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( 18 ) UNIVERSIDADE SAVE FACULDADE DE LETRAS E HUMANIDADE Modo Narrativo (teoria/prática) Modo Dramático (teoria/prática) Licenciatura em ensino de Português Amílcar Ernesto Chaúque Carlos Alfredo Cossa Cátia Patrício Machabe Márcia Dombole Onésia Ozório Manhiça Pércia António Ndloze Chongoene 2026 FACULDADE DE LETRAS E HUMANIDADE Modo Narrativo (teoria/prática) Modo Dramático (teoria/prática) Licenciatura em ensino de português Amílcar Ernesto Chaúque Carlos Alfredo Cossa Cátia Patrício Machabe Márcia Dombole Onésia Ozório Manhiça Pércia António Ndloze ( Trabalho a ser apresentado na Faculdade de Letras e Humanidades, na cadeira dos Estudos Literários para efeitos de avaliação. ) O docente ׃ ………………………………………… Dr׃ Alberto Cuambe Chongoene 2026 Índice Capitulo I. Introdução 2 Capitulo II. Revisão da literatura 3 2.1. Conceitos básicos 3 2.2.Géneros literários Modos 3 2.3.O modo narrativo (teoria prática diegese e discurso) 3 2.4.Discurso 4 2.5.Modo de representação 4 2.6.O cristal de Luz 4 2.7.Narração 5 2.8.Descrição 5 2.9.Tempo da Historia e tempo do discurso (anacronia e anisocromia) 5 2.10.Um dia na vida de um detective 6 2.11.Narrador 6 2.12.Género Dramático 7 2.13.Semelhanças entre o género dramático e o género narrativo 9 2.14.Personagens 10 2.15.Parte prática 12 2.15.1.Rei mocho 12 2.15.2.Análise do texto 16 Capítulo III. Conclusão 17 Referências bibliográficas 18 Capitulo I. Introdução O presente trabalho versa sobre o Modo Narrativo (teoria/prática) e Modo Dramático (teoria/prática). Géneros literários são categorias que organizam todos os tipos de textos literários pelas semelhanças formais, estruturais e temáticas. Eles são classificados em género narrativo e género dramático. Para materialização do estudo do tema definiu-se o seguinte objectivo geral: · Compreender o modo narrativo e modo dramático. O nosso objectivo geral será desdobrado em seguintes objectivos específicos: · Definir o modo narrativo e o modo dramático; · Explicar o modo narrativo e modo dramático. Este trabalho é extremamente importante para o estudo do curso de Português pois pode muni-lo em ferramentas para o estudo dos temas acima mencionados que constituirá o dia-a-dia do professor da Língua Portuguesa. Para a elaboração deste trabalho usou-se o método bibliográfico, que consistiu em consulta de várias obras. O trabalho apresenta a seguinte estrutura: No primeiro capítulo, encontra-se a introdução, onde foram apresentados os objectivos e a metodologia que foram utilizadas para a realização da pesquisa. No segundo capítulo encontra-se a revisão da literatura, onde foram discutidas as bases teóricas do trabalho. O terceiro capítulo corresponde a conclusão do trabalho e para finalizar encontra-se as referências bibliográficas. Capitulo II. Revisão da literatura 2.1. Conceitos básicos Texto Para Aguiar e Silva (1990), o termo “texto” deriva do substantivo latino textus, que significa “tecido”, “urdidura”, “encadeamento”, e provem do particípio passado do verbo texere, que significa “tecer”, “entrançar”, “entrelaçar”. No seu significado metafórico, por conseguinte, o texto é um tecido de palavras e de frases. Texto narrativo Na perspectiva de Aguiar Silva (1990), texto narrativo é um texto que conta, em que relata sequencia de eventos de que foram agentes e/ ou pacientes ou de que tiveram conhecimento como testemunhas presenciais ou como leitores ou ouvintes de outros textos. 2.2.Géneros literários Modos 2.3.O modo narrativo (teoria prática diegese e discurso) Segundo Aguiar e Silva (1990), na sua obra Teoria da literatura, afirma que o modo narrativo define-se pela mediação do narrador, ele estabelece o binómio diegese discurso, onde a diegese ė o mundo fictício e a historia contada, e o discurso e o processo material e linguístico usado pelo narrador para transmitir a historia ou acontecimentos. Aguiar e Silva (1990), afirmam que para dominar a relação entre a teoria e a prática é preciso compreender os seguintes conceitos: A diegese histórica ė o universo espácio-temporal onde as acções das personagens ocorrem. Na prática a análise de um romance, a diegese e tudo o que acontece na história narrativa independentemente de como ė contado. Sintaxe da diegese a organização estrutural das intrigas e propõe tipologias como romance fechado com uma diegese rigorosamente delimitada, com principio meio e fim e o romance aberto. É objecto material da recreação estética. 2.4. Discurso O discurso ė a dimensão semiótica e pratica através da qual a língua ė materializada no texto para narrar os eventos. Na prática a relação temporal entre diegese e discurso pode ser alterada. Os acontecimentos da diegese não precisam ser contados na ordem cronológica em que ocorreram podendo o discurso aplicar deformações temporais recuos e avanços no tempo. O discurso ė produzido pela instância do narrador, uma criatura fictícia e intratextual e que não se deve confundi-lo com o autor-alerta Aguiar e Silva. 2.5. Modo de representação De acordo com Aguiar e Silva a articulação do modo narrativo com outras categorias formais como a voz quem fala e a focalização quem vê. O modo narrativo é estruturalmente marcado pela forma como o narrador medeia a história. A discrição também integra o discurso narrativo servindo para pintar o cenário ou o retrato físico e psicológico das personagens planas ou redondas no universo diegético. Um texto narrativo conta uma história real ou fictícia. Para ser completo no género deve conter cinco elementos fundamentais enredo, personagens, narrador, tempo e espaço. Exemplo de um texto com os cinco elementos fundamentais: 2.6.O cristal de Luz Numa tarde fria de outono, Sofia caminhava apressadamente para a floresta de pinheiros, segurando um mapa antigo. Ela procurava o lendário cristal de Luz. De repente ouviu um farfalhar nos arbustos. Era um pequeno esquilo que a encarava. Não tenha medo- disse o esquilo surpreendendo-a. Sofia sorriu percebendo que não estava sozinha na sua busca. Juntos, chegaram a clareira onde o cristal brilhava completando a sua grande aventura. 2.7.Narração Os lexemas como* narrar*, *narrativa*, e *narrador* derivam do vocabulário latino narro, verbo que significa *dar a conhecer*, *tornar conhecido*, o qual provem do adjectivo gnarus, que significa *sabedor*, *que conhece*, por sua vez relacionado com o verbo gnosco, este lexema deriva da raiz sânscrita gnâ, que significa *conhecer*. A narratividade pode se manifestar em textos dependentes de diversos sistemas semióticos. Os textos narrativos verbalmente realizados constituem apenas uma classe dos textos narrativos possíveis, visto que existem também textos não-verbal, como na pintura, na escultura, na mímica, na dança, no cinema mundo, na banda desenhada sem enunciados. Narração refere-se ao relato de eventos de uma forma sucessiva ou sequencial que ocorreram ou que ocorrem no tempo e no espaço. Para Vítor Manuel de Aguiar e Silva, (1990), existem dois tipos de narração as saber: · Narração natural:que é produzida na interacção comunicativa da vida quotidiana e normal; · Narração artificial: que é produzido em peculiares contextos de enunciação, com uma intencionalidade alheia àquela interacção comunicativa e em conformidade, em muitos casos, com normas e convenções estabelecidas em vários códigos específicos. Exemplo: “O João chegou em casa de madrugada, Abriu a porta e viu o rato morto e levou ou rato para fora”. 2.8. Descrição Refere-se a forma como o narrador opta para narrar a história, isto é, o narrador relata de uma forma detalhada as características das personagens e coisas, destaca se as pausas durante a fala. 2.9. Tempo da Historia e tempo do discurso (anacronia e anisocromia) Para Victor Manuel de Aguiar e Silva (1990), o texto narrativo caracteriza-se por representar uma sequência de eventos, comporta como elemento estrutural relevante da sua forma de conteúdo a reapresentação do tempo: · Tempo-cronológico ou tempo da história que marca a sucessão dos eventos; Na acepção bergsoniana o tempo-cronologia também conhecido como tempo concreto modela e transforma os agentes da narrativa; · Tempo histórico, que subsume o tempo-cronologia e o tempo concreto, que configura e desfigura os indivíduos e as comunidades sociais. O tempo histórico também é considerado de gerador e modificador da cultura. Exemplo: No primeiro dia das aulas falou-se sobre as orações coordenadas, No segundo dia falou-se dos tipos das orações coordenadas, No terceiro dia falou-se da classificação das orações e no último dia fez-se a revisão. · Tempo de discurso refere-se a forma como o narrador organiza e relata os eventos na história tendo em conta ao ritmo da narrativa (lenta /rápida) e a ordem como estão organizados os factos. Exemplo de análise: 2.10. Um dia na vida de um detective Imagine um conto onde o detective acorda, toma chá (10 min), dirige até o local de crime (30 min), investiga uma pista vital (3 horas) e, em seguida, tem um flashback de 5 anos atrás que explica todo o caso. · Ordem cronológica: o momento em que o detective acorda, toma chã e dirige ate o crime. · Flashback (analepse): ao chegar na cena de crime, o narrador insere um parágrafo detalhando um evento de 5 anos atrás. A linha do discurso volta ao passado para explicar o presente. 2.11. Narrador O narrador conta a história, ou parte da história. Em certas classes de textos, sejam eles textos narrativos como poema épico, a novela, o romance, o autor textual pode criar um ou mais narradores explicitamente representados, possuindo muitas vezes o estatuto de principais ou secundários. Quando o narrador não figura explicitamente representado no texto como "eu", tem de se admitir a existência de um narrador não-personalizado ou seja anónimo, que se identifica com o autor textual em certos textos narrativos assume imediatamente a função de narrador. O narrador, quer da narrativa pessoal, quer o narrador "apagado" da narrativa não-pessoal, insere normalmente no âmbito da sua enunciação co-extensiva em regra à totalidade do texto, enunciações restritas que são da responsabilidade imediata doas autores da narrativa, os quais, por isso mesmo podem ser considerados como instâncias enunciadores de segundo grau. Na focalização homodiegética, o narrador responsável pela focalização é agente, comparsa ou protagonista do mundo diegético do romance em causa. A focalização homodiegética ocorre no impropriamente chamado "romance de primeira pessoa" que naquele romance em que o narrador coincide com o herói, quer aquele que o narrador é personagem secundária. A focalização autodiegética comporta ainda algumas modulações importantes. Entre o eu narrador e o narrado, pode cavar -se uma distância temporal ou mais ou menos longa que determina entre dois eu distâncias de outro-teor, uma distância ideológica, uma distância ética. O eu narrador ao rememorar eventos do eu narrado, pode assim assumir uma atitude irónica e justificativa ou uma atitude solidária perante o eu narrado, pois que o fluir do tempo estar a identidade entre o eu narrador e o eu narrado, instaurando entre ambos uma relação ambígua e complexa de continuidade e de ruptura. O narrador representa enquanto instância autonomizada que produz intratextualmente o discurso narrativo, uma construção, uma criatura fictícia do autor textual construindo este último por sua vez uma construção do autor empírico. O texto narrativo, como é sabido desde análise de Platão sobre a diegese e a mimese poética, pressupõe sempre uma instância doadora do discurso, diferentemente do que acontece com o texto lírico e com o texto dramático da apresentação. O poeta narrativo, cria um narrador, em particular o narrador da primeira pessoa de modo que um texto narrativo carecente de pronome da primeira pessoa ou de quaisquer marcas linguísticas do falante não teria narrador. 2.12.Género Dramático Para Ourique, (2010. P. 39). é a obra literária em poesia ou em prosa feita para representação. A base do texto dramático seja em cinema, teatro ou televisão, “é o diálogo, que estabelece uma comunicação muito viva. Os textos escritos para representação sempre apresentam instruções à parte para o director da cena. Soares, (2007. P. 62), diz que o género dramático faz parte dos três existentes, a diferença que existe entre este e os outros géneros é que este tem como finalidade a encenação. As principais espécies dramáticas são as seguintes: Tragédia: originariamente, texto dramático em versos, depois também em prosa, de acção caracterizada pela intensidade e violência das paixões ou conflitos humanos representados; No capítulo VI de sua Poética, Aristóteles conceitua a tragédia como a mímesis de uma acção de carácter elevado (importante e completa), num estilo agradável, executada por atores que representam os homens de mais forte psique tendo por finalidade suscitar terror e piedade e obter a catarse (libertação) dessas emoções. Aristóteles distinguiu seis partes na tragédia: a fábula, os caracteres, a evolução, o pensamento, o espectáculo e o canto. Destaca a importância da fábula (ou mito) que, como mímesis da acção (combinação de actos), se estrutura pela subordinação entre as partes, pelo seu inter-relacionamento, criando-se a unidade de acção. E acrescenta que, antes de chegar ao desfecho, o autor de tragédias deve construir o nó (que vai do início da tragédia até o ponto onde se produz a mudança de sorte do herói), o reconhecimento (faz passar da ignorância ao conhecimento), a peripécia (mudança de acção, que não ocorre em conformidade com o verosímil ou o necessário) e o clímax (ápice do conflito, que se precipita no acontecimento catastrófico). Comédia: texto dramático, inicialmente em versos, mais tarde também em prosa, de acção divertida e feição humorística; Na comédia, a tensão própria do género dramático é extravasada com o riso. O problema apresentado, cuja resposta deve ser conseguida através da linguagem do pathos, resolve-se em etapas sucessivas e se dispersa em tiradas ridículas. Há, assim, uma acomodação no cómico, que impede o desmoronamento do mundo da personagem. Auto: na origem, texto dramático em versos, posteriormente também em prosa, de curta extensão, cujos personagens muitas vezes constituem alegorias. Auto é uma modalidade do género dramático ligada aos mistérios e às moralidades e, na Idade Média, designou toda peça curta de tema religioso ou profano. Ele equivaleria a um ato que viesse a integrar um espectáculo maior e completo, daí o nome auto. Os mistérios são peças teatrais, cujos temas são retirados das sagradas escrituras para transmitir ao povo, de forma acessível e concreta, a história da religião, os dogmas e os artigos da fé. Nas moralidades, os temas histórico-concretos dos mistérios são substituídos por argumentos abstrato-típicos, que mostram o conflito do homem, em face do bem e do mal. Pode-se tomar como exemplo de Auto, as peças teatrais da companhia Gungu , em que através do humor moldam a comunidade pelas diversas temáticas que apresentam.Drama: texto dramático em prosa, em que podem associar-se passagens trágicas e passagens cómicas. De acordo com Soares "a palavra drama se emprega: 1ª) para designar o género dramático em geral; 2ª) como sinónimo de peça teatral; 3ª) como uma forma dramática específica, que resulta do hibridismo da tragédia com a comédia." (Soares, 2007: 62). Verificamos que são muito relativas as fronteiras entre prosa e poesia. Do mesmo modo, os limites entre lírico, narrativo e dramático não são rígidos, ocorrendo, em todas as obras literárias, uma combinação dos três géneros nas mais diversas proporções, embora, de modo geral, apenas um género se apresente como dominante em cada obra. 2.13.Semelhanças entre o género dramático e o género narrativo Podemos notar que o género dramático e o género narrativo apresentam semelhanças, pois ambos contam histórias em que dentro delas encontramos personagens, há um envolvimento de acções no espaço e no tempo. Apresentam a situação inicial, o clímax e o fim. As personagens são construídas ao longo da acção, estas sofrem alterações ao decorrer da história ou do enredo. Portanto, no fim a semelhança acaba onde o género dramático não usa um narrador para apresentar ou contar os factos mas sim apresenta-se o texto em jeito de teatro, por meio do diálogo entre personagens. E o género narrativo apoia-se do narrador para contar os acontecimentos. Autor Empírico é pessoa real, de carne e osso, que nasceu, que apresentou obras, tem vida fora das obras/livros e uma identidade. Autor Empírico quando uma testemunha redige um depoimento judicial, quando um. Jornalista relata um acontecimento, quando um cientista descreve uma experiência laboratorial, quando alguém escreve uma Carta, etc. verificam-se actos de enunciação em que o eu do sujeito da enunciação, isto é, do enunciador que, num momento e num lugar determinados, produz enunciados, se identifica com um sujeito empírica e historicamente existente, portador de um bilhete de identidade, de um cartão de contribuinte, etc. Quem escreve um texto literário é também um indivíduo empírica e historicamente existente deixemos de lado os autores duais ou colectivos, mas o sujeito da enunciação literária, o eu que se manifesta no texto, o eu que fala no texto, não se identifica necessariamente com aquele indivíduo. Autor textual desde a idade média, pelo menos como Leo Spitzer demonstrou num conhecido estudo, que existe a consciência de que o eu do texto poético, não é identificável com o eu empírico. Bem o sabiam os trovadores galego-portugueses que escreviam cantigas de amigos em que o sujeito da enunciação poética é uma mulher! No entanto, só há relatividade pouco tempo, vencendo barreiras e preconceitos psicologistas e biografistas, é que a metalinguagem no sistema literário, a teoria e a críticas literárias estabeleceram de modo fundamentado e difundiram a distinção entre o autor empírico, o autor textual e o narrador. Autor textual é a imagem do autor construída dentro da obra. É a voz do "eu" que aparece no texto, nem sempre é o autor real. É a máscara que o autor usa para falar com o leitor. O autor textual tem de ser considerado a instância da qual dependem as vozes que concretamente falam nos textos literários: o narrador nos textos narrativos, o sujeito lírico ou falante lírico nos textos líricos. Assunto é o conteúdo global que o autor textual organiza. É o tema geral "sobre o que" a obra fala. O texto literário, não se organiza, porém, basicamente digamos assim: primeiro constitui-se como texto linguístico: depois através de um processo de semiotização que transformaria as estruturas verbais do tecto linguístico, outorgando-lhe qualidade literária, constituindo-se assim como texto literário. Motivo é a única mínima temática que se repete. O pedaço que repete. É concreto, específico. Responde: Que elementos constroem o assunto. 2.14.Personagens .Forster, E.M. (1974), diz que personagem é um elemento indispensável da narrativa, sem personagem, não existe narrativa. Porque a função e o significado das acções ocorrentes numa sintagmática narrativa dependem principalmente da atribuição das acções a uma personagem ou um agente. O Forster, E. M. (1974), distingue duas espécies de personagens romanescas, que são: · Personagens desenhadas ou planas- são definidas linearmente apenas por um traço, por um elemento característico básico que as acompanha durante todo texto. Essa espécie de personagem tende frequentemente para caricaturas e apresenta muitas vezes uma natureza cómica ou humorista. A personagem plana não altera o seu comportamento no decurso de romance e, por isso nenhuma reacção da sua parte pode surpreender o leitor. Geralmente as personagens planas têm a função ou serve para apoiar o protagonista, movimentar a trama ou adicionar humor, sem desviar do seu propósito original. A personagem plana, possui dois subgéneros que são: Tipo é aquela cuja identificação se dá, normalmente, por meio de determinada categoria social. A enfermeira, o pirata, o criminoso, o açougueiro, a adolescente, o estudante... são alguns dos possíveis exemplos. Se a personagem é caracterizada a partir de uma categoria social e se suas acções correspondem previsivelmente a tal categoria, confirmando os valores que socialmente lhe são atribuídos, estamos diante de uma personagem tipo. Estereótipo é aquela cuja identificação se dá por meio da acumulação excessiva de signos que caracterizam determinada categoria social. Exemplos: o pirata com perna de pau, olho de vidro, cara de mau, barba por fazer, brinco de argola, lenço na cabeça, gancho na mão, chapéu preto com caveira, papagaio no ombro, bebedor de rum etc; a enfermeira de roupa, sapatos e touca brancos, cabelo preso, unhas curtas, bijutarias, relógio e maquilhagem discretos, prancheta na mão, caneta e termómetro no bolso da camisa ou do avental etc. A personagem estereótipo é, pois, uma cristalização máxima do lugares-comuns e dos valores socialmente atribuídos às diversas categorias sociais. Pode-se dizer que, no texto literário, sua psicologia e suas acções são como que determinadas pela categoria social à qual pertence - fato normalmente construído por meio da descrição dos seus atributos Físicos e de seu figurino. · Personagem modelada ou redonda- é aquela que apresenta um alto grau de densidade psicológica, ou seja, marca-se pela linearidade no que se refere à relação entre os atributos que caracterizam o seu ser (a sua psicologia) e o seu fazer (as suas acções). Noutros termos: apresenta maior complexidade no que se refere às tensões e contradições que caracterizam a sua psicologia e as suas acções. Tal personagem é imprevisível, surpreendendo o leitor ao longo da narrativa, pois representa de modo denso a complexidade, os conflitos e as contradições que caracterizam a condição humana e, nesse sentido, não é redutível aos limites de uma categoria social. 2.15.Parte prática 2.15.1.Rei mocho -Naqueles tempos, tempos antigos, o mundo era tão pequeno e palpável que os gestos se sobrepunham à fala corrente do homem. Bastava um sinal com a mão, um abanar da cabeça, um coçar das omoplatas, um trocar de pés, um sorriso arreganhado, um bater de palmas, ou um abanar de ancas, para que os animais entendessem a mensagem humana. Aos animais, aves ou répteis, mamíferos ou batráquios, bastava um guincho, balido ou berro, chilreio ou zumbido, para que a comunicação se estabelecesse, filho." - Eram tempos belos. - Eram. A realidade e a imaginação cruzavam-se, casando e descasando-se. A fronteira entre a imaginação e a realidade era tão frágil, que poucos conheciam a margem que as separava. E isto porque a mentira não havia ainda sido inventada. - E como apareceu, pai? - Na confusão que o homem criou entre o mocho e outros pássaros. - Conta-me. - Vamos cantar primeiro à mãe árvore. A protetora dos espíritos. ♫ Zu, zuum, zuuum, zuum Abre-me a porta, mãe árvore! Abre, abre-me a porta! Quem és tu? Zu, zuum, zuuum, zuum Sou eu teu filho, homem, mãe árvore. Sou eu, teu filho homem! Que queres,pés compridos? Zu, zuum, zuuum, zuum A protecção dos espíritos, mãe árvore. Do olhar do mocho! Zu, zuum, zuuum, zuum Abre-me a porta, mãe árvore. A porta está aberta. Que a paz esteja contigo, mãe árvore. Zu, zuum, zuuum, zuum ♫ -Nesses tempos primeiros, filho, os homens e os animais conviviam paredes-meias, trocando gracejos, repartindo benfeitorias, e delimitando zonas de influência. Aos homens, pelo dom que sempre tiveram de entender as línguas, era-lhes dado o privilégio de com todos conviver. Era frequente vê-los partilhar as horas de lazer com os leões sob a longa e confortante copa das árvores da savana; ou saudando a entrada da noite com os morcegos que saíam em rebuliço das grutas à procura do alimento noturno. Por vezes, encavalitavam-se no dorso dos hipopótamos e cavalgavam pela profundidade dos rios, sorrindo aos peixes e gozando da eterna tristeza dos crocodilos. O mundo era tão transparente que o céu e a terra e as águas se mesclavam nas vozes e nos cantos, dando uma harmonia que o tempo faria desaparecer. - Havia paz. - É isso, filho. Havia paz. - E como começou a confusão? - Cantemos. ♫ Zu, zuum, zuuum, zuum Sou eu teu filho, homem, mamã árvore! Sou eu, teu filho homem. ♫ - Certo dia, e sem razão aparente, os pássaros aproximaram-se dos homens, e naquela maneira simples de se comunicar - pssiu, psiuuu, psiu, pssiuuu -, disseram: - Resolvemos escolher um chefe, raça de pés compridos. - Para que vos serve um chefe se o céu vos protege? _É em terra, raça de pés compridos, que os problemas podem surgir. _ Já não respeitam as asas dos outros quando se empoleiram nos ramos das árvores? - A prevenção é a mãe da segurança. - Vocês nasceram no entendimento. - Um guia é sempre necessário, pés compridos. - Deixem que a necessidade vos dê um guia. -Queremos alguém que divida as tarefas por nós e nos prepare para as maldades do tempo. - A guerra está na terra e não nos céus. As árvores protegem-vos das ciladas que a terra nos prega. Os mil braços das árvores estão sempre abertos para vos acolher. Os de baixo voo têm os ramos mais tenros a protegê-los. Os de voo de média altitude descansam em ramos de certo vigor. Os de altos voos pousam onde melhor lhes aprouver. A natureza estendeu-vos a paz e não a guerra. Aproveitem-na! - Mas já resolvemos. - Quem será o vosso chefe? -O mocho! - Por quê? - Por causa dos chifres que embelezam a sua cabeça. -Ah! - E os mochos, na quietude dos ramos que os sustentavam, permaneceram em silêncio. Na época, os olhos não se abriam em demasia e nem se alongavam para as costas. As asas, sim, mantinham-se como hoje, sempre disfarçadas ao longo do corpo. - E os mochos, o que dizem eles? - perguntaram os homens. -Todos se viraram para os ramos onde os mochos tinham as patas assentes. Silenciosos, não deixando um fio de tremura atravessar os olhos, os mochos entreolharam-se e, segundos depois, em uníssono, chirriaram. O sinal estava dado. Os pássaros fizeram estremecer as árvores. Alguns, como os estorninhos, esvoaçaram e trissaram, criando espessas nuvens castanhas à volta das árvores que farfalhavam de riso ante as cócegas dos pássaros felizes. As aves de grande porte, os abutres, as águias, os albatrozes, os pernilongos, mantiveram-se distantes dos pássaros comuns. Eles tinham a sua própria organização. Aos pequenos, a população majoritária dos pássaros, é que lhes era dada a oportunidade de se organizarem na base da sua própria vontade. - E o mocho foi eleito. - Foi ... E os pássaros tiveram momentos felizes. De dia, altura em que os mochos se entregavam ao descanso, os pássaros revezavam-se no tratamento do rei. Em resposta a um piscar de olhos chegava rapidamente o objecto desejado. Mas o mocho, cauteloso como sempre, dizia aos pássaros que o serviam: - Tratem das minhas penas. Mas não se aproximem da minha cabeça. Ela deve estar tranquila para as tarefas do comando. - Com essas cautelas, o mocho queria manter intactos os frágeis chifres que se alcandoravam no alto da cabeça. Mas este reparo, insistentemente repetido, levou à desconfiança dos homens. Os pássaros, esses, nunca puseram em causa a sinceridade do mocho. Na verdade, em tempo do seu reinado, os mochos nunca entraram em conflito com os seus súditos. Eles deixavam que cada grupo ou espécie se governasse por si, seguindo as regras seculares de convívio e respeito. Nunca se ouvira que algum mocho tivesse tido o desplante de fazer sentir a sua autoridade pela força. Se lei houve que tivesse provocado algum burburinho na liberdade dos pássaros, foi a de se harmonizarem os cantos, de modo que pela manhã, período de descanso dos mochos, os trinados não saíssem desafinados. As aves cumpriram com tal regra, pois a um canto respondiam, segundos depois, com um chilreio que era ripostado por um trilado mais suave. O equilíbrio e a harmonia eram notas dominantes durante as manhãs e tardes. Ao findar do dia, quando os morcegos se faziam às ruas da noite e os mochos se compunham para a noite da caça, a autoridade ficava entregue às leis da natureza. O equilíbrio estava reposto. Os pássaros entendiam-se, não fora a discórdia que os homens provocaram. - Como é que foi? - O homem pisou em ramos secos, filho. - Conta, pai. - A curiosidade do homem desequilibrou a relação entre os pássaros. Sem se aperceber das consequências, o homem afirmou serem falsos os chifres que os mochos acreditavam tê-los como membros distintos. O homem disse aos pássaros que os mochos eram mentirosos. A confusão foi total. - Como aconteceu? - A confusão foi total. Os assobios, trinados, trissados e todas as vozes e gritos de pássaros encheram a tarde. A revolta havia começado. Por onde vissem mochos eram bicadas de estarrecer. O mocho-rei acordou entre pancadas e bicadas. Algumas penas soltaram-se das asas. Os olhos alargaram-se, tentando encontrar razões para a revolta dos pássaros. Em vão os mochos tentaram convencer os pássaros de que os tufos de penas eram os seus chifres. A dor de terem sido enganados entranhava-se nos pássaros. Era um sentimento que nunca haviam corporizado. Estavam revoltados. Os mochos, impotentes em amainar a dor e a revolta dos pássaros, retiraram-se para sempre do convívio com outros pássaros. A noite passou a ser o domínio da sua existência. Amargurados com a atitude dos homens, os mochos ainda hoje clamam pela penitência destes. É por isso que os vemos, incansavelmente, durante as noites, sobre os ramos vizinhos às casas, abrindo os intrigantes e desmesurados olhos que se fixam no rosto humano. É por causa desse ato, filho, que os pesadelos e as insônias são frequentes nos homens, quando os mochos, querendo a expiação humana, se abeiram das casas e começam a piar pela noite adentro. Quem deita mau olhado sobre si o deita. 2.15.2.Análise do texto Na identificação de personagens e demais elementos nos baseamos na versão original do mesmo texto na pagina 13. Personagens: matsiyelana,sisi,ngingiritane e o narrador. Assunto: governação do rei mocho. Tempo:_antiguidade. Espaço/local: é na floresta. Ponto alto descoberta de falsos chifres e revolta. Desfecho fuga do rei para o mato. Narrador: participante. Capítulo III. Conclusão Finda a leitura do trabalho, concluiu-se que os géneros literários são categorias que organizam os textos literários por semelhanças formais, estruturais e temáticas, classificando-se essencialmente em género narrativo e género dramático. O estudo permitiu compreender que o género narrativo se define pela mediação do narrador e pelo binómio diegese-discurso, enquanto o género dramático distingue-se pela finalidade de encenação, tendo o diálogo como base. Assim, os objectivos traçados foram alcançados: compreender a classificação e explicar os géneros literários. Conclui-se que este estudo é extremamente importante para o curso de Português, pois fornece ferramentas essenciais para o futuro professor da Língua Portuguesa. Referências bibliográficas Aguiar e Silva, V.M. (1990) Teoria e metodologia literárias. Universidade abertaOurique, J. L. P. (2010). Introdução aos estudos Literários. Santa Maria: Centro de Artes e Letras, Soares, A. (2007). Géneros literários. 7.ed. São Paulo, Ática. image1.jpeg