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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Unidade II
5 MOTIVAÇÃO
5.1 Definição com a finalidade diagnóstica
A motivação é um termo utilizado em vários contextos e pode ser empregado nos meios acadêmico, 
profissional e pessoal, entre outros, porque o associamos a uma “energia” que nos impulsiona para fazer 
algo (Feldman, 2015).
Como citado anteriormente, a motivação favorece o processo de memorização: se estivermos 
motivados, a aprendizagem se torna mais fácil, e o trabalho fica mais prazeroso. No nosso dia a dia, 
somos tomados por situações em que precisamos nos motivar para realizar nossas ações da melhor 
forma possível, às vezes de forma consciente, e, outras vezes, não.
Psicólogos definem a motivação como:
Um motivo é uma necessidade ou um desejo específico que estimula 
o organismo e direciona seu comportamento para um objetivo. Todos os 
motivos são iniciados por algum tipo de estímulo: uma condição física, 
como baixos níveis de açúcar no sangue ou desidratação; um detalhe 
do ambiente, como uma propaganda de liquidação; um sentimento 
como a solidão, culpa ou raiva. Um estímulo induz um comportamento 
direcionado a um objetivo, e dizemos que ele motivou a pessoa (Morris; 
Maisto, 2004, p. 262).
Partindo desse conceito, podemos entender que a motivação é uma condição muito pessoal 
e particular e que os motivos podem ser variados, como as necessidades básicas do indivíduo, as 
carências, os interesses e os desejos que impulsionam as pessoas em certas direções e incentivam 
dado comportamento.
Nolen‑Hoeksema et al. (2012) explicam que as causas da motivação variam desde eventos psicológicos 
que ocorrem no cérebro até nossa cultura e nossas interações sociais com os outros indivíduos que 
nos cercam.
As principais características dos vários tipos de motivações estão na origem do processo 
motivacional, nas suas causas, na sua intensidade e em como ele atua no nosso comportamento. 
Há teorias que tentam explicar como a motivação se manifesta e como ela interfere em 
nosso desempenho. Existem dois grupos de motivos que influenciam no desempenho dos indivíduos: 
os motivos internos e os externos.
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Unidade II
Os motivos internos são de natureza fisiológica, como a fome e a sede, e podem ser reflexo de 
necessidades psicológicas. Os motivos externos são aqueles criados pela situação ou pelo ambiente 
em que a pessoa está, sempre em busca de conseguir satisfazer as suas necessidades básicas, a 
fim de despertar um sentimento de objetivo atingido.
A interação entre hormônios e neurotransmissores cria um equilíbrio que regula tanto os níveis 
de motivação quanto as respostas emocionais. Quando o equilíbrio hormonal está saudável, a pessoa 
tende a se sentir mais motivada e focada (Siqueira, 2018).
Os desequilíbrios hormonais, como os causados por estresse crônico, distúrbios do sono ou condições 
médicas, podem levar à redução significativa na motivação, impactando o humor, a produtividade e o 
bem‑estar geral. Portanto, os hormônios atuam como “mensageiros químicos” no cérebro e exercem 
papel vital na manutenção da motivação e na resposta a desafios, recompensas e emoções.
O sistema de recompensa do cérebro é central na regulação da motivação. Ele envolve estruturas 
cerebrais que processam o prazer e a recompensa, incentivando comportamentos que trazem satisfação.
Conforme Hall (2011), a dopamina – um neurotransmissor – é a substância química associada à 
motivação. Quando uma pessoa realiza uma ação que gera uma recompensa, como comer ou alcançar 
uma meta, mais a dopamina é liberada em regiões como o núcleo accumbens e o córtex pré‑frontal, 
promovendo uma sensação de prazer. Esse processo reforça a repetição do comportamento.
Esse sistema também regula a motivação antecipatória, ou seja, a capacidade de sentir prazer em 
imaginar ou esperar uma recompensa, o que motiva a ação. Portanto, a motivação é impulsionada por 
circuitos cerebrais que integram recompensas, emoções, cognição e hábitos. O sistema de recompensa, 
com a dopamina, desempenha papel crucial, proporcionando prazer e incentivando comportamentos. 
O córtex pré‑frontal é fundamental para a motivação orientada a metas, enquanto o sistema límbico 
influencia a motivação emocional. Juntos, esses sistemas determinam o quanto estamos dispostos a agir 
em busca de objetivos e de recompensas (Hall, 2011). Balieiro Junior (2005) diz que o psicodiagnóstico e 
a motivação estão interligados, especialmente quando o(a) psicólogo(a) busca entender os fatores que 
impulsionam ou limitam o comportamento e as emoções de uma pessoa. No processo de psicodiagnóstico, 
identificar o nível e a natureza da motivação do indivíduo ajuda a compor um quadro mais completo 
de suas condições emocionais, cognitivas e de traços de personalidade. A motivação pode ser essencial 
para entender o envolvimento da pessoa em atividades, suas metas, expectativas e até sua adesão a 
possíveis tratamentos.
5.1.1 Teoria do instinto
O instinto é um comportamento inato e automático, presente em muitos animais (incluindo os seres 
humanos), que ocorre sem a necessidade de aprendizado ou experiência prévia. É uma resposta imediata 
a estímulos específicos do ambiente (Morris; Maisto, 2004).
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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Exemplos de instintos em humanos e animais incluem o reflexo de sugar em bebês, a busca por 
alimento quando com fome, ou a reação de fuga diante de um perigo. Esses comportamentos são 
regidos por mecanismos biológicos e são essenciais para a sobrevivência da espécie.
Os instintos são universais e comuns para dada espécie, tendendo a ser fixos e previsíveis. Eles 
são gerados por estímulos internos (fome, sede etc.) ou externos (perigo, sons, cheiros etc.) e não 
requerem esforço consciente. Podem ser considerados comportamentos complexos, não aprendidos e 
com um padrão fixo. Eles visam à preservação de cada espécie e se concentram em comportamentos 
predispostos geneticamente.
Enfim, os instintos são padrões de comportamento específicos e inatos, característicos de toda uma 
espécie, que explicam grande parte do comportamento humano. William James, em 1890, compilou 
uma série de instintos humanos, como a caça, a competição, o medo, a curiosidade, a timidez, o amor, 
a vergonha e o ressentimento (Morris; Maisto, 2004).
O comportamento humano é orientado por necessidades fisiológicas e por desejos psicológicos. 
Como pressuposto básico, podemos considerar que há genes que predispõem o comportamento típico 
de cada espécie.
A motivação é o processo psicológico que impulsiona o indivíduo a agir de determinada maneira para 
alcançar um objetivo ou satisfazer uma necessidade. É uma força interna que pode ser influenciada por 
fatores biológicos, emocionais, sociais ou cognitivos. Diferentemente dos instintos, que são automáticos, 
a motivação envolve um processo mais complexo, incluindo a tomada de decisões, o planejamento 
e a ação, e não se limita à sobrevivência. Ela pode ser dirigida tanto por desejos internos (motivação 
intrínseca, como o prazer de aprender) quanto por recompensas externas (motivação extrínseca, como 
dinheiro ou reconhecimento), além de abranger diversas áreas da vida, como a busca por realização 
pessoal, profissional ou acadêmica.
 Lembrete
A motivação refere‑se ao desejo de realizar uma atividade por conta do 
prazer ou da satisfação que ela proporciona, favorecendo o impulso para 
qualquer atividade psíquica ou social.
 
Diferenças fundamentais
• Inato versus aprendido
— Instinto: inato, presente desde o nascimento e universal dentro da espécie.
— Motivação: pode ser influenciada por fatores ambientais, sociais e pessoais, além de ser 
moldada pela experiência e aprendizado.
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Unidade II
• Automático versus consciente
— Instinto: ocorre de maneira automática e sem consciência deliberada.
— Motivação: envolve um grau de decisão consciente. As pessoas podem escolher agir ou não de 
acordo com sua motivação, e essa decisão pode ser moldada por emoções e raciocínio.
• Específico versus diversificado(Dalgalarrondo, 2000).
6.4 Alterações psicopatológicas
No campo da psicopatologia, existem várias patologias que alteram o processo emocional. Na prática 
clínica diária, frequentemente encontramos pacientes com depressão que são subdiagnosticados e 
substratos. Em geral, a proporção de mulheres é maior em relação aos homens.
Do ponto de vista psicopatológico, os quadros depressivos têm como elemento central o humor 
triste. Entretanto, elas se caracterizam por uma multiplicidade de sintomas afetivos, instintivos e 
neurovegetativos, ideativos e cognitivos, relativos à autovalorização, à volição e à psicomotricidade. 
Também podem estar presentes sintomas psicóticos e fenômenos biológicos (marcadores biológicos) 
associados (Dalgalarrondo, 2000).
O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5ª edição (APA, 2014), é a principal classificação 
de transtornos mentais adotada pelos profissionais de saúde mental. Ele não só descreve os critérios 
diagnósticos para transtornos emocionais, mas também identifica como as emoções podem ser alteradas 
em diferentes psicopatologias. As principais psicopatologias que envolvem alterações emocionais, com 
foco na modulação e intensidade das emoções, conforme descrito no DSM‑5, estão descritas a seguir.
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Unidade II
Transtornos de ansiedade
Envolvem uma reação emocional excessiva de medo ou apreensão, frequentemente sem uma 
ameaça real ou proporcional. As emoções de medo e ansiedade estão centralmente implicadas 
nesses transtornos.
• TAG: preocupação excessiva e incontrolável sobre uma série de situações, o que leva a um estado 
constante de tensão emocional.
• Transtorno de pânico: ataques de pânico súbitos e recorrentes que envolvem medo intenso e 
desconforto, com sintomas físicos como taquicardia, falta de ar e sensação de desmaio.
• Fobias específicas: medo intenso e irracional de objetos ou situações específicas (exemplo: medo 
de aranhas, de voar).
• Transtorno de ansiedade social (fobia social): medo intenso de ser julgado negativamente em 
situações sociais, o que gera grande sofrimento emocional.
• TEPT: respostas emocionais intensas de medo e angústia após a exposição a um evento 
traumático, incluindo flashbacks e hipervigilância.
Transtornos depressivos
Estão associados a uma perda de interesse ou prazer em atividades, sentimentos de tristeza profunda 
e uma modificação nas emoções de forma crônica.
• Transtorno depressivo maior (TDM): caracterizado por sentimentos intensos e persistentes 
de tristeza, desesperança e perda de prazer em atividades que anteriormente eram agradáveis. 
Os sintomas emocionais incluem apatia, irritabilidade e desesperança.
• Distimia (transtorno depressivo persistente): uma forma crônica e de longo prazo de depressão, 
com sintomas emocionais mais leves, mas que duram anos, causando sofrimento contínuo.
• Transtorno depressivo induzido por substâncias/medicamentos: alterações emocionais 
relacionadas ao uso ou abstinência de substâncias psicoativas.
Transtornos bipolares
São caracterizados por alterações extremas de humor entre episódios de mania ou hipomania 
(emoções intensamente elevadas) e depressão (emoções extremamente baixas).
• Transtorno bipolar I: episódios de mania (elevação extrema do humor, irritabilidade e 
hiperatividade) alternados com episódios depressivos.
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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Transtorno bipolar II: caracterizado por episódios de hipomania (menos intensa que a mania) e 
episódios depressivos, com mudanças emocionais mais sutis que o bipolar I.
• Cicladores rápidos: indivíduos com pelo menos quatro episódios de alterações emocionais 
(mania/hipomania e depressão) em um período de 12 meses.
Transtornos de personalidade
Vários desses transtornos envolvem alterações emocionais profundas e intensas, com dificuldade em 
regular as emoções de maneira adequada.
• Transtorno de personalidade borderline: caracterizado por uma instabilidade emocional 
extrema, com sentimento de vazio, raiva intensa, medo de abandono e dificuldade em 
regular as emoções.
• Transtorno de personalidade narcísica: emoções de grandiosidade, necessidade de 
admiração e falta de empatia, o que pode resultar em reações emocionais intensas quando a 
autoestima é ameaçada.
• Transtorno de personalidade antissocial: indivíduos com pouco respeito pelas normas sociais, 
com falta de empatia e emoções frequentemente insensíveis ou desprovidas de remorso.
Transtornos de humor
Envolvem alterações nos afetos e sentimentos, podendo resultar em emoções de extrema 
tristeza ou euforia.
• Transtorno disfórico pré‑menstrual: caracterizado por sintomas emocionais intensos, como 
irritabilidade extrema, tristeza profunda e alterações de humor acentuadas no período que 
antecede a menstruação.
• Ciclotimia: flutuações emocionais constantes, com períodos de hipomania e sintomas 
depressivos leves que não atendem aos critérios para o transtorno bipolar.
Transtornos psicóticos
Envolvem a perda de contato com a realidade, mas também estão associados a alterações emocionais 
significativas, especialmente no que diz respeito à emoção excessiva ou à apatia emocional.
• Esquizofrenia: pode apresentar alteração emocional significativa, como apatia ou emotividade 
inadequada (como rir em situações tristes), além de episódios emocionais de medo ou paranoia.
• Transtorno esquizofreniforme e transtorno delirante: também podem envolver intensas 
flutuações emocionais, com irracionalidade ou emoções desproporcionais em relação à realidade.
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Unidade II
Transtornos de estresse e ajustamento
Envolvem uma resposta emocional desproporcional ao estresse, com sintomas de angústia e 
dificuldades em lidar com mudanças ou perdas.
• Transtorno de estresse agudo: reações emocionais intensas, como medo e horror, após a vivência 
de um evento traumático, com sintomas semelhantes ao transtorno de estresse pós‑traumático, 
mas de curta duração.
• Transtorno de ajustamento: dificuldade significativa em ajustar‑se a estressores ambientais, 
resultando em reações emocionais, como tristeza excessiva, ansiedade ou irritabilidade.
Transtornos relacionados a trauma e estressores
Envolvem alterações emocionais extremas em resposta a eventos traumáticos.
• TEPT: após a exposição a um evento traumático, a pessoa pode experimentar emoções intensas 
de medo e pavor recorrentes, com alterações emocionais persistentes, como flashbacks, evitação de 
estímulos relacionados ao trauma e hipervigilância.
Transtornos de alimentação
Alterações emocionais podem estar profundamente ligadas aos transtornos alimentares, com a 
modulação do humor associada à autoestima e à percepção corporal.
• Anorexia nervosa: emoções intensas de medo de ganhar peso, ansiedade sobre a imagem 
corporal e controle emocional obsessivo.
• Bulimia nervosa: alterações emocionais relacionadas à vergonha, à culpa e à ansiedade associadas 
aos episódios de compulsão alimentar seguidos de purgação.
Vale lembrar que todas as doenças mentais são tratáveis. A maioria dos quadros depressivos muitas 
vezes dependem de tratamento farmacológico, porém em inúmeros casos clínicos a psicoterapia traz 
bons resultados, porque além de contribuir com a remissão dos sintomas previne as recaídas.
No DSM‑5, o que leva ao diagnóstico dos transtornos depressivos “é a presença de humor triste, 
vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente 
a capacidade de funcionamento do indivíduo”, semelhante ao episódio depressivo que compõe o 
transtorno bipolar. Contudo, o que irá diferi‑los serão “os aspectos de duração, momento ou etiologia 
presumida” (APA, 2014, p. 155).
O transtorno depressivo maior representa a condição clássica desse grupo 
de transtornos. Ele é caracterizado por episódios distintos de pelo menos 
duas semanas de duração (embora a maioria dos episódios dure um 
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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
tempo consideravelmente maior) envolvendo alterações nítidas no afeto, 
na cognição e em funções neurovegetativase remissões interepisódicas 
(APA, 2014, p. 155).
Em relação à causa dos quadros depressivos, além dos fatores biológicos, genéticos e neuroquímicos, 
temos que destacar os fatores psicológicos que geralmente são decorrentes de situações de perdas 
ou de traumas.
As síndromes e reações depressivas surgem com muita frequência após perdas significativas: de uma 
pessoa muito querida, de um emprego, de um local de moradia, do status socioeconômico, ou de algo 
puramente simbólico (Dalgalarrondo, 2000).
 
O transtorno bipolar tipo I foi comumente igualado à clássica doença 
maníaco‑depressiva, mas o transtorno bipolar tipo II baixou drasticamente 
o limiar, exigindo meramente um episódio depressivo e um período de 
produtividade aumentada, inflação da autoestima e redução da necessidade 
de sono [...] Hoje em dia, existe até o “bipolar leve”, o que significa que o 
paciente “reage intensamente às perdas” (Leader, 2015, p. 12).
7 PENSAMENTO
7.1 Definição com a finalidade diagnóstica
O pensamento é um dos processos psicológicos exclusivos do ser humano que, de uma forma 
geral, ainda deixa algumas dúvidas sobre o seu real aparecimento. Como e por que aparece e em que 
circunstâncias são sempre iguais para todas as pessoas (Dalgalarrondo, 2019).
Sabe‑se que as doenças mentais alteram o processo do pensamento, porém por que acontecem é 
a grande questão. Existem pacientes que descrevem o aparecimento de pensamentos intrusivos que 
interferem diretamente na qualidade de vida, nos comportamentos e até nas tomadas de decisões 
(Dalgalarrondo, 2019).
Na prática clínica neuropsicológica, temos algumas técnicas e escalas para avaliação, mas a grande 
maioria avalia apenas a participação do processo de pensamento nos indivíduos, porém não temos um 
instrumento específico para a investigação do pensamento.
O pensamento se constitui a partir de elementos sensoriais que podem fornecer substrato para o 
processo do pensar, baseados em imagens perceptivas, e as representações de qualquer outra modalidade 
sensorial. O pensamento refere‑se a todas as atividades associadas a processamento, conhecimento, 
recordação e comunicação. Os psicólogos cognitivos estudam essas atividades, incluindo os meios 
lógicos e, às vezes, ilógicos pelos quais criamos conceitos, resolvemos problemas, fazemos julgamentos 
e tomamos decisões (Myers, 2015).
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Unidade II
Pensar é, com efeito, um processo, uma função biológica exercida pelo cérebro. O processamento 
do pensamento é o ato de receber, perceber, compreender, armazenar, manipular, monitorar, controlar 
e responder ao fluxo constante de dados. A capacidade para ligar de forma competente as informações 
oriundas das áreas de associação motora, sensorial e mnemônica é decisiva para o processamento do 
pensamento e para a consideração e o planejamento de futuras ações (Ratey, 2001).
Mais uma vez fica claro que os processos mentais não trabalham isoladamente, mas de maneira 
orquestrada, em que uma estrutura depende da outra, para que o funcionamento cerebral seja eficiente 
e que sempre tenha uma finalização.
O pensamento surge apenas quando o indivíduo tem um motivo apropriado que torna a tarefa 
urgente e a sua solução essencial e quando a pessoa é confrontada com uma situação para a qual ela 
não possui uma solução já pronta (inata ou habitual) (Luria, 1981).
Tomando como base esse conceito, podemos acreditar que o pensamento sempre está relacionado 
a alguma tarefa que o indivíduo precisa resolver, com base em condições que devem ser investigadas, 
para descobrir o caminho que irá conduzir a uma solução.
Os psicólogos definem o pensamento como a manipulação das representações mentais da 
informação. Uma representação pode assumir a forma de uma palavra, de uma imagem visual, de 
um som ou de qualquer outra modalidade sensorial que estejam armazenados na memória. O pensar 
transforma determinada representação da informação em formas novas e diferentes, permitindo‑nos 
responder perguntas, resolver problemas ou alcançar objetivos (Feldman, 2015).
Como descrito anteriormente, o pensamento envolve muitos processos e a participação de elementos 
sensoriais necessários para o processo de pensar. O principal formador do pensamento é através da 
linguagem, o que nos leva a considerar que falamos dentro da nossa cabeça.
A partir do momento em que vamos desenvolvendo a nossa linguagem, o pensamento também 
vai sendo melhor elaborado e permite ao indivíduo modular e lidar com o meio ambiente e o mundo. 
Devemos considerar o uso de imagens e conceitos mentais como elementos básicos que formam 
o pensamento.
Em muitas situações, o pensamento surge de forma automática e muito rápida, e quando percebemos 
já estamos pensando em algo, principalmente quando estamos diante de imagens visuais que fazem 
parte do nosso cotidiano, parte fundamental para o pensamento.
As imagens mentais podem ser descritas como representações de um objeto ou evento na mente. 
Elas não são apenas representações mentais; nossa capacidade de “ouvir” uma melodia em nossa cabeça 
também depende de uma imagem mental. Toda modalidade sensorial pode produzir imagens mentais 
correspondentes (Feldman, 2015).
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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Inicialmente, devemos distinguir os elementos intelectuais que constituem o pensamento: 
os conceitos, o juízo e o raciocínio. O pensamento também passa pelo processo de pensar, que se refere 
a continuidade, forma e conteúdo do pensamento. Para pensar sobre os incontáveis eventos, objetos 
e pessoas em nosso mundo, nós simplificamos as coisas. Os conceitos sempre são formados e podem 
ser considerados como agrupamentos mentais de objetos, eventos e pessoas semelhantes (Myers, 2015).
Através dos conceitos, podemos dar significado aos objetos, com base nas experiências anteriores 
que podem influenciar o comportamento. São claramente definidos por um conjunto exclusivo de 
propriedades ou características. Os conceitos se formam a partir das representações e não têm elementos 
sensoriais, não sendo possível contemplá‑los nem imaginá‑los. São puramente cognitivos e intelectivos, 
mas não é possível visualizá‑los, ouvi‑los ou senti‑los. Eles exprimem apenas os caracteres mais gerais 
dos objetos e fenômenos (Dalgalarrondo, 2000).
Formamos nossos conceitos desenvolvendo protótipos que são considerados como uma imagem 
mental ou melhor exemplo de uma categoria. Corresponder novos itens a um protótipo é um método 
rápido e fácil para ordenar as coisas em categorias, o que permite pensar e compreender com mais 
celeridade o mundo no qual estamos inseridos.
Os médicos fazem diagnósticos baseando‑se em conceitos e protótipos de sintomas que aprenderam 
na faculdade e que facilitam nossos esforços para tirar conclusões adequadas por meio do processo 
cognitivo ao qual nós voltamos a seguir: o raciocínio (Feldman, 2015).
Como mencionado anteriormente, o pensamento muitas vezes está ligado a uma tarefa ou a um 
motivo que requer uma solução ou a tomada de alguma decisão necessária, e para isso recorremos a 
outros atalhos cognitivos: os algoritmos e a heurística.
O algoritmo pode ser considerado como uma regra ou procedimento metódico e lógico que assegura 
a resolução de um problema específico. Contrasta com o uso da heurística, geralmente mais rápido, 
porém mais propenso a erros (Myers, 2015). Às vezes, o algoritmo pode ser usado sem mesmo saber por 
que ele funciona ou não naquela situação específica. Porém, para muitas situações problemáticas e de 
tomada de decisão, não há algoritmo disponível, e para isso se faz o uso da heurística para ajudar.
Heurística é uma estratégia de pensamento que pode levar‑nos a uma solução para um problema 
ou decisão, mas que pode às vezes resultar em erros. Aumenta a probabilidade de sucesso para chegar a 
uma solução, mas, diferentemente dos algoritmos, não podem garanti‑la (Feldman, 2015).
Dentre os elementos intelectuais que constituem o pensamento estão os juízos. Formar juízos é o 
processo que conduz ao estabelecimento de relaçõessignificativas entre os conceitos básicos. Consiste, 
a princípio, na afirmação de uma relação entre dois conceitos. Por exemplo, ao tomar‑se os conceitos 
“cadeira” e “utilidade” (ou seja, qualidade de ser útil), pode‑se formular o seguinte juízo: a cadeira é 
útil (Dalgalarrondo, 2000). De um modo geral os juízos têm como fundamento fazer a relação entre 
dois conceitos.
124
Unidade II
O outro elemento intelectivo do pensamento refere‑se ao raciocínio, que representa um modo 
especial de ligação entre conceitos, de sequência de juízos e de encadeamento de conhecimentos, 
derivando sempre uns dos outros. A ligação entre conceitos permite a formação de juízos, a ligação 
entre juízos conduz à formação de novos juízos, e, dessa forma, o raciocínio e o próprio pensamento 
se desenvolvem (Dalgalarrondo, 2000). Uma outra forma de compreender o pensamento está no seu 
processo, que inclui o curso, a forma ou estrutura e o conteúdo ou temática do pensamento.
O curso do pensamento é o modo como o pensamento flui, a sua velocidade e seu ritmo ao 
longo do tempo.
A forma do pensamento é a estrutura básica, preenchida pelos mais diversos conteúdos e interesses 
do indivíduo. É a maneira pela qual são articuladas as ideias (associações). Quanto à produção, podem 
haver abundância ou pobreza de ideias e pensamento rápido (fuga de ideias) ou lentificado, espontâneo 
ou que precisa de estímulo.
O conteúdo do pensamento se refere aos temas, o assunto em si, o que a pessoa pensa (ideias, 
crenças, preocupações, obsessões [ideias/pensamentos intrusivos], compulsões [práticas repetitivas], 
fobias, planos e intenções ou ideias recorrentes de suicídio/homicídio, ideias hipocondríacas etc.).
Dentre as outras características relativas ao pensamento, está a capacidade de resolução de 
problemas. Alguns problemas são resolvidos pelo método de tentativa e erro, ou pelo uso dos algoritmos 
e heurística. Contudo, se esses padrões de respostas forem usados de forma inadequada, pode ser um 
obstáculo para a resolução dos problemas. Porém, para uma solução de problemas de forma eficiente, 
muitas vezes depende‑se da capacidade de criatividade de cada um para a sua finalização.
A criatividade é a capacidade de gerar ideias originais ou resolver problemas de novas maneiras. 
Também não está claro se o tipo de criatividade apresentado por pessoas altamente criativas nas artes 
é o mesmo tipo de criatividade usado por pessoas altamente criativas nas ciências (Feldman, 2015). 
Tomando como base tal informação, podemos dizer que pessoas criativas podem apresentar dois tipos 
de pensamento: o divergente e o convergente.
O pensamento divergente gera respostas incomuns, mas apropriadas, para problemas ou questões. 
Já o pensamento convergente é aquele em que um problema é visto como possuidor de uma única 
resposta e que produz respostas que se baseiam fundamentalmente no conhecimento e na lógica 
(Feldman, 2015).
O pensamento é um dos elementos centrais no processo de psicodiagnóstico, que é uma avaliação 
psicológica utilizada para compreender as características emocionais, cognitivas e comportamentais de 
uma pessoa. O papel do pensamento no psicodiagnóstico se dá de várias maneiras, sendo essencial para 
interpretação e compreensão do indivíduo. Destacam‑se a seguir algumas das principais formas pelas 
quais o pensamento é importante nesse contexto.
• Avaliação das funções cognitivas: o psicodiagnóstico busca examinar as funções cognitivas 
do indivíduo, como memória, atenção, raciocínio e julgamento. O pensamento é um reflexo 
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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
direto dessas funções, e sua avaliação permite entender como o paciente organiza suas ideias, 
toma decisões e processa informações. Isso é fundamental para identificar possíveis dificuldades 
cognitivas ou transtornos, como transtornos de aprendizado, transtornos do espectro autista 
ou condições relacionadas à demência e ao déficit cognitivo.
• Análise dos processos de pensamento: o psicodiagnóstico também investiga os processos 
subjacentes ao pensamento, como o fluxo de ideias, o ritmo de raciocínio, a coerência e a lógica nas 
associações mentais. Isso pode ajudar a identificar padrões de pensamentos disfuncionais, como 
os presentes em transtornos de ansiedade, depressão ou esquizofrenia, em que o pensamento 
pode ser irracional, obsessivo ou fragmentado.
Portanto, o pensamento desempenha um papel central no psicodiagnóstico, sendo crucial para 
compreender o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental de um indivíduo. Sua avaliação 
permite não apenas o diagnóstico de transtornos psicológicos, mas também a identificação de processos 
disfuncionais que possam ser trabalhados na intervenção terapêutica. O entendimento do pensamento 
do paciente é um ponto de partida para promover melhorias no bem‑estar mental e emocional, sendo 
uma ferramenta essencial para o psicólogo no processo de auxílio ao indivíduo.
7.2 Função psíquica e suas alterações
A relação entre pensamento e cognição é fundamental para a compreensão dos processos mentais 
humanos. O pensamento é uma das funções cognitivas mais complexas e essenciais, envolvendo a 
manipulação de informações para criar, entender e agir sobre o mundo ao nosso redor. A cognição 
refere‑se a um conjunto mais amplo de processos mentais que inclui percepção, atenção, memória, 
aprendizado, raciocínio, resolução de problemas e, claro, o pensamento.
7.2.1 Definição de pensamento e cognição
Pensamento
É o processo mental de manipular informações, seja para compreender algo, tomar decisões, 
solucionar problemas ou gerar novas ideias. Pode ser descrito como um conjunto de operações mentais 
que envolve o uso de conceitos, ideias, imagens mentais e razões lógicas para chegar a conclusões ou 
alcançar objetivos. O pensamento pode ser tanto consciente quanto inconsciente, dependendo do nível 
de reflexão e controle que a pessoa exerce sobre ele.
Cognição
É o termo mais amplo que se refere a todos os processos mentais envolvidos na aquisição e 
manipulação de conhecimento. Isso inclui não apenas o pensamento, mas também funções como 
atenção, percepção, memória e linguagem. Em outras palavras, a cognição abrange todos os aspectos 
da mente envolvidos no processamento de informações.
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Unidade II
7.2.2 Pensamento como parte dos processos cognitivos
O pensamento é uma função central dentro da cognição, pois ele é um meio pelo qual processamos 
e organizamos as informações que recebemos do mundo, porém muitas outras funções cognitivas 
contribuem para o processo de pensamento.
Atenção
Para pensar de forma eficaz, é necessário focar a atenção em informações específicas. A atenção 
permite que o cérebro selecione as informações relevantes para o pensamento, ignorando estímulos 
irrelevantes. Sem uma boa capacidade de atenção, o pensamento seria fragmentado e desorganizado.
Memória
O pensamento depende da memória, pois precisamos recuperar informações passadas (memórias 
de longo prazo) e usá‑las no presente. A memória de trabalho, em particular, é crucial para 
manter informações temporárias e manipulá‑las enquanto pensamos, resolvemos problemas ou 
tomamos decisões.
Percepção
Antes de pensarmos sobre algo, precisamos perceber o mundo ao nosso redor. A percepção envolve a 
interpretação dos estímulos sensoriais e a construção de representações mentais. O pensamento, então, 
organiza e dá sentido àquilo que foi percebido.
Raciocínio e resolução de problemas
O raciocínio é uma forma de pensamento que envolve a análise lógica e a tirada de conclusões a 
partir de premissas. O pensamento também é crucial para a resolução de problemas, em que o indivíduo 
precisa identificar soluções alternativas e avaliá‑las de acordo com os objetivos ou regras.
Linguagem
É uma ferramenta central no processo de pensamento. Muitas vezes, pensamos em palavras, 
frases e conceitos, o que permite organizar o pensamento, comunicar ideias e refletir sobre situações 
de maneira estruturada.
7.2.3 Pensamento como processamentoativo de informação
Dentro da cognição, o pensamento pode ser visto como uma atividade ativa de processamento. Não 
é simplesmente a recepção passiva de informações, mas sim a manipulação ativa dessas informações 
para gerar algo novo ou chegar a uma solução.
127
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Pensamento concreto versus abstrato
O pensamento pode ser concreto, lidando com objetos ou situações tangíveis, ou abstrato, lidando 
com ideias, conceitos e hipóteses. O pensamento abstrato é mais complexo, pois envolve conceitos que 
não são diretamente observáveis, como justiça, liberdade ou beleza.
Pensamento crítico e criativo
O pensamento crítico é uma forma de raciocínio que envolve a análise lógica e profunda 
das informações, identificando falácias ou inconsistências, questionando suposições e avaliando as 
evidências. Já o pensamento criativo envolve gerar novas possibilidades e soluções inovadoras. Ambos 
são essenciais dentro da cognição, especialmente em contextos complexos, como a resolução de 
problemas ou a tomada de decisões.
7.2.4 Processos cognitivos e o pensamento crítico
O pensamento crítico está diretamente relacionado ao uso de várias funções cognitivas.
Memória
O pensamento crítico muitas vezes exige que a pessoa recupere informações passadas para 
compará‑las com novas evidências.
Atenção
A atenção seletiva permite que o indivíduo foque nas partes mais relevantes das informações, 
ignorando distrações.
Raciocínio lógico
O pensamento crítico exige a aplicação de regras lógicas e a análise de alternativas para chegar a 
conclusões válidas.
Percepção e linguagem
A percepção crítica do ambiente e a capacidade de organizar o pensamento em uma estrutura 
linguística clara e lógica são cruciais para a formação de argumentos convincentes.
7.2.5 Modelos cognitivos do pensamento
Existem modelos que explicam como o pensamento interage com outros processos cognitivos para 
gerar respostas adaptativas ao ambiente. Os modelos cognitivos geralmente sugerem que o pensamento 
é parte de um sistema dinâmico que envolve:
128
Unidade II
• Entrada sensorial (percepção): o pensamento começa com a percepção de estímulos.
• Processamento (memória e atenção): as informações são processadas de acordo com o que já 
sabemos e o que estamos atentos no momento.
• Saída (resolução de problemas, ação): o pensamento gera uma ação ou decisão com base nas 
informações processadas.
Esses processos são circuitos interligados, em que a atenção seleciona as informações que entram no 
sistema cognitivo, a memória armazena o conhecimento para futura referência, e o raciocínio analisa 
essas informações para formar novas ideias ou tomar decisões.
7.2.6 Distúrbios cognitivos e pensamento
Alguns transtornos cognitivos afetam diretamente a capacidade de pensar de forma lógica, clara e 
estruturada. Isso pode ser observado em várias condições, como as descritas a seguir.
Demência e Alzheimer
Em doenças neurodegenerativas, o pensamento lógico e a capacidade de resolver problemas podem 
ser severamente prejudicados devido à deterioração das funções cognitivas.
Esquizofrenia
Transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, podem levar a distorções do pensamento, como 
delírios e alucinações, e pensamento desorganizado, em que o processo de pensamento não segue uma 
linha coerente.
TDAH
Indivíduos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade podem ter dificuldades com 
a organização do pensamento, frequentemente se distraindo ou começando múltiplas tarefas 
sem concluí‑las.
7.2.7 Relação entre pensamento e memória
O pensamento e a memória estão profundamente interligados. A memória de trabalho (ou memória 
de curto prazo) é especialmente importante para o pensamento, pois ela nos permite manter e 
manipular informações temporárias enquanto realizamos tarefas cognitivas, como resolver problemas 
ou tomar decisões.
129
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Memória e raciocínio
O raciocínio lógico muitas vezes depende da recuperação de informações da memória para formar 
hipóteses e tirar conclusões. O processamento de novas informações também depende de uma memória 
sólida de fatos e experiências passadas. O que caracteriza o pensamento normal é ser regido pela lógica 
formal e orientar‑se segundo a realidade e os princípios de racionalidade da cultura na qual o indivíduo 
se insere. Em indivíduos que não são patológicos, o pensamento fica apenas com menos características 
lógicas; por isso, muitas vezes é difícil descrever quando um pensamento está em condições normais ou 
patológicas. A literatura descreve tipos de pensamentos que podem ser associados a estados mentais 
alterados e a transtornos psiquiátricos. Dentre as alterações do pensamento podemos citar as alterações 
dos conceitos, dos juízos, tipos alterados de pensamento, alterações do processo de pensar que envolve o 
curso, a forma e o conteúdo do pensamento. Importante ressaltar que as alterações podem se apresentar 
de diversas formas e com diferentes graus de gravidade.
Sobre o pensamento alterado podemos citar:
• Pensamento mágico: caracteriza‑se por ferir frontalmente os princípios da lógica formal, bem 
como os indicativos e imperativos da realidade. Eles seguem os desígnios dos desejos, das fantasias 
e dos temores, conscientes ou inconscientes, do sujeito, adequando a realidade ao pensamento, e 
não o contrário (Dalgalarrondo, 2000).
• Circunstancialidade: refere‑se ao raciocínio (exemplo: quando o paciente fala de coisas 
irrelevantes, mas volta ao ponto).
• Pensamentos prolixos: em que o paciente não consegue chegar a qualquer conclusão sobre o 
tema de que está tratando, a não ser após muito tempo e esforço (Dalgalarrondo, 2000).
• Tangencialidade: nesse caso, o paciente tangencia o objetivo da questão sem voltar ao ponto, ou 
seja, responde algo de forma irrelevante, não sabendo discriminar o essencial.
Nas alterações do processo de pensar, no caso de curso do pensamento, podemos citar:
• Aceleração ou lentificação do pensamento.
• Bloqueio do pensamento: quando o paciente interrompe o fluxo do pensamento/ideia em 
questão e pode esquecer do que estava falando.
• Roubo do pensamento: quando o paciente tem a sensação de que seu pensamento foi roubado 
por algo ou alguém.
• Nas alterações na forma do pensamento, podemos pontuar a fuga de ideias, a dissociação do 
pensamento, o descarrilhamento do pensamento e a desagregação do pensamento.
130
Unidade II
• Referente ao conteúdo do pensamento, as alterações mais comuns são as relacionadas aos 
sintomas psicopatológicos: persecutórios; depreciativos; religiosos; sexuais; de poder, riqueza, 
prestígio ou grandeza; de ruína ou culpa; e conteúdos hipocondríacos.
O pensamento se destaca entre as funções elementares do cérebro, como percepção, atenção, memória 
e emoção, por sua capacidade de integrar, organizar e dar sentido às informações recebidas, além de 
planejar, analisar e resolver problemas. A seguir note a importância do pensamento em relação às demais 
funções cognitivas e neuropsicológicas.
Integração das funções cognitivas
Enquanto funções como percepção e memória lidam com o processamento e armazenamento de 
informações de maneira mais direta, o pensamento é fundamental para integrar essas informações. 
O pensamento permite que a pessoa organize e dê sentido do que percebeu ou lembra, gerando 
compreensão e coerência. Sem o pensamento, a memória seria apenas um conjunto de informações 
desconectadas, e a percepção não teria uma interpretação ou contexto.
Exemplo: ao perceber um objeto (como uma maçã), a percepção envolve identificar o que é o objeto, 
e a memória ajuda a recordar que “maçãs são comestíveis”. O pensamento vai além disso, permitindo 
que você raciocine sobre o que fazer com a maçã, se deve comê‑la agora, ou guardá‑la para depois. O 
pensamento organiza essa informação em uma decisão ou ação.
Planejamento e tomada de decisão
O pensamento se destaca por ser a função que permite o planejamento de ações e a tomada de 
decisões. A capacidadede antecipar consequências, raciocinar sobre alternativas e pesar diferentes 
opções está profundamente ligada ao pensamento. Enquanto a percepção apenas capta dados sensoriais 
e a memória apenas recorda experiências passadas, o pensamento é a função que direciona a ação com 
base nessas informações.
Exemplo: para atravessar a rua, a percepção nos avisa sobre a presença de carros, a memória nos 
lembra de possíveis riscos de acidentes, mas é o pensamento que nos permite avaliar se é seguro ou não 
atravessar, dependendo da velocidade do trânsito e de outras variáveis.
Resolução de problemas
É uma das habilidades mais exclusivas do pensamento, pois envolve a capacidade de analisar situações, 
identificar obstáculos e gerar estratégias para alcançar um objetivo. O pensamento é crucial para encontrar 
soluções inovadoras, avaliar alternativas e escolher o melhor caminho para resolver situações complexas.
Exemplo: se você perde suas chaves, o pensamento entra em ação para ajudar a lembrar onde as 
deixou (memória), analisar os lugares onde já procurou (atenção) e criar novas estratégias para encontrar 
as chaves (raciocínio e resolução de problemas).
131
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Criatividade e pensamento abstrato
Uma das características mais notáveis do pensamento é sua capacidade de abstração e criatividade. 
O pensamento humano não se limita ao concreto; ele permite que as pessoas imaginem cenários 
futuros, criem soluções novas e inovadoras e desenvolvam ideias complexas que vão além das 
experiências imediatas.
Exemplo: na arte, na ciência ou em qualquer campo criativo, o pensamento permite que o indivíduo 
crie algo novo a partir da combinação de ideias e informações. A abstração permite pensar sobre conceitos 
e ideias não tangíveis, como o amor, a justiça ou a beleza.
Reflexão e autoconsciência
Outra característica distintiva do pensamento é sua capacidade de reflexão. O pensamento não 
se limita a processar informações externas, mas também permite que o indivíduo se autoconheça, 
reflita sobre suas próprias experiências, crenças e emoções. Esse processo de introspecção leva à 
autoconsciência, o que é fundamental para o crescimento pessoal e para a adaptação ao ambiente.
Exemplo: uma pessoa que passa por uma situação difícil pode refletir sobre suas reações e 
sentimentos, identificar padrões de comportamento e tomar decisões conscientes para melhorar sua 
maneira de lidar com situações semelhantes no futuro.
Modulação das emoções
O pensamento também é crucial na regulação das emoções. Enquanto as emoções são respostas 
rápidas e automáticas a estímulos, o pensamento pode influenciar a maneira como interpretamos 
esses estímulos e, assim, modificar a intensidade e a duração da resposta emocional. Esse processo de 
regulação emocional é muitas vezes mediado por pensamentos conscientes, como aquelas estratégias 
usadas por psicólogos.
Exemplo: alguém que está se sentindo ansioso pode usar o pensamento para reinterpretar a 
situação de maneira mais racional e menos ameaçadora, diminuindo o impacto emocional.
Distinção entre pensamento e funções elementares
Embora as funções elementares, como percepção, atenção e memória, sejam essenciais para coleta 
e processamento das informações, o pensamento é a função que dá sentido a essas informações, 
proporcionando integração, decisão, criatividade e reflexão. Em outras palavras, o pensamento utiliza 
as funções elementares como ferramentas para alcançar um objetivo ou gerar uma nova compreensão.
Exemplo: ao assistir a um filme, a percepção captura a imagem e o som, a memória pode trazer 
lembranças de filmes anteriores ou de temas abordados, a atenção foca nos detalhes mais importantes 
da trama. Mas é o pensamento que avalia o conteúdo do filme, analisa sua mensagem, decide se gostou 
ou não, e até mesmo reflete sobre como o filme se relaciona com a própria vida.
132
Unidade II
Flexibilidade cognitiva
O pensamento permite uma flexibilidade cognitiva, ou seja, a capacidade de adaptar o raciocínio 
a novas informações e contextos. Isso o torna uma função essencial para a aprendizagem e para a 
adaptação a novas situações, algo que não é tão fácil para as funções elementares mais automáticas, 
como a percepção ou a memória, que muitas vezes funcionam de maneira mais rígida (inflexível).
Exemplo: o indivíduo com capacidade de ajustar‑se diante das demandas do ambiente externo.
O pensamento se destaca entre as funções elementares do cérebro porque é a função integradora 
e reguladora que não só organiza as informações provenientes da percepção, memória e atenção, mas 
também permite planejar, avaliar, resolver problemas, tomar decisões e refletir sobre si mesmo e o mundo. 
Ele vai além do processamento automático, conferindo à mente humana uma capacidade única de 
imaginar, criar e, acima de tudo, compreender de maneira profunda e estruturada a realidade que nos cerca.
7.3 Localização cerebral
Pelo fato de o pensamento englobar vários processos e elementos sensoriais, podemos contar com a 
participação de todo o córtex cerebral como responsável pelo processo do pensamento.
Importante mencionar também a participação da substância cinzenta, que é composta por 
corpos celulares de neurônios, axônios e células da glia. A substância cinzenta compreende 50% da 
massa cerebral, correspondente às funções cognitivas gerais, dentre elas o pensamento.
A questão da localização do pensamento no cérebro tem sido um tema central na neurociência e na 
psicologia, embora a compreensão completa de onde o pensamento ocorre ainda seja um desafio, em 
razão da complexidade e da rede interconectada de áreas cerebrais envolvidas. No entanto, a ciência já 
identificou algumas regiões principais que desempenham papéis fundamentais na geração e organização 
dos processos de pensamento.
Córtex pré‑frontal
É a área do cérebro mais comumente associada ao pensamento, raciocínio, planejamento e tomada 
de decisões. Ele está localizado na parte frontal do cérebro, atrás da testa, e é essencial para as funções 
cognitivas superiores, que incluem:
• Planejamento e organização: planejamento de ações futuras e organização de tarefas.
• Tomada de decisões: avaliação das consequências de diferentes escolhas e decisões.
• Controle executivo: habilidade de controlar impulsos e tomar decisões conscientes.
133
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Resolução de problemas: capacidade de lidar com situações novas ou complexas, criando 
soluções para problemas.
• Pensamento abstrato: habilidade de lidar com conceitos que não são diretamente observáveis 
ou concretos.
Córtex parietal
O córtex parietal, localizado no topo do cérebro, também desempenha um papel importante no 
processamento de informações sensoriais e no raciocínio espacial. Ele está envolvido em processos que 
ajudam na organização do pensamento, especialmente em relação a manipulação mental de objetos, 
resolução de problemas matemáticos e coordenadas espaciais.
Córtex temporal
As regiões temporais, situadas nas laterais do cérebro, também estão associadas ao pensamento, 
especialmente em relação à memória e ao processamento semântico (relacionado ao significado de 
palavras, conceitos e símbolos). O hipocampo, localizado no córtex temporal, é essencial para a formação 
e recuperação de memórias, que são componentes‑chave dos processos de pensamento. Por exemplo:
• Memória de trabalho: utilizada para manter informações temporárias enquanto se pensa ou se 
resolve um problema.
• Reconhecimento de padrões: ajuda a identificar padrões passados para resolver problemas 
atuais ou tomar decisões.
Córtex occipital
Embora seja principalmente conhecido por sua associação com a visão, ele também desempenha 
um papel nas imagens mentais. O processamento visual contribui para o pensamento visual, ou seja, 
a capacidade de formar imagens mentais de objetos, cenas ou ideias sem a necessidade de uma 
representação física.
Sistema límbico
Embora seja mais comumente associado às emoções, ele também influenciao pensamento de 
maneira significativa, uma vez que as emoções e os processos cognitivos estão interligados. Estruturas 
como a amígdala e o hipocampo desempenham papéis cruciais na maneira como nossas emoções 
podem influenciar nossas decisões e pensamentos, assim como as memórias emocionais moldam nossa 
percepção e interpretação de situações.
134
Unidade II
Rede de modo padrão
Recentemente, estudos de neuroimagem identificaram a DMN, uma rede de regiões cerebrais que se 
ativa quando a pessoa não está focada em uma tarefa externa específica, como durante o pensamento 
autorreferente, a ruminação ou a reflexão interna. As áreas envolvidas incluem o córtex medial 
pré‑frontal, o córtex posterior cingulado e o precúneo. Esse sistema está relacionado com processos de 
introspecção, autoconsciência e imaginação.
Conexões e integração cerebral
O pensamento é um processo altamente distribuído e dinâmico que não se limita a uma única área do 
cérebro. Em vez disso, envolve a interação e a integração de várias regiões cerebrais. As conexões neuronais 
e a comunicação entre diferentes áreas do cérebro são cruciais para a elaboração do pensamento. A 
atividade cerebral relacionada ao pensamento envolve redes complexas de áreas que permitem desde a 
percepção e o processamento de informações até a construção de conceitos e decisões.
Localização funcional versus distribuição do pensamento
Embora possamos associar funções cognitivas específicas a áreas do cérebro (como o córtex 
pré‑frontal para o controle executivo e o planejamento), o pensamento em si não está confinado a uma 
única área. As funções cognitivas complexas, como reflexão, análise, memória e resolução de problemas, 
dependem da interação de várias regiões cerebrais. Além disso, a ideia de que o pensamento é localizado 
exclusivamente em determinadas áreas está sendo cada vez mais desafiada pela compreensão da 
neuroplasticidade – a capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões ao longo 
da vida, em resposta à experiência ou a lesões cerebrais.
Em resumo, o pensamento não tem uma localização única no cérebro, mas é mediado por várias 
áreas interconectadas que trabalham de forma integrada. A principal área envolvida é o córtex 
pré‑frontal, mas outras regiões, como o córtex temporal (para memória), o córtex parietal (para 
raciocínio espacial), o sistema límbico (para emoções) e a rede de modo padrão (para introspecção), 
também têm papéis importantes. O pensamento é, portanto, uma rede complexa e dinâmica de 
processos que dependem da comunicação entre diferentes áreas do cérebro.
7.4 Alterações psicopatológicas
Os transtornos relacionados ao pensamento são diversos e podem afetar o indivíduo de maneiras 
complexas. Eles envolvem distorções cognitivas, dificuldades na organização e lógica do pensamento, 
ou até mesmo a perda da capacidade de distinguir entre o real e o imaginário (como em delírios e 
alucinações). O impacto desses transtornos pode ser profundo, afetando a vida social, profissional 
e pessoal do indivíduo. A compreensão do funcionamento do pensamento e o diagnóstico precoce são 
fundamentais para a escolha de intervenções terapêuticas eficazes, que podem incluir psicoterapia, 
medicação e outras abordagens para restaurar um funcionamento cognitivo mais adaptativo.
135
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Dentre as alterações psicopatológicas do pensamento, podemos descrever os delírios, que são crenças 
(não modificadas por evidências em contrário) irreais (não compartilhadas culturalmente).
As ideias delirantes, ou delírio, são juízos patologicamente falsos. Dessa forma, o delírio é um erro 
do ajuizar que tem origem no adoecimento mental. Sua base é mórbida, pois ele é motivado por fatores 
patológicos (Jaspers, 1979).
Os delírios são considerados como um assalto à realidade e podem ser classificados em:
• Humor congruente ou incongruente.
• Convicção do paciente.
• Grau de organização/abrangência do delírio (estruturado/difuso ou encapsulado).
• O quanto afeta a vida do paciente.
• Caráter plausível ou bizarro.
• Conteúdo (persecutório/paranoide, somático, grandioso, celotípico, niilista, de culpa, ideias de 
referência, ideias de influência etc.).
As alterações do pensamento podem ser observadas em maior ou menor gravidade em diversos 
quadros psicopatológicos, em esquizofrenia, quadros maníacos, transtornos de personalidade, quadros 
demenciais, quadros de epilepsia, deficiência mental e em quadros depressivos. 
Esquizofrenia
O termo esquizofrenia vem de esquiz(o), cisão, e frenia, mente, e foi introduzido pelo psiquiatra suíço 
Eugen Bleuler em 1911, substituindo o termo “demência precoce”, sendo caracterizado pela cisão do 
pensamento, do afeto, da vontade e do sentimento subjetivo da personalidade (Silva, 2006).
Um dado importante é sobre o diagnóstico da esquizofrenia, que deve ser de exclusão – tem que 
descartar todas as possibilidades para depois chegar ao diagnóstico.
A esquizofrenia geralmente é diagnosticada no final da adolescência e início da vida adulta, entre 
a segunda e terceira década de vida. Os homens costumam apresentar os sintomas antes do que as 
mulheres, sendo geralmente a forma mais grave do transtorno.
136
Unidade II
 Saiba mais
Para saber mais sobre a esquizofrenia, sugerimos a leitura da indicação 
bibliográfica a seguir.
SHIRAKAWA, I. O ajustamento social na esquizofrenia. São Paulo: 
Lemos, 1999.
 
Os sintomas são subdivididos em positivos e negativos. Dentre os principais sintomas positivos 
temos: delírios, alucinações e alterações do pensamento. Já os principais sintomas negativos são: 
alterações da afetividade, diminuição da motivação e empobrecimento do conteúdo do pensamento.
Essas formas de sintomas têm sido correlacionadas com alterações funcionais em diferentes regiões 
cerebrais. A forma negativa foi associada a uma alteração de perfusão no córtex pré‑frontal (Razzouk; 
Shirakawa, 2015). Os sintomas positivos estão mais associados a alterações no lobo temporal médio.
Alucinações e delírios são frequentemente observados em algum momento durante o curso da 
esquizofrenia. As alucinações visuais ocorrem em 15%, as auditivas em 50% e as táteis em 5% de todos 
os sujeitos; e os delírios em mais de 90% deles (Pull, 2005).
O termo transtorno do pensamento na esquizofrenia refere‑se a uma doença no conteúdo, assim 
como na forma dos pensamentos do indivíduo. Os transtornos do conteúdo do pensamento são 
os delírios.
Os transtornos na forma de pensamento podem ser subdivididos em duas categorias: perturbação 
intrínseca do pensamento e transtorno na forma em que os pensamentos são expressos na linguagem 
e na fala. São exemplos a linguagem e o discurso desordenados, descarrilhamento, tangencialidade, 
neologismos, pobreza no conteúdo do discurso, incoerência, pressão da fala, fuga de ideias e fala 
retardada ou mutismo (Silva, 2006).
Pacientes com esquizofrenia apresentam déficit cognitivo em uma variedade de testes cognitivos. 
Eles denotam alterações neuropsicológicos em testes atencionais, de raciocínio lógico, velocidade 
psicomotora, memória, aprendizagem, habilidades motoras, sensoriais, perceptuais e resolução 
de problemas.
Esquizofrenia em gêmeos
Pesquisas realizadas com gêmeos monozigóticos e dizigóticos têm se mostrado úteis quando o 
objetivo é verificar o peso de variáveis genéticas e ambientais na constituição de uma habilidade ou de 
um comportamento desviante.
137
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Como a esquizofrenia é considerada resultante de herança multifatorial, ou seja, determinada 
simultaneamente por fatores genéticos e ambientais, as pesquisas que possibilitam comparar taxas 
de concordância e de correlação entre gêmeos monozigóticos e dizigóticos ajudam a determinar a 
extensão da influência genética sobre esse quadro psicopatológico.
Destacaremos a seguir alguns dos principais transtornos relacionados ao pensamento, seus 
sintomas e suas características.
Transtornos de pensamento desorganizado
Esses transtornosenvolvem uma dificuldade em organizar o pensamento de maneira coerente, o 
que pode resultar em uma comunicação confusa e incoerente, e em dificuldade para realizar tarefas 
cotidianas que exigem raciocínio lógico.
• Esquizofrenia
— Sintomas relacionados ao pensamento: um dos principais sintomas da esquizofrenia é o 
pensamento desorganizado, que pode se manifestar de várias formas, como:
– Discurso incoerente ou sem sentido: o paciente pode falar de forma que não faz sentido 
para quem está ouvindo, pulando de um tópico para outro sem conexão lógica.
– Dificuldade em manter um fluxo de pensamento: o pensamento se torna fragmentado, 
e o indivíduo pode ter dificuldades em sustentar uma linha de raciocínio.
– Delírios: crenças firmemente mantidas, mas falsas, que afetam o pensamento, como 
acreditar que está sendo perseguido ou que possui habilidades especiais.
• Transtorno esquizoafetivo: semelhante à esquizofrenia, mas com um componente de transtorno 
afetivo (como depressão ou mania), o pensamento desorganizado também pode estar presente, 
com episódios de delírios e alucinações, além de um raciocínio desorganizado.
• Transtornos de ansiedade: em alguns transtornos de ansiedade, como o TAG ou o transtorno 
obsessivo‑compulsivo (TOC), os padrões de pensamento podem se tornar disfuncionais e 
prejudiciais, influenciando diretamente o estado emocional da pessoa.
— Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
– Preocupação excessiva: a pessoa tende a pensar de forma excessiva e negativa sobre 
várias situações do cotidiano. Essas preocupações são irracionais e fora de proporção em 
relação à realidade, o que impede a pessoa de focar em outras tarefas.
– Pensamentos catastróficos: pensar constantemente no pior cenário possível, o que gera 
um ciclo de ansiedade e estresse.
138
Unidade II
— Transtorno obsessivo‑compulsivo (TOC)
– Pensamentos obsessivos: pensamentos repetitivos e indesejados (obsessões), como 
medo de contaminação, preocupação com simetria ou a necessidade de fazer algo de uma 
maneira específica.
– Comportamentos compulsivos: a pessoa sente a necessidade de realizar rituais 
ou comportamentos repetitivos (compulsões) para aliviar a ansiedade gerada pelos 
pensamentos obsessivos.
• Transtornos depressivos: na depressão, os padrões de pensamento muitas vezes se tornam 
negativos e autocríticos, com a pessoa tendo uma visão distorcida e pessimista sobre si mesma, o 
futuro e o mundo em geral.
— Transtorno depressivo maior
– Pensamentos negativos e automáticos: a pessoa pode ter pensamentos automáticos 
recorrentes, como “Eu sou inútil”, “Nada vai melhorar” ou “O futuro é sombrio”. Esses 
pensamentos distorcem a percepção da realidade e aumentam o sofrimento emocional.
– Ruminação: pensamento repetitivo e passivo sobre eventos negativos ou sobre questões 
sem solução, que perpetuam a tristeza e a desesperança.
Transtornos do espectro da esquizofrenia (esquizofrenia e outros)
Esses transtornos, que incluem a esquizofrenia e outros transtornos psicóticos, estão profundamente 
relacionados com alterações no processo de pensamento, como delírios e alucinações.
• Esquizofrenia
— Delírios: crenças irracionais e fixas, como acreditar que está sendo perseguido ou que se tem 
poderes especiais.
— Alucinações: experiências sensoriais sem base real, como ouvir vozes ou ver coisas que 
não existem.
— Pensamento desorganizado: como mencionado, o pensamento pode ser tão desorganizado 
que a pessoa tem dificuldades para se comunicar de maneira eficaz, resultando em discursos 
desconexos e ininteligíveis.
139
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Transtorno bipolar
O transtorno bipolar envolve episódios alternados de mania e depressão, e o pensamento pode ser 
alterado de acordo com o estado de humor.
• Episódios maníacos
— Pensamento acelerado: durante os episódios maníacos, a pessoa pode ter uma sensação 
de pensamento “acelerado”, no qual ideias surgem muito rapidamente e podem ser difíceis de 
acompanhar. Isso pode levar a decisões impulsivas e comportamentos de risco.
— Grandiosidade: pensamentos de superioridade ou de ter habilidades especiais que não 
correspondem à realidade.
• Episódios depressivos
— Pensamento negativo: durante os episódios depressivos, o pensamento é marcado por uma 
visão distorcida e pessimista da realidade, com a pessoa se concentrando em falhas e em 
uma visão negativa de si mesma.
Transtornos neurocognitivos
Os transtornos neurocognitivos, como a demência e a doença de Alzheimer, envolvem prejuízos no 
processo de pensamento, memória e habilidades cognitivas.
• Demência e doença de Alzheimer
— Perda de memória: a memória de curto e longo prazo é prejudicada, dificultando a recordação 
de informações e o planejamento de atividades cotidianas.
— Dificuldade de pensamento lógico: a capacidade de raciocinar de forma lógica e organizada 
se perde, resultando em confusão e dificuldades para realizar tarefas cotidianas.
— Desorientação: a pessoa pode se perder em lugares familiares e ter dificuldades para 
compreender o tempo e o espaço.
Transtornos de personalidade
Alguns transtornos de personalidade também envolvem padrões disfuncionais de pensamento, 
especialmente em relação à maneira como a pessoa interpreta as intenções dos outros e as situações 
ao seu redor.
• Transtorno de personalidade paranoide
— Pensamento distorcido: a pessoa tem uma tendência a interpretar as ações e palavras dos 
outros de forma paranoica, acreditando que está sendo manipulada ou perseguida, mesmo 
sem evidências claras para isso.
140
Unidade II
• Transtorno de personalidade borderline
— Pensamento dicotômico: tendência a pensar de maneira extremista, sem nuances 
intermediárias. A pessoa pode ver situações, pessoas e eventos como completamente bons ou 
completamente ruins, sem uma visão equilibrada.
Transtornos do espectro autista (TEA)
Pessoas com transtorno do espectro autista frequentemente apresentam diferenças no 
processamento de informações e no pensamento, especialmente no que diz respeito à flexibilidade 
cognitiva e à capacidade de generalizar informações.
• Dificuldades cognitivas no TEA
— Rigidez no pensamento: pessoas com TEA podem apresentar dificuldade em adaptar o 
pensamento a novas informações ou contextos, mostrando preferências por rotinas fixas e 
dificuldades para lidar com mudanças.
— Pensamento literal: pode haver uma tendência a interpretar as coisas de maneira muito 
literal, sem captar nuances de significado ou metáforas.
O modo como uma pessoa pensa pode fornecer pistas cruciais sobre os transtornos psicológicos 
que ela pode estar enfrentando. Por exemplo:
• Transtornos de ansiedade: pensamentos catastróficos ou distorções cognitivas, como “tudo vai 
dar errado”, podem ser um indicador de transtornos de ansiedade.
• Transtornos depressivos: padrões de pensamento negativos ou uma visão excessivamente 
negativa de si mesmo, dos outros ou do futuro são características comuns.
• TOC: a presença de pensamentos intrusivos, repetitivos e irracionais pode ser um sinal importante.
Além disso, a ruminação, que é um processo de pensar repetidamente sobre algo negativo, também 
é um indicador importante de transtornos emocionais e deve ser investigada no psicodiagnóstico.
Identificação de padrões cognitivos e emocionais
O pensamento está intimamente relacionado ao funcionamento emocional de uma pessoa. Muitas 
vezes, a forma como alguém pensa pode influenciar suas emoções e vice‑versa. Ao investigar o pensamento, 
o psicodiagnóstico pode ajudar a identificar distúrbios emocionais ou padrões cognitivo‑emocionais 
disfuncionais, como:
141
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Crenças limitantes: padrões de pensamento negativos que limitam a ação ou a capacidade de 
lidar com desafios.
• Crenças irracionais: pensamentos automáticos negativos que distorcem a realidade, comuns em 
diversas psicopatologias.
Construção do relacionamento terapêutico
O entendimento do pensamento do paciente também é fundamental para o estabelecimentode 
uma relação terapêutica eficaz. O psicólogo precisa compreender a forma como o paciente organiza 
suas ideias, expressa seus sentimentos e constrói narrativas, ajudando a ajustar a intervenção conforme 
as necessidades cognitivas e emocionais da pessoa.
Prevenção e intervenção
Compreender o pensamento de uma pessoa no psicodiagnóstico é essencial não apenas para 
diagnosticar, mas também para planejar uma intervenção eficaz. Identificar distorções cognitivas e 
falhas no raciocínio permite que o psicólogo use técnicas terapêuticas para ajudar o paciente a modificar 
esses padrões e melhorar sua saúde mental.
A genética e o pensamento estão intrinsecamente relacionados, mas essa relação é complexa e 
multifacetada. A genética influencia o desenvolvimento do cérebro, as capacidades cognitivas e os 
estilos de pensamento, e pode predispor indivíduos a transtornos relacionados ao pensamento, 
como esquizofrenia, transtornos de ansiedade e TDAH. No entanto, a interação entre genes e ambiente 
é crucial. O ambiente em que a pessoa cresce, suas experiências de vida e os estímulos ao longo da vida 
podem modificar a maneira como a genética se expressa, afetando diretamente o desenvolvimento e a 
modulação do pensamento.
A relação entre pensamento e genética envolve a interação complexa entre os fatores genéticos 
e o ambiente na formação e no funcionamento das funções cognitivas, incluindo o pensamento. 
A genética pode influenciar de várias maneiras como uma pessoa pensa, processa informações, resolve 
problemas e regula suas emoções. Ao mesmo tempo, o ambiente também desempenha um papel crucial 
na modulação dessas funções ao longo da vida.
Genética e desenvolvimento cognitivo
O pensamento é uma função cognitiva complexa que depende do desenvolvimento e da organização 
das redes neuronais no cérebro. Os genes desempenham um papel fundamental no desenvolvimento 
inicial do cérebro e na formação das conexões sinápticas, influenciando aspectos como a memória, a 
atenção, a capacidade de raciocínio e a velocidade de processamento cognitivo. O desenvolvimento 
dessas funções é, em parte, determinado pela herança genética.
142
Unidade II
Exemplos de influência genética no desenvolvimento cognitivo:
• Inteligência: embora a inteligência seja influenciada por muitos fatores, há um componente 
genético significativo. Estudos com gêmeos indicam que a hereditariedade pode contribuir em cerca 
de 50 a 80% da variação na inteligência. Genes que afetam o desenvolvimento cerebral, como 
aqueles relacionados à formação de sinapses e à plasticidade neuronal, têm impacto na cognição e 
no pensamento.
• Desenvolvimento do córtex pré‑frontal: o córtex pré‑frontal é uma área do cérebro crucial 
para funções como planejamento, tomada de decisão e resolução de problemas. A herança 
genética pode influenciar a estrutura e a funcionalidade dessa região, afetando o raciocínio 
lógico e a capacidade de pensar de forma abstrata.
Genética e processos de pensamento
A genética não apenas influencia o desenvolvimento do cérebro, mas também pode afetar 
diretamente a velocidade, a eficiência e a organização do pensamento. Os processos de atenção, 
memória de trabalho e raciocínio lógico podem ser influenciados por variantes genéticas que afetam a 
função dos neurotransmissores, a conectividade cerebral e a plasticidade neuronal.
Os neurotransmissores são um exemplo de influência genética sobre o pensamento. Eles são genes 
que afetam a produção e a regulação de neurotransmissores como dopamina, serotonina e glutamato 
e têm um impacto direto nas funções cognitivas. Por exemplo, variações no gene da dopamina (DRD4) 
estão associadas a diferenças na atenção, impulsividade e capacidade de resolução de problemas. Pessoas 
com certas variantes desses genes podem ter maior ou menor capacidade de focar a atenção e realizar 
tarefas que exigem raciocínio lógico.
Transtornos psicológicos e genética
Vários transtornos do pensamento, como esquizofrenia, transtorno bipolar e transtornos de 
ansiedade, têm uma base genética, o que significa que certos padrões de pensamento disfuncionais 
podem ser mais comuns em pessoas com uma predisposição genética específica. A interação entre 
fatores genéticos e ambientais pode levar ao aparecimento de transtornos relacionados ao pensamento. 
Alguns exemplos são a esquizofrenia e o TDAH.
A esquizofrenia é um transtorno psicológico que envolve graves alterações no pensamento, como 
delírios, alucinações e pensamento desorganizado. Estudos mostram que a hereditariedade desempenha 
um papel significativo no risco de desenvolver esquizofrenia. Indivíduos com parente de primeiro 
grau com esquizofrenia têm um risco significativamente maior de desenvolver o transtorno. Genes 
específicos, como os envolvidos na função da dopamina (que afeta a comunicação entre os neurônios), 
estão implicados na esquizofrenia e em outras condições psicóticas que acometem o pensamento.
143
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
O TDAH é um transtorno frequentemente associado a dificuldades de concentração, organização do 
pensamento e controle dos impulsos. Existe uma forte base genética nesse transtorno, com estudos de 
gêmeos e familiares mostrando uma alta taxa de hereditariedade. A genética pode influenciar como o 
cérebro processa a informação, a velocidade de processamento e a regulação da atenção, afetando a 
capacidade de pensar de maneira organizada e focada.
Genes e estilos cognitivos
A herança genética também pode afetar estilos cognitivos, que são padrões preferenciais de 
pensamento e processamento de informações. Algumas pessoas podem ter uma tendência genética 
para ser mais analíticas, enquanto outras podem ser mais criativas ou intuitivas. Esses estilos influenciam 
a maneira como cada indivíduo lida com problemas, toma decisões e encara novas informações.
Exemplo de estilo cognitivo: a criatividade, que está intimamente ligada à capacidade de pensar de 
maneira inovadora e gerar novas ideias, também tem uma base genética. Algumas variantes genéticas 
podem favorecer a flexibilidade cognitiva, que é a capacidade de adaptar‑se rapidamente a novas 
situações ou gerar soluções novas para problemas complexos.
Genética, epigenética e plasticidade cerebral
A genética não determina de maneira fixa o funcionamento do pensamento. O conceito de 
epigenética nos mostra que fatores ambientais podem interagir com a expressão dos genes ao longo 
da vida. Fatores como a educação, o estresse, a nutrição e o ambiente social podem modificar a maneira 
como os genes se expressam, influenciando as funções cognitivas e os padrões de pensamento.
O ambiente pode alterar a forma como os genes responsáveis pela produção de neurotransmissores 
ou pela formação de conexões sinápticas são ativados. Por exemplo, uma criança que cresce em 
um ambiente altamente estimulante e saudável pode ter um desenvolvimento cognitivo mais forte, 
com um pensamento mais flexível e rápido, devido a mudanças na expressão genética causadas por 
esse ambiente.
Interação genética e ambiental
A interação entre a genética e o ambiente é fundamental para entender como o pensamento se 
desenvolve e se mantém ao longo da vida. Uma pessoa pode ter uma predisposição genética para um 
estilo de pensamento específico ou para um transtorno cognitivo, mas essa predisposição pode ser 
modulada ou amplificada por experiências de vida, educação e outros fatores ambientais.
Exemplo de interação gene‑ambiente: uma pessoa com uma predisposição genética para 
ansiedade (exemplo: variantes genéticas que afetam o sistema serotonérgico) pode ter um risco maior 
de desenvolver pensamentos catastróficos e preocupações excessivas. No entanto, se essa pessoa cresce 
em um ambiente em que há suporte emocional adequado e técnicas de enfrentamento saudáveis, a 
expressão dessa predisposição pode ser atenuada, e o risco de desenvolver um transtorno de ansiedade 
pode ser reduzido.
144
Unidade II
8 LINGUAGEM
8.1 Definição com a finalidade diagnóstica
Dentre todasas funções cognitivas, sem dúvidas a linguagem é uma atividade específica do ser 
humano, o principal instrumento para comunicação. Muitos seres vivos, incluindo os animais, têm 
formas específicas de se comunicar, muitas vezes de maneira rudimentar; porém, a linguagem falada é 
de exclusividade do ser humano.
A definição de linguagem pode ser abordada de diferentes perspectivas, dependendo do campo de 
estudo (linguística, filosofia, psicologia etc.). No entanto, de maneira geral, a linguagem é entendida 
como um sistema de comunicação composto por símbolos, como palavras, gestos ou sinais, que são 
utilizados para expressar significados, pensamentos, ideias e sentimentos entre os seres humanos. 
A seguir, veja algumas definições de linguagem de diferentes perspectivas.
• Linguística: segundo Bally (2006 apud Saussure, 2006), a linguagem é vista como um sistema 
de significados e símbolos que são organizados de acordo com regras gramaticais. A linguística 
estuda como os seres humanos produzem, entendem e interpretam essas mensagens. 
Uma definição clássica de linguagem na linguística vem de Ferdinand de Saussure, que a definiu 
como um sistema de signos compostos por duas partes: o significado (o conceito) e o significante 
(o som ou o símbolo).
• Filosofia: a linguagem é frequentemente entendida como uma ferramenta através da qual 
construímos a realidade e compartilhamos conhecimento. Alguns filósofos, como Ludwig 
Wittgenstein, argumentaram que o significado das palavras está enraizado em contextos sociais 
e práticos de uso, e não apenas em definições fixas (Pereira; Belisário, 2021).
• Psicologia: a linguagem é estudada como uma função cognitiva que permite aos seres humanos 
expressar emoções, pensamentos e realizar comunicação social. A linguagem é vista também 
como um meio de organizar e processar informações mentalmente (Chomsky, 1997).
• Antropologia: a linguagem é vista como parte central da cultura humana e é utilizada para 
transmitir valores, costumes e tradições de geração para geração. A linguagem é, portanto, uma 
ferramenta de socialização e identidade (Godoy; Santos, 2014).
• Definição comum: de forma mais acessível e geral, a linguagem pode ser definida como um 
sistema de símbolos, como palavras, gestos ou sinais, utilizados para expressar pensamentos, 
sentimentos e informações de maneira estruturada, visando à comunicação entre os indivíduos 
(Chomsky, 1997).
145
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Destacam‑se a seguir as características principais da linguagem: 
• Comunicativa: seu principal propósito é transmitir e compartilhar significados.
• Estruturada: segue regras gramaticais e sintáticas para formar sentenças e mensagens.
• Simbólica: utiliza símbolos (palavras, sons e gestos) para representar ideias e conceitos.
• Cognitiva e social: está ligada ao processamento mental, mas também à interação social 
e cultural.
Portanto, dependendo da área de estudo, a definição e a função da linguagem podem variar, mas, em 
todos os casos, ela é considerada fundamental para a interação humana, o pensamento e a construção 
de significados.
A linguagem é um exemplo de função cortical sustentada por uma estrutura anatomofuncional 
geneticamente determinada por um estímulo verbal que depende do ambiente (Castaño, 2003).
No processo de linguagem, existem três elementos essenciais: o semântico, que se refere ao significado 
das palavras; o fonético, referente à produção e à percepção dos sons; e o sintático, que envolve o 
conjunto de regras que determinam a articulação lógica das diversas palavras (Dalgalarrondo, 2000).
Partindo desse pressuposto, nos leva a pensar que novamente áreas cerebrais são responsáveis por 
essa atividade tão importante nas nossas vidas. Acentuaremos a seguir como ocorre o processo de 
aquisição da linguagem. 
Fase pré‑linguística
É uma etapa fundamental no processo de aquisição da linguagem, pois prepara a criança para as 
fases seguintes, em que ela utilizará palavras e construirá frases com significado. Durante esse estágio, 
o bebê desenvolve uma base fisiológica (controle motor oral) e perceptiva (reconhecimento de filhos 
e  padrões linguísticos) que permite o aprendizado de uma língua mais estruturada. Essa fase está 
marcada para uma exploração ativa da língua.
No primeiro mês, há apenas gritos, e, a partir do segundo mês de vida, começam os sons culturais. 
Há alguns anos, pesquisadores queriam entender como os bebês se comunicavam, porque na época 
houve um vídeo que viralizou na internet, em que dois bebês estavam conversando, sendo que um 
falava algo, e o outro respondia, o que gerou a dúvida: “os bebês se entendem?”.
A seguir, estão descritas as fases de aquisição da linguagem.
• Três meses: expressões sonoras sem fala, os chamados balbucios. Os bebês balbuciam, produzem 
sons semelhantes à fala, mas sem significado (Gil, 2002).
146
Unidade II
• Oito meses: começam as primeiras articulações, que são as palavras simples, seguindo para a 
produção de palavras reais.
• Um ano: início da compreensão da linguagem. Aprendem formas mais complexas de linguagem, 
produzem combinações de duas palavras (as unidades de construção de sentenças) e aumentam 
acentuadamente o número de palavras diferentes que são capazes de usar.
• Dois anos: começa a fase linguística, que se refere às palavras‑frases. Nessa idade, uma criança 
já tem um vocabulário médio de 50 palavras (após seis meses, aumenta para uma centena 
de palavras).
• Três anos: as crianças começam a formar plurais, acrescentando o s a nomes, e a formar o tempo 
pretérito acrescentando “ou” aos verbos (Feldman, 2015).
• Entre 5 e 6 anos: ocorre a organização básica da linguagem.
É importante ressaltar que essa é uma estimativa do desenvolvimento da aquisição da linguagem, e 
pode haver diferenças entre os indivíduos nesse processo, o que não significa que a pessoa possa estar 
com problemas se não seguir esse modelo básico.
Na prática clínica, durante a entrevista de anamnese para um processo de avaliação neuropsicológica, 
é comum questionarmos as mães sobre o desenvolvimento neuropsicomotor de seus filhos, sobretudo 
a linguagem, e algumas mães têm o hábito de responder: “Normal” – cabe questionar o que é 
normal para elas.
O ambiente representa muito para o processo de aquisição da linguagem, mas não podemos esquecer 
de falar sobre a questão cerebral presente nesse desenvolvimento.
O processo da linguagem é bastante complexo e envolve uma rede de neurônios distribuída entre 
diferentes regiões cerebrais. Em contato com os sons do ambiente, a fala engloba múltiplos sons que 
ocorrem simultaneamente, em várias frequências e com rápidas transições entre estas.
O ouvido tem de sintonizar este sinal auditivo complexo, decodificá‑lo e transformá‑lo em impulsos 
elétricos, os quais são conduzidos por células nervosas à área auditiva do córtex cerebral, no lobo 
temporal. O lobo, então, reprocessa os impulsos, transmite‑os às áreas da linguagem e provavelmente 
armazena a versão do sinal acústico por um certo período de tempo (Castaño, 2003).
De modo geral, a linguagem se desenvolve acompanhando a maturação cerebral, o meio ambiente 
e as relações interpessoais, inicialmente no meio familiar. Porém, não podemos deixar de mencionar 
também a participação da audição, que deve estar intacta para que as palavras sejam entendidas.
Um exame muito comum que deve ser realizado para investigar se a criança está compreendendo 
bem as informações verbais é o processamento auditivo central (PAC), que, em algumas situações, é um 
dos problemas encontrados na dislexia.
147
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
O PAC diz respeito a como os indivíduos analisam as informações acústicas que são recebidas via 
audição. Essa função atua no desenvolvimento da linguagem e das habilidades acadêmicas e também 
faz parte do processo de comunicação. O processamento auditivo depende de atividades sofisticadas do 
sistema nervoso auditivo central e do cérebro, bem como se desenvolve por meio de experiênciasvividas 
no mundo sonoro nos primeiros anos de vida (Bevilacqua et al., 2011).
Esse transtorno pode gerar inúmeros problemas no processo ensino‑aprendizagem, pois se refere 
a déficits para o processamento de palavras ouvidas que não estão atribuídos à perda auditiva nem ao 
déficit intelectual. Ocorre quando há dificuldades em uma ou mais habilidades auditivas necessárias 
para o correto processamento das informações sonoras. Esse distúrbio faz com que aconteça uma 
dificuldade na interpretação dos padrões sonoros, prejudicando o indivíduo ao atender, discriminar, 
reconhecer, recordar e/ou compreender informações apresentadas aos canais auditivos, ocasionando 
prejuízos na compreensão das informações, alterações no comportamento e dificuldades acadêmicas 
(Martins; Pinheiro; Blasi, 2008).
Existem algumas divergências para explicar como ocorre o processo de aquisição da linguagem, 
principalmente em crianças. Alguns estudiosos descrevem que a linguagem se forma através da teoria 
da aprendizagem, outros defendem a ideia de que se trata de um processo inato, e outros pontuam uma 
certa combinação entre as duas.
A abordagem da teoria da aprendizagem (baseada na aprendizagem operante de Skinner) propõe 
que a aquisição da linguagem segue os princípios do reforço e condicionamento descobertos por 
psicólogos que estudam a aprendizagem (Feldman, 2015).
O linguista Noam Chomsky defende a teoria da capacidade inata. O desenvolvimento da linguagem 
não é ser apenas “preenchido” com os tipos certos de experiências. As crianças adquirem palavras e 
gramáticas não ensinadas em uma velocidade extraordinária demais para ser explicada apenas por 
princípios de aprendizagem. Elas criam diversos tipos de frases que nunca ouviram e às vezes com novos 
erros. Nenhum pai ou mãe ensina a frase: “Eu odeio você, papai”. Além disso, muitos dos erros que as 
crianças pequenas cometem resultam da supergeneralização das regras gramaticais lógicas, tais como 
adicionar eu a todas as formas verbais do passado (Myers, 2015).
A abordagem interacionista (combinação entre as duas) pressupõe que o desenvolvimento da 
linguagem é produzido por uma combinação de predisposições genéticas determinadas e interações 
ambientais que ajudam no processo do ensino da linguagem.
A ênfase de Skinner no aprendizado ajuda a explicar como as crianças adquirem a linguagem pela 
interação com outras pessoas. A ênfase de Chomsky na predisposição inata para aprender as regras 
gramaticais explica por que as crianças em idade pré‑escolar adquirem a linguagem tão prontamente 
e usam tão bem a gramática. Uma vez mais vemos a biologia e a experiência trabalhando juntas 
(Myers, 2015).
148
Unidade II
Outro ponto importante se refere à lateralização hemisférica da linguagem, ou seja, em qual lado 
do cérebro está a linguagem do indivíduo – no lado direito ou esquerdo. Essa informação é de extrema 
relevância num processo de avaliação neuropsicológica, pois serve como base para interpretações das 
alterações que podem ser observadas no resultado dos testes que são aplicados.
A lateralização das funções linguísticas num hemisfério se organiza entre 14 meses e 2 anos e se 
consolida progressivamente até o período pubertário, sobretudo entre 3 e 10 anos (Gil, 2002).
Lembrando que no cérebro as informações são sempre cruzadas, ou seja, tudo que ocorre em um 
lado cerebral se manifesta corporalmente no outro. No caso, se ocorre um acidente vascular encefálico 
no lado esquerdo, o lado direito será afetado no processo da linguagem. O mesmo caso ocorre em 
problemas de linguagem e em algumas disfunções físicas.
O hemisfério dominante é sempre considerado o verbal, e o não dominante é o visual. Cerca de 
97% dos indivíduos destros têm a dominância em hemisfério esquerdo, nos 3% restantes pode ser 
bilateral (ou seja, a linguagem está nos dois lados) ou à direita. Com relação aos canhotos, 70% têm a 
dominância à esquerda, enquanto os 30% restantes têm dominância bilateral ou em hemisfério direito.
Como dito anteriormente, essa informação se torna relevante num processo de avaliação, porque 
pode auxiliar num processo de neurocirurgia.
Em muitas avaliações de pacientes com quadro de epilepsia, consta no pedido médico que um dos 
objetivos da avaliação solicitada pelo neurocirurgião é determinar a área da linguagem (lado direito ou 
esquerdo), pois, numa crise parcial simples, o paciente tem consciência de tudo que está acontecendo a 
sua volta, apenas não consegue se comunicar, já que numa crise parcial complexa não há consciência, ou 
seja, uma perda total da responsividade. Nesse caso, a atuação do profissional de psicologia é auxiliar 
o neurocirurgião ao realizar uma lobectomia, para não expandir demais a retirada da lesão, porque, 
caso o paciente tenha uma epilepsia de lobo temporal e a lesão esteja próximo da área da linguagem, 
pode gerar problemas, inclusive a perda da fala.
A organização da linguagem para distribuição de informação envolve duas estruturas: uma 
expressiva, que é responsável pela articulação verbal, e uma receptiva, que comporta a audição e a 
compreensão da linguagem.
Em primeiro lugar, existe a fala expressiva, que começa com o motivo ou a ideia geral da expressão; 
depois, é codificada em um esquema de fala e posta em operação com o auxílio da fala interna; 
finalmente, esses esquemas são convertidos em fala narrativa, baseada em uma gramática “generativa”. 
Em segundo lugar, há a fala receptiva, que segue o curso oposto, começando pela percepção de um 
fluxo de fala recebido de outra fonte, processo esse seguido por tentativas de decodificar o referido fluxo; 
isso é feito por análise da expressão falada percebida, identificação de seus elementos significativos e 
redução desses elementos a um determinado esquema de fala; este, por meio da mesma fala interna, 
é convertido na ideia geral do esquema que permeia a expressão; finalmente, o motivo por trás da 
expressão é decodificado (Luria, 1981).
149
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
A literatura neuropsicológica produzida nas últimas décadas sobre a organização cerebral e o 
processamento da linguagem dedica‑se a formular hipóteses sobre os mecanismos responsáveis por 
sua aquisição e seu desenvolvimento, pela busca e seleção de palavras ou da morfologia (flexional e 
funcional), pelas regras gramaticais mobilizadas para a produção e compreensão da língua(gem), entre 
outros (Pinto; Santana, 2009).
8.1.1 Área de Broca
Descrita em 1861 por Paul Pierre Broca, a área de Broca é responsável pela expressão da linguagem 
falada, dirigindo os movimentos musculares envolvidos na fala, localizados no giro frontal inferior do 
cérebro (geralmente no hemisfério esquerdo).
Broca (1861 apud Georgeto et al., 2016) chegou a essa conclusão quando atendeu um paciente 
chamado M. Leborgne, que sofria de um quadro de epilepsia, em que tinha uma compreensão da 
linguagem falada, porém respondia tudo com a palavra “Tan”.
Com a morte desse paciente, a família autorizou que Broca realizasse a necrópsia do seu cérebro, e 
ele identificou uma lesão no lobo temporal esquerdo, próximo à terceira circunvolução frontal.
Com o surgimento de outros pacientes, com a mesma alteração e com outras pesquisas realizadas, a 
partir desse momento a área da linguagem falada ficou atribuída a essa área.
A principal função da área de Broca está relacionada à produção da fala. Isso inclui:
• Planejamento e coordenação muscular para a fala: a área de Broca está envolvida no controle 
dos músculos que são necessários para a articulação das palavras, como os músculos da laringe, 
boca e língua.
• Sintaxe e gramática: a área de Broca também é crucial para o processamento sintático, ou seja, 
para a construção de frases e a organização gramatical da linguagem.
• Expressão verbal: ela é essencial para a capacidade de expressar pensamentos de forma verbal.
A função da área de Broca é predominantemente aplicada ao hemisfério esquerdo, mas, em 
algumas pessoas, especialmente aquelas que são canhotas ou possuem— Instinto: geralmente direcionado a comportamentos básicos e de sobrevivência, como 
alimentação, reprodução, defesa e proteção.
— Motivação: vai além dos comportamentos básicos e pode envolver metas complexas, como 
realização pessoal, educação, desenvolvimento profissional ou artístico.
• Reação versus iniciativa
— Instinto: é uma resposta direta a um estímulo externo ou uma necessidade interna, como 
fome ou sede.
— Motivação: implica iniciativa e direcionamento de esforços para alcançar um objetivo, podendo 
envolver planejamento e ações em longo prazo.
Interseção entre instinto e motivação
Embora sejam distintos, instinto e motivação podem se sobrepor em certas situações, especialmente 
quando as motivações estão relacionadas a necessidades biológicas ou de sobrevivência. Na fome, por 
exemplo, o instinto seria o fato de que, ao sentir fome, uma pessoa terá o instinto básico de buscar 
comida; enquanto a motivação se daria pela forma como a pessoa decide saciar sua fome, onde 
buscar comida e escolher alimentos saudáveis ou não, o que vai além do simples instinto.
5.1.2 Teoria da redução do impulso
A teoria da redução do impulso, desenvolvida pelo psicólogo behaviorista Clark Hull em 1943, é 
uma teoria motivacional que sugere que o comportamento humano é impulsionado por necessidades 
biológicas que criam estados de tensão. Segundo Hull (1943 apud Abreu et al., 2020) essas 
necessidades geram um impulso, que é uma sensação de desconforto ou tensão interna, levando 
o indivíduo a agir para reduzir esse estado de tensão e restaurar o equilíbrio interno (homeostase). 
A seguir reunimos os pontos principais dessa teoria.
• Necessidades biológicas: quando o corpo tem uma necessidade, como fome, sede ou sono, isso 
cria um impulso.
91
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Impulso: é uma forma de energia psicológica que motiva o comportamento para satisfazer a 
necessidade. Ele é considerado uma força interna que “impulsiona” a ação.
• Redução do impulso: o objetivo de qualquer comportamento motivado pelo impulso é reduzir 
essa tensão interna. Por exemplo, se uma pessoa está com fome, ela busca comida para reduzir o 
impulso da fome.
• Homeostase: a ideia central é que o organismo busca manter um estado de equilíbrio interno, e 
o impulso surge quando esse equilíbrio é perturbado.
• Reforço: comportamentos que reduzem o impulso são reforçados. Conforme Hull (1943 apud 
Abreu et al., 2020), o aprendizado ocorre quando uma resposta é seguida pela redução do impulso, 
o que fortalece a probabilidade de que esse comportamento seja repetido no futuro.
Quando uma necessidade fisiológica aumenta, o impulso psicológico também tende a ser 
mais intenso, o que gera um estado de excitação motivado. Tomando como base tal conceito, todas as 
reações ou necessidades do nosso organismo, seja por alimento ou água, geram um estado de tensão 
ou estímulo, chamado de impulso.
De acordo com a teoria de redução de impulso, o comportamento motivado é uma tentativa 
de reduzir esse desagradável estado de tensão do corpo e fazer com que ele retorne ao estado de 
homeostase ou equilíbrio (Morris; Maisto, 2004).
Isso significa que, diante da necessidade fisiológica, iremos buscar o que vai reduzir a tensão do 
corpo. Por exemplo, se estamos com fome, iremos procurar o alimento; se estivermos com sede, a água 
será a nossa busca; se estivermos cansados, um lugar para repousar etc.
Os impulsos podem ser separados em duas categorias distintas: os primários e os secundários. 
Os primários são inatos, encontrados em todos os animais (inclusive seres humanos) e motivam 
comportamentos vitais para a sobrevivência de um indivíduo ou de uma espécie. Nessa categoria, estão 
a fome, a sede e o sexo. Já os secundários são adquiridos por meio da aprendizagem, e, nessa categoria, 
podemos citar o desejo de obter boas notas na escola ou ter sucesso na carreira (Morris; Maisto, 2004).
A homeostase, que deriva da junção dos termos gregos homeo (que significa igual) e stasis 
(que pode ser definido como estático ou constante), é um estado interno (Nolen‑Hoeksema et al., 
2012). Pode ser associada a uma manutenção de um estado interno estável; estado de equilíbrio ou 
estabilidade fisiológica. Os processos de controle homeostático podem ser por fatores psicológicos, 
por processos fisiológicos ou até mesmo de ordem mecânica. Podemos citar a temperatura corporal, 
que precisa da homeostase, porque, se estivermos diante de um sol muito forte em um ambiente 
muito abafado, sentiremos desconforto, da mesma forma que, se estivermos expostos ao tempo frio, 
poderemos sofrer uma hipotermia.
92
Unidade II
O nosso cérebro também precisa de uma temperatura normal. Se tivermos uma queda de 10 °C, 
perderemos a consciência; da mesma forma que, se a temperatura subir também em cerca de 10 °C, o 
indivíduo vem a óbito. Todas as respostas psicológicas ou fisiológicas partem da nossa atividade cerebral 
porque é dentro do cérebro que a temperatura será detectada e as reações serão evocadas, como suor, 
tremor, frio, calor etc.
5.1.3 Teoria do incentivo
Segundo Britto (1999), a teoria do incentivo é uma teoria motivacional que sugere que os 
comportamentos são motivados pela busca de recompensas externas ou incentivos, ao invés de apenas 
por necessidades fisiológicas internas (como na teoria da redução do impulso). Essa teoria enfatiza 
o papel dos estímulos externos na motivação do comportamento. Os principais pontos da teoria do 
incentivo incluem:
• Incentivos externos: diferentemente da teoria da redução do impulso, que se concentra nas 
necessidades internas e biológicas, a teoria do incentivo sugere que os comportamentos são 
dirigidos por recompensas externas. Um incentivo pode ser qualquer coisa que atrai ou repele o 
indivíduo – por exemplo: dinheiro, elogios, comida ou reconhecimento social.
• Recompensa e motivação: quanto mais atraente ou valioso for o incentivo, maior será a 
motivação para realizar o comportamento. Um incentivo pode aumentar a probabilidade 
de um comportamento ocorrer, mesmo que não haja uma necessidade fisiológica imediata 
a ser satisfeita.
• Expectativa: um elemento importante da teoria é que a motivação para perseguir um 
incentivo depende da expectativa que a pessoa tem de que seu comportamento levará à recompensa 
desejada. Ou seja, o comportamento é motivado pela crença de que ela será bem‑sucedida em 
alcançar o incentivo.
• Reforço positivo: assim como na teoria do condicionamento operante de B. F. Skinner, 
a recompensa funciona como um reforçador positivo, fortalecendo a associação entre 
o comportamento e o resultado. Quando uma pessoa recebe uma recompensa por 
determinado comportamento, a tendência é que esse comportamento seja repetido no futuro.
• Motivação intrínseca versus extrínseca: a teoria do incentivo geralmente se refere à motivação 
extrínseca (motivado por recompensas externas). No entanto, há uma distinção importante entre 
motivação extrínseca (agir para obter uma recompensa externa) e motivação intrínseca (agir por 
prazer ou interesse pessoal, sem a expectativa de recompensa externa).
Nas nossas atividades diárias, somos determinados a atuar pelas nossas necessidades, mas 
também somos pressionados pelos incentivos, que podem trazer um prazer ou minimizar um estado 
desagradável. Os incentivos são considerados estímulos ambientais positivos ou negativos que motivam 
o comportamento.
93
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Não apenas somos empurrados por nossas “necessidades” a reduzir os impulsos, somos também 
puxados pelos incentivos – estímulos positivos ou negativos que nos atraem ou repelem. Esse é um 
modo pelo qual nossas histórias de aprendizagem individual influenciam nossos motivos. Dependendo 
de nossa aprendizagem, o aroma de uma boa comida, seja amendoim recém‑torrado ou formigas 
tostadas, pode motivar nosso comportamento. Da mesma forma, isso acontece em relação a pessoas que 
achamos atraentes ou ameaçadoras (Myers, 2015).
Alguns comportamentos motivadoslateralização atípica, pode 
ocorrer no hemisfério direito. Além disso, embora a área de Broca esteja principalmente envolvida com 
a linguagem falada, há algumas evidências de que ela também tem uma função em outras formas de 
expressão e comunicação, como a linguagem gestual.
150
Unidade II
8.1.2 Área de Wernicke
Descrita em 1874 por Carl Wernicke, é conhecida como o centro da linguagem receptiva, responsável 
pela compreensão da linguagem falada e escrita, localizada no terço posterior do giro temporal superior 
do cérebro (normalmente no lobo temporal esquerdo).
A função principal da área de Wernicke é relacionada à compreensão da linguagem, ou seja, ao processo 
de decodificar o significado das palavras e frases. Ela está envolvida na interpretação de palavras faladas 
e escritas, no reconhecimento dos filhos da fala e na atribuição de significado a essas palavras, tornando 
possível entender o que está sendo dito. Além disso, a área de Wernicke contribui para a produção de 
linguagem fluente – ou seja, uma fala coerente e com estrutura, embora nem sempre tenha sentido se 
houver lesão nessa área.
As áreas de Broca e Wernicke estão conectadas por um feixe de fibras nervosas chamado fascículo 
arqueado. Esse feixe é responsável por permitir que as informações linguísticas sejam transmitidas entre 
as duas áreas, facilitando a produção e a compreensão da linguagem de forma integrada.
• Área de Broca: envolvida principalmente na produção de fala e na organização gramatical.
• Área de Wernicke: envolvida na compreensão da linguagem e na formação de significados.
Em conjunto, essas áreas permitem que uma pessoa compreenda e produza linguagem de maneira 
fluente e consistente. Quando uma dessas áreas sofre danos, pode haver prejuízos na capacidade 
de comunicação.
Embora a área de Wernicke seja primariamente associada à compreensão da fala, ela também 
pode desempenhar um papel importante na produção escrita e na compreensão de textos escritos. 
Em algumas pessoas, as lesões que afetam essa área podem resultar em dificuldades não apenas na fala, 
mas também na leitura e na escrita.
8.2 Função psíquica e suas alterações
As alterações da linguagem são geralmente secundárias à lesão neuronal que pode ser identificada. 
Em 1836, Dax percebe a relação de distúrbios da linguagem e lesões no hemisfério esquerdo. E, em 1862, 
Trousseau mencionou pela primeira vez o termo afasia.
Como descrito em outros temas, para considerar que um problema é de ordem cerebral, é necessário 
descartar qualquer alteração física/médica. No caso das afasias, deve‑se verificar toda a parte da 
otorrinolaringologia do paciente, e, se nada for identificado, pode‑se levantar a hipótese desse quadro.
151
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
 Observação
Importante mencionar que a afasia pode ser de base neurológica. Em 
crianças, o prognóstico é melhor por conta da neuroplasticidade cerebral 
em um processo de reabilitação.
 
8.2.1 Afasia
É considerada como uma alteração adquirida da linguagem de causa neurológica, caracterizada pelo 
comprometimento linguístico da produção e compreensão de material verbal, da leitura e da escrita 
(Colaço, 2008).
A afasia caracteriza‑se pelo comprometimento da linguagem falada e escrita, decorrente de uma 
lesão no SNC, incapacitando o indivíduo de compreender e utilizar símbolos verbais. Sempre é associada 
à perda da capacidade linguística previamente adquirida.
Esse distúrbio é causado por lesões cerebrais ocasionadas por:
• AVC;
• lesões encefálicas;
• tumores cerebrais;
• demências.
A afasia exclui toda perturbação associada a déficits motores e/ou sensoriais, deficiência mental e 
perturbações psiquiátricas (Colaço, 2008).
Importante ressaltar que alguns pacientes não percebem o quadro, pois conversam “normalmente”, 
respondem às perguntas, porém quem está ouvindo não compreende a resposta fornecida, porque às 
vezes é incompreensível e em outros casos não tem relação alguma com o que foi perguntado.
As classificações das afasias estão diretamente relacionadas às concepções que existem sobre cérebro 
e linguagem; e compreender tais concepções é fundamental para avaliar criticamente as classificações 
que emergem ao longo da história dos estudos afasiológicos, que são fortemente baseados em dicotomias 
estruturalistas, nas quais a língua é vista como sistema autônomo, separada de seu uso efetivo (Pinto; 
Santana, 2009).
152
Unidade II
 Lembrete
As mudanças na linguagem podem ser um sintoma ou característica de 
alguns transtornos mentais, como a esquizofrenia e certos tipos de demências.
Os principais tipos de afasias serão descritos a seguir.
Afasia de Broca
É uma afasia não fluente, porque, mesmo o órgão fonador estando preservado, a fala do indivíduo 
apresenta dificuldades, é trabalhosa e lenta, e a articulação está prejudicada. É decorrente de lesões 
dos giros frontais posteroinferiores esquerdo e geralmente acompanhada de uma hemiparesia à direita, 
mais acentuada no braço (Dalgalarrondo, 2000).
Afasia de Wernicke
Representa uma afasia fluente, na qual o indivíduo pode continuar falando, mas a fala é muito 
defeituosa, às vezes incompreensível, devido a erros na escolha das palavras e dos fonemas. Não 
há hemiparesias associadas e ocorre por lesões das áreas temporais esquerdas posterosuperiores 
(Dalgalarrondo, 2000).
Afasia global
A afasia global, forma mais grave das afasias, apresenta‑se habitualmente acompanhada por 
hemiparesia, geralmente à direita, denotando a extensão da lesão responsável pela ruptura da rede 
neural envolvida no processamento linguístico.
Clinicamente combina características da afasia de Broca com a de Wernicke, geralmente de 
prognóstico funcional reservado (Silva; Cavalcanti; Moreira, 2000).
Existem outros tipos de afasias, as parafasias, agrafia, alexia, disartria, disfonia, disfemia, 
gagueira e dislalia (Dalgalarrondo, 2000), porém nos limitamos a descrever as formas mais comuns, 
observadas na clínica.
8.3 Localização cerebral
As áreas cerebrais responsáveis pelos processos de linguagem estão localizadas particularmente nos 
lobos temporais em zonas demarcadas, que são unidas por numerosas fibras associativas chamadas de 
feixe arqueado.
Também conta com a participação dos núcleos cinzentos centrais, que são um conjunto de 
estruturas nucleares dentro da substância branca cerebral, compreendendo o tálamo, o núcleo caudado 
e o claustrum.
153
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Área da Broca Área de Wernicke
Figura 6 – Localização das áreas cerebrais responsáveis pela linguagem
Disponível em: https://shre.ink/bhg7. Acesso em: 13 jan. 2025.
8.4 Alterações psicopatológicas
Existem alterações da linguagem associadas a transtornos psiquiátricos primários, e as formas mais 
comuns observadas estão descritas a seguir.
Logorreia
É um termo utilizado para descrever uma condição caracterizada por um fluxo contínuo e excessivo 
de palavras, muitas vezes sem um propósito claro ou relevante. A pessoa com logorreia tende a falar de 
forma prolixa, falando demais e, por vezes, sem conseguir parar. Esse comportamento pode ocorrer 
em diversos contextos, como em conversas informais, apresentações ou até em situações clínicas. Em 
um contexto clínico, a logorreia pode estar associada a distúrbios psiquiátricos, como transtornos 
de ansiedade, transtornos do humor (como o transtorno bipolar, especialmente na fase maníaca) ou 
distúrbios do espectro da esquizofrenia. Em alguns casos, ela pode também ser uma característica de 
pessoas com dificuldades cognitivas ou de autocontrole.
Bradifasia
É um termo médico que se refere à lentidão na fala, ou seja, à diminuição da velocidade da fala, 
que pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo condições neurológicas, psiquiátricas 
e cognitivas.
154
Unidade II
Em geral, a bradifasia pode ocorrer por diferentes motivos, como:
• Doenças neurológicas: como a doença de Parkinson, em que há uma lentificação dos movimentos 
e das funções motoras em geral, incluindo os músculosresponsáveis pela fala. A bradifasia pode 
ser um sintoma característico dessa condição.
• AVC: dependendo da área do cérebro afetada, um AVC pode prejudicar a capacidade de articular 
palavras de forma fluente, resultando em uma fala lenta e difícil.
• Distúrbios psiquiátricos: como a depressão grave, na qual a fala também pode se tornar mais 
lenta, com pouca fluência, o que pode refletir uma diminuição da atividade mental e do raciocínio.
• Demência: algumas formas de demência, como a doença de Alzheimer, também podem resultar 
em bradifasia, devido ao declínio cognitivo.
A bradifasia não envolve necessariamente uma dificuldade em encontrar palavras, mas sim uma 
redução no ritmo da fala, com o indivíduo pronunciando as palavras de forma mais arrastada e lenta. 
Esse sintoma pode ser tratado ou aliviado, dependendo da causa subjacente. A avaliação médica é 
fundamental para determinar o diagnóstico e o tratamento adequados.
Mutismo
De modo muito genérico, pode ser definido como ausência de uma resposta verbal oral por parte do 
doente. O paciente fica no leito sem qualquer resposta verbal ao entrevistador. Os fatores podem ser de 
natureza neurobiológica, psicótica ou psicogênica (Dalgalarrondo, 2000). O mutismo é uma condição 
caracterizada pela ausência total ou parcial de fala, em que a pessoa não consegue ou não deseja falar, 
apesar de não apresentar problemas físicos que dificultem a produção da fala. O mutismo pode se 
manifestar de diferentes maneiras e ter diversas causas, tanto psicológicas quanto neurológicas. Existem 
diferentes tipos de mutismo, sendo os mais comuns:
• Mutismo seletivo: é um transtorno de ansiedade geralmente observado em crianças. A criança 
pode ser capaz de falar normalmente em certos ambientes (por exemplo, em casa com a família), 
mas não consegue ou não deseja falar em outros contextos (por exemplo, na escola ou em público). 
Esse tipo de mutismo está frequentemente associado à ansiedade social.
• Mutismo psicogênico (ou mutismo funcional): é causado por fatores psicológicos, como 
trauma, estresse intenso ou eventos emocionais que levam a pessoa a se tornar incapaz de falar, 
mesmo sem problemas orgânicos no sistema nervoso ou nos órgãos da fala. Pode ser uma forma 
de “defesa psicológica”, em que o indivíduo se cala como resposta a um trauma ou situação 
emocionalmente perturbadora.
155
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Mutismo neurogênico: está relacionado a danos ou disfunções no SNC, como lesões cerebrais, 
AVC ou doenças neurológicas (como a afasia). Nesse caso, a pessoa pode ter dificuldade de 
produzir ou compreender a fala devido a alterações nas áreas do cérebro responsáveis pela 
linguagem e comunicação.
• Mutismo catatônico: é uma condição associada ao transtorno esquizoafetivo ou à esquizofrenia, 
particularmente na forma catatônica, em que a pessoa pode permanecer em um estado de imobilidade 
e silêncio, sem interação verbal, mesmo estando consciente e sem sinais evidentes de distúrbios motores 
ou de linguagem. Em alguns casos, o paciente pode ficar em um estado de “imitação” ou resistência a 
comandos, mas sem falar.
• TEA: algumas crianças com autismo podem experimentar mutismo, seja por dificuldades 
de comunicação, seja por uma falta de desejo de interagir verbalmente com outras pessoas. 
O mutismo pode ser total ou parcial, dependendo da criança.
• Mutismo devido a condições médicas: existem também algumas condições médicas que 
podem levar a mutismo, como distrofias musculares, paralisia ou outras doenças que afetam 
a capacidade física de falar. No entanto, o mutismo devido a uma causa orgânica costuma estar 
associado a distúrbios em outras funções motoras e não é exclusivamente uma dificuldade na fala.
O tratamento do mutismo depende da causa subjacente. Quando o mutismo é causado por fatores 
psicológicos ou emocionais, como no mutismo seletivo ou psicogênico, a psicoterapia, especialmente a 
terapia cognitivo‑comportamental, pode ser eficaz. Em casos de mutismo neurogênico ou catatônico, 
a abordagem envolve tratar a condição neurológica ou psiquiátrica de base, o que pode incluir medicação 
e reabilitação fonoaudiológica.
Se o mutismo for observado em uma pessoa, especialmente em crianças ou adolescentes, é 
importante procurar uma avaliação médica ou psicológica para entender a origem e buscar as 
intervenções adequadas.
Ecolalia
Quando o paciente repete geralmente a última palavra do entrevistador em forma de eco. É 
involuntária e comum em pacientes com esquizofrenia catatônica e em quadros psicorgânicos. A ecolalia 
pode ter várias causas e é frequentemente observada em condições que afetam o desenvolvimento ou 
a função da linguagem. Algumas das causas incluem:
• TEA: a ecolalia é um comportamento comum entre crianças com autismo. Ela pode ocorrer como 
uma forma de imitação social, uma maneira de aprender a linguagem ou até uma forma de 
autorregulação, especialmente quando a pessoa se sente sobrecarregada ou confusa.
• Afasia: indivíduos com afasia (um distúrbio de linguagem geralmente causado por lesões cerebrais, 
como em um AVC) podem apresentar ecolalia, já que têm dificuldade em produzir ou entender a 
fala, podendo imitar o que ouvem sem compreender o significado.
156
Unidade II
• Transtornos de desenvolvimento: além do autismo, a ecolalia pode aparecer em outras 
condições de desenvolvimento infantil, como o TDAH ou em quadros de atraso no desenvolvimento 
da linguagem.
• Distúrbios cognitivos e neurológicos: a ecolalia pode ser observada em pessoas com danos 
cerebrais, como aqueles causados por AVC, lesões traumáticas ou doenças neurodegenerativas 
(como a demência).
• Transtornos psicóticos: em alguns casos de psicose, como a esquizofrenia, a ecolalia pode surgir 
como parte de um padrão de fala desorganizada.
A ecolalia pode ter diferentes funções dependendo do contexto e do indivíduo:
• Imitação e aprendizado: em crianças pequenas ou em indivíduos com TEA, a ecolalia pode ser 
uma estratégia de aprendizado de linguagem, em que a repetição de palavras ou frases ajuda a 
internalizar a linguagem.
• Comunicação social: mesmo que a pessoa não entenda completamente o significado das 
palavras que repete, ela pode estar tentando estabelecer uma conexão social ou expressar uma 
necessidade. No autismo, por exemplo, a ecolalia pode ser uma tentativa de se envolver com os 
outros, embora sem uma verdadeira compreensão comunicativa.
• Autocontrole ou autorregulação: a ecolalia também pode ter um papel calmante para algumas 
pessoas. Repetir certas palavras ou frases pode ajudar a pessoa a lidar com a ansiedade ou com a 
sobrecarga sensorial.
Tiques verbais ou fonéticos
São produções de palavras muitas vezes impróprias e desagradáveis, nas quais o paciente não 
consegue controlar, apenas pode adiar um pouco. É comum em pacientes com a síndrome de Tourette (ST). 
Existem outras formas de alterações da linguagem associadas a quadros psiquiátricos, que são: palilalia, 
verbigeração, glossolalia e o fenômeno de pararrespostas (Dalgalarrondo, 2000). Os tiques verbais ou 
tiques fonéticos são formas de tiques que envolvem movimentos involuntários e repetitivos, mas, 
em vez de afetarem os músculos motores, como em tiques motores (como piscadelas e movimentos de 
cabeça), englobam sons, palavras ou frases involuntárias. Esses tiques podem ser simples ou complexos 
e geralmente estão associados a condições neurológicas, psiquiátricas ou comportamentais.
• Tiques simples: são sons ou palavras simples que são repetidos involuntariamente. Esses tiques 
são breves e não têm um significado linguístico ou sintático complexo. Exemplos incluem tosse, 
gritos, murmúrios, grunhidos ou até sons sem significado.
157
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Tiques complexos: envolvem frases ou palavras mais longas e podem até incluir sentenças 
completas. São mais raros do que os tiques simples, mas podem ocorrer, especialmente, 
em condições como a ST. Exemplos podem ser palavras como “olá”, “não”, “sim” ou frasesrepetitivas, como “vá embora”, que podem ser ditas de forma involuntária.
• Coprolalia: é uma forma específica de tique verbal que envolve a emissão involuntária de 
palavras ou expressões socialmente inapropriadas, incluindo palavrões ou comentários vulgares. 
É frequentemente associada à ST, mas é relativamente rara entre as pessoas com essa condição 
(apenas cerca de 10‑15% das pessoas com Tourette apresentam coprolalia).
As principais causas dos tiques verbais ou fonéticos são:
• ST: uma das causas mais comuns de tiques motores e verbais. É um transtorno neurológico 
caracterizado por tiques motores e verbais involuntários que podem variar em intensidade ao longo 
do tempo. Na ST, os tiques verbais incluem gritos, palavrões (coprolalia), sons incompreensíveis e 
até mesmo o uso repetitivo de frases ou palavras sem sentido.
• Tiques transitórios: crianças podem apresentar tiques verbais temporários ou transitórios, que 
geralmente surgem entre os 5 e 10 anos. Eles podem se manifestar como palavras ou sons repetitivos, 
mas tendem a desaparecer com o tempo, geralmente sem necessidade de tratamento médico.
• TOC: algumas pessoas com TOC podem desenvolver tiques verbais como parte de uma tentativa 
de aliviar a ansiedade associada a pensamentos obsessivos. Esses tiques podem envolver 
repetição de palavras ou frases específicas de forma ritualística.
• Distúrbios neurológicos e psiquiátricos: tiques verbais podem ocorrer em outros distúrbios 
neurológicos ou psiquiátricos, como lesões cerebrais, distúrbios de movimento ou TEA.
• Fatores genéticos e ambientais: tiques verbais podem ser influenciados por fatores genéticos. 
A hereditariedade tem sido associada ao risco de desenvolver tiques, com um risco aumentado 
em pessoas que têm familiares com distúrbios semelhantes. Estresse, ansiedade ou mudanças 
no ambiente também podem agravar os tiques verbais.
E os sinais e sintomas são os seguintes:
• Involuntariedade: os tiques verbais ocorrem sem controle consciente da pessoa, que pode ter 
dificuldade em interrompê‑los, mesmo que seja inconveniente ou embaraçoso.
• Prevalência em crianças: tiques verbais são mais comuns em crianças, particularmente aquelas 
com ST. Os tiques podem se intensificar em situações de estresse ou excitação, e geralmente 
diminuem à medida que a pessoa envelhece.
• Mudança ao longo do tempo: em alguns casos, os tiques verbais podem mudar ao longo do 
tempo, tornando‑se mais intensos ou mais frequentes em certos períodos, mas também podem 
diminuir ou desaparecer em outros momentos.
158
Unidade II
 Resumo
A relação entre emoção, motivação, pensamento e linguagem é complexa 
e interdependente. Esses processos psicológicos e cognitivos interagem 
de maneira constante, influenciando como percebemos, interpretamos e 
respondemos ao nosso ambiente.
As emoções frequentemente geram motivação. Por exemplo, o medo 
pode motivar uma pessoa a fugir de um perigo, enquanto a felicidade pode 
motivá‑la a buscar mais situações agradáveis. Por outro lado, a motivação 
também pode gerar emoções. Quando uma pessoa alcança um objetivo 
importante, ela pode sentir alegria ou satisfação.
A motivação influencia o pensamento ao direcionar nossa atenção e nossos 
esforços para certos objetivos. Se estamos motivados para alcançar algo, nossa 
cognição (pensamentos) será voltada para maneiras de alcançar essa meta. 
O pensamento, por sua vez, ajuda a planejar como alcançar um objetivo, 
avalia as opções e as soluções e pode ajustar a motivação, dependendo dos 
resultados percebidos.
O pensamento pode modular as emoções, e a maneira como 
interpretamos uma situação afeta nossa resposta emocional. Por 
exemplo, se pensamos que algo é injusto, isso pode aumentar nossa raiva. 
Se pensamos que uma situação tem potencial para trazer alegria, isso 
pode gerar antecipação positiva. Em contrapartida, as emoções podem 
influenciar o pensamento. Quando estamos emocionalmente carregados, 
tendemos a pensar de forma mais impulsiva, talvez distorcendo ou 
exagerando a realidade (com pensamentos de “tudo ou nada”, por exemplo).
A linguagem serve como uma ponte para a expressão das emoções. 
Quando alguém fala sobre suas emoções, a linguagem pode ajudá‑lo a 
processar e a entender melhor o que está sentindo, ou até mesmo a ajustar 
as próprias emoções por meio do discurso. A motivação e a linguagem 
estão conectadas na nossa vida cotidiana. Quando estamos motivados, 
nossas palavras e nossas ações podem refletir essa motivação. Um exemplo 
pode ser visto no caso de alguém que, com forte motivação para atingir 
certo objetivo, usa uma linguagem focada, determinante e afirmativa.
159
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
 Exercícios
Questão 1. Vimos, no livro‑texto, que a motivação é um termo utilizado em vários contextos. 
Esse termo pode ser empregado nos meios acadêmico, profissional e pessoal, entre outros, porque o 
associamos a uma “energia” que nos impulsiona para fazer algo (Feldman, 2015).
Em relação à motivação, avalie as afirmativas.
I – Podemos dizer que a motivação é uma condição muito pessoal e particular, e que os motivos podem 
ser variados, como as necessidades básicas do indivíduo, as carências, os interesses e os desejos que 
impulsionam as pessoas em certas direções e incentivam dado comportamento.
II – Existem dois grupos de motivos que influenciam no desempenho dos indivíduos: os motivos 
internos e os externos. Os motivos internos são aqueles criados pela situação ou pelo ambiente em que 
a pessoa está, já os externos são de natureza fisiológica.
III – Desequilíbrios hormonais, como os causados por estresse crônico, distúrbios do sono ou condições 
médicas, podem levar à redução significativa na motivação, impactando o humor, a produtividade e o 
bem‑estar geral.
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa D.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: a motivação está relacionada a um motivo, a uma necessidade ou a um desejo específico 
que estimula o organismo e direciona seu comportamento para determinado fim. Todos os motivos são 
iniciados por algum tipo de estímulo: uma condição física, um detalhe do ambiente ou algum tipo 
de sentimento. Um estímulo induz um comportamento direcionado a certa meta, e dizemos que isso 
motivou a pessoa (Morris; Maisto, 2004).
160
Unidade II
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: vimos, no livro‑texto, que há teorias que tentam explicar como a motivação se manifesta e 
como ela interfere em nosso desempenho. Existem dois grupos de motivos que influenciam no desempenho 
dos indivíduos: os motivos internos e os externos. Os motivos internos são de natureza fisiológica, como a 
fome e a sede, e podem ser reflexos de necessidades psicológicas, e os motivos externos são aqueles criados 
pela situação ou pelo ambiente em que a pessoa está, sempre em busca de conseguir satisfazer as suas 
necessidades básicas, a fim de despertar um sentimento de objetivo atingido.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: vimos, neste livro‑texto, que a interação entre hormônios e neurotransmissores cria um 
equilíbrio que regula tanto os níveis de motivação quanto as respostas emocionais. Quando o equilíbrio 
hormonal está saudável, a pessoa tende a se sentir mais motivada e focada. Os desequilíbrios hormonais, 
como os causados por estresse crônico, distúrbios do sono ou condições médicas, podem levar à redução 
significativa na motivação, impactando o humor, a produtividade e o bem‑estar geral. Portanto, 
os hormônios atuam como “mensageiros químicos” no cérebro e desempenham papel vital na 
manutenção da motivação e na resposta a desafios, recompensas e emoções.
Questão 2. Vimos que o instinto é um comportamento inato e automático, presente em muitos 
animais (incluindo os seres humanos), que ocorre sem a necessidade de aprendizado ou de experiência 
prévia. É uma resposta imediata a estímulos específicos do ambiente (Morris;Maisto, 2004).
Em relação ao instinto, avalie as afirmativas.
I – Os instintos são universais e comuns para dada espécie, tendendo a ser fixos e previsíveis. Eles são 
gerados por estímulos internos ou externos e não requerem esforço consciente.
II – Os instintos podem ser considerados comportamentos complexos, não aprendidos e com 
um padrão fixo. Eles visam à preservação de cada espécie e se concentram em comportamentos 
predispostos geneticamente.
III – Diferentemente dos instintos, que são automáticos, a motivação envolve um processo mais 
complexo, incluindo a tomada de decisões, o planejamento e a ação. Ela pode ser dirigida tanto por 
desejos internos quanto por recompensas externas.
161
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) I e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: como dito na afirmativa, os instintos são universais e comuns para dada espécie e 
podem ser causados por estímulos internos (fome, sede etc.) ou externos (perigo, sons, cheiros etc.). 
Exemplos de instintos em humanos e animais incluem o reflexo de sugar em bebês, a busca por alimento 
quando com fome ou a reação de fuga diante de um perigo. Esses comportamentos são regidos por 
mecanismos biológicos e são essenciais para a sobrevivência da espécie. Os instintos são universais 
e comuns para dada espécie, tendendo a ser fixos e previsíveis e não requerem esforço consciente.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: os instintos são padrões de comportamento específicos e inatos, característicos de 
toda uma espécie, que explicam grande parte do comportamento humano. William James, em 1890, 
compilou uma série de instintos humanos, como a caça, a competição, o medo, a curiosidade, a timidez, 
o amor, a vergonha e o ressentimento (Morris; Maisto, 2004).
III – Afirmativa correta.
Justificativa: a motivação é o processo psicológico que impulsiona o indivíduo a agir de determinada 
maneira para alcançar um objetivo ou satisfazer uma necessidade. É uma força interna que pode ser 
influenciada por fatores biológicos, emocionais, sociais ou cognitivos. Diferentemente dos instintos, que 
são automáticos, a motivação envolve um processo mais complexo, incluindo a tomada de decisões, o 
planejamento e a ação. Ela pode ser dirigida tanto por desejos internos (motivação intrínseca, como 
o prazer de aprender) quanto por recompensas externas (motivação extrínseca, como dinheiro ou 
reconhecimento). A motivação não se limita à sobrevivência, como é o caso dos instintos. Ela pode 
abranger diversas áreas da vida, como a busca por realização pessoal, profissional ou acadêmica.
162
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170
171
172
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000aumentam a excitação, ao invés de reduzir uma necessidade 
fisiológica ou de minimizar a tensão.
Não precisamos estar cientes da existência dos incentivos para que eles 
influenciem nosso comportamento. Uma pessoa pode comprar algo sem ter 
consciência de que a compra foi estimulada por um anúncio de jornal ou 
revista. De maneira semelhante, podemos entrar em uma padaria sem estar 
conscientes de que o aroma nos atraiu (Morris; Maisto, 2004, p. 264).
A motivação também pode ser dividida em intrínseca ou extrínseca. Motivação intrínseca parte 
das condições internas do indivíduo e depende das recompensas à própria realização da atividade. 
Motivação extrínseca depende mais das influências externas e se refere às consequências das 
atividades realizadas pelo indivíduo.
5.1.4 Pirâmide de Maslow
É amplamente utilizada em várias áreas, incluindo psicologia, educação, administração e marketing, 
para entender o comportamento humano e as motivações. Abraham Maslow (1954 apud Cavalcanti 
et al., 2019), um psicólogo humanista, descreveu os motivos em uma hierarquia de necessidades em 
forma de pirâmide.
Ele propõe um ponto de equilíbrio entre necessidades biológicas e sociais e integra muitos conceitos 
motivacionais, estabelecendo uma hierarquia, na qual há uma organização sistemática de necessidades 
segundo suas prioridades.
A hierarquia de Maslow é útil, porque podemos observar que as pessoas atribuem diferentes 
prioridades para suas necessidades. Na base dessa pirâmide estão nossas necessidades fisiológicas, 
como as por água e alimento. Somente se essas forem satisfeitas estaremos prontos para satisfazer a 
necessidade por segurança e, depois, as necessidades exclusivamente humanas de dar e receber amor e 
de desfrutar de nossa autoestima (Myers, 2015).
As necessidades básicas ou primárias (fisiologia e segurança) têm de ser primeiramente satisfeitas para 
que as menos básicas ou secundárias (amor/relacionamento, estima e realização pessoal) sejam despertadas.
94
Unidade II
Maslow propõe que, à medida que subimos na hierarquia das necessidades, os motivos passam a 
ter origens mais sutis, como o desejo de viver de maneira mais confortável, de lidar com outros seres 
humanos da melhor maneira que pudermos e de causar uma melhor impressão. O motivo mais alto da 
hierarquia seria o da autorrealização, que seria o desejo que a pessoa tem para desenvolver todo o seu 
potencial (Morris; Maisto, 2004).
A hierarquia de Maslow é um tanto arbitrária; a ordem de tais necessidades não é universalmente 
fixa – pessoas já passaram fome como uma forma de protesto. No entanto, a simples ideia de que 
alguns motivos são mais impulsionadores do que outros fornece uma estrutura para se pensar sobre a 
motivação (Myers, 2015).
A pirâmide é frequentemente dividida em cinco níveis e pode ser melhor visualizada na figura 3.
1) Necessidades fisiológicas: são as necessidades básicas para a sobrevivência humana, como 
alimentação, água, sono, abrigo e reprodução. Elas devem ser atendidas antes que outras 
necessidades possam ser consideradas.
2) Necessidades de segurança: depois de satisfazer as necessidades fisiológicas, as pessoas buscam 
segurança e proteção. Isso inclui segurança física, estabilidade financeira, saúde e proteção 
contra perigos.
3) Necessidades sociais (ou de amor e pertencimento): após atender às necessidades de 
segurança, as pessoas buscam conexões sociais. Isso inclui relacionamentos afetivos, amizade, 
pertencimento a grupos e aceitação social.
4) Necessidades de estima: esse nível envolve a necessidade de respeito próprio e reconhecimento 
dos outros. Existem duas categorias aqui: a autoestima, que é o respeito que uma pessoa tem por 
si mesma, e a estima, que é o respeito e reconhecimento que uma pessoa recebe dos outros.
5) Necessidades de autorrealização: no topo da pirâmide, estão as necessidades de autorrealização, 
que se referem ao desejo de alcançar o potencial máximo, realizar‑se pessoalmente e se desenvolver 
como indivíduo. Isso pode incluir a busca de criatividade, crescimento pessoal, autoconhecimento 
e a realização de objetivos e aspirações.
95
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Respiração, comida, água, sexo, sono, homeostase, excreção
Segurança do corpo, do emprego, de recursos, da 
moralidade, da família, da saúde, da propriedade
Autoestima, 
confiança, conquista, 
respeito dos outros, respeito aos outros
Moralidade, 
criatividade, 
espontaneidade, 
solução de problemas, 
ausência de preconceito, 
aceitação dos fatos
Amizade, família, intimidade sexual
Realização pessoal
Estima
Amor/relacionamento
Segurança
Fisiologia
Figura 3 – Esquema da pirâmide de Maslow
Disponível em: https://shre.ink/gpjC. Acesso em: 16 dez. 2024.
Características da pirâmide de Maslow
• Hierarquia: a ideia é que, enquanto as necessidades mais baixas não forem atendidas, a pessoa 
não será motivada a atender as necessidades mais altas. Por exemplo, uma pessoa com fome 
(necessidade fisiológica) não se preocupará com sua autoestima (necessidade de estima) até que 
suas necessidades básicas sejam satisfeitas.
• Flexibilidade: embora a pirâmide seja frequentemente representada como uma hierarquia rígida, 
Maslow reconheceu que as necessidades podem se sobrepor e que a ordem pode variar entre 
diferentes pessoas e culturas.
• Teoria dinâmica: a autorrealização não é um estado final, mas um processo contínuo de 
crescimento e desenvolvimento. Uma vez que uma pessoa atinge um nível mais alto, novas metas 
e desafios podem surgir.
5.2 Função psíquica e suas alterações
A função psíquica relacionada à motivação refere‑se aos processos mentais e emocionais que 
influenciam o comportamento humano, determinando as razões que impulsionam as ações. A motivação, 
do ponto de vista psicológico, é uma força interna que orienta os indivíduos a agir em direção a certos 
objetivos ou a satisfazer determinadas necessidades.
96
Unidade II
Como a função psíquica afeta a motivação
• Processos cognitivos: pensamentos, expectativas e percepções desempenham um papel crucial 
na motivação. Por exemplo, a forma como uma pessoa percebe suas habilidades ou desafios em 
uma tarefa pode determinar se ela se sentirá motivada ou desmotivada a tentar.
• Emoções: estados emocionais influenciam diretamente a motivação. Emoções positivas, como 
alegria e satisfação, podem aumentar a motivação, enquanto emoções negativas, como medo 
e frustração, podem reduzi‑la ou gerar evitamento. As emoções positivas são estados afetivos 
agradáveis que contribuem para o bem‑estar e para uma visão otimista da vida. Elas desempenham 
um papel crucial na motivação, nas relações sociais e na saúde mental. Além disso, podem ampliar 
os recursos cognitivos e sociais de uma pessoa, permitindo‑lhe lidar melhor com desafios e se 
engajar em atividades que promovam o crescimento pessoal.
• Memória e aprendizado: experiências passadas e a forma como são lembradas influenciam as 
decisões futuras. Se uma pessoa experimenta sucesso ao realizar uma tarefa, é provável que se sinta 
mais motivada a repeti‑la. As experiências passadas e a forma como são lembradas desempenham 
um papel fundamental na motivação e na tomada de decisões futuras. Isso está relacionado 
ao conceito de aprendizado associativo, no qual experiências anteriores, especialmente aquelas 
marcadas por sucesso ou fracasso, influenciam diretamente o comportamento de uma pessoa.
• Personalidade: traços de personalidade, como extroversão, abertura a novas experiências e 
neuroticismo, também afetam os níveis de motivação. Por exemplo, indivíduos mais abertos 
tendem a buscar novas experiências e podem se sentir mais motivados em situações desafiadoras.
Como mencionado anteriormente, a motivação decorre de fatores psicológicos, fisiológicos e até 
mecânicos. Considerando tal afirmação, as alterações mais observadas e frequentes que afetam a 
motivação podem ser decorrentes da alimentação e do comportamento sexual.
A fome surge em função de variações na químicacorporal, incluindo hormônios que aumentam ou 
reduzem a fome. O comportamento alimentar é mediado pela fome (química corporal) e pelos fatores 
ambientais, que determinam do que temos fome.
O controle da fome envolve muitos dos mesmos conceitos homeostáticos, como a sede, mas o comer 
é muito mais complexo do que o beber. Quando estamos com sede, precisamos apenas de água para 
saciar a sede. Para comer há outros fatores envolvidos, porque precisamos comer uma quantidade de 
diferentes tipos de alimentos, como proteínas, carboidratos, gorduras e minerais, para nos mantermos 
saudáveis (Nolen‑Hoeksema et al., 2012).
Podemos dizer que o estado psicológico da fome não está relacionado apenas com a necessidade 
biológica do alimento, mas a necessidade pode estimular um estado psicológico. E novamente associamos 
o cérebro a todas as situações relacionadas ao ato de comer.
97
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
A sensação de fome está relacionada às emoções de maneira complexa. Algumas pessoas correm 
para a geladeira sempre que estão deprimidas, chateadas, ansiosas ou com raiva. Outras perdem todo 
o interesse por comida nessas situações e reclamam que estão ansiosas demais para comer (Morris; 
Maisto, 2004).
É comum ouvirmos dos nutricionistas que é necessário mastigar várias vezes o alimento e comer 
devagar, tudo isso para que o cérebro receba a informação de que você está se alimentando. Se você 
mastigar mais, vai comer menos; se mastigar menos, vai comer mais.
O cérebro monitora a quantidade e o tipo de alimento que você ingeriu. Os receptores localizados no 
estômago identificam não apenas a quantidade de comida presente no órgão, mas também a quantidade 
de calorias de um alimento. Os sinais provenientes desses receptores são transmitidos ao cérebro. Quando 
o alimento entra no intestino delgado, um hormônio é liberado no sangue, e novamente a informação 
vai para o cérebro, como fonte adicional das necessidades nutricionais (Morris; Maisto, 2004).
Cada organismo reage de uma forma, mas o cérebro recebe a informação cerca de 20 a 30 minutos 
depois que você inicia a alimentação, sendo que todo o processo de mastigação já envia estímulos para 
a área específica do córtex, e, aos poucos, a pessoa vai ficando saciada. Por isso, o ideal para emagrecer 
é sempre sair da mesa com fome ou com vontade de comer mais, porque logo você ficará saciado e não 
conseguirá ingerir mais alimentos.
O comportamento sexual também é uma motivação de grande poder e que sofre alterações. 
A motivação sexual origina‑se da ação recíproca entre nossa fisiologia e nosso ambiente, mas os 
estímulos psicológicos (fantasia e imaginação) também exercem papel fundamental.
O sexo é um motivo social – geralmente envolve outra pessoa –, enquanto os motivos de 
sobrevivência preocupam apenas o indivíduo. O sexo não envolve uma deficiência interna que precisa 
ser regulada e remediada para o organismo sobreviver. Os motivos sociais não se prestam a uma análise 
homeostática (Nolen‑Hoeksema et al., 2012). A resposta sexual depende da interação recíproca de 
estímulos internos e externos e de fatores fisiológicos. Na década de 1960, o ginecologista e obstetra 
William Masters e sua colaboradora Virginia Johnson (1966), com base em pesquisas, descreveram 
que o ciclo da resposta sexual passa por quatro estágios: excitação, platô, orgasmo e resolução.
Na fase de excitação, as áreas genitais se intumescem de sangue, a vagina se expande e secreta 
um lubrificante, e os seios e mamilos podem aumentar. Na fase de platô, a excitação atinge o ponto 
máximo enquanto os ritmos de respiração, pulsação e pressão sanguínea continuam a aumentar. O pênis 
fica totalmente intumescido e um líquido quase sempre contendo espermatozoides vivos suficientes 
para possibilitar a concepção pode aparecer em sua ponta. A secreção vaginal continua aumentando, 
o clitóris se retrai, e o orgasmo é iminente. As contrações musculares em todo o corpo durante o orgasmo 
são acompanhadas de aumentos adicionais na respiração, pulsação e pressão sanguínea. Durante a fase 
de resolução, o homem entra em um período refratário, que pode durar de alguns minutos a um dia ou 
mais, durante o qual ele é incapaz de ter outro orgasmo. O período refratário nas mulheres não é muito 
longo, o que torna possível para elas terem outro orgasmo se reestimuladas durante ou logo após a 
resolução (Myers, 2015).
98
Unidade II
5.2.1 Alterações alimentares
Podem ter um impacto significativo na motivação, uma vez que a nutrição está diretamente ligada 
ao funcionamento cerebral e ao estado geral de energia e bem‑estar (Feldman, 2015).
O que comemos influencia não apenas nossa saúde física, mas também nossa saúde mental e 
emocional, afetando‑a. Os transtornos alimentares são condições psicológicas graves caracterizadas 
por comportamentos alimentares desordenados, que afetam negativamente a saúde física, emocional 
e mental de uma pessoa. Esses transtornos são frequentemente associados a preocupações excessivas 
com peso, forma corporal e alimentação, o que pode levar a práticas alimentares extremas e prejudiciais.
Vejamos a seguir os principais tipos de transtornos alimentares segundo Appolinário e Claudino (2000).
Anorexia nervosa
Caracteriza‑se por uma restrição extrema na ingestão de alimentos, medo intenso de ganhar peso 
e uma imagem corporal distorcida. Pessoas com anorexia tendem a ter um peso corporal muito abaixo 
do saudável e ainda assim se veem acima do peso. Pode levar a complicações graves, como desnutrição, 
falência de órgãos e até morte.
Bulimia nervosa
Envolve episódios de compulsão alimentar, seguidos de comportamentos compensatórios 
inadequados, como vômitos induzidos, uso excessivo de laxantes ou exercícios intensos para evitar o 
ganho de peso. Ao contrário da anorexia, pessoas com bulimia podem manter um peso corporal normal 
ou acima do normal, tornando o transtorno menos visível.
Transtorno de compulsão alimentar
Caracteriza‑se por episódios recorrentes de compulsão alimentar, em que a pessoa ingere grandes 
quantidades de alimentos em um curto período de tempo, sem comportamentos compensatórios, 
como acontece na bulimia. Pessoas com esse transtorno podem desenvolver problemas de saúde, como 
obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas.
Transtorno alimentar restritivo/evitativo
Está relacionado à restrição alimentar ou à evitação de certos alimentos, sem as preocupações 
típicas com peso ou forma corporal. Pode estar ligado a fatores como a sensibilidade à textura, ao 
cheiro ou à cor dos alimentos, ou até traumas associados à alimentação. Esse transtorno pode causar 
deficiências nutricionais e prejuízos no desenvolvimento físico e emocional.
99
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Obesidade
É uma condição de saúde caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode ter 
impactos negativos na saúde geral, aumentando o risco de diversas doenças crônicas, como diabetes 
tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, entre outras. A obesidade é geralmente medida pelo 
índice de massa corporal (IMC), que é calculado dividindo o peso de uma pessoa (em quilogramas) pela 
sua altura (em metros) ao quadrado.
Transtorno de ruminação
É um distúrbio alimentar em que a pessoa regurgita alimentos repetidamente, não por náusea 
ou problemas digestivos, mas como um comportamento voluntário ou semi‑inconsciente. Esse 
comportamento envolve trazer de volta os alimentos ingeridos ao nível da boca, em que a pessoa pode 
mastigá‑los novamente, engoli‑los outra vez ou cuspi‑los.
Drunkorexia
É um comportamento desordenado que combina características de transtornos alimentares com o 
abuso de álcool.
 Observação
O termo não é oficialmente reconhecido como um diagnóstico médico, 
mas descreve um padrão de comportamento que envolve a restrição 
alimentar ou práticas compensatórias, como o jejum ou o excesso de exercício 
físico, para “compensar” o consumo de calorias provenientes do álcool.
5.2.1.1 Causas dos transtornos alimentares
Os transtornosalimentares podem ser influenciados por uma combinação de fatores, como:
• Genéticos: histórico familiar de transtornos alimentares ou outras condições de saúde mental.
• Psicológicos: baixa autoestima, depressão, ansiedade ou traumas, como abuso emocional ou 
físico, estresse e outros transtornos emocionais podem levar a episódios de compulsão alimentar 
ou a padrões alimentares desordenados.
• Fatores hormonais: alterações hormonais, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) ou o 
hipotireoidismo podem contribuir para o ganho de peso.
• Sociais e culturais: pressão para se conformar a padrões estéticos de beleza, influência das 
redes sociais e mídia ou críticas sobre o corpo.
100
Unidade II
Tratamento
Costuma envolver uma equipe multidisciplinar, incluindo médicos, nutricionistas e psicólogos. 
Algumas abordagens comuns incluem:
• Psicoterapia: pode ajudar a abordar as causas emocionais, cognitivas e comportamentais 
subjacentes a esses transtornos, promovendo mudanças duradouras.
• Aconselhamento nutricional: ajuda a restabelecer hábitos alimentares saudáveis e a entender 
melhor a relação entre alimentação e saúde.
• Medicamentos: em alguns casos, antidepressivos ou outros medicamentos podem ser prescritos 
para ajudar a tratar sintomas associados, como ansiedade ou depressão.
5.2.2 Alterações da sexualidade
As alterações na sexualidade podem ter um impacto significativo na motivação, afetando o 
bem‑estar emocional, a autoestima, os relacionamentos e a energia para se engajar em outras atividades. 
A psicoterapia, juntamente com intervenções médicas e hormonais, pode ser uma ferramenta eficaz 
para ajudar as pessoas a restaurar a saúde sexual e a motivação em suas vidas.
Mudanças na sexualidade podem ser causadas por uma variedade de fatores, como hormonais, 
emocionais, psicológicos e relacionais, e essas alterações podem influenciar a motivação em várias 
áreas da vida.
5.2.2.1 Impactos na motivação
Desequilíbrios hormonais
Hormônios como a testosterona, o estrogênio e a progesterona desempenham um papel 
importante na regulação do desejo sexual (libido) e, de forma mais ampla, influenciam a motivação em 
outras áreas da vida. Níveis baixos de testosterona, em homens e mulheres, podem resultar em baixa 
libido, fadiga e redução da motivação para atividades cotidianas. Esses desequilíbrios podem surgir 
devido a fatores como envelhecimento, estresse, doenças ou uso de medicamentos.
Em mulheres, alterações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual, gravidez, menopausa ou 
uso de anticoncepcionais também podem afetar a libido e, por consequência, a motivação geral. 
Por exemplo, a menopausa pode levar a uma redução dos níveis de estrogênio, resultando em menor 
desejo sexual e, potencialmente, em menos motivação e energia.
101
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Saúde mental e bem‑estar emocional
Transtornos mentais, como depressão e ansiedade, frequentemente afetam a sexualidade, 
resultando em diminuição do desejo sexual e uma visão negativa de si mesmo e do próprio corpo. Isso 
pode reduzir a motivação para se engajar em outras áreas da vida, como o trabalho, os estudos ou as 
atividades sociais.
O estresse crônico pode levar a uma diminuição do interesse sexual, e o impacto emocional disso, 
combinado com fadiga, pode afetar a motivação em outras esferas, como desempenho profissional e 
cuidado pessoal.
Imagem corporal e autoestima
Estão fortemente ligadas à sexualidade. Quando uma pessoa se sente desconectada ou insatisfeita 
com o próprio corpo, isso pode levar a uma diminuição do desejo sexual e afetar a motivação geral. 
Indivíduos que sofrem de problemas de autoestima ou distorção da imagem corporal, como em casos 
de transtornos alimentares ou transtorno dismórfico corporal, podem evitar a intimidade sexual, o 
que pode levar a um ciclo de baixa autoestima e diminuição da motivação para interagir socialmente 
e buscar realizações pessoais.
Alterações relacionais
Problemas no relacionamento podem levar a mudanças na sexualidade, como a diminuição 
do desejo sexual ou a evitação da intimidade. Esses problemas podem estar relacionados à falta de 
comunicação, conflitos não resolvidos ou perda de conexão emocional entre os parceiros. A diminuição 
da intimidade emocional e sexual em um relacionamento pode impactar a motivação para investir na 
relação e em outras áreas da vida, já que a satisfação nas relações íntimas é um importante motivador 
para o bem‑estar emocional.
Traumas e experiências sexuais passadas
Pessoas que sofreram traumas sexuais, como abuso ou violência, podem apresentar 
alterações significativas na sexualidade, como diminuição do desejo sexual, aversão à intimidade 
ou comportamentos hipersexuais. Esses traumas também podem gerar dificuldades emocionais e 
psicológicas que afetam a motivação geral, devido ao impacto duradouro no bem‑estar emocional. 
A terapia pode ser fundamental para ajudar esses indivíduos a reconstruir uma relação saudável com 
sua sexualidade e recuperar a motivação e o interesse em outras áreas da vida.
102
Unidade II
Transtornos sexuais
Transtornos como disfunção erétil nos homens e disfunção sexual nas mulheres (como falta de 
lubrificação ou dor durante o ato sexual) podem levar à frustração e à insatisfação com a vida sexual. 
Isso, por sua vez, pode gerar ansiedade de desempenho, evitar a intimidade e afetar a motivação para 
outras atividades.
Fatores culturais e sociais
A pressão social e as expectativas culturais em relação à sexualidade podem afetar a forma como 
as pessoas percebem sua própria sexualidade. Expectativas irrealistas podem levar à insatisfação com a 
vida sexual, o que pode impactar a autoestima e a motivação em outras áreas. Questões relacionadas 
à orientação sexual e à identidade de gênero também podem afetar a motivação. Pessoas que se sentem 
reprimidas ou discriminadas por sua orientação sexual ou identidade de gênero podem experimentar 
baixa autoestima, ansiedade e depressão, o que afeta negativamente a motivação.
5.2.2.2 Impactos específicos das alterações na sexualidade na motivação
Redução do desejo sexual e motivação geral
A diminuição da libido pode estar associada a uma sensação de apatia ou desinteresse em outras 
áreas da vida, especialmente se for causada por fatores hormonais ou emocionais. O indivíduo pode 
sentir menos energia para atividades diárias e menor interesse por metas e realizações.
Aumento de estresse e conflitos
Quando há insatisfação sexual, isso pode levar a um aumento no estresse e nos conflitos dentro de 
um relacionamento. Esses conflitos podem diminuir a motivação para investir no relacionamento e em 
outras áreas da vida, como a carreira ou projetos pessoais.
Perda de interesse por relacionamentos íntimos
Alterações na sexualidade podem levar à evitação de relacionamentos íntimos e, em alguns casos, 
ao isolamento social. A falta de conexão íntima pode reduzir o senso de propósito e a motivação para 
manter ou buscar novas conexões.
Dificuldade de concentração e desempenho
Alterações na sexualidade, especialmente quando ligadas a problemas emocionais, como ansiedade 
e depressão, podem prejudicar a concentração e o desempenho em áreas como trabalho e estudo, 
afetando a motivação e a produtividade.
103
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
5.2.2.3 Como a psicoterapia pode ajudar
A psicoterapia é uma intervenção eficaz para ajudar pessoas que enfrentam alterações na sexualidade 
a recuperar sua motivação e bem‑estar emocional. Algumas abordagens incluem o que segue. 
Psicoterapias
Podem ser muito úteis para fortalecer a motivação, ajudando a pessoa a entender as raízes dos 
obstáculos que impedem o seu desenvolvimento e a encontrar novas formas de enfrentar essas barreiras. 
São focadas em identificar, compreender e modificar pensamentos negativos, comportamentos 
repetitivos, questões na autoimagem e auxiliar o sujeito a desenvolver uma visão compreensível de si 
mesmo e todo o contexto ao redor.
Terapia de casal
Útil para tratar problemasde relacionamento que afetam a intimidade e a sexualidade, promovendo 
melhor comunicação e compreensão entre os parceiros.
Psicoterapia para disfunções sexuais
Auxilia indivíduos a entenderem e lidarem com disfunções sexuais, abordando tanto aspectos físicos 
quanto psicológicos que possam estar contribuindo para o problema.
5.3 Localização cerebral
O córtex pré‑frontal é a região do cérebro responsável por funções executivas, como planejamento, 
tomada de decisões e controle de impulsos. Ele tem um papel crucial na motivação direcionada a 
metas, além de avaliar recompensas futuras, ponderar os custos e benefícios das ações e regular o 
comportamento de forma consciente, ajudando a manter a motivação em tarefas mais complexas ou 
de longo prazo. Quando funciona de forma adequada, ele consegue focar em recompensas futuras, 
regulando o desejo de recompensas imediatas que podem prejudicar o alcance de objetivos mais amplos.
Os neurônios estão em diversos locais do cérebro, especialmente dentro da região pré‑óptica (frontal) 
do hipotálamo. O hipotálamo é uma estrutura cerebral localizada na base do cérebro que desempenha 
um papel fundamental em várias funções corporais, incluindo a regulação do sistema endócrino, a 
temperatura corporal, a sede, o apetite e o comportamento sexual. Sua importância na motivação é 
significativa, pois ele atua como um centro de integração entre sinais fisiológicos e comportamentais 
que influenciam a motivação e as respostas emocionais.
104
Unidade II
Neuro‑hipófise
Glândula 
pineal
Hipotálamo
Tálamo
Corpo caloso
Adeno‑hipófise
Figura 4 – Localização do hipotálamo
Adaptada de: Silverthorn (2017).
5.4 Alterações psicopatológicas
Várias psicopatologias podem interferir significativamente na motivação, afetando a capacidade do 
indivíduo de se engajar em atividades cotidianas, buscar objetivos e manter relacionamentos saudáveis. 
A seguir estão algumas das principais condições que podem impactar a motivação.
Apraxias
São perturbações da atividade gestual, em que o indivíduo perde a capacidade de realizar atos 
motores. Não são explicadas nem por um dano motor, sensitivo ou por alteração intelectual e são 
classificadas como:
• Apraxia reflexiva: ações dirigidas ao próprio corpo. Exemplo: beber água.
• Apraxia não reflexiva: ações dirigidas ao externo. Exemplo: pintar uma parede.
• Causas: resultam de disfunções nos hemisférios cerebrais, sobretudo o lobo parietal.
105
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Lobo frontal
Lobo temporal
Tronco cerebral
Lobo parietal
Lobo 
occipital
Figura 5
Disponível em: https://shre.ink/bhgj. Acesso em: 13 jan. 2025.
Depressão
É uma das psicopatologias mais comuns que afetam a motivação. Os sintomas incluem desânimo, 
falta de interesse ou prazer em atividades que antes eram agradáveis e baixa energia. Isso pode levar a 
uma diminuição da motivação para realizar tarefas diárias, trabalho e relacionamentos.
Transtorno de ansiedade
Pode criar um estado constante de preocupação e medo, como o transtorno de ansiedade generalizada, 
o transtorno de pânico e as fobias. Isso pode resultar em evitação de situações que provocam ansiedade, 
levando a uma diminuição da motivação para realizar atividades normais ou perseguir metas.
Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)
Pode afetar a capacidade de concentração e a organização, resultando em dificuldades em iniciar 
e concluir tarefas. Isso pode gerar frustração e desmotivação, especialmente se a pessoa se sente 
sobrecarregada por suas responsabilidades.
106
Unidade II
Transtornos alimentares
As condições como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar estão 
frequentemente associadas a uma percepção distorcida do corpo e preocupações excessivas com a 
alimentação. Esses transtornos podem consumir o tempo e a energia do indivíduo, levando a uma 
diminuição da motivação para atividades sociais, profissionais e recreativas.
Transtornos de humor
Além da depressão, outros transtornos de humor, como o transtorno bipolar, podem causar 
flutuações extremas na motivação. Durante episódios maníacos, a motivação pode ser elevada, mas, 
durante episódios depressivos, a motivação pode diminuir drasticamente.
TEPT
Pode resultar de experiências traumáticas e é caracterizado por sintomas como flashbacks, evitação 
e hipervigilância. Esses sintomas podem levar a uma diminuição da motivação para se envolver em 
atividades sociais ou buscar novos objetivos devido ao medo ou ao desconforto.
Esquizofrenia
É uma condição grave que pode afetar a percepção da realidade, o pensamento e o comportamento. 
Os sintomas, como alucinações e delírios, podem levar à desmotivação e ao isolamento social, 
dificultando a realização de tarefas diárias.
Transtornos de personalidade
Alguns transtornos de personalidade, como o transtorno de personalidade esquiva e o transtorno 
de personalidade borderline, podem interferir na motivação devido a dificuldades em lidar com 
relacionamentos, emoções intensas e autoimagem. Isso pode resultar em evitação de situações sociais e 
perda de interesse em atividades.
Transtornos do humor e da personalidade relacionados ao uso de substâncias
O uso e a dependência de substâncias, como álcool e drogas, podem levar a alterações no humor 
e na motivação. O abuso de substâncias pode resultar em desinteresse por atividades que antes eram 
prazerosas e pode criar um ciclo de baixa motivação e uso contínuo de substâncias como forma de escapar.
Transtornos neurológicos
Podem impactar a função cognitiva e emocional, levando à apatia e à falta de motivação para 
atividades diárias, como doença de Parkinson, esclerose múltipla ou AVC.
107
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
6 EMOÇÃO
6.1 Definição com a finalidade diagnóstica
Daros (2018) diz que a emoção é uma resposta psicofisiológica complexa a estímulos internos ou 
externos que envolvem três componentes principais:
• Experiência subjetiva: é a forma como a emoção é sentida internamente, como alegria, 
tristeza, medo ou raiva. Esse aspecto é subjetivo porque depende da percepção e interpretação 
individual do evento.
• Reação fisiológica: emoções causam reações físicas no corpo, como aumento da frequência 
cardíaca, liberação de hormônios (como a adrenalina) e mudanças na respiração. Essas reações 
são reguladas pelo sistema nervoso autônomo e podem preparar o organismo para agir, como em 
situações de perigo.
• Expressão comportamental: as emoções geralmente se manifestam em expressões faciais, 
linguagem corporal e comportamentos específicos, que servem para comunicar os estados 
emocionais aos outros. Por exemplo, o sorriso é uma expressão comum da alegria.
Todas as ações e os comportamentos do ser humano resultam na participação das diversas funções 
cognitivas encerradas na caixa craniana e muitas vezes dependem de fatores emocionais, que precisam 
ser melhor interpretados. As emoções desempenham papéis importantes na adaptação e na sobrevivência 
dos seres humanos. Elas nos ajudam a responder a desafios, tomar decisões e construir vínculos sociais 
(Daros, 2018).
Muitas vezes na prática clínica, em um processo de avaliação neuropsicológica, por exemplo, durante 
a anamnese, já vamos montando uma hipótese clínica sobre o paciente e criando um protocolo de 
testagem para ser aplicado.
De modo geral, as causas das doenças mentais têm duas possibilidades: ou são decorrentes de fatores 
cognitivos, que podem ser resultado de lesões, traumatismos e de questões genéticas ou hereditárias, ou 
decorrem de fatores emocionais.
A correta identificação da causa será fundamental para a melhor estratégia de tratamento. Se for 
clínica, a intervenção medicamentosa poderá ser indicada; porém, se for emocional, a psicoterapia é a 
melhor opção, porque não existe medicação para problemas psicodinâmicos.
As emoções podem ser definidas como reações afetivas agudas, momentâneas e desencadeadas 
por estímulos significativos. Assim, a emoção é um estado afetivo intenso, de curtaduração, originado 
geralmente como uma reação do indivíduo a certas excitações internas ou externas, conscientes ou 
inconscientes (Dalgalarrondo, 2000).
108
Unidade II
Dessa forma, podemos destacar que as emoções são respostas do nosso corpo, que podem ser 
de ordem fisiológica (por exemplo: taquicardia, queda ou aumento da pressão), de ordem comportamental 
ou mesmo cognitiva, decorrentes de experiências que podem gerar sentimentos. Os sentimentos podem 
ser resultado de uma emoção, que é filtrada através das áreas cerebrais específicas, que produz alguma 
reação psicofisiológica.
Etimologicamente, a emoção é um movimento; quando a efervescência 
emocional percorre o indivíduo, ele desperta sua atenção, colore positiva ou 
negativamente os sentimentos, induz modificações autonômicas (aceleração 
do pulso, rubor ou palidez do rosto...), endócrinas, musculares (crispação do 
rosto, sorriso...), e comportamentais (agitação, evitação e aproximação...) 
(Gil, 2002, p. 251).
Como descrito, as emoções podem gerar várias reações corporais de um modo geral, mas tudo 
depende de como essa informação é interpretada e qual é a intensidade na vida do indivíduo.
Um ponto importante de ser levantado é que, se você pergunta para uma pessoa se ela sabe o que 
é uma emoção, provavelmente ela responderá que sabe o que é; porém, se for solicitado para a pessoa 
definir o significado, talvez as respostas não serão as mais assertivas.
É comum as pessoas responderem que a emoção é o que sentimos, mas, se levarmos uma 
pancada, ou um tombo na rua, isso pode ser considerado uma emoção? Isso serve de reflexão para 
um melhor entendimento.
A resposta para a questão é não, porque, como descrito anteriormente, a emoção é muito mais do 
que uma simples sensação corporal, o processo emocional envolve sentimentos que têm ativação de 
funções fisiológicas e cognitivas que gerenciam o comportamento.
Vamos imaginar que estamos andando em algum lugar e nos deparamos com um animal feroz na 
nossa frente, automaticamente o cérebro vai registrar a informação do animal, e uma série de mudanças 
corporais vai acontecer, como aumento dos batimentos cardíacos, boca seca, sudorese, se o intestino 
ou a bexiga estiverem cheios soltarão; ou seja, envolve uma relação com todo o corpo, de forma muito 
rápida, cerca de menos de um segundo, e nos move para uma ação.
As emoções estão envolvidas na adaptação em um conjunto de situações fundamentais ligadas 
à sobrevivência do organismo. As emoções estão também ligadas às estruturas evolutivamente mais 
primitivas e não precisam da intervenção da consciência para ocorrer. A emoção pode ser considerada 
como uma função adaptativa do organismo associada a comportamentos do cérebro que auxiliam o 
organismo a se adaptar ao meio (Primi, 2003).
109
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
Pelo fato de a emoção ser um processo complexo, passa por pelo menos seis componentes, divididos 
na seguinte ordem:
• Avaliação cognitiva: avaliação da pessoa sobre o significado pessoal de uma circunstância atual, 
que gera reações que representam outros componentes conectados de forma independente 
de uma emoção.
• Experiência subjetiva: estado afetivo ou tom do sentimento que a emoção traz.
• Tendências de pensamento e de ação: provocam a pensar e agir de determinadas maneiras, de 
modo particular.
• Sistema nervoso autônomo: divisão do sistema periférico que controla o coração e outros 
músculos lisos.
• Expressões faciais: contrações musculares que movimentam as características faciais, de acordo 
com o estímulo recebido.
• Respostas à emoção: forma como as pessoas regulam, reagem ou lidam com as suas próprias 
emoções ou com a situação que as acionou (Nolen‑Hoeksema et al., 2012). 
Atualmente, as emoções são consideradas essenciais para a sobrevivência e importantes para 
a aprendizagem. Podem ser decorrentes de experiências vividas e influenciar o fato de sermos 
bem‑sucedidos, característica de uma inteligência emocional.
A inteligência emocional tem sido tema de vários estudos. Muitos pensam que o conceito básico 
é a capacidade de simplesmente controlar as emoções, mas envolve muito mais, porque isso nem 
sempre é possível de forma direta – uma solução seria controlar comportamentos, o que pode alterar a 
questão comportamental.
A noção de inteligência emocional depende da definição da inteligência, da emoção e de sua 
interação. Uma descrição bastante ampla diz que a inteligência é a capacidade de se adaptar ao meio. 
Os fatores cognitivos indicam áreas mais especializadas do funcionamento cognitivo que favorecem a 
adaptação. A inteligência cristalizada elevada está associada ao maior conhecimento de informações 
sobre a cultura, o que por sua vez facilita muito a adaptação. A inteligência fluida elevada está associada 
à capacidade de resolver problemas por meio da descoberta de relações entre várias informações 
disponíveis. Isso faz com que a pessoa tenha uma maior compreensão dos eventos complexos que a 
rodeiam, trazendo uma vantagem adaptativa (Primi, 2003).
110
Unidade II
A relação entre inteligência e emoção é complexa e interdependente, influenciando a maneira 
como pensamos, tomamos decisões e interagimos com o mundo. Tradicionalmente, a inteligência 
era vista como uma medida do raciocínio lógico e da capacidade de resolver problemas (inteligência 
cognitiva ou quociente de inteligência – QI), enquanto as emoções eram vistas como reações 
sentimentais que, por vezes, até atrapalhariam o raciocínio. No entanto, estudos psicológicos e 
neurológicos demonstraram que as emoções desempenham um papel crucial na inteligência prática 
e adaptativa (Sousa; Salgado, 2015).
Roberts, Flores‑Mendoza e Nascimento (2002) afirmam que a inteligência emocional se refere 
à capacidade de perceber, avaliar e gerenciar as emoções próprias e as dos outros. Este conceito, 
popularizado por Daniel Goleman na década de 1990, sugere que, além do QI, o quociente emocional (QE) 
desempenha um papel crucial na forma como as pessoas lidam com desafios, relações e decisões. 
A inteligência emocional pode ser vista em cinco pilares:
• Autoconsciência: consiste em refletir sobre as próprias emoções e compreender como elas 
influenciam os pensamentos e comportamentos. Uma pessoa autoconsciente consegue identificar 
sentimentos em tempo real e perceber como eles afetam seu estado de espírito e suas ações.
• Autogestão: refere‑se à capacidade de gestão de reações emocionais, especialmente em situações 
difíceis. Inclui competências como autocontrole, adaptabilidade, iniciativa e automotivação, que 
permitem reagir de forma ponderada e não impulsiva.
• Motivação interna: a inteligência emocional implica ter um sentido de propósito que vai além 
de recompensas externas. Pessoas com alta inteligência emocional tendem a ser mais resilientes 
e persistentes, pois são impulsionadas pelo próprio desejo de crescimento e realização.
• Empatia: é a capacidade de compreender e sentir as emoções dos outros. Uma pessoa empática 
transmite sinais emocionais sutis, o que ajuda a comunicar‑se melhor e a desenvolver relações 
mais saudáveis e harmoniosas.
• Competências sociais: a inteligência emocional inclui habilidades de comunicação e de 
relacionamento interpessoal, como a gestão de conflitos e o trabalho em equipe. Pessoas 
emocionalmente inteligentes conseguem inspirar, liderar e colaborar eficazmente com os outros.
Ter uma boa inteligência emocional é importante em todas as áreas da vida, desde o ambiente 
profissional até as relações pessoais. Para desenvolver essa competência, algumas práticas úteis incluem 
a meditação, o diálogo interno positivo, a prática da escuta ativa e a autorreflexão regular.
Conforme comentado anteriormente, existem vários componentes dos processos emocionais, e nem 
sempre é possível descrever a quantidade de emoções existentes.
A fim de tentar levantar algumas possibilidades, Carroll Izard (1977) isolou dez emoções básicas: 
felicidade, interesse/excitação, surpresa, tristeza, raiva,nojo, desprezo, medo, vergonha e culpa, sendo 
que a maioria está presente desde a infância (Myers, 2015).
111
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
6.1.1 Teorias da emoção de James‑Lange
James‑Lange propõe que a experiência da emoção deriva de nossa percepção das reações fisiológicas 
aos estímulos que despertam a emoção. As emoções são resultado das mudanças fisiológicas, produzindo 
sensações diferentes que o cérebro irá interpretar.
William James e Carl Lange supunham que a resposta instintiva de chorar por uma perda nos leva a 
sentir tristeza; que atacar alguém que nos frustra resulta em nosso sentimento de raiva; e que tremer 
diante de uma ameaça faz com que sintamos medo. Para eles, cada emoção acompanha uma reação 
fisiológica ou visceral dos órgãos internos, chamada de experiência visceral. É esse padrão específico de 
resposta visceral que nos leva a nomear a experiência emocional (Feldman, 2015).
Nessa teoria, primeiramente temos acesso ao estímulo, que nos provoca uma reação fisiológica 
no organismo, e depois vem a emoção. A emoção é concebida como a tomada de consciência das 
modificações fisiológicas que são provocadas por determinados eventos (Dalgalarrondo, 2000).
Como exemplo podemos citar o fato de vermos um leão a nossa frente. Primeiro temos as sensações 
corporais de suor, taquicardia etc. (mudanças corporais), e depois sentimos o medo.
Nessa teoria, a crença é de que a experiência emocional é uma reação a eventos corporais que ocorrem 
como resultado de uma situação externa (“sinto‑me triste, por isso estou chorando”) (Feldman, 2015).
6.1.2 Teorias da emoção Cannon‑Bard
O fisiologista Walter Cannon considerou implausível a teoria de James‑Lange.
Cannon e o fisiologista chamado Philip Bard concluíram que a resposta fisiológica e nossas 
experiências emocionais ocorrem ao mesmo tempo: o estímulo que deflagra a emoção é encaminhado 
simultaneamente para o córtex cerebral, causando a consciência subjetiva da emoção, e para o sistema 
nervoso simpático, provocando a excitação corporal (Myers, 2015). As respostas corporais não são 
distintas o suficiente para evocar emoções diferentes (taquicardia pode ser decorrência do medo, da 
raiva ou do amor, por exemplo).
De acordo com essa teoria, depois que percebemos um estímulo que produz emoção, o tálamo é 
o ponto inicial da resposta emocional. A seguir, ele envia um sinal para o sistema nervoso autônomo, 
produzindo, assim, uma resposta visceral. Ao mesmo tempo, o tálamo também transmite uma mensagem 
para o córtex cerebral referente à natureza da emoção que está sendo experimentada. É importante que 
a mensagem enviada para o córtex cerebral difira de acordo com a emoção específica (Feldman, 2015).
O tálamo é composto por duas massas neuronais de substância cinzenta situadas nas regiões mesiais 
dos hemisférios cerebrais. As funções mais conhecidas do tálamo relacionam‑se com sensibilidade, 
motricidade, comportamento emocional e ativação do córtex cerebral (Cosenza, 2012).
112
Unidade II
6.1.3 Teorias da emoção Schachter
Stanley Schachter e Jerome Singer propuseram a teoria dos dois fatores da emoção. A experiência da 
emoção cresce a partir da consciência da resposta corporal. Nessa teoria, as emoções são determinadas 
conjuntamente por um tipo não específico de excitação fisiológica e sua interpretação com base nos 
sinais ambientais (Feldman, 2015).
Para eles, a fisiologia e a cognição (percepções, memórias e interpretações) criam a emoção. Na teoria 
dos dois fatores, as emoções têm dois componentes: a excitação física e o rótulo cognitivo (Myers, 2015).
Para exemplificar essa teoria, imagine que você está sendo seguido pelo carro da polícia e recebe o 
sinal para encostar, sem nenhum motivo aparente. A primeira reação seria um aumento dos batimentos 
cardíacos (fisiológico), e a parte cognitiva seria: “estou com medo” – ambas geram a emoção do medo.
 Observação
É importante mencionar que a emoção é uma função de extrema 
relevância e, quando afetada, altera secundariamente as outras 
funções cognitivas.
 
6.2 Função psíquica e suas alterações
As emoções se estruturam em três dimensões: valência (positivo/agradável; negativo/desagradável), 
alerta (calmo/tenso) e controle (possível ou impossível, como numa situação de pavor). Antecipações 
(conscientes) e avaliações emocionais (conscientes e inconscientes) influem nas decisões a serem 
tomadas e nos fatos que se impõem ao ser humano (Gil, 2002).
Segundo Damásio (2000), o substrato para a representação de emoções está em um grupo 
razoavelmente restrito de regiões subcorticais, começando no nível do tronco cerebral, do hipotálamo, 
do prosencéfalo basal e da amígdala. Uma vez ativados nessas áreas, os padrões potenciais de atividade 
representarão, no cérebro, a emoção como um objeto neural, modificando o estado corporal, com a 
liberação de mensagens químicas, neurais e a ativação de áreas cerebrais, criando um estado emocional.
Tomando como base essas informações, somos levados a pensar que as alterações emocionais 
dependem, acima de tudo, de como o indivíduo interpreta as informações que chegam do meio externo.
Existem algumas teorias que descrevem que todos nós temos receptores para doenças mentais, 
mas nem todos os desenvolvem, porque existe a questão de o indivíduo ser mais suscetível a fatores 
muitas vezes estressantes e/ou tristes que abalam o estado emocional, gerando os transtornos mentais.
113
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
O estresse é uma reação do organismo que ocorre frente a situações que exigem alguma adaptação. 
Os estudos sobre estresses abrangem não apenas as consequências no corpo e na mente humana, mas 
também suas implicações para a qualidade de vida da sociedade. O estresse pode afetar a saúde, a 
qualidade de vida e a sensação de bem‑estar como um todo (Lipp, 2001).
O estresse é uma reação fisiológica e psicológica do organismo a situações percebidas como 
desafiadoras ou ameaçadoras e que exigem alguma forma de adaptação. Essa resposta é natural e tem 
a função de preparar o corpo e a mente para enfrentar ou lidar com essas situações – sejam elas de 
natureza física ou emocional.
De forma mais detalhada, o estresse envolve uma série de mudanças fisiológicas e comportamentais 
que permitem ao indivíduo se adaptar ou responder de maneira eficiente às demandas do ambiente. 
Essa resposta é mediada por sistemas complexos do corpo, especialmente pelo sistema nervoso e pelo 
sistema endócrino, e pode ser desencadeada por diversos fatores.
• Desafios emocionais: problemas no trabalho, nas relações pessoais, preocupações financeiras, 
entre outros.
• Demandas físicas: exercícios extenuantes, falta de sono, fome etc.
• Fatores externos: situações de perigo iminente ou mudanças ambientais inesperadas, 
por exemplo.
O processo de estresse
• Fase de alerta (ou fase de alarme): quando o organismo percebe a ameaça, ou o desafio, ele 
ativa a resposta de “luta ou fuga”, que é mediada por hormônios do estresse, como adrenalina e 
cortisol. Isso resulta em mudanças fisiológicas imediatas, como aumento da frequência cardíaca, 
pressão arterial elevada, respiração acelerada e maior vigilância mental. Essas mudanças ajudam 
o corpo a se preparar para a ação rápida.
• Fase de resistência: se o estressor continuar, o corpo entra na fase de resistência, na qual tenta se 
adaptar ao estresse prolongado. Durante essa fase, o sistema imunológico pode ser comprometido, 
e a pessoa pode começar a experimentar exaustão emocional e física, mas ainda  tenta lidar 
com a situação.
• Fase de exaustão: quando o estresse persiste por muito tempo, o organismo pode alcançar 
a fase de exaustão. Nesse estágio, os recursos do corpo para lidar com o estresse se esgotam, o 
que pode resultar em problemas de saúde graves, como doenças cardíacas, depressão, ansiedade 
e enfraquecimento do sistema imunológico.
114
Unidade II
Tipos de estresse
• Estresse agudo: resposta imediata e temporária a um estressor específico. É a forma mais comum 
e geralmentenão causa problemas em longo prazo se o estressor for resolvido rapidamente.
• Estresse crônico: quando o estresse é contínuo ou recorrente e o corpo não tem tempo suficiente 
para se recuperar. Pode levar a uma série de problemas de saúde física e mental, como hipertensão, 
depressão, ansiedade e transtornos do sono.
• Eustresse (estresse considerado como positivo): é o estresse que pode ser benéfico 
em determinadas circunstâncias, como antes de uma apresentação importante ou um evento 
desafiador, em que ele pode melhorar o desempenho e a motivação.
• Distresse (estresse considerado como negativo): refere‑se ao estresse que sobrecarrega o 
indivíduo, criando sensações de angústia, insegurança e incapacidade de lidar com a situação, 
o que pode prejudicar a saúde física e mental.
Aspectos psicológicos do estresse
O estresse não afeta apenas o corpo, mas também o estado emocional e cognitivo da pessoa. 
Algumas reações psicológicas comuns ao estresse incluem:
• ansiedade e preocupação excessiva;
• irritabilidade ou raiva;
• dificuldade de concentração e memória prejudicada;
• sentimento de impotência ou desesperança;
• alterações no humor, incluindo tristeza ou euforia.
Impacto em longo prazo
Se o estresse não for gerido adequadamente, pode desencadear uma série de problemas 
psicológicos e somáticos. Entre eles, incluem‑se:
• Transtornos de ansiedade, como o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e transtorno do pânico.
• Transtornos do humor, como a depressão entre transtornos associados ao estresse.
• Doenças cardiovasculares, devido ao aumento da pressão arterial e à inflamação crônica.
• Distúrbios do sono, como insônia e apneia do sono.
115
PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
• Problemas digestivos, como síndrome do intestino irritável.
• Enfraquecimento do sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível a infecções.
Manejo do estresse
Embora o estresse seja uma resposta natural e adaptativa, aprender a gerenciá‑lo de maneira 
saudável é essencial para a manutenção do bem‑estar. Algumas estratégias incluem:
• Técnicas de relaxamento: meditação e respiração profunda.
• Exercícios físicos: a prática regular de atividades físicas ajuda a reduzir os níveis de cortisol e 
melhora o humor.
• Gestão do tempo e organização: melhorar a capacidade de gerenciar tarefas e prioridades 
reduz a sensação de sobrecarga.
• Apoio social: conversar com amigos, familiares ou um profissional de saúde mental pode 
proporcionar alívio emocional.
• Sono adequado: dormir o suficiente é crucial para o bem‑estar geral e a capacidade de lidar 
com o estresse.
O estresse é um processo pelo qual percebemos e respondemos a certos eventos que julgamos 
ameaçadores ou desafiadores, ou seja, não é algo que acontece na hora, mas de algo que já vem 
acontecendo e simplesmente se manifesta, o que abre a possibilidade para vários problemas de saúde, 
dentre eles os transtornos do humor.
6.2.1 Transtornos de humor
Transtornos nos quais a perturbação fundamental é uma alteração do humor ou do afeto, no sentido 
de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma elação (estado de alegria patológica e 
sensação de grandeza).
Em geral, são acompanhados de uma modificação do nível global de atividade. O diferencial para 
se saber que se trata de um transtorno do humor patológico é quando existe uma síndrome (ou seja, 
um conjunto de sintomas) com duração e gravidade que levam a uma perda substancial da capacidade 
funcional do indivíduo.
A maioria desses transtornos tende a ser recorrente, e a ocorrência dos episódios individuais pode 
frequentemente estar relacionada com situações ou fatos estressantes.
116
Unidade II
Este grupo é composto pelas seguintes categorias no CID‑10: episódio maníaco, transtorno afetivo 
bipolar (TAB), episódios depressivos, transtorno depressivo recorrente, transtornos de humor (afetivos) 
persistentes, outros transtornos do humor (afetivos), transtorno do humor (afetivo) não especificado.
Apresentam causas multifatoriais: fatores endógenos (neurobiológicos e genéticos) e fatores 
exógenos (psicossociais).
Existe um modelo neuroanatômico de estruturas cerebrais envolvidas na fisiopatologia dos 
transtornos do humor, baseado nas suas funções de regulação, expressão e reconhecimento de emoções 
específicas, que corresponde ao: córtex pré‑frontal, amígdala, hipocampo, tálamo e gânglios da base.
Os gânglios basais também estão relacionados ao desgosto, sensação comum nos enfermos 
com esquizofrenia e depressão. Em razão de suas funções motoras, os gânglios basais parecem também 
estar envolvidos na coordenação de respostas apropriadas ao estímulo original, tentando fazer com que 
o organismo alcance o seu objetivo (adoção de comportamento de aproximação ou de retraimento) 
(Esperidião‑Antonio et al., 2008).
 Saiba mais
Para saber mais sobre o transtorno do humor e a neuropsicologia, 
sugerimos a leitura da indicação bibliográfica a seguir.
FUENTES, D. et al. Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: 
Artmed, 2008.
6.3 Localização cerebral
Existem vários circuitos relacionados às emoções que estão localizados em várias regiões no 
encéfalo, com inúmeras conexões com o córtex, os núcleos, as estruturas mesiais, o tronco encefálico 
e o cerebelo.
As áreas cerebrais envolvidas nos processos emocionais estão localizadas nas estruturas mesiais 
dos lobos temporais e frontais, que seriam o hipocampo, o fórnix, os corpos mamilares, o hipotálamo, 
os núcleos talâmicos anteriores e o giro do cíngulo. Não podemos deixar de mencionar o sistema límbico, 
considerado como o sistema central na integração das emoções.
 
O sistema límbico (circuito de Papez e, em particular, a amígdala e o giro do 
cíngulo) é o suporte das reações emocionais básicas (ou primárias), ligado 
à substância reticulada (que modula o alerta) e às estruturas corticais, 
que permitem as representações (visuais, auditivas...) e as avaliações (lobo 
frontal), adaptando o comportamento emocional em função da história e 
do meio ambiente próprio a cada indivíduo (Gil, 2002, p. 251).
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PSICOLOGIA INTERDISCIPLINAR
O hipocampo tem papel importante na expressão emocional, e o giro do cíngulo (no lobo frontal) 
seria uma região receptora da experiência emocional. Algumas estruturas cerebrais têm sido estudadas, 
para verificar a sua importância para as respostas emocionais, são elas: a amígdala, a porção medial do 
lobo frontal e o lobo parietal direito (Laks; Rozenthal; Engelgardt, 1996). Ele exerce importantes funções 
relacionadas ao comportamento e à memória. Pessoas submetidas à remoção bilateral dos hipocampos 
conseguem acessar a memória aprendida, mas não conseguem aprender qualquer informação nova. 
Essa área também está integrada à tomada de decisões, pois, quando o hipocampo interpreta um sinal 
neuronal como importante, provavelmente essa informação será armazenada na memória.
A amígdala, situada na região temporal medial, é ativada em situações com marcante 
significado emocional, como encontros agressivos ou de natureza sexual; está também relacionada 
aos aprendizados emocionais e ao armazenamento de memórias afetivas. Ademais, a amígdala é 
responsável pela formação da associação entre estímulos e recompensas e durante muito tempo foi 
marcada pela função de identificação de medo.
A área pré‑frontal vem sendo considerada a “sede” da personalidade. Essa estrutura participa na 
tomada de decisões e na adoção de estratégias comportamentais mais adequadas à situação física e 
social; ademais, parece estar relacionada à capacidade de seguir sequências ordenadas de pensamentos 
e a modalidades de controle do comportamento emocional (Esperidião‑Antonio et al., 2008).
O giro do cíngulo, localizado na porção medial dos lobos frontais, é uma região envolvida de modo 
estratégico no controle das emoções.
O lobo parietal direito recebe projeções da amígdala, permitindo que os estímulos emocionais 
sejam integrados a aspectos objetivos da consciência e da memória declaratória (consciente)

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