Prévia do material em texto
INFECÇÕES DE VIAS AÉREAS SUPERIORES Acadêmicas: Juliana Santos de Souza e Victória de Sousa Moura Orientadora: Dra. Flávia Godoy Castelo SINUSITE AGUDA 02 LARINGITE VIRAL AGUDA 04 RINOFARINGITE AGUDA 01 FARINGOAMIGDALITE AGUDA ESTREPTOCÓCICA 03 Sumário Introdução ● Processo infeccioso que afeta o trato respiratório superior; ● São a causa mais comum de atendimento de crianças por infecção respiratória aguda; ● Causa frequente de prescrição indevida de antibióticos na comunidade pediátrica. Rinofaringite aguda 01. Rinofaringite aguda É uma infecção viral que inflama a mucosa do nariz e da faringe, também conhecida como resfriado comum. É a doença mais comum da infância. Crianças menores de 5 anos podem ter de cinco a oito episódios por ano. RESFRIADO COMUM Esta situação é causada quase que exclusivamente por vírus. Os mais frequentes são: ● Rinovírus; ● Coronavírus; ● Vírus sincicial respiratório (VSR); ● Parainfluenza; ● Influenza; ● Coxsackie; ● Adenovírus. GRIPE É causada pelos vírus Influenza (A, B, C); Pode ocorrer na forma de epidemias anuais, ou em qualquer período do ano; Tem uma taxa de mortalidade elevada. Características clínicas das gripes e resfriados Resfriados Gripes Início dos sintomas gradual súbito Severidade dos sintomas discreto intenso Sintomas principais cefaléia espirros calafrios dor de garganta coriza febre alta, tosse cefaléia intensa, dor de garganta mialgia, congestão nasal cansaço, fraqueza e falta de apetite Rinofaringite aguda Transmissão através de gotículas ou pelo contato de mãos contaminadas com a via aérea de indivíduos sadios. Contágio é significativo em comunidades fechadas e semifechadas, como domicílio, creches. Incubação dois a cinco dias. COMPLICAÇÕES Algumas complicações bacterianas podem ocorrer durante infecções respiratórias virais, as mais frequentes são: OMA e sinusite. Sugerem a ocorrência de alguma delas: persistência de febre além de 72 horas, recorrência de hipertermia após este período, ou prostração mais acentuada. Além disto, o surgimento de dificuldade respiratória indicam a possibilidade de bronquiolite aguda, pneumonia ou laringite. DIAGNÓSTICO O diagnóstico é essencialmente clínico. A identificação de vírus é desnecessária. O diagnóstico diferencial deve ser feito com manifestações iniciais de várias doenças, como: ● sarampo ● coqueluche ● infecção meningocócica ou gonocócica. Tratamento Repouso no período febril Hidratação e dieta conforme aceitação. Higiene e desobstrução nasal Antitérmico e analgésico Para a maioria dos vírus, não existe nenhum tratamento específico. Entretanto, no caso da gripe causada pelo vírus da influenza, a utilização de amantadina ou rimantadina pode prevenir aproximadamente 70-80% das doenças causadas por influenza A. Antimicrobianos não são indicados por não prevenir infecções bacterianas e por poderem causar o aumento de cepas bacterianas resistentes na orofaringe. Antitussígenos e anti-histamínicos podem ser usados com moderação em crianças maiores, em um período máximo de 5 dias de uso (risco de rinite medicamentosa). Descongestionante nasal tópico uso desaconselhável devido à ineficácia e presença de efeitos adversos O QUE NÃO UTILIZAR Instruções e medidas preventivas No surgimento de dificuldade respiratória, febre alta, prostração, secreção nasal purulenta por mais de 10 dias, fazer contato telefônico ou retornar ao serviço de saúde. Lavagem das mãos e cuidados com secreções e fômites provenientes do paciente. evitar contato de pacientes mais vulneráveis com pessoas infectantes. Vacina para vírus da influenza sua indicação é obrigatória em pacientes com fator de risco, como: com asma, doenças cardiopulmonares crônicas. Doença autolimitada (5-7 dias). Sinusite aguda 02. Definição ● Os seios maxilares e etmoidais já estão presentes no recém nascido, mas são de tamanho muito reduzido durante os primeiros 2 anos de vida. ● Os seios frontais e esfenoidais desenvolvem-se após os 4 anos de idade, atingindo seu tamanho adulto somente na puberdade. É uma infecção bacteriana dos seios paranasais, com duração menor de 30 dias, no qual os sintomas desaparecem completamente. Etiologia Os seios mais frequentemente comprometidos são o maxilar e etmoidal. Os agentes bacterianos mais comuns são: ● Streptococcus pneumoniae; ● Haemophilus influenzae não-tipável; ● Moraxella catarrhalis. Agentes infecciosos virais podem estar associados. Sinais e Sintomas Formas Leves Formas Moderadas a Graves As manifestações iniciais de IVAS passam a se prolongar por mais de 10 dias. Halitose. Tosse diurna Febre. Edema palpebral, cefaléia, prostração, desconforto ou dor, espontâneos ou provocados, no local do(s) seio(s) afetado(s) ou nos dentes. Ao exame do nariz, pode constatar-se congestão da mucosa e presença de secreção purulenta no meato médio. Na orofaringe pode se observar gota purulenta pós-nasal. Diagnóstico A avaliação otorrinolaringológica deve ser solicitada em casos de: ● sinusites recorrentes; ● sinusite crônica; ● sinusite aguda com dor persistente ou outras complicações locais. ● O diagnóstico de sinusite aguda é clínico. ● A história clínica + exame físico. ● O estudo radiológico de seios da face é raramente necessário. ● O diagnóstico diferencial deve ser realizado com rinite alérgica, corpo estranho nasal e adenoidite. Tratamento Repouso inicial. Umidificação do ar em lugares muito secos. Analgésico e antitérmico Amoxicilina Claritromicina e azitromicina. Corticóide Cirurgia Informações e medidas preventivas Observar, durante a evolução, surgimento de aumento ou persistência de: ● dor local ou de febre, ● edema e hiperemia na área afetada ou região periorbitária. Retornar para revisão de rotina em duas semanas. Evitar contato com fumaça de cigarro no ambiente. Evitar natação com mergulho até cura completa do processo. Correção cirúrgica de fatores predisponentes. Faringoamigdalite Aguda Estreptocócica 03. Definição É uma infecção aguda da orofaringe, geralmente causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Transmissão: contato direto com secreções respiratórias. Período de incubação: 2 a 5 dias. Sinais e Sintomas ● Febre alta; ● Odinofagia; ● Prostação; ● Cefaleia; ● Calafrios; ● Vômitos; ● Dor abdominal. Sinais e Sintomas ● Congestão intensa; ● Aumento amigdaliano; ● Exsudato amigdaliano; ● Petéquias no palato. Complicações Além das complicações supurativas, pode-se desencadear reações não supurativas tardias, como: ● Febre reumática (FR); ● Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA). Sinais de Alerta ● Aumento da dificuldade para engolir; ● Presença de voz abafada ou nasalada; ● Falta de ar; ● Manchas avermelhadas na pele; ● Agravamento de outras condições locais ou gerais; ● Surgimento de retorno da febre, dores articulares, alteração na cor da urina, oligúria, ou edema palpebral, durante ou após a primeira semana de doença. Diagnóstico O diagnóstico de certeza da FAE é realizado somente através do esfregaço da orofaringe; Pediatras encontram-se autorizados a realizar o diagnóstico presuntivo clínico na presença de sinais e sintomas característicos. Tratamento Geral ● Repouso no período febril; ● Estimular ingestão de líquidos e de alimentos pastosos; ● Analgésicos e antitérmicos; ● Irrigação da faringe com solução salina isotônica morna. Tratamento Específico ● Medicações de primeira escolha: ○ Penicilina G: 27kg 1.200.000U, IM, dose única. ○ Amoxicilina: 40-50 mg/kg/dia VO, 8/8h ou 12/12h, por 10 dias. ● Outras opções: Penicilina V oral, eritromicina estolato, cefalexina; ● Tetraciclinas e sulfonamidas não devem ser utilizadas. Profilaxia ● Primárias: ○ Para faringite aguda:evitar contato com doentes até 24 horas de uso de antimicrobiano adequado; ○ Para febre reumática: tratamento da FAE com antimicrobiano adequado, até o nono dia da evolução da doença, é ainda efetivo. ● Secundárias: ○ Contato, que passam a apresentar dor de garganta e febre: pesquisa de estreptococo na orofaringe, tratando a seguir aqueles com resultado positivo. Laringite Viral Aguda 04. Definição Também chamada de crupe viral, é a inflamação da porção subglótica da laringe, que ocorre durante uma infecção por vírus respiratório. Etiologia: ● Mais comuns: vírus parainflueza I e II e o vírus sincicial respiratório; ● Adenovírus, influenza A e B e vírus do sarampo; ● Micoplasma. História Natural da Doença ● Lactentes e pré-escolares; ● Evolução lenta, com início do quadro com coriza, febrícula e tosse; ● Em 24-48h acentua-se o comprometimento da região infraglótica, com obstrução de grau leve a grave; ● Evolução natural: persistência do quadro obstrutivo de 2-3 dias e regressão no final de 5 dias. Sinais e Sintomas ● Pródromos: coriza, obstrução nasal, tosse seca e febre baixa; ● Evolução: tosse rouca, disfonia, afonia ou choro rouco e estridor inspiratório; ● Obstrução mais grave: estridor intenso, tiragem supra-esternal, batimentos de asa do nariz, estridor expiratório e agitação; ● Casos extremos: intensa dispnéia e agitação, palidez, cianose, torpor, convulsões, apnéia e morte. Diagnósticos Diferenciais ● Laringite espasmódica (estridulosa); ● Epiglotite aguda; ● Malformação congênita de via aérea; ● Corpo estranho; ● Laringotraqueíte bacteriana; ● Laringite Diftérica; ● Laringoedema alérgico; ● Abscesso retrofaríngeo. Exames Complementares Radiografia de região cervical: epiglote é normal e diminuição da luz do segmento subglótico (sinal da ponta do lápis). Broncoscopia flexível: se suspeita de malformações congênitas da via aérea Tratamento de Casos Leves ● Tratamento ambulatorial ou domiciliar; ● Alimentação leve, com pequenas porções e frequentes; ● Hidratação; ● Umidificação do ambiente; ● Manter um ambiente calmo em casa. Tratamento de Casos Moderados/Graves ● Sinais e sintomas de gravidade: suspeita de epiglotite, estridor progressivo, estridor importante em repouso, retrações torácicas, agitação, febre alta, toxemia, palidez, cianose ou torpor. ● Encaminhar imediatamente para unidade de emergência pediátrica hospitalar; ● A idade entre 12-14 meses de vida está associada a uma maior taxa de casos graves. Prognóstico ● Baixo risco de mortalidade, se corretamente manejada; ● Crupe viral causada pelo vírus influenza parece estar associado com um curso mais grave. Instruções ● Observar: piora do estridor, das retrações torácicas, agitação ou prostração, febre alta ou recusa de líquido. ● Evitar o contato, sempre que possível, de menores de dois anos com pessoas com IVAS. REFERÊNCIAS 1. DEPARTAMENTO DE PEDIATRIA AMBULATORIAL E CUIDADOS PRIMÁRIOS - Infecções externas nasais: como previnir? Gestão 2019-2022 . 2. Jornal de Pediatria(Rio J) 2003;79(Supl.1):S77-S86: infecções de vias aéreas superiores, vírus respiratórios. 3. SOCIEDADE DE PEDIATRIA DE SÃO PAULO (SPSP). Recomendações: atualização de condutas em pediatria. São Paulo: SPSP, n. 97, jan. 2022. 4. NUNES, Marcela Rodrigues; HAUSCHILD, Jorge. Manejo das infecções agudas das vias aéreas superiores para o pediatra geral. Acta méd.(Porto Alegre), p. [5]-[5], 2013. Obrigada!