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1 O Contrato Administrativo GESTÃO DE RISCOS E LEGISLAÇÃO EM LOGÍSTICA 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Gradua- ção. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educa- cionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conheci- mento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desen- volvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de pro- mover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou ou- tras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiá- vel e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário GESTÃO DE RISCOS E LEGISLAÇÃO EM LOGÍSTICA ...................................... 1 NOSSA HISTÓRIA ................................................................................................ 2 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 6 RISCOS E GERENCIAMENTO DE RISCOS ........................................................ 7 CADEIA DE SUPRIMENTOS E CADEIA LOGÍSTICA ........................................... 9 DESAFIOS DO GERENCIAMENTO LOGÍSTICO ............................................... 11 GESTÃO DE RISCO EM OPERAÇÕES LOGÍSTICAS ....................................... 13 Principais riscos no transporte de cargas ......................................................... 14 Roubo de carga ............................................................................................ 14 Extravios, avarias ou multas ......................................................................... 14 Falência da transportadora ........................................................................... 15 GESTÃO DE RISCO: O QUE É E QUAL A SUA IMPORTÂNCIA ....................... 15 OS PRINCIPAIS RISCOS DA OPERAÇÃO DE TRANSPORTES ....................... 16 Elevada incidência de roubo de carga ............................................................. 16 Atrasos nas entregas ....................................................................................... 16 Acidentes nas estradas .................................................................................... 16 Formas de minimizar os riscos ......................................................................... 17 Monitoramento da frota .................................................................................... 17 Roteirização das entregas ................................................................................ 17 Acondicionamento da carga ............................................................................. 18 O PAPEL DA TECNOLOGIA NA SUA ESTRATÉGIA ......................................... 18 LEGISLAÇÃO APLICADA À LOGÍSTICA DE SUPRIMENTOS LEI Nº 8.666/93, PREGÃO E REGISTRO DE PREÇOS ........................................................................... 19 Obediência X Transgressão ............................................................................. 20 file:///C:/Users/Antonieta/Desktop/APOSTILA.docx%23_Toc65508362 4 O QUE É LICITAÇÃO? ........................................................................................ 21 OBRIGATORIEDADE, FINALIDADE E IMPORTÂNCIA ...................................... 23 Obrigatoriedade ............................................................................................... 23 Finalidade ......................................................................................................... 24 LEGISLAÇÃO LOGÍSTICA: CONHEÇA AS PRINCIPAIS NORMAS DO SETOR ....................................................................................................................................... 28 Navegação de Post .......................................................................................... 28 A legislação logística visa orientar as atividades nesse setor e conscientizar as empresas a respeito de seus direitos e deveres no decorrer das atuações desenvolvidas no mercado. ........................................................................................ 28 A legislação logística .................................................................................... 29 Modais .......................................................................................................... 29 A importância do modal rodoviário ............................................................... 29 A adequação à lei ......................................................................................... 29 A jornada de trabalho ................................................................................... 30 CONTRATOS DE TRANSPORTE E DE SEGURO ............................................. 30 O contrato de transporte .................................................................................. 30 O contrato de seguro........................................................................................ 31 GERENCIAMENTO DE RISCO EM TRANSPORTE ........................................... 32 Planeje e mapeie riscos ................................................................................... 32 Faça um escopo ............................................................................................... 34 Colete informações .......................................................................................... 34 Detecte os riscos e suas consequências ......................................................... 34 Entenda as ações de cada risco ...................................................................... 34 Determine uma probabilidade .......................................................................... 34 5 Mensure o impacto ........................................................................................... 34 Enumere os riscos de acordo com as avaliações realizadas ........................... 34 Elabores medidas de precaução e minimização dos riscos ............................. 34 Averigue a eficácia das estratégias adotadas .................................................. 35 Acompanhe os riscos ....................................................................................... 35 Conte com os colaboradores certos ................................................................. 35 Adote ferramentas tecnológicas para gerenciamento de risco em transporte .. 36 Controle as cargas e pedidos de frete.............................................................. 36 Faça um rastreamento ..................................................................................... 37 Tenha uma roteirização .................................................................................... 37 Dê atenção ao pós-venda ................................................................................ 37 REFERÊNCICAS ................................................................................................. 39 6 INTRODUÇÃO Risco está diretamente associado a perdas. O risco é definido como possibilidades de prejuízos acarretados por diversos fatores organizacionais tanto internos quanto ex- ternos (GITMAN, 1997). Dessa forma, torna-se relevante que as organizações gerencie- os com objetivode. Legislação Aplicada à Logística de Suprimentos Lei nº 8.666/93, pregão e registro de preços. Brasília, 2015. Acessado em: 01/03/2021. Dis- ponível em: . https://maplink.global/blog/author/brunabrandao/ https://teclog.files.wordpress.com/2015/02/a%20postila-introduc3a7c3a3o-a-logc3adstica.pdf https://teclog.files.wordpress.com/2015/02/a%20postila-introduc3a7c3a3o-a-logc3adstica.pdfde reduzir eventuais perdas financeiras. O gerenciamento de riscos en- volve uma série de etapas que incluem a identificação de riscos, medidas e avaliações preventivas, redução ou eliminação da exposição, elaboração de relatórios de riscos e outros (DE PAZ, et al. 2011). Esse gerenciamento é um tema que tem gerado discussões no âmbito acadêmico e profissional, pois em todos os ambientes, inclusive empresarial, os riscos podem acon- tecer e é importante que as pessoas e os gestores possam geri-los e mitigá-los, indepen- dente do porte da empresa. Os controles internos empresa podem e devem ser utilizados para isso (PAULO, et al., 2007). Esses controles podem ser realizados especificamente para cada diferente área, processo e fluxo da empresa e de sua cadeia de valor. De acordo com o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission - COSO (2004) a gestão de riscos pode ser aplicada em todos os tipos de atividades, em qualquer empresa, pública ou privada, ou, em qualquer forma de empresa, independente do seu porte. Isso leva a analisar a gestão de riscos não apenas nas gran- des corporações, que já apresentam um controle interno de riscos institucionalizado, mas também em micro e pequenas empresas que não possuem uma gestão interna tão pre- cisa. As micro e pequenas empresas apresentam algumas particularidades, tanto em seu processo gerencial, quanto em sua estrutura física e operacional. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE, as micro e pequenas empresas são caracterizadas quanto ao número de em- pregados. Já pela legislação (Lei 123/06) a classificação se dá por meio da receita bruta anual. Harland, Brenchley e Walker (2003) destacam que quando as empresas se depa- ram com riscos, são geralmente influenciadas pela natureza da atividade, estilo individual e comportamento do administrador, sendo relevante o estudo dos riscos que envolvem 7 suas atividades. Dessa forma, quando se trata sobre fluxo (de bens, serviços, informa- ções e recursos financeiros) em todos os processos da empresa não se pode deixar de associá-la à cadeia de valor proposta por Porter (1989). Pode-se considerar a cadeia de valor como sendo o conjunto dos processos e atividades que dão valor ao produto, desde a matéria-prima até o consumidor final (POR- TER, 1989). Dessa forma, uma área que está presente em toda a cadeia de valor é a logística se visualiza em micro, pequenas, médias e grandes empresas. Para Christopher (2002) logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de informações correlatas) por meio da organização e de seus canais de mar- keting, de modo a poder maximizar a lucratividade. Essa presença também é identificada nas empresas de micro e pequeno porte, uma vez que a logística desempenha função essencial no âmbito empresarial e no desenvolvimento da economia mundial, por isso precisa ser considerada em todas as atividades operacionais, internas ou externas de uma organização, ou seja, envolve a cadeia de valor interna e externa da qual a organi- zação participa. A cadeia logística faz parte de uma cadeia de suprimentos nas empresas. Uma cadeia de suprimentos, para Chopra e Meindl (2011, p. 3) consiste em “todas as partes envolvidas, direta ou indiretamente, na realização do pedido de um cliente”. A cadeia de suprimentos inclui transportadoras, armazéns, varejistas e até mesmo os próprios clien- tes e não apenas o fabricante e os fornecedores. Dentro de cada organização, assim como em um fabricante, a cadeia de suprimentos inclui todas as funções envolvidas na solicitação do cliente: desenvolvimento do produto, marketing, operações, distribuição, finanças e serviço ao cliente, não estando simplesmente limitadas a estas (CHOPRA; MEINDL, 2011). RISCOS E GERENCIAMENTO DE RISCOS Para o COSO (2004, p. 4) o gerenciamento de riscos é o “processo conduzido em uma organização pelo conselho de administração, diretoria e demais empregados, apli- cado no estabelecimento de estratégias, formuladas para identificar em toda a organiza- 8 ção eventos em potencial, capazes de afetá-la, e administrar os riscos [...]”. Além da ad- ministração dos riscos, o documento relata que é necessário “mantê-los compatíveis com o apetite a risco da organização e possibilitar garantia razoável do cumprimento dos seus objetivos”. Guimarães (2006, p. 32) destaca que os “riscos podem possuir diferentes conota- ções, como as de ordem física, estrutural, econômica, social e ambiental, desdobrando- se em diversos componentes e em sucessivos níveis de detalhamento”, o que necessita , portanto, de gerenciamento. O “gerenciamento de risco é um processo lógico e siste- mático para as organizações identificarem e avaliarem riscos e oportunidades, visando a uma melhor tomada de decisões e a avaliação de desempenhos” (DAVIS; BLASCHEK, 2005, p. 1085). Complementa-se esse conceito com Henschel (2006), ao mencionar que é um processo que visa integrar continuamente, de maneira informal e contínua, as definições de objetivos, identificação de fontes de incertezas, e análise de todas as características incertas e formulação de respostas gerenciais para produzir um equilíbrio aceitável entre riscos e oportunidades. Esse gerenciamento é amplamente abordado pelo COSO (2004), sendo que a ampliação do COSO Report para o COSO ERM, proporcionou às organiza- ções, maior complexidade quanto ao controle interno para gerenciar os riscos inerentes ao negócio. Para Zanette et al. (2008, p. 13), o COSO ERM “amplia os controles no foco da gerência de risco; com esta nova ferramenta as companhias puderam decidir na escolha da satisfação de suas necessidades internas de controle e aperfeiçoamento dos métodos gerenciais no alcance de seus objetivos”. O gerenciamento de risco corporativo envolve oito componentes inter-relacionados, diretamente atrelados à execução e processo de gestão das organizações. O gerenciamento de riscos corporativos é um processo dinâmico, sendo que a avaliação e respostas aos riscos podem influenciar as atividades de controle da empresa. Nesse contexto, o gerenciamento não é um processo serial e sim um processo multidire- cional e interativo, em que os componentes se inter-relacionam e influenciam os demais componentes, e consequentemente, os controles internos da organização (COSO ERM, 9 2004). O risco e a incerteza são a prova de que o campo está sempre ampliando e as práticas, processos, conceitos, teorias devem expandir-se com ele (CAVINATO, 2004). Assim, as pesquisas sobre o tema também tende a intensificarem-se. No cenário brasileiro, Mattos (2011) pesquisou as atitudes e comportamentos sobre a gestão de ris- cos em cadeias de suprimentos e conclui que os principais aspectos relativos aos riscos, adotados pelas empresas no Brasil estão voltados para reação a eventos e que existe uma forte tendência dos gestores a direcionarem mais esforços em ações reativas do que em medidas de contenção. CADEIA DE SUPRIMENTOS E CADEIA LOGÍSTICA A Logística apresenta contínua evolução desde a Segunda Guerra Mundial, sendo considerado elemento fundamental na formulação das estratégias das organizações. Ballou (2006) destaca que a logística trata da criação de valor – valor para os clientes e fornecedores da empresa, e valor para todos aqueles que têm nela interesses diretos. O seu valor manifestase primariamente em termos de tempo e lugar. Produtos e serviços não têm valor a menos que estejam em poder do cliente quando (tempo) e onde (lugar) eles pretenderem consumi-los. No processo logístico, o gerenciamento de riscos envolve ações tomadas pela organização para melhorar a sua posição de risco, sendo que, atitudes da organização em relação ao risco irão afetar o seu sistema de desempenhoe moldar como indivíduos dentro da organização reagirão aos acontecimentos (OLSON, WU, 2010). Para que os sistemas logísticos sejam eficazes, contingências de riscos devem ser identificadas, mitigadas e monitoradas. Ao concluir que os riscos são prováveis futu- ras perdas é importante tratar sobre custos logísticos, que são fatores críticos na cadeia de suprimentos em um país com as dimensões geográficas e a infraestrutura como o Brasil. O correto planejamento logístico (sistema de suprimento e distribuição) deve estar baseado nos custos logísticos diretos, em considerações de nível de serviço, responsa- bilidades legais e contingências (BALLOU, 1993). O nível de serviço logístico é “a quali- dade com que fluxo de bens e serviços é gerenciado. É o resultado líquido de todos os esforços logísticos da firma” (BALLOU, 1993, p. 73). 10 Para que a empresa atinja seus objetivos não é suficiente que a mesma visualize apenas as operações internas, isoladamente, embora isso seja útil para integrar todas as funções, atividades e tarefas (BOWERSOX; CLOSS, 1996). É necessário, conforme au- tores, que estendam seu comportamento para incorporar clientes e fornecedores, por meio da integração externa, por eles denominada gestão da cadeia de suprimentos. O planejamento e controle exercido pelo profissional de logística objetiva coman- dar uma operação eficiente, sob condições normais e Ballou (2006) enfatiza a importân- cia de este profissional estar preparado para enfrentar circunstâncias extraordinárias que possam inclusive interromper o sistema ou alterar drasticamente suas características operacionais em curto prazo – como greves trabalhistas, incêndio, inundação ou defeitos perigosos na linha de produtos. Conforme o autor, duas contingências mais comuns na logística de serviço ao cliente são a queda do sistema e o recolhimento (recall) de produ- tos. Em se tratando da queda do sistema (interrupção), para Ballou (2006) o planeja- mento de contingências trata-se de uma questão de fazer perguntas adequadas “o que aconteceria se” sobre elementos críticos do sistema logístico e de determinar as modali- dades adequadas de agir, na eventualidade de um acidente inesperado numa parte vital do sistema logístico. Os gestores devem planejar interrupções e desenvolver planos de contingência como projetar ou redesenhar suas cadeias de suprimentos (TUMMALA, SCHOENHERR, 2011) . Ainda, precisam entender interdependências da cadeia de suprimentos, identifi- car potenciais fatores de risco, sua probabilidade, consequências e gravidades, sendo que, plano de ação de gestão de risco pode, então, ser desenvolvido para evitar a prefe- rência dos riscos identificados, ou se não for possível, pelo menos atenuar, conter e con- trolar (TUMMALA, SCHOENHERR, 2011). Algumas medidas são tidas como possíveis formas de diminuir ou evitar o impacto de rupturas súbitas da cadeia de suprimentos (BALLOU, 2006, p. 114) “fazer seguro con- tra riscos, planejar rotas alternativas de suprimento, conseguir alternativas de transporte, modificar a demanda, elaborar respostas rápidas a mudanças de demanda e determinar estoques para situações de ruptura”. 11 DESAFIOS DO GERENCIAMENTO LOGÍSTICO 1. Encurtar o fluxo logístico: As empresas tendem a encurtar os fluxos logísti- cos e trazê-los para próximo de suas plantas o que permite a operação adotando-se os princípios de Just-in-Time na entrega, e na fabricação, agilizando a colocação dos pro- dutos no mercado. Entende-se por just-in-time como filosofia de manufatura baseada na eliminação de toda e qualquer perda e na melhoria contínua da produtividade. Envolve a execução com sucesso de todas as atividades de manufatura necessárias para gerar um produto final, desde o projeto até a entrega. Os elementos principais do Just-in-Time são: ter somente o estoque necessário, quando necessário; melhorar a qualidade tendendo a zero defeito; redução de tempo e tamanhos de lotes da produção; revisar as operações e realizar tudo isto a um custo mínimo. De forma ampla, aplica-se a todas as formas de manufatura, seções de trabalho e processos, bem como as atividades repetitivas. 12 2. Melhorar a visibilidade do fluxo logístico: A visibilidade do fluxo logístico é de vital importância para a identificação dos gargalos de produção e na redução dos es- toques, para isto as barreiras departamentais devem ser quebradas e as informações compartilhadas. As estruturas devem ser voltadas para o mercado, caracterizadas pela qualidade dos sistemas de informação. 3. Gerenciar a logística como um sistema: O processo logístico deve ser ge- renciado de forma sistêmica, pela importância na combinação da capacidade de produ- ção com as necessidades do mercado. É importante que o processo reconheça os inter- relacionamentos e interligações da cadeia de eventos que conectam fornecedor ao cli- ente. É importante entender que o impacto de uma decisão em qualquer parte do sistema causará reflexos no sistema inteiro. Os gerentes devem identificar como finalidade principal adicionar valor ao seu ne- gócio pelo enfoque no fluxo de materiais. A logística tem como essência a preocupação de obter vantagem competitiva em mercados cada vez mais voláteis, sobrevivendo às empresas que conseguirem adicionar valor ao cliente em prazos cada vez menores. A finalidade principal de qualquer sistema lógico é a satisfação do cliente. Esta é uma idéia simples, nem sempre fácil de entender por gerentes envolvidos com o planejamento da produção ou controle de estoque, que parecem estar distante do mercado. O fato evidente é que todas organizações possuem o serviço ao cliente como meta. Em verdade, muitas pessoas de empresas bem sucedidas começaram a examinar os padrões de seus serviços internos para que todas as pessoas que trabalham no ne- gócio compreendessem que elas deveriam prestar serviços para alguém, no caso o cli- ente. O objetivo deve ser estabelecido de uma cadeia de clientes, que liga as pessoas em todos os níveis de organização, direta ou indiretamente, ao mercado; o administrador é forçado a pensar e agir de forma sistêmica, transformando a logística, de ferramenta operacional em ferramenta estratégica para as empresas. 13 GESTÃO DE RISCO EM OPERAÇÕES LOGÍSTICAS Dentro da área de logística, a gestão de risco desempenha uma atividade impor- tante no momento de mapear e mitigar os perigos inerentes à operação. Uma empresa que relega a sua execução ao segundo plano pode estar sujeita a enfrentar diversos obstáculos. Muitas vezes, os prejuízos impactam não só os resultados financeiros, mas, tam- bém, a relação com os clientes e a confiabilidade do negócio. Por isso, os gestores devem dedicar tempo e recursos para oferecer serviços de transporte cada vez mais qualifica- dos. O gerenciamento de riscos na logística e nos transportes inclui estratégias para mitigar ao máximo a ocorrência de impactos negativos no setor. Ou seja, o seu principal objetivo é identificar, avaliar, monitorar e minimizar os potenciais riscos que o processo logístico envolve, ao levar em conta desde o arma- zenamento até a entrega das cargas. 14 Os cenários dos riscos variam conforme a sua natureza e podem ser de alta ou baixa probabilidade, além de ter um alto ou baixo impacto. Entre os riscos mais graves, estão os acidentes rodoviários e o transporte de cargas perigosas. Ou, então, riscos de menor escala, como atrasos nas entregas de mercadorias e multas. Enquanto o primeiro coloca em risco a vida dos colaboradores, o segundo pode afetar a imagem da empresa. Mas é importante salientar que o impacto varia segundo a preparação para aquele tipo de risco e quais são as ações de prevenção implementadas. Principais riscos no transporte de cargas A movimentação de cargas no Brasil enfrenta diversos desafios diários. Além deuma infraestrutura precária, fatores externos como roubos, extravios, avarias ou multas e até mesmo risco de falência são os mais comuns encontrados no setor logístico nacio- nal. Por isso, é indispensável optar por operadores logísticos que ofereçam um serviço com qualidade e segurança. Vamos listar os 3 principais riscos para que você possa preveni-los e evitar gastos extras durante o processo: Roubo de carga Segundo o Portal Transporta Brasil, a logística brasileira perde mais de R$ 170 milhões todos os anos devido ao roubo de cargas. Inclusive, informações da consultoria FreightWatch International mostram que mais da metade das cargas furtadas no Brasil não são recuperadas. Sendo assim, procure por transportadoras que tenham uma boa reputação no mer- cado, além de se assegurar que as taxas de seguro de carga foram efetuadas em dia. Extravios, avarias ou multas Garantir a integridade da carga é uma preocupação na hora de contratar uma transportadora. Sobretudo, a mercadoria precisa chegar ao seu destino em condições perfeitas de armazenagem e comercialização. Se as cargas que você despacha forem de grande volume e valor, talvez um erro na contratação da transportadora possa render resultados negativos. https://maplink.global/blog/tipos-cargas-perigosas/ https://maplink.global/blog/gestao-de-entregas/ https://www.prestex.com.br/blog/modais-de-transporte-de-carga-no-brasil-conheca-os-5-principais/ https://www.prestex.com.br/blog/como-funciona-o-seguro-de-cargas/ 15 Portanto é importante sempre verificar o know-how da transportadora na movimen- tação das cargas, já que uma má gestão das transportadoras pode causar eventuais multas e interceptações Federais, devido a ausência de documentos exigidos no trans- porte. Falência da transportadora Uma pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) indicou uma defasagem expressiva do valor do frete no Brasil (24,83% na carga lotação e 11,77% na carga fracionada). Em resumo, para as transportadoras, isso representa uma grande perda nas fi- nanças. Porém, em momentos de crise, é impossível se cogitar a possibilidade de um aumento nos valores do frete. Desta forma, diversas transportadoras é que absorvem os prejuízos. Portanto, a médio e longo prazo, isso resulta em abandono da carga e prejuí- zos para os clientes com a falência da operadora logística. Então é necessário tomar consciência de que todos os riscos podem e devem ser identificado, analisados e resolvidos da melhor forma possível, avaliando se devem ser tratados, mitigados ou aceitos. Certamente a necessidade de implantar a gestão de riscos na logística é la- tente, todos os planos de ação devem ser previamente desenhados. Porém isso não pode ser feito de maneira empírica e isolada, mas deve ser conduzida de forma sistema- tizada. O método Delphi é usado na gestão de riscos para identificação dos riscos. Trata- se de uma técnica de coleta de informações que objetiva alcançar um consenso de es- pecialistas em um assunto. GESTÃO DE RISCO: O QUE É E QUAL A SUA IMPORTÂN- CIA Sob o ponto de vista da administração, a gestão de risco é uma atividade desen- volvida com o intuito de: • Identificar os potenciais riscos; • Minimizar os danos à empresa e aos clientes; https://www.prestex.com.br/blog/que-impostos-incidem-sobre-o-transporte-de-cargas/ https://www.prestex.com.br/blog/que-impostos-incidem-sobre-o-transporte-de-cargas/ 16 • Propor planos para as ocorrências encontradas. Esse tipo de estratégica tem foco em corrigir os aspectos do negócio que podem se converter em desafios no futuro. Ainda sob um viés positivo, é possível tornar a em- presa mais preparada para lidar com os obstáculos, transformando-os em oportunidades. OS PRINCIPAIS RISCOS DA OPERAÇÃO DE TRANSPOR- TES O gerenciamento da área de transportes exige que os gestores e profissionais se- jam capazes de atuar nas mais diversas situações. Por isso, os principais riscos enfren- tados são descritos abaixo. Elevada incidência de roubo de carga Essa é uma das maiores preocupações tanto para pequenas empresas como para grandes corporações. A cada ano, as perdas do setor chegam à casa dos milhões de reais e, com isso, fabricantes, transportadoras e clientes são prejudicados de forma sig- nificativa. Produtos de alto valor agregado como eletrônicos, alimentos e remédios são extremamente visados por quadrilhas que agem nas regiões de escoamento do país. Atrasos nas entregas Esse desafio tem relação direta com a satisfação dos clientes que não recebem os seus pedidos dentro do prazo estipulado. Da mesma forma, os fabricantes são afeta- dos, pois há possibilidade de causar lentidão na produção devido à falta de insumos que não foram recebidos. Isso quer dizer que toda a cadeia de suprimentos é prejudicada quando um dos elos não é capaz de atender o planejamento de entregas. Acidentes nas estradas Esse é um problema que reúne diversas causas gerando, assim, inúmeras conse- quências para as empresas. Os acidentes podem ser causados pela condição precária das estradas, por sobrecarga do veículo ou imprudência do motorista. Como resultado: https://esales.com.br/blog/os-6-principais-desafios-da-logistica-brasileira-2/ 17 • A carga e o veículo podem ser danificados durante o trajeto; • O motorista pode ser multado por infrações relacionadas ao seu comporta- mento na direção; • O cliente não receberá os seus produtos em condições adequadas. Formas de minimizar os riscos Um dos motivos que justificam o investimento em ferramentas de análise de risco é a sua relação com os objetivos organizacionais do empreendimento. Um modelo de gestão que se baseia não somente na correção de problemas, mas na sua prevenção tem maiores chances de sucesso. Portanto, listamos soluções que podem se converter em vantagens competitivas que viabilizam o crescimento da empresa e a melhoria de seus produtos e serviços. Monitoramento da frota Caminhões ou carros utilizados na distribuição de mercadorias constituem um pa- trimônio valor tanto para a indústria que possui frota própria como para as transportado- ras terceirizadas. Portanto, uma das formas de preservar esse bem e, ao mesmo tempo, proteger a carga é a contratação de sistemas de monitoramento. Com o software de rastreamento veicular, é possível acompanhar a todo o trajeto de envio e possibilitar o compartilhamento de informações com os clientes. Informações como a estimativa de entrega e a localização da carga podem ser consultadas por meio de uma plataforma desenvolvida para esse fim. Roteirização das entregas Esse tipo de software contribui para diversas áreas dentro da distribuição de mer- cadorias, tais como: • Aprimora as rotas de entrega; • Agiliza a movimentação de cargas; • Possibilita a redução de custos logísticos; • Reduz o consumo de combustível da frota. https://esales.com.br/blog/por-que-a-gestao-de-frotas-e-um-diferencial-competitivo-nas-empresas/ https://esales.com.br/blog/agendamento-de-entregas/ 18 Existem diversas opções disponíveis no mercado que podem ser adquiridas a pre- ços competitivos. Esse tipo de sistema também é vantajoso quando é necessário progra- mar as remessas e contornar restrições no trânsito que podem causar atrasos. Desse modo, o gestor pode automatizar esse processo que garante, além do au- mento da eficiência, a redução dos riscos. Acondicionamento da carga Muitas avarias causadas às mercadorias podem ser atribuídas ao trabalho reali- zado durante a movimentação no armazém ou durante o embarque no veículo. Por isso, é fundamental avaliar como as atividades são desempenhadas pela equipe com o intuito de evitar erros. Desde os equipamentos, como empilhadeiras, até as embalagens utilizadas, é im- portante refletir a preocupação com o estado no qual as mercadorias chegam até o des- tinatário.Por esse motivo, é fundamental que a equipe esteja treinada sobre os métodos de manuseio adequado. O PAPEL DA TECNOLOGIA NA SUA ESTRATÉGIA É impossível negar como as empresas têm melhorado os seus resultados com a utilização de equipamentos e ferramentas informatizadas. O controle da cadeia de supri- mentos, o planejamento da distribuição e a segurança nos transportes são fatores que podem ser alcançados com a implantação de sistemas. Eles são, inclusive, imprescindíveis para o gerenciamento de risco em todas as etapas do processo produtivo. Um dos principais motivos para realizar esse tipo de in- vestimento é a sua capacidade de registrar todas as transações de compra, venda e a contratação de serviços logísticos. Essa integração possibilita contato direto com fornecedores e clientes, eliminando a necessidade de conduzir esse tipo de negociação utilizando e-mail ou telefone. Além disso, os sistemas de gestão devem ser personalizados de acordo com a atividade de cada empresa. Assim, o gestor pode: • Controlar o desempenho das atividades; https://esales.com.br/blog/5-dicas-para-controlar-os-prazos-e-a-gestao-de-fornecedores/ https://esales.com.br/blog/economizar-no-frete/ https://esales.com.br/blog/kpi-6-indicadores-fundamentais-para-a-analise-financeira-da-empresa/ 19 • Propiciar a melhoria contínua da operação; • Monitorar as áreas mais suscetíveis ao risco; • Obter relatórios gerenciais para a tomada de decisão. O estado de competição em um segmento empresarial depende de cinco forças básicas. Ameaça de novos entrantes; poder de negociação dos fornecedores; poder de ne- gociação dos clientes; ameaça de produtos substitutos e rivalidade entre os concorrentes. Toda a gestão de risco começa com o planejamento de iniciativas e projetos que são capazes de priorizar os principais potenciais problemas e minimizar o seu impacto. Porém, antes de tudo, é fundamental entender como a empresa opera e o mercado no qual atua para afastar efeitos negativos. LEGISLAÇÃO APLICADA À LOGÍSTICA DE SUPRIMEN- TOS 93 Nº 8.666/ restabelecer a relação, PREGÃO E REGISTRO DE PREÇOS No sentido jurídico, lei é o comando escrito elaborado, em regra, pelo Poder Le- gislativo e imposto coercitivamente à obediência geral, tanto pelo cidadão quanto pelas instituições. Conforme formulação de Montesquieu, os poderes constituídos do Estado são três: Legislativo, Executivo e Judiciário, os quais convivem harmonicamente e são inde- pendentes entre si. • O Legislativo tem como função principal elaborar as leis. • O Executivo tem como atividade precípua executar as leis. • O Judiciário tem como finalidade principal obrigar o cumprimento das leis. As hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação encontram-se previstas na Lei nº 8.666/93, devendo atender a alguns requisitos específicos, à medida que a regra geral no direito brasileiro é a realização do competente procedimento licitatório para efeito do emprego eficiente dos recursos públicos. Com relação à dispensa e à inexigibilidade 20 de licitação, analise o excerto a seguir, completando suas lacunas: Em geral, nas hipóte- ses de realização de licitação há possibilidade de procedimento, enquanto que nas hi- póteses de dispensa, não. Obediência X Transgressão Uma lei deve ser cumprida em toda sua extensão e por todos os cidadãos, do mais simples trabalhador ao Presidente da República. Quando alguém transgride a lei é sub- metido à sanção1 previamente determinada, que varia, conforme o caso, de uma simples advertência até a restrição da liberdade (prisão). Nesse caso, não importa se o transgressor conhece ou não a ordem legal, uma vez que o ordenamento jurídico determina que “a ninguém é dado desconhecer a lei”. A norma que institui as regras para licitações e contratos da Administração Pública é a Lei nº 8.666, de 21.06.1993, e alterações posteriores. A modalidade Pregão é tratada pela Lei nº 10.520, de 17.07.2002 e por decretos de regulamentações. Logística reversa Uma legislação era bastante aguardada, pois vários especialistas apontavam um “vazio” de legislações quando se falava sobre a logística reversa. Regulamentada pelo Decreto 7404, de 23 de dezembro de 2010, a legislação foi importantíssima, pois não adiantava ter uma Lei, mesmo completa, se não há um Decreto regulamentador desta lei. Uma nova legislação que considera especificamente o papel da Logística Reversa no Brasil surgia com grande expectativa, a Lei 12.305. A legislação referente à logística reversa era muito aguardada, visto que especialistas ressaltavam uma ausência de legislações nesse aspecto. A legislação en- tão teve regulamentação através do Decreto n° 7404, de 23 de dezembro de 2010, tendo fundamental importância para regulamentar a prática. Em seu artigo 3º, inciso XII, encontramos o conceito de Logística Reversa, instru- mento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sóli- dos ao setor empresarial, a fim de reproveitá-lo, em seu ciclo ou em outros ciclos produ- tivos, ou propor uma outra destinação final ambientalmente adequada. 21 A legislação 12.305 que considera de forma específica o papel da logística reversa no Brasil surgiu com enorme expectativa por definir conceitos importantes. Não basta apenas alimentar o mercado de produtos e serviços, mas as empresa devem se preocupar também com o descarte adequado dos seus produtos. Novas legis- lações obrigam as empresas produtoras de materiais que podem ser reciclados a se res- ponsabilizarem pelo destino final desses componentes. Vemos que sob o Artigo 37 da lei n.º 8.666/93 a qualquer momento pode ser alte- rado, suspenso, ou cancelado o registro do inscrito que deixar de satisfazer as exigências do artigo 27, que define a habilitação nas licitações como exigência aos interessados e sua documentação. Além disso, as alterações podem ser feitas em caso haja modificação do pro- jeto ou das especificações para melhor adequação técnica dos objetivos. O QUE É LICITAÇÃO? No nosso dia a dia, quando estamos negociando algo do nosso interesse, como a compra de um veículo, de um imóvel, de material de consumo (alimentos, vestuário, com- bustível, etc) ou contratação de um serviço (advocatício, médico, arquitetônico, etc) ou de uma obra, sempre procuramos uma proposta que atenda melhor as nossas condições e expectativas para o momento. Definimos as nossas regras (valor máximo a ser pago e condições gerais) e se- guimos em busca de fornecedores (pessoa física ou jurídica ) que atendam a nossa ne- cessidade. É neste mesmo formato que também age a Administração Pública quando precisa contratar terceiros. A diferença está em que a escolha da melhor proposta se realiza através de um procedimento administrativo chamado de licitação, cujos termos são expostos em um documento, chamado de instrumento convocatório (edital ou con- vite), que vincula e obriga a todas as partes nele envolvidas, limitado as regras estabele- cidas em lei. “Licitação vem do latim licitationem, dos verbos liceri ou licitari (lançar em leilão, dar preço, oferecer lance) e possui, em sentido literal, a significação do ato de licitar ou fazer preço sobre a coisa posta em leilão ou a venda em almoeda.” 22 É o procedimento administrativo preliminar , mediante o qual a Administração, ba- seada em critérios prévios, seleciona, entre várias propostas referentes a compras, obras ou serviços, a que melhor atende ao interesse público , a fim de celebrar contrato com o responsável pela proposta mais vantajosa, em observância ao princípio constitucional da isonomia. O doutrinador Renato Geraldo Mendes, em sua obra O Processo de Contratação Pública afirma que o “Processo de contratação pública é o conjunto de fases, etapas e atosestruturado de forma lógica para permitir que a Administração, a partir da identifica- ção precisa da sua necessidade e demanda, possa definir com precisão o encargo dese- jado, minimizar seus riscos e selecionar, isonomicamente, se possível, a pessoa capaz de satisfazer a sua necessidade pela melhor relação benefício-custo.”( MENDES, Renato Geraldo. O Processo de Contratação Pública – Fases, etapas e atos. Curitiba: Zênite, 2012, p. 25.) A noção de contratação pública surgiu com o advento do Código de Contabilidade Pública da União, Decreto nº 4.536, de 19 de janeiro de 1922, posteriormente pela Lei nº 4.401/64, mas ambos não possuíam o foco atual de observância ao princípio da isonomia e da igualdade de todos perante a lei e com a seleção da proposta mais vantajosa. A então concorrência, como era chamado o processo de contratação, visava atender ao interesse financeiro do Estado em obter o preço mínimo. Em 1967, com a Reforma Administrativa Federal através do Decreto-lei nº 200, o processo de contratação perdeu seu caráter de discricionariedade administrativa para se constituir em instituto vinculante e obrigatório, embora exclusivamente em âmbito federal. Tal obrigatoriedade foi estendida aos Estados e Municípios através da Lei nº 5.456/68. 23 Posteriormente, o Decreto-lei nº 2.300, de 21/11/1986, e seu art. 85 determinou que se aplicariam aos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios as normas gerais nele estabelecidos, porém, somente com a Constituição Federal de 1988 foi que a licita- ção ganhou foro constitucional de generalidade e de aplicação obrigatória a toda a Admi- nistração Pública, incluindo ainda os fundos especiais e os entes privados controlados direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Na evolução do conceito e propósito do processo de licitação, verifica-se que esta deixou o aspecto meramente econômico (menor preço) para se transformar em um ins- trumento que possibilita a participação de todos os interessados, objetivando a seleção da proposta mais vantajosa, isto é, aquela que atenda todas as regras impostas no ins- trumento convocatório (em obediência à lei, à impessoalidade e ao julgamento objetivo) e, ainda, ofereça o melhor preço para a Administração Pública. Com a edição da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, restou revogado o Decreto-Lei nº 2.300/86. Alguns diplo- mas normativos posteriores objetivaram disciplinar pontos específicos e complementares do Estatuto de Licitações. OBRIGATORIEDADE, FINALIDADE E IMPORTÂNCIA Obrigatoriedade Como já relatado, é a partir do advento da Constituição Federal de 1988 que a licitação passou a ser obrigatória3 para toda a Administração Pública através dos arts. 37, XXI e 175, ressalvados os casos especificados na legislação pertinente. A Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 estabelece normas para licitações e contratos administra- tivos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e loca- ções no âmbito dos Poderes da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios e condiciona, em seu parágrafo único do art. 1º, ao regime desta Lei, os órgãos da admi- nistração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas e as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios . Apesar de as empresas estatais possuírem personalidade jurídica de direito pri- vado e terem regulamento próprio, estas também ficaram sujeitas às normas gerais da 24 Lei nº 8.666/93: “Art. 119. As sociedades de economia mista, empresas e fundações pú- blicas e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União e pelas entida- des referidas no artigo anterior editarão regulamentos próprios devidamente publicados, ficando sujeitas às disposições desta lei.” Finalidade A instauração, de processo de licitação por parte da Administração Pública, con- forme o art. 3º, da Lei nº 8.666/93 destina-se a garantir: • Observância ao princípio constitucional da isonomia: as regras e condições esti- puladas no instrumento convocatório (edital ou convite) deverão propiciar a participação dos interessados do ramo pertinente ao objeto licitado. Tais condições não poderão estar direcionadas a uma determinada especificação (marca) ou fornecedor (licitante), nem tampouco frustrar o caráter competitivo do processo. • Seleção da proposta mais vantajosa: a proposta selecionada deverá estar de acordo (em 100%) com as especificações e demais condições estabelecidas no instru- mento convocatório e conjuntamente ofertar o melhor preço apresentado entre as con- correntes. Tal requisito visa garantir que a Administração exerceu o direito indisponível de guardiã da finalidade e interesse público manifestada naquela contratação ao propiciar a melhor destinação possível dos recursos públicos. • Promoção do desenvolvimento nacional sustentável (decorrente da Lei nº 12.349 de dezembro de 2010). No ano de 2010, a Lei nº 8.666/93 sofreu algumas valiosas alterações, entre elas, merecem destaque as seguintes: • Inserção da finalidade às licitações de busca do desenvolvimento nacional sus- tentável. Contratações Públicas Sustentáveis são as que consideram critérios ambien- tais, econômicos e sociais, em todos os estágios do processo de contratação, transfor- mando o poder de compra do Estado em um instrumento de proteção ao meio ambiente e de desenvolvimento econômico e social. O MPOG publicou a Instrução Normativa nº 1, de 19 de janeiro de 2010, que “dis- põe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação 25 de serviços ou obras pela Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacio- nal”. Mais informações em http://cpsustentaveis.planejamento.gov.br. • Inserção da possibilidade de margens de preferências que favorecem produtos manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras, além de novos critérios de desempate favoráveis às empresas brasileiras e aos bens produzidos no Brasil. • Possibilidade de restrição nas contratações destinadas à implantação, manuten- ção e ao aperfeiçoamento dos sistemas de tecnologia de informação e comunicação, considerados estratégicos em ato do Poder Executivo federal, a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidos de acordo com o processo produtivo básico de que trata a Lei no 10.176, de 11 de janeiro de 2001. Por ser ato administrativo formal, a manifestação de vontade da Administração Pública deverá estar absolutamente vinculada aos ditames da lei, o que a impossibilita de criar requisitos procedimentais próprios. O que estiver estabelecido na lei é o que deve http://cpsustentaveis.planejamento.gov.br/ 26 ser cumprido pelo Órgão ou Entidade Pública. A legislação de licitações é ampla porque cada ente público (Estados, Distrito Federal e Municípios) pode regulamentar o assunto, desde que não seja contrário ao disposto na Constituição e na Lei nº 8.666/93. Todas as demais leis devem estar em consonância com a Constituição Federal, ou seja, não podem estabelecer regras que sejam contrárias a ela. Qualquer lei que con- trarie a Constituição é nula, pois, a Constituição, elaborada pelos representantes do povo, é a lei mais importante de um país. Ela trata, precipuamente, da criação, organização e funcionamento do Estado. Desta forma, todas as outras normas, para serem válidas, devem estar em confor- midade com a Constituição. O artigo 22, inciso XXVII da Constituição Federal preceitua que compete privativamente à União legislar sobre normas gerais de licitação e contratos administrativos, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, au- tárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios,observando o art. 37, inciso XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, obser- vando o art. 173, §1º, inciso III, todos da CF. Até que seja editada lei dispondo sobre licitações e contratos das empresas esta- tais e sociedades de economia mista, em atenção ao art. artigo 173, § 1º, inciso III da Constituição Federal, devem estas observar os preceitos da Lei nº 8.666/1993 e os prin- cípios e regras da Administração Pública. Acórdão 1732/2009 Plenário (Sumário). A professora Marinela esclarece que “(...), caberá à União a definição das normas gerais sobre o assunto, tendo todos os entes competência para legislar sobre normas específicas. Todavia, essas competências legislativas têm abrangências diferentes. Por exemplo, quando a União cria norma geral, esta é de âmbito nacional, aplicável em todo o território e para todos os entes da federação, o que não acontece na lei que define norma específica, porque só atinge o próprio ente que legislou”. (MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. Niterói: Impetus, 5ª ed. 2011, p.. 340). Além disso, as Leis são divididas conforme a seguinte hierarquia: • Constitucionais: referem-se à estrutura e ao funcionamento do Estado (organiza- ção da estrutura, competência dos poderes e direitos fundamentais do Estado). 27 • Ordinárias: referem-se às leis comuns, emanadas do Poder Legislativo (exemplo: A Lei de Licitações e Contratos). • Regulamentares: referem-se às disposições da lei ordinária (decretos, resolu- ções, etc) e que são desenvolvidas no plano administrativo do Estado. 1.6.3 Importância A licitação, por ser meio legal de se contratar bens, serviços e obras, é o instrumento de acompanhamento e controle social sobre a gestão de recursos públicos. Para a Administração Pública, é a ferramenta de seleção de melhor proposta (mais vantajosa) para o ato ou contrato de seu interesse. Como se trata de recursos públicos para o cidadão, é o exercício do direito de entender as condições, valores e empresas contratadas direta ou indiretamente que possibilitam o atendimento aos seus direitos sociais, tais como educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, entre outros. A realização de procedimento licitatório para aquisição de bens e serviços é obri- gatória se ficar configurada a viabilidade de competição entre fornecedores. Acórdão 88/2008 Plenário (Sumário). Para os concorrentes da licitação (licitantes) é o exercício do direito de participação em processo transparente, com julgamento objetivo e igualdade de condições, segundo as regras estabelecidas no instrumento convocatório e na legis- lação própria. É neste formato que o art. 4º, da Lei nº 8.666/93 estabelece o direito público subjetivo4 aos participantes e a qualquer cidadão para acompanhamento da fiel obser- vância da lei no procedimento licitatório. 28 LEGISLAÇÃO LOGÍSTICA: CONHEÇA AS PRINCIPAIS NORMAS DO SETOR 2 de agosto de 2020DeverhumLeave a comment Navegação de Post A legislação logística visa orientar as atividades nesse setor e conscientizar as empresas a respeito de seus direitos e deveres no decorrer das atuações de- senvolvidas no mercado. Todas as empresas e corporações logísticas precisam ter uma compreensão a respeito das leis e das normas do setor. É importante que todas as instituições e empreendimentos que atuam nesse segmento estejam sempre informados e atualizados para manter as atividades dentro da devida legalidade. Dessa forma, o projeto corporativo sempre terá uma boa desenvoltura em seu processo de planeja- mento logístico, administração de diferentes cadeias de suprimentos e de produtos, além de uma me- lhor gestão no processo de transporte de cargas. http://deverhum.com.br/author/deverhum/ http://deverhum.com.br/blog/legislacao-logistica-conheca-as-principais-normas-do-setor/#respond http://deverhum.com.br/planejamento-de-malha-logistica/ http://deverhum.com.br/planejamento-de-malha-logistica/ 29 A legislação logística Recentemente, esse setor que envolve planejamento e diferentes operações, recebeu atualizações na lei como, por exemplo, a lei 12.619 de 2012, conhecida como a lei do descanso, e a nova lei dos caminhoneiros datada de março de 2015 através da lei 13.103 que revogou alguns dispositivos da lei anterior. Porém, muitos detalhes da lei ainda são desconhecidos por grande parte dos profissionais e gesto- res desse setor. Modais Considerando os modais rodoviário, dutoviário, ferroviário, aeroviário, aquaviário e marítimo, cada modal logístico possui normas e legislação própria a ser aplicada em seu segmento de desenvolvi- mento, adequação e fiscalização. Em cada setor, é importante ressaltar que há especificações sobre o limite do peso da carga, tempe- ratura para produtos específicos, velocidade média a ser utilizada para o percurso e dentre outros fatores que devem ser de pleno conhecimento da equipe de gestão da empresa. A importância do modal rodoviário Sabemos que no Brasil o modal rodoviário é um dos mais utilizados, demandando grande quanti- dade de caminhões e carreta para transportar insumos, matéria-prima e produtos para diferentes re- giões do Brasil. A adequação à lei Em relação ao modal rodoviário brasileiro, as empresas transportadoras e caminhoneiros autôno- mos tiveram que se adequar à legislação 13.103 de 2015. Dentre as alterações, devemos ressaltar a de pedágios aplicáveis aos veículos de carga, caso a carga esteja vazia o responsável pelo veículo não paga pedágio sobre os eixos que estiverem sus- pensos. Em outros casos, há a possibilidade do perdão da multa caso o cálculo do peso esteja incorreto ou em desacordo com a nota fiscal. Não somente no modal rodoviário, mas em outros modais, o cálculo do peso é uma obrigação pre- vista em lei podendo gerar multas e complicações judiciais caso a empresa transportadora não obe- deça o limite de peso previsto. http://deverhum.com.br/blog/o-que-faz-um-gerente-de-logistica/ http://deverhum.com.br/blog/o-que-faz-um-gerente-de-logistica/ 30 A jornada de trabalho Em todos os modais, fica estabelecida a jornada de trabalho média de 8 horas, podendo variar con- forme acordo com o empregador, intercalação de equipes de atuação, seja para a condução e auxí- lio, e previsto pagamento de taxa de insalubridade dependendo do horário e do tipo de carga envol- vida. No caso de empresas de transporte de alta escala ou padrão, é importante contratar consultoria jurí- dica para verificar a validação da lei sobre as diferentes atividades de planejamento, locação e trans- porte de produtos para as atividades nas quais a empresa se dedica para evitar multas e demais ti- pos de penalidades. CONTRATOS DE TRANSPORTE E DE SEGURO O contrato de transporte O contrato de transporte é aquele por meio do qual uma pessoa ou empresa se obriga a transportar pessoas ou objetos. Vejamos como consta no Código Civil: “Art. 730. Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas.” Segundo Silvio de Salvo Venosa é um negócio jurídico pelo qual um contratante assume a obrigação de entregar a coisa em algum local ou percorrer um itinerário a algum lugar para uma pessoa. Embora o transporte de pessoas seja bastante comum no dia a dia, vamos olhar com mais atenção as regras para o transporte de objetos, de grande importância para o técnico em logística: Quando se contrata o transporte de objetos, esses são os envolvi- dos: • Expedidor ou remetente, o indivíduo que entrega a coisa ao transportador para ser deslocada. • Transportador ou comissário de transportes, aquele que se obriga a transportar a mercadoria. • Consignatário ou destinatário, a pessoa designada para receber a coisa. Quanto à mercadoria a ser carregada, o objeto, o Código Civil estabelece a possi- bilidade de recusa, pelo transportador, quandoa embalagem for inadequada ou o objeto ponha em risco a saúde do transportador: http://deverhum.com.br/blog/como-contratar-uma-transportadora-passo-a-passo/ 31 “Art. 746. Poderá o transportador recusar a coisa cuja embalagem seja inadequada, bem como a que possa pôr em risco a saúde das pessoas, ou danifi- car o veículo e outros bens.” Ainda, caso o objeto seja ilícito (proibido pela lei) ou não esteja acompanhado da nota fiscal, por exemplo, o transportador tem obrigação de recusá-lo: “Art. 747. O transportador deverá obrigatoriamente recusar a coisa cujo transporte ou comercialização não sejam permitidos, ou que venha desacompa- nhada dos documentos exigidos por lei ou regulamento.” Quanto à responsabilidade do transportador por danos causados ao objeto, ela se limita ao valor declarado pelo expedidor: “Art. 750. A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, começa no momento em que ele, ou seus prepostos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado”. Por fim, o valor pago pelo transporte é chamado de frete ou porte. O transportador não precisa transportar o objeto se não tiver recebido o frete. O contrato de seguro No contrato de seguro, o segurado paga o segurador para que este garanta o pa- gamento de indenização caso o segurado tenha prejuízo. Esse prejuízo é chamado si- nistro. Vamos ver como o contrato está definido no artigo 757 do Código Civil: “Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pa- gamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. O artigo ainda tem um parágrafo para tratar da qualificação como segurador: Pa- rágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada. Quando se contrata um seguro, paga-se o prêmio para o segurador e este entrega um documento chamado apólice. A apólice é a prova do seguro contratado, como consta no art. 758 do Código Civil: “Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro e, na falta deles, por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio.” A apólice também deve conter as datas de vigência, os valores máximos da inde- nização e o nome do segurado. Como o segurador ganha sua remuneração calculando 32 as probabilidades do sinistro ocorrer, as informações fornecidas quando da proposta de seguro tem impacto direto no preço do prêmio. Assim, o código civil estabelece que aquele que fornecer informações equivocadas ou até mesmo fraudulentas perderá a co- bertura do seguro: “Art. 766. Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido.” Dessa forma, é essencial que as informações prestadas sejam as mais exatas possíveis, para evitar que o segurador tenha autorização legal para deixar de pagar a indenização securitária. GERENCIAMENTO DE RISCO EM TRANSPORTE Um programa de gerenciamento de risco em transporte é um conjunto de práticas adotadas por uma empresa como forma de minimizar prejuízos, ameaças e danos que possam afetar as operações logísticas e não proporcionar uma entrega de qualidade para o cliente. Muitas transportadoras já entenderam que concentrar esforços para evitar proble- mas é muito mais eficiente do que consertá-los. Muitos riscos em logística são, infeliz- mente, inevitáveis, e envolvem aspectos internos e externos. Acidentes nas vias e a crescente violência nas estradas do País — causas de roubos, assaltos e perda de cargas — são exemplos concretos de situações com as quais uma empresa transportadora precisa lidar. Diante desse cenário, ser proativo e encontrar meios de reforçar a segurança são as melhores atitudes para conseguir reduzir custos, oferecer um serviço superior e ter lucratividade. Existem várias estratégias que podem ser usadas para garantir um gerenciamento de risco em transporte eficiente. Planeje e mapeie riscos Para fazer um bom gerenciamento de risco em transporte, comece elaborando um plano que vai nortear as demais ações adotadas pela empresa. Os passos que você vai precisar seguir são: https://www.bsoft.com.br/blog/parcerias-em-logistica https://www.bsoft.com.br/blog/seguranca-no-transporte 33 • Identificar os riscos; • Analisá-los; • Levantar soluções e recursos para minimizá-los. Como já foi dito, os principais riscos da movimentação de mercadorias no cenário brasileiro são: • Roubos e assaltos; • Extravio, perda e avaria dos produtos durante o trajeto; • Danos aos veículos (acidentes, estradas ruins); • Multas e apreensões; • Atrasos na entrega; • Processos ineficientes que causam falhas e elevam as despesas com o frete. Como vimos, as possíveis ameaças acontecem por diferentes motivos. Por isso, cada transportadora precisa fazer um diagnóstico para entender os problemas que atin- gem suas operações em maior ou menor intensidade. Dessa maneira, é mais simples encontrar as medidas preventivas ideais e alocar custos adequadamente. Por exemplo, se a empresa tem questões recorrentes com perda de mercadorias ou trabalha com artigos de alto valor, deve considerar o investimento em tecnologias de rastreamento, câmeras nas dependências e, até mesmo, transporte com escolta. O planejamento é uma etapa básica e, sobretudo, determinante para a gestão de riscos. Sem ele, o gestor não tem uma visão ampla dos perigos que rodeiam seu negócio e, consequentemente, não pensa em práticas de prevenção, nem protege seu patrimônio de forma efetiva. Além do mais, é crucial reconhecer e saber mais sobre uma ameaça em potencial com antecedência para poder adotar a ferramenta ou ação correta para eliminá-la e dis- ponibilizar recursos financeiros de forma responsável. Veja, a seguir, como elaborar um plano de riscos completo e que vai preparar a empresa para qualquer situação que surgir. https://www.bsoft.com.br/blog/multas-por-falta-de-documentos-fiscais-no-transporte https://www.bsoft.com.br/blog/auditoria-de-frete-problemas-comuns 34 Faça um escopo Praticamente todas as áreas da companhia têm algum tipo de risco. Por isso, é importante realizar o escopo do plano, avaliando os problemas que podem afetar uma etapa do processo, projeto ou planejamento estratégico. Colete informações Junte vários colaboradores que façam parte do processo e veja com eles os fatos que poderiam ocorrer, impactos, forma de precaver e o que fazer caso aconteçam. Anote todas as ideias e use os dados relevantes para elaborar os passos seguintes. Detecte os riscos e suas consequências Anote os riscos e como eles podem prejudicar a transportadora. Por exemplo, altos índices de as- saltos, que podem gerar o aumento dos preços dos produtos. Seja claro e objetivo. Entenda as ações de cada risco Essas ações, práticas e condutas devem ser implementadas para agir sobre os riscos, reduzindo sua incidência ou seus impactos. Determine uma probabilidade Para cada risco identificado, estabeleça se a possibilidade de esse risco se efetivar é baixa, média ou alta. Essa escala deve ser feita de acordo com as características do negócio. Mensure o impacto Além da possibilidade de efetivação do risco, você também deve avaliar os impac- tos que ele pode proporcionar. Uma ideia é realizar essa classificação por meio de uma escala numérica. Enumere os riscos de acordo com as avaliações realizadas Ordene os riscos que você encontrou e avaliou. Para isso, você pode uma o mé- todo de enumerar do mais crítico para o menos crítico. Elabores medidas de precaução e minimização dos riscos A minimização dosriscos é uma forma de buscar maneiras de impedir que eles se materializem. Já a precaução tem a finalidade de diminuir os impactos, caso um problema se manifeste. 35 Geralmente, o foco maior é, primeiramente, impedir os riscos considerados médios ou altos. Esse impedimento também pode ser feito com os riscos baixos, mas a maior preocupação deve ser com os demais. Averigue a eficácia das estratégias adotadas É muito importante entender o quanto conseguiu reduzir a manifestação dos riscos e suas consequências. Para isso, analise as estratégias aplicadas e os resultados obti- dos. Também veja se os riscos se enquadraram em um nível aceitável. Acompanhe os riscos Depois de saber quais são os riscos que envolvem as operações da transporta- dora, o último passo é definir como descobrir quando esses problemas vão acontecer, para então, compreender em que momento colocar as ações preventivas e corretivas em ação. Uma ideia é contar com indicadores e alertas para auxiliar nessa questão. Dessa forma, ao longo dos processos, fica mais fácil identificar quando um risco se tornar bas- tante preocupante. Conte com os colaboradores certos O gerenciamento de risco em transporte começa no processo seletivo de motoris- tas e colaboradores. São essas pessoas que cuidarão das cargas e as conduzirão até seu destino final. Logo, se elas não forem responsáveis, honestas e muito capacitadas, contratempos poderão acontecer. Motoristas que não são sérios e apresentam mau comportamento ou hábitos ruins de condução representam um grande perigo. Com esse perfil, eles podem não cumprir as orientações da empresa e as regras de trânsito, causando uma série de problemas, como multas, acidentes e estrago de mercadorias. Portanto, certifique-se de testar bem a capacidade dos candidatos no recruta- mento e usar instrumentos para avaliar o comportamento de cada um. Aposte em uma seleção mais completa e inclua ações como: • Aplicar teste psicológico e prático; • Acompanhar durante as primeiras viagens; • Instaurar um período de treinamento. https://www.bsoft.com.br/blog/otimizar-contratacao-de-funcionarios https://www.bsoft.com.br/blog/otimizar-contratacao-de-funcionarios 36 Depois que você encontrou e contratou ótimos colaboradores para trabalhar, con- tinue ajudando-os a aprimorar sua formação. Providencie cursos, workshops e capacita- ções para motoristas. Esse é um investimento que vale muito a pena. Em médio e longo prazo, quem sai ganhando é o seu negócio. Adote ferramentas tecnológicas para gerenciamento de risco em transporte A gestão do setor do transporte se torna mais rápida e certeira com a tecnologia. Softwares completos e qualificados, como o TMS (Transportation Management Sys- tem (em português, Sistema de Gerenciamento de Transporte), apresentam funcionali- dades que automatizam praticamente todas as etapas da distribuição de cargas. Com ele, o gestor tem mais visibilidade e controle do negócio e conquista benefí- cios como aumento da qualidade e da eficiência, além de redução de custos. Com uma ferramenta potente como essa, as informações podem ser acompanhadas em tempo real, o que ajuda a gestão de riscos em: • Consumo de combustível; • Frequência das manutenções e trocas de peças; • Índice de avarias e acidentes; • Quantidade de multas; • Gastos por veículo e por motorista. Os dados e relatórios fornecidos pelo sistema ajudam a gerência a entender a fonte de problemas, fazer as correções necessárias e orientar melhor sua equipe. Em resumo, o TMS é um aliado do gestor e contribui para a melhoria do desempenho da transportadora como um todo. Entretanto, existem outros módulos e ferramentas dessa solução que merecem destaque para a gestão de riscos. Controle as cargas e pedidos de frete Para reduzir os riscos, é fundamental um bom controle sobre todas as operações. Para isso, existem softwares de gestão para transportadoras com funcionalidades res- ponsáveis pelo controle integral de todas as cargas, como no processo de coleta, entrega e transferências entre estabelecimentos. Essas ferramentas ajudam a evitar erros ocasionados por desencontro de infor- mações e extravios. https://www.bsoft.com.br/blog/como-criar-treinamento-de-motorista https://www.bsoft.com.br/blog/como-criar-treinamento-de-motorista https://www.bsoft.com.br/blog/sistema-tms-como-otimizar-suas-entregas https://www.bsoft.com.br/blog/sistema-tms-como-otimizar-suas-entregas https://www.bsoft.com.br/blog/7-dicas-para-economizar-diesel 37 Faça um rastreamento Graças a tecnologias como GPS (Global Positioning System), é possível monitorar o status de uma entrega onde quer que ela esteja. O rastreamento veicular permite que a empresa acompanhe o trajeto de um veículo e sua carga até seu destino final. Esse mecanismo é importante para a satisfação do cliente, que recebe alertas so- bre a localização de sua mercadoria e fica mais tranquilo com a entrega. Para a empresa, essa ferramenta reforça o controle e a segurança. Tenha uma roteirização Uma maneira de contornar obstáculos, como vias perigosas ou em péssimas con- dições, é por meio da elaboração de mapas otimizados de entrega. O roteirizador é capaz de calcular um trajeto com base em uma série de critérios e traçar o melhor caminho para que o produto chegue às mãos do cliente. A empresa configura o sistema e seleciona filtros como: • Quilometragem; • Destino; • Tráfego da região; • Prazo de entrega; • Pedágios; • Custo com combustível; • Ocorrência de assaltos na área. O roteirizador viabiliza a criação de um roteiro que atenda às especificidades do cliente e às demandas da empresa. Em poucos cliques, o programa desenha rotas e alternativas para evitar atrasos, roubos, número alto de pedágios etc. Assim, o condutor não é pego de surpresa e a viagem segue tranquila até o endereço do cliente. Dê atenção ao pós-venda O descarregamento é conhecido por ser o último estágio do processo de movi- mentação de mercadorias, já que é o momento em que o produto é entregue e o serviço é concluído. No entanto, um erro comum é pensar que o trabalho da empresa termina aqui. https://www.bsoft.com.br/blog/boas-praticas-de-movimentacao-de-materiais https://www.bsoft.com.br/blog/boas-praticas-de-movimentacao-de-materiais 38 O pós-venda é marcado pelas ações de relacionamento e atendimento ao cliente após a conclusão de uma compra ou serviço. Essa etapa — muito negligenciada em grande parte das empresas — é indispensável para o sucesso do transporte de carga. Nesse ponto, a instituição tem uma verdadeira oportunidade de fidelizar seu cliente e coletar dados valiosos, que serão usados para planejar melhorias. Sendo assim, apro- veite para pedir um retorno do seu cliente e, com esse feedback, faça correções para maximizar a performance e deixar suas operações ainda mais seguras. O gerenciamento de risco em transporte é uma peça fundamental para que a trans- portadora seja mais competitiva e tenha um crescimento saudável. 39 REFERÊNCICAS BRANDÃO, Bruna. Por que se preocupar com gerenciamento de risco na logís- tica?. Logistica 2 de outubro de 2020. Acessado em: 01/03/2021. Disponível em: . FERNANDES, Francisco Carlos. Mecanismos de Gerenciamento de Riscos na Ca- deia de Suprimentos e Logística de Micro e Pequenas Empresas do Médio Vale do Itajaí: Discussão Exploratória Sobre Oportunidades de Pesquisa. EGEPE. Goiânia. Março de 2014. Acessado em: 01/03/2021. Disponível em: . HENRIQUE, Luiz. Introdução a Logística. TECLOG de introdução a logística. Acessado em: 01/03/2021. Disponível em: . CARVALHO, Paulo Sergio