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Ciências e Tecnologia das Tópicos Atuais em Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Reinaldo Pacheco dos Santos Walmir Fernandes Pereira (Orgs.) Águas científica digital VOL. 2 E- BO O K A C ES SO L IV RE O N L IN E - IM PR ES SÃ O P RO IB ID A 2 0 2 4 Edição © 2024 Editora Científica Digital Texto © 2024 Os Autores 1a Edição - 2024 Acesso Livre - Open Access Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) T674 Tópicos atuais em ciências e tecnologia das águas / Organização de Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco, Reinaldo Pacheco dos Santos, Walmir Fernandes Pereira. – Guarujá-SP: Científica Digital, 2024. Formato: PDF Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader Modo de acesso: World Wide Web Inclui Bibliografia ISBN 978-65-5360-669-2 DOI 10.37885/978-65-5360-669-2 1. Recursos hídricos. I. Pacheco, Clecia Simone Gonçalves Rosa (Organizadora). II. Santos, Reinaldo Pacheco dos (Organizador). III. Pereira, Walmir Fernandes. IV. Título. CDD 333.91 Elaborado por Janaína Ramos – CRB-8/9166 Índice para catálogo sistemático: I. Recursos hídricos © COPYRIGHT DIREITOS RESERVADOS. A editora detém os direitos autorais pela edição e projeto gráfico. Os autores detêm os direitos autorais dos seus respectivos textos. Esta obra foi licenciada com uma Licença de Atribuição Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional, permitindo o download e compartilhamento integral ou em partes, desde que seja citada a fonte, com os créditos atribuídos aos autores e obrigatoriamente no formato Acesso Livre (Open Access) e sem a possibilidade de alteração de nenhuma forma. É proibida a catalogação em plataformas com acesso restrito e/ou com fins comerciais. EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA Guarujá - São Paulo - Brasil www.editoracientifica.com.br - contato@editoracientifica.com.br Diagramação e Arte Equipe Editorial Imagens da Capa Adobe Stock - 2024 Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Reinaldo Pacheco dos Santos Walmir Fernandes Pereira (Orgs.) Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas 2024 - GUARUJÁ - SP 1ª EDIÇÃO científica digital Parecer e revisão por pares Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial e Revisados por Pares Externos (Peer Review), sendo indicados para publicação. Nota: Esta obra é uma produção colaborativa, tornando-se uma coletânea com reservas de direitos autorais para os autores. Alguns capítulos podem ser derivados de outros trabalhos já apresentados em eventos acadêmicos, todavia, os autores foram instruídos ao cuidado com o autoplágio. A responsabilidade pelo conteúdo de cada capítulo é exclusiva dos/as respectivos/as autores/ as, não representando, necessariamente, a opinião da editora, tampouco dos organizadores e membros do conselho editorial. Acesse a lista completa dos Membros do Conselho Editorial em www.editoracientifica.com.br/conselho CONSELHO EDITORIAL Prof. Dr. André Cutrim Carvalho Prof. Dr. Antônio Marcos Mota Miranda Profª. Ma. Auristela Correa Castro Prof. Dr. Carlos Alberto Martins Cordeiro Prof. Dr. Carlos Alexandre Oelke Profª. Dra. Caroline Nóbrega de Almeida Profª. Dra. Clara Mockdece Neves Profª. Dra. Claudia Maria Rinhel-Silva Profª. Dra. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Prof. Dr. Cristiano Marins Profª. Dra. Cristina Berger Fadel Prof. Dr. Daniel Luciano Gevehr Prof. Dr. Diogo da Silva Cardoso Prof. Dr. Ernane Rosa Martins Prof. Dr. Everaldo dos Santos Mendes Prof. Dr. Fabricio Gomes Gonçalves Profª. Dra. Fernanda Rezende Prof. Dr. Flávio Aparecido de Almeida Profª. Dra. Francine Náthalie Ferraresi Queluz Profª. Dra. Geuciane Felipe Guerim Fernandes Prof. Dr. Humberto Costa Prof. Dr. Joachin Melo Azevedo Neto Prof. Dr. Jónata Ferreira de Moura Prof. Dr. José Aderval Aragão Prof. Me. Julianno Pizzano Ayoub Prof. Dr. Leonardo Augusto Couto Finelli Prof. Dr. Luiz Gonzaga Lapa Junior Prof. Me. Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva Profª. Dra. Maria Cristina Zago Profª. Dra. Maria Otília Zangão Prof. Dr. Mário Henrique Gomes Prof. Dr. Nelson J. Almeida Prof. Dr. Octávio Barbosa Neto Prof. Dr. Pedro Afonso Cortez Prof. Dr. Reinaldo Pacheco dos Santos Prof. Dr. Rogério de Melo Grillo Profª. Dra. Rosenery Pimentel Nascimento Prof. Dr. Rossano Sartori Dal Molin Prof. Me. Silvio Almeida Junior Profª. Dra. Thays Zigante Furlan Ribeiro Prof. Dr. Wescley Viana Evangelista Prof. Dr. Willian Carboni Viana Prof. Dr. Willian Douglas Guilherme APRESENTAÇÃO Esta obra constituiu-se a partir de um processo colaborativo entre professores, estudantes e pesquisadores que se destacaram e qualificaram as discussões neste espaço formativo. Resulta, também, de movimentos interinstitucionais e de ações de incentivo à pesquisa que congregam pesquisadores das mais diversas áreas do conhecimento e de diferentes Instituições de Educação Superior públicas e privadas de abrangência nacional e internacional. Tem como objetivo integrar ações interinstitucionais nacionais e internacionais com redes de pesquisa que tenham a finalidade de fomentar a formação continuada dos profissionais da educação, por meio da produção e socialização de conheci- mentos das diversas áreas do Saberes. Agradecemos aos autores pelo empenho, disponibilidade e dedicação para o desenvolvimento e conclusão dessa obra. Esperamos também que esta obra sirva de instrumento didático-pedagógico para estudantes, professores dos diversos níveis de ensino em seus trabalhos e demais interessados pela temática. Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco Reinaldo Pacheco dos Santos Walmir Fernandes Pereira SUMÁRIO Capítulo 01 ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A NO RESERVATÓRIO ARROIO CHASQUEIRO: DINÂMICA DE IRRIGAÇÃO E SAZONALIDADE Laura Martins Bueno; Eduardo Luceiro Santana; Ottoni Marques Moura de Leon; Felipe de Lucia Lobo ' 10.37885/241118161.......................................................................................................................................... 8 Capítulo 02 DIAGNÓSTICO DO SISTEMA LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ (RJ): ANÁLISE DAS PROBLEMÁTICAS AMBIENTAIS NO ECOSSISTEMA Emanuele Koschier Pinto; Anna Nachtigall da Cruz; Idel Cristiana Bigliardi Milani ' 10.37885/241018022 ...................................................................................................................................... 21 Capítulo 03 EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE SEDIMENTO Kamilla da Silva Martins Pitana; Idel Cristiana Bigliardi Milani ' 10.37885/241018020......................................................................................................................................42 Capítulo 04 LEVANTAMENTO DA GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO MUNICÍPIO DE PELOTAS/ RS: ANÁLISE DE PROJETOS EXISTENTES E PROPOSIÇÃO DE MELHORIAS Anna Nachtigall da Cruz; Emanuele Koschier Pinto; Idel Cristiana Bigliardi Milani; Reginaldo Galski Bonczynski ' 10.37885/241018021 .......................................................................................................................................60 Capítulo 05 MÉTODOS DE ESTUDOS GEOQUÍMICOS PARA MONITORAMENTO AMBIENTAL DE SEDIMENTO DE CORPOS HÍDRICOS Hênio do Nascimento Melo Júnior; Hênio Vitor Sobral Melo; Francisco José de Paula Filho; Raimundo Nonato Pereira Teixeira ' 10.37885/240917650 .....................................................................................................................................80 Capítulo 06 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DESORDENADA E SEUS IMPACTOS NO AÇUDE DO GRAVATÁ, SERRINHA/BA Jackeline Lisboa Araújo Santos; Juliana Araújo Santos; Maria Auxiliadora Freitas dos Santos ' 10.37885/240817578 ....................................................................................................................................102 Capítulo 07 QUALIDADE DA ÁGUA NA LARVICULTURA COMERCIAL DO CAMARÃO DE ÁGUA DOCE MACROBRACHIUM AMAZONICUM (HELLER, 1862) Elias Fernandes de Medeiros Junior ' 10.37885/241118146 .......................................................................................................................................por tipo de infraestrutura (lixo, esgoto e água), segundo a Região Administrativa XXIV Barra da Tijuca - 1991/ 2000/2010. (Armazém de 107 Dados/ Domicílios Particulares Permanentes, por tipo de infraestrutura, segundo a Região Administrativa XXIV Barra da Tijuca). 2016. KJERFVE, B. Coastal Lagoons Processes. In: KJERFVE, B. (Ed.). Coastal Lagoons Processes, Berlin: Elsevier Oceanography Series, 1994. p. 1-8. LAMPARELLI, M. C., 2004. Grau de Trofia em corpos d´água do Estado de São Paulo: Avaliação dos métodos de Monitoramento. Grau de Trofia em corpos d´água do Estado de São Paulo: Avaliação dos métodos de Monitoramento. Tese de D. Sc., Universidade de São Paulo. São Paulo,SP, Brasil. MASTERPLAN, 2013. Relatório Ambiental Simplificado das Obras de Recuperação Ambiental do Complexo Lagunar de Jacarepaguá. Consultoria de 84 Projetos de Meio Ambiente. Rio de Janeiro, Capítulo 3 – Diagnóstico Ambiental da Área de Influência. 450 p. 40 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas NELSON, R. A. R. R. Da importância dos recursos hídricos e a organização administrativa para sua proteção. 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Esse processo se intensifica com o desmatamento, a erosão, contribuindo para que o material em suspensão seja depositado no fundo dos corpos hídricos. Para tanto, faz-se necessário amostrar sedimentos suspensos ou depositados nos mananciais hídri- cos de forma adequada. Para tanto, o presente estudo teve como objetivo realizar um levantamento dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos a serem utilizados em ambientes hídricos. Além disso, descreveu suas principais características, de forma que o leitor possa compará-los em termos de aplicação e relação custo-benefício. O estudo foi desenvolvido através de um levantamento de informações relativas a equipamentos de amostragem de sedimentos dispo- nibilizadas em sites institucionais, artigos científicos e outros. A busca permitiu identificar diferentes equipamentos utilizados para amostragem de sedimentos suspensos e de fundo utilizados tanto em águas rasas como em águas profun- das. Foi possível identificar uma diversidade de equipamentos utilizados em amostragem de sedimentos e suas características de acordo com as diferentes demandas de amostragem. Verifica-se a importância de conhecer e comparar os diferentes equipamentos antes de definir o mais adequado a ser utilizado no estudo a ser desenvolvido. De acordo com estudos e levantamentos verificou-se a carência de informações e acessibilidade para encontrar o detalhamento dos equipamentos de amostragem de sedimentos para ambientes hídricos no Brasil. Palavras-chave: amostradores de sedimentos; sedimento em suspensão; testemunhos sedimentares. 44 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas INTRODUÇÃO A crescente interação do homem com o meio ambiente promoveu um significativo aumento dos impactos pela decorrência das atividades antrópicas, sendo assim, os recursos hídricos no continente são um dos recursos que recebem essas influências sendo uma delas o transporte de sedimentos. Esse processo acontece de forma acentuada por ações de desmatamento, erosão e manejo ina- dequado na agricultura, o qual contribui para que o material em suspensão seja depositado nos rios ou até que seja transportado ao oceano (DORNELLES, 2009). Os sedimentos são compostos por um conjunto de partículas de diversas fontes, que se acumulam de forma natural ou por influência antropogênica ao longo do tempo. Esse processo acontece por partículas de mineral ou soluto de forma natural, ou também em forma de agregado ou depósito (FELIX; HORN FILHO, 2020). Freitas (2014) indica que os sedimentos são classificados em duas categorias principais sendo elas: arraste e dissolvida, além de serem identifica- dos quanto ao seu tipo de carga, como dissolvida, em suspensão e do leito. Para entender adequadamente esse processo, é importante compreender diferentes áreas que a sedimentologia se interliga como geografia, geologia, oceanografia, engenharias, agronomia e biologia (FELIX; HORN FILHO, 2020). O geólogo norte americano Grove Karl Gilbert (1843-1918) foi um pesqui- sador nados processos de transporte e deposição de sedimentos, além de ter estudos focados em diferentes ambientes fluviais e lacustres (ANDERSON, 2018). Outro pesquisador importante foi William Morris Davis (1850-1934), que atuava como professor em Harvard e ganhou notoriedade por sua teoria sobre os ciclos erosivos, além de entender como os sedimentos são transportados e depositados através da água (DAVIS, 2024). No Brasil, apenas no início do século passado a hidrometria começou a ter mais estrutura, o qual teve evolução na metodologia operacional, aos equipamentos e observações, além do número de seções de monitoramentos aumentarem (DORNELLES, 2009). Os avanços tecnológicos nas diversas áreas da sedimentologia podem ser associados às crescentes ações antrópicas e às mudanças climáticas. O estudo realizado por Ferrigo et al. (2014) detalha e define esse processo de planejamento e gerenciamento de bacias hidrográficas ao interior do continente. Lacerda (2010), 45 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br por sua vez, aborda o potencial erosivo na linha de costa brasileira, devido a acontecimentos climáticos no processo dinâmico e funcionamento no ambiente. Cabe destacar que sedimentos podem ser classificados em sedimentos suspensos nos corpos hídricos ou de fundo, podendo estes estarem presentes em corpos hídricos rasos ou profundos. Os sedimentos em suspensão que estão presentes nos rios, lagos e mares são provenientes de minerais e orgânicos, além de sua composição está associada a partículas de areia, silte e argila e de processos erosivos (BORTOLUZZI; POLETO, 2006). As metodologias para análise de sedimentos em suspensão estão em constante desenvolvimento por técnicas com maior precisão, menor custo e monitoramentos contínuos seguros (DORNELLES, 2009). Queiroz et al. (2011) define sedimentos de fundo com característica de areia fina e média, além de silte-argila sua característica, que se deposita ao fundo do leito hídrico. Os autores ressaltam que a granulometria do sedimento de fundo se caracteriza como uniforme e arredondada, sendo indicativo de transporte e tempo. É imprescindível conhecer as características físicas, químicas e biológi- cas dos sedimentos suspensos ou depositados nos fundos dos corpos hídricos, como forma a avaliar impactos naturais ou antropogênicos e assim fazer a gestão correta do ecossistema. Para identificação desses impactos é necessário conhecer a diversidade de equipamentos amostradores hidrossedimentológicos, pois de acordo com Vestena et al. (2007) para um bom entendimento da dinâmica do sedimento em suspensão com amostras de pontos com períodos longos há uma dificuldade em estimar a produção de sedimento de uma bacia ou por outro evento climatológico. Brandão et al. (2011) ressalta a importância de uma amostragem representativa, a definição de qual equipamento deve ser utilizado como forma a coletar com representatividade a amostra de sedimento, levando em consideração as dife- rentes características do sedimento, volume e eficiência, contribuindo de forma significativa para um estudo qualificado e representativo. Os amostradores de sedimentos para serem utilizados em águas mais rasas, ou seja, águas situadas geralmente no interior do continente como rios, lagos, açudes são bastante diversos no mercado brasileiro, além de possuírem fácil utilização e custo mais baixo quando comparados aos amostradores a serem utilizados em água mais profundas, como no caso de águas litorâneas ou 46 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas oceânicas. Os equipamentos amostradores de sedimentos em águas profundas necessitam de profissionais mais qualificados e aptos ao manuseio, além de possuí- rem custos mais elevados, demandar uma maior logística amostral e possuir menor diversidade e disponibilidade tanto no mercado nacional quanto internacional. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo realizar um levantamento dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos a serem utilizados em ambientes hídricos no interior do continente e em ambiente oceânico, tanto para sedimentos suspensos, quanto depositados no fundo de corpos hídricos. Além de descrever suas principais características, de forma que o leitor possa compará-los em termos de aplicação e relação de custo-benefício. MÉTODOS O trabalho consistiu na busca de informações sobre os diferentes equi- pamentos disponibilizados no mercado nacional, que vem sendo utilizados em estudos e pesquisas associados a sedimentos suspensos e de fundo nos diferentes corpos hídricos brasileiros, disponibilizados em diferentes fontes científicas e registrados em base de dados públicos e de livre acesso e em sites de diferentes empresas públicas ou privadas. As principais bases consultadas foram Scielo, Google Acadêmico e Periódico Capes utilizando palavras-chave de busca como “amostradores de sedimentos”, “testemunhos sedimentares”, “sedimentos suspensos”, “processos sedimentares”, “custo de amostradores de sedimentos” e seus termos traduzidos para a língua inglesa. A busca de informações ocorreu de julho a outubro de 2024. Os traba- lhos foram separados de acordo com o enfoque que possuíam, por exemplo, amostradores de águas profundas, amostradores de águas rasas, sedimentos suspensos e sedimentos de fundo. A composição dos trabalhos foi sintetizada e apresentada no presente estudo como forma a compreender o funcionamento dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos e realizar o levan- tamento dos custos financeiros dos mesmos. Essas leituras e sínteses auxiliaram na discussão do presente estudo. Cabe salientar que durante o presente estudo os valores de mercado apre- sentados foram indicados sem identificação das empresas, como forma a não 47 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br comprometer nenhuma instituição ou empresa, indicando apenas uma ordem de grandeza de custos como forma a possibilitar uma análise comparativa. RESULTADOS AMOSTRADORES DE SEDIMENTOS No presente item serão apresentados os principais tipos de amostradores de sedimentos utilizados para amostragem de sedimentos em suspensão e de sedimentos de fundo. Inicialmente serão apresentados alguns amostradores utilizados para coleta de sedimentos suspensos e na sequência serão tratados dos amostradores de sedimento de fundo, sendo discutidos em separado, ini- cialmente os amostradores de sedimentos para serem utilizados em águas mais rasas como as do interior do continente (rios, lagos, açudes, barragens, lagoas, lagunas) e na sequência amostradores para águas mais profundas como de pla- taforma continental e águas oceânicas profundas. Por fim, serão apresentados aspectos financeiros destes equipamentos para que o leitor possa verificar quais equipamentos são adequados para suas demandas. Amostradores de Sedimentos em Suspensão Os equipamentos de sedimentos em suspensão podem ser classificados em diferentes tipos, sendo eles mecânicos, sensores eletrônicos e ópticos. Esses amostradores são considerados com boa precisão e fácil uso, porém, os amostra- dores mecânicos podem ter uma desvantagem que é extração do sedimento de forma incompleta (ANSARI et al., 2020). O mecanismo de amostragem mecânica se caracteriza por sua confiabilidade, além de apresentar uma base sólida e muito utilizada, o qual pode ser conhecido como padrão, porém sua desvantagem está em dados temporais (DORNELLES, 2009). O modelo DH 48 é um clássico amostrador mecânico de sedimentos sus- pensos, sendo caracterizado por ser leve, e realizar a amostragem de integralização na vertical. O amostrador pode ser utilizado em forma de arraste ou manual pelo profissional, além de ser indicado para corpos hídricos com profundidade de até 48 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas 1,5 metros (Medir Comércio e serviços Ltda, 2024, HIDROMEC, 2024). Além disso, os itens que compõem são uma garrafa devidro e um bocal de 1/4” (Figura 1). Figura 1 - Amostrador de sedimentos suspensos modelo DH 48. Fonte: Medir Comercio e serviços Ltda (2024). Outro modelo mecânico tradicionalmente utilizado para amostragem de sedimentos suspensos é o modelo DH 59 (Figura 2) também é do tipo leve, e realiza a amostragem na vertical do corpo hídrico. O equipamento conta com uma garrafa de vidro para coleta, juntamente com três bicos de tamanhos 1/8”, 3/16”, 1/4” e um suporte para instalação de cabo ou guincho, o qual pode ser utilizado de forma “a vau”, ponte ou chata. O mesmo é recomendado para leitos com baixas velocidades de até 1,5 m/s e profundidade de 4,5 metros (Medir Comércio e serviços Ltda., 2024). Figura 2 - Amostrador de sedimentos suspensos modelo DH 59. Fonte: Medir Comércio e serviços Ltda (2024). Loureiro (2008) analisou diferentes equipamentos com métodos ópticos e acústicos, indicando que o seu principal desafio estava associado à calibração e ao número de amostragens representativas, apontando que estes ainda necessitam de um equipamento com técnica tipo mecânico para auxiliar. 49 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Um amostrador de sedimentos suspensos do tipo acústico é o Perfilador Doppler-Acústico de Corrente (ADCP) o qual pode ser visualizado na Figura 3, com o potencial de aferição de alguns parâmetros na água sendo um deles os sedi- mentos em suspensão de forma temporal e espacial (DORNELLES, 2009). O autor ressalta ainda suas limitações em relação a distribuição e ao tamanho da partícula de sedimentos, além de várias calibrações que este equipamento exige. Figura 3 – Equipamento do tipo acústico ADCP. Fonte: Clean Environment Brasil, (2024). Amostradores de Sedimentos de Fundo para Águas Rasas Existem diversos equipamentos de amostragem de sedimentos depositados no fundo dos corpos hídricos, os quais podem estar depositados recentemente ou há um tempo bastante significativo, possuindo características de consolidação e compactação distintas, requerendo equipamentos apropriados a serem definidos de acordo com suas propriedades. Moreira e Boaventura (2003) descrevem a deposição de sedimento de fundo em ambientes aquáticos como um processo de acumulação, reprocessamento e transferência dos elementos, além de estar interligado a biota e aos processos físico-químicos. O modelo Van Veen é um tipo de amostrador que tem em sua estrutura duas mandíbulas para coletar o sedimento com material de aço inoxidável (Figura 4), o qual fica preso por essas duas partes que se fecham e não permite que perca na coluna d’água (HIDROMARES, 2024a). Além disso, esse tipo de amostrador é recomendado para fundos moles ou levemente duro de acordo o autor citado acima. Santos et al. (2019) utilizou em sua operação de amostragem de sedimentos para granulometria do tipo grosseiro como areia e cascalho, além de ressaltar que 50 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas a escolha para uma área de estudo da plataforma continental, Recife e Alagoas foi pela facilidade de uso e operação do equipamento. Figura 4 - Amostrador de sedimentos modelo Van Veen. Fonte: Hidromares (2024a). O amostrador de sedimento Petersen Grab é um equipamento com uma estrutura de duas pás que serve para coletar o sedimento em uma espécie de “concha”, as quais são acionadas para fechar (Figura 5). Além disso, são utiliza- das para coletar sedimentos compactos e rígidos do fundo como areia, marga, cascalho e argila (CAVANAGH et al.,1999). Figura 5 - Amostrador de sedimentos modelo Petersen Grab. Fonte: Cavanagh et al. (1999). O modelo Ponar é uma espécie de draga que tem um par de conchas que ficam abertas para coleta do material, contando com uma tela de malha que pode ser removida posteriormente para a subamostragem em (Figura 6). Além disso, 51 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br este equipamento é recomendado para coleta de matérias de granulação fina a grosseira (CAVANAGH et al., 1999). Figura 6 - Amostrador de sedimentos modelo Ponar Grab. Fonte: Cavanagh et al. (1999). O modelo armadilhas de sedimentos (Trap) é utilizado para mensurar o volume de sedimento no leito por pequena amostra de forma tubular, além de permite o assente das partículas, assim este equipamento pode ser usado em condições hidrodinâmicas turbulentas (Hidromares,2024b). Figura 7 - Amostrador modelo Trap. Fonte: HIDROMARES (2024b). O modelo armadilha multissedimento é utilizado para coletar amostras em lagos, plataformas continentais e com fluxo alto de partículas, além de ter eficiência em amostragem no Ártico, na Antártica, nos trópicos e subtrópicos (HIDROMARES, 2024c). 52 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Figura 8 - Amostrador modelo Multi Sediment Trap. Fonte: Hidromares (2024c). O modelo de amostrador de sedimentos com núcleo manual Wildco pode ser utilizado por mergulhadores, cais ou em pontes, o qual é acionado por uma válvula e seu material é em aço inoxidável (BioWeb, 2024). Ainda o autor, res- salta que é possível utilizar este equipamento em águas rasas o equipamento também (Figura 9). Figura 9 - Amostrador modelo manual de sedimento Wildco. Fonte: BioWeb (2024). CAVANAGH et al. (1999) define o modelo de amostrador Ekman-grab com variação em tamanhos, logo equipamentos de porte maior exigem auxílio de guincho ou guindaste para sua operação. Ainda, o tamanho mais usado é de 15x15 cm, seu material é composto de latão ou aço. O equipamento conta com 53 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br concha/mandíbula que tem uma espécie de gatilho para que o mensageiro seja acionado para que seja reduzida a perda de sedimentos na coleta, além de ser recomendado para coleta de sedimentos macios e de granulação fina, mas para outros tipos de materiais como conchas o ideal é evitar que a mandíbula feche para que seja reduzida a perda de amostra (Figura 10). Figura 10 - Amostrador modelo Ekman-grab. Fonte: CAVANAGH et al. (1999). Amostrador de sedimento tubular de gravidade tipo KAJAK-BRINKHURST funciona do tipo mensageiro e com coleta vertical, com uma válvula acoplada na estrutura para formar um vácuo quando o sedimento é retirado, sendo que essa técnica exige dois profissionais para estabilidade em situações com cor- rentezas e mais profundas (BRANDÃO et al., 2011). Ainda os autores, ressaltam que caso tenha correntezas seja acoplado pesos para evitar que o amostrador fique inclinado (Figura 11). 54 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Figura 11 - Amostrador modelo KAJAK. Fonte: ARATU Tecnologias Ambientais (2024). Amostradores de Sedimentos de Fundo para Águas Profundas Neto (2001) caracteriza em seu estudo as formas de analisar os sedimentos de fundo do oceano, o qual ressaltou a técnica da propagação de ondas acús- ticas. Essa técnica pode ser definida por três tipos principais sendo a sísmica, a sonografia e a batimetria, nas quais os sedimentos são mensurados através da emissão, transmissão e reflexão de acordo com o autor. CUSTO FINANCEIRO DE EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE SEDIMENTOS A tabela 1 apresenta o custo atual de diferentes amostradores de sedimen- tos, sendo estes valores obtidos no segundo semestre de 2024, sendo a busca realizada através de orçamentos solicitados diretamente aos contatos divulgados pelas empresas e pela busca em sites institucionais. 55 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Tabela 1 - Estimativa de custo de aquisição de equipamentos de amostragem de sedimentos. Modelo Custo DH 48 R$7.600,00 DH 59 R$7.900,00 ADCP R$ 281.000,00 ADCP Plataforma Flutuante R$ 330.000,00 ADCP Portátil M9 R$ 510.000,00 ADCP Flowtracker R$ 190.000,00 Van Veen R$ 6.100,00 Draga Petersen R$ 7.800,00 Ponar Grab $ 1.472,90 USD Armadilhas de Sedimentos $ 798.00 USD Wildco $ 1.215.00 USD Ekman- grab $ 2.205, 00 USD Kajak R$ 24.776,90Os valores apresentados na tabela 1 indica alta discrepância, destacando o DH48 e o DH59 com valores mais baixos para aquisição se comparado com os ADCP’s. Isso ocorre devido aos dois primeiros equipamentos necessitarem mais de profissionais que operem, já a tecnologia do ADCP’s corrobora de calibrações e recursos mais elevados economicamente, porém as informações que o software do equipamento dispõe é mais detalhado. Cabe destacar que os valores variam de forma significativa, devido ao fato de suas diferentes características e aplicações distintas, devendo ser comparados criteriosamente de acordo com as diferentes necessidades de quem os for utilizar. DISCUSSÃO Alguns equipamentos de sedimentos em suspensão e de fundo levantados no estudo se caracterizaram como de fácil uso e com valores de aquisição aces- sível para pesquisas ou pequenas empresas da área. A escolha para aquisição vai ser relativa à demanda necessária e ao tipo de amostragem que a coleta e o ambiente necessitam e com os objetivos dos estudos e pesquisas que estiverem sendo realizados. Logo, cabe ao profissional o conhecimento de analisar as variá- veis de campo para o investimento, assim por exemplo, equipamentos como os ADCP’s são indicados para mananciais no interior do continente. 56 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas No entanto, cabe destacar que uso de equipamentos de amostragem pode ser associado a dados advindos de Sistemas de Informações Geográficas (SIGs), unindo dados advindos de satélites como forma a melhor caracterizar os sedi- mentos presentes nos corpos hídricos. Essa alternativa, no Brasil é gratuita e livre acesso para vários bancos de dados, como por exemplo Landsat-8 (MATAVELI, 2021). Portanto, esse recurso de sensoriamento remoto pode ser utilizado como uma alternativa, quando há incerteza na aferição por uso e tipo de equipamento ou complementação de dados. Dornelles (2009) ressalta em seu estudo a importância do desenvolvimento de equipamentos que atendam aos requisitos do mercado como facilidade, baixo custo e disponibilidade para produzir dados confiáveis de forma espacial e temporal. Sousa (2011) ressalta em seu estudo os tipos de equipamentos de instalação e os portáteis, sendo que os portáteis têm vantagens de ser baixo custo e de fácil uso de operação. No entanto, algumas desvantagens devem ser levadas em consideração que é a operação em campo e a análise de dados por um profissional capacitado para interpretar. Portanto, a escolha dos equipamentos deve atender as exigências do projeto, as alternativas devem ser adotadas pelo responsável levando em conta a viabilidade dos passos até os dados. Desta forma, investimentos em aperfeiçoamento em SIG’s é uma ótima alternativa pelas disponibilidades e confiabilidade dos resul- tados, além de auxiliar empresas de consultoria que estão iniciando no mercado. CONCLUSÃO O presente estudo permitiu o levantamento dos principais equipamentos de amostragem de sedimentos a serem utilizados em ambientes hídricos no interior do continente e em ambiente oceânico, tanto para sedimentos suspensos, quanto depositados no fundo de corpos hídricos. Também descreveu as principais características de diversos amostradores de sedimento como forma de o leitor compará-los em termos de aplicação e relação de custo-benefício. Verificou-se que existe uma grande diversidade de equipamentos de amostragem de sedimentos, com diferentes características e custo financeiro. Desta forma é imprescindível avaliar com critério antes de definir qual o mais adequado para atender as demandas e os objetivos a serem atingidos. À medida 57 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br que necessite de monitoramentos, estudos ambientais e outras atividades, os equipamentos devem atender o objetivo da amostragem, além de ter um custo financeiro mais acessível para o projeto, o qual pode ser um ponto negativo se a escolha foi equivocada pelo profissional. Os impactos negativos estão na forma qualitativa e quantitativa de amostragem equivocadas devido ao uso inapropriado do equipamento, além do encarecimento do projeto. Portanto, é necessário que sejam tomadas decisões assertivas na esco- lha dos equipamentos de amostragem de sedimentos, para evitar mensurações errôneas, impactando no âmbito social, econômico e ambiental. REFERÊNCIAS ANDERSON, R. S. Reflexões sobre o legado de Grove Karl Gilbert, 1843–1918. EOS, [s. l.], 2018. Disponível em: https://eos.org/features/reflections-on-the-legacy-of-grove-karl-gilbert-1843-1918. Acesso em: 8 out. 2024. ANSARI, E. et al. 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É notório os avanços tecnológicos para o tratamento dos resíduos, associado a uma atualização das legislações vigentes, porém boa parte dos estados brasileiros possuem índices inadequados, associados ao manejo dos resíduos sólidos. O município de Pelotas (RS) conta com diversas iniciativas que visam o manejo adequado dos resíduos sólidos, as quais vêm surtindo efeito positivo, porém não sendo suficientes para resolver a problemática. O índice ISLU, que é uma ferramenta estatística com o objetivo de mensurar o empenho na gestão da limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos municipais, indica fragilidades no município de Pelotas, principalmente no que concerne à recuperação dos resíduos coletados. Desta forma, o presente estudo tem como objetivo avaliar a situação do município de Pelotas (RS), iden- tificando as condições da disposição de resíduos sólidos, a fim de detectar suas fragilidades e sugerir medidas de melhoria. Por fim, recomenda-se algumas ações para minimizar a problemática dos resíduos sólidos na área de estudo, como a implementação de contêineres para coleta de resíduos recicláveis, o aumento do número de ecopontos e o incentivo às cooperativas de reciclagem. Além disso, é importante promover uma maior interação entre o Sanep, centros de pesquisa e a comunidade local, visando uma gestão integrada e participativa, com foco na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida dos cidadãos pelotenses. Palavras-chave: gestão de resíduos sólidos; reciclagem; sustentabilidade urbana; educação ambiental. 62 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas INTRODUÇÃO Com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é um dos países que mais gera resíduos sólidos. Apesar das legislações e avanços nas tecnologias, boa parte dos resíduos acabam sendo lançados nos esgotos, descartados a céu aberto, ou até mesmo queimados (SZIGETHY e ANTENOR, 2021). A Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), estima no relatório “Panoramados Resíduos Sólidos no Brasil 2023”, que foram gerados 77,1 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos no ano de 2022 no país, equivalente a 211 mil toneladas/dia, gerando cerca de 380 kg/habitante/ano, ou seja, em média 1,04 kg/dia (ABREMA, 2024). A ABREMA também disponibiliza o relatório “Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana 2023”, no qual apresenta dados do ISLU, que é uma ferra- menta estatística com o objetivo de mensurar o empenho na gestão da limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos dos municípios. No relatório, o município de Pelotas (RS) apresenta um índice de 0,666, sendo que o valor máximo é de 1,0 (ABREMA, 2024). A dimensão que mais influenciou negativamente no cálculo do ISLU foi a “recuperação dos resíduos coletados”, que obteve com uma nota extremamente baixa, de 0,016, relacionada aos esforços para o tratamento e a reciclagem dos resíduos sólidos urbanos. Esses dados demonstram claramente que o município de Pelotas precisa centrar esforços na reciclagem de resíduos sólidos para melhorar seus índices de sustentabilidade e limpeza urbana. Pelotas, com uma população de 325.689 habitantes (IBGE, 2023), enfrenta desafios relacionados ao manejo de resíduos sólidos, especialmente no recolhi- mento, armazenamento e reciclagem. O Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) é responsável pelo saneamento básico no município e implementou alguns projetos, como coleta de óleo usado, recolhimento de resíduos sólidos em escolas, locais corretos para descartes de materiais (Ecopontos), contêineres em alguns bairros da cidade, entre outros, mas alguns desses projetos precisam de ajustes para se tornarem mais eficazes. O objetivo deste trabalho é analisar a gestão de resíduos sólidos no muni- cípio de Pelotas (RS), identificando as principais problemáticas associadas a esse processo. A partir dessa análise, serão propostas medidas de melhoria visando reduzir impactos sociais e ambientais. 63 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br REVISÃO DE LITERATURA Características gerais do município de Pelotas O município de Pelotas está localizado no estado do Rio Grande do Sul, na região Sul do Brasil, na Latitude 31º 46’ 19” S e na Longitude 52º 20’ 33” O, com uma área territorial de 1.608,780 km². Vizinho dos municípios de Morro Redondo, Canguçu, São Lourenço do Sul, Turuçu, Capão do Leão, Rio Grande e Arroio do Padre, o município de Pelotas se encontra situado dentro desta área territorial. Com uma população de 325.689 habitantes, de um total de 10.882.965 habitantes no estado do Rio Grande do Sul (IBGE, 2023). Possui um PIB per capita de R$ 27.671,06 e densidade demográfica de 202,44 hab/km² (IBGE, 2023), superior à média do estado do Rio Grande do Sul que é de 38,63 hab/km². Os dados do IBGE (2023) indicam um índice de desenvolvimento humano do município de Pelotas (IDHM) de 0,739, classificando Pelotas com condições médias de desenvolvimento humano, com índice inferior ao IDH do estado do Rio Grande do Sul que é de 0,771. Já, segundo dados do IBGE (2023), a taxa média de mortalidade infantil do município é de 9,07 para cada 1.000 nascidos vivos. O índice disponibilizado pelo IBGE (2024) relativo à população ocupada em Pelotas é de 23,4% superior à média do estado do Rio Grande do Sul que é de 21,7%. Bairros e infraestrutura básica De acordo com a Prefeitura de Pelotas (PMP, 2023), o município é com- posto por 9 distritos, sendo eles: Sede ou Área Urbana, Colônia Z3, Cerrito Alegre, Triunfo, Cascata, Santa Silvana, Quilombo, Rincão da Cruz e Monte Bonito. Esses distritos podem ser visualizados na Figura 1 retirada do site GeoPelotas (2023) constante no mapa rural por eles disponibilizados. 64 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Figura 1 - Mapa da zona rural do município de Pelotas. Fonte: GeoPelotas (2023). A Sede ou Área Urbana é dividida em zonas administrativas, sendo elas: Centro, Fragata, Barragem, Três Vendas, Areal, São Gonçalo e Laranjal, as quais podem ser visualizadas na Figura 2. Figura 2 - Mapa urbano básico do município de Pelotas contendo as zonas administrativas. Fonte: GeoPelotas (2023). 65 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Além das zonas administrativas anteriormente citadas, Pelotas possui diversas microrregiões inseridas nessas zonas, as quais podem ser identificadas no GeoPelotas (2023) acessando o Mapa Urbano Configurável como pode ser exemplificado para a zona administrativa Centro (Figura 3), podendo ser selecio- nada e configurada para as demais zonas conforme o interesse. Cabe destacar que a possibilidade de configurar os mapas no GeoPelotas (2023), permite melhor visualizar os bairros inseridos no município, as ruas pertencentes a esses bairros e os limites entre eles. O site GeoPelotas (2023) indica que 13,59% do município possui pavi- mentação com pedras, 10,69% com pré-moldados e 40,52% sem pavimentação alguma, cuja distribuição pode ser visualizada na Figura 3. Figura 3 - Infraestrutura Urbana Básica de Pelotas. Fonte: Adaptado de GeoPelotas (2023). Resíduos Sólidos Os resíduos correspondem a todo material resultante das atividades diárias do homem e podem ser encontrados nos estados sólido, líquido e/ou gasoso (SAMPAIO, 2018). De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, 2010), resíduos sólidos são materiais, substâncias, objetos ou bens descartados resultantes de atividades humanas em sociedade. A destinação final desses resí- duos pode ser realizada, proposta ou imposta, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas características tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou 66 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas que exijam soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. O termo resíduo sólido se confunde com rejeitos, o qual é definido por Telles (2022). Porém, Telles (2022) destaca como rejeitos, aqueles resíduos não recicláveis, principalmente resíduos de banheiro e resíduos em geral, como bitucas de cigarro e outros, os quais devem ter sua destinação aos aterros sanitários, baseado no conceito de rejeito inserido na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, 2010). A Política Nacional de Resíduos Sólidos conceitua rejeitos como sendo resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. A PNRS (2010) indica a disposição final ambientalmente adequada como sendo a distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, e a minimizar os impactos ambientais adversos. Os resíduos sólidos podem ser classificados de diferentes formas. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, 2010) classifica os resíduos sólidos quanto à origem da seguinte forma: a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas; b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana; c) resíduos sólidos urbanos; d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços; e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico; f) resíduos industriais; g) resíduos de serviços de saúde; h) resíduos da construção civil; i) resíduos agrossilvopastoris; j) resíduos de serviços de trans- portes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; k) resíduos de mineração. Telles (2022) classifica resíduos sólidos em duas categorias, sendo resíduos orgânicos e inorgânicos, indicando pertencer a categoria de resíduos sólidos orgânicos a maior parte dos resíduosdomésticos, como restos de alimentos, folhas, sementes, restos de carne e ossos, que podem ter origem animal ou vegetal e são chamados de resíduos úmidos. Já, de acordo com Telles (2022) resíduos sólidos não orgânicos são aqueles conhecidos como resíduos secos, sendo eles classificados como: a) resíduo sólido urbano, incluindo os domésticos, provenientes de instalações públicas (como parques, por exemplo) e instalações 67 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br comerciais, assim como restos de construções e demolições; (b) resíduo industrial; (c) resíduo hospitalar; (d) resíduo nuclear; (e) resíduo de construção e demolição; (f) resíduos portuários. Schalch et al. (2019) faz uma classificação de resíduos sólidos baseada nos seus diferentes potenciais impactos ao meio ambiente, sendo algumas dessas classificações as que seguem: (a) resíduos da construção civil: provenientes de edificações e obras os quais geram impactos ambientais durante seus proces- sos; (b) resíduos de equipamentos eletroeletrônicos: aparelhos, produtos, com- ponentes, acessórios domésticos e profissionais que chegaram ao fim de suas vidas úteis como pilhas e baterias; (c) resíduos de limpeza urbana: provenientes de serviços públicos como varrição, capina e poda de árvores em vias públicas; (d) domiciliares perigosos: aqueles que podem conter componentes perigosos, como produtos usados em pinturas, produtos de limpeza, remédios, inseticidas, etc.; (e) lâmpadas fluorescentes; (f) resíduos de óleos; (g) pneus. A PNRS (2010) destaca uma divisão composta por resíduos passíveis de logística reversa como: (a) agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso; (b) pilhas e baterias; (c) pneus; (d) óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; (e) lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; (g) produtos eletroeletrônicos e seus componentes. De acordo com a PNRS (2010) os resíduos sólidos devem ser gerencia- dos, como forma de reduzir os impactos ambientais. De acordo com a PNRS gerenciamento de resíduos sólidos é um conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com o plano de gerenciamento de resíduos sólidos. A destinação dos resíduos sólidos consiste na reutilização, compostagem, reciclagem, aproveitamento energético e outras soluções admitidas pelos órgãos ambientais, e conforme a PNRS (2010) a disposição final é ainda a distribuição ordenada dos rejeitos em aterros sanitários, observando as normas operacionais específicas, esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação com tecnologias disponíveis e economicamente viáveis. 68 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos O PMGIRS do município de Pelotas (RS) foi instituído pelo Decreto nº 5.841, de 30 de junho de 2015, com o objetivo de implementar condições para o geren- ciamento adequado dos resíduos sólidos urbanos gerados no município. O plano é direcionado para alcançar objetivos que visam aperfeiçoar a estrutura dos serviços prestados de limpeza pública, desde a coleta até a destinação final dos resíduos sólidos urbanos no município. O PMGIRS apresenta a classificação dos resíduos por natureza física, composição química, riscos potenciais ao meio ambiente e origem. Além disso, esclarece a questão da responsabilidade pelos resíduos, sendo a prefeitura responsável pelos resíduos domiciliares, comerciais e públicos, enquanto o gerador é responsável pelos resíduos de serviços de saúde, industriais, agrícolas, da construção civil e dos portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviário. Gestão dos Resíduos Sólidos em Pelotas (RS) A Lei n° 2838 em vigor desde 1° de maio de 1984 (PELOTAS, 1994), alterou a denominação de Serviço Autônomo de Água e Esgotos (SAAE) para Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) e lhe transferiu a coleta, tratamento e destinação final de resíduos sólidos. Cabe destacar que até então, a coleta de resíduos era de responsabilidade da Prefeitura de Pelotas (SANEP, 2024). O Departamento de Resíduos Sólidos (Ders) está vinculado diretamente à Superintendência Industrial do Sanep e é composto pelas divisões de Coleta (DRS), Licenciamento e Fiscalização Ambiental (DLF) e de Destinação Final (DDF). Cabe ao Departamento a coleta, tratamento e a destinação final adequada dos resíduos sólidos provenientes dos domicílios (incluindo-se a zona rural), e os resíduos provenientes dos serviços de saúde mantidos pela municipalidade, tais como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Hemocentro Regional, Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Unidade Básica de Atendimento Imediato (Ubai). Coleta de Resíduos Sólidos em Pelotas (RS) O Sanep conta com diferentes tipos de coleta, que incluem: coleta seletiva, coleta conteinerizada, coleta domiciliar, coleta hospitalar e coleta agendada. A coleta 69 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br seletiva, tem como objetivo o recolhimento de materiais recicláveis ou que possam ser reaproveitados, como papel, vidro, metal e plástico. Além disso, sua coleta é realizada duas vezes por semana nos diferentes bairros da cidade. A coleta conteinerizada, consiste na coleta de resíduos orgânicos domi- ciliares que são colocados em contêineres, situados em parte da zona central de Pelotas, com coleta diária. O Sanep indica em seu site, acessado em 07 de novembro de 2023, que conta com 850 contêineres e que recolhe 45% de resí- duos orgânicos do município. A coleta domiciliar, é realizada de residência em residência nos bairros, nos locais que não contam com contêineres, ocorrendo três vezes na semana na zona urbana e uma vez por semana na zona rural. Os resíduos sólidos do serviço de saúde são recolhidos na coleta hospita- lar. Esse material hospitalar é levado para ser tratado em uma empresa de Porto Alegre que fica responsabilizada por esse procedimento. Por fim, existe também a coleta agendada, na qual é feito um agendamento de dia e hora, para que a equipe do Sanep faça esse recolhimento. Esse tipo de coleta é realizada devido a imprevistos na coleta no qual o caminhão não pode chegar até a residência para coletar os resíduos de forma agendada (SANEP, 2023). Ecopontos em Pelotas (RS) O município conta com ecopontos, que são locais para o descarte correto de resíduos distintos, inservíveis, reutilizáveis ou passíveis de reciclagem. De acordo com Telles (2022) ecopontos são espaços maiores e de entrega voluntária que recebem apenas determinados tipos de resíduos. Ao todo, Pelotas conta com quatro ecopontos, sendo eles: Ecoponto JK, Ecoponto Laranjal, Ecoponto Balsa e Ecoponto Cerquinha, cuja localização pode ser visualizada na Tabela 1. Cabe destacar que o horário de atendimento dos ecopontos em Pelotas é de segunda a sábado das 8 às 12h e das 13 às 17h. 70 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Tabela 1 - Localização e horário de funcionamento dos ecopontos de Pelotas. Ecoponto Endereço Zona Administrativa JK Av. Juscelino Kubitschek, 3195 Centro Laranjal Rua Bom Jesus, 95 Laranjal Balsa Rua Paulo Guilayn, 201 São Gonçalo Cerquinhas Rua Engenheiro Hugo Veiga, 155 Centro Fonte: Sanep (2023). Esses locais recebem diferentes resíduos e possuem limitação de volume para os diferentes resíduos a serem descartados. Cabe destacar que o serviço não é destinado a empresas ou para fins comerciais. O Sanep disponibiliza coletores diferenciados e identificados de acordo com os diferentes produtos a serem descartados, além disso, fornece à população instruções educativas sobre o descarte correto de resíduos nos ecopontos muni-cipais, através da sua página institucional e distribuição de panfletos. Segundo o Sanep (2023), cada pessoa pode descartar até 1,5 m³ de material no ecoponto e que cada ecoponto conta com ao menos um funcionário para auxiliar no descarte e para sanar dúvidas dos moradores. Os ecopontos de Pelotas permitem o descarte de resíduos recicláveis como papel, papelão, plástico, vidros, espelhos, metais e isopor sem limitação de quantidade. Também não há limitação de descarte de resíduos eletroeletrônicos de linha branca, como televisores, computadores, impressoras e eletrodomésti- cos. E aceitam o descarte de óleo de cozinha em estrutura específica situada no interior dos ecopontos. Os ecopontos do município aceitam o descarte de resíduos da construção civil e de móveis em um volume máximo de 1m3. A quantidade máxima aceita de resíduos de manejo de vegetação como podas e supressão a ser destinada no ecoponto é de 2m3. Os ecopontos aceitam a recepção de pneus em no máximo 4 unidades. Além disso, destaca-se que os resíduos biológicos, químicos e latas de tintas cheias de produto não possuem local de descarte adequado nos ecopontos municipais. A categorização dos resíduos é feita pelo próprio cidadão nos eco- pontos, no momento do descarte. De acordo com Sanep (2023) após o descarte, os materiais são enviados ao aterro municipal, ao transbordo ou a uma das coo- perativas credenciadas ao Sanep. A empresa informa que móveis desmontados são recebidos pela Estação de Transbordo, localizada no município de Candiota 71 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br e que os materiais recicláveis (vidro, papel, plástico e metal) são entregues a cooperativas indicadas pela mesma. Na página institucional visitada em maio de 2024 é informado que mensalmente os ecopontos recebem representantes das cooperativas durante o expediente, para fazer o despacho direto. Cooperativas de Reciclagem de Resíduos Sólidos em Pelotas (RS) O município também conta com cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos, as quais são conveniadas ao Sanep. Estas são responsáveis por receber os resíduos recicláveis, cuidar da sua triagem e comercialização. Atualmente, em dados publicados no site do SANEP e acessados em março de 2024, existem 6 cooperativas cadastradas as quais podem ser visualizadas na Tabela 2. Os convênios com o Sanep garantem a cobertura de despesas adminis- trativas (aluguel, luz, água, impostos e taxas), operacionais (EPIs, EPCs, óleo hidráulico, combustíveis, cintas para enfardamento e bags) e com pessoal (Previ- dência Social). Mensalmente, as cooperativas fazem a prestação de contas, com a apresentação dos documentos legais que comprovem as despesas realizadas, para que o Sanep possa realizar o repasse subsidiado dos recursos. O convênio ainda prevê ao cooperado uma bolsa-auxílio (SANEP, 2023). Tabela 2 - Cooperativas conveniadas ao Sanep. Cooperativa Endereço Cooperativa de Trabalho dos Agentes Ambientais do Fraget (COOTAFRA) Rua Carlos Andrade, 260 - Fragata Cooperativa de Trabalho de Catadores da Vila Castilho (COOPCVC) Rua Dr. Amarante, 1394/1404 - Centro Cooperativa Pelotense de Prestação de Serviços e Ação Social (COOPEL) Ulisses Guimarães 788 – Dunas Cooperativa de Trabalho e Reciclagem (COORECICLO) Avenida Pinheiro Machado, 2112 – Fragata União Cooperativa dos Catadores de Resíduos Sólidos (UNICOOP) Av. Imperador Pedro I, 1776 – Fragata Cooperativa de Trabalho Vila Governaço (COOPER- CICLAÇO) BR 392 – Distrito Industrial Fonte: Sanep (2023). 72 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Transbordo e destinação dos resíduos sólidos de Pelotas (RS) De acordo com Sanep (2023) a Estação de Transbordo é o local utilizado, desde o encerramento das atividades do Aterro Controlado de Pelotas, para a destinação de resíduos produzidos no município. A estação é composta por uma balança rodoviária, pátio coberto de descarga e carregamento com piso imper- meável, sistema de contenção de percolado e lavagens, sistema de tratamento do percolado e área administrativa, além da guarita que permite somente a entrada de pessoas autorizadas em suas dependências. Deste ponto os resíduos são encaminhados para o Aterro Sanitário Metade Sul, localizado no município de Candiota, a 150 km de Pelotas. Índice ISLU de avaliação de Resíduos Sólidos: situação de Pelotas (RS) Um índice relevante a ser destacado como forma de avaliar a situação dos resíduos sólidos municipais é o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana – ISLU, cuja última edição, com dados publicizados, foi realizada em 2023. Este é elaborado com base nos dados disponibilizados pelas seguintes fontes públicas: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (SICONFI), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD/ONU). O ISLU é uma ferramenta realizada com o objetivo de medir a aderência dos municípios ao cumprimento da PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). Baseado nas informações cedidas pelos próprios municípios, o ISLU serve para avaliar como os municípios tratam a gestão de resíduos sólidos. Como exemplo do ocorrido em edições anteriores a 2023, municípios localizados na região Sul do país registraram as melhores pontuações médias no ISLU 2023 em relação aos das outras regiões, sendo este de 0,553, região norte 0,378, região nordeste 0,363, centro oeste 0,419 e sudeste 0,476. Cabe destacar que quanto maior for o índice, melhor é a condição atual de gestão dos resíduos sólidos em uma região do país. Na região Sul, a cobrança específica frente aos resíduos (74%), cobertura de coleta (72,8%), destinação correta (84%) e reciclagem (7,4%), foi o principal 73 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br fator contribuinte para índice. Ao comparar esses dados com os da região com menor ISLU 2023 (nordeste), verifica-se diferença significativa nos dados sendo eles a cobrança específica frente aos resíduos (5,6%), cobertura de coleta (67%), destinação correta (21,2%) e reciclagem (1,1%). Estes resultados esclarecem que a evolução da pontuação média por região está diretamente relacionada à existência de algum tipo de cobrança para remunerar os serviços de manejo de resíduos sólidos, permitindo promover avanços na sua prestação associado a adoção de práticas de coleta, destinação e reciclagem adequadas. De acordo com os dados disponibilizados em 2023, entre os municípios do estado do Rio Grande do Sul com população acima de 250 mil habitantes, Porto Alegre (RS) é o mais bem pontuado, com um índice ISLU de 0,698. Em seguida, estão Caxias do Sul, com índice ISLU de 0,681; Pelotas, com índice de 0,666; Gra- vataí, com índice de 0,658; Canoas, com índice de 0,631; e, por último, o município de Santa Maria, com índice 0,607. O estudo apontou que dentre as dimensões envolvidas no cálculo do ISLU 2021, quando Pelotas havia obtido índice ISLU 0,666 (este dado foi utilizado pela ausência das dimensões no ano de 2023), a dimensão “engajamento do municí- pio” foi nota máxima (1,0) para cálculo do índice, a dimensão “sustentabilidade financeira” obteve nota 0,744, ou seja, a capacidade que o município tem de se sustentar economicamente para a prestação de serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos. Na dimensão associada à “recuperação dos resí- duos coletados” o município ficou com nota 0,016, extremamente baixa estando relacionada aos esforços para o tratamento e a recuperação (reciclagem) dos resíduos sólidos urbanos. A última dimensão está associada a “Impacto ambiental” e Pelotas recebeu o índice máximo, sendo este 1,0, o qual está relacionado ao passivo ambiental de um município por meio do cálculo da quantidade de resíduos dispostos inadequadamente em lixões ou aterros controlados. O municípiode Pelotas, apesar de não possuir aterro sanitário, destina seus resíduos de forma correta ao Aterro Sanitário Metade Sul, em Candiota (RS). Tais dados das diferentes dimensões que compõem o ISLU demonstram claramente que o município de Pelotas precisa centrar esforços na reciclagem de resíduos sólidos para melhorar seus índices de sustentabilidade e limpeza urbana. A ferramenta ISLU procura identificar motivos para que as condições de saneamento associada a resíduos sólidos seja melhor em algumas regiões do 74 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas país. Um dos destaques dados pelo documento gerado pelo ISLU 2021, foi que a cobrança financeira tem reflexo direto no comportamento das pessoas, que pas- sam a ter consciência da quantidade de lixo que produzem individualmente e dos custos que esse lixo gera, reduzindo assim o total descartado. Além deste fator, a aquisição de contêineres para os municípios é vista como algo extremamente positivo para melhoria das condições gerais do saneamento no que concerne à resíduos sólidos e a adoção de programas que incentivem a reciclagem. METODOLOGIA Este estudo teve como objetivo identificar as principais características do município de Pelotas, realizando um levantamento sobre a gestão de resíduos sólidos por meio de revisão bibliográfica. Para isso, foram consultados dados da Prefeitura Municipal de Pelotas (2023), do GeoPelotas (2023) e do Sanep (2023). A coleta de informações ocorreu entre novembro de 2023 e setembro de 2024. O foco principal foi compreender os projetos atualmente em andamento no município e identificar possíveis iniciativas que poderiam ser implementadas para melhorar as condições de disposição final dos resíduos sólidos. RESULTADOS E DISCUSSÃO A seguir são detalhadas algumas iniciativas de ações e práticas susten- táveis adotadas no município de Pelotas, área de interesse no presente estudo. Algumas ações sustentáveis realizadas em Pelotas (RS) associadas aos resíduos sólidos O município de Pelotas realiza algumas ações sustentáveis promovidas pelo Sanep e outras instituições locais. Dentre as ações realizadas pelo Sanep estão o projeto “Adote uma Escola”, o projeto “Óleo Sustentável” e os projetos de educação ambiental promovidos pelo Sanep através do Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento (NEAS). Tais projetos são alguns exemplos de ações sustentáveis que reduzem a problemática dos resíduos sólidos e minimizam os impactos ambientais, podendo produzir renda à comunidade local. 75 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Projeto Adote uma Escola Moradores de regiões que ainda não contam com o serviço de coleta seletiva ou distantes de Ecopontos no município de Pelotas (RS) têm como alternativa descartar papel, plástico, vidro ou metal em algumas escolas. Oitenta e um edu- candários de Pelotas participam do projeto “Adote uma Escola”, do Sanep, criado para desenvolver a consciência ecológica entre as crianças e adolescentes, por meio da educação ambiental. A ação também é uma forma de incentivo à redução, reutilização e reci- clagem de materiais descartados. Sabe-se que a escola é um vetor que propicia a mudança de mentalidade, neste projeto o Sanep procura levar aos alunos e professores, noções básicas sobre o desperdício e o reaproveitamento dos resíduos sólidos, através de palestras, vídeos, jogos gincanas, passeios ciclísti- cos, dentre outros, caracterizando-os como agentes de transformação, levando estas mensagens até o bairro onde está inserida a sua escola, assim, não só o bairro, mas a própria escola passa a ser beneficiada com a comercialização dos recicláveis arrecadados. Além das escolas, algumas entidades também recebem materiais reciclá- veis, totalizando 80 locais parceiros do Projeto Adote uma Escola, cuja localização pode ser visualizada no site institucional do Sanep (SANEP, 2024). Projeto Óleo Sustentável O projeto Óleo Sustentável é uma ação realizada pelo Sanep que objetiva coletar o óleo de cozinha usado e transformá-lo em produtos de limpeza para o município. O projeto visa atingir mais de 100 pontos de coleta, com estruturas nas escolas, ecopontos, cooperativas de reciclagem e prédios públicos, para que cada cidadão colabore e descarte seu óleo corretamente. Todo o óleo coletado é utilizado para fazer sabão em barra, em pasta e detergente. Parte destes produ- tos são repassados às escolas, gerando economia da verba pública utilizada na aquisição destes materiais. O restante é comercializado pela Cooperativa Nova Esperança, gerando renda para as famílias cooperadas (Sanep, 2024). O projeto contribui com a preservação ambiental, educação de jovens e adultos e ainda contribui para renda a diferentes famílias do município. 76 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento (NEAS) O Núcleo de Educação Ambiental em Saneamento (Neas) promovido pelo Sanep realiza projetos educacionais e de capacitação de diversos seto- res da sociedade. As escolas que participam do projeto “Adote uma Escola” participam de conversas mediadas, atividades lúdicas, palestras, oficinas de materiais recicláveis e formação de professores. O Neas promove o projeto “Condomínio Consciente”, que atende às demandas locais dos condomínios da cidade, capacitando os moradores sobre coleta seletiva. O projeto ensina como separar os resíduos recicláveis, quais materiais são passíveis de reaproveitamento e ressalta a necessidade de orga- nização interna para o acondicionamento e armazenamento desses materiais, possibilitando o seu reaproveitamento e contribuindo para a construção de um mundo mais sustentável. O Neas promove cursos de capacitação dos próprios servidores do Sanep, compreendendo que a mudança começa inicialmente por quem atua na gestão dos resíduos sólidos. Tal projeto identificado como Coleta Seletiva Interna, que capacita os servidores a fazerem a correta segregação dos resíduos recicláveis e dos resíduos orgânicos, descartando-os corretamente no ambiente de trabalho, tornando-os multiplicadores da educação ambiental. Sugestões de melhorias na gestão de resíduos sólidos de Pelotas Diante do que já foi abordado, é importante pensar, indicar e propor medidas que possam ser realizadas com o objetivo de minimizar a problemática associada aos resíduos sólidos no município de Pelotas (RS). Nesse sentido, algumas melhorias podem ser realizadas nos projetos já existentes no município de Pelotas, como a necessidade de um número maior de Ecopontos a serem implementados na cidade, pois muitas pessoas mesmo desejando descartar de forma correta, acabam por não levar os resíduos até os locais corretos de descarte, devido a localização desses, que muitas vezes estão distantes das suas moradias. Além disso, o projeto, atualmente realizado pelo Sanep, identificado como “Óleo Sustentável” é uma iniciativa altamente relevante, 77 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br porém indica-se aumentar o número de locais que recebam esse material, como por exemplo em universidades e postos de saúde, para aumentar a abrangência de recolhimento desses resíduos na cidade. Conforme apresentado e discutido neste estudo, o Índice de Sustentabili- dade da Limpeza Urbana – ISLU, cuja última edição com dados publicizados foi realizada em 2023, demonstra claramente que o município de Pelotas precisa centrar esforços na reciclagem de resíduos sólidos para melhorar seus índices de sustentabilidade e limpeza urbana. E pensando nisso, é sugerido que seja feita, por exemplo, uma parceria entre cooperativas e artesãos que participam da feira que ocorre na Avenida Bento Gonçalves na zona central do município. Os mate- riais recicláveis podem se transformar em bolsas, acessórios, entre outros, e gerar renda, além de dar uma nova finalidade a um material, reduzindo, assim, a quantidade de lixo gerada. Ainda pensando sobre como melhorar oISLU, é interessante que tenha um maior incentivo a criação de novas Cooperativas de Reciclagem no município, pois as cooperativas acabam por gerar mais empregos, além de auxiliarem com a separação dos resíduos sólidos. Um projeto do Sanep que deveria ser ampliado, é o projeto intitulado “Con- domínio Consciente”, que além de capacitar moradores sobre a coleta seletiva, e ensinar sobre como deve ser separado os resíduos sólidos, deveria abranger também universidades e escolas, pois dessa maneira esse conhecimento irá ser disseminado por mais pessoas. Acredita-se que o “Projeto Adote Uma Escola”, coordenado pelo Sanep, seja uma iniciativa importante para aumentar a coleta de resíduos recicláveis, porém para um melhor funcionamento desse projeto, é necessária uma maior divulgação das escolas participantes e na forma correta de limpeza e organização na hora do recolhimento, pois quando conversado com os funcionários das escolas inseridas na área de abrangência do presente projeto, os mesmos informaram que o projeto tem falhas, pois tem dificuldades em fazer essas coletas, saber como armazenar e divulgar a estratégia do mesmo. Outra indicação associada ao “Projeto Adote Uma Escola” é que as esco- las deveriam incentivar a construção de composteiras, fazendo assim com que as crianças aprendam como podem ser utilizados resíduos sólidos e que após a compostagem, eles transformam-se em adubos. Depois da geração desse 78 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas adubo, este poderia ser utilizado em hortas instaladas nas escolas, aumentando o aprendizado e tornando essas crianças em adultos mais conscientes. Por fim, é fundamental não apenas aprimorar os projetos já existentes, mas também buscar novas iniciativas que possam ser implementadas no município, com o objetivo de melhorar a gestão de resíduos sólidos. Embora o município já conte com alguns projetos em andamento, como os de coleta seletiva, pon- tos de descarte adequados e campanhas de conscientização, ainda há muitas oportunidades para expandir e melhorar esses esforços. A gestão eficiente dos resíduos sólidos não se limita apenas ao recolhimento e destinação final, mas também envolve a redução da geração de resíduos, a reciclagem e a promoção de práticas mais sustentáveis tanto por parte da população quanto das autori- dades municipais. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo revelou que, embora o município de Pelotas já tenha adotado algumas iniciativas relevantes na gestão de resíduos sólidos, ainda existem diver- sos desafios a serem enfrentados, principalmente no que diz respeito à recicla- gem e à ampliação da infraestrutura de descarte adequado. Os Ecopontos, por exemplo, são uma medida interessante, mas precisam ser mais bem distribuídos e ampliados para facilitar o acesso da população e estimular o descarte correto. Além disso, o município necessita investir em práticas de reciclagem e reforçar suas ações para melhorar o Índice de Sustentabilidade e Limpeza Urbana (ISLU), com ênfase na recuperação de resíduos e no incentivo à separação de materiais recicláveis. Porém, apesar da problemática evidenciada no presente estudo, é notó- ria a presença de projetos do Sanep focados na sustentabilidade ambiental do município, como os projetos intitulados “Projeto Adote Uma Escola”, “Condo- mínio Consciente” e “Óleo Sustentável”. Esses projetos devem ser incentivados e desenvolvidos, podendo ser aprimorados com algumas sugestões indicadas neste trabalho ou outras que possam ser mais bem discutidas. Por fim, além de estudos, melhoramentos em projetos já existentes e implementação de projetos novos, é necessário estar sempre em contato com a população, pois eles podem ajudar na identificação dos problemas que a gestão 79 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br pode não perceber e assim fazendo uma gestão integrada e participativa, focando na sustentabilidade ambiental e na qualidade de vida dos cidadãos pelotenses. REFERÊNCIAS ABREMA. Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente. 2024. 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' 10.37885/240917650 05 MÉTODOS DE ESTUDOS GEOQUÍMICOS PARA MONITORAMENTO AMBIENTAL DE SEDIMENTO DE CORPOS HÍDRICOS Hênio do Nascimento Melo Júnior Universidade Regional do Cariri (URCA) Hênio Vitor Sobral Melo Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Francisco José de Paula Filho Universidade Regional do Cariri (URCA) Raimundo Nonato Pereira Teixeira Universidade Regional do Cariri (URCA) https://dx.doi.org/10.37885/240917650 81 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br RESUMO Estudos de geoquímica ambiental possibilitam identificar fontes de poluição e ou contaminação, especialmente quando desenvolvidos e associados a métodos de estatística multivariada. Para ecossistemas aquáticos a geoquímica permite identificar os poluentes e contaminantes dissolvidos no meio líquido, bem como, os depositados no sedimento dos corpos aquáticos e a possível dispersão des- tes. Na literatura há o consenso de que as concentrações dos poluentes e ou contaminantes são mais expressivas no sedimento que no meio líquido, fato este que incrementa a importância das análises geoquímicas em corpos aquáticos. Além das ferramentas estatísticas a geoquímica pode ter o suporte na legislação ambiental que permite resultados mais diretos das condições de riscos de ecotoxi- dade de poluentes e ou contaminantes. A geoquímica também conta com o auxílio de métodos de análise através de índices ambientais geoquímicos, os quais são importantes especialmente na interpretação dos resultados das concentrações de contaminantes e ou poluentes, as respostas quantitativas e qualitativas des- ses métodos permitem uma melhor interpretação e compreensão das condições ambientais analisadas, facilitando o trabalho de pesquisadores e gestores públicos quanto à tomada de decisões a partir dos índices geoquímicos. Os métodos aqui citados cooperam para a simplificação metodológica e interpretativa dos estudos geoquímicos tornando o acesso a informação técnica científica mais acessível. Palavras-chave: sedimento; limnologia; piscicultura; tanque rede; metais pesados; nutrientes. 82 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas INTRODUÇÃO A IMPORTÂNCIA121 Capítulo 08 QUALIDADE DA ÁGUA DO SISTEMA LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ: ANÁLISE DOS PARÂMETROS HIDROQUÍMICOS E SUAS IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS Emanuele Koschier Pinto; Anna Nachtigall da Cruz; Idel Cristiana Bigliardi Milani ' 10.37885/241218520 .....................................................................................................................................129 SOBRE OS ORGANIZADORES .................................................................................................. 147 ÍNDICE REMISSIVO .................................................................................................................................149 ' 10.37885/241118161 01 ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A NO RESERVATÓRIO ARROIO CHASQUEIRO: DINÂMICA DE IRRIGAÇÃO E SAZONALIDADE Laura Martins Bueno Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Gilberto Loguercio Collares Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Eduardo Luceiro Santana Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Ottoni Marques Moura de Leon Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Felipe de Lucia Lobo Universidade Federal de Pelotas (UFPel) https://dx.doi.org/10.37885/241118161 9 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br RESUMO A qualidade da água é avaliada por parâmetros físicos, químicos e biológicos, sendo fundamental monitorá-la para garantir usos múltiplos. A eutrofização, intensificada pelo aporte de nutrientes, promove florações de algas e prejudica os ecossistemas aquáticos. A concentração de clorofila-a (Chl-a) é um indica- dor essencial dessas florações, refletindo a produtividade primária e a ciclagem de nutrientes. Embora métodos in situ sejam precisos, apresentam limitações espaciais e temporais, tornando o sensoriamento remoto óptico uma ferramenta eficaz para o monitoramento em larga escala. Este estudo valida a plataforma AlgaeMAp, desenvolvida no Google Earth Engine com base em imagens Sentinel-2, para estimar Chl-a e classificar o Índice de Estado Trófico (IET) no Reservatório Arroio Chasqueiro, sul do Brasil. Foram realizadas coletas de água para análise de Chl-a em seis campanhas de setembro de 2023 a agosto de 2024. A análise estatística indicou um coeficiente de determinação (R²) de 74,8%, RMSE de 10,80 e uma acurácia global de 63,9% na classificação do IET. Observou-se uma variação espacial e temporal nas concentrações de Chl-a, com picos significa- tivos no braço esquerdo do reservatório durante o período de maior uso para irrigação. Os resultados destacam a influência do manejo hídrico na qualidade da água e reforçam a relevância do sensoriamento remoto como ferramenta para o monitoramento integrado de reservatórios. Palavras-chave: clorofila-a; algaemap; qualidade da água. 10 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas INTRODUÇÃO A qualidade da água é determinada por características físicas, químicas e biológicas, com padrões de classificação que garantem a segurança para usos múltiplos. Monitorar a qualidade da água em reservatórios exige estudos abrangentes, considerando esses parâmetros para identificar fontes de poluição e quantificar níveis de contaminação, alertando sobre riscos à saúde pública e aos recursos hídricos (PU et al., 2019; LOPES, 2019). A eutrofização, uma das principais ameaças aos ecossistemas aquáticos, resulta do aumento de matéria orgânica e nutrientes, promovendo proliferação de algas. A concentração de clorofila-a (Chl-a) é usada para quantificar essas florações, regulando a produtividade primária e influenciando a ciclagem de elementos como carbono, nitrogênio e fósforo (German et al., 2021; Caballero e Navarro, 2021). O monitoramento convencional in situ, embora preciso, é limitado em escala e insuficiente para capturar a distribuição espacial das florações (Ferral et al., 2017). Nesse contexto, o sensoriamento remoto óptico se destaca como alternativa, permitindo monitoramento espaço-temporal em larga escala com alta frequência de aquisição e dados gratuitos. Essa abordagem complementa as técnicas tradicionais, ampliando a compreensão das dinâmicas ecossistêmicas (Palmer et al., 2015; Ogashawara et al., 2021). Diante disso, o sensoriamento remoto tem sido utilizado amplamente para águas interiores, costeira e de estuário em diferentes regiões do mundo. Mishra et al., (2012) propuseram o índice normalizado da clorofila-a (NDCI, em inglês) que permite quantificar a concentração de clorofila-a em um corpo d’água. Com base no NDCI e imagens do sensor Sentinel-2 foi desenvolvido a plataforma AlgaeMAp, que possibilita a estimativa da qualidade da água por meio de análises da con- centração de Clorofila-a (Chl-a) e o Índice de Estado Trófico (IET) para uma série temporal (LOBO et al., 2021) de vários corpos d’água do Brasil e América do Sul. Para o desenvolvimento da agricultura no mundo, a água é o recurso natural de maior relevância, uma vez que as novas tecnologias para aumento de produtividade das áreas agrícolas são dependentes da sua disponibilidade. Tal importância reflete-se nos altos índices de produtividade de áreas irrigadas, em que apenas 18% do total de áreas agrícolas corresponde a aproximadamente 40% 11 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br da produção agrícola mundial (BROWN; RENNER; HALWEIL, 2000). A agricul- tura irrigada depende tanto da quantidade como da qualidade da água, sendo a longo prazo a qualidade um dos fatores mais importantes de acordo com Ayers & Westcot (1999). A bacia hidrográfica em estudo localiza-se no município de Arroio Grande, integrando a bacia hidrográfica Mirim-São Gonçalo, com os arroios Chasqueiro e Chasqueirinho como principais afluentes. Sua principal função é a irrigação, especialmente para o cultivo de arroz por inundação (COODIC, 2023). A Barragem do Chasqueiro tem um papel social essencial, garantindo tanto a captação de água para grandes áreas agrícolas quanto a disponibilidade e qualidade da água potável para a população de Arroio Grande, no Rio Grande do Sul (VIDAL et al., 2021). O objetivo do presente estudo é validar a aplicação da plataforma AlgaeMAp no Reservatório Chasqueiro, situado no extremo sul do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Além disso, realizar uma análise espaço temporal da qualidade da água, considerando o impacto do sistema de irrigação. METODOLOGIA Área de estudo A Bacia Hidrográfica do Arroio Chasqueiro (BHAC) está localizada na margem oeste da Lagoa Mirim, abrangendo uma área aproximada de 240 km². Ela é composta por dois arroios principais, o Chasqueiro e o Chasqueirinho, além do reservatório Arroio Chasqueiro (COODIC, 2023). A área de estudo abrange o reservatório Arroio Chasqueiro (Figura 1), que fica a cerca de 3 km da BR-116 (próximo ao km 600), no município de Arroio Grande, Rio Grande do Sul. Desde 1983, o reservatório é mantido por uma barra- gem de terra com 1.200 metros de extensão e altura máxima de 22 metros. A área inundada corresponde a aproximadamente 1.650 hectares, com capacidade de armazenamento de 117 milhões de metros cúbicos de água (HIDROSSEDI, 2024). 12 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Figura 1 - Localização área de estudo. O perímetro de irrigação cobre uma área de 26 mil hectares, sendo cerca de 19 mil hectares irrigáveis. O sistema de irrigação principal inclui 90 obras hidráulicas em concreto armado e 38 pontilhões de madeira (COODIC, 2023). O reservatório desempenha um papel fundamental no sistema de irrigação da região. Nesse contexto, para o início do período de irrigação, as comportas da barragem são abertas nos meses de outubro e novembro, quando o nível de água está mais elevado, para atender à demanda hídrica dos cultivos. Por outro lado, entre fevereiro e abril, espera-se que o reservatório apresente os níveis mais baixos de armazenamento, em função do grande volume de água retirado para irrigação. Esse manejo hidráulico influencia diretamente a dinâmicaDO SEDIMENTO NO ESTUDO AMBIENTAL A importância da análise geoquímica do sedimento dos corpos aquáticos está associada a dois aspectos primordiais, o arcabouço metodológico disponível para esses estudos e o aspecto da dinâmica do sedimento nos corpos aquáticos, o qual o classifica como potencial indicador de contaminação, poluição e quali- dade ecológica ambiental. Quanto aos recursos metodológicos é facilmente perceptível que na literatura há uma tendência para uma padronização de métodos, bem como, os recursos de natureza legal, a legislação ambiental, tem direcionado a essa padronização. Geralmente, os estudos sobre os possíveis impactos dos contaminantes são baseados na caracterização das concentrações, distribuição espacial, análise geoestatística, análise por índices ecológicos de avaliação da condição do sedi- mento e análise das diretrizes de qualidade de sedimento (Figura 01). Figura 01 - Recursos metodológicos utilizados nos estudos de geoquímica do sedimento. Baseado em Melo Júnior et al. (2023 e 2024). *A legislação ambiental aplicada é orientada por cada órgão máximo ambiental de cada país. Em virtude da gama de estudos já realizados, há uma ampla disponibilidade de recursos literários sobre esse tema , verificando-se estudos nas mais diversas áreas, bem como, esse amplo uso dessas metodologias possibilita a consolidação 83 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br dessa linha de estudo, nos mais diversos campos de atuação humana, dentre as quais estão: urbanização e industrialização (Wenchuan; Dickman Sumin, 2001; Zhao; Li, 2013, Ajani et al., 2021); agropecuária (Segura et al., 2006; Yari; Varvani; Zare, 2020); mineração (Jung; Thornton, 1996; Prasad; Sangita, 2008); aquicultura e piscicultura (Xie et al., 2020; Karikari et al., 2020; Melo Júnior, 2023; 2024). As metodologias demonstradas na figura 01 foram testadas e validadas por Bai et al. (2011), Wu et al. (2014), que utilizaram estatística multivariada para inferir sobre a condição do sedimento e identificação de fonte de poluição. Caieiro et al. (2005), Dung et al. (2013), Mirza et al. (2019) e Kowalska et al. (2018) utiliza- ram índices de avaliação ambiental do sedimento para quantificar e qualificar a condição do sedimento. Xie et al. (2020), Karikari et al. (2020) e De Paula Filho et al. (2021), que aplicaram análise da diretriz de qualidade de sedimento para relacionar o sedimento com a possibilidade de reações ecotoxicológicas à biota. Além desse arcabouço metodológico a análise do sedimento pode ter amparo na legislação ambiental e nos métodos de análise que resultam da interpretação da legislação. A outra grande importância do estudo geoquímico do sedimento decorre do entendimento e compreensão do sedimento como um dos principais indicadores ambientais dos corpos aquáticos continentais e marinhos. Há décadas o sedimento é reconhecido como importante indicador da poluição de ecossistemas aquáticos, bem como, a contaminação de sedimento é uma preocupação mundial (Liu et al., 2018; Zahra et al., 2014). Os sedimentos aquáticos formam um compartimento importante por atuar como um sumidouro de poluentes, os quais são submetidos à força de decan- tação, incrementada por adsorção de poluentes a partículas minerais e matéria orgânica dispersas na coluna de água. Sob essa força de adsorção a decantação é potencializada tornado a sedimentação um eficiente meio de armazenamento de matérias sobre o sedimento. Além desse processo de sedimentação, é importante considerar a possi- bilidade de dispersão de poluentes e ou contaminantes do sedimento através de vários processos. Nesse caso, o sedimento pode atuar como fonte de poluentes para a coluna de água causando retroalimentação no meio. A sedimentação representa o destino final de poluentes. No entanto, pro- cessos de circulação vertical, bioturvação, alterações físicas e químicas da água podem causar ressuspensão dos metais possibilitando sua biomagnificação 84 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas através das teias alimentares. Nesse sentido, atenção especial deve ser dada aos reservatórios destinados ao abastecimento humano (Wu et al., 2014) e aos reservatórios também destinados à piscicultura em tanque rede conforme suge- rido por Salami et al. (2008) e Xie et al. (2020). A capacidade do sedimento em preservar as características químicas ao longo do tempo, possibilita a identificação dos impactos e sua possível origem, diferindo-o do meio líquido, no qual rapidamente seriam diluídas e dissolvidas (Forstner;Muller, 1981; Esteves 2011; Varol 2019; Wang 2020). Estudos em áreas de pisciculturas realizados por Varol (2019); Karikari et al. (2020) e Karauouzas et al. (2021) demonstraram que as concentrações de metais pesados no sedimento são superiores às concentrações na coluna d’água, confirmando as melhores propriedades conservativas das condições químicas do sedimento. Karauouzas et al. (2021) observaram diferentes resultados entre as concen- trações de metais da água e do sedimento em 68 lagos da Grécia. As amostras de água foram classificadas como boa qualidade. O sedimento, em maioria, superou a diretriz de qualidade em 9 rios e 3 lagos, sendo classificado como moderada- mente ou altamente contaminados. O estudo do sedimento superficial é recomendado por Varol (2019), Kalantzi et al. (2013; 2021), Xie et al. (2020) e Wang et al. (2020), segundo esses autores, as camadas de sedimento entre 0,0 cm e 10 cm de profundidade são mais influen- ciadas pelas alterações químicas, físicas e biológicas. Esse estrato do sedimento representa a sedimentação mais recentes ocorridas no corpo aquático. Para a coleta do sedimento superficial pode ser utilizados dragas tipo Ekcman, Van Vee e similares (Figura 02). Em contrapartida, estudos que buscam informações de longos períodos deverão coletar o sedimento através de coletor tipo core (Figura 03), esses cole- tores permitem realizar a coleta de perfis do sedimento com tamanho variável em função do interesse dos estudos realizados. Um estudo que procure identificar o histórico de poluição de um corpo hídrico poderá utilizar o core para coletar sedimento depositado desde a época de sua origem. 85 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 02 - Coletor de sedimento superficial. Modelo Van Vee. Figura 03 - Coletor de perfil de sedimento. Coletor Kajak. Fonte: Franco (2007) apoud Dos Santo, Sousa e Nascimento (2014). Fonte: Braga et al. (2018). Avanços significativos na gestão ambiental podem ser alcançados ao investigar a geoquímica do sedimento, a partir da capacidade do sedimento em preservar as características químicas ao longo do tempo, possibilitando a iden- tificação dos impactos e suas possíveis origens, seja por fontes intermitentes e ou difusas, localizar áreas de retenção e determinar a cronologia de entrada de poluentes metálicos (Forstner; Muller, 1981; Esteves 2011; Varol 2019; Wang, 2020). Dentre os ecossistemas aquáticos, os reservatórios artificiais de águas têm sido alvo de contaminantes metálicos e, portanto, são motivo de preocupa- ção mundial quanto à intensidade desse tipo de contaminação (Turuka; Kagbu; Gimba, 2007; Chabukdhara; Nema, 2012). As cargas residuais das atividades antrópicas realizadas ao longo das bacias de drenagem dos corpos aquáticos continentais assumem volume e intensidade que superam as cargas naturais (Komala et al., 2021). 86 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas MÉTODOS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS DE ANÁLISE DO SEDIMENTO A diretriz de qualidade de sedimento é um método de interpretação direta das concentrações de metais pesados em sedimento e solo. Esse método é amplamente utilizado em diversos países e sempre é baseado em parâmetros determinados pela legislação ambiental da respectiva região. O método é baseado nas concentrações de poluentes que podem causar reações ecotoxicológicas adversasaos organismos vivos do ambiente analisado. Para tanto, geralmente, o método possui três faixas de concentração, são elas: concentrações que não causam reações ecotoxicológicas; concentrações que podem causar ecotoxidade e concentrações que certamente causariam eco- toxidade aos organismos do ambiente em questão. As diretrizes de qualidade de sedimento são utilizadas em vários países e todas são baseadas em resultados de testes ecotoxicológicos e reportam os limites de concentrações quanto à possibilidade de ocorrência de reações tóxicas à biota (Tabela 01). Tabela 01 - Valores limitantes das concentrações de metais e semi metais aplicáveis a diversas diretrizes de qualidade de sedimento (DQS/SQGs). DQS / SQGs Metais (mg/kg) Normativas/ Pais Limites As Cd Pb Cu Cr Hg Ni Zn Ag Resolução nº. 454/2012 CONAMA – Brasil*. Nível 1* 5,9 0,6 35 35,7 37,3 0,17 18 123 Nível 2 17 3,5 91,3 197 90 0,486 35,9 315 CCME (1999) - CANADÁ ISQG 5,9 0,6 35 35,7 37,3 0,17 18 123,0 PEL 17 3,5 91,3 197,0 90,0 0,486 35,9 315,0 MacDonald, Ingersoll e Ber- ger (2000); Macdonald et al. (1996) - EUA TEC 9,79 0,99 35,8 31,6 43,4 0,18 22,7 121 PEC 33,0 4,98 128 149 111 1,06 48,6 459 NOAA (Long et al., 1995) - EUA ERL 8,2 1,2 46,7 34 81 0,15 20,9 150 1,0 ERM 70 9,6 218 270 370 0,71 51,6 410 3,7 Australian and New Ze- aland Guidelines Anzec- c-armcanz (2000) ISQG-Low** - 1,5 50 65 80 0,15 21 200 1,0 ISQG-High** - 10 220 270 370 1,0 52 410 3,7 Taiwan-EPA (2010) Lower limit 11 0,65 48 50 76 0,23 24 14 Uper limit 33 2,5 161 157 233 0,87 80 384 *Substitui a Res. nº 344/2004-CONAMA. ISQG-Low** Sb (2) ISQG-High** Sb (100), Vu et al. (2017). Além das diretrizes indicadas na tabela 01 ICSQG-Interim Canadian Sedi- ment Quality Guidelines (Mohammad et al., 2015; Minello et al., 2009; Mariani; 87 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Pompeo, 2008); GSQG-Germany Sediment Quality Guidelines (Mohammad et al., 2015) e SQGC-Sediment quality guidelines of China (Zhang et al., 2016). Investigações sobre a contaminação de sedimento por metais têm ocor- rido, especialmente, por utilização das diretrizes de qualidade de sedimento que possibilitam a avaliação e discussão sobre a qualidade do sedimento (Kalwa et al. 2013). As diretrizes de qualidade de sedimento constituem uma metodologia de análise mais segura devido ao aspecto quantitativo e qualitativo desse método, sendo melhor que métodos apenas qualitativos (Duodu et al., 2016). A utilização da diretriz de qualidade de sedimento é uma abordagem mais clássica para comparar as concentrações de metais verificadas com valores de referência (El Nemr et al., 2016; Vu et al., 2017), este método é muito eficiente na caracterização da contaminação de sedimentos por metais pesados (Duodu et al., 2016; Vu et al., 2017). De acordo com Caeiro et al. (2005) e Mirza et al. (2019), esse é o método utilizado para identificar a possibilidade de reações toxicológicas adversas à biota do sedimento superficial, através da comparação das concentrações dos metais com os valores correspondentes nas diretrizes. Na tabela 01, é possível observar que estudos realizados em vários países consideraram a adequação das diretrizes de outra nação como forma de avaliação da condição do sedimento estudado. Há casos em que os pesquisadores utilizam várias diretrizes de qualidade de sedimento para comparar seus resultados, respectivamente, Vu et al. (2017) utilizaram as diretrizes Taiwan EPA, CCME, e Anzecc, Armcanz e Mohammad Ali et al. (2015) realizaram comparações de seus resultados com as diretrizes Cana- denses Interinas de Qualidade de Sedimentos (ICSQG) e Diretrizes de Qualidade de Sedimentos da Alemanha (GSQG). Segundo Vu et al. (2017) os valores de referência determinados pelo Anzecc e Armcanz (2000) são semelhantes ao NOAA (Long et al., 1995), bem como, os valores estabelecidos pelo Taiwan EPA (Taiwan EPA, 2010) e Conselho Canadense (CCME, 1999) são semelhantes entre si. Em alguns casos essa semelhança ocorre devido a uma diretriz anterior e mais testada que serve de base para determinação de diretrizes de outros países. Como a diretriz de qualidade de sedimento (Tabela 01) tem a importância de facilitar a interpretação ecotoxicológica das concentrações de metais pesados 88 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas no sedimento, seria muito oportuno que houvesse avaliação semelhante para os nutrientes e matéria orgânica do sedimento, essa adaptação poderia facilitar o entendimento das concentrações desses parâmetros sobre a dinâmica limnoló- gica dos corpos aquáticos. Tanto os nutrientes como a matéria orgânica do sedimento possuem pro- priedades que influenciam potencialmente a evolução do estado trófico do corpo aquático, portanto, em estudo sobre o impacto da piscicultura em tanque rede realizado no açude Rosário-CE- Brasil, foi realizada uma adaptação da forma de interpretação das concentrações de nutrientes e matéria orgânica (Tabela 02), a qual foi idealizada e adaptada para criar a mesma facilidade de compreensão que existe para a diretriz de qualidade de sedimento (DQS). Tabela 02 - Diretriz da condição trófica e orgânica do sedimento. Percentual de ocorrência das concentrações e incremento em termos de valores normativos. Resolução 454/2012/ CONAMA* concentração limite piscicultura Área referência ocorrência (%) Incremento* ocorrência (%) Incremento* máx mín máx mín TN (mg/kg) 4800 30 10 60 2.9 2.1 100 0.0 1.3 1.0 TP (mg/kg) 2000 0.0 - 100 1.7 0.9 100 0.0 0.2 0.1 TOC (%) 10 100 - 0.0 0.4 0.3 100 0.0 0.2 0.2 OM(%) 10 0.0 - 100 3.1 1.7 0.0 100 2.2 1.4 Fonte: Melo Júnior et al (2024). TN = Nitrogênio total; TP = Fósforo total; TOC = Carbono orgânico total; OM = Matéria orgânica; *incremento: razão entre concentração limite (R.454/2012/CONAMA) e concentração observada. A resolução 454/2012-CONAMA, no anexo tabela IV, aponta os valores de referência de Carbono orgânico total-COT (%), nitrogênio total-NT (mg/kg) e fósforo total-PT (mg/kg) e matéria orgânica-MO (%) a partir desses dados foi determinado o valor de incremento, calculado pela razão entre a concentração referência da legislação e a concentração encontrada. A outra maneira de analisar é feita semelhante à análise de Diretriz de qualidade do sedimento, ou seja, conside- rando o percentual encontrado de concentrações inferiores, iguais e superiores ao valor de referência. Dessa forma a análise do COT, NT, PT e MO possibilita melhor compreensão da realidade orientando o entendimento de forma direta e objetiva. 89 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br ÍNDICES DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL DO SEDIMENTO Na literatura há diversos índices ecológicos para avaliação dos sedimentos aquáticos, os quais podem ser verificados nos estudos de Caeiros et al. (2005); Qingjie et al. (2008) Dung et al. (2013); Kowaslka et al. (2018) e Mirza et al. (2019). Esses índices são métodos quantitativos e qualitativos que calculam a condição ambiental de sedimento e ou solos, e são facilmente compreensíveis devido à associação dos dados numéricos a uma escala nominal de categorização da condição ambiental do sedimento. A utilização de índices de avaliação de sedimento, segundo Zhao et al. (2013), é importante para processamento, análise e transmissão de informações ambientais para administradores, tomadores de decisão, e gestores de saúde pública. A tradução de dados ambientais brutos em informações genéricas permite que gestores públicos e ou privados tenham fáceis recursos para classificação, decisão e priorização de medidas sobre áreas contaminadas (Caeiro et al., 2005; Qingjie et al., 2008; Dung et al., 2013 e Capangpangan et al., 2016). CLASSIFICAÇÃO DOS ÍNDICES AMBIENTAIS Caeiro et al. (2005) classificou os índices ambientais em três categorias: índice de contaminação; índice de enriquecimento de background e índice de risco ecológico (Tabela 03). Os índices decontaminação avaliam as áreas contamina- das comparando as concentrações limpas e as poluídas e ou as concentrações agregadas advindas de ações antrópicas sob influência no ambiente. Índices de enriquecimento de background comparam as concentrações observadas com os valores de referência geoquímica. Índices de risco ecológico utilizam as con- centrações dos metais para indicar os riscos de toxidade aos organismos vivos, essas podem ser comparadas com as diretrizes de qualidade de sedimento. Qingjie et al. (2008), Duodu et al. (2016) e Kowaslka et al. (2018) classi- ficaram os índices em dois grupos, com denominações diferenciadas, porém, com mesmo propósito, que caracterizam os índices como unitário, que calcula a condição de uma única espécie de metal, e os índices abrangentes que em única análise agrupam várias espécies metálicas (Tabela 03). 90 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Os índices denominados como complexos, multielementar e ou integrados permitem uma análise mais ampla, podem considerar um conjunto de metais do solo ou sedimento de uma área. Geralmente, os índices complexos são calculados a partir dos resultados dos índices individuais e, também, podem utilizar somatório de concentrações calculadas por índices simples (Kolwaska et al., 2018). Melo Júnior (2023) classificou os índices em três grupos denominados geoquímicos, ecotoxicológicos e antropogênicos (Tabela 03). Os índices de natureza geoquímica são os que comparam e ou apontam o acréscimo de metais a partir da condição natural submetida ao input de metais resultantes da atividade humana, são calculados pela razão entre a concentração atual do metal e o valor de referência, o qual pode ser representado pelo back- ground (Mirza et al., 2019), a linha de base geoquímica (Paula Filho et al., 2015) ou valor da crosta terrestre (Kanda et al., 2020; Mirza et al., 2019) e ou qualquer uma dessas referências adaptadas da literatura. Esses índices indicam o grau de aporte de contaminantes para o sedimento a partir das concentrações de origem geológica, da formação do solo ou sedimento. Os índices ecotoxicológicos avaliam a possibilidade de efeitos tóxicos aos organismos do ambiente analisado, esses cálculos são baseados em estudos toxicológicos que indicam os níveis de toxidade dos metais, conforme determi- nado por Hankanson (1980), bem como, há índices que são baseados nos limites de toxidade determinados pelas diretrizes de qualidade de sedimento, conforme demonstra Zhang et al. (2016). Os índices antropogênicos tratam dos níveis de poluição e ou contaminação verificados a partir de atividades humanas. Esses índices podem ser classificados como integrados (Qingjie et al., 2008), multielementares (Duodu et al., 2016) e ou complexos (Kowaslka et al., 2018), tendo essa gama de classificação por serem calculados através dos resultados da aplicação de um índice geoquímico, o fator de contaminação (Hankanson, 1980). A utilização do valor de referência com dados da crosta terrestre tem sido questionada. Possivelmente, a composição da crosta terrestre será divergente da condição local, nesse sentido, a utilização de concentrações do sedimento local e/ou do sedimento mais profundo é mais recomendável (Dung et al., 2013). Para aplicação dos índices de avaliação do sedimento Dung et al. (2013) recomendam que seja estabelecida as concentrações geoquímicas locais, o 91 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br background ou linha de base o que é importante para desvendar os limites mínimos para legislação ambiental. A geoquímica local também é importante para tornar mais fiel à avaliação das cargas residuais das atividades humanas sobre o sedimento. Tabela 03 - Classificação dos índices de avaliação ambiental do sedimento utilizados neste estudo. AUTORES Caeiro et al. (2005) Qingjie et al. (2008) Duodu et al. (2016) Kowaslka et al. (2018) Melo Júnior (2023) CATEGORIAS DE CLASSIFICAÇÃO DOS ÍNDICES Q in gj ie e t a l. (2 00 8) D uo du e t a l. (2 01 6) K ow as lk a et a l. (2 01 8) M el o Jú ni or (2 02 3) m on oe le m en ta r m ul tie le m en ta r In di vi du al C om pl ex o G eo qu ím ic os Ec ot ox ic ol óg ic os A nt ro po gê ni co s Geoacumulação (Igeo) (Müller, 1969) X X X X Fator de enriquecimento (Taylor, 1969) - - - X X X Fator de contaminação (Hakanson 1980) - - - X X X Grau de contaminação (Hakanson 1980) X X X X X Risco ecológico (Hakanson, 1980) X X X Índice de risco ecológi- co potencial (Chen et al. 2018) X X X X Índice de Risco tóxico (Zhang et al., 2016) - - - - - X X Índice de carga de polui- ção (PLI)(Tomlinson et al., 1980) X X X X Índice de poluição de Nemerow (Nemerow, 1991) X X X X Índice de poluição com- binado - - - - - - - X Devido à ausência de valores de referência das condições naturais do sedimento em alguns ecossistemas, vários pesquisadores adotaram como valor de referência as concentrações de metais das áreas que permaneciam mais pre- servados ou conservados e livres de atividades impactantes sobre o sedimento, dos quais: Zonta et al. (1994) na área estuarina da Lagoa Veneza, Itália; Caeiro et al. (2005) no estuário Sato, Portugal; Suresh et al. (2012) determinou os valores da 92 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas linha de base do lago Veeranam, na Índia; Li et al. (2015) no pântano Everglades, Flórida; Melo Júnior et al. (2023) e (2024) no açude Rosário, Brasil. ESCOLHA DE ÍNDICES DE AVALIAÇÃO ECOLÓGICA DO SEDIMENTO De acordo com Duodu et al. (2016) e Mirza et al. (2019) a contaminação do sedimento superficial é caracterizada por ter efeito sinérgico de vários metais gerando condições multielementares, portanto, é recomendável também utilizar índices multielementares na avaliação do sedimento. Os índices monoelementares são importantes para identificação da condição de sedimentação de metal por processo natural e o aporte de metais resultantes de atividades humanas, nesse caso, os índices individuais ou únicos são importantes por identificar o comportamento individual das espécies metálicas investigadas. A utilização dos índices de avaliação do sedimento é uma boa metodologia de interpretação do impacto sobre o sedimento, porém deve ser complementada com a avaliação das diretrizes de qualidade do sedimento por possuir uma abor- dagem mais realista sobre a possibilidade de efeitos tóxicos a biota aquática e o sedimento (Duodu et al., 2016), portanto, podem ser comparadas com índices de risco ecológico (Hakanson, 1980) e risco ecológico potencial (Chen et al., 2018), como também, as diretrizes fornecem os limites de concentração para aplicação do índice de risco tóxico (Zhang et al., 2016). A escolha dos índices de avaliação do sedimento deve ser realizada em função dos objetivos do estudo e com critérios específicos para a região avaliada, os índices possuem vantagens e desvantagens, portanto, a avaliação não deve ser baseada em um único índice (Dung et al., 2013). Neste trabalho, as opções de índices de avaliação do sedimento estão dispostas de acordo com a classificação de Melo Júnior (2023) que apresenta dez índices distribuídos em função de suas características e aplicação (tabe- las 04, 05 e 06). 93 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Tabela 04 - Índices de avaliação geoquímica de contaminação de sedimento por metais traços em sedimentos. Índices geoquímicos Categorização Índice de geoacumulação (Muller, 1969). 𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼𝐼 = log! [ (𝐶𝐶"a) 1,5 X (𝐶𝐶"b) ] Onde: (Ci a) = concentração do metal. (Ci b) =Valor do background. 1,5=fator minimizador de possível variação de valor de background. 5 Extremamente poluído. Fatorde enriquecimento (Taylor, 1969). 𝐹𝐹𝐹𝐹 = [(𝐶𝐶!a)/ (𝐶𝐶!b)] [(𝐹𝐹𝐹𝐹!a)/ (𝐹𝐹𝐹𝐹!b)] Onde: (Ci a) = concentração do metal. (Ci b) = Valor do background. (Fei a) = concentração do Ferro (Fei b) = valor do back- ground. 50 Enriquecimento extremamente severo. Fator de contaminação (Hankanson, 1980). 𝐶𝐶𝐶𝐶!" = (𝐶𝐶#a)/(𝐶𝐶#b) Onde: CFj i = individual por metal(i) (Ci a) = concentração do metal. (Ci b) = concentração do background. 6 Contaminação muito alta. Grau de contaminação (Hankanson, 1980). 𝐶𝐶𝐶𝐶! =$𝐶𝐶𝐶𝐶!" # "$% Onde: CDj = total dos metais em uma área de amostragem (j). CFj i = fator de contamina- ção.: CD24 Alto grau de contaminação; Fonte: Melo Júnior et al. (2023; 2024). Tabela 05 - Índices de avaliação ecotoxicológica da contaminação por metais traços em sedimentos. Índices ecotoxicológicos Categorização Risco ecológico (Hankanson, 1980). 𝐸𝐸!" = 𝑇𝑇# X 𝐶𝐶𝐶𝐶!" Onde: Ej i = é o índice do risco ecológico de um único metal (i) no local de amostragem ( j). TC = Coeficiente de resposta tóxica do metal pesado (i) = (Zn=1, Cu=5, Cr=2, Cd=30, Pb e Ni=5). 1 - Ej i320 extremamente forte. Risco ecológico potencial (Chen et al., 2018). PERI! =&𝐸𝐸" # $ #%& PERIj = risco ecológico potencial abran- gente no local de amostragem ( j). 1 - PERIj560 extremamente forte; 94 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Índices ecotoxicológicos Categorização Índice de risco tóxico (TRIi) (Zhang et al., 2016). 𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇= ((𝐶𝐶!/𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇𝑇)"+(𝐶𝐶!/𝑃𝑃𝑇𝑇𝑇𝑇)")/2 Onde: TRIi= índice de risco tóxico Ci=concentração do metal no sedimento; TEL=N1: nível de efeito limiar; PEL=N2: nível de efeito provável; N1/N2 – Res. 454/2012-CONAMA; TEL/PEL (CCME/Long e MacDonald, 1998). 1 - TRI ≤ 5 Sem risco tóxico; 2 - 520 Risco tóxico muito alto; Fonte: Melo Júnior et al. (2023; 2024). Tabela 06 - Índices de avaliação antropogênica de contaminação de sedimento por metais traços em sedimentos. Índices antropogênicos Categorização Índice de carga depoluição (PLI) (Tomlinson et al., 1980). PLI = 𝐶𝐶𝐶𝐶! 𝑋𝑋 𝐶𝐶𝐶𝐶"…𝑋𝑋𝐶𝐶𝐶𝐶# ! Onde: CFn = fator de contaminação dos “n” metais estudados. PLI PLI = poluído Índice de poluição Nemerow (NPI) (Nemerow, 1991) 𝑁𝑁𝑁𝑁𝑁𝑁 = (𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶 )!+ (𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶𝐶)! 2 Onde: CFmédia = média aritmética do fator de contaminação de todos os metais. Cfmáximo = fator de contami-nação máximo entre os metais. NPI 3 severamente poluído. Índice combinado de poluição (CPI) CPI= ∑ 𝐶𝐶𝐹𝐹!"# "$% /𝑚𝑚 Onde: Cfi = Fator de contaminação do metal m = número de metais. CPIpacotes estatísticos disponíveis, desde os gratuitos até os comercializados. Para proceder a análise de diretrizes de qualidade do sedimento é neces- sário apenas ter as concentrações dos metais pesados à disposição. O método é de aplicação direta e não requer uso de cálculos. Os índices de avaliação do sedimento são métodos quantitativos e quali- tativos, os resultados numéricos são correspondentes a categorias classificatória, portanto, esse método torna-se de fácil compreensão pelos possíveis usuá- rios. A grandiosa utilização desses índices, registrada na literatura são indicadores da simplicidade e da eficiência do método. A aplicação da diretriz de qualidade do sedimento e os índices de avaliação ecotoxicológicas são especialmente indicadores das possibilidades de ecotoxidade à biota do ambiente, portanto, constituem potencial meio de indicação das pos- síveis reações de biomagnificação dos metais na cadeia trófica do ecossistema, bem como, correspondem ao primeiro passo no estudo de biomagnificação de poluentes em ecossistemas. Os demais índices, os de natureza Geoquímica e os antropogênica, res- pectivamente, dizem respeito à formação natural do sedimento e ao aporte de 97 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br contaminantes ou poluentes resultantes de ação humana. Mas todos com a mesma facilidade metodológica para aplicação e interpretação de resultados. Quanto à estatística multivariada é importante considerar que seus resultados podem confirmar a distribuição espacial dos poluentes no sedimento, bem como, esclarece a dinâmica da sedimentação, acumulação e dispersão de poluentes do sedimento. Esse método também pode identificar as fontes de poluição e ou contaminação do sedimento. REFERÊNCIAS Ajani, G.E.; Popoola, S.O.; Oyatola, O.O. Evaluation of the Pollution Status of Lagos Coastal Waters and Sediments, Using Physicochemical Characteristics, Contamination Factor, Nemerow Pollution Index, Ecological Risk and Potential Ecological Risk Index. Int. J. Environ. Clim. 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O acompanhamento da situação do açude por um grupo de pesquisadores envolve ações diversas como análise situacional em campo, ações de educação ambiental com a comunidade, análises da qualidade da água e audiências públicas. Neste trabalho apresentamos uma abordagem compa- rativa de dois momentos de análise da água e do impacto ambiental. Através deste estudo pode-se perceber o grau de impacto no açude. Os resultados foram insatisfatórios tanto a nível físico-químico quanto microbiológico. Os parâmetros avaliados e analisados à luz da legislação ambiental vigente demonstraram que o impacto no Açude do Gravatá tem sido crescente. Desta forma, recomenda-se ação imediata de intervenção e que sejam firmadas parcerias entre os diferentes órgãos de atuação do poder público e a comunidade local. Palavras-chave: urbanização; corpo hídrico; impacto ambiental. 104 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA O processo de urbanização ocorre no tempo e no espaço, e a partir dos anos 1970, no Brasil, ampliou-se, corroborando para uma série de problemas ambientais, dentre eles a poluição dos recursos hídricos. O descumprimento das leis relacionadas à proteção destes recursos foi levado ao extremo, produto de um expressivo crescimento populacional que como consequência realiza o lan- çamento de efluentes nas superfícies líquidas naturais (CARVALHO et al., 2015). Essa é a realidade vivenciada na cidade de Serrinha, na Bahia. O município de Serrinha limita-se ao norte com Teofilândia, a leste com Biritinga, ao sul com Lamarão, a sudoeste limita-se com Ichú, ao oeste com Conceição do Coité e a noroeste com Barrocas. A área municipal corresponde a 658,9 km2 e a sede do município encontra-se a 180 km da capital (SEI, 2016). Serrinha apresenta um percentual de aproximadamente 98% de domicílios com água tratada (BRASIL, 2022), contudo somente um total de 6.700 habitantes tem acesso a sistema de coleta e tratamento de esgoto, o que representa a parcela que reside nos loteamentos financiados pelo Governo Federal, valor insignificante considerando uma população de 80.435 pessoas (SEI, 2016). O sistema de esgo- tamento sanitário é o grande problema, pois, o lançamento desses efluentes é feito em riachos e açudes urbanos. Nesse direcionamento, no transcorrer deste trabalho será apresentado o resultado de dois relatórios técnicos de análise da qualidade da água do açude do Gravatá e análise dos impactos ambientais causados pelas ações antrópicas em seu entorno, apresentados em audiências públicas no município de Serrinha, Bahia. A qualidade da água é um conceito relativo que depende diretamente do uso a que se destina, seja este para balneabilidade, consumo humano, irrigação, transporte e/ou manutenção da vida aquática. Para cada um dos usos existe um padrão de qualidade especificado pela legislação. Assim, a política normativa nacional de uso da água, como consta na resolução do CONAMA nº 357, procurou estabelecer parâmetros que definem limites aceitáveis de elementos estranhos, considerando os seus diferentes usos (BRASIL, 2005). A água pode veicular um elevado número de enfermidades e essa trans- missão pode se dar por diferentes mecanismos. O mecanismo de transmissão de doenças mais comumente lembrado e diretamente relacionado à qualidade da 105 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br água é o da ingestão, por meio do qual um indivíduo sadio ingere água que con- tenha componente nocivo à saúde e a presença desse componente no organismo humano provoca o aparecimento de doenças como Cólera, Hepatite A, Verminoses como a Esquistossomose e Leptospirose (BRASIL, 2006). Estima-se que cerca de 10 % da carga global de doenças seja devida à má qualidade da água e a deficiências na disposição de excretas e na higiene (PRÜSSUSTIN et al. 2008). Quase 90% dos cerca de 4 (quatro) bilhões de episó- dios anuais de diarreia, em todo o mundo, (que causam 1,5 milhões de mortes em menores de cinco anos) são atribuídos a deficiências no esgotamento sanitário e na provisão de água de boa qualidade. Por outro lado, sabe-se que até 94 % dos casos de diarreia são passíveis de prevenção (WHO/UNICEF, 2006). Logo, a adoção de medidas preventivas, visando à preservação das fontes de água e o tratamento das águas já comprometidas são as ferramentas neces- sárias para diminuir consideravelmente o risco de ocorrência de enfermidades relacionadas com a água contaminada. Desta forma, a importância do monitoramento através de análises físico - químicas e microbiológicas da água armazenada no açude localizado no muni- cípio de Serrinha/BA e suas relações com o potencial de utilização da flora local, constituem elementos de extrema importância, pois os múltiplos usos da água de forma inadequada podem gerar alterações em suas características e comprometer sua qualidade, assim como a biota ao seu entorno. Assim, faz-se necessário o conhecimento das questões supracitadas de forma a manter o controle e con- servação evitando, consequentemente problemas relacionados à saúde pública, questões que norteiam a agroecologia e possibilidade de usos diversos. O CAMINHO PERCORRIDO O Açude do Gravatá, vem servindo para diversas finalidades, principalmente pela população residente nas proximidades, dentre elas pode-se destacar a prática de pesca, a dessedentação animal, como tambémo uso recreativo deste corpo hídrico. Ao longo desses anos, este importante corpo hídrico do município, que já serviu como fonte de agua para a população, vem sendo degradado de forma intensa, com a retirada de quase sua totalidade da vegetação do entorno e mais gravemente, considerando a saúde da população, servindo atualmente como 106 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas depósito de diversos efluentes com alto índice de poluentes, condições estas que serviram como incentivo para a realização deste estudo. O referido açude está localizado na porção oeste do município de Serrinha/ BA, entre os bairros do Novo Horizonte e a comunidade do Arco-íris, possuindo a dimensão de 642,11 metros de comprimento e 292,07 metros de largura, conforme comprovado pelas imagens de satélite do Google Earth. Tal corpo hídrico vem sendo foco de estudo de um grupo de pesquisadores, professoras do IF Baiano e do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal (CETEPS), técnicos da Secretaria de Meio Ambiente, Vigilância Sanitária e da Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, como também Membros do Conselho Municipal de Meio Ambiente. O acompanhamento da situação do açude envolve ações diversas como análise situacional em campo, ações de educação ambiental com a comuni- dade, análises da qualidade da água e audiências públicas. Neste trabalho apresentaremos uma abordagem comparativa de dois momentos de análise da água. O primeiro foi realizado no dia 06/07/2017, e o segundo no dia 01/11/2022. Ambos foram executados observando todos os procedimentos de coleta, pre- servação, acondicionamento, transporte e análise da amostra seguindo a meto- dologia recomendada pelo Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (2005) e também, pelo manual de procedimentos de análises e de qualidade de água da FUNASA. UM CORPO HÍDRICO AMEAÇADO Análise físico-química No ano de 2017 foram realizadas in loco, coleta em 5 (cinco) pontos do referido açude, com análises de alguns parâmetros, como temperatura através de termômetro digital e aferição da profundidade com variação entre 18 e 41 centímetros nos pontos coletados. As informações de campo dos pontos de coleta foram registradas em relatórios contendo: código do ponto, coordenadas geográficas, horário, profundidade, resultados medidos in situ e características do entorno, como também, foram registradas imagens fotográficas dos locais avalia- dos. As coordenadas geográficas dos pontos avaliados estão descritos na Figura 1. 107 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 1 - Coordenadas geográficas dos pontos avaliados no Açude do Gravatá/Serrinha/Bahia. Fonte: Autores (2017). Para melhor visualização e conhecimento da área, os pontos de coleta foram plotadas no Figura 2. Figura 2 - Rede hídrica do Açude do Gravatá - destaque nos pontos de coleta. Fonte: CARVALHO (2015). 108 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Os parâmetros físico-químicos foram analisados em dois laboratórios: no Laboratório de Química do Instituto Federal Baiano - campus Serrinha/BA na data de 17/07/2017 pelas professoras Maria Auxiliadora Freitas e Jackeline Lisboa, auxiliadas por alunos do IF Baiano e CETEPS. E no Laboratório de Água da 12ª DIRES/FUNASA de Serrinha/BA, na data de 18/07/2017 pelo farmacêutico Cefas Carneiro Ramos. Os resultados obtidos a partir da coleta e análise do corpo hídrico foram comparados com os dados de uma intervenção anterior realizada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA) no período de maio/2017 quando houve uma mortandade elevada de peixes. Tais valores correspondem a parâmetros que se encontram inseridos segundo os valores limites estimados pela Resolução CONAMA 357 de 17 de março de 2005. Considerando os valores de salinidades encontrados em estudos anteriores (INEMA, 2017), o corpo hídrico também será analisado considerando sua classificação em água salobra, classe I, pois o teor de salinidade foi 0,9 % uma vez que a Resolução CONAMA 357/2005 estabelece uma variação entre 0,5 % e 30 % para a referida classe em estudo. Diante desse fato, a análise em questão pretende verificar as caracterís- ticas físico-químicas da água utilizando-se de dados comparativos ao relatório do INEMA/2017. Na figura 3 são evidenciados os parâmetros de Cor e Turbidez. Figura 3 - Resultados Comparativos dos parâmetros de Cor e Turbidez do Açude do Gravatá, localizado no município de Serrinha - BA. Fonte: Autores (2017). A cor e a turbidez constituem parâmetros de suma importância no controle e vigilância da qualidade do corpo hídrico a ser estudado. A cor é produzida pela 109 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br reflexão da luz em partículas minúsculas, denominadas coloides, os quais podem ser de origem orgânica, presença de compostos como ferro ou manganês ou de atividades antrópicas, vide exemplo: descarga de efluentes domésticos ou industriais, solos agriculturáveis e lixiviação de vias urbanas. A turbidez, por sua vez, constitui o grau de atenuação de intensidade que um feixe de luz precisa para atravessá-la devido à presença de sólidos em suspensão, como: detritos orgânicos, algas e efluentes domésticos ou industriais. Sofre influência direta da presença de sólidos em suspensão, que impedem que o feixe de luz penetre na água, reduzindo a fotossíntese da vegetação submersa e algas. No relatório do INEMA/2017 foram encontrados valores correspondentes a 1034 mg/L de Sólidos Totais, sendo 994mg/L dissolvidos totais e(2001), o aumento da condutividade elétrica pode indicar o resultado da poluição de um curso d’água. Os pontos analisados pelo Comitê Gestor vêm a confirmar a informação supracitada, uma vez que se apresentou maior valor no ponto 5 (1567 µs/cm), o qual representa o lançamento dos efluentes do Hospital Municipal de Ser- rinha-BA. O valor médio encontrado da Condutividade Elétrica (1550 µs/cm) apresentou-se inferior ao valor médio encontrado pelo INEMA/2017. Este fato também pode está relacionado ao índice pluviométrico registrado nos períodos da coleta, uma vez que este parâmetro está relacionado à concentração de sóli- dos totais dissolvidos. 111 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Em estudos voltados ao saneamento, os sólidos nas águas correspon- dem a matéria que permanece como resíduo, após a evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante um tempo determinado Estes elevados valores podem ser atribuídos ao aporte de cargas poluentes pontuais e difusas e as s descargas diárias de esgotos e efluentes em determinados pontos do açude, resultando no aumento da concentração de compostos dissolvidos. A temperatura é de extrema importância no ecossistema aquático em questão, uma vez que interfere no metabolismo dos organismos presentes no ambiente aquático e concentração de oxigênio dissolvido, o qual constitui base para a decomposição aeróbia A água analisada pelo comitê apresentou redução em virtudes das condições climáticas do período coletado, pois suas variações nos cursos d’água são sazonais e acompanham as flutuações do clima durante o ano. Valores elevados de temperatura podem evidenciar lançamento de efluentes sanitários. Estudos realizados por Alvarenga et al (2012), demonstraram que um dos componentes que podem alterar a temperatura da água, promovendo seu maior aquecimento, consiste na ausência ou pequena quantidade de mata ciliar. No açude estudado, percebe-se a redução da mata ciliar, o que tende a agravar o seu processo de degradação. Outros autores como Arcova e Cicco (1999) também observaram que a falta de vegetação em uma micro bacia é res- ponsável por variações na temperatura da água, podendo interferir em outras variáveis, sugerindo assim a necessidade imprescindível do manejo adequado do solo em micro bacias. O potencial hidrogeniônico (pH) consiste na concentração dos íons H+ nas águas e representa a intensidade das condições ácidas ou alcalinas daquele ambiente. Apresenta elevada influência sobre os ecossistemas aquáticos naturais, ocorrendo interferência direta sobre a fisiologia das espécies. A média estatística (7,4) dos valores encontrados pelo comitê gestor nos pontos estudados apresenta conformidade com a legislação CONAMA 357/2005 a qual refere-se a uma varia- ção de 6,5 a 8,5. Valores de pH acima ou abaixo destes limites são prejudiciais ou letais para a maioria dos organismos aquáticos, especialmente para os peixes. 112 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Este parâmetro necessita ser monitorado com maior frequência na malha hídrica, uma vez que foram observadas alterações em outros parâmetros que podem vir a modificá-lo em momentos posteriores, vide exemplo a condutividade elétrica. A figura 5 a seguir, vem a demonstrar os resultados das análises dos seguintes parâmetros estudados: oxigênio dissolvido, nitrato, fósforo e alcalini- dade. Os mesmos apresentaram elevadas variações no tocante ao estabelecido pela legislação ambiental específica. Figura 5 - Resultados Comparativos do parâmetro Oxigênio Dissolvido, Nitrato, Fósforo e Alcalinidade do Açude do Gravatá, Serrinha/BA. Fonte: AUTORES (2017). O oxigênio dissolvido (OD) apresenta-se como um parâmetro fundamental nos modelos de autodepuração natural das águas, sendo o principal elemento dos organismos aeróbicos que habitam as águas naturais. Ao analisar este parâmetro segundo a coleta realizada pelo Comitê Gestor, houve uma variação de valores mínimos (5,9 mg/ L) a máximos (8,9 mg/ L) e média de 7,7 mg/ L. Ao comparar com os valores obtidos (máxima: 14,7 mg/ L e Mínima:4,87 mg/ L) pelo INEMA/2017, observa-se, no tocante à media, uma redução deste elemento químico na água, embora encontrem-se inseridos no parâmetro da resolução CONAMA 357/2005. As concentrações de OD podem variar naturalmente ou pelo lançamento de efluentes. Percebe-se que no Ponto 5 (5,9 mg/L), analisado pelo Comitê Gestor, uma redução em relação aos outros pontos, uma vez que, especificadamente neste local tem-se o lançamento de efluentes dos serviços de saúde, o que pode levar a mortalidade de animais existentes neste ecossistema aquático. O nitrogênio apresenta-se como o gás mais abundante na atmosfera terrestre e pode ser encontrado nos corpos d’água segundo seu estado de oxidação nas 113 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br seguintes formas: nitrogênio orgânico na forma dissolvida, nitrogênio molecular, nitrogênio amoniacal, nitrito e nitrato. Este elemento pode ser encontrado em uma malha hídrica em decorrência de fontes naturais, assim como pelo lançamento de efluentes sanitários. Os valores, para este parâmetro, encontrados pela análise em relação ao Comitê Gestor apresentaram-se elevados em relação à legislação vigente (14,9 mg/ L/ N) e as análises feitas pelo INEMA /2017(0,10 mg/L/N). Vale ressaltar que o ponto 5 apresentou o valor mais elevado (30,9 mg/L/N) em consequência do lançamento dos efluentes domésticos e hospitalares, resultando em processo inicial de eutrofização. O fósforo emerge nas águas naturais especialmente em virtude das des- cargas dos efluentes sanitários. Águas drenadas em áreas agrícolas e urbanas também podem provocar a presença excessiva de fósforo em águas naturais em virtude de fertilizantes no solo. Ao considerar a classificação do nível trófico de lagos e reservatórios em relação às concentrações de fósforo total, percebe que pelos valores encontrados pelas análises do Comitê Gestor 16,8 (mg/L/P), a malha hídrica estudada atinge o nível hipereutrófico. Assim ocorre o crescimento desordenado e explosivo de algas, surgem plantas aquáticas (macrófitas), o que prejudica o uso múltiplo, além de oferecer um ambiente adequado ao surgimento de caramujos. A alcalinidade das águas naturais reflete a capacidade de neutralizar ácidos ou capacidade de minimizar variações significativas de pH, constituindo-se de bicarbonato, carbonato e hidróxido. Neste estudo, a alcalinidade obteve o valor médio de 323,8 mg/L de CaCO3, evidenciado as implicações da ausência de saneamento básico que implique na coleta e tratamento dos efluentes gerados. Novamente o ponto 5(327,1 mg/L de CaCO3) apresentou o maior valor o que vem a afirmar as literaturas mencionadas no referido estudo. Análise microbiológica O uso de indicadores de qualidade de água é uma excelente ferramenta para monitorar a qualidade de um sistema. Entre eles encontram-se os indicadores 114 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas microbiológicos. Estes se referem a organismos bacterianos, virais e outros ele- mentos vegetais ou animais suscetíveis de estarem presentes na água. O índice colimétrico (coliformes totais e fecais) serve para avaliar o potencial de contaminação da água por material de origem fecal, cuja determinação indica, de forma indireta, a potencialidade de a água transmitir doenças. A determina- ção da concentração dos coliformes fecais e totais assume importância como parâmetro indicador da possibilidade da existência de bactérias patogênicas, responsáveis pela transmissão de doenças de veiculação hídrica, como febre tifoide, disenteria bacilar e cólera (CETESB, 2005). A análise microbiológica solicitada pela equipe de pesquisa e realizada pelo Laboratório de Água da 12ª DIRES, considerando três pontos de amostragem, apresentaram os resultados destacados na figura 6. Figura 6 - Resultado da análise microbiológicado ponto 01 do Açude do Gravatá, Serrinha-BA. Fonte: Autores (2017). Quanto aos resultados obtidos nas análises microbiológicas das 03 amostras observou-se que em 100% das mesmas foi constatada a presença de coliformes totais e de Escherichia coli. Os resultados das análises de água foram referen- ciados com a Portaria nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde (MS), considerando a destinação para o consumo humano. A análise constatou que a água do Açude do Gravatá, de acordo com a presença dos indicadores de patógenos biológicos, não serve para ser consumida pela população. Nos países de clima favorável e com vasta riqueza de recursos hídricos como o Brasil, é comum a prática de atividades de recreação que envolvam o contato 115 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br primário com as águas do mar, rios, cachoeiras, represas e lagoas. Entretanto, conforme evidenciado por Lopes, Sperling e Magalhães Jr. (2015), nota-se uma carência de estudos e programas de monitoramento que avaliem as condições de balneabilidade, especificamente, em balneários de águas doces no Brasil. Levando em consideração o risco à saúde humana que o contato direto com a água contaminada oferece, exige-se a determinação de parâmetros que avaliem a disposição para balneabilidade. Atualmente, no Brasil, a avaliação da qualidade das águas de rios, lagoas e mares para atividades que envolvam o contato primário com as águas, ou seja, a balneabilidade deve atender aos padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA 274, de 29 de novembro de 2000 (LOPES; SPERLING; MAGALHÃES JR., 2015). De acordo com a Resolução nº 274/2000, considerando que a saúde e o bem-estar humano podem ser afetados pelas condições de balneabilidade; o artigo 2º declara: As águas serão consideradas impróprias quando no trecho avaliado, for verificada uma das seguintes ocorrências: a) não atendimento aos critérios estabelecidos para as águas próprias; b) valor obtido na última amostragem for superior a 2500 coliformes fecais (termotolerantes) ou 2000 Escherichia coli ou 400 enterococos por 100 mililitros; c) incidência elevada ou anormal, na Região, de enfermidades transmissíveis por via hídrica, indicada pelas autoridades sani- tárias; d) presença de resíduos ou despejos, sólidos ou líquidos, inclusive esgotos sanitários, óleos, graxas e outras substâncias, capazes de oferecer riscos à saúde ou tornar desagradável à recreação; e) pH 9,0 (águas doces), à exceção das condições naturais; f) floração de algas ou outros organismos, até que se comprove que não oferecem riscos à saúde humana. A análise realizada pelo Laboratório de Água da Diretoria de Saúde iden- tificou a presença dos patógenos, mas não realizou a sua quantificação, pois à luz da portaria referenciada não havia necessidade. Para a análise do padrão de balneabilidade, referenciada pela resolução CONAMA 274/2000, destacamos o estudo realizado por Carvalho e outros (2015). A partir da análise físico-química e microbiológica da água, constatou-se que o manancial apresenta valores ele- vados para coliformes fecais (presença de 2.700 NMP/ 100ml) e escherichia coli (presença de 2.500NMP/100ml) e pH maior que 9,0, estando insatisfatório para a balneabilidade de acordo com a resolução 274/2000 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). 116 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Ainda, segundo a resolução, o Açude do Gravatá não apresenta padrões satisfatórios para recreação uma vez que constatou - se a presença de resíduos sólidos e despejos de esgoto sanitário capazes de oferecer risco à saúde. Segunda análise: dados comparativos No dia 01 de novembro de 2022, a mesma equipe de pesquisadores, formadas por membros da Câmara Técnica do Conselho de Meio Ambiente, profissionais do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal e do Instituto Federal Baiano campus Serrinha, realizou novas coletas no Açude do Gravatá com o objetivo de avaliar e comparar a qualidade da água, a partir da análise e monitoramento da qualidade físico- química e microbiológica. A coleta da água se deu a uma profundidade de 20 cm, nos mesmos pon- tos destacados anteriormente e analisando os parâmetros descritos na figura 7. Figura 7 - Relação dos parâmetros analisados e os métodos utilizados. Fonte: Autores (2022). Quanto aos resultados obtidos nas análises microbiológicas das amostras observou-se que em 100% das mesmas foi constatada a presença de coliformes totais e de Escherichia coli. A análise constatou que a água do Açude do Gravatá, de acordo com a presença dos indicadores de patógenos biológicos, não serve para ser consumida pela população e não serve para balneabilidade. Após análise físico-química da água verificou-se que os parâmetros anali- sados tiveram uma piora significativa nos índices, o que pode ser justificado pela pressão exercida no corpo hídrico durante os cinco anos de intervalo entre as 117 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br duas pesquisas. Comparando os dados dos dois momentos de análise pode-se perceber a mudança entre os anos de 2017 e 2022, conforme figura 8. Figura 8 - Resultados Comparativos da média dos parâmetros entre os anos 2017 e 2022, do Açude do Gravatá, Serrinha-BA. Fonte: Autores (2022). Esses dados são a expressão quantitativa do que foi observado qualitati- vamente através da análise de impacto ambiental. A cidade de Serrinha vem se desenvolvendo sobre a rede hídrica, viabilizando assim o lançamento de efluentes domésticos em variados pontos do Açude do Gravatá. Isso pôde ser constatado com a perda do padrão estético do corpo hídrico, uma vez que o mesmo apre- senta elevada concentração de algas e a presença de macrófitas, bioindicadores de poluição, evidenciando que o recurso hídrico vem recebendo uma expressiva quantidade de efluentes domésticos, aumentando consequentemente a presença de nitrogenados e fosfatos no espelho d’água, possibilitando assim o desenvol- vimento de plantas aquáticas. Tendo por base a Metodologia pressão-estado-impacto-resposta (PEIR) proposta por Kristensen (2004) (EPIR), contata-se que o açude sofre com o lan- çamento de afluentes em seu corpo hídrico alterando suas propriedades físicas, químicas e biológicas dos componentes locais. A lei 6.938/81, que Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências, considera no Art. 3º, inciso III que a poluição consiste na degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem 118 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. Assim, há de se considerar que o Açude do Gravatá está tendo sua qualidade ambiental afetada em virtude da ausência de saneamento básico, mas especifi- cadamente esgotamento sanitário, ao nível local e municipal. Sendo considerado um corpo hídrico de extrema importância para a população Serrinhense, faz-se necessário que medidas estruturantes e educacionais sejam efetivas de forma a minimizar estes impactos ambientais negativos e garantir sua potencialidade local, segundo os usos múltiplos exigidos. CONCLUINDO E ENCAMINHANDO Os corpos hídricos têm uma relação direta com a forma de vida das popu- lações, estabelece conexão com fatores sociais, econômicos e culturais. É impor- tante destacar como os recursos hídricos determinam a efetivação de diversos tipos de atividades que representam a sustentação integral de uma sociedade, considerando desde a sobrevivência humana (insumos) até a economia e o desenvolvimento urbano. No entanto, a crescente urbanização aliada com a falta de planejamentohidrológica e limnológica do reservatório, com possíveis implicações para a qualidade da água e a eficiência do sistema de irrigação. AlgaeMAp Para a estimativa da clorofila-a foi utilizada a plataforma AlgaeMAp (Lobo et al., 2021). A plataforma, com interface em nuvem, foi desenvolvida no Google Earth Engine (GEE) e utiliza imagens Sentinel-2 corrigidas para efeitos atmos- féricos e brilho solar. Essas imagens permitem gerar uma coleção do NDCI, 13 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br possibilitando a estimativa da qualidade da água com base na concentração de clorofila-a (Chl-a) e no Índice de Estado Trófico (IET) ao longo da série temporal. Para a validação da plataforma AlgaeMap, foram realizadas coletas de amostras de água (Figura 1) e análises da concentração de clorofila-a no reser- vatório Chasqueiro. Em relação ao planejamento das coletas, seguiu-se a meto- dologia de Kuster (2012), que recomenda um intervalo de 3 dias para resultados precisos. Optou-se por coletar amostras um dia após a passagem do satélite, assegurando a verificação da qualidade das imagens e a definição dos pontos amostrais. Os pontos foram estrategicamente distribuídos ao longo do corpo hídrico, priorizando uma melhor caracterização espacial da clorofila-a. Em cada ponto, foram coletados 1 litro de água superficial a 0,30 metros de profundidade, acondicionados em frascos de vidro âmbar, previamente ambien- tados e mantidos sob refrigeração. As coletas de dados em campo ocorreram no período de setembro de 2023 a setembro de 2024, totalizando 6 campanhas que ao final totalizaram 38 pontos. Estas foram realizadas a bordo, em colaboração com a Agência Lagoa Mirim (ALM) da Universidade Federal de Pelotas. As amostras foram analisadas no Laboratório de Águas da Agência Lagoa Mirim, seguindo a metodologia do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (2012), com as análises de clorofila-a realizadas em duplicata pelo método espectrofotométrico. Figura 2 - (a) e (b) Filtragem para análise de clorofila-a e (c) análise de clorofila-a pelo método de espectrofotômetro . O desempenho estatístico das concentrações de clorofila-a observadas e estimadas pelo AlgaeMap foi avaliado utilizando o Erro Quadrático Médio 14 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas (MSE), a Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSE) e o Coeficiente de Determinação (R²). A classificação do Índice de Estado Trófico foi avaliada por meio dos testes Kappa-Cohen, Acurácia Global (AG) e Qui-Quadrado. RESULTADOS E DISCUSSÃO O resultado do modelo mostra que o coeficiente de determinação (R²) indica que aproximadamente 74,8% das variações na concentração de clorofila-a são explicadas pelas variáveis do modelo, o que representa um ajuste razoável. A Raiz do Erro Quadrático Médio (RMSE) foi de 10,80, apontando uma variação média entre os valores estimados e observados. O Erro Médio (ME) de -0,785 sugere uma leve subestimação nas previsões, enquanto o Erro Quadrático Médio (MSE) de 116,65 reflete o total acumulado dos desvios quadráticos. Os resultados do Teste Qui-Quadrado (X² = 33,943, df = 12, p = 0,0006887) indicam uma associação estatisticamente significativa entre as classificações, sugerindo que as diferenças observadas não são aleatórias. A Acurácia Global de 63,9% revela que as classificações coincidem em aproximadamente dois terços dos casos, o que reflete uma correspondência moderada entre os dados. O Índice de Kappa, de 0,46, também aponta para uma concordância moderada. Na Figura 3, é apresentada a relação entre a concentração de clorofila-a medida em diferentes pontos do reservatório, abrangendo seis coletas realizadas em cada uma das regiões analisadas: braço esquerdo, proximidades da barragem e braço direito. Essa abordagem permitiu avaliar a existência de possíveis varia- ções espaciais dentro do reservatório, explorando se há diferenças significativas entre os braços ou uma homogeneidade no sistema. Além disso, foi examinada a sazonalidade temporal, buscando compreender se as flutuações nos níveis de clorofila-a estão associadas à dinâmica de irrigação ou a padrões sazonais distin- tos. Essa análise fornece subsídios para inferir se o sistema é predominantemente homogêneo ou heterogêneo, contribuindo para uma compreensão mais ampla da qualidade da água e sua resposta às práticas de manejo hídrico. 15 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 3 - Concentração de clorofila-a em diferentes pontos do reservatório Arroio Chasqueiro. Vale destacar que as coletas de dados foram realizadas em outubro e posteriormente em fevereiro, devido a limitações logísticas e à necessidade de obter imagens de satélite com baixa cobertura de nuvens. A obtenção dessas condições meteorológicas específicas representou um desafio, evidenciando as dificuldades associadas à realização de coletas de campo em corpos hídricos que operam sob influência de práticas de manejo, como a irrigação. A Figura 3 revela uma variação sazonal e espacial nas concentrações de clorofila-a no reservatório Arroio Chasqueiro ao longo do ano. Observa-se uma elevação expressiva na concentração de clorofila-a no braço esquerdo do reser- vatório em março, quando atinge seu pico, enquanto os demais pontos de coleta apresentam flutuações menos acentuadas, o que sugere que essa região pode ser mais suscetível a acumulações de nutrientes, resultando em um aumento de fitoplâncton. Esse comportamento pode estar relacionado à dinâmica de entrada e saída de água no reservatório, com o aumento de irrigação e o consequente rebaixamento do nível de água, o que tende a concentrar nutrientes em deter- minadas áreas e favorecer o crescimento de algas. Nos meses iniciais de coleta, como setembro e outubro, a concentração de clorofila-a é relativamente mais baixa, o que possivelmente reflete as condi- ções de diluição de nutrientes devido ao volume de água elevado no início do período de irrigação. Conforme o reservatório é utilizado intensivamente para irrigação, nota-se uma tendência de aumento gradual nas concentrações até o pico registrado, o que corrobora a influência das práticas de manejo hídrico na limnologia do reservatório. 16 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Durante os meses de fevereiro a abril, período de menor armazenamento de água, há uma evidente redução na concentração de clorofila-a após o pico de março. Essa variação pode indicar que o esgotamento de nutrientes ou o menor volume de água não favorece o desenvolvimento de fitoplâncton na mesma intensidade. A sazonalidade observada, portanto, sugere uma resposta do ecos- sistema aquático tanto ao regime hidrológico imposto pelo uso do reservatório para irrigação quanto a possíveis fatores climáticos que podem afetar a taxa de crescimento das algas. Chen et al. (2007) propõem cinco etapas essenciais para o monitoramento da qualidade da água: identificar indicadores adequados que reflitam o nível de degradação do corpo hídrico; utilizar dados de sensoriamento remoto para monitorar a qualidade da água; mapear a distribuição espacial dessas informa- ções em relação ao ecossistema e às mudanças ambientais; integrar os dados de qualidade da água com as políticas de gestão de recursos hídricos; e, por fim, realizar uma avaliação abrangente do monitoramento com base no uso de tecnologias de sensoriamento remoto. Além disso, a análise entre as três regiões (braço esquerdo, barramento e braço direito) sugere uma certa homogeneidade no sistema na maioria dos períodos, com exceção dos picos mais acentuados no braço esquerdo. Essa leve heterogeneidade pode indicar diferenças locais na disponibilidade de nutrientes, hidrodinâmica ou condições de luz, fatores que precisam ser mais bem com- preendidos para otimizar a gestão da qualidade da água. A produtividade primária em sistemas hídricos está diretamente relacionada ao aporte de nutrientese pouca atenção às políticas de saneamento têm sido fatores comprometedores da qualidade da água. O comprometimento da qualidade da água pela contaminação por esgotos domésticos, muitas vezes lançados no ambiente sem tratamento prévio, implica, entre outras consequências, o aumento da incidência de doenças de veiculação hídrica. Através deste estudo pode-se perceber o grau de impacto no açude. Os resul- tados foram insatisfatórios tanto a nível físico-químico quanto microbioló- gico. Os parâmetros avaliados e analisados à luz da legislação ambiental vigente demonstraram que o impacto no Açude do Gravatá tem sido crescente. Somados a esses dados tem-se a observação do padrão estético do açude. Presença de vegetação indicadora de poluição, de resíduos sólidos e supressão da mata ciliar são fatores que reforçam alteram o padrão do açude e indicam considerável impacto ambiental. Desta forma, recomenda-se ação imediata de intervenção. É preciso tra- balhar em conjunto com a comunidade do entorno do açude. O primeiro passo 119 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br no processo de intervenção é sensibilizar a população na busca por soluções viáveis de revitalização do corpo hídrico. A balneabilidade e o consumo da água deve ser interrompido, de acordo com as resoluções já citadas no corpo deste relatório. Nesta ação imediata, é de grande importância que sejam firmadas parcerias entre os diferentes órgãos de atuação do poder público. REFERÊNCIAS ALVARENGA, L. A.; MARTINS, M. P. P.; CUARTAS, L. A.; PENTEADO, V. A.; ANDRADE, A. Estudo da qualidade e quantidade da água em microbacia, afluente do rio Paraíba do Sul – São Paulo, após ações de preservação ambiental. Ambi-Agua, Taubaté, v. 7, n. 3, p. 228-240, 2012. ARCOVA, F. C. S.; CICCO, V. Qualidade da água de microbacias com diferentes usos do solo na região de Cunha, Estado de São Paulo. Revista Scientia Forestalis, Piracicaba, n. 56, p. 125-134, 1999. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano. Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. BRASIL. Ministério das Cidades. Sistema Nacional de Saneamento Ambiental - SINISA. Diagnóstico Temático Serviços de Água e Esgoto: Visão Geral ano de referência 2022. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Resolução nº 357, de 17 março 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Brasília, 2005. CARVALHO, E. J. C.; SANTOS, J. L. A.; OLIVEIRA, N. S; MENEZES, T. L. B. de. Estudos dos impactos decorrentes da urbanização no entorno do açude do gravatá na cidade de Serrinha – Bahia. Anais do Congresso Brasileiro de Educação Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, 2015. KRISTENSEN, P. The DPSIR framework. WORKSHOP ASSESSMENT OF THE VULNERABILITY OF WATER RESOURES TO ENVIRONMENTAL CHANGE IN AFRICA, 2004, Nairobi. Proceedings… Nairobi: National Environmental Research Institute, 2004. LIBÂNIO, M. Fundamentos de Qualidade e Tratamento de Água. Campinas/SP. 3ª Edição, Editora Átomo, 2010. OPES, F. W. A.; SPERLING.E. V.; MAGALHÃES Jr, A. P. Indicadores para balneabilidade em águas doces no Brasil. Geografias ARTIGOS CIENTÍFICOS. Belo Horizonte, Janeiro - Junho Vol.11 nº1 2015. BAHIA. Perfil dos Territórios de Identidade. Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. Salvador: SEI, 2016. 3 v. p. (Série territórios de identidade da Bahia, v. 2). PIVELI, Roque Passos e KATO, Mario Takayuki. Qualidade das águas e poluição: aspectos físico- químicos. São Paulo: ABES, 2006. RÜSS-USTIN, A.; BOS, R.; GORA, F.; BARTRAM, J.. SAFER WATER, BETTER HEALTH. Costs, benefi ts and sustainability of interventions to protect and promote health. WHO, Geneva, 2008. 120 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas STANDARD METHODS FOR THE EXAMINATION OF WATER AND WASTEWATER. 21.ed. Washington, DC. EUA: American Public Health Association (APHA), the American Water Works Association (AWWA), and the Water Environment Federation (WEF), 2005. WHO/UNICEF, Protecting and promoting human health. In: Water, a shared responsibility. The UN Water Development Report 2, UNESCO, Paris.2006, p. 202-240. ' 10.37885/241118146 07 QUALIDADE DA ÁGUA NA LARVICULTURA COMERCIAL DO CAMARÃO DE ÁGUA DOCE MACROBRACHIUM AMAZONICUM (HELLER, 1862) Elias Fernandes de Medeiros Junior Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM) https://dx.doi.org/10.37885/241118146 122 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas RESUMO O objetivo do presente trabalho foi acompanhar as variações na qualidade físico-química da água em uma larvicultura comercial do camarão da Amazô- nia. O estudo foi desenvolvido na Estação Experimental Grota do Taiassuí Larvi- cultura de Camarão em Água Doce Ltda, localizada no município de Benevides, Estado do Pará. As variáveis físico-químicas temperatura e salinidade, foram determinadas por meio de uma sonda diretamente nos taques de cultivo, enquanto o nitrito, amônia e pH foram determinados por indicadores testes. As variáveis físico-químicas mantiveram-se na faixa aceitável para a manutenção das matrizes reprodutoras, bem como, para o desenvolvimento da larvicultura comercial do camarão da Amazônia. Palavras-chave: Amazônia; água doce; benevides; carcinicultura. 123 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br INTRODUÇÃO A aquicultura é uma atividade pecuária que tem como principal finalidade a produção de alimentos a partir de organismos aquáticos. Nesse contexto, os principais segmentos dessa área são representados pela piscicultura, carcinicul- tura, ostreicultura, ranicultura, algicultura, dentre outras. A pesca e a aquicultura produziram em 2022, cerca de 223,2 milhões de toneladas de pescados, desse total, 185,4 milhões foram representados animais aquáticos e 37,7 milhões por algas (FAO, 2024). No Brasil, a aquicultura brasileira tem apresentado franco crescimento liderado principalmente pelas atividades de piscicultura, no ano de 2023, o país produziu cerca de 887,029 toneladas, repre- sentando um crescimento de 3,1% comparado ao ano de 2022 (PEIXE BR, 2024). A carcinicultura é um dos segmentos da aquicultura que mais cresce no mundo, dados da FAO (2024) apontam para uma produção de cerca de quase 7 milhões de toneladas, cuja principal espécie produzida é o camarão branco do pacífico (Penaeus vannamei). O camarão da Amazônia, Macrobrachium amazonicum, é o decapoda de água doce com maior importância econômica da região leste da América do Sul (Maciel & Valenti, 2009). Embora, atualmente, essa importância seja baseada no extrativismo, não existem dados recentes que quantifiquem essa exploração. Sabe-se que na década de 90, Macrobrachium amazonicum foi responsável por, aproximadamente, 85% dos camarões de água doce pescados no Brasil (New et al., 2000). É considerada a espécie mais amplamente aceita por populações da região amazônica, onde é consumido por todas as classes sociais (Maciel & Valenti, 2009). Entretanto, apesar desse consumo, há pouca perspectiva do fornecimento desse camarão para o mercado existente devido ao declínio da produção em várias áreas naturais (Maciel & Valenti, 2009). Considerando o mercado em expansão do camarão da Amazônia e as adversidades em relação ao extrativismo, o cultivo pode ser uma importante alternativa para o fornecimento dessa espécie (Maciel & Valenti, 2009). O objetivo do presente estudo foi acompanhar as variações na qualidade da água na larvicultura comercial do camarão da Amazônia. 124 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas MATERIAL E MÉTODOS O estudo foi desenvolvido na Estação Experimental Grota do Taiassuí Larvicultura de Camarão em Água Doce Ltda, localizada no município de Bene- vides, Estado do Pará.As variáveis físico-químicas, temperatura e salinidade, foram determinadas por meio de uma sonda diretamente nos taques de cultivo. Já o nitrito (NO2-), amônia (NH³) e pH foram determinados por indicadores testes. Para isso era feita a coleta de 3 mL de volume de água diretamente dos tanques. Para amônia a proporção de reagentes era 8 gotas do primeiro reagente e 4 gotas do segundo reagente, nitrito 2 gotas do primeiro reagente e 2 gotas do segundo reagente e para o pH 4 gotas do indicador reagente sal do ácido toluenossulfônico. RESULTADOS E DISCUSSÃO As variáveis físico-químicas apresentaram oscilações em relação ao ambiente de cultivo. A temperatura atingiu o maior valor no tanque de matrizes 30°C (Figura 1). Nesse local não havia termostato ou outro aparelho que elevasse a temperatura, portanto, o clima da região ou material de construção dos tanques influenciou no valor da temperatura encontrada. Nos trabalhos de Nogueira (2008) a temperatura média da água de abas- tecimento foi de 29,2°C, enquanto a do efluente foi de 29,1°C. A temperatura da água é um parâmetro de grande importância na fase de cultivo, pois dela depende a duração do período larval. A melhor faixa está entre 28 a 31ºC (Rodrigues et al., 1991; Valenti, 1996), devendo-se, no entanto, evitar variações superiores a 1ºC. Valores acima de 35ºC podem ser letais e, abaixo de 25ºC provocam alterações no metabolismo das larvas, retardando a metamorfose, ou seja, a temperatura verificada no tanque das matrizes estava na faixa ideal para o cultivo, assim como nos outros tanques. 125 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figuras 1 - Análise de variância 5% para a variáveis temperatura em relação ao ambiente de cultivo. Fonte: Próprio Autor (2024). A salinidade do tanque de cultivo atingiu 11 ‰, esse valor se deve ao fato de que a espécie necessita de água salobra para completar seu ciclo reprodutivo, estando na faixa ideal para o cultivo entre 12 e 16‰ (Valenti, 1996). Figura 2 - Análise de variância 5% para a salinidade em relação ao ambiente de cultivo. Fonte: Próprio Autor (2024). O pH oscilou de forma significativa, o tanque de eclosão e de matrizes apresentaram os mesmos valores 8,2, enquanto o tanque de cultivo ficou em torno de 8,4 (Figura 3). As larvas apresentam melhor desenvolvimento em águas 126 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas neutras ou levemente alcalinas. A faixa ideal de pH da água de cultivo situa-se entre 7,5 a 8,5 (Valenti, 1996). Nogueira (2008) encontrou valores semelhantes 8,29 e 7,72 para a água de abastecimento e efluentes. Ou seja, o pH encontrado estava dentro da faixa ideal para o cultivo da espécie. Figura 3 - Análise de variância 5% para o pH em relação ao ambiente de cultivo. Fonte: Próprio Autor (2024). A amônia juntamente com o nitrito (Figuras 4 e 5) atingiram seus maiores valores no tanque de cultivo 0,26 e 0, 27 ppm respectivamente. Valenti (1996), cita que os níveis de amônia total não devem ser superiores a 0,5 ppm e os de nitrito acima de 0,1 ppm, devendo ser monitorados periodicamente com kits apropriados. Nogueira (2008) encontrou valores médios de amônia 0, 44 mg/L na água de abastecimento e 0, 15 mg/L no efluente, para nitrito os valores médios foram 0,01 na água de abastecimento e 0, 108 mg/L no efluente. Conforme leitura do teor de amônia tóxica e nitrito as concentrações ficaram dentro da faixa aceitável para o cultivo. A oferta de alimentos, assim como a produção de metabolitos pelos animais, contribui de forma significativa para a elevação nos níveis de amônia e nitrito, no entanto, a prática de sinfonar os tanques mostrou ser uma técnica eficiente para garantir a redução dos níveis de amônia e nitrito. 127 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 4 - Análise de variância para a variável amônia em relação ao ambiente de cultivo. Fonte: Próprio Autor (2024). Figura 5. Análise de variância para a variável nitrito em relação ao ambiente de cultivo. Fonte: Próprio Autor (2024). CONCLUSÃO As variáveis físico-químicas ficaram na faixa aceitável para o desenvolvimento da larvicultura comercial do Camarão da Amazônia. Considerando que o cultivo de camarão em viveiros escavados, pode contribuir para a diminuição da pesca 128 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas desse recurso no ambiente natural. A pesquisa possibilitou gerar informações sobre o manejo da qualidade da água, dados esses que podem ser utilizados na criação em escala comercial. REFERÊNCIAS FAO. 2024. Food and Agriculture Organization of United Nations. The State of World Fisheries and Aquaculture-Blue transformation in action. MACIEL, C.R. & VALENTI, W.C. 2009. Biology, fisheries, and aquaculture of the amanon river prawn Macrobrachium Amazonicum. NEW, M.B.; D’ABRAMO, L.R; VALENTI, W.C & SINGHOLKA, S. 2000. Sustainability of freshwater prawn culture. NOGUEIRA, M. 2008. Estudo da Qualidade dos Efluentes Gerados em Diferentes Fases do Cultivo do Camarão-da-Amazônia, Macrobrachium amazonicum. Tese apresentada ao programa de pós- graduação em Aquicultura do CAUNESP. PEIXE BR. Anuário 2024. Peixe Br da Piscicultura. Disponível em: Anuário 2024 - PeixeBR. Acessado em 04. Nov, 2024. RODRIGUES, J. B. R.; RODRIGUES, C. C. B.; MACCHIAVELLO, J. G.; GOMES, S. Z.; BEIRÃO, L. H. Manual de cultivo do camarão de água doce Macrobrachium rosenbergi na região Sul do Brasil. Florianópolis, UFSC. 76 p. 1991. VALENTI, W. C. 1996. Criação de camarões em águas interiores. Jaboticabal, Funep. 81p. (Boletim Técnico do CAUNESP n. 2), 1996. https://www.peixebr.com.br/anuario-2024/ ' 10.37885/241218520 08 QUALIDADE DA ÁGUA DO SISTEMA LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ: ANÁLISE DOS PARÂMETROS HIDROQUÍMICOS E SUAS IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS Emanuele Koschier Pinto Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Anna Nachtigall da Cruz Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Idel Cristiana Bigliardi Milani Universidade Federal de Pelotas (UFPel) https://dx.doi.org/10.37885/241218520 130 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas RESUMO Este trabalho teve como objetivo analisar as condições hidroquímicas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (RJ) a fim de identificar as principais problemáticas desse ecossistema. A pesquisa foi realizada por meio da análise dos dados hidroquímicos disponibilizados pelo programa de monitoramento do INEA, no período de 2018 a 2022, sendo esses dados comparados com a legislação vigente. A investigação revelou uma escassez de informações devido a falhas nos monitoramentos rea- lizados pelo órgão responsável, o que dificultou a tabulação e interpretação dos resultados. Os principais problemas identificados incluem o despejo de efluentes in natura nas lagoas e na bacia hidrográfica, o crescimento desordenado da urbanização no entorno e a ausência de saneamento básico adequado, fatores que comprometem a qualidade das águas. A análise mostrou que as condições de qualidade da água são críticas em vários pontos do sistema, com diversos parâmetros fora dos padrões estabelecidos pela legislação, o que impede o uso múltiplo das águas da região. Dessa forma o ideal seria a implementação de medidas de recuperação em todo o sistema, contudo entende-se que por questões financeiras, as ações devem ser pensadas com cautela, buscando recuperar os corpos lagunares em uma relação de custo-benefício. Cabe destacar que além de promover melhoria na qualidade da água do sistema lagunar como um todo, a recuperação deste ambiente aquático trará melhorias na qualidade de vida da população do entorno, já que a qualidade das águas possui relação direta com a saúde e o bem-estar da comunidade local. Palavras-chave: condições hidroquímicas do sistema lagunar de jacarepaguá; análise de qualidade da água; parâmetros hidroquímicos; ecossistemas aquáticos. 131 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br INTRODUÇÃOO município do Rio de Janeiro, situado no estado de mesmo nome, possui uma área territorial de 1.200,329 km², onde residem 6.211.423 pessoas (IBGE, 2022). O Sistema Lagunar de Jacarepaguá localiza-se no litoral sudeste e é formado por quatro lagoas principais: Lagoa da Tijuca, Lagoa de Jacarepaguá, Lagoa de Marapendi e a Lagoa de Camorim (Santos, 2017). A qualidade da água para diferentes usos tem se tornado uma preocupação crescente, pois os corpos hídricos têm recebido cada vez mais poluentes, em grande parte provenientes do despejo de esgoto e da carência de um saneamento básico eficiente (Von Sperling, 1996). Nesse contexto, o sistema lagunar em análise, conforme Tucci et al. (2003 apud Santos, 2014), enfrenta diversos impactos que comprometem a qualidade de suas águas. Esses impactos são causados pela alta concentração urbana, pela degradação dos mananciais, pelo aumento do risco nas áreas de abastecimento devido à poluição orgânica e química, pela conta- minação dos rios tributários e do próprio sistema lagunar em razão do despejo de esgotos domésticos, industriais e pluviais. Além disso, há a ausência de um sistema eficiente de coleta e disposição de resíduos sólidos urbanos. Conforme Souza e Azevedo (2020) o sistema lagunar é uma região com forte presença de turismo, recreação, pesca e navegação. Apesar das águas deste sistema não possuírem o abastecimento de água como um de seus usos, as lagoas possuem grande importância para o município do Rio de Janeiro, de forma econômica e ambiental. O objetivo deste estudo é realizar uma análise detalhada das condições hidroquímicas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, com o propósito de identificar suas fragilidades e os principais problemas ambientais, com base nos parâmetros de qualidade da água analisados. Esse estudo contribuirá para a gestão do sis- tema lagunar, fornecendo informações essenciais sobre a qualidade das águas, as quais poderão embasar trabalhos futuros e orientar a proposição de medidas para a recuperação ambiental deste ecossistema. METODOLOGIA 132 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Foi realizada busca de dados hidroquímicos junto ao site do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (INEA) o qual disponibiliza os resultados de seu Programa de Monitoramento Sistemático dos corpos hídricos do Rio de Janeiro. Os dados foram graficados e contrastados com os limites estabelecidos pela Resolução CONAMA n° 357/05. Os parâmetros de qualidade da água utilizados para identificar as condições hidroquímicas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá foram escolhidos com base na Resolução CONAMA n° 357/05. De acordo com Geag (2016) apud Rebelo (2016) o Sistema Lagunar de Jacarepaguá é de contato secundário e de águas predominantemente salobras. Dessa forma foi utilizado o enquadramento das águas do sistema lagunar como sendo Classe 2 para águas salobras. Cabe destacar que essa classificação também foi utilizada por Rebelo (2016) em seu estudo realizado no mesmo sistema lagunar. Os parâmetros inse- ridos no presente estudo foram definidos mediante a verificação de quais dados vem sendo monitorados pelo INEA, e destes quais estão inseridos na Resolução CONAMA n° 357/05. Os parâmetros selecionados para serem utilizados no estudo atual foram oxigênio dissolvido, pH, nitrito, nitrato, nitrogênio amoniacal e coliformes termotolerantes. Os dados foram tabulados em uma planilha Excel, onde na tabela 1 podem ser observados os limites estabelecidos pela Resolução CONAMA n° 357/05 para esses parâmetros, no enquadramento de Classe 2 para águas salobras. Tabela 1 - Limites estabelecidos pela Resolução CONAMA n° 357/05 para os parâmetros de qualidade da água utilizados no atual estudo, no enquadramento de Classe 2 para águas salobras. Parâmetro Limite Oxigênio dissolvido (mg/L) Superior a 4,0 pH 6,5 a 8,5 Nitrito (mg/L) 0,2 Nitrato (mg/L) 0,7 Nitrogênio Amoniacal Total (mg/L de N) 0,7 Coliformes Termotolerantes (NMP/100mL) 2500 A Figura 1, disponibilizada pelo INEA, tem o intuito de permitir a visualização dos pontos de monitoramento, por eles realizados, dentro do SLJ. 133 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 1 - Localização dos pontos de amostragem no SLJ, realizados pelo INEA. Fonte: INEA (2020-2021). Na Tabela 2 podem ser observados os pontos de monitoramento realizados pelo INEA para o SLJ. Tabela 2. Pontos de monitoramento realizado pelo INEA em cada lagoa do Sistema Lagunar de Jacarepaguá Lagoa Pontos de monitoramento Jacarepaguá JC 341, JC 342 Camorim CM 320 Tijuca TJ 306 e TJ 303 Marapendi MR 361, MR 363 e MR 369 Dos 8 pontos de monitoramento existentes no SLJ, com dados brutos dis- ponibilizados pelo INEA, foram encontrados dados brutos públicos, apenas para os pontos que estão marcados em negrito na tabela 3, sendo um na Lagoa de Jacarepaguá (JC342), um na Lagoa Camorim (CM320), dois na Lagoa da Tijuca (TJ306 e TJ303) e dois na Lagoa Marapendi (MR361 e MR369). No presente estudo foram definidos apenas 1 ponto em cada uma das lagoas cujos dados estão disponibilizados, sendo eles: Lagoa de Jacarepaguá (JC342), Lagoa de Camorim (CM320) e Lagoa de Marapendi (MR361). Na Lagoa de Marapendi havia a possibilidade de escolha de dois pontos de monitoramento (MR361 e MR369). O ponto MR361 foi escolhido como forma a caracterizar as mais significativas entradas antropogênicas do entorno as quais irão desaguar na Lagoa da Tijuca. Na Lagoa da Tijuca foi definido utilizar os dois pontos disponibilizados 134 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas pelo INEA devido ao fato de o ponto TJ306 caracterizar a Lagoa da Tijuca em ponto mais próximo ao continente e local receptor das águas advindas das demais lagoas. Já, o ponto TJ303 foi escolhido como forma a caracterizar o encontro das águas do sistema lagunar com as águas salgadas advindas do Oceano Atlântico, gerando um local de mistura e autodepuração salina. O INEA disponibiliza dados brutos para esses pontos de monitoramento de 2012 a 2022. Entretanto, o presente estudo optou por avaliar as condições do sistema lagunar contemplando apenas os últimos 5 anos de dados disponibilizados (2018 a 2022) para trabalhar com características mais recentes do ecossistema aquático e não ficar com uma série de dados tão longa que dificultasse a análise comparativa. Cabe destacar que houve, por parte do INEA, periodicidade distinta da coleta de amostras no sistema ao longo dos anos. Detalhamento das datas de amostragem podem ser visualizadas na Tabela 3. Tabela 3 - Dias e pontos de monitoramento para as lagoas inseridas no presente estudo. Ano Pontos Datas de Amostragem 2018 1 03/01 2 20/03 3 29/08 4 08/10 5 27/11 2019 6 28/01 7 03/04 8 28/05 9 31/07 10 30/09 2020 11 04/11 2021 12 13/01 13 09/03 14 15/06 15 17/08 16 05/10 17 30/11 2022 18 29/03 19 31/05 20 16/08 21 05/10 22 12/12 135 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Salienta-se que durante estes cinco anos de monitoramento a ser discutido no presente estudo foram monitorados um total de 22 dias, sendo cinco no ano de 2018, cinco no ano de 2019, apenas um no ano de 2020, seis no ano de 2021 e cinco no ano de 2022, cujas datas podem ser visualizadas na Tabela 3. O período curto de monitoramento no ano de 2020 esteve associado a Pandemia ocorrida no Brasil naquele ano, o que dificultou as ações de monitoramento ambiental pelo INEA. RESULTADOS E DISCUSSÃO Análise comparativa das condições hidroquímicas das lagoas inseridas no sistema no período de 2018 até 2022 Na Tabela 4 pode ser observado o panorama geral dos teores de oxigênio dissolvido no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados. Tabela 4 - Panorama geral dos teores de oxigênio dissolvido no SLJ. Oxigênio Dissolvido Média±dp em mg/L Mínimo em mg/L (pontos associados) Máximo em mg/L (pontos associados) Pontos inferiores ou próximo ao mínimoPior ano Jacarepaguá 3,7±4,53 0 (6, 15, 18) 14 (1) 16 (11) 14 pontos 2022 Camorim 4,8±3,94 0 (15) 18 (6) 11 (19) 11 pontos 2022 Marapendi 5,9±5,44 1,2 (19) 24 (7) 10 pontos 2022 Tijuca continente 4,6±5,64 0 (12, 15) 19 (22) 11 pontos 2021 Tijuca Oceano 3,9±1,91 0 (15) 7 (1) 9 pontos 2021 Ao observarmos os resultados dos teores de oxigênio dissolvido percebe-se que a Lagoa de Jacarepaguá é a mais crítica de todas elas, tanto no que concerne a média dos teores, número de pontos fora do limite aceitável (4 mg/L), número de pontos monitorados com ausência total de oxigênio dissolvido. Porém, cabe destacar que o sistema como um todo está em condições alarmante e crítica em termos de oxigenação, destacando-se o ponto 15, cuja coleta foi realizada no dia 17 de agosto de 2021, como o dia mais crítico pela recorrência de inadequa- ções aos teores de oxigênio no sistema lagunar como um todo. Os anos mais críticos dos anos monitorados foram os anos de 2021 e 2022, talvez associado ao retorno da pandemia, momento no qual houve um retorno mais significativo 136 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas às atividades tanto comerciais quanto de turismo associado à região. Dentre as lagoas monitoradas cabe destacar a Lagoa da Tijuca no ponto de monitoramento mais próximo ao Oceano (TJ 303) como um local com baixas condições de oxi- genação em termos dos teores médios. A falta de oxigênio dissolvido neste local está associada a estas águas estarem em contato mais efetivo com as águas do Oceano Atlântico, salinizando esse local. Devido ao fato de águas oceânicas terem maior dificuldade de absorver oxigênio do ar atmosférico (Fiorucci; Filho, 2005) há a probabilidade de a baixa oxigenação não estar diretamente afetada aos processos de degradação de poluentes e sim às condições de salinidade. Além disso os teores máximos de oxigênio dissolvido neste ponto não ultrapassaram o limite de 10 mg/L que indicaria supersaturação consequência do crescimento excessivo de algas, associado a entradas antropogênicas significativas. Na Tabela 5 pode ser observado o panorama geral dos teores de coliformes termotolerantes no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados. Tabela 5 - Panorama geral dos teores de coliformes termotolerantes no SLJ. Coliformes Termotol. Média±dp em NMP/100mL Mínimo em NMP/100mL (pontos associados) Máximo em NMP/100mL (pontos associados) Pontos fora do limite aceitável Pior ano Jacarepaguá 220000±16103 330 (11) 540000 (5, 22) 19 pontos 2019 Camorim 490000±340050 1400 (6) 1600000 (16) 21 pontos 2021 Marapendi 7000±35407 45 (12) 130000 (8) 14 pontos 2019 Tijuca continente 110000±377658 3300 (1) 1600000 (12) 22 pontos 2021 Tijuca Oceano 34000± 53696 1900(22) 190000 (21) 21 pontos 2022 Ao observarmos os resultados dos teores de coliformes termotolerantes percebe-se que a Lagoa de Camorim é a mais crítica de todas elas, no que concerne aos teores médios. Os máximos teores de coliformes termotolerantes detectados no monitoramento foram na Lagoa de Camorim e na Lagoa da Tijuca próxima ao continente. Observando os dados apresentados na Tabela 5 não se conse- gue identificar dias ou anos mais críticos dentro do estudo. Quanto ao número de pontos fora do limite aceitável para os teores de coliformes termotolerantes, percebe-se que para todas as lagoas pertencentes ao sistema lagunar em estudo este é assustador, indicando que em praticamente todo tempo este sistema encontra-se com teores alarmantes de coliformes. A situação menos crítica em relação aos teores de coliformes foi detectada na Lagoa de Marapendi. Porém, 137 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br cabe destacar que o sistema como um todo está em condições inadequadas apontando para águas com elevado potencial de disseminação de doenças, indi- cando a presença de esgotos e microrganismos patogênicos. Tal situação deve ser melhor investigada ainda mais em águas que conforme já foi indicado estão com condições de oxigenação significativamente reduzidas em praticamente todo o período avaliado. Na Tabela 6 pode ser observado o panorama geral dos teores de pH no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados. Tabela 6 - Panorama geral dos teores de pH no SLJ. pH Média±dp Mínimo (pontos associados) Máximo (pontos associados) Pontos fora do limite aceitável Pior ano Jacarepaguá 7,57±0,74 7,11 (18) 9,60 (11) 5 pontos 2021 Camorim 7,81±0,68 7,10 (15) 10,10 (6) 3 pontos 2019 Marapendi 7,75±0,59 7,20 (20) 9,00 (7) 5 pontos 2021 Tijuca continente 7,80±0,60 7,20 (21) 9,20 (22) 5 pontos 2019 Tijuca Oceano 7,70±0,30 7,12 (19) 8,30 (11) 0 pontos - Ao observarmos os resultados dos teores de pH percebe-se que os com- portamentos são muito similares entre as lagoas, excetuando para o ponto de monitoramento mais próximo ao Oceano situado na Lagoa da Tijuca, o qual encontra-se em uma situação mais adequada, não tendo sido detectada nenhuma adversidade para o parâmetro pH. As demais lagoas encontram-se em alguns dias do monitoramento com o pH acima do limite máximo aceitável que é de 8,5, caracterizando essas águas com basicidade acima do limite permitido. Em nenhum dos momentos de monitoramento foram identificadas águas mais ácidas do que os limites permitidos pela legislação vigente. Porém, conforme Von Sperling (1996) os valores de pH afastados da neutralidade podem causar impactos na vida aquática, além de prejudicar os microrganismos responsáveis por degradar biologicamente os poluentes advindo do esgotamento sanitário. Além disso, o autor menciona que valores elevados de pH costumam estar associados a proliferação de algas, o que pode indicar eutrofização na lagoa, processo este que pode também estar associado à redução dos teores de oxigênio dissolvido nas águas no momento de degradação das algas de eutrofização. Os resultados apresentados indicaram que os anos mais críticos em termos de desvio do pH 138 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas foram os anos de 2019 e 2021, não sendo possível inferir sobre o dia mais crítico no monitoramento realizado. Na Tabela 7 pode ser observado o panorama geral dos teores de nitrato no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados. Tabela 7 - Panorama geral dos teores de nitrato no SLJ. Nitrato Média±dp em mg/L Máximo em mg/L (pontos associados) Pontos fora do limite aceitável Pior ano Jacarepaguá 0,02±0,17 0,61 (10) 0 pontos - Camorim 0,02±0,05 0,19 (10) 0 pontos - Marapendi 0,03±0,61 2,17 (16) 1 ponto 2021 Tijuca continente 0,03±0,89 2,98 (16) 1,31 (17) 2 pontos 2021 Tijuca Oceano 0,03±1,49 5,24 (16) 0,84 (17) 2 pontos 2021 Ao observarmos os resultados dos teores de nitrato percebe-se que houve problemática pontual associada aos teores deste parâmetro, sendo identificados teores fora do limite permitido pela legislação vigente apenas nas Lagoas de Marapendi e Tijuca nos dois pontos monitorados. Nas demais lagoas os teores ficaram sempre dentro do limite aceitável. Percebe-se que o ano de 2021 foi o ano mais crítico em termos de teores de nitrato, tendo como pontos críticos os pontos 16 e 17, respectivamente em amostragens realizadas em 05 de outubro e 30 de novembro de 2021. O teor mais crítico foi detectado na Lagoa da Tijuca próximo ao Oceano Atlântico. A contaminação de corpos d’água superficiais por compostos nitrogenados mais oxidados como o nitrato estão associados a um processo de oxidação de esgotos mais longínquo, indicando a possibilidade de este poluente já ter sido oxidado ao longo do tempo e ter sido transportado do continente para as águas mais próximas ao oceano. Na Tabela 8 pode ser observado o panorama geral dos teores de nitrito no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados. 139 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Tabela 8 - Panorama geral dos teores de nitrito no SLJ. Nitrito Média±dp em mg/L Máximo em mg/L (pontosassociados) Pontos fora do limite aceitável Pior ano Jacarepaguá 0,11±0,27 1,00 (10) 1 ponto 2019 Camorim 0,015±0,46 1,49 (10) 1 pontos 2019 Marapendi 0,02±0,03 0,09 (17) 0 pontos - Tijuca continente 0,01±0,044 0,14 (5) 0 pontos - Tijuca Oceano 0,01±0,028 0,09 (7) 0 pontos - Ao observarmos os resultados dos teores de nitrito percebe-se que houve problemática pontual associada aos teores deste parâmetro, sendo identificados teores fora do limite permitido pela legislação vigente apenas nas Lagoas de Jacarepaguá e Camorim. Nas demais lagoas os teores ficaram sempre dentro do limite aceitável. Percebe-se que o ano de 2019 foi o ano mais crítico em termos de teores de nitrito, tendo como ponto crítico o ponto 10 em amostragens realizada em 30 de setembro de 2019. Similar ao já indicado para o parâmetro nitrato, a contaminação de corpos d’água superficiais por compostos nitrogenados mais oxidados como é o caso deste parâmetro estão associados a um processo de oxidação de esgotos mais longínquo, indicando a possibilidade de este poluente já ter sido oxidado ao longo do tempo e ter sido transportado do continente para as águas mais próximas ao oceano. Na Tabela 9 pode ser observado o panorama geral dos teores de nitrogê- nio amoniacal no sistema Lagunar de Jacarepaguá durante os anos avaliados. Tabela 9 - Panorama geral dos teores de nitrogênio amoniacal no SLJ. Nitrogênio Amoniacal Média±dp em mg/L Máximo em mg/L (pontos associados) Pontos fora do limite aceitável Pior ano Jacarepaguá 4,51±4,37 15,60 (15) 20 pontos 2021 Camorim 4,72±7,79 37,00 (1) 18 pontos 2018 Marapendi 5,26±7,27 37,60 (1) 21 pontos 2018 Tijuca continente 4,83±3,68 18,20 (1) 22 pontos 2018 Tijuca Oceano 2,72±2,33 9,80 (15) 20 pontos 2021 Ao observarmos os resultados dos teores de nitrogênio amoniacal percebe-se que o sistema lagunar como um todo encontra-se em situação crítica associada a este parâmetro. Os teores mais elevados foram detectados nas Lagoas de 140 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Camorim e Marapendi. Os anos mais críticos em termos de elevação dos teores de nitrogênio amoniacal foram 2018 e 2021 nos pontos 1 e 15, em coletas realiza- das em 03 de janeiro de 2018 e 17 de agosto de 2021. Percebe-se que para todas as lagoas pertencentes ao sistema lagunar em estudo este é altamente crítico, indicando que em praticamente todo tempo este sistema encontra-se com teores alarmantes de nitrogênio amoniacal. Corrêa (2023) já enfatizava que os elevados teores de nitrogênio amo- niacal nas águas do sistema lagunar de Jacarepaguá estariam associados ao constante despejo de esgoto doméstico in natura, intensificado ao longo dos anos, impedindo que as lagoas possuam elementos físico-químicos e biológicos suficientes para degradá-lo. Estes elevados teores de nitrogênio amoniacal em detrimento de elevados teores de nitrato e nitrito vão de encontro ao conceito descrito por Von Sperling (1996), onde a poluição recente está relacionada ao nitrogênio na forma orgânica ou de amônia, enquanto poluição mais remota está associada ao nitrogênio em forma de nitrito e nitrato. Ou seja, os resultados aqui apresentados indicam que o sistema lagunar de Jacarepaguá está sofrendo com o despejo de esgotos in natura e que estes vão se oxidando a nitrito e a nitrato, mas que o mais crítico no sistema é a entrada constante de esgotos corroborada pelos altos teores de nitrogênio amoniacal os quais indicam um processo de entrada recente de contaminantes para esse ecossistema aquático, cujo processo de nitrificação irá prejudicar ainda mais o ecossistema pelo consumo de oxigênio dissolvido no ambiente. Os resultados gerais do monitoramento realizado pelo INEA no período de 2018 até 2022, no sistema Lagunar de Jacarepaguá, indicam haver problemática significativa na qualidade das diferentes lagoas inseridas no sistema. Dentre os parâmetros mais preocupantes em termos de recorrência ao longo da rede amostral e do período de amostragem associado aos teores fora dos limites aceitáveis pela resolução vigente, destacam-se oxigênio dissolvido, coliformes termotolerantes e nitrogênio amoniacal. Dentro do sistema, estes foram os que mais se destacaram por extrapolarem o limite máximo estabelecido pela resolução CONAMA n° 357/2005. Dentre os anos mais recorrentes de problemáticas detectadas durante o período monitorado podemos destacar o ano de 2021, que em grande parte do tempo esteve com os limites dos parâmetros supracitados fora do limite aceitável. 141 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br A Lagoa de Jacarepaguá destaca-se dentro do sistema como a mais crítica em termos de teores de oxigênio dissolvido, o que corrobora com a afirmação de Domingos (2001) apud Gomes et al. (2009) ressaltando que a Lagoa de Jacare- paguá é a mais continental do SLJ, com troca limitada de água com o mar e com o maior tempo de retenção da água, contribuindo para o aumento da eutrofiza- ção. Já, a Lagoa de Camorim destaca-se como a mais problemática em termos dos elevados teores de coliformes termotolerantes. Já, em termos do parâmetro nitrogênio amoniacal percebe-se que o sistema lagunar como um todo encon- tra-se em situação crítica associada a este parâmetro, mas podemos destacar como mais crítica a situação das lagoas de Camorim e Marapendi. A Lagoa com melhor qualidade foi a da Tijuca em seu ponto mais próximo ao Oceano Atlântico. Os parâmetros que excederam os limites com maior relevância e que consequentemente causam maiores impactos, corroboram com a pesquisa feita para a realização do trabalho, onde a maior parte dos autores destacou o aporte de esgotamento sanitário para as lagoas como um dos fatores mais prejudiciais para a qualidade da água do sistema lagunar. Um destes trabalhos foi o de Santos (2014), onde indicou que algumas intervenções foram realizadas no SLJ, melhorando a qualidade da água das lagoas. Mas que, logo após as intervenções, foram registradas tendências de estagnação do parâmetro de coliformes termotolerantes, sendo esse um dos principais indi- cadores de contaminação por esgoto doméstico. Além disso, a autora ressaltou que as lagoas estão sendo prejudicadas pelas elevadas concentrações de matéria orgânica e nutrientes, impactando os usos do sistema lagunar, ocasionando até mesmo episódios de mortandade de peixes. Os resultados dos teores de oxigênio dissolvido associados aos teores de coliformes termotolerantes e nitrogênio amoniacal apontam para uma situa- ção de degradação das águas do sistema lagunar de Jacarepaguá associado a provável entrada de esgoto doméstico in natura no sistema, associado a falta de proteção marginal. Conforme já mencionado por Souza e Azevedo (2020) é evidente o esgoto in natura descarregado nas lagoas advindo dos rios tributários o qual prejudica de forma significativa a qualidade do SLJ. Corrêa (2023) já apontava que são nítidas as consequências antrópicas no Sistema Lagunar de Jacarepaguá e o impacto direto do esgoto in natura 142 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas que converge das bacias de drenagem para o interior das lagoas alterando sua qualidade. A autora ressalta que a poluição e o despejo de esgotos domésticos e industriais sem tratamento prévio na bacia hidrográfica refletem significativa- mente na qualidade das águas do SLJ. De acordo com SEMADS (2001 apud Gomes et al., 2009) os rios que deságuam no sistema e cortam grande parte dos bairros do Sistema Lagunar de Jacarepaguá e adjacências, transportam em suas águas grande quantidade de sedimentos, resíduos industriais e domésticos. A qualidade da água destes rios deve ser monitorada continuamente e ações de controle dos impactos, advindos dos mesmos, devem ser adotadas pois esses tributários podem ser responsáveis por significativo aporte de poluição hídrica para as lagoas pertencentes ao Sis- tema Lagunar de Jacarepaguá. Outro fator prejudicial para a qualidade daágua do sistema lagunar é o aumento desordenado da urbanização ao redor do sistema Lagunar, que de acordo com Santos (2014) o crescimento exacerbado da urbanização, em conjunto com a falta de saneamento básico que não acompanha o crescimento populacional, prejudica a qualidade da água dos corpos hídricos, além de causar instabilidade dentro da bacia hidrográfica em que o sistema lagunar está inserido, pois altera de forma significativa todo o ciclo hidrológico. Os impactos ambientais que o crescimento da urbanização acelerado e inadequado gera para as lagoas pertencentes ao sistema são alarmantes, como observado nos resultados obtidos no presente trabalho. O processo de uso e ocupação irresponsável do solo causam severos impactos na região, degradando e poluindo o sistema lagunar. O Sistema Lagunar de Jacarepaguá, por ser uma região costeira, tende a possuir contaminações expressivas devido ao grande número de turistas que circula na região. Santos (2014) ressalta os impactos ambientais que o crescimento descon- trolado de área urbanizada gera para as lagoas pertencentes ao sistema, como o aumento da poluição ao redor das lagoas, a contaminação dos rios tributários e consequentemente do sistema lagunar por efeito do despejo de esgotos domés- tico, industrial e pluvial carreado para o interior destas, a geração de enchentes urbanas em função do gerenciamento inadequado da drenagem urbana, além da falta de um sistema de coleta e disposição de resíduos sólidos urbanos. 143 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br A carência de saneamento básico adequado na região é predominan- temente a problemática que está em evidência em todo o entorno do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Esse processo é evidenciado quando se observa os resultados obtidos para a Lagoa de Marapendi, que não recebe a água dos rios tributários como as Lagoas de Jacarepaguá, Camorim e Tijuca, mas que ainda sim, encontra-se com diversos parâmetros fora do estipulado pela legislação, sendo consequência do aumento desordenado das áreas urbanizadas que estão intensificando o lançamento de esgoto in natura nas lagoas. Por esse motivo, foi escolhido utilizar o ponto MR361 como mencionado anteriormente, para que fosse possível representar de forma mais assertiva o impacto das construções civis ao redor das lagoas, pois o ponto MR369 encontra- -se mais próximo da ligação da Lagoa de Marapendi com o restante do sistema. Devido ao fato de as lagoas serem bastante rasas e próximas a entradas antropogênicas o processo de autodepuração é dificultado propiciando pro- cessos de eutrofização e consequente produção de toxinas ao sistema aquá- tico. As melhores condições hidroquímicas da Lagoa da Tijuca mais próxima do Oceano Atlântico provavelmente esteja associada a estar mais distante das entradas antropogênicas e devido ao fato de estar mais próxima a água oceânica, que através da salinidade propicia os processos de autodepuração salina com consequente degradação dos poluentes aquáticos. A alteração da qualidade da água do sistema lagunar implica diretamente em seus diferentes usos, além de causar impactos na saúde pública. De acordo com Gomes et al. (2009) a ação da eutrofização acarreta a presença de cianobactérias tóxicas no SLJ, sendo extremamente prejudicial para a saúde humana, uma vez que as águas são de uso recreativo. Dessa forma, apresenta-se a necessidade de adoção de medidas de recuperação desse ecossistema aquático como forma a minimizar os impactos ambientais e de bem-estar físico, mental e social da população ocorridos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados gerais do monitoramento realizado pelo INEA no período de 2018 até 2022, no sistema Lagunar de Jacarepaguá, indicam haver problemática significativa na qualidade das diferentes lagoas inseridas no sistema, principalmente 144 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas associada aos parâmetros oxigênio dissolvido, coliformes termotolerantes e nitro- gênio amoniacal. Dentro do sistema, estes foram os que mais se destacaram por extrapolarem o limite máximo estabelecido pela resolução CONAMA n° 357/2005. Dentre os anos mais recorrentes de problemáticas detectadas, durante o período monitorado, podemos destacar o ano de 2021, que em grande parte do tempo esteve com os limites dos parâmetros supracitados fora do limite aceitável, devendo ser investigado os motivos para essa situação mais crítica. A Lagoa de Jacarepaguá destaca-se dentro do sistema como a mais crítica em termos de teores de oxigênio dissolvido, por ser a mais continental do SLJ, com troca limitada de água com o oceano e com o maior tempo de retenção da água, contribuindo para o aumento do potencial de eutrofização. Já, a Lagoa de Camorim destaca-se como a mais problemática em termos dos elevados teores de coliformes termotolerantes. Em termos do parâmetro nitrogênio amoniacal percebe-se que o sistema lagunar como um todo encontra-se em situação crítica associada a este parâmetro, mas podemos destacar como mais significativa a situação das lagoas de Camorim e Marapendi. A Lagoa com melhor qualidade foi a da Tijuca em seu ponto mais próximo ao Oceano Atlântico provavelmente associada a estar mais distante dos tributários e por sofrer autodepuração advinda das águas salinas ou salobras do oceano adjacente. Os resultados dos teores de oxigênio dissolvido, associados aos teores de coliformes termotolerantes e nitrogênio amoniacal apontam para uma situação de degradação das águas do sistema lagunar de Jacarepaguá relacionado a provável entrada de esgoto doméstico in natura no sistema. Associado a isto, os rios que deságuam no sistema e cortam grande parte dos bairros do Sistema Lagunar de Jacarepaguá e adjacências, transportam em suas águas grande quantidade de sedimentos, resíduos industriais e domésticos. Pode-se perceber que os impactos na qualidade da água são amplificados pelo crescimento desordenado da urbanização nas áreas ao redor do sistema lagunar e da bacia hidrográfica como um todo, somado à carência de um sanea- mento básico eficiente. O lançamento de efluentes ocorre ao longo de toda a bacia, desembocando diretamente nas lagoas, o que contribui para o aumento dos níveis de coliformes e do risco de eutrofização, além da diminuição do oxigênio dissolvido nessas águas, de forma a prejudicar os ecossistemas aquáticos e a qualidade das águas. Portanto, a remediação do sistema lagunar torna-se uma 145 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br prioridade, sendo indicada a implementação de ações de recuperação ambiental para restaurar o equilíbrio ecológico e melhorar as condições de vida na região. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2005. CORRÊA, M. C. 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Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro – RJ. 2009. IBGE. Censo Demográfico 2022: Resultados Preliminares. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 15 jan. 2024. INEA. Bacia do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Instituto Estadual do Ambiente. Rio de Janeiro. 2018. REBELO, L. P. Diagnóstico da qualidade da água do complexo lagunar de Jacarepaguá de 2001 a 2015. Rio de Janeiro: UFRJ. 2016. SANTOS, A. L. F. Efeitos de obras hidráulicas na renovação das águas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá e na balneabilidade das praias adjacentes ao canal da Joatinga. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2017. SANTOS, M. R. EVOLUÇÃO TEMPORAL DA EUTROFIZAÇÃO NO COMPLEXO LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ. Rio de Janeiro: Escola Politécnica da UFRJ, 2014. SEMADS (Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável). 2001. Ambiente das águas do estado do rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Sholna Reproduções gráficas. 203p. SOUZA, F. 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SOBRE OS ORGANIZADORES Clecia Simone Goncalves Rosa Pacheco PhD em Educação (UCSF - Argentina); Doutorado Profissional em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial pelo Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT/UNIVASF); Master of Sciece em Educação (UI - Lisboa/Portugal); Mestrado Profissional em Tecnologia Ambiental (ITEP/PE); Especialista em Auditoria e Perícia Ambiental (Universidade Estácio Sá/SP); Geógrafa (UPE); Docente efetiva do Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) no Colegiado de Tecnologia em Alimentos. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS/ UNIVASF). Membro de la Rede Iberoamericana del Médio Ambiente (REIMA/Brasil); Membro da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) atuando no GT - Manejo de Agroecossistemas; Docente Correspondente de la Academía Internacional de Ciencias, Educación, Tecnologías y Humanidades (Valencia/España); Líder do Grupo de Pesquisas Interdisciplinar em Meio Ambiente (GRIMA/CNPq) e Núcleo de Pesquisa Geoambiental (NuPGEO/CNPq). Docente e Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Tecnologia Ambiental e Sustentabilidade nos Territórios Semiáridos (TASTS/IF Sertão-PE); Membro do Corpo Editorial da Editora Científica Digital; Membro do Corpo Editorial da Brazilian Journal of Animal and Environment Research (BJAER) e da South Florida Journal of Environmental and Animal Science. Revisora de periódicos científicos, entre eles: GEOUSP: espaço e tempo; OPARÁ: Etnicidade, Movimentos Sociais e Educação; Revista Iberoamericana Anmbiente & Sociedade; Revista Científica Diversidad Biologica y su Gestión Integrada; Diversitas Journal; Journal of Edication, Society an Behavioural Science. Colaboradora da Rede MapsBioma Árida; Palestrante nacional e internacional. ORCID: https:// orcid.org/0000-0002-7621-0536. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6358715394273386 Reinaldo Pacheco dos Santos Perito Ambiental (InBS); Graduado em Pedagogia pela Universidade Norte do Paraná (2008). Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS) pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF); Especialista em Gestão Escolar pelo Instituto Superior de Teologia Aplicada (2010). Graduando em Geografia pela Universidade de Pernambuco (UPE). Membro da la Red Iberoamericana de Medio Ambiente (REIMA); Vice-líder do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Meio Ambiente (GRIMA) do Instituto Federal do Sertão Pernambucano - Campus Petrolina, atuando nas seguintes Linhas de Pesquisa: 1. Ecopedagogia e Sustentabilidade Socioambiental; 2; Geografia Contextualizada, Educação e Sustentabilidade Semiárida; 3. Ecodinâmica Ambiental e Recuperação de Áreas Degradadas. Vice- líder do Grupo de Núcleo de Pesquisas Geoambientais (NupGeo). Membro do Comitê Científico e Editorial da Editora Científica Digital. Autor de diversos artigos na área de Educação, Educação Ambiental, Ecopedagogia;Territórios Semiáridos; Ecossistemas e Paleoecossistemas. Lattes: http://lattes.cnpq.br/9147174509760048 Walmir Fernandes Pereira Doutor em Ciências da Educação pela Faculté Libre des Sciences de L’Homme et de L’Environnement de Paris, França (2024). Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação pela Miami University of Science and Technology (MUST UNIVERSITY - Estados Unidos), com título reconhecido no Brasil. Professor universitário (Graduação e Pós-graduação Lato Sensu e Stricto Sensu) e da educação básica (Ensino Fundamental e Ensino Médio). Gestor Escolar na rede pública Estadual do Rio de Janeiro. Tem formação como: Pedagogo, Psicopedagogo, Neuropsicopedagogo e Musicoterapeuta. Especializações (Lato Sensu) nas áreas da Educação, Línguas Estrangeiras Modernas e Tradução, Saúde e Gestão. Possui graduação em Letras, em Pedagogia, em Artes Visuais, em Educação Especial, em História e também em Filosofia. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8916022554187684 ÍNDICE REMISSIVO A Água Doce: 23, 121, 122, 123, 124, 128 AlgaeMAp: 9, 10, 11, 12, 13, 16, 18, 20 Amazônia: 40, 122, 123, 127, 128 Amostradores de Sedimentos: 43, 45, 46, 47, 49, 54 B Benevides: 122, 124 C Carcinicultura: 122, 123 Clorofila-a: 8, 9, 10, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 33 Condições do Sistema Lagunar de Jacarepaguá: 22 Corpo Hídrico: 13, 16, 37, 38, 48, 84, 103, 105, 106, 108, 116, 117, 118, 119 E Ecossistemas Aquáticos: 9, 10, 22, 24, 81, 83, 85, 111, 130, 144, 145 Educação Ambiental: 61, 74, 75, 76, 103, 106 G Gestão de Resíduos Sólidos: 60, 61, 62, 72, 74, 76, 78 I Impacto Ambiental: 39, 73, 94, 103, 117, 118 J Jacarepaguá: 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 129, 130, 131, 132, 133, 135, 136, 137, 138, 139, 140, 141, 142, 143, 144, 145 L Limnologia: 15, 81, 98 M Metais Pesados: 81, 84, 86, 87, 96, 97 N Nutrientes: 9, 10, 15, 16, 17, 32, 33, 81, 88, 95, 96, 141 P Parâmetros Hidroquímicos: 22, 37, 129, 130 Piscicultura: 81, 83, 84, 88, 94, 95, 123, 128 Q Qualidade da Água: 9, 10, 11, 12, 13, 14, 16, 18, 19, 22, 23, 30, 33, 34, 35, 36, 38, 40, 103, 104, 105, 106, 110, 116, 118, 119, 121, 123, 128, 129, 130, 131, 132, 141, 142, 143, 144, 145 R Reciclagem: 61, 62, 67, 69, 71, 72, 73, 74, 75, 77, 78 Recuperação Ambiental: 22, 27, 28, 38, 39, 131, 145 S Sedimento: 28, 34, 42, 43, 45, 47, 49, 50, 51, 52, 53, 56, 57, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97 Sedimento em Suspensão: 43, 45 Sustentabilidade Urbana: 61 T Tanque Rede: 81, 84, 88 Testemunhos Sedimentares: 43, 46 U Urbanização: 30, 38, 83, 102, 103, 104, 118, 119, 130, 142, 144 VENDA PROIBIDA - acesso livre - OPEN ACCESS científica digital www.editoracientifica.com.br | contato@editoracientifica.com.br https://twitter.com/EditoraCientfi1 https://www.youtube.com/channel/UCjN42grxlbW3gllZHhbxTqA https://www.editoracientifica.org mailto:contato%40editoracientifica.org?subject= https://www.facebook.com/editoracientifica https://www.instagram.com/editoracientifica/ 01 ANÁLISE ESPACIAL E TEMPORAL DA CONCENTRAÇÃO DE CLOROFILA-A NO RESERVATÓRIO ARROIOCHASQUEIRO: DINÂMICA DE IRRIGAÇÃO E SAZONALIDADE Laura Martins Bueno Eduardo Luceiro Santana Ottoni Marques Moura de Leon Felipe de Lucia Lobo 10.37885/241118161 02 Diagnóstico do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (RJ): Análise das Problemáticas Ambientais no Ecossistema Emanuele Koschier Pinto Anna Nachtigall da Cruz Idel Cristiana Bigliardi Milani 10.37885/241018022 03 EQUIPAMENTOS DE AMOSTRAGEM DE SEDIMENTO Kamilla da Silva Martins Pitana Idel Cristiana Bigliardi Milani 10.37885/241018020 04 Levantamento da Gestão de Resíduos Sólidos no Município de Pelotas/RS: Análise de Projetos Existentes e Proposição de Melhorias Anna Nachtigall da Cruz Emanuele Koschier Pinto Idel Cristiana Bigliardi Milani Reginaldo Galski Bonczynski 10.37885/241018021 05 MÉTODOS DE ESTUDOS GEOQUÍMICOS PARA MONITORAMENTO AMBIENTAL DE SEDIMENTO DE CORPOS HÍDRICOS Hênio do Nascimento Melo Júnior Hênio Vitor Sobral Melo Francisco José de Paula Filho Raimundo Nonato Pereira Teixeira 10.37885/240917650 06 O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO DESORDENADA E SEUS IMPACTOS NO AÇUDE DO GRAVATÁ, SERRINHA/BA Jackeline Lisboa Araújo Santos Juliana Araújo Santos Maria Auxiliadora Freitas dos Santos 10.37885/240817578 07 QUALIDADE DA ÁGUA NA LARVICULTURA COMERCIAL DO CAMARÃO DE ÁGUA DOCE MACROBRACHIUM AMAZONICUM (HELLER, 1862) Elias Fernandes de Medeiros Junior 10.37885/241118146 08 Qualidade da Água do Sistema Lagunar de Jacarepaguá: Análise dos Parâmetros Hidroquímicos e suas Implicações Ambientais Emanuele Koschier Pinto Anna Nachtigall da Cruz Idel Cristiana Bigliardi Milani 10.37885/241218520 SOBRE OS ORGANIZADORES ÍNDICE REMISSIVOprovenientes de ecossistemas terrestres, conforme destacado por Martini et al. (2006). Essa relação é fundamental para entender as variações na biomassa algal, indicadas pelas concentrações de clorofila-a. A clorofila-a, além de ser um indicador amplamente utilizado para a biomassa fitoplanctônica devido à facilidade de medição, desempenha um papel crucial na avaliação da qualidade da água em reservatórios (LAMON III et al., 1996). Além disso, é necessário entender o comportamento temporal da cloro- fila-a (Figura 4) no reservatório, dado que suas concentrações podem refletir mudanças sazonais e o impacto do manejo hídrico. Para essa análise, foram utilizados dados obtidos pelo AlgaeMAP, validados para a região e abrangendo o período de janeiro de 2020 a setembro de 2024. Optou-se por monitorar uma área 17 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br específica do braço esquerdo do reservatório, por ser a região que apresentou maior heterogeneidade nas concentrações de clorofila-a. Esse enfoque permite uma avaliação mais detalhada das variações ao longo do tempo, destacando possíveis períodos críticos e padrões que podem ser associados às práticas de manejo hídrico e à dinâmica ambiental local. Figura 4 - Comportamento temporal da concentração de clorofila-a na área de estudo. A análise temporal revela um padrão cíclico de variação na biomassa fito- planctônica ao longo dos anos. Observa-se que, em determinados períodos, as concentrações de clorofila-a atingem picos acentuados, como visto em meados de 2021 e 2022, onde algumas medições ultrapassaram 200 mg/m³. Esse com- portamento pode estar diretamente relacionado às condições hidrológicas e ao manejo hídrico da região, uma vez que o reservatório sofre influência dos ciclos de irrigação, com maior extração de água durante as estações secas. A sazonalidade aparente nos dados de clorofila-a sugere uma resposta do fitoplâncton às condições ambientais, como a disponibilidade de nutrientes e as variações na temperatura da água, que também podem estar correlacionadas com o regime de chuvas da região. Nos períodos com maior precipitação, há uma tendência de diluição dos nutrientes, o que pode justificar as concentrações mais baixas observadas. Por outro lado, nos períodos secos, especialmente aqueles que coincidem com o uso intensivo de água para irrigação, as concentrações de clorofila-a tendem a se elevar devido à maior concentração de nutrientes remanes- centes e à estabilização das massas de água, o que favorece o crescimento algal. Além disso, a análise temporal permite inferir que o sistema responde de forma interanual, com alguns anos apresentando maiores picos de concentração 18 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas de clorofila-a que outros. De acordo com Lamon III et al. (1996) e Goddijn-Murphy et al. (2009), a enfatizam a importância do monitoramento contínuo para capturar padrões sazonais e interanuais. Essa variação pode estar associada a mudanças nas práticas de manejo hídrico ou a fenômenos climáticos específicos que alteram a disponibilidade de recursos e as condições para o desenvolvimento de algas no reservatório. Essa relação entre o manejo hídrico e os níveis de clorofila-a destaca a importância de um monitoramento contínuo e ajustado às condições locais para otimizar tanto a qualidade da água quanto a eficiência do sistema de irrigação, prevenindo possíveis impactos ecológicos decorrentes de flutuações excessivas no crescimento algal. Portanto, os dados do AlgaeMAP oferecem uma visão detalhada da dinâmica da clorofila-a ao longo dos anos, reforçando a relevância de uma gestão adaptativa e da calibração de sensores para capturar com precisão as características locais do reservatório. Essas informações são cruciais para a formulação de estratégias de manejo que visem minimizar os impactos negativos do crescimento de algas e garantir a sustentabilidade do uso dos recursos hídricos na região. O uso de tecnologias de sensoriamento remoto, conforme Chen et al. (2007), traz uma abordagem inovadora ao monitoramento da qualidade da água, permitindo não só a coleta de dados em larga escala, mas também a análise da distribuição espacial e temporal de parâmetros-chave, como a clorofila-a. Isso é especialmente relevante em sistemas que sofrem com eutrofização, onde o aumento na produtividade primária pode levar à proliferação de algas nocivas, como discutido por Nellis et al. (1998) e Song et al. (2010). CONCLUSÃO A análise da concentração de clorofila-a ao longo do tempo e nas diferen- tes regiões do reservatório permitiu identificar tanto variações sazonais quanto espaciais que podem estar relacionadas ao manejo hídrico e a outros fatores ambientais. A área do braço esquerdo, marcada por maior heterogeneidade, foi um ponto focal da análise, destacando-se pela sua variação nas concentrações ao longo do ano. Utilizando dados do AlgaeMAP validados para a região, foi pos- sível observar padrões sazonais críticos que sugerem uma possível associação 19 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br entre as flutuações da clorofila-a e o uso da água para irrigação, embora outros parâmetros também possam estar envolvidos. Esses resultados sublinham a importância de um monitoramento mais detalhado e contínuo, envolvendo um conjunto de dados mais amplo que aborde variáveis físico-químicas e hidrológicas adicionais, para aprimorar a compreen- são das dinâmicas que afetam a qualidade da água. Estudos futuros que con- siderem esses aspectos poderão contribuir significativamente para uma gestão hídrica mais eficaz, promovendo um equilíbrio entre as demandas de irrigação e a preservação do ecossistema aquático, essencial para a sustentabilidade do reservatório e da região. Agradecimentos Este estudo foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código Financeiro 001. Agradecemos a Agência para Desenvolvimento da Bacia da Lagoa Mirim (ALM) pelo suporte técnico, laboratorial e logístico. REFERÊNCIAS CABALLERO, I.; NAVARRO, G. Monitoring cyanoHABs and water quality in Laguna Lake (Philippines) with Sentinel-2 satellites during the 2020 Pacific typhoon season. Science of the Total Environment. 2021. CETESB. Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Disponível em: https://sistemainfoaguas. cetesb.sp.gov.br/Login/Index. Acesso em: 20 de janeiro de 2024. CHEN, Q.; ZHANG, Y.; HALLIKAINEN, M. 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Universidade Federal de Pelotas. 2021. https://doi.org/10.3390/rs13152874 ' 10.37885/241018022 02 DIAGNÓSTICO DO SISTEMA LAGUNAR DE JACAREPAGUÁ (RJ): ANÁLISE DAS PROBLEMÁTICAS AMBIENTAIS NO ECOSSISTEMA Emanuele Koschier Pinto Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Anna Nachtigall da Cruz Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Idel Cristiana Bigliardi Milani Universidade Federal de Pelotas (UFPel) https://dx.doi.org/10.37885/241018022 22 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas RESUMO O presente trabalho foi elaborado por meio do levantamento e síntese dos princi- pais resultados de estudos já realizados das condições hidroquímicas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, a partir da disponibilização de dados em bases públi- cas e de livre acesso, como forma a obter um panorama geral das condições do sistema lagunar e assim identificar as problemáticas hidroquímicas recorrentes nesse ecossistema. O estudo indicou a dificuldade em encontrar pesquisas que tenham realizado a análise dos parâmetros hidroquímicos dentro deste sistema, além disso os autores destacaram a escassez de informações advindas do moni- toramento ambiental realizado pelo órgão responsável, pois existem diversos dados com falhas nos monitoramentos, dificultando a tabulação e interpretação dos resultados. Através da avaliação realizada no presente estudo, foi possível identificar que as principais causas da contaminação do sistema lagunar é o despejo de efluentes in natura que ocorre nas lagoas e na bacia hidrográfica, o crescimento desordenado de áreas urbanas ao redor deste e a falta de sanea- mento básico adequado, contribuindo para a baixa qualidade de suas águas. Dessa forma, identifica-se a urgência da adoção de medidas de recuperação ambiental na área de estudo. Palavras-chave: condições do sistema lagunar de jacarepaguá; qualidade da água; ecossistemas aquáticos; recuperação ambiental. 23 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br INTRODUÇÃO Com o avanço do desenvolvimento econômico, cultural e tecnológico, a exploração dos recursos naturais tem se intensificado, resultando em degradação ambiental e dos corpos hídricos. Apesar da abundância de fontes de água doce, algumas regiões enfrentam escassez devido à distribuição desigual desses recur- sos (VIERO, 2004). Conforme Nelson (2018) a necessidade de conscientização da população de que suas ações repercutem no todo é indispensável para que a relação entre os homens e o meio ambiente possam se harmonizar. A qualidade da água para seus diferentes usos é um fator preocupante, pois a cada dia os corpos hídricos recebem maior quantidade de poluentes, advindos do despejo de esgoto e da falta de saneamento básico adequado. A qualidade da água é resultado do uso e da ocupação do solo na bacia hidrográfica, espe- cialmente devido as ações antrópicas, impactando diretamente o meio ambiente (VON SPERLING, 1996). Apesar das águas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (SLJ) não possuí- rem o abastecimento de água como um de seus usos, as lagoas possuem grande importância para o município do Rio de Janeiro, de forma econômica e ambiental, pois conforme Souza e Azevedo (2020) o sistema lagunar é uma região com forte presença de turismo, recreação, pesca e navegação, sendo importante a melhoria da qualidade das águas desse sistema, promovendo o aumento da saúde pública, além de preservar a biota aquática. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo conhecer as carac- terísticas da qualidade da água do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, visando compilar informações que possam ser utilizadas como ferramentas de gestão deste ecossistema. Esse conhecimento poderá auxiliar nas ações desenvolvidas pelos poderes públicos para reduzir os impactos ambientais causados nas lagoas, considerando os estudos preliminares sobre o ambiente. METODOLOGIA O levantamento dos principais estudos já realizados no Sistema Lagunar de Jacarepaguá foi realizado mediante revisão bibliográfica, utilizando fontes ou documentos escritos e registrados em base de dados públicos e de livre 24 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas acesso. As principais bases consultadas foram Scielo, Google Acadêmico e Perió- dico Capes, utilizando palavras-chave de busca como “Lagoa de Jacarepaguá”, “Lagoa da Tijuca”, “Lagoa de Camorim “Lagoa de Marapendi”, “Lagoas Rio de Janeiro” e “Sistema Lagunar de Jacarepaguá”. A busca de informações ocorreu de julho de 2023 até setembro de 2024. Os trabalhos foram lidos e sintetizados com o foco nas principais carac- terísticas ambientais do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. REVISÃO DE LITERATURA Características gerais O Rio de Janeiro é um município brasileiro e capital do estado de mesmo nome, localizado no litoral sudeste, entre os paralelos 22º 45’ 05’’ S e 23º 04’ 10’’ S e os meridianos 43º 06’ 30’’W e 43º 47’ 40’’W. O Rio de Janeiro é considerado a segunda maior mancha urbana do Brasil, um dos maiores centros econômicos e culturais da América Latina. Em sua área territorial de 1.200,329 km², residem 6.211.423 pessoas (IBGE, 2022). Segundo Amador (1997 apud Cypriano, 2009) o estado do Rio de Janeiro é um dos estados brasileiros que mais possui lagoas costeiras em seu território, porém, muitas delas já desapareceram, parcial ou totalmente, em função de diversos fatoresnaturais e antropogênicos. Segundo Kjerfve (1994 apud Campaneli e Molisani, 2016) as lagoas costeiras são corpos d’água interiores afastados do mar/oceano por uma barreira arenosa ou ligados ao oceano através de um ou mais canais. As lagoas costeiras foram geradas há cerca de 10 mil anos, durante eventos de progressão e transgressão do nível do mar. As lagoas costeiras normalmente são ecossistemas aquáticos rasos, com profundidades inferiores a 4 metros, sendo corpos d’água influenciados pelo continente e pelo mar territorial adjacente (CAMPANELI e MOLISANI, 2016). A qualidade das águas destes corpos hídricos é um fator que depende das atividades naturais e antropogênicas da bacia hidrográfica e de tudo que acontece no seu entorno, de forma direta e indireta. Além disso, devido ao fato de esses ambientes estarem interconectados ao oceano, por canais de ligação naturais ou artificiais, estes corpos hídricos também são afetados pelo que ocorre 25 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br no litoral ou região costeira adjacente. No município do Rio de Janeiro destacam-se algumas lagoas costeiras, sendo as maiores delas em extensão a Lagoa Rodrigo de Freitas, Lagoa Marapendi, Lagoa Jacarepaguá e Lagoa da Tijuca. Das quatro lagoas mencionadas, Marapendi, Jacarepaguá e Tijuca pertencem ao Sistema Lagunar de Jacarepaguá (CALHEIROS, 2006). De acordo com Santos (2017), o Sistema Lagunar de Jacarepaguá é formado por quatro lagoas principais: Lagoa da Tijuca, Lagoa de Jacarepaguá, Lagoa de Marapendi e a Lagoa de Camorim (Figura 1). Figura 1 - Mapa de Localização do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Fonte: Autoras (2024). A Bacia Hidrográfica do Sistema Lagunar de Jacarepaguá possui em torno de 280 km² e é formada por diversos rios tributários que descem as vertentes dessas montanhas e deságuam nas lagoas, sendo que estas possuem uma liga- ção principal com o oceano, ao leste, através do Canal da Joatinga, ou canal da Barra da Tijuca (Figura 1). O sistema limita-se ao sul pelo Oceano Atlântico e pelos maciços da Pedra Branca (ao norte) e da Tijuca (ao oeste) com uma superfície aproximada de 120 km², sendo apenas 10% constituído da área alagada das lagunas. 26 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Segundo Cohidro (2006 apud Filho, 2009) a Lagoa de Camorim pertencente ao Sistema Lagunar de Jacarepaguá, possui apenas 0,8 km² e trata-se de um canal de ligação entre as lagoas de Jacarepaguá e Tijuca. A lagoa de Jacarepaguá possui 3,7 km² e a lagoa da Tijuca apresenta um espelho d’água de aproximada- mente 4,8 km². Juntas, as três lagoas abrangem um espelho d’água em torno de 9,3 km² e uma extensão de aproximadamente 13 km². Já a lagoa de Marapendi possui uma área de 3,5 km² e uma extensão de 10 km de comprimento, segundo Cohidro (2006 apud Filho, 2009). A Lagoa de Jacarepaguá possui a maior área de drenagem da região com 102,8 km², enquanto a Lagoa da Tijuca possui uma pequena área drenante com cerca de 26,9 km², contudo ela dispõe de uma maior área física. Já a Lagoa de Camorim possui uma pequena área por ser uma ligação entre outras duas lagoas, ou seja, partilhada entre as áreas das lagunas de Jacarepaguá e da Tijuca, mas com uma grande área de drenagem com cerca de 91,7 km². Além disso, os rios que nela deságuam contribuem com mais de 50% da vazão total da região. A Lagoa de Marapendi possui uma área drenante de 4,6 km² (SAMPAIO, 2008). A Tabela 1 apresenta uma síntese das principais características das lagoas supracitadas. Tabela 1 - Principais características de cada lagoa do SLJ. Lagoa Espelho d’água (km²) Largura média (km) Comprimento médio (km) Perímetro (km) Profundidade média (m) Jacarepaguá 3,7 0,93 4,0 15 3,3 Camorim 0,8 0,49 3,5 8 1,3 Tijuca 4,8 0,88 6,0 21 2,1 Marapendi 3,5 0,35 10,0 23 1,8 Fonte: Adaptado de FEEMA (1991 apud SANTOS, 2014). Percebe-se através dos dados apresentados na Tabela 1 que o Sistema Lagunar de Jacarepaguá é bastante raso, com profundidades inferiores à 4 m, característico de lagoas costeiras, conforme indicado por Campaneli e Molisani (2016). Para que seja possível identificar e compreender a dinâmica hídrica em corpos d’água são necessários levantamentos batimétricos e não apenas as profundidades médias do sistema. Para tanto, o estudo realizado por Santos (2017) apresentou a batimetria do Sistema Lagunar de Jacarepaguá e do oceano adjacente conforme pode ser visualizado na Figura 2. 27 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 2 - Batimetria do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Fonte: SANTOS (2017). Os dados batimétricos apresentados na Figura 2 deixam evidente as diferenças de profundidades entre o sistema lagunar e o Oceano adjacente, apesar da proximidade entre eles. O sistema lagunar é raso, conforme já citado, não atingindo profundidades superiores a 4 m. Já, o oceano adjacente chega a atingir profundidades superiores a 30 m, em sua porção mais próxima ao sistema. Na Figura 2 é possível verificar a presença de locais mais profundos, também chamados de cavas, nas lagoas de Jacarepaguá, ao norte, e na Tijuca, a oeste, evidenciando diferenças de profundidade ao longo dos corpos lagunares. As cavas foram criadas nas décadas de 1970 e 1980, devido a dragagens indevidas rea- lizadas no sistema lagunar, as quais contribuem na produção de gases tóxicos como metano e gás sulfídrico, prejudiciais ao meio ambiente (SANTOS, 2017). O estudo realizado por Santos (2017) indica que o sistema estava passando por um processo de licenciamento para a realização de um novo procedimento de dragagem em que um dos objetivos era fazer o preenchimento das cavas com o material dragado como forma a uniformizar o fundo das lagoas. O autor menciona que o projeto possuía como objetivo executar algumas ações, dentre elas a dragagem das Lagoas da Tijuca, Jacarepaguá, Camorim, Marapendi e Canal da Joatinga. O projeto mencionado intitulava-se Recuperação Ambiental do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, onde o governo do estado do Rio de Janeiro, através 28 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, CEDAE, e a Secretaria do Meio Ambiente, SEA, junto com a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro realizaram a proposta da recuperação ambiental do sistema lagunar. Neste cenário, a recuperação ambiental das lagoas e canais causaria a redução do tempo de residência nas águas do sistema lagunar, além de realizar melhorias na qualidade das águas, considerando aspectos físicos, químicos e biológicos, com a finalidade de recuperar os corpos lagunares e o ecossistema, propiciando o retorno da pesca, das atividades de lazer, além de dispor de melhorias para a navegabilidade que ocorre na região (SANTOS, 2017). Contudo, segundo Sousa (2017) este projeto, que fez parte do Caderno de Encargos dos Jogos Rio 2016 e que foi incorporado às ações do Plano Estratégico Municipal (2013- 2016), não foi executado em razão de um processo de licenciamento ambiental conturbado, além da carência de recursos financeiros para a concretização das propostas, logo as cavas ainda fazem parte do sistema lagunar. Para melhor caracterizar o ecossistema aquático, torna-se necessário identificar os tipos de sedimentos presentes no sistema. Segundo Ward (1992 apud Cypriano, 2009) os sedimentos são formados por uma grande variedade de materiais orgânicos e inorgânicos, sendo que a composição e a distribuição desses sedimentos resultam da concentração dos tipos de rocha na região, características da vegetação terrestre, aspectos topográficos e meteorológicos, fatores químicos e biológicos, fatores limnológicos e/ou hidrológicos, além do efeito do transporte de massas d’água. Os processos sedimentares e o tipo de cobertura sedimentar dos ambien- tes transicionais e fluviomarinhos, como os estuários e as lagoas costeiras, estão sendo cada vez mais estudados, pois estas informações sãofundamentais para o planejamento ambiental e para intervenções necessárias em projetos de dra- gagem, despoluição e recuperação do ecossistema (NETO et al., 2010). Em relação ao sedimento de fundo do sistema lagunar em estudo, a lagoa da Tijuca é composta por silte, entretanto no restante das lagoas e canais do sistema, a predominância é de areia média (FUNDAÇÃO COPPETEC, 2015; MASTERPLAN, 2013 apud SANTOS, 2017). Cabe destacar que a qualidade das águas desses rios afeta de forma signi- ficativa as águas do sistema lagunar. O Sistema Lagunar de Jacarepaguá recebe 29 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br um aporte hídrico significativo de diferentes rios (Figura 3), os quais deságuam nas lagoas pertencentes ao sistema. Figura 3 - Bacia Hidrográfica do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Fonte: INEA (2018). De acordo com Almeida et al. (1998 apud Castiglia e Barbosa, 2008) a maré e as vazões afluentes dos rios são as principais forçantes para a ocorrência da circulação hidrodinâmica do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, que é controlada efetivamente por três canais, isto é, a partir do mar, a maré se propaga pelo Canal da Joatinga até atingir um conjunto de canais e ilhas, que determina o início da Lagoa da Tijuca, e dessa deriva-se o Canal de Marapendi. Este canal é encarre- gado pela ligação da Lagoa de Marapendi ao restante do sistema e a noroeste também se deriva outro canal, a Lagoa de Camorim, responsável pela união com a Lagoa de Jacarepaguá. Esses canais são causadores da grande resistência às correntes de enchente e vazante da maré e por esse motivo determinam como se dará as trocas entre o mar e as bacias interiores. 30 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Usos e ocupação das margens Os ambientes costeiros brasileiros estão vivenciando grandes transfor- mações, pois seus espaços naturais estão sendo desenfreadamente reduzidos para o aumento de áreas urbanas (PIMENTA et al., 2003 apud SANTOS, 2014). A região do Sistema Lagunar de Jacarepaguá passou por um processo acentuado de ocupação urbana durante a década de 70 e segue crescendo até os dias atuais, o que prejudica os corpos hídricos da região, devido ao cresci- mento desenfreado, especialmente na ocupação irregular das margens (SANTOS, 2014). De acordo com Santos (2014) o aumento da urbanização de forma desor- denada, em conjunto com a falta de saneamento básico, que não acompanha o crescimento populacional, prejudica a qualidade da água dos corpos hídricos, além de causar instabilidade dentro da bacia hidrográfica em que o sistema lagunar está inserido, pois altera de forma significativa todo o ciclo hidrológico. Além disso, segundo Tucci et al. (2003 apud Santos, 2014) devido à concentração urbana, vários conflitos e problemáticas são geradas no ambiente do sistema lagunar, como a degradação ambiental dos mananciais, o aumento do risco das áreas de abastecimento com a poluição orgânica e química, a contaminação dos rios tributários e do sistema lagunar por efeito do despejo de esgotos doméstico, industrial e pluvial, a geração de enchentes urbanas em função do gerenciamento inadequado da drenagem urbana, além da falta de um sistema de coleta e dis- posição de resíduos sólidos urbanos. A ocupação das margens do Sistema Lagunar de Jacarepaguá está influen- ciando o sistema lagunar como um todo, pois com a evolução da urbanização na região, alguns processos foram intensificados, como a inserção de aterros e os desmatamentos existentes, o despejo de dejetos e rejeitos industriais, além dos resíduos sólidos e do aumento da carga poluidora advinda do esgotamento sanitário, causando prejuízos no Sistema de Lagoas de Jacarepaguá, como asso- reamento, mudança na cor da água acarretando a presença de odor, eutrofização, mortandade de peixes e enchentes (PIMENTA, et al., 2003 apud SANTOS, 2014). Na Figura 4, é salientado que o uso e ocupação do solo predominante ao redor do Sistema Lagunar de Jacarepaguá é de cobertura arbórea e arbustiva, além de possuir uma grande cobertura de áreas residenciais e construções em geral, evidenciando a presença exacerbada de áreas urbanizadas ao redor das lagoas. 31 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Figura 4 - Classes de Uso e Ocupação do Solo. Fonte: Baptista e Deus (2022). Usos e demandas das águas Segundo Souza e Azevedo (2020) foi informado pelo Subcomitê do Sistema Lagunar de Jacarepaguá que as águas do sistema lagunar são utilizadas para navegação, pesca, recreação e lançamentos de efluentes, dentre eles efluente domiciliar, industrial, resíduos sólidos da construção civil e até mesmo hospitalares. Essas informações foram obtidas através do coordenador do subcomitê, Sr. Marcos Sant’Anna Lacerda, que atua há 18 anos em atividades para o sistema lagunar. No Rio de Janeiro, 90,9% dos dejetos são lançados por rede geral de esgo- tos ou pluvial e 4% por fossa séptica, totalizando 94,9%. Contudo, na Barra da Tijuca apenas 88,9% dos domicílios possuem esgotamento sanitário considerado adequado (IPP, 2016 apud PELLEGRINI, 2016). Entre 2000 e 2010 ocorreu um aumento de 73% no esgotamento inadequado (fossa rudimentar, vala, rio, lago ou mar) na Barra da Tijuca, contribuindo para a poluição do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (PELLEGRINI, 2016). Em contrapartida, ao observarmos os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS (2023), o município do Rio de Janeiro 32 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas possui um índice de coleta de esgoto de 94,29%. Do esgoto coletado, 90,30% possuem tratamento. Até a década de 70, a pesca lagunar comercial e de lazer era fortemente realizada, mas atualmente acontece apenas como atividade de lazer, pois o aumento desordenado da degradação ambiental das lagoas ocasionou a redu- ção da atividade pesqueira na região. Como supracitado, as lagoas também são utilizadas como meio de transporte, especialmente por condomínios separados da praia pelo Canal ou Lagoa de Marapendi, que possuem serviços de balsa para o transporte dos moradores à praia. Na Lagoa da Tijuca, os moradores das ilhas existentes contam com uma atividade local de translado para chegarem às margens das lagoas (MASTERPLAN, 2013 apud AMORIM, 2015). Ainda de acordo com Masterplan (2013 apud Amorim, 2015) existe uma lei municipal que visa regularizar o transporte de passageiros através do sistema lagunar, com o intuito de desenvolver o transporte hidroviário da região. Entre- tanto, em consequência do assoreamento das lagoas, a locomoção aquaviária é bastante limitada. RESULTADOS E DISCUSSÃO Levantamento dos principais estudos realizados no sistema Lagunar de Jacarepaguá Santos (2014) realizou um estudo que objetivou analisar as controvérsias entre o crescimento da população ao redor do Sistema Lagunar de Jacarepaguá (SLJ) e o desenvolvimento de infraestruturas urbanas de água e esgoto. Para fundamentar o estudo, foi feita uma análise sobre o enriquecimento do teor de nutrientes das lagoas pertencentes ao SLJ, denominado eutrofização. A autora indica que o principal resultado desse fenômeno é a floração de algas tóxicas, nocivas à qualidade ambiental das lagoas, impactando diretamente em seus usos múltiplos. Além disso, Santos (2014) aponta que as lagoas costeiras são mais vulneráveis à eutrofização, devido às suas características de elevados tem- pos de residência, pois tendem a acumular sedimentos e substâncias químicas que nelas desaguam. 33 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br Santos (2014) indicou que a principal causa da eutrofização no SLJ é o lançamento de esgotos domésticos e industriais em quantidade superior a capacidade de depuração das lagoas. Para fundamentar o estudo, a autora rea- lizou uma avaliação do estado trófico do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Além disso, foi analisado a partir de dados de qualidade da água os impactos sofridos, advindosda falta de estrutura sanitária adequada, e a situação atual do SLJ após as obras de saneamento e infraestrutura recentes sobre o ambiente em análise. O trabalho de Santos (2014) analisou alguns parâmetros de qualidade da água que são relevantes para a caracterização do processo de eutrofização. Os parâ- metros avaliados foram fósforo, nitrogênio, clorofila-a, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), grupo coliforme e fitoplâncton, sendo que os dados foram cedidos pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA), dentro do período de 1980 a 2014 para o trabalho da autora. Como resultado de sua pesquisa, Santos (2014) identificou que, em geral, houve um agravamento na concentração de nutrientes e de clorofila-a nas lagoas, indicando uma intensificação do processo de eutrofização ao longo do período em estudo. Além disso, no estudo de Santos (2014) utilizou-se o IET de Carlson (1977), adaptado por Toledo Jr. et al. (1984) e mais tarde por Lamparelli (2004). Através de seu uso, foi obtido como conclusão de que houve uma piora na condição trófica do SLJ, em todo o período analisado, e que até o momento final do estudo a situação manteve-se em um estado de hipertrofia, isso é, corpos hídricos afetados significativamente pelas elevadas concentrações de matéria orgânica e nutrientes, que podem prejudicar gravemente os usos no sistema lagunar, causando até mesmo episódios de mortandade de peixes. Com relação às análises de Santos (2014) dos parâmetros físico-químicos, os teores de oxigênio dissolvido apontaram variações desde 0 mg/L, retratando um meio anóxico, até valores bem superiores a 10 mg/L, caracterizando um ambiente de supersaturação, consequência do crescimento excessivo de algas, revelado pela correlação entre o OD e a clorofila-a, correspondendo a uma situação típica de ambientes hipereutróficos. No que se refere aos nutrientes, esses apresen- taram tendência de crescimento, com valores de nitrogênio inorgânico críticos nos períodos recentes. Já a DBO registrou uma tendência cíclica e acerca dos coliformes termotolerantes, os anos mais recentes do estudo indicam crescimento, evidenciando o lançamento de despejos domésticos nas lagoas. 34 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Ainda segundo Santos (2014), no que concerne a algumas intervenções recentes realizadas no SLJ, especialmente o emissário submarino em 2007, a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em 2009 e a Unidade de Tratamento de Rios (UTR) Arroio Fundo em 2010, esses foram benéficos especialmente para as Lagoas de Marapendi, Tijuca e Camorim, causando melhoria temporária em sua qualidade de água. A autora ressaltou que as lagoas de Marapendi e Tijuca são as subunidades menos interioranas do SLJ e possuem comunicação direta com o Canal da Joatinga, facilitando a renovação de suas águas. Entretanto, pouco tempo depois das intervenções, foram registradas tendências ascendentes e de estagnação dos parâmetros de DBO e coliformes termotolerantes, sendo esses os principais indicadores de contaminação por esgoto doméstico. Outro estudo a destacar é o realizado por Rebelo (2016), o qual utilizou dados que fazem parte de uma rede de monitoramento sistemático dos parâme- tros físicos, químicos e biológicos da qualidade da água e do sedimento naquela região. Existem quinze lagoas que são contempladas nessa rede de monitoramento, sendo que quatro fazem parte do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, totalizando oito estações de amostragem distribuídas dentro do SLJ. O trabalho de Rebelo (2016) selecionou os dados que compreendem o período de 2001 a 2015 para avaliação de 21 parâmetros de monitoramento da água, levando em consideração características de biomagnificação, bioacu- mulação, toxicidade, indicação de aporte de esgoto e da presença de aspectos microbiológicos. A autora ressaltou que alguns parâmetros possuem falhas de amostragens em alguns anos e em geral, os anos com maior número de análises dos parâmetros abordados no estudo realizado por Rebelo (2016) foram: 2004, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015, demonstrando que não há uma periodicidade fixa no monitoramento da maioria dos parâmetros, o que para a autora foi prejudicial, pois dificultou a análise histórica da qualidade da água de cada lagoa do sistema. A Figura 5 é um comparativo feito por Rebelo (2016) para indicar os resultados das análises dos parâmetros em cada lagoa, sendo o termo “pior” utilizado pela autora para indicar a lagoa com média de concentração e concen- tração mais alta, no caso de o limite estabelecido ser máximo, e a de média ou concentração mais baixa, no caso de o limite ser mínimo. Como não houve limite estipulado, conforme é o caso dos parâmetros DBO, nitrogênio, sólidos totais, turbidez e cianotoxinas/microcistinas, o “pior” foi utilizado pela autora para as 35 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br lagoas com maior média ou concentração em relação às outras, onde ela ressalta que esses parâmetros são indicativos de aporte de esgoto e toxicidade. A autora menciona ainda que o símbolo “ * “ indica que não houve análise do parâmetro no período e o termo “nenhuma” indica que todas apresentaram o mesmo valor e este é inferior ao limite estabelecido. Cabe destacar que na figura 5, “TJ” indica Lagoa da Tijuca, “MR” indica Lagoa Marapendi, “JC” indica Lagoa Jacarepaguá e “CM” Lagoa Camorim. Figura 5 - Lagoas avaliadas com os piores resultados encontrados. Fonte: Rebelo (2016). O estudo de Rebelo (2016) indicou que, conforme os resultados apresen- tados na Figura 5, com relação à qualidade da água das lagoas, a Lagoa de Jaca- repaguá e a Lagoa da Tijuca apresentaram os piores índices de qualidade, mais repetidamente do que as outras duas lagoas, indicando que são as mais afetadas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá, sendo a Lagoa da Tijuca a mais impactada, considerando o número de vezes que aparece na figura 5. O estudo evidenciou que a Lagoa da Tijuca se sobressaiu nas concentrações de metais e coliformes termotolerantes, enquanto a de Jacarepaguá se fez presente nos físico-químicos e cianotoxinas/microcistinas. A menos afetada, foi a Lagoa de Camorim. 36 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas Com relação a biota, Oliveira e Oliveira (2018) realizaram um estudo para avaliar a qualidade da água da Lagoa de Jacarepaguá e Lagoa de Camorim, que é a ligação entre as lagoas de Jacarepaguá e Tijuca. A avaliação da qualidade hídrica das lagoas foi realizada através de ensaios ecotoxicológicos do tipo agudo, onde as autoras seguiram a norma da ABNT-NBR 15088, utilizando como organismo bioindicador o peixe Danio rerio, que possuíam tamanhos aproximados de 1 a 3 cm, sendo eles peixes adultos. Estes organismos foram expostos à amostra por 48 horas. Os parâmetros analisados pelas autoras durante os ensaios foram pH e oxigênio dissolvido, nos tempos amostrais de 0h, 24h e 48h. Oliveira e Oliveira (2018) realizaram amostragens para determinar as concentrações de oxigênio dissolvido (OD) obtidas durante os ensaios ecotoxi- cológicos. Na amostra do mês de setembro para a lagoa de Camorim (B), nos tempos amostrais de 0h e 48h, as concentrações de OD foram iguais a 2 mg/L e 3 mg/L, respectivamente. As autoras ressaltaram que esses valores estão fora da faixa determinada pela ABNT 15088 para considerar o teste válido, contudo não houve mortalidade dos organismos-teste. Nos demais tempos amostrais, as concentrações variaram de 8 mg/L a 4 mg/L, faixa recomendada pela ABNT 15088. De acordo com Oliveira e Oliveira (2018) nos ensaios ecotoxicológicos rea- lizados não foram verificadas letalidade dos organismos-teste, Danio rerio, dessa forma, a unidade de toxicidade de ambos é igual a UT = 1. As autoras mencionam que esse resultado sugere que as amostras de água das lagoas de Jacarepaguá e Camorim não apresentam poluentes químicos ou orgânicos que possam causar um efeito nocivo agudo sobre a biota, entretanto, salientama importância sobre a continuidade de monitoramento nas lagoas, com o intuito de verificar cons- tantemente os impactos dos poluentes no crescimento e na reprodução da biota aquática, prevenindo a mortandade dos peixes, a pesca local e a saúde pública. Outro estudo de grande relevância realizado na região do Sistema Lagunar de Jacarepaguá sobre a qualidade da água das lagoas, foi o trabalho de Corrêa (2023). Este objetivou analisar alguns parâmetros nas lagoas através do uso do Índice de Qualidade das Águas dos Rios e Índice de Conformidade das Lagoas do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Corrêa (2023) avaliou e discutiu os seguintes parâmetros do modelo IQAnsf (Índice de Qualidade da Água - National Sanitation Foundation): oxigênio dissol- vido, coliformes termotolerantes, Demanda Bioquímica de Oxigênio, pH, nitrato, 37 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br fósforo total, temperatura, turbidez e sólidos totais. Os parâmetros do Índice de Conformidade foram: coliformes fecais, oxigênio dissolvido, fósforo total, nitrato e nitrogênio amoniacal. Os resultados foram apresentados pela autora em gráficos com a média dos valores das amostragens realizadas no período de 2014 a 2018. O estudo realizado por Corrêa (2023) indicou que a lagoa de Jacarepaguá em todos os anos analisados possui quantidades elevadas de coliformes nas suas águas, ultrapassando os limites estabelecidos pela linha da Resolução CONAMA n° 357/2005 que é de 2500 NMP.100mL-1. Além disso, Corrêa (2023) também apresentou dados de oxigênio dissol- vido (OD) reduzidos nas lagoas da Tijuca e Jacarepaguá. Em relação a lagoa de Jacarepaguá, durante o período analisado pela autora, o ano de 2018 foi o que apresentou a menor concentração de oxigênio dissolvido, abaixo de 4 mg/L. Segundo Clark e Fritz (1997 apud Corrêa, 2023) a baixa concentração de oxigênio está associada especialmente ao seu consumo para a degradação da matéria orgânica presente nesses ambientes. Além disso, Corrêa (2023) ressaltou que a Lagoa da Tijuca permaneceu dentro dos limites aceitáveis de OD (Figura 16) e indicou que esse contexto pode ter ocorrido devido à intrusão de água do mar através do canal da Joatinga, que revolve o ambiente oxigenando-o. A autora indica que os resultados demonstram constante entrada de esgoto doméstico in natura na lagoa de Marapendi, sendo maior que em todas as outras lagoas, especialmente em 2018. Ela ressalta que isso não deveria ocorrer, pois ao redor de Marapendi, existem bairros com construções regulares e poder aquisitivo elevado, no qual há uma maior porcentagem de rede de coleta de esgoto. Conforme Corrêa (2023) é nítida as consequências antrópicas no Sistema Lagunar de Jacarepaguá e a intervenção direta das bacias de drenagem sobre a qualidade das lagoas, que são os corpos receptores, pois a poluição e o despejo de esgotos domésticos e industriais sem tratamento prévio nas bacias de drena- gem, refletem significativamente na qualidade das águas do SLJ. Cabe destacar que é essencial monitorar os parâmetros hidroquímicos, pois eles indicam a qualidade das águas, além disso com os parâmetros que ultrapassam os limites estabelecidos, é possível analisar as consequências da poluição e quais os impactos sofridos por cada corpo hídrico, conseguindo enten- der quais medidas são necessárias para recuperar e tornar estes ambientes os mais próximos do que um dia foram, antes das ações antrópicas. 3 38 Tópicos Atuais em Ciências e Tecnologia das Águas CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho descreveu os principais resultados dos estudos reali- zados no Sistema Lagunar de Jacarepaguá, identificando uma série de problemas relacionados às suas condições hidroquímicas, tendo como principal agravante de sua qualidade, o despejo de esgoto in natura, evidenciando o descaso com os corpos lagunares, especialmente por possuírem significativa relevância para o município do Rio de Janeiro. Além disso, a alteração na qualidade da água do sistema lagunar pode afetar a saúde da população do entorno e é altamente prejudicial para o meio ambiente. Em síntese, é possível observar que os impactos na qualidade da água são ampliados devido ao aumento desenfreado da urbanização ao redor do sis- tema lagunar e da bacia hidrográfica como um todo, em conjunto com a falta de saneamento básico adequado. O despejo de efluentes ocorre em toda a bacia hidrográfica, tendo seu deságue diretamente nas lagoas, de forma a promover nestas o aumento dos teores de coliformes e do potencial de eutrofização, jun- tamente com a redução do oxigênio dissolvido. Dessa forma, a remediação do sistema lagunar torna-se prioridade, sendo indicada a implementação de ações de recuperação ambiental, através de méto- dos preventivos e corretivos. De acordo com Von Sperling (1996) as medidas preventivas auxiliam na prevenção da entrada de contaminantes, enquanto as medidas corretivas são focadas em ações a serem realizadas diretamente no interior do corpo hídrico, recuperando a poluição interna. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M.S.S., Rosman, P.C.C., Barbosa, M.C., Borma, L.S. (1998). Estudo Técnico da Lagoa da Tijuca e Disposição dos seus Rejeitos. Relatório Técnico ET-150849 (4 volumes) para a Secretaria do Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro (SMAC), Fundação COPPETEC, UFRJ, Rio de Janeiro. AMADOR, E.S. 1997. Baía de Guanabara e ecossistemas periféricos: homem e natureza. Reproarte Gráfica e Editora Ltda. 539 p. AMORIM, A. B. B. D. Aplicação do método de valoração contingente para estimar o valor econômico do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Rio de Janeiro. 2015. 39 ISBN 978-65-5360-828-3 - Vol. 2 - Ano 2024 - www.editoracientifica.com.br CALHEIROS, A.L.S. Variação do nível relativo do mar nos últimos 7.000 anos a.p. na planície costeira de Jacarepaguá – Rio de Janeiro. 113f. 2006. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. CAMPANELI, L.B.; MOLISANI, M. M. Mudança do estado trófico de lagoas costeiras do estado do Rio de Janeiro nos últimos 30 anos. N.5. V Seminário Regional sobre gestão de recursos hídricos: recuperação, conservação e gestão ambiental de bacias hidrográficas - Práticas e técnicas inovadoras. 2016. CARLSON, R.E.,1977. “A Trophic State Index for Lakes”. Limnology and Oceanography, v. 22, n. 2, pp. 361-369. CASTIGLIA, M. P; BARBOSA, M. C. Análise Geotécnica e Hidrodinâmica da Alternativa de Disposição Subaquática dos Rejeitos de Dragagem do Complexo Lagunar de Jacarepaguá - Rio de Janeiro. XIV Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica. 2008. CLARK, I.; FRITZ, P. Environmental isotopes in hydrogeology. Boca Raton: CRC Press, Taylor & Francis Group, 1997. 342 p. 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