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Teoria Sistêmica - Resumo

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Teoria Sistêmica
12 pág.

Psicologia Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do SulUniversidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul

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## Resumo: Um Novo Olhar para a Abordagem Sistêmica na PsicologiaO artigo apresenta uma análise crítica e atualizada da abordagem sistêmica na psicologia, destacando sua origem, fundamentos teóricos, críticas recebidas e propostas para sua renovação epistemológica. Inicialmente, a abordagem sistêmica é contextualizada historicamente, tendo suas raízes na terapia familiar da década de 1950, inspirada na Teoria Geral dos Sistemas, na cibernética e em outras teorias interdisciplinares. Essa abordagem rompe com o modelo linear de causalidade, adotando uma visão circular e interativa dos fenômenos psicossociais, onde o todo é maior que a soma das partes. Conceitos-chave como retroalimentação (feedback), equifinalidade, totalidade e caixa-preta são destacados como pilares para compreender sistemas familiares e psicossociais, enfatizando a complexidade e a interdependência dos elementos que os compõem.A abordagem sistêmica na psicologia também incorpora teorias complementares, como a pragmática da comunicação humana, a teoria da informação, a teoria dos jogos e a evolução da cibernética da primeira para a segunda ordem, que amplia o foco para a mudança adaptativa e o questionamento circular. Um dos conceitos centrais discutidos é a transmissão multigeracional de padrões familiares, que se manifesta por meio das "lealdades invisíveis" e do grau de diferenciação do self, conforme proposto por Murray Bowen. A diferenciação do self é apresentada como um processo fundamental para a saúde mental, permitindo que o indivíduo construa sua identidade e autonomia, equilibrando a tensão entre pertencimento e independência dentro do sistema familiar. Estudos empíricos recentes reforçam a validade desses conceitos, demonstrando como a reatividade emocional, os triângulos familiares e a fusão interpessoal influenciam o funcionamento psicológico e as relações familiares ao longo do tempo.Por outro lado, o artigo aborda as críticas do construcionismo social pós-moderno à abordagem sistêmica tradicional, especialmente sua visão estruturalista e mecanicista, que não consideraria adequadamente a dimensão individual e a dinâmica social. Para superar essas limitações, o texto propõe a incorporação do conceito de habitus, desenvolvido por Pierre Bourdieu, que articula a relação entre estrutura social e ação individual por meio de disposições internalizadas, duráveis e estruturantes. O habitus é descrito como um sistema de esquemas que moldam percepções, julgamentos e práticas, funcionando como um elo entre o mundo objetivo e as realidades subjetivas. Essa perspectiva permite compreender a identidade social como resultado da interação entre disposições individuais e contextos sociais, reconhecendo a dinâmica de poder, as lutas simbólicas e a historicidade dos campos sociais.Na busca por um novo olhar para a abordagem sistêmica, o artigo sugere a integração dos paradigmas da teoria dos sistemas dinâmicos, da teoria do caos e dos sistemas complexos, que enfatizam a emergência, a auto-organização e a dinâmica não linear dos sistemas humanos. Destaca-se a importância da automaticidade nos processos sociais e cognitivos, que operam muitas vezes de forma inconsciente e influenciam decisões e comportamentos em múltiplos contextos. O conexionismo e a abordagem enativa são apresentados como modelos contemporâneos que explicam a cognição e o comportamento humano como fenômenos emergentes da interação dinâmica entre agentes e ambientes, superando visões mecanicistas e representacionais. A emergência, entendida como o surgimento de novas organizações e padrões qualitativos imprevisíveis, é apontada como característica fundamental do funcionamento psicossocial.Finalmente, o artigo conclui que a abordagem sistêmica na psicologia deve avançar para uma perspectiva que combine auto-regulação e auto-organização. A auto-regulação refere-se ao controle do comportamento por meio de processos de retroalimentação e competição entre subsistemas biológicos e cognitivos, enquanto a auto-organização emerge de processos afetivos e automáticos que influenciam a agência do indivíduo. Essa integração permite modelar a complexidade das interações sociais e psicológicas por meio de ferramentas matemáticas, como equações diferenciais não lineares, e sugere o uso de simulações qualitativas para o desenvolvimento teórico e a formulação de hipóteses testáveis. Assim, o artigo propõe um caminho para a renovação da abordagem sistêmica, alinhando-a com os avanços epistemológicos e científicos contemporâneos, ampliando sua capacidade explicativa e aplicabilidade na psicologia.---### Destaques- A abordagem sistêmica na psicologia tem origem na terapia familiar e é fundamentada na Teoria Geral dos Sistemas, cibernética e comunicação humana, adotando uma visão circular e interativa dos sistemas psicossociais.- Conceitos como retroalimentação, equifinalidade, totalidade, diferenciação do self e lealdades invisíveis são essenciais para compreender a dinâmica familiar e a transmissão multigeracional de padrões.- O construcionismo social critica a visão mecanicista da abordagem sistêmica tradicional, propondo a incorporação do conceito de habitus para articular estrutura social e ação individual.- Paradigmas contemporâneos, como a teoria dos sistemas dinâmicos, o conexionismo e a abordagem enativa, oferecem um novo olhar para a psicologia sistêmica, enfatizando emergência, auto-organização e processos cognitivos automáticos.- A integração entre auto-regulação e auto-organização é sugerida como caminho para a evolução da abordagem sistêmica, com potencial para modelagem matemática e simulações qualitativas que ampliem sua aplicabilidade e rigor científico.

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