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Introdução ao Direito Constitucional | Introdução www.cenes.com.br | 1 DISCIPLINA INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL CONTEÚDO A Estrutura do Estado Introdução ao Direito Constitucional | Introdução www.cenes.com.br | 2 A Faculdade Focus se responsabiliza pelos vícios do produto no que concerne à sua edição (apresentação a fim de possibilitar ao consumidor bem manuseá-lo e lê-lo). A instituição, nem os autores, assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoa ou bens, decorrentes do uso da presente obra. É proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, fotocópia e gravação, sem permissão por escrito do autor e do editor. 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Acesse a barra de marcadores do seu leitor de PDF e navegue de maneira RÁPIDA e DESCOMPLICADA pelo conteúdo. http://www.faculdadefocus.com.br/ mailto:secretaria@faculdadefocus.com.br. http://www.faculdadefocus.com.br/ Introdução ao Direito Constitucional | Introdução www.cenes.com.br | 3 Sumário Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 2 Estrutura Básica do Estado ----------------------------------------------------------------------------- 5 3 Forma de Estado ------------------------------------------------------------------------------------------- 6 3.1 Estado Unitário ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 3.2 Estado Federado --------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 3.3 Outras Classificações ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 4 Classificações das Federações -------------------------------------------------------------------------- 9 4.1.1 Quanto à Formação/Origem de uma Federação -------------------------------------------------------------------------- 10 4.1.2 Quanto à Concentração do Poder de uma Federação ------------------------------------------------------------------- 11 4.1.3 Quanto à Repartição de Competências de uma Federação ------------------------------------------------------------ 11 4.1.4 Quanto ao equacionamento das desigualdades -------------------------------------------------------------------------- 11 4.1.5 Quanto às esferas integrantes da federação------------------------------------------------------------------------------- 12 5 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 13 6 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 13 Introdução ao Direito Constitucional | Introdução www.cenes.com.br | 4 1 Introdução Ao analisar as perspectivas de evolução do Estado, André Ramos Tavares (2020) explica que os Estados de hoje foram formados por meio de uma longa e vagarosa evolução histórica e que “só deixarão de existir como tais pelo surgimento de novas realidades que tornem imprescindível uma transformação profunda da noção atual de Estado soberano”. Historicamente, houve um tempo em que os blocos de Estados se constituíam sobre a necessidade de demonstrar supremacia bélica em relação aos demais, como os Estados de caráter continental (ou regional), e outros se constituíam a partir de elementos religiosos. Estas formas de constituição de Estado, contudo, se mostraram falhas ao longo do tempo e só mais adiante o fenômeno da economia tornou viável o agrupamento de Estados, que agora possuíam um objetivo comum. É dessa forma que “a crescente inviabilidade econômica de os Estados menores sobreviverem no mundo torna os fenômenos de integração uma realidade desejável e possível. O fator econômico guia essa transformação, tornando-a juridicamente factível”. O autor empresta as palavras de Dalmo Dallari para esclarecer que essa realidade viabilizou a formação de duas ideias fundamentais que decidiriam o tema: “ou se daria a redução do número de Estados por sua concentração em blocos políticos, ou seriam constituídas algumas grandes federações”. Conforme aponta, “a integração em blocos políticos era uma ideia forjada sob o conceito de soberania, que se manteria pela mera criação de alianças entre os diversos Estados. Essa teoria foi incrivelmente desenvolvida na época da divisão bipolar do mundo, marcado pela superioridade militar de dois Estados, alinhando-se os demais ou a um ou ao outro, o que se considerava inevitável. Contudo, logo os Estados mais fracos notaram que o seu alinhamento a uma das potências interessava mais a esta do que a si mesmos. Desenhou-se, então, uma situação diversa no cenário mundial, com o não alinhamento a esse dualismo do que se denominou países de Terceiro Mundo, muitos deles fundados em ditaduras ou em sistemas que não chegavam a ser puramente capitalistas, sem, por isso, apresentar cunho socialista”. Introdução ao Direito Constitucional | Estrutura Básica do Estado www.cenes.com.br | 5 Assim, a ideia de unir vários Estados em um único de caráter supranacional, “inclusive com a criação de uma única Constituição, com objetivos econômicos e políticos, e com base de cultura comum” é considerada bastante recente. O mais próximo que temos dessa constituição é o que se vê na Europa. Para que se possa criar essa organização política suprema, com uma Constituição comum, primeiramente os Estados precisam ser unificados de alguma forma, processo este que resultaria na perda de soberania como atributo jurídico no campo internacional para alguns Estados que decidam se submeter a autoridades comuns para constituir um novo Estado soberano. Neste sentido, o autor aponta para duas formas teóricas clássicas existentes utilizadas para entrelaçar diversos Estados, que se traduzem no modelo dos Estados confederados, e no modelo federal. “Na confederação cada Estado integrante da união mantém íntegra sua soberania. Dessa forma, não há como pensar numa Constituição como o documento supremo da confederação. Os Estados, neste modelo, organizam-se em torno de tratados, celebrados entre as partes envolvidas, numa espécie de cooperação. Tudo se passa de maneira diversa na federação. Aqui, os Estados se agrupam em torno de um documento comum, a Constituição, atuando cada qual de maneira integrada, e não por meio de mera cooperação intergovernamental”. Uma lógica parecida pode ser aplicada quando analisamos o Estado-nação e os Estados-membros.Neste material falaremos sobre as formas de estado, voltando nossa atenção mais especificamente às características e classificações das federações. 2 Estrutura Básica do Estado Sabemos que o Estado é uma instituição complexa e dinâmica, em constante evolução. Historicamente já assumiu diversas formas, tais como a do Estado grego, Estado romano, Estado medieval, entre outras e, mesmo o Estado moderno também consta com várias ramificações, podendo ser democrático, social, liberal etc. Introdução ao Direito Constitucional | Forma de Estado www.cenes.com.br | 6 De todo modo, existem algumas características ou elementos constitutivos que caracterizam um Estado como tal. Se conceituado pelo critério dos elementos que o constituem, o Estado é “a formação política na modernidade, e é composto pelo POVO, seu elemento subjetivo, pelo TERRITÓRIO, que representa a sua porção física, pelo GOVERNO, que instrumentaliza a sua vontade e pela SOBERANIA, que é o reconhecimento perante a comunidade jurídica internacional” (BAHIA, 2017, p. 253). 3 Forma de Estado Conforme Nathalia Masson (2020), a forma de Estado diz respeito à “distribuição do exercício do poder político em razão de um território, de forma que a existência (ou não) de descentralização dará o tom da opção feita pelo poder originário ao estruturar o Estado”. Assim, alguns Estado serão organizados a partir de um único centro de poder, que emanará os comandos decisórios, e outros terão a descentralização como característica, distribuindo o exercício do poder. Na sequência, falaremos brevemente sobre as duas principais formas de Estado, destacando as principais características. 3.1 Estado Unitário Tavares define o Estado unitário como aquele no qual o poder “encontra-se enraizado em um único ente interestatal”. Por ser a forma de Estado na qual o poder fica concentrado nas mãos de uma única pessoa ou órgão, foi aquela adotada originariamente por governos autoritários. Basicamente, o Estado unitário é formado por um único Estado não descentralizado politicamente e, embora possa até mostrar uma descentralização administrativa, por meio da divisão interna, “deve estar presente, contudo, a subordinação ao poder central de qualquer entidade, órgão ou departamento criado para exercer parcela de atribuições”. Ou seja, as unidades internas não são dotadas de competência política, pois não são autônomas. Conforme aponta Tavares: Todas as entidades inferiores encontram-se dependentes da vontade central. Na estrutura do Estado unitário não há lugar para a vontade dos entes desconcentrados impor-se sobre a vontade do poder central. [...] As entidades desconcentradas encontram-se, na realidade, na Introdução ao Direito Constitucional | Forma de Estado www.cenes.com.br | 7 própria estrutura central, não constituindo um segmento separado ou autônomo (TAVARES, 2020). Na mesma linha, Nathalia Masson (2020) afirma que “é importante que o Estado promova divisões administrativas (não divisões políticas) para alcançar a governabilidade”. Neste sentido, criou-se a tipologia denominada “Estado unitário descentralizado administrativamente”, que é adotada por muitos países na atualidade. São exemplos de Estados unitários a Itália, Bélgica e Uruguai. 3.2 Estado Federado O Estado Federado é aquele no qual existe descentralização no exercício do poder político, estando este pulverizado em mais de uma entidade política, todas funcionando como centros emanadores de comando normativos e decisórios” (MASSON, 2020). Assim, o Estado federado é formado pela união entre estados, entre entes que conservam autonomia política, sendo que a soberania é transferida para o Estado Federal, embora os entes sejam dotados de capacidade política, sua unidade é fundamental para a manutenção do Estado Federado. O Brasil, que já foi um Estado unitário no período Brasil-Império, assumiu a forma federada desde a Proclamação da República como forma de Governo (Decreto n. 01). “Todas as Constituições que sucederam referido decreto, a começar pela primeira republicana (a de 1891) mantiveram referida escolha”. Nathalia Masson pontua as características da estrutura política que é assumida quando se opta pela forma federada de Estado. Em resumo, são elas: ▪ Descentralização no exercício do poder político, da qual deriva a aptidão para realização de três capacidades: auto-organização; autogoverno; e autoadministração. ▪ Indissolubilidade do vínculo federativo; ▪ Rigidez constitucional, associada a imutabilidade da forma federativa; ▪ Existência de um Tribunal Constitucional; ▪ Previsão de um órgão legislativo que represente os poderes regionais (princípio Introdução ao Direito Constitucional | Forma de Estado www.cenes.com.br | 8 da participação) Figura 1 - Características da estrutura política da forma federada de Estado Fonte: Adaptado de MASSON (2020) 3.3 Outras Classificações Outras formas de Estado apontadas pela doutrina que se apresentam no direito comparado são: ▪ Estado Regional: “assemelha-se ao unitário na medida em que não possui descentralização administrativa”. Ex.: Itália. ▪ Estado Autonômico: “é marcado ela inexistência de descentralização política e existência de descentralização administrativa e legislativa”, mas constitui-se de “baixo para cima”. Ex.: Espanha. ▪ Confederação: “formada pela reunião de Estados soberanos, é usualmente criada por meio de tratados, podendo, eventualmente, até mesmo adotar um documento comum intitulado “Constituição” – mas a natureza desse texto, independentemente da questão terminológica, será de tratado ou acordo, haja vista não haver qualquer alienação da soberania dos entes componentes ao Estado Confederado. Na confederação, ao contrário da federação, as entidades componentes são Estados Nacionais, que não deixam de ser soberanos e podem se separar a qualquer momento, já que o direito à secessão, ou seja, a Introdução ao Direito Constitucional | Classificações das Federações www.cenes.com.br | 9 dissolubilidade do vínculo entre eles, é nota marcante”. Figura 2 - Formas de Estado Fonte: Adaptado de MASSON (2020) 4 Classificações das Federações Os Estados federados não são todos homogêneos, cada federação possui características próprias e pode ser classificada de forma distinta. Essas classificações são dadas de acordo com a formação, a concentração de poder e a repartição de competências, quanto ao equacionamento das desigualdades e quanto às esferas integrantes da federação. Introdução ao Direito Constitucional | Classificações das Federações www.cenes.com.br | 10 Figura 3 - Classificação das federações Fonte: Núcleo Editorial Focus 4.1.1 Quanto à Formação/Origem de uma Federação De acordo com Masson (2020), uma federação pode ser originada de duas formas, por agregação, que é “o resultado da reunião/junção de alguns Estados Nacionais, até então soberanos, que decidem se reunir em um vínculo federativo. Para tanto, cedem sua soberania para o conjunto (o Estado Federal) e se tornam parte da federação, como entidades meramente autônomas”. Esta forma ocorre em um movimento centrípeto (de fora para dentro), uma vez que se forma “a partir de um deslocamento de poder que se dá da periferia para o centro”. Ainda, uma federação pode ser originada por segregação, resultado do “desfazimento de um Estado unitário (marcado pela centralização do poder em um único polo emanador de comandos decisórios) que pretende se tornar federado”. Este é denominado o movimento centrífugo, “em que o deslocamento do poder se dá do Introdução ao Direito Constitucional | Classificações das Federações www.cenes.com.br | 11 centro para a periferia”. 4.1.2 Quanto à Concentração do Poder de uma Federação A concentração do poder de um Estadotambém pode revelar se ele é centrípeto (centralizador) ou centrífugo (descentralizador). Quando a concentração do poder é mais rígida, mais centralizadora, no plano federal, temos um Estado federado centrípeto; quando a concentração do poder é mais flexível, descentralizada, e as competências das entidades regionais são abundantes, temos um Estado federado centrífugo. 4.1.3 Quanto à Repartição de Competências de uma Federação Quanto à repartição de competência entre os Poderes de uma Federação, destacamos duas formas, a Federação Dual, em que há uma divisão um pouco mais brusca da Federação, uma divisão de competências mais latentes e nítidas, e a Federação Cooperativa, em que existe uma competência comum, concorrente; consequentemente, a descentralização dessas competências é menos rígida e mais branda. Ou seja, há maior cooperação entre os entes. O Brasil é um exemplo de Federação Cooperativa, tal como podemos constatar nos arts. 23 e 24 da CF/88, que falam sobre a competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. 4.1.4 Quanto ao equacionamento das desigualdades Quanto ao equacionamento das desigualdades, as federações podem ser simétricas ou assimétricas. Na federação simétrica, a “distribuição de competências e receitas é feita de modo equânime entre as entidades, sem disparidades ou diferenças”, já na federação assimétrica, existe um desequilíbrio no tratamento dos entes, principalmente em razão de desigualdades regionais bastante latentes ou de Introdução ao Direito Constitucional | Classificações das Federações www.cenes.com.br | 12 diferenças culturais muito marcantes. Conforme aponta Masson (2020), “no Brasil, por possuirmos alguns momentos constitucionais de assimetria (todos tendentes à reversão da situação de desigual entre os entes, como observamos nos seguintes dispositivos: art. 3º, III; art. 43; art. 151, I; art. 159, I, “c”, todos da CF/88), alguns autores identificam nossa federação como assimétrica”. Contudo, a autora a considera simétrica, uma vez que “todas as entidades federativas que estejam no mesmo grau possuem a mesma gama de atribuições”. 4.1.5 Quanto às esferas integrantes da federação Quanto às esferas integrantes da federação, existem duas: o federalismo de segundo grau e o de terceiro grau. No Federalismo de segundo grau (ou bidimensional), o Estado se constitui a partir de uma ordem jurídica central (primeiro grau) e das ordens jurídicas regionais (segundo grau). Em contrapartida, no Federalismo de terceiro grau soma-se a essas duas ordens existentes uma terceira ordem, que é a local (os Municípios), logo temos a União representando a ordem central, os Estados-membros representando a segunda ordem, e os Municípios representando a terceira ordem. Nathalia Masson (2020) classifica a forma de federação do Estado brasileiro da seguinte maneira: Figura 4 - Classificação da Federação Brasil Fonte: adaptado de Masson (2020) Introdução ao Direito Constitucional | Conclusão www.cenes.com.br | 13 5 Conclusão Nesta aula falamos sobre duas possíveis formas de Estado, a forma unitária, caracterizada pela centralização política e a concentração de poder, e a forma federada, por sua vez caracterizada pela descentralização no exercício do poder político. Além disso, vimos que existem diferentes tipos de federações, que são classificadas quanto à forma, quanto à concentração de poder, quanto à repartição de competências, quanto ao equacionamento das desigualdades e quanto às esferas integrantes da federação e que, diante dessa classificação, o Brasil pode ser entendido como um federação formada a partir da segregação, com concentração centrípeta de poder, cuja repartição de competências é feita de modo cooperativo, simétrica em termos de equacionamento, e classificada como uma federação de terceiro grau. 6 Referências Bibliográficas BAHIA, Flavia. Direito Constitucional. Recife: Armador, 2017. MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. -8. ed. Salvador: Ed. JusPodvm, 2020. TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. – 18 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. Introdução ao Direito Constitucional | Referências Bibliográficas www.cenes.com.br | 14 Sumário 1 Introdução 2 Estrutura Básica do Estado 3 Forma de Estado 3.1 Estado Unitário 3.2 Estado Federado 3.3 Outras Classificações 4 Classificações das Federações 4.1.1 Quanto à Formação/Origem de uma Federação 4.1.2 Quanto à Concentração do Poder de uma Federação 4.1.3 Quanto à Repartição de Competências de uma Federação 4.1.4 Quanto ao equacionamento das desigualdades 4.1.5 Quanto às esferas integrantes da federação 5 Conclusão 6 Referências Bibliográficas