercida no corpo hídrico durante os cinco anos de intervalo entre as 
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duas pesquisas. Comparando os dados dos dois momentos de análise pode-se 
perceber a mudança entre os anos de 2017 e 2022, conforme figura 8.
Figura 8 - Resultados Comparativos da média dos parâmetros entre os anos 2017 e 2022, do Açude 
do Gravatá, Serrinha-BA.
Fonte: Autores (2022).
Esses dados são a expressão quantitativa do que foi observado qualitati-
vamente através da análise de impacto ambiental. A cidade de Serrinha vem se 
desenvolvendo sobre a rede hídrica, viabilizando assim o lançamento de efluentes 
domésticos em variados pontos do Açude do Gravatá. Isso pôde ser constatado 
com a perda do padrão estético do corpo hídrico, uma vez que o mesmo apre-
senta elevada concentração de algas e a presença de macrófitas, bioindicadores 
de poluição, evidenciando que o recurso hídrico vem recebendo uma expressiva 
quantidade de efluentes domésticos, aumentando consequentemente a presença 
de nitrogenados e fosfatos no espelho d’água, possibilitando assim o desenvol-
vimento de plantas aquáticas.
Tendo por base a Metodologia pressão-estado-impacto-resposta (PEIR) 
proposta por Kristensen (2004) (EPIR), contata-se que o açude sofre com o lan-
çamento de afluentes em seu corpo hídrico alterando suas propriedades físicas, 
químicas e biológicas dos componentes locais.
A lei 6.938/81, que Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, 
seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências, 
considera no Art. 3º, inciso III que a poluição consiste na degradação da qualidade 
ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a 
saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às 
atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem 
118
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou 
energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
Assim, há de se considerar que o Açude do Gravatá está tendo sua qualidade 
ambiental afetada em virtude da ausência de saneamento básico, mas especifi-
cadamente esgotamento sanitário, ao nível local e municipal. Sendo considerado 
um corpo hídrico de extrema importância para a população Serrinhense, faz-se 
necessário que medidas estruturantes e educacionais sejam efetivas de forma 
a minimizar estes impactos ambientais negativos e garantir sua potencialidade 
local, segundo os usos múltiplos exigidos.
CONCLUINDO E ENCAMINHANDO
Os corpos hídricos têm uma relação direta com a forma de vida das popu-
lações, estabelece conexão com fatores sociais, econômicos e culturais. É impor-
tante destacar como os recursos hídricos determinam a efetivação de diversos 
tipos de atividades que representam a sustentação integral de uma sociedade, 
considerando desde a sobrevivência humana (insumos) até a economia e o 
desenvolvimento urbano.
No entanto, a crescente urbanização aliada com a falta de planejamentohidrológica 
e limnológica do reservatório, com possíveis implicações para a qualidade da 
água e a eficiência do sistema de irrigação.
AlgaeMAp
Para a estimativa da clorofila-a foi utilizada a plataforma AlgaeMAp (Lobo 
et al., 2021). A plataforma, com interface em nuvem, foi desenvolvida no Google 
Earth Engine (GEE) e utiliza imagens Sentinel-2 corrigidas para efeitos atmos-
féricos e brilho solar. Essas imagens permitem gerar uma coleção do NDCI, 
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possibilitando a estimativa da qualidade da água com base na concentração de 
clorofila-a (Chl-a) e no Índice de Estado Trófico (IET) ao longo da série temporal.
Para a validação da plataforma AlgaeMap, foram realizadas coletas de 
amostras de água (Figura 1) e análises da concentração de clorofila-a no reser-
vatório Chasqueiro. Em relação ao planejamento das coletas, seguiu-se a meto-
dologia de Kuster (2012), que recomenda um intervalo de 3 dias para resultados 
precisos. Optou-se por coletar amostras um dia após a passagem do satélite, 
assegurando a verificação da qualidade das imagens e a definição dos pontos 
amostrais.  Os pontos foram estrategicamente distribuídos ao longo do corpo 
hídrico, priorizando uma melhor caracterização espacial da clorofila-a. 
Em cada ponto, foram coletados 1 litro de água superficial a 0,30 metros de 
profundidade, acondicionados em frascos de vidro âmbar, previamente ambien-
tados e mantidos sob refrigeração. As coletas de dados em campo ocorreram no 
período de setembro de 2023 a setembro de 2024, totalizando 6 campanhas que 
ao final totalizaram 38 pontos. Estas foram realizadas a bordo, em colaboração 
com a Agência Lagoa Mirim (ALM) da Universidade Federal de Pelotas.
As amostras foram analisadas no Laboratório de Águas da Agência Lagoa 
Mirim, seguindo a metodologia do Standard Methods for the Examination of Water 
and Wastewater (2012), com as análises de clorofila-a realizadas em duplicata 
pelo método espectrofotométrico. 
Figura 2 - (a) e (b) Filtragem para análise de clorofila-a e (c) análise de clorofila-a pelo método de 
espectrofotômetro .
O desempenho estatístico das concentrações de clorofila-a observadas 
e estimadas pelo AlgaeMap foi avaliado utilizando o Erro Quadrático Médio 
14
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
(MSE), a Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSE) e o Coeficiente de Determinação 
(R²). A classificação do Índice de Estado Trófico foi avaliada por meio dos testes 
Kappa-Cohen, Acurácia Global (AG) e Qui-Quadrado.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O resultado do modelo mostra que o coeficiente de determinação (R²) indica 
que aproximadamente 74,8% das variações na concentração de clorofila-a são 
explicadas pelas variáveis do modelo, o que representa um ajuste razoável. A Raiz 
do Erro Quadrático Médio (RMSE) foi de 10,80, apontando uma variação média 
entre os valores estimados e observados. O Erro Médio (ME) de -0,785 sugere 
uma leve subestimação nas previsões, enquanto o Erro Quadrático Médio (MSE) 
de 116,65 reflete o total acumulado dos desvios quadráticos.
Os resultados do Teste Qui-Quadrado (X² = 33,943, df = 12, p = 0,0006887) 
indicam uma associação estatisticamente significativa entre as classificações, 
sugerindo que as diferenças observadas não são aleatórias. A Acurácia Global de 
63,9% revela que as classificações coincidem em aproximadamente dois terços 
dos casos, o que reflete uma correspondência moderada entre os dados. O Índice 
de Kappa, de 0,46, também aponta para uma concordância moderada.
Na Figura 3, é apresentada a relação entre a concentração de clorofila-a 
medida em diferentes pontos do reservatório, abrangendo seis coletas realizadas 
em cada uma das regiões analisadas: braço esquerdo, proximidades da barragem 
e braço direito. Essa abordagem permitiu avaliar a existência de possíveis varia-
ções espaciais dentro do reservatório, explorando se há diferenças significativas 
entre os braços ou uma homogeneidade no sistema. Além disso, foi examinada 
a sazonalidade temporal, buscando compreender se as flutuações nos níveis de 
clorofila-a estão associadas à dinâmica de irrigação ou a padrões sazonais distin-
tos. Essa análise fornece subsídios para inferir se o sistema é predominantemente 
homogêneo ou heterogêneo, contribuindo para uma compreensão mais ampla 
da qualidade da água e sua resposta às práticas de manejo hídrico.
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Figura 3 - Concentração de clorofila-a em diferentes pontos do reservatório Arroio Chasqueiro.
Vale destacar que as coletas de dados foram realizadas em outubro e 
posteriormente em fevereiro, devido a limitações logísticas e à necessidade de 
obter imagens de satélite com baixa cobertura de nuvens. A obtenção dessas 
condições meteorológicas específicas representou um desafio, evidenciando as 
dificuldades associadas à realização de coletas de campo em corpos hídricos que 
operam sob influência de práticas de manejo, como a irrigação.
A Figura 3 revela uma variação sazonal e espacial nas concentrações de 
clorofila-a no reservatório Arroio Chasqueiro ao longo do ano. Observa-se uma 
elevação expressiva na concentração de clorofila-a no braço esquerdo do reser-
vatório em março, quando atinge seu pico, enquanto os demais pontos de coleta 
apresentam flutuações menos acentuadas, o que sugere que essa região pode 
ser mais suscetível a acumulações de nutrientes, resultando em um aumento de 
fitoplâncton. Esse comportamento pode estar relacionado à dinâmica de entrada 
e saída de água no reservatório, com o aumento de irrigação e o consequente 
rebaixamento do nível de água, o que tende a concentrar nutrientes em deter-
minadas áreas e favorecer o crescimento de algas.
Nos meses iniciais de coleta, como setembro e outubro, a concentração 
de clorofila-a é relativamente mais baixa, o que possivelmente reflete as condi-
ções de diluição de nutrientes devido ao volume de água elevado no início do 
período de irrigação. Conforme o reservatório é utilizado intensivamente para 
irrigação, nota-se uma tendência de aumento gradual nas concentrações até o 
pico registrado, o que corrobora a influência das práticas de manejo hídrico na 
limnologia do reservatório.
16
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Durante os meses de fevereiro a abril, período de menor armazenamento 
de água, há uma evidente redução na concentração de clorofila-a após o pico de 
março. Essa variação pode indicar que o esgotamento de nutrientes ou o menor 
volume de água não favorece o desenvolvimento de fitoplâncton na mesma 
intensidade. A sazonalidade observada, portanto, sugere uma resposta do ecos-
sistema aquático tanto ao regime hidrológico imposto pelo uso do reservatório 
para irrigação quanto a possíveis fatores climáticos que podem afetar a taxa de 
crescimento das algas.
Chen et al. (2007) propõem cinco etapas essenciais para o monitoramento 
da qualidade da água: identificar indicadores adequados que reflitam o nível 
de degradação do corpo hídrico; utilizar dados de sensoriamento remoto para 
monitorar a qualidade da água; mapear a distribuição espacial dessas informa-
ções em relação ao ecossistema e às mudanças ambientais; integrar os dados 
de qualidade da água com as políticas de gestão de recursos hídricos; e, por 
fim, realizar uma avaliação abrangente do monitoramento com base no uso de 
tecnologias de sensoriamento remoto.
Além disso, a análise entre as três regiões (braço esquerdo, barramento 
e braço direito) sugere uma certa homogeneidade no sistema na maioria dos 
períodos, com exceção dos picos mais acentuados no braço esquerdo. Essa leve 
heterogeneidade pode indicar diferenças locais na disponibilidade de nutrientes, 
hidrodinâmica ou condições de luz, fatores que precisam ser mais bem com-
preendidos para otimizar a gestão da qualidade da água.
A produtividade primária em sistemas hídricos está diretamente relacionada 
ao aporte de nutrientese 
pouca atenção às políticas de saneamento têm sido fatores comprometedores da 
qualidade da água. O comprometimento da qualidade da água pela contaminação 
por esgotos domésticos, muitas vezes lançados no ambiente sem tratamento 
prévio, implica, entre outras consequências, o aumento da incidência de doenças 
de veiculação hídrica.
Através deste estudo pode-se perceber o grau de impacto no açude. Os resul-
tados foram insatisfatórios tanto a nível físico-químico quanto microbioló-
gico. Os parâmetros avaliados e analisados à luz da legislação ambiental vigente 
demonstraram que o impacto no Açude do Gravatá tem sido crescente. Somados 
a esses dados tem-se a observação do padrão estético do açude. Presença de 
vegetação indicadora de poluição, de resíduos sólidos e supressão da mata ciliar 
são fatores que reforçam alteram o padrão do açude e indicam considerável 
impacto ambiental.
 Desta forma, recomenda-se ação imediata de intervenção. É preciso tra-
balhar em conjunto com a comunidade do entorno do açude. O primeiro passo 
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no processo de intervenção é sensibilizar a população na busca por soluções 
viáveis de revitalização do corpo hídrico. A balneabilidade e o consumo da água 
deve ser interrompido, de acordo com as resoluções já citadas no corpo deste 
relatório. Nesta ação imediata, é de grande importância que sejam firmadas 
parcerias entre os diferentes órgãos de atuação do poder público.
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Water Development Report 2, UNESCO, Paris.2006, p. 202-240.
' 10.37885/241118146
07
QUALIDADE DA ÁGUA NA LARVICULTURA 
COMERCIAL DO CAMARÃO DE ÁGUA DOCE 
MACROBRACHIUM AMAZONICUM (HELLER, 
1862)
Elias Fernandes de Medeiros Junior
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia 
do Amazonas (IFAM)
https://dx.doi.org/10.37885/241118146
122
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
RESUMO
O objetivo do presente trabalho foi acompanhar as variações na qualidade 
físico-química da água em uma larvicultura comercial do camarão da Amazô-
nia. O estudo foi desenvolvido na Estação Experimental Grota do Taiassuí Larvi-
cultura de Camarão em Água Doce Ltda, localizada no município de Benevides, 
Estado do Pará. As variáveis físico-químicas temperatura e salinidade, foram 
determinadas por meio de uma sonda diretamente nos taques de cultivo, enquanto 
o nitrito, amônia e pH foram determinados por indicadores testes. As variáveis 
físico-químicas mantiveram-se na faixa aceitável para a manutenção das matrizes 
reprodutoras, bem como, para o desenvolvimento da larvicultura comercial do 
camarão da Amazônia. 
Palavras-chave: Amazônia; água doce; benevides; carcinicultura.
123
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
INTRODUÇÃO
A aquicultura é uma atividade pecuária que tem como principal finalidade 
a produção de alimentos a partir de organismos aquáticos. Nesse contexto, os 
principais segmentos dessa área são representados pela piscicultura, carcinicul-
tura, ostreicultura, ranicultura, algicultura, dentre outras. 
A pesca e a aquicultura produziram em 2022, cerca de 223,2 milhões de 
toneladas de pescados, desse total, 185,4 milhões foram representados animais 
aquáticos e 37,7 milhões por algas (FAO, 2024). No Brasil, a aquicultura brasileira 
tem apresentado franco crescimento liderado principalmente pelas atividades de 
piscicultura, no ano de 2023, o país produziu cerca de 887,029 toneladas, repre-
sentando um crescimento de 3,1% comparado ao ano de 2022 (PEIXE BR, 2024). 
A carcinicultura é um dos segmentos da aquicultura que mais cresce no 
mundo, dados da FAO (2024) apontam para uma produção de cerca de quase 7 
milhões de toneladas, cuja principal espécie produzida é o camarão branco do 
pacífico (Penaeus vannamei). 
O camarão da Amazônia, Macrobrachium amazonicum, é o decapoda de 
água doce com maior importância econômica da região leste da América do Sul 
(Maciel & Valenti, 2009). Embora, atualmente, essa importância seja baseada 
no extrativismo, não existem dados recentes que quantifiquem essa exploração. 
Sabe-se que na década de 90, Macrobrachium amazonicum foi responsável por, 
aproximadamente, 85% dos camarões de água doce pescados no Brasil (New 
et al., 2000). É considerada a espécie mais amplamente aceita por populações 
da região amazônica, onde é consumido por todas as classes sociais (Maciel & 
Valenti, 2009). 
Entretanto, apesar desse consumo, há pouca perspectiva do fornecimento 
desse camarão para o mercado existente devido ao declínio da produção em 
várias áreas naturais (Maciel & Valenti, 2009).
Considerando o mercado em expansão do camarão da Amazônia e as 
adversidades em relação ao extrativismo, o cultivo pode ser uma importante 
alternativa para o fornecimento dessa espécie (Maciel & Valenti, 2009).
O objetivo do presente estudo foi acompanhar as variações na qualidade 
da água na larvicultura comercial do camarão da Amazônia. 
124
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi desenvolvido na Estação Experimental Grota do Taiassuí 
Larvicultura de Camarão em Água Doce Ltda, localizada no município de Bene-
vides, Estado do Pará.As variáveis físico-químicas, temperatura e salinidade, foram determinadas 
por meio de uma sonda diretamente nos taques de cultivo. Já o nitrito (NO2-), 
amônia (NH³) e pH foram determinados por indicadores testes. Para isso era feita 
a coleta de 3 mL de volume de água diretamente dos tanques. Para amônia a 
proporção de reagentes era 8 gotas do primeiro reagente e 4 gotas do segundo 
reagente, nitrito 2 gotas do primeiro reagente e 2 gotas do segundo reagente e 
para o pH 4 gotas do indicador reagente sal do ácido toluenossulfônico. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As variáveis físico-químicas apresentaram oscilações em relação ao 
ambiente de cultivo. A temperatura atingiu o maior valor no tanque de matrizes 
30°C (Figura 1). Nesse local não havia termostato ou outro aparelho que elevasse 
a temperatura, portanto, o clima da região ou material de construção dos tanques 
influenciou no valor da temperatura encontrada. 
Nos trabalhos de Nogueira (2008) a temperatura média da água de abas-
tecimento foi de 29,2°C, enquanto a do efluente foi de 29,1°C. A temperatura da 
água é um parâmetro de grande importância na fase de cultivo, pois dela depende 
a duração do período larval. A melhor faixa está entre 28 a 31ºC (Rodrigues et al., 
1991; Valenti, 1996), devendo-se, no entanto, evitar variações superiores a 1ºC. 
Valores acima de 35ºC podem ser letais e, abaixo de 25ºC provocam alterações 
no metabolismo das larvas, retardando a metamorfose, ou seja, a temperatura 
verificada no tanque das matrizes estava na faixa ideal para o cultivo, assim como 
nos outros tanques.
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Figuras 1 - Análise de variância 5% para a variáveis temperatura em relação ao ambiente de cultivo.
Fonte: Próprio Autor (2024).
A salinidade do tanque de cultivo atingiu 11 ‰, esse valor se deve ao fato 
de que a espécie necessita de água salobra para completar seu ciclo reprodutivo, 
estando na faixa ideal para o cultivo entre 12 e 16‰ (Valenti, 1996). 
Figura 2 - Análise de variância 5% para a salinidade em relação ao ambiente de cultivo.
Fonte: Próprio Autor (2024).
O pH oscilou de forma significativa, o tanque de eclosão e de matrizes 
apresentaram os mesmos valores 8,2, enquanto o tanque de cultivo ficou em 
torno de 8,4 (Figura 3). As larvas apresentam melhor desenvolvimento em águas 
126
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
neutras ou levemente alcalinas. A faixa ideal de pH da água de cultivo situa-se 
entre 7,5 a 8,5 (Valenti, 1996). Nogueira (2008) encontrou valores semelhantes 
8,29 e 7,72 para a água de abastecimento e efluentes. Ou seja, o pH encontrado 
estava dentro da faixa ideal para o cultivo da espécie.
Figura 3 - Análise de variância 5% para o pH em relação ao ambiente de cultivo.
Fonte: Próprio Autor (2024).
A amônia juntamente com o nitrito (Figuras 4 e 5) atingiram seus maiores 
valores no tanque de cultivo 0,26 e 0, 27 ppm respectivamente. Valenti (1996), cita 
que os níveis de amônia total não devem ser superiores a 0,5 ppm e os de nitrito 
acima de 0,1 ppm, devendo ser monitorados periodicamente com kits apropriados. 
Nogueira (2008) encontrou valores médios de amônia 0, 44 mg/L na água de 
abastecimento e 0, 15 mg/L no efluente, para nitrito os valores médios foram 0,01 
na água de abastecimento e 0, 108 mg/L no efluente. Conforme leitura do teor de 
amônia tóxica e nitrito as concentrações ficaram dentro da faixa aceitável para 
o cultivo. A oferta de alimentos, assim como a produção de metabolitos pelos 
animais, contribui de forma significativa para a elevação nos níveis de amônia 
e nitrito, no entanto, a prática de sinfonar os tanques mostrou ser uma técnica 
eficiente para garantir a redução dos níveis de amônia e nitrito.
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Figura 4 - Análise de variância para a variável amônia em relação ao ambiente de cultivo.
Fonte: Próprio Autor (2024).
Figura 5. Análise de variância para a variável nitrito em relação ao ambiente de cultivo.
Fonte: Próprio Autor (2024).
CONCLUSÃO
As variáveis físico-químicas ficaram na faixa aceitável para o desenvolvimento 
da larvicultura comercial do Camarão da Amazônia. Considerando que o cultivo 
de camarão em viveiros escavados, pode contribuir para a diminuição da pesca 
128
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
desse recurso no ambiente natural. A pesquisa possibilitou gerar informações 
sobre o manejo da qualidade da água, dados esses que podem ser utilizados na 
criação em escala comercial.
REFERÊNCIAS
FAO. 2024. Food and Agriculture Organization of United Nations. The State of World Fisheries and 
Aquaculture-Blue transformation in action. 
MACIEL, C.R. & VALENTI, W.C. 2009. Biology, fisheries, and aquaculture of the amanon river prawn 
Macrobrachium Amazonicum.
NEW, M.B.; D’ABRAMO, L.R; VALENTI, W.C & SINGHOLKA, S. 2000. Sustainability of freshwater 
prawn culture.
NOGUEIRA, M. 2008. Estudo da Qualidade dos Efluentes Gerados em Diferentes Fases do Cultivo 
do Camarão-da-Amazônia, Macrobrachium amazonicum. Tese apresentada ao programa de pós-
graduação em Aquicultura do CAUNESP.
PEIXE BR. Anuário 2024. Peixe Br da Piscicultura. Disponível em: Anuário 2024 - PeixeBR. Acessado 
em 04. Nov, 2024. 
RODRIGUES, J. B. R.; RODRIGUES, C. C. B.; MACCHIAVELLO, J. G.; GOMES, S. Z.; BEIRÃO, L. H. 
Manual de cultivo do camarão de água doce Macrobrachium rosenbergi na região Sul do Brasil. 
Florianópolis, UFSC. 76 p. 1991. 
VALENTI, W. C. 1996. Criação de camarões em águas interiores. Jaboticabal, Funep. 81p. (Boletim 
Técnico do CAUNESP n. 2), 1996. 
https://www.peixebr.com.br/anuario-2024/
' 10.37885/241218520
08
QUALIDADE DA ÁGUA DO SISTEMA LAGUNAR 
DE JACAREPAGUÁ: ANÁLISE DOS 
PARÂMETROS HIDROQUÍMICOS E SUAS 
IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS
Emanuele Koschier Pinto
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Anna Nachtigall da Cruz
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Idel Cristiana Bigliardi Milani
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
https://dx.doi.org/10.37885/241218520
130
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo analisar as condições hidroquímicas do Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá (RJ) a fim de identificar as principais problemáticas desse 
ecossistema. A pesquisa foi realizada por meio da análise dos dados hidroquímicos 
disponibilizados pelo programa de monitoramento do INEA, no período de 2018 
a 2022, sendo esses dados comparados com a legislação vigente. A investigação 
revelou uma escassez de informações devido a falhas nos monitoramentos rea-
lizados pelo órgão responsável, o que dificultou a tabulação e interpretação dos 
resultados. Os principais problemas identificados incluem o despejo de efluentes 
in natura nas lagoas e na bacia hidrográfica, o crescimento desordenado da 
urbanização no entorno e a ausência de saneamento básico adequado, fatores 
que comprometem a qualidade das águas. A análise mostrou que as condições 
de qualidade da água são críticas em vários pontos do sistema, com diversos 
parâmetros fora dos padrões estabelecidos pela legislação, o que impede o uso 
múltiplo das águas da região. Dessa forma o ideal seria a implementação de 
medidas de recuperação em todo o sistema, contudo entende-se que por questões 
financeiras, as ações devem ser pensadas com cautela, buscando recuperar os 
corpos lagunares em uma relação de custo-benefício. Cabe destacar que além 
de promover melhoria na qualidade da água do sistema lagunar como um todo, 
a recuperação deste ambiente aquático trará melhorias na qualidade de vida da 
população do entorno, já que a qualidade das águas possui relação direta com 
a saúde e o bem-estar da comunidade local. 
Palavras-chave: condições hidroquímicas do sistema lagunar de jacarepaguá; 
análise de qualidade da água; parâmetros hidroquímicos; ecossistemas aquáticos.
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
INTRODUÇÃOO município do Rio de Janeiro, situado no estado de mesmo nome, possui 
uma área territorial de 1.200,329 km², onde residem 6.211.423 pessoas (IBGE, 
2022). O Sistema Lagunar de Jacarepaguá localiza-se no litoral sudeste e é 
formado por quatro lagoas principais: Lagoa da Tijuca, Lagoa de Jacarepaguá, 
Lagoa de Marapendi e a Lagoa de Camorim (Santos, 2017).
A qualidade da água para diferentes usos tem se tornado uma preocupação 
crescente, pois os corpos hídricos têm recebido cada vez mais poluentes, em 
grande parte provenientes do despejo de esgoto e da carência de um saneamento 
básico eficiente (Von Sperling, 1996). Nesse contexto, o sistema lagunar em análise, 
conforme Tucci et al. (2003 apud Santos, 2014), enfrenta diversos impactos que 
comprometem a qualidade de suas águas. Esses impactos são causados pela alta 
concentração urbana, pela degradação dos mananciais, pelo aumento do risco 
nas áreas de abastecimento devido à poluição orgânica e química, pela conta-
minação dos rios tributários e do próprio sistema lagunar em razão do despejo 
de esgotos domésticos, industriais e pluviais. Além disso, há a ausência de um 
sistema eficiente de coleta e disposição de resíduos sólidos urbanos.
Conforme Souza e Azevedo (2020) o sistema lagunar é uma região com 
forte presença de turismo, recreação, pesca e navegação. Apesar das águas 
deste sistema não possuírem o abastecimento de água como um de seus usos, 
as lagoas possuem grande importância para o município do Rio de Janeiro, de 
forma econômica e ambiental.
O objetivo deste estudo é realizar uma análise detalhada das condições 
hidroquímicas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, com o propósito de identificar 
suas fragilidades e os principais problemas ambientais, com base nos parâmetros 
de qualidade da água analisados. Esse estudo contribuirá para a gestão do sis-
tema lagunar, fornecendo informações essenciais sobre a qualidade das águas, 
as quais poderão embasar trabalhos futuros e orientar a proposição de medidas 
para a recuperação ambiental deste ecossistema.
METODOLOGIA
132
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Foi realizada busca de dados hidroquímicos junto ao site do Instituto 
Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (INEA) o qual disponibiliza os resultados 
de seu Programa de Monitoramento Sistemático dos corpos hídricos do Rio de 
Janeiro. Os dados foram graficados e contrastados com os limites estabelecidos 
pela Resolução CONAMA n° 357/05. Os parâmetros de qualidade da água utilizados 
para identificar as condições hidroquímicas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá 
foram escolhidos com base na Resolução CONAMA n° 357/05. De acordo com 
Geag (2016) apud Rebelo (2016) o Sistema Lagunar de Jacarepaguá é de contato 
secundário e de águas predominantemente salobras. Dessa forma foi utilizado o 
enquadramento das águas do sistema lagunar como sendo Classe 2 para águas 
salobras. Cabe destacar que essa classificação também foi utilizada por Rebelo 
(2016) em seu estudo realizado no mesmo sistema lagunar. Os parâmetros inse-
ridos no presente estudo foram definidos mediante a verificação de quais dados 
vem sendo monitorados pelo INEA, e destes quais estão inseridos na Resolução 
CONAMA n° 357/05. Os parâmetros selecionados para serem utilizados no 
estudo atual foram oxigênio dissolvido, pH, nitrito, nitrato, nitrogênio amoniacal 
e coliformes termotolerantes. Os dados foram tabulados em uma planilha Excel, 
onde na tabela 1 podem ser observados os limites estabelecidos pela Resolução 
CONAMA n° 357/05 para esses parâmetros, no enquadramento de Classe 2 para 
águas salobras. 
Tabela 1 - Limites estabelecidos pela Resolução CONAMA n° 357/05 para os parâmetros de qualidade 
da água utilizados no atual estudo, no enquadramento de Classe 2 para águas salobras.
Parâmetro Limite 
Oxigênio dissolvido (mg/L) Superior a 4,0
pH 6,5 a 8,5
Nitrito (mg/L) 0,2
Nitrato (mg/L) 0,7
Nitrogênio Amoniacal Total (mg/L de N) 0,7
Coliformes Termotolerantes (NMP/100mL) 2500
A Figura 1, disponibilizada pelo INEA, tem o intuito de permitir a visualização 
dos pontos de monitoramento, por eles realizados, dentro do SLJ.
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Figura 1 - Localização dos pontos de amostragem no SLJ, realizados pelo INEA.
 
Fonte: INEA (2020-2021).
Na Tabela 2 podem ser observados os pontos de monitoramento realizados 
pelo INEA para o SLJ.
Tabela 2. Pontos de monitoramento realizado pelo INEA em cada lagoa do Sistema Lagunar de 
Jacarepaguá
Lagoa Pontos de monitoramento
Jacarepaguá JC 341, JC 342
Camorim CM 320
Tijuca TJ 306 e TJ 303
Marapendi MR 361, MR 363 e MR 369
Dos 8 pontos de monitoramento existentes no SLJ, com dados brutos dis-
ponibilizados pelo INEA, foram encontrados dados brutos públicos, apenas para 
os pontos que estão marcados em negrito na tabela 3, sendo um na Lagoa de 
Jacarepaguá (JC342), um na Lagoa Camorim (CM320), dois na Lagoa da Tijuca 
(TJ306 e TJ303) e dois na Lagoa Marapendi (MR361 e MR369). 
No presente estudo foram definidos apenas 1 ponto em cada uma das 
lagoas cujos dados estão disponibilizados, sendo eles: Lagoa de Jacarepaguá 
(JC342), Lagoa de Camorim (CM320) e Lagoa de Marapendi (MR361). Na Lagoa 
de Marapendi havia a possibilidade de escolha de dois pontos de monitoramento 
(MR361 e MR369). O ponto MR361 foi escolhido como forma a caracterizar as mais 
significativas entradas antropogênicas do entorno as quais irão desaguar na Lagoa 
da Tijuca. Na Lagoa da Tijuca foi definido utilizar os dois pontos disponibilizados 
134
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
pelo INEA devido ao fato de o ponto TJ306 caracterizar a Lagoa da Tijuca em 
ponto mais próximo ao continente e local receptor das águas advindas das demais 
lagoas. Já, o ponto TJ303 foi escolhido como forma a caracterizar o encontro das 
águas do sistema lagunar com as águas salgadas advindas do Oceano Atlântico, 
gerando um local de mistura e autodepuração salina.
O INEA disponibiliza dados brutos para esses pontos de monitoramento 
de 2012 a 2022. Entretanto, o presente estudo optou por avaliar as condições do 
sistema lagunar contemplando apenas os últimos 5 anos de dados disponibilizados 
(2018 a 2022) para trabalhar com características mais recentes do ecossistema 
aquático e não ficar com uma série de dados tão longa que dificultasse a análise 
comparativa. Cabe destacar que houve, por parte do INEA, periodicidade distinta 
da coleta de amostras no sistema ao longo dos anos. Detalhamento das datas 
de amostragem podem ser visualizadas na Tabela 3. 
Tabela 3 - Dias e pontos de monitoramento para as lagoas inseridas no presente estudo.
Ano Pontos Datas de Amostragem
2018
1 03/01
2 20/03
3 29/08
4 08/10
5 27/11
2019
6 28/01
7 03/04
8 28/05
9 31/07
10 30/09
2020 11 04/11
2021
12 13/01
13 09/03
14 15/06
15 17/08
16 05/10
17 30/11
2022
18 29/03
19 31/05
20 16/08
21 05/10
22 12/12
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Salienta-se que durante estes cinco anos de monitoramento a ser discutido 
no presente estudo foram monitorados um total de 22 dias, sendo cinco no ano de 
2018, cinco no ano de 2019, apenas um no ano de 2020, seis no ano de 2021 e cinco 
no ano de 2022, cujas datas podem ser visualizadas na Tabela 3. O período curto 
de monitoramento no ano de 2020 esteve associado a Pandemia ocorrida no Brasil 
naquele ano, o que dificultou as ações de monitoramento ambiental pelo INEA.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Análise comparativa das condições hidroquímicas das lagoas inseridas no 
sistema no período de 2018 até 2022
Na Tabela 4 pode ser observado o panorama geral dos teores de oxigênio 
dissolvido no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados.
Tabela 4 - Panorama geral dos teores de oxigênio dissolvido no SLJ.
Oxigênio 
Dissolvido
Média±dp 
em mg/L
Mínimo em 
mg/L (pontos 
associados)
Máximo em 
mg/L (pontos 
associados)
Pontos 
inferiores 
ou próximo 
ao mínimoPior ano
Jacarepaguá 3,7±4,53 0 (6, 15, 18) 14 (1)
16 (11) 14 pontos 2022
Camorim 4,8±3,94 0 (15) 18 (6)
11 (19) 11 pontos 2022
Marapendi 5,9±5,44 1,2 (19) 24 (7) 10 pontos 2022
Tijuca continente 4,6±5,64 0 (12, 15) 19 (22) 11 pontos 2021
Tijuca Oceano 3,9±1,91 0 (15) 7 (1) 9 pontos 2021
Ao observarmos os resultados dos teores de oxigênio dissolvido percebe-se 
que a Lagoa de Jacarepaguá é a mais crítica de todas elas, tanto no que concerne 
a média dos teores, número de pontos fora do limite aceitável (4 mg/L), número 
de pontos monitorados com ausência total de oxigênio dissolvido. Porém, cabe 
destacar que o sistema como um todo está em condições alarmante e crítica 
em termos de oxigenação, destacando-se o ponto 15, cuja coleta foi realizada no 
dia 17 de agosto de 2021, como o dia mais crítico pela recorrência de inadequa-
ções aos teores de oxigênio no sistema lagunar como um todo. Os anos mais 
críticos dos anos monitorados foram os anos de 2021 e 2022, talvez associado 
ao retorno da pandemia, momento no qual houve um retorno mais significativo 
136
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
às atividades tanto comerciais quanto de turismo associado à região. Dentre as 
lagoas monitoradas cabe destacar a Lagoa da Tijuca no ponto de monitoramento 
mais próximo ao Oceano (TJ 303) como um local com baixas condições de oxi-
genação em termos dos teores médios. A falta de oxigênio dissolvido neste local 
está associada a estas águas estarem em contato mais efetivo com as águas 
do Oceano Atlântico, salinizando esse local. Devido ao fato de águas oceânicas 
terem maior dificuldade de absorver oxigênio do ar atmosférico (Fiorucci; Filho, 
2005) há a probabilidade de a baixa oxigenação não estar diretamente afetada aos 
processos de degradação de poluentes e sim às condições de salinidade. Além 
disso os teores máximos de oxigênio dissolvido neste ponto não ultrapassaram 
o limite de 10 mg/L que indicaria supersaturação consequência do crescimento 
excessivo de algas, associado a entradas antropogênicas significativas. 
Na Tabela 5 pode ser observado o panorama geral dos teores de coliformes 
termotolerantes no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados.
Tabela 5 - Panorama geral dos teores de coliformes termotolerantes no SLJ.
Coliformes 
Termotol.
Média±dp em 
NMP/100mL
Mínimo em 
NMP/100mL 
(pontos 
associados)
Máximo em 
NMP/100mL 
(pontos 
associados)
Pontos fora do 
limite aceitável Pior ano
Jacarepaguá 220000±16103 330 (11) 540000 (5, 22) 19 pontos 2019
Camorim 490000±340050 1400 (6) 1600000 (16) 21 pontos 2021
Marapendi 7000±35407 45 (12) 130000 (8) 14 pontos 2019
Tijuca continente 110000±377658 3300 (1) 1600000 (12) 22 pontos 2021
Tijuca Oceano 34000± 53696 1900(22) 190000 (21) 21 pontos 2022
Ao observarmos os resultados dos teores de coliformes termotolerantes 
percebe-se que a Lagoa de Camorim é a mais crítica de todas elas, no que concerne 
aos teores médios. Os máximos teores de coliformes termotolerantes detectados 
no monitoramento foram na Lagoa de Camorim e na Lagoa da Tijuca próxima 
ao continente. Observando os dados apresentados na Tabela 5 não se conse-
gue identificar dias ou anos mais críticos dentro do estudo. Quanto ao número 
de pontos fora do limite aceitável para os teores de coliformes termotolerantes, 
percebe-se que para todas as lagoas pertencentes ao sistema lagunar em estudo 
este é assustador, indicando que em praticamente todo tempo este sistema 
encontra-se com teores alarmantes de coliformes. A situação menos crítica em 
relação aos teores de coliformes foi detectada na Lagoa de Marapendi. Porém, 
137
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
cabe destacar que o sistema como um todo está em condições inadequadas 
apontando para águas com elevado potencial de disseminação de doenças, indi-
cando a presença de esgotos e microrganismos patogênicos. Tal situação deve 
ser melhor investigada ainda mais em águas que conforme já foi indicado estão 
com condições de oxigenação significativamente reduzidas em praticamente 
todo o período avaliado. 
Na Tabela 6 pode ser observado o panorama geral dos teores de pH no 
sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados.
Tabela 6 - Panorama geral dos teores de pH no SLJ.
pH Média±dp Mínimo (pontos 
associados)
Máximo 
(pontos 
associados)
Pontos fora do 
limite aceitável Pior ano
Jacarepaguá 7,57±0,74 7,11 (18) 9,60 (11) 5 pontos 2021
Camorim 7,81±0,68 7,10 (15) 10,10 (6) 3 pontos 2019
Marapendi 7,75±0,59 7,20 (20) 9,00 (7) 5 pontos 2021
Tijuca continente 7,80±0,60 7,20 (21) 9,20 (22) 5 pontos 2019
Tijuca Oceano 7,70±0,30 7,12 (19) 8,30 (11) 0 pontos -
Ao observarmos os resultados dos teores de pH percebe-se que os com-
portamentos são muito similares entre as lagoas, excetuando para o ponto de 
monitoramento mais próximo ao Oceano situado na Lagoa da Tijuca, o qual 
encontra-se em uma situação mais adequada, não tendo sido detectada nenhuma 
adversidade para o parâmetro pH. As demais lagoas encontram-se em alguns 
dias do monitoramento com o pH acima do limite máximo aceitável que é de 8,5, 
caracterizando essas águas com basicidade acima do limite permitido. Em nenhum 
dos momentos de monitoramento foram identificadas águas mais ácidas do que 
os limites permitidos pela legislação vigente. Porém, conforme Von Sperling 
(1996) os valores de pH afastados da neutralidade podem causar impactos na 
vida aquática, além de prejudicar os microrganismos responsáveis por degradar 
biologicamente os poluentes advindo do esgotamento sanitário. Além disso, 
o autor menciona que valores elevados de pH costumam estar associados a 
proliferação de algas, o que pode indicar eutrofização na lagoa, processo este 
que pode também estar associado à redução dos teores de oxigênio dissolvido 
nas águas no momento de degradação das algas de eutrofização. Os resultados 
apresentados indicaram que os anos mais críticos em termos de desvio do pH 
138
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
foram os anos de 2019 e 2021, não sendo possível inferir sobre o dia mais crítico 
no monitoramento realizado.
Na Tabela 7 pode ser observado o panorama geral dos teores de nitrato 
no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados.
Tabela 7 - Panorama geral dos teores de nitrato no SLJ.
Nitrato Média±dp
em mg/L
Máximo em 
mg/L (pontos 
associados)
Pontos fora do 
limite aceitável Pior ano
Jacarepaguá 0,02±0,17 0,61 (10) 0 pontos -
Camorim 0,02±0,05 0,19 (10) 0 pontos -
Marapendi 0,03±0,61 2,17 (16) 1 ponto 2021
Tijuca continente 0,03±0,89 2,98 (16)
1,31 (17) 2 pontos 2021
Tijuca Oceano 0,03±1,49 5,24 (16)
0,84 (17) 2 pontos 2021
Ao observarmos os resultados dos teores de nitrato percebe-se que houve 
problemática pontual associada aos teores deste parâmetro, sendo identificados 
teores fora do limite permitido pela legislação vigente apenas nas Lagoas de 
Marapendi e Tijuca nos dois pontos monitorados. Nas demais lagoas os teores 
ficaram sempre dentro do limite aceitável. Percebe-se que o ano de 2021 foi o 
ano mais crítico em termos de teores de nitrato, tendo como pontos críticos os 
pontos 16 e 17, respectivamente em amostragens realizadas em 05 de outubro 
e 30 de novembro de 2021. O teor mais crítico foi detectado na Lagoa da Tijuca 
próximo ao Oceano Atlântico. A contaminação de corpos d’água superficiais por 
compostos nitrogenados mais oxidados como o nitrato estão associados a um 
processo de oxidação de esgotos mais longínquo, indicando a possibilidade de 
este poluente já ter sido oxidado ao longo do tempo e ter sido transportado do 
continente para as águas mais próximas ao oceano.
Na Tabela 8 pode ser observado o panorama geral dos teores de nitrito 
no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados.
139
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
Tabela 8 - Panorama geral dos teores de nitrito no SLJ.
Nitrito Média±dp 
em mg/L
Máximo em 
mg/L (pontosassociados)
Pontos fora do 
limite aceitável Pior ano
Jacarepaguá 0,11±0,27 1,00 (10) 1 ponto 2019
Camorim 0,015±0,46 1,49 (10) 1 pontos 2019
Marapendi 0,02±0,03 0,09 (17) 0 pontos -
Tijuca continente 0,01±0,044 0,14 (5) 0 pontos -
Tijuca Oceano 0,01±0,028 0,09 (7) 0 pontos -
Ao observarmos os resultados dos teores de nitrito percebe-se que houve 
problemática pontual associada aos teores deste parâmetro, sendo identificados 
teores fora do limite permitido pela legislação vigente apenas nas Lagoas de 
Jacarepaguá e Camorim. Nas demais lagoas os teores ficaram sempre dentro do 
limite aceitável. Percebe-se que o ano de 2019 foi o ano mais crítico em termos de 
teores de nitrito, tendo como ponto crítico o ponto 10 em amostragens realizada 
em 30 de setembro de 2019. Similar ao já indicado para o parâmetro nitrato, a 
contaminação de corpos d’água superficiais por compostos nitrogenados mais 
oxidados como é o caso deste parâmetro estão associados a um processo de 
oxidação de esgotos mais longínquo, indicando a possibilidade de este poluente 
já ter sido oxidado ao longo do tempo e ter sido transportado do continente para 
as águas mais próximas ao oceano.
Na Tabela 9 pode ser observado o panorama geral dos teores de nitrogê-
nio amoniacal no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados.
Tabela 9 - Panorama geral dos teores de nitrogênio amoniacal no SLJ.
Nitrogênio 
Amoniacal
Média±dp 
em mg/L
Máximo em 
mg/L (pontos 
associados)
Pontos fora do 
limite aceitável Pior ano
Jacarepaguá 4,51±4,37 15,60 (15) 20 pontos 2021
Camorim 4,72±7,79 37,00 (1) 18 pontos 2018
Marapendi 5,26±7,27 37,60 (1) 21 pontos 2018
Tijuca continente 4,83±3,68 18,20 (1) 22 pontos 2018
Tijuca Oceano 2,72±2,33 9,80 (15) 20 pontos 2021
Ao observarmos os resultados dos teores de nitrogênio amoniacal percebe-se 
que o sistema lagunar como um todo encontra-se em situação crítica associada 
a este parâmetro. Os teores mais elevados foram detectados nas Lagoas de 
140
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Camorim e Marapendi. Os anos mais críticos em termos de elevação dos teores 
de nitrogênio amoniacal foram 2018 e 2021 nos pontos 1 e 15, em coletas realiza-
das em 03 de janeiro de 2018 e 17 de agosto de 2021. Percebe-se que para todas 
as lagoas pertencentes ao sistema lagunar em estudo este é altamente crítico, 
indicando que em praticamente todo tempo este sistema encontra-se com teores 
alarmantes de nitrogênio amoniacal.
Corrêa (2023) já enfatizava que os elevados teores de nitrogênio amo-
niacal nas águas do sistema lagunar de Jacarepaguá estariam associados ao 
constante despejo de esgoto doméstico in natura, intensificado ao longo dos 
anos, impedindo que as lagoas possuam elementos físico-químicos e biológicos 
suficientes para degradá-lo.
Estes elevados teores de nitrogênio amoniacal em detrimento de elevados 
teores de nitrato e nitrito vão de encontro ao conceito descrito por Von Sperling 
(1996), onde a poluição recente está relacionada ao nitrogênio na forma orgânica 
ou de amônia, enquanto poluição mais remota está associada ao nitrogênio em 
forma de nitrito e nitrato. Ou seja, os resultados aqui apresentados indicam que o 
sistema lagunar de Jacarepaguá está sofrendo com o despejo de esgotos in natura 
e que estes vão se oxidando a nitrito e a nitrato, mas que o mais crítico no sistema 
é a entrada constante de esgotos corroborada pelos altos teores de nitrogênio 
amoniacal os quais indicam um processo de entrada recente de contaminantes 
para esse ecossistema aquático, cujo processo de nitrificação irá prejudicar ainda 
mais o ecossistema pelo consumo de oxigênio dissolvido no ambiente.
Os resultados gerais do monitoramento realizado pelo INEA no período de 
2018 até 2022, no sistema Lagunar de Jacarepaguá, indicam haver problemática 
significativa na qualidade das diferentes lagoas inseridas no sistema. Dentre 
os parâmetros mais preocupantes em termos de recorrência ao longo da rede 
amostral e do período de amostragem associado aos teores fora dos limites 
aceitáveis pela resolução vigente, destacam-se oxigênio dissolvido, coliformes 
termotolerantes e nitrogênio amoniacal. Dentro do sistema, estes foram os que 
mais se destacaram por extrapolarem o limite máximo estabelecido pela resolução 
CONAMA n° 357/2005.
Dentre os anos mais recorrentes de problemáticas detectadas durante o 
período monitorado podemos destacar o ano de 2021, que em grande parte do 
tempo esteve com os limites dos parâmetros supracitados fora do limite aceitável. 
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
A Lagoa de Jacarepaguá destaca-se dentro do sistema como a mais crítica 
em termos de teores de oxigênio dissolvido, o que corrobora com a afirmação de 
Domingos (2001) apud Gomes et al. (2009) ressaltando que a Lagoa de Jacare-
paguá é a mais continental do SLJ, com troca limitada de água com o mar e com 
o maior tempo de retenção da água, contribuindo para o aumento da eutrofiza-
ção. Já, a Lagoa de Camorim destaca-se como a mais problemática em termos 
dos elevados teores de coliformes termotolerantes. Já, em termos do parâmetro 
nitrogênio amoniacal percebe-se que o sistema lagunar como um todo encon-
tra-se em situação crítica associada a este parâmetro, mas podemos destacar 
como mais crítica a situação das lagoas de Camorim e Marapendi. A Lagoa com 
melhor qualidade foi a da Tijuca em seu ponto mais próximo ao Oceano Atlântico.
Os parâmetros que excederam os limites com maior relevância e que 
consequentemente causam maiores impactos, corroboram com a pesquisa feita 
para a realização do trabalho, onde a maior parte dos autores destacou o aporte 
de esgotamento sanitário para as lagoas como um dos fatores mais prejudiciais 
para a qualidade da água do sistema lagunar. 
Um destes trabalhos foi o de Santos (2014), onde indicou que algumas 
intervenções foram realizadas no SLJ, melhorando a qualidade da água das lagoas. 
Mas que, logo após as intervenções, foram registradas tendências de estagnação 
do parâmetro de coliformes termotolerantes, sendo esse um dos principais indi-
cadores de contaminação por esgoto doméstico. Além disso, a autora ressaltou 
que as lagoas estão sendo prejudicadas pelas elevadas concentrações de matéria 
orgânica e nutrientes, impactando os usos do sistema lagunar, ocasionando até 
mesmo episódios de mortandade de peixes.
Os resultados dos teores de oxigênio dissolvido associados aos teores 
de coliformes termotolerantes e nitrogênio amoniacal apontam para uma situa-
ção de degradação das águas do sistema lagunar de Jacarepaguá associado a 
provável entrada de esgoto doméstico in natura no sistema, associado a falta de 
proteção marginal. 
Conforme já mencionado por Souza e Azevedo (2020) é evidente o esgoto 
in natura descarregado nas lagoas advindo dos rios tributários o qual prejudica 
de forma significativa a qualidade do SLJ.
Corrêa (2023) já apontava que são nítidas as consequências antrópicas 
no Sistema Lagunar de Jacarepaguá e o impacto direto do esgoto in natura 
142
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
que converge das bacias de drenagem para o interior das lagoas alterando sua 
qualidade. A autora ressalta que a poluição e o despejo de esgotos domésticos 
e industriais sem tratamento prévio na bacia hidrográfica refletem significativa-
mente na qualidade das águas do SLJ. 
De acordo com SEMADS (2001 apud Gomes et al., 2009) os rios que 
deságuam no sistema e cortam grande parte dos bairros do Sistema Lagunar de 
Jacarepaguá e adjacências, transportam em suas águas grande quantidade de 
sedimentos, resíduos industriais e domésticos. A qualidade da água destes rios 
deve ser monitorada continuamente e ações de controle dos impactos, advindos 
dos mesmos, devem ser adotadas pois esses tributários podem ser responsáveis 
por significativo aporte de poluição hídrica para as lagoas pertencentes ao Sis-
tema Lagunar de Jacarepaguá.
Outro fator prejudicial para a qualidade daágua do sistema lagunar é o 
aumento desordenado da urbanização ao redor do sistema Lagunar, que de acordo 
com Santos (2014) o crescimento exacerbado da urbanização, em conjunto com 
a falta de saneamento básico que não acompanha o crescimento populacional, 
prejudica a qualidade da água dos corpos hídricos, além de causar instabilidade 
dentro da bacia hidrográfica em que o sistema lagunar está inserido, pois altera 
de forma significativa todo o ciclo hidrológico.
Os impactos ambientais que o crescimento da urbanização acelerado e 
inadequado gera para as lagoas pertencentes ao sistema são alarmantes, como 
observado nos resultados obtidos no presente trabalho. O processo de uso e 
ocupação irresponsável do solo causam severos impactos na região, degradando 
e poluindo o sistema lagunar. O Sistema Lagunar de Jacarepaguá, por ser uma 
região costeira, tende a possuir contaminações expressivas devido ao grande 
número de turistas que circula na região. 
Santos (2014) ressalta os impactos ambientais que o crescimento descon-
trolado de área urbanizada gera para as lagoas pertencentes ao sistema, como o 
aumento da poluição ao redor das lagoas, a contaminação dos rios tributários e 
consequentemente do sistema lagunar por efeito do despejo de esgotos domés-
tico, industrial e pluvial carreado para o interior destas, a geração de enchentes 
urbanas em função do gerenciamento inadequado da drenagem urbana, além da 
falta de um sistema de coleta e disposição de resíduos sólidos urbanos.
143
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
A carência de saneamento básico adequado na região é predominan-
temente a problemática que está em evidência em todo o entorno do Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá. Esse processo é evidenciado quando se observa os 
resultados obtidos para a Lagoa de Marapendi, que não recebe a água dos rios 
tributários como as Lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, mas que ainda 
sim, encontra-se com diversos parâmetros fora do estipulado pela legislação, 
sendo consequência do aumento desordenado das áreas urbanizadas que estão 
intensificando o lançamento de esgoto in natura nas lagoas. 
Por esse motivo, foi escolhido utilizar o ponto MR361 como mencionado 
anteriormente, para que fosse possível representar de forma mais assertiva o 
impacto das construções civis ao redor das lagoas, pois o ponto MR369 encontra-
-se mais próximo da ligação da Lagoa de Marapendi com o restante do sistema.
Devido ao fato de as lagoas serem bastante rasas e próximas a entradas 
antropogênicas o processo de autodepuração é dificultado propiciando pro-
cessos de eutrofização e consequente produção de toxinas ao sistema aquá-
tico. As melhores condições hidroquímicas da Lagoa da Tijuca mais próxima 
do Oceano Atlântico provavelmente esteja associada a estar mais distante das 
entradas antropogênicas e devido ao fato de estar mais próxima a água oceânica, 
que através da salinidade propicia os processos de autodepuração salina com 
consequente degradação dos poluentes aquáticos. 
A alteração da qualidade da água do sistema lagunar implica diretamente em 
seus diferentes usos, além de causar impactos na saúde pública. De acordo com 
Gomes et al. (2009) a ação da eutrofização acarreta a presença de cianobactérias 
tóxicas no SLJ, sendo extremamente prejudicial para a saúde humana, uma vez 
que as águas são de uso recreativo. Dessa forma, apresenta-se a necessidade 
de adoção de medidas de recuperação desse ecossistema aquático como forma 
a minimizar os impactos ambientais e de bem-estar físico, mental e social da 
população ocorridos.
 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados gerais do monitoramento realizado pelo INEA no período de 
2018 até 2022, no sistema Lagunar de Jacarepaguá, indicam haver problemática 
significativa na qualidade das diferentes lagoas inseridas no sistema, principalmente 
144
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
associada aos parâmetros oxigênio dissolvido, coliformes termotolerantes e nitro-
gênio amoniacal. Dentro do sistema, estes foram os que mais se destacaram por 
extrapolarem o limite máximo estabelecido pela resolução CONAMA n° 357/2005.
Dentre os anos mais recorrentes de problemáticas detectadas, durante o 
período monitorado, podemos destacar o ano de 2021, que em grande parte do 
tempo esteve com os limites dos parâmetros supracitados fora do limite aceitável, 
devendo ser investigado os motivos para essa situação mais crítica. 
A Lagoa de Jacarepaguá destaca-se dentro do sistema como a mais crítica 
em termos de teores de oxigênio dissolvido, por ser a mais continental do SLJ, 
com troca limitada de água com o oceano e com o maior tempo de retenção da 
água, contribuindo para o aumento do potencial de eutrofização. Já, a Lagoa de 
Camorim destaca-se como a mais problemática em termos dos elevados teores 
de coliformes termotolerantes. Em termos do parâmetro nitrogênio amoniacal 
percebe-se que o sistema lagunar como um todo encontra-se em situação crítica 
associada a este parâmetro, mas podemos destacar como mais significativa a 
situação das lagoas de Camorim e Marapendi. A Lagoa com melhor qualidade 
foi a da Tijuca em seu ponto mais próximo ao Oceano Atlântico provavelmente 
associada a estar mais distante dos tributários e por sofrer autodepuração advinda 
das águas salinas ou salobras do oceano adjacente.
Os resultados dos teores de oxigênio dissolvido, associados aos teores de 
coliformes termotolerantes e nitrogênio amoniacal apontam para uma situação de 
degradação das águas do sistema lagunar de Jacarepaguá relacionado a provável 
entrada de esgoto doméstico in natura no sistema. Associado a isto, os rios que 
deságuam no sistema e cortam grande parte dos bairros do Sistema Lagunar de 
Jacarepaguá e adjacências, transportam em suas águas grande quantidade de 
sedimentos, resíduos industriais e domésticos.
Pode-se perceber que os impactos na qualidade da água são amplificados 
pelo crescimento desordenado da urbanização nas áreas ao redor do sistema 
lagunar e da bacia hidrográfica como um todo, somado à carência de um sanea-
mento básico eficiente. O lançamento de efluentes ocorre ao longo de toda a 
bacia, desembocando diretamente nas lagoas, o que contribui para o aumento dos 
níveis de coliformes e do risco de eutrofização, além da diminuição do oxigênio 
dissolvido nessas águas, de forma a prejudicar os ecossistemas aquáticos e a 
qualidade das águas. Portanto, a remediação do sistema lagunar torna-se uma 
145
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
prioridade, sendo indicada a implementação de ações de recuperação ambiental 
para restaurar o equilíbrio ecológico e melhorar as condições de vida na região.
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SOBRE OS ORGANIZADORES
Clecia Simone Goncalves Rosa Pacheco
PhD em Educação (UCSF - Argentina); Doutorado Profissional em Agroecologia e 
Desenvolvimento Territorial pelo Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e 
Desenvolvimento Territorial (PPGADT/UNIVASF); Master of Sciece em Educação 
(UI - Lisboa/Portugal); Mestrado Profissional em Tecnologia Ambiental (ITEP/PE); 
Especialista em Auditoria e Perícia Ambiental (Universidade Estácio Sá/SP); Geógrafa 
(UPE); Docente efetiva do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) 
no Colegiado de Tecnologia em Alimentos. Docente permanente do Programa de 
Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS/
UNIVASF). Membro de la Rede Iberoamericana del Médio Ambiente (REIMA/Brasil); 
Membro da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) atuando no GT - Manejo 
de Agroecossistemas; Docente Correspondente de la Academía Internacional de 
Ciencias, Educación, Tecnologías y Humanidades (Valencia/España); Líder do 
Grupo de Pesquisas Interdisciplinar em Meio Ambiente (GRIMA/CNPq) e Núcleo 
de Pesquisa Geoambiental (NuPGEO/CNPq). Docente e Coordenadora do Curso 
de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental e Sustentabilidade nos Territórios 
Semiáridos (TASTS/IF Sertão-PE); Membro do Corpo Editorial da Editora Científica 
Digital; Membro do Corpo Editorial da Brazilian Journal of Animal and Environment 
Research (BJAER) e da South Florida Journal of Environmental and Animal Science. 
Revisora de periódicos científicos, entre eles: GEOUSP: espaço e tempo; OPARÁ: 
Etnicidade, Movimentos Sociais e Educação; Revista Iberoamericana Anmbiente & 
Sociedade; Revista Científica Diversidad Biologica y su Gestión Integrada; Diversitas 
Journal; Journal of Edication, Society an Behavioural Science. Colaboradora da 
Rede MapsBioma Árida; Palestrante nacional e internacional. ORCID: https://
orcid.org/0000-0002-7621-0536.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/6358715394273386
Reinaldo Pacheco dos Santos
Perito Ambiental (InBS); Graduado em Pedagogia pela Universidade Norte do 
Paraná (2008). Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de 
Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS) pela Universidade Federal do Vale 
do São Francisco (UNIVASF); Especialista em Gestão Escolar pelo Instituto 
Superior de Teologia Aplicada (2010). Graduando em Geografia pela Universidade 
de Pernambuco (UPE). Membro da la Red Iberoamericana de Medio Ambiente 
(REIMA); Vice-líder do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Meio Ambiente 
(GRIMA) do Instituto Federal do Sertão Pernambucano - Campus Petrolina, 
atuando nas seguintes Linhas de Pesquisa: 1. Ecopedagogia e Sustentabilidade 
Socioambiental; 2; Geografia Contextualizada, Educação e Sustentabilidade 
Semiárida; 3. Ecodinâmica Ambiental e Recuperação de Áreas Degradadas. Vice-
líder do Grupo de Núcleo de Pesquisas Geoambientais (NupGeo). Membro do 
Comitê Científico e Editorial da Editora Científica Digital. Autor de diversos artigos 
na área de Educação, Educação Ambiental, Ecopedagogia;Territórios Semiáridos; 
Ecossistemas e Paleoecossistemas. 
Lattes: http://lattes.cnpq.br/9147174509760048
Walmir Fernandes Pereira
Doutor em Ciências da Educação pela Faculté Libre des Sciences de L’Homme et de 
L’Environnement de Paris, França (2024). Mestre em Tecnologias Emergentes em 
Educação pela Miami University of Science and Technology (MUST UNIVERSITY - 
Estados Unidos), com título reconhecido no Brasil. Professor universitário (Graduação 
e Pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu) e da educação básica (Ensino 
Fundamental e Ensino Médio). Gestor Escolar na rede pública Estadual do Rio 
de Janeiro. Tem formação como: Pedagogo, Psicopedagogo, Neuropsicopedagogo 
e Musicoterapeuta. Especializações (Lato Sensu) nas áreas da Educação, Línguas 
Estrangeiras Modernas e Tradução, Saúde e Gestão. Possui graduação em Letras, 
em Pedagogia, em Artes Visuais, em Educação Especial, em História e também 
em Filosofia.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/8916022554187684
ÍNDICE 
REMISSIVO
A
Água Doce: 23, 121, 122, 123, 124, 128
AlgaeMAp: 9, 10, 11, 12, 13, 16, 18, 20
Amazônia: 40, 122, 123, 127, 128
Amostradores de Sedimentos: 43, 45, 46, 47, 
49, 54
B
Benevides: 122, 124
C
Carcinicultura: 122, 123
Clorofila-a: 8, 9, 10, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 33
Condições do Sistema Lagunar de 
Jacarepaguá: 22
Corpo Hídrico: 13, 16, 37, 38, 48, 84, 103, 105, 
106, 108, 116, 117, 118, 119
E
Ecossistemas Aquáticos: 9, 10, 22, 24, 81, 83, 
85, 111, 130, 144, 145
Educação Ambiental: 61, 74, 75, 76, 103, 106
G
Gestão de Resíduos Sólidos: 60, 61, 62, 72, 74, 
76, 78
I
Impacto Ambiental: 39, 73, 94, 103, 117, 118
J
Jacarepaguá: 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 
30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 129, 130, 
131, 132, 133, 135, 136, 137, 138, 139, 140, 141, 142, 
143, 144, 145
L
Limnologia: 15, 81, 98
M
Metais Pesados: 81, 84, 86, 87, 96, 97
N
Nutrientes: 9, 10, 15, 16, 17, 32, 33, 81, 88, 95, 96, 
141
P
Parâmetros Hidroquímicos: 22, 37, 129, 130
Piscicultura: 81, 83, 84, 88, 94, 95, 123, 128
Q
Qualidade da Água: 9, 10, 11, 12, 13, 14, 16, 18, 19, 
22, 23, 30, 33, 34, 35, 36, 38, 40, 103, 104, 105, 106, 
110, 116, 118, 119, 121, 123, 128, 129, 130, 131, 132, 141, 
142, 143, 144, 145
R
Reciclagem: 61, 62, 67, 69, 71, 72, 73, 74, 75, 77, 
78
Recuperação Ambiental: 22, 27, 28, 38, 39, 131, 
145
S
Sedimento: 28, 34, 42, 43, 45, 47, 49, 50, 51, 52, 
53, 56, 57, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 
91, 92, 93, 94, 95, 96, 97
Sedimento em Suspensão: 43, 45
Sustentabilidade Urbana: 61
T
Tanque Rede: 81, 84, 88
Testemunhos Sedimentares: 43, 46
U
Urbanização: 30, 38, 83, 102, 103, 104, 118, 119, 
130, 142, 144
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científica digital
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	01
	ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A NO RESERVATÓRIO ARROIOCHASQUEIRO: DINÂMICA DE IRRIGAÇÃO E SAZONALIDADE
	Laura Martins Bueno
	Eduardo Luceiro Santana
	Ottoni Marques Moura de Leon
	Felipe de Lucia Lobo
	 10.37885/241118161
	02
	Diagnóstico do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (RJ): Análise das Problemáticas Ambientais no Ecossistema
	Emanuele Koschier Pinto
	Anna Nachtigall da Cruz
	Idel Cristiana Bigliardi Milani
	 10.37885/241018022
	03
	 EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE SEDIMENTO
	Kamilla da Silva Martins Pitana
	Idel Cristiana Bigliardi Milani
	 10.37885/241018020
	04
	Levantamento da Gestão de Resíduos Sólidos no Município de Pelotas/RS: Análise de Projetos Existentes e Proposição de Melhorias
	Anna Nachtigall da Cruz
	Emanuele Koschier Pinto
	Idel Cristiana Bigliardi Milani
	Reginaldo Galski Bonczynski
	 10.37885/241018021
	05
	MÉTODOS DE ESTUDOS GEOQUÍMICOS PARA MONITORAMENTO AMBIENTAL DE SEDIMENTO DE CORPOS HÍDRICOS
	Hênio do Nascimento Melo Júnior
	Hênio Vitor Sobral Melo
	Francisco José de Paula Filho
	Raimundo Nonato Pereira Teixeira
	 10.37885/240917650
	06
	O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DESORDENADA E SEUS IMPACTOS NO AÇUDE DO GRAVATÁ, SERRINHA/BA
	Jackeline Lisboa Araújo Santos
	Juliana Araújo Santos
	Maria Auxiliadora Freitas dos Santos
	 10.37885/240817578
	07
	QUALIDADE DA ÁGUA NA LARVICULTURA COMERCIAL DO CAMARÃO DE ÁGUA DOCE MACROBRACHIUM AMAZONICUM (HELLER, 1862)
	Elias Fernandes de Medeiros Junior
	 10.37885/241118146
	08
	Qualidade da Água do Sistema Lagunar de Jacarepaguá: Análise dos Parâmetros Hidroquímicos e suas Implicações Ambientais
	Emanuele Koschier Pinto
	Anna Nachtigall da Cruz
	Idel Cristiana Bigliardi Milani
	 10.37885/241218520
	SOBRE OS ORGANIZADORES
	ÍNDICE REMISSIVOprovenientes de ecossistemas terrestres, conforme destacado 
por Martini et al. (2006). Essa relação é fundamental para entender as variações 
na biomassa algal, indicadas pelas concentrações de clorofila-a. A clorofila-a, 
além de ser um indicador amplamente utilizado para a biomassa fitoplanctônica 
devido à facilidade de medição, desempenha um papel crucial na avaliação da 
qualidade da água em reservatórios (LAMON III et al., 1996).
Além disso, é necessário entender o comportamento temporal da cloro-
fila-a (Figura 4) no reservatório, dado que suas concentrações podem refletir 
mudanças sazonais e o impacto do manejo hídrico. Para essa análise, foram 
utilizados dados obtidos pelo AlgaeMAP, validados para a região e abrangendo o 
período de janeiro de 2020 a setembro de 2024. Optou-se por monitorar uma área 
17
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
específica do braço esquerdo do reservatório, por ser a região que apresentou 
maior heterogeneidade nas concentrações de clorofila-a. Esse enfoque permite 
uma avaliação mais detalhada das variações ao longo do tempo, destacando 
possíveis períodos críticos e padrões que podem ser associados às práticas de 
manejo hídrico e à dinâmica ambiental local.
Figura 4 - Comportamento temporal da concentração de clorofila-a na área de estudo.
A análise temporal revela um padrão cíclico de variação na biomassa fito-
planctônica ao longo dos anos. Observa-se que, em determinados períodos, as 
concentrações de clorofila-a atingem picos acentuados, como visto em meados 
de 2021 e 2022, onde algumas medições ultrapassaram 200 mg/m³. Esse com-
portamento pode estar diretamente relacionado às condições hidrológicas e ao 
manejo hídrico da região, uma vez que o reservatório sofre influência dos ciclos 
de irrigação, com maior extração de água durante as estações secas.
A sazonalidade aparente nos dados de clorofila-a sugere uma resposta do 
fitoplâncton às condições ambientais, como a disponibilidade de nutrientes e as 
variações na temperatura da água, que também podem estar correlacionadas 
com o regime de chuvas da região. Nos períodos com maior precipitação, há uma 
tendência de diluição dos nutrientes, o que pode justificar as concentrações mais 
baixas observadas. Por outro lado, nos períodos secos, especialmente aqueles 
que coincidem com o uso intensivo de água para irrigação, as concentrações de 
clorofila-a tendem a se elevar devido à maior concentração de nutrientes remanes-
centes e à estabilização das massas de água, o que favorece o crescimento algal.
Além disso, a análise temporal permite inferir que o sistema responde de 
forma interanual, com alguns anos apresentando maiores picos de concentração 
18
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
de clorofila-a que outros. De acordo com Lamon III et al. (1996) e Goddijn-Murphy 
et al. (2009), a enfatizam a importância do monitoramento contínuo para capturar 
padrões sazonais e interanuais.
Essa variação pode estar associada a mudanças nas práticas de manejo 
hídrico ou a fenômenos climáticos específicos que alteram a disponibilidade de 
recursos e as condições para o desenvolvimento de algas no reservatório. Essa 
relação entre o manejo hídrico e os níveis de clorofila-a destaca a importância de 
um monitoramento contínuo e ajustado às condições locais para otimizar tanto a 
qualidade da água quanto a eficiência do sistema de irrigação, prevenindo possíveis 
impactos ecológicos decorrentes de flutuações excessivas no crescimento algal.
Portanto, os dados do AlgaeMAP oferecem uma visão detalhada da dinâmica 
da clorofila-a ao longo dos anos, reforçando a relevância de uma gestão adaptativa 
e da calibração de sensores para capturar com precisão as características locais 
do reservatório. Essas informações são cruciais para a formulação de estratégias 
de manejo que visem minimizar os impactos negativos do crescimento de algas 
e garantir a sustentabilidade do uso dos recursos hídricos na região.
O uso de tecnologias de sensoriamento remoto, conforme Chen et al. 
(2007), traz uma abordagem inovadora ao monitoramento da qualidade da água, 
permitindo não só a coleta de dados em larga escala, mas também a análise da 
distribuição espacial e temporal de parâmetros-chave, como a clorofila-a. Isso 
é especialmente relevante em sistemas que sofrem com eutrofização, onde o 
aumento na produtividade primária pode levar à proliferação de algas nocivas, 
como discutido por Nellis et al. (1998) e Song et al. (2010).
CONCLUSÃO
A análise da concentração de clorofila-a ao longo do tempo e nas diferen-
tes regiões do reservatório permitiu identificar tanto variações sazonais quanto 
espaciais que podem estar relacionadas ao manejo hídrico e a outros fatores 
ambientais. A área do braço esquerdo, marcada por maior heterogeneidade, foi 
um ponto focal da análise, destacando-se pela sua variação nas concentrações 
ao longo do ano. Utilizando dados do AlgaeMAP validados para a região, foi pos-
sível observar padrões sazonais críticos que sugerem uma possível associação 
19
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
entre as flutuações da clorofila-a e o uso da água para irrigação, embora outros 
parâmetros também possam estar envolvidos.
Esses resultados sublinham a importância de um monitoramento mais 
detalhado e contínuo, envolvendo um conjunto de dados mais amplo que aborde 
variáveis físico-químicas e hidrológicas adicionais, para aprimorar a compreen-
são das dinâmicas que afetam a qualidade da água. Estudos futuros que con-
siderem esses aspectos poderão contribuir significativamente para uma gestão 
hídrica mais eficaz, promovendo um equilíbrio entre as demandas de irrigação 
e a preservação do ecossistema aquático, essencial para a sustentabilidade do 
reservatório e da região.
Agradecimentos 
Este estudo foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento 
de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código Financeiro 001.
Agradecemos a Agência para Desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim 
(ALM) pelo suporte técnico, laboratorial e logístico. 
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https://sistemainfoaguas.cetesb.sp.gov.br/Login/Index
https://sistemainfoaguas.cetesb.sp.gov.br/Login/Index
20
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
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Cultura. Universidade Federal de Pelotas. 2021. 
https://doi.org/10.3390/rs13152874
' 10.37885/241018022
02
DIAGNÓSTICO DO SISTEMA LAGUNAR DE 
JACAREPAGUÁ (RJ): ANÁLISE DAS 
PROBLEMÁTICAS AMBIENTAIS NO 
ECOSSISTEMA
Emanuele Koschier Pinto
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Anna Nachtigall da Cruz
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Idel Cristiana Bigliardi Milani
Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
https://dx.doi.org/10.37885/241018022
22
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
RESUMO
O presente trabalho foi elaborado por meio do levantamento e síntese dos princi-
pais resultados de estudos já realizados das condições hidroquímicas do Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá, a partir da disponibilização de dados em bases públi-
cas e de livre acesso, como forma a obter um panorama geral das condições do 
sistema lagunar e assim identificar as problemáticas hidroquímicas recorrentes 
nesse ecossistema. O estudo indicou a dificuldade em encontrar pesquisas que 
tenham realizado a análise dos parâmetros hidroquímicos dentro deste sistema, 
além disso os autores destacaram a escassez de informações advindas do moni-
toramento ambiental realizado pelo órgão responsável, pois existem diversos 
dados com falhas nos monitoramentos, dificultando a tabulação e interpretação 
dos resultados. Através da avaliação realizada no presente estudo, foi possível 
identificar que as principais causas da contaminação do sistema lagunar é o 
despejo de efluentes in natura que ocorre nas lagoas e na bacia hidrográfica, o 
crescimento desordenado de áreas urbanas ao redor deste e a falta de sanea-
mento básico adequado, contribuindo para a baixa qualidade de suas águas. 
Dessa forma, identifica-se a urgência da adoção de medidas de recuperação 
ambiental na área de estudo.
Palavras-chave: condições do sistema lagunar de jacarepaguá; qualidade da 
água; ecossistemas aquáticos; recuperação ambiental.
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ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
INTRODUÇÃO
Com o avanço do desenvolvimento econômico, cultural e tecnológico, a 
exploração dos recursos naturais tem se intensificado, resultando em degradação 
ambiental e dos corpos hídricos. Apesar da abundância de fontes de água doce, 
algumas regiões enfrentam escassez devido à distribuição desigual desses recur-
sos (VIERO, 2004). Conforme Nelson (2018) a necessidade de conscientização 
da população de que suas ações repercutem no todo é indispensável para que a 
relação entre os homens e o meio ambiente possam se harmonizar.
A qualidade da água para seus diferentes usos é um fator preocupante, pois 
a cada dia os corpos hídricos recebem maior quantidade de poluentes, advindos 
do despejo de esgoto e da falta de saneamento básico adequado. A qualidade 
da água é resultado do uso e da ocupação do solo na bacia hidrográfica, espe-
cialmente devido as ações antrópicas, impactando diretamente o meio ambiente 
(VON SPERLING, 1996).
Apesar das águas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (SLJ) não possuí-
rem o abastecimento de água como um de seus usos, as lagoas possuem grande 
importância para o município do Rio de Janeiro, de forma econômica e ambiental, 
pois conforme Souza e Azevedo (2020) o sistema lagunar é uma região com forte 
presença de turismo, recreação, pesca e navegação, sendo importante a melhoria 
da qualidade das águas desse sistema, promovendo o aumento da saúde pública, 
além de preservar a biota aquática.
Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo conhecer as carac-
terísticas da qualidade da água do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, visando 
compilar informações que possam ser utilizadas como ferramentas de gestão 
deste ecossistema. Esse conhecimento poderá auxiliar nas ações desenvolvidas 
pelos poderes públicos para reduzir os impactos ambientais causados nas lagoas, 
considerando os estudos preliminares sobre o ambiente.
METODOLOGIA
O levantamento dos principais estudos já realizados no Sistema Lagunar 
de Jacarepaguá foi realizado mediante revisão bibliográfica, utilizando fontes 
ou documentos escritos e registrados em base de dados públicos e de livre 
24
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
acesso. As principais bases consultadas foram Scielo, Google Acadêmico e Perió-
dico Capes, utilizando palavras-chave de busca como “Lagoa de Jacarepaguá”, 
“Lagoa da Tijuca”, “Lagoa de Camorim “Lagoa de Marapendi”, “Lagoas Rio de 
Janeiro” e “Sistema Lagunar de Jacarepaguá”. A busca de informações ocorreu 
de julho de 2023 até setembro de 2024. 
Os trabalhos foram lidos e sintetizados com o foco nas principais carac-
terísticas ambientais do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. 
REVISÃO DE LITERATURA
Características gerais
O Rio de Janeiro é um município brasileiro e capital do estado de mesmo 
nome, localizado no litoral sudeste, entre os paralelos 22º 45’ 05’’ S e 23º 04’ 10’’ S e 
os meridianos 43º 06’ 30’’W e 43º 47’ 40’’W. O Rio de Janeiro é considerado a 
segunda maior mancha urbana do Brasil, um dos maiores centros econômicos 
e culturais da América Latina. Em sua área territorial de 1.200,329 km², residem 
6.211.423 pessoas (IBGE, 2022).
Segundo Amador (1997 apud Cypriano, 2009) o estado do Rio de Janeiro 
é um dos estados brasileiros que mais possui lagoas costeiras em seu território, 
porém, muitas delas já desapareceram, parcial ou totalmente, em função de 
diversos fatoresnaturais e antropogênicos.
Segundo Kjerfve (1994 apud Campaneli e Molisani, 2016) as lagoas costeiras 
são corpos d’água interiores afastados do mar/oceano por uma barreira arenosa 
ou ligados ao oceano através de um ou mais canais. As lagoas costeiras foram 
geradas há cerca de 10 mil anos, durante eventos de progressão e transgressão 
do nível do mar. As lagoas costeiras normalmente são ecossistemas aquáticos 
rasos, com profundidades inferiores a 4 metros, sendo corpos d’água influenciados 
pelo continente e pelo mar territorial adjacente (CAMPANELI e MOLISANI, 2016).
A qualidade das águas destes corpos hídricos é um fator que depende 
das atividades naturais e antropogênicas da bacia hidrográfica e de tudo que 
acontece no seu entorno, de forma direta e indireta. Além disso, devido ao fato 
de esses ambientes estarem interconectados ao oceano, por canais de ligação 
naturais ou artificiais, estes corpos hídricos também são afetados pelo que ocorre 
25
ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br
no litoral ou região costeira adjacente. No município do Rio de Janeiro destacam-se 
algumas lagoas costeiras, sendo as maiores delas em extensão a Lagoa Rodrigo 
de Freitas, Lagoa Marapendi, Lagoa Jacarepaguá e Lagoa da Tijuca. Das quatro 
lagoas mencionadas, Marapendi, Jacarepaguá e Tijuca pertencem ao Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá (CALHEIROS, 2006).
De acordo com Santos (2017), o Sistema Lagunar de Jacarepaguá é formado 
por quatro lagoas principais: Lagoa da Tijuca, Lagoa de Jacarepaguá, Lagoa de 
Marapendi e a Lagoa de Camorim (Figura 1).
Figura 1 - Mapa de Localização do Sistema Lagunar de Jacarepaguá.
Fonte: Autoras (2024).
A Bacia Hidrográfica do Sistema Lagunar de Jacarepaguá possui em torno 
de 280 km² e é formada por diversos rios tributários que descem as vertentes 
dessas montanhas e deságuam nas lagoas, sendo que estas possuem uma liga-
ção principal com o oceano, ao leste, através do Canal da Joatinga, ou canal da 
Barra da Tijuca (Figura 1).
O sistema limita-se ao sul pelo Oceano Atlântico e pelos maciços da Pedra 
Branca (ao norte) e da Tijuca (ao oeste) com uma superfície aproximada de 120 
km², sendo apenas 10% constituído da área alagada das lagunas. 
26
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Segundo Cohidro (2006 apud Filho, 2009) a Lagoa de Camorim pertencente 
ao Sistema Lagunar de Jacarepaguá, possui apenas 0,8 km² e trata-se de um 
canal de ligação entre as lagoas de Jacarepaguá e Tijuca. A lagoa de Jacarepaguá 
possui 3,7 km² e a lagoa da Tijuca apresenta um espelho d’água de aproximada-
mente 4,8 km². Juntas, as três lagoas abrangem um espelho d’água em torno de 
9,3 km² e uma extensão de aproximadamente 13 km². Já a lagoa de Marapendi 
possui uma área de 3,5 km² e uma extensão de 10 km de comprimento, segundo 
Cohidro (2006 apud Filho, 2009).
A Lagoa de Jacarepaguá possui a maior área de drenagem da região com 
102,8 km², enquanto a Lagoa da Tijuca possui uma pequena área drenante com 
cerca de 26,9 km², contudo ela dispõe de uma maior área física. Já a Lagoa de 
Camorim possui uma pequena área por ser uma ligação entre outras duas lagoas, 
ou seja, partilhada entre as áreas das lagunas de Jacarepaguá e da Tijuca, mas 
com uma grande área de drenagem com cerca de 91,7 km². Além disso, os rios que 
nela deságuam contribuem com mais de 50% da vazão total da região. A Lagoa 
de Marapendi possui uma área drenante de 4,6 km² (SAMPAIO, 2008). A Tabela 
1 apresenta uma síntese das principais características das lagoas supracitadas.
Tabela 1 - Principais características de cada lagoa do SLJ.
Lagoa Espelho 
d’água (km²)
Largura 
média (km)
Comprimento 
médio (km)
Perímetro 
(km)
Profundidade 
média (m)
Jacarepaguá 3,7 0,93 4,0 15 3,3
Camorim 0,8 0,49 3,5 8 1,3
Tijuca 4,8 0,88 6,0 21 2,1
Marapendi 3,5 0,35 10,0 23 1,8
Fonte: Adaptado de FEEMA (1991 apud SANTOS, 2014).
Percebe-se através dos dados apresentados na Tabela 1 que o Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá é bastante raso, com profundidades inferiores à 4 m, 
característico de lagoas costeiras, conforme indicado por Campaneli e Molisani 
(2016). Para que seja possível identificar e compreender a dinâmica hídrica em 
corpos d’água são necessários levantamentos batimétricos e não apenas as 
profundidades médias do sistema. Para tanto, o estudo realizado por Santos 
(2017) apresentou a batimetria do Sistema Lagunar de Jacarepaguá e do oceano 
adjacente conforme pode ser visualizado na Figura 2.  
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Figura 2 - Batimetria do Sistema Lagunar de Jacarepaguá.
Fonte: SANTOS (2017).
Os dados batimétricos apresentados na Figura 2 deixam evidente as 
diferenças de profundidades entre o sistema lagunar e o Oceano adjacente, 
apesar da proximidade entre eles. O sistema lagunar é raso, conforme já citado, 
não atingindo profundidades superiores a 4 m. Já, o oceano adjacente chega a 
atingir profundidades superiores a 30 m, em sua porção mais próxima ao sistema.
Na Figura 2 é possível verificar a presença de locais mais profundos, também 
chamados de cavas, nas lagoas de Jacarepaguá, ao norte, e na Tijuca, a oeste, 
evidenciando diferenças de profundidade ao longo dos corpos lagunares. As cavas 
foram criadas nas décadas de 1970 e 1980, devido a dragagens indevidas rea-
lizadas no sistema lagunar, as quais contribuem na produção de gases tóxicos 
como metano e gás sulfídrico, prejudiciais ao meio ambiente (SANTOS, 2017).
O estudo realizado por Santos (2017) indica que o sistema estava passando 
por um processo de licenciamento para a realização de um novo procedimento 
de dragagem em que um dos objetivos era fazer o preenchimento das cavas 
com o material dragado como forma a uniformizar o fundo das lagoas. O autor 
menciona que o projeto possuía como objetivo executar algumas ações, dentre 
elas a dragagem das Lagoas da Tijuca, Jacarepaguá, Camorim, Marapendi e 
Canal da Joatinga. 
O projeto mencionado intitulava-se Recuperação Ambiental do Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá, onde o governo do estado do Rio de Janeiro, através 
28
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, CEDAE, e a Secretaria do Meio 
Ambiente, SEA, junto com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro realizaram a 
proposta da recuperação ambiental do sistema lagunar. 
Neste cenário, a recuperação ambiental das lagoas e canais causaria a 
redução do tempo de residência nas águas do sistema lagunar, além de realizar 
melhorias na qualidade das águas, considerando aspectos físicos, químicos e 
biológicos, com a finalidade de recuperar os corpos lagunares e o ecossistema, 
propiciando o retorno da pesca, das atividades de lazer, além de dispor de melhorias 
para a navegabilidade que ocorre na região (SANTOS, 2017). Contudo, segundo 
Sousa (2017) este projeto, que fez parte do Caderno de Encargos dos Jogos 
Rio 2016 e que foi incorporado às ações do Plano Estratégico Municipal (2013-
2016), não foi executado em razão de um processo de licenciamento ambiental 
conturbado, além da carência de recursos financeiros para a concretização das 
propostas, logo as cavas ainda fazem parte do sistema lagunar.  
Para melhor caracterizar o ecossistema aquático, torna-se necessário 
identificar os tipos de sedimentos presentes no sistema. Segundo Ward (1992 
apud Cypriano, 2009) os sedimentos são formados por uma grande variedade 
de materiais orgânicos e inorgânicos, sendo que a composição e a distribuição 
desses sedimentos resultam da concentração dos tipos de rocha na região, 
características da vegetação terrestre, aspectos topográficos e meteorológicos, 
fatores químicos e biológicos, fatores limnológicos e/ou hidrológicos, além do 
efeito do transporte de massas d’água. 
Os processos sedimentares e o tipo de cobertura sedimentar dos ambien-
tes transicionais e fluviomarinhos, como os estuários e as lagoas costeiras, estão 
sendo cada vez mais estudados, pois estas informações sãofundamentais para 
o planejamento ambiental e para intervenções necessárias em projetos de dra-
gagem, despoluição e recuperação do ecossistema (NETO et al., 2010). 
Em relação ao sedimento de fundo do sistema lagunar em estudo, a 
lagoa da Tijuca é composta por silte, entretanto no restante das lagoas e canais 
do sistema, a predominância é de areia média (FUNDAÇÃO COPPETEC, 2015; 
MASTERPLAN, 2013 apud SANTOS, 2017).
Cabe destacar que a qualidade das águas desses rios afeta de forma signi-
ficativa as águas do sistema lagunar. O Sistema Lagunar de Jacarepaguá recebe 
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um aporte hídrico significativo de diferentes rios (Figura 3), os quais deságuam 
nas lagoas pertencentes ao sistema.
 Figura 3 - Bacia Hidrográfica do Sistema Lagunar de Jacarepaguá.
Fonte: INEA (2018).
De acordo com Almeida et al. (1998 apud Castiglia e Barbosa, 2008) a maré 
e as vazões afluentes dos rios são as principais forçantes para a ocorrência da 
circulação hidrodinâmica do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, que é controlada 
efetivamente por três canais, isto é, a partir do mar, a maré se propaga pelo Canal 
da Joatinga até atingir um conjunto de canais e ilhas, que determina o início da 
Lagoa da Tijuca, e dessa deriva-se o Canal de Marapendi. Este canal é encarre-
gado pela ligação da Lagoa de Marapendi ao restante do sistema e a noroeste 
também se deriva outro canal, a Lagoa de Camorim, responsável pela união com 
a Lagoa de Jacarepaguá. Esses canais são causadores da grande resistência às 
correntes de enchente e vazante da maré e por esse motivo determinam como 
se dará as trocas entre o mar e as bacias interiores.
30
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Usos e ocupação das margens
Os ambientes costeiros brasileiros estão vivenciando grandes transfor-
mações, pois seus espaços naturais estão sendo desenfreadamente reduzidos 
para o aumento de áreas urbanas (PIMENTA et al., 2003 apud SANTOS, 2014).
A região do Sistema Lagunar de Jacarepaguá passou por um processo 
acentuado de ocupação urbana durante a década de 70 e segue crescendo até 
os dias atuais, o que prejudica os corpos hídricos da região, devido ao cresci-
mento desenfreado, especialmente na ocupação irregular das margens (SANTOS, 
2014). De acordo com Santos (2014) o aumento da urbanização de forma desor-
denada, em conjunto com a falta de saneamento básico, que não acompanha o 
crescimento populacional, prejudica a qualidade da água dos corpos hídricos, 
além de causar instabilidade dentro da bacia hidrográfica em que o sistema 
lagunar está inserido, pois altera de forma significativa todo o ciclo hidrológico. 
Além disso, segundo Tucci et al. (2003 apud Santos, 2014) devido à concentração 
urbana, vários conflitos e problemáticas são geradas no ambiente do sistema 
lagunar, como a degradação ambiental dos mananciais, o aumento do risco das 
áreas de abastecimento com a poluição orgânica e química, a contaminação dos 
rios tributários e do sistema lagunar por efeito do despejo de esgotos doméstico, 
industrial e pluvial, a geração de enchentes urbanas em função do gerenciamento 
inadequado da drenagem urbana, além da falta de um sistema de coleta e dis-
posição de resíduos sólidos urbanos.
A ocupação das margens  do Sistema Lagunar de Jacarepaguá está influen-
ciando o sistema lagunar como um todo, pois com a evolução da urbanização 
na região, alguns processos foram intensificados, como a inserção de aterros e 
os desmatamentos existentes, o despejo de dejetos e rejeitos industriais, além 
dos resíduos sólidos e do aumento da carga poluidora advinda do esgotamento 
sanitário, causando prejuízos no Sistema de Lagoas de Jacarepaguá, como asso-
reamento, mudança na cor da água acarretando a presença de odor, eutrofização, 
mortandade de peixes e enchentes (PIMENTA, et al., 2003 apud SANTOS, 2014).
Na Figura 4, é salientado que o uso e ocupação do solo predominante ao 
redor do Sistema Lagunar de Jacarepaguá é de cobertura arbórea e arbustiva, além 
de possuir uma grande cobertura de áreas residenciais e construções em geral, 
evidenciando a presença exacerbada de áreas urbanizadas ao redor das lagoas.
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Figura 4 - Classes de Uso e Ocupação do Solo.
Fonte: Baptista e Deus (2022).
Usos e demandas das águas
Segundo Souza e Azevedo (2020) foi informado pelo Subcomitê do Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá que as águas do sistema lagunar são utilizadas para 
navegação, pesca, recreação e lançamentos de efluentes, dentre eles efluente 
domiciliar, industrial, resíduos sólidos da construção civil e até mesmo hospitalares. 
Essas informações foram obtidas através do coordenador do subcomitê, Sr. Marcos 
Sant’Anna Lacerda, que atua há 18 anos em atividades para o sistema lagunar. 
No Rio de Janeiro, 90,9% dos dejetos são lançados por rede geral de esgo-
tos ou pluvial e 4% por fossa séptica, totalizando 94,9%. Contudo, na Barra da 
Tijuca apenas 88,9% dos domicílios possuem esgotamento sanitário considerado 
adequado (IPP, 2016 apud PELLEGRINI, 2016).
Entre 2000 e 2010 ocorreu um aumento de 73% no esgotamento inadequado 
(fossa rudimentar, vala, rio, lago ou mar) na Barra da Tijuca, contribuindo para a 
poluição do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (PELLEGRINI, 2016).
Em contrapartida, ao observarmos os dados do Sistema Nacional de 
Informações sobre Saneamento – SNIS (2023), o município do Rio de Janeiro 
32
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
possui um índice de coleta de esgoto de 94,29%. Do esgoto coletado, 90,30% 
possuem tratamento. 
Até a década de 70, a pesca lagunar comercial e de lazer era fortemente 
realizada, mas atualmente acontece apenas como atividade de lazer, pois o 
aumento desordenado da degradação ambiental das lagoas ocasionou a redu-
ção da atividade pesqueira na região. Como supracitado, as lagoas também são 
utilizadas como meio de transporte, especialmente por condomínios separados 
da praia pelo Canal ou Lagoa de Marapendi, que possuem serviços de balsa 
para o transporte dos moradores à praia. Na Lagoa da Tijuca, os moradores das 
ilhas existentes contam com uma atividade local de translado para chegarem às 
margens das lagoas (MASTERPLAN, 2013 apud AMORIM, 2015).
Ainda de acordo com Masterplan (2013 apud Amorim, 2015) existe uma lei 
municipal que visa regularizar o transporte de passageiros através do sistema 
lagunar, com o intuito de desenvolver o transporte hidroviário da região. Entre-
tanto, em consequência do assoreamento das lagoas, a locomoção aquaviária 
é bastante limitada.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Levantamento dos principais estudos realizados no sistema Lagunar de 
Jacarepaguá
Santos (2014) realizou um estudo que objetivou analisar as controvérsias 
entre o crescimento da população ao redor do Sistema Lagunar de Jacarepaguá 
(SLJ) e o desenvolvimento de infraestruturas urbanas de água e esgoto. Para 
fundamentar o estudo, foi feita uma análise sobre o enriquecimento do teor de 
nutrientes das lagoas pertencentes ao SLJ, denominado eutrofização. A autora 
indica que o principal resultado desse fenômeno é a floração de algas tóxicas, 
nocivas à qualidade ambiental das lagoas, impactando diretamente em seus 
usos múltiplos. Além disso, Santos (2014) aponta que as lagoas costeiras são 
mais vulneráveis à eutrofização, devido às suas características de elevados tem-
pos de residência, pois tendem a acumular sedimentos e substâncias químicas 
que nelas desaguam.
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Santos (2014) indicou que a principal causa da eutrofização no SLJ é 
o lançamento de esgotos domésticos e industriais em quantidade superior a 
capacidade de depuração das lagoas. Para fundamentar o estudo, a autora rea-
lizou uma avaliação do estado trófico do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Além 
disso, foi analisado a partir de dados de qualidade da água os impactos sofridos, 
advindosda falta de estrutura sanitária adequada, e a situação atual do SLJ após 
as obras de saneamento e infraestrutura recentes sobre o ambiente em análise.
O trabalho de Santos (2014) analisou alguns parâmetros de qualidade da água 
que são relevantes para a caracterização do processo de eutrofização. Os parâ-
metros avaliados foram fósforo, nitrogênio, clorofila-a, oxigênio dissolvido (OD), 
demanda bioquímica de oxigênio (DBO), grupo coliforme e fitoplâncton, sendo 
que os dados foram cedidos pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), dentro 
do período de 1980 a 2014 para o trabalho da autora.
Como resultado de sua pesquisa, Santos (2014) identificou que, em geral, 
houve um agravamento na concentração de nutrientes e de clorofila-a nas 
lagoas, indicando uma intensificação do processo de eutrofização ao longo do 
período em estudo. Além disso, no estudo de Santos (2014) utilizou-se o IET de 
Carlson (1977), adaptado por Toledo Jr. et al. (1984) e mais tarde por Lamparelli 
(2004). Através de seu uso, foi obtido como conclusão de que houve uma piora 
na condição trófica do SLJ, em todo o período analisado, e que até o momento 
final do estudo a situação manteve-se em um estado de hipertrofia, isso é, corpos 
hídricos afetados significativamente pelas elevadas concentrações de matéria 
orgânica e nutrientes, que podem prejudicar gravemente os usos no sistema 
lagunar, causando até mesmo episódios de mortandade de peixes.
Com relação às análises de Santos (2014) dos parâmetros físico-químicos, 
os teores de oxigênio dissolvido apontaram variações desde 0 mg/L, retratando um 
meio anóxico, até valores bem superiores a 10 mg/L, caracterizando um ambiente 
de supersaturação, consequência do crescimento excessivo de algas, revelado 
pela correlação entre o OD e a clorofila-a, correspondendo a uma situação típica 
de ambientes hipereutróficos. No que se refere aos nutrientes, esses apresen-
taram tendência de crescimento, com valores de nitrogênio inorgânico críticos 
nos períodos recentes. Já a DBO registrou uma tendência cíclica e acerca dos 
coliformes termotolerantes, os anos mais recentes do estudo indicam crescimento, 
evidenciando o lançamento de despejos domésticos nas lagoas.  
34
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Ainda segundo Santos (2014), no que concerne a algumas intervenções 
recentes realizadas no SLJ, especialmente o emissário submarino em 2007, a 
Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em 2009 e a Unidade de Tratamento 
de Rios (UTR) Arroio Fundo em 2010, esses foram benéficos especialmente para 
as Lagoas de Marapendi, Tijuca e Camorim, causando melhoria temporária em 
sua qualidade de água. A autora ressaltou que as lagoas de Marapendi e Tijuca 
são as subunidades menos interioranas do SLJ e possuem comunicação direta 
com o Canal da Joatinga, facilitando a renovação de suas águas. Entretanto, pouco 
tempo depois das intervenções, foram registradas tendências ascendentes e de 
estagnação dos parâmetros de DBO e coliformes termotolerantes, sendo esses 
os principais indicadores de contaminação por esgoto doméstico.
Outro estudo a destacar é o realizado por Rebelo (2016), o qual utilizou 
dados que fazem parte de uma rede de monitoramento sistemático dos parâme-
tros físicos, químicos e biológicos da qualidade da água e do sedimento naquela 
região. Existem quinze lagoas que são contempladas nessa rede de monitoramento, 
sendo que quatro fazem parte do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, totalizando 
oito estações de amostragem distribuídas dentro do SLJ. 
O trabalho de Rebelo (2016) selecionou os dados que compreendem o 
período de 2001 a 2015 para avaliação de 21 parâmetros de monitoramento da 
água, levando em consideração características de biomagnificação, bioacu-
mulação, toxicidade, indicação de aporte de esgoto e da presença de aspectos 
microbiológicos. A autora ressaltou que alguns parâmetros possuem falhas de 
amostragens em alguns anos e em geral, os anos com maior número de análises 
dos parâmetros abordados no estudo realizado por Rebelo (2016) foram: 2004, 
2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, demonstrando que não há uma periodicidade fixa 
no monitoramento da maioria dos parâmetros, o que para a autora foi prejudicial, 
pois dificultou a análise histórica da qualidade da água de cada lagoa do sistema. 
A Figura 5 é um comparativo feito por Rebelo (2016) para indicar os 
resultados das análises dos parâmetros em cada lagoa, sendo o termo “pior” 
utilizado pela autora para indicar a lagoa com média de concentração e concen-
tração mais alta, no caso de o limite estabelecido ser máximo, e a de média ou 
concentração mais baixa, no caso de o limite ser mínimo. Como não houve limite 
estipulado, conforme é o caso dos parâmetros DBO, nitrogênio, sólidos totais, 
turbidez e cianotoxinas/microcistinas, o “pior” foi utilizado pela autora para as 
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lagoas com maior média ou concentração em relação às outras, onde ela ressalta 
que esses parâmetros são indicativos de aporte de esgoto e toxicidade. A autora 
menciona ainda que o símbolo “ * “ indica que não houve análise do parâmetro 
no período e o termo “nenhuma” indica que todas apresentaram o mesmo valor 
e este é inferior ao limite estabelecido. Cabe destacar que na figura 5, “TJ” indica 
Lagoa da Tijuca, “MR” indica Lagoa Marapendi, “JC” indica Lagoa Jacarepaguá 
e “CM” Lagoa Camorim.
Figura 5 - Lagoas avaliadas com os piores resultados encontrados.
Fonte: Rebelo (2016).
O estudo de Rebelo (2016) indicou que, conforme os resultados apresen-
tados na Figura 5, com relação à qualidade da água das lagoas, a Lagoa de Jaca-
repaguá e a Lagoa da Tijuca apresentaram os piores índices de qualidade, mais 
repetidamente do que as outras duas lagoas, indicando que são as mais afetadas 
do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, sendo a Lagoa da Tijuca a mais impactada, 
considerando o número de vezes que aparece na figura 5. O estudo evidenciou 
que a Lagoa da Tijuca se sobressaiu nas concentrações de metais e coliformes 
termotolerantes, enquanto a de Jacarepaguá se fez presente nos físico-químicos 
e cianotoxinas/microcistinas. A menos afetada, foi a Lagoa de Camorim.
36
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
Com relação a biota, Oliveira e Oliveira (2018) realizaram um estudo para 
avaliar a qualidade da água da Lagoa de Jacarepaguá e Lagoa de Camorim, que é 
a ligação entre as lagoas de Jacarepaguá e Tijuca. A avaliação da qualidade hídrica 
das lagoas foi realizada através de ensaios ecotoxicológicos do tipo agudo, onde 
as autoras seguiram a norma da ABNT-NBR 15088, utilizando como organismo 
bioindicador o peixe Danio rerio, que possuíam tamanhos aproximados de 1 a 3 
cm, sendo eles peixes adultos. Estes organismos foram expostos à amostra por 
48 horas. Os parâmetros analisados pelas autoras durante os ensaios foram pH 
e oxigênio dissolvido, nos tempos amostrais de 0h, 24h e 48h.
Oliveira e Oliveira (2018) realizaram amostragens para determinar as 
concentrações de oxigênio dissolvido (OD) obtidas durante os ensaios ecotoxi-
cológicos. Na amostra do mês de setembro para a lagoa de Camorim (B), nos 
tempos amostrais de 0h e 48h, as concentrações de OD foram iguais a 2 mg/L 
e 3 mg/L, respectivamente. As autoras ressaltaram que esses valores estão fora 
da faixa determinada pela ABNT 15088 para considerar o teste válido, contudo 
não houve mortalidade dos organismos-teste. Nos demais tempos amostrais, as 
concentrações variaram de 8 mg/L a 4 mg/L, faixa recomendada pela ABNT 15088.
De acordo com Oliveira e Oliveira (2018) nos ensaios ecotoxicológicos rea-
lizados não foram verificadas letalidade dos organismos-teste, Danio rerio, dessa 
forma, a unidade de toxicidade de ambos é igual a UT = 1. As autoras mencionam 
que esse resultado sugere que as amostras de água das lagoas de Jacarepaguá e 
Camorim não apresentam poluentes químicos ou orgânicos que possam causar 
um efeito nocivo agudo sobre a biota, entretanto, salientama importância sobre 
a continuidade de monitoramento nas lagoas, com o intuito de verificar cons-
tantemente os impactos dos poluentes no crescimento e na reprodução da biota 
aquática, prevenindo a mortandade dos peixes, a pesca local e a saúde pública. 
Outro estudo de grande relevância realizado na região do Sistema Lagunar 
de Jacarepaguá sobre a qualidade da água das lagoas, foi o trabalho de Corrêa 
(2023). Este objetivou analisar alguns parâmetros nas lagoas através do uso do 
Índice de Qualidade das Águas dos Rios e Índice de Conformidade das Lagoas 
do Sistema Lagunar de Jacarepaguá.
Corrêa (2023) avaliou e discutiu os seguintes parâmetros do modelo IQAnsf 
(Índice de Qualidade da Água - National Sanitation Foundation): oxigênio dissol-
vido, coliformes termotolerantes, Demanda Bioquímica de Oxigênio, pH, nitrato, 
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fósforo total, temperatura, turbidez e sólidos totais. Os parâmetros do Índice de 
Conformidade foram: coliformes fecais, oxigênio dissolvido, fósforo total, nitrato e 
nitrogênio amoniacal. Os resultados foram apresentados pela autora em gráficos 
com a média dos valores das amostragens realizadas no período de 2014 a 2018.
O estudo realizado por Corrêa (2023) indicou que a lagoa de Jacarepaguá 
em todos os anos analisados possui quantidades elevadas de coliformes nas suas 
águas, ultrapassando os limites estabelecidos pela linha da Resolução CONAMA 
n° 357/2005 que é de 2500 NMP.100mL-1.
Além disso, Corrêa (2023) também apresentou dados de oxigênio dissol-
vido (OD) reduzidos nas lagoas da Tijuca e Jacarepaguá. Em relação a lagoa de 
Jacarepaguá, durante o período analisado pela autora, o ano de 2018 foi o que 
apresentou a menor concentração de oxigênio dissolvido, abaixo de 4 mg/L. 
Segundo Clark e Fritz (1997 apud Corrêa, 2023) a baixa concentração de oxigênio 
está associada especialmente ao seu consumo para a degradação da matéria 
orgânica presente nesses ambientes. Além disso, Corrêa (2023) ressaltou que a 
Lagoa da Tijuca permaneceu dentro dos limites aceitáveis de OD (Figura 16) e 
indicou que esse contexto pode ter ocorrido devido à intrusão de água do mar 
através do canal da Joatinga, que revolve o ambiente oxigenando-o.
A autora indica que os resultados demonstram constante entrada de esgoto 
doméstico in natura na lagoa de Marapendi, sendo maior que em todas as outras 
lagoas, especialmente em 2018. Ela ressalta que isso não deveria ocorrer, pois ao 
redor de Marapendi, existem bairros com construções regulares e poder aquisitivo 
elevado, no qual há uma maior porcentagem de rede de coleta de esgoto.
Conforme Corrêa (2023) é nítida as consequências antrópicas no Sistema 
Lagunar de Jacarepaguá e a intervenção direta das bacias de drenagem sobre a 
qualidade das lagoas, que são os corpos receptores, pois a poluição e o despejo 
de esgotos domésticos e industriais sem tratamento prévio nas bacias de drena-
gem, refletem significativamente na qualidade das águas do SLJ. 
Cabe destacar que é essencial monitorar os parâmetros hidroquímicos, 
pois eles indicam a qualidade das águas, além disso com os parâmetros que 
ultrapassam os limites estabelecidos, é possível analisar as consequências da 
poluição e quais os impactos sofridos por cada corpo hídrico, conseguindo enten-
der quais medidas são necessárias para recuperar e tornar estes ambientes os 
mais próximos do que um dia foram, antes das ações antrópicas. 3
38
Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente trabalho descreveu os principais resultados dos estudos reali-
zados no Sistema Lagunar de Jacarepaguá, identificando uma série de problemas 
relacionados às suas condições hidroquímicas, tendo como principal agravante 
de sua qualidade, o despejo de esgoto in natura, evidenciando o descaso com 
os corpos lagunares, especialmente por possuírem significativa relevância para 
o município do Rio de Janeiro. Além disso, a alteração na qualidade da água do 
sistema lagunar pode afetar a saúde da população do entorno e é altamente 
prejudicial para o meio ambiente.
Em síntese, é possível observar que os impactos na qualidade da água 
são ampliados devido ao aumento desenfreado da urbanização ao redor do sis-
tema lagunar e da bacia hidrográfica como um todo, em conjunto com a falta de 
saneamento básico adequado. O despejo de efluentes ocorre em toda a bacia 
hidrográfica, tendo seu deságue diretamente nas lagoas, de forma a promover 
nestas o aumento dos teores de coliformes e do potencial de eutrofização, jun-
tamente com a redução do oxigênio dissolvido.  
Dessa forma, a remediação do sistema lagunar torna-se prioridade, sendo 
indicada a implementação de ações de recuperação ambiental, através de méto-
dos preventivos e corretivos. De acordo com Von Sperling (1996) as medidas 
preventivas auxiliam na prevenção da entrada de contaminantes, enquanto as 
medidas corretivas são focadas em ações a serem realizadas diretamente no 
interior do corpo hídrico, recuperando a poluição interna.
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