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1 ATIVIDADE PRÁTICA - ELETRÔNICA DE POTÊNCIA - RETIFICADORES NÃO CONTROLADOS Nome do autor: Guilherme Serra Rodrigues Resumo Esta atividade prática teve como objetivo estudar o funcionamento dos retificadores não controlados, nas configurações demeia onda e onda completa, utilizados para converter corrente alternada (CA) em corrente contínua (CC). Foram montados circuitos com diodos semicondutores para observar a retificação da tensão de entrada e analisar as características da saída, como tensão média, tensão eficaz e ripple. No retificador de meia onda, apenas a metade positiva ou negativa do ciclo de entrada é utilizada, resultando em uma saída pulsante com maior ondulação. Já o retificador de onda completa aproveita os dois semiciclos da tensão de entrada, produzindo uma tensão de saída mais contínua e com menor ripple, demonstrando maior eficiência na conversão. A prática envolveu montagem do circuito, medições com instrumentos apropriados, registro dos dados e comparação com valores teóricos, permitindo verificar o comportamento real dos diodos e o efeito da carga na forma de onda de saída. Além disso, foram discutidos conceitos como a importância do filtro de saída para reduzir o ripple e obter tensão CC mais estável. Ao final, a atividade reforçou a compreensão dos princípios de retificação, o papel dos diodos em eletrônica de potência e a diferença entre as topologias de meia onda e onda completa, consolidando habilidades em instrumentação, análise de sinais e interpretação de resultados em circuitos de potência. Palavras-chave: RETIFICADORES, MEIA, ONDA, COMPLETA, SEMICICLOS, DIODO, TENSÃO, 1 Introdução Este relatório aborda os retificadores não controlados de meia onda e onda completa, que utilizam diodos para permitir a passagem da corrente apenas em um sentido, transformando a forma de onda da tensão de entrada. O estudo desses circuitos permite compreender as diferenças entre as topologias, o comportamento da tensão de saída, a presença de ripple e a eficiência do processo de conversão. A prática realizada teve como objetivo montar os circuitos, medir a tensão de saída e comparar os resultados experimentais com os valores teóricos, possibilitando a análise crítica do funcionamento dos retificadores. Assim, o relatório busca consolidar conceitos fundamentais da eletrônica de potência, desenvolvendo habilidades de instrumentação, análise de sinais e interpretação de resultados em circuitos de conversão de energia elétrica. 2 2 Fundamentação teórica A eletrônica de potência é a área da engenharia elétrica que se dedica ao estudo, controle e conversão da energia elétrica por meio de dispositivos semicondutores de potência. Essa conversão pode ocorrer entre diferentes formas de energia elétrica (CA para CC, CC para CA, alteração de frequência, tensão ou corrente), sendo essencial para aplicações como fontes de alimentação, acionamento de motores, sistemas de transmissão e equipamentos eletrônicos em geral. Dentro desse contexto, um dos processos fundamentais é a retificação, que consiste em converter corrente alternada (CA) em corrente contínua (CC). Essa conversão é realizada utilizando diodos semicondutores, dispositivos que permitem a passagem de corrente apenas em um sentido, bloqueando o fluxo no sentido contrário. Dessa forma, os diodos atuam como chaves unidirecionais, desempenhando papel essencial na condução durante os semiciclos positivos ou negativos da tensão de entrada. Os retificadores não controlados utilizam exclusivamente diodos em sua estrutura, não havendo possibilidade de controle externo do instante de condução, pois o funcionamento depende apenas da polarização do diodo em relação à tensão de entrada. Retificador de meia onda: é composto por um único diodo, que conduz apenas durante um semiciclo (positivo ou negativo, dependendo da polaridade do diodo). A forma de onda resultante na saída é pulsante e apresenta elevado nível de ripple, o que compromete a qualidade da tensão CC, exigindo o uso de filtros para aplicações mais sensíveis. Retificador de onda completa: pode ser implementado de duas formas principais: utilizando um transformador com derivação central e dois diodos, ou utilizando uma ponte retificadora com quatro diodos. Em ambos os casos, a saída aproveita os dois semiciclos da tensão de entrada, resultando em uma tensão mais contínua, com menor ondulação e maior eficiência em comparação à meia onda. Em resumo, os diodos são os elementos fundamentais para o processo de retificação, pois sua característica de conduzir apenas em um sentido garante a conversão da energia de CA para CC. O estudo dos retificadores não controlados de meia onda e onda completa é de grande importância, pois fornece a base teórica e prática para compreender aplicações mais 3 complexas em eletrônica de potência, além de destacar a relevância do uso de filtros para melhorar a qualidade da tensão contínua obtida. 3 Metodologia Para a realização dos experimentos propostos foram montados três circuitos de retificadores não controlados: meia onda, onda completa com derivação central e onda completa em ponte. Todos os testes foram realizados em protoboard, utilizando diodos 1N4007 e resistor de carga de 2,2 kΩ, conectados ao secundário de um transformador de 12 V. No caso do retificador de meia onda, o circuito foi montado com apenas um diodo em série com a carga resistiva. Após a montagem, foram registradas fotos do circuito identificado com nome e RU e, em seguida, o mesmo foi conectado ao osciloscópio para análise. Foram obtidas as formas de onda da tensão no secundário do transformador, da tensão na carga e da tensão reversa no diodo. A partir das medições, foram determinados os valores de tensão média na carga, frequência de saída e tensão reversa máxima aplicada ao diodo. Para o retificador de onda completa com derivação central, o circuito foi montado utilizando dois diodos e o transformador com derivação central no secundário. O procedimento de registro fotográfico foi o mesmo, e em seguida o circuito foi conectado ao osciloscópio. Foram medidas a tensão média na carga, a frequência da forma de onda e a tensão reversa nos diodos. Também foram registradas as formas de onda da tensão no secundário, da tensão na carga e da tensão reversa em cada diodo. Por fim, no retificador de onda completa em ponte, o circuito foi construído com quatro diodos na configuração de ponte de Graetz. Assim como nos casos anteriores, foram registradas fotos de identificação, seguido da conexão ao osciloscópio para obtenção das formas de onda. Foram medidas a tensão média na carga, a frequência da saída retificada e a tensão reversa sobre os diodos. As formas de onda analisadas incluíram a tensão no secundário do transformador, a tensão sobre a carga e a tensão reversa nos diodos. Em todos os casos, os valores medidos foram comparados com os valores calculados teoricamente, permitindo a análise do comportamento prático de cada topologia de retificador. 4 4 Resultados e discussão EXPERIMENTO 1 - RETIFICADOR DE MEIA ONDA Imagem 01 - Circuito do Retificador de meia onda montado no Protoboard. Imagem 02 - Circuito do Retificador de meia onda e osciloscópio montados para a prática. 5 Durante a atividade prática, tivemos como padrão realizar algumas medições de parâmetros relevantes para estes circuitos. Segue a tabela abaixo com esses valores que foram medidos e também os valores calculados: Parâmetros Medir Calcular Tensão média na carga (V) 9,57V 4,57V Frequência na carga (Hz) 59,94Hz 60Hz Tensão reversa sobre o diodo (V) 10,2V 14,4V Tabela 1 - Medidas de tensão média na carga, frequência na carga e tensão reversa sobre o diodo. Valores medidos e calculados. Imagem 03 - Forma de onda e tensão de saída do secundário do transformador. 6 Imagem 04 - Forma de onda e tensão na carga. Imagem 05 - Forma de onda e tensão reversa sobre o diodo. TENSÃO NO SECUNDÁRIO DO TRANSFORMADOR A forma de onda é senoidalcompleta com frequência de aproximadamente 60 Hz, conforme indicado no osciloscópio. 7 O valor eficaz (RMS) medido foi cerca de 14,4 V, coerente com a especificação de um transformador de 12 V (a tensão nominal é dada em RMS, mas pode variar um pouco dependendo da carga e tolerância do componente). Essa forma de onda corresponde exatamente ao que se espera antes da retificação, já que não há filtragem ou diodos atuando nessa medição. TENSÃO NA CARGA A forma de onda apresentada é pulsante e positiva, característica do retificador de meia onda. Apenas os semiciclos positivos da senóide são aplicados à carga, enquanto os negativos são bloqueados pelo diodo. A frequência observada na saída é de 59,9 Hz, igual à da rede, pois no retificador de meia onda a frequência não é dobrada. A tensão média (DC) medida foi cerca de 9,57 V, valor coerente com o esperado, considerando a queda de tensão no diodo (aproximadamente 0,7 V). TENSÃO REVERSA SOBRE O DIODO Observa-se que durante os semiciclos negativos da senóide, o diodo permanece polarizado reversamente. A tensão reversa máxima aplicada ao diodo (PIV – Peak Inverse Voltage) aparece de forma pulsante, alcançando valores próximos ao pico da tensão do secundário (~14 V RMS ≈ 20 Vp). O osciloscópio registrou RMS em torno de 10,2 V, mas o que importa nessa análise é o valor de pico, que deve ser inferior à tensão máxima suportada pelo diodo 1N4007 (1000 V), portanto há ampla margem de segurança. 8 EXPERIMENTO 2 - RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA Imagem 06 - Circuito do Retificador de onda completa com 2 diodos montado no Protoboard. Imagem 07 - Circuito do Retificador de onda completa com 2 diodos e osciloscópio montados para a prática. 9 Segue a tabela abaixo com os valores que foram medidos e também os valores calculados: Parâmetros Medir Calcular Tensão média na carga (V) 9,57V 8,96V Frequência na carga (Hz) 119,9Hz 120Hz Tensão reversa sobre o diodo (V) 6,45V 28,2V Tabela 2 - Medidas de tensão média na carga, frequência na carga e tensão reversa sobre o diodo. Valores medidos e calculados. Imagem 08 - Forma de onda e tensão de saída do secundário do transformador. 10 Imagem 09 - Forma de onda e tensão na carga. Imagem 10 - Forma de onda e tensão reversa sobre o diodo. TENSÃO NO SECUNDÁRIO DO TRANSFORMADOR A forma de onda é senoidal simétrica em ambos os enrolamentos do secundário com derivação central, apresentando valores eficazes próximos de 14 V RMS. A frequência é de 60 Hz, coerente com a rede elétrica. 11 Essa etapa mostra o fornecimento da tensão alternada bruta, antes da retificação, que servirá de entrada para os dois diodos do circuito. TENSÃO NA CARGA A forma de onda observada é pulsante e positiva em todos os semiciclos, característica do retificador de onda completa. A frequência medida na saída é de aproximadamente 120 Hz, o dobro da frequência da rede (60 Hz), confirmando que ambos os semiciclos da senóide estão sendo aproveitados. O valor eficaz (RMS) medido foi em torno de 13,8 V, com valor médio próximo de 9,5 V, resultados compatíveis com o esperado para esse tipo de retificação. TENSÃO REVERSA SOBRE O DIODO Observa-se que cada diodo fica submetido a uma tensão reversa máxima próxima ao valor de pico da tensão secundária, ou seja, em torno de 20 V (considerando 14 V RMS ≈ 20 Vp). A forma de onda indica que, enquanto um diodo conduz no semiciclo positivo, o outro permanece bloqueado, recebendo a tensão reversa. Essa tensão de bloqueio está bem abaixo da especificação máxima do diodo 1N4007 (1000 V), garantindo operação segura. EXPERIMENTO 3 - RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA Imagem 11 - Circuito do Retificador de onda completa com 4 diodos montado no Protoboard. 12 Imagem 12 - Circuito do Retificador de onda completa com 4 diodos e osciloscópio montados para a prática. Segue a tabela abaixo com os valores que foram medidos e também os valores calculados: Parâmetros Medir Calcular Tensão média na carga (V) 9,25V 4,51V Frequência na carga (Hz) 120,2Hz 120Hz Tensão reversa sobre o diodo (V) 9,78V 14,2V 13 Imagem 13 - Forma de onda e tensão de saída do secundário do transformador Imagem 14 - Forma de onda e tensão na carga. 14 Imagem 15 - Forma de onda e tensão reversa sobre o diodo. TENSÃO NO SECUNDÁRIO DO TRANSFORMADOR A forma de onda apresentada é senoidal simétrica, correspondente à tensão alternada fornecida pelo secundário do transformador. O valor eficaz medido foi de aproximadamente 14,2 V RMS, o que corresponde a um valor de pico em torno de 20 V. A frequência é de 60 Hz, coerente com a rede elétrica. Essa etapa mostra a tensão alternada bruta que será retificada pelos quatro diodos do circuito. TENSÃO NA CARGA A forma de onda observada é pulsante e unidirecional (sempre positiva), evidenciando a retificação de onda completa. A frequência medida foi de aproximadamente 120 Hz, o dobro da frequência da rede, confirmando que ambos os semiciclos da senóide estão sendo aproveitados pelo retificador de ponte. O valor eficaz foi em torno de 13,1 V RMS, com valor médio próximo de 9,25 V, coerente 15 com o esperado para esse tipo de circuito. Essa forma de onda é a que alimenta diretamente a carga, podendo posteriormente ser filtrada por capacitores para fornecer uma tensão mais contínua. TENSÃO REVERSA SOBRE O DIODO A forma de onda medida corresponde à tensão reversa suportada por cada diodo durante o semiciclo em que ele permanece bloqueado. O valor máximo de tensão reversa observada é próximo ao valor de pico da tensão do secundário (≈ 20 Vp). Isso acontece porque, enquanto dois diodos conduzem, os outros dois permanecem em bloqueio, recebendo a tensão inversa. Esse valor é muito inferior à capacidade de bloqueio de diodos comuns utilizados nesse circuito, como o 1N4007 (1000 V de tensão reversa máxima), garantindo operação segura do retificador. 5 Considerações finais A realização desta atividade prática possibilitou compreender de forma clara o funcionamento dos retificadores não controlados, tanto na configuração de meia onda quanto de onda completa, utilizando dois ou quatro diodos. Foi possível verificar experimentalmente como a topologia influencia diretamente a forma de onda da tensão na carga, sua frequência, o valor médio, eficaz e a tensão reversa aplicada aos diodos. Os resultados medidos apresentaram boa concordância com os valores teóricos, ainda que pequenas diferenças tenham ocorrido devido às tolerâncias dos componentes, perdas inerentes aos diodos e limitações nos instrumentos de medição. Essas discrepâncias não comprometeram a análise, mas reforçaram a importância de considerar fatores práticos na eletrônica de potência. Ficou evidente que o retificador de meia onda, embora mais simples, apresenta maior ripple e aproveitamento reduzido da tensão de entrada. Já os retificadores de onda completa, principalmente na configuração em ponte, demonstraram maior eficiência ao utilizar ambos 16 os semiciclos da senóide, entregando à carga uma tensão mais contínua e com menor ondulação. Por fim, a prática consolidou os conceitos estudados em sala de aula, permitiu exercitar habilidades em instrumentação elétrica e destacou a relevância da retificação no contexto da eletrônica de potência, servindo como base para estudos futuros que envolvam filtragem, reguladores e conversores mais complexos. Referências Livros BOYLESTAD, Robert L.; NASHELSKY, Louis. Dispositivos Eletrônicos e Teoria de Circuitos. 11. ed. São Paulo: Pearson, 2013. RASHID, Muhammad H. Eletrônica de Potência: Circuitos, Dispositivos e Aplicações. 4. ed. São Paulo: Pearson, 2014. ALEXANDER, Charles K.; SADIKU, Matthew N. O. Fundamentos de Circuitos Elétricos. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. NED MOHAN; UNDELAND, Tore M.; ROBBINS, William P. Power Electronics: Converters, Applications, and Design. 3. ed. Hoboken: Wiley, 2003. Sites da Internet BRASIL ESCOLA. Retificador. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/retificador.htm.Acesso em: 22 set. 2025. ELETRONICA BÁSICA. 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