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Princípio da Eficiência

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há algum tempo vêm adotando 
medidas como as aqui tratadas, inclusive com 
grande êxito.
De outra banda, impende esclarecer que as 
referidas sugestões têm em mira, neste momento, 
apenas as dívidas ativas relacionadas com o 
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e 
Serviços (ICMS), que é o grande sustentáculo 
do Estado e o maior responsável pelas cobranças 
judiciais, muitas delas com envolvimento de 
expressivas quantias.
Portanto, o que se espera é que o planejamento 
mais direcionado venha a otimizar a utilização 
dos recursos humanos e materiais existentes, 
a fim de que o Estado do Paraná possa obter 
mais e melhores resultados em sua tarefa legal e 
institucional de recuperar os valores a si devidos 
pelos contribuintes.
Com vistas a tal fim, passa-se a discorrer sobre 
as medidas consideradas importantes.
5.1 Não Ajuizamento de Dívidas Ativas 
 de Pequeno Valor
O ajuizamento de processos demanda o 
dispêndio de numerário e tempo, representados 
por atos relativos à inscrição em dívida ativa, 
alimentação de dados no cadastro respectivo, 
impressão de extratos do valor da dívida e dados 
do contribuinte, petição inicial, impressão de 
capa de autuação, conferência de documentos, 
assinatura de petição, alimentação do Sistema de 
Controle de Processos Judiciais (SPJ), distribuição 
de ações, atos dos Juízes e Serventuários da 
Justiça, acompanhamento e manifestação dos 
Procuradores do Estado etc.
Resta indubitável que uma ação, independente 
do valor em cobrança, traduz um certo e 
determinado custo operacional, tanto de elementos 
materiais como humanos.
Isto significa que a Administração Pública 
deve aferir a viabilidade do ajuizamento de ações 
até determinado valor, promovendo em seguida 
as medidas necessárias visando obter autorização 
legal para deixar de propô-las em tais casos.
A União Federal, por exemplo, não ajuíza ações 
de valor igual ou inferior a R$ 10.000,00, nos 
termos do que lhe autoriza a Lei n.o 11.033/2004 
(DOU de 22.12.2004).
Vale advertir que o custo do processo não está 
atrelado apenas aos materiais utilizados, mas 
principalmente ao elemento profissional humano 
que nele atua, seja no âmbito administrativo 
(Procurador e demais Agentes Públicos) ou judicial 
(Juiz, Serventuários da Justiça).
Desse modo, faz-se necessário que se determine 
um minucioso estudo acerca de qual valor 
apresenta-se viável economicamente para o 
ajuizamento das ações executivas fiscais.
Saliente-se que tal providência não denota 
renúncia de receitas, pelo simples fato de que 
as despesas do processo superam o eventual 
e incerto recebimento dos valores devidos ao 
fisco. Assim, não há qualquer infração à Lei de 
Responsabilidade Fiscal.
Acerca do tema, aduz Carlos Henrique ABRÃO 
(2006, p. 83):
Volta-se para o consagrado exemplo da cobrança 
de dívida ativa de valores irrisórios, quando o 
gasto é maior do que a colocação em prática da 
função da máquina, eis que o custo-benefício 
nada representa, quando então as Fazendas 
Públicas, nos âmbitos de suas competências, 
resolveram estabelecer um teto mínimo para 
ensejar a execução fiscal.
Por oportuno, cabe esclarecer que o 
procedimento hoje existente de suspensão do 
ajuizamento de ações não atende aos fins sob 
análise, haja vista que no quinto ano do prazo 
prescricional acabam as certidões de dívida ativa 
desaguando no Poder Judiciário, ainda que não 
tenha alcançado determinada quantia. Outrossim, 
há que se fazer um levantamento mais detalhado 
acerca dos valores gastos para a inscrição em dívida 
ativa e o ajuizamento respectivo.
483Capítulo 8 - Administração e Previdência
Gestão de Políticas Públicas no Paraná
O estudo ora proposto deverá levar em 
consideração que impostos como o IPVA – Imposto 
sobre a Propriedade de Veículos Automotores - 
devem ter um tratamento diferenciado, pois quase 
sempre se cuidam de valores baixos.
Estabelecidas as part icular idades de 
determinados impostos e dívidas (IPVA, 
ITCMD, multas penais etc.), resta indubitável 
que o estabelecimento de um valor mínimo para 
o ajuizamento das ações é estritamente necessário, 
pois além de economizar recursos públicos ainda 
diminui o volume de trabalho dos Procuradores 
e dos Juízes, com aumento de tempo para o 
acompanhamento de outras ações de maior 
importância.
5.2 Cuidados e Providências na 
 Elaboração da Petição Inicial
No Estado do Paraná as petições iniciais das 
ações executivas fiscais e as certidões de dívida 
ativa correlatas são confeccionadas e emitidas pela 
Secretaria de Estado da Fazenda, que em seguida 
as remete à Procuradoria Geral do Estado para o 
respectivo ajuizamento.
Conquanto o referido órgão fazendário tenha 
em seus cadastros o(s) nome(s) e o(s) endereço(s) 
do(s) o representante(s) legal(is) da sociedade que 
será executada, na peça que dá início ao processo 
executivo é mencionado apenas o endereço desta 
última.
Ocorre que quando do ajuizamento das ações 
a imensa maioria dos contribuintes já promoveu 
o encerramento de suas atividades empresariais. 
Referida situação tem provocado a prática 
desnecessária de atos processuais e considerável 
atraso no andamento dos feitos executivos, 
especialmente quando a ação tramita em cidades 
maiores (Curitiba, Londrina, Maringá etc.).
Na quase totalidade dos casos o mandado de 
citação é devolvido sem o devido cumprimento 
pelo Oficial de Justiça, sob o argumento de que 
o executado encerrou suas atividades no local 
e seu representante legal encontra-se em local 
ignorado.
Diante deste quadro, revela-se necessário 
promover a alteração no programa da Secretaria 
de Estado da Fazenda/Setor de Dívida Ativa, 
no intuito de que na petição inicial passe a 
constar não somente o endereço da pessoa (física 
ou jurídica) executada, mas também o de seu 
representante legal. 
Além disso, parece salutar que nos casos em que 
já se tenha a notícia de que o contribuinte encerrou 
irregularmente suas atividades (hipótese comum 
quando há várias ações ajuizadas contra o mesmo 
contribuinte), os Procuradores proponham desde 
já a ação contra os responsáveis tributários, ainda 
que tal providência demande um pouco mais de 
tempo para o seu ajuizamento.
A experiência tem demonstrado que na 
imensa maioria das ações em face de pessoas 
jurídicas há a inclusão de sócios no iter processual, 
principalmente em decorrência da dissolução 
irregular da sociedade sem o pagamento dos 
tributos devidos.
No nosso sentir, nada obsta que já estando 
comprovada a dissolução irregular da sociedade 
(dissolução de fato, sem as providências legais), 
ou a prática de atos com infração à lei (ex.: 
infração fiscal), a ação seja proposta em face do 
contribuinte e do(s) responsável (is) tributário(s), 
consoante autoriza os arts. 4.º, inc. IV, da Lei n.o 
6.830/1980, 135, inc. III, do Código Tributário 
Nacional e 582, inc. V, do Código de Processo 
Civil, devendo em tais casos haver a devida 
fundamentação na petição inicial.
Para o sucesso desta empreitada, faz-se 
imprescindível um trabalho de convencimento 
junto ao Poder Judiciário, demonstrando a 
legalidade e a economicidade de assim se 
proceder.
5.3 Arquivamento Provisório de Processos
Os Procuradores do Estado possuem sob 
sua responsabilidade um número de processos 
executivos fiscais muito superior ao que se poderia 
chamar de recomendável ou aceitável, consoante 
já mencionado nas linhas antecedentes.
Vale lembrar que a atuação do Procurador 
lotado no interior do Estado, por exemplo, 
não se limita aos processos executivos fiscais 
(cobrança da dívida ativa), tendo, ainda, como 
incumbência, manifestar-se nas mais diversas 
modalidades de ações (inventário, arrolamento, 
separação judicial, divórcio, usucapião), além 
de promover o ajuizamento de determinadas 
484 O Princípio da Eficiência na

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