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Introdução ao Direito Constitucional | 
Introdução 
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DISCIPLINA 
INTRODUÇÃO AO DIREITO 
CONSTITUCIONAL 
 
CONTEÚDO 
Concepções e Classificações das 
Constituições 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Introdução 
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Introdução ao Direito Constitucional | 
Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Concepções de Constituição ---------------------------------------------------------------------------- 4 
2.1 A Concepção Sociológica ----------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.2 Concepção Política ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
2.3 Concepção Jurídica ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 7 
3 Concepção Moderna da Constituição ---------------------------------------------------------------- 9 
3.1 O Constitucionalismo de Konrad Hesse ---------------------------------------------------------------------------- 9 
3.2 Constituição em Sentido Cultural---------------------------------------------------------------------------------- 10 
4 Tipologia das Constituições ---------------------------------------------------------------------------- 11 
4.1 Quanto ao Conteúdo -------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
4.2 Quanto à Forma -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 12 
4.3 Quanto à Elaboração -------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
4.4 Quanto à Origem ------------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
4.5 Quanto à Estabilidade ------------------------------------------------------------------------------------------------ 15 
4.6 Quanto à Finalidade --------------------------------------------------------------------------------------------------- 16 
4.7 Quanto à Extensão ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
4.8 Quanto ao Critério ontológico -------------------------------------------------------------------------------------- 18 
5 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 19 
6 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 19 
 
 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Introdução 
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1 Introdução 
A palavra constituição, em sentido amplo, normalmente denota o modo como está 
formado ou estruturado determinado conjunto de coisas ou seres vivos; em sentido 
estrito, remete ao conjunto de normas que regulamentam e que compõe a grande lei 
que fundamenta o Estado. Por esse prisma, a Constituição é, para nós, a lei maior, a 
norma de ordem superior que dispõe sobre a organização do Estado, garantias, 
direitos e deveres individuais do cidadão e outros temas considerados de maior 
relevância no contexto da sociedade em que é elaborada. 
 
Nathalia Masson explica, no entanto, que as Constituições também são “organismos 
vivos, documentos receptivos aos influxos da passagem do tempo, em constante 
diálogo com a dinâmica social”, e tendo em vista seu caráter aberto e comunicativo 
com outros sistemas, sempre haverá certa dificuldade na conceituação, pois existe 
uma “pluralidade de concepções que fornecem noções acerca do assunto” (MASSON, 
2020). Assim, neste material, falaremos a respeito das quatro concepções de 
constituição mais estudadas pela doutrina – a sociológica, a política, a jurídica e a 
moderna –, além dos critérios utilizados para classificação. 
 
2 Concepções de Constituição 
Nathalia Masson (2020) define Constituição como “o conjunto de normas 
fundamentais e supremas, que podem ser escritas ou não, responsáveis pela criação, 
estruturação e organização político-jurídica de um Estado”. Assim, a Constituição não 
só descreve a organização do Estado, como também se consolida como um alicerce 
para todas as demais normais. 
 
Ao longo do tempo, contudo, a doutrina pensou sobre a natureza, o sentido e o papel 
da Constituição, produzindo diversas concepções acerca da forma como elas devem 
ser entendidas. Dentre estas, as que tiveram maior repercussão foram a concepção 
sociológica, a jurídica e a positivista. 
 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Concepções de Constituição 
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2.1 A Concepção Sociológica 
A concepção sociológica foi desenvolvida pelo alemão Ferdinand Lassalle na obra “A 
essência da Constituição”, na qual pensou a constituição sob o aspecto da relação 
entre os fatos sociais dentro do Estado. Para ele, “a constituição de uma país é, em 
essência, a soma dos fatores reais do poder que regem nesse país. Esta seria a 
constituição real e efetiva, ao passo que a constituição escrita não passaria de uma 
“folha de papel”. 
 
Na explicação de Luis Roberto Barroso (2020), a Constituição real e efetiva do Estado 
é um conjunto de forças políticas, econômicas e sociais, que atuam dialeticamente, 
estabelecendo uma realidade e um sistema de poder. Neste sentido, “a Constituição 
jurídica, mera ‘folha de papel’, limita-se a converter esses fatores reais do poder em 
instituições jurídicas, em Direito”. 
 
Essa soma de fatores reais do poder que regem o país pode, ou não, coincidir com a 
constituição escrita, que, no entanto, sucumbiria caso fosse contrária à constituição 
real, devendo, por esse motivo, coadunar-se com ela. Segundo Nathalia Masson 
(2020), “como num eventual embate entre o texto escrito e os fatores reaisde poder 
estes últimos sempre prevalecerão, deverá a Constituição escrita sempre se manter 
em consonância com a realidade, pois, do contrário, será esmagada (como uma 
simples "folha de papel") pela sua incompatibilidade com o que vige na sociedade”. 
 
É importante compreender que Lassalle pensou a constituição a partir do prisma 
sociológico em uma época em que havia muitas Constituições oriundas de poderes 
monárquicos, imperiais e autocratas, e que, muitas vezes, não correspondiam aos 
anseios da sociedade. Para ele, só seria eficaz a constituição que correspondesse aos 
valores presentes na sociedade, e nesta concepção a situação ideal é aquela em que 
a constituição real e a escrita são inequivocamente correspondente (MASSON, 2020). 
 
 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Concepções de Constituição 
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Figura 1 - Concepção sociológica da Constituição 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
 
2.2 Concepção Política 
A concepção política da constituição foi pensada por Carl Schmitt na obra “Teoria da 
Constituição”, segundo a qual a Constituição é vista como “decisão política 
fundamental, decisão concreta de conjunto sobre o modo e forma de existência da 
unidade política” (SILVA, 2014). Neste sentido, Nathalia Masson aponta que 
A Constituição corresponde à decisão política fundamental que o Poder Constituinte 
reconhece e pronúncia ao impor uma nova existência política. [...] Sob o prisma político, 
portanto, pouco interessa se a Constituição corresponde ou não a fatores reais de poder, o 
importante é que ela se apresente enquanto o produto de uma decisão de vontade que se 
impõe, que ela resulte de uma decisão política fundamental oriunda de um Poder Constituinte 
capaz de criar uma existência política concreta, tendo por base uma normatividade escolhida 
(MASSON, 2020). 
 
Dessa forma, Carl Schmitt faz uma distinção entre constituição e leis constitucionais, 
defendendo que a constituição “só se refere à decisão política fundamental (estrutura 
e órgãos do Estado, direitos individuais, vida democrática etc.); e as leis constitucionais 
são os demais dispositivos inscritos no texto do documento constitucional, que não 
contenham matéria de decisão política fundamental” (SILVA, 2014). Em suma: 
 
▪ Constituição: é aquilo que traz as normas materiais, ou seja, as normas que 
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Concepções de Constituição 
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decorrem da decisão política fundamental, as normas estruturantes do Estado, tais 
como: forma de estado; forma de governo; regime político; composição e 
competência dos entes; divisão dos poderes; direitos e garantias fundamentais. As 
normas estruturantes do Estado são aquelas que que regem e devem 
obrigatoriamente estar presentes em qualquer constituição. 
 
▪ Lei Constitucional: é tudo o que está no texto escrito, mas não é decisão 
fundamental do Estado, e mesmo assim possui hierarquia constitucional. É tudo 
aquilo que não é norma estruturante do Estado, tudo aquilo que, embora esteja no 
texto constitucional, não precisaria estar, pois poderia simplesmente ser 
regulamentado em forma de Lei Complementar. 
 
 
Figura 2 - Concepção política da Constituição 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
 
2.3 Concepção Jurídica 
A concepção jurídica da constituição foi preconizada por Hans Kelsen na obra “Teoria 
Pura do Direito”, segundo a qual a Constituição é puro dever-ser, é fruto da vontade 
racional do homem, e não das leis naturais. Conforme explica Barroso, 
Em busca de um tratamento científico que conferisse “objetividade e exatidão” ao Direito, 
Kelsen desenvolveu sua teoria pura, na qual procurava depurar seu objeto de elementos de 
outras ciências (como a sociologia, a filosofia), bem como da política e, em certa medida, até 
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Concepções de Constituição 
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da própria realidade. Direito é norma; o mundo normativo é o do dever-ser, e não o do ser. 
Nessa dissociação das outras ciências, da política e do mundo dos fatos, Kelsen concebeu a 
Constituição (e o próprio Direito) como uma estrutura formal, cuja nota era o caráter 
normativo, a prescrição de um dever-ser, independentemente da legitimidade ou justiça de 
seu conteúdo e da realidade política subjacente. A ordem jurídica é um sistema escalonado de 
normas, em cujo topo está a Constituição, fundamento de validade de todas as demais normas 
que o integram (BARROSO, 2020). 
 
Por esse viés, a palavra constituição pode ser entendida em dois sentidos, no sentido 
lógico-jurídico e no sentido jurídico-positivo. “De acordo com o primeiro, a 
constituição significa norma fundamental hipotética, cuja função é servir de 
fundamento lógico transcendental da validade da constituição jurídico-positiva que 
equivale à norma positiva suprema, conjunto de normas que regula a criação de outras 
normas, lei nacional no seu mais alto grau” (SILVA, 2014). 
 
Em outras palavras, para Kelsen, não é necessário que constituição se limite àquilo que 
corresponde aos anseios reais do povo, tampouco às normas estruturantes do Estado, 
mas sim, que seja tudo aquilo que nela está escrito. Desse modo, o autor dá à 
constituição um sentido jurídico, desconsiderando o clamor do povo e do poder 
constituinte, e considerando somente aquilo que está escrito no texto. 
 
 
Figura 3 - Concepção jurídica da Constituição 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Concepção Moderna da Constituição 
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Em resumo, estas são as teorias clássicas que fundamentam a constituição: 
 
 
Figura 4 - Concepções da Constituição 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
 
3 Concepção Moderna da Constituição 
José Afonso da Silva descreve, em seu Curso de Direito Constitucional Positivo (2014), 
como as três concepções abordadas anteriormente pecam pela unilateralidade dos 
conceitos apresentados, o que justificaria a busca de vários autores em formular um 
conceito unitário de constituição, que a conceba em “sentido que revele conexão de 
suas normas com a totalidade da vida coletiva, na unidade de uma ordenação 
fundamental e suprema”. Assim, neste capítulo veremos duas das concepções que 
derivaram dessas três teorias clássicas. 
 
3.1 O Constitucionalismo de Konrad Hesse 
Ao analisar a essência da Constituição no pensamento de Lassalle e de Konrad Hesse, 
a Professora Iacyr de Aguilar Vieira discorre sobre como o pensamento de Konrad 
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Concepção Moderna da Constituição 
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Hesse se contrapõe às reflexões desenvolvidas por Ferdinand Lassalle de modo a 
completá-las e trazê-las a uma nova realidade, realçando o caráter normativo da 
Constituição. De forma bem sintetizada, para ele, a Constituição possuiria uma força 
normativa capaz de modificar a realidade e obrigar as pessoas, de tal forma que nem 
sempre ela poderia vir a ceder em face dos fatores reais de poder. Ou seja, tanto pode 
a Constituição escrita sucumbir, quanto prevalecer, modificando a sociedade. 
Na concepção de Hesse, a realização da Constituição importa na capacidade de operar na vida 
política, nas circunstâncias da situação histórica e, especialmente, na vontade de Constituição, 
que procede de três fatores: da consciência da necessidade e do valor específico de uma ordem 
objetiva e normativa que afaste o arbítrio; da convicção de que esta ordem constituída é mais 
do que uma ordem legitimada pelos fatos e que necessita estar em constante processo de 
legitimação, e da consciência de que se trata de uma ordem que não logra ser eficaz sem o 
concurso da vontade humana, principalmente das pessoas envolvidas no processo 
constitucional, isto é, de todos os partícipes da vida constitucional (VIEIRA, 1998). 
 
Para Konrad Hesse, não é o povo que decide se a Constituição se tornará somente 
“uma folha de papel”, mas é a constituiçãoque decidirá sobre o povo, o qual deverá 
se adequar ao que diz o texto constitucional. 
 
3.2 Constituição em Sentido Cultural 
Na concepção culturalista, a constituição é entendida como um produto da cultura, 
um fato cultural. Conforme aponta Bernardo Gonçalves Fernandes (2020), essa 
concepção desenvolve a lógica de que “a Constituição possui fundamentos diversos 
arraigados em fatores de poder, decisões políticas do povo e normas jurídicas de 
dever ser vinculantes. Surge daí a ideia de uma constituição total, com a junção dos 
aspectos econômicos, sociológicos, políticos, jurídicos-normativos, filosóficos e 
morais a fim de construir uma unidade para a Constituição. Nesse sentido, a 
Constituição se coloca como um conjunto de normas fundamentais condicionadas 
pela cultura total e, ao mesmo tempo, condicionante, numa perspectiva 
eminentemente dialética”. 
 
Segundo essa teoria, a constituição deve ser percebida como realidade social, decisão 
política fundamental e norma suprema positivada, dessa forma, ela abarca todas as 
teorias anteriores. Seus propulsores, no Brasil, foram Konrad Hesse, Peter Häberle e 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Tipologia das Constituições 
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Paulo Bonavides. 
 
4 Tipologia das Constituições 
Além das diversas formas de conceber as constituições, existem formas de classificá-
las de acordo com os mais variados critérios e perspectivas. De acordo com Nathalia 
Masson, em seu Manual de Direito Constitucional (2020), as constituições podem ser 
classificadas em: 
 
 
Figura 5 - Classificação das Constituições 
Fonte: Adaptado de MASSON (2020) 
 
Na sequência, sem dispensar a necessidade de estudo das demais perspectivas 
existentes, enfatizaremos as classificações tradicionais apresentadas pela maioria dos 
manuais de Direito Constitucional. 
 
4.1 Quanto ao Conteúdo 
Quanto ao conteúdo, as constituições podem ser classificadas em materiais e formais. 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Tipologia das Constituições 
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▪ Constituição Material: É aquela que, escrita ou não em documento 
constitucional, traz as normas fundamentais e estruturantes do Estado, como a 
divisão dos poderes e das competências dos entes, bem como dos princípios e 
dos direitos fundamentais. “Ou seja, são as normas fundantes (basilares) que 
fazem parte do “núcleo ideológico” constitutivo do Estado e da sociedade” 
(FERNANDES, 2020). Nessa classificação, somente matéria essencialmente 
constitucional possui status constitucional, as demais, mesmo que integrem o 
corpo da constituição, não são tidas como constitucionais (ex.: Constituição 
Imperial de 1824). 
 
▪ Constituição Formal: É aquela que elege como principal critério de existência 
de suas normas o processo de sua formação, e não seu conteúdo. Nesta 
classificação, todo o texto constitucional é de fato constitucional, pois o que 
importa na Constituição Formal não é o texto ou a norma, mas sim o processo. 
Ou seja, os textos que passaram pelo mesmo processo são considerados 
constitucionais, mesmo que não sejam normas estruturantes do Estado (ex.: 
Constituição Federal de 1988). Em relação à Constituição Formal, Bernardo 
Gonçalves Fernandes (2020) aponta que é “dotada de supralegalidade 
(supremacia), estando sempre acima de todas as outras normas do 
ordenamento jurídico de um determinado país. Nesse sentido, “só pode ser 
modificada por procedimentos especiais que ela no seu corpo prevê, na medida 
em que as normas ordinárias não a modificam [...], a Constituição formal, sem 
dúvida, quanto a estabilidade, será rígida. 
 
4.2 Quanto à Forma 
Quanto à forma, as constituições podem ser instrumental (escritas) ou costumeiras 
(não escritas). 
 
▪ Constituição Instrumental ou Escrita: é aquela codificada e sistematizada em 
um texto único, isto é, escrita em documento solene e uniforme, o qual possui 
as normas fundamentais do Estado. Como explica André Ramos Tavares (2020), 
“Constituições escritas são fruto do processo de codificação do Direito Público, 
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Tipologia das Constituições 
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ocorrendo onde o Direito Constitucional se encontra sistematizado em um 
único corpo textual” (ex.: Constituição Federal de 1988). 
 
▪ Constituição Costumeira ou não escrita: é aquela cujas normas 
constitucionais não constam em um documento único e solene, baseando-se 
nos costumes, na jurisprudência e convenções. A mutação dessa constituição se 
dá de acordo com a evolução da sociedade e do seu ordenamento jurídico, “as 
normas costumeiras têm como característica fundamental o surgimento 
informal, desligado de solenidades”, elas originam da sociedade, “e não de uma 
entidade especificamente designada para isso” (TAVARES, 2020). Atualmente 
inexistem constituições totalmente costumeiras, que foram predominantes até 
o fim do século XVIII. Até mesmo a constituição inglesa, que é o maior símbolo 
de constituição costumeira, possui princípios constitucionais em textos escritos. 
Conforme cita Tavares, “o ordenamento jurídico inglês compõe-se do 
denominado Direito estatutário e das convenções constitucionais, ao lado da 
jurisprudência e dos costumes (especialmente parlamentares)”. 
 
▪ Constituição Legal (também denominada Constituição não formal): As 
constituições escritas podem tanto estar sistematizadas em um único corpo de 
lei (constituições codificadas) ou dispersas em diversos documentos, sendo 
estas denominadas Constituições Legais. Estas estão “integradas por 
documentos diversos, vale dizer, fisicamente distintos, que se reagrupam sob o 
epíteto de perfazerem a Constituição de determinado país” (TAVARES, 2020). 
 
Atualmente, nossa Constituição é classificada como formal (quanto ao conteúdo) e 
escrita (quanto à forma), uma vez que está codificada e sintetizada em um 
documento único. Porém, com a redação dada pela Emenda Constitucional n. 45/04, 
passou-se a reconhecer também como norma constitucional outras que não estão 
escritas na nossa Constituição (art. 5º, § 3º: Os tratados e convenções internacionais 
sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, 
serão equivalentes às emendas constitucionais). 
 
Com isso, a doutrina concluiu que a nossa Constituição, quando à forma, não pode 
ser classificada como instrumental ou meramente escrita, uma vez que a partir do 
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Tipologia das Constituições 
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implemento do art. 5º, § 3º, nós adotamos uma outra deia de constituição, a de 
constituição legal, uma que admite normas escritas em outros documentos. 
 
4.3 Quanto à Elaboração 
Quanto à elaboração, a constituição pode ser sistemática (dogmática) ou histórica 
(costumeira). 
 
▪ Constituição Sistemática ou Dogmática: sempre escrita, é aquela elaborada 
por um órgão constituinte que sistematiza os dogmas ou ideias fundamentais 
da teoria política do direito dominante naquele momento. Parte de teorias 
preconcebidas, sistemas prévios e institutos já consagrados na teoria, na 
doutrina e em dogmas políticos, e é feita em prazos certos e determinados. Este 
modelo permite quebrar dogmas, pois faz olhar para trás, analisar o que está 
certo ou errado e, com base nessas reflexões, escrever aquilo que se tomará por 
certo ou errado a partir daquele momento (ex.: Constituição Federa de 1988). 
 
▪ Constituição Histórica ou Costumeira: não escrita, é aquela resultante de 
lenta formação histórica, do lento evoluir das tradições, dos fatos sócio-políticos 
que se cristalizam como normas fundamentais da organização de determinado 
Estado ou, como explica Tavares (2020), “da gradativa sedimentação jurídica de 
um povo, por meio de suas tradições” (ex.: Constituição Inglesa). 
 
4.4 Quanto à Origem 
Quanto à origem, as constituiçõespodem ser classificadas em quatro tipos. 
 
▪ Constituição Votada, Popular, Democrática ou Promulgada: são aquelas 
que derivam do trabalho de um órgão constituinte composto de representantes 
eleitos pelo povo para esse fim, a chamada Assembleia Nacional Constituinte 
(ex.: Constituições Brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988). 
 
▪ Constituição Imposta ou Outorgada: são aquelas impostas pelos 
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governantes, sem a participação do povo e independentes do sistema ou forma 
de governo. Alguns doutrinadores não reconhecem essa forma de constituição, 
dando a esse tipo de constituição imposta ou outorgada o nome de cartas 
constitucionais (ex.: Constituições Brasileiras de 1824 e 1937). 
 
▪ Constituição Bonapartista ou Cesarista: são aquelas elaboradas por um 
Imperador ou Ditador e submetida a plebiscito ou a referendo popular para 
mera ratificação da vontade do detentor do poder (ex.: plebiscitos 
Napoleônicos e o plebiscito de Pinochet, no Chile). 
 
▪ Constituição Dualista ou Pactuada: origina-se de um compromisso entre duas 
classes políticas antagônicas; o poder constituinte originário se encontra nas 
mãos de mais de um titular. O equilíbrio é precário ou camuflado (ex.: Magna 
Carta de 1215 e a Constituição Francesa de 1791). 
 
 
4.5 Quanto à Estabilidade 
Quanto à classificação das constituições em relação à estabilidade, ou alterabilidade, 
é importante lembrar, em primeiro lugar, que não existe no mundo uma classificação 
para constituição imutável, porque todas as constituições são mutáveis. Por isso, as 
constituições são classificadas somente em relação ao nível de complexidade para 
realização de alterações. 
 
▪ Constituição Rígida: é aquela que para ser alterada exige um procedimento 
especial solene e mais rigoroso que os de formação das leis ordinárias ou 
complementares (ex. Constituição Federal de 1988). “Na Constituição rígida, 
para todas as normas constitucionais se exige, na eventualidade de sua 
alteração, um processo legislativo mais trabalhoso, mais dificultoso do que 
comumente é exigível. Geralmente, e principalmente no caso brasileiro, esse 
processo mais trabalhoso se resume a uma iniciativa mais reduzida, a um 
quorum de aprovação maior e, por fim, à não participação do Poder Executivo 
(por meio da exclusão do veto ou da sanção)” (TAVARES, 2020). 
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▪ Constituição Flexível: é aquela que pode ser modificada pelo legislador 
segundo o mesmo procedimento utilizado para as leis ordinárias ou 
complementares (ex.: Itália/1848). Segundo Tavares (2020), “as constituições 
flexíveis são as primeiras formas de estruturação que aparecem nas sociedades 
políticas organizadas”. 
 
▪ Constituição Semirrígida ou Semiflexível: é aquela que contém uma parte 
rígida e outra flexível, exigindo, normalmente, um quórum de alterações distinto 
e um poder limitado, mas para algumas normas o processo é o mesmo que o 
de lei ordinária (ex.: Constituição do Império de 1824). 
 
▪ Constituição Super-rígida: é aquela que se caracteriza pela impossibilidade de 
alteração, ou “pretensão de eternidade”, conforme expõe Tavares (2020). É 
aquela que, além de rígida, possui cláusulas que não podem ser alteradas – as 
denominadas cláusulas pétreas. No entendimento de Alexandre de Moraes, a 
Constituição de 1988 seria super-rígida, haja vista possuir normas imutáveis 
(cláusulas pétreas constantes no art. 60, § 4º, CF/88). Conforme aponta Nathalia 
Masson, contudo, este não é “o entendimento da doutrina majoritária, que 
compreende a Constituição de 1988 enquanto rígida, sob a justificativa de que 
o que caracteriza a rigidez é exatamente o procedimento diferenciado de 
alteração — marcado por quorum de votação qualificado, rejeição ao turno 
único, ampliação das discussões — e não a existência de um núcleo insuperável, 
insuscetível à ação restritiva ou abolitiva do poder reformador, que pode existir 
ou não nos documentos rígidos”. 
 
4.6 Quanto à Finalidade 
Existem três classificações quanto à finalidade de uma constituição. 
 
▪ Constituição Garantia, Abstencionista ou Negativa: é aquela que busca 
garantir a liberdade e os direitos pessoais, delimitando o Poder Estatal (ex.: 
Constituição Norte-Americana). De acordo com Fernandes (2020), “ela tem um 
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viés no passado, visando garantir direitos assegurados contra possíveis ataques 
do Poder público. Trata-se de Constituição típica de Estado liberal que se 
caracteriza pelo seu abstencionismo e sua atuação negativa (de não 
interferência ou ingerência na sociedade)”. 
 
▪ Constituição Balanço: é aquela que se limita a demonstrar a ordem existente, 
que visa o presente. É típica dos regimes socialistas, “essa constituição propõe-
se a explicitar as características da atual sociedade, trazendo parâmetros que 
devem ser observados à luz da realidade econômica, política e social já 
existente” (FERNANDES, 2020) (ex.: Constituição soviética de 1924, 1936 e 1977). 
 
▪ Constituição Dirigente: é aquela que não se limita a organizar o poder, mas 
determinar a atuação do governo, impondo verdadeiras diretrizes políticas 
permanentes. É a constituição do “dever ser” (ex. Constituição Federal de 1988). 
Segundo Fernandes (2020), é uma constituição típica de Estado social e de 
seu pano de fundo pragmático (democracias-sociais, sobretudo do pós-
Segunda Guerra Mundial). Constituições dirigentes são planificadoras e visam 
predefinir uma pauta de vida para a sociedade e estabelecer uma ordem 
concreta de valores para o Estado e para a sociedade, ou seja, programas e fins 
para serem cumpridos pelo Estado e também pela sociedade”. 
 
4.7 Quanto à Extensão 
Quanto à extensão, uma constituição pode ser classificada como concisa ou prolixa. 
 
▪ Constituição Concisa ou Sintética: é aquela que possui texto enxuto, curto, 
tratando apenas de regras básicas de organização do sistema político-jurídico 
do Estado, deixando para a legislação infraconstitucionais as demais matérias 
(ex.: Constituição Norte-Americana, com apenas 10 emendas originais e outras 
17 acrescentadas posteriormente, desde 1791). 
 
▪ Constituição Prolixa ou Analítica: é aquela com conteúdo extenso (formato 
amplo), minucioso e que contempla regras programáticas e normas 
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formalmente constitucionais. Este modelo de constituição, explica Fernandes 
(2020) “acaba por regulamentar outros assuntos que entenda relevantes num 
dado contexto, estabelecendo princípios e regras, e não apenas princípios” (ex.: 
Constituição Federal de 1988, com 250 artigos originais mais 106 emendas até 
o momento). 
 
4.8 Quanto ao Critério ontológico 
Quanto à ontologia, isto é, ao nível de correspondência com a realidade, as 
constituições são classificadas em normativa, nominalista e semântica. 
 
▪ Normativa: é aquela que está integrada na sociedade, refletindo os anseios da 
sociedade, e todos a cumprem lealmente, inclusive os agentes de poder. Há 
uma correspondência com a realidade. Na explicação de Nathalia Masson 
(2020), neste tipo de Constituição, “há perfeita sintonia entre o texto 
constitucional e a conjuntura política e social do Estado, de forma que a 
limitação ao poder dos governantes e a previsão de direitos à população sejam 
estritamente observadas e cumpridas. O texto constitucional é de tal forma 
eficaz e seguido à risca que, na prática, vê-se claramente a harmonia entre o 
que se estabeleceu no plano normativo e o que se efetiva no mundo fático” (ex.: 
Constituição Americana de 1787). 
 
▪ Nominativa: é meramente educativa e insuficiente em concretização 
constitucional, não se alcançaa verdadeira normatização do processo real do 
poder. Para Masson (2020), “esta já não é capaz de reproduzir com exata 
congruência a realidade política e social do Estado, mas anseia chegar a este 
estágio. Seus dispositivos não são, ainda, dotados de força normativa capaz de 
reger os processos de poder na plenitude, mas almeja-se um dia alcançar a 
perfeita sintonia entre o texto (Constituição) e o contexto (realidade)” (ex.: 
Constituições brasileiras de 1934 e 1946). 
 
▪ Semântica: é aquela que, apesar de aplicada, revela somente o interesse 
exclusivo dos detentores do poder, buscando legitimá-los. Em outras palavras, 
é aquela que é imposta. “É a Constituição que nunca pretendeu conquistar uma 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Conclusão 
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coerência apurada entre o texto e a realidade, mas apenas garantir a situação 
de dominação estável por parte do poder autoritário. Típica de estados 
ditatoriais, sua função única é legitimar o poder usurpado do povo, 
estabilizando a intervenção dos ilegítimos dominadores de fato do poder 
político (MASSON, 2020).” (ex.: Constituições Federais de 1937 e 1967). 
 
5 Conclusão 
Nesta aula abordamos as principais concepções de constituição tradicionalmente 
trabalhadas pela doutrina – a concepção sociológica, política e jurídica –, além da 
concepção culturalista, entendendo que, fundamentalmente, a Constituição concebe 
o conjunto de normas supremas, responsáveis pela constituição e organização 
político-jurídica de um Estado. Falamos, por fim, sobre o constitucionalismo difundido 
por Konrad Hesse e as principais tipologias das constituições classificadas quanto ao 
conteúdo, forma, elaboração, origem, estabilidade, finalidade, extensão e 
correspondência com a realidade. 
 
6 Referências Bibliográficas 
BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os 
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. – 12 ed. Salvador: 
Ed. JusPodivm, 2020. 
MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. -8. ed. Salvador: Ed. JusPodvm, 
2020. 
SILVA, José Afonsa da. Curso de Direito Constitucional Positivo. -37. ed. São Paulo: 
Malheiros Editores, 2014. 
TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. – 18 ed. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
VIEIRA, Iacyr de Aguilar. A essência da Constituição no pensamento de Lassalle e de 
Konrad Hesse. In: Revista de informação legislativa, v. 35, n. 139, 1998. Disponível 
em: . Acesso em: set. 2021. 
Introdução ao Direito Constitucional | 
Referências Bibliográficas 
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	Sumário
	1 Introdução
	2 Concepções de Constituição
	2.1 A Concepção Sociológica
	2.2 Concepção Política
	2.3 Concepção Jurídica
	3 Concepção Moderna da Constituição
	3.1 O Constitucionalismo de Konrad Hesse
	3.2 Constituição em Sentido Cultural
	4 Tipologia das Constituições
	4.1 Quanto ao Conteúdo
	4.2 Quanto à Forma
	4.3 Quanto à Elaboração
	4.4 Quanto à Origem
	4.5 Quanto à Estabilidade
	4.6 Quanto à Finalidade
	4.7 Quanto à Extensão
	4.8 Quanto ao Critério ontológico
	5 Conclusão
	6 Referências Bibliográficas

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