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1 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Strengths and weaknesses of health literacy among teachers linked to an Amazonian health institute Potencialidades y debilidades de la alfabetización en salud de los docentes vinculados a un instituto en la Amazonia Gabriel Mácola de Almeida 1,a | gabrielalmeida1401@gmail.com Natasha Lima da Fonseca 1,a | nathy.fonseca@hotmail.com Mayra Emanuele Magalhães Alves 1,b | mayra.emanuele.ma@gmail.com Ana Cristina Viana Campos 2,c | campos.acv@gmail.com Hércules Bezerra Dias 1,d | herculesdias@ufpa.br Liliane Silva do Nascimento 1,e | dralilianesn@hotmail.com 1 Universidade Federal do Pará, Instituto de Ciências da Saúde, Laboratório de Monitoramento e Avaliação em Saúde da Amazônia. Belém, PA, Brasil. 2 Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Instituto de Estudos em Saúde e Biológicas, Laboratório e Observatório em Vigilância & Epidemiologia Social. Marabá, PA, Brasil. a Mestrado em Saúde Coletiva na Amazônia pela Universidade Federal do Pará. b Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Pará. c Doutorado em Odontologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. d Doutorado em Odontologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. e Doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. RESUMO Letramento em saúde representa o conjunto de competências e habilidades que permitem o acesso, a compreensão e a utilização de informações sobre saúde. Existe consenso que o desenvolvimento de currículos voltados para a discussão de princípios do letramento em saúde subsidia concepção de conhecimentos e capacitação importantes para os profissionais de saúde. O objetivo do trabalho aqui apresentado é identificar o perfil, as potencialidades e fragilidades do letramento de professores da área de saúde. Trata-se de um estudo transversal quantitativo. Foram aplicados questionários sociodemográficos e de avaliação do ARTIGOS ORIGINAIS https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4359 mailto:gabrielalmeida1401%40gmail.com?subject= mailto:nathy.fonseca%40hotmail.com?subject= mailto:mayra.emanuele.ma%40gmail.com?subject= mailto:campos.acv%40gmail.com?subject= mailto:herculesdias%40ufpa.br?subject= mailto:dralilianesn%40hotmail.com?subject= https://orcid.org/0000-0002-0618-829X http://lattes.cnpq.br/0929639442996334 https://orcid.org/0000-0002-3993-5474 http://lattes.cnpq.br/7249927354415631 https://orcid.org/0000-0001-5767-9251 http://lattes.cnpq.br/2510813181987284 https://orcid.org/0000-0002-5042-5782 http://lattes.cnpq.br/5797555584719625 https://orcid.org/0000-0002-5943-6314 http://lattes.cnpq.br/1267238580647081 https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4359 https://orcid.org/0000-0003-0596-6632 http://lattes.cnpq.br/4058636685107892 2 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia letramento em saúde, o HLQ-BR. Participaram 109 professores. As principais potencialidades identificadas foram de avaliação de informações sobre saúde e compreensão dessas informações. Como limitações, houve dificuldade de gerenciar ativamente a própria saúde e de navegar no sistema de saúde. Este estudo permitiu maior visibilidade do panorama dos profissionais formadores no norte Amazônico do Brasil, gerando subsídios para fortalecer o letramento em saúde na educação e mitigar iniquidades nessa área. Palavras-chave: Letramento em saúde; Instituições de ensino superior; Docentes; Educação em saúde; Promoção da saúde. ABSTRACT Health literacy represents the set of skills and abilities that allow access, understanding and use of health information. There is a consensus that the development of curricula focused on discussing the principles of health literacy supports the conception of important knowledge and training for health professionals. The objective of the study presented here is to identify the profile, strengths and weaknesses of health teachers’s literacy. It is a quantitative cross-sectional study. Sociodemographic and health literacy assessment questionnaires, the HLQ-BR, were applied. A total of 109 teachers participated. The main identified strengths were the ability to evaluate health information and to understand that information. Limitations included the difficulty in actively managing one's own health and navigating in the health system. This study allowed greater visibility for the panorama of training professionals in the northern Amazon region of Brazil, generating subsidies to strengthen health literacy in education and mitigate inequalities in this area. Keywords: Health literacy; Higher education institutions; Teachers; Health education; Health promotion. RESUMEN La alfabetización en salud representa el conjunto de habilidades y capacidades que permiten el acceso, la comprensión y el uso de la información en salud. Existe consenso en que el desarrollo de currículos destinados a discutir los principios de la alfabetización en salud contribuye a la concepción de conocimientos y capacitación importantes para los profesionales de la salud. El objetivo del trabajo aquí presentado es identificar el perfil, las potencialidades y las debilidades de la alfabetización de los profesores del área de la salud. Se trata de un estudio transversal cuantitativo. Se aplicaron cuestionarios de evaluación sociodemográfica y de alfabetización en salud, el HLQ-BR. Participaron 109 profesores. El principal potencial identificado fue la evaluación de la información sobre salud y la comprensión de dicha información. Como limitaciones se observó dificultad para gestionar activamente la propia salud y para navegar por el sistema sanitario. Este estudio permitió una mayor visibilidad del panorama de la formación de los profesionales en el norte amazónico de Brasil, generando subsidios para fortalecer la alfabetización en salud y mitigar inequidades en esta área. Palabras clave: Alfabetización en salud; Instituciones de educación superior; Docentes; Educación en salud; Promoción de la salud. INTRODUÇÃO O letramento em saúde (LS), segundo a Organização Mundial da Saúde, é entendido como o conjunto de competências e habilidades individuais e coletivas colecionadas a partir de atividades sociais, educacionais e culturais que permitem o acesso, a compreensão e a utilização de informações sobre saúde (WHO, 2021). O LS subsidia a autonomia dos sujeitos no processo de tomada de decisão sobre saúde, por 3 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia meio do exercício de julgamento crítico de recursos e informações, além da habilidade de comunicação e interação social para a promoção da saúde (Marques; Lemos, 2018). Estudos mostram que o nível de LS está diretamente relacionado a desfechos em saúde. Baixos níveis de LS representam maiores taxas de complicações, hospitalização e redução da autonomia em saúde. Enquanto maiores níveis de LS representam desfechos positivos, melhora na qualidade de vida e menores custos. Dessa forma, observa-se o LS como aspecto de relevância social, econômica e de saúde para a população (Cesar et al., 2022; Rigolin et al., 2018). A literatura aponta maiores fragilidades em LS, e, portanto, no acesso a e na compreensão de informações confiáveis em saúde, em grupos com condições socioeconômicas desfavoráveis e com baixa escolaridade, gerandoiniquidades em saúde e assinalando o LS como determinante social da saúde (Ribas; Araújo, 2021). Dessa forma, esforços no sentido do fortalecimento das capacidades institucionais são necessários para reduzir as disparidades em saúde e permitir melhores desfechos (Schillinger, 2021). Estudos acerca do LS são nascentes. Ainda, mesmo globalmente, pesquisas nesse âmbito estão mais direcionadas a análises do LS de pacientes e usuários. Nesse sentido, tendo em vista o papel central das instituições de ensino superior (IES) como elemento chave no fortalecimento dos princípios do LS e da autonomia em saúde, torna-se essencial atentar-se ao desenvolvimento educativo, capacitação e formação de profissionais formadores, entendidos como protagonistas desse processo (Elsborg, 2017; Silva, 2020). Quanto às IES, existe consenso internacional de que o desenvolvimento de currículos voltados para a discussão de princípios do LS subsidia concepção de conhecimentos e habilidades importantes para os profissionais de saúde, o que leva também à melhora do LS dos seus usuários (Coleman et al., 2010; Toronto; Weatherford, 2015). Nesse sentido, torna-se relevante o redirecionamento de esforços para a inclusão curricular dos princípios pressupostos pelo LS de maneira transversal no processo ensino-aprendizagem, por meio da utilização de abordagens e ferramentas disponíveis com o objetivo de aprimorar as competências e aplicar habilidades no cuidado em saúde, na tomada de decisão, na promoção, no acesso e na navegação do sistema de saúde (Coleman, 2011; Soares, 2021). Além da construção de projetos pedagógicos transversais ao LS, a avaliação e o mapeamento de professores também é imprescindível para a identificação de fragilidades e limitações que comprometam o processo ensino-aprendizagem. Identificar as barreiras subsidia o aprimoramento do panorama de habilidades e competências das IES na capacitação de professores e profissionais para o fortalecimento da autonomia e autocuidado, comunicação, empoderamento individual e coletivo, e redução de iniquidades (Elsborg, 2017; Passamai, 2012). Nessa perspectiva e considerando o LS como tema central na identificação de iniquidades, tendo em vista seu papel como determinante social de saúde, além do protagonismo dos docentes como precursores da educação e desenvolvimento de profissionais para inserção no contexto do cuidado em saúde, objetivou-se identificar o perfil, as potencialidades e fragilidades em LS de professores da área da saúde da Universidade Federal do Pará. METODOLOGIA Pesquisa de natureza transversal analítica, com abordagem quantitativa, desenvolvida com docentes de graduação vinculados ao Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará (ICS/UFPA). O ICS abrange os cursos de graduação da área da saúde, incluindo: enfermagem, farmácia, fisioterapia, nutrição, odontologia e terapia ocupacional. 4 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Para a análise dos objetos de interesse, foram utilizados dois questionários, um sociodemográfico elaborado, consolidando variáveis para a determinação do perfil dos professores e de associação estatística com o segundo questionário, para análise do letramento em saúde, o Health Literacy Questionnaire (HLQ). Foi aplicada a versão brasileira do HLQ, validada no Brasil em 2020 (HLQ-BR). O HLQ-BR é um instrumento multidimensional, traduzido e validado para o português brasileiro de acordo com as normas técnicas preconizadas pela equipe desenvolvedora, permitindo, assim, sua aplicação em cenários distintos de meios socioculturais diversos (Moraes et al., 2021). O instrumento é dividido em duas partes, com 44 itens organizados em formato tipo Likert, com quatro opções de resposta na primeira parte: “discordo totalmente”, “discordo”, “concordo” e “concordo totalmente”; e cinco opções na segunda parte: “não consigo fazer ou sempre difícil”, “geralmente difícil”, “às vezes difícil”, “geralmente fácil” e “sempre fácil”. Os itens do instrumento foram elaborados levando em consideração nove dimensões do LS: compreensão e apoio dos profissionais de saúde (quatro itens); informações suficientes para cuidar da saúde (quatro itens); cuidado ativo da saúde (cinco itens); suporte social para saúde (cinco itens); avaliação das informações sobre saúde (cinco itens); capacidade de interagir ativamente com os profissionais de saúde (cinco itens); navegar no sistema de saúde (seis itens); capacidade de encontrar boas informações sobre saúde (cinco itens); compreender as informações sobre saúde e saber o que fazer (cinco itens). Em relação ao questionário sociodemográfico, foram elaborados itens referentes a: idade, sexo biológico, estado civil, cor/raça, residentes em convívio, escolaridade, formação extra, tempo de vínculo na instituição, rendimento salarial, possuir plano de saúde e possuir doenças (diabetes, hipertensão, depressão, burnout, doenças articulares e ansiedade). A população do estudo envolveu os docentes servidores que estão vinculados ativamente ao Instituto, sendo este seu critério de elegibilidade. Como critério de exclusão, ficaram inelegíveis para a análise da pesquisa os professores em situação de cedidos, de licença ou afastados, além daqueles vinculados ao ICS por contrato temporário. Portanto, de um total de 238, foram desconsiderados da população total 36 docentes temporários, 13 afastados e 4 cedidos, tornando 185 docentes elegíveis para a aplicação dos questionários. Os pesquisadores responsáveis realizaram as entrevistas de maneira presencial, nos locais de atuação dos docentes das áreas da saúde vinculadas ao ICS-UFPA, onde apresentaram formalmente os objetivos do estudo e o convite para participação no mesmo, cujo aceite fora registrado mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em formato impresso, assim como os questionários. Os locais de atuação dos professores vinculados ao ICS se dividem em: Universidade Federal Campus Guamá, Instituto de Ciências Médicas e o Hospital Universitário João de Barros Barreto. A aplicação dos questionários foi realizada no período de maio a setembro de 2023. Os dados coletados foram organizados e tratados em banco de dados no software Windows Microsoft Excel versão 2023, no qual foi realizada a análise descritiva a partir do perfil sociodemográfico e as médias calculadas das nove escalas do HLQ-BR, de maneira separadas, visto que o instrumento não gera uma pontuação global para o LS. Quanto à análise estatística, foi utilizado o software IBM Statistical Package for the Social Science (SPSS) para Windows. Para a associação entre variáveis do questionário sociodemográfico e as escalas do HLQ-BR, foi inicialmente realizado o teste de normalidade Shapiro-Wilk. Os escores de cada dimensão do letramento em saúde foram comparados com as variáveis sociodemográficas pelos testes de Mann Whitney e Kruskal- Wallis. O nível de significância de 5% (pTCLE. A quantidade de docentes que participou efetivamente da pesquisa foi influenciada pelo acesso aos questionários nos diferentes lócus de atuação da Universidade. Limitações envolvendo a dinâmica do processo de trabalho eram esperadas e inevitáveis, considerando a rotina, o tempo e a distribuição distinta de horários desses profissionais nos seus pontos de atuação. A Tabela 1 apresenta o perfil descritivo dos docentes, gerado a partir do questionário sociodemográfico. Perfil descritivo de docentes servidores do ICS-UFPA, segundo o questionário sociodemográfico aplicado. Brasil, 2024 (continua) Faixa etária N % 49 anos 53 54,9 Sexo N % Masculino 45 41,3 Feminino 64 58,7 Estado civil N % Solteiro(a) 17 15,6 Casado(a) 72 66,1 Viúvo(a) 2 1,8 União Estável 9 8,3 Divorciado 8 7,3 Não respondeu 1 0,9 Cor/Raça N % Branca 51 46,8 Preta 7 6,4 Amarela 2 1,8 Parda 47 43,1 Não respondeu 2 1,8 Quantos residem N % 0 a 2 53 49,1 3 ou mais 55 50,9 Não respondeu 1 0,9% Escolaridade completa N % Especialista 1 0,9 Mestre(a) 8 7,3 Doutor(a) 100 91,7 Tabela 1 – 6 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Possui mais de uma graduação N % Sim 13 11,9 Não 95 87,2 Não respondeu 1 0,9 Tempo de exercício no Instituto N % Até 3 anos 15 13,8 Mais de 4 anos 93 85,3 Não respondeu 1 0,9 Rendimento salarial N % De 1 a 4 salários mínimos 1 0,9 Mais de 5 salários mínimos 103 94,5 Não respondeu 5 4,6 Possui plano de saúde N % Sim 102 93,6 Não 4 3,7 Não respondeu 3 2,8 Teve covid-19 N % Sim 86 78,9 Não 22 20,2 Não respondeu 1 0,9 Atendido na urgência no último ano N % Sim 28 25,7 Não 80 73,4 Não respondeu 1 0,9 Total 109 100% Fonte: Os autores. A variável idade foi categorizada em dois estratos (binomial) para possibilitar a análise de associação estatística com as dimensões do HLQ-BR. Do total de participantes, 56 (55,1%) possuem idade inferior ou igual a 48 anos, enquanto 53 (54,9%) possuem idade superior a 49 anos. Os participantes foram predominantemente do sexo feminino (58,7%), com estado civil casado (66,1%), declarados principalmente brancos (46,8%) e pardos (43,1%). Quando perguntado o número de residentes com que convivem, 53 (49,1%) participantes revelaram morar sozinhos ou com até duas pessoas e 55 (50,9%) com três pessoas ou mais. Quanto à escolaridade, os docentes são predominantemente doutores (91,7%) que possuem apenas uma graduação (87,2%). Além disso, a maioria (85,3%) já tem vínculo com o Instituto há mais de quatro anos, possui rendimento salarial de mais de cinco salários mínimos (94,5%) e plano de saúde (93,6%). Oitenta e seis participantes (78,9%) afirmaram já ter tido covid-19 e apenas 25,7% revelaram ter sido atendidos na urgência no último ano. (conclusão) 7 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Na caracterização das doenças, apenas 10,1% dos docentes revelaram possuir diabetes, 17,4% hipertensão arterial, 3,7% depressão, 10,1% síndrome de burnout, 12,8% doenças de ordem articular e 15,6% transtornos de ansiedade (Tabela 2) Perfil de doenças de docentes servidores do ICS-UFPA, segundo questionário ociodemográfico aplicado. Brasil, 2024 Doença N % Diabetes 11 10,1 Hipertensão arterial 19 17,4 Depressão 4 3,7 Burnout 11 10,1 Doenças articulares 14 12,8 Ansiedade 17 15,6 Fonte: Os autores. As médias referentes às dimensões do HLQ-BR a partir dos questionários respondidos pelos docentes com as respectivas questões de melhor e pior desempenho estão dispostas na Tabela 3. Na dimensão 1, referente à compreensão e ao apoio de profissionais de saúde, houve fragilidade dos profissionais de saúde para orientar casos individuais (3,26). Na dimensão de informações suficientes para cuidar da saúde, os docentes afirmam possuir boas informações sobre saúde (3,57), enquanto o fato de ter informações necessárias para o gerenciamento da própria saúde obteve a menor média desta dimensão (3,09). Análise descritiva da média e desvio-padrão de cada dimensão do HLQ-Br, com seus respectivos itens de maior e menor desempenho, de 109 docentes servidores do ICS- UFPA. Brasil, 2024 (continua) Dimensões e itens do Health Literacy Questionnaire-Br Média DP IC95% Parte 1 (Escores 1-4) 1 Sentir-se compreendido e apoiado pelos profissionais de saúde 3,35 0,6 3,24 3,47 Q 22 Posso contar com pelo menos um profissional de saúde 3,45 0,66 3,32 3,58 Q 17 Tenho os profissionais de saúde de que preciso para me ajudar a descobrir o que preciso fazer 3,26 0,73 3,12 3,40 2 Ter informações suficientes para cuidar da minha saúde 3,29 0,49 3,2 3,38 Q 1 Sinto que tenho boas informações sobre saúde 3,57 0,52 3,47 3,67 Q 14 Tenho certeza de que tenho todas as informações necessárias para gerenciar minha saúde de forma eficaz 3,09 0,70 2,96 3,22 Tabela 2 – Tabela 3 – 8 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia 3 Gerenciando ativamente minha saúde 3,05 0,52 2,95 3,15 Q 9 Eu faço planos do que preciso fazer para ser saudável 3,30 0,69 3,17 3,43 Q 6 Passo bastante tempo cuidando ativamente da minha saúde 2,60 0,76 2,45 2,74 4 Apoio social para a saúde 3,31 0,49 3,22 3,4 Q 19 Eu tenho forte apoio da família ou amigos 3,43 0,66 3,31 3,56 Q 5 Quando me sinto mal, as pessoas ao meu redor realmente entendem o que estou passando 3,16 0,70 3,02 3,29 5 Avaliação de informações sobre saúde 3,49 0,39 3,42 3,56 Q 4 Eu comparo informações sobre saúde de diferentes fontes 3,61 0,53 3,51 3,71 Q 20 Pergunto aos profissionais de saúde sobre a qualidade das informações sobre saúde que encontro 3,22 0,67 3,09 3,35 Parte 2 (Escores 1-5) 6 Capacidade de se envolver ativamente com profissionais de saúde 3,83 0,71 3,7 3,97 Q 4 Sentir-se capaz de discutir suas preocupações com a saúde com um profissional de saúde 4,07 0,81 3,92 4,23 Q 2 Certificar-se que os profissionais de saúde entendem seus problemas adequadamente 3,42 0,81 3,27 3,58 7 Navegando no sistema de saúde 3,79 0,6 3,68 3,9 Q 11 Decidir qual profissional de saúde você precisa consultar 4,05 0,77 3,90 4,19 Q 1 Encontrar o cuidado de saúde certo 3,46 0,76 3,31 3,60 8 Capacidade de encontrar boas informações de saúde 4,1 0,55 4 4,21 Q 14 Obter informações de saúde em palavras que você entende 4,27 0,63 4,15 4,39 Q 3 Encontrar informações sobre problemas de saúde 4,06 0,69 3,92 4,19 9 Compreender as informações de saúde o suficiente para saber o que fazer 4,11 0,52 4,02 4,21 Q 21 Entender o que os profissionais de saúde estão pedindo para você fazer 4,31 0,61 4,20 4,43 Q 9 Seguir com precisão as instruções dos profissionais de saúde 3,65 0,81 3,49 3,80 Fonte: Os autores. Na dimensão 3, referente ao gerenciamento ativo da própria saúde, a maior média foi para a criação de planos para ser saudável (3,30), porém, é observado menor tempo de cuidado ativo da saúde (2,60). Em apoio social para a saúde, na dimensão 4, a potencialidade está no forte apoio da família ou amigos (3,43), enquanto a menor média foi na falta de compressão sobre o que os entrevistados estão passando (3,16). (conclusão) 9 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Na dimensão 5, correspondente à avaliação de informaçõessobre saúde, foi observada maior média no processo de comparação de informações encontradas em diferentes fontes (3,61) e menor média na questão que pergunta sobre a qualidade das informações encontradas (3,22). Na dimensão 6, na segunda parte do questionário, referente à capacidade de envolvimento ativo com profissionais de saúde, os docentes se sentiram capazes de discutir preocupações com esses profissionais (4,07), enquanto o fato de certificar-se de que os profissionais de saúde entenderam seus problemas obteve menor média (3,42). Na navegação no sistema de saúde, houve maior potencialidade de saber qual profissional precisa consultar (4,05), porém maior dificuldade de encontrar o cuidado de saúde certo (3,46). Quanto à capacidade de encontrar boas informações sobre saúde, os professores revelaram conseguir obter informações em palavras que entendem (4,27) e menor média quando se trata de encontrar informações sobre problemas de saúde (4,06). Na dimensão 9, no que diz respeito à compreensão de informações sobre saúde o suficiente para saber o que fazer, observou-se compreensão dos docentes nos pedidos dos profissionais de saúde (4,31), porém houve dificuldade de seguir as instruções dos mesmos (3,65). Foram colocadas na Tabela 4 apenas as variáveis de associação que apresentaram alguma significância estatística. As variáveis de faixa etária, sexo, estado civil, escolaridade, possuir plano de saúde e ter sido atendido em urgência no último ano não influenciaram qualquer uma das médias das dimensões. Associação estatística entre as dimensões das partes 1 e 2 do HLQ-Br com as variáveis sociodemográficas de docentes servidores do ICS-UFPA, segundo teste de Mann-Whitney. Brasil, 2024 (continua) Variáveis Dimensões 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Média Média Média Média Média Média Média Média Média Cor/raça Branca 3,23 3,36 2,95 3,27 3,46 3,87 3,87 4,22 4,21 Não branca 3,45 3,22 3,15 3,35 3,52 3,79 3,70 4,00 4,03 Valor pu - - - - - - - ,024 ,049 Tempo na Instituição Até 3 anos 3,33 3,40 3,27 3,40 3,71 3,89 3,86 4,16 4,08 Mais de 4 anos 3,35 3,27 3,01 3,29 3,45 3,81 3,77 4,09 4,11 Valor pu - - - - 0,012 - - - - Teve covid-19 Sim 3,32 3,28 3,03 3,28 3,47 3,72 3,71 4,04 4,06 Não 3,50 3,35 3,12 3,47 3,63 4,25 4,08 4,32 4,31 Valor pu - - - - 0,052 0,002 0,019 0,014 - Tabela 4 – 10 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Hipertensão Sim 3,24 3,26 3,08 3,18 3,39 3,49 3,68 4,06 3,99 Não 3,38 3,30 3,04 3,35 3,53 3,90 3,81 4,11 4,14 Valor pu - - - - - 0,042 - - - Depressão Sim 3,06 3,25 2,20 3,05 3,20 3,85 3,84 4,55 4,40 Não 3,37 3,30 3,08 3,33 3,51 3,83 3,79 4,08 4,10 Valor pu - - 0,003 - - - - - - Burnout Sim 3,35 3,08 2,86 3,14 3,28 3,98 3,60 4,02 4,10 Não 3,36 3,32 3,07 3,34 3,55 3,81 3,81 4,11 4,11 Valor pu - - - - ,057 - - - - Doenças articulares Sim 3,13 2,98 3,03 3,16 3,46 3,87 3,87 3,96 4,11 Não 3,39 3,34 3,05 3,34 3,51 3,82 3,78 4,12 4,11 Valor pu - 0,021 - - - - - - - u: Teste U de Mann-Whitney. Fonte: Os autores. Houve diferença estatisticamente significativa entre a raça/cor nas dimensões 8 e 9, em que o grupo de brancos obteve média maior. Houve também diferença no tempo de vínculo na Instituição, onde o estrato de professores que estão a ela vinculados até 3 anos possui uma média maior do que a dos que estão a mais de 4 anos. Quanto às doenças, houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos que tiveram covid-19 e os que não tiveram nas dimensões 5, 6, 7 e 8. Porém, as médias foram maiores no grupo que afirmou não ter tido a doença. Da mesma maneira, houve diferença em hipertensão (dimensão 6), depressão (dimensão 3), burnout (dimensão 5) e doenças articulares (dimensão 2), tendendo a haver média maior para os que marcaram não possuir a doença. Diabetes e transtornos de ansiedade não apresentaram significância estatística no teste realizado. DISCUSSÃO O HLQ-BR é um instrumento de mensuração do LS que não gera uma pontuação geral para determinar o nível de letramento de um grupo avaliado. Ele permite, porém, uma análise multidimensional de potencialidades e fragilidades associadas a distintos aspectos que permeiam e influenciam as condições de LS de uma população que, neste caso, representa os docentes vinculados a uma instituição federal (Osborne et al., 2013). (conclusão) 11 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia O perfil sociodemográfico da amostra de professores que participaram da pesquisa seguiu um desenho homogêneo. Quase a totalidade dos docentes apresenta as mesmas características apresentadas no questionário: são casados, doutores com uma graduação, estão há mais de 4 anos vinculados ao Instituto, possuem mesma média salarial e possuem plano de saúde. Quanto à distribuição de grupos em relação ao sexo, faixa etária e cor/raça, eles apresentam-se com frequência relativa próxima da equivalência. A homogeneidade da amostra era esperada, uma vez que o trâmite de entrada para o cargo de docente servidor da esfera federal exige nível de escolaridade mínimo de doutorado e o plano de crescimento profissional é igual para todos os servidores, gerando rendimento salarial semelhante. Esse cenário leva a uma análise mais minuciosa do LS, uma vez que não somente o perfil individual baseado nas variáveis sociodemográficas será determinante para um LS maior ou menor. É conhecido que maior escolaridade e melhores condições econômicas tendem a indicar melhor percepção de LS. Todavia, atributos extrínsecos e de disponibilidade de recursos também podem influenciar para cima ou para baixo essa percepção. Aspectos culturais, familiares e de rede de pessoas, mediados por atividades diárias e interações sociais adquiridas, podem modificar o acesso, a compreensão e a utilização de informações (Marques; Lemos, 2018; WHO, 2021). A literatura elucida a importância do processo de inserção e autoavaliação das noções, habilidades e competências de especialistas sobre os princípios do LS na formação de profissionais da saúde, uma vez que este letramento representa um importante determinante social da saúde. No cenário das IES, ainda não existem diretrizes curriculares voltadas para essa pauta, apesar de existirem alguns elementos incorporados no processo de formação (Martins et al., 2022). Nessa problemática, estão inseridos os profissionais formadores ou docentes, que são responsáveis pela construção formativa dos novos atores de saúde. Portanto, a própria formação profissional desses professores também se insere nesse contexto. Entende-se que professores com fragilidades e LS inadequado podem gerar a manutenção das mesmas fragilidades para os profissionais da saúde que, em último lugar, impactará também os seus usuários (Silva et al., 2020). Essa perspectiva justifica, portanto, a importância não só de esforços que devem ser realizados para o desenvolvimento de currículos voltados para a aproximação e aplicação dos princípios do LS na graduação e pós-graduação, mas também para a formulação de estudos de mapeamento e avaliação contínuos dos profissionais envolvidos no processo formativo nas IES, buscando mitigar fragilidades e lacunas por meio da formulação de estratégias de capacitação e de ensino para o fortalecimento das bases de educação em saúde (Coleman et al., 2010; Griffey et al., 2014). Em relação aos docentes da saúde vinculados ao ICS-UFPA, foi observado, na primeira parte do HLQ- BR, que a avaliação de informações sobre saúde obteve a maior média, representando a dimensão de maior potencialidade. Essa dimensão se refere ao processo de análise críticadas fontes de informação disponíveis, levando em consideração sua confiabilidade, assertividade e fundação científica. Essa característica parece representar bem o papel dos professores dentro do contexto acadêmico, onde estes profissionais participam e possuem contato ativo do desenvolvimento científico tanto no quesito de produção científica quanto para o desempenho em sala de aula. Na perspectiva das IES, é de fundamental importância a implementação de recursos que subsidiem a avaliação de informações confiáveis e de qualidade, visto que essas instituições estão diretamente ligadas à educação formal e produção científica (Souza, 2018). Ainda em relação à dimensão 5, houve melhor performance no LS para os grupos de docentes que declararam vínculo de até 3 anos na Instituição, segundo a análise estatística. Infere-se que os docentes que estão há menos tempo na IES tendem a possuir maior familiaridade com a tecnologia e o uso de 12 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia dispositivos eletrônicos, o que pode estar relacionado com maior facilidade ao acesso a informações sobre saúde para este grupo, argumento este suportado pela literatura (Frota, 2021; Tavares; Souza, 2012). De maneira semelhante, na segunda parte do instrumento, a capacidade de encontrar boas informações sobre saúde foi observada como potencialidade, com média semelhante à dimensão de compreensão de informações suficientes para saber o que fazer. Isso demonstra que os docentes se sentem confiantes tanto no processo de análise crítica das informações quanto para encontrar e compreender essas informações. A busca, avaliação e compreensão de informações confiáveis para a saúde são atributos do LS esperados de profissionais de saúde, mas principalmente de professores, pois representam a ponte para a habilitação e multiplicação de conhecimentos atualizados para seus alunos, devendo, portanto, ter confiança para identificar as melhores fontes e a qualidade de informações (Toronto; Weatherford, 2015). Além disso, foi constatada diferença estatisticamente significativa entre os grupos de cor branca e não branca em relação a essas mesmas dimensões (8 e 9), distinguindo os grupos de autodeclarados brancos, que apresentam maior facilidade para encontrar informações e saber o que fazer. Apesar da amostra estudada representar um estrato de indivíduos que possuem escolaridade superior e que estão em constante contato com o desenvolvimento científico do conhecimento em relação a outros grupos que não estão inseridas no contexto das IES, historicamente ainda são evidenciadas dificuldades sociais e estruturais enfrentadas por grupos não brancos no acesso a serviços de saúde adequados, bem como outros determinantes sociais que podem impactar a disponibilidade e a qualidade de informações (Cordeiro, 2006; Cunha, 2008). As fragilidades foram identificadas nas dimensões de gerenciamento ativo da própria saúde (dimensão 3, parte 1) e de navegação no sistema de saúde (dimensão 7, parte 2). É possível discutir que as lacunas no autocuidado sejam resultado da alta demanda envolvida na jornada de trabalho dos professores. Esse argumento se fortalece quando se observa que o item de menor média desta dimensão foi precisamente em relação ao tempo de cuidado ativo da saúde. D'Oliveira et al. (2020) expõem em seu estudo exatamente essa perspectiva. Os autores avaliaram qualitativamente as percepções de docentes de enfermagem de universidades federais do Rio de Janeiro. É observado que as exigências vinculadas ao ritmo e à alta demanda laboral associadas à pressão para atender metas de produção científica e outras atividades acadêmicas provocam consequências negativas na manutenção de hábitos de vida saudáveis, culminando no protelamento do cuidado com a própria saúde. De maneira semelhante, outros estudos (Fontana; Pinheiro, 2010; Silvério et al., 2010) também encontram a mesma problemática: a dinâmica envolvida no processo de trabalho de ensino-aprendizagem dos profissionais formadores são fatores influenciadores no aparecimento de problemas de saúde, revelando o desafio diário do cuidar enquanto ensinam para possibilitar a manutenção do autocuidado. Já no aspecto da navegação no sistema de saúde, salienta-se que o HLQ não especifica se o tipo de sistema levado em consideração é público ou particular. Contudo, foi observado que o item de decisão para qual profissional precisa se consultar obteve a maior média, mostrando que os professores possuem conhecimento para qual profissional de saúde direcionar seu problema. Porém, houve menor média ao encontrar o cuidado de saúde certo. Entre os resultados, foi observado que quase todos os professores possuem plano de saúde particular. É possível que, apesar de possuírem compreensão sobre a queixa atual pela qual estão passando, os docentes possuem dificuldade de acesso, propriamente dito, ao cuidado. Essa problemática é reflexo tanto das limitações do sistema público quanto do particular, apesar de mais evidente no primeiro (Assis; Jesus, 2012). É necessário maior aprofundamento para entender quais aspectos estão relacionados a essa dificuldade de acesso: se foi pela interpretação dos professores no questionário em relação ao tipo de sistema de saúde; 13 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia pelas limitações existentes também no sistema particular, ou, ainda, pela própria dificuldade observada no processo de autocuidado discutido anteriormente neste estudo. Foi observado um LS maior para os grupos que não possuem as doenças mencionadas no questionário sociodemográfico. Esse achado pode inicialmente parecer conflitante, com base no raciocínio de que ter contato com determinada doença, em teoria, favoreceria maior inclinação para a compreensão da mesma. Por outro ângulo, os resultados encontrados podem estar relacionados com a eficácia do LS como fator protetor para essas doenças, sob a ótica da compreensão das mesmas para preveni-las ou, ao menos, mitigar agravos (Martins et al., 2022; Mckenna et al., 2020). Entende-se que se um bom LS e, portanto, acesso, compreensão e saber o que fazer perante situações de problemas de saúde (mudanças de hábitos, procurar atendimento ou profissionais de saúde, por exemplo) confere ao indivíduo melhores formas de se prevenir de agravos em saúde. Sob este argumento, faz sentido àqueles que não possuem as doenças previstas no questionário tenderem a possuir um LS superior em relação aos que possuem. Em outras palavras, não ter a doença é consequência do LS (Martins et al., 2022; Mckenna et al., 2020). Não foram encontradas associações significativas entre faixa etária, sexo, estado civil e escolaridade e nenhuma das dimensões do HLQ para essa amostra. Apesar disso, é válido mencionar que, na literatura, há vasta evidência da influência da escolaridade nos níveis de LS. Apesar disso, estudos também evidenciam que alto nível educacional não necessariamente garante um LS adequado, tecendo desafios para as IES em relação à formulação de estratégias que fomentem o desenvolvimento do LS junto ao currículo, além da capacitação de profissionais formadores (Marques; Lemos, 2018; Ribas; Araújo, 2021). Este estudo teve limitações na discussão, haja vista que não existem estudos que comparem o LS de professores em IES de esfera pública ou privada, o que dificulta a análise e a corroboração de resultados e inferências que justifiquem alguns dos aspectos do LS apresentados neste manuscrito. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos dados analisados, observou-se um perfil homogêneo dedocentes da área da saúde. Neste sentido, não houve influência da faixa etária, sexo, estado civil, escolaridade, ter plano de saúde e ter sido atendido em urgências no último ano nas dimensões propostas pelo HLQ-BR, e, portanto, no letramento em saúde desses profissionais. Por outro lado, autodeclarados brancos com menos tempo de vínculo na Instituição e que tiveram covid-19 e outras doenças apresentaram diferença significativa entre algumas dimensões do HLQ. Quanto às potencialidades, os docentes do ICS demonstram saber encontrar e avaliar informações sobre saúde, além de compreender essas informações para saber como conduzir as situações relacionadas a ela. Contudo, suas fragilidades encontram-se no gerenciamento da própria saúde e de navegação no sistema. Estudos acerca do LS de profissionais de saúde e, neste caso, profissionais formadores, ainda são pouco explorados no Brasil. Considerando que professores capacitados para trabalhar o LS têm o potencial de fortalecer essa temática entre seus alunos, contribuindo para uma formação mais sólida nessa área e impactando, finalmente, a manutenção, promoção e prevenção de saúde da população, é enfatizada a importância do papel das IES no desenvolvimento de currículos que abordem os princípios do LS como uma forma de promover conhecimentos e habilidades relevantes para os profissionais de saúde, o que, por sua vez, melhora o LS dos usuários. Além disso, visto que professores também podem apresentar fragilidades nesse contexto, recomenda- se a prática constante de estratégias de autoavaliação de docentes e alunos em relação à eficácia de suas 14 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia práticas e ações. Essa avaliação deve ocorrer em diferentes contextos educacionais transversalmente, desde a graduação até a pós-graduação, com ênfase na formação do corpo docente da área da saúde em relação aos princípios do LS. Assim, priorizar o ensino e aprendizado do LS pode contribuir significativamente para uma abordagem mais eficaz na área da saúde. A partir dos resultados encontrados, foi possível alcançar maior visibilidade em relação ao panorama dos profissionais formadores no norte Amazônico do Brasil, gerando subsídios para discutir novas ideias e estratégias de capacitação e ensino para fortalecer o LS na educação sobre saúde e mitigar iniquidades nessa área, reiterando, ainda, a importância da continuidade do desenvolvimento de estudos que analisem e mapeiem o perfil desses profissionais e docentes, a fim de promover impactos na compreensão dos processos que giram em torno da oferta de ensino e saúde equitativos e de qualidade. REFERÊNCIAS ASSIS, Marluce Maria Araújo; JESUS, Washington Luiz Abreu de. Acesso aos serviços de saúde: abordagens, conceitos, políticas e modelo de análise. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 11, p. 2865- 2875, nov. 2012. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-81232012001100002. Disponível em: https://www.scielo. br/j/csc/a/QLYL8v4VLzqP6s5fpR8mLgP/?lang=pt. Acesso em: 6 jan. 2026. 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Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia 5, p. 1753-1762, maio 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-81232022275.21462021. Disponível em: https:// www.scielo.br/j/csc/a/NjdfpqHCnQL3bgjBGDfJmrG/?lang=pt. Acesso em: 5 jan. 2026. SOUZA, Marcos de. Produção científica brasileira: caminhos norteadores para instituições de fomento à pesquisa. Brazilian Journal of Information Science, Marília, v. 12, n. 1, p. 46-60, 2018. DOI: https://doi. org/10.36311/1981-1640.2018.v12n1.05.p46. Disponível em: https://brapci.inf.br/v/222427. Acesso em: 6 jan. 2026. TAVARES, Marília Matias Kestering; SOUZA, Samara Tomé Correa de. Os idosos e as barreiras de acesso às novas tecnologias da informação e comunicação. Renote, Porto Alegre, v. 10, n. 1, p. 1-6, jul. 2012. DOI: https://doi.org/10.22456/1679-1916.30915. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/renote/article/view/30915. Acesso em: 6 jan. 2026. 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Revisão crítica do conteúdo intelectual: Liliane Silva do Nascimento; Gabriel Mácola de Almeida; Hércules Bezerra Dias. Declaração de conflito de interesses: os autores declaram que não há conflito de interesses. Fontes de financiamento: Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Considerações éticas: Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do ICS-UFPA, sob o protocolo de número 5.748.707 e CAAE 64596122.5.0000.0018. Agradecimentos/Contribuições adicionais: Ao Laboratório de Monitoramento e Avaliação em Saúde da Amazônia pelo espaço e recursos disponibilizados para o desenvolvimento da pesquisa. Ao Laboratório e Observatório em Vigilância & Epidemiologia Social pela parceria na análise e interpretação dos dados. À universidade de Tecnologia de Swinburne (AU), pela cooperação e licenciamento do instrumento de avaliação do Letramento em Saúde (HLQ). Histórico do artigo: submetido: 21 abr. 2024 | aceito: 30 abr. 2025 | publicado: 12 maio 2026. Apresentação anterior: os autores declaram que não houve apresentação anterior. Processo de avaliação: revisão por pares duplo-cega. Como citar (ABNT 6023/2018): ALMEIDA, Gabriel et al. Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia. RECIIS, Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026. DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4359. Disponível em: https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/4359. Acesso em: [dia mês ano]. Verificação de similaridade: este artigo foi submetido a uma verificação de similaridade utilizando o software de detecção de texto iThenticate da Turnitin, através do serviço Similarity Check da Crossref. Acesso aberto: Este periódico segue o modelo de acesso aberto (Open Acess) e está de acordo com a Política de Acesso Aberto ao Conhecimento da Fiocruz. Acesso aberto refere-se a um amplo movimento internacional que busca eliminar barreiras financeiras, legais ou técnicas para o acesso online gratuito e aberto à literatura de caráter acadêmico ou científico de modo que qualquer pessoa possa ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar, referenciar ou usar o texto integral dos documentos para fins educacionais ou de qualquer outra natureza dentro dos acordos legais. Todos os textos constantes da RECIIS são publicados sem cobrança de taxas de submissão ou processamento de artigo dos autores (Article Processing Charges – APCs). https://doi.org/10.1590/1413-81232022275.21462021 https://www.scielo.br/j/csc/a/NjdfpqHCnQL3bgjBGDfJmrG/?lang=pt https://www.scielo.br/j/csc/a/NjdfpqHCnQL3bgjBGDfJmrG/?lang=pt https://doi.org/10.36311/1981-1640.2018.v12n1.05.p46 https://doi.org/10.36311/1981-1640.2018.v12n1.05.p46 https://brapci.inf.br/v/222427 https://doi.org/10.22456/1679-1916.30915 https://seer.ufrgs.br/renote/article/view/30915 https://doi.org/10.3928/01484834-20151110-02 https://journals.healio.com/doi/10.3928/01484834-20151110-02 https://journals.healio.com/doi/10.3928/01484834-20151110-02 https://www.who.int/publications/i/item/9789240038349 https://doi.org/10.29397/reciis.v20.4359 https://www.reciis.icict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/4359 17 -17RECIIS (Online), Rio de Janeiro, v. 20, e4359, 2026 | [www.reciis.icict.fiocruz.br] e-ISSN 1981-6278 ALMEIDA, Gabriel Mácola de et al. Artigo original | Potencialidades e fragilidades do letramento em saúde de docentes vinculados a um instituto da Amazônia Licença de uso: Licença CC BY-NC atribuição não comercial. Com essa licença é permitido acessar, baixar (download), copiar, imprimir, compartilhar, reutilizar e distribuir os artigos, desde que para uso não comercial e com a citação da fonte, conferindo os devidos créditos de autoria e menção à RECIIS. Nesses casos, nenhuma permissão é necessária por parte dos autores ou dos editores. https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/