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Cultura e contemporaneidade
Unidade 3 - Afirmações identitárias contemporâneas
Introdução
Nesta unidade, veremos que, para se construir um mundo mais fraterno, onde a diversidade cultural seja respeitada, algumas questões de ordem prática e objetiva devem ser combatidas. Embora muitas delas não tenham a sua origem na globalização, elas tornaram-se mais importantes a partir do aceleramento desse processo. Sendo assim, o mundo contemporâneo precisa enfrentar os grandes deslocamentos populacionais, muitas vezes de nações inteiras, gerados pelo xenofobismo em suas áreas de origem, que, contudo, não cessa quando chegam a um outro espaço, já que esse também é permeado dessa característica. Além disso, outros tipos de intolerância se apresentam, além da xenofobia, como a geracional, a de gênero e até mesmo contra as pessoas que precisam de necessidades especiais.
1. Como os conflitos territoriais, alguns deles influenciados pela intensificação do processo de globalização, geram deslocamentos culturais?
2. Com o advento da globalização, que reafirma a importância do “novo” em detrimento do “velho”, como se dá o conflito geracional?
3. Em um mundo que, no discurso, incentiva a diversidade cultural, quais são as possibilidades e os desafios de implementar políticas que incentivem a acessibilidade?
Objetivo
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
· Justificar sob a forma de discursos e práticas a oposição às posturas excludentes tais como homofobia, xenofobia, sexismo, intolerância religiosa e discriminação racial, respeitando a diversidade cultural.
Conteúdo Programático
Esta unidade está dividida em:
· Aula 1 - Conflitos territoriais entre o local e o global: os deslocamentos culturais e os processos xenofóbicos.
· Aula 2 - Identidades de gênero e orientação sexual: o sexismo e a homofobia em debate. As tensões geracionais: conflitos e convivência social.
· Aula 3 - Inclusão, deficiência e contexto social: possibilidades e desafios das políticas de acessibilidade.
 No início dos anos de 1990, com o fim da Guerra Fria e a vitória do capitalismo sobre o socialismo, acreditava-se que a paz mundial, definitivamente, seria alcançada. Para surpresa de todos, conflitos ocorreram no seio da Europa, o continente que se autoproclamava mais civilizado do globo, como, por exemplo, o que acabou por fragmentar a Iugoslávia (1991-2001) e que teve como um dos seus motivos a limpeza étnica.
No Oriente Médio, também, logo estourou outra guerra extremamente importante que envolvia a disputa pela principal fonte de energia utilizada no mundo, o petróleo. A guerra do Iraque levou a ocupação daquele país, rico no referido material fóssil, pela coalizão liderada pelos EUA, entre os anos de 2003 e 2011. Uma das justificativas era de que o governo iraquiano de Saddam Hussein tinha ligações com o grupo terrorista Al-Qaeda. A partir de então, inaugurava-se uma nova era global marcada pelo conflito Ocidente x Oriente (islamismo).
Esse novo cenário permite a nós, ocidentais, ver a primeira foto sem nenhum estranhamento, com naturalidade, o que não ocorre com a segunda. No geral, associamos os muçulmanos (praticantes da religião islã) ao terrorismo! Como será que essa ideia foi construída?
Aula 1 - Conflitos territoriais entre o local e o global: os deslocamentos culturais e os processos xenofóbicos
A humanidade convive com conflitos territoriais há muito tempo, talvez desde os seus primórdios. Com a intensificação da globalização na contemporaneidade, que, em alguns loci, acarretou o (re)descobrimento de identidades culturais adormecidas, os conflitos passaram a ser motivados por questões de imposição de identidade cultural baseadas na xenofobia, uma radicalização do etnocentrismo. Muitos deles acarretaram o uso de violência simbólica e, sobretudo, física contra povos e nações que possuíam outras identidades culturais, caracterizando um genocídio. A esses povos, só restava fugir de seus espaços originários levando suas culturas, o que acarretou deslocamentos populacionais gigantescos.
 Esses povos não buscam apenas mudar de bairros e cidades, mas procuram regiões ainda mais distantes, fora de seus países, muitas vezes atravessando diversas fronteiras e instalando-se em outros continentes, inclusive. Para além da questão da sobrevivência, eles são atraídos pelo próprio discurso da globalização de “negação” de fronteiras, pela propaganda de que essas regiões, para as quais se dirigem, são um oásis de consumo e de luxo, no qual todos participam, entre outros motivos tidos como positivos.
No entanto, o processo de globalização, como já vimos, não é total. E ao chegarem a seus destinos, tais promessas apresentam-se como falácias. A integração desses indivíduos à sociedade receptora, que daria emprego e possibilitaria o consumo por parte desses imigrantes, não se completa, posto que ela é comandada por uma ótica econômica pautada no neoliberalismo. Assim, como vimos também, nem todos os países que recebem esses imigrantes, embora estejam em condições melhores dos que os países originários, possuem expressiva participação nos lucros da globalização. Contudo, mesmo os países que se apropriam desse montante distribuem a riqueza em suas fronteiras de modo cada vez mais concentrado. Como pano de fundo dessa questão, há um problema de ordem discursiva e prática. Para o comércio e o capital, não há barreiras ou essas são muito pequenas para que se estabeleça a circulação entre diversos países, o que não ocorre com a mão de obra, especialmente, a desses imigrantes, que, no geral, se apresentam como desqualificada.
O problema entre discurso e prática é motivado, entre outras coisas, porque o processo de globalização apresenta-se com diferentes intensidades de velocidade de tal forma que a integração econômica e comercial não se dá no mesmo ritmo que a migração.
Como a globalização é um processo inevitável, cabe se pensar nos pontos positivos que ela pode trazer para a humanidade a fim de que se possa construir um mundo no qual a fraternidade se imponha e a diversidade cultural possa ser respeitada. Para isso, é necessária a adoção de uma série de políticas, em especial, por aqueles países que a comandam e que não fazem valer o discurso empregado, fazendo, portanto, “propaganda enganosa”. Uma dessas incoerências se dá exatamente no modo como eles lidam com a aceitação de imigrantes em seus territórios.
A questão é central para o desenvolvimento econômico dos países que não comandam o processo de globalização. Entretanto, esse não é o único paradoxo e problema. Existiriam outros, a saber:
1. A incoerência do discurso de abertura de fronteiras para a circulação de capitais e de mercadoria e do fechamento delas para a migração, como descrito acima.
2. A própria liberdade de circulação também não ocorre, uma vez que os países, que conduzem a globalização, adotam políticas protecionistas, especialmente na área industrial, ou práticas de subsídio, que incidem particularmente sobre a produção de gêneros agrícolas. Esse é um dos problemas que impedem os países pobres de crescerem economicamente, uma vez que não conseguem competir no mercado internacional.
3. A falsa ideia de que todos os países são parceiros na globalização, pois essa é conduzida pelos países mais ricos de acordo com seus interesses, os quais atuam de forma violenta e imperialista quando esses interesses estão em xeque.
4. A ideia de que a abertura para a economia mundial resultaria em crescimento econômico para todos os Estados.
5. A imensa dívida que os países não desenvolvidos possuem, não tendo como ser liquidada, o que sufoca as suas econômicas, pois grande parte de seus recursos é utilizada para saldá-la.
6. O desenvolvimento tecnológico concentra-se nos países ricos e a sua transferência para os países pobres ocorre de modo muito devagar, não sistemático, consumindo muito capital dos países pobres, sendo justificada pela questão do direito à propriedade intelectual.
7. As economias dospaíses pobres são mais vulneráveis às flutuações do mercado internacional.
No que pese, a globalização é o principal motivo da migração internacional por conta dos motivos expostos acima, sendo ela ainda motivada por guerras locais, algumas movidas pela xenofobia, e por desastres ambientais. Todavia, cabe sublinhar que uma maior liberdade de circulação de pessoas não acabaria com os problemas dos países pobres e tão pouco derrubaria as desigualdades econômicas entre os países, mas poderia torná-las menor.
Xenofobia
A xenofobia tem sido o foco de preocupação de várias instituições globais, dentre as quais a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura –Unesco. Essa instituição realizou quatro conferências mundiais que discutiram políticas que visassem combater o racismo e a xenofobia, em 1978, 1983, 2001 e 2009. A última conferência, em especial, acabou por rever a chamada Declaração de Durban (África do Sul) contra o racismo, produzida em 2001. Nesse documento, podemos ver que a instituição apontou inúmeras questões a respeito da relação da xenofobia com os conflitos territoriais e com o deslocamento populacional.
Para entendermos um pouco mais a respeito dos deslocamentos populacionais, temos que chamar a atenção para o fato de que, apesar das barreiras políticas que os países desenvolvidos impõem, o deslocamento físico é muito mais fácil do que era há tempos atrás, por conta do desenvolvimento de tecnologias de transporte. Muitas dessas inovações são utilizadas por imigrantes ilegais que buscam adentrar as fronteiras dos países desenvolvidos, os quais não estão dispostos a aceitá-los.
 
Ao se instalarem em seu “novo endereço”, esses passam a ter outro problema, o da integração à cultura do país receptor e das práticas xenofóbicas que se apresentam com cada vez mais intensidade. Muito dessa característica de repúdio ao imigrante deve-se, como salientado na documentação citada da Unesco, por uma propaganda equivocada veiculada na mídia de que o imigrante irá “roubar” o emprego do nacional e causar um gasto excessivo por parte do Estado receptor no que diz respeito aos serviços sociais (escola, moradia, saúde etc.), o que não corresponde à verdade.
Hoje em dia, as economias dos países desenvolvidos necessitam da presença de imigrantes. Por isso, torna-se urgente que esses Estados definam e adotem políticas claras de combate a xenofobia dentro de seus espaços nacionais. O cenário para os imigrantes nem sempre é o mesmo, uma vez que se pode dividi-los em dois grupos, a saber:
· Migrantes voluntários.
· Migrantes involuntários (refugiados de guerra).
Para o que nos interessa, a questão relativa aos conflitos territoriais, o segundo grupo será abordado.
Migrantes involuntários
Os migrantes involuntários procuram fugir de vários cenários, como guerras, guerras civis, crises socioeconômicas, violência, pobreza etc. Eles são obrigados a abandonar o seu cotidiano, deixando para trás seus laços pessoais, suas histórias, suas recordações, seus bens etc., buscando salvar as suas vidas e a de seus familiares mais próximos em outros países, não escolhendo, portanto, migrar por motivos exclusivamente econômicos. Contudo, nem todos os migrantes são refugiados, porque nem todos foram forçados a sair de suas áreas de origem, sob pena de perderem suas vidas.
Os migrantes forçados constituem-se em mão de obra barata e estão em uma posição de vulnerabilidade muito grande, visto que eles não têm nenhuma proteção do país de origem — porque são perseguidos pelas instituições políticas existentes em seus países ou porque, em seus países, não há instituições políticas que lhes assegurem direitos, devido à mesma precariedade que os levaram a emigrar.
Para proteção desses agentes, a Organização das Nações Unidas – ONU criou, em 1950, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados – Acnur, uma instituição com preocupações humanitárias que visa proteger os refugiados. Segundo a referida comissão, os refugiados podem ser enquadrados em cinco grupos.
 
Os países membros da ONU têm o dever de proteger os refugiados e garantir que eles não sejam deportados ou sejam devolvidos aos seus países, onde têm a sua vida ameaçada. Esse princípio vem sendo construído sobrepondo-se a ideia vigente no direito internacional de que um indivíduo não estabelece relações com outros Estados a não ser o de sua origem. Estados receptores não teriam responsabilidade sobre os refugiados, uma vez que esses não possuem a sua nacionalidade. Todavia, coloca-se uma discussão importante para nosso curso, que diz respeito a importância de se resguardar os direitos humanos desses refugiados.
Tem se entendido que a preservação dos direitos humanos é mais relevante do que a não relação desse refugiado com o Estado receptor de tal forma que esse mesmo Estado passa a ter deveres para com o refugiado, qual seja, garantir que seus direitos humanos sejam respeitados, uma característica que fora defendida pela Declaração de Durban (África do Sul) contra o racismo, como vimos. A tensão expressa-se entre soberania estatal X direitos humanos, porque de um lado o Estado pretende ter o controle sobre a imigração, de outro, a opinião pública internacional pressiona para que esse Estado garanta que os refugiados tenham respeitados os direitos humanos, sobretudo os que lhes garantam o direito à vida.
Nesse sentido, por exemplo, as Convenções de Genebra, acordos internacionais assinados entre 1864 e 1949, que se preocupavam com questões ligadas ao socorro de civis e militares em épocas e regiões de conflitos, impõem limitações à gerência dos Estados de suas fronteiras no que diz respeito à migração.
Embora haja muito a ser feito, para felicidade da humanidade, os direitos humanos têm se imposto sobre a soberania nacional, pressionada pela opinião pública internacional e por organizações não governamentais – ONGs que atuam no mundo inteiro, o que tem levado os países a aceitar e seguir, com maior rigor, os tratados internacionais que assinam e que preveem a sobreposição dos direitos humanos à soberania nacional. Apesar do avanço, contudo, ao fim, os direitos desses refugiados precisam da ação dos Estados.
A questão também pode ser lida pelo viés cidadania pós-nacional X nacionalidade. Todas as pessoas têm direito a uma nacionalidade. Ao mesmo tempo, cada Estado tem o direito de definir quem pode ser seu cidadão. Todavia, com o processo de globalização, o Estado tem perdido poder não apenas para os indivíduos, mas também no campo da política. Em relação ao primeiro, ele perde a capacidade de definir quem pode ser seu cidadão, uma vez que os direitos universais, como os direitos humanos, passam a se sobrepor à soberania nacional. No segundo, suas fronteiras são redesenhadas de modo a ficarem menos sólidas, visto que não se constituem como barreiras eficazes que impedem a entrada de refugiados.
De tal modo, a cidadania vai deixando de ser uma característica nacional para se tornar pós-nacional, internacional. A cidadania, antes ligada a um conjunto de direitos específicos de um determinado Estado, passa a ter, assim, uma validade internacional, defendida e caracterizada por instituições supranacionais. Por outro lado, com essa mesma globalização e com a (re)emergência de movimentos étnicos, que demandam que o Estado obedeça aos direitos internacionais, como o de preservação de suas culturas específicas, a etnicidade também acaba por ajudar no enfraquecimento da cidadania. É esse pertencimento a uma etnicidade específica, por exemplo, que permitirá ao indivíduo pertencer e participar de uma comunidade política, sem necessariamente passar pela comunidade política clássica (o Estado nacional). Estamos a delinear, na verdade, a construção de uma cidadania universal, global, um conjunto de direitos que independe do Estado e que pertence a humanidade.
A questão gera um problema, ou seja, a perda do controle por parte das sociedadesestatais, que deixariam de definir as suas identidades e especificidades, e dos direitos a que seus cidadãos possuem. Outros dirão que o problema se encontra no quesito da segurança nacional, visto que os Estados perdem o controle dos indivíduos que entram e saem de seus territórios, acarretando medo e insegurança, sobretudo, em países ocidentais, que são obrigados a lidar com o terrorismo, com o narcotráfico e com a xenofobia. Seria efetivamente o refugiado uma ameaça física e cultural? A humanidade não tem o dever de lhe garantir o direito básico à vida? Problemas e questões que se colocam na ordem do dia e que serão bastante discutidas no século XXI, na contemporaneidade.
Aula 2 - Identidades de gênero e orientação sexual: o sexismo e a homofobia em debate. As tensões geracionais: conflitos e convivência social
Nesta aula, iremos tratar de duas tensões existentes na contemporaneidade. A primeira de caráter etário e a segunda de caráter de gênero.
Como vimos, a identidade cultural de uma classe/grupo/povo/indivíduo é dinâmica, já que absorve ou reforça suas características identitárias de modo a dialogar com as questões que se colocam no presente. Uma dessas identidades culturais está ligada ao caráter etário e geracional dos indivíduos, a qual gera conflitos que comumente chamamos de “choque de gerações”.
Parte desses problemas e conflitos geracionais tem origem nos valores que são considerados positivos em nossa sociedade. Em nosso mundo contemporâneo, baseado no avanço da tecnologia e no desenvolvimento industrial, atribuímos aos idosos as imagens de um passado que deve ser negado pelo jovem no presente, posto que já superado, sendo, portanto, inútil. O futuro também se torna problemático por conta da incerteza da vida. Os jovens veem nos idosos doentes, fracos fisicamente, senis etc. o seu próprio futuro. Dessa forma, os afastam ou até mesmo os exterminam como se estivessem extirpando esses problemas de si mesmos.
Contudo, quem são os idosos no Brasil?
Segundo o Estatuto do Idosos (Lei nº 10.741/2003), são considerados idosos as pessoas com mais de 60 anos. Esses possuem a prerrogativa de que seus direitos sejam resguardados pelo Estado juntamente com os demais cidadãos.
Como se sabe, as leis só são criadas quando existe um problema a ser solucionado. Sendo assim, se, em nossa sociedade, tal questão, a exclusão do idoso, não se apresentasse, ou seja, se esses atores tivessem seus direitos respeitados, tal lei não seria necessária.
Todavia, no que pese a existência de um grupo de pessoas, que se chamam de idosos, definido por sua faixa etária, esse não possui uma identidade homogênea e sim plural. Ao contrário de outras identidades, a do idoso não é construída por uma memória coletiva do grupo a que pertence, não faz parte de um “grupo minoritário” e não é construída em uma relação de oposição. Ela é associada ao mundo do trabalho, ou seja, quando se atinge uma determinada idade na qual é possível se aposentar e sair do mundo laboral. Porém, ser idoso é mais do que isso!
A categoria idosa, como todos as categorias, é histórica. Portanto, ser idoso, hoje, não significa ser idoso em outros períodos históricos, que, por exemplo, poderiam nem ter essa categoria. Por outro lado, em nossa sociedade contemporânea, cada um dos idosos, ao passar por aquele ciclo natural descrito acima, o faz de maneira diferente. Cada um deles passa por experiências únicas, que serão fundamentais para a criação de sua identidade cultural de idoso.
Se nos apropriarmos da ideia de Pierre Bourdieu (1983), veremos que as classificações etárias dentro de uma sociedade são realizadas entre seus agentes por meio de disputas de poder e por prestígio social. Ao se definir essas classificações, também se estabelecem rituais de passagem entre essas mesmas categorias. Esses rituais dialogam com as questões que lhes são presentes, as quais, no mundo contemporâneo, foram rediscutidas. Em nossa sociedade, essas divisões etárias condicionam comportamentos, atitudes e valores que acabam por segregá-las e colocá-las em uma constante tensão.
Deve-se destacar que essa identidade cultural também opera de acordo com os variados contextos sociais. Assim, envelhecer para as mulheres não significa a mesma coisa do que para os homens. Tornar-se maduro para as classes mais abastadas economicamente não é o mesmo que tornar-se maduro para as classes menos abastadas economicamente. Por outro lado, o indivíduo pode ser visto como “velho” no seio de sua família, enquanto no âmbito laboral não.
Outra questão, que se coloca na conceituação de idosos, é o fato de que dentro dessa categoria há várias faixas etárias.
Diante do quadro múltiplo apontado acima, como é a atuação desses agentes na sociedade contemporânea? Nesse cenário, destacam-se as idosas, que em sua juventude participaram ativamente do movimento de liberação feminina e continuam a ser protagonistas de suas vidas. Peguemos esse grupo como exemplo.
A questão geracional no Brasil começou a se tornar mais patente nos anos de 1990, quando o crescimento demográfico evidenciou a grande quantidade de idosos, que começavam a se movimentar para que seus direitos fossem respeitados. Todavia, discussões conceituais apareceram muito lentamente e, consequentemente, muitos dos problemas, a que esses personagens passavam ou passam, não eram abordados, como, por exemplo, a violência, sobretudo a empreendida contra a mulher idosa.
As mulheres idosas não sofrem a mesma violência que a perpetrada contra a mulher jovem. A mulher idosa, geralmente, sofre violência de seus parentes diretos — filhos e netos — a qual costuma ser abafada pela família. Isso ocorre por diversos fatores, entre os quais gostaríamos de destacar três:
Essas tensões apresentam-se com bastante propriedade em nossa sociedade, que sofre com o desemprego, valoriza o consumo e oferta péssimas condições de vida para seus integrantes. Por outro lado, temos um Estado cada vez menos atuante na esfera social, que obriga o idoso a se amparar quase que exclusivamente no seio de sua família. Os seus membros sofrem com o desemprego, contudo, buscam o consumo desenfreado de bens, vendo, portanto, no idoso a possibilidade de obterem uma melhora de vida, ao gerir a vida desse. Cerceia-se o seu direito de ir e vir, decide-se a maneira pela qual irão administrar seus recursos financeiros, dita-se o modo pelo qual ele manterá suas relações amorosas (com ou sem a presença de relações sexuais), tendo, como pano de fundo, o discurso de que o estão tratando com afetividade e cuidado. Essa tensão ocorre com maior propriedade nas mulheres idosas.
Para saber mais a respeito do feminismo, leia a obra: OKIN, S. M. “O multiculturalismo é ruim para as mulheres?”
Para saber mais a respeito do sexismo, leia a obra: CARNEIRO, Si. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2011, p. 119-136.
Michel Foucault (1984), um dos sociólogos mais respeitados, defendeu que, na modernidade, a característica mais importante para definir a identidade seria a sexualidade. A identidade sexual seria uma das mais importantes, visto que ela atua diretamente no corpo do indivíduo e em sua faceta mais íntima e privada. Ao mesmo tempo, o corpo sexual seria a menor escala local que dialoga com as escalas globais. O processo de globalização, como vimos, redefiniu as identidades, uma das quais a sexual, e como resposta a ele, o par da identidade sexual (homem e mulher) se acentuou. Por outro lado, dentro desses polos, houve uma fragmentação. Assim, não há mais “homens” e sim “homens” de diferentes etnias, religiões, classes sociais etc. Dito isso, para compreender a cultura na contemporaneidade, deve-se analisar a construção da identidade sexual.
Para saber mais a respeito da sexualidade na obra de Foucault, leia: CASTRO, Edgardo. Introdução a Foucault. Belo Horizonte: Autêntica, 2015, p. 99-102. Disponível na Biblioteca Virtual.
O que nos resta perguntar é: no mundo contemporâneo, essas identidades binárias são suficientes para entender as identidades sexuais dos indivíduos?Para a caracterização de um desses polos, basta dizer que ele “é” o que o “outro” não “é”? Essas duas identidades dão sentido a todas as pessoas que vivem em um sem número de sociedades? Porém, não seriam as identidades dinâmicas, de modo que as identidades sexuais também seriam?
As identidades são requisitadas por quem as têm, sendo construídas de forma dialógica com as estruturas e relações de poder existentes em uma determinada sociedade e que operam contra a desigualdade e a opressão. Nesse sentido, com a globalização na contemporaneidade tornando-se cada vez mais intensa, cabe a pergunta: a quais interesses respondem a definição das identidades sexuais binárias?
Definir novas identidades sexuais não interessa aos homens (heterossexuais). Contudo, as outras identidades sexuais que surgem respondem às necessidades dessas categorias?
Mesmo a identidade sexual bipolar pode ser realmente válida? O indivíduo caracterizado como homem é, em todos os contextos, só homem?
Foucault (1984), ao estudar a história da sexualidade, concluiu que essas identidades fechadas começaram a ser elaboradas depois do século XVIII. Assim, deve-se sublinhar que essa identidade sexual fora construída, não sendo natural. Para edificá-las, é fundamental dominar a língua na qual se fala e o discurso sobre esse processo. Por isso, dominar a palavra, que resultará em um conceito, é fundamental não apenas para definir a sua identidade sexual, mas a dos outros também, o que se expressa em uma relação de poder.
As pessoas tornam-se homossexuais nas sociedades contemporâneas, como sublinharam Peter Fry e Edward MacRae (1985), devido a pressões sociais, visto que atuam na sociedade de modo a não se enquadrarem nas identidades sexuais binárias (homem e mulher). Os autores vão chamar a atenção para o fato de que as explicações a respeito de como uma pessoa se torna homossexual (seja religiosa, biológica, científica etc.) são expressões de ideologias, portanto, desnecessárias de serem sublinhadas, eivadas de conflitos e de relações de poder. Elas são muito mais reflexos de outros contextos sociais do que da homossexualidade em si.
Essas pressões sociais acabam, por meio de seus diversos atores, produzindo discursos confusos a respeito das práticas sexuais, que têm, em seu bojo, a preocupação de formulá-los para reproduzir a dominação vigente, de modo que é necessário revê-los. A questão tem tido bastante visibilidade na contemporaneidade, em um mundo que viu explodir o (re)surgimento de identidades. Inclusive, atualmente, o combate à homossexualidade é tido como uma violação dos direitos humanos.
A questão não chegou às escolas, embora o Ministério da Educação tenha recomendado que se fizesse essa discussão nessas instituições. O tema é importante, já que, se quisermos realmente construir uma sociedade mais plural, temos que criar nesse ambiente um maior grau de fraternidade, o qual seria reproduzido na sociedade mais ampla.
Estudos realizados pelo governo federal, como o “Brasil sem homofobia”, têm destacado que as escolas têm prestado um desserviço, já que disciplina a sexualidade heterossexual de seus alunos. O problema não é exclusivo do Brasil, mas no mundo inteiro. Tal fato levou a Unesco a lançar um caderno destinado aos profissionais da educação para que possam atuar contra a homofobia.
A questão torna-se urgente, pois os alunos homossexuais, pela ausência de políticas públicas na área da educação, possuem índices de insucesso — reprovação, evasão — muito maiores do que os outros, o que na fase adulta irá fazer com que suas perdas sejam ainda maiores, posto que não conseguem se inserir no mercado de trabalho, por conta de sua desqualificação, levando-os, assim, à marginalização social.
Para além desse problema, existe um outro de longo prazo. Os futuros adultos não conseguem ter uma formação mais humana que lhes permita construir uma sociedade mais plural. Além disso, a violência contra os homossexuais não cede. Assim, dificilmente iremos barrar o quadro pintado pelo Grupo Gay da Bahia.
Essa instituição mostrou que o ano de 2012 foi marcado pela homofobia. Naquele momento, o Brasil ocupou a desonrosa colocação de primeiro no ranking mundial de assassinatos homofóbicos. Constatou-se que 44% de todos os assassinatos de homossexuais no mundo ocorreram no Brasil. E pior, a violência também tem aumentado. Portanto, a questão torna-se fundamental, hoje, se realmente quisermos construir um mundo no qual prevaleça o respeito à diversidade cultural.
Aula 3 - Inclusão, deficiência e contexto social: possibilidades e desafios das políticas de acessibilidade
No mundo contemporâneo, também temos outros conflitos culturais que são menos explícitos do que os que foram trabalhados até aqui. Isso se deve ao fato de que a violência, que ocorre em seu interior, é muito mais simbólica do que física. É o caso dos indivíduos que possuem algum tipo de deficiência e que, por conta disso, têm dificuldades de serem incluídos em um contexto social mais amplo, sendo-lhes negado a acessibilidade, não apenas por conta da ausência de políticas públicas que tenham esse objetivo, mas também quando elas existem, mostram-se totalmente ineficazes, o que por si só já seria um reflexo da atenção que a sociedade demanda para a questão e para quem sofre essa violência.
Nos últimos anos, um dos temas correntes em relação ao respeito à diversidade se dá com a discussão em torno da questão da acessibilidade das pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, um dos direitos básicos reconhecidos por inúmeros países em acordos e documentos internacionais.
Porém, o que seria “deficiência”?
A Organização Mundial da Saúde – OMS, por meio da Classificação Internacional da Funcionalidade – CIF (2001, p. 13), definiu “deficiências” como “problemas nas funções ou nas estruturas do corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda”.
Deve-se destacar que não se classifica pessoas, mas sim características relacionadas a determinadas particularidades da saúde. Sendo assim, temos pessoas portadoras de deficiência e não pessoas deficientes.
O documento é fundamental pois norteia as políticas públicas de inclusão desses atores. Cabe destacar que somente profissionais credenciados podem aferir se a pessoa é portadora de uma deficiência. Para isso, são utilizados contextos de ordem pessoal e ambiental. Ou seja, esses especialistas estudam até que ponto as particularidades desses atores lhes trazem desvantagens, em relação aos demais membros de sua sociedade, quando se deparam com o ambiente em que vivem, seja ele físico ou social. 
 Ao observarmos a história, vemos que, em seu percurso, houve diversos episódios nos quais os portadores de deficiência física ou mental sofreram inúmeros processos de violência, seja física ou simbólica. Na contemporaneidade, infelizmente, também mantemos esse processo, seja porque (re)construímos estigmas e estereótipos para esses atores e/ou porque eles não se enquadram nos estigmas e estereótipos considerados ideais. Tal fato leva-nos a adotar ações negativas contra esses agentes, calcadas na discriminação, levando-os à exclusão social dos inúmeros espaços de vida coletiva.
Um dos locais privilegiados para ver como essa tensão identitária ocorre se dá na escola, uma instituição responsável pela inserção do indivíduo portador de deficiência na sociedade, mas que também reflete a maneira como essa encara a questão. A inclusão escolar, em especial no que tange à política e às práticas voltadas à educação especial, foi assunto de uma conferência internacional em 1994, que resultou em um documento intitulado Declaração de Salamanca (Espanha).
 A questão é bastante complexa. Alguns estudos mostram que a política de inclusão tem sido buscada sobre a forma de “inclusão total”, o que vem sendo criticada. O processo é feito de forma predeterminada com a utilização de um modelo já construído, que é aplicado de modo a padronizar a inclusão. Assim, no limite, a inclusão tem colocado os alunos portadoresde deficiência em escolas “normais”, ao lado de alunos “normais”, desconsiderando que aqueles precisam de atenção especial e diferenciada necessitam de recursos específicos, que não são os mesmos para os alunos ditos “normais”.
Essas escolas deixam de ser vistas como comuns para se tornarem escolas inclusivas. Todavia, essas unidades escolares estão longe de ser inclusivas, visto que não modificam suas práticas, embora tenham um discurso de respeito à diversidade, o que sem sombra de dúvidas é dificultado pela sua estrutura, devido à carência de recursos materiais e pedagógicos, falta de profissionais de administração, supervisão e orientação educacional e até a ausência de acessibilidade física aos prédios.
A inclusão torna-se, assim, uma falácia, pois a instituição escola, como outras tantas instituições sociais em nossa sociedade, acaba por não cumprir a determinação de que deve acolher todas as crianças independentemente de suas características. Tal prática está longe de ser uma exclusividade da escola, mas reflete os valores culturais de exclusão que permeiam nossa sociedade.
O problema, como visto, não está só na escola, mas sim em toda a sociedade. O portador de necessidades especiais, antes mesmo de ir para uma escola, já sofre em uma sociedade pautada pela exclusão quando de seu nascimento, na sua própria família, independentemente do tipo de família ao qual estejamos nos referindo, sejam as ditas heteroafetivas, as homoafetivas, as poliafetivas, as com maior ou menor escolaridade, as mais bem estruturadas ou as menos estruturadas economicamente, embora essas últimas sejam as que sofrem mais.
Os primeiros a se depararem com uma pessoa portadora de deficiência são os pais, que logo se fazem uma série de perguntas, algumas das quais incidem sobre o futuro de seus filhos quando eles tiverem falecido. Como será a interação social de seus filhos na sociedade, também é outra indagação bastante comum. Os pais não estão preparados para lidar com a questão, porque os profissionais que os cercam enfatizam, em seus diagnósticos, as limitações das deficiências de seus filhos e raras vezes informam como esses poderiam se desenvolver para vencê-las. Por outro lado, em termos sociais, as mídias pouco falam a esse respeito ou quando o fazem é de modo bastante superficial e preconceituoso, afinal, elas também são um reflexo dos valores que imperam na sociedade.
Nesse processo, os pais são fundamentais, já que serão os grandes responsáveis por fazer a mediação entre seus filhos e a sociedade, sendo que esses também precisam de ajuda especializada. É difícil para os progenitores romperem e lidarem com os estigmas altamente preconceituosos que permeiam a sociedade, que considera a deficiência como uma doença, um fardo, um problema. A questão torna-se mais inquietante para os que são das classes menos favorecidas que, devido à incapacidade do Estado de prover assistência, ficam completamente relegados ao mundo da marginalidade. Ao mesmo tempo, eles convivem em comunidades que possuem pouca informação, desconhecendo as habilidades dos portadores de deficiência.
Todo esse cenário de preconceito é pouco atacado pelas políticas públicas, por diversos motivos, as quais só existem no papel, não sendo, portanto, colocadas em prática. Programas parecidos são lançados por Ministérios e/ou Secretárias de forma não integrada. Ações governamentais ocorrem paralelamente a ações da iniciativa privada, também de modo estanque, e se dirigem a pequenos grupos. Essas ações não são constantes, sendo interrompidas quando um governo sai e outro assume.
Por outro lado, nenhum agente social (seja individual ou coletivo, privado ou público) se sente culpado e responsável por mudar o quadro. As ações são sempre empurradas para outras esferas. Assim, por exemplo, os portadores de deficiência, ao tentarem a inserção no mercado de trabalho, encontram as portas cerradas, pois se deparam com os chavões clássicos: “não temos vagas” ou “entre na fila de espera”. Ou, então, são encaminhados para o setor responsável (que irá resolver o problema, mas acaba também não resolvendo). Quando consegue romper essas características perversas, em épocas de crise, o trabalhador com algum tipo de deficiência é o último a ser contratado e o primeiro a ser desligado (demitido). Isso sem contar que seu salário médio é menor do que o de seus colegas.
No âmbito da saúde, os portadores de necessidades especiais passam por problemas semelhantes. Os locais de atendimento estão sempre lotados, são pequenos e não possuem infraestrutura para recebê-los. O acesso aos profissionais altamente especializados é muito difícil no âmbito público e na esfera privada custa muito caro, o que também ocorre com a tecnologia médica. As filas de espera para consultas e ferramentas que facilitariam suas vidas são sempre longas.
Na área social, a dificuldade também se apresenta, pois, comparada a outras, essa recebe menos verba. Porém, as que chegam não são direcionadas aos programas para as pessoas portadoras de deficiência ou são irrisórias. Além disso, o número de assistentes sociais é pouco para lidar com muitos portadores de deficiência.
Na área do lazer, do esporte e da cultura também há uma grande distorção em relação às políticas públicas. Assim, a área do lazer recebe pouca verba, que não é destinada aos programas voltados para a inclusão dos portadores de deficiência.
Para superar essa visão preconceituosa, há a necessidade de se mudar a maneira pela qual a sociedade encara os portadores de deficiência. Nesse sentido, algumas medidas urgentes devem ser tomadas, segundo Maria Maciel (2017, p. 54): obs. Não consta na referência.
a. De um trabalho de sensibilização contínuo e permanente por parte de grupos e instituições que já atingiram um grau efetivo de compromisso com a inclusão de portadores de necessidades especiais junto à sociedade;
b. Da capacitação de profissionais de todas as áreas para o atendimento às pessoas com algum tipo de deficiência;
c. Da elaboração de projetos que ampliem e inovem o atendimento a essa clientela;
d. Da divulgação da Declaração de Salamanca e outros documentos congêneres, da legislação, de informações e necessidades dos portadores de deficiência e da importância de sua participação em todos os setores da sociedade. (MACIEL, 2017, p. 54)
Entre essas instituições, a autora destacou a que merece mais atenção, que é, sem dúvida, a escola. Para isso, ao entrarem nesses espaços, as crianças portadoras de deficiências devem receber um olhar diferenciado em três áreas:
No ambiente de aprendizagem - Existem recursos que favorecem a aprendizagem? A arquitetura dos prédios possibilita a sua circulação e o uso de seus equipamentos? Há salas de apoio pedagógico? Há profissionais especializados que os acompanhem? Os currículos e as estratégias, para desenvolver o ensino, são adaptadas às suas realidades? Os membros da comunidade escolar estão aptos a respeitar e atender às suas demandas?
Na integração com o professor - Os professores, tanto o de sala de aula como o das salas de apoio, sabem o que é deficiência e qual é a do aluno? Esses profissionais tiveram uma formação que possibilitou a eles atuarem com alunos com necessidades especiais? Esses profissionais estabelecem estratégias conjuntas entre si, com a família e com os profissionais da área médica (psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas etc.)?
Na interação com os outros - Seus colegas receberam orientação para lidar com o colega portador de necessidades especiais, de modo que respeitem a sua diferença?
Um outro passo extremamente importante é criar mecanismos e instituições que fortaleçam, de fato, os direitos dessas pessoas. Para tal, devem ser direcionadas mais verbas ao setor, que naturalmente seriam aplicadas na contratação de profissionais capacitados a atuarem nas inúmeras áreas. Além disso, deve-se abrir espaço para que os próprios indivíduos portadores de deficiência também participem do processo de decisão.
A mídia deve ser chamada a participar de modo mais positivo, promovendo açõesinclusivas e mostrando, em seus canais, atitudes positivas a respeito dessa parcela da população. Ela deve ter, em seu interior, equipes de análise e crítica dos conteúdos produzidos que atuem juntamente com os conselhos de defesa da pessoa portadora de deficiência, evidenciando, assim, possíveis erros que possam cometer.
Por último, cabe lembrar que, para a criação de uma sociedade em que se respeite a diversidade cultural, esses personagens, como todos os outros, independentemente de suas características culturais, carecem de ser incluídos na sociedade e, por conta disso, necessitam ter acesso a todos os recursos gerados por ela. Além disso, a inclusão e a acessibilidade dos portadores de deficiência significam também um fator de ordem econômica, visto que eles podem e devem ser inseridos no sistema produtivo de nossa sociedade, o que fatalmente diminuiria o seu custo social para com esses agentes. Portanto, o problema de inclusão não é apenas individual, nem familiar, mas de toda a sociedade.
Encerramento
1. Como os conflitos territoriais, alguns deles influenciados pela intensificação do processo de globalização, geram deslocamentos culturais?
Os novos conflitos culturais, na contemporaneidade, são influenciados pela redefinição de fronteiras, não apenas física/geográfica, mas também culturais. Esse processo acabou por gerar migrações forçadas ou voluntárias de uma parcela significativa de pessoas, tanto para as sociedades que “perdem” ou “ganham”, o que acabam, muitas vezes, intensificando os processos xenofóbicos.
2. Com o advento da globalização, que reafirma a importância do “novo” em detrimento do “velho”, como se dá o conflito geracional?
Em um mundo que se pauta pela importância da inovação, os valores tradicionais, guardados pelos indivíduos mais velhos, ficam rapidamente obsoletos e inúteis. Dessa forma, seus possuidores, as gerações mais velhas, acabam ocupando um lugar “secundário” nessa sociedade imediatista, liderada pelos seus integrantes jovens.
3. Em um mundo que, no discurso, incentiva a diversidade cultural, quais são as possibilidades e os desafios de implementar políticas que incentivem a acessibilidade?
Vivemos em uma sociedade, em que pese o discurso constantemente vazio, que preza a inclusão social, o que muitas vezes não ocorre. Assim, o Estado e a sociedade civil organizada passam a ter a responsabilidade de pensar e executar políticas públicas que visem tornar verdadeiro, em sua plenitude, tal discurso.
Resumo da Unidade
Nesta Unidade, estudamos alguns discursos e práticas culturais excludentes que assolam o mundo contemporâneo, tais como homofobia, xenofobia, sexismo. Podemos ver que muitos conflitos territoriais, calcados na xenofobia, resultam no genocídio de populações inteiras. Tentando sobreviver, a única opção que resta a esses povos é fugir para outros países, tornando-se migrantes forçados. Contudo, ao se deslocarem e se instalarem em uma nova região, os conflitos culturais continuam a existir. Outros conflitos extremamente importantes, que presenciamos hoje, especialmente na sociedade brasileira, se dá contra os que se negam a adotar uma identidade cultural de gênero, baseada no dualismo masculino/feminino, e contra os idosos, sobretudo, vitimando as mulheres idosas. Vimos também que a exclusão cultural na contemporaneidade reproduz um processo bastante comum na história da humanidade, que é a violência — simbólica ou física — contra portadores de algum tipo de deficiência física ou mental. Desse modo, para a construção de uma sociedade mais tolerante e que respeite a diversidade cultural, essas práticas, entre outras, devem ser combatidas por políticas públicas e por ações individuais.
PÚBLICA
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