Prévia do material em texto
CADERNO DE ESTUDOS • AULA 04
Princípios do Direito Contratual: Função Social, Boa-fé e
Venire Contra Factum Proprium
Data da Aula: 07 de agosto de 2026 Disciplina: DIREITO CIVIL - CONTRATOS Identificação: AULA 04
1. REGISTRO NA ÍNTEGRA (ANOTAÇÕES DO ALUNO + LEIS SECAS
CITADAS)
Abaixo consta a reprodução íntegra e fiel de todas as anotações, transcrições e registros fornecidos para esta aula, com
as legislações e artigos citados inseridos expressamente no meio do texto e destacados em verde:
Princípios do Direito Contratual: Função Social, Boa-fé e Venire Contra Factum Proprium
07 de agosto de 2026
•
DIREITO CIVIL - CONTRATOS
RESUMO:
📚 Princípios Fundamentais do Direito Contratual
O professor inicia explicando os princípios da probidade e da boa-fé, destacando que probidade está relacionada à
conduta correta e legal, enquanto boa-fé objetiva não é simplesmente agir corretamente, mas envolve conceitos jurídicos
específicos.
É ressaltada a importância de compreender a distinção entre probidade e boa-fé, pois são conceitos diferentes e
fundamentais para a operação do direito.
São mencionados termos jurídicos importantes como surrex (surrectio), supresso (supressio), benefício contra a parte do
próprio e tucoc (tu quoque), que serão cobrados em provas e são essenciais para a prática jurídica.
📖 Código Civil (Lei nº 10.406/02) — Princípio da Probidade e Boa-Fé Objetiva (Art. 422):
"Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios
de probidade e boa-fé."
⚖️ Função Social e Boa-fé Objetiva no Direito
A função social do contrato é destacada como um princípio que deve nortear a interpretação das normas jurídicas,
superando a visão individualista do século XIX.
📖 Código Civil — Função Social do Contrato (Art. 421):
"Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. Parágrafo único. Nas relações
contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual."
Boa-fé objetiva é explicada como um princípio que exige comportamento leal e cooperativo entre as partes, não apenas
agir corretamente de forma genérica.
Exemplo prático: decisão do Tribunal Regional do Trabalho que desconsiderou a literalidade do Código Civil para garantir
a manutenção do plano de saúde durante suspensão do contrato de trabalho, fundamentando-se na função social e na
boa-fé.
Transcrição Íntegra (com Leis Secas Mencionadas Intercaladas), Resumo, Guia de Estudos, Mapas
Mentais, Questões Reais de Concursos, Peça Prática OAB 2ª Fase & Projeto Prático Profissional
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 1 de 13
A importância da interpretação teleológica, sistematizada e histórica das normas é enfatizada para aplicar os princípios
de forma adequada.
📖 Código Civil — Interpretação conforme a Boa-Fé e Usos (Art. 113):
"Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar da celebração. § 1º A
interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que: I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior
à celebração do negócio;"
📑 Aplicações Práticas dos Princípios: Casos e Exemplos
Caso do pagamento feito a pessoa que não era mais funcionária, mas que durante anos recebeu os valores, gerando a
justa expectativa (credor putativo) e surgimento de direito para o pagador, mesmo contrariando a literalidade do contrato.
📖 Código Civil — Pagamento Efetuado de Boa-Fé a Credor Putativo (Art. 309):
"Art. 309. O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda que provado depois que não era credor."
Caso da Unimed que cobrou plano de saúde em grupo por 10 anos mesmo sem obrigação contratual, gerando justa
expectativa para a beneficiária que passou a ter direito à cobertura.
Exemplo de contrato de financiamento com erro na quitação antecipada, onde o cliente pagou menos parcelas do que o
previsto, mas gerou justa expectativa e direito adquirido.
Caso da correção monetária de aluguel não cobrada por vários anos, onde o locador perdeu o direito de cobrar
retroativamente devido à aceitação tácita do valor pelo locatário, configurando supressio e venire contra factum proprium.
🚫 Venire Contra Factum Proprium e Tu Quoque: Proibições Jurídicas
Venire contra factum proprium significa que uma parte não pode alegar um fato que ela mesma causou para se beneficiar
ou se defender.
Tu quoque é o princípio que proíbe a utilização da própria torpeza ou ato ilegal para obter vantagem jurídica.
📖 Código Civil — Vedações ao Abuso do Direito e Venire (Art. 187):
"Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos
pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes."
Exemplos: Assinar carteira de trabalho com data retroativa para fraudar INSS e depois negar vínculo empregatício.
Declarar valor menor em escritura pública para pagar menos imposto e depois tentar alegar valor maior para benefício
próprio. Venda de entorpecentes ou objetos ilícitos, onde não há contrato válido para cobrança.
A distinção entre venire contra factum proprium (fato causado pela própria parte) e tu quoque (ato ilegal ou torpe) é
explicada, podendo ocorrer isoladamente ou conjuntamente.
📜 Contrato de Adesão: Características e Interpretação
Contrato de adesão é aquele em que uma das partes impõe as cláusulas sem possibilidade de negociação pelo
aderente.
Em caso de cláusulas ambíguas, contraditórias ou dúbias, a interpretação deve ser feita sempre em favor do aderente,
protegendo-o.
📖 Código Civil — Interpretação Favorável ao Aderente (Art. 423) e Nulidade de Renúncia (Art. 424):
"Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação
mais favorável ao aderente."
"Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito
resultante da natureza do negócio."
Exemplos práticos: Contrato com informações conflitantes entre capa e cláusulas internas, prevalecendo a interpretação
favorável ao aderente. Planos de saúde com cláusulas de carência ou exclusão de cobertura não claras, que podem ser
interpretadas em favor do consumidor.
A importância do Código de Defesa do Consumidor para proteger o aderente é destacada, especialmente em contratos
de seguro, financiamento e planos de saúde.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 2 de 13
📖 Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90) — Cláusulas Abusivas (Art. 51):
"Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços
que: I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza (...); IV -
estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada (...)"
A necessidade de cláusulas claras, ostensivas e legíveis nos contratos de adesão é ressaltada para garantir a
transparência e evitar abusos.
💡 Conselhos Práticos para Advogados e Estudantes
É fundamental conhecer e aplicar os princípios da função social, boa-fé objetiva, venire contra factum proprium e tu
quoque para fundamentar pedidos e defesas jurídicas.
A interpretação literal da norma não é suficiente; deve-se aplicar uma interpretação principiológica, teleológica,
sistematizada e histórica.
Em casos de contratos de adesão, sempre buscar a interpretação que favoreça o aderente, especialmente em situações
de dúvida ou conflito.
Estudar e compreender os conceitos de justa expectativa e credor putativo para casos práticos do dia a dia jurídico.
Atenção às decisões judiciais que aplicam esses princípios para fundamentar argumentos em processos.
📝 Resumo dosConceitos Jurídicos Abordados
Probidade: conduta correta e legal.
Boa-fé objetiva: princípio que exige lealdade e cooperação entre as partes.
Função social do contrato: princípio que orienta a interpretação das normas para atender ao interesse coletivo.
Venire contra factum proprium: proibição de alegar fatos que a própria parte causou para obter vantagem.
Tu quoque: proibição de utilizar atos ilegais ou torpes para obter direitos.
Supressio e surrectio: conceitos relacionados à perda ou surgimento de direitos por comportamento das partes.
Contrato de adesão: contrato com cláusulas impostas unilateralmente, interpretado em favor do aderente.
Justa expectativa: situação em que uma parte cria uma expectativa legítima baseada no comportamento da outra.
Este conteúdo é essencial para a compreensão aprofundada do direito contratual, especialmente para a prática
advocatícia e para a preparação para provas jurídicas.
Guia de Estudos
Princípios de Probidade e Boa-fé no Direito Administrativo e Contratual
O texto inicia explicando os princípios de probidade e boa-fé, destacando que probidade está relacionada a agir
corretamente e de acordo com a legalidade, enquanto boa-fé não é simplesmente agir corretamente, como muitos
professores erroneamente ensinam. Probidade e boa-fé são conceitos distintos: probidade refere-se à conduta correta e
legal, enquanto a boa-fé, especialmente a objetiva, envolve princípios como o *surrectio* (surgimento de direitos),
*supressio* (perda de direitos por não exercício), benefício contra a parte do próprio e *tu quoque* (proibição de alegar a
própria torpeza). O professor enfatiza que entender essas diferenças é fundamental para a prática jurídica e para provas,
alertando contra simplificações e explicações incorretas.
Exemplos Práticos de Boa-fé Objetiva e Venire Contra Factum Proprium
São apresentados exemplos práticos para ilustrar o conceito de *venire contra factum proprium*, que impede que alguém
alegue um fato que ele mesmo causou para obter benefício. Um exemplo é o caso de um funcionário que falsamente
anota sua carteira de trabalho e depois tenta se defender em ação trabalhista, ou o caso da Unimed que cobrou por um
plano de saúde que não deveria, mas durante anos manteve a cobrança, criando uma justa expectativa para o
consumidor. Outro exemplo é o pagamento feito a pessoa que não era mais funcionária, mas que recebia pagamentos
regularmente, criando uma expectativa legítima para o pagador. Esses exemplos demonstram como a boa-fé objetiva e o
*venire contra factum proprium* operam para evitar injustiças e fraudes.
Decisões Judiciais e Aplicação dos Princípios de Função Social e Boa-fé
O texto traz decisões judiciais, especialmente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que aplicam os princípios da
função social e da boa-fé para resolver conflitos contratuais, como a suspensão do plano de saúde durante a suspensão
do contrato de trabalho. O desembargador do TRT rejeita a aplicação literal do Código Civil e da legislação
previdenciária, priorizando a função social do contrato e a proteção do trabalhador doente. A decisão destaca que o
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 3 de 13
direito civil brasileiro evoluiu do individualismo para a socialização, enfatizando a ética, a boa-fé, a socialidade e a função
social como princípios norteadores da interpretação das normas, o que deve prevalecer sobre interpretações literais que
possam causar injustiça.
Princípio da Operabilidade no Direito Contratual
O princípio da operabilidade é destacado como fundamental para que o juiz possa aplicar o direito de forma a atender às
necessidades específicas do caso concreto, mesmo que isso contrarie a literalidade da norma. O professor explica que,
para obter decisões favoráveis, o advogado deve fundamentar pedidos com base na operabilidade, mostrando que a
aplicação literal da norma prejudica a boa-fé e a função social. O exemplo citado é o caso da SudCorp, onde a
interpretação diferenciada dos princípios foi necessária para resolver o conflito. A operabilidade permite que o direito seja
aplicado de maneira justa e eficaz, respeitando os princípios fundamentais.
Conceitos Jurídicos: Surrectio, Supressio, Venire Contra Factum Proprium e Tu Quoque
São explicados os conceitos jurídicos essenciais para a compreensão da boa-fé objetiva e da vedação a comportamentos
contraditórios: Surrectio: surgimento de um direito em razão de uma conduta ou situação. Supressio: perda de um direito
pelo não exercício ou pela tolerância da parte contrária. Venire contra factum proprium: proibição de alegar um fato que a
própria parte causou para obter vantagem. Tu quoque (torpeza): proibição de usar a própria torpeza ou conduta ilícita
para obter benefício jurídico. Exemplos incluem o pagamento feito em local errado por justa expectativa, a manutenção de
contratos e direitos criados pela prática reiterada, e a vedação de alegar fraude para obter direitos. Esses conceitos são
fundamentais para a prática jurídica e para evitar abusos e fraudes.
Exemplo do Caso do Pagamento Indevido e Justa Expectativa
Um caso concreto é detalhado onde um agricultor pagava regularmente um funcionário que já havia sido demitido, devido
à prática habitual e à expectativa legítima criada. Apesar da lei dizer que quem paga errado paga duas vezes, a figura do
credor putativo (aquele que parece ser o credor) protege o pagador, pois ele tinha a justa expectativa de que o
pagamento estava correto. A responsabilidade pela mudança e comunicação era da empresa (LAR). Esse exemplo ilustra
a aplicação prática dos princípios de boa-fé e *venire contra factum proprium*, mostrando como a justiça pode
reconhecer direitos mesmo em situações contratuais aparentemente desfavoráveis.
Caso da Unimed e a Justa Expectativa no Plano de Saúde
É narrado o caso de uma cliente que, apesar de não ter direito contratual ao plano de saúde em grupo após
aposentadoria, manteve a cobertura por 10 anos pagando valores menores. Quando precisou do plano, a Unimed negou
a cobertura com base na legislação e contrato, mas o juiz reconheceu a justa expectativa criada pela conduta da
empresa e pelo pagamento continuado, garantindo o direito à cobertura. O caso demonstra a importância da função
social e da boa-fé na interpretação dos contratos, superando a literalidade da norma para proteger o consumidor.
Exemplo do Contrato de Financiamento e Quitação Antecipada
Um exemplo é dado de um contrato de financiamento onde o cliente pagou 8 das 10 prestações previstas, acreditando ter
quitado o débito, mas o banco protestou alegando que o contrato exigia o pagamento das 10 parcelas. O advogado
argumentou que a justa expectativa criada pelo banco, ao aceitar pagamentos parciais e registrar a quitação, gerou um
direito para o cliente, independentemente do cálculo correto. Esse exemplo reforça a aplicação dos princípios de boa-fé,
*surrectio* e *supressio*, mostrando que direitos podem surgir ou ser perdidos conforme a conduta das partes.
Exemplo da Correção Monetária em Contrato de Locação
O texto relata um caso em que o locador deixou de cobrar a correção monetária anual do aluguel por quatro anos,
aceitando pagamentos sem atualização. Quando tentou cobrar retroativamente os valores corrigidos, o advogado do
locatário argumentou que houve *supressio*, pois o locador perdeu o direito de cobrar por não ter exercido o direito no
tempo devido, criando uma justa expectativa no locatário. O juiz concordou que a correção só poderia ser aplicada a
partir do momento em que fosse notificada, não retroativamente. O caso ilustra a aplicação prática do *supressio* e
*venire contra factum proprium*.
Exemplos de Fraudes e Atos Ilícitos: Carteira de Trabalho e Declaração de Valor de Imóvel
São discutidos casosde fraudes, como a assinatura retroativa da carteira de trabalho para garantir benefícios
previdenciários, que, se comprovada a veracidade, pode ser aceita pela justiça do trabalho, mas se for para fraudar, é
ilegal. Outro exemplo é a declaração falsa do valor de venda de imóvel para pagar menos imposto, que configura *venire
contra factum proprium*, pois a pessoa não pode alegar a própria fraude para obter benefício. Esses exemplos
demonstram a aplicação dos princípios para coibir fraudes e proteger a integridade do sistema jurídico.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 4 de 13
Diferença entre Tu Quoque e Venire Contra Factum Proprium
O professor esclarece que *tu quoque* refere-se à proibição de usar a própria torpeza ou conduta ilícita para obter
benefício, enquanto *venire contra factum proprium* impede que alguém alegue um fato que ele mesmo causou para se
defender ou obter vantagem. Ambos podem ocorrer isoladamente ou conjuntamente, dependendo do caso. Exemplos
incluem a assinatura fraudulenta da carteira de trabalho (ambos aplicáveis) e a não cobrança da correção monetária
(*venire contra factum proprium*). A distinção é importante para a correta aplicação dos princípios jurídicos.
Exemplo de Atos Ilícitos e Consequências Jurídicas
São citados exemplos de atos ilícitos que impedem o recebimento de indenizações ou direitos, como a venda de
entorpecentes, aplicação indevida de defensivos agrícolas que causam prejuízo, e excesso de direito (artigo 187 do
Código Civil). O professor destaca que quem age ilegalmente não pode esperar receber indenização e que a
responsabilidade civil exige prudência e boa-fé. Exemplos práticos incluem acidentes de trânsito causados por
imprudência e a aplicação de veneno em plantações, mostrando que a lei não protege condutas ilícitas.
Contrato de Adesão e Interpretação em Favor do Aderente
O texto aborda o artigo 423 do Código Civil, que determina que cláusulas ambíguas ou contraditórias em contratos de
adesão devem ser interpretadas da forma mais favorável ao aderente. Contrato de adesão é aquele em que uma das
partes impõe as cláusulas sem possibilidade de negociação pelo aderente, como contratos de faculdade, corretoras,
bancos e seguradoras. Exemplos incluem contratos com cláusulas conflitantes sobre número de prestações ou cobertura
de seguro. O professor enfatiza que o contrato deve ser claro, ostensivo e legível, e que dúvidas sempre favorecem o
aderente, protegendo-o contra abusos.
Exemplos de Contratos de Adesão em Seguros e Financiamentos
São citados exemplos de contratos de adesão em seguros agrícolas, planos de saúde e financiamentos, onde cláusulas
importantes muitas vezes não são destacadas ou são contraditórias, como carência em seguros ou venda casada de
seguro em financiamentos. O professor alerta para a necessidade de atenção e estudo desses contratos, pois a proteção
ao consumidor é maior nesses casos, e a interpretação deve favorecer o aderente. Ele também menciona que a proposta
é o documento vinculante, e cláusulas não destacadas na proposta podem não valer.
Importância do Código de Defesa do Consumidor para Contratos de Adesão
O professor destaca que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um instrumento essencial para proteger o
aderente, pois reconhece a vulnerabilidade do consumidor e impõe regras para contratos de adesão, como a
necessidade de cláusulas claras e a interpretação em favor do consumidor. Ele diferencia o contrato de adesão do
contrato negociado, ressaltando que o CDC prevê que cláusulas aprovadas unilateralmente pelo fornecedor sem
possibilidade de discussão pelo consumidor configuram contrato de adesão. O CDC é fundamental para garantir
equilíbrio e justiça nas relações contratuais de consumo.
Considerações Finais e Recomendações para Estudo
O professor recomenda que os alunos estudem profundamente o contrato de adesão, especialmente em contratos de
seguro e financiamento, pois são muito comuns e geram muitos litígios. Ele sugere pesquisa adicional e leitura de livros e
materiais sobre o tema para melhor compreensão e aplicação prática. Ele também menciona que o conhecimento desses
princípios e exemplos será útil na advocacia e na resolução de conflitos contratuais, reforçando a importância da boa-fé,
função social e interpretação favorável ao aderente.
2. A AULA EXPOSITIVA - METODOLOGIA VISUAL, ESQUEMAS & MAPAS
MENTAIS
Nesta seção, os desdobramentos funcionais da Boa-Fé Objetiva (*Supressio, Surrectio, Venire Contra Factum Proprium
e Tu Quoque*) e a hermenêutica dos contratos de adesão são organizados através de diagramas lógicos e tabelas
sistêmicas.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 5 de 13
🗺️ MAPA MENTAL 1: FUNÇÕES E FIGURAS CORRELAS DA BOA-FÉ OBJETIVA (ART. 422 CC)
⚖️ DIFERENCIAÇÃO DOGMÁTICA: PROBIDADE VS. BOA-FÉ OBJETIVA
Módulo A: O Credor Putativo e a Proteção da Confiança (Art. 309 do CC)
A proteção da justa expectativa decorrente da boa-fé objetiva mitiga a regra clássica de que "quem paga mal paga duas
vezes". Nos termos do Artigo 309 do Código Civil, o pagamento efetuado de boa-fé a um credor putativo (aquele que
aos olhos de todos aparenta ser o verdadeiro credor ou representante) é plenamente válido e exonera o devedor da
obrigação.
📌 Principais Mudanças Legislativas e Jurisprudenciais
Lei da Liberdade Econômica (Lei nº 13.874/2019): Inseriu o parágrafo único no Art. 421 do CC e o Art. 421-
A, consolidando a intervenção mínima do Estado e valorizando a autonomia nos contratos simétricos.
Jurisprudência Consolidada do STJ em Planos de Saúde (Súmula 597/STJ): A boa-fé objetiva e a função
social impedem a rescisão unilateral do contrato de plano de saúde individual/familiar durante a internação
hospitalar ou tratamento de doença grave.
Nova Interpretação do Artigo 113 do CC (Lei nº 13.874/2019): Incluiu balizas objetivas para interpretação
contratual, estabelecendo que a conduta posterior das partes (comportamento reiterado) vincula o sentido do
negócio (*surrectio/supressio*).
BOA-FÉ OBJETIVA (ART. 422)
1. SUPRESSIO
• Perda de um direito
• Não exercício prolongado
• Gera legítima expectativa
Ex: Não cobrar reajuste
2. SURRECTIO
• Surgimento de direito
• Prática reiterada no tempo
• Correspectivo da supressio
Ex: Direito de pagar menos
3. VENIRE
• Vedação a conduta
contraditória
• Quebra de confiança
Ex: Exigir multa tolerada
4. TU QUOQUE
• Proibição de ilicitude
• "Você também?"
• Veda beneficiar de torpeza
Ex: Fraudar CTPS e processar
PROBIDADE CONTRATUAL
• Dever de honestidade e cumprimento da legalidade estrita
Atitude moral de não fraudar o texto legal
BOA-FÉ OBJETIVA
• Padrão ético de conduta leal, cooperação e deveres anexos
Proteção da justa expectativa gerada na outra parte
•
•
•
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 6 de 13
💡 Curiosidades do Universo dos Princípios Contratuais
A Origem do Termo "Tu Quoque": A expressão latina remonta à famosa frase atribuída a Júlio César ao ver
seu filho adotivo entre seus assassinos no Senado Romano: "Tu quoque, Brute, fili mi?" ("Até tu, Bruto, meu
filho?"). No Direito, aplica-se quando alguém violou uma regra e quer exigi-la de outrem!
A Pegadinha do "Credor Putativo": "Putativo" vem do latim *putare* (pensar, imaginar). Credor putativo não
é um credor falso qualquer, mas aquele que, devido a aparências inafastáveis e reiteradas, faz qualquer
pessoa de boa-fé acreditar que ele possui poderes de quitação.
A Tradição da Supressio no Aluguel: O locador que passa 5 anos sem aplicar o reajuste do IGPM e cobra o
valor "seco" não pode, ao final do contrato, exigir os últimos 5 anos de reajustes acumulados. A *supressio*
extingue o direito retroativo por ter criado a legítima expectativa de renúncia no locatário!
3. GLOSSÁRIO TÉCNICO & PEGADINHASCLÁSSICAS
📖 Glossário de Termos Essenciais
Termo Técnico Definição Jurídica e Aplicação Prática
Venire Contra Factum
Proprium
Proibição do comportamento contraditório. Impede que uma parte adote conduta oposta a um
comportamento anterior que gerou confiança legítima na outra.
Supressio Fenômeno pelo qual a omissão e o não exercício de um direito contratual durante longo tempo
suprimem a possibilidade de sua exigência futura.
Surrectio Surgimento de uma nova faculdade ou direito contratual em favor de uma parte devido à prática
constante e reiterada aceita pela outra.
Tu Quoque Regra que veda que a parte adote conduta contrária à lei/contrato e depois pretenda exercer um
direito decorrente dessa mesma ilicitude.
Credor Putativo Aquele que, perante todos e segundo a boa-fé objetiva, aparenta ser o credor legítimo ou seu
representante com poderes de quitação (Art. 309 do CC).
⚠️ Radar de Pegadinhas Clássicas em Provas e OAB
🚨 PEGADINHA 1: "O pagamento feito a credor putativo é sempre nulo se o verdadeiro credor provar que não
recebeu o dinheiro."
FALSO! Nos termos do Artigo 309 do Código Civil, o pagamento efetuado de boa-fé a credor putativo é plenamente
válido e eficaz para exonerar o devedor, cabendo ao verdadeiro credor cobrar aquele que recebeu indevidamente.
🚨 PEGADINHA 2: "Probidade e Boa-Fé Objetiva são termos idênticos e sinônimos no Código Civil."
FALSO! Embora previstos juntos no Art. 422, a Probidade refere-se ao dever moral de honestidade e conformidade
legal, enquanto a Boa-Fé Objetiva é uma norma jurídica de conduta leal que impõe deveres anexos de proteção,
informação e cooperação.
•
•
•
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 7 de 13
🚨 PEGADINHA 3: "O locador pode cobrar retroativamente todos os reajustes anuais de aluguel que deixou de
aplicar voluntariamente por 4 anos."
FALSO! O não exercício reiterado do direito de reajuste gera o fenômeno da supressio, criando no locatário a justa
expectativa de que o reajuste foi renunciado. A cobrança retroativa é vedada pelo *venire contra factum proprium*.
4. 10 QUESTÕES OBJETIVAS REAIS DE CONCURSOS ANTERIORES & OAB
FGV / OAB - XXXVIII Exame Unificado - 2023 Questão 1 — Venire Contra Factum Proprium e Supressio
Um locador de imóvel comercial aceitou, sem qualquer ressalva ou oposição, o pagamento dos aluguéis no dia 10
de cada mês durante três anos consecutivos, apesar de o contrato prever o vencimento no dia 1º. Repentinamente,
no quarto ano, o locador ajuizou Ação de Despejo por falta de pagamento alegando mora referente aos atrasos de
9 dias ocorridos nos últimos 36 meses. A defesa do locatário deve alegar:
A) Nulidade absoluta do contrato de locação por falta de registro público.
B) A ocorrência da supressio e do venire contra factum proprium derivados da boa-fé objetiva (Art. 422 do CC),
que vedam a cobrança surpresa após conduta reiterada de tolerância.
C) A prescrição bienal de todas as obrigações contratuais.
D) A conversão da locação em contrato de comodato verbal.
VUNESP / TJ-SP - Juiz Substituto - 2024 Questão 2 — Credor Putativo e Validade do Pagamento
O devedor de um contrato de prestação de serviços efetuou o pagamento das últimas parcelas a um antigo
cobrador da empresa credora, que continuava utilizando o uniforme, o crachá e emitindo os recibos timbrados
oficiais, sem que o devedor soubesse de sua demissão ocorrida no mês anterior. Sobre a validade do pagamento
nos termos do Artigo 309 do Código Civil:
A) O pagamento é nulo e o devedor obriga-se a pagar novamente ao verdadeiro credor.
B) O pagamento é válido e exime o devedor por ter sido realizado de boa-fé perante credor putativo.
C) O pagamento gera apenas direito a desconto na prestação seguinte.
D) O devedor responde por crime de estelionato em coautoria com o ex-funcionário.
CEBRASPE / DPE-PR - Defensor Público - 2023 Questão 3 — Tu Quoque e Proibição da Torpeza
Um empregador convenceu um trabalhador a assinar contrato de prestação de serviços como "pessoa jurídica"
(PJ) simulada para sonegar encargos trabalhistas e tributários. Anos depois, ao ser processado pelo trabalhador, o
empregador alegou a ilicitude da simulação que ele próprio arquitetou para negar direitos ao obreiro. A objeção à
defesa do empregador fundamenta-se no princípio do:
A) Pacta sunt servanda em sua concepção absolutista.
B) Tu quoque, instituto decorrente da boa-fé objetiva que proíbe a parte de se beneficiar ou alegar a sua própria
torpeza/ilicitude.
C) Benefício de ordem na fiança bancária.
D) Direito de arrependimento unilateral do empregador.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 8 de 13
FCC / TJ-GO - Juiz de Direito - 2023 Questão 4 — Interpretação Contram Proferentem em Adesão
A respeito do regramento da interpretação dos contratos de adesão contido no Artigo 423 do Código Civil e no
CDC, quando houver cláusulas ambíguas, obscuridade ou contradição no instrumento padronizado, o intérprete
deve adotar:
A) A interpretação mais favorável ao estipulante que redigiu as cláusulas.
B) A interpretação mais favorável ao aderente (contra proferentem), como medida de reequilíbrio da assimetria
contratual.
C) A anulação compulsória do negócio jurídico sem indenização.
D) A mediação obrigatória perante o Ministério Público do Trabalho.
FGV / OAB - XXXVII Exame Unificado - 2023 Questão 5 — Função Social do Contrato e Direitos Fundamentais
A operadora de plano de saúde "Vida Plena S.A." rescindiu unilateralmente o contrato individual de adesão de uma
idosa de 82 anos em pleno tratamento quimioterápico contra o câncer, alegando exercício de direito potestativo
previsto em cláusula contratual. A conduta da operadora padece de nulidade por afrontar diretamente:
A) Apenas as normas administrativas da ANATEL.
B) O Princípio da Função Social do Contrato (Art. 421 do CC) e da Boa-Fé Objetiva (Art. 422 do CC), vedando a
privação da assistência à vida durante tratamento médico vital.
C) A regra do penhor mercantil previdenciário.
D) O direito de usufruto de bens móveis do estipulante.
VUNESP / PC-SP - Delegado de Polícia - 2023 Questão 6 — Abuso do Direito e Boa-Fé (Art. 187 CC)
O titular de um direito contratual que, ao exercê-lo regularmente na aparência, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes, comete ato ilícito nos termos do
Artigo 187 do Código Civil sob a modalidade de:
A) Erro essencial sobre o objeto do negócio.
B) Abuso do Direito.
C) Estado de necessidade putativo.
D) Fraude contra credores extracontratual.
CEBRASPE / DPE-RO - Defensor Público - 2024 Questão 7 — Surrectio no Cumprimento de Prestações
A prática reiterada por mais de 5 anos de o credor aceitar a entrega da mercadoria na sede do devedor, quando o
contrato escrito previa que a entrega seria feita no depósito do credor, gerou para o devedor o direito de continuar
entregando na sua sede. Esse surgimento de novo direito por conduta reiterada denomina-se:
A) Supressio.
B) Surrectio.
C) Tu quoque.
D) Exceptio non adimpleti contractus.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 9 de 13
FGV / OAB - XXXIX Exame Unificado - 2024 Questão 8 — Nulidade de Cláusula de Renúncia em Adesão
Uma financeira inseriu em um contrato de adesão de financiamento de veículo uma cláusula dispondo que "o
consumidor renuncia antecipadamente ao direito de recorrer ao Judiciário ou exigir quitação parcial". De acordo
com o Artigo 424 do Código Civil, referida cláusula é:
A) Válida pela força absoluta da autonomia da vontade.
B) Nula de pleno direito, por estipular renúncia antecipada a direito resultante da natureza do negócio.
C) Anulável mediante pagamento de taxa cartorária.
D) Eficaz apenas em relação a fiadores.
VUNESP / MPSP - Promotor de Justiça - 2024 Questão 9 — Distinção entre Probidade e Boa-Fé Objetiva
Na dogmática civilista contemporânea e na aplicação do Artigo 422 do Código Civil, adistinção entre Probidade e
Boa-Fé Objetiva assenta-se no fato de que:
A) Probidade é a dever mor e ético de honestidade e conformidade legal, enquanto a Boa-Fé Objetiva é norma de
conduta leal que impõe deveres anexos de proteção e justa expectativa.
B) Ambas são regras do direito penal do inimigo.
C) A Boa-Fé Objetiva aplica-se apenas aos contratos de doação.
D) A Probidade veda apenas crimes de trânsito.
CEBRASPE / PC-DF - Delegado de Polícia - 2025 Questão 10 — Abuso de Cláusulas em Financiamento
Habitacional
Um banco estipulou em contrato de adesão habitacional a obrigatoriedade de contratação de seguro exclusivo de
sua própria corretora (venda casada), sob pena de cancelamento do financiamento. A abusividade da conduta
decorre do desrespeito ao CDC e ao princípio da:
A) Tangibilidade das regras de adesão.
B) Boa-fé objetiva e função social, por impor desvantagem exagerada ao aderente em contrato de adesão.
C) Prescrição das obrigações hipotecárias.
D) Relatividade restrita das obrigações bancárias.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 10 de 13
🎯 Gabarito Comentado das Questões Objetivas Reais
Questão 1: B — Art. 422 do CC. A aceitação reiterada do pagamento em data diversa gera a *supressio* do direito de cobrar
atraso e o *venire contra factum proprium*.
Questão 2: B — Art. 309 do CC. O pagamento de boa-fé a credor putativo (com aparência perfeita de credor) é válido e exonera
o devedor.
Questão 3: B — O princípio do *tu quoque* veda que a parte alegue a própria torpeza/ilicitude criada para obter benefício
jurídico.
Questão 4: B — Art. 423 do CC. Em contratos de adesão, cláusulas ambíguas interpretam-se a favor do aderente (*contra
proferentem*).
Questão 5: B — Arts. 421 e 422 do CC c/c Súmula 597 do STJ. Cancela-se a rescisão imotivada de plano de saúde durante
tratamento vital.
Questão 6: B — Art. 187 do CC. O exercício de um direito que excede a boa-fé e o fim social caracteriza Abuso do Direito.
Questão 7: B — *Surrectio* é o nascimento de um novo direito pelo exercício ou aceitação reiterada no tempo.
Questão 8: B — Art. 424 do CC. São nulas as cláusulas que estipulam renúncia antecipada de direitos em contratos de adesão.
Questão 9: A — Art. 422 do CC. A probidade exige conduta honesta, enquanto a boa-fé objetiva estabelece deveres anexos de
conduta leal.
Questão 10: B — Art. 422 do CC e Art. 51 do CDC. A venda casada e cláusulas iníquas em contrato de adesão ferem a boa-fé
objetiva.
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 11 de 13
5. PROJETO DE TRABALHO PRÁTICO PROFISSIONAL (ESTRUTURAÇÃO E
RESOLUÇÃO)
Trabalho Prático Estudo de Caso de Consultoria Contratual: Supressio na Cobrança de Reajuste de Aluguel
e Exceção de Venire
Cenário Prático: O cliente Roberto é locatário de um imóvel comercial de propriedade do Senhor Eduardo. O
contrato estipulava reajuste anual pelo IGPM. Durante 5 anos consecutivos, o locador enviou os boletos de
cobrança do aluguel com o valor original "seco", sem aplicar os reajustes anuais. No 6º ano, em razão de um
desentendimento pessoal, o locador ajuizou Ação de Despejo c/c Cobrança de R$ 120.000,00 referente às
diferenças de reajuste retroativo dos últimos 5 anos. Seu escritório foi contratado por Roberto para elaborar o
Parecer Consultivo e a Contestação.
Roteiro do Passo a Passo para Desenvolvimento do Trabalho em Equipe:
Passo 1 (Análise do Princípio da Boa-Fé Objetiva - Art. 422 do CC): Demonstrar que a não cobrança
reiterada por 60 meses gerou na mente do locatário a justa e legítima expectativa de renúncia dos reajustes
passados.
Passo 2 (Caracterização da Supressio e Surrectio): Demonstrar que o direito de cobrar o reajuste retroativo
foi suprimido (*supressio*) e que surgiu para o locatário o direito de manter o valor antigo para o passado
(*surrectio*).
Passo 3 (Aplicação da Vedação ao Venire Contra Factum Proprium): Fundamentar a proibição do
comportamento contraditório repentino do locador (Art. 187 do CC).
Passo 4 (Redação da Peça Consultiva e Processual): Elaborar a Contestação requerendo a improcedência
do pedido de cobrança retroativa.
📝 Resolução Modelo do Trabalho Prático (Parecer e Peça de Defesa):
Ementa do Parecer: DIREITO CIVIL. LOCAÇÃO COMERCIAL. COBRANÇA RETROATIVA DE REAJUSTE
ANUAL APÓS 5 ANOS DE INÉRCIA. IMPOSSIBILIDADE. OCORRÊNCIA DA SUPRESSIO E SURRECTIO.
VIOLAÇÃO À BOA-FÉ OBJETIVA (ART. 422 DO CC). VEDAÇÃO AO VENIRE CONTRA FACTUM
PROPRIUM (ART. 187 DO CC). IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA RETROATIVA.
Fundamentação Técnica e Solução:
1. Ocorrência da Supressio: A omissão voluntária e continuada do locador em aplicar os reajustes
anuais por 5 anos suprimiu a faculdade de exigi-los de forma retroativa e surpresa.
2. Proibição do Comportamento Contraditório (Venire): A cobrança repentina dos reajustes
acumulados quebra a justa expectativa criada no locatário, caracterizando abuso do direito (Art. 187 do
CC).
3. Conclusão: Requerimento de improcedência total da cobrança retroativa dos 5 anos passados,
admitindo-se o reajuste apenas para as parcelas vincendas após regular notificação prévia.
1.
2.
3.
4.
•
•
•
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 12 de 13
6. QUESTÃO PRÁTICA DE SEGUNDA FASE OAB (DIREITO CIVIL -
CONTRATOS)
OAB 2ª Fase Discursiva Prática em Direito Civil / Contratos
Enunciado da Prova de Segunda Fase: A sociedade empresária "Atacado Central Ltda." comprou mercadorias
da fornecedora "Indústria de Alimentos S.A." e efetuou o pagamento integral do valor do contrato ao antigo gerente
de vendas da Indústria, que se apresentou na sede do comprador vestindo o uniforme da empresa, de posse do
talão de recibos oficial e do boleto timbrado. Posteriormente, a Indústria ajuizou Ação de Cobrança contra o
Atacado alegando que o ex-gerente havia sido demitido dois dias antes do recebimento e que "quem paga mal
paga duas vezes". Como advogado(a) do Atacado Central, responda aos itens a seguir:
A) O pagamento efetuado pelo Atacado Central ao ex-gerente é válido para extinguir a obrigação contratual? Qual
o instituto jurídico e o dispositivo do Código Civil aplicáveis à proteção da boa-fé do pagador?
B) Qual o princípio da boa-fé objetiva que impede a Indústria de exigir novamente o pagamento do comprador de
boa-fé em razão de sua própria negligência em não recolher os talões de recibo do ex-funcionário?
🎯 Resposta Padrão Espelho de Correção OAB:
Item A — Validade do Pagamento a Credor Putativo (Artigo 309 do Código Civil):
**Sim, o pagamento é plenamente válido e exime o devedor.** Aplica-se ao caso a figura do **Credor
Putativo**, regida pelo **Artigo 309 do Código Civil**, segundo o qual *"o pagamento feito de boa-fé ao credor
putativo é válido, ainda que provado depois que não era credor"*. Tendo o ex-gerente se apresentado com
todos os elementos exteriores de representação (uniforme, crachá, recibo oficial e boleto timbrado), o
devedor atuou amparado pela teoria da aparência e pela boa-fé objetiva.
Item B — Princípio do Tu Quoque / Venire e Negligência da Indústria:
A cobrança efetuada pela Indústria afronta os princípios da **Boa-Fé Objetiva (Artigo 422 do CC)** e o
instituto do ***Tu Quoque*** (vedação à alegação da própria torpeza ou negligência). A Indústria omitiu-se no
dever de recolher os instrumentos formais de cobrança do ex-funcionário ao demiti-lo, não podendo repassar
ao comprador de boa-fé o prejuízo decorrente de sua própria falha de fiscalização e conduta negligente.
Dispositivos Legais Relevantes para a Prova:
"Art. 309 do CC: O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda que provado depois que não
era credor."
"Art. 422 do CC: Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua
execução, os princípios de probidade e boa-fé."
Caderno de Estudos • DIREITO CIVIL - CONTRATOS • Aula 04 Página 13 de 13Princípios do Direito Contratual: Função Social, Boa-fé e Venire Contra Factum Proprium
1. Registro na Íntegra (Anotações do Aluno + Leis Secas Citadas)
2. A Aula Expositiva - Metodologia Visual, Esquemas & Mapas Mentais
Módulo A: O Credor Putativo e a Proteção da Confiança (Art. 309 do CC)
3. Glossário Técnico & Pegadinhas Clássicas
📖 Glossário de Termos Essenciais
⚠️ Radar de Pegadinhas Clássicas em Provas e OAB
4. 10 Questões Objetivas Reais de Concursos Anteriores & OAB
5. Projeto de Trabalho Prático Profissional (Estruturação e Resolução)
6. Questão Prática de Segunda Fase OAB (Direito Civil - Contratos)