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Sociolinguística- Uma-introdução crítica
8 pág.

Linguística Universidade Federal do Rio de JaneiroUniversidade Federal do Rio de Janeiro

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## Resumo Crítico de *Sociolinguística: uma introdução crítica* de Louis-Jean CalvetA obra *Sociolinguística: uma introdução crítica*, de Louis-Jean Calvet, traduzida por Marcos Marcionilo, representa um marco fundamental para o estudo da sociolinguística no Brasil, preenchendo uma lacuna histórica na literatura acadêmica nacional. Apesar do país possuir uma intensa e reconhecida produção científica na área, faltava um livro introdutório acessível que apresentasse os princípios básicos da sociolinguística para estudantes e interessados. Calvet, renomado sociolinguista francês, não se limita a uma exposição neutra dos conceitos, mas adota uma postura crítica e engajada, denunciando como a língua pode ser usada como instrumento de dominação social e exclusão, e como as teorias linguísticas muitas vezes carregam ideologias e preconceitos, mesmo quando disfarçados de “objetividade”.No prefácio, Marcos Bagno destaca a importância da obra para o cenário brasileiro, ressaltando que Calvet vai além da simples teoria, promovendo uma militância contra as atitudes discriminatórias que permeiam o uso da língua. Um exemplo emblemático é a crítica ao linguista William Labov, que valoriza excessivamente o “vernáculo negro-americano” em detrimento do “código elaborado” das classes dominantes, que para Labov seriam vazios e redundantes. Calvet, porém, alerta para os riscos de tais “preconceitos positivos”, que podem obscurecer a complexidade das relações sociais e linguísticas. Essa visão crítica é um fio condutor do livro, que busca construir uma ciência da linguagem onde o social seja o objeto central, e não um mero acessório subordinado à linguística interna tradicional.O conteúdo do livro está organizado em seis capítulos que abordam desde a gênese da sociolinguística, passando pelas línguas em contato, atitudes linguísticas, variáveis linguísticas e sociais, até as políticas linguísticas. Calvet inicia com a discussão das origens do conflito entre uma visão estruturalista da língua (Saussure, Meillet) e a necessidade de uma concepção social da linguagem, destacando contribuições de Bernstein, Bright e Labov. Em seguida, explora fenômenos como empréstimos, interferências, diglossia, alternância de código e o papel das línguas veiculares, ilustrando com exemplos que facilitam a compreensão dos processos sociolinguísticos em contextos urbanos e coloniais.Outro ponto central do livro é a análise das atitudes linguísticas, onde Calvet discute preconceitos, inseguranças, hipercorreção e a relação entre variação linguística e identidade social. Ele enfatiza que as variações não são apenas fenômenos linguísticos, mas também sociais, refletindo e reproduzindo desigualdades e tensões. O capítulo sobre variáveis linguísticas e sociais aprofunda essa relação, apresentando exemplos como o “vernáculo negro-americano” e a gíria, e discutindo conceitos como variações diastráticas, diatópicas e diacrônicas, além da noção de mercados linguísticos e comunidades linguísticas versus sociais.Na parte final, Calvet diferencia a sociolinguística da sociologia da linguagem, abordando perspectivas micro e macro, redes sociais e a transição do analógico para o digital, mostrando a complexidade e a interdisciplinaridade do campo. O livro conclui com uma reflexão sobre as políticas linguísticas, distinguindo entre o plurilinguismo “in vivo” (natural) e “in vitro” (planejado), e discutindo as ações sobre a língua e as línguas, ressaltando a importância de políticas conscientes para a valorização da diversidade linguística e a luta contra a exclusão social.Além do texto principal, a edição brasileira oferece um guia de leitura, um glossário de termos técnicos e notas de rodapé com exemplos da realidade linguística brasileira, tornando a obra didática e acessível. A publicação é, portanto, não apenas uma introdução teórica, mas um convite à reflexão crítica sobre o papel da língua na sociedade, a importância da sociolinguística como ciência social e a necessidade de combater as desigualdades linguísticas e sociais.---### Destaques- A sociolinguística deve ter o social como objeto central, superando a linguística interna tradicional.- A língua é instrumento de dominação e exclusão social, e as teorias linguísticas podem conter preconceitos ideológicos.- Fenômenos como diglossia, alternância de código e variações linguísticas refletem tensões sociais e identitárias.- A obra diferencia sociolinguística e sociologia da linguagem, abordando perspectivas micro e macro e a transição para o digital.- Políticas linguísticas eficazes são essenciais para valorizar a diversidade e combater a exclusão social.

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