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Conceitos básicos de Economia Você vai aprender os fundamentos e as contribuições mais recentes da ciência econômica, bem como a história do pensamento econômico, para ter uma compreensão contextualizada da economia moderna. Maria Eduarda Barroso Perpétuo1. Itens iniciais Propósito Entender os conceitos fundamentais e a história do pensamento econômico é importante para compreender o que é a ciência econômica e como a pesquisa econômica evoluiu até os dias atuais. Objetivos Definir conceitos fundamentais para compreensão das análises econômicas. Descrever uma breve história do pensamento econômico. Descrever a agenda de pesquisa econômica atual. Introdução estudo de qualquer ciência começa com uma série de conceitos básicos. Em economia, iniciaremos falando sobre as escolhas das pessoas sobre como alocar recursos, dado que há limites no que podem fazer. Apresentaremos também a evolução da ciência econômica ao longo do tempo e descreveremos os caminhos que estão sendo desenvolvidos.1. Primeiros conceitos econômicos Uma digressão sobre economia e ciência Economia vem do grego e significa casa e lei. Mas também gerir ou administrar. Daí entendemos o sentido de regras da casa ou administração doméstica. Mas o que é, de fato, economia? Economia é uma ciência social que estuda a produção, a distribuição, a acumulação e o consumo de bens e serviços. Ela busca entender como indivíduos, empresas, governos e nações fazem escolhas sobre como alocar recursos para satisfazerem suas necessidades e como podem se organizar e coordenar esforços para alcançar melhor resultado possível. Mas que é uma ciência? Ciência é uma forma de compreender o mundo, assim como a religião, a intuição e senso comum. Porém, a ciência produz conhecimento por meio de experimentos e teorias. Por exemplo, por meio da teoria geocêntrica, a astronomia estudou a Terra como fixa no centro do universo, e todos os outros corpos celestes orbitavam ao seu redor. Essa teoria foi substituída no século XVI pelo Heliocentrismo (ou seja, Sol está no centro e todos os demais astros celestes orbitam ao seu redor), sistematizado por Nicolau Copérnico, após observações e aprofundamentos de estudos que existiam desde a Grécia Antiga. Portanto, existem diversas teorias nas quais não é necessário acreditar, porque já foram substituídas ou até desacreditadas. Em contrapartida, outras foram reforçadas e aprimoradas, como a cartografia. Por exemplo, o mapa de Çatal Huyuk, elaborado provavelmente em 6.200 é uma prova de que a humanidade sempre utilizou meios para se guiar. Com a evolução da humanidade e dos mapas, você acreditaria que o mundo é bidimensional ao olhar um aplicativo de mapas em seu celular? Certamente, não! A teoria nada mais é do que uma ferramenta imperfeita. Baseada na realidade observada (natural, social, econômica etc.), seu o objetivo é ser útil para explicar o fenômeno estudado. Assim, muitas vezes, ela pode ser reduzida a simplificações grosseiras. uso das siglas AEC (antes da Era Comum) e EC (Era Comum) tem como objetivo uma escrita inclusiva, sem distinção de crença ou cultura. São equivalentes aos termos antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). precursor da ciência moderna é Francis Bacon, que, no século XVI, deixou registrado que "saber é poder". A partir dele e da Revolução Científica Moderna, começa a busca pelo desenvolvimento de um compreensão sistemática da natureza que permita atingir objetivos concretos.Exemplo Se chove, nós nos molhamos. Se determinado medicamento for utilizado, a mortalidade de certa doença será reduzida. Assim, há a tentativa de compreender o mundo por meio da relação de causalidade. Mas como sabemos se uma teoria é útil? Geralmente, submetemos a teoria ao teste empírico, ou seja, ela deve explicar determinado conjunto de dados. Por exemplo, se a teoria diz que "se chove, algo se molha", buscamos uma série de dados sobre "chuva ou sol" e sobre "objeto molhado ou seco", e vemos se a teoria explica a relação empírica observada. teste empírico deve sempre ser construído de modo que isole as variáveis relevantes do problema. Em outras palavras, ele deve tomar "tudo mais como constante" para não comprometer resultado da avaliação. Afinal, é comum haver outras variáveis que afetem as observações, por exemplo, uma superfície pode estar molhada porque alguém a lavou com água encanada. Embora um teste empírico possa ser bem-sucedido, devemos dizer que não rejeitamos a teoria. Não podemos aceitá-la absolutamente porque, desde o princípio, sabemos que ela é imperfeita, mas seguimos com ela enquanto não for rejeitada nem surgir outra mais aperfeiçoada (isto é, que explique melhor os dados). Uma digressão sobre economia e ciência Acompanhe neste vídeo a economia como ciência social, e entenda a importância da teoria e do teste empírico. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Escolha individual Acompanhe, neste vídeo, como as escolhas individuais guiadas pelos princípios da escassez de recursos, custo real, decisão marginal e oportunidades de melhoria são fundamentais em todas as atividades econômicas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vamos entender primeiro que a ciência econômica é tipicamente dividida em: Microeconomia Macroeconomia Estuda Exemplo: Qual deve ser a X Analisa a Exemplo: Por que do setor de economia de a inflação de agentes telefonia para garantir maneira aumentou? individuais. cobertura adequada à agregada. população? Em todos os casos, precisamos analisar a escolha individual dos agentes envolvidos.Qualquer questão em economia envolve escolha individual, independentemente de estarmos no campo da micro ou da macroeconomia. Em última instância, até decisões macroeconômicas são baseadas em uma série de decisões individuais sobre o que fazer ou não. Portanto, podemos dizer que economia é sobre escolhas. Quando vamos à feira, há Alguém pode O fato de alguns diversos produtos em argumentar que produtos estarem à inúmeras barracas. É pouco basta comprar outra venda na feira já provável que tenhamos geladeira. Contudo, envolve uma dinheiro para comprar tudo o espaço em sua escolha. feirante o que desejamos e, mesmo casa é limitado, de escolheu quais itens que tenhamos, é possível forma que levar para a feira, e que não haja espaço precisamos escolher os produtores suficiente na geladeira para qual alimento agrícolas também guardar todos os produtos. comprar e qual escolheram quais colocar na geladeira. cultivariam. Notamos, então, que todas as atividades econômicas passam por escolhas. Existem quatro princípios econômicos contidos na escolha individual: Escassez de recursos Custo real Decisão marginal Oportunidades de melhoria A seguir, conheceremos melhor cada um deles. Escassez de recursos No geral, não podemos ter tudo que queremos. Nossa renda é limitada, o que restringe o que podemos adquirir. A renda que escolhemos gastar indo ao cinema, por exemplo, equivale à que deixamos de gastar com algum outro bem ou serviço. Todavia, existem alguns indivíduos muito ricos, e você deve estar pensando que eles podem ter tudo. Até eles não podem fazer tudo que querem, porque há a limitação de tempo: o dia possui apenas 24 horas. Assim, o tempo que escolheremos dedicar a determinada atividade não poderá ser usado a outra. Por exemplo, o tempo que dedicamos ao nosso sono é um momento em que deixamos de trabalhar. Fazer escolhas apenas reflete fato de que os recursos são escassos. Recurso é qualquer elemento que pode ser usado na produção de um bem. Em economia, geralmente consideramos trabalho, a terra, o capital físico e o humano (conquistas educacionais e habilidades individuais) como recursos. Podemos afirmar que:Um recurso é escasso quando sua quantidade disponível é insuficiente para satisfazer todos os usos que uma sociedade quer fazer dele. (Krugman; Wells, 2001) Há diversas formas de tomar decisões. Uma delas é permitir que elas surjam como o resultado de escolhas individuais, que acontece, normalmente, em economias de mercado. Há também decisões que a sociedade considera que é melhor não serem fruto do resultado de escolhas individuais, porque são prejudiciais na maioria dos casos. Por exemplo, consumir bebida alcoólica e dirigir. Custo real gasto de adquirir algo envolve também o que dispensamos para realizar a aquisição. Imagine que você prestou vestibular para uma universidade privada e conquistou a aprovação para o curso integral em ciências econômicas. custo monetário de estudar em uma universidade privada é valor da mensalidade mais gasto com passagem, alimentação e material. Mas isso não inclui tudo: esse não é custo real de estar em uma universidade privada. Estudar em tempo integral significa que você está abrindo mão de fazer um curso de inglês pela tarde ou de trabalhar em algum estabelecimento. custo de desistir de outra atividade se chama custo de oportunidade. Esse é um conceito essencial em economia e se trata do que abdicamos ao deixar de escolher nossa segunda melhor alternativa. custo real de algo é a soma de seus custos monetário e de oportunidade. Portanto, todo gasto é um custo de oportunidade. Observe o caso a seguir para entender melhor:Exemplo Em 2011, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro formulou o programa Renda Melhor Jovem, que consistia em depósitos na poupança de jovens que cursavam o ensino médio em escolas públicas e eram beneficiados pelo programa e pelo Cartão Família Carioca. Após a conclusão do ensino médio, os jovens poderiam usar essa poupança. A ideia de pagar um valor para eles estudarem tem como base o conceito de custo de oportunidade, pois muitos jovens pobres abandonam a escola para trabalhar e ajudar suas famílias. Decisão marginal Diversas escolhas importantes em nossas vidas começam com a pergunta: "Quanto?". Não só com relação ao dinheiro, pois essa pergunta se refere também à quantidade. Ou seja, se você está cursando duas disciplinas microeconomia e macroeconomia precisa escolher quanto tempo vai dedicar para estudar cada uma delas. % $ $ X Em economia, entendemos escolhas de "quanto?" como uma decisão marginal. Gastar mais tempo estudando microeconomia significa que você possivelmente terá um benefício nessa matéria: tirar uma nota mais alta. Porém, isso também implica menos tempo estudando macroeconomia. Sua decisão envolverá um trade-off, ou seja, comparar entre o custo e o benefício. Essa comparação faz parte da escolha. Como decidir, então, quanto tempo dedicar a cada uma das disciplinas? Você pode não perceber, mas, no geral, decisões desse tipo são tomadas a cada momento. Imagine que as provas de microeconomia e macroeconomia sejam na mesma data. No dia anterior, você decide dedicar metade do tempo à macroeconomia e, a outra metade, para a outra disciplina. Porém, antes de chegar ao fim do tempo destinado à macroeconomia, você nota que é melhor dedicar mais tempo do que que tinha pensado. À noite, já com sono, você percebe que ainda faltou conteúdo da disciplina, mas ainda está finalizando o de microeconomia. que fazer? Se você teve nota melhor em umaprova anterior de microeconomia, possivelmente optará por dedicar tempo disponível restante à macroeconomia. Trata-se de um exemplo de decisões marginais. Elas envolvem um trade-off na margem, isto é, a análise do custo-benefício de um pouco mais de uma atividade e um pouco menos de outra. Trade-off Trata-se de um dilema, isto é, uma situação em que comparamos o custo e benefício e realizamos uma escolha que envolve também renúncias. Muitas decisões no nosso dia a dia são tomadas com base em análises marginais, que desempenham papel fundamental na economia. Se alguém está com sede, decide se vai tomar um copo de água ou não. Após primeiro copo, ele avalia se ainda quer tomar segundo, e assim por diante. Não tomamos uma decisão apenas entre não beber água ou tomar toda a água da casa, mas também entre um copo ou um gole a mais. A decisão sobre um gole adicional é uma decisão na margem. Oportunidades de melhoria Para começar, observe este caso: Exemplo Todo mês de outubro, os supermercados Guanabara realizam uma promoção de aniversário, que é bastante famosa no Rio de Janeiro. Diversas propagandas passam na televisão, e alguns jornais enviam repórteres para cobrir o evento. Sempre que vemos as notícias, reparamos que há enorme quantidade de pessoas nas lojas. Mas por que, se esses produtos são vendidos normalmente no dia a dia? Segundo os consumidores, os preços durante as promoções são melhores que em qualquer outra época do ano. Assim, quando as pessoas veem uma oportunidade de melhorar sua situação - nesse caso, por meio da compra de produtos mais baratos elas aproveitam. Em geral, ao tentarem prever como os indivíduos se comportarão em alguma situação econômica, profissionais economistas consideram que as pessoas aproveitarão a oportunidade de melhorar suas situações. Assim, elas são exploradas até que se esgotem, isto é, até que tenham sido plenamente aproveitadas pelas pessoas. De modo amplo, o fato de que as pessoas exploram oportunidades de melhorar sua própria situação é uma hipótese largamente adotada em modelos econômicos. Quando houver redução do preço do chocolate, mais consumidores irão comprá-lo. Se salário de profissionais de engenharia diminuir muito e o dos médicos aumente mais, é provável que alguns alunos do ensino médio deixem de prestar vestibular para engenharia e mudem para medicina. Quando há mudanças nas oportunidades disponíveis e, consequentemente, de comportamento, afirmamos que as pessoas se deparam com novos incentivos. Para economistas, qualquer tentativa de alteração de atitude é fruto de mudanças de incentivos. Portanto, uma política que peça às indústrias que poluam menos só será eficaz se gerar uma mudança de incentivos condizente com objetivo de redução da poluição.Exemplo Durante a pandemia da covid-19, diversas medidas foram tomadas para seu enfrentamento, como a proibição de frequentar praias e a de sair sem o uso de Para que essas medidas tivessem resultado, não bastou pedir à população para mudar de comportamento. Os governos instituíram multas caso as obrigações não fossem cumpridas. Dessa forma, a população teve uma mudança de incentivos. Para reforçar seu aprendizado, assista ao vídeo com uma breve contextualização sobre os princípios econômicos contidos na escolha individual. Os quatro princípios da escolha individual para análise econômica Acompanhe neste vídeo os quatro princípios fundamentais que guiam as escolhas individuais na análise econômica. Assista! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Mercados: interações entre indivíduos Neste vídeo, veremos como a economia de mercado coordena a produção por meio da interação das decisões individuais, destacando a importância do comércio, da moeda, da busca pelo equilíbrio e da eficiência versus equidade. Abordaremos também falhas de mercado e a necessidade de intervenções governamentais quando necessário. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Uma economia é o sistema que coordena a produção de muitos agentes. Em uma economia de mercado, isso ocorre sem centralização: cada indivíduo toma sua própria decisão. Todavia, as decisões individuais dependem das decisões dos demais. Portanto, para compreendermos como funciona uma economia de mercado, precisamos entender a interação entre as escolhas individuais. resultado da escolha de diversas pessoas pode ser bem diferente daquilo que os indivíduos esperariam. uso de novas técnicas agrícolas é um exemplo.Quando agricultores adotam novas tecnologias, há uma produção tão grande que o resultado é a redução do valor do produto, levando diversos produtores a saírem do mercado. A interação entre indivíduos em uma economia de mercado possui cinco princípios: 1. Ganhos de mercado. 2. Movimentação dos mercados em direção ao equilíbrio. 3. Uso eficiente dos recursos para alcance dos objetivos da sociedade. 4. Mercados rumo à eficiência. 5. Ação governamental em prol do aumento de bem-estar. Vamos entender cada uma! Ganhos de mercado São oriundos da divisão de tarefas, conhecida como especialização, ou seja, cada indivíduo se ocupa de poucas atividades. Os mercados permitem que as pessoas se especializem, pois sabem que podem encontrar os bens e serviços que desejam e trocar com outros indivíduos. Imagine que uma pessoa tente suprir sozinha todas as suas necessidades. Ela produz seus tecidos, costura suas roupas, planta seu alimento, pinta seus próprios quadros e constrói sua própria casa. Deve ser possível viver dessa forma, mas parece uma vida bastante dura. A existência do comércio torna possível que os indivíduos dividam tarefas entre si e ofertem bens ou serviços demandados por outras pessoas em troca dos bens e serviços que desejam. Na maioria das sociedades, há poucos indivíduos tentando viver de forma autossuficiente, porque existem ganhos de comércio.Exemplo Duas pessoas, ao trocarem e dividirem, podem obter aquilo que mais desejam. Pode ser que Gabriel seja melhor que Rafael cozinhando, e que esse seja melhor na faxina. Isso permite que Gabriel seja responsável pela comida e a troque com Rafael por faxina. Moeda costuma ser definida como qualquer ativo que pode ser utilizado facilmente para comprar bens e serviços. Um ativo é líquido quando pode ser convertido em dinheiro vivo de forma simples. Portanto, moeda consiste no próprio dinheiro vivo, que é, por definição, líquido, embora ela também possa ser convertida em outros ativos altamente líquidos. A moeda tem papel fundamental em uma economia, pois gera ganhos de comércio. Isso é possível porque ela permite que trocas indiretas sejam realizadas, acabando com o problema da dupla coincidência de necessidades, que ocorria em um sistema de escambos. Além disso, a moeda tem três funções: Meio de troca Cumpre papel de um ativo que as pessoas utilizam para trocar bens e serviços. Reserva de valor É uma forma de guardar poder de compra ao longo do tempo. Unidade de conta Representa uma medida que as pessoas utilizam para fixar preços e fazer cálculos econômicos. Movimentação dos mercados em direção ao equilíbrio Aprendemos princípio que afirma que as pessoas aproveitam oportunidades de melhorar sua situação. Por exemplo, em geral, quando vamos à Conforme as pessoas praia, buscamos um espaço na areia que chegam à praia, elas tenha menos gente para nos instalarmos. buscam local mais vazio, No verão, não restam muitos espaços até não haver mais nenhum. vazios. Isso acontece porque os indivíduos Todas as oportunidades de buscam explorar as oportunidades para melhoria acabaram, pois já melhorar de situação. foram exploradas. Economistas chamam de equilíbrio a situação em que as pessoas não podem melhorar, fazendo, individualmente, algo diferente.Uma economia está em equilíbrio quando nenhum indivíduo pode melhorar sua situação adotando uma ação diferente. Os mercados, normalmente, alcançam o equilíbrio por meio da mudança de preços, que aumentam ou diminuem, até que todas as oportunidades para melhorar a situação individual tenham se esgotado. Portanto, cada vez que houver uma mudança, a economia se moverá em direção a um novo equilíbrio. Uso eficiente dos recursos para alcance dos objetivos da sociedade que importa para economistas não é o dinheiro, mas o bem-estar das pessoas em uma sociedade. Assim, os recursos de uma economia são usados de forma eficiente quando todas as oportunidades de melhorar a situação de cada um são exploradas por completo. Entendemos que uma economia é eficiente quando utiliza todas as oportunidades de melhorar a situação de uma pessoa sem piorar a de outras. Exemplo Mariana mora na zona rural e planta hortaliças. Sua terra é pequena e sua plantação está morrendo por falta de espaço. Pedro, vizinho de Mariana, é proprietário de um latifúndio, e não usa a terra para nada. Claramente, a terra dessa economia está sendo usada de forma ineficiente. Há uma maneira de melhorar a situação de todos: transferindo a plantação de hortaliças de Mariana para as terras de Pedro. Embora essa situação ocorra na vida real, não é simples resolver ineficiências dessa forma, pois essa solução demanda uma reforma agrária, que deveria ser realizada pelo estado. Quando uma economia opera de forma eficiente, os ganhos oriundos do comércio são maximizados, dados os recursos disponíveis. Quando ela é eficiente, a única maneira de melhorar a situação de uma pessoa é piorando a de outra, ou seja, já esgotamos os ganhos de troca. Dado que eficiência é algo ótimo, ela deveria ser único objetivo em uma economia? A resposta é não. Eficiência não é o único critério que importa. Equidade e justiça também são relevantes. Em geral, há trade-off entre eficiência e equidade, uma vez que políticas que almejam a equidade, muitas vezes, alcançam-na às custas da eficiência. Considere, por exemplo, a política de assentos preferenciais em transportes públicos. Para assegurar que sempre haja assento disponível para grávidas, pessoas com deficiência, idosos e pessoas com crianças de colo, normalmente, há um número reservado de vagas. Muitas vezes, esses assentos ficam vagos, enquanto algumas pessoas ficam em pé. Isso gera ineficiência, mas será que gostaríamos de resolver essa ineficiência deixando as pessoas do grupo preferencial sem assento? Essa situação envolve um trade-off entre eficiência e justiça. Mercados rumo à eficiência Frequentemente, os mercados levam à eficiência embora não tenhamos um "planejador central" que se certifique de que a economia esteja operando de forma eficiente. Estado não precisa gerar eficiência, porque os mercados já cumprem essa função razoavelmente bem.Adam Smith chama isso de mão invisível do mercado. Assim, os incentivos presentes em uma economia de mercado já garantem que os recursos sejam utilizados da melhor maneira possível, sem que haja desperdício de oportunidades. Contudo, há exceções para esse princípio. Quando temos falhas de mercado, a busca individual a partir do interesse próprio piora a situação da sociedade, e resultado é ineficiente. Isso acontece, em geral, quando a ação individual de uma pessoa tem efeitos colaterais sobre as demais, o que economistas chamam de externalidade. Exemplo Poluição é um exemplo clássico de externalidade negativa. Ação governamental em prol do aumento de bem-estar uma Há duas Assim, Em geral, o falhas dedústria que possíveis os mercado não algo os mercados funciona mas para não corretament ações gera poluição essa funcionam quando há situação: corretamentexternalidades a elaa ação do Também há tecnologia motivos governo quando o que gere da que geram para menos poluir tornar bem em mas são resultado questão não muito poluentes). entanto, as mais próximoconsegue ser Ela não tem de algo eficientemente incentivo para soluções eficiente, administrado multar a levar em conta mudando a pelo mercado. custo de sua depender forma de ação para a da alocar sociedade e intervençãorecursos na deixar de poluir. do estado. sociedade. Exemplo Vamos pensar na iluminação pública. Não precisamos pagar para passar sob um poste de luz na rua, o que diminui o incentivo a contribuir para a provisão do serviço. Esse último caso é conhecido como bem público. Alguns agentes econômicos podem ter poder de mercado, como uma empresa monopolista, que poderá restringir o uso de recursos por outros indivíduos para maximizar seu lucro individual. Variáveis endógenas e exógenas objetivo de um modelo econômico é demonstrar como as variáveis exógenas afetam as endógenas. Vamos primeiro entender que são e quais as diferenças entre elas. As variáveis endógenas são aquelas que o modelo tenta explicar. Já as exógenas são as que o modelo toma como dadas.A imagem a seguir representa um esquema mais intuitivo para as variáveis: Variáveis Modelo Variáveis Exógenas Econômico Endógenas Modelo econômico. De acordo com a imagem, as variáveis exógenas são determinadas fora do modelo, servindo como insumo, enquanto as endógenas são estipuladas dentro do modelo, sendo o seu resultado. Considere um produtor de cogumelos. A demanda por seu produto vai depender de seu preço e da renda dos consumidores. A oferta, por sua vez, vai depender dos preços do cogumelo e dos insumos utilizados na produção. equilíbrio acontece quando oferta e demanda se igualam. Nesse caso, as variáveis exógenas são a renda individual e o preço dos insumos, e a variável endógena será o preço do cogumelo. Verificando aprendizado Questão 1 Marcela pode viajar do Rio de Janeiro para São Paulo de ônibus ou de avião. A viagem de ônibus custa R$100,00 e dura seis horas, e a de avião custa R$200,00 e dura uma hora. Enquanto está viajando de ônibus ou de avião Marcela não pode trabalhar e deixa de ganhar R$30,00 por hora. Faça uma análise econômica da situação e assinale a alternativa incorreta. A A viagem de ônibus é mais barata. Portanto, Marcela deve utilizar esse meio de transporte. custo total da viagem de avião é menor do que da viagem de ônibus. c O custo total da viagem de avião é de R$230,00. D O custo total da viagem de ônibus é de R$280,00.E A redução da renda de Marcela é maior quando ela viaja de ônibus. A alternativa A está correta. Viajar de ônibus tem um custo monetário menor do que de avião, mas devemos levar em conta custo de oportunidade. Ao optar pelo ônibus, Marcela gastará R$100,00 e perderá R$180,00 (= R$30,00 6 horas). Dessa forma, o custo real para Marcela ir de ônibus é de R$280,00. Ao optar por viajar de avião, ela pagará R$200,00 pela passagem e perderá R$30,00 pela hora de viagem. Assim, o custo real para a viagem de avião é de R$230,00. Em outras palavras, custo real da viagem de ônibus é maior do que da viagem de avião. Questão 2 Sobre a economia de mercado, assinale a resposta correta. A Os mercados são sempre eficientes. Os recursos de uma economia são usados de forma eficiente, ainda que haja oportunidade de melhorar a situação de cada indivíduo. Há um dilema entre eficiência e equidade. D Um mercado está em equilíbrio quando os agentes econômicos querem mudar de comportamento. E Os mercados são eficientes na presença de externalidades. A alternativa c está correta. Embora a eficiência seja um conceito com o qual os economistas se preocupam, existem outros extremamente relevantes, como justiça e equidade. No geral, há um dilema entre justiça e eficiência, uma vez que diversas situações justas podem ser ineficientes, como exemplo do assento preferencial em transportes públicos. Vamos analisar as demais alternativas:A) A alternativa está incorreta. Embora os mercados sejam frequentemente eficientes, na presença de externalidades, bens públicos ou poder de mercado, eles falham. B) A alternativa está incorreta. Por definição, eficiência é uma situação em que não há possibilidade de melhorar a situação de uma pessoa sem piorar a de outra. D) A alternativa está incorreta. Por definição, um mercado está em equilíbrio quando os seus participantes não podem melhorar mudando individualmente suas ações. E) A alternativa está incorreta. Externalidades podem gerar alocações de mercado ineficientes porque alguns agentes econômicos não levam em consideração todos os impactos de suas ações.2. História do pensamento econômico Pensamento econômico Origem da ciência econômica Até a economia se tornar o que é atualmente, a ciência econômica passou por diversas transformações. Além disso, hão há consenso a respeito de quando o pensamento econômico começou. Embora a maior parte das pessoas só tenha ouvido falar de economia como ciência a partir de Adam Smith, pode-se argumentar que nas formas mais rudimentares de civilização já existia algum tipo de pensamento econômico, principalmente se partirmos do pressuposto de que seres racionais já se preocupavam com seu sustento. Assim, é ingênuo pensar que uma civilização antiga como a egípcia, que era caracterizada pela produção e distribuição de parte dos recursos, não tenha desenvolvido algum tipo de ideias econômicas, especialmente quando se considera a existência de comércio (em forma de troca) com outras nações e a propensão egípcia a manter registros escritos. Na Grécia Antiga, Platão já contribuía para o pensamento econômico ao abordar alguns conceitos, como a divisão do trabalho, a teoria da moeda, a produção como base da riqueza do estado (na época, cidade- estado) e até a propriedade comum. Seu discípulo, Aristóteles, também contribuiu para campo sistematizando sua teoria, mas se opunha a seu mestre quanto à propriedade comum. A Idade Média representa um período de transformações na estrutura da sociedade, e grandes mudanças costumam vir acompanhadas de novas ideias. Seguindo a queda do Império Romano, que era caracterizado por ser escravocrata e ter como base econômica o latifúndio, o período deu origem à forma de organização econômica conhecida como feudalismo. Trabalho e terra passaram a ser transferidos, e não mais vendidos. feudalismo sofreu muitas transformações ao longo da Idade Média, atingindo seu auge por volta do século X EC. O desenvolvimento de novas técnicas agrícolas aumentou a produtividade das terras, e a Europa vivenciou um período de estabilidade que permitiu o crescimento populacional e a formação de cidades. Essa combinação de fatores deu origem ao mercador independente.A Igreja Católica se tornou a instituição dominante na Europa e, por isso, quase todos os acadêmicos e escritores ocidentais do período eram clérigos. Surgimento da economia política As bases para o capitalismo industrial moderno também foram estabelecidas. A classe mercantil enriqueceu, a aristocracia e clero começaram a perder influência e a expansão do comércio proporcionou o surgimento de centros comerciais e industriais. Além disso, as universidades foram criadas. A esfera de produção se transformou, pois os comerciantes deixaram de ser apenas fornecedores de matérias-primas e se tornaram detentores de meios de produção e empregadores de mão de obra. A alta inflação vigente na Europa no período também influenciou o pensamento econômico. período é conhecido como pré-mercantilismo, e Jean Bodin esboçou a primeira teoria quantitativa da moeda, em Resposta aos paradoxos de Malestroit (1568), afirmando que a principal causa do aumento dos preços era o aumento do ouro e da prata em circulação. A revolução cultural e científica proporcionou a ascensão do pensamento secular no lugar do religioso. No campo da economia, não foi diferente, pois ela se emancipou da ética e da filosofia política. Influenciado pelo crescimento dos estados-nação e pelos trabalhos de pensadores como Maquiavel, Hobbes e Locke, o pensamento econômico deixou de se preocupar apenas com o comportamento de agentes econômicos individuais e passou a examinar também o estado. Assim, foram estabelecidos os pilares para o pensamento econômico moderno. A economia política emergiu como ciência, e seu objeto de estudo era a atividade pública, tratando da acumulação e do gerenciamento da riqueza, a fim de aumentar a eficiência do estado.conhecimento passava a ser baseado nos aspectos individuais e empíricos dos objetos. Sir William Petty é considerado um dos pais da economia política moderna, pois foi um defensor e expoente do método empírico e quantitativo. Mercantilistas Outra fase de transformações ocorreu durante o Mercantilismo. No campo do pensamento econômico, foram propostas ideias de um sistema comercial restritivo com o objetivo de aumentar a prosperidade econômica de uma nação. Os pensadores do período podem ser divididos entre: bulionistas (metalistas) e mercantilistas. Confira mais detalhes: Bulionistas (metalistas) Defendiam a regulamentação do câmbio. Por não entenderem a teoria do comércio internacional, enxergavam qualquer saída de metais preciosos como uma desvantagem. Desse modo, advogaram pela proibição da exportação de qualquer espécie que tivesse como consequência a saída de ouro e prata da nação, assim como de importações, especialmente de mercadorias de luxo, que envolvessem pagamentos na forma de metais preciosos. Em contrapartida, defendiam a exportação de mercadorias, como bens manufaturados, que propiciavam a entrada de metais preciosos em seus países como forma de pagamento. Mercantilistas Acreditavam que havia a necessidade de incentivar a troca de mercadorias, buscando alcançar uma balança comercial favorável, isto é, o país deveria exportar mais do que importar. A economia passara a ser política, influenciada pelo maior envolvimento do estado. A nação passou a ser vista como uma grande empresa comercial, o que acarretou a defesa e a adoção de políticas protecionistas. Em geral, o pensamento mercantilista dialogava com o poder do estado por exemplo, com ideias de unidade nacional e seus objetivos eram identificados com a riqueza de uma nação. Atenção Teorias sobre a conceituação do valor e monetárias sobre papel dos juros na economia também foram esboçadas no período estudado. Os principais contribuintes para pensamento econômico da época foram: Thomas Mun, Antonio Serra e Edward Misselden. A posição teórica mercantilista foi se tornando inadequada frente à acumulação capitalista e ao seu controle sobre a produção, além da difusão do comércio e da competição. Tudo isso resultou na queda dos lucros. Nasceu uma classe capitalista de mestres artesãos que controlava a produção, que conflitava com os interesses dos comerciantes. Essas transformações foram acompanhadas por uma mudança radical na maneira de conceber os fatos econômicos.A intervenção do estado na economia passou a ser vista com suspeita, e a ideia de que lucro se originava na esfera de produção começou a se disseminar. Além disso, para prosperar, a nova classe de empresários capitalistas precisava abrir mão dos laços morais e ideológicos tradicionais. A partir do final do século XVII, a celebração do individualismo, em conjunto com o desenvolvimento da ética protestante, legitimou a usura e a atividade econômica. Entre os economistas da época, começou a se disseminar a noção de que restrições administrativas na produção criavam mais desvantagens do que vantagens para a coletividade. Eles passaram a defender a intervenção do Estado apenas no reconhecimento e na proteção ao direito de propriedade. Precursores da economia política clássica A política aritmética de sir William A ênfase mercantilista em uma Petty, publicada em 1690, marcou o balança comercial positiva início da economia política clássica, também foi criticada: o comércio iniciando a crítica ao pensamento internacional não poderia ser uma mercantilista prévio. Dudley North e fonte de perda para nenhuma das Mandeville, influenciados por esse partes, uma vez que, sendo uma pensamento, atacaram o atividade voluntária, não ocorreria protecionismo do estado e em primeiro lugar se não gerasse defenderam o livre comércio. ganhos para todos. A teoria também avançou em outros aspectos. Richard Cantillon propôs que a terra era a principal fonte de riqueza, a qual seria produzida com o poder do trabalho empregado. Além disso, ele distinguiu o valor intrínseco do valor de mercado dos bens, o que foi considerado um esboço da teoria de preço e custo. Na França, no final do século XVIII, os conceitos pós-mercantilistas foram aprimorados por um grupo de pensadores, que ficou conhecido como fisiocratas, encabeçados por François Quesnay. As principais contribuições da escola Interessado em transformar o TABLEAU fisiocrata para pensamento setor agrícola em indústria econômico moderno consistem na capitalista eficiente, o autor rejeição do conceito mercantilista de apresentou um modelo riqueza por meio da troca e no quantitativo produção de reconhecimento da produção como mercadorias. Ao distinguir entre fonte de riqueza. A invenção do termo trabalho produtivo e improdutivo, e da política do laissez faire e laissez ele identificou uma fonte de passer também forma duas riqueza no excedente que a terra contribuições significativas, além do é capaz de produzir, oriunda do Tableau economique (1759), principal fato de que nela se produz mais obra de Quesnay. do que se consome. Quesnay foi precursor da acumulação de capital. Seu trabalho também traz a ideia de interdependência entre os setores da economia e a inovadora representação de trocas como um fluxo circular de dinheiro e bens. Desse modo, os fisiocratas foram os primeiros a tentar analisar, de maneira sistemática, a circulação da riqueza na economia. filósofo David Hume também fez valiosas contribuições ao pensamento econômico. Embora não tenha estruturado suas ideias de maneira sistemática, como os pensadores que viriam depois, suas obras tiveram grande influência na filosofia geral encontrada posteriormente no trabalho de Adam Smith. Suas principais ideias econômicas destacavam o trabalho e a atenção a oscilações e mudanças na economia e apontaram a inter-relação dos fatos econômicos com outras forças sociais.Na parte monetária, Hume descreveu o mecanismo pelo qual uma mudança na quantidade de moeda em circulação alteraria valor do dinheiro na economia - assunto debatido até hoje. Economia política clássica Economia clássica é o nome dado ao sistema de teoria econômica desenvolvido a partir do final do século XVIII. Ele foi iniciado com a publicação do livro Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações, mais conhecido simplesmente por A riqueza das nações, de Adam Smith, em 1776. Ele lançou as bases da teoria econômica clássica de livre mercado. Acompanhe, a seguir, o que torna essa obra tão importante! Evoluções no pensamento econômico clássico A teoria clássica proposta nesse período contrastou fortemente com as tendências anteriores do pensamento econômico. Embora tenham assimilado diversos conceitos estabelecidos por seus antecessores, os economistas clássicos identificaram falhas em todas as soluções propostas previamente para os problemas econômicos. A mão invisível e a harmonia do mercado Os clássicos viam como positivos os resultados que decorriam naturalmente das forças econômicas. Nesse período, surgiu a noção de uma "mão invisível do mercado", ou seja, forças que naturalmente convergiriam para um equilíbrio eficiente sem precisar de intervenção estatal. Rupturas com o mercantilismo A visão clássica de um sistema econômico harmonioso destoava das crenças mercantilistas e escolásticas de que o mercado era caracterizado por desequilíbrios que exigiam intervenções e restrições. Essa visão otimista do funcionamento dos mercados é um dos principais traços do pensamento clássico. Outra característica do pensamento clássico é seu interesse no crescimento econômico. Essa preocupação levou seus teóricos a estudarem os mercados e sistema de preços sob a ótica da alocação de recursos. Os economistas clássicos compreenderam a formação de mercados e preços relativos para entenderem seu impacto no crescimento econômico. Teóricos da economia política clássica Conheça um pouco mais das contribuições dos principais teóricos da economia política clássica:Adam Smith Um dos principais diferenciais de Adam Smith em relação aos autores que lhe antecederam foi seu empenhou em construir sua teoria de forma sistemática, como fez em A riqueza das nações. Suas principais contribuições para o campo do pensamento econômico envolvem o desenvolvimento do conceito de divisão do trabalho e a exposição de que o interesse individual racional e a concorrência podem conduzir ao desenvolvimento econômico. Além disso, suas obras também abordaram temas como teoria do valor, conceitos de excedente, teoria dos salários e distribuição. Os escritos de Smith exploraram uma infinidade de temas, uma vez que a macroeconomia da época se preocupava com um escopo mais amplo dos determinantes do crescimento, que não abarcavam apenas fatores econômicos, mas também culturais, políticos, sociológicos e históricos. Thomas Malthus pensamento clássico também ganhou contribuições suas, embora ele seja mais conhecido por sua teoria da população. Em suas obras, Malthus discorreu sobre distribuição de renda e consumo improdutivo e apontou os riscos de uma crise de superprodução frente à falta de demanda ideia que foi retomada por Keynes quase um século depois. David Ricardo e John Stuart Mill economista David Ricardo era contemporâneo de Malthus e acrescentou à teoria econômica a seguinte noção: há ganhos na troca internacional para as duas partes que comercializam, mesmo que uma seja mais competitiva que a outra. Em outras palavras: é economicamente vantajoso para as duas partes comercializarem bens, mesmo que uma delas consiga produzir mais de todos os bens com a mesma quantidade de recursos. Essa ideia foi aprimorada posteriormente por John Stuart Mill sob a forma de vantagens comparativas. Os escritos de Ricardo trataram de muitos outros tópicos, como as teorias do valor, dos salários, de lucros e aluguel, da acumulação, do desenvolvimento econômico e de moeda e bancos. Ricardo também levantou a questão sobre as leis naturais que determinariam a distribuição do produto entre as classes da sociedade. As noções de utilitarismo começaram a ser desenvolvidas, sendo posteriormente incorporadas à teoria econômica. De maneira geral, a teoria afirma que ações que maximizam a felicidade e bem-estar são boas, e que a utilidade é uma propriedade de um bem ou objeto capaz de produzir um benefício ou prazer. Jeremy Bentham e John Stuart Mill foram alguns dos filósofos a desenvolver o conceito do utilitarismo. Mill é considerado o último dos grandes economistas clássicos do período. Evolução do pensamento econômico clássico Para reforçar seu aprendizado nesta etapa de estudos, ouça podcast a seguir. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio.Pensamento econômico Confira neste vídeo a evolução do pensamento econômico, desde suas origens até a economia política clássica, destacando as contribuições dos principais pensadores como Adam Smith e David Ricardo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Revolução marginalista e ortodoxia Revolução marginalista ou utilitarista Acompanhe, neste vídeo, a revolução marginalista do final do século destacando de que maneira economistas como Jevons, Menger e Walras transformaram a economia clássica em neoclássica ao introduzirem a análise marginal e enfocarem a alocação de recursos e a maximização da utilidade individual. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. final do século XIX testemunhou o nascimento da teoria microeconômica moderna. Essa época foi marcada pela elaboração de um conjunto de ferramentas analíticas que transformou a economia clássica em neoclássica. A análise marginal, atualmente presente nos livros de microeconomia, pode ser considerada uma ferramenta muito importante. Além disso, a matemática foi incorporada de maneira definitiva na análise econômica. Jevons, Menger e Walras são alguns dos principais nomes associados a essa mudança radical na forma de conceber a teoria econômica. À medida que a teoria marginalista se desenvolveu, a estrutura da teoria econômica se modificou, de modo a elaborar um sistema muito diferente do exposto pela economia clássica. interesse dos economistas clássicos no crescimento econômico deu lugar à alocação de recursos. centro do sistema neoclássico girava em torno do problema da alocação de recursos escassos, dados os seus possíveis usos alternativos. Os marginalistas aceitavam a abordagem utilitarista e, a partir dela, reformularam a análise do comportamento humano, que foi construído a partir de cálculos racionais, visando à maximização da utilidade individual. Saiba mais A compreensão marginalista revela outra face distinta da abordagem neoclássica: a mudança no agente econômico como objeto de análise. Os clássicos tinham como objeto principal agentes econômicos coletivos, como as classes sociais e o governo. Os marginalistas se concentravam em agregados sociais mínimos: a unidade tomadora de decisão, como consumidores, famílias ou firmas.Ortodoxia neoclássica A revolução marginalista se espalhou pelo mundo ocidental, impactando significativamente o pensamento econômico. No contexto politico-econômico, a Europa Ocidental experimentava um momento de desenvolvimento industrial e capitalista. Em conjunto, esses fatores estabeleceram as bases para a economia neoclássica. Alfred Marshall foi um Uma de suas Por último, ele matemático que ofereceu principais introduziu e enorme contribuição ao contribuições para o aprimorou uma série pensamento econômico com campo foi sua de conceitos que a publicação de seu livro análise de equilíbrio são utilizados na Princípios de economia parcial, que análise econômica, (1890). Sua obra pode ser conseguiu unir como propriedades entendida como uma várias partes da da curva de reformulação geral da teoria teoria econômica atédemanda, distinção econômica produzida até então analisadas de retornos então, pois sintetizou a separadamente. Ele crescentes e análise clássica e a fez a importante decrescentes e abordagem marginalista de distinção entre os maximização do custo e utilidade e elaborou períodos da bem-estar temas um mecanismo de análise economia, abordados até hoje econômica. diferenciando o em cursos de curto do longo economia. prazo. Curiosidade americano Irving Fisher também utilizou a matemática de forma extensiva em sua análise econômica. No entanto, seu trabalho estava voltado para a macroeconomia. Ele propôs a versão mais conhecida da equação quantitativa da moeda, e sua contribuição central para a teoria econômica foi a teoria sobre juros. Há até a equação de Fisher, batizada em sua homenagem. As transformações da revolução marginalista e da ortodoxia neoclássica para a economia Confira, neste vídeo, a transformação ocorrida na economia do século XIX com a introdução da análise marginal e a matematização, culminando na síntese de Marshall, que moldou a teoria econômica contemporânea. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Keynes em diante Economia keynesiana A Primeira Guerra Mundial foi um conflito de dimensões até então desconhecidas pela humanidade. Na esfera econômica, seus impactos envolveram a interrupção do comércio e de pagamentos internacionais, e levaramgovernos a realizar intervenções econômicas até então inimagináveis. Uma produção de larga escala foi realizada para atender às necessidades de guerra, gerando enormes dívidas nacionais. A profundidade das crises vivenciadas no período entre guerras não tinha precedentes. A crise econômica de 1929 eclodiu nos Estados Unidos. desemprego atingiu níveis recordes e se tornou persistente. O descontentamento social não tardou a aparecer, e a tradição clássica ortodoxa de pensamento econômico não estava preparada para lidar com essa situação. pensamento neoclássico havia se estruturado em torno da Lei de Say, que previa que o pleno emprego era estado normal de funcionamento da economia. Se houvesse afastamento do nível de emprego considerado normal, não seria de grande magnitude, e próprio sistema econômico providenciaria uma resposta que faria o emprego retornar ao seu nível normal. No entanto, a realidade parecia bastante distante do que previa o pensamento econômico. A ociosidade na força de trabalho e na capacidade da indústria alcançaram proporções incomuns e havia poucos indícios de que a situação estava caminhando para se corrigir. Comentário Apesar da enorme distância entre as premissas neoclássicas e os eventos do mundo real, os economistas neoclássicos ofereciam uma justificativa para essas supostas anormalidades no funcionamento da economia. A persistência dos altos níveis de desemprego poderia ser explicada pela rigidez no sistema econômico, que paralisava o mecanismo de ajuste natural.Segundo eles, a inflexibilidade dos salários, causada, principalmente, pela estrita adesão ao salário mínimo por influência dos sindicatos, não permitia que a economia seguisse sua trajetória natural. Assim, se os salários baixassem, empregadores contratariam mais trabalhadores, e a economia voltaria ao nível de pleno emprego. No início do século a análise econômica retomou o interesse dos economistas clássicos em economia agregada, ou seja, nas teorias macroeconômica e monetária. John Maynard Keynes, um economista britânico, revolucionou as esferas acadêmica e política com as ideias que propôs em seu livro A teoria geral do emprego, do juro e da moeda. pensamento keynesiano, com ênfase na política fiscal, foi tão influente que dominou a política econômica dos EUA e de diversas outras nações ocidentais no período.De certa forma, as ideias de Keynes também Entre as A teori Keynes se assemelham em vários rompeu com a principais preferê aspectos às escolas que escola clássica ideias pela lia antecederam os economistas em sua expressas oferece clássicos a mercantilista e a descrença na em sua explica fisiocrata. A ideia de que a Lei de Say: teoria para os diferentemente determ poupança tende a causar baixo geral, da taxa consumo e depressão econômica, dos clássicos, estão: juros interrompendo o fluxo circular da ele não ótica renda, já havia sido apontada por acreditava que mercad economistas anteriores a Adam a oferta cria sua moeda Smith e seus seguidores. própria A teori demanda. demanda efetiva. A noção de um efeito multiplicador na economia: é devida ao componente do consumo na renda. A relação entre poupança e investimento. Boa parte desses conceitos está presente nos cursos contemporâneos de macroeconomia. As ideias desenvolvidas por Keynes representaram uma mudança na meta da política pública: estabilização dos preços altos para manutenção do nível de renda e emprego. Economia depois de Keynes Entre as décadas de 1940 e 1970, muitos economistas aprimoraram as ideias de Keynes, enquanto alguns se opuseram a elas. A influência mais importante do trabalho de Keynes foi sua incorporação em forma de síntese na estrutura geral de princípios econômicos aceitos. Uma das maiores contribuições nesse aspecto foi o livro Fundamentos da análise econômica (1947), de Paul Samuelson. Essa obra explicava as ideias e os princípios do pensamento econômico em conjunto com os princípios ortodoxos dos economistas neoclássicos. Outros, no entanto, discordavam de Keynes, como Milton Friedman, um grande defensor da eficiência dos mercados e da interferência mínima dos governos. Uma de suas maiores contribuições para a economia foi sua teoria da renda permanente. No período subsequente, durante as décadas de 1970 e 1980, outras teorias ganharam força: a teoria das expectativas racionais, de Robert Lucas, e as ideias da economia pelo lado da oferta. Ambas as teorias se utilizam das premissas neoclássicas básicas e desafiam as proposições teóricas da economia keynesiana. Keynes em diante Veja, neste vídeo, como as ideias de Keynes moldaram a política econômica global e enfrentaram desafios de pensadores como Milton Friedman e Robert Lucas.Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando aprendizado Questão 1 Sobre a economia política clássica, é falso afirmar que A a teoria clássica contrasta fortemente com as tendências anteriores do pensamento econômico. Adam Smith foi primeiro a escrever um livro sobre teoria econômica. David Ricardo acrescentou à teoria econômica a noção de que há ganhos na troca internacional para as duas partes que estão comercializando, mesmo que uma seja mais competitiva que a outra. D foi nesse período que as noções de utilitarismo começaram a ser desenvolvidas. E Thomas Malthus contribuiu para o pensamento clássico com a teoria da população. A alternativa B está correta. Outros antes de Adam Smith desenvolveram ideias econômicas em forma de livro, como Quesnay com seu Tableau economique. diferencial de Smith em relação aos demais autores que lhe antecederam, e que faz ser considerado pai da economia moderna, foi o fato de que ele se empenhou em construir sua teoria de forma sistemática. Vamos analisar as alternativas: A) Verdadeira, porque a visão clássica de um sistema econômico harmonioso destoa das crenças mercantilistas e escolásticas de que o mercado é caracterizado por desequilíbrios que exigem intervenções e restrições. Essa visão otimista é um dos principais traços do pensamento clássico. C) Verdadeira, porque essa ideia foi aprimorada posteriormente por John Stuart Mill sob a forma de vantagens comparativas. D) Verdadeira, porque Jeremy Bentham e John Stuart Mill foram alguns dos filósofos a desenvolver esse conceito, posteriormente incorporado à microeconomia pelos marginalistas.E) Verdadeira. Malthus estudou a relação entre crescimento populacional e a capacidade produtiva da economia. Questão 2 que podemos afirmar sobre a economia keynesiana? A As ideias de Keynes se assemelham às dos economistas clássicos. Keynes concordava com a Lei de Say. c As ideias de Keynes, com ênfase em política fiscal, surgiram em um contexto no qual a realidade parecia bastante distante do que previa o pensamento econômico. D pensamento de Keynes representou uma mudança na meta da política pública de estabilização do emprego para uma política de estabilização dos preços. E Keynes entendia que apenas aumentando a oferta de bens e serviços a economia poderia crescer. A alternativa c está correta. pensamento de Keynes foi tão influente no contexto entre guerras que dominou a política econômica dos EUA e de diversas outras nações ocidentais do período. Vamos analisar as alternativas: A) A alternativa está incorreta. As ideias de Keynes rejeitavam a economia política clássica de não intervenção do Estado na economia e se assemelhavam em vários aspectos às escolas que antecederam. B) A alternativa está incorreta. economista britânico rejeitava a ideia de que a oferta cria sua própria demanda. D) A alternativa está incorreta. Suas ideias representaram justamente uma mudança no sentido contrário: a meta da política pública mudou de estabilização dos preços para estabilização do nível de renda e emprego em valores altos. E) A alternativa está incorreta. Keynes entendia que uma expansão da demanda alcança o crescimento econômico.3. Pesquisa econômica atual Pesquisa econômica A pergunta que você deve estar se fazendo neste momento é: Para onde vamos: o que tem sido feito na pesquisa econômica? A economia como ciência teve sua origem há muitos séculos. Ao longo de sua trajetória, seu objeto de análise passou por transformações, bem como seu método e sua abordagem teórica, sendo diretamente influenciada pelos contextos sociais e políticos da época em que seus teóricos viveram. Mais recentemente, no século a economia consolidou o ferramental matemático como instrumento de análise. Isso a distingue das demais ciências sociais, subdividindo-a em duas grandes áreas: macroeconomia e microeconomia. De forma mais específica, você deve estar se perguntando: Mas e atualmente, como está a ciência econômica? Ela tem o mesmo enfoque e os mesmos métodos de antigamente? Quais campos têm sido estudados pela economia, e o que tem sido pesquisado? Pensando em todas essas questões, vamos apresentar algumas áreas da economia que não são muito conhecidas fora da profissão. Citaremos também alguns grandes economistas dos últimos tempos. Ao longo dos anos, conforme a ciência econômica foi se desenvolvendo, novas áreas foram surgindo, principalmente na área da economia aplicada. Os economistas, em vez de focarem as relações econômicas tradicionais como objeto de estudo, passaram a aplicar as teorias desenvolvidas e o ferramental econômico em outras áreas, como educação, saúde, desenvolvimento, política e meio ambiente. Essas novas áreas de pesquisa, muitas vezes, deixam de fazer a clara distinção entre macro e microeconomia, juntando, inclusive, algumas das áreas citadas, como veremos. Teoria dos jogos A ciência econômica busca analisar as decisões individuais e como os indivíduos tomam ótimas decisões. campo da teoria dos jogos tem como interesse situações em que os indivíduos se comportam estrategicamente, isto é, como as pessoas vão decidir quando as escolhas dos outros interferem no resultado.Exemplo Dois criminosos foram presos pela polícia, que os interroga em salas separadas. Caso apenas um deles confesse individualmente, esse será libertado logo pela sua colaboração, e o outro terá uma pena maior (três anos de prisão). Caso ambos confessem, eles serão condenados a uma pena igual: dois anos de prisão. Se nenhum dos dois confessar, eles receberão apenas a pena por um crime menor (um ano de prisão). Qual será a decisão individual? Qual será o resultado? Claramente, a ação de um dos criminosos influenciará o resultado do outro. Os pioneiros da área são os matemáticos John Von Neumann, John Nash e o economista Oskar Morgenstern. Embora a área seja considerada nova, desenvolvimento da teoria dos jogos foi uma revolução na economia ao abordar problemas cruciais por meio de modelos matemáticos. Por exemplo, a economia neoclássica tinha grande dificuldade em lidar com a competição imperfeita, como oligopólios. Com crescimento da teoria dos jogos, foi possível modelar comportamento competitivo dos agentes. Além disso, a teoria tem uma gama de aplicações, sendo usada em economia, psicologia, biologia evolucionária, guerras e política. John Nash Viveu entre 1928 e 2015. Foi ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1994 pelo que ficou conhecido como Equilíbrio de Nash: uma situação que, se alcançada, faz com que nenhum agente veja vantagem em alterar individualmente seu comportamento. Economia política Apesar de a economia política como campo de estudo ser uma área antiga, sua vertente contemporânea é bem distinta da anterior. Hoje, a pesquisa estuda como as escolhas de políticas públicas são realizadas por políticos escolhidos por eleitores que compõem uma sociedade (democrática ou não). Uma de suas grandes contribuições foi mostrar que, para explicar resultados econômicos, é preciso olhar além de preços e renda, analisando também a história e a sociologia.Resultados econômicos Refere-se ao grau de pobreza ou riqueza dos países ou ao sucesso de imigrantes em alguns lugares, e não em outros. Um dos fundadores da área - como Períodos eleitorais podem a conhecemos atualmente - é o gerar comportamento italiano Alberto Alesina. Em seus cíclico na atividade trabalhos, ele atentou para os econômica. seguintes aspectos: Fatores políticos levam ao acúmulo de dívida pública maior do que o socialmente desejável. A independência dos bancos centrais, em relação a pressões políticas, era um fator preponderante para a estabilidade macroeconômica. Alesina estabeleceu como a desigualdade de renda poderia ser prejudicial ao crescimento econômico, pois desencadeava conflitos políticos redistributivos. Ele e trouxe o estudo da cultura como um grande determinante de resultados políticos e econômicos. Segundo ele, as mesmas variáveis culturais, sociológicas e históricas que influenciam as escolhas de determinadas formas de instituições podem estar correlacionadas à política fiscal. Perguntas como o motivo de os EUA gastarem pouco com bem-estar em comparação à Europa podem ter suas respostas em questões culturais. Assim como Alesina, outros dois italianos, Persson e Tabellini, contribuíram consideravelmente para a área. Eles combinaram melhor de três diferentes áreas para sugerir uma abordagem unificada em economia política. Veja: Macroeconomia moderna Indivíduos se comportam de forma racional, e suas preferências sobre os resultados econômicos induzem suas preferências sobre políticas.Escolha pública A delegação de decisões políticas para representantes políticos pode resultar em problemas de agência entre políticos e eleitores, que são situações em que uma ação é delegada de um agente para o outro. Em geral, eles possuem objetivos conflitantes, de forma que o resultado ótimo para um não é desejável para outro. Por exemplo, existe um fazendeiro e um agricultor que trabalham em uma fazenda. O objetivo do fazendeiro é maximizar seu lucro, enquanto o do agricultor é maximizar seu bem-estar. No cenário em que o fazendeiro delega o cuidado da plantação para o agricultor, o resultado do lucro dependerá do esforço do agricultor. Na ausência de mecanismos que incentivem o agricultor a se esforçar, buscando a maximização de lucro, o resultado não será o esperado pelo fazendeiro. Na política, isso também ocorre, uma vez que o incentivo dos políticos difere do incentivo dos eleitores. Escolha racional As instituições políticas moldam os processos pelos quais os políticos são eleitos e as políticas públicas são executadas. Economia comportamental Economistas clássicos introduziram a noção de que interesses individuais racionais importam. A teoria contemporânea pressupõe que indivíduos são racionais e tomam decisões com base nas informações disponíveis, fazendo as escolhas que geram maiores ganhos com base em alguma medida de benefício. Partindo do entendimento de escolhas racionais, um consumidor não vai comprar dois pares de sapatos quando precisa apenas de um. Também é razoável supor que as pessoas vão economizar ao longo de suas vidas para garantir uma aposentadoria, e pessoas endividadas cortariam seus gastos em vez de parcelar uma nova televisão no cartão de crédito. Se somos realmente racionais, por que tantas pessoas fazem oposto do que a teoria supõe? Richard Thaler, um economista norte-americano, e Daniel Kahneman, psicólogo israelense, foram pioneiros em unir economia e psicologia, criando e desenvolvendo o campo da economia comportamental. Ambos foram premiados com o Nobel pelas suas contribuições. A premissa básica é que os seres humanos nem sempre são racionais. Muitas vezes suas escolhas podem ser baseadas em questões subjetivas e culturais, que, em alguns momentos, pesam mais que a racionalidade. Isso não significa que a economia comportamental abandone por completo a noção de racionalidade, mas ela apenas incorpora ao processo de tomada de decisão outros fatores antes desconsiderados. A economia comportamental tenta explicar por que as pessoas não economizam para a aposentadoria, priorizando consumo no presente. Isso ocorre porque o prazer atual é mais próximo e mais palpável do que possível sofrimento em um tempo futuro e distante. Thaler explica também comportamento de manada nos mercados financeiros: quando mercado está em alta, mais pessoas decidem investir nas ações, o que decorre de um pensamento irracional de que os preços vão subir amanhã porque estão subindo hoje.Outro aspecto da economia comportamental é o nudge, uma espécie de "empurrãozinho" que pode influenciar processo de tomada de decisão de um indivíduo. Ou seja: é mais provável que as pessoas escolham uma opção específica se ela for a padrão. Exemplo No preenchimento de cadastros, as pessoas estão mais inclinadas a receber e-mails de promoções se essa for a opção padrão, devendo clicar no botão de que não desejam estar na lista desses e-mails para desativar o recebimento, do que se necessitarem clicar em um botão afirmando que desejam estar na lista. Em outras palavras, as pessoas tendem a aceitar a opção que lhes é oferecida, e não arcar com os custos psicológicos da escolha. Economia política Confira, neste vídeo, análises sobre ciclos eleitorais, dívida pública e influência cultural nas decisões políticas, além de uma abordagem unificada em economia política, revelando como as instituições políticas moldam os processos de tomada de decisão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Desenvolvimento econômico Acompanhe este vídeo, que aborda desde os métodos para promover o crescimento até a análise de variáveis sociais, educacionais e de saúde, destacando a evolução dos modelos e a crescente incorporação de fatores, como progresso tecnológico e qualidade das instituições, enquanto o desenvolvimento econômico enfrenta desafios, como a dupla causalidade e o impacto das culturas e crenças. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A economia do desenvolvimento se volta para os países de baixa renda, estudando seu processo de desenvolvimento. Essa área cobre diversos outros campos que afetam o crescimento social e econômico dos países, pois o processo de desenvolvimento econômico é amplo e complexo. Nesse sentido, a economia do desenvolvimento enfoca métodos que promovem crescimento econômico, as mudanças estruturais e a melhora de aspectos que englobam a população, como condições de saúde, educação e trabalho. crescimento econômico, em particular, é investigado há muitos anos por economistas da história do pensamento econômico. Como a economia, essa área passou por diversas transformações até se tornar o que é atualmente. Os neoclássicos propuseram alguns modelos de desenvolvimento econômico que frequentemente são vistos nos cursos de macroeconomia e desenvolvimento de um currículo de graduação em economia. Com passar dos anos, esses modelos foram ficando cada vez mais sofisticados, incorporando mais elementos e variáveis determinantes do crescimento econômico, visando torná-los mais próximos da realidade.Características como crescimento populacional, progresso tecnológico, capital humano e até papel e a qualidade das instituições foram, pouco a pouco, sendo incorporadas nas equações. Saiba mais Alguns dos economistas mais importantes a elaborar modelos de desenvolvimento são: Roy Harrod, Evsey Domar, Robert Solow e Paul Romer. Algumas características que foram incorporadas aos poucos às equações são: Crescimento populacional Progresso tecnológico Capital humano Papel e qualidade das instituições Daron Acemoglu e James Robinson são dois economistas contemporâneos que mostraram evidências empíricas robustas sustentando a tese do papel desempenhado pelas instituições no desenvolvimento econômico, com ênfase nos direitos de propriedade. Outros economistas apontam, entre outros tantos fatores institucionais que impactam crescimento, para: A importância da organização dos sistemas financeiros nacionais. desenho de constituições. tipo de regime de um país (democrático ou autoritário). O grau de liberalização comercial de um país. grande desafio da área é a dupla causalidade que esses fatores costumam apresentar com crescimento econômico. Instituições melhores levam ao maior crescimento econômico ou países que têm maior crescimento econômico estabelecem melhores instituições? Outra camada do desenvolvimento econômico talvez a mais desafiadora é a do impacto das culturas e das crenças no crescimento. Nesse caso, obstáculo é que crenças e costumes são elementos muito difíceis de serem medidos e capturados pelos dados, mas isso não significa que devam ser ignorados. Na última década, a literatura econômica vem desenvolvendo muitos estudos nessa área mostrando como normas sociais, crenças individuais e coletivas influenciam as preferências dos indivíduos, e que as diretrizes variam lentamente ao longo do tempo. Economia da pobreza É outro campo que se propôs a investigar a economia de baixa renda. Os laureados com o Prêmio Nobel de Economia de 2019, Michael Kremer, Esther Duflo e Abhijit Banerjee, fizeram contribuições com uma abordagem experimental para aliviar a pobreza global.Os três economistas publicaram uma série de artigos, muitas vezes em conjunto, utilizando um método bastante empregado na medicina: randomized controled trials (RCTs), ou estudos aleatorizados controlados. De forma resumida, essa abordagem experimental consiste em dividir a população de um estudo em grupos aleatorizados de controle e tratamento para testar a efetividade de determinada política. Os autores realizaram uma série de estudos desse tipo, desenvolvendo uma ferramenta muito poderosa para testar intervenções que podem reduzir a pobreza. Elas variam desde a realização de tutorias corretivas nas escolas, passando pelo fornecimento de redes contra mosquitos para famílias (para prevenir doenças), até políticas de microcrédito. sucesso dessa abordagem influenciou a forma de avaliar políticas de nossa geração. Embora não apontem um amplo conjunto de conclusões, esses estudos permitem tirar lições simples, mas valiosas, com grandes efeitos para a erradicação da pobreza. Outra vantagem é que, pelo fato de serem estudos controlados, há a possibilidade de verificar possíveis efeitos colaterais não antecipados, colocando na balança, ao final dos experimentos, os benefícios e os custos não antecipados das intervenções. Economia da desigualdade Vamos iniciar entendendo que a desigualdade econômica é um tópico de interesse e uma preocupação de cientistas sociais. Existe uma grande variedade de tipos de desigualdade econômica, muitas vezes medida na forma de distribuição de renda ou riqueza. Ela também pode ser avaliada como desigualdade entre países, regiões ou grupos de pessoas. A lista de pessoas que já estudou esse tópico é extensa. O economista francês Thomas Piketty Documentando com dados escreveu o livro O Capital no Século XXI detalhados a evolução (2013), que aborda crescimento da histórica da concentração desigualdade da riqueza mundial. A obra da renda e da riqueza, CAPITAL causou rebuliço no meio acadêmico ao Piketty desenvolveu uma in the Twenty-First Century trazer à tona debate sobre taxação grande teoria do capital e da progressiva e tributação da riqueza global desigualdade. Alguns como único caminho eficiente para autores já elaboraram THOMAS combater a concentração da renda, que, estudos rebatendo suas PIKETTY segundo o autor, seria consequência conclusões, mas debate ARTHUR GOLDHAMMER inevitável do capitalismo. ainda está em desenvolvimento.Outras áreas voltadas à economia Acompanhe neste vídeo outras áreas de estudo exploradas pela ciência econômica, como educação, saúde, trabalho, meio ambiente, crime e econometria. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Economia da saúde e da educação São campos da economia que aplicam princípios e métodos econômicos para analisar e compreender os sistemas de saúde e educação. Conheça a seguir suas principais características. Economia da saúde É a área de estudo aplicado que permite uma análise rigorosa e sistemática dos problemas enfrentados na promoção da saúde para todos. Economistas da saúde utilizam as teorias do consumidor, do produtor e da escolha social como ferramental para entenderem o comportamento dos indivíduos, dos provedores de saúde e de organizações públicas e privadas. Um dos muitos exemplos estudados por economistas da saúde envolve perguntas como: transferências governamentais durante a gravidez melhoram a saúde da criança ao nascer? Economia da educação É a área que estuda questões relacionadas à educação, sejam elas de demanda própria, seu financiamento e sua provisão, ou relacionadas à eficiência comparativa entre diferentes programas e políticas. Uma pergunta que economistas da educação se preocupam em responder é: há uma relação entre escolaridade e resultados no mercado de trabalho? programa Renda Melhor Jovem, elaborado pelo governo do estado do Rio de Janeiro, era um exemplo de política pública que aplicava conceito de custo de oportunidade. Será que essa política foi eficaz, possibilitando jovens permanecessem mais tempo na escola para, no futuro, terem um salário melhor no mercado de trabalho? Questões assim também fazem parte das preocupações da área. Outras áreas voltadas à economia Listamos aqui uma série de áreas nas quais a literatura econômica encontra terreno fértil e campo nas últimas décadas. Entretanto, existem muitos outros campos que economistas pode estudar e nos quais podem atuar, o que é uma das grandes vantagens da profissão. Além disso, campos mais clássicos, como macroeconomia e microeconomia, seguem igualmente trazendo novidades.Economia do trabalho Procura entender o funcionamento e a dinâmica dos mercados de trabalho assalariado. Economia ambiental Dedica-se a estudar a escassez dos recursos ambientais, propondo minimizar o impacto causado no meio ambiente. Economia do crime É uma área relativamente nova. Usa o raciocínio econômico para explicar a tomada de decisões em condutas ilícitas. Econometria Desenvolve um ferramental mais aplicado do que outras áreas e pesquisas citadas aqui e possui uma gama de possibilidades praticamente infinita. Economias que descrevem e transformam sociedades Assista, neste vídeo, às nuances da economia política, desde os ciclos eleitorais até a influência da cultura nas escolhas políticas, e à economia da pobreza, revelando como estudos experimentais estão transformando a luta contra a pobreza global. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando aprendizado Questão 1 Sobre a área de desenvolvimento econômico, o que não podemos afirmar? A Os modelos econômicos de desenvolvimento modernos incorporam variáveis como crescimento populacional, progresso tecnológico e capital humano. Não há evidências empíricas de que instituições afetam desenvolvimento econômico, pois é o crescimento econômico que determina boas instituições. CA forma de organização dos sistemas financeiros nacionais, o desenho de constituições, o tipo de regime de um país e seu grau de liberalização comercial influenciam no desenvolvimento econômico dos países. D Um dos obstáculos para determinar se cultura e crenças afetam o crescimento econômico é fato de essas variáveis serem difíceis de serem mensuradas e capturadas pelos dados.grau de liberalização comercial de um país e a garantia dos direitos de propriedade impactam no E desenvolvimento econômico. A alternativa está correta. Embora exista um problema de dupla causalidade que dificulte determinar se instituições afetam o crescimento econômico, Daron Acemoglu e James Robinson apresentaram evidências empíricas de que as instituições desempenham importante função no desenvolvimento econômico. Vamos analisar as alternativas: A) Verdadeira. A preocupação com que os parâmetros e os dados inseridos no modelo explicassem a realidade levou os economistas a elaborarem modelos de desenvolvimento cada vez mais sofisticados. C) Verdadeira. Economistas contemporâneos desenvolveram trabalhos apontando para evidências empíricas nesse sentido. D) Verdadeira. A literatura econômica tem apresentado importantes contribuições na área nas últimas décadas. E) Verdadeira. Direitos de propriedade e abertura comercial estão entre os principais determinantes do desenvolvimento econômico. Direitos de propriedade bem definidos geram incentivos ao investimento, e a abertura comercial permite acesso a bens e tecnologias por menor preço, entre diversos outros efeitos. Questão 2 Segundo a economia comportamental, podemos afirmar que A a racionalidade humana está sempre acima de questões subjetivas e culturais. ela não faz distinção entre os comportamentos presente e futuro. c ela postula que não há custos psicológicos na escolha. D unindo economia e psicologia, ela busca explicar por que os indivíduos tomam decisões aparentemente irracionais. E as pessoas tendem a escolher a melhor opção independentemente do que seja oferecido como opção padrão.A alternativa D está correta. A premissa básica da economia comportamental é que os seres humanos nem sempre são racionais. Vamos analisar as alternativas: A) A alternativa está incorreta. Às vezes, escolhas podem ser baseadas em questões subjetivas que pesam mais que a racionalidade econômica. B) A alternativa está incorreta. Em determinadas situações, sentir-se bem no presente é melhor do que sofrer no futuro. C) A alternativa está incorreta. A economia comportamental supõe que as pessoas tendem a aceitar a opção que lhes é dada, e não arcar com os custos psicológicos da escolha. E) A alternativa está incorreta. A escolha das pessoas depende da opção padrão em relação a que elas irão comparar às alternativas.4. Conclusão Considerações finais Estudamos alguns conceitos básicos de ciências econômicas. Vimos como ela evoluiu ao longo do tempo e que caminhos está trilhando no presente. Vimos também os diversos objetos de estudo da Economia, que busca responder como alocar recursos da melhor forma possível. Essa é a régua para determinar se a profissão é bem-sucedida: devemos contribuir para melhor destino possível dos recursos que temos à nossa disposição. Assim, teremos mais desenvolvimento, menos pobreza e desigualdade e melhores políticas públicas para a sociedade. Podcast Ouça o podcast para recapitular os principais pontos estudados. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para saber mais sobre os assuntos estudados, sugerimos as seguintes leituras: ACEMOGLU, D.; ROBINSON, J. Por que as nações fracassam? Nova York: Crown Publishing Group, 2012. BANERJEE, A.; DUFLO, E. Good economics for hard times. Nova York: Public Affairs, 2019. BANERJEE, DUFLO, E. Poor economics. Nova York: PublicAffairs, 2011. FERGUSON, N. A ascensão do dinheiro: uma história financeira do mundo. São Paulo: Planeta do Brasil, 2009. TELLES, A.; TIROLE, J. Economia do bem comum. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. Referências CAMPANTE, F. A ciência da economia política: legado de Alberto Alesina. Nexo Jornal, 2020. GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Renda Melhor Jovem. 2014. KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à economia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.HAYES, A. Game theory. Investopedia, 2019. MANKIW, N. G. Macroeconomia. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. MEHARI, T. Y. A short history of economic thought. Groningen: University of Groningen, 2002. PERSSON, T.; TABELLINI, G. Political economics: explaining economic policy. The MIT Press, 2002. ROLL, E. A history of economic thought. Londres: Faber & Faber, 1992. SCREPANTI, E.; ZAMAGNI, S. An outline history of the economic thought. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2005. THE ECONOMIST. The legacy of Alberto Alesina. 2020. VARIAN, H. R. Microeconomia: uma abordagem moderna. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

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