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MÁQUINAS E VEÍCULOS FERROVIÁRIOS UNIDADE III VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE Autoria Paulo Fernando Figueiredo Maciel Samuel José Casarin Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO UNIDADE III VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE ........................................................................................5 CAPÍTULO 1 VAGÕES – TIPOS E CARACTERÍSTICAS GERAIS ..................................................................... 5 CAPÍTULO 2 PROJETO DE VAGÕES ........................................................................................................ 14 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................19 5 UNIDADE IIIVAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE CAPÍTULO 1 VAGÕES – TIPOS E CARACTERÍSTICAS GERAIS 1.1. Características gerais das locomotivas Entre os sistemas que se movimentam sobre a via ferroviária, distinguimos os que tracionam e os que são rebocados. Os primeiros são as locomotivas, incluídos no grupo chamado material de tração, e os outros são os veículos tracionados conhecidos por carros ou vagões (Siementkowski, 2016). Os serviços de transporte ferroviário são executados por diferentes tipos de material rodante, dependendo do caráter da carga, das construções de carroceria, dos métodos de carga e descarga, bem como da provisão de segurança de carga e divisória. Todo vagão da frota brasileira recebe um código identificador que relaciona sua classificação quanto a carga máxima admissível, bitola, tipo de descarregamento e operadora à qual pertence. A figura 36 mostra a sequência de números e letras que compõem esse identificador, de acordo com a NBR 11.691 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Essa norma estabelece os critérios para classificação, identificação e marcação de vagão ferroviário (NBR 11691:2015). 6 UNIDADE III | VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE Figura 36. Classificação alfanumérica dos vagões. Fonte: NBR 11691:2015. As duas primeiras letras da classificação estabelecida pela NBR 11.691 representam o tipo do vagão, bem como suas características. A tabela 1 especifica alguns tipos de vagões de carga (NBR 11691). Tabela 1. Tipos de vagões de carga. Tipo Carga Iniciais Características Fechado (Prefixo F) Sólidos granéis, ensacados, caixas, cargas inutilizadas e transportes de produtos em geral que não podem ser expostos FR Convencional, caixa metálica com revestimento FS Convencional, caixa metálica sem revestimento FM Convencional, caixa de madeira FR Com escotilhas e portas plug FH Com escotilhas, tremonhas no assoalho e portas plug FL Com laterais corrediças FP Com escotilhas, basculantes, fundo em lombo de camelo FV Ventilado FQ Outros tipos Gôndola (Prefixo G) Produtos sólidos e produtos diversos que podem ser expostos GD Para descarga em giradores de vagão GP Com bordas fixas e portas laterais GF Com bordas fixas e fundo móvel GM Com bordas fixas e cobertura móvel GT Com bordas tombantes GS Com semibordas tombantes GH Bordas basculantes ou semitombantes com fundo em lombo de camelo GC Com bordas tombantes e cobertura móvel GB Basculantes GQ Outros tipos 7 VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE | UNIDADE III Hopper (Prefixo H) Granéis corrosivos e/ ou sólidos que não podem ser expostos ao tempo e abertos para os granéis que podem ser expostos HF Fechado convencional HP Fechado com proteção anticorrosiva HE Tanque com proteção anticorrosiva HT Tanque convencional HÁ Aberto HQ Outros tipos Plataforma (Prefixo P) Cargas de containers, madeiras, produtos siderúrgicos ou peças de grandes dimensões PM Convencional com piso de madeira PE Convencional com piso metálico PD Convencional com dispositivo para contêineres PC Para contêineres PR Com estrado rebaixado PG Para serviço piggyback PP Com cabeceira PB Para bobinas PA Com dois pavimentos para automóveis PH Com abertura telescópica PQ Outros tipos Tanque (Prefixo T) Cargas líquidas não corrosivas e derivadas de petróleo e cimento granel TC Convencional TS Com serpentinas para aquecimento TP Para produtos pulverulentos TF Para fertilizantes TA Para ácidos e líquidos corrosivos TG Para gases liquefeitos de petróleo TQ Outros tipos Fonte: NBR 11691:2015. O terceiro caractere referente ao código de classificação está relacionado à bitola na qual o vagão é submetido, ao peso máximo admissível de sua carga e às dimensões da manga do eixo. A tabela 2 mostra como é feita essa distinção (NBR 11691:2015). Tabela 2. Terceiro dígito. Bitola Manga do eixo Peso bruto (kg) Métrica = 1,0 m Larga = 1,60 m A - 3.3/4” X7” 30.000 B P 4.1/4” X8” 47.000 C Q 5” X9” 64.000 D R 5.1/2” X9” 80.000 E S 6”X11” 100.000 F T 6.1/2”X12” 119.000 G U 7”X12” 143.000 Fonte: NBR 11691:2015. O dígito de verificação é obtido a partir de um cálculo com os algarismos que o antecedem, que identificam o proprietário ou concessionário do vagão. Cada operadora 8 UNIDADE III | VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE dos trechos da malha ferroviária nacional recebe uma faixa de numeração, e seus vagões são assim identificados segundo a NBR 11691:2015. A norma citada traz uma classificação ampla dos vagões. Porém, agora vamos tentar interpretá-la. Os vagões podem ser classificados de acordo com o formato, geometria, função e características de sua “caixa” (ou corpo do vagão). O corpo do vagão é o componente de sustentação utilizado para o confinamento da carga e instalação dos equipamentos de modo geral. Tome como exemplo o vagão HFR 359735-1: » H – Hopper; » F – Fechado convencional; » R – Oitenta toneladas (80.000 kg) com bitola de 1,60 m. 1.2. Classificação dos vagões quanto ao tipo de transporte Basicamente, os diferentes tipos de vagões são denominados em função do formato e da utilização de suas “caixas” (corpo do vagão). Podemos citar como principais os seguintes vagões: 1.2.1. Vagão de passageiro Um dos modelos mais famosos de vagão de trem é o carro ferroviário utilizado para transporte de passageiros. Esse tipo pode ser configurado de diversas maneiras, objetivando-se alcançar qualquer necessidade do cliente. Um carro ferroviário pode se tornar um vagão-dormitório, um vagão-restaurante, um vagão-administrativo ou um vagão de banheiro, por exemplo. Esses vagões também podem ser divididos de acordo com o luxo disponível nos carros. 9 VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE | UNIDADE III Figura 37. Vagão de passageiros. Fonte: https://www.tudodeviagem.com/2014/01/vale-compra-na-romenia-56-vagoes-para/. 1.2.2. Vagão fechado ou boxer Os vagões fechados carregam granéis corrosivos e granéis sólidos que não podem ser expostos ao tempo (precipitações atmosféricas). Um vagão fechado consiste em uma estrutura com piso, quatro paredes e teto. A carga e descarga dos vagões é feita pelas portas localizadas nas paredes laterais, mas alguns modelos podem ter portas nas extremidades. Existem subtipos vagões fechados, os quais podem ter caixa metálica ou de madeira, com ou sem escotilhas, ventilados ou não, entre outras diferenças. Figura 38. Vagão do tipo fechado ou boxer. Fonte: https://www.stummiforum.de/t160900f27-nur-mal-so-nebenbei-diverse-Versuche-bei-Eaos.html. 1.2.3. Vagão do tipo gôndola O vagão do tipo gôndola é utilizado para granéis sólidos e produtos diversos que podem ser expostos ao tempo por não requererem proteção contra precipitações atmosféricas, como no transporte de minérios, insumos agrícolas, grãos. São carros robustos com paredes laterais baixas e capota aberta. Imagine um vagão fechado ao meio horizontalmente e você tem uma gôndola. 10 UNIDADE III | VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE Os vagões de gôndola não têm teto, permitindo mecanizar totalmente o carregamento. Para o transporte de cargas a granel, existem vagões gôndola com escotilhas no piso que permitem mecanizar o descarregamento dessas cargas (sistema basculante abaixo do chassi). O vagão gôndola se tornou o modelode carro mais utilizado no Brasil, principalmente por conta do transporte de minério, que ocorre em grande escala. Figura 39. Vagão do tipo gôndola. Fonte: https://br.pinterest.com/pin/363102788702651199/. 1.2.4. Vagão hopper O carro hopper é um tipo especial de carro gôndola. É utilizado para transporte de fertilizantes, cimento, grãos e outras cargas a granel. Para proteção contra precipitações atmosféricas, são usados com escotilhas de carregamento no seu teto. O vagão do tipo hopper também se caracteriza por possuir um sistema de descarga diferenciado da maioria. A sua estrutura é composta por um funil no qual existem aberturas inferiores para a realização da descarga. Figura 40. Vagão do tipo hopper. Fonte: https://massa.ind.br/tipos-de-vagoes-de-trem/. 11 VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE | UNIDADE III 1.2.5. Vagão plataforma Basicamente, uma plataforma é um vagão ferroviário de carga utilizado para o transporte de máquinas, equipamentos, mercadorias de longa distância, contêineres, produtos siderúrgicos, grandes volumes, madeira, entre outras peças de grandes dimensões que não requerem proteção contra precipitações atmosféricas. As plataformas não possuem laterais e são equipadas com travas especiais para fixação de contêineres universais pesados. As plataformas para transporte de madeira têm paredes de extremidade e travas especiais adicionais que evitam o deslocamento da carga. Figura 41. Vagão do tipo plataforma. Fonte: https://massa.ind.br/tipos-de-vagoes-de-trem/. 1.2.6. Vagões tanque Os vagões tanque ou cisterna são utilizados no transporte de cimento a granel, derivados de petróleo, cargas líquidas não corrosivas em geral, combustíveis, GLP, produtos químicos, gases condensados, materiais em pó etc. Trata-se de um tanque projetado para conter fluidos de formato cilíndrico. Figura 42. Vagão do tipo tanque ou cisterna. Fonte: https://massa.ind.br/tipos-de-vagoes-de-trem/. 12 UNIDADE III | VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE 1.2.7. Vagão gaiola Esse modelo é destinado a realizar o transporte de animais vivos. Apresenta frestas em suas laterais, destinadas a permitir a passagem de ar e respiração dos animais. Tanto suas cargas como as descargas são realizadas pela lateral. Figura 43. Vagão do tipo gaiola. Fonte: https://massa.ind.br/tipos-de-vagoes-de-trem/. 1.2.8. Vagão refrigerado Trata-se de um tipo de vagão destinado a uma aplicação muito específica, que é o transporte de cargas refrigeradas. É um vagão completamente fechado, utilizado no transporte de cargas perecíveis e que necessitam de refrigeração. Além de conservar, ele pode ser utilizado para congelar certos produtos. Figura 44. Vagão refrigerado. Fonte: https://massa.ind.br/tipos-de-vagoes-de-trem/. 1.2.9. Vagões autorack Os autoracks são vagões utilizados para transporte de automóveis. Esses vagões são feitos de metal e são totalmente fechados para proteger os veículos das intempéries. Geralmente possuem dois ou três níveis. Ter vários níveis no interior dos vagões maximiza 13 VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE | UNIDADE III o espaço de transporte, permitindo que os veículos sejam empilhados sem causar danos e com segurança. Esses vagões são mais comuns nos EUA e na Europa. Figura 45. Vagão autorack. Fonte: https://www.trinityrail.com/hitop-autorack/. 14 CAPÍTULO 2 PROJETO DE VAGÕES Os vagões são projetados para serem construídos em aço fundido. Alguns modelos possuem elementos e peças de outros materiais, mas isso acontece na fase de acabamento. O projeto é basicamente um par de armações laterais e um suporte. Existem modelos mais complexos, com suspensão primária de mola de aço, suspensões secundárias e freios de piso e discos. Muitas decisões devem ser tomadas ao selecionar o truque apropriado para a função. Além do sistema de suspensão e freios, é necessário decidir usar rolamentos internos ou externos, eixos maciços ou ocos, e escolher o diâmetro da roda e o perfil do piso. Tudo isso deve ser muito bem detalhado na etapa de projeto. Por exemplo, o tipo de via à qual se destina o material rodante deve ser levado em conta no projeto, pois a interface entre a pista e o veículo é influenciada por uma série de fatores. Ao se projetar um vagão de passageiros, os seguintes requisitos devem ser levados em consideração: » peso do veículo vazio; » peso do veículo totalmente carregado; » tolerância de localização de plataforma; » folga entre carros e pistas adjacentes; » dinâmica do carro; » folga para pontes, túneis e outras construções; » questões de acessibilidade, como o espaço entre a soleira da porta do veículo e a borda da plataforma, que pode afetar o acesso de cadeiras de rodas; » dimensões da roda, incluindo o perfil, diâmetro da roda e bitola; » componente lateral das forças do veículo na pista; » forças de interação longitudinal entre o veículo e a via. » No caso de vagões de carga, o projeto deve levar em conta os seguintes requisitos: » tipo de produto a ser transportado (grãos, minérios, líquidos etc.); » tipo de terminal de carga e descarga (viradores, pontes, correias etc.); » tipo de proteção exigida pelo cliente final (intempéries, temperatura etc.); 15 VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE | UNIDADE III » condições geométricas e operacionais das ferrovias nas quais ele irá circular (perfis longitudinal e horizontal); » interação com os demais veículos existentes na frota; » condições de segurança e de treinamento do pessoal envolvido. Na etapa de projetos, é importante se ater que, na concepção de um vagão, há muitos fornecedores de subsistemas, como freios, iluminação, assentos, propulsão, motores de tração etc. As especificações desses sistemas devem ser feitas com cuidado, para determinar quem pode atender aos requisitos do projeto em questão. Seja como for, o projeto do veículo e o conceito de montagem acabarão por se encaixar, e alguns desenhos de projeto preliminares serão produzidos para apresentação ao cliente. É importante também ter atenção, na fase de projetos, a um cronograma real, para que não ocorram problemas de entregas. Um cronograma bem elaborado mostrará quais tarefas devem ser concluídas, onde, com quais máquinas e ferramentas, quando e por quem. O cronograma é importante também, pois, durante a construção de um vagão, há sistemas que podem exigir materiais especializados com longos períodos de fabricação, e isso deve ser previsto. A qualidade dos materiais deve receber total atenção do projetista. Vagões são ativos projetados para um ciclo de vida longo, e problemas de especificação de material podem trazer muitos transtornos tanto para o cliente quanto para o projetista fabricante. É extremamente caro realizar um recall de vagões, por exemplo, para a retificação de algum defeito estrutural. Além da necessidade de atender aos requisitos de resistência, durabilidade e resistência a chamas, a falha de um componente estrutural pode ter consequências graves para o operador e o fornecedor. Os gabaritos e as ferramentas também são áreas de extrema importância no projeto e na fabricação de vagões. Um gabarito é basicamente uma base de aço, moldada para suportar a seção a ser soldada, ou uma série de armações de aço especialmente formadas, sobre as quais as peças serão fixadas enquanto são soldadas. As peças da carroceria do vagão são montadas nos gabaritos para garantir que sejam mantidas rigidamente na posição correta durante a soldagem. A própria carroceria também exigirá um grande gabarito para auxiliar na montagem. Os gabaritos não podem ser projetados até que a forma do corpo seja conhecida e os métodos de construção acordados. 16 UNIDADE III | VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE Os gabaritos são equipados com grampos ajustáveis que mantêm cada peça em sua posição correta para a soldagem. Muitos projetos têm sido um sucesso ou um fracasso por causa da qualidade, ou falta de qualidade, dos gabaritos. Se qualquer ferramenta especializada for necessária,como matrizes para estampar peças de aço, elas devem ser projetadas e fabricadas de acordo com os mais altos padrões de qualidade. Durante toda a montagem, há uma equipe responsável por controle e monitoramento, garantindo que seja feita conforme especificado em projeto, certificando-se não apenas que nenhuma peça falte, mas que todas as peças instaladas apresentem a qualidade e integridade especificadas. A equipe de engenharia de manufatura responde diretamente à gerência de projeto. Isso garante que o veículo esteja sendo fabricado (montado) de acordo com o que foi projetado. Já o controle de produção tem a responsabilidade de reunir todas as várias áreas de compras e manufatura e garantir que um veículo completo saia da montagem com todos os requisitos do cliente e de acordo com o cronograma acordado. O controle de produção também alocará materiais, pessoal e tempos de cada processo. As ordens de produção são então produzidas e repassadas para o pessoal da manufatura, junto com os desenhos. Uma vez que peças suficientes tenham sido fabricadas separadamente, elas são reunidas para montagem em um gabarito. O chassi do veículo será movimentado por uma série de gabaritos projetados para segurá-lo em locais específicos para permitir a fixação de vários componentes enquanto eles são soldados. A estrutura inferior é normalmente montada em um estado invertido, para que os suportes e outros acessórios possam ser soldados facilmente. Figura 46. Uma das etapas de fabricação de um vagão. Fonte: https://viga.ind.br/vagoes_de_trem_fabricacao_manutencao_venda_de_locomotivas/. 17 VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE | UNIDADE III Uma característica importante da fabricação da estrutura inferior tradicional é o fornecimento de uma curvatura. Esse é o “arqueamento” da estrutura ao longo do comprimento longitudinal das extremidades até o centro. A curvatura é importante porque, como todas as outras estruturas são adicionadas ao quadro, o peso obviamente aumenta. Se não houvesse curvatura, a carcaça do carro resultante cederia no meio. Da mesma forma que a estrutura inferior, as laterais do veículo são reunidas em uma série de gabaritos para montagem e soldagem. Se for um vagão de passageiros que está sendo fabricado, as janelas podem ser cortadas dos painéis da carroceria ou as laterais podem ser montadas em seções, com as esquadrias já instaladas. Figura 47. Estrutura inferior concluída sendo movida para a área de montagem da carroceria. Fonte: https://www.industriousdesign.com.au/rail-wagons. O aspecto mais difícil da fabricação lateral é obter um grau aceitável de nivelamento, mantendo o peso da carroceria em limites razoáveis. A soldagem dos painéis à moldura frequentemente causa ondulações no painel, devido à distorção pelo aquecimento do processo de soldagem. A construção de vagões em alumínio com painel duplo ajudou a minimizar esse problema, mas a soldagem produz calor, e isso deve ser gerenciado com cuidado nas fases de projeto e construção. Os cantos curvos das molduras da janela é projetado dessa forma, pois as curvas nos cantos reduzem as tensões nessa área e diminuem o risco de os painéis romperem. Na carroceria de aço inoxidável projetada tradicionalmente pela Siemens nos EUA para os trens de alta velocidade Brightline, da Flórida, os lados do corpo são constituídos por chapas de aço inoxidável, que funcionam como revestimento externo, soldadas a uma moldura preparada previamente. 18 UNIDADE III | VAGÕES/UNIDADES DE TRANSPORTE A estrutura inferior pode ser virada ou invertida em vários estágios durante sua fabricação. Como ela carregará todos os tipos de equipamento, vários suportes, tubos e lances de cabo precisam ser fixados, e instalá-los é uma tarefa árdua e lenta. Para tornar essa tarefa mais fácil, uma vez que o chassi esteja substancialmente completo, antes de ter os lados e extremidades do carro fixados, ele é invertido novamente, e os suportes extras são soldados ou aparafusados, assim como tubos, conduítes e reservatórios de ar, entre outras peças. Trens modernos, em geral, são projetados com uma extremidade dianteira aerodinamicamente lisa. Porém, certa resistência ao choque é necessária. A solução usual é construir uma estrutura de aço e, em seguida, montar a extremidade lisa e moldada sobre ela. Os métodos de montagem modernos incluem a construção de extremidades separadas do carro. Estes são preparados em sua própria área e adicionados à carroceria principal em um estágio posterior. Isso pode ser útil para que as extremidades da cabine possam ser testadas separadamente. Após a união das diversas partes, a montagem do trem entra em sua fase final. A suspensão é conectada. Em seguida vêm os tubos de ar, seguidos pelo aparelhamento do freio, depois a fiação e, finalmente, os rodados, culminando com o trem concluído. Após a conclusão, os veículos vão para a fase de testes. Uma vez que o trem começa a ser “juntado”, os testes começarão. Mas, na realidade, eles começam muito antes no processo de fabricação. Um exemplo é o teste combinado, em que o kit de propulsão é todo disposto no chão do laboratório, incluindo conversores, motores, caixas de câmbio e sistema de controle. 19 REFERÊNCIAS ANTT – AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES. Evolução do Transporte Ferroviário. Brasília: ANTT, 2010. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 11691:2015: Vagão ferroviário – Classificação, identificação e marcação. Rio de Janeiro, 2015. PIOVAN, T. T. de C.; MANZATO, G. G. Análise do potencial de transporte ferroviário de passageiros na região de Bauru. Semana de Tecnologia Metroferroviária. 23. 2017. BALDOW, R.; MONTEIRO JÚNIOR, F. N. M. 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WIESŁAW, K.; TADEUSZ, N.; MICHAŁ, S. Innovative project of prototype railway wagon and intermodal transport system. Transportation Research Procedia, v. 14, pp. 615-624, 2016. Tabelas Tabela 1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 11691:2015: Vagão ferroviário – Classificação, identificação e marcação. Rio de Janeiro, 2015. Tabela 2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 11691:2015: Vagão ferroviário – Classificação, identificação e marcação. Rio de Janeiro, 2015.